Micose fungo na unha e unhas fracas onicomicose ou tinha das unhas toda a verdade! Quais os sintomas? Quais as causas? Qual o melhor tratamento? Os fungos nas unhas são muito frequentes, este artigo pretende ser um contributo importante para melhorar a saúde e beleza das suas unhas.
Onicomicose ou tinha das unhas é uma infeção fúngica das unhas. Embora possa afetar todas as unhas, é mais comum nas unhas dos pés. A onicomicose ocorre em cerca de 10% da população adulta. A doença afeta com maior frequência pessoas idosas e é mais comum entre homens do que entre mulheres. Os casos de onicomicose correspondem a cerca de metade dos casos de doenças das unhas.
Anatomia de uma unha
Sintomas de onicomicose
Os sintomas habituais de onicomicose são os seguintes:
Descoloração branca ou amarela da unha,
Espessamento da unha,
Separação da unha da pele.
O diagnóstico é geralmente suspeitado com base na aparência e confirmado com exames de laboratório.
As lesões da unha provocadas pela onicomicose apresentam algumas variações na sua apresentação, dependendo do tipo de fungo e de gravidade da infecção. Em geral, a micose da unha costuma apresentar um ou mais dos seguintes sintomas:
Unha grossa, mais espessa
Unha amarelada, sem brilho e opaca
Unha quebradiça e frágil
Separação da unha do leito ungueal
Distorções na forma da unha
Unha com coloração negra, em casos mais graves.
Causas e fatores de risco
As infecções fúngicas das unhas são geralmente causadas por um fungo que pertence a um grupo denominado dermatófitos, que também pode causar infecções nos pelos do corpo e na pele, como no caso do pé de atleta.
Outro grupo de fungos que também pode causar micoses das unhas são as leveduras. Em regra, as leveduras causam onicomicose nas mãos e os dermatófitos provocam onicomicose nas unhas dos pés. A onicomicose é uma infecção fúngica que pode afectar qualquer parte da unha, incluindo a lâmina, o leito ou a raiz da unha.
Afecta actualmente cerca de 30% da população europeia. Raramente afeta crianças, principalmente devido ao rápido crescimento da unha, que complica o desenvolvimento dos fungos.
Perigos complicações da onicomicose
Em diabéticos ou imunossuprimidos a onicomicose pode servir como porta de entrada para bactérias, favorecendo o surgimento de infecções secundárias, como erisipela ou celulite da perna que é uma infeção grave na pele.
A celulite é uma infecção bacteriana que enolve as camadas interiores da pele e afeta especificamente a derme e gordura subcutânea. A área de infecção é geralmente dolorosa. Os vasos linfáticos podem, ocasionalmente, ser envolvidos e a pessoa pode apresentar febre e sensação de cansaço. Antes de fazer um diagnóstico, infecções mais graves tais uma infecção óssea na base ou a fasciíte necrosante devem ser descartadas.
Sintomas e risco de necrose e amputação
A celulite infecciosa é caracterizada por uma mancha vermelha (eritema), com bordos mal definidos, inflamada (inchada, sensível, dolorosa e quente) e que cresce difusamente. Pode formar pus, abcessos e inflamar nódulos linfáticos. A infecção sistémica, quando as bactérias entram na corrente sanguínea, pode causar febre, mal estar, cansaço e infectar outros órgãos. Em raros casos, penetra para as fáscias e causa necrose com risco de amputação da perna!
Erisipela
Em contraste com a celulite, a erisipela é uma infecção bacteriana que envolve camadas mais superficiais da pele, e apresentam uma área de vermelhidão com bordas definidas, e mais frequentemente é associada a uma febre. é uma infecção bacteriana cutânea (tipo piodermite) causada, principalmente, por Streptococcus β-hemolíticodo grupo A. Outras causas menos frequentes são Streptococos β-hemolítico dos grupos C e G e Staphylococcus aureus.
Lesões na pele como infecção fúngica (ex: onicomicose e outras micoses), picadas de inseto, mordidas e cirurgias podem servir de porta de entrada para as bactérias.
O tratamento geralmente é feito com penicilina V, em casos severos pode-se usar penicilina G. Outras alternativas incluem doxiciclina (no caso de Staphylococcus), ceftriaxona, cefazolina ou em caso de resistências usar vancomicina. Há uma crescente resistência dos Streptococcus tipo A aos macrólidos.
Tratamento da celulite infeciosa
O tratamento geralmente é com antibióticos tomados por via oral, tais como a cefalexina, amoxicilina, ou cloxacillina.
Para aqueles que apresentam alergia grave à penicilina, eritromicina ou clindamicina podem ser usadas. Quando S. aureus resistentes à meticilina (MRSA) é uma preocupação, doxiciclina ou trimetoprim/sulfametoxazol podem ser recomendados. A preocupação está relacionada com a presença de pus ou infecções anteriores por MRSA. Elevar a área infectada pode ser útil, assim como analgésicos.
Contágio e como se apanha
É uma doença bastante contagiosa, sendo frequente o contágio em locais humidos e quentes como piscinas e balneários públicos, através do uso de toalhas, alicates ou tesouras, mal lavadas ou contaminadas. Pode também ocorrer contágio em casa, pois basta um elemento da família estar contaminado, para contagiar facilmente o resto da família. Banheiras e tapetes de pés, são também locais propícios a contágios.
Não se apanha micose das unhas apenas por apertar a mão ou tocar em objetos manipulados por alguém infectado porque é necessário um contacto mais prolongado ou uma lesão já pré-existente entre a pele e a unha.
As unhas mais comumente afetadas são as dos pés, em consequência do uso de sapatos fechados, o que origina um ambiente ideal (humidade, temperatura e ausência de luz) para o desenvolvimento dos fungos.
O contacto com o fungo por si só não costuma ser suficiente para se adquirir a onicomicose. Geralmente é preciso haver pequenas lesões entre a unha e a pele para que o fungo consiga penetrar por baixo da unha e alojar-se. Também é necessário que a unha seja exposta frequentemente a ambientes húmidos para que o fungo possa multiplicar-se com mais facilidade.
A onicomicose nas unhas dos pés é muito mais comum do que nas unhas das mãos. Os pés costumam estar mais expostos a locais húmidos, não só quando se anda descalço em locais públicos, mas também por passar boa parte do dia fechado dentro de meias e calçados. Calor, falta de luz e humidade é tudo que um fungo deseja para proliferar. Além disso, os dedos dos pés estão no ponto do corpo mais distante do coração, não sendo tão bem vascularizados com os dedos da mão. Deste modo, os anticorpos e as células de defesa do organismo não chegam às unhas dos pés com tanta facilidade quanto a outros pontos do organismo.
Fatores de risco da onicomicose
A presença de alguns fatores favorece a infecção da unha por fungos. Por exemplo, pessoas com pé de atleta, que é uma infecção fúngica da pele dos dedos, têm um maior risco de contrair também infecção fúngica das unhas. Outros fatores de risco são:
Os atletas também são um grupo de risco para onicomicose. porque costumam estar com os pés frequentemente calçados e húmidos pela transpiração, além de terem uma maior incidência de traumas nas unhas devido ao impacto de suas atividades físicas.
Formas mais comuns de onicomicoses
Descrevo de seguida as formas mais comuns de onicomicose e uma imagem para apoiar a distinguir a diferença.
1. Onicomicose subungueal distal
É de longe a forma mais comum e caracteriza-se pela infecção da ponta da unha. O dedo grande do pé é geralmente o primeiro a ser afetado. A infecção começa com uma descoloração esbranquiçada, amarelada ou acastanhada numa das pontas laterais da unha, estendendo-se lentamente por toda unha, em direção à cutícula. A unha pode descolar-se e a ponta costuma partir-se e cair, expondo a pele que serve de leito para a unha.
2. onicomicose subungueal proximal
É a forma menos comum de onicomicose. È parecida com a onicomicose subungueal distal , porém, a progressão ocorre de forma oposta, iniciando-se próxima à cutícula e depois estendendo-se em direção à ponta da unha. Este tipo de micose de unha ocorre geralmente em doentes imunossuprimidos, sendo comum nos indivíduos com HIV.
3. Onicomicose superficial branca
É uma forma comum nas crianças, mas que nos adultos corresponde a apenas 10% dos casos de micose da unha. Caracteriza-se pelo aparecimento de manchas brancas sobre a superfície da unha, geralmente mais próxima da cutícula do que da ponta. Quando não tratada, as manchas tendem a espalhar-se centrifugamente por toda a unha, deixando-a quase toda branca, além de áspera e quebradiça.
Diagnóstico da onicomicose
Lesões idênticas com causas não fungicas
As lesões das unhas da onicomicose podem ser semelhantes ás lesões da unha de outras doenças, como psoríase, eczemas, traumas, líquen plano, deficiência de ferro, etc. A maioria dos estudos atesta que a onicomicose é responsável por apenas metade dos casos de lesões das unhas. Em várias situações não é possível afirmar que o paciente sofre de onicomicose apenas olhando e examinando a unha.
A imagem seguinte descreve alguns problemas das unhas (sem onicomicoses) cujas causas são diversas nomeadamente falta de hidratação, carências orgânicas, excesso de utilização de acetona, má alimentação e contato com produtos químicos.
É, por isso, importante demonstrar de forma clara a presença do fungo antes de se iniciar o tratamento antifúngico. Para tal, o médico deve fazer uma pequena raspagem da unha, colher amostras e enviar para avaliação laboratorial à procura de fungos.
Tratamento qual o melhor
A micose da unha é uma infecção difícil de tratar porque as unhas crescem lentamente e recebem pouca irrigação sanguínea. Durante muitos anos os medicamentos utilizados para o tratamento da onicomicose não eram muito eficazes e os resultados eram frequentemente decepcionantes. Porém, actualmente, os tratamentos melhoraram substancialmente, principalmente por causa da introdução de medicamentos antifúngicos orais mais eficazes.
Estudos recentes mostram que medicamentos por via oral como Terbinafina e Itraconazol, embora mais agressivos (mais efeitos secundários que os tratamentos tópicos) apresentam taxas de cura mais altas que a Griseofulvina e o Cetoconazol, que eram usadas antigamente.
Taxas de cura dos principais antifúngicos orais:
Terbinafina 250 mg (73 a 79%).
Itraconazol 100 mg (56 a 70%).
Griseofulvina (54 a 66%).
Fluconazol (43 a 52%).
O tratamento com Terbinafina com comprimidos por via oral deve ser feito durante 6 semanas para onicomicose das mãos ou 12 semanas para onicomicose dos pés.
O tratamento tópico da micose de unhas com vernizes, como o Ciclopirox, tem menor eficácia que o tratamento por via oral, mas pode ser usado como complemento da terapêutica com Terbinafina ou Itraconazol.
Uma vez curada a micose de unha, se o doente não tiver cuidado a taxa de reinfecção pode chegar a 50%. Portanto, é preciso ter cuidado com os pés para que a unhas não voltem a ficar colonizadas por fungos.
Efeitos secundários
Os tratamentos por via oral são os mais eficazes mas também os mais agressivos no que concerne a eventuais efeitos secundários, principalmente por causa da duração prolongada dos tratamentos.
Retida do folheto aprovado pelo INFARMED (Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de saúde) a longa lista de efeitos secundários da terbinafina que descrevo de seguida é elucidativa dos riscos associados ao tratamento, embora a maioria sejam classificados de pouco frequentes, raros ou muito raros!
Os problemas hepáticos (figado) embora raros são dos que podem causar problemas mais graves.
Efeitos secundários muito frequentes (podem afetar mais de 1 em cada 10 pessoas):
Sensação de enfartamento,
Perda de apetite,
Mal-estar de estômago (indigestão),
Náuseas, dor abdominal ligeira e diarreia,
Reações alérgicas cutâneas, tais como irritação ou urticária,
Dor nas articulações ou nos músculos.
Efeitos secundários Frequentes (podem afetar até 1 em cada 10 pessoas):
Dor de cabeça.
Efeitos secundários pouco frequentes (podem afetar até 1 em cada 100 pessoas):
Perda ou diminuição do sentido do paladar. Isto resolve-se
geralmente dentro de várias semanas depois de ter parado de tomar o medicamento.
Diminuição do consumo de alimentos, levando a uma perda de
peso significativa em casos graves muito raros.
Efeitos secundários raros (podem afetar até 1 em cada 1000 pessoas):
Dormência ou formigamento
Diminuição da sensibilidade
Tontura
Problemas de fígado.
Efeitos secundários muito raros (podem afetar até 1 em cada 10.000 pessoas):
Problemas de fígado graves,
Reações cutâneas graves (com aparecimento súbito, que
podem ser recorrentes, que se podem espalhar, que podem aparecer sob a forma de
bolhas salientes, que podem ser acompanhadas de comichão e febre),
Exacerbação da psoríase,
Redução de certos tipos de células sanguíneas (neutropenia, agranulocitose, trombocitopenia),
Perda de pelo,
Fadiga,
Reações de hipersensibilidade graves (inchaço da face, olhos e língua, dificuldade em engolir, náuseas e vómitos, fraqueza, tonturas, dificuldade em respirar) ,
Precipitação e exacerbação do lúpus eritematoso dérmico e
sistémico,
Distúrbio menstrual (hemorragia intermenstrual e um ciclo
irregular) em doentes que tomam terbinafina concomitantemente com contracetivos
orais.
Tratamento tópico com cremes e vernizes
O tratamento por via tópica não é geralmente tão eficaz como o efectuado por via oral. No entanto pode ser uma alternativa quando os efeitos secundários dos antifungicos orais não são bem tolerados pelos doentes.
Principais antifúngicos tópicos
Actualmente os principais antifúngicos tópicos usados nas onicomicoses são:
Acido acético
Ciclopirox
Amorolfina
Clotrimazol (apenas depois de removida a parte da unha doente)
Tratamento por via tópica
1ª fase – Remoção da zona infectada da unha
Remover a zona infectada da unha é a 1ª fase para o tratamento da onicomicose. Esta remoção tópica é geralmente executada limando a unha ou aplicando uma pomada de ureia. A aplicação de uma pomada de ureia a 40% amolece e prepara a unha para a remoção da zona afectada com uma espátula própria, sem causar dor.
2ª fase – aplicação de um antifúngico local
Na 2ª fase, o tratamento deve ser completado com um creme antifúngico, de forma a eliminar a infecção na sua origem. A remoção da zona infectada da unha é fundamental para uma acção eficaz do creme antifúngico.
Resumindo as fases do tratamento:
Tratamento em 2 fases que garantem a eliminação da onicomicose;
Remoção da zona infectada da unha de uma forma simples e indolor, preparando-a para a 2º fase do tratamento, que consiste na aplicação de um creme antifúngico;
Melhorias visíveis diariamente.
Prevenção da micose e fungo na unha
A onicomicose pode causar dor, embaraço e interferir com as nossas actividades diárias, reduzindo a nossa qualidade de vida.
Trata-se de uma doença contagiosa, que pode também funcionar como porta de entrada a outro tipo de infecções (ex. bacterianas). Deste modo, é importante iniciar o tratamento logo que detectado o problema, assim como adoptar medidas preventivas de forma a evitar o contágio.
Evitar o contágio do fungo na unha
Use calçado confortável sem saltos ou pontas estreitas e que deixe a pele respirar;
Use meias limpas e troque-as diariamente;
Em caso de infecção, ao vestir-se, calce primeiro as meias para evitar a propagação dos fungos a outras partes do corpo.
Lave os pés diariamente e seque com cuidado a zona entre os dedos;
Utilize chinelos nos balneários públicos;
Não partilhe toalhas ou tapetes de banho;
Corte as unhas e mantenha-as curtas.
Utilize um corta-unhas diferente para as unhas infectadas, de modo a evitar a infecção de outras unhas;
Se tiver Pé-de-Atleta, deve tratá-lo sempre, de forma a evitar que os fungos contagiem as unhas, causando a onicomicose.
Concluindo
As micoses das unhas são infecções fúngicas comuns e contagiosas que embora não sejam graves são portas de entrada para outros microorganismos patogénicos, tais como bactérias, que podem causar infecções secundárias mais severas e agravar problemas de saúde pré-existentes. Devem portanto ser tratadas de imediato porque na primeira oportunidade que o nosso sistema imunitário esteja mais debilitado podem ocorrer infecções sem causa aparente mas que podem ter ocorrido em consequência da porta aberta pela onicomicose!
Urticária alérgica causas, sintomas, alimentos mais reativos, tratamento e quanto tempo dura, tudo o que não sabe! O que é uma alergia? E uma urticária? Qual a ligação entre alergia e urticária? Neste artigo vamos desenvolver as respostas sobre a urticária.
Neste artigo vou tratar os seguintes temas:
Anatomia da pele
Alergia o que é?
Urticária o que é?
Urticária é contagiosa?
Ligação entre alergia e urticária
Mecanismo de ação da urticária
Tipos de urticária existentes
Urticária aguda
Urticária crónica
Urticárias físicas
Tipos especiais de urticária
Como se faz o diagnóstico?
Como evitar a urticária?
Alimentos e aditivos comuns que podem provocar urticária
Medicamentos mais usados na urticária
Anti-histamínicos, corticoides e outros medicamentos
Antes de mais é sempre útil saber como é constituída a anatomia da nossa pele. Clique nas imagens para ampliar:
Alergia, o que é?
Uma alergia é uma reação de hipersensibilidade, a estímulos externos, mediada pelo sistema imunitário, nomeadamente um tipo de anticorpo com uma importância central em todas as doenças alérgicas, designado imunoglobulina E (IgE).
Urticária o que é?
A urticária não é uma doença mas sim uma síndroma comum, com lesões cutâneas afetando todas as faixas etárias, estimando-se que cerca de 20 a 30% da população, em algum momento da sua vida, tenha pelo menos um episódio de urticária. É caracterizada pelo rápido aparecimento de pápulas (lesões cutâneas ligeiramente elevadas em relação à pele sã), eritematosas (avermelhadas) algumas vezes esbranquiçadas na parte central, acompanhadas de prurido (comichão) ou por vezes sensação de queimadura, desaparecendo por breves segundos após pressão. Estas lesões desaparecem espontaneamente ou com terapêutica anti-histamínica, sem pigmentação residual num período de 24 horas podendo no entanto voltar a aparecer.
Em alguns casos, o edema da derme profunda e sub-cutis pode ser tão importante que dá origem ao aparecimento de angioedema (inchaço), por vezes doloroso em alternativa a pruriginoso, com envolvimento frequente das mucosas, sendo a resolução mais lenta comparativamente à da urticária (até 72 horas).
Decididamente não é contagiosa. Podemos tocar, conviver e estar no mesmo ambiente de doentes com urticária sem nenhum risco de transmissão da doença.
Alergia e urticária, qual a ligação?
Algumas alergias podem provocar sintomas cutâneos com o aparecimento de urticária. São exemplos algumas alergias a alimentos e medicamentos ou seja a urticária é em alguns casos uma consequência da alergia. No entanto tal como vamos descrever neste artigo, existem inúmeras outras causas de urticária que não são do foro alérgico, como por exemplo causas inflamatórias e infeciosas.
Mecanismo da urticária
Após processo de ativação dos mastócitos, pelo alergénio a que o indivíduo está sensibilizado, ou por outros mecanismos de natureza não alérgica, estas células existentes na pele e mucosas, libertam:
Histamina,
Citocinas.
Outros mediadores da inflamação.
Este processo dá início a uma série de alterações bioquímicas e intervenções celulares que culminam com o aparecimento e manutenção das lesões de urticária.
Causas e tipos de urticárias
De seguida descrevemos a classificação dos diferentes tipos que são muito mais diversos do que a maioria das pessoas julga, a saber:
a) Com aparecimento espontâneo de pápulas
b) Físicas
c) Especiais
Urticária com aparecimento espontâneo de pápulas
Aguda
Crónica
1. Urticária aguda– duração inferior a 6 semanas. Mais frequente em doentes com doenças atópicas como rinite, asma ou eczema atópico, e nas crianças e adultos jovens. São provocadas principalmente por:
Reações a medicamentos (alérgicas ou pseudoalérgicas).
2. Urticária crónica – duração superior a 6 semanas, podendo estender-se em aproximadamente 50% dos casos até 6 meses, ou mesmo ter uma duração superior a 10 anos (20% dos casos). Afeta principalmente o sexo feminino, entre os 30 e os 50 anos de idade. As causas principais são:
Reações alérgicas tipo I,
Reações pseudoalérgicas,
Autoimunidade (anticorpos antiFc_RI, anticorpos anti-tiroideus, outras doenças autoimunes),
2a. Urticária crónica contínua– frequência diária ou em quase todos os dias da semana
2b. Urticária crónica recorrente – intervalos livres de dias ou semanas sem sintomas
Urticárias físicas
Dermográfica ou dermografismo
Pressão retardada ou tardia
Contacto ao frio
Contacto ao calor
Solar
Angioedema vibratório
As urticárias físicas embora de natureza crónica, são agrupadas separadamente porque dependem da presença de um factor físico desencadeante e agrupam-se em três tipos, a saber:
1. Urticária dermográfica ou dermatografismo – desencadeada por fricção da pele (aparecimento de pápulas 1 a 5 minutos depois). Afeta principalmente adultos jovens. Duração média 6,5 anos.
2. Urticária de pressão retardada – desencadeada por pressão vertical (aparecimento de pápulas 3 a 8 horas depois). Média de idade de aparecimento é os 30 anos, afetando 2 vezes mais os homens. Duração média 6-9 anos.
3. Urticária de contacto ao frio – desencadeada por ar frio, água ou vento (9 subtipos descritos). Mais frequente em jovens do sexo feminino. Duração média 4,2 anos. Na maioria dos casos, de causa desconhecida embora algumas doenças infeciosas possam estar na origem, tais como:
1. Urticária colinérgica – lesões muito pequenas com halo eritematoso, desencadeadas por breve aumento da temperatura corporal, como por exemplo:
Exercício físico,
Banho quente,
Stress emocional.
Frequente em adultos jovens.
2. Urticária adrenérgica – pequenas lesões eritematosas com halo esbranquiçado, desencadeadas por stress emocional.
3. Urticária de contacto (alérgica ou pseudoalérgica) – nesta há aparecimento de pápulas nos locais em que as substâncias químicas contactam a pele, por exemplo:
Alimentos,
Plantas,
Medicamentos,
Cosméticos,
Químicos industriais,
Produtos animais,
Têxteis.
4. Urticária aquagénica– desencadeada por um alérgeno libertado do estrato córneo da pele, quando em contacto com a água. Cinco vezes mais frequente no sexo feminino, principalmente em adultos jovens.
Um ou mais subtipos de urticária podem coexistir num mesmo doente.
Diagnóstico da urticária
Nas formas agudas, habitualmente, não é necessário qualquer tipo de estudo, uma vez que a relação causa efeito é na maioria das vezes evidente. Na urticária crónica, uma história clínica aprofundada é fundamental para orientar a investigação. O estudo complementar diagnóstico deverá ser direcionado.
Algumas ferramentas orientadas pela suspeição clínica, em muitos casos ajudam ao diagnóstico da urticária crónica. As principais são:
O diário de sintomas,
O registo alimentar,
Testes cutâneos de alergia,
Provas cutâneas específicas do diagnóstico de urticárias físicas,
Teste de soro autólogo,
Estudo laboratorial e imagiológico (radiografia, ecografia),
Provas de provocação com alimentos, medicamentos, ou aditivos alimentares,
Biópsia de pele,
Evitar a urticária mas como?
Algumas medidas podem ser úteis para aliviar o prurido, principalmente à noite: duche tépido e/ou aplicação de loção de calamina ou de creme antipruriginoso. É fundamental a hidratação cutânea com aplicação de emolientes, particularmente nas formas crónicas.
Embora os subtipos de urticária sejam desencadeados por uma grande variedade de fatores, o tratamento da urticária segue alguns princípios básicos, tais como:
Evitar (evicção) ou eliminar os fatores desencadeantes da urticária tais como:
Medicamentos,
Estímulos físicos,
Tratamento de infeções,
Processos inflamatórios crónicos,
Remoção de anticorpos anti-Fc_RI,
Alimentos.
Minimizar os fatores favorecedores de stress e ansiedade.
Alimentos e aditivos que favorecem a libertação de histamina
Os alimentos com maior probabilidade de provocar urticária são:
Atum, bacalhau e crustáceos,
Charcutaria, tal como chouriço e outros enchidos,
Frutos tais como:
banana,
morango,
kiwi,
frutos tropicais quase todos
Frutos secos,
Tomate,
Cogumelos,
Queijos fermentados,
Enlatados,
Pré-cozinhados,
Aromatizantes tais como cacau, baunilha, malte, cola
Especiarias
Edulcorantes, corantes, conservantes e activadores de aroma
Infusões:
café
chá
Gaseificados,
Álcool.
Tratamento e medicamentos mais usados
O tratamento adequado depende da gravidade dos sintomas, história clínica do doente e idade. As classes de medicamentos mais usados são as seguintes:
Anti-histamínicos
Corticosteroides
Anti-leucotrienos
Anti-histamínicos
Anti-histamínicos em monoterapia ou associados. Reservam-se os sedativos para situações clínicas muito particulares e os de aplicação tópica não deverão nunca ser utilizados pois agravam a urticária, por exemplo:
Dimetindeno (Fenistil®)
Difenidramina (Caladryl®)
A urticária provoca lesões cutâneas muitas vezes extensas que podem ser “portas de entrada” para absorção sistémica de anti-histamínicos de aplicação tópica. Estes anti-histamínicos são formulados para atuarem apenas localmente porque geralmente são moléculas da primeira geração de anti-histaminicos e portanto com mais efeitos secundários sistémicos que os seus “parentes” de 2ª geração, nomeadamente atuando sobre o sistema nervoso central e provocando acentuada sonolência.
De seguida descrevo os anti-histamínicos mais usados na urticária e as respetivas dosagens diárias para um adulto com peso normal
Os anti-histamínicos clássicos mais usados, tomam-se em regra, de 8 em 8 horas, por via oral, e são os seguintes:
Dexclorferinamina (Polaramine®) , 2mg/6-8h,
Hidroxicina (Atarax®), 25mg/8h.
Nota: Em Portugal existe um xarope chamado Sinerbe® que é uma associação de Dexclorferinamina (anti-histamínico) + Pseudoefedrina (descongestinante) + Guaiafenesina (fluidificante da expectoração) mas que naturalmente é utilizado apenas nos quadros clínicos com sintomas respiratórios, nomeadamente quando existe simultaneamente congestão nasal com tosse produtiva.
Os anti-histamínicos de 2ª geração mais utilizados, tomam-se em regra, uma vez por dia, por via oral, e são os seguintes:
Loratadina (Claritine®), 10mg/dia;
Desloratadina (Aerius®), 5mg/dia;
Fexofenadina (Telfast®), 180mg/dia;
Cetirizina (Zyrtec®), 10mg/dia;
Levocetirizina (Xyzal®), 5mg/dia;
Mizolastina (Mizolen®), 10mg/dia;
Rupatadina (Rinialer®), 10mg/dia;
Ebastina (Kestine®), 10mg/dia;
Bilastina (Lergonix®, Bilaxten®), 10mg/dia.
Nota: A Bilastina (Lergonis® e Bilaxten®) é o anti-histamínico mais recente disponível no mercado, em Portugal.
Em Portugal os anti-histamínicos genéricos (menor preço) mais utilizados e disponíveis são os seguintes:
Desloratadina,
Cetirizina,
Levocetirizina,
Loratadina,
Ebastina.
Corticosteroides
Corticosteróides sistémicos injetáveis ou administrados por via oral em situações excepcionais, mas sempre acompanhados por terapêutica subsequente com anti-histamínicos em períodos prolongados para controlo clínico sustentado. Os corticoides mais utlizados são:
Prednisolona (Lepicortinolo®)
Prednisona
Anti-leucotrienos
Anti-leucotrienos representam em alguns doentes um benefício adicional, por exemplo:
Montelucaste (Singulair®), 10mg/dia, também disponivel em genérico.
Outros tratamentos
Outros tratamentos poderão ser utilizados em alguns casos particulares mas sempre submetidos a estreita vigilância clínica. Os exemplos mais comuns são:
Imunoglobulinas endovenosas,
Salazopirina,
Ciclosporina A,
Dapsona,
PUVA
Concluindo
A urticária é uma patologia muito comum pois estima-se que 80% das pessoas a desenvolvam pelo menos uma vez na vida. Algumas crises de urticária são mais agressivas ou prolongadas prejudicando de forma significativa a qualidade de vida dos doentes. As lesões em zonas expostas podem ter um aspeto “assustador e contagioso” podendo levar algumas pessoas a sentirem-se socialmente mais inibidas nomeadamente nas situações desencadeadas por stress emocional. Conheça-se melhor a si própria e identifique os fatores que particularmente lhe provocam uma reação de urticária. Evitar os fatores desencadeantes é o melhor remédio!
Fibromialgia qual o melhor tratamento, pontos de dor, sintomas e estigmas sociais. Quais os sinais? Quais as causas e fatores de risco? Quais os tratamentos mais eficazes? Que hábitos diários podem ajudar a melhorar? O que nunca deve comer? Porque são muitas vezes mal interpretados os doentes pela sociedade? Por desconhecimento da realidade clínica, muitas vezes as doentes são “rotuladas” de preguiçosas pelos colegas de trabalho e até por algumas pessoas de família… o que é psicologicamente muito duro de aceitar!
A fibromialgia é um síndrome crónico caracterizado por queixas dolorosas neuromusculares difusas e pela presença de pontos dolorosos em regiões anatomicamente determinadas. A fibromialgia é uma das doenças reumáticas com maior incidência na atualidade. É uma doença crónica invisível, sobre a qual ainda há muito por saber. A fibromialgia não tem tratamento específico e é capaz de provocar dores intensas, no entanto mantém-se até hoje num relativo anonimato, ao qual não será alheio o facto de apenas ter sido reconhecida como doença pela Organização Mundial de Saúde no final da década de 1970.
Prevalência
Estima-se que atinja entre 2 e 8% da população adulta global e ainda que esteja em clara expansão.
Fibromialgia qual a história desta doença?
Já Hipócrates descreve a dor músculo-esquelética difusa. Os principais pontos históricos da doença, por ordem cronológica, são os seguintes:
1824, Balfour faz a associação entre reumatismo e pontos dolorosos;
1880, Beard classifica como Mielastenia um síndrome com as características da Fibromialgia;
No início do séc xx, Growers introduz o termo “Fibrosite”por supor (algo nunca comprovado), que se trataria de alterações fibromusculares;
1972, Moldofsky identifica as perturbações do sono Nrem;
1977, Smythe e Moldofsky associam a presença de dor crónica e generalizada com pontos dolorosos em locais previsíveis e sono não reparador;
1990, o Colégio Americano de Reumatologia define os critérios de diagnóstico ainda agora utilizados.
Causas fisiopatológicas
Especula-se, ainda, acerca da origem da doença. Sabe-se que os doentes de fibromialgia apresentam:
Diminuição de serotonina e ácido 5 – Hidroxindolacético no LCR (líquido cefalorraquidiano) e no plasma;
Elevação da substância P no LCR (líquido cefalorraquidiano);
Hipovascularização de algumas regiões cerebrais;
Alterações no EEG (eletroencefalograma) de sono noturno, na fase NREM (fase de sono profundo onde ocorrem os sonhos);
Hipertonia simpática,
Alterações da memória recente.
Existem ainda outras alterações, mas todas elas são comuns a outras patologias. O mais provável é que seja uma causa multifatorial.
Fatores de risco
Embora não sejam conhecidas, com rigor, as causas da fibromialgia, sabe-se que as mulheres são quase 10 vezes mais afetadas que os homens. Na verdade, 80 a 90% dos casos diagnosticados são de mulheres com idades compreendidas entre os 30 e os 50 anos. Supõe-se, por outro lado, que o desenvolvimento da doença também possa ser influenciado por fatores como:
O sintoma predominante da fibromialgia é a dor muscular. Surgindo, na maior parte dos casos, de forma generalizada mas centrando-se posteriormente em regiões específicas, como o pescoço ou a região lombar, esta assemelha-se a um ardor intenso e muitas vezes debilitante. Pode, no entanto, fazer-se acompanhar por outros sintomas, como:
Perturbações de sono, presentes em cerca de 70% dos doentes, piorando as dores nos dias que dormem pior. Os registos eletroencefalográficos podem apresentar alterações relacionadas com as perturbações do sono.
Fadiga constante, que se mantém durante quase todo o dia com pouca tolerância ao esforço físico. Quando o sintoma dominante é a fadiga a doença tem sido designada por Síndroma da Fadiga Crónica;
Os sintomas podem, no entanto, variar em intensidade e até mesmo desaparecer e reaparecer de forma esporádica, consoante a hora e o dia, os níveis de stresse e ansiedade ou as mudanças de temperatura. Também podem ser agravados com a atividade física exagerada ou desequilibrada.
Há relatos de casos de fibromialgia que começam depois de uma infeção bacteriana ou viral, um traumatismo físico ou psicológico.
Existem estudos que mostram que pessoas com esta doença, apresentam alterações nos níveis de algumas substâncias importantes, particularmente:
Dor crónica generalizada, com evolução de, pelo menos, 3 meses, abrangendo a parte superior e inferior do corpo, lado direito e esquerdo, assim como o esquerdo axial.
Dor à pressão, em, pelo menos, 11 de 18 pontos predefinidos, a saber:
Ponto occipital – Bilateral, nas inserções do músculo sub-occipital.
Ponto cervical inferior – Bilateral, na face anterior dos espaços intertransversários de C5 e C7
Ponto trapézio – Bilateral, no ponto médio do bordo superior do músculo.
Ponto supra espinhoso – Bilateral, na origem do músculo acima da espinha da omoplata, junto do bordo interno.
Ponto 2ª costela – Bilateral, na junção costo-condral da 2ª costela, imediatamente para fora da junção e na face superior.
Ponto epicôndilo – Bilateral, 2 cm externamente ao epicôndilo.
Ponto glúteo – Bilateral, no quadrante superior externo da nádega, no folheto anterior do músculo.
Ponto grande trocanter – Bilateral, posterior à proeminência trocantérica.
Ponto Joelho – Bilateral, na almofada adiposa interna, acima da interlinha articular.
Pontos dolorosos
Os pontos dolorosos não são de dor espontânea.
A sua pesquisa deve ser efetuada com uma pressão digital de 4kg.
A dor não deve irradiar.
Manifestações Características
Fadiga crónica,
Sono não reparador,
Parestesias,
Rigidez (sobretudo matinal),
Edema subjetivo,
Cefaleias,
Síndroma de colon irritável,
Fenómeno de Raynaud,
Depressão/ansiedade,
Hipersensibilidade generalizada à pressão e mudanças de temperatura ( tipo síndroma gripal).
O diagnóstico é exclusivamente clínico, não existindo exames subsidiários caracteristicamente positivos na fibromialgia.
Doenças e diagnósticos diferenciais
Tendo em consideração que os sintomas de fibromialgia são comuns a outras doenças que têm tratamento diferente, sendo que algumas são potencialmente graves em termos de sobrevida, é necessário descartar ou confirmar, previamente, de forma clara a presença, simultânea ou não, das seguintes doenças:
Artrite reumatoide;
Lupus eritematoso sistémico;
Espondilite anquilosante;
Polimiosite;
Síndroma de Sjörgen;
Polimialgia reumática;
Osteomalacia ;
Osteoporose;
Doença vertebral degenerativa;
Síndroma de dor miofascial;
Hipotiroidismo;
Hipertiroidismo;
Hiperparatiroidismo;
Síndrome paraneoplásico;
Miopatia metabólica;
Metastização tumoral;
Mieloma múltiplo,
Polineuropatias;
Doença de Parkinson;
Sarcoidose;
Infeções víricas;
Neuroses;
Psicoses;
Ansiedade;
Depressão.
Qualquer destas patologias pode coexistir com a Fibromialgia.
Tratar a fibromialgia
Ainda não é conhecida cura para a fibromialgia e também ainda não existe nenhum fármaco específico para a doença. Existem, no entanto, medicamentos e técnicas que podem ajudar a aliviar os sintomas, principalmente as dores, a saber:
Analgésicos;
Relaxantes musculares;
Antidepressivos;
Massagens;
Técnicas de relaxamento.
Tratamento qual o melhor?
O primeiro passo é acreditarmos no sofrimento do doente! Seguidamente, envolver o doente no seu tratamento. Cada sujeito ativo compreendendo e colaborando na responsabilidade do Sucesso / Insucesso.
Deve frisar-se que se trata de uma doença crónica e que o tratamento visa, não a ausência de sintomas, mas o seu controlo. Também teremos que estar preparados para Adaptar os esquemas terapêuticos à evolução das queixas. O tratamento é sempre individual.
Tratamento Farmacológico
O tratamento farmacológico inclui os seguintes medicamentos:
Amitriptilina, em doses baixas ( 10mg – 25mg/ dia),
Fluoxetina (antidepressivo),
Diazepam e outros mio relaxantes (relaxantes musculares),
Ansiolíticos,
Indutores do sono,
Antiepiléticos, (topiramato em doses até 75mg/dia tem-se mostrado útil),
Analgésicos como o paracetamol, com e sem codeína, os salicilatos, o tramadol, revelam alguma eficácia.
Os corticosteroides, devido aos efeitos secundários e à quase ineficácia, são de evitar!
Tratamento Psiquiátrico
O apoio psiquiátrico nunca deve ser descurado, sempre que se revele necessário, sob a orientação de médico psiquiatra com experiência em dor.
Psicoterapia Coadjuvante
Particularmente útil nas áreas Cognitiva / Comportamental:
Aprender a viver com a doença e aceitar as suas limitações, assim como aprender a lidar com o stress.
Técnicas de Bio Feedback têm-se mostrado úteis.
Fisioterapia é possível
Sim mas apenas quando individualizada e efetivada por técnicos com experiência nestes doentes.
Exercício Físico adequado
Fundamental, o exercício físico mais indicado é adaptado às condições do doente. Aconselha-se, essencialmente:
Caminhada,
Natação (sem grande esforço), em ambientes agradáveis e tépidos.
É importante não descurar o Exercício Físico, porque a inação para que tendem os doentes de Dor Crónica, acarreta consequências psíquicas e físicas como:
Depressão,
Obesidade,
Atrofia Muscular,
Osteoporose,
Artralgias,
Estas são situações que acabam também e por si só, gerar doença.
Alimentação faz toda a diferença
Não existem dúvidas que a alimentação pode ter uma influência extraordinária na evolução e sintomatologia da doença. Cada doente deve tentar identificar principalmente os alimentos que fazem piorar a sua condição de saúde.
No geral deve evitar todos os alimentos fabricados e embalados pois quase sempre tem aditivos alimentares artificiais e teores de açúcar demasiado elevados.
Entre os mais importantes vale a pena estar atento e se necessário eliminar da alimentação diária os seguintes:
Aditivos alimentares artificiais como o Glutamato monossódico (MSG) e o Aspartame
Glúten
Açúcares
Enchidos
Alimentos fritos que contêm gorduras saturadas de má qualidade
Álcool
Também o excesso de peso parece piorar sempre os sintomas dolorosos associados à fibromialgia.
Nutrição e estudos sobre fibromialgia
Os seguintes estudos alertam para a importância do cuidado alimentar para mitigar os sintomas da fibromialgia, a saber:
Adaptar o seu estilo de vida aos sintomas da doença é essencial para uma melhor qualidade de vida. Assim deve tentar aplicar os seguintes hábitos diários:
Evite o stress;
Pratique exercício físico (com um programa adaptado às suas capacidades);
Como em qualquer outra doença dolorosa crónica e tendencialmente incapacitante, estes doentes apresentam-se muito queixosos, com níveis de autoestima baixos, angustiados, revoltados, não compreendidos e uma história de grande dificuldade em gerir a sua vida familiar, laboral e social.
Família do doente como reage?
A família é um fator primordial, para o melhor e para o pior, na evolução destes doentes. Muitas vezes não colabora, acusando o doente de “preguiçoso”, “piegas” ou “desequilibrado” emocionalmente. Normalmente, após elucidado, o agregado familiar passa a colaborar, sendo de grande importância, pelo suporte que pode dar ao doente. Por vezes, a própria família precisa de Apoio.
Local de trabalho o que acontece?
Devido às características da doença, a produtividade diminui, o que, muitas vezes, acarreta acusações dos colegas e superiores hierárquicos, criando um meio hostil. Devem-se diminuir os níveis de stress do doente, respeitando os seus Ritmos de trabalho e/ou mudando de Atividade profissional.
Sociedade como são tratados os doentes?
Normalmente, a incapacidade inerente à doença implica uma marcada diminuição da quantidade e qualidade da Vida Social destes doentes, assim como um aumento de gastos com o consumo de Serviços de Saúde e da Segurança Social, com faltas ao trabalho e reformas precoces.
O Estado português ainda não facilita a estes doentes os direitos que lhes deveriam ser atribuídos, de acordo com o reconhecimento da patologia já existente, revelando-se duplamente penalizante para o doente e agregado familiar.
Concluindo
Se suspeita que pode sofrer de fibromialgia, consulte o seu médico assistente ou o seu reumatologista. O diagnóstico faz-se quando a dor existe por mais de três meses em pelo menos 11 de 18 pontos específicos do corpo. Entretanto, realizam-se exames para excluir outras doenças que possam causar as queixas.
Se, infelizmente, já é um doente fibromialgico então não se acomode, adote um estilo de vida saudável com exercício físico e alimentação adequados. Vá ao médico acompanhado por alguém da sua família para que esta fique bem informada sobre a doença e possa dispensar-lhe o apoio positivo que é essencial para evitar outras perturbações psicológicas muitas vezes associadas à doença.
A dor de costas seja dor lombar ou dor na coluna é muito frequente e tem diversas causas; Atualmente medicamentos anti-inflamatórios e opióides fortes podem ser usados com segurança, sob rigorosa vigilância médica, para controlar a dor forte e melhorar a qualidade de vida dos doentes que apresentam com frequência grande sofrimento! Segundo a American Chiropractic Association cerca de 23% dos adultos sofrem de dor lombar que se prolonga no mínimo por 3 meses, tornando-se crónica. Na maior parte dos casos, a dor é de origem mecânica, mas cerca de 3% dos adultos sofrem de dor inflamatória na coluna vertebral.
Embora possam parecer semelhantes, a dor mecânica e a dor inflamatória na coluna têm causas diferentes, e a sua abordagem tem também de ser feita de forma distinta. É importante compreender o mais rapidamente possível que tipo de dor na coluna o afeta, para que possa ser tratada da forma mais adequada. Não aceite viver com a dor apenas porque acha que esta vai eventualmente desaparecer. Muitas pessoas adiam um diagnóstico correto.
Quanto mais tempo se prolongar a dor inflamatória na coluna não tratada, maior a probabilidade de lesões a longo prazo e maior o impacto negativo que a dor pode ter no seu dia-a-dia.
Quantas vertebras existem na região cervical, toráxica, lombar, do sacro e cóccix?
Quais os tipos de dor lombar?
Dor mecânica o que é?
Dor inflamatória o que é?
Quais as características da dor mecânica?
Causas da dor mecânica
Quais as características da dor inflamatória?
Causas da dor inflamatória
Quais as doenças auto-imunes associadas associadas à dor inflamatória da coluna?
Espondilite Anquilosante (EA) o que é?
Espondilartrite Axial Sem Evidência Radiográfica de EA o que é?
Artrite Psoriática o que é?
Artrite Reativa o que é?
Artrite Enteropática o que é?
Artrite Reumatóide o que é?
Como diagnosticar correctamente?
Quando consultar o médico?
Que outros profissionais de saúde podem ajudar a gerir a dor?
O que é a dor crónica na coluna?
Como gerir a dor na coluna?
Qual a importância do exercício?
Qual a importância da terapia manual?
Qual a importância da Fisioterapia?
Qual a importância da Acupuntura?
Qual a importância da terapia comportamental?
Quando optar pela cirurgia?
Qual a medicação mais utilizada?
O que são os AINEs?
Quando usar analgésicos opiáceos ou opioides?
Quais os opioides mais usados?
Quais os efeitos secundários?
Quais os efeitos colaterais graves?
O que são corticoides intra-articulares?
O que são medicamentos biológicos?
Nas dores de coluna também são usados antibióticos?
Qual o protocolo farmacológico para controlar causada por artropatias inflamatórias?
O que pode mudar no seu dia a dia para controlar melhor a dor?
O que pode mudar no trabalho para controlar melhor a dor?
Posso praticar exercício físico regular?
Estrutura da coluna vertebral
A sua coluna vertebral liga o crânio à bacia, e é composta por 33 ossos, conhecidos como “vértebras”. Estas vértebras estão agrupadas em quatro regiões distintas: região cervical, torácica, lombar e sagrada.
Estrutura da coluna vertebral
Coluna vertebral, vista anterior, lateral e posterior
Cada osso está empilhado sobre outro, formando a coluna, e as vértebras das três regiões superiores da coluna possuem uma espécie de almofada entre elas, o denominado disco inter vertebral constituido por um centro gelatinoso macio, envolvido por uma camada externa mais dura e áspera.
A sua coluna protege a medula espinal, um feixe de nervos e células de suporte que funcionam como via de circulação da informação entre o cérebro e o resto do corpo. A coluna constitui uma parte fundamental do seu sistema nervoso central. Por isso, deve procurar o médico sempre que sinta dor em alguma zona da coluna.
Dor de costas qual a prevalência?
As evidências sugerem que até 80% das pessoas vão sofrer de dor lombar em algum momento da sua vida.Estima-se ainda que cerca de 23% dos adultos sofram atualmente de dor lombar com duração de pelo menos 3 meses, e que, portanto, pode ser considerada crónica.
Não é de estranhar, já que são muitos os fatores do dia-a-dia que podem ter efeito ao nível da coluna. Por exemplo, fatores como o aumento de peso e até o calçado podem afetar a coluna. Existem muitas causas para a dor na coluna, e todas as pessoas com dor crónica na coluna devem consultar o médico.
Dor lombar
A dor de costas ou dor na coluna é muito frequente, porém, em muitos casos, desconhece-se a causa exata. A dor de costas pode divide-se em dois tipos principais:
Mecânica
Inflamatória
Este tipo de dor de costas pode dever-se a diversas causas, a saber:
Doenças infeciosas,
Doenças renais ou gastrointestinais,
Polimialgia reumática,
Tumores ( raramente ).
Vou, essencialmente falar, na dor de costas mecânica e na dor de costas inflamatória. A maior parte das vezes, a dor lombar crónica é mecânica. Porém, a dor inflamatória na coluna afeta cerca de 3% das pessoas.Ambos os tipos de dor podem limitar as suas atividades do dia-a-dia, além de diminuírem a sua qualidade de vida devido ao impacto no sono, na capacidade para trabalhar e na sua vida pessoal.
No entanto, dado que ambos os tipos de dor (mecânica e inflamatória) podem ter sintomas semelhantes, é difícil distingui-las sozinho. É por isso que é importante consultar um médico e saber descrever-lhe a sua dor. Esta informação irá ajudar o seu médico a fazer um diagnóstico e a tratar adequadamente a sua doença.
Dor mecânica na coluna
O tipo de dor na coluna mais comum é a dor mecânica na coluna. As pessoas com dor mecânica na coluna descrevem-na muitas vezes como tipo moinha ou latejante. Referem igualmente que a dor piora com o movimento e melhora com o descanso.
A dor mecânica na coluna pode ter impacto em muitos aspetos do dia-a-dia,e muitas vezes resulta de distensões ou de traumatismo sendo, no entanto, fundamental obter um diagnóstico correto o mais cedo possível.
Sintomas da dor mecânica
A dor mecânica tem habitualmente as seguintes características:
Pode começar em qualquer idade;
Rigidez matinal inferior a 30 minutos;
Melhora com o descanso;
Início variável, pode agravar rapidamente;
Normalmente associada a traumatismos ou distensões;
Dor descrita como tipo moinha ou latejante.
Tipos comuns de dor mecânica
Existem principalmente seis tipos de dor mecânica, com causas muito diferentes, que descrevo de seguida:
Contratura lombar;
Hérnia discal;
Fratura vertebral;
Doença degenerativa discal;
Osteoartrose da coluna vertebral;
Malformação congénita.
Contratura lombar
Deve-se normalmente a traumatismos musculares. Por exemplo, as lesões podem ser provocadas por levantar incorretamente um objeto, por levantar objetos pesados ou resultar de uma lesão de desporto.
Hérnia discal
Refere-se a uma lesão ou a um problema nos discos vertebrais, as almofadas esponjosas localizadas entre cada uma das vertebras da sua coluna . Por vezes, o disco sai da posição habitual (deslizamento discal), o que provoca dor devido à irritação dos nervos próximos. Esta dor nervosa denomina-se dor neurogénica, outro tipo de dor lombar.Se a hérnia discal for na região lombar, a dor pode muitas vezes ser mais forte na perna do que na coluna.
Fratura vertebral
Uma fratura das vértebras pode ser provocada por um impacto físico forte, como uma lesão desportiva ou um acidente de viação. Além disso, os doentes podem sofrer fraturas de “stress”, pequenas fissuras visíveis ao raio-X que podem ser muito dolorosas. As fraturas vertebrais também podem ocorrer devido a uma doença denominada osteoporose. A osteoporose é uma doença que surge numa idade mais avançada, quando os ossos enfraquecem, o que aumenta a probabilidade de ocorrência de fraturas.
Doença degenerativa discal
Quando um ou mais discos vertebrais começam a deteriorar-se. Estes discos funcionam como amortecedores da coluna durante a movimentação ou o levantamento de pesos.
Osteoartrose da coluna vertebral
Doença degenerativa comum nos idosos e que pode provocar dor e rigidez na coluna e na região lombar, devido à destruição da cartilagem das articulações e dos discos da coluna.
Malformação congénita
As doenças são denominadas “congénitas” quando existem desde o nascimento. Estas malformações ocorrem quando a coluna não se desenvolve corretamente no útero, e são raras. Algumas malformações congénitas constituem uma causa mecânica da dor lombar. Estas malformações incluem problemas como a escoliose (encurvamento lateral da coluna) e a cifose (a parte superior da coluna está encurvada para a frente). Uma malformação congénita que conduz a dor lombar é normalmente diagnosticada durante a infância.
Dor inflamatória na coluna
A dor inflamatória na coluna vertebral afeta cerca de 3% dos adultos. Este tipo de dor na coluna pode ser muitas vezes confundida com a dor mecânica na coluna.Existem diversas patologias que podem provocar dor inflamatória na coluna, algumas das quais difíceis de diagnosticar. Felizmente, nos últimos 10 anos, os avanços científicos facilitaram a identificação de algumas destas doenças pelos médicos, bem como o respetivo tratamento.
A dor inflamatória na coluna pode afetar a sua vida de diversas formas. É importante trabalhar com o seu médico para perceber se a sua dor é de origem inflamatória, já que isto pode afetar a forma como a dor é gerida no futuro. É importante o diagnóstico precoce pois algumas causas da dor na coluna podem agravar-se com o passar do tempo. Embora possa considerar que o exercício ou os analgésicos comprados na farmácia aliviam alguns dos seus sintomas, continua a ser importante que consulte o seu médico, para obter um diagnóstico correto.
Sintomas da dor inflamatória
A dor inflamatória na coluna pode apresentar determinadas características que a distinguem de outros tipos de dor na coluna vertebral, mais concretamente da dor mecânica na coluna.
Os principais sintomas são:
Início em idade jovem, normalmente observado em pessoas com menos de 40 anos de idade;
Agravamento gradual da dor;
Os sintomas da dor lombar melhoram com o exercício;
A dor não melhora com o repouso;
Dor durante a noite, levando muitas vezes a pessoa a acordar na segunda metade da noite;
Rigidez matinal com duração superior a 30 minutos;
Dor prolonga-se por mais de 3 meses;
Dor glútea (região das nádegas) alternante.
Causas
A dor inflamatória na coluna pode ser provocada por algumas doenças autoimunes, algumas das quais intimamente ligadas à dor na coluna vertebral tais como:
Espondilite Anquilosante (EA),
Espondilartrite Axial Sem Evidência Radiográfica de EA,
Artrite Psoriática,
Artrite Reativa.
É importante que a dor inflamatória na coluna vertebral seja reconhecida e diagnosticada, de forma a ser devidamente tratada.
Doenças autoimunes
Uma doença autoimune ocorre quando o organismo se ataca a si próprio e aos próprios tecidos saudáveis. Existem diversas doenças autoimunes, algumas delas intimamente ligadas à dor inflamatória na coluna.
Espondiloartrite axial
Espondiloartrite Axial é um termo geral que inclui duas doenças que podem manifestar-se por dor inflamatória na coluna:
Espondilite Anquilosante;
Espondilartrite Axial Sem Evidência Radiográfica de EA.
Espondilite Anquilosante (EA)
A espondilite anquilosante é uma forma de artrite inflamatória em que as articulações da coluna estão envolvidas, conduzindo frequentemente a rigidez e dor lombar. As lesões provocadas por esta doença na coluna e nas articulações que fazem a ligação entre a coluna vertebral e a bacia podem ser observadas através de radiografias.
Espondilartrite axial sem evidência radilógica de EA
Na espondilartrite axial sem evidência radiológica de EA por vezes, os doentes podem sentir dor e limitação nos movimentos, apesar de os médicos não conseguirem detetar qualquer inflamação na radiografia. Nestes casos é necessário recorrer a formas mais avançadas de observação das articulações, como a Ressonância Magnética Nuclear (RMN). A Espondilite Anquilosante e a Espondilartrite axial sem evidência Radiográfica de EA têm muitos sintomas em comum.
Outras artropatias inflamatórias – algumas doenças articulares que provocam dor inflamatória na coluna vertebral podem ter origem em diversas zonas do corpo tais como:
Artrite Psoriática – pele,
Artrite Reativa – os olhos ou o aparelho urinário ,
Artrite Enteropática – o intestino
Artrite Reumatóide – as articulações
Embora os sintomas destas doenças incluam mais frequentemente dor e tumefação (edema) das articulações ou tecidos envolvidos, em muitas pessoas, podem também provocar dor inflamatória na coluna vertebral.
Não existe um teste simples para a maioria destas doenças. Para ajudar ao seu diagnóstico, o médico pode realizar exames físicos, pedir uma RMN e/ou análises ao sangue, para detetar marcadores genéticos.
Medicamentos para dores fortes
Poderá ter já experimentado um analgésico comprado na farmácia local e, caso este não diminua os sintomas, o seu médico poderá receitar-lhe outros medicamentos ou recomendar uma dose diferente, provavelmente seguindo a escada da OMS para tratamento da dor, conforme descrevo de seguida:
Adaptado de: Pereira JL. Gestão da dor oncológica. In: Barbosa A, Neto I, editores. Manual de Cuidados Paliativos. Lisboa: Núcleo de Cuidados Paliativos / Centro de Bioética da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa; 2006. p. 61-113.
Adaptado de: Pereira JL. Gestão da dor oncológica. In: Barbosa A, Neto I, editores. Manual de Cuidados Paliativos. Lisboa: Núcleo de Cuidados Paliativos / Centro de Bioética da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa; 2006. p. 61-113.
Os medicamentos abaixo enumerados podem causar efeitos adversos a vários níveis, pelo que é importante discutir com o seu médico que medicamentos se adequam melhor ao seu caso concreto.
Anti-inflamatórios não esteroides (AINE)
Os anti-inflamatórios podem ajudar a aliviar a dor na coluna, a dor à palpação, a inflamação e a rigidez. Porém, os AINE podem apresentar efeitos secundários, sobretudo se administrados durante muito tempo. O seu médico irá abordar esses efeitos consigo e, em conjunto, poderão avaliar se os AINE são a solução adequada para si.
Os AINEs mais utilizados são os seguines:
Ibuprofeno (ex: Brufen);
Diclofenac (ex: Voltaren);
Naproxeno (ex: Naprosyn);
Acemetacina (ex: Rantudil);
Etodolac (ex: Etolyn);
Nimesulide (ex: Nimed e Aulin);
Piroxicam (ex: Flexar);
Celecoxibe (ex: Celebrex);
Etoricoxibe (ex: Arcoxia e Turox).
Opiáceos
Caso a sua dor não responda a outra medicação, o médico poderá receitar-lhe outro tipo de analgésico, denominado opiáceo. Os opiáceos atuam reduzindo os sinais de dor enviados ao longo da medula espinal e outras zonas do corpo para o cérebro. Estes medicamentos podem ser usados para tipos mais graves de dor, e o seu médico pode discutir consigo outras opções e os possíveis efeitos secundários, incluindo a possibilidade de dependência, antes de receitar estes medicamentos.
Em situações de dor crónica, principalmente em casos de dor oncológica, o doente pode experimentar exacerbações transitórias de dor, que ocorrem apesar de uma terapêutica basal analgésica. Normalmente o início é súbito e de curta duração e torna-se especialmente difícil de tratar. Estes doentes são tratados com um opioide de longa ação para alívio da dor persistente, e têm sempre disponível um opioide de resgate, de rápido início de ação, para estes episódios.
Na Tabela seguinte encontram-se resumidos os fármacos opioides comercializados em Portugal aprovados para gestão de dor crónica e respetivas formulações de longa ação e terapêutica de resgate.
Abreviaturas usadas na tabela: C: comprimido/cápsula; CB: comprimido bucal; CE: comprimido efervescente; CLP: comprimido/cápsula de libertação prolongada; COD: comprimido orodispersível; N:solução nasal; R: supositório; SO: solução oral; ST: sistema transdérmico.
A tolerada sem efeitos secundários limitantes (máximo 2 ST simultâneo)
Oxicodona
CLP (5; 10; 20; 40; 80 mg) 12/12h
—
400 mg/dia
Oxicodona + naloxona
CLP (5+2,5; 10+5; 20+10 mg) 12/12h
—
160+80 mg/dia
Hidromorfona
CLP (4; 8; 16; 32; 64 mg) 24/24h
—
A tolerada sem efeitos secundários limitantes
Tapentadol
CLP (50; 100; 150; 200; 250 mg) 12/12h
—
500 mg/dia
Tramadol
CLP (50; 100; 150; 200; 300; 400 mg)
C (50; 100 mg) COD (50 mg) SO (100 mg/ml)
400 mg/dia
Tramadol + dexcetoprofeno
—
C (75+25 mg)
225+75 mg/dia
Tramadol + paracetamol
—
C (37,5+325; 77+650 mg) CE (37,5+325 mg)
300+2600 mg/dia
Os opioides ligam-se a recetores específicos acoplados à proteína G envolvidos na transmissão e modulação da dor, designados classicamente em recetores µ, κ e δ. Os seus efeitos terapêuticos e secundários estão diretamente relacionados com os recetores que estimulam. A maioria dos opioides analgésicos clinicamente relevantes são agonistas dos recetores µ no sistema nervoso central.
O tapentadol e o tramadol, além da ação agonista no recetor µ, também produzem analgesia por um mecanismo que inibe a recaptação de noradrenalina, permitindo maior potência analgésica e maior espectro de ação.
Efeitos secundários comuns
Os efeitos secundários dos fármacos opioides são comuns a todos ou quase todos os fármacos e são dependentes da dose. Os mais comuns incluem:
Náuseas e vómitos,
Obstipação,
Sonolência,
Pesadelos,
Boca seca,
Confusão,
Alucinações,
Hipogonadismo (produção insuficiente de estrogénio na mulher e de testosterona no homem),
Supressão da tosse.
Efeitos secundários menos comuns
Alguns do efeitos secundários menos comuns são os seguintes:
Prurido,
Sudorese (transpiração),
Hiperalgesia induzida por opioides (aumento da sensibilidade à dor),
Mioclonia (contração breve, em onda, de um músculo ou grupo de músculos. Ex: soluços),
Delírios.
Alterações da microbita intestinal
Um dos efeitos secundários mais comuns e relevantes é a alteração da microbiota intestinal ou flora intestinal como é usualmente conhecida. Este é um efeito secundário quase sempre desvalorizado mesmo quando existem sintomas claros como a obstipação que são um sinal evidente e preocupante de disbiose. Assim simultaneamente com a medicação opióide deve fazer-se um probiótico de qualidade para mitigar a destruição das “bactérias boas” que são essenciais ao bom funcionamento do nosso sistema imunitário e à nossa saúde em geral. Não existe boa saúde sem uma microbiota saudável!
A depressão respiratória é um efeito secundário grave, mas é raro se os opioides forem cuidadosamente titulados de acordo com a resposta do doente. Foi também associada a terapêutica opioide a efeitos secundários no sistema imunitário, assim como a função cognitiva.
A gestão dos efeitos secundários deve ser feita com efeito preventivo, não só pelo ajuste terapêutico gradual permitindo recorrer sempre à mínima dose eficaz, como pela coadministração de fármacos que permitam minimizar alguns efeitos secundários.
Tolerância e dependência de opioides
A tolerância e a dependência são dois efeitos secundários fundamentais de gerir em tratamento com fármacos opioides. A tolerância inicia-se na primeira administração de opioide, e é minimizada com a administração de doses baixas em intervalos de tempo maiores. Para evitar a dependência física, a administração de opioides não deve ser parada abruptamente quando tomados consecutivamente há duas ou mais semanas, mesmo se a dor já foi suprimida.
Os sinais e sintomas de dependência física incluem rinorreia, lacrimejo, arrepios, hiperventilação, hipertermia, midríase, dores musculares, vómitos, diarreia, ansiedade e hostilidade. A administração de um opioide suprime os sintomas e sinais de abstinência imediatamente.
Mudança de opiáceo
Apesar de haver pouca diferença nos efeitos terapêuticos e secundários de doses equianalgésicas entre diferentes opioides, a experiência clínica reporta que alguns doentes respondem favoravelmente a determinados opioides sendo intolerantes a outros, muito provavelmente devido à variabilidade interindividual existente. Existem dados clínicos que suportam que a mudança de um opioide para outro resulta em aumento dos efeitos terapêuticos ou diminuição dos efeitos secundários em mais de 50% dos doentes.
A rotação opioide consiste na alteração do fármaco utilizado ou da via de administração e é útil em situações de inadequado controlo de dor, efeitos secundários limitantes ou alterações no estado clínico do doente que limitem a via de administração disponível. Na prática clínica existem escalas equianalgésicas disponíveis tanto em tabelas impressas como em aplicações de internet ou software específico, servindo apenas como guia para ajustar a dose equianalgésica entre dois analgésicos opioides. A Morfina é considerada o opioide analgésico tipo e é usado na escala analgésica como termo de comparação com todos os outros fármacos opioides.
Quando devidamente utilizados, os fármacos opioides são seguros e permitem aumentar a qualidade de vida do utente com dor crónica. Apesar dos vários efeitos secundários e potencial de dependência, nenhum analgésico se mostrou suficientemente forte para substituir estes fármacos
Corticosteróides intra-articulares
Os corticosteróides têm um papel importante no tratamento de doenças autoimunes. Estes fármacos são muito eficazes no tratamento de processos inflamatórios e imunológicos, com uma ação rápida e eficaz ao nível dos sintomas. Os corticosteróides podem ter efeitos secundários, sobretudo quando usados com regularidade, e o seu médico irá discutir esta opção consigo e avaliar a frequência com que os usa.
Objetivo
Se existir uma inflamação dentro da articulação, pretende-se melhorá-la administrando um anti-inflamatório potente no local exato da lesão. Os objetivos são aliviar ou eliminar a dor e as manifestações da inflamação, prevenir ou melhorar a limitação funcional, acelerar a evolução favorável do processo e diminuir ou eliminar a necessidade de tratamentos mais agressivos, com mais efeitos secundários ou com efeitos secundários potencialmente mais graves.
Procedimento técnico
Administra-se um corticoide (derivado sintético da “cortisona” ) no interior de uma articulação. Poderá ser ou não utilizado um anestésico local (lidocaína) antes ou em conjunto com a injeção de corticoide.
O que são os corticoides?
São medicamentos sintéticos parecidos com os corticoides naturais produzidos pelo corpo humano e que têm uma ação anti-inflamatória potente. Podem ser aplicados por várias vias, mas a via intra-articular é especialmente útil em processos com inflamação articular, uma vez que atuam quase exclusivamente no local da inflamação e se evitam em grande medida os efeitos secundários no resto do organismo.
Atualmente três dos corticoides mais utilizados por via intra articular são os seguintes:
Metilpredenisolona (Depomedrol);
Hexacetonido de triancinolona (Lederlon);
Acetonido de triancinolona.
Como se realiza a infiltração?
Depois da limpeza da pele com um produto desinfetante, usa-se um agulha fina para colocar o produto (com ou sem anestésico local) dentro da articulação a tratar. Habitualmente o procedimento causa apenas desconforto ou dor ligeiros.
Quanto tempo demora?
Habitualmente o tempo que leva a administrar o produto é menos de 5 minutos, o procedimento completo incluindo a preparação do material e do doente (posicionamento, desinfeção da pele, etc), costuma demorar cerca de 15 a 30 minutos.
Benefícios
A injeção intra-articular de corticoides costuma provocar uma rápida melhoria da dor e dos sinais inflamatórios da articulação, prevenindo ou melhorando a limitação funcional , acelerando a evolução favorável da inflamação e diminuindo a necessidade de tratamentos mais agressivos, com riscos potencialmente.
Riscos gerais
As três principais complicações das infiltrações articulares são as seguintes:
Reação alérgica à medicação, hipotensão arterial, assim como casos raríssimos de complicações alérgicas muito graves (anafilaxia), com risco de vida;
Lesão de vasos, nervos ou tendões adjacentes;
Infeção do local da injeção, da articulação ou tecidos adjacentes é uma complicação grave mas muito rara, se o procedimento for realizada com os cuidados de assepsia habituais;
Medicamentos biológicos
Também denominados medicamentos biológicos, são fármacos modificadores da doença que atuam no seu sistema imunitário (o sistema de defesa natural do organismo) agindo sobre a inflamação subjacente provocada por determinadas doenças.
Os medicamentos biológicos podem ser eficazes na redução da dor e da rigidez, e são administrados sob a forma de injeção subcutânea ou intravenosa, sob supervisão de um profissional de saúde.
Estes medicamentos têm indicações específicas, não sendo adequados para todas as pessoas e podem ter efeitos secundários graves. O seu médico saberá decidir se estes medicamentos poderão ser adequados para si.
Antibióticos na dor de costas
Caso tenha uma infeção na coluna ou numa zona envolvente, o tratamento com antibióticos poderá ser uma forma eficaz de tratamento e de alívio da dor.
Protocolo farmacológico para controlo da dor
Algoritmo terapêutico para controlo da Dor
Diagnostico dos problemas na coluna
O que quer saber o seu médico?
Uma vez que diferentes tipos de dor na coluna requerem formas diferentes de tratamento, o seu médico irá querer saber quando começou a sua dor, qual a intensidade e de que forma afeta o seu dia-a-dia.
Quando começou a dor?
O seu médico irá precisar de saber como e quando começou a sua dor, portanto, antes da primeira consulta, pense nas seguintes questões:
Lembra-se ao certo quando se apercebeu pela primeira vez da sua dor, ou foi surgindo gradualmente, intensificando-se com o passar do tempo?
Lembra-se de algum problema ou acontecimento em concreto que relacione com o início à dor? Se sim, quando ocorreu?
A dor surge após algumas atividades? Como por exemplo, a prática de exercício físico?
A sua dor tem vindo a melhorar ao longo do tempo, ou a agravar-se?
Importante saber descrever a dor
Dor é difícil de descrever, pois surge de diversas formas. Desde uma sensação de ardor a uma pontada ou sensação de distensão, não é fácil definir a dor na coluna. Porém, é importante que a descreva da melhor forma possível, pelo que não finja que a sua dor é melhor ou pior do que é na realidade. Tente ao máximo ser claro e preciso na sua descrição.
Antes de ir ao médico, pense na resposta que poderá dar às seguintes perguntas:
Consegue identificar uma zona específica da sua coluna onde sente dor?
A sua dor desloca-se, atinge outras partes do corpo ou é generalizada?
A intensidade de dor diminui ou aumenta com determinadas atividades?
O padrão da dor é sempre igual ou sente dor em diferentes partes do corpo?
Como descreve a sensação de dor? Podem ser usadas palavras como “lancinante”, “constante”, tipo moinha, “forte”, “pungente”, “pontada” ou latejante para descrever a dor.Qual destes adjetivos melhor define o tipo de dor que sente?
Dor de costas como afecta a tua vida?
Viver com dores na coluna pode também provocar problemas no dia-a-dia. É importante que o seu médico compreenda de que forma a dor está a afetá-lo, a afetar a sua capacidade de trabalhar ou o desempenho das suas tarefas quotidianas, e também de que forma afeta a sua vida familiar. O médico poderá colocar as seguintes questões:
A sua dor impede-o de realizar algumas atividades do dia-a-dia?
Que efeito tem o exercício físico ligeiro ou a ida ao ginásio na dor?
A dor dificulta-lhe o sono ou acorda-o durante a noite?
Sentar-se ou deitar-se alivia-lhe a dor?
A dor afetou-lhe o apetite?
Que fatores aliviam ou agravam a sua dor?
O exame físico
O seu médico irá querer examinar a sua coluna e a zona envolvente, para perceber a causa principal da dor. Poderá ainda solicitar outros exames, como exames imagiológicos e/ou análises ao sangue.
O seu historial clínico
Os problemas de saúde anteriores podem ser importantes, por isso, é normal que o seu médico lhe pergunte pelos seus antecedentes clínicos. Tente responder da melhor forma possível, pois isso irá ajudar o médico a chegar a um diagnóstico.
Durante a consulta, o médico poderá perguntar-lhe:
Se sofreu recentemente alguma perda inexplicável de peso
Se teve alguma infeção recentemente
Se tem antecedentes familiares de alguma doença
Se está a tomar alguma medicação
Outros profissionais de saúde
O seu médico poderá também referenciá-lo para vários outros especialistas. Cada um deles é especializado numa área específica e poderá trabalhar consigo para alcançar um diagnóstico e tratar da melhor forma a sua patologia, ao longo do tempo.
A tabela abaixo explica quem são esses diferentes especialistas e o que fazem. Se tiver alguma outra dúvida, fale com o seu médico.
Profissional de Saúde
Papel no tratamento da dor lombar
Médico de Medicina Geral e Familiar (MGF)
O seu médico de MGF é o primeiro especialista a contactar em caso de dor na coluna vertebral. É ele quem irá avaliá-lo com base nos primeiros sintomas e, se necessário, encaminhá-lo para um especialista para uma avaliação mais exaustiva, para a realização de exames de diagnóstico ou para tratamento.
Fisioterapeuta
Poderá ser encaminhado para um fisioterapeuta, um profissional de saúde especializado na movimentação e funcionamento do corpo. O fisioterapeuta irá avaliar a sua dor na coluna e poderá realizar terapia manual ou exercícios terapêuticos.
Reumatologista
Se a sua dor na coluna vertebral for considerada de natureza inflamatória, o seu médico de Medicina Geral e Familiar poderá encaminhá-lo para este médico especialista em doenças reumáticas, causa frequente de dor inflamatória na coluna, bem como em diversas outras patologias que afetam as articulações, os ossos e os músculos. O reumatologista poderá solicitar exames de diagnóstico e poderá dar início a um tratamento, dependendo da causa da sua dor na coluna.
Ortopedista ou Neurocirurgião
A cirurgia pode ser uma solução para o tratamento da dor na coluna, quando outros tratamentos não resultaram. Dependendo da causa da sua dor, poderá ser encaminhado para um cirurgião, que irá avaliar se a cirurgia é a forma correta de tratar a sua dor na coluna. Podem ser Ortopedistas ou Neurocirurgiões.
Enfermeiro de Apoio à Reumatologia
Enfermeiros com formação para realizar atividades de apoio aos reumatologistas, como por exemplo, observação das articulações, administração de tratamentos. Poderão ainda dar-lhe apoio a nível emocional e social.
Radiologista
O seu médico assistente pode encaminhá-lo para um radiologista, ou seja, um especialista médico para a realização de exames imagiológicos (radiografias, TAC ou RMN) à sua coluna. Isto irá ajudar a identificar a causa da sua dor na coluna.
Dor crónica na coluna
A dor na coluna vertebral aguda ou de curta duração, dura alguns dias a algumas semanas. A maior parte dos casos de dor na coluna é de natureza mecânica. Quando a dor se prolonga por mais de 3 meses, denomina-se dor crónica na coluna. Independentemente da origem da sua dor na coluna, do tipo de dor que apresente ou da sua duração, se considerar que a dor está a incomodá-lo, deve consultar o seu médico.
Caso sofra de dor na coluna há mais de 3 meses, deverá ser investigada a sua causa e tratada o mais rapidamente possível e de forma adequada. Consultar o seu médico e ter um diagnóstico correto irá garantir-lhe um tratamento adequado para a dor na coluna e poderá ajudá-lo a ter uma vida com menos dor.
Impacto físico e emocional
A dor na coluna pode ter um grande impacto na sua vida, tanto a nível físico como emocional. Embora a maior parte dos casos de dor na coluna seja de tipo agudo e desapareça ao fim de alguns dias ou semanas, a dor crónica na coluna descreve a dor que se prolonga por mais de 3 meses. A dor física pode tornar alguns aspetos da vida quotidiana, como caminhar, manter-se de pé e sentar-se, dolorosos e debilitantes.
Além do impacto físico da dor crónica na coluna vertebral, poderá também afetar outros aspetos da sua vida, como os hábitos de sono e a o seu estado emocional. O seu bem-estar emocional e a sua capacidade para trabalhar e estudar podem ser afetados pela sua dor na coluna e, por vezes, conduzir a maior ansiedade e depressão, sobretudo se a dor não desaparecer.
Como gerir a dor na coluna?
Algumas das abordagens seguintes são mais adequadas à dor inflamatória pelo que depois de feito o diagnóstico, o seu médico pode recomendar-lhe diversas opções terapêuticas, com base na sua patologia específica e no seu estilo de vida.
Exercício físico cuidado!
Dependendo da causa da sua dor na coluna, manter a atividade física pode melhorar a sua postura, a mobilidade da sua coluna e a dor e rigidez no geral principalmente na dor inflamatória. O seu médico ou fisioterapeuta podem recomendar-lhe um programa de exercícios físicos que ajude a recuperar a força muscular na sua coluna. Fale sempre com o seu médico antes de iniciar qualquer atividade física.
Terapia manual
A Fisioterapia , quiropatia ou osteopatia são terapias que podem ser associadas às restantes terapêuticas.
Fisioterapia
A fisioterapia pode ajudá-lo a aprender a recuperar movimentos que ficaram restritos devido à dor na coluna, e pode incluir abordagens distintas, como programas de exercícios específicos, terapia manual (como massagens) ou hidroterapia, um tipo de exercício realizado numa piscina de água morna e que se centra na melhoria da amplitude de movimentos ou força.
Os fisioterapeutas podem também avaliar a sua condição física e ajudá-lo a planear um bom programa de exercício físico.
Acupuntura
A acupuntura envolve a introdução de agulhas muito finas em pontos específicos do corpo. A acupuntura tem-se revelado efetiva no tratamento da dor lombar, redirecionando os impulsos dolorosos para longe do cérebro e fazendo assim com que sinta menos dor, ao mesmo tempo que estimula a libertação de endorfinas, hormonas analgésicas endógenas produzidas pelo organismo.
Terapia comportamental
A terapia cognitivo-comportamental (TCC) é uma técnica que envolve direcionar pensamentos e comportamentos negativos para outros mais positivos. Esta técnica pode ser usada em combinação com outras terapêuticas, para ajudar a gerir os efeitos psicológicos da sua dor crónica na coluna.
Cirurgia
A cirurgia é normalmente ponderada em casos concretos de problemas da coluna, quando a dor é desencadeada por uma malformação congénita ou quando foram já tentadas outras terapêuticas, com manutenção ou agravamento da dor. Nestes casos, poderá ser encaminhado para um especialista, que irá discutir consigo em pormenor as vantagens e os riscos de uma intervenção cirúrgica.
Mudanças de estilo de vida
Descubra as mudanças de estilo de vida que podem ajudar a melhorar a sua dor inflamatória na coluna.
Caso tenha dor inflamatória na coluna, fazer algumas alterações no estilo de vida pode aliviar uma parte do desconforto sentido diariamente. Estas pequenas alterações podem ajudar a aliviar uma parte da frustração que pode afetá-lo. Apesar de algumas das sugestões poderem aplicar-se à dor mecânica na coluna de curta ou longa duração, esta secção foi sobretudo concebida para ajudar pessoas com dor inflamatória na coluna.
Dicas para minimizar a dor no dia-a-dia
Dormir, conduzir e fazer compras são apenas algumas das atividades quotidianas que costumamos tomar como certas. Caso sofra de dor inflamatória na coluna, eis algumas dicas de como poderá minimizar o impacto sobre as suas atividades do dia-a-dia:
Se fizer viagens longas de carro, planeie paragens regulares, para caminhar e esticar as pernas
Experimente fazer as compras de supermercado pela Internet, para evitar ter de carregar sacos pesados
Fale com o seu fisioterapeuta ou médico para sugestões simples de alongamentos e diferentes apoios lombares
Dicas para minimizar a dor no trabalho
O local de trabalho é um sítio onde habitualmente a dor lombar o afeta mais. Tenha em conta as seguintes sugestões para diminuir os problemas no local de trabalho:
Informe as pessoas – colegas de trabalho, o diretor de Recursos Humanos, o sindicato e/ou a entidade patronal. A entidade patronal pode disponibilizar algumas opções de serviços ou assistência de saúde
Se possível, ajuste o horário laboral ou trabalhe a partir de casa
Solicite uma avaliação ao posto de trabalho, caso detete problemas específicos relacionados com o seu posto de trabalho
Verifique o equipamento e certifique-se de que é seguro e adequado para o seu problema de saúde
Informe-se sobre quaisquer apoios a que tenha direito
Passar grande parte do dia sentado a uma secretária pode causar rigidez dor na coluna. Levantar-se regularmente, caminhar e alongar os músculos pode ajudar, já que pode aliviar uma parte da dor e do desconforto sentidos durante o dia. Sempre que possível, levante-se – por exemplo quando atender um telefonema.
Exercício físico
Embora não seja uma cura, a prática regular de exercício físico poderá ajudar a aliviar alguma da dor associada a determinadas patologias inflamatórias. Alguns tipos de exercício físico podem ser-lhe mais benéficos do que outros. Assim, deverá discutir com o seu médico qual o tipo de exercício físico mais adequado para o seu problema.
Minimizar a dor ao viajar
As viagens podem implicar algum planeamento, e caso sofra de dor inflamatória na coluna vertebral, poderá ter de fazer algumas adaptações. Eis alguns aspetos a considerar para tornar a sua viagem mais agradável:
Se viajar de avião ou fizer viagens longas de autocarro ou comboio, peça ao seu médico assistente ou fisioterapeuta que lhe indique alguns exercícios que possa realizar sentado
Se possível, durante a viagem, levante-se regularmente para alongar e caminhar um pouco
Leve sempre consigo receitas para qualquer medicação que esteja a fazer
Pode também solicitar ao seu médico assistente uma carta onde explique formalmente que medicação está a tomar e para que serve
Concluindo
Se tem dor de costas consulte sempre o seu médico. Podem ter causas muito variadas que muitas vezes não têm a ver com a coluna vertebral, mas que devem ser bem diagnosticadas para que se possa implementar o tratamento mais eficaz.
A dor seja ela qual for deve sempre ser tratada atempadamente de forma a diminuir a sua intensidade e possibilidade de se tornar crónica. Se já tem dor crónica não desespere! Existem hoje muitas armas terapêuticas para ajudar a tornar o seu dia-a-dia menos doloroso!
O médico começará quase sempre por uma abordagem clássica com Paracetamol e AINEs utlizados em conjunto se necessário e acrescentando mais tarde, se tal se justificar, analgésicos opióides, começando pelas dosagens mais baixas.
Nos casos mais graves existem equipas de médicos de várias especialidades ( equipas da dor ), que cruzam os seus conhecimentos de maneira a aplicar terapêuticas menos convencionais nos doentes com dores mais intensas e persistentes, nomeadamente os que têm DOR NEUROPÁTICA que, em linguagem simples, se pode descrever como uma lesão de um nervo que envia constantemente ao cerebro uma mensagem de dor.
E claro há hábitos diários que pode sempre alterar para melhor tais como comer de forma mais saudável, caminhar ao ar livre ( de preferência junto ao mar, rio ou floresta ) conversar… enfim tarefas que ajudam a abstrair-se da dor e pensar em coisas mais positivas! Parecem coisas banais mas têm comprovadamente efeitos terapêuticos!
Imunidade natural e sistema imunitário mais forte toda a verdade! Como ficar com maior imunidade e resistir melhor aos vírus, bactérias e parasitas? Que alimentos e suplementos simples nos protegem e melhoram a nossa imunidade? Que hábitos, opções de saúde e de vida nos vão defender contra vírus que nos querem como hospedeiros? Como funciona afinal o nosso sistema imunitário?
Se leram alguns dos meus artigos já sabem que este é mais um daqueles que não pretende ser sensacional e viral nas redes sociais… 🙂 mas sim verdadeiramente dar-vos conhecimentos excepcionais e práticos que a maioria esmagadora da população não tem.
É precisamente por isso que você é diferente e sabe reconhecer onde conseguir melhor informação para ficar “mais forte”… o resto é a disciplina e por vezes coragem de aplicar o conhecimento adquirido!
É do senso comum associarmos uma boa saúde a um sistema imunitário resiliente que nos protege, por exemplo, contra infeções de vírus e bactérias. No entanto quando falamos de cancro e outras doenças graves poucos sabem como o sistema imunitário nos pode proteger também contra o seu aparecimento.
Imunidade é mais do que lutar contra vírus e bactérias
Se falarmos de cura do cancro com recurso ao nosso sistema imunitário então a maioria das pessoas dirá que isso é quase um milagre! No entanto avanços recentes em imunoterapia anticancerígena parecem provar que o milagre pode ser uma realidade para muitos doentes!
Principalmente depois da pandemia de SARS-CoV-2, existe uma grande polémica entre os “fanáticos” apoiantes da imunidade natural, portanto sem recurso a vacinas, e os “religiosos” apoiantes da vacinação. De facto ambos os “clubes” têm algumas razões com suporte científico para apoiar a sua causa. Pessoalmente não pertenço a nenhum desses “clubes” nem a outros que sofram de uma certa “cegueira científica”.
A ciência tem feito o seu trabalho e os números e a a matemática fazem o resto. Assim os números e a ciência, apoiam fortemente a vacinação da população simplesmente porque, em percentagem, morrem muito menos pessoas nos grupos vacinados do que nos não vacinados.
Esta realidade no entanto não pode esconder que as vacinas são medicamentos com potenciais efeitos adversos e até fatais em alguns casos mas apanhar doenças na sua fase inicial de descoberta, como foi o caso da Covid-19 seria um risco bem maior!
Acresce que a investigação tem provado a teoria que a melhor imunidade se consegue com um misto dos dos dois “clubes” ou seja alguma exposição ao vírus (imunidade natural) mas com reforço de vacinação.
A imunidade natural obviamente seria a desejada para todos mas convém lembrar os “naturalistas” que só ficam imunes se o vírus não os matar antes, quer seja diretamente por doença causada pelo vírus ou à espera de assistência hospitalar para qualquer outra doença grave, durante um período de rutura dos serviços de saúde onde correrá o risco e não ser assistido a tempo de se salvar!
Os 5 magníficos mecanismos de defesa
O nosso corpo tem 5 mecanismos de defesa da nossa saúde, verdadeiramente extraordinários e que raramente são descritos em conjunto como a essência mais importante da nossa proteção contra o desenvolvimento de doenças. Os 5 magníficos são os seguintes:
Angiogénese
Regeneração e células estaminais
Microbioma
Proteção do DNA
Imunidade
Neste artigo vou apenas falar da Imunidade mas os restantes são incríveis mecanismos que vale a pena conhecer para se tornar mais forte e retardar o envelhecimento. Leia tudo sobre os 5 magníficos aqui.
Sistema imunitário mais forte com hábitos, alimentos e suplementos
Não… este não é um artigo apenas para indicar alguns alimentos e suplementos da moda que, milagrosamente, só por si são apresentados como a solução para ter uma forte imunidade… esquecendo o básico e fundamental dos processos naturais de proteção e regeneração do nosso sistema imunitário e luta contra a doença em geral… ainda por cima os principais são grátis 🙂
Hábitos essenciais para forte imunidade
Não existe uma saúde e sistema imunitário “forte e saudável” se não forem respeitados os seguintes pilares básicos:
Bom sono – 7:30 horas por noite. Faça as contas e coloque o despertador de forma a tentar dormir o mais próximo possível 7:30 horas pois correspondem a 5 ciclos de sono seguidos de 90 minutos cada (aproximadamente). Tenha também o quarto totalmente escuro e nunca quente. Elimine qualquer luz artificial do seu quarto incluindo TV, telemóvel, computador e tablet.
Controlo do stress – aprenda a controlar as emoções negativas… são principalmente essas que devastam o sistema imunitário. Tem de aprender a valorizar as pequenas coisas da vida, aceitar as coisas menos boas e acreditar num futuro sempre melhor… mas claro fazer algo por isso! Isto não é “conversa da treta”… pois os nossos pensamentos influenciam a nossa imunidade! Rir e sorrir são excelentes para a nossa imunidade!
Exercício físico moderado – claro que não precisa de ir ao ginásio todos os dias! Basta uma boa caminhada de 30 a 45 minutos em passada rápida para sentir-se melhor fisica e psicológicamente! Também a dança é simplesmente excelente para manter a forma e afastar depressões! Outra alternativa é o exercício físico intenso intermitente mas durante poucos minutos o chamado treino intervalado de alta intensidade (HIIT). Doentes cardíacos devem consultar o seu médico assistente antes de tentar o HIIT.
Regra geral a maioria das pessoas, apesar do cansaço, fica estimulada psicologicamente após uma sessão de exercício. Assim o exercício no final da tarde ou à noite pode ser prejudicial para a qualidade do nosso sono pelo que será mais seguro na primeira parte do dia. Se tal não for possível tem de estar com atenção e avaliar o impacto na higiene do seu sono.
Se o exercido no final do dia alterar a qualidade do seu sono os benefícios colhido serão largamente perdidos pois uma noite bem dormida é muito mais importante fisiologicamente que qualquer exercício físico.
Jejum intermitente “moderado”– termine o jantar ás 20 horas e não coma nada até ás 8 horas da manhã seguinte. Assim facilmente consegue 12 horas de jejum diárias que o organismo agradece pois desvia a energia que gastaria na digestão para usar na reparação do DNA de células danificadas que todos os dias surgem no nosso corpo. A energia é finita e se gasta imensa com a digestão da comida então não há milagres… ficam para trás todos os dias células alteradas que não são reparadas e vão causar problemas de saúde mais tarde… incluindo cancro. Diabéticos devem consultar o médico assistente antes de tentar o jejum intermitente.
Boa nutrição sem açucar e alimentos processados – o açucar refinado é simplesmente um “doce veneno” com consequências devastadoras na sua saúde e sistema imunitário. Infelizmente está por todo o lado e vai ter de se esforçar para o evitar pois o apelo psicológico ao consumo de hidratos de carbono refinados é brutal!
Hidratação adequada com água de qualidade – beba água proxima da neutralidade (pH~7). Evite águas ácidas com pH abaixo de 6 ou águas alcalinas com pH acima de 8. O nosso sangue tem um pH muito próximo da neutralidade pelo que é de elementar bom senso não exagerar e beber em demasia águas com pH distantes de 7. Pesquise esta informação nos rótulos e se possivel beba água de nascente (ver rótulo).
De seguida vou então falar de alguns alimentos surpreendesntes e suplementos especiais que podem dar uma ajuda preciosa ao nosso sistema imunitário e aumentar a resistência contra infeções virais.
Alimentos e imunidade
Além de alguns medicamentos existem alimentos que ajudam a fortalecer o nosso sistema imunitário. Alguns alimentos podem impulsionar automaticamente o nosso sistema imunológico. Descrevo de seguida os mais relevantes na nossa alimentação.
Manga
Um deles é a manga. A manga é uma fruta de caroço que é uma espécie de super alimento. Estes super alimentos ativam todos os cinco sistemas de defesa ao mesmo tempo, incluindo o sistema imunológico e contêm vitaminas, bons minerais e bioativos naturais.
Rebentos de bróculos (Broccoli sprouts)
Outro exemplo de alimentos que activam os 5 sistemas de defesa do nosso organismo são os rebentos de bróculos ou seja são a planta na fase ainda muito jovem, logo após a germinação da semente, que mais tarde vai dar origem aos bróculos. Nesta fase já têm todos os nutrientes e energia que mais tarde são distribuídos na planta maior. Estudos confirmam que os rebentos de bróculos podem impulsionar o sistema imunitário e aumentar a nossa proteção contra a gripe, com uma eficácia superior à da vacina da gripe!
Os rebentos de bróculos também parecem aumentar a proteção contra doenças graves como o cancro.
Cogumelos e beta- glucano
Afinal o que têm os cogumelos de especial? Toda a gente deveria come-los pelas seguintes razões:
Crescem na terra e sugam todos os nutrientes realmente importantes aí existentes;
Dentro do cogumelo existe um composto natural chamado beta-glucano que estimula directamente o nosso sistema imunológico. Mas aqui está uma verdadeira surpresa… pois existe em todos os cogumelos independentemente de se tratar de um cogumelo shiitake, um cogumelo maitake, um cogumelo portobello ou até mesmo um cogumelo de botão branco. Assim pode encontrá-los em qualquer lugar.
Outra surpresa é o facto dos investigadores terem descoberto que as hastes chamadas pé ou estipe na verdade contêm até três vezes mais beta glucano do que o chapéu do cogumelo que é a parte que mais comemos! Assim da próxima vez coma o cogumelo completo principalmente os que apresentam o pé ou estipe intacta.
Polifenois e vinho tinto…
Não se engane com o título… o álccol não nos faz bem mas meio copo de bom vinho tinto parece que sim! A maioria dos estudos que envolvem saúde pública analisando vinho tinto mostrou surpreendentemente que existem alguns benefícios tais como:
Proteção do Coração,
Menor risco de cancro,
Outros tipos de doenças metabólicas.
Mas a realidade é que nunca é o álcool que nos faz bem! Nenhuma quantidade bebida de álcool tem benefícios O álcool pode acalmar os nossos nervos e fazer-nos sentir um pouco melhor, mas, na verdade, os polifenóis que ativam as nossas defesas e protegem as nossas células saem da pele da uva. Os polifenóis do vinho vêm das uvas, principalmente das peles, e como o processo de vinificação do vinho tinto envolve um contato mais prolongado com as peles da uva, esses vinhos tendem a conter muito mais polifenóis do que os vinhos brancos.
Como um todo, o conteúdo de polifenóis do vinho tinto tem sido elogiado pelos bebedores conscientes do bem-estar, mas também existem polifenóis específicos no vinho tinto que foram estudados individualmente por causa dos potenciais benefícios para a saúde.
Resveratrol
Um dos polifenóis mais amplamente estudados no vinho, o resveratrol é naturalmente produzido em plantas em resposta a danos físicos, ou invasão por patogénioss. Também encontrado em grandes quantidades em amendoim, mirtilo e cacau, o resveratrol é extraído de fontes vegetais para criar produtos cosméticos e suplementos alimentares.
Em estudos de laboratório, os cientistas descobriram que o resveratrol oferece efeitos protetores contra muitos riscos para a saúde humana. Dois dos seus principais benefícios são o potencial para combater diferentes tipos de cancro, inibindo o crescimento de células cancerígenas e o seu potencial para combater doenças cardiovasculares, prevenindo danos aos vasos sanguíneos, diminuindo o colesterol mau (LDL) e elevando o bom colesterol (HDL).
Os pesquisadores também encontraram evidências de que o resveratrol pode ajudar a combater doenças neurodegenerativas, como a doença de Alzheimer, ajudando a retardar a progressão da doença e a eliminar a acumulação de placas no cérebro. Ele também pode evitar diabetes tipo 2, ajudando a regular a insulina.
Propriedades anti-inflamatórias do resveratrol também fizeram uma linha de estudo para questões de saúde relacionadas com a inflamação, como doenças pulmonares e distúrbios de saúde mental.
No entanto, a quantidade de resveratrol usada para testar as propriedades saudáveis desse polifenol nem sempre é a quantidade encontrada numa porção média de vinho tinto. Enquanto alguns estudos mostraram que quantidades de resveratrol encontradas em apenas um ou poucos copos de vinho podem trazer alguns benefícios para a saúde, muitos outros mostraram que as quantidades de resveratrol usadas para produzir outros benefícios para a saúde podem são equivalentes a 100 copos por dia… o que tornaria esta solução impossivel!
Como gosto de um bom vinho tinto quero acreditar que um pequeno copo à refeição pode proteger a minha saúde… até porque, como de seguida descrevo, o vinho tinto tem adicionalmente outros polifenois, além do resveratrol, com propriedades extremamente interessantes para a nossa saúde. Todo somado não tenho dúvidas que quando bebo o meu copo de vinho tinto estou a juntar o útil ao agradável 🙂
Outros polifenois
Outros polifenóis importantes existentes principalmente no vinho tinto, são os seguintes:
Quercetina – tem propriedades anti-inflamatórias, antivirais, alivia doenças pulmonares, promove a cicatrização das artérias.
Antocianinas – ajuda a manter o peso e diminui a disfunção eréctil.
Procianidinas – mesmo em doses baixas protege contra doenças cardiacas.
Ácido elágico – mesmo em doses baixas ajuda a “queimar” gordura controlando assim o peso e protege o fígado.
Catequinas – existem também nas frutas frescas, cacau e cerveja. Alguns estudos parecem indicar que têm a capacidade de retardar os tumores. Também parecem promissoras no combate à doença de Alzheimer.
Quantidade de vinho a consumir
Naturalmente, beber muito vinho tem efeitos claramente negativos para a saúde, portanto, consumir muito vinho apenas para colher os benefícios relacionados é, obviamente, desaconselhável! Não havendo ainda certezas sobre dosagens, segundo alguns investigadores a quantidade ideal máxima de vinho tinto que devemos consumir para conseguir os melhores efeitos para a nossa saúde parece ser meio copo de vinho (aproximadamente 125ml) ao almoço e jantar.
Cerveja e xanthohumol
Os lúpulos da cerveja elaboram um produto químico natural chamado xanthohumol, que flutua diretamente na cerveja. Então descobriu-se que há realmente benefícios da cerveja, tais como:
Mobiliza as células estaminais,
Antiangiogénico.
Antioxidante,
Demência diminui. Cerca de 60% de diminuição no grau de incidência (se tomar 1,5 a 2 cervejas por dia… não mais!).
Chá verde e EGCG (Epigallocatechin Gallate)
Galato de epigalocatequina, também conhecido como epigalocatequina-3-galato, é o éster de epigalocatequina e ácido gálico, e é um tipo de catequina. EGCG, a catequina mais abundante no chá verde e no chá preto, é um polifenol sob investigação básica por causa do seu potencial para afetar positivamente a saúde humana.
EGCG (Epigallocatechin Gallate)
Os alimentos mais ricos em galato de epigalatocatequina (EGCG) são então os seguintes:
Chás principalmente o verde e o preto,
Arandos vermelhos,
Morangos,
Amoras,
kiwis,
Cerejas,
Peras,
Pêssegos,
Maçãs,
abacate,
Nozes,
Pistachios,
Avelãs.
Estudos parecem indicar benefícios para as seguintes condições de saúde e doenças:
Reduz a inflamação;
Perda de peso;
Prevenção de doenças cardíacas;
Prevenção de doenças cerebrais;
Diabetes;
Alguns tipos de cancro.
Chá Matcha
O chá matcha é um dos diversos tipos de chá que são, geralmente, relacionados com o emagrecimento, mas o matcha tem muitos mais benefícios para além desse. Consiste num chá verde, originário do Japão, sendo apresentado sob a forma de um pó esverdeado.
Os chás são ótimos aliados da perda de peso. Durante muito tempo, um dos mais consumidos para atingir esse objetivo foi o chá verde, devido às suas propriedades termogénicas, ou seja, de aceleração do metabolismo.
O matcha, assim como o chá verde e o chá preto, é extraído da planta camellia sinensis. A diferença entre os tipos de chás extraídos dessa mesma planta são elementos como a fermentação e maturação das folhas. O matcha é obtido a partir das folhas mais jovens do chá verde, originadas de plantações protegidas da exposição solar. Após recolha, as folhas são trituradas muito lentamente num moinho de pedra, até que estejam reduzidas a pó.
O pó do matcha é mais concentrado que os outros chás provenientes da camellia sinensis, ou seja, possibilita resultados mais rápidos pois tem uma concentração maior de EGCG. O chá matcha tem diversos efeitos positivos no organismo, tais como:
Emagrecimento;
Redução dos níveis de colesterol mau LDL;
Protege os vasos sanguineos contra a doença cardiaca;
Diminui a pressão arterial;
Inibe a angiogénese;
Estimula as células estaminais quando necessário;
Matcha e cancro
O matcha e provavelmente os altos níveis de EGCG no matcha podem realmente matar células estaminais cancerígenas. Assim, enquanto a maioria das células estaminais que temos ajuda a regenerar as nossas células, quando um cancro cresce, também tem as suas próprias células estaminais que fazem com que o cancro regresse mais tarde!
Estas células estaminais cancerígenas são muito perigosas e realmente mortais. O Santo Graal da pesquisa sobre o cancro, está em tentar encontrar uma maneira de matar essas células estaminais do cancro. Em 2018, os investigadores descobriram que o matcha e o ECGC podem matar as células estaminais do cancro da mama.
Chá matcha e perda de peso
O matcha emagrece por se tratar de um chá verde, possuindo catequinas na sua composição. Estudos já demonstraram que os homens que ingerem o chá verde com altas doses de catequinas conseguem eliminar mais peso do que os que tomam bebidas com baixas concentrações desta substância (perda de peso de, aproximadamente, 2,5 kg, comparativamente à perda de 1,3 kg).
Outro estudo publicado no ano de 2008, revelou que tomar chás verdes como o matcha ajuda no emagrecimento, pois promove o gasto energético durante a prática de exercício físico. Neste estudo, constatou-se que homens saudáveis que ingeriam este tipo de chás durante treinos de intensidade moderada tiveram um aumento de 17% na taxa de redução de gordura.
Também consumir o matcha em vez de outras bebidas pode auxiliar na redução da quantidade de energia ingerida por dia pois uma porção do chá tem apenas 3Kcal, enquanto um capuccino tem aproximadamente 74Kcal e um leite achocolatado possui cerca de 140Kcal.
Antioxidante
O chá matcha também tem benefícios no combate ao cancro, por exemplo. O motivo é por este ser rico em antioxidantes do grupo das catequinas, que funcionam como anticancerígenos.
Este facto foi comprovado por um estudo realizado em 2003 na Universidade de Colorado, que confirmou que uma chávena de matcha possui cerca de 137 vezes mais catequinas do que outros tipos de chá verde.
Efetivamente, estudos declaram que a ingestão regular de chá matcha reduz para metade a probabilidade de vir a desenvolver cancro da mama.
Diurético
Por ter um efeito diurético, o chá matcha contribui com a diminuição da retenção de líquidos no organismo, ajudando na perda de volume e eliminando o inchaço em algumas regiões do corpo.
Saciante
Quando se sente saciado, é mais difícil ceder às tentações alimentares. Tomar o chá matcha pode contribuir nesse sentido, devido à presença de um antioxidante que estimula a liberação de uma hormona chamada CCK (colecistocinina), que, por sua vez, é responsável por enviar para o cérebro a informação de que o estômago está cheio e conferir a sensação de saciedade.
Energizante
Um estudo publicado no ano de 1999 identificou que o consumo do chá verde contribui para estimulação do metabolismo que, por consequência, leva a que o processo de metabolização das reservas de gordura possa acontecer de forma mais rápida. Para os momentos em que é necessária energia e concentração extras, o matcha é também uma ótima opção para substituir o café.
Anti-stress
O matcha possui uma quantidade cinco vezes maior de L-teanina que outros tipos de chá verde. O L-teanina é um aminoácido que estimula a atividade de um tipo de ondas do cérebro, que, por sua vez, estão ligadas ao relaxamento, concentração, alívio do stress e até à diminuição da pressão arterial.
Colesterol diminui
Para quem possui valores de colesterol elevados, também é possível beneficiar com o consumo do chá matcha. É que, segundo um estudo de 2011, os chás verdes contribuem de maneira significativa para a diminuição dos níveis do colesterol LDL no organismo.
O chá ainda contém uma alta quantidade de fibras alimentares, que auxiliam no alívio da prisão de ventre e a estabilizar os níveis de açúcar no sangue. Estas fibras também podem auxiliar no controlo do colesterol, pois diminuem a absorção de gordura no intestino.
Propriedades anti-inflamatórias
Finalmente, o uso do chá matcha também está interligado a outros benefícios como o atraso do envelhecimento através do combate à inflamação.
Vitamina C
Em 4 de fevereiro de 2020, pesquisadores do Hospital Zhongnan, na China, anunciaram investigação à eficácia da infusão de vitamina C no tratamento de pneumonia grave infectada com COVID-19.
Muitas das mortes associadas a essa pneumonia viral parecem ser devidas a choque séptico e estudos sugerem que infusões em altas doses de vitamina C podem melhorar os resultados em casos de sepsis e infecções respiratórias.
Conforme observado na descrição do estudo do Hospital Zhongnan:
A pneumonia viral é uma condição perigosa com um mau prognóstico clínico. A vitamina C, também conhecida como ácido ascórbico, possui propriedades antioxidantes. Quando a sepsis ocorre, o aumento de citocinas causado pela sepsis é ativado e os neutrófilos acumulam-se nos pulmões, destruindo capilares alveolares.
Os primeiros estudos clínicos demonstraram que a vitamina C pode efetivamente impedir esse processo. Além disso, a vitamina C pode ajudar a eliminar o fluido alveolar, impedindo a ativação e acumulação de neutrófilos e reduzindo os danos no canal de água epitelial alveolar.
Ao mesmo tempo, a vitamina C pode impedir a formação de armadilhas extracelulares de neutrófilos, que é um evento biológico de lesão vascular causada pela ativação de neutrófilos.
Os pesquisadores pretendem tratar pacientes com 24 gramas de vitamina C intravenosa (IV) por dia, durante sete dias, a uma velocidade de 7 mililitros por hora. O grupo placebo receberá um IV de solução salina normal.
O desfecho primário será o número de dias sem suporte ventilatório durante 28 dias de hospitalização. As medidas de desfecho secundário incluirão mortalidade, tempo de internamento nas unidades de cuidados intensivos (UCI), taxa de RCP necessária, uso de vasopressores, função respiratória, falência de órgãos relacionados com a sepsis e muito mais.
Protocolo de tratamento de sepsis do Dr. Marik
O tempo dirá qual será o resultado desse estudo no Hospital Zhongnan. É provável que a vitamina C traga algum benefício, embora o protocolo de tratamento de sepsis do Dr. Paul Marik possa ser uma opção ainda melhor.
Estudo clínico retrospectivo inicial antes e depois da sepsis com o seguinte protocolo mantido durante 2 dias:
Vitamina B1 (Tiamina) 200mg de 12/12horas;
Vitamina C (Ácido ascórbico) 1.500 mg de ácido ascórbico 6/6 horas;
Hidrocortisona 50 mg de 6/6 horas.
Resultado: Redução de mortalidade por sepsis de 40 % para 8,5%.
Pesquisa publicada on-line em 9 de janeiro de 2020, constatou que o protocolo de sepsis intravenosa de Marik também reduzia a mortalidade em pacientes pediátricos. O estudo foi realizado no Hospital Infantil Ann & Robert H. Lurie, em Chicago, e conforme observado pelo Science Daily, os dados preliminares deste estudo “apóiam os resultados promissores observados em adultos”.
Entre janeiro de 2014 e fevereiro de 2019, 557 pacientes pediátricos com choque séptico preencheram os critérios de inclusão no estudo:
43 receberam o protocolo de vitamina C, vitamina B1 e hidrocortisona de Marik,
181 receberam terapia apenas com hidrocortisona,
333 não receberam nenhum desses tratamentos.
Os 43 pacientes que receberam o tratamento com vitamina C foram comparados com base no estado clínico com 43 controles não tratados e 43 pacientes apenas com hidrocortisona.
Resultados:
Após decorridos os primeiros 30 dias do estudo, os controles e os grupos somente a tomar hidrocortisona apresentaram uma taxa de mortalidade de 28%, enquanto o grupo de tratamento teve uma taxa de mortalidade de apenas 9%.
Aos 90 dias, 35% dos controles e 33% daqueles que receberam apenas hidrocortisona morreram, em comparação com apenas 14% do grupo de tratamento.
Nutrição essencial contra o coronavírus
Quanto à prevenção, a nutrição desempenha um papel crucial e vários nutrientes são conhecidos pelas suas propriedades estimulantes do sistema imunológico e capacidade de proteger contra infecções virais.
Em Fevereiro de 2020, num artigo convincente sobre o Progresso nas doenças cardiovasculares … Mark McCarty, da Catalytic Longevity Foundation, San Diego, CA, EUA, e James DiNicolantonio, PharmD, um cientista de pesquisas cardiovasculares do Instituto Americano do Coração de Saint Luke, Kansas City, MO, propõem que certos nutracêuticos podem ajudar a aliviar as pessoas infectadas com vírus de RNA encapsulados, como influenza e coronavírus …
SARS-CoV-2 causa tempestade inflamatória
A Covid-19 é cerca de 30 a 60 vezes mais letal do que a gripe anual típica. Tanto a gripe quanto o coronavírus causam uma tempestade inflamatória nos pulmões e é essa tempestade inflamatória que leva à dificuldade respiratória aguda, falência de órgãos e morte.
Certos nutracêuticos podem ajudar a reduzir a inflamação nos pulmões provocada por vírus RNA e outros também podem ajudar a aumentar a resposta do interferon tipo 1 a esses vírus, que é a principal resposta do nosso corpo para ajudar a criar anticorpos antivirais para combater infecções virais .
Suplementos contra Covid-19
McCarty e DiNicolantonio listam vários nutrientes disponíveis na forma de suplemento que podem ser particularmente benéficos contra o COVID-19. Descrevo de seguida os mais importantes.
N-acetilcisteína (NAC)
Estrutura química da N-Acetilcisteína (NAC)
Estimula a produção de glutationa ou glutatião, fluidifica o muco, diminui as probabilidades de infecção por vírus influenza e reduz o risco de desenvolver bronquite grave.
Glutationa ou glutatião o que é?
A glutationa (gama-glutamil-cisteinil-glicina ) ou GSH ou glutatião é um antioxidante hidrossolúvel, que exerce uma forte ação neutralizadora de radicais livres. É reconhecido como o tiol não proteico mais importante nos sistemas vivos. Trata-se de um tripéptido linear, constituído pelos seguintes três aminoácidos:
Ácido glutâmico,
Cisteína,
Glicina.
O grupo tiol da cisteína é o local activo responsável pelas propriedades bioquímicas da glutationa. Existe, na maioria das células, em concentrações compreendidas entre 1 e 8 mM, estando, geralmente, na sua maior quantidade no fígado. Ao nível extracelular a concentração de glutationa é da ordem de 5-50 μM.
Acetilcisteína, também conhecida como N-acetilcisteína (NAC), é uma medicação que é usada para o tratamento da overdose de paracetamol (acetaminofeno) e para soltar o muco em indivíduos com infeções respiratórias (virais ou bacterianas) bem como portadores de doenças mais graves como fibrose cística ou doença pulmonar obstrutiva crônica. Pode ser tomado por via intravenosa, pela boca, ou inalado, como uma névoa. Algumas pessoas usam como um suplemento dietético.
Efeitos colaterais não são frequentes, e os mais comuns incluem náuseas e vômitos, quando tomado por via oral. A pele pode, ocasionalmente, tornar-se vermelha e coçar. Um tipo não de anafilaxia também pode ocorrer. Parece ser seguro durante a gravidez e funciona através do aumento dos níveis de glutatião e níveis e a ligação com os produtos tóxicos da degradação do paracetamol.
Acetilcisteína inicialmente foi patenteado em 1960 e licenciado para uso em 1968. Está na Lista de Medicamentos Essenciais da Organização Mundial da Saúde, os medicamentos mais eficazes, seguros e necessários em um sistema de saúde. Ele está disponível como um medicamento genérico e não é muito caro – embora os originais tenham conservação melhor e, tratando-se de uma substância anti-oxidante, podem ser mais eficazes.
Dose diária: 1.200 a 1.800 mg
Extrato de sabugueiro (Elderberry)
Conhecido por reduzir a duração da gripe em dois a quatro dias assim como a gravidade da gripe. Segundo os autores do estudo, dado que o sabugueiro é uma fonte muito rica de antocianinas, há motivos para suspeitar que o seu impacto sobre os vírus possa ser mediado, pelo menos em parte, pelo ácido ferúlico, um metabólito proeminente que aparece no plasma após a ingestão de antocianinas.
Reduz a severidade da infecção por vírus influenza e reduz a mortalidade por influenza em estudos com animais. Num teste em humanos, a spirulina reduziu significativamente a carga viral em pacientes com infecção pelo HIV.
Spirulina é um género de cianobactérias da ordem Spirulinales, um grupo de organismos procariotas vulgarmente conhecido por algas verde-azuis (ou Cyanophyta).
São microrganismos unicelulares fotoautotróficos que se agrupam em formas filamentosas, geralmente helicoidais, designadas por tricomas (por analogia com os pelos das plantas). Algumas espécies anteriormente incluídas neste género (actualmente em Arthrospira) são utilizadas para produzir um suplemento alimentar conhecido por «spirulina» ou «espirulina», que não deve ser confundido com este género.
Dose diária: 15 g
Glucosamina
Regula positivamente a proteína de sinalização antiviral mitocondrial (MAVS – mitochondrial antiviral-signaling protein), reduz a gravidade e mortalidade da infecção por influenza em estudos com animais.
Como o selénio é um cofator essencial para certas peroxidases e a deficiência de selénio tem sido endêmica em certas regiões da China e em outras partes do mundo, garantir a adequação da nutrição do selénio também pode ser apropriado nesse contexto, observam McCarty e DiNicolantonio, acrescentando que “a deficiência de selénio também aumenta a taxa na qual os vírus podem sofrer mutações, promovendo a evolução de estirpes mais patogênicas e capazes de evitar a vigilância imunológica”.
Dose diária: 50 a 100 microgramas
Zinco
Suporta a função eficaz e proliferação de várias células imunológicas, reduzindo a mortalidade em idosos em 27%.
Dose diária: 30 a 50 mg
Ácido lipoico
Ácido lipóico é um composto organosulfurado derivado do ácido octanóico que contém dois átomos de enxofre (em C6 e C8) vicinais ligados por uma ligação dissulfídica. O átomo de carbono em C6 é quiral portanto a molécula possui dois enantiômeros. Apenas o enantiômero R-(+)- existe na natureza é é um cofator essencial de quatro enzimas mitocondriais complexas.
O ácido lipoico ajuda a aumentar a resposta do interferon tipo 1. Conforme explicado em um artigo de 2014 “Os interferons do tipo I (IFNs) ativam programas antimicrobianos intracelulares e influenciam o desenvolvimento de respostas imunes inatas e adaptativas … (IFNs) são polipeptídeos secretados pelas células infectadas e têm três funções principais:
Induzem estados antimicrobianos intrínsecos a células em células infectadas e vizinhas que limitam a disseminação de agentes infecciosos, particularmente patógenos virais.
Modulam as respostas imunes inatas de uma maneira equilibrada que promove a apresentação de antígenos e as funções das NKC (natural killer cell) células assassinas naturais, ao mesmo tempo que restringe as vias pró-inflamatórias e a produção de citocinas.
Ativam o sistema imunológico adaptativo, promovendo o desenvolvimento de respostas de células T e B específicas para antígenos de alta afinidade e memória imunológica. Os IFNs do tipo I são protetores em infecções virais agudas, mas podem ter papéis protetores ou deletérios em infecções bacterianas e doenças autoimunes “.
Dose diária: 1.200 a 1.800 mg (em substituição do ácido ferúlico)
O ácido lipóico é ainda responsável por estimular a biossíntese de uma enzima do nosso organismo que exerce também uma marcada acção neutralizadora dos radicais livres, a glutatião peroxidase. Esta enzima neutraliza um dos radicais livres mais agressivos para a pele, o radical peróxido, transformando-o em água. Pensa-se que o ácido lipóico tem também um papel importante no metabolismo do organismo, mais particularmente na produção de energia.
Vitmina D
A radiação solar ultravioleta B e a suplementação de vitamina D demonstraram reduzir as taxas de fatalidade pandémica, o que faz sentido, considerando a importância da vitamina D no controle de infecções e na redução do risco de influenza e resfriado comum.
A pesquisa mostra que a suplementação com altas doses de vitamina D reduz em 40% o risco de doenças respiratórias e infecções pulmonares em idosos. A vitamina D pode melhorar a capacidade do sistema imunológico de combater infecções, porque reforça a primeira linha de defesa do sistema imunológico.
Pesquisas publicadas em 2009 apontam que as taxas de mortalidade durante a pandemia de influenza de 1918-1919 foram influenciadas pela estação, com um número maior de pessoas a morrer durante o inverno do que no verão.
Segundo os autores: “As mortes durante a pandemia de influenza de 1918 a 1919 foram ligadas tanto ao vírus da influenza quanto às infecções pulmonares bacterianas secundárias. As taxas de mortalidade de casos e a percentagem de casos de influenza complicados por pneumonia estavam disponíveis a partir de dados de pesquisas de doze locais dos Estados Unidos na pandemia de 1918 a 1919 .
Este estudo analisa as taxas de mortalidade e casos complicados de pneumonia em relação às doses estimadas de radiação solar ultravioleta-B (UVB) no verão e no inverno como indicadores da população quanto ao status médio de vitamina D.
Correlações substanciais foram encontradas para associações da dose de UVB de julho com taxas de mortalidade de casos e taxas de pneumonia como uma complicação da influenza. Resultados semelhantes foram encontrados para o UVB no inverno.
A vitamina D aumenta a produção de catelicidina humana, LL-37, que tem atividades antimicrobianas e antiendotoxinas. A vitamina D também reduz a produção de citocinas pró-inflamatórias, o que também pode explicar alguns dos benefícios da vitamina D, uma vez que a infecção pelo H1N1 causa uma tempestade de citocinas.
Como orientação geral, teste o nível de vitamina D duas vezes por ano, no inverno e no verão, para garantir uma faixa saudável de 60 ng / mL a 80 ng / mL durante o ano todo. (Pesquisas convincentes sugerem que 40 ng/mL é o valor de referência para a suficiência.)
Probióticos podem ser úteis contra a Prevotella
Por último, mas não menos importante, se a inclusão da bactéria Prevotella na COVID-19 for comprovada, prebióticos, probióticos e esporobióticos podem ser muito úteis.
Vários estudos mostraram que os probióticos com estirpes de Bifidobacterium bifidum podem ajudar a reduzir a bactéria Prevotella, enquanto que as estirpes de Lactobacillus tendem a aumentá-la.Os esporobióticos podem ser particularmente benéficos.
Conforme explicado em “Como os probióticos de esporos podem ajudá-lo”, que apresenta uma entrevista com o Dr. Dietrich Klinghardt, os probióticos baseados em esporos são constituidos pela parede celular dos esporos de bacilos – a concha protetora em torno do DNA e o mecanismo de actuação desse DNA – não toda a bactéria viva.
Foi demonstrado que os esporos de Bacillus aumentam drasticamente a tolerância imunológica, o que significa que ajudam a reparar os danos na barreira intestinal. Como eles não estão “vivos”, eles também não são afetados por antibióticos.
O bacilo modula de forma muito eficaz as citocinas. Assim as citocinas anti-inflamatórias são reguladas positivamente, enquanto as citocinas inflamatórias são reguladas negativamente, restabelecendo o equilíbrio entre as duas.
A pesquisa também mostrou que os esporobióticos aumentam maciçamente a reprodução de acidófilos, bífidos e outros micróbios no intestino por meio das mensagens eletromagnéticas que eles enviam. Isso é totalmente único. Quando tomamos um probiótico regular, eles fazem aumentar principalmente a sua estirpe. Os esporos de Bacillus, por outro lado, realmente aumentam muitos dos outros micróbios benéficos.
Os esporos de Bacillus também criam 24 substâncias diferentes que possuem fortes propriedades antimicrobianas. No entanto, eles não matam indiscriminadamente como os antibióticos. Eles suprimem especificamente patogénicos que fazem uma contribuição valiosa para o todo.
Depois da informação prática descrevemos agora a ciência para os mais detalhados 🙂 O sistema imunitário, sistema imunológico ou sistema imuneé um conjunto de estruturas e processos biológicos que nos protegem contra as doenças.
Para que melhor possam absorver este conhecimento vou começar por uma apresentação simples sobre a estrutura do nosso sistema imunitário. Depois mais á frente vou falar de como podemos fortalecer imenso a nossa imunidade e ficar mais “resistentes” a vírus e bactérias.
Resumindo a estrutura deste artigo:
Quais os orgãos que constituem a estrutura da nossa imunidade?
Que agentes de defesa produzem para nos proteger?
Como se processa essa resposta imunitária a um agente estranho ao nosso corpo?
Qual a capacidade de memorização do nosso sistema imunitário?
Como se adapta ao contacto com agentes estranhos?
O que destroi a nossa imunidade?
Que hábitos diários, não alimentares, destroem o nosso sistema imunitário?
Quais os alimentos nunca deviamos comer para proteger as nossas defesas contra vírus e bactérias?
Quais os fantásticos alimentos que podem proteger-nos e tornar-nos mais resistentes a vírus e bactérias?
Estruturas, células e agentes imunitários referidos neste artigo:
Antigénio ou antigeno
Componentes da imunidade (imagem resumida da estrutura imunitária)
Hábitos básicos para conseguir forte imunidade referidos neste artigo:
Sono de qualidade
Stress controlado
Exercício físico moderado
Jejum intermitente
Nutrição sem alimentos refinados
Evitar açucar e hidratos de carbono refinados
Hidratação bebendo água de qualidade
Antigénio ou antígeno agentes estranhos
Para funcionar bem, o sistema imunitário tem de conseguir detectar uma enorme variedade de agentes, tais como vírus, bactérias, fungos, parasitas, diferenciando-os dos nossos tecidos celulares saudáveis. Estes agentes estranhos ao nosso organismo são denominados de antigénios ou antígenos (são sinónimos).
A imunologia é a área científica que estuda todos os aspectos do sistema imunitário.
Vírus e bactérias também se adaptam
Muitos agentes patogénicos evoluem rapidamente e adaptam-se de modo a evitar a detecção, neutralização e destruição por parte do nosso sistema imunitário, pelo que os vários mecanismos de defesa também evoluíram no sentido de os reconhecer e neutralizar.
Até mesmo os simples organismos unicelulares como as bactérias possuem um sistema imunitário rudimentar, na forma de enzimas que os protegem de infecções por bacteriófagos que são vírus que infectam apenas bactérias.
Conforme descrição da imagem anterior o nosso sistema imunitário é composto por dois tipos de imunidade e resposta imunitária:
Imunidade inata – resposta rápida
Imunidade adaptativa – resposta lenta
Mecanismos imunitários básicos
Mecanismos imunitários básicos acompanharam a evolução dos eucariotas e estão presentes nos seus descendentes contemporâneos, como as plantas e os insectos. Entre estes mecanismos os principais são os seguintes:
Fagocitose,
Defensinas que são peptídeos antimicrobianos,
Sistema complemento.
Fagocitose
No processo imunitário de fagocitose os neutrófilos (glóbulos brancos) capturam as partículas sólidas, relativamente grandes, que são agentes estranhos ao organismo (vírus e bactérias por exemplo) através de prolongamentos citoplasmáticos chamados de pseudópodes. A partícula é então englobada e passa a integrar o citoplasma da célula. De seguida o agente ingerido fica completamente envolvido por uma membrana, formando o chamado fagossoma ou fagossomo.
Dentro do fagossoma são libertadas enzimas que degradam a partícula ingerida, que pode ser um micro-organismo ou até mesmo restos celulares. Essas enzimas são libertadas por organelos chamados de lisossomas, que se unem ao fagossoma formando um vacúolo digestivo. O material que não é digerido denominado corpos residuais, depois de algum tempo, é libertado pela célula para o exterior.
Neutrófilos e macrófagos
Os vertebrados têm células capazes de fagocitar microorganismos invasores, assim defendendo o nosso organismo contra infecções.
Neutrófilos – atuam destruindo os microorganismos causadores de doenças mas também outras substâncias estranhas utilizando a fagocitose.
Macrófagos – são outro tipo de células imunitárias com grande capacidade fagocitária quer sobre partículas patogénicas mas também destruindo células danificadas do nosso corpo, apoiando dessa forma a limpeza do organismo, protegendo-nos de processos de doença iniciados por essas células com DNA danificado.
Sangue
O sangue é constituído por tecido conjuntivo especial que assegura o transporte de nutrientes, oxigénio e resíduos metabólicos pelo nosso organismo e garante os mecanismos de coagulação sanguínea e defesa. É constituido por uma matriz extracelular líquida, onde estão suspensas células e fragmentos celulares. Circula dentro do sistema cardiovascular, que assegura a sua movimentação com um fluxo unidirecional ou seja sempre na mesma direção.
Resumindo, o sangue é formado por plasma, uma porção acelular, e os chamados elementos figurados, que constituem a parte celular. Essa última porção é formada por 3 tipos de célulad diferentes, a saber:
Hemácias ou glóbulos vermelhos,
Leucócitos ou glóbulos brancos,
Plaquetas.
Leucócitos ou glóbulos brancos
Leucócitos ou glóbulos brancos, são células incolores que defendem o nosso corpo, contra organismos invasores e activam respostas imunológicas. Os leucócitos são produzidos na medula óssea, onde a maioria amadurece. Da medula óssea eles são transportados no sangue através dos vasos sanguíneos para todo o corpo. O número de referência (normal) de leucócitos por milímetro cúbico de sangue num adulto é de 4 a 10 mil.
Tipos de leucócitos
Podemos dividir os leucócitos em dois grandes grupos:
Granulócitos – apresentam grânulos no citoplasma e núcleo com formato irregular (polimorfonucleares);
Agranulócitos – não possuem grânulos e apresentam núcleo com formato relativamente regular.
Os granulócitos têm 3 tipos diferentes:
Neutrófilos – capazes de diapedese e fagocitose;
Eosinófilos – capazes de fagocitose, aumentam nas alergias e infeções por parasitas;
Basófilos – libertam histamina nas alergias e evitam a coagulação.
Os agranulócitos são constituidos por linfócitos e monócitos:
Linfócitos B – produzem anticorpos;
Linfócitos T CD4+ – comandam a defesa pois recebem informações do macrófagos e activam os linfócitos T CD8+ e os linfócitos B
Linfócitos T CD8+ – eliminam células anormais, infectadas ou estranhas;
Monócitos – capazes de diapedese, transformam-se em macrófagos com forte poder de fagocitose.
GRANULÓCITOS
Neutrófilos – Saõ glóbulos brancos que têm núcleos constituídos por dois a cinco lóbulos e possuem dois tipos de grânulos no citoplasma que são os grânulos específicos e os azurófilos. Apresentam a capacidade de sair do interior de vasos sanguíneos intactos (diapedese) e invadir tecidos para defender nosso organismo. São responsáveis por fagocitar organismos invasores, como bactérias, sendo importantes para a resposta inata.
Eosinófilos – apresentam grânulos que coram ao utilizar eosina e um núcleo com 2 lobos ligados por um filamento. Apresentam como principal função fagocitar o complexo antígénio-anticorpo. Aumentam quando o paciente apresenta reações alérgicas ou infecções parasitárias.
Basófilos – apresentam grânulos maiores que os dos neutrófilos e eosinófilos e núcleo grande e de formato irregular que lembra a letra “S”. As principais funções são libertar histamina para as respostas alergicas e heparina para evitar a coagulação do sangue.
AGRANULÓCITOS
Linfócitos – São pequenas células constituidas por um grande núcleo circular e desempenham um importantíssimo papel na resposta imunitária. Podem ser diferenciadas em dois tipos principais:
Linfócitos B
Linfócitos T.
Fonte: Researchgate.net Antígénios que causam estimulação crónica de linfócitos T, sem uma resposta inata representativa ou ativação de macrófagos, normalmente induzem à diferenciação de LT CD4+ para o padrão Th2. No padrão Th2 há principalmente a produção de IL-4, IL-5 e IL-10 que estimulam a ativação de mastócitos e eosinófilos mediada principalmente por IgE e suprimem a ativação de macrófagos e das respostas Th1.
Linfócitos B – São produzidos na medula óssea onde também terminam a maturação. Quando sofrem ativação, diferenciam-se em plasmócitos, cuja principal função é a produção de anticorpos.
Linfócitos T – Os linfócitos T completarem a maturação no timo (daí a letra T). Estas células, linfócitos T, diferenciam-se em duas classes:
Linfócitos T auxiliares (CD4+) – através de informações recebidas pelos macrófagos, estimulam a activação dos linfócitos T matadores (CD8+) e os linfócitos B. São os linfócitos auxiliares que comandam a defesa do organismo.
Linfócitos T assassinos ou citotóxicos (CD8+) – recebem este nome por serem responsáveis pela destruição de células anormais, infectadas ou estranhas ao organismo.
Monócitos – São células grandes que possuem um único núcleo com formato de rim. Os monócitos realizam diapedese (capacidade de sair intactos do interior dos vasos sanguíneos) e ficam no tecido conjuntivo, onde se transformam em macrófagos que são células de alto poder fagocitário.
Quando o nosso médico necessita de informação acerca de possiveis infeções ou alergias no nosso organismo, pede sempre o leucograma ou seja o exame clínico que faz a contagem total de leucócitos e a contagem diferencial de cada um dos tipos de leucócitos.
Leucograma pesquisa infeções e alergias
O resultado com as diferentes contagens dos 5 diferentes tipos de leucócitos permite suportar clinicamente a suspeita de, por exemplo, alergias (eosinófilos e basófilos aumentados), infeções por parasitas (eosinófilos aumentados) ou infeções por vírus ou bactérias (linfócitos e monócitos aumentados).
As células exterminadoras naturais ou células NK (do inglês Natural Killer Cell) são um tipo de linfócitos citotóxicos necessários para o funcionamento do sistema imunitário inato. Têm um papel importante no combate a infecções virais e células tumorais. Identificadas pela primeira vez em 1975, foram rotuladas de Exterminadoras Naturais (Natural Killer), pela sua actividade citotóxica contra células tumorais de diferentes linhagens, sem a necessidade de reconhecimento prévio de um antigénio específico, contrariamente ao funcionamento dos linfócitos T.
O termo natural killer deriva do fato de que sua principal função é a morte das células infectadas, similar às células killer do sistema imune adaptativo (um linfócito T CD8+ ativado), os linfócitos T citotóxicos (CTLs), e elas estão prontas para o fazer uma vez que tenham se desenvolvido, sem nova diferenciação (por isso, natural).
Células dendríticas são glóbulos brancos que protegem o corpo de micróbios invasores, tanto direta como indiretamente. Embora as células dendríticas constituam parte do sistema imunitário inato, sendo capazes de fagocitar patogénicos, a sua principal função é processar material antigénico, devolve-lo à sua superfície e apresentá-lo às células especializadas do sistema imunitário. Neste sentido, atua como vínculo entre os dois sistemas. Deste modo, as células dendríticas são células apresentadoras de antigénio. As células dendríticas existem em diferentes grupos de vertebrados, mas as suas características diferem entre um grupo e outro e inclusive dentro de um mesmo grupo. Embora sejam comuns dos mamíferos, também foram detectadas em frangos e tartarugas.
O seu nome faz referência a projeções ramificadas que se desenvolvem num determinado momento do seu processo de maturação, semelhantes aos dendritos dos neurónios. As células dendríticas foram descobertas em 1868 pelo investigador Paul Langerhans quando este estudava o epitélio cutâneo humano, apesar de originalmente acreditar que formavam parte do sistema nervoso; a sua verdadeira função só foi revelada um século mais tarde.
Um estudo recente revelou a presença de células dendríticas no cérebro, o que pode representar uma segunda linha de defensa contra os patogénicos que consigam atravessar a barreira hematoencefálica. Estas formam parte da chamada “micróglia heterogênea”.
As células dendríticas pertencem a um tipo de glóbulos brancos chamados fagócitos. Devido à sua elevada eficiência no momento de fagocitar material prejudicial ao corpo, as células dendríticas são consideradas fagócitos “profissionais”, á semelhança de outras como neutrófilos, monócitos, macrófagos e mastócitos.
Parte da eficácia fagocítica das células dendríticas deve-se à presença de moléculas chamadas receptores na superfície, que podem detectar objetos nocivos, tais como bactérias, que normalmente se encontram dentro do corpo. As células dendríticas existem em pequenas quantidades em tecidos que estão em contacto com o meio exterior, os chamados epitélios, principalmente a pele (que possui um tipo especializado de células dendríticas chamadas células de Langerhans) e o revestimento interior do nariz, os pulmões, o estômago e intestinos. Também estão presentes em estado imaturo no sangue.
Tal como outros glóbulos brancos, as células dendríticas derivam de células hematopoiéticas mieloides. Quando são ainda imaturas, a sua função é ir procurar constantemente patogénicos no meio que as rodeia mediante receptores de reconhecimento de padrões. Assim que encontram um antigénio válido, começam a amadurecer e migram para os gânglios linfáticos, onde se encontram os linfócitos. Quando os linfócitos T detectam um antigénio numa célula dendrítica, ativam-se, proliferam e diferenciam-se em células efetoras. Por sua vez, os linfócitos T ativam os linfócitos B, que produzem anticorpos, e a partir desse momento a defensa contra os patogénicos passa para o domínio da imunidade adquirida.
Defensinas
As defensinas são pequenas proteínas catiónicas, ricas em cisteína, que podem ser encontradas nos fagócitos dos vertebrados e que são activos contra bactérias, fungos e vírus. A maioria das defensinas funcionam através da penetração na membrana celular por um mecanismo de atracção eléctrica. Uma vez embebidas na membrana, formam um poro através do qual o material eflui. A sua libertação é mediada por:
Sinais microbianos,
Sinais desenvolvimentais,
Citocinas,
Sinais neuro-endócrinos.
Nesse contexto, uma imunodeficiência possível que resulta na redução na produção de defensinas é a Síndrome de Crohn. Esta doença provoca uma inflamação exacerbada do tecido intestinal que pode ser autoimune ou reação a algum patogénico. A redução nas defensinas impede o combate efetivo a patogénicos aumentando a gravidade das lesões no tecido.
Outro exemplo é a Diabetes. Quando não se consegue eliminar de forma eficaz os patogénicos intestinais, esses conseguem penetrar na circulação sanguínea, circulando pelo corpo, até atingirem o pâncreas, causando lesões teciduais nas ilhotas pancreáticas expondo-as como antigénios, causando uma autoimunidade e a, consequente, diabetes tipoII
Sistema complemento
Fonte: Researchgate.net Vias de ativação do complemento. Via clássica – há necessidade de opsonização do patógeno por anticorpos; essa ligação desencadeia uma cascata.
Às vezes a interacção dos anticorpos com antígénios é eficiente por si só. Por exemplo:
Revestindo um vírus ou bactéria prevenindo assim a sua ligação e invasão, a uma célula hospedeira (ex: anticorpos antipólio)
Ligando-se a uma toxina (ex: toxina da difteria ou tétano) impedindo assim a entrada da toxina na célula, neutralizando a toxina.
No entanto, muitas vezes, a ligação de anticorpos a antigénios não é eficaz a menos que ela possa activar um mecanismo efectivo, seja ele celular ou humoral. O sistema complemento participa nestas funções efectoras.
Denomina-se complemento um complexo sistema multiprotéico com mais de 30 componentes, na sua maioria proteínas plasmáticas, cujas funções principais são a defesa frente às infecções por microorganismos, a eliminação da circulação dos complexos antigénio-anticorpo e alguns dos seus fragmentos actuam como mediadores inflamatórios.
O complemento é um dos mecanismos efectores mais importantes da resposta imune inata. Quando um microorganismo penetra no nosso organismo, normalmente provoca a activação do complemento. Como resultado da sua activação e amplificação, alguns componentes do complemento depositam-se sobre a superfície do patogénico responsável pela activação, o que determina a sua destruição (lise) e/ou a sua eliminação por células do sistema fagocítico.
Mecanismos imunitários complexos
Além da imunidade básica, os vertebrados mandibulares, entre os quais o ser humano, conseguiram desenvolver mecanismos de defesa ainda mais complexos, entre os quais a capacidade de ao longo do tempo se adaptarem para reconhecer de forma eficiente agentes patogénicos específicos.
Através da imunidade adquirida ou adaptativa , o organismo cria um tipo de memória imunológica na sequência de uma resposta inicial a um agente específico, o que lhe permite responder de forma mais eficaz a novos ataques pelo mesmo agente. O processo de imunidade adquirida é a base da vacinação.
Os transtornos do sistema imunitário podem levar ao aparecimento de doenças autoimunes, inflamações e cancro. A imunodeficiência verifica-se quando a actividade do sistema imunitário é inferior ao normal, o que está na origem de infecções recorrentes e onde existe risco de vida.
No ser humano, a imunodeficiência pode ser consequência das seguintes condições:
Doença genética,
Doença adquirida como o VIH/SIDA,
Medicamentos imunossupressores.
Autoimunidade
Ao contrário da imunodeficiência a autoimunidade é a consequência de um sistema imunitário hiperactivo que ataca tecido normal como se fosse um agente externo, como é o caso daartrite reumatóide ou adiabetes de tipo 1.
A resposta imune pode separar-se nos seguintes dois tipos de resposta:
Imunidade natural ou inata,
Imunidade adquirida ou adaptativa.
Imunidade natural ou inata
A imunidade inata, natural ou não específica é considerada a primeira linha de defesa do corpo humano, nós já nascemos com essa defesa física, química e biológica.
As células mais importantes responsáveis pela imunidade inata são as seguintes:
Macrófagos
Células dendríticas
Células NK (Natural Killer Cell) ou células assassinas naturais
Proteinas do complemento
Neutrófilos
Basófilos
Eosinófilos
Mastócitos
A esta primeira linha de defesa pertencem:
Pele: A pele é considerada a principal barreira contra agentes infecciosos;
Cílios: Os cílios são responsáveis pela proteção dos olhos, evitando que elementos indesejáveis entrem nos olhos. Também existem os cílios nasais com a função de proteção, filtragem e drenagem de mucosidades para o exterior;
Lágrimas: As lágrimas possuem a função de lubrificar e limpar os olhos, assim reforçam a proteção do globo ocular;
Muco: O muco tem a função de impedir os microrganismos entrem no sistema respiratório;
Plaquetas: As plaquetas agem na coagulação do sangue, ou seja, se o corpo tiver algum ferimento as plaquetas vão agir para reter o sangue;
Saliva: Protege contra vírus e lubrifica a boca;
Suco gástrico: Age no processo de digestão do alimento e evita a proliferação de microrganismos;
Suor: Auxilia na proteção da pele, impedindo a entrada de fungos.
Membranas;
Tecidos do sistema respiratório.
A imunidade natural pode ser definida também pelas células de defesa, como os leucócitos, neutrófilos e macrófagos. Se essa imunidade não for suficiente, a imunidade adquirida, adaptativa ou específica, entra em ação. Resumindo, a resposta imune natural pode conter a entrada de agentes infecciosos mas também ajudar nas respostas imunes adquiridas ou adaptativas.
Imunidade adquirida ou adaptativa
Fonte: Researchgate.net Fases de ativação da resposta imune adaptativa.
A imunidade adquirida é aquela que nós adequirimos durante a vida, como os anticorpos e as vacinas, por isso também é denominada como imunidade adaptativa pois corresponde a um sistema de defesa implantado que o organismo recebe após ter sido infectado por algum agente.
Existem dois tipos de imunidade adquirida, a saber:
Imunidade humoral: corresponde a uma resposta defensiva onde atuam os anticorpos, conhecidos como imunoglobulinas que são formadas pelos linfócitos B. Os anticorpos têm como função reconhecer e sinalizar os antígenos ou seja as substâncias estranhas;
Imunidade celular: diz respeito a um sistema de defesa mediado pelos linfócitos T, assim, quando um agente patogénico sobrevive no corpo e, os anticorpos não conseguem ter acesso, as células T eliminam essas substâncias infectadas.
Anticorpos ou Imunoglobulinas
Os anticorpos (Ac) também conhecidos como imunoglobulinas, (abreviado Ig) são um componente essencial da nossa imunidade adquirida. São glicoproteínas do tipo gamaglobulina, a fracção de globulinas mais abundante no plasma sanguíneo. Podem encontrar-se em forma solúvel no sangue ou noutros fluídos corporais dos vertebrados, ou podem estar inseridos na membrana plasmática, onde actuam como receptores nos linfócitos B e são empregues pelo sistema imunitário para neutralizar patogénicos tais como bactérias patogénicas e viroses.
Em geral, considera-se que tanto anticorpo como imunoglobulina são termos equivalentes, sendo que o primeiro termo faz referência à função, enquanto que o segundo alude à estrutura. O termo gamaglobulina refere-se às propriedades electroforéticas das imunoglobulinas solúveis no soro sanguíneo, se bem que algumas imunoglobulinas migram com as fracções alfa, beta e inclusive com a albumina.
Um anticorpo é tipicamente constituído por unidades estruturais básicas, cada uma das quais com duas grandes cadeias pesadas e duas cadeias leves de menor peso molecular. A molécula de anticorpo tem forma de Y; as extremidades dos braços do Y são o fragmento Fab por onde se ligam ao antígeno; o pé do Y é o fragmento Fc. As moléculas dos anticorpos podem aparecer em separado, como monómeros, ou associarem-se entre si formando dímeros com duas unidades ou pentâmeros com cinco unidades. Os anticorpos são sintetizados por um tipo de leucócito denominado linfócito B ou célula B.
Existem diferentes tipos de anticorpos, chamados isótipos, diferenciados pela forma da cadeia pesada que apresentem.São conhecidas cinco classes de isótipos em mamíferos que desempenham funções diferentes, contribuíndo para dirigir a resposta imunitária conforme cada tipo de corpo estranho que encontram, que são:
IgA,
IgD,
IgE,
IgG,
IgM.
Diagnósticos clínicos
O doseamento das diferentes imonoglobulinas no sangue podem ser um importante apoio para o médico conseguir realizar um diagnóstico mais correcto de determinadas doenças. Por exemplo:
Órgãos do sistema imunológico
O sistema imunológico é formado por diversos órgãos dos quais se destacam os seguintes:
Linfonodos, ou ganglios linfáticos,
Timo,
Baço,
Medula óssea,
Vasos linfáticos.
Fonte: Guia de studo
Estes orgãos são classificados como primários e secundários conforme as diferentes funções, a saber:
Órgãos imunitários primários – acontece a linfopoiese que corresponde ao processo de formação de linfócitos.
Órgãos imunitários secundários – ocorre a resposta imune.
Linfopoiese
Linfopoiese é o processo mediante o qual se formam os linfócitos. Engloba os linfócitos T e B. Os linfócitos B saem maduros da medula óssea enquanto os linfócitos T necessitam de migrar para o Timo onde sofrem o processo de maturação. Os linfócitos B ainda se diferenciam em plasmócitos quando encontram um antígeno num órgão linfoide secundário e secretam anticorpos nos tecidos.
Órgãos imunitários primários
Os órgãos imunitários primários são principalmente os seguintes:
Timo: É uma glândula que fica no tórax, entre os pulmões. Ela é responsável pelo desenvolvimento dos linfócitos T;
Medula óssea: Corresponde a um tecido com aspecto mole localizado dentro dos ossos. São nas medulas ósseas que ocorrem a produção de plaquetas, hemácias, leucócitos e maturação dos linfócitos B;
Células estaminais ou células tronco: Conhecidas também como células fonte. São células ainda indiferenciadas capazes de se dividirem e originar qualquer uma das outras células diferenciadas ou seja específicas de um determinado tecido, como por exemplo o hepático. Existem grupos de células estaminais embrionárias (ou não embrionárias), adultas e induzidas.
Órgãos imunitários secundários
Os órgãos imunitários secundários são principalmente os seguintes:
Baço: É um órgão do sistema linfático localizado na região esquerda do abdómen. É caracterizado por ser o maior dos órgãos linfáticos;
Linfonodosou ganglios linfáticos: São pequenos órgãos compostos pelo tecido linfoide.
Interferon e anticorpos antivirais
O Interferon ou interferão(IFN) é uma proteína produzida pelos leucócitos e fibroblastos para interferir na replicação de fungos, vírus, bactérias e células de tumores e estimular a atividade de defesa de outras células. Existem três tipos de interferon, classificados de acordo com o recetor celular e resposta que ativam. São um tipo de citocina produzida por todos os animais vertebrados e alguns invertebrados.
Tipos de Interferon
Existem 3 tipos de interferon, a saber:
Interferon tipo I (alfa e beta)
Interferon tipo II (gama)
Interferon tipo III (lambda)
Interferon tipo I (alfa e beta): A forma alfa é produzida por leucócitos e a forma beta por fibroblastos quando invadidos por vírus. Induz a própria célula infectada e células próximas a produzirem proteínas que impedem a replicação do vírus. Usado para tratar hepatite B, hepatite C e esclerose múltipla. A produçao é estimulada por interleucina 1 e 2 e pelo Fator de necrose tumoral.
Interferon tipo II (gama): Também conhecido como interferon imune e sempre na forma de Interferon-gama, é produzido por linfócitos T e células NK (Natural Killer Cells ou Células Naturais Assassinas) quando estimulados por interleucina 12 ou 18. O Interferon gama é responsável por ativar macrófagos, estimula a expressão de Complexo maior de histocompatibilidade, crescimento, maturação e diferenciação de muitos tipos de células, aumenta a atividade de células naturais assassinas (NK), regula a resposta inflamatória, potencia outros interferons e modula a atividade dos linfócitos B. Pode ser usado no tratamento da doença granulomatosa crónica e da osteopetrose (endurecimento dos ossos).
Interferon tipo III (lambda): Também conhecido como interleucina 28/29 é produzida por células dendríticas e monócitos sempre na forma lambda. Quando infectadas por vírus, atua em sinergia e como complementar com a forma alfa para estimular a produção de proteínas que inferem com a replicação viral pelas células vizinhas. Estimula a mitose de linfócitos. Dependendo do vírus a maior resposta será de tipo I ou de tipo III.
Função antiviral do interferon
Os interferons induzem um estado de resistência antiviral em células teciduais não infectadas. O vírus, ao replicar-se, vai ativar o gene codificante do interferon. Após a síntese proteica, a proteína sai da célula e entra na corrente sanguínea, até chegar às células vizinhas que ainda não foram atacadas. A proteína liga-se à membrana celular dessas células e ativa o gene codificante de proteínas antivirais. Estas proteínas antivirais, vão impedir a replicação do vírus nessas células.
Os interferons são produzidos na fase inicial da infecção e constituem a primeira linha de resistência a muitas viroses. Um grupo de interferons (alfa e beta) é produzido por células infectadas por vírus, e um outro grupo (gama) é sintetizado por células naturais assassinas ou linfócitos T ativados.
Patologias
A atividade do interferon está profundamente relacionada com o desenvolvimento de várias doenças como:
Doenças do colagénio,
Lúpus,
Artrite reumatóide,
Diabetes mellitus dependente de insulina,
Hepatite fulminante,
Pancreatite grave,
Nefrite,
Esclerose múltipla,
Doenças alérgicas,
Aterosclerose.
Utilização terapêutica
Os interferons Alpha, Beta e Gamma são proteínas naturais produzidas pelas células do sistema imunológico em resposta à ameaça de agentes como vírus, bactérias, parasitas e tumores. São utilizados para tratar condições como:
Esclerose múltipla,
Leucemias,
Linfomas,
Hepatite B e C.
Resistência viral
Diversos vírus são resistentes a interferon, dentre eles:
Encefalite Virus Japonês (JEV)
Vírus da dengue tipo 2 (DEN-2)
Alguns Herpesvirus, incluindo citomegalovirus (HCMV)
Top 20 medicamentos mais perigosos e drogas que podem ser mortais! Como farmacêutico este é um artigo de extrema importância pois convivo diáriamente com a realidade da falta de informação básica sobre efeitos secundários e interações de medicamentos que podem ser muito perigosas. Os medicamentos para combater as dores comuns, dores fortes e dores crónicas são dos mais utilizados pela população e estão entre os que podem apresentar mais mais riscos se não forem respeitadas as posologias indicadas para cada patologia.
Este artigo é um alerta mas não pode ser utilizado para tomada de decisões terapêuticas sem o conhecimento do seu médico assistente pois só ele tem o conhecimento adequado do seu historial clínico.
As overdoses relacionadas com medicamentos e drogas são agora a principal causa de morte acidental nos Estados Unidos. De facto, morrem mais Americanos de overdose de medicamentos e drogas do que em acidentes de carro. Com base nestas estatísticas impressionantes, o Wall Street 24/7, realizou recentemente um novo estudo de revisão onde listou os 25 medicamentos, drogas e misturas de drogas mais perigosas.
Os pesquisadores levaram em consideração os efeitos colaterais e as taxas de mortalidade rastreados pelo governo federal, bem como o risco potencial de combinações de medicamentos medidos por organizações de informações médicas e fontes da web credíveis como MedScape, WebMD e American Medical Association.
A intervenção do farmacêutico é fucral para ajudar a população a ficar mais informada e proteger-se de efeitos secundários que podem ser muito graves!
O primeiro medicamento da lista, o paracetamol ou acetominofeno, é o caso mais flagrante de todos por se tratar de um medicamento com um consumo brutal e que pode ser comprado sem prescrição médica, sendo inclusivamente indicado frequentemente pela classe médica como o único medicamento que uma grávida pode tomar se tiver uma dor ou febre!
Esta percepção da esmagadora maioria da população de que o paracetamol é um medicamento de tal forma seguro que até as grávidas podem tomar, potencia o autoconsumo e por arrastamento a sobredosagem quando as dores “apertam” e o doente está sozinho em casa com o medicamento “à mão de semear”!
Na minha prática diária é frequente muitos doentes com dores que vivem sozinhos descreverem o seguinte:
“Senhor Dr quando tenho dores vou tomando Ben-u-ron (marca de paracetamol mais consumida em Portugal) para aliviar as dores … e evitar medicamentos mais fortes”
Os potenciais danos hepáticos graves de uma toma frequente e continuada de paracetamol são completamente desconhecidos pela população em geral. As substâncias desta lista abrangem medicamentos de prescrição conhecidos, drogas de rua e combinações letais de ambos.
Muitos desses medicamentos são considerados seguros desde que sejam respeitadas as indicações de posologia indicada pelo médico ou farmacêutico, nomeadamente dosagem correcta no intervalo de tempo adequado. No entanto, todos os medicamentos podem ser fatais quando são tomados em excesso ou combinados inadequadamente com outras substâncias. Qualquer alteração terapêutica deve ser sempre tomada com o apoio do seu médico assistente pois só ele tem o conhecimento adequado do seu historial clínico.
Nome genérico: Acetominofeno (EUA), Paracetamol (Europa)
Marcas conhecidas: Ben-u-ron, Panadol, Tylenol
Uso terapêutico: Analgésico e anti-pirético (Dor e febre)
Riscos: Toxicidade hepática
Mortal se: Tomado em excesso, mais de 4g/dia, combinado com álcool e outros medicamentos contendo paracetamol.
Este medicamento é usado regularmente para alívio da dor e é considerado o mais perigoso nesta lista devido ao seu potencial de causar danos e toxicidade no fígado.
O acetaminofeno (N-acetil-p-aminofenol, APAP ou paracetamol) é amplamente utilizado pelas suas propriedades analgésicas e antipiréticas em muitas formulações de venda livre, tanto em adultos quanto em crianças.
O paracetamol pode ser sintetizado no corpo através da O-desalquilação da pró-droga fenacetina, um analgésico que foi retirado do mercado devido a nefrotoxicidade e propriedades carcinogénicas.
Na dose terapêutica mais usual para adultos de 1 a 2 g / dia, o APAP oral é indicado para febre e para alívio da dor aguda leve a moderada.
A administração de paracetamol por via intravenosa tornou-se cada vez mais difundida e tem sido usada como um agente antipirético e analgésico seguro e eficaz].
A dose terapêutica máxima recomendada de paracetamol é de 4 g/dia em adultos e 50-75 mg/kg/dia em crianças. O consumo de uma dose única superior a 7 g num adulto e 150 mg/kg em uma criança é considerado potencialmente tóxico para o fígado e rins devido ao metabolito altamente ativo, N-acetil-p-benzoquinona imina (NAPQI) .
Nos EUA, a sobredosagem com acetaminofeno é uma das toxicidades mais comuns relacionadas com medicamentos relatadas aos centros de intoxicação. O acetominofeno é a principal causa de insuficiência hepática aguda nos Estados Unidos.
Para reduzir o risco de hepatotoxicidade, a FDA (Food and Drug Administration) exige que os fabricantes limitem a quantidade de acetaminofeno para 325 mg/comprimido e que todas as formulações que contêm o medicamento tenham uma caixa preta avisando sobre possíveis danos no fígado.
A FDA também recomendou que os profissionais de saúde evitem prescrever e distribuir produtos que contenham mais de 325 mg de paracetamol por dose.
O paracetamol ou acetaminofeno é a principal causa de insuficiência hepática aguda nos EUA, de acordo com dados de um estudo financiado pelo National Institutes for Health.
Álcool
Nome genérico: Etanol ou álcool etílico
Riscos: Toxicidade hepática, hipertensão
Mortal se: Combinado com benzodiazepinas e muitas outras drogas
O álcool aqui descrito inclui a cerveja, vinho, uísque, licor de malte e todas as bebidas com etanol. O álcool ocupa o segundo lugar nesta lista devido aos extensos problemas de saúde e lesões associadas ao seu uso.
Problemas de saúde mais relavante que causa:
Cancro,
Danos no fígado,
Hipertensão,
Doenças cardíacas,
Danos fetais,
Suicídio,
Violência,
Acidentes automobilísticos.
Devido a esses fatores, o consumo excessivo de álcool é a terceira principal causa de morte nos Estados Unidos.
Benzodiazepinas para a ansiedade
Nomes genéricos: Diazepam, Alprazolam, Lorazepam, Clonazepam, etc
Uso terapêutico: Ansiolítico (combate a ansiedade)
Riscos: Depressão respiratória mortal, overdose e demência.
Mortal se: Tomado juntamente com barbitúricos, opioides ou álccol.
Benzodiazepinas, são medicamentos ansiolíticos ou seja anti-ansiedade. As benzodiazepinas estão no topo desta lista devido à alta taxa de prescrição e ao aumento do risco de depressão respiratória mortal que ocorre ao tomar os medicamentos.
O risco de experimentar efeitos colaterais negativos aumenta significativamente quando combinado com outras drogas, particularmente barbitúricos, opióides e álcool. De acordo com os Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA (CDC), estes medicamentos estavam envolvidos em 31% de todas as mortes por overdose durante o ano de 2017.
Anticoagulantes
Nomes genéricos: Varfarina, Clopidogrel, Heparina, Enoxaparina, Rivaroxabano, etc
Uso terapêutico: Anticoagulante (previne formação de coágulos)
Riscos: Hemorragias internas e externas
Mortal se: Combinado com aspirina e outros medicamentos anticoagulantes.
Estes medicamentos são utilizados para prevenir coágulos sanguíneos em pacientes considerados de risco acrescido de coagulação (formação de coágulos). Os anticoagulantes estão em quarto lugar nesta lista devido às sérias condições de saúde que podem resultar do seu uso, como:
Acidentes vasculares cerebrais (AVCs),
Ataques isquêmicos transitórios (AITs),
Ataques cardíacos,
Trombose venosa profunda (TVP),
Embolia pulmonar.
Quando combinados com aspirina e outros medicamentos com propriedades anticoagulantes também podem causar hemorragias internos ou externos que podem ser fatais .
Antidepressivos
Nomes genéricos: Fluoxetina, Sertralina, Duloxetina, Bupropiona
Riscos: Sindrome da serotonina, suicídio e hemorragia interna.
Mortal se: Tomado juntamente com sobredosagem de outros medicamentos que aumentam o nível de serotonina como antidepressivos, alguns antitussicos como o dextrometorfano, opioides e anti-inflamatórios não esteroides (AINES).
Para clarificar, o perigo de evento fatal é real se existir sobredosagem e toma concomitante de antidepressivos, opióides, dextrometorfano, e AINEs. Este risco sublinha a importância do acompanhamento de todas as decisões terapêuticas em conjunto com o seu médico assistente.
Medicamentos antidepressivos são comumente usados para tratar distúrbios graves de depressão e humor, mas também são ocasionalmente prescritos para transtorno de hiperatividade com deficiência de atenção (TDAH), transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) e transtornos de ansiedade.
Existe o risco de Síndrome da serotonina que é um conjunto de sintomas resultante da estimulação excessiva de receptores serotoninérgicos centrais e periféricos, caracterizada pela seguinte tríade de sintomas:
Mudança do estado mental,
Anormalidades neuromusculares,
Hiperatividade autonómica.
Esta sindrome é causada pela administração simultânea de substâncias pro-serotoninérgicas, sendo os casos mais graves resultantes da combinação de duas ou mais substâncias.
Esses medicamentos estão no topo desta lista devido aos efeitos adversos à saúde que o uso a longo prazo pode ter sobre os consumidores. Aqueles que tomam antidepressivos têm um risco 33% maior de morrer prematuramente do que as pessoas que não tomam os medicamentos. Além disso, doentes a tomar antidepressivos têm uma probabilidade 14% maior de ter um evento cardiovascular adverso, como um derrame ou ataque cardíaco.
Anti-hipertensivos com doxazosina
Nome genérico: Doxazosina
Marcas conhecidas: Hytrin, Cardura, Minipress
Uso terapêutico: Anti-hipertensivo (diminui a tensão arterial)
Mortal se: Combinado com anti-inflamatórios não esteroide (AINEs) e diuréticos
Anti-hipertensivos com o princípio activo Doxazosina, são uma classe de medicamentos usados para tratar a hipertensão (pressão alta) e problemas de próstata, como Hytrin, Cardura e Minipress. Estes medicamentos têm sido associados a problemas cardiovasculares, insuficiência renal aguda, cancro da próstata e diabetes.
Quando combinada com AINEs ou diuréticos, a possibilidade de experimentar riscos de saúde é ampliada e pode no limite ser fatal.
Bromocriptina
Nome genérico: Bromocriptina
Marcas conhecidas: Parlodel, Cyloset
Uso terapêutico: Tumores, Parkinson, Diabetes tipo 2
Mortal se: Combinado com Pseudoefedrina (Actifed, Sudafed)
A bromocriptina, cuja marca mais conhecida é Parlodel, usa-se para tratar sintomas da doença de Parkinson e hiperprolactinemia (altos níveis de uma substância natural chamada prolactina no corpo), incluindo falta de períodos menstruais, secreção leitosa dos mamilos, infertilidade e hipogonadismo.
A bromocriptina ocupa a sétima posição nesta lista devido aos possíveis efeitos colaterais graves à saúde que podem ocorrer em pacientes, como colapso circulatório letal. A hipotensão sistemática também foi documentada em cerca de 33% das pessoas que tomam o medicamento. Além disso, o medicamento tem sido associado a sonolência e episódios de início repentino do sono, o que resultou em eventos perigosos e acidentes de automóvel que podem ser fatais.
Claritromicina como antibiótico
Nome genérico: Claritromicina
Marcas conhecidas: Klacid
Uso terapêutico: Antibiótico
Riscos: Complicações cardiacas fatais
Mortal se: Combinado com bloqueadores dos canais de cálcio (amlodipina, lercanidipina, etc) e Estatinas como a Atorvastatina
Claritromicina, é um antibiótico usado para tratar certas infecções bacterianas, como pneumonia e bronquite. Atualmente, o FDA dos EUA recomenda cautela antes de prescrever claritromicina devido ao aumento do risco de complicações cardíacas fatais que podem ocorrer anos depois.
De fato, os pacientes têm um risco 27% maior de morte cardiovascular se tiverem tomado Claritromicina em algum momento de suas vidas. Não é ainda clara a causa de tais efeitos, mas o risco de experimentá-los é amplificado quando o medicamento é combinado com bloqueadores dos canais de cálcio, como a Amlodipina e Lercanidipina.
Também é necessário evitar o uso simultâneo de estatinas como a Atorvastatina calcica muito utilizada no tratamento do colesterol alto (ex: Lipitor).
Clozapina para a esquizofrenia
Nome genérico: Clozapina
Marcas conhecidas: Leponex, Clozaril
Uso terapêutico: Antipsicótico usado na esquizofrenia
Riscos: Cardiovasculares e hipomotilidade gastro-intestinal
Mortal se: Combinado com álcool
Clozapina é um medicamento antipsicótico usado para tratar a esquizofrenia. Também pode diminuir o risco de comportamento suicida em pacientes com esquizofrenia ou transtorno esquizoafetivo. A clozapina quebra os dez primeiros desta lista devido aos efeitos cardiovasculares negativos que podem ocorrer, incluindo miocardite e cardiomiopatia.
O risco de experimentar estes efeitos aumenta significativamente quando combinado com outros depressores do sistema nervoso central, como o álcool. A clozapina também foi documentada como causadora de hipomotilidade gastrointestinal ou “intestino lento”, que pode resultar em obstipação grave, obstrução intestinal e até morte.
Cocaína
Nome genérico: Benzoilmetilecgonina ou éster do ácido benzóico
Nomes comuns: Crack, Coca
Riscos: Ataque cardiaco, hipertensão e morte
Mortal se: Tomada em excesso; combinada com heroina ou juntamente com opioides.
Cocaína é um forte estimulante usado como droga recreativa. A cocaína aparece no número dez desta lista devido aos riscos de saúde a longo prazo que podem ocorrer com o seu uso, incluindo doenças cardíacas, hipertensão, falência de orgãos, dificuldade respiratória, acidente vascular cerebral, perda de peso não saudável e convulsões.
Segundo o CDC dos EUA, as mortes por cocaína têm aumentado nos últimos anos e não mostram sinais de desaceleração. No ano de 2017, cerca de 14.000 mortes por overdose relacionadas com a cocaína ocorreram apenas nos EUA. Os pesquisadores descobriram que quase três quartos dessas mortes envolvendo o medicamento estavam entre as pessoas que também usaram opióides.
Colchicina para a gota
Nome genérico: Colquicina
Marcas conhecidas: Colchicine
Uso terapêutico: Gota
Riscos: Toxicidade por causa da dose com curto intervalo terapêutico, abaixo de 0,5mg/Kg
Mortal se: Combinado com fortes inibidores do CYP3A4
A colchicina é um medicamento usado para tratar e prevenir ataques de gota, bem como algumas outras condições inflamatórias. A colchicina é considerada um medicamento de alto risco pela Food and Drug Administration (FDA) dos EUA devido à sua significativa capacidade de causar toxicidade e morte.
A colchicina tem um índice terapêutico muito estreito, o que significa que o intervalo entre doses terapêuticas e tóxicas é pequeno e, em alguns casos, pode-se sobrepor. A sobredosagem fatal foi documentada como resultado de uma dose tão pequena quanto 0,5 mg / kg. O risco de sobredosagem aumenta significativamente quando a colchicina é combinada com fortes inibidores do CYP3A4 – uma mistura que geralmente resulta em morte.
Citocromo P450 3A4 (abreviado CYP3A4), é uma das enzimas mais importantes dos mamíferos, pois oxida medicamentos, toxinas, alimentos e xenobióticos, geralmente inativando-as e tornando-as mais fáceis de serem eliminadas. Também atuam na síntese de lipídeos, como o colesterol. Encontram-se principalmente no fígado e no intestino. Cerca de metade dos fármacos comercializados são metabolizados pelo CYP3A4.
Existem também algumas drogas que são ativados por essa enzima (pró-fármacos). É a enzima mais frequentemente envolvida em interações medicamentosas.
Indutores do CYP3A4 – Aumentam a velocidade de metabolização pela CYP3A4, geralmente acelerando sua eliminação do organismo (ou raramente acelerando sua ativação no caso de pró-fármacos). Assim, os efeitos dos medicamentos metabolizados por CYP3A4 duram menos e exigem doses maiores. Os indutores da CYP3A4 mais potentes são:
Carbamazepina (anticonvulsivante)
Fenobarbital
Rifampicina (antibiótico)
Efavirenz e nevirapina (antiretrovirais inibidores da transcriptase reversa não-nucleósidos)
Pioglitazona e troglitazona (antidiabéticos)
Glucocorticoides como modafinil, quercetina capsaicina
Erva de são joão
Inibidores do CYP3A4 – reduzem a capacidade de metabolizar outros fármacos que dependam do CYP3A4 para serem metabolizados, causando a acumulação do fármaco ou de seus metabólitos no organismo. A acumulação potencializa os efeitos benéficos e efeitos colaterais desses medicamentos. Os inibidores da CYP3A4 mais potentes são:
Inibidores da protease (antirretrovirais) como o Ritonavir;
Macrólidos (antibióticos) como a claritromicina, eritromicina e cloanfenicol;
Antifúngicos imidazólicos como o fluconazol, itraconazol e cetoconazol
Riscos: Potencia o efeito sedativo e sonolência aumentando a probabilidade de acidente de viação;
Mortal se: Combinado com anti-histamínicos.
Estes medicamentos antitussicos são usados para aliviar a tosse seca e irritativa causada pelo resfriado comum, bronquite e outras doenças respiratórias. Os medicamentos para tosse estão no número doze desta lista devido ao alto risco de abuso e aos múltiplos efeitos adversos que podem ocorrer nos consumidores.
O principal ingrediente dos medicamentos para a tosse seca é o dextrometorfano (DXM), que se tomado em doses elevadas, pode, por exemplo, causar intoxicação e alucinações. A sobredosagem resulta em sedação grave e depressão respiratória fatal.
A hipóxia também foi documentada como ocorrendo, o que pode ter efeitos mentais de curto e longo prazo no sistema nervoso, incluindo coma, danos cerebrais permanentes e morte. Estes medicamentos costumam ser mal utilizados e em combinação com outras drogas como álcool e marijuana, podem aumentar ainda mais o risco de overdose mortal.
Digoxina para o coração
Nome genérico: Digoxina
Marcas conhecidas: Lanoxin
Uso terapêutico: Insuficiência cardíaca congestiva e fibrilação arterial
Riscos: Nauseas e vómitos
Mortal se: Combinado com quinidina (anti-arritmico)
Digoxina, também conhecida como lanoxin, é um medicamento usado para tratar várias doenças cardíacas, incluindo insuficiência cardíaca congestiva e fibrilação arterial (AFib). Ironicamente, novas pesquisas sugerem que, para pessoas com fibrilação atrial, tomar o medicamento pode aumentar o risco de morrer em mais de 20%.
A digoxina também tem sido associada a náuseas, vômitos e problemas gastrointestinais graves, como obstipação e infecções perianais. Esses efeitos colaterais negativos são mais prováveis de ocorrer quando a medicação é combinada com o agente antiarrítmico Quinidina, que também pode resultar em overdose e morte.
Um original de Franklim Moura Fernandes
Heroína
Nome genérico: Diamorfina ou diacetilmorfina
Uso terapêutico: Analgésico e terapia de substituição opiácia
Riscos: Dependência psicológica, hipoventilação, infeções graves e pneumonia.
Mortal se: Tomada em excesso.
Heroína é uma droga opióide recreativa ilícita derivada da morfina; uma substância natural retirada da vagem das várias plantas de papoila de ópio. Normalmente injetado ou aspirado, o medicamento está disponível na forma de pó branco ou marrom ou substância pegajosa preta conhecida como heroína do alcatrão preto.
A heroína aparece nesta lista devido à alta prevalência de uso e graves complicações de saúde que causa nos utilizadores, tais como:
Doença renal.
Veias colapsadas para pessoas que injetam a droga,
Tecido danificado dentro do nariz para pessoas que a cheiram,
Infecção no tecido que reveste o coração,
Complicações pulmonares como pneumonia,
Abscessos gastrointestinais,
De acordo com o CDC, o número de consumidores de heroína mais do que duplicou nos últimos cinco anos e aproximadamente 80% dos novos consumidores estão a consumir heroína depois de abusar de opióides prescritos. Em 2016, as overdoses de opióides, incluindo aquelas relacionadas com a heroína, foram responsáveis por mais de 42.000 mortes apenas nos EUA.
Opioides semi-sintéticos para as dores
Nomes genéricos: Oxicodona, Hidrocodona
Marcas conhecidas: Percocet, Oxycontin, Vicodin
Uso terapêutico: Analgésico para dores fortes
Riscos: Dependência, hipóxia, danos cerebrais
Mortal se: Tomado em excesso ou combinado com cocaina ou outras drogas.
Opióides semi-sintéticos comuns incluem Percocet (oxicodona+paracetamol), Vicodin (hidrocodona+paracetamol) e OxyContin (oxicodona). Estes medicamentos geralmente são usados para tratar dores moderadas a graves, embora alguns possam ser prescritos para tosse e diarréia. São medicamentos altamente viciantes e apresentam alto risco de uso indevido.
O uso indevido de opioide semi-sintético pode causar respiração lenta, o que geralmente causa hipóxia, uma condição que acontece quando muito pouco oxigénio chega ao cérebro. A hipóxia pode induzir coma, dano cerebral permanente e até morte.
Os opióides também são frequentemente combinados com outras drogas, incluindo cocaína e álcool, o que aumenta significativamente o risco de overdose fatal. Atualmente, os Estados Unidos estão a sofrer uma epidemia de opióides devido à prevalência e à alta taxa de overdose de medicamentos opióides, tornando-a a categoria mais perigosa de medicamentos.
MDMA ou metilenodioximetanfetamina
Nome genérico: Metilenodioximetanfetamina
Marcas conhecidas: Ecstasy
Uso: Droga recreativa que causa euforia, aumento da empatia e sensação de prazer
Riscos: Sindrome da serotonina, choque, coma e morte
Mortal se: Tomada em excesso ou combinada com álcool ou se tomada juntamente com antidepressivos da classe dos Inibidores Selectivos da Recaptação da serotonina (SSRIs na sigla em Inglês) tais como fluoxetina e sertralina
A metilenodioximetanfetamina (MDMA), denominada popularmente ecstasy, é uma substância psicotrópica usada frequentemente como droga recreativa.
Os efeitos recreativos desejados mais comuns são aumento da empatia, estado de euforia e sensação de prazer. Quando ingerida por via oral, os efeitos têm início após 30 a 45 minutos e duram entre 3 e 6 horas.
Os efeitos adversos mais comuns do consumo de MDMA são:
O consumo pode também causar depressão e fadiga. Os casos de morte por consumo devem-se ao aumento da temperatura corporal e desidratação.
A MDMA é alucinogénica aumentando a libertação e diminuindo a recaptação dos neurotransmissores serotonina, dopamina e noradrenalina em determinadas partes do cérebro. Ao aumento inicial de neurotransmissores segue-se uma diminuição a curto prazo.
Metanfetamina
Nome genérico: N-metil-anfetamina
Nome comum: Cristal
Uso: Estimulante
Riscos: Perda de dentes, lesões cerebrais e morte
Mortal se: Tomado em excesso
A metanfetamina, popularmente conhecida como cristal quando produzida clandestinamente, é uma droga sintética estimulante cujos efeitos se manifestam no sistema nervoso central e periférico.
A metanfetamina tem-se popularizado como droga de abuso devido aos seus efeitos agradáveis, intensos e de longa duração tais como a euforia, aumento do estado de alerta, da auto-estima, do apetite sexual, da percepção das sensações e pela intensificação de emoções. Por outro lado, diminui o apetite, a fadiga e a necessidade de dormir.
Metotrexato
Nome genérico: Metotrexato
Nome comum: Ledertrexato, Trexall, Rasuvo, Otrexup
Uso terapêutico: Cancro, psoriase, artrite reumatoide
Riscos: Lesões no fígado, rins e pulmão
Mortal se: Tomado com demasiada frequência, combinado com Probenecida
Metotrexato ou MTX é um antimetabólito e uma droga antifolato usada no tratamento do cancro e doenças autoimunes. Actua inibindo o metabolismo do ácido fólico.
Anti-inflamatórios não esteroides (AINEs)
Nomes genéricos: Ibuprofeno, Diclofenac, Nimesulida, Naproxeno, Ácido acetilsalicílico
Nomes comuns: Brufen, Voltaren, Nimed, Naprosyn, Aspirina, Advil
Uso terapêutico: Análgésico (dor), antipirético (febre) e anti-inflamatório (inflamação)
Riscos: Ataque cardiaco, AVC (Acidente Vascular Cerebral), Sindrome de Reye
Mortal se: Combinado com anticoagulantes
Os anti-inflamatórios não esteroides (AINEs ou NSAIDs em Inglês), são um grupo variado de fármacos que têm em comum a capacidade de controlar a inflamação, de analgesia (reduzir a dor), e de combater a febre.
O termo foi criado em 1960 por Michael W. Whitehouse. Apesar de na sua maioria serem constituídos por ácidos orgânicos, sua estrutura química não é relacionada. Caracterizam-se por inibir a atividade de subtipos da ciclo-oxigenase, impedindo assim a síntese de eicosanoides pela via metabólica da cascata do ácido araquidónico.
Fazem parte deste grupo medicamentos muito conhecidos, em parte por alguns já estarem disponíveis há muito tempo, por serem de venda livre (MNSRM), e pelo vasto número de situações em que são usados. Alguns nomes sonantes incluem o ácido acetilsalicílico, ibuprofeno e naproxeno. O paracetamol, embora possua um mecanismo de ação semelhante e tenha efeito antipirético e analgésico, é praticamente desprovido de efeito anti-inflamatório.
Antidepressivos inibidores selectivos da recaptação da serotonina (ISRS ou SSRI)
Nomes genéricos: Fluoxetina, sertralina, paroxetina, escitalopram, fluvoxamina, citalopram
Nomes comuns: Prozac (fluoxetina), Zoloft (sertralina), Cipralex (escitalopram)
Uso terapêutico: Antidepressivo
Riscos: Sindrome da serotonina e risco acrescido de suicídio
Mortal se: Combinados com medicamentos ou drogas que aumentam a concentração de serotonina
Os inibidores seletivos da recaptação da serotonina (ISRS ou SSRI) são uma classe de fármacos usados no tratamento de síndromes depressivas, transtornos de ansiedade e alguns tipos de transtornos de personalidade.
Os ISRSs aumentam a concentração extracelular do neurotransmissor serotonina no corpo e no cérebro, sendo o efeito mais importante no cérebro. O grau de seletividade para outros transportadores de monoaminas (como a dopamina ou noradrenalina) é variável, embora a afinidade seja, de forma geral, desprezível; portanto, eles não aumentam a concentração de outros neurotransmissores diretamente.
São não só a primeira classe de fármacos psicotrópicos a serem racionalmente desenhados, mas também os antidepressivos mais amplamente prescritos em muitos países.
Sildenafil para disfunção eréctil
Nome genérico: Sildenafil
Nomes comuns: Viagra
Uso terapêutico: Disfunção eréctil e hipertensão arterial pulmonar
Riscos: Drástica queda da tensão arterial (hipotensão) e morte
Mortal se: Combinado com Mononitrato de isossorbida como por exemplo as marcas Monoket, Imdur, Isocor e Orasorbil.
O sildenafil é usado principalmente para o tratamento da disfunção erétil. Ao atuar como um inibidor do PDE-5, permite que o GMPc seja mantido mais tempo em circulação (substância responsável pelo relaxamento dos músculos do pénis), o que leva a um maior aporte de sangue e consequentemente à ereção.
Assim como para disfunção erétil, o citrato de sildenafil também é eficiente na doença rara chamada hipertensão arterial pulmonar (HAP ou PAH). Ele relaxa a parede arterial, levando a uma menor resistência arterial pulmonar e pressão. Desta forma ele reduz o trabalho em excesso do ventrículo direito do coração e melhora os sintomas da falência cardíaca do lado direito. Como o PDE-5 é primariamente distribuído no músculo liso das paredes arteriais dos pulmões e pênis, o sildenafil age seletivamente em ambas as áreas sem induzir vasodilatação em outras áreas do corpo.
Espironolactona para a hipertensão
Nome genérico: Espironolactona
Nomes comuns: Aldactone
Uso terapêutico: Hipertensão
Riscos: Hipercaliémia (aumento da concentração de potássio)
Mortal se: Combinado com cloreto de potássio
Espironolactona é um diurético poupador de potássio que impede que o organismo absorva muito sal e previne que os níveis de potássio fiquem muito baixos.
Esse diurético é utilizado para tratar uma doença que provoca um aumento significativo da aldosterona no organismo, sendo também utilizado no tratamento da retenção de fluidos (edema) em pessoas com insuficiência cardíaca congestiva, cirrose do fígado ou de uma desordem renal chamada de síndrome nefrótica. A Espironolactona também é utilizada para tratar ou prevenir hipocaliemia (níveis baixos de potássio no sangue).
Um dos riscos do uso da espironolactona é a hipercaliémia que é a concentração de potássio no sangue superior ao considerado normal (≥5,5 mmol/L ou ≥5 mEq/L). Em pacientes graves, o aumento dos níveis de potássio é consequência principalmente de disfunção renal.
O potássio (K) é o principal eletrólito intracelular e a relação entre seus níveis intra e intercelulares é o principal determinante do potencial elétrico transmembrana. Portanto, qualquer alteração significativa na concentração extracelular de potássio pode ter sérios efeitos não só na função metabólica, mas também na condução nervosa, com repercussões na musculatura e, principalmente, no ritmo cardíaco, predispondo ao desenvolvimento de arritmias nos casos mais graves.
Estatinas para o colesterol
Nomes genéricos: Sinvastatina, atorvastatina, pravastatina, rosuvastatina, etc
Nomes comuns: Zocor, Crestor, Pravacol, Lescol, Lipitor
Uso terapêutico: Colesterol elevado e doença cardiaca
Riscos: Fraqueza muscular e lesões renais
Mortal se: Combinado com fluconazol (antifungico)
Estatinas são usadas para tratar a hipercolesterolemia e na prevenção da aterosclerose.
As estatinas têm estrutura esteroide e inibem a enzima HMG-CoA redutase (3-hidroxi-3-metil-glutaril-coenzima A reductase), que é responsável pela regulação de colesterol no fígado. A HMG-Coa reductase também é importante na formação de lipoproteínas plasmáticas, sendo daí derivado os seus outros efeitos.
Muitos doentes que tomaram estatinas diminuiram os ataques cardíacos. Assim tenta-se aumentar o “colesterol bom”, que transporta a gordura do sangue até o fígado, onde ela é eliminada, com o objetivo de diminuir os riscos cardiacos.
Os principais efeitos terapêuticos das estatinas são:
Diminuição do nível de colesterol sanguíneo, principalmente dos LDL (“mau colesterol”).
Aumentam o HDL (“bom colesterol”).
Diminuem os triglicerídeos.
Melhora a função do endotélio dos vasos.
Estabiliza a placa aterosclerótica.
Efeito antitrombótico.
Modula a inflamação
Diminuição da produção de PSA (antigénio específico da prostata).
Efeitos adversos das estatinas:
Dor abdominal, diarreia, obstipação, flatulência
Insónia, cefaleia, náuseas, dispepsia, astenia
Mialgia, isto é, dor sem elevação de enzimas musculares.
Infecção respiratória
Fadiga
Raramente miosite que é a presença de sintomas musculares com elevação da enzima CK.
Rabdomiólise que é a presença de sintomas musculares com elevação da enzima creatina quinase acima de 10 vezes o valor superior da normalidade com elevação da creatinina e mioglobunúria urinária. Esta emergência médica necessita de tratamento eficaz com hidratação vigorosa do paciente. A ocorrência deste efeito colateral é menor que 5 por ano em cada 100 mil pacientes tratados.
Reduz a quantidade de Q10 nos músculos.
Perda de memória
Perda cognitiva
Outras reações adversas também foram relatadas, como erupção cutânea, prurido, urticária, tontura, cãibra muscular, neuropatia periférica, miopatia, parestesia, pancreatite, hepatite, icterícia e, raramente, cirrose, necrose hepática fulminante e hepatoma, anorexia, vómito e anemia.
Mortal se: Tomado em excesso ou combinado com cocaína e outras drogas “recreativas”.
O fentanilo é um opioide utilizado como uma medicação para a dor e também pode ser usado juntamente com outros medicamentos para a anestesia. Tem um rápido início de acção e os seus efeitos geralmente duram menos de uma hora ou duas. O Fentanil está disponível em várias formas, inclusive por injecção e como penso transdérmico. O fentanil não é absorvido por via oral.
Efeitos colaterais comuns incluem:
Náuseas,
Obstipação,
Sonolência,
Confusão.
Graves efeitos secundários podem incluir:
Diminuição do esforço para respirar (depressão respiratória),
Síndrome da serotonina,
Pressão arterial baixa,
Dependência.
O Fentanilo funciona, em parte, pela activação de receptores µ-opióides. É cerca de 75 vezes mais forte do que a morfina durante um determinado período.
O fentanilo foi feito pela primeira vez por Paul Janssen, em 1960, e aprovado para uso médico nos Estados Unidos em 1968. Foi desenvolvido através de testes químicos semelhantes em estrutura à petidina (meperidina) para a actividade de opiáceos. Em 2015, 1,600 quilogramas (3 53 lb) foram utilizados globalmente. Em 2017 o fentanil foi o opiáceo sintético mais utilizado na medicina.
Concluindo
Embora todos esses medicamentos sejam altamente perigosos, esta é simplesmente a lista dos principais. Existem inúmeros outros medicamentos que resultam na morte de milhares de pessoas todos os anos. É importante lembrar que todos os medicamentos podem ser perigosos quando não tomados adequadamente ou em combinação com outras substâncias, incluindo medicamentos prescritos.
Os medicamentos aqui descritos se tomados com o devido acompanahmento médico e farmacêutico são na maioria dos casos úteis opções terapêuticas para muitos doentes.
O mesmo já não se pode dizer das substâncias não medicamentosas descritas também neste artigo, como o álccol, a heroína e a cocaína, pois quase sempre os efeitos negativos para a saúde superam muito claramente alguns efeitos positivos por vezes observados.
Metodologia
Para identificar as drogas mais perigosas, o 24/7 Wall Street (247wallst.com) fez revisão de uma variedade de dados e fontes, incluindo estatísticas de lesões e mortes por substâncias ilícitas e controladas da Administração de Serviços de Abuso de Substâncias e Saúde Mental (SAHMSA), combinações mortais de drogas farmacêuticas e outras substâncias do MedScape e de outras fontes, e combinações mortais de substâncias ilícitas e prescritas no DrugAbuse.com.
Essas combinações são selecionadas devido à sua prevalência na sociedade e à gravidade de seus efeitos adversos. Os itens desta lista não estão em uma ordem específica. Muitos dos medicamentos nesta lista são seguros para a grande maioria dos pacientes.
O Manual de Diagnóstico e Estatística de Transtornos Mentais da Associação Psiquiátrica Americana (DSM-5) serve como a fonte de texto mais autorizado sobre a classificação de doenças mentais relacionadas com o uso de substâncias. No último volume, o conjunto de sintomas denominado abuso e dependência de substâncias agora é chamado de transtorno por uso de substâncias.
Greene SL, Kerr F, Braitberg G (outubro de 2008). «Review article: amphetamines and related drugs of abuse». Emerg. Med. Australas. 20 (5): 391–402. PMID18973636. doi:10.1111/j.1742-6723.2008.01114.x
Dor de garganta quais as causas? Viral ou bacteriana? Quais os perigos incluindo para o coração? Qual o melhor tratamento? Faringite, laringite e amigdalite, quais as diferenças? São imensas as “pastilhas” que existem para tratar a dor de garganta! Este artigo pretende ser uma ferramenta útil para estar informado sobre a melhor escolha para cada caso… porque as dores de garganta não são todas iguais e algumas podem ser mais graves que outras!
Neste artigo vou responder ás seguintes questões:
Dor de garganta, o que é?
Causas crónicas da dor de garganta, quais são?
Faringite, laringite e amigdalite, quais as diferenças?
Quanto tempo dura?
Riscos e perigos porque deve ter cuidado?
Viral ou bacteriana?
Vírus e bactérias envolvidos, quais são?
Amigdalite o que é?
Causas da amigdalite quais são?
Tratamento da amigdalite qual o melhor?
Origem viral ou bacteriana?
Causas crónicas da dor de garganta quais são?
Medicamentos podem causar dor de garganta?
Sintomas associados à dor de garganta quais são?
Qual a diferença entre rouquidão e laringite?
Quais os sintomas graves de laringite nas crianças e latentes?
Quais os sintomas das dores de garganta graves?
Quais os grupos de risco?
Como tratar a dor de garganta?
Quais os tratamentos não farmacológicos?
Quais os tratamentos farmacológicos?
Quais as marcas de partilhas para a garganta mais utilizadas? E os preços?
Quais as que têm ação antibiótica, anti-inflamatória, antissética e anestésica?
Afinal quais são as melhores pastilhas para a dor de garganta?
A “dor de garganta” é caracterizada por picadas e dor ao deglutir os alimentos ou apenas a saliva. Normalmente não perturba de forma significativa a vida do doente embora em alguns casos se possa associar a dor de cabeça e mal-estar geral.
Cerca de 90% das dores de garganta apresentadas na Farmácia são de origem viral e resolvem-se naturalmente no espaço de 7 dias apenas com hidratação e toma de analgésicos e anti-inflamatórios locais ou sistémicos.
Os restantes 10% dos casos de dor de garganta são geralmente causados por:
Entre as causas crónicas de dor de garganta destacam-se as seguintes:
Alterações na respiração quando esta se faz mais pela boca do que pelo nariz o que origina a secura as mucosas da garganta;
Faringite crónica atrófica;
Reduzida ingestão de líquidos e atrofia glandular, principalmente nos idosos;
Refluxo esofágico;
Contacto com substâncias irritantes como o fumo do tabaco, solventes e corpos estranhos;
Inalação de corticoides;
Alguns medicamentos como anti-histamínicos, diuréticos, antidepressivos, e anti parkinsónicos.
Faringite Laringite e Amigdalite
As diferenças entre amigdalite, faringite e laringite estão na localização em que a inflamação ocorre na garganta e nos sintomas que elas manifestam. Assim temos:
Amigdalite é uma inflamação nas amígdalas;
Faringite é uma inflamação na faringe;
Laringite é uma inflamação na laringe.
Duração de uma crise
Sem tratamento normalmente dura entre 3 a 7 dias.
Riscos da infeção de garganta
Em alguns casos a infeção de garganta pode causar as seguintes patologias:
Dores de garganta, como faringites e amidalites, mal curadas, podem causar febre reumática que é uma reação do organismo a infeções causadas por bactérias estreptococos beta-hemolíticos do grupo A.
Como consequência da febre reumática podem ocorrer os seguintes problemas de saúde:
Dores nas articulações;
Coreia de Sydenham (distúrbio neurológico que causa movimentos involuntários e abruptos principalmente nas extremidades e na face). Também conhecida por Coreia reumática de Sydenham ou a dança de São Vito sendo um distúrbio neurológico afeta a coordenação motora de 20 a 40% dos portadores de febre reumática, principalmente entre meninas e/ou crianças e adolescentes;
Reações dermatológicas como manchas avermelhadas (eritema);
Doença cardíaca.
Doença cardíaca
A febre reumática não é a única maneira da dor de garganta evoluir para um problema cardíaco, mas é a mais importante. Uma dor de garganta pode ser causada por bactérias, vírus e fungos, que ao entrarem na circulação sanguínea, podem-se alojar no coração e originar lesões cardíacas.
Dos doentes com infeções de garganta oriundas de estreptococos beta-hemolíticos grupo A, apenas cerca de 0,3% dos casos desenvolvem a febre reumática aguda e destes um terço apresentam cardiopatia reumática.
Doenças cardíacas com origem em dores/infeções de garganta podem afetar qualquer pessoa, mas na infância e nas pessoas imunodeprimidas, regista-se maior prevalência. Por isso, a melhor maneira de diagnosticar se a febre reumática causou algum dano ao coração é através de um ecocardiograma transtoráxico.
As bactérias que afetam a garganta podem alterar algumas estruturas do coração como as válvulas cardíacas mitral, aórtica, tricúspide e pulmonar.
Válvulas cardíacas
As válvulas cardíacas regulam o fluxo sanguíneo através das quatro câmaras do coração – duas câmaras circulares pequenas superiores (átrios) e duas câmaras maiores em formato de cone inferiores (ventrículos). Cada ventrículo tem uma válvula de entrada e outra de saída. Cada válvula é composta por abas (cúspides ou folhetos) que se abrem e fecham como portas de um só sentido.
No ventrículo direito, a válvula de entrada é a válvula tricúspide, que se abre desde o átrio direito, e a válvula de saída é a válvula pulmonar, que se abre para a artéria pulmonar.
Lesões cardíacas graves
As válvulas são danificadas e podem ficar muito fechadas, o que se denomina estenose ou podem ficar muito abertas, como nos casos das insuficiências. Se o comprometimento severo dessas válvulas acontecer é recomendável operar restaurando a válvula (valvuloplastia) ou substituindo-a por uma prótese.
Prevenção de doença cardíaca
Dores de garganta são infeções comuns, mas é preciso tomar as devidas precauções para evitar que evoluam para uma patologia mais grave. A medida mais eficaz para prevenir as infeções bacterianas de garganta por estreptococos beta-hemolíticos do grupo A, é a administração de antibióticos e a extração da amídala, em casos extremos.
Faringite o que é?
A faringe é a parede localizada no final da boca. A faringite normalmente é causada por vírus ou bactérias, sendo a infecção viral a mais comum. Também pode ter como causas a sinusite e refluxo gastroesofágico.
Faringite viral ou bacteriana ?
A faringite, na maior parte dos casos é de origem viral ( 80 a 90% ) pelo que não devem ser usados antibióticos porque são ineficazes e fragilizam o nosso sistema imunitário.
Sintomas da faringite
Os sintomas são semelhantes nas faringites virais e bacterianas e incluem:
Dor de garganta
Dificuldade em engolir.
A membrana mucosa que reveste a faringe pode estar inflamada e coberta por uma membrana branca ou por pus se for de origem bacteriana.
Neste caso de origem bacteriana é habitual ocorrer:
Febre
Inflamação dos gânglios linfáticos do pescoço.
As faringites podem complicar-se, causando infeções como otite, sinusite ou com formação de abcesso em torno das amígdalas.
Diagnostico da Faringite
O exame médico, em muitos casos, permite a realização do diagnóstico da faringite.
Em alguns casos, recomenda-se a colheita de exsudado da garganta que será enviado para o laboratório com o propósito de se identificar a causa da faringite.
Poderão, ainda, ser solicitadas análises ao sangue, onde se poderá detetar, por exemplo, uma contagem elevada de glóbulos brancos, sugestiva de processo inflamatório e/ou infecioso.
Tratamento da Faringite
Os sintomas podem ser aliviados recorrendo a analgésicos, pastilhas para a garganta ou gargarejos de água morna com sal.
É importante não esquecer que a crianças ou adolescentes com menos de 18 anos não deve ser administrada aspirina porque pode provocar a síndroma de Reye, que corresponde a uma doença muito grave, de rápida progressão e frequentemente fatal, que atinge o cérebro e o fígado.
Os antibióticos não têm interesse se a infeção for viral, mas serão receitados se o médico suspeitar que a infeção tem uma origem bacteriana. Caso contrário, não se administram antibióticos até que as análises de laboratório tenham confirmado um diagnóstico de faringite bacteriana.
Se as análises indicarem que a faringite é provocada por uma infeção estreptocócica, o antibiótico mais indicado é a penicilina. Em caso de alergia à penicilina, existem antibióticos alternativos como a eritromicina.
Vírus que causam a dor de garganta
Alguns dos mais importantes originam a faringite virica, tais como:
Vírus Coxsackie
Vírus Gingivitis herpética
Vírus da mononucleose infeciosa, também conhecida como doença do beijo, é uma doença contagiosa, causada por um vírus da família do herpes chamado vírus Epstein-Barr (EBV), transmitido através da saliva. A mononucleose é mais comum em adolescentes e adultos jovens e os sintomas habituais são febre, dor de garganta e aumento do volume dos gânglios linfáticos.
Bactérias que causam a dor de garganta
A mais comum e significativa origina a faringite estreptocócica, a saber:
Estreptococos beta-hemolíticos do grupo A ( por exemplo a amigdalite bacteriana )
Prevenir a Faringite
Os microrganismos virais e bacterianos que causam faringite são contagiosos. Como tal, a melhor prevenção é uma boa higiene:
lavar as mãos regularmente, sobretudo depois de utilizar instalações sanitárias, antes e depois de comer e sempre que se espirra ou tosse;
não partilhar alimentos, copos ou talheres;
tossir ou espirrar para um lenço de papel que deve ser eliminado;
recorrer a soluções alcoólicas para lavar as mãos sempre que não exista disponibilidade de água e sabonete;
evitar tocar em telefones públicos ou beber água de fontes públicas;
limpar regularmente telefones, comandos remotos e teclados de computador com soluções desinfetantes;
fazer o mesmo sempre que se viaja;
evitar contacto próximo com pessoas que estejam doentes.
É também importante permanecer em casa em dias com maior índice de poluição, utilizar máscaras quando se fazem limpezas para se evitar a inalação de partículas de pó, deixar de fumar e evitar a exposição a fumo de tabaco, bem como utilizar humidificadores em casa se o ar for muito seco.
Laringite o que é?
A laringe faz a ligação entre a faringe a traqueia e é onde estão localizadas as cordas vocais. A maioria das laringites são causadas por vírus ou esforço vocal excessivo. Outras causas de laringite incluem:
Abuso de bebidas alcoólicas;
Sinusites recorrentes;
Tabagismo;
Fumaças;
Refluxo gastroesofágico;
Substâncias alérgicas.
Sintomas de Laringite
Rouquidão;
Dor na garganta;
Tosse seca.
Amigdalite o que é?
A amigdalite é a inflamação e o inchaço nas amígdalas. Amígdalas são gânglios linfáticos localizados na parte superior da garganta e na parte de trás da boca. Elas ajudam a manter bactérias e outros germes longe de locais em que possam causar infeções.
Comparação entre uma garganta normal e com amigdalite. As amígdalas são gânglios linfáticos
Causas da amigdalite
Amigdalite é geralmente causada por vírus, mas também pode haver infeção bacteriana. A bactéria mais comum entre as causas de amigdalite é a Streptococcus pyogenes, mais conhecida como estreptococo do grupo A, também responsável por exemplo pela faringite. Outras bactérias também podem estar envolvidas no desenvolvimento da doença.
Sintomas da amigdalite
Amígdalas inchadas e vermelhas
Manchas brancas ou amareladas nas amígdalas
Dor de garganta
Dificuldade e dor ao engolir
Febre
Nódulos linfáticos no pescoço
Voz rouca
Dor de estômago, especialmente em crianças pequenas
Mau hálito
Dor de cabeça
Pescoço rígido.
Tratamento da amigdalite
Se uma bactéria como uma estreptocócica for a causa da amigdalite, serão receitados antibióticos para curar a infeção. Os antibióticos podem ser ministrados por injeção ou por via oral durante dez dias.
Além disso aconselham-se as seguintes medidas:
Repouso
Beber líquidos leves, frios ou mornos (não quentes)
Fazer gargarejos com água morna salgada
Usar pastilhas para reduzir a dor (as pastilhas não devem ser usadas em crianças porque podem causar engasgamento)
Tomar medicamentos vendidos sem receita para reduzir a dor e a febre. NÃO dê aspirina a crianças. A aspirina está associada a casos de síndrome de Reye
Humidificar o ar para, assim evitar a irritação na garganta.
Diagnóstico: vírica ou bacteriana?
Como sabemos se a dor de garganta é de origem vírica ou bacteriana?
A dor de garganta de origem bacteriana mais comum (faringite estreptocócica) geralmente tem alguns sintomas mais agressivos, tais como :
Febre superior a 38,3⁰C
Placas brancas purulentas na garganta
Adenopatias ( aumento de tamanho de alguns gânglios linfáticos por exemplo situados do pescoço )
Gânglios linfáticos do pescoço inflamados
Sintomas da dor de garganta vírica
Associada a uma constipação
Não há febre alta
Não existem placas brancas na garganta
A infeção vírica é o mais habitual em 80% dos casos de dor de garganta.
Causas crónicas da dor de garganta
Algumas das causas crónicas da dor de garganta são as seguintes:
Alterações na respiração pela boca
Faringite crónica atrófica
Reduzida ingestão de líquidos ( por exemplo nos idosos )
Atrofia glandular
Refluxo esofágico
Substâncias irritantes ( por exemplo o fumo do tabaco )
Medicamentos podem causar dor de garganta?
Alguns medicamentos de facto podem causar dor de garganta, a saber:
Corticoides inalados ( por exemplo para a asma )
Anti-histamínicos ( por exemplo para alergias e congestão nasal )
Diuréticos
Antidepressivos
Anti parkinsónicos
Sintomas associados à dor de garganta
Num quadro mais amplo os seguintes sintomas aparecem muitas vezes associados à dor de garganta:
Constipação
Catarro
Tosse
Rouquidão
Rouquidão e laringite, diferenças
A rouquidão :
É causada pela inflamação das cordas vocais na laringe
Pode prolongar-se vários dias ou semanas
Necessita de descansar a voz
Geralmente a dor de garganta é de intensidade moderada ou inexistente
A laringite :
Geralmente causada por uma infeção viral localizada na laringe
Normalmente associada a dor de garganta
Passa em poucos dias
Normalmente não precisa de apoio médico
Localização anatómica da faringe e da laringe
Sintomas graves de laringite, nas crianças e latentes
Alguns sintomas nas crianças e lactentes necessitam de encaminhamento para o médico, a saber:
Tosse ferina ( Coqueluche ) – é uma infeção causada por uma bactéria chamada Bordetella pertussis. Essa doença é caracterizada por febre e tosse seca. Hoje em dia, a tosse ferina, ou coqueluche, é pouco frequente no mundo, graças às vacinas específicas contra a doença. O problema é altamente contagioso e evolui entre 4 a 6 semanas. Essa doença é típica do inverno e pode atacar as crianças já nas primeiras semanas de vida.
Dificuldades respiratórias
Estridor – O estridor é um som semelhante ao grasnar e é predominantemente inspiratório; é consequência de uma obstrução parcial da garganta (faringe), da caixa dos órgãos da fonação (laringe) ou da traqueia.
A intensidade do estridor costuma ser suficiente para se poder ouvir a certa distância, mas por vezes pode ser percetível só durante uma respiração profunda. O som é provocado por uma corrente de ar turbulenta através de uma via aérea superior que se estreitou.
Nas crianças, a causa pode ser uma infeção da epiglote ou a aspiração de um corpo estranho.
Nos adultos, pode tratar-se de um tumor, de um abcesso, de uma tumefação (edema) da via aérea superior ou de um mau funcionamento das cordas vocais.
O estridor pode ser um sintoma de uma afeção potencialmente mortal, que requer atenção urgente. Nesses casos, introduz-se um tubo através da boca ou do nariz (intubação traqueal) ou diretamente na traqueia (traqueotomia) para permitir que o ar ultrapasse a obstrução e assim salvar a vida da pessoa.
Sintomas graves!
Disfagia ao deglutir– O termo disfagia pode referir-se tanto à dificuldade de iniciar a deglutição (geralmente denominada disfagia orofaríngea) quanto à sensação de que alimentos sólidos e/ou líquidos estão retidos de algum modo na sua passagem da boca para o estômago (geralmente denominada disfagia esofágica).
Disfagia, portanto, é a perceção de que há um impedimento para engolir.
Dificuldade respiratória
Febre superior a 38,3⁰C
Gânglios linfáticos inflamados ou sensíveis no pescoço
Exsudado faríngeo ou das amígdalas
Doentes de risco para apoio médico imediato
Alguns grupos de doentes têm um risco acrescido de complicações pelo que devem ser de imediato consultados pelo médico se apresentarem dores de garganta. Os principais grupos de risco são:
Doentes crónicos
Doentes com febre reumática
Imunodeprimidos
VIH positivos
Diabéticos
Em tratamento quimioterápico
Tratamentos da dor de garganta
Como tratar a dor de garganta ? Existem tratamentos não farmacológicos e também medicamentos para ajudar
Tratamentos não farmacológicos
Evitar irritantes da faringe:
Tabaco
Bebidas muito quentes ou frias
Alimentos ásperos que podem “arranhar” a garganta ao serem deglutidos
Ingerir líquidos abundantemente, sobretudo nas crianças, para uma hidratação adequada, até que a urina fique de cor amarelo claro ou transparente
Gargarejar com água morna salgada 4xdia
Usar rebuçados sem açúcar, excepto nas crianças por risco de engasgamento
Lavar as mãos com frequência para evitar o contágio
Tapar a boca ao tossir para evitar contágio
Usar aerossóis de hidratação para reduzir a secura da garganta
Evitar mudança de ambientes quentes para ambientes frios porque a contração dos vasos sanguíneos provocada pelo frio diminui a irrigação sanguínea na garganta, dificultando a chegada de leucócitos para combater o vírus ou a bactéria.
Evitar o ar-condicionado porque, tendencialmente, seca o ambiente
Tratamentos farmacológicos
Mecanismo de acção do flurbiprofeno que tem acção anti-inflamatória
Anti-inflamatórios locais
Descrevo alguns dos anti-inflamatórios que podem ser comprados sem receita médica:
Flurbiprofeno 8,75mg, pastilhas, chupar cada 3 a 4 horas, máximo 5xdia
Benzidamida 3mg, pastilhas, chupar 3xdia
Antissépticos locais
Descrevo alguns dos antissépticos que podem ser comprados sem receita médica:
Clorhexidina 3mg, pastilhas, chupar 4xdia
Hexetidina 2mg/ml ou 1mg/ml, spray solução, 1-2 aplicações, 4xdia
Álcool diclorobenzílico 1,2mg/Amilmetacresol 0,6mg pastilhas, cada 1-2 horas
Cetilpiridínio 1mg, pastilhas, cada 1-2 horas
Cloreto de dequalínio 0,25mg, comp. Bucais, cada 2h, máximo 8xdia
Brometo de domifeno 0,5mg, comprimidos orodispersiveis, máx. 8xdia
Iodeto de tibezónio, 5mg, 0,5ml, pastilhas, solução 6xdia
Amilmetacresol 0,6mg, pastilhas
Antibióticos locais
Descrevo um dos poucos que pode ser comprado sem receita médica, pois tem uma ação antibiótica local muito limitada. A saber:
A tirotricina (Hydrotricine®) fundamenta a sua atividade na aplicação das propriedades antibióticas, solubilizada e superativada, para o tratamento das doenças da boca e da faringe.
Exerce sobre os germes responsáveis pelas afeções da
boca e garganta uma ação inibidora e bactericida. A apresentação na forma de pastilhas tem a vantagem de permitir pôr a mucosa bucal em contacto com uma forte concentração de tirotricina permitindo a obtenção de um efeito terapêutico rápido.
Anestésicos locais
Benzocaína
Oxibuprocaina
Tetracaína
Medicamentos de ação sistémica
Estes são medicamentos de ação sistémica que necessitam regra geral de receita médica. A saber:
Paracetamol500-1000mg, 3xdia ( 8/8h ). A partir dos 6 anos de idade já pode aplicar-se um supositório de 500mg, no máximo de 8/8h, durante 2 a 3 dias. Nos adultos a dosagem eficaz é de 1000mg de 8/8h durante 2 a 3 dias. Tem um efeito analgésico (diminui a dor) e antipirético (diminui a febre). Não tem efeito anti-inflamatório.
Ibuprofeno, 400-600mg, 2-3xdia ( 400mg de 8/8h ou 600mg de 12/12h ). O ibuprofeno tem efeito anti-inflamatório ( diminui a inflamação ), analgésico ( diminui a dor ) e antipirético ( diminui a febre ).
Antibióticos de ação sistémica
Estes antibióticos são sempre vendidos obrigatoriamente com apresentação de uma prescrição médica. A sua escolha depende obviamente do diagnóstico do médico que tenta descobrir qual a bactéria que está na origem da infeção, gravidade, evidencia clínica de resistência anterior do doente a certos antibióticos , etc.
Os mais usuais na prescrição ambulatória são os seguintes:
Amoxicilna
Amoxicilina + ácido clavulânico
Claritromicina
Azitromicina
Penicilina injectável
Cefuroxima
Marcas de pastilhas mais conhecidas?
Mebocaína® forte 24 pastilhas
Mebocaína® anti-inflam 20 comprimidos de chupar
Strepfen® 24 pastilhas
Strepsils® 24 pastilhas
Tantum verde® 20 pastilhas
Drill® 24 pastilhas
Hydrotricine® 24 pastilhas
Tabela das pastilhas mais utilizadas para a dor de garganta e respetivas ações terapêuticas.
Os preços são meramente indicativos e podem não estar atualizados.
Concluindo
Afinal quais são as melhores pastilhas para a garganta ?
A escolha mais adequada depende da origem viral ou bacteriana da dor de garganta.
Dor de garganta de origem viral:
É a mais comum ( cerca de 80% dos casos ) sendo neste caso indicada uma acção anti-inflamatória e analgésica, complementada por uma acção anestésica se a dor for muito forte, por exemplo:
Mebocaína® anti-inflam
Strepfen®
Dor de garganta de origem bacteriana:
É muito menos frequente, sendo neste caso indicada uma acção antibiótica, antissética, complementada por uma acção anestésica se a dor for muito intensa, por exemplo:
Mebocaína® forte
Hydrotricine®
E pronto… 🙂 depois de tanta coisa dita sobre dor de garganta, sabemos que vai ficar muito mais fácil tratar e até escolher o tratamento mais adequado com a ajuda….claro… do seu médico ou farmacêutico!
Fique bem
Franklim A. Moura Fernandes
As cinco grandes mentiras sobre saúde
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Sempre com emoção partilho convosco um projeto com mais de dois anos disponível e publicado para aquisição. Trata-se do meu primeiro livro “As cinco grandes mentiras sobre saúde“.
Nele descrevo em detalhe toda a minha experiência pessoal e profissional dos últimos 30 anos e o que de relevante traçou o meu caminho para uma saúde otimizada e uma vida simples, tranquila e feliz.
Também tu, em pouco tempo, podes ter uma saúde bem melhor e uma vida com espaço para a tua felicidade. Em exclusivo partilho contigo de seguida a introdução, espero que gostes 🙂
Descobrir a verdade acerca das 5 grandes mentiras sobre saúde mudou, em pouco tempo, a minha vida para sempre. Lembro-me bem da manhã solar em que despertei sem dores de costas após ensaiar pequenas renovações de alimentos e hábitos diários. Com uma história de tantos anos de dores matinais, era árduo acreditar que em tão escasso limite temporal fosse possível lograr o abandono dos analgésicos e dos seus “primos” anti-inflamatórios. Naquela manhã senti que a sebenta do tempo me ofereceu uma página nova para reescrever a minha vida. Nos dias seguintes a minha digestão voltou a trilhar o caminho da normalidade e a qualidade do sono sanou de forma intrigante. A autoestima cicatrizada, de repente, demonstrou-me que o controle da minha vida e da minha saúde, em particular, voltou a estar no conforto das minhas mãos, aquecidas pelo calor do meu miocárdio que batia feliz. Dei comigo a sorrir sem parar, numa sensação de luz e alegria sem preço possível de registar.
O nosso universo nasceu há cerca de 13,8 biliões de anos e não fazemos a mais pequena ideia sobre o que existia antes disso, sendo este o maior de todos os enigmas por desvendar. Nesse momento inicial do nascimento com a grande explosão, matéria e antimatéria formaram-se na mesma proporção mas por alguma razão, absolutamente desconhecida até hoje, os átomos de matéria prevaleceram sobre os da antimatéria. Não fosse esse intrigante poder da matéria e hoje apenas existiria energia, nada mais. O século 21 ofereceu já ao humano, pela primeira vez, o poder e criar em laboratórios de alta segurança átomos de antimatéria. Outro imenso mistério é saber como surgiu a consciência humana. Esta é uma característica tão poderosa, tão profunda e tão enigmática que raramente pensamos nela, aliás a maioria nem sequer a considera relevante, afinal ter consciência é normal e de facto é nos humanos, mas apenas nos humanos! Sem consciência não saberíamos da existência do universo, que existimos como parte do mesmo e não teríamos reflexões sobre a nossa própria existência! Como diria Jorge Luís Borges “todos os animais são imortais exceto os humanos porque só nós temos consciência de que vamos morrer”.
Sem consciência desconheceríamos a nossa história evolutiva como espécie e a poderosa influência que, ainda hoje, essa evolução tem na nossa saúde. A Terra tem cerca de 4,6 biliões de anos e a vida na Terra surgiu aproximadamente há 3,5 biliões de anos. Os dinossauros desapareceram, subitamente, há cerca de 66 milhões de anos. No entanto, o primeiro hominídeo, denominado Australopithecus, apareceu em África “apenas” há cerca de 7 milhões de anos e não comia carne. O género Homo surgiu na África há cerca de 2,5 milhões de anos, curiosamente a mesma altura em que provamos carne pela primeira vez, mas apenas as sobras das presas de outros animais, caçadores mais poderosos. Foi necessário 1 milhão de anos de evolução para sermos muito melhores caçadores e usufruir primeiro da carne de animais de grande porte, deixando as sobras para outros. Do género Homo destacam-se algumas espécies como o Homo habilis, surgido entre 2 milhões e 1,4 milhões de anos atrás, tendo sido a primeira a criar artefactos a partir de fragmentos de rocha, absolutamente essenciais para o início e evolução da nossa jornada como poderosos caçadores de animais. Depois surgiu o Homo erectus (1,6 milhão a 150 mil anos atrás), o Homo neanderthalensis que existiu há cerca de 150 mil a 30 mil anos atrás e o Homo sapiens surgido há cerca de 130 mil anos e que sobrevive até hoje!
A agricultura mudou a nossa saúde para sempre e surgiu, aproximadamente, há 12.000 a 10.000 anos atrás. Os Sumérios, que habitavam na Mesopotâmia, situada entre os rios Tigre e Eufrates, (atualmente uma região entre a Síria e o Iraque), inventaram a escrita e o dinheiro há aproximadamente 5.000 anos. O antigo Egito surgiu em 3100 a.C. na margem norte do vale do Nilo e durou até ao ano 30 a.C., data da anexação pelos romanos. A Grécia antiga surgiu em 800 a.C. e estendeu-se até 140 a.C.. O império Chinês começou em 221 a.C. e o império Romano surgiu no ano 27 a.C. e dominou até 476 d.C. Em todas estas civilizações surgiram hábitos alimentares e descobertas que moldaram a nossa saúde. Alguns perderam-se no rumo da história e outros influenciam a nossa vida até hoje. Paradoxalmente, alguns dos hábitos perdidos há séculos voltam agora em pleno século 21, à medida que a ciência prova a sua eficácia mesmo quando comparadas com algumas das mais modernas e sofisticadas terapêuticas farmacológicas.
Certa vez alguém perguntou porque era tão velho o universo? A essa questão alguém respondeu que “é o tempo que demora a criar o humano moderno”! Esta extraordinária frase sublinha, resumidamente, o longo e complexo caminho que fizemos até aqui chegar, civilização após civilização, para criar um animal humano sofisticado que está agora consciente da sua longa herança, complexidade, incrível capacidade de conhecimento, poder para alterar o seu destino, dominar o planeta que habita, viajar para outros planetas, apostar na terraformação de marte e tentar, ainda este século, duplicar a idade média de vida dos humanos que tenham essa ambição. Sim, existem já avanços científicos que nos permitem sonhar com essa realidade de vida longa e de qualidade, desde que a nossa natureza tribal não nos destrua por dentro.
Numa altura de crescimento exponencial do conhecimento, em todas as áreas, com particular relevância para a inteligência artificial, realidade virtual, nanotecnologia, robótica e ciências da saúde, é essencial tirarmos o máximo partido da nossa consciência para identificar e prevenir, por exemplo, as doenças do envelhecimento. Ganha cada vez mais força a corrente científica que defende ser o envelhecimento a causa de quase todas as doenças e que, portanto, se descobrirmos os mecanismos do envelhecimento podemos retardá-lo imenso e ficar livres de doenças durante muitas mais dezenas de anos.
Este livro fala precisamente dos cinco pilares mais importantes para manter a nossa saúde, de forma integrada, com qualidade e alegria, uns bons anos acima da esperança média de vida. No entanto, terás de fazer opções, será necessária a consciência de reconhecer algumas mentiras, descobrir os detalhes da verdade que suportam tal ambição e aceitar que todos os pilares estão unidos num único ser e harmonizam-se em conjunto. O desequilíbrio relevante de um deles pode afetar de forma dramática todas as outras dimensões da nossa saúde.
Neste livro descreve-se também a experiência pessoal do autor, que experimenta, há já alguns anos, alterações simples de hábitos alimentares, físicos, profissionais, relacionais, familiares, sociais e gestão otimizada de ansiedade, sendo esta um dos pilares, absolutamente estruturantes, da qualidade de vida.
O livro apresenta e suporta-se em estudos sólidos, incluindo recentes factos científicos, para revelar as cinco grandes mentiras sobre saúde que, por falta de conhecimento, continuam a degradar a vida de muitos milhões de pessoas, que hoje poderiam viver mais 10, 20 ou até 30 anos, com muito melhor qualidade de vida, se aplicassem diariamente este conhecimento e aprendizagem simples de ciência da saúde. Depois dos cinco capítulos que desvendam outras tantas mentiras, preparei um último capítulo bónus que resume detalhes de conhecimento de ciência da saúde que se revelaram, na minha vida, absolutamente nucleares no combate à doença, à mitigação do stresse, na procura de alegria, felicidade e criação de energia positiva para quem nos acompanha nesta caminhada pela vereda da vida.
As cinco grandes mentiras sobre saúde
Sou Farmacêutico comunitário há trinta anos. Gosto do que faço e tenho um prazer especial em ajudar os doentes e as pessoas saudáveis a entender, em linguagem corrente, o que se passa com a sua saúde. Este gosto surgiu da pesquisa para compreender o que se passava com a minha própria saúde que, há alguns anos atrás, não era a mais recomendável. Sentia má digestão, distensão abdominal, obstipação crónica, dores articulares e lombares diárias, rigidez matinal, ansiedade, colesterol elevado, hipertensão, escoliose e um diagnóstico de espondilite anquilosante feito em 2002, aos 34 anos de idade, por um reumatologista conhecido da cidade do Porto, após cruzar a imagem de raio x da minha coluna vertebral com os sintomas diários de rigidez na zona sacro ilíaca.
A espondilite anquilosante (EA) é uma doença autoimune que provoca inflamação crónica articular progressiva de grandes articulações, principalmente a coluna. Os sintomas mais frequentes são dores nas costas e rigidez. Os primeiros sinais aparecem na adolescência ou no início da idade adulta. Regra geral a doença evolui e provoca, movimentos da coluna progressivamente mais limitados, devido a fusão óssea nas vértebras, chamada de anquilose.
Este quadro de dores com origem em doença inflamatória crónica levava-me a tomar anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) com frequência, por vezes diária, o que por sua vez teve como efeito secundário o aparecimento ou agravamento de lesões gastro-intestinais. Todo este quadro ficou ainda mais severo quando, por razões profissionais, foi necessário fazer turnos de noites de serviço que alteraram o meu ritmo circadiano originando, com frequência, mudanças de humor nomeadamente irritabilidade e ansiedade crescentes, assim, como falhas de memória mais evidentes e prolongados períodos diários de falta de energia. Nesses dias, o meu “menu terapêutico” era rico em anti-inflamatórios, analgésicos, anti-ácidos, inibidores da bomba de protões, anti-histamínicos e claro o inevitável anti-hipertensor.
Hoje, mais de vinte anos depois, sinto mais energia do que nunca, não sinto ansiedade, a minha memória melhorou, tenho uma digestão normal, não tomo quaisquer anti-inflamatórios ou analgésicos e as minhas dores desapareceram por completo. Regularizei a minha tensão arterial, depois de muitos anos a tomar uma dosagem baixa de perindopril e consegui um objetivo que julgava quase impossível, deixar de tomar quaisquer medicamentos. Foi de certa forma uma surpresa pois já tinha tentado o desmame do anti-hipertensor, por diversas vezes, mas sem sucesso.
No final do livro, fazendo parte do capítulo bónus, descrevo tudo o que me permitiu, libertar-me do último medicamento do meu “menu terapêutico” inicial. Além de tudo isto, o meu bom humor parece intacto, o que por sua vez reforça o meu sistema imunitário.
Para adquirir basta clicar nas imagens iniciais das lojas online da Bertrand, Wook e Amazon (Brasil, USA, Espanha, Europa). Se gostar do livro por favor comente nas plataforma com a melhor pontuação que considere justa, cinco estrelas será magnífico 🙂
Alimentação e sopas anti-inflamatórias, qual a importância da sopa na prevenção de doenças crónicas e diversas outras patologias? Como conseguir o melhor da dieta mediterrânea para alcançar uma vida mais saudável?
A Dieta Mediterrânica é amplamente reconhecida pela sua qualidade e benefícios para a saúde. Composta predominantemente por alimentos frescos, sazonais e locais, este padrão alimentar tem sido cientificamente validado por diversos estudos, demonstrando um impacto positivo na prevenção e no controlo de várias doenças crónicas e distúrbios neurodegenerativos.
As sopas, frequentemente consumidas nas várias refeições do dia, são um dos componentes centrais desta dieta, com valor nutricional elevado e impactos benéficos na saúde. Este artigo explora o papel das sopas da dieta mediterrânica, suportado por evidência científica, e apresenta recomendações específicas para diferentes faixas etárias e patologias prevalentes em Portugal e que podem ser utilizadas como referência e muitos outros países.
A minha sopa
Na minha sopa, que consumo diariamente, geralmente utilizo azeite, alho francês, cebola, chuchu, courgette, couve, cenoura e abóbora, tudo temperado com pimenta preta a gosto e pouco sal.
Azeite : Rico em ácidos gordos monoinsaturados e antioxidantes, o azeite contribui para a saúde cardiovascular e possui propriedades anti-inflamatórias.
Alho-francês : Pertencente à mesma família do alho e da cebola, o alho-francês contém compostos sulfurados que podem ter efeitos antioxidantes e anti-inflamatórios.
Cebola : Contém flavonoides, como a quercetina, que possuem propriedades antioxidantes, anti-inflamatórias e podem reduzir o risco de doenças cardiovasculares.
Chuchu : É uma hortaliça de baixo valor calórico, rica em fibras, vitaminas e minerais, auxiliando na digestão e no controlo da pressão arterial.
Couve : Vegetais crucíferos como a couve contêm glicosinolatos, que podem ter propriedades anticancerígenas.
Abóbora : Rica em betacaroteno, fibras e potássio, a abóbora contribui para a saúde ocular, imunológica e cardiovascular.
Courgette : Baixa em calorias e rica em fibras, vitaminas A e C, a courgette auxilia na digestão e na saúde ocular.
Cenoura : Rica em betacaroteno, que é convertido em vitamina A no organismo, essencial para a visão, crescimento e função imunológica.
Pimenta preta: Contém piperina, que possui propriedades antioxidantes e pode melhorar a digestão e a absorção de nutrientes.
Descrevo de seguida os termos científicos dos alimentos mencionados, que podem ser utilizados para pesquisas de estudos no PubMed:
Azeite – Olea europaea
Alho-francês – Allium ampeloprasum var. porrum
Cebola – Allium cepa
Chuchu – Sechium edule
Couve – Brassica oleracea (inclui várias variedades como couve-galega, couve-de-bruxelas, couve-flor, etc.)
Abóbora – Cucurbita pepo (ou Cucurbita maxima dependendo da variedade)
Courgette – Cucurbita pepo
Cenoura – Daucus carota
Pimenta preta – Piper nigrum
Para obter estudos específicos no PubMed, podes pesquisar por combinações como:
A temperatura de cozedura tem um impacto significativo nos efeitos terapêuticos dos vegetais da sopa, afetando a disponibilidade de vitaminas, minerais e compostos bioativos. Aqui estão os principais efeitos da temperatura sobre os vegetais mencionados:
Vitaminas e Minerais
Vitaminas hidrossolúveis (C e B9 – ácido fólico) → São as mais sensíveis ao calor e à dissolução na água: A Vitamina C (presente no alho-francês, cebola, chuchu, couve, abóbora, courgette e cenoura) sofre degradação significativa a temperaturas acima dos 70-100°C, com perdas de até 50-70% após cozedura prolongada. O Ácido fólico (vitamina B9) (presente no alho-francês, cebola, chuchu, couve, abóbora e courgette) também se degrada facilmente com o calor, podendo perder 40-50% do seu teor após cozedura.
Vitaminas lipossolúveis (A, E e K) → Mais estáveis ao calor, mas podem ser perdidas por lixiviação na água de cozedura: A Vitamina A (cenoura, couve, abóbora) é relativamente estável ao calor, mas pode ser degradada em cozeduras prolongadas acima de 120°C. A Vitamina K (couve, pimenta preta, chuchu) também é resistente ao calor, mas pode perder-se na água de cozedura.
Minerais → Relativamente estáveis ao calor, mas dissolvem-se na água de cozedura: Cálcio, potássio, ferro e magnésio (presentes na maioria dos vegetais) não se degradam com a temperatura, mas podem ser perdidos na água.
Compostos bioativos e antioxidantes
Flavonoides e polifenóis (cebola, alho francês, couve, pimenta preta) → Resistentes ao calor moderado, mas perdem-se em cozedura prolongada.
Carotenoides (cenoura, abóbora, couve) → A absorção melhora com a cozedura suave, pois o calor rompe as paredes celulares e aumenta a biodisponibilidade.
Glicosinolatos (couve) → Podem perder-se significativamente acima dos 80-100°C, reduzindo os potenciais efeitos anticancerígenos.
Piperina (pimenta preta) → Relativamente estável, mas pode degradar-se a temperaturas muito elevadas (>150°C).
Recomendações para preservação dos benefícios terapêuticos
Evitar fervura excessiva → A cozedura prolongada em água a altas temperaturas reduz as vitaminas hidrossolúveis.
Utilizar cozedura a vapor ou estufado suave → Minimiza perdas de nutrientes.
Aproveitar a água de cozedura → Se possível, não descartar a água onde os vegetais foram cozidos, pois contém minerais e vitaminas dissolvidas.
Adicionar azeite na sopa → Melhora a absorção de carotenoides (cenoura, abóbora, couve).
Sopa na Dieta Mediterrânica
Na Dieta Mediterrânica, a sopa é uma preparação comum, composta por uma combinação equilibrada de hortícolas, leguminosas, cereais integrais, azeite e ervas aromáticas. Este tipo de prato não só assegura um elevado valor nutricional, mas também promove uma hidratação adequada e favorece a saciedade, contribuindo para um padrão alimentar saudável. Além disso, as sopas são uma excelente fonte de fibras, vitaminas, minerais e compostos bioativos que desempenham um papel fundamental na promoção da saúde digestiva, metabólica e cardiovascular, entre outros.
Evidência científica:
Estudos demonstram que a ingestão regular de sopa está associada à melhoria da saúde cardiovascular, do controlo glicémico e ao aumento da ingestão de micronutrientes, podendo ainda reduzir o risco de obesidade e doenças cardiovasculares (Drewnowski et al., 2014). Além disso, as sopas da Dieta Mediterrânica são ricas em fitoquímicos e compostos bioativos, como os polifenóis, que têm propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias, desempenhando um papel crucial na prevenção de doenças crónicas (Márquez-Calderón et al., 2021).
Densidade nutricional
O artigo “Nutrient density: principles and evaluation tools” (Densidade nutricional: princípios e ferramentas de avaliação), publicado no American Journal of Clinical Nutrition, aborda os conceitos e métodos utilizados para avaliar a densidade nutricional dos alimentos.
A densidade nutricional refere-se à quantidade de nutrientes benéficos que um alimento fornece em relação ao seu conteúdo calórico. Alimentos com alta densidade nutricional oferecem mais vitaminas, minerais e outros nutrientes essenciais por caloria consumida. O artigo discute diferentes abordagens para medir a densidade nutricional, destacando a importância de ferramentas de avaliação que auxiliem consumidores e profissionais de saúde na escolha de alimentos mais nutritivos.
As sopas desempenham um papel significativo como alimentos de alta densidade nutricional. Ao combinar uma variedade de legumes, leguminosas e, ocasionalmente, carnes magras ou peixes, as sopas fornecem uma ampla gama de vitaminas, minerais e fibras essenciais para uma dieta equilibrada. Além disso, o consumo de sopa antes do prato principal pode promover a saciedade, ajudando no controle do peso corporal.
A sopa também contribui para a hidratação devido ao seu elevado conteúdo de água e é de fácil digestão, sendo benéfica para pessoas com dificuldades de mastigação ou digestão.
Portanto, incorporar sopas na alimentação diária é uma estratégia eficaz para aumentar a ingestão de nutrientes essenciais de forma saborosa e económica.
Sopas anti-inflamatórias mediterrânicas na prevenção de doenças crónicas
Saúde Cardiovascular
As doenças cardiovasculares continuam a ser a principal causa de morte em Portugal. O consumo regular de sopas ricas em azeite e hortícolas, ambos ingredientes típicos da Dieta Mediterrânica, está associado à redução da pressão arterial, ao controlo do colesterol e ao risco de enfarte e acidente vascular cerebral (AVC). Sopas à base de leguminosas, como o feijão e as lentilhas, são particularmente benéficas pela sua capacidade de reduzir os níveis de colesterol LDL (“mau colesterol”) e melhorar a saúde vascular.
Evidência científica:
O estudo PREDIMED, publicado no New England Journal of Medicine, demonstrou que a adesão à Dieta Mediterrânica, rica em azeite e hortícolas, pode reduzir em até 30% o risco de eventos cardiovasculares graves (Estruch et al., 2013).
Sopa de feijão-verde com azeite e alho: Azeite, rico em ácidos gordos monoinsaturados, e o feijão-verde, rico em potássio e fibra, ajudam a reduzir a pressão arterial e melhorar a saúde do coração.
Sopa de abóbora com espinafre e azeite: A abóbora é uma excelente fonte de antioxidantes, como os carotenoides, e os espinafres, ricos em potássio, contribuem para a saúde cardiovascular.
Prevenção de Doenças Metabólicas e Diabetes Tipo 2
As doenças metabólicas, como a obesidade e a diabetes tipo 2, são comuns em Portugal. Sopas compostas por leguminosas, vegetais e cereais integrais são ideais para ajudar a controlar os níveis de glicose no sangue e melhorar a resistência à insulina. A Dieta Mediterrânica, rica em ácidos gordos monoinsaturados e polifenóis, tem um impacto positivo na redução do risco de diabetes tipo 2.
Evidência científica:
A Dieta Mediterrânica está associada a uma redução de até 52% no risco de diabetes tipo 2, conforme estudo publicado na Diabetes Care (Salas-Salvadó et al., 2011).
Exemplo de sopa recomendada:
Sopa de grão-de-bico com espinafres e cebola: O grão-de-bico, rico em fibras e proteínas vegetais, ajuda a controlar a glicemia.
Sopa de lentilhas com tomate e cenoura: Lentilhas, com baixo índice glicémico, e a cenoura, rica em fibras e antioxidantes, favorecem o controlo glicémico.
Doenças Neurodegenerativas e Saúde Mental
Doenças neurodegenerativas, como a Doença de Alzheimer, e condições relacionadas à saúde mental, como a depressão, podem ser atenuadas por uma dieta rica em antioxidantes, ácidos gordos essenciais e micronutrientes. O consumo regular de sopas que incluam ingredientes como peixe, azeite, vegetais e especiarias anti-inflamatórias pode ajudar a proteger o cérebro contra o declínio cognitivo.
Evidência científica:
O estudo PREDIMED mostrou que a Dieta Mediterrânica reduz o risco de declínio cognitivo e de doenças neurodegenerativas, como o Alzheimer, graças ao seu conteúdo em antioxidantes e ácidos gordos ómega-3 (Martínez-Lapiscina et al., 2013).
Exemplo de sopa recomendada:
Caldo de abóbora com cúrcuma e gengibre: A abóbora é rica em antioxidantes, a cúrcuma tem propriedades anti-inflamatórias e o gengibre pode melhorar a circulação sanguínea no cérebro, ajudando a prevenir doenças neurodegenerativas.
Sopa de couve com alho e azeite: A couve, rica em vitamina K, antioxidantes e ácidos fólico, pode ajudar a proteger o cérebro contra o envelhecimento precoce.
Perturbações de Hiperatividade e Défice de Atenção, Autismo e Obesidade
A Dieta Mediterrânica tem sido proposta como alternativa terapêutica em condições como o Transtorno de Hiperatividade e Défice de Atenção (THDA) e o autismo. A presença de ácidos gordos ómega-3, antioxidantes e fibras pode melhorar o foco, o controlo emocional e ajudar a gerir o peso.
Evidência científica:
Estudos sugerem que os ácidos gordos ómega-3, encontrados no peixe e no azeite, têm um efeito positivo no desenvolvimento cerebral e na gestão de sintomas de THDA e autismo (Jacka et al., 2011).
Exemplo de sopa recomendada:
Sopa de lentilhas vermelhas com espinafres e azeite: Rica em proteínas vegetais e ácidos gordos ómega-3, ajuda no controle da obesidade e pode melhorar a concentração.
Sopa de cenoura com gengibre e azeite: A cenoura é rica em betacaroteno e o gengibre tem propriedades anti-inflamatórias, ajudando na melhoria da função cognitiva.
Prevenção e Gestão do Cancro
A Dieta Mediterrânica tem sido associada à prevenção de vários tipos de cancro, como os de cólon, mama e esófago. A ingestão de sopas compostas por alimentos ricos em compostos bioativos, como o licopeno (tomate), sulforafano (brócolos) e flavonoides, tem demonstrado reduzir o risco de cancro e promover a saúde celular.
Evidência científica:
A International Agency for Research on Cancer (IARC) aponta que a Dieta Mediterrânica tem um impacto positivo na redução do risco de câncer, particularmente nos cânceres gastrointestinais e de mama (IARC, 2018).
Exemplo de sopa recomendada:
Sopa de tomate com manjericão e alho: O licopeno presente no tomate tem efeitos protetores contra o câncer, especialmente o câncer de próstata e cólon.
Sopa de brócolos com alho e limão: O brócolos contém sulforafano, um composto com propriedades anticancerígenas.
A sopa de brócolos com alho e limão combina ingredientes que, além de saborosos, oferecem diversos benefícios terapêuticos:
Brócolos: Ricos em vitaminas A, C e K, fibras e antioxidantes, os brócolos auxiliam na saúde ocular, fortalecem o sistema imunológico e contribuem para a saúde óssea. Além disso, possuem compostos bioativos que podem reduzir inflamações e proteger contra certos tipos de câncer.
Alho: Conhecido por suas propriedades antimicrobianas e anti-inflamatórias, o alho pode ajudar na redução da pressão arterial e do colesterol, fortalecendo o sistema cardiovascular. Também possui compostos sulfurados que estimulam o sistema imunológico e podem oferecer proteção contra infecções.
Limão: Fonte abundante de vitamina C e antioxidantes, o limão fortalece o sistema imunológico, auxilia na absorção de ferro e possui propriedades antioxidantes que combatem os radicais livres.
Ao combinar esses ingredientes numa sopa, obtém-se um prato nutritivo que fortalece o sistema imunológico, combate inflamações e promove a saúde geral. Para maximizar os benefícios, é recomendável adicionar o sumo e a raspa de limão no final da preparação, preservando as propriedades nutricionais.
Incorporar esta sopa na dieta é uma maneira eficaz de aproveitar os benefícios terapêuticos desses ingredientes de forma saborosa e reconfortante.
Recomendações por faixa etária
Em Portugal, a prevalência de doenças crónicas varia conforme a faixa etária. A adaptação das sopas às necessidades nutricionais de cada grupo etário é fundamental para promover a saúde e prevenir doenças.
Crianças e Adolescentes (0-18 anos)
Nas crianças a alimentação deve sempre ser acompanhado pelo pediatra em função da história clínica individual da criança.
Principais riscos: Défice de fibras, excesso de açúcares, obesidade infantil, carências nutricionais, déficit de micronutrientes.
Recomendação: Sopas com elevados níveis de ferro, cálcio e vitaminas do complexo B para apoiar o crescimento e desenvolvimento cognitivo.
Exemplo:
Sopa de ervilhas com hortelã e arroz integral: A ervilha é rica em ferro e fibra, essencial para a saúde digestiva e o desenvolvimento cognitivo. O arroz integral fornece carboidratos de baixo índice glicémico, importantes para energia sustentada.
Adultos (19-64 anos)
Principais riscos: Hipertensão, diabetes tipo 2, obesidade, doenças cardiovasculares.
Recomendação: Sopas ricas em antioxidantes, ácidos gordos essenciais e proteínas vegetais, com baixo teor de sódio e açúcares.
Exemplo:
Sopa de alho-francês com batata-doce e azeite: A batata-doce é rica em fibra, betacaroteno e potássio, contribuindo para a redução da pressão arterial e o controlo do colesterol.
Sopa de cenoura com abóbora e gengibre: Ingredientes anti-inflamatórios que ajudam a reduzir o risco de doenças crónicas.
Idosos (+65 anos)
Principais riscos: Sarcopenia, osteoporose, doenças neurodegenerativas, declínio cognitivo.
Recomendação: Sopas ricas em proteínas vegetais e fontes de cálcio, antioxidantes e ácidos gordos ómega-3, essenciais para a saúde óssea e cerebral.
Exemplos:
Sopa de feijão-branco com espinafres e tomilho: O feijão-branco é uma excelente fonte de proteína vegetal, e os espinafres ajudam a prevenir a osteoporose, fornecendo cálcio e vitamina K.
Sopa de peixe com legumes: O peixe fornece ómega-3, fundamental para a saúde cerebral e cardiovascular.
Sustentabilidade alimentar e o papel da sopa na dieta mediterrânica
A Dieta Mediterrânica é, além de uma excelente opção para a saúde, também uma escolha sustentável para o meio ambiente. A sua ênfase em alimentos locais e sazonais contribui para a redução do desperdício alimentar e das emissões de gases de efeito estufa. As sopas, preparadas com ingredientes frescos e sazonais, são uma forma de consumir produtos locais de forma responsável e sustentável.
Evidência científica:
A FAO salienta que a Dieta Mediterrânica tem um impacto ambiental significativamente inferior ao das dietas ocidentais, contribuindo para a sustentabilidade alimentar (FAO, 2017).
Concluindo
As sopas, como componente central da Dieta Mediterrânica, desempenham um papel crucial na prevenção e gestão de várias doenças crónicas. A sua riqueza em micronutrientes essenciais, antioxidantes e compostos anti-inflamatórios faz delas uma excelente estratégia dietética para a promoção da saúde.
A adaptação das sopas às necessidades específicas de cada faixa etária pode contribuir significativamente para a melhoria da saúde geral da população e para a gestão eficaz de doenças prevalentes, como as cardiovasculares, metabólicas, neurodegenerativas e oncológicas. A Dieta Mediterrânica não só promove a saúde, mas também é uma opção sustentável para o meio ambiente.
Referências Bibliográficas
Drewnowski, A., et al. (2014). “The influence of soup consumption on health.” The American Journal of Clinical Nutrition, 99(1): 233S-237S.
Estruch, R., et al. (2013). “Primary prevention of cardiovascular disease with a Mediterranean diet.” New England Journal of Medicine, 368(14): 1279-1290.
Márquez-Calderón, S., et al. (2021). “Health benefits of Mediterranean diet and its impact on nutritional biomarkers.” Nutrients, 13(6): 1989.
Salas-Salvadó, J., et al. (2011). “Reduction in the incidence of type 2 diabetes with the Mediterranean diet.” Diabetes Care, 34(1): 14-19.
Martínez-Lapiscina, E. H., et al. (2013). “Mediterranean diet and age-related cognitive decline.” Journal of Alzheimer’s Disease, 39(3): 605-610.
Jacka, F. N., et al. (2011). “Association between diet quality and depression in children and adolescents.” Australian & New Zealand Journal of Psychiatry, 45(5): 450-458.
IARC (2018). “IARC Monographs on the Evaluation of Carcinogenic Risks to Humans.” International Agency for Research on Cancer.
FAO (2017). “The Mediterranean Diet and Sustainability.” Food and Agriculture Organization of the United Nations.
Pedra no rim ou calculo renal… toda a verdade! Como prevenir? Quais as causas de pedra nos rins sintomas e como eliminar? O que não posso comer? Como tratar? Tudo o que não sabe neste artigo com a ajuda da Associação Portuguesa de Urologia.
Neste artigo vou responder ás seguintes questões:
Pedras ou cálculos no aparelho urinário: O que são?
Qual a anatomia do aparelho urinário?
Cálculos renias: Como se formam?
Pedra no rim: Qual a composição?
Quais as alterações metanólicas que podem levar à formação de cálculos urinários?
Que tipos de cálculos urinários existem?
Quais os perigos da manutenção dos cálculos no aparelho urinário?
Pedra no rim: Quais os factores de risco?
Deve diminuir-se o consumo de cálcio na alimentação?
Deve ou não evitar-se os suplementos com cálcio?
Quais os sintomas de pedra no rim?
Cólica renal: Quais as fases?
Como tratar a pedra no rim?
Quais as medidas para prevenção da pedra no rim?
Qual o tratamento para os diferentes tipos de calculos?
Qual a lista de alimentos a evitar?
Pedra no rim ou cálculos no aparelho urinário
A pedra no rim, também conhecida como cálculo renalou litíase renal, é uma doença muito comum, causada pela cristalização de sais mineiras presentes na urina. A crise de cólica renal é um dos eventos mais dolorosos que um paciente pode experimentar durante a vida. A dor causada pelo cálculo renal é muitas vezes descrita como sendo pior do que a de um parto, fractura óssea, ferimentos por arma de fogo ou queimaduras.
Anatomia do aparelho urinário
Neste tema é essencial conhecer um pouco da anatomia do aparelho urinário para se perceber melhor os sintomas e perigos desta condição de saúde.
Cálculos renais como se formam?
A pedra no rim é uma formação sólida composta por minerais que surge dentro dos rins. Mais de 70% das pedras são compostas por sais de cálcio, como oxalato de cálcio e fosfato de cálcio. Também existem cálculos à base de ácido úrico, estruvita (magnésio + amônia + fosfato) e cistina.
Entender a formação das pedras é simples. Imaginem um copo cheio de água clara e transparente. Se colocarmos um pouco de sal, este se diluirá e tornará a água um pouco turva. Se continuarmos a deitar sal no copo, a água ficará cada vez menos clara, até ao ponto em que o sal começará a precipitar-se (acumular-se) no fundo do copo. A precipitação acontece quando a água fica saturada com sal, isto é, a quantidade de água presente já não é suficiente para diluir o sal.
Este é o princípio da formação dos cálculos. Quando a quantidade de água na urina não é suficiente para dissolver todos os sais presentes na mesma, estes retornam à sua forma sólida e precipitam nas vias urinárias. Os sais precipitados na urina tendem a aglomerar-se, formando, com o passar do tempo, as pedras.
Esta precipitação dos sais presentes na urina ocorre basicamente por dois motivos:
Falta de água para diluir
Excesso de sais para serem diluídos
A maioria dos casos de cálculos renais ocorre por falta de água para diluir a urina adequadamente, tendo como origem a pouca ingestão de líquidos. Porém, há um grupo de pacientes que mesmo bebendo bastante água ao longo do dia continua a formar pedras. São as pessoas com alterações na composição natural da urina, apresentando excesso de sais minerais, em geral, excesso de cálcio. A quantidade de cálcio na urina é tão grande que mesmo com um boa ingestão de água este ainda consegue precipitar-se.
Composição da pedra no rim
A litíase urinária, também designada por urolitíase é uma doença que se deve à formação de cálculos, vulgarmente denominados “pedras”, no aparelho urinário. Os cálculos urinários são estruturas sólidas que resultam da aglomeração de cristais. Estes, por sua vez, formam-se devido a uma alteração metabólica (bioquímica) crónica do organismo que determina um aumento da excreção urinária de substâncias promotoras da formação de cálculos, tais como:
Cálcio
Ácido úrico
Oxalato
Fosfato
Pode também acontecer em simultâneo ou não uma diminuição da excreção de substâncias inibidores da cristalização (por exemplo o citrato e magnésio).
Causas e alterações metabólicas
As alterações metabólicas mais frequentes que podem criar condições para a formação de cálculos são:
Aumento da excreção urinária de cálcio (hipercalciúria)
Aumento da excreção urinária de ácido úrico (hiperuricosúria)
Aumento da excreção urinária de oxalato (hiperoxalúria)
Diminuição da excreção urinária de citrato (hipocitratúria)
Diminuição da excreção urinária magnésio (hipomagnesiúria)
Tipos de cálculos urinários
A composição química dos cristais determina o tipo de cálculo formado. Deste modo, existem vários tipos de cálculos, nomeadamente:
Oxalato de cálcio (60%),
Oxalato de cálcio associado a fosfato de cálcio (20%),
Ácido úrico (8%),
Estruvite (8%),
Fosfato de cálcio (2%),
Cistina e outros componentes (2%).
Consequências e perigos no aparelho urinário
A permanência de cálculos no aparelho urinário pode não causar qualquer sintoma ou, pelo contrário, desencadear sintomas muito intensos, nomeadamente a cólica renal e complicações clínicas graves, que podem terminar em insuficiência renal crónica.
Aproximadamente uma em cada 100 pessoas desenvolve cálculos urinários ao longo da vida. Cerca de 80% destas pessoas eliminam a pedra espontaneamente, juntamente com a urina. Os 20% restantes necessitam de alguma forma de tratamento.
Factores de risco mais comuns
Ter água suficiente na urina é essencial para prevenir a formação de cálculos. Os doentes que costumam desenvolver cálculos bebem, em média, menos 300 a 500 ml de água por dia quando comparados com pessoas que nunca tiveram pedra nos rins. Pessoas que vivem em países de clima tropical ou trabalham em locais muitos quentes devem procurar se manter sempre bem hidratadas para evitar a produção de uma urina muito concentrada.
Excesso de vitamina C aumenta a excreção renal de oxalato, aumentando o risco de pedras de oxalato de cálcio.
Pessoas que já tiveram pelo menos um episódio de cálculo renal ou que tenham história familiar de pedra no rim devem urinar pelo menos 2 litros por dia. Como ninguém vai recolher urina o dia inteiro para medir o volume, uma dica é acompanhar a cor da urina. Uma urina bem diluída tem odor fraco e coloração clara, quase transparente. Se a sua urina está muito amarelada, isto indica desidratação.
Em relação à dieta, existem alguns hábitos que podem aumentar a incidência de pedras nos rins, principalmente se o doente já tiver concentrações de cálcio na urina mais elevadas que a média da população. Dietas ricas em sal, proteínas e açúcares são fatores de risco.
Outros fatores de risco
Entre os diversos factores de risco para o surgimento de cálculos renais destacam-se ainda os seguintes:
Obesidade,
Idade acima de 40 anos,
Hipertensão,
Gota,
Diabetes,
Sexo masculino
Aumento de peso muito rápido.
Medicamentos como fatores de risco
Várias medicações podem ter como efeito colateral a formação de pedra. Os mais comuns incluem:
Indinavir,
Atazanavir,
Guaifenesina,
Triantereno,
Silicato e drogas à base de sulfonamidas,
Sulfassalazina,
Sulfadiazina.
Consumo de cálcio na alimentação e suplementos de cálcio
Curiosamente, apesar da maioria dos cálculos serem compostos de cálcio e surgirem por excesso de cálcio na urina, não há necessidade de restringir o consumo do mesmo na dieta mas sim aumentar a ingestão de água para niveis saudáveis (1,5 a 2 litros/dia). A restrição, aliás, pode ser prejudicial. Se está a perder cálcio em excesso na urina e não o repõe com a dieta, o seu organismo vai buscar o cálcio que precisa aos ossos, podendo levar à osteoporose precoce. O único cuidado deve ser com os suplementos de cálcio, já que o consumo destes, principalmente quando em jejum, parece aumentar o risco de pedra nos rins.
Sintomas da pedra no rim
Muitos pacientes possuem pedras nos seus rins e não apresentam sintomas. Se a pedra se formar dentro do rim e ficar parada dentro do mesmo, o paciente pode ficar anos assintomático. Muitas pessoas descobrem o cálculo renal por acaso, durante um exame de imagem abdominal, como ultrassom ou tomografia computadorizada, solicitados por qualquer outro motivo.
Pedras muito pequenas, menores que 3 milímetros (0,3 centímetros), podem percorrer todo o sistema urinário e serem eliminadas na urina sem provocar maiores sintomas. O paciente começa a urinar e de repente nota que caiu uma pedrinha na sanita.
O sintoma clássico do cálculo renal, chamado cólica renal, surge quando uma pedra de pelo menos 4 mm (0,4 cm) fica impactada em algum ponto do ureter (tubo que leva a urina do rim à bexiga), causando obstrução e dilatação do sistema urinário.
A cólica renal é habitualmente uma fortíssima dor lombar, que costuma ser a pior dor que o paciente já teve na vida. A cólica renal deixa o paciente inquieto, procurando em vão uma posição que lhe proporcione alívio. Ao contrário das dores da coluna, que melhoram com o repouso e pioram com o movimento, a cólica renal dói intensamente. Por vezes, a dor é tão intensa que vem acompanhada de náuseas e vômitos. Sangue na urina é frequente e ocorre por lesão direta do cálculo no ureter.
Cólica renal quais as fases?
A cólica renal costuma ter três fases: 1. A dor inicia-se subitamente e atinge o pico de intensidade em mais ou menos 1 ou 2 horas. 2. Após atingir o máximo de intensidade, a dor da cólica renal permanece assim por mais 1 a 4 horas, em média, deixando o paciente “enlouquecido” de dor. 3 A dor começa a aliviar espontaneamente e ao longo de mais 2 horas tende a desaparecer.
Em alguns desafortunados, o processo todo chega a durar mais de 12 horas, caso o mesmo não procure atendimento médico.
Se a pedra ficar impactada na metade inferior do ureter, a cólica renal pode irradiar para a perna, grandes lábios ou testículos. Também é possível que a pedra consiga atravessar todo o ureter, ficando impactada somente na uretra, que é o ponto de menor diâmetro do sistema urinário. Neste caso a dor ocorre na região pélvica e vem acompanhada de ardência ao urinar e sangramento. Muitas vezes o paciente consegue reconhecer que há uma pedra na sua uretra, na iminência de sair.
Geralmente, pedras menores que 0,5 cm costumam sair espontaneamente pela urina. As que medem entre 0,5 e 0,8 cm têm dificuldade em ser expelidas. Podem até sair, mas custam muito. Cálculos maiores que 0,9 cm são grandes demais e não passam pelo sistema urinário, sendo necessária uma intervenção médica para eliminá-los.
Estes cálculos grandes podem ficar impactados no ureter, provocando uma obstrução à drenagem da urina e consequente dilatação do rim, a qual damos o nome de hidronefrose. A urina não consegue ultrapassar a obstrução e acaba ficando retida dentro do rim. As hidronefroses graves devem ser corrigidas o quanto antes, pois quanto maior o tempo de obstrução, maiores as probabilidades de lesões irreversíveis do rim obstruído.
Tratamento da litíase urinária
O tratamento da litíase urinária é efectuado em três fases, a saber:
Inicialmente é necessário o tratamento urgente para alívio da dor (cólica renal).
Posteriormente é efectuado o tratamento da litíase propriamente dita, com remoção do(s) cálculo(s).
A última fase consiste no tratamento profiláctico ou preventivo da formação de novos cálculos, que deve ser feito para o resto da vida.
Qual a importância da prevenção e tratamento médico da litíase urinária?
Como a formação dos cálculos urinários se deve a uma disfunção metabólica crónica, uma vez formado um primeiro cálculo, a pessoa estará sempre susceptível à formação de novos cálculos (mesmo que o primeiro seja removido).
Estima-se que cerca de 50% dos doentes não tratados, a quem foi diagnosticado um cálculo urinário, irá desenvolver um novo cálculo nos próximos 5 a 10 anos. Daí a grande importância de medidas de prevenção e tratamento médico, com as quais é possível reduzir, em mais de 80% dos doentes, o crescimento de cálculos já existentes, e a formação de novos cálculos.
Prevenção
A prevenção da formação de novos cálculos engloba medidas gerais recomendadas a todos os doentes com litíase e o tratamento medicamentoso específico para um doente a quem foi detectada uma alteração metabólica responsável pela formação de um determinado tipo de cálculo urinário.
Após o primeiro diagnóstico de litíase urinária, e antes de tomar qualquer medida preventiva, o doente deve consultar o médico urologista. Em consulta, é efectuada uma avaliação clínica para determinar qual o tipo de cálculo formado e a alteração metabólica em causa. De acordo com os dados obtidos são requisitados um conjunto de exames, ao sangue e à urina que, no seu conjunto, se designam por avaliação ou estudo metabólico. É possível fazer um diagnóstico específico da alteração metabólica em 97% dos casos.
Composição do cálculo renal
A constituição química do cálculo só pode ser diagnosticada definitivamente mediante a análise bioquímica do cálculo urinário, pelo que se o cálculo foi removido será enviado para análise. Se não foi removido, o doente deverá ser instruído sobre das técnicas para recuperação do cálculo que eventualmente eliminará. Por exemplo, urinar para um passador ou para um filtro de papel. Quando for recuperado, o cálculo deve ser guardado num frasco a seco (não em água, álcool ou qualquer outro líquido).
Concluída esta avaliação clínica o urologista está em condições de indicar se apenas medidas gerais são suficientes ou se é necessário associar o tratamento específico, para prevenção da formação de novos cálculos.
Prevenção da litíase urinária
As medidas gerais de prevenção da litíase consistem:
Aumento da ingestão de líquidos
Alterações gerais na alimentação
Aumento da ingestão de líquidos
Os doentes devem beber cerca de 2 litros de líquidos por dia (3 litros em dias de maior calor) para tornar a urina menos concentrada e dificultar a formação de novos cálculos. Todavia, não é qualquer tipo de líquido que pode ser ingerido. Os mais recomendados são:
Água
Sumo de laranja
Sumo de limão
Sumo de maça
Líquidos a evitar
Os líquidos a evitar para prevenir crises são os seguintes:
Chá preto
Café
Refrigerantes à base de cola (Ex: Coca-cola®, Pepsi®)
É a medida mais importante pois na ausência de qualquer outro tratamento pode diminuir a formação de litíase em cerca de 60 % dos doentes.
Alimentos a evitar se tem pedra nos rins
As recomendações que se seguem podem ser feitas pelo médico urologista a todos os doentes com litíase urinária sem necessidade de apoio de um nutricionista, a saber:
Diminuir para quantidades moderadas a ingestão de leite e derivados (alimentos ricos em cálcio), geralmente duas vezes ao dia. No entanto, não se recomenda a restrição total de alimentos ricos em do cálcio na dieta. Exemplo: leite ao pequeno-almoço e um iogurte ou um pedaço de queijo com pão ao lanche;
Diminuir para quantidades moderadas a ingestão de carne preferindo as carnes magras (não carnes vermelhas), para reduzir a ingestão de proteínas;
Diminuir a quantidade de sal na preparação dos alimentos e evitar alimentos salgados como presunto, mortadela ou salsicha;
Preferir o pão integral e de centeio aos pães brancos fermentados;
Diminuir a ingestão gordura para quantidades moderadas;
Substituir o açúcar por adoçante;
Diminuir a ingestão de leguminosas como feijão e lentilha, que não devem ser consumidas mais do que uma vez por dia.
Alimentos que deve ingerir
Recomenda-se ainda a ingestão regular dos seguintes alimentos devido ao alto teor de substâncias inibidoras da formação de todos os tipos de cálculo:
Arroz,
Batatas (excepto batata doce),
Clara de ovo,
Margarina,
Óleos vegetais,
Mel,
Maionese,
Bolachas de água e sal,
Abacaxi,
Uva,
Melancia,
Pêra,
Cereja.
Por outro lado, os alimentos indicados na tabela anexa devem ser evitados ou consumidos em quantidades moderadas por todos os doentes com litíase urinária.
O tratamento específico para os diferentes tipos de cálculos renais, engloba alterações na dieta de modo a restringir ou eliminar alimentos ricos em substâncias que estão implicadas na formação de um determinado tipo de cálculo num doente específico. Estas recomendações deverão ser efetuadas com o apoio de um nutricionista. Quando as alterações na dieta falham na prevenção, está indicada, em alguns doentes, a utilização de medicamentos específicos.
Cálcio
Como os cálculos de cálcio representam 80% de todos os cálculos urinários, as alterações gerais na dieta anteriormante referidas são geralmente suficientes para a prevenção da sua formação. Quando as medidas anteriores não são suficientes, medicamentos diuréticos (tiazidas) e citrato de potássio oral (Uralit U®) são prescritos.
Oxalato de cálcio
Para além das medidas para a prevenção dos cálculos de cálcio em geral, devem ser evitados os alimentos ricos em oxalato, tais como:
Batata-doce
Beterraba
Espinafre
Chocolate
Café
Chá
Refrigerantes à base de cola
Frutos secos (sobretudo nozes)
Ácido úrico
A prevenção da formação de cálculos de ácido úrico implica a normalização da excreção desta substância na urina. Isto é conseguido através de uma diminuição da ingestão dos seguintes alimentos:
Se estas medidas dietéticas se revelam insuficientes, poderá estar indicada a administração do medicamento alopurinol (Zyloric®)
Estruvite
Os cálculos de estruvite, ou cálculos infecciosos, são causados por infecções urinárias de repetição do aparelho urinário por determinado tipo de bactérias.
Além da eliminação completa dos cálculos, a prevenção de infecções urinárias de repetição poderá implicar a utilização prolongada de antibióticos específicos para o referido tipo de bactérias, para manutenção de urina estéril. Em casos particulares, poderá utilizar-se ácido acetohidroxâmico.
Cistina
Para a prevenção destes cálculos com cistina recomenda-se a terapêutica com citrato de potássio oral e captopril.
Concluindo
A litíase urinária é uma doença crónica com tendência para a recorrência. A avaliação clínica adequada permite na grande maioria dos casos um diagnóstico da causa da litíase e a orientação para o tratamento medicamentoso que, associado ao reforço hídrico e alterações da dieta, permitem evitar ou reduzir significativamente a formação de cálculos em mais de 80% dos doentes. No entanto, a prevenção desta doença exige um compromisso na realização dos tratamentos prescritos, dado que a prevenção de novos cálculos deve ser feita para resto da vida.
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