Causas, sintomas, diagnóstico, tratamento, dieta Low-FODMAP, rifaximina e prevenção de recidivas
Por Dr. Franklim | melhorsaude.org
Introdução
O Sobrecrescimento Bacteriano do Intestino Delgado, conhecido internacionalmente como SIBO (Small Intestinal Bacterial Overgrowth), corresponde a uma condição em que existe crescimento excessivo de microrganismos no intestino delgado, frequentemente associado a sintomas digestivos como distensão abdominal, gases, dor abdominal, diarreia, obstipação e má absorção de nutrientes¹˒².
Durante muitos anos, o intestino delgado foi considerado uma região quase estéril. Hoje sabe-se que possui uma microbiota própria, embora muito menos abundante do que a do cólon, sendo o seu equilíbrio mantido por mecanismos como a acidez gástrica, a bílis, as enzimas pancreáticas, a motilidade intestinal e a imunidade da mucosa intestinal²˒⁵.
O interesse científico pelo SIBO aumentou devido à sua associação com síndrome do intestino irritável, diabetes mellitus, doença celíaca, doença inflamatória intestinal, cirurgia gastrointestinal, esclerodermia e utilização prolongada de inibidores da bomba de protões¹˒⁹˒¹⁴˒¹⁵.
Apesar da crescente notoriedade, o SIBO continua a ser um diagnóstico desafiante, porque os sintomas são inespecíficos e os testes disponíveis apresentam limitações importantes¹˒³˒⁴.
SIBO infografia
Índice
O que é o SIBO?
Como funciona normalmente o intestino delgado?
Como surge o SIBO?
Principais fatores de risco
Sintomas mais frequentes
Hidrogénio, metano e sulfureto de hidrogénio
Relação entre SIBO e síndrome do intestino irritável
Consequências nutricionais
Diagnóstico
Testes respiratórios
Cultura jejunal
Tratamento
Rifaximina
Dieta Low-FODMAP
Probióticos
Prevenção de recidivas
Mitos e factos
Perguntas frequentes
Conclusão
Bibliografia
O que é o SIBO?
O SIBO é definido como a presença excessiva de bactérias no intestino delgado ou a colonização desta região por microrganismos habitualmente predominantes no cólon¹˒².
Tradicionalmente, a cultura do aspirado do intestino delgado foi considerada o método de referência, sendo frequentemente usado o limiar de 10³ unidades formadoras de colónias por mililitro como critério sugestivo de SIBO¹˒³.
Mais importante do que a contagem bacteriana isolada é o impacto funcional: fermentação precoce dos hidratos de carbono, produção excessiva de gases, alteração dos ácidos biliares, inflamação local e má absorção de nutrientes²˒⁵˒²⁶.
Tabela 1 — Definição simplificada do SIBO
Aspeto
Intestino normal
SIBO
Bactérias
Poucas
Em excesso
Fermentação
Controlada
Aumentada
Gases
Produção normal
Produção excessiva
Absorção
Eficiente
Pode estar comprometida
Intestino ilustração
Como funciona normalmente o intestino delgado?
O intestino delgado é o principal local de digestão e absorção de nutrientes. Para desempenhar esta função, mantém uma carga microbiana relativamente baixa quando comparado com o cólon²˒⁵.
A acidez gástrica reduz a entrada de microrganismos viáveis, a bílis e as enzimas pancreáticas têm efeito antimicrobiano, e o Complexo Motor Migratório atua como um sistema de “limpeza” que remove resíduos alimentares e bactérias durante o jejum⁵˒⁶.
Mecanismos naturais de proteção:
Estômago ácido ↓ Bílis e enzimas pancreáticas ↓ Motilidade intestinal eficaz ↓ Sistema imunitário da mucosa ↓ Controlo do crescimento bacteriano
Tabela 2 — Mecanismos de defesa contra o SIBO
Mecanismo
Função principal
Falha associada
Ácido gástrico
Reduz microrganismos ingeridos
Maior colonização
Bílis
Ação antimicrobiana
Crescimento bacteriano
Motilidade
Limpeza intestinal
Estase
Imunidade intestinal
Controlo microbiano
Disbiose
Como surge o SIBO?
O SIBO raramente surge por acaso. Na maioria dos casos existe uma alteração subjacente que compromete os mecanismos naturais de defesa intestinal¹˒².
A hipomotilidade, a estase intestinal, alterações anatómicas após cirurgia, redução da acidez gástrica e doenças sistémicas podem criar um ambiente favorável à proliferação bacteriana¹˒⁶˒⁸.
Como surge o SIBO?
Fator predisponente ↓ Alteração da motilidade ou anatomia ↓ Estase intestinal ↓ Crescimento bacteriano excessivo ↓ Fermentação aumentada ↓ Gases, inflamação e sintomas
Principais fatores de risco
Entre os fatores de risco mais relevantes encontram-se a idade avançada, diabetes mellitus, cirurgia gastrointestinal, esclerodermia, doença celíaca, doença inflamatória intestinal, hipocloridria e utilização prolongada de inibidores da bomba de protões¹˒⁶˒¹⁴˒¹⁵.
A diabetes pode favorecer o SIBO através de neuropatia autonómica e alteração da motilidade gastrointestinal⁶˒⁸.
A cirurgia gastrointestinal pode criar ansas cegas, alterações anatómicas ou zonas de estase que facilitam o crescimento bacteriano²˒²⁴.
Na esclerodermia, a redução da motilidade intestinal é um dos principais mecanismos associados ao aparecimento de SIBO¹˒²⁶.
Tabela 3 — Principais fatores de risco
Fator
Mecanismo
Relevância
Diabetes
Hipomotilidade
Frequente
Cirurgia digestiva
Estase
Elevada
IBP prolongados
Menor acidez
Moderada
Esclerodermia
Motilidade reduzida
Elevada
Doença celíaca
Alteração mucosa
Variável
Sintomas mais frequentes
Os sintomas do SIBO são inespecíficos e sobrepõem-se a várias doenças digestivas, sobretudo à síndrome do intestino irritável¹˒⁹.
Os sintomas mais comuns incluem distensão abdominal, flatulência, dor abdominal, diarreia, obstipação, náuseas e sensação de enfartamento¹˒²˒⁷.
A intensidade clínica é muito variável: alguns doentes têm apenas desconforto ligeiro, enquanto outros apresentam sintomas persistentes com impacto relevante na qualidade de vida²˒²⁶.
Tabela 4 — Sintomas digestivos comuns
Sintoma
Mecanismo provável
Observação
Inchaço
Gases
Muito comum
Flatulência
Fermentação
Frequente
Diarreia
Ácidos biliares alterados
Comum
Obstipação
Metano
Frequente
Dor abdominal
Distensão
Variável
Hidrogénio, metano e sulfureto de hidrogénio
A fermentação bacteriana no intestino delgado pode produzir diferentes gases, nomeadamente hidrogénio, metano e sulfureto de hidrogénio³˒⁴.
O hidrogénio está mais associado a diarreia, enquanto o metano se associa frequentemente a obstipação³˒²².
O metano é produzido sobretudo por arqueias, como Methanobrevibacter smithii, razão pela qual alguns autores preferem a designação “sobrecrescimento metanogénico intestinal” para estes casos³˒²².
Tabela 5 — Perfis de gases
Perfil
Gás dominante
Sintomas associados
Hidrogénio
H₂
Diarreia
Metano
CH₄
Obstipação
Sulfureto de hidrogénio
H₂S
Dor e diarreia
SIBO e síndrome do intestino irritável
A relação entre SIBO e síndrome do intestino irritável é uma das áreas mais debatidas da gastroenterologia moderna⁹˒²⁷.
Vários estudos demonstraram maior prevalência de testes respiratórios positivos em doentes com síndrome do intestino irritável, mas isso não prova que todos os casos sejam causados por SIBO⁹˒²⁷.
O consenso atual é que existe uma sobreposição parcial entre ambas as condições, devendo o diagnóstico ser interpretado com prudência e sempre em contexto clínico¹˒²˒⁹.
Tabela 6 — SIBO versus Síndrome do Intestino Irritável
Aspeto
SIBO
SII
Inchaço
Frequente
Frequente
Dor abdominal
Frequente
Frequente
Diarreia
Possível
Possível
Obstipação
Possível
Possível
Teste respiratório
Pode ser positivo
Pode ser positivo
Consequências nutricionais
Quando prolongado ou grave, o SIBO pode interferir com a absorção de nutrientes, particularmente vitamina B12, ferro e vitaminas lipossolúveis²˒²⁶.
As bactérias podem consumir vitamina B12, desconjugar ácidos biliares e comprometer a digestão das gorduras²˒²⁴.
Em situações mais avançadas pode ocorrer esteatorreia, perda ponderal, anemia ou défices nutricionais clinicamente relevantes²⁴˒²⁸.
Tabela 7 — Défices nutricionais associados
Nutriente
Alteração possível
Consequência
Vitamina B12
Redução
Anemia, fadiga
Ferro
Redução
Anemia
Vitaminas A, D, E, K
Má absorção
Défices variados
Gorduras
Má absorção
Esteatorreia
Diagnóstico
O diagnóstico de SIBO deve integrar sintomas, fatores de risco e exames complementares¹˒².
Nenhum teste é perfeito. A cultura jejunal tem limitações técnicas e os testes respiratórios podem gerar falsos positivos ou falsos negativos¹˒³˒⁴.
Por isso, as guidelines recomendam que os resultados sejam interpretados em conjunto com a história clínica e não como prova isolada¹˒²˒⁴.
Testes respiratórios
Os testes respiratórios com glicose ou lactulose são os métodos mais usados na prática clínica para avaliar a produção de hidrogénio e metano³˒⁴.
A glicose tende a ser mais específica, mas pode falhar casos localizados em segmentos mais distais do intestino delgado³˒⁴.
A lactulose percorre todo o intestino delgado, mas pode ser mais suscetível a falsos positivos relacionados com trânsito intestinal acelerado³˒⁴.
Tabela 8 — Glicose versus lactulose
Substrato
Vantagem
Limitação
Glicose
Maior especificidade
Pode falhar SIBO distal
Lactulose
Avalia maior extensão
Mais falsos positivos
Ambos
Não invasivos
Interpretação variável
Cultura jejunal
A aspiração jejunal com cultura bacteriana foi historicamente considerada o método de referência, mas é invasiva, dispendiosa e sujeita a contaminação¹˒³.
Além disso, a cultura convencional pode não identificar adequadamente microrganismos anaeróbios ou arqueias produtoras de metano¹˒⁵.
Por estas razões, é utilizada sobretudo em centros especializados ou em casos selecionados¹˒².
Tratamento
O tratamento do SIBO deve ter como objetivos reduzir a carga microbiana excessiva, aliviar sintomas, corrigir défices nutricionais e tratar a causa subjacente¹˒².
A abordagem pode incluir antibióticos, estratégias dietéticas, correção de fatores predisponentes, melhoria da motilidade intestinal e acompanhamento clínico¹˒²˒¹⁰.
Tratar apenas com antibiótico, sem corrigir a causa de base, aumenta o risco de recidiva¹¹.
A rifaximina é o antibiótico mais estudado no SIBO e possui absorção sistémica mínima, atuando predominantemente no lúmen intestinal¹˒¹⁰.
Meta-análises indicam que a terapêutica antibiótica pode melhorar sintomas e normalizar testes respiratórios em parte dos doentes com SIBO¹⁰.
A resposta à rifaximina parece ser mais favorável nos casos com predominância de hidrogénio, enquanto os casos metanogénicos podem necessitar de estratégias combinadas¹˒²².
Tabela 9 — Rifaximina no SIBO
Característica
Significado
Relevância
Baixa absorção
Ação local
Melhor tolerabilidade
Evidência ampla
Mais estudada
Uso frequente
Melhor no H₂
Diarreia
Maior resposta
Menor no CH₄
Obstipação
Pode exigir combinação
Dieta Low-FODMAP
A dieta Low-FODMAP reduz hidratos de carbono fermentáveis, podendo diminuir produção de gases, distensão abdominal e dor em doentes com sintomas funcionais gastrointestinais¹⁹˒²⁰.
Apesar de útil no controlo sintomático, esta dieta não deve ser apresentada como “cura” do SIBO¹⁹.
A fase restritiva deve ser temporária, seguida de reintrodução progressiva, idealmente com acompanhamento profissional, para evitar restrição alimentar desnecessária e possível redução da diversidade da microbiota¹⁹˒²⁰.
Tabela 10 — Exemplos FODMAP
Mais ricos em FODMAP
Mais pobres em FODMAP
Cebola
Cenoura
Alho
Courgette
Maçã
Morango
Trigo
Arroz
Leguminosas
Batata
Probióticos
Os probióticos continuam a ser uma área controversa no SIBO¹⁶˒¹⁷.
Uma meta-análise sugeriu que os probióticos podem melhorar alguns sintomas e reduzir resultados positivos em testes respiratórios, mas a heterogeneidade dos estudos limita conclusões definitivas¹⁶.
Os efeitos dependem da estirpe, dose, duração, contexto clínico e características individuais do doente¹⁶˒¹⁷.
Assim, os probióticos não devem ser recomendados universalmente para todos os casos, mas podem ser ponderados de forma individualizada¹⁶˒¹⁸.
Prevenção de recidivas
As recidivas após tratamento são frequentes, sobretudo quando persistem fatores predisponentes como hipomotilidade, alterações anatómicas, doença sistémica ou uso prolongado de medicação predisponente¹¹.
Um estudo clássico demonstrou recorrência significativa após antibioterapia, reforçando a importância de tratar a causa subjacente e manter vigilância clínica¹¹.
A prevenção passa por rever medicação, otimizar motilidade, corrigir défices nutricionais, controlar doenças de base e evitar dietas excessivamente restritivas sem indicação clínica¹˒²˒¹¹.
Tabela 11 — Estratégias para reduzir recidivas
Estratégia
Objetivo
Tratar doença de base
Reduzir fator causal
Rever IBP
Evitar hipocloridria desnecessária
Melhorar motilidade
Reduzir estase
Corrigir défices
Recuperar estado nutricional
Seguimento clínico
Detetar recidiva precoce
17. Mitos e factos
Mito
Facto científico
Todo o inchaço é SIBO
Existem muitas causas de distensão abdominal¹˒²
Um teste positivo confirma tudo
O contexto clínico é indispensável¹˒³˒⁴
A dieta cura sempre
Pode aliviar sintomas, mas não elimina necessariamente a causa¹⁹
Probióticos resolvem todos os casos
A evidência é heterogénea¹⁶˒¹⁷
A rifaximina resulta sempre
A resposta varia entre doentes¹˒¹⁰
Perguntas frequentes
O SIBO é contagioso?
Não. O SIBO não é considerado uma doença contagiosa; resulta sobretudo de alterações internas da motilidade, anatomia, secreções digestivas ou doenças associadas¹˒².
O SIBO pode voltar?
Sim. As recidivas são frequentes quando a causa subjacente não é corrigida¹¹.
Todos os doentes precisam de antibiótico?
Não necessariamente. A decisão deve depender da gravidade dos sintomas, contexto clínico, fatores de risco e resultados dos exames¹˒².
A dieta Low-FODMAP deve ser permanente?
Não. Deve ser usada por tempo limitado, com reintrodução gradual de alimentos¹⁹˒²⁰.
Os probióticos são obrigatórios?
Não. Podem ajudar alguns doentes, mas a evidência não justifica uso universal¹⁶˒¹⁷.
Conclusão
O SIBO é uma condição complexa, situada na interseção entre microbiota intestinal, motilidade gastrointestinal, anatomia digestiva, secreções intestinais e doenças sistémicas¹˒²˒⁵. Embora esteja cada vez mais presente na discussão pública sobre saúde digestiva, continua a exigir uma abordagem clínica cuidadosa, porque os sintomas são inespecíficos e os testes disponíveis têm limitações relevantes³˒⁴.
A melhor estratégia passa por uma abordagem integrada: suspeita clínica adequada, uso criterioso dos testes respiratórios, identificação dos fatores predisponentes, tratamento individualizado, correção nutricional e prevenção de recidivas¹˒²˒¹¹. À medida que a investigação sobre microbioma, metabolómica e arqueias intestinais evolui, é provável que surjam métodos diagnósticos mais precisos e terapias mais personalizadas⁵˒²⁹˒³⁰.
Principais mensagens a reter
✓ O SIBO corresponde a crescimento excessivo de microrganismos no intestino delgado¹˒². ✓ Os sintomas mais comuns são inchaço, gases, dor abdominal, diarreia e obstipação¹˒². ✓ O metano está frequentemente associado à obstipação³˒²². ✓ Os testes respiratórios são úteis, mas têm limitações³˒⁴. ✓ A rifaximina é o antibiótico mais estudado¹˒¹⁰. ✓ A dieta Low-FODMAP pode melhorar sintomas, mas não deve ser permanente¹⁹˒²⁰. ✓ As recidivas são frequentes se a causa subjacente não for corrigida¹¹.
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Chás, infusões e tisanas qual a influência das infusões e do chá na atividade terapêutica dos medicamentos? Quais as principais interações medicamentosas e efeitos adversos das infusões e chás? Qual a diferença entre chá, infusão e tisana?
Neste artigo vou descrever os principais chás, infusões e tisanas, quais as suas propriedades e interações medicamentosas. A lista de infusões ordenada alfabeticamente com os nomes científicos das plantas entre parênteses, para que possas já identificar a tua infusão habitual, é descrita de seguida:
Ashwagandha (Withania somnifera)
Barbas de Milho (Zea mays)
Camomila (Matricaria chamomilla ou Chamaemelum nobile)
Canela – Cinnamomum verum (canela-do-ceilão) ou Cinnamomum cassia (canela-cássia)
Carqueja (Baccharis trimera)
Cavalinha (Equisetum arvense)
Cidreira (Melissa officinalis)
Cogumelo juba-de-leão (Hericium erinaceus)
Equinácea (Echinacea purpurea, Echinacea angustifolia ou Echinacea pallida)
Erva-doce (Foeniculum vulgare)
Erva de São Roberto (Geranium robertianum)
Flor de Laranjeira (Citrus aurantium)
Flor de Tília (Tilia cordata ou Tilia platyphyllos)
Frutos Vermelhos (diversas espécies, geralmente Rubus idaeus ou Vaccinium spp.)
Pau d’Arco (Tabebuia impetiginosa ou Handroanthus impetiginosus)
Pés de Cereja (Prunus avium)
Quebra-Pedra (Phyllanthus niruri)
Sene (Cassia angustifolia)
Lista de chás referidos no artigo:
Chá verde (Camellia sinensis)
Chá preto (Camellia sinensis)
Chá branco (Camellia sinensis)
Chá Oolong (Camellia sinensis)
Chá de matcha (Camellia sinensis)
Chá imperial (mistura de Camellia sinensis com outras plantas)
Neste artigo vou tratar os seguintes temas:
Diferença entre chá, infusão e tisana
Plantas mais usadas
Propriedades terapêuticas
Interações com medicamentos
Melhores combinações de plantas para potenciar efeito terapêutico
Relaxamento e insónia (melhor tisana)
Digestão e alívio de cólicas (melhor tisana)
Imunidade melhorada (melhor tisana)
Desintoxicação e retenção de líquidos (melhor tisana)
Stress e ansiedade (melhor tisana)
Problemas renais e cálculos no rim ou pedra no rim (melhor tisana)
Resfriados e tosse (melhor tisana)
Obstipação ou intestino preso (melhor tisana)
Forma de preparação das tisanas
As cinco grandes mentiras sobre saúde
Chás infusões e tisanas qual a diferença?
Embora muitas pessoas acreditem ser a mesma coisa, grande parte das bebidas quentes a que chamamos chá são, na verdade, infusões. Os chás são bebidas feitas a partir de uma única planta, a Camellia sinenses, também conhecida como “Chá-da-Índia”. Assim, bebidas preparadas a partir de outras plantas como cidreira, camomila, erva doce, melissa ou especiarias, são classificadas como infusões.
Com a planta Camellia sinenses, é possível preparar uma enorme variedade de chás, que variam de acordo com o cultivo, nível de fermentação, coleta e preparação das folhas. No geral, os diversos tipos podem ser divididos em quatro grupos:
Chá oolong, de fermentação mediana com sabor intermediário;
Chá verde, levemente fermentado e com sabor suave;
Chá branco: produzido a partir de folhas jovens e tenras, não fermentado.
Já a infusão é o nome do processo que utiliza água fervente numa substância para extrair os seus princípios ativos e medicinais. Por exemplo, o denominado chá de camomila é na verdade uma infusão.
Chá
Origem: O chá propriamente dito vem da planta Camellia sinensis. As variedades de chá (preto, verde, branco, oolong) são todas derivadas dessa planta, com diferenças no processamento e oxidação das folhas.
Cafeína: O chá contém cafeína, com níveis que variam dependendo do tipo e do tempo de infusão.
Benefícios: Cada tipo de chá oferece diferentes benefícios para a saúde, como antioxidantes, que ajudam na prevenção de doenças.
Infusão
Origem: As infusões são feitas com uma variedade de plantas, ervas, flores, frutas e especiarias que não vêm da Camellia sinensis. Exemplos incluem camomila, hortelã, erva-cidreira, erva-doce e hibisco.
Cafeína: Geralmente, infusões não contêm cafeína, tornando-as uma boa opção para quem quer evitar esse estimulante.
Benefícios: Dependem dos ingredientes usados. Por exemplo, a camomila é conhecida por suas propriedades calmantes, enquanto a hortelã pode ajudar na digestão.
Preparação
Tanto chás quanto infusões são preparados com a imersão das folhas ou partes das plantas em água quente. No entanto, a temperatura da água e o tempo de infusão podem variar dependendo da planta para otimizar o sabor e as propriedades da bebida.
Em resumo, o chá vem exclusivamente da Camellia sinensis e pode conter cafeína, enquanto as infusões são mais diversificadas em termos de ingredientes e geralmente não contêm cafeína.
Tisanas
As tisanas são preparações feitas à base de ervas, flores, folhas, raízes, cascas ou frutos de plantas, geralmente preparadas através de infusão, decocção ou macerado em água quente ou fria. O termo é frequentemente usado como sinónimo de infusões, mas pode ter um significado mais amplo, englobando diferentes métodos de extração dos princípios ativos das plantas.
Características das Tisanas:
Sem cafeína – Ao contrário do chá (que vem da planta Camellia sinensis), as tisanas não contêm cafeína, tornando-as uma opção mais relaxante e versátil.
Diversidade de ingredientes – Podem incluir ervas medicinais (como camomila, hortelã), frutas secas, especiarias (como canela) e até flores (como hibisco ou lavanda).
Uso terapêutico – Muitas tisanas são utilizadas na medicina natural para tratar ou aliviar condições como ansiedade, insónia, problemas digestivos, resfriados e inflamações.
Preparação variada
Infusão – Para partes delicadas como folhas e flores.
Decocção – Para partes mais duras, como raízes e cascas.
Macerado – Deixar os ingredientes em água fria por horas (ideal para extrair certos compostos sensíveis ao calor).
Exemplos de Tisanas
Calmantes: Camomila, erva-cidreira, flor de laranjeira.
Digestivas: Hortelã, gengibre, erva-doce.
Diuréticas: Cavalinha, hibisco, barbas de milho.
Imunológicas: Pau d’arco, equinácea, gengibre com limão.
Benefício principal
As tisanas são altamente personalizáveis, podendo ser misturadas de acordo com o gosto ou a necessidade terapêutica de cada pessoa. Assim, as tisanas representam uma prática tradicional e natural de cuidado com a saúde e bem-estar.
Chás infusões e tisanas propriedades e efeitos adversos
Propriedades terapêuticas e interações com medicamentos
De seguida descrevo as propriedade medicinais mais relevantes e as interações medicamentosas mais perigosas.
O chá verde, rico em catequinas com forte ação antioxidante, pode interferir na eficácia de anticoagulantes, elevando o risco de formação de coágulos sanguíneos.
Anticoagulantes: Pode aumentar o risco de sangramentos devido à presença de vitamina K (especialmente chá verde).
Medicamentos para ansiedade e insónia: Pode aumentar os efeitos adversos devido à cafeína.
Infusões
Descrevo de seguida as principais infusões com efeitos medicinais, respetivas propriedades terapêuticas e interações medicamentosas.
Camomila
Camomila propriedades e efeitos adversos
Propriedades: Calmante, anti-inflamatório, auxilia na digestão.
Interações com medicamentos :
A camomila, conhecida pelas suas propriedades digestivas e sedativas, pode potencializar os efeitos de anticoagulantes orais, aumentando o risco de hemorragias. Além disso, em doses elevadas, pode causar paralisia dos músculos lisos do aparelho digestivo, útero e bexiga.
Anticoagulantes/antiplaquetários: Pode aumentar o risco de sangramento.
Sedativos: Pode intensificar o efeito sedativo.
Antidepressivos: Pode potencializar os efeitos de medicamentos como os inibidores da MAO.
Cidreira
Cidreira propriedades e efeitos adversos
Propriedades: Calmante, melhora a digestão, alivia ansiedade.
Interações com medicamentos :
A Cidreira com o sedativo pentobarbital, potencializa o efeito do medicamento. Não é recomendado para hipotensos (pressão baixa).
Sedativos: Pode intensificar o efeito sedativo.
Tiróide: Pode interferir no funcionamento da tiróide em doses elevadas.
Flor de Tília
Tília propriedades e efeitos adversos
Propriedades: Calmante, diurético leve, ajuda na insónia, ansiedade e problemas respiratórios (tosse e resfriados).
Interações com medicamentos :
Sedativos – Pode intensificar o efeito sedativo.
Diuréticos – Pode aumentar o efeito diurético.
Limão
Limão propriedades e efeitos adversos
Propriedades: Refrescante, antioxidante, auxilia na digestão.
Interações com medicamentos:
Medicamentos para pressão arterial: Pode potencializar o efeito anti-hipertensivo.
Antiácidos: Pode alterar a absorção.
Sene
Sene propriedades e efeitos adversos
Propriedades: Laxante poderoso, usado para tratar obstipação.
Interações com medicamentos :
Laxantes: Pode causar perda excessiva de eletrólitos se usado com outros laxantes.
Diuréticos: Pode aumentar o risco de desequilíbrio eletrolítico.
Medicamentos cardíacos: Pode interferir devido à perda de potássio, afetando o funcionamento cardíaco.
A erva-de-São-João, frequentemente utilizada para tratar sintomas de depressão leve, pode interagir com antidepressivos, como a sertralina, levando a efeitos colaterais como sedação excessiva e depressão do sistema nervoso central.
Antidepressivos: Pode causar síndrome serotoninérgica se combinado.
Anticoncepcionais: Pode reduzir a eficácia.
Anticoagulantes: Pode diminuir a eficácia.
Imunossupressores: Pode reduzir a eficácia de medicamentos como a ciclosporina.
O chá de gengibre, embora popular por causa das suas propriedades anti-inflamatórias, pode aumentar o risco de sangramento quando consumido em grandes quantidades juntamente com anticoagulantes.
Anticoagulantes/antiplaquetários: Pode aumentar o risco de sangramento.
Hipoglicemiantes: Pode potencializar o efeito, causando hipoglicemia.
Jasmim
Jasmin propriedades e efeitos adversos
Propriedades: Relaxante, melhora o humor, antioxidante.
Interações com medicamentos : Pode potencializar o efeito de sedativos e ansiolíticos.
Anticoagulantes/antiplaquetários: Pode aumentar o risco de sangramento.
Diuréticos: Pode potencializar o efeito diurético.
Frutos Vermelhos
Frutos vermelhos framboesas propriedades e efeitos adversos
Propriedades: Antioxidante, anti-inflamatório, fortalece o sistema imunológico.
Interações com medicamentos: Geralmente, tem menos interações, mas em quantidades elevadas, pode interferir na absorção de certos medicamentos.
Cavalinha
Cavalinha propriedades e efeitos adversos
Propriedades: Diurético, adstringente, rico em sílica (bom para ossos e unhas), ajuda no tratamento de infeções urinárias e retenção de líquidos.
Interações com medicamentos:
Diuréticos: Pode intensificar o efeito, causando desequilíbrios eletrolíticos.
Antihipertensivos:Pode diminuir excessivamente a pressão arterial.
Lítio: Pode alterar a excreção do lítio, aumentando o risco de efeitos colaterais.
Flor de Laranjeira
lor de laranjeira propriedades e efeitos adversos
Propriedades: Calmante, sedativo leve, ajuda na ansiedade, insônia e problemas digestivos.
Interações com medicamentos :
Sedativos: Pode intensificar o efeito sedativo.
Antidepressivos: Pode interagir com inibidores da MAO (raro, mas possível).
Limonete (Erva-Luísa)
Limonete (Erva -Luísa) propriedades e efeitos adversos
Propriedades: Calmante, digestivo, antioxidante, alivia cólicas e problemas gastrointestinais.
Interações com medicamentos :
Sedativos:Pode potencializar o efeito sedativo.
Medicamentos gastrointestinais: Pode alterar o pH gástrico e interferir na eficácia de alguns medicamentos.
Macela Cabeças
Macela propriedades e efeitos adversos
Propriedades: Anti-inflamatório, calmante, digestivo, ajuda a aliviar dores de estômago e cólicas.
Interações com medicamentos :
Anticoagulantes:Pode aumentar o risco de sangramento.
Medicamentos gastrointestinais: Pode potencializar ou interferir no efeito.
Malvas
Malva propriedades e efeitos adversos
Propriedades: Emoliente, calmante, expetorante, ajuda em problemas respiratórios, digestivos e na inflamação das mucosas.
Interações com medicamentos :
Antidiabéticos: Pode interferir nos níveis de glicose no sangue.
Medicamentos respiratórios: Pode potencializar o efeito mucolítico.
Pau d’Arco
Pau D´’arco propriedades e efeitos adversos
Propriedades: Antifúngico, anti-inflamatório, antioxidante, fortalece o sistema imunológico, usado no tratamento de infeções e doenças crónicas.
Interações com medicamentos :
Anticoagulantes: Pode aumentar o risco de sangramento.
Imunossupressores:Pode reduzir a eficácia.
Antidiabéticos: Pode interferir nos níveis de glicose.
Quebra-Pedra
Quebra-pedra propriedades e efeitos adversos
Propriedades: Diurético, ajuda no tratamento de cálculos renais, anti-inflamatório, protetor hepático.
Interações com medicamentos:
Diuréticos: Pode aumentar o efeito, causando desequilíbrios eletrolíticos.
Antihipertensivos: Pode reduzir excessivamente a pressão arterial.
Medicamentos para diabetes: Pode potencializar a hipoglicemia.
Equinácea
Equinácea propriedades e efeitos adversos
Propriedades:
Fortalece o sistema imunitário;
Previne e trata resfriados e gripes;
Antiviral e antibacteriano;
Anti-inflamatório, útil em infecções respiratórias e problemas de pele.
Interações com medicamentos:
Imunossupressores;
Pode reduzir a eficácia de medicamentos como ciclosporina, tacrolimus e corticosteroides;
Medicamentos para alergias: Pode aumentar o risco de reações alérgicas em pessoas sensíveis;
Anticoagulantes/antiplaquetários: Pode interferir na coagulação, aumentando o risco de hemorragias;
Observação: Não é recomendado para uso prolongado (geralmente até 10-14 dias) ou para pessoas com doenças autoimunes.
Canela
Canela propriedades e efeitos adversos
Propriedades:
Antioxidante;
Anti-inflamatória e antimicrobiana;
Ajuda no controle da glicemia (reduz os níveis de açúcar no sangue);
Estimula a circulação e pode ajudar na digestão.
Interações com medicamentos:
Anticoagulantes (ex.: varfarina);
Pode aumentar o risco de sangramentos, especialmente com o uso de Cinnamomum cassia devido ao alto teor de cumarina;
Medicamentos para diabetes – pode potencializar a redução de glicemia, causando hipoglicemia;
Antibióticos e hepatotóxicos – pode sobrecarregar o fígado em doses elevadas ou prolongadas;
Observação: O consumo em quantidades moderadas é seguro; evite o uso excessivo, especialmente da canela-cássia.
Lavanda
Lavanda propriedades e efeitos adversos
Propriedades
Calmante, sedativa e relaxante;
Ajuda na ansiedade, insônia e tensão nervosa;
Antiespasmódica, útil para aliviar dores musculares e cólicas;
Antisséptica, pode ser usada externamente para pequenas feridas e irritações na pele.
Interações com medicamentos:
Sedativos (ex.: benzodiazepinas, barbitúricos);
Pode intensificar o efeito sedativo, causando sonolência excessiva;
Antidepressivos:Pode potencializar o efeito calmante, o que pode levar à sonolência;
Anticonvulsivantes: Pode interferir na eficácia ou intensificar os efeitos de medicamentos para convulsões;
Observação: Geralmente segura quando consumida em doses moderadas. Evitar o uso excessivo em crianças pequenas e mulheres grávidas sem orientação.
Carqueja
Carqueja propriedades e efeitos adversos
Propriedades:
Digestiva;
Hepatoprotetora (auxilia na proteção e desintoxicação do fígado);
Diurética (ajuda na eliminação de líquidos e no funcionamento renal).
Anti-inflamatória e antioxidante;
Ajuda a reduzir os níveis de glicose no sangue e é utilizada tradicionalmente no controle da diabetes.
Interações com medicamentos:
A Carqueja potencia o efeito do lítio (usado em medicamentos que controlam a depressão);
Medicamentos para diabetes: Pode potencializar a redução da glicose, causando hipoglicemia;
Anticoagulantes: Pode aumentar o risco de sangramento devido às suas propriedades circulatórias;
Anti-hipertensivos: Pode intensificar o efeito, levando à hipotensão.
Louro
Louro propriedades e efeitos adversos
Propriedades:
Digestiva (ajuda em casos de má digestão e gases);
Antisséptica;
Antimicrobiana;
Anti-inflamatória, útil para aliviar dores articulares;
Calmante, podendo ajudar em situações de ansiedade leve.
Interações com medicamentos
Sedativos;
Pode aumentar a sonolência quando combinado com medicamentos como benzodiazepinas;
Anticoagulantes: Pode interferir na coagulação, aumentando o risco de hemorragias;
Antidiabéticos: Pode reduzir a glicose no sangue, exigindo monitorização para evitar hipoglicemia.
Ashwagandha
Ashwagandha propriedades e efeitos adversos
Propriedades:
Adaptogénica, ajuda o corpo a lidar com o estresse.
Reduz a ansiedade e melhora a qualidade do sono.
Aumenta a energia, reduzindo o cansaço.
Anti-inflamatória, útil para dores musculares e articulares.
Interações com Medicamentos:
Sedativos: Pode intensificar os efeitos de medicamentos para ansiedade e insónia.
Imunossupressores: Pode interferir, já que estimula o sistema imunológico.
Medicamentos para a tiroide: Pode potencializar o efeito de medicamentos para hipotireoidismo, causando hiperatividade da tiroide.
Observação: Deve ser evitada por grávidas ou lactantes sem orientação médica.
Cogumelo juba-de-leão (Lion’s Mane)
Cogumelo juba-de-leão (Lion´s Mane) propriedades e efeitos adversos
Propriedades:
Neuroprotetora (ajuda a melhorar a memória e a cognição).
Estimula a produção de fator de crescimento nervoso (NGF), auxiliando na regeneração neuronal.
Anti-inflamatória e antioxidante.
Melhora a saúde gastrointestinal.
Interações com Medicamentos:
Antidepressivos: Pode potencializar os efeitos devido à estimulação da regeneração nervosa.
Medicamentos imunossupressores: Pode interferir devido ao efeito estimulante no sistema imunológico.
Anticoagulantes: Pode aumentar o risco de sangramento.
Observação: Geralmente bem tolerado, mas deve ser consumido com precaução em pessoas com condições autoimunes.
Matcha (chá)
Nome Científico:Camellia sinensis (derivado das folhas do chá verde, moídas em pó)
Propriedades:
Rico em antioxidantes (catequinas) que combatem o envelhecimento celular.
Aumenta a energia e a concentração devido ao teor de cafeína e L-teanina.
Auxilia no metabolismo e pode ajudar na perda de peso.
Melhora a função cerebral e é anti-inflamatório.
Interações com Medicamentos:
Estimulantes (ex.: anfetaminas): Pode aumentar a frequência cardíaca e a pressão arterial.
Anticoagulantes: O teor de vitamina K pode reduzir a eficácia de medicamentos como a varfarina.
Antidepressivos: Pode interagir com medicamentos que atuam no sistema nervoso central.
Observação: Evitar o consumo em excesso para prevenir insónia, palpitações ou irritabilidade.
Chá Imperial
Propriedades: Pode variar dependendo da composição, mas geralmente inclui uma mistura de ervas como chá verde, ginseng, jasmim, etc., focando em benefícios como antioxidantes, melhora da energia e da função cerebral.
Interações: Depende dos ingredientes específicos. Pode ter interações semelhantes às do chá verde (cafeína, anticoagulantes) e ginseng (anticoagulantes, estimulantes).
Essas infusões, especialmente as mais potentes como o sene e o barbas de milho, devem ser usadas com cautela, especialmente em combinação com medicamentos. Consultar um profissional de saúde antes de incluí-las na rotina é sempre recomendável para evitar interações adversas.
Tisanas – combinações terapêuticas
Aqui estão algumas sugestões de combinações de tisanas específicas para diferentes finalidades. Cada uma delas é composta por ingredientes que trabalham em sinergia para promover os efeitos desejados:
Relaxamento e Insónia 🌙
Ingredientes:
Camomila (Matricaria chamomilla ou Chamaemelum nobile)
Erva-cidreira (Melissa officinalis)
Flor de laranjeira (Citrus aurantium)
Lavanda (Lavandula angustifolia) (opcional, para aroma e efeito relaxante)
Modo de preparação: Faça uma infusão de 1 colher de chá de cada erva em 250 ml de água quente por 5-7 minutos. Beba antes de dormir.
Digestão e alívio de Cólicas 🍵
Ingredientes:
Hortelã-pimenta (Mentha piperita)
Erva-doce (Foeniculum vulgare)
Gengibre (Zingiber officinale)
Limonete (Aloysia citrodora)
Modo de preparação: Use 1 colher de chá de cada ingrediente em 300 ml de água quente. Deixe em infusão por 5-8 minutos. Pode tomar após as refeições.
Imunidade melhorada 💪
Ingredientes:
Pau d’arco (Tabebuia impetiginosa)
Gengibre (Zingiber officinale)
Hibisco (Hibiscus sabdariffa)
Canela em pau (Cinnamomum verum)
Modo de preparação: Faça uma decocção: ferva 1 colher de chá de pau d’arco e canela por 10 minutos. Retire do fogo, adicione gengibre e hibisco e deixe em infusão por 5 minutos. Coe e beba quente.
Desintoxicação e retenção de líquidos 💧
Ingredientes:
Cavalinha (Equisetum arvense)
Barbas de milho (Zea mays)
Hibisco (Hibiscus sabdariffa)
Pés de cereja (Prunus avium)
Modo de preparação: Faça uma infusão de 1 colher de chá de cada ingrediente em 500 ml de água quente por 8-10 minutos. Beba ao longo do dia.
Stresse e ansiedade 🌼
Ingredientes:
Flor de tília (Tilia cordata)
Jasmim (Jasminum officinale)
Camomila (Matricaria chamomilla)
Limonete (Aloysia citrodora)
Modo de preparação: Use 1 colher de chá de cada erva em 300 ml de água quente. Infusão por 5-7 minutos. Adoce com mel, se desejar.
Problemas renais e cálculos (Pedras nos Rins) 💎
Ingredientes:
Quebra-pedra (Phyllanthus niruri)
Cavalinha (Equisetum arvense)
Barbas de milho (Zea mays)
Modo de preparação: Faça uma infusão de 1 colher de chá de cada erva em 300 ml de água quente por 8 minutos. Tome 2-3 vezes ao dia, conforme orientação médica.
Resfriados e tosse 🤧
Ingredientes:
Gengibre (Zingiber officinale)
Malvas (Malva sylvestris)
Erva-doce (Foeniculum vulgare)
Canela em pau (Cinnamomum verum)
Modo de preparação: Ferva gengibre e canela por 10 minutos. Retire do fogo, adicione malvas e erva-doce, e deixe em infusão por 5 minutos. Beba quente.
Regular o intestino (obstipação) 🌱
Ingredientes:
Sene (Cassia angustifolia) (usar com moderação)
Erva-doce (Foeniculum vulgare)
Hortelã (Mentha spicata)
Modo de preparação: Use 1 colher de chá de cada erva em 300 ml de água quente. Infusão por 5-7 minutos. Tome ocasionalmente, pois o uso contínuo do sene pode causar dependência.
Concluindo
Estas combinações de plantas em chá, infusão ou tisana, devem ser ajustadas ao teu gosto e necessidades terapêuticas, sendo sempre recomendável consultar o médico ou farmacêutico antes de usar ervas para qualquer condição de saúde que te afete, especialmente se está grávida, se tem diagnósticos de doenças graves, se toma algum medicamento importante e/ou é um polimedicado ou seja se toma 4 ou mais medicamentos, para que se analise possíveis interações com as plantas, que tanto podem aumentar como diminuir o efeito terapêutico desses medicamentos.
Vitaminas para o cérebro fadiga e cabelo quais as mais importantes? Quais os minerais mais relevantes? O que são exatamente as vitaminas e para que servem? Quando devo tomar um suplemento? Qual o melhor suplemento vitamínico? O excesso de vitaminas que problemas pode causar? Quais os sintomas de falta e de excesso?
Na minha prática profissional quase diariamente alguém me pede vitaminas para o cérebro e cansaço, mas serão mesmo necessárias? Para conseguir ajudar corretamente preciso de descobrir, antes de mais, o tipo de alimentação que têm, os suplementos que tomam, quais os sintomas para os quais procuram ajuda e os medicamentos que estão a tomar pois alguns, de facto, podem causar deficiência vitamínica.
No entanto antes de tudo isso deixo claro que o fator mais relevante, estruturante e decisivo para para o nosso cérebro e para um bom desempenho cognitivo é a qualidade do nosso sono… sem o qual não existem vitaminas ou minerais que possam fazer milagres!
A neurocientista dinamarquesa Maiken Nedergaard, descobriu, no nosso cérebro, o que designou de sistema glinfático, responsável pela “limpeza” diária do nosso cérebro e que ocorre durante a fase de sono profundo. Saiba tudo sobre este assunto no meu artigo sobre os segredos do sono, clicando na imagem abaixo.
Deficiência vitamínica causada por fármacos e drogas
As vitaminas e minerais mais importantes para o cérebro
O que faz bem ao cérebro
As cinco grandes mentiras sobre saúde
As cinco grandes mentiras sobre saúde
Vitaminas o que são?
As vitaminas e os minerais são considerados nutrientes essenciais, isto é, não podem ser sintetizados pelo organismo e, portanto, devem ser consumidos na dieta. No entanto se tivermos uma microbita intestinal equilibrada e saudável este geralmente incluiu bactérias produtoras de certas vitaminas.
O que são vitaminas? As vitaminas são chamadas de micronutrientes essenciais porque são necessárias ao organismo em pequenas quantidades em inúmeras reações químicas que incluem desde o metabolismo de hidratos de carbono, proteínas e gorduras, passando pela manutenção de um bom sistema imunitário, estabilidade do sistema nervoso central e até ás funções de reparação de DNA nas nossas células.
Sem as vitaminas estas reações químicas essenciais não se realizam ou ficam descompensadas causando com o tempo diversas doenças, algumas bastante graves! O organismo não armazena a maioria das vitaminas, nomeadamente as hidrossolúveis como as do complexo B (exceto a B12) e vitamina C. A deficiência dessas vitaminas geralmente desenvolve-se em semanas a meses. Portanto, as pessoas devem consumi-las regularmente.
Quantas vitaminas existem?
Atualmente a lista contém 20 vitaminas. O complexo de vitaminas B contém 8, o complexo de vitaminas K contém 5, o complexo de vitaminas D contém 4 e as vitaminas A, E e C completam a lista, conforme descrevo de seguida:
Vitamina A (retinol);
Vitamina D ou D3 (colecalciferol), D2, D4 e D5;
Vitamina E (tocoferol);
Vitamina K (naftoquinona), K1, K2, K3 e K4;
Vitamina C (ácido ascórbico);
Vitamina B1 (tiamina);
Vitamina B2 (riboflavina);
Vitamina B3 (niacina, vitamina PP, ácido nicotínico ou nicotinamida);
Vitamina B5 (ácido pantoténico);
Vitamina B6 (piridoxina, piridoxal ou piridoxamina);
Vitamina B7, B8 ou H (biotina);
Vitamina B9 (ácido fólico);
Vitamina B12 (cianocobalamina).
As vitaminas são classificadas conforme a sua solubilidade na água. Assim dividem-se em:
Vitaminas hidrossolúveis – Vitamina C e os oito membros do complexo da vitamina B;
Vitaminas lipossolúveis – Vitaminas A, D, E e K.
Apenas as vitaminas A, E e B12 são armazenadas em grande quantidade no corpo.
Microbioma e vitaminas
As bactérias do cólon são responsáveis por sintetizar vitaminas, sobretudo, a tiamina (B1), a B12, a biotina (B7), o ácido fólico (B9), e a vitamina K e fermentam hidratos de carbono indigeríveis (fibras) em ácidos gordos de cadeia curta que constituem fontes de energia para o hospedeiro (Gerritsen et al., 2011; Prakash, 2011).
As bactérias residentes do trato gastrintestinal contribuem para preservar parte da energia contida nos hidratos de carbono indigeríveis da dieta como a celulose, hemicelulose e pectina, metabolizando os mesmos em ácidos gordos que são fontes de energia para as células do epitélio intestinal e facilitam a absorção de sódio e água, além de sintetizarem proteínas e vitaminas do complexo B (Prakash, 2011).
As vitaminas são essenciais em inúmeras funções vitais do nosso corpo. Nas tabelas seguintes descrevo:
Todas as vitaminas que existem;
Funções;
Alimentos onde existem;
Doenças provocadas pela falta de vitaminas;
Ingestão diária recomendada;
Toxicidade ou limite superior de segurança.
Atualmente as vitaminas B4, B10 já não são consideradas vitaminas por não serem essenciais e a vitamina B11 não existe. a tabela seguinte descreve então as funções mais relevantes de cada vitamina no nosso organismo.
Vitamina
Funções mais relevantes
A (retinol ou axeroftol)
Mucosas, pele, imunidade e visão. – Necessária para formar células nervosas sensíveis à luz (fotorreceptores) na retina, ajudando a manter a visão noturna; – Ajuda a manter a saúde da pele, da córnea e do revestimento dos pulmões, do intestino e do trato urinário; – Ajuda a proteger contra infeções; – Formação de rodopsina (um pigmento fotorreceptor na retina); – Integridade do epitélio; – Estabilidade do lisossoma; – Síntese de glicoproteína (união de uma proteína com um hidrato de carbono. As glicoproteínas estão muitas vezes presentes na superfície das células, como proteínas da membrana plasmática ou como parte da matriz extracelular e desempenham um papel crítico nas interações entra células e nos mecanismos de infeção por vírus e bactérias.
D ou D3 (colecalciferol) D2 (ergocalciferol) D4 (diidroergocalciferol) D5
Coração, dentes, músculos e imunidade. – Promove a absorção de cálcio e fósforo a partir do intestino; – Necessária para a formação, crescimento e reparação (mineralização) dos ossos; – Fortalece o sistema imunológico e reduz o risco de doenças autoimunes. – Função reguladora do metabolismo da insulina (deficiência pode diminuir a resistência à insulina); – Função reguladora do bom funcionamento da tiroide;
E (tocoferol)
Células. – Antioxidante intracelular; – Remove os radicais livres nas membranas biológicas.
K (naftoquinona) K1 (filoquinona) K2 (menaquinonas) K3 (menadiona) K4 (menadiol)
Coagulação, ossos, coração e dentes. – Auxilia na formação de protrombina, outros fatores de coagulação sanguínea e, portanto, é necessária para a normal coagulação do sangue. – Necessária para a saúde dos ossos, dentes e outros tecidos.
B1 (tiamina)
Cérebro, coração e energia. – Necessária para o metabolismo dos hidratos de carbono, glicose, aminoácidos e proteínas, gorduras e álcool; – Funcionamento normal dos nervos (função celular nervosa central e periférica) e do coração (função miocardia).
B2 (riboflavina)
Células, cérebro, coração, energia e visão. – Vários aspectos do metabolismo dos hidratos de carbono e proteínas; – Integridade da mucosa. (ex: mucosa bucal).
B3 (niacina, vitamina PP, ácido nicotínico ou nicotinamida)
Mucosas, pele, cérebro e energia. – Metabolismo celular de hidratos de carbono, de gorduras e muitas outras substâncias, para o funcionamento normal das células; – Reações de oxidação e redução.
B4 ou Adenina Atualmente não é considerada uma vitamina
B5 (ácido pantoténico)
Cérebro e energia. – Necessário para o metabolismo de hidratos de carbono, proteínas e gorduras. É essencial na síntese da coenzima A, sendo por isso uma vitamina essencial no metabolismo dos mamíferos.
B6 (piridoxina, piridoxal, piridoxamina )
Cérebro, coração, energia e imunidade. – Necessária para o metabolismo de hidratos de carbono, aminoácidos e gorduras, para o funcionamento normal dos nervos, para a formação de glóbulos vermelhos e para uma pele saudável; – Importante em muitos aspectos do metabolismo do nitrogênio (p. ex., transaminação, síntese heme e porfirina, conversão do triptofano em niacina) – Biossíntese de ácido nucleico.
B7 ou B8 ou H (biotina)
Digestão, mucosas, pele, unhas e energia. Essencial a todos os organismos. Alguns conseguem sintetizá-la, como algumas estirpes de bactérias, leveduras, fungos, algas e certas espécies de plantas. – Necessária para o metabolismo de carboidratos e ácidos gordos. Funciona como uma coenzima no metabolismo das purinas e dos hidratos. – Atua na formação da pele, unhas e cabelo,.
B9 (ácido fólico)
Digestão, cérebro, coração, energia, imunidade e reprodução. – Necessária para a formação dos glóbulos vermelhos do sangue (maturação dos eritrócitos) para a síntese do DNA e do RNA e para o desenvolvimento normal do sistema nervoso no feto; – Síntese de purinas, pirimidinas e metionina;
B10 (ácido 4-aminobenzoico) Atualmente não é considerada uma vitamina
B11 não existe
B12 (cianocobalamina)
Cérebro, coração e imunidade. – Necessária para a formação e maturação dos glóbulos vermelhos do sangue, para o funcionamento dos nervos e para a síntese do DNA. – Síntese e reparação de mielina. A bainha de mielina é uma membrana protetora essencial do axónio que é uma parte relevante das células nervosas.
C (ácido ascórbico)
Células, mucosas, pele, unhas, coração, dentes, músculos, imunidade e energia. – Necessária para a formação, crescimento e reparação dos ossos, pele e tecido conjuntivo; – Melhora a cicatrização de feridas e queimaduras. É importante para o funcionamento normal dos vasos sanguíneos; – Atua como um antioxidante, protegendo as células contra danos causados pelos radicais livres; – Ajuda o organismo a absorver o ferro; – Formação de colagénio; – Síntese de aminoácidos, hormonas e carnitina;
A maior parte das vitaminas encontram-se quer na carne quer nos vegetais. No entanto algumas só se encontram na quantidade saudável necessária a nossa alimentação incluir carne e vegetais.
Assim, se não comer carne, por exemplo se for vegan, dificilmente conseguirá um aporte saudável de vitamina B12. Por outro lado se não comer vegetais, por exemplo se seguir uma dieta carnívora, dificilmente conseguirá ingerir a quantidade necessária de vitamina C.
Vitaminas
Fontes alimentares
A (retinol)
Como vitamina pré-formada: óleos de fígado de peixe, fígado, gemas de ovos, manteiga, produtos lácteos enriquecidos com vitamina A Como carotenoides pró-vitamina: vegetais verdes escuros e amarelos, cenoura e frutas amarelas e laranjas
D (colecalciferol)
Irradiação direta da pele por ultravioleta B (fonte principal); derivados do leite enriquecidos (principal fonte dietética), óleos de fígado de peixe, peixes gordos, fígado
E (tocoferol)
Óleos vegetais (prefira azeite extra virgem) e oleaginosas como nozes, amêndoas, avelãs, castanha de caju, castanha do Pará, pistáchios e macadâmia.
K (naftoquinona)
Vegetais folhosos verdes (em especial couve, espinafre e saladas verdes), soja, óleos vegetais Bactérias do trato gastrointestinal após o período neonatal.
B1 (tiamina)
Grãos integrais, carnes (em especial porco e fígado), cereais enriquecidos, oleaginosas, legumes, batatas.
Fígado, carne vermelha, peixe, aves, legumes, pães e cereais de grãos integrais ou enriquecidos.
B5 (ácido pantoténico)
Fígado, carne, gema de ovo, levedura, batatas, brócolos e cereais integrais. O termo pantoténico tem origem no grego “pantos” significando “em toda a parte”. Assim, a vitamina B5 encontra-se na maioria dos alimentos de origem vegetal e animal. A B5 também pode ser sintetizada pelas bactérias intestinais.
No que concerne à tabela acima descrita e nomeadamente a fontes alimentares a minha opinião é clara e pode ser resumida nos seguintes pontos mais relevantes:
Inclua nas refeições diversidade de alimentos de produção biológica/orgânica quer de origem animal quer de origem vegetal, em quantidades sempre moderadas;
Exclua todos os alimentos processados;
Coma muito pouco (ou nenhum) pão, cereais, sementes e leite;
Não exagere na fruta por causa do excesso de frutose;
Coma poucas vezes por dia, de preferência apenas duas refeições;
Se não tiver doenças graves, todos os dias faça pelo menos 12 a 16 horas de jejum (incluindo as horas de sono), mas comece de forma moderada se não estiver habituado. Se tiver alguma doença crónica e/ou grave deve, obviamente, falar com o seu médico e pedir o seu apoio, desde que este tenho um conhecimento atualizado sobre os benéficos do jejum (a maioria infelizmente vai dizer que é muito perigoso!). Se a resposta for negativa ouça uma segunda opinião médica mas pergunte qual o suporte científico dessa decisão. Se ambas as opiniões médicas forem negativas aceite e esqueça o jejum.
As vitaminas são uma parte vital de uma dieta saudável. Foi determinada a ingestão diária recomendada (IDR) para a maioria das vitaminas, ou seja, a quantidade diária que a maioria das pessoas saudáveis precisa para se manter saudável. Para algumas vitaminas, foi determinado um limite superior de segurança (nível superior de ingestão tolerado). O consumo que excede esse nível aumenta o risco de ocorrência de um efeito prejudicial (toxicidade).
A falta de vitaminas pode provocar doenças graves mas o seu excesso, a hipervitaminose, também esconde muitos perigos! A tabela seguinte descreve as doenças provocadas pela falta de vitaminas.
Vitaminas
Efeitos da deficiência e do excesso (toxicidade)
A (retinol)
Deficiência: Cegueira noturna, hiperqueratose peri folicular, xeroftalmia, queratomalacia, aumento da morbidade e mortalidade em crianças mais novas. Toxicidade: Queda de cabelo, lábios rachados, pele seca, enfraquecimento dos ossos, dores de cabeça, elevações dos níveis de cálcio no sangue e um distúrbio raro caracterizado pelo aumento da pressão dentro do crânio, denominado hipertensão intracraniana idiopática e hepatoesplenomegalia.
D (colecalciferol)
Deficiência: Raquitismo (às vezes com tetania), osteomalacia. Toxicidade: Hipercalcemia (cálcio elevado no sangue), calcificação das artérias, anorexia, falência renal, calcificação metastática.
E (tocoferol)
Deficiência: Hemólise de eritrócitos, deficites neurológicos. Toxicidade: Tendência a sangramento.
K (naftoquinona)
Deficiência: Sangramento decorrente de deficiência de protrombina e outros fatores, osteopenia.
B1 (tiamina)
Deficiência: Beribéri (neuropatia periférica, insuficiência cardíaca), síndrome de Wernicke-Korsakoff e psicose de Korsakoff.
Deficiência: Anemia megaloblástica, defeitos do tubo neural no nascimento, confusão.
B5 (ácido pantoténico)
Deficiência: Está presente na maioria dos alimentos, por isso a carência é rara. Nestes casos os sintomas serão náuseas, vómitos, diarreia, dores abdominais, alopécia, fadiga e dor de cabeça. Toxicidade: Rara. Transtornos gastrointestinais e probabilidade de hemorragias quando tomado em simultâneo com antiagregantes plaquetários (salicilatos).
Deficiência: Rara mas pode originar alopécia, letargia e ataxia. Ocorre geralmente em três situações, são elas a alimentação parentérica prolongada sem suplemento de biotina, lactentes alimentados com leite em pó sem biotina e consumo de clara do ovo crua por um período prolongado. A clara do ovo contém uma glicoproteína, chamada avidina que se liga à biotina com grande afinidade e impede a sua absorção. Quando a clara é cozinhada, a avidina sofre alterações e perde essa capacidade de ligação à biotina.
B9 (ácido fólico)
Deficiência: Anemia megaloblástica, defeitos do tubo neural no nascimento, confusão.
As vitaminas A, D, E, B3, B6, B9 e C apresentam uma dosagem limite superior de segurança. Quando esta dosagem diária máxima é ultrapassada pode causar toxicidade e doenças associadas.
Vitaminas
Ingestão diária recomendada (IDR) num adulto
Limite superior de segurança
A (retinol)
700 microgramas para mulheres 900 microgramas para homens 770 microgramas para gestantes 1.300 microgramas para mulheres a amamentar
3.000 microgramas
D (colecalciferol)
600 UI para pessoas de 1 a 70 anos 800 UI para pessoas com mais de 70 anos
4.000 UI (unidades internacionais)
E (tocoferol)
15 miligramas (22 unidades de natural ou 33 unidades de sintética) 19 miligramas para mulheres a amamentar
1.000 miligramas
K (naftoquinona)
90 microgramas para mulheres 120 microgramas para homens
B1 (tiamina)
1,1 miligramas para mulheres 1,2 miligramas para homens 1,4 miligramas para gestantes ou mulheres que estejam a amamentar
B2 (riboflavina)
1,1 miligramas para mulheres 1,3 miligramas para homens 1,4 miligramas para gestantes 1,6 miligramas para mulheres a amamentar
B3 (niacina)
14 miligramas para mulheres 16 miligramas para homens 18 miligramas para gestantes 17 miligramas para mulheres a amamentar
35 miligramas
B5 (ácido pantoténico)
5 miligramas (mas a QDR não foi estabelecida) 6 miligramas para gestantes 7 miligramas para mulheres a amamentar
B6 (piridoxina)
1,3 miligramas para mulheres e homens mais jovens 1,5 miligramas para mulheres com mais de 50 anos 1,7 miligramas para homens com mais de 50 anos 1,9 miligramas para gestantes 2,0 miligramas para mulheres a amamentar
100 miligramas
B7 ou B8 ou H (biotina)
30 microgramas (mas a QDR não foi estabelecida) 35 microgramas para mulheres a amamentar
B9 (ácido fólico)
400 microgramas 600 microgramas para gestantes 500 microgramas para mulheres a amamentar
1.000 microgramas
B12 (cianocobalamina)
2,4 microgramas 2,6 microgramas para gestantes 2,8 microgramas para mulheres a amamentar
C (ácido ascórbico)
75 miligramas para mulheres 90 miligramas para homens 85 miligramas para gestantes 120 miligramas para mulheres a amamentar 35 miligramas a mais no caso de fumadores
Deficiência vitamínica causada por fármacos e drogas
No geral, todos os medicamentos cujo princípio activo seja uma molécula estranha ao nosso corpo causam alguma deficiência vitamínica ou mineral que pode ser importante e originar outros problemas de saúde. Na tabela seguinte descrevo as carências vitamínicas mais conhecidas causadas por medicamentos importantes muito utilizados como antibióticos, antidiabéticos, antiácidos e outras substâncias que ingerimos.
Fármaco ou substância
Vitaminas afetadas
Álcool
Ácido fólico Tiamina Vitamina B6
Antiácidos (para o estômago) como bicarbonato de sódio, carbonato de cálcio, hidróxido de alumínio e hidróxido de magnésio.
Vitamina B12
Antibióticos, como a isoniazida, tetraciclina e sulfametoxazol/trimetoprim
Vitaminas do complexo B Ácido fólico Vitamina K
Anticoagulantes, como a varfarina (utilizados para evitar tromboses)
Vitamina E Vitamina K
Anticonvulsivantes, como fenitoína e fenobarbital (utilizados na epilépsia)
Biotina Ácido fólico Vitamina B6 Vitamina D Vitamina K
Antipsicóticos
Riboflavina Vitamina D
Barbitúricos, como o fenobarbital
Ácido fólico Riboflavina Vitamina D
Medicamentos quimioterápicos, como o metotrexato (utlilizados como anticancerígenos)
Ácido fólico
Colestiramina (capta o colesterol e transforma-o em ácidos biliares. Diminui o colesterol no sangue)
Vitamina A Vitamina D Vitamina E Vitamina K
Corticosteroides (utilizados em doenças autoimunes e inflamação)
Vitamina C Vitamina D
Cicloserina (antibiótico para tratar tuberculose)
Vitamina B6
Hidralazina (hipertensão arterial e pulmonar e insuficiência cardíaca congestiva)
Vitamina B6
Levodopa (antiparkinsónicos)
Vitamina B6
Óleo mineral (parafina ou vaselina liquida) se usado por prazo longo
Vitamina A Vitamina D Vitamina E Vitamina K
Metformina (antidiabético mais utilizado no mundo)
Ácido fólico Vitamina B12
Óxido nitroso se exposição repetida (anestésico fraco com efeito analgésico)
Vitamina B12
Contraceptivos orais (para evitar gravidez)
Ácido fólico Tiamina Vitamina B6
Penicilamina (anti-reumático e antiurolítico)
Vitamina B6
Fenotiazinas como a clorpromazina (antipsicóticos e neuroléticos)
Riboflavina
Primidona (anticonvulsivante)
Ácido fólico Vitamina D
Rifampicina (antibiótico usado na tuberculose)
Vitamina D Vitamina K
Sulfassalazina (antimicrobiano. Possui ação anti-reumatoide e também é utilizada na doença intestinal inflamatória crónica)
Ácido fólico
Hidroclorotiazida e diuréticos tiazídicos (hipertensão arterial e Insuficiência cardíaca inicial)
Riboflavina
Triantereno (diurético usado na hipertensão e edema)
Ácido fólico
Antidepressivos tricíclicos, como a amitriptilina e a imipramina
Vitaminas e minerais mais importantes para o cérebro?
As vitaminas e os minerais são nutrientes necessários ao funcionamento fisiológico normal. Muitas delas desempenham funções cruciais no cérebro numa variedade de processos. Mas será que são assim tão importantes ou existem outros fatores bem mais relevantes para a nossa saúde cerebral? Vamos por partes!
Vitamina B1 (tiamina)
Vitamina B1 ou tiamina, é uma coenzima do ciclo das pentoses fosfato, que é um passo necessário na síntese de ácidos gordos, esteroides, ácidos nucleicos e aminoácidos para neurotransmissores e outros compostos bioativos essenciais na função cerebral (Kerns et al., 2015). Desempenha um papel neuromodulador sobre o neurotransmissor acetilcolina e contribui para a estrutura e função das membranas celulares, incluindo neurónios e células da glia (Bâ, 2008).
Numa revisão de ensaios clínicos randomizados controlados envolvendo suplementação com tiamina na dose de 3 mg/dia, os resultados da função cognitiva foram inconsistentes. O tamanho pequeno da amostra e o desenho do estudo inadequado, tal como um estudo cruzado que não é recomendado para doenças progressivas como o Alzheimer, foram as principais causas para essa inconsistência (Rodríguez-Martín et al., 2001).
O limitado número de estudos e a falta de ensaios clínicos randomizados indicam que há evidência insuficiente para tirar conclusões acerca da influência da tiamina na função cognitiva em idosos saudáveis. São necessários melhores estudos coorte e experimentais concebidos nesta área (Koh et al., 2015).
Vitamina B2 (riboflavina)
Vitamina B2 ou riboflavina, é um poderoso antioxidante obtido a partir da carne e de produtos lácteos. Contudo, apesar dessa sua característica, há poucos estudos de neuroprotecção com riboflavina. A sua deficiência leva a sintomas como fadiga, mudança de personalidade e disfunção cerebral (Zempleni, 2007). Baixos níveis de vitaminas B estão associados ao aumento de homocisteína, conhecida por ter efeito neurotóxico direto (Ho et al., 2001).
Num estudo com população idosa coreana, a hiperhomocisteinémia manifestou-se como um fator de risco significativo para o declínio cognitivo. Na população com Alzheimer desse mesmo estudo, não se observou associação entre a função cognitiva e os parâmetros dietéticos. Por outro lado, nos participantes com défice cognitivo leve, a ingestão de vitamina B2 influenciou positivamente os testes de memória e de reconhecimento.
Já no grupo dos indivíduos saudáveis, não houve associação entre a ingestão de vitamina B2 e a função cognitiva. Contudo, sendo este estudo observacional, não pode provar a causalidade, para além de os resultados serem difíceis de interpretar e aplicar à população em geral, pois não foi usada uma amostra aleatória. Assim, são necessários mais estudos prospetivos para investigar a relação de causalidade entre a função cognitiva e a ingestão de vitamina B2 (Kim et al., 2014).
Vitamina B3 (niacina)
Vitamina B3 ou nicotinamida, tem sido extensivamente estudada como agente neuroprotetor. O tratamento com nicotinamida demonstrou melhoria sensorial, motora e cognitiva (Vonder Haar et al., 2011; Vonder Haar et al., 2014).
Com base na evidência em modelos animais, há um potencial considerável para o uso de nicotinamida em patologias neurológicas, todavia ainda há alguns fatores, nomeadamente o limite máximo para a toxicidade humana e a eficácia na população idosa e a longo prazo, que precisam de ser investigados antes de evoluir para os ensaios clínicos (Vonder Haar et al., 2013).
Vitamina B6 (piridoxina)
Vitamina B6 ou piridoxina, é essencial à síntese dos neurotransmissores dopamina e serotonina para além de reduzir os níveis de homocisteína, visto que o seu aumento está associado ao risco de doença cerebrovascular e possíveis efeitos tóxicos sobre os neurónios do SNC (Ford et al., 2012).
Estudos epidemiológicos indicam que um nível baixo de vitamina B6 é comum entre os idosos, sendo a hiperhomocisteinémia uma possível causa da demência. No entanto, numa revisão que incluiu ensaios duplamente cegos e cujo objetivo primário era avaliar a eficácia da suplementação de vitamina B6 na cognição, não foi encontrada evidência do seu benefício, a curto prazo, sobre o humor (sintomas de depressão, fadiga e tensão) ou nas funções cognitivas. (Malouf et al, 2003).
Também num ensaio multicêntrico e duplamente cego, cujo objetivo era a avaliação da eficácia e segurança da suplementação com vitaminas B, entre as quais a B6, não se observou o decréscimo do declínio cognitivo em doentes de Alzheimer (Aisen et al., 2008).
Deste modo, são necessários mais ensaios clínicos para explorar os possíveis benefícios da suplementação com esta vitamina em indivíduos saudáveis bem como com défice cognitivo e demência.
Vitamina B9 (ácido fólico)
Vitamina B9 ou ácido fólico, tem sido largamente estudado no que diz respeito aos seus efeitos na cognição, particularmente em idosos. Juntamente com a vitamina B6 e a B12, a vitamina B9 é um importante cofator no ciclo da homocisteína, que é crucial para inúmeros processos, incluindo a expressão de ADN e a síntese de creatina, melatonina e noradrenalina (Haar et al., 2015).
Num ensaio clínico randomizado, unicêntrico e controlado, envolvendo 180 indivíduos acima dos 65 anos, foram avaliados os efeitos da suplementação com ácido fólico na função cognitiva dessa mesma população. Nos 159 que completaram o ensaio, verificaram-se melhorias no ácido fólico sérico, na homocisteína e na vitamina B12 sérica.
De um modo geral, encontrou-se evidência do efeito benéfico da suplementação, a curto prazo, em dois testes de avaliação da função cognitiva. Num futuro próximo, será necessário realizar ensaios maiores, a longo prazo e cujo um dos resultados a avaliar seja a demência, a fim de se chegar a uma melhor conclusão (Ma et al., 2015).
Vitamina B12 (cianobalamina)
Vitamina B12 ou cianocobalamina, é necessária na metilação da homocisteína. A sua deficiência tem sido associada a doenças neurodegenerativas e comprometimento cognitivo, contudo o tratamento com suplementação de vitamina B12 não altera consideravelmente a função cognitiva em indivíduos com deficiência pré-existente (Moore et al., 2012). Por outro lado, o tratamento com vitamina B12 e ácido fólico, em indivíduos com comprometimento cognitivo, levou à diminuição da atrofia cerebral (Health Quality Ontario, 2013).
Há ainda uma grande necessidade de ensaios clínicos para compreender a natureza da associação de insuficiência de vitamina B12 com doença neurodegenerativa. As vitaminas B6, B9 e B12 são essenciais ao normal funcionamento do cérebro à medida que envelhecemos, como resultado da sua ação sobre o metabolismo da homocisteína e outros mecanismos.
Contudo, investigações até ao momento ainda não demonstraram evidência convincente do benefício da suplementação de vitaminas B na capacidade cognitiva, sendo prematuro concluir acerca desta terapia. São necessárias mais pesquisas para avaliar a dose ideal, a janela terapêutica e as diferenças individuais (Forbes et al., 2015).
Vitamina C (ácido ascórbico)
Vitamina C ou ácido ascórbico, é um antioxidante essencial no cérebro que exerce numerosas funções, incluindo a eliminação de ROS, neuromodulação e envolvimento na angiogénese. Estudos experimentais em animais apontam a vitamina C como um fator chave na prevenção do declínio cognitivo, tanto no envelhecimento como em doenças neurodegenerativas. Contudo, ensaios clínicos em humanos não têm sido capazes de confirmar os efeitos benéficos da suplementação e/ou intervenção da vitamina C, tendo como uma das principais razões a diferença dos critérios de inclusão.
Consequentemente, são necessários mais estudos usando a vitamina como única substância, ao invés de combinações de vitaminas, e focando subgrupos específicos com aumento da prevalência de deficiência de vitamina C (Hansen et al., 2014).
Vitamina E (tocoferol)
Vitamina E sob a forma de tocoferóis e tocotrienóis, desempenha um papel crucial na proteção do SNC, atuando como antioxidante. A evidência de que os radicais livres podem contribuir para os processos patológicos da função cognitiva, incluindo a doença de Alzheimer, levou ao aumento do interesse pela utilização de vitamina E no tratamento do défice cognitivo ligeiro (DCL) e da DA (Mangialasche et al., 2010).
Contudo, há também a evidência de que a vitamina E usada em doses elevadas é considerada tóxica (acima de 3000 UI/dia) e pode estar associada a sintomas como fadiga e distúrbios gastrointestinais, ou mesmo conduzir à mortalidade. Por outro lado, tem havido um aumento crescente de evidências de que a suplementação com esta vitamina, em doses terapêuticas, pode também causar efeitos adversos como o aumento da tendência para hemorragias e a potenciação do efeito da aspirina. (Farina et al., 2012; Miller et al., 2005).
No entanto, as conclusões acerca da eficácia da vitamina são baseadas apenas na forma alfa-tocoferol e, portanto, não é possível comentar acerca das outras formas, sendo necessárias investigações futuras acerca destas para encontrar provas convincentes de que a vitamina E é ou não benéfica no tratamento de demências (Farina et al., 2012).
Sódio (Na)
O sódio (Na) é consumido na forma de cloreto de sódio (NaCl) ou sal. Controla a função nervosa e muscular em estreita ligação com o potássio K) , mantendo o equilíbrio hídrico nas células e nos tecidos do nosso corpo. Nos países ocidentais, a maioria das pessoas ingere sal em excesso, por isso a deficiência de sódio é rara.
Precauções sobre o sódio
Obviamente o excesso de sódio (sal) é sabido que pode causar sérios problemas de hipertensão arterial, pelo que deve ser cuidadoso.
Potássio (K)
O potássio é essencial para a transmissão de impulsos nervosos, sendo um dos eletrólitos do corpo, que são minerais que carregam uma carga elétrica quando dissolvidos em líquidos corporais, como o sangue. O corpo precisa de potássio para as células nervosas e musculares funcionarem. Assim, os sinais iniciais de deficiência de potássio são geralmente apatia e fraqueza. Os alimentos de origem vegetal, geralmente, são boas fontes de potássio. Alguns bons exemplos são as bananas, oleaginosas, sementes, leguminosas, abacate, grãos integrais, frutos secos, tomates e batatas.
Precauções sobre o potássio
O excesso de potássio (hipercalémia) também pode interferir na função transmissora de impulsos nervosos. Por si só, o aumento da ingestão de potássio geralmente não causa hipercalemia, uma vez que os rins normais realizam um bom trabalho na excreção de qualquer potássio em excesso.
Regra geral, a hipercalemia resulta de diversos problemas simultâneos, tais como:
Distúrbios renais que impedem que os rins excretem potássio suficiente;
Medicamentos que impedem que os rins excretem quantidades normais de potássio (causa comum de hipercalemia leve);
Uma dieta rica em potássio;
Tratamentos que contenham potássio;
A causa mais comum da hipercalemia leve é o uso de medicamentos que diminuem o fluxo sanguíneo para os rins ou impedem que os rins excretem quantidades normais de potássio. Alguns exemplos são os seguintes:
Alisquireno (anti-hipertensivo);
Inibidores da enzima conversora de angiotensina (ECA), são dos anti-hipertensivos mais utilizados;
Bloqueadores dos recetores da angiotensina (anti-hipertensivos);
Ciclosporina (usada para prevenir a rejeição de órgãos transplantados);
Diuréticos que ajudam os rins a conservar potássio, como eplerenona, espironolactona e triantereno;
Medicamentos anti-inflamatórios não esteroides;
Tacrolimo (usado para prevenir a rejeição de órgãos transplantados)
Trimetoprima (antibiótico)
A insuficiência renal pode provocar hipercalemia grave. A doença de Addison também pode causar hipercalemia.
A hipercalemia leve causa poucos sintomas, ou nenhum. Às vezes, a pessoa pode apresentar fraqueza muscular. Em uma doença rara chamada paralisia periódica hipercalêmica familiar, a pessoa apresenta crises de fraqueza que podem progredir até a paralisia.
Quando a hipercalemia se torna mais grave, ela pode causar ritmos cardíacos anormais . Se os níveis estiverem muito altos, o coração pode parar de bater.
Cálcio (Ca)
O cálcio é essencial para promover o funcionamento adequado dos nervos e músculos porque está envolvido na condução de impulsos elétricos ao longo dos axónios das células nervosas. A sua deficiência, designada hipocalcemia, pode manifestar-se por espasmos musculares e fadiga generalizada. São boas fontes de cálcio o leite e derivados, hortaliças de folhas verde-escuras e sardinha em lata com a espinha.
Precauções sobre o cálcio
O hiperparatiroidismo é a causa mais comum de hipercalcémia (excesso de cálcio).
A ingestão de doses elevadas de cálcio durante algum tempo aumenta o risco de formação de pedra nos rins e pode originar insuficiência renal, calcificação dos tecidos moles e vasculares e hipercalciúria (níveis elevados de cálcio na urina).
Parte do cálcio absorvido é eliminado pela urina, fezes e suor, o que pode ser afetado pela ingestão de sódio (a ingestão de níveis altos de sódio aumenta a excreção de cálcio), consumo de cafeína (aumenta a excreção de cálcio) e álcool (reduz a absorção de cálcio).
O cálcio diminui a absorção de antibióticos, bifosfonatos (medicamentos para a osteoporose) e da levotiroxina (medicamento para a tiroide), por isso a toma destes medicamentos e de suplementos de cálcio deve ser separada por um intervalo de 2 horas.
Os antagonistas dos recetores H2 e os inibidores da bomba de protões diminuem a absorção de carbonato de cálcio e fosfato de cálcio. Sabe-se ainda que os glucocorticoides também diminuem a absorção de cálcio.
Os diuréticos, tal como as tiazidas (medicamentos para a hipertensão), aumentam o risco de hipercalcémia (excesso de cálcio) por aumento da reabsorção de cálcio nos rins.
Doses elevadas de cálcio em pessoas que tomam digoxina (medicamento para o coração) aumenta a probabilidade de alterações no ritmo cardíaco, por isso é preciso precaução nesta associação.
O cálcio será mais eficaz se for acompanhado das vitaminas A, C e D, ferro, magnésio e fósforo.
Magnésio (Mg)
O magnésio é um dos minerais mais importantes para o nosso organismo estando envolvido em mais de 300 reações essenciais do nosso corpo. O magnésio é importante para o funcionamento do hipocampo, que é uma parte do sistema límbico que controla o humor, a memória e a aprendizagem. Boas fontes de magnésio são por exemplo as oleaginosas, damascos secos, figos secos, aveia, farinha integral e extrato de levedura.
Precauções sobre o magnésio
No entanto a suplementação com magnésio deve ser cuidadosa pois pode causar sérios transtornos gastro intestinais, nomeadamente diarreias perigosas.
Ferro (Fe)
O ferro é essencial para a formação de hemoglobina nas hemácias. a hemoglobina é a substância que leva um fluxo constante de oxigênio para o cérebro. O consumo adequado melhora a função mental e o desempenho académico. Os sinais iniciais de deficiência de ferro são a fadiga e falta de concentração. Exemplos de boas fontes de ferro são a carne, os miúdos do animal, sardinha, gemas e hortaliças de folhas verde-escuras.
Precauções sobre o ferro
A suplementação com ferro deve ser cuidadosamente vigiada pelo médico pois o excesso de ferro pode ser muito perigoso por causa da sua enorme capacidade de oxidação. Na natureza pode observa-se esse poderoso fenómeno de oxidação com a ferrugem das peças compostas de ferro.
Zinco (Zn)
O zinco é um mineral essencial encontrado em alguns alimentos e suplementos. É necessária a sua ingestão diária uma vez que o nosso organismo não possui reservas deste mineral.
A importância do zinco na nutrição humana e na saúde pública foi conhecida há relativamente pouco tempo. A deficiência neste mineral foi descrita pela primeira vez em 1961, quando o consumo de dietas com baixa biodisponibilidade de zinco devido aos fitatos presentes nos alimentos foi associado ao nanismo. Assim, a deficiência em zinco foi reconhecida como um problema importante de saúde pública, principalmente nos países em desenvolvimento.
O zinco está envolvido inúmeras etapas do metabolismo celular. É essencial para a atividade de mais de 300 enzimas e tem um papel relevante nas seguintes funções e processos:
Função imunitária,
Síntese proteica,
Metabolismo dos hidratos de carbono,
Metabolismo dos lípidos,
Medeia o metabolismo de algumas vitaminas como a vitamina A (retinol), vitamina B6 (piridoxina) e vitamina B9 (folato ou ácido fólico),
Cicatrização de feridas,
Síntese do DNA,
Divisão celular e apoptose,
Libertação de hormonas como a testosterona,
Transmissão dos impulsos nervosos,
Promove a ação da insulina,
Essencial para os sentidos do olfato e paladar e tem propriedades antioxidantes,
Contribui ainda para o normal crescimento e desenvolvimento durante a gravidez, infância e adolescência.
A ingestão de zinco contribui ainda para uma normal função cognitiva, para uma fertilidade e reprodução normal, e para a manutenção de ossos, cabelo, unhas, pele e visão normais.
Fontes de zinco
O zinco pode ser encontrado numa grande variedade de alimentos tais como carne vermelha e de aves, feijão, nozes, marisco (ostras, caranguejo e lagosta), cereais enriquecidos, gérmen de trigo, levedura de cerveja, sementes de abóbora, ovos e laticínios.
Não existem estudos que permitam estabelecer o VRN, mas os seguintes valores garantem uma nutrição saudável:
Homens 11mg/dia,
Mulheres 8mg/dia.
Cuidado com os fitatos!
Os fitatos do pão integral, cereais, legumes e outros alimentos ligam-se ao zinco e inibem a sua absorção, por isso a biodisponibilidade do zinco a partir de cereais e vegetais é menor do que a partir de alimentos de origem animal.
Carência em zinco
Não são comuns os casos de deficiência em zinco. Quando ocorre regra geral deve-se à ingestão ou absorção inadequadas, aumento das perdas de zinco no organismo ou aumento das necessidades.
A carência em zinco pode ocorrer em casos de doenças associadas ao trato gastrointestinal, vegetarianismo, gravidez e amamentação, ou pessoas que sofrem de alcoolismo e caracteriza-se por atraso no crescimento, perda de apetite e função imunitária alterada.
Nos casos graves ocorre queda de cabelo, diarreia, infeções frequentes, desenvolvimento sexual retardado, impotência, hipogonadismo nos homens, danos nos olhos e pele, perda de peso, cicatrização de feridas demorada, alterações no paladar e letargia.
Uso terapêutico
Doentes com úlceras crónicas na perna apresentam alterações no metabolismo do zinco e baixos níveis deste mineral no sangue, assim, os médicos tratam as úlceras com suplementos de zinco.
A deficiência em zinco provoca uma alteração na resposta imunitária que contribui para uma maior susceptibilidade a infeções, o que pode aumentar a probabilidade de contrair diarreia, principalmente nas crianças. Por isso a OMS (Organização Mundial de Saúde) e a UNICEF (Fundo das Nações Unidas para a Infância) recomendam um suplemento diário de zinco de 20mg durante 10 a 14 dias para crianças com diarreia aguda e 10mg para bebés com menos de 6 meses de idade para reduzir a gravidade da situação e prevenir novas ocorrências nos 2-3 meses seguintes.
Nas constipações, foi demonstrado que o zinco é benéfico na redução da duração e gravidade em pessoas saudáveis, se usado nas primeiras 24 horas após o aparecimento dos sintomas. No entanto, são necessários mais estudos para determinar a dose, formulação e duração do tratamento para uma recomendação mais precisa.
Precauções
A toxicidade causada pelo zinco pode ser aguda ou crónica. Na fase aguda, podem ocorrer náuseas, vómitos, perda de apetite, dores abdominais, diarreia e dores de cabeça.
Na toxicidade crónica, teremos níveis baixos de cobre, alterações no ferro, redução da função imunitária e níveis reduzidos de HDL (colesterol bom).
Grandes quantidades de ferro nos suplementos podem diminuir a absorção de zinco, por isso os suplementos de ferro devem ser tomados no intervalo das refeições de modo a diminuir esta interação. Por outro lado, doses elevadas de zinco podem inibir a absorção de cobre.
A deficiência em zinco está associada a uma diminuição da libertação de vitamina A a partir do fígado. Assim, aumentando a ingestão de zinco, torna-se necessário aumentar também a ingestão de vitamina A.
Algumas substâncias inibem a absorção do zinco, tais como fibras, cálcio, magnésio, fósforo, ferro inorgânico e fitatos. Outras substâncias promovem a sua absorção, tais como a carne, metionina, cisteína, ácido cítrico e ácido láctico.
Alguns medicamentos podem diminuir os níveis de zinco, como é o caso da cisplatina, desferroxamina, diuréticos, IECAs (Inibidores da Enzima Conversora da Angiotensina) e valproato de sódio.
O zinco fortalece o sistema imunitário, por isso não deve ser tomado juntamente com medicamentos imunossupressores como corticosteroides ou ciclosporina.
O zinco reduz a absorção e a ação da penicilamina, por isso, os suplementos de zinco, devem ser tomados pelo menos 2 horas antes ou depois da toma de penicilamina.
O zinco atua melhor em associação com a vitamina A, cálcio e fósforo.
O que faz bem ao cérebro?
Desengane-se se considera que apenas um suplemento multivitamínico e mineral, por si só, vai resolver o problema de saúde do nosso cérebro pois este é demasiado complexo para uma abordagem tão simplista como gostaríamos! Para além das vitaminas e minerais acima descritas serem importantes para a nossa saúde cerebral, existem outros fatores muito relevantes sem os quais dificilmente teremos a capacidade para manter uma boa memória, raciocino, boas decisões, lucidez e provavelmente felicidade! Descrevo de seguida os mais importantes e os artigos que já publiquei (basta clicar na imagem para ler) sobre esses temas tão importantes:
Qualidade do sono;
Atividade física;
Ansiedade ou stress sob controle;
Tensão arterial controlada;
Não beber álcool.
Os temas acima descritos estão detalhados nos seguintes artigos já publicados:
Piscina e doenças toda a verdade sobre as diversas doenças que pode apanhar na água da piscina! Um dia na piscina a descontrair, nadar e relaxar pode ser magnífico! No entanto se a água das piscinas não estiver bem tratada o dia pode acabar em pesadelo com a “hospedagem” no nosso organismo de vírus, bactérias e parasitas que provocam doenças que podem ser muito perigosas!
A água da piscina é geralmente uma água artificial no sentido em que raramente é usada água captada directamente do mar ou de um rio com água de alta qualidade não poluida. Sendo assim tem de ser cuidadosamente tratada para eliminar inumeros microorganismos como bactérias, vírus, fungos e parasitas patogénicos que estão sempre á espreita de uma oportunidade de se instalarem num hospedeiro humano e conseguirem reproduzir-se mais depressa!
Além disso os tratamentos quimicos aplicados á água da piscina também têm os seus efeitos adversos no organismo humano. Assim descrevo de seguida algumas doenças que, se não tiver cuidado, pode apanhar na sua visita á piscina.
Otite externa
Também designada otite de surfista ou de mergulhador. É provocada habitualmente pela entrada de água no ouvido, associada a um quadro clínico de otalgia (dor de ouvido). Ocorre frequentemente após entrada de água no ouvido ou em situações de infeção e eczema do canal auditivo externo. Trata-se de uma inflamação da orelha externa e do canal auditivo.
Os vírus e as bactérias que provocam diarreia são a principal fonte de contágio nas piscinas. De acordo com o CDC, Centro de Controlo e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos, quem estiver ou tenha estado com diarreia nas últimas duas semanas corre o risco de contaminar a água da piscina com germes e transmitir o problema a outras pessoas. Os germes que causam diarreia conseguem sobreviver vários dias antes de serem eliminados pelo cloro. Para ficar doente basta engolir uma pequena quantidade da água infectada das piscinas.
Giardíase
A giardíase é uma infeção intestinal causada por um parasita microscópico. Pode provocar sintomas como cólicas abdominais, flatulência, náuseas e episódios de diarreia. A infeção pode ser causada por parasitas encontrados em riachos, lagos, piscinas ou zonas aquáticas de recreação. A maneira mais comum de se infetar com giardíase é engolir água contaminada, por exemplo da piscina.
Animais e crianças que usam fraldas e pessoas com diarreia podem acidentalmente contaminar piscinas e spas. É mais frequente em crianças e em doentes com infeção por VIH/SIDA, fibrose quística e outras formas de imunodeficiência pois têm um sistema imunitário mais frágil. Num trabalho realizado na região Norte de Portugal, em crianças com idades entre um e cinco anos, foi detetada uma taxa de infeção de 3,4% por Giardia lamblia.
Criptosporidíase é uma doença causada pelos parasitas unicelulares coccidios Cryptosporidium parvum e C.hominis. Estes podem ser ingeridos juntamente com comida ou água contaminada. Infetam o intestino, onde se reproduzem. Em pessoas imunosuprimidas causam gastroenterite, diarreia, dor abdominal e náuseas. Uma pessoa com diarreia e com este tipo de bactéria pode facilmente contaminar a água.
Legionella
Na legionella segundo explica o médico e patologista clínico Germano de Sousa, a infeção pela bactéria legionella pneumophila pode causar a febre de Pontiac (manifestação ligeira da bactéria com sintomas semelhantes a uma gripe) e a Doença dos Legionários, a manifestação mais grave, que consiste num tipo de pneumonia potencialmente letal.
A legionella está geralmente presente em ecossistemas naturais de água doce e quente, como a superfície de lagos, rios, águas termais, tanques, mas também piscinas. A infeção ocorre por inalação (via respiratória) de aerossóis/gotículas contaminados pela bactéria, através dos chuveiros domésticos, torres de arrefecimento, sistemas de climatização, instalações termais, saunas e jacuzzis e que chegam aos pulmões. Não existe transmissão de pessoa para pessoa, nem pela ingestão de água contaminada.
O Centro de Controlo e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos lembra que os nadadores e utilizadores da piscina queixam-se recorrentemente de ardor nos olhos, irritação nasal ou dificuldades em respirar. A investigação revelou que estes sintomas surgem devido à acumulação de substâncias irritantes na água e no ar, conhecidas como cloraminas. Essa irritação é provocada pela combinação do cloro com sub-produtos. Estes subprodutos são o resultado da ligação do suor, urina e outros resíduos dos nadadores/utilizadores ao cloro.
Dermatite ou foliculite
É uma inflamação dos folículos capilares causada pela bactéria Pseudomonas aeruginosa. A foliculite é sobretudo diagnosticada em pessoas que usam jacuzzi, sauna, piscina ou banheira de hidromassagem. Qualquer pessoa exposta a água contaminada com esta bactéria pode contrair este tipo de foliculite. Trata-se de uma inflamação da raiz dos pelos que, normalmente, pode ser tratada em casa com o uso de sabão anti-séptico ou fármacos prescritos por clínicos. Os sintomas de foliculite por Pseudomonas aeruginosa aparecem primeiro como caroços, prurido e pequenas espinhas com pus. As erupções de foliculite tipicamente surgem no tronco, axilas e partes superiores dos braços e pernas.
Piolhos
Os piolhos não são susceptíveis de serem transmitidos através da água das piscinas. Embora os níveis de cloro da piscina também não matem os piolhos, estes dificilmente conseguem sobreviver debaixo de água uma vez que não se conseguem parasitar. Porém, os piolhos podem espalhar-se em balneários. Basta partilhar toalhas, escovas de cabelo, toucas ou outros itens que tenham estado em contacto com o cabelo de uma pessoa infetada para adquirir a “praga”.
Infeções estafilocócicas
Embora não tenha havido relatos de transmissão deste tipo de bactéria através de águas de recreio, há um risco potencial de propagação das doenças causadas pela bactéria staphylococcus aureus em instalações de recreio através do contacto com a infeção de pessoa para pessoa ou através de objetos e superfícies contaminadas.
Trata-se de uma bactéria que vive muitas vezes no nariz ou na pele de pessoas saudáveis. Pode provocar doenças, que vão desde uma simples infeção (espinhas, furúnculos e celulites) até infecões graves (pneumonia, meningite, endocardite, síndrome do choque tóxico, septicemia e outras), dependendo do sistema imunitário e do historial clínico de cada pessoa.
Os sintomas mais comuns deste tipo de infeções são náuseas e vómitos, por vezes acompanhados por diarreia e dores abdominais. A melhor forma de as evitar é não frequentar águas de recreio se tiver infeções cutâneas ou irritações da pele, manter todas as superfícies tocadas ou manipuladas com frequência limpas e não partilhar objetos pessoais como lâminas ou escovas.
Teníase
O Centro de Controlo e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos alerta para vários cuidados a ter de forma a evitar este tipo de doença, embora admita que dificilmente a teníase se propague através da água das piscinas. Esta infeção ocorre quando uma pessoa engole ovos de ténia presentes em superfícies ou dedos contaminados. Esta instituição lembra que os fatos de banho devem ser lavados e secos a cada utilização. Por outro lado, todas as pessoas devem lavar as mãos antes e depois de usar a casa da banho.
Molusco contagioso vírus ou Molluscum contagiosum virus
O vírus Molusco contagioso ou Molluscum contagiosum é uma doença dermatológica causada pelo Molluscum contagiosum. Caracteriza-se por bolhas rosadas ou brancas pela pele em qualquer parte do corpo e podem dar comichão. É mais comum em crianças dos 0 aos 12 anos de idade e transmitido por contato físico. Desaparecem sozinhas em 6 a 12 meses, mas podem deixar cicatrizes.
Como se transmite?
O vírus é transmitido por contato físico ou por tecidos, por exemplo tocando a mão de alguém que coçou uma bolha causada por molusco contagioso ou compartilhando toalhas. Pode ser transmitido através de contato sexual. É mais comum em locais húmidos e com muita gente a viver na mesma casa que partilham as mesmas toalhas e roupas, uma vez que essas condições são favoráveis para a transmissão do vírus. É mais comum em crianças e imunodeprimidos.
Parâmetros microbiológicos de avaliação obrigatória
Os parâmetros microbiológicos avaliados são no caso das piscinas de utilização colectiva os referenciados pelo Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge, IP (INSA), e por outros documentos oficiais. Para o caso das piscinas de empreendimentos turísticos e de hidroterapia e com fins terapêuticos, são os indicados no Decreto-Regulamentar n.º 5/97, de 31 de Março:
Germes totais 37ºC (às 48 horas para piscinas de utilização colectiva, e às 24 horas para piscinas de empreendimentos turísticos, de hidroterapia e com fins terapêuticos)
Coliformes totais
Escherichia coli
Enterococos fecais
Estafilococos produtores de coagulase
Total de Estafilococos
Pseudomonas aeruginosa
Legionella (desejável nos jacúzis)
Parâmetros físico-químicos mínimos para avaliação
Os parâmetros físico-químicos mínimos para avaliação, devendo a sua determinação ser feita sistematicamente no local de colheita, são os seguintes:
Temperatura
Cloro residual livre
Cloro combinado
Bromo total
pH (quando não houver possibilidade de determinação laboratorial)
A determinar em laboratório:
pH
Turvação
Condutividade
Oxidabilidade
Cloretos
Amoníaco (a pedido da Autoridade de Saúde)
Considera-se desejável, quando se justifique, proceder-se à determinação de:
Ácido isocianúrico (quando forem utilizados como desinfectantes os derivados de ácido isocianúrico)
Antes de escolher uma piscina tente informar-se sobre a qualidade da água, frequência das análises e resultados disponiveis para consulta pública. Se conhecer alguém que tenha frequentado a piscina pergunte se houve algum problema de saúde nos dias seguintes a ter estado na piscina.
Sarna ou escabiose como tratar (scabies) toda a verdade! Conhecida popularmente por sarna humana ou pereba, segundo a Public Library of Science (PLoS) é uma doença de pele causada por um ácaro chamado Sarcoptes scabiei. A sarna é uma infeção contagiosa, que pode-se espalhar rapidamente através de contacto físico próximo, entre pessoas que habitam na mesma casa ou crianças em creches e escolas.
Sarna sinais e melhor tratamento
Neste artigo vou responder ás seguintes questões:
Sarna: O que é?
Causas da sarna: Quais são?
Ácaro sarcoptes scabiei: O que é?
Como se transmite a sarna?
Posso apanhar sarna do meu cão ou gato?
Qual o período de incubação da sarna?
Em que altura do ano é mais comum?
Quais os sintomas?
Quais as características do túneis de sarna?
O que é a sarna crostosa ou Norueguesa?
Quem corre maior risco de infestação?
Qual o tratamento mais eficaz para a sarna?
Qual o tratamento mais eficaz para a sarna crostosa ou Norueguesa?
Quem teve contacto com infectados deve ser tratado?
No Homem, a doença é causada pela subespécieSarcoptes scabiei var hominis, designando-se por Sarna Sarcótica ou Escabiose. O ácaro Sarcoptes scabiei é uma espécie de aracnídeo considerada como tipo, com diversas variedades que se distinguem pelo tamanho, disposição das escamas dorsais, dimensões, entre outras caraterísticas diferenciais e estas, por sua vez, podem-se encontrar em hospedeiros distintos, como Mamíferos e Homem. São, ainda, consideradas, quanto ao tipo de parasitismo, como ectoparasitas, dado que vivem na superfície do corpo (pele) do hospedeiro, do qual extraem nutrientes.
Os ácaros são seres microscópicos de oito patas, da classe dos aracnídeos. O Sarcoptes scabiei tem um tamanho médio de 0,3 milímetros, que é aproximadamente o limite do que o olho humano consegue ver.
Ácaro da sarna: Sarcoptes scabiei
O Sarcoptes scabiei é um parasita que vive, alimenta-se e reproduz-se na nossa pele. O ciclo de vida deste ácaro dura cerca de 30 dias. Após a cópula, o ácaro macho morre enquanto a fêmea penetra através das camadas superficiais da pele, criando um microscópico túnel, onde fica alojada, depositando os seus ovos durante toda a sua vida, que dura cerca de 30 a 60 dias. A fêmea do Sarcoptes scabiei liberta 2 a 3 ovos por dia. Os ovos eclodem em três ou quatro dias, e as larvas recém nascidas fazem o caminho de volta em direção à superfície da pele, onde amadurecem e se podem espalhar para outras áreas do corpo.
Os ácaros Sarcoptes scabiei produzem enzimas que degradam as proteínas da pele, principalmente a queratina, que serve de alimento para os mesmos. Conforme eles se movem através da epiderme, vão deixando para trás as suas fezes, criando lesões lineares na pele. As lesões e a comichão da escabiose são resultados de uma reação alérgica da pele contra o próprio ácaro, os seus ovos e as suas fezes.
Causas da escabiose
Ter sarna não é necessariamente um sinal de má higiene. A escabiose é uma infecção transmitida entre pessoas através de contacto próximo. Os casos mais habituais são entre familiares que vivem na mesma casa. A via sexual é outra maneira comum de se adquirir sarna. Exército, lares para idosos, creches, escolas e prisões são locais onde frequentemente há surtos de sarna.
O contacto entre crianças e adolescentes na escola não costuma ser próximo o suficiente para causar a transmissão, o que de modo algum significa que não haja risco. Do mesmo modo, um simples aperto de mão ou um rápido abraço não costumam ser suficientes para haver transmissão.
A transmissão ocorre, fundamentalmente, por contacto direto, ou seja, um doente entra em contacto com outro hospedeiro, ocorrendo a transferência das fêmeas recém fertilizadas (fêmeas ovígeras) pessoa a pessoa. Pode, contudo, surtir vetorização do tipo fomite, quando objetos inanimados veiculam o parasita entre os hospedeiros (por ex., roupas de cama ou vestuário, como é o caso de roupas íntimas).
O risco de contágio aumenta proporcionalmente com o número de ácaros que subsistem na pessoa atingida, assim como o respetivo período de contacto. Desta forma, considera-se que o contacto sexual constitui, provavelmente, o meio de transmissão mais proeminente entre os adultos.
Quanto tempo sobrevive o ácaro?
Quando S. scabiei abandona o hospedeiro, este poderá sobreviver no meio ambiente por um período de tempo estimado de 24 a 36 horas, à temperatura ambiente (21°C) e com uma humidade normal (40 a 80% de humidade relativa) e, ainda, por períodos de tempo mais longos, a temperaturas mais baixas e com uma humidade elevada. Esta circunstância torna possível a transmissão através de roupas, lençóis ou toalhas, apesar desta via não ser a mais comum. Verifica-se, contudo, que ao aumentar o tempo fora do hospedeiro, diminui proporcionalmente a capacidade do ácaro para contagiar outro hospedeiro. Este aracnídeo, com ausência visual, recorre aos meios sensoriais (odor) e estímulos térmicos para se fixar no hospedeiro
O ácaro Sarcoptes scabiei consegue sobreviver no ambiente durante 24 a 48 horas, o que torna possível a transmissão através de roupas, lençóis ou toalhas, apesar desta via não ser a mais comum.
Sarna do meu cão ou gato será contagiosa?
Animais, como cães e gatos, também podem ter sarna, mas o ácaro que os infecta é diferente, tornando a transmissão para humanos pouco comum. Quando ela ocorre é geralmente em animais realmente infestados pelo ácaro. Todavia, como o homem não é o hospedeiro habitual da sarna canina ou felina, o ácaro dos cães e gatos não se reproduz no humano e a infecção dura apenas alguns dias (o tempo de vida do ácaro).
Periodo de incubação
O período médio de incubação da sarna é de cerca de 6 semanas. Porém, nas pessoas reinfectadas, os sintomas podem surgir em apenas 24 horas. Uma pessoa contaminada é capaz de transmitir a sarna, mesmo que ainda esteja sem sintomas, durante o período de incubação.
Inverno é “amigo” da sarna!
A sarna aparece mais durante o Inverno porque o frio permite ao ácaro resistir um pouco mais nas superficies expostas.
Sintomas
O sintoma clássico da escabiose é uma comichão difusa pelo corpo, que costuma ser mais intensa à noite.
As lesões típicas da escabiose são:
Pequenas pápulas (pontinhos ou bolinhas com relevo) avermelhadas, de 1 a 3 mm de diâmetro. As lesões, às vezes, são tão pequenas que podem passar despercebidas ou camufladas pelos arranhões causados pela intensa comichão.
As lesões da sarna podem ser difusas e as partes do corpo mais afectadas são:
Mãos (principalmente entre os dedos),
Pulsos,
Cotovelos,
Axilas,
Mamilos (especialmente em mulheres),
Áreas à volta do umbigo,
Genitais (especialmente em homens),
Joelhos,
Nádegas,
Coxas,
Pés.
As costas são habitualmente poupadas e a cabeça, palmas e solas só costumam ser afectadas em crianças. As lesões da sarna, a comichão associada e o acto de coçar aumentam o risco de infecções secundárias e simuntâneas por bactérias.
Tuneis de sarna
Os túneis produzidos pelas fêmeas do Sarcoptes scabiei também podem ser visíveis, apesar de não serem tão comuns como as pápulas. Estae tuneis geralmente apresentam-se como finos traçados na pele, discretamente elevados, que podem ter até 10mm de comprimento.
Sarna crostosa ou Norueguesa
Na maioria das pessoas com sarna, o número total de ácaros presentes não costuma ultrapassar uma centena. Após um aumento exponencial no início da doença, o sistema imunológico do doente consegue travar a multiplicação do Sarcoptes scabiei, mantendo a sua população mais ou menos estável.
Em doentes s com o sistema imunológico fragilizado, os ácaros podem conseguir multiplicar-se indefinidamente, chegando a alcançar uma população de mais de um milhão em alguns casos. Esta super infestação de Sarcoptes scabiei é chamada de sarna crostosa ou sarna norueguesa, que é a forma mais grave da escabiose.
Risco de infestação
As pessoas com maior risco contrair uma super infestação ou sarna Norueguesa são:
Idosos,
Portadores de SIDA (AIDS),
Hanseníase,
Linfoma,
Síndrome de Down
Outras doenças que provoquem alterações do sistema imunológico.
A sarna crostosa provoca grandes crostas vermelhas na pele, que se espalham facilmente se não forem tratadas. O couro cabeludo, mãos e pés são frequentemente afectados, embora as manchas possam ocorrer em qualquer parte do corpo. As lesões da sarna crostosa geralmente não provocam comichão e contêm um grande número de ácaros.
Tratamento da sarna
As opções mais utilizadas para o tratamento da escabiose são a Permetrina 5% ou a Ivermectina a 12 mg em comprimidos ou cápsulas acompanhadas da aplicação local de uma pomada de enxofre precipitado a 8%. Descrevo de seguida opções mais utilizadas:
Benzoato de benzilo, 277mg/ml, solução cutânea( Acarilbial®);
Pomada de enxofre precipitado a 8% – esta pomada é geralmente preparada de forma manual, cerca de 200 g, na Farmácia que receber a prescrição médica; Aplicar 1 x dia, 3 dias. Repetir passado uma semana mais 3 dias;
Permetrina 5% por via tópica– deve ser aplicada em todo corpo do pescoço para baixo (nas crianças pode ser aplicada no rosto, com cuidado para não atingir os olhos), sendo enxaguada no banho após 8 a 14 horas. Após 1 ou 2 semanas, o processo pode ser repetido;
Ivermectina 3 a 12 mg por via oral (Ivermectol®, Stromectol®, Ivomec®) – usada em dose única, com repetição após 14 dias. Na dosagem de 12 mg a posologia mais habitual num adulto é 1 comprimido semanal durante 2 semanas;
A taxa de sucesso dos tratamentos tópicos é elevada mas a Ivermectina é o tratamento mais adequado para surtos em lares de idosos, prisões ou habitações com muitos moradores porque é muito mais simples tomar um comprimido do que aplicar um creme por todo o corpo.
Em casos mais resistentes pode ser necessário um tratamento mais agressivo em cápsulas com dosagem mais elevada de Ivermectina. Descrevo, de seguida, formulas para manipulação (não existe comercialmente) prescrita por um dermatologista:
Ivermectina …………………………………. 12 mg
Lactose ………………………….. q.b.p 1 cápsulas
FSA
Quantidade: 2 cápsulas
Posologia: 1 cápsula por semana ao jantar durante 2 semanas
Pomada de enxofre PP a 8%:
Enxofre precipitado ………………………. 8%
Excipiente …………………………………… q.b.p. 200 g
FSA
Posologia: Aplicar 1 x dia durante 3 dias. Repetir passado uma semana mais 3 dias.
Benzoato de benzilo (Acarilbial®)
Destaco este tratamento em particular por ser muito eficaz e ter poucos efeitos secundários em parte devido à sua aplicação apenas local. O tratamento com o medicamento Benzoato de benzilo a 277mg/ml, solução cutânea (Acarilbial®) destina-se exclusivamente à aplicação na pele e tem uma taxa de sucesso próxima de 100% se forem efectuadas duas aplicações em dois dias consecutivos.
A não ser que o seu médico lhe dê outras indicações, no tratamento da escabiose (sarna) deve ser aplicado da seguinte forma:
Tomar um banho quente durante cerca de 10 minutos, de preferência por imersão e secar convenientemente;
Friccionar levemente, durante alguns minutos, com algodão embebido do medicamento, a pele do corpo (com exceção da face, olhos, mucosas e canal urinário) e deixar secar;
Repetir a aplicação, deixar secar novamente e vestir-se;
Passadas 24 a 48 horas, tomar outro banho e mudar a roupa do corpo e da cama.
Embora em alguns doentes um único tratamento seja suficiente para se obter a cura, a experiência mostra que, por vezes, é necessário aplicar o medicamento, nas condições acima referidas, durante 2 dias consecutivos e, eventualmente, repeti-lo após um intervalo de 7 a 10 dias.
O volume do produto não deve exceder os 30ml em adultos e os 20ml em crianças, em cada aplicação. Além do doente, devem ser tratados os seus parceiros sexuais e todas as pessoas em contacto próximo, nomeadamente os indivíduos que partilham a habitação. Recomenda-se a lavagem, em água quente, de toda a roupa que esteve em contacto com a pele, incluindo roupa da cama e toalhas.
Tratamento da sarna crostosa
A sarna crostosa é tratada com uma combinação dos dois medicamentos quem são usados simultâneamente cumprindo o seguinte esquema posológico:
Permetrina 5% aplicada diariamente durante 7 dias
Ivermectina 3mg, uma dose por dia nos dias 1, 2, 8, 9 e 15
Contacto sem sintomas deve ser tratado
É importante lembrar a pessoa infectada com o ácaro da sarna costuma demorar até 6 semanas para apresentar sintomas. Por isso, o tratamento também é recomendado para os membros da família e contatos sexuais, mesmo que estes não apresentem sintomas de escabiose.
Roupa e cuidados a ter
Toda a roupa de cama e vestuário das pessoas afectadas pelo ácaro ou que com estas tiveram contacto físico, deve ser lavada na máquina a 60ºC. A roupa que não possa ser lavada a essa temperatura deve ser colocada dentro de um saco plástico bem fechado durante uma semana porque porque o ácaro geralmente não resite mais de 3 dias no ambiente externo (na maioria dos casos apenas sobrevive 48 horas). Depois desse tempo lave à temperatura normal.
Estudos mais recentes
Neste espaço farei a actualização dos estudos recentes que forem relevantes para o estudo da sarna, publicados em plataformas credíveis. Aqui ficam alguns:
A sarna ou escabiose é uma doença que impressiona não só pelos sintomas mas também quando pensamos na possibilidade de termos um parasita que utiliza a nossa pele para fazer os seus tuneis e colocar os seus ovos! A presença de um parasita a colonizar-nos de forma tão visivel não deixa ninguém indiferente! A boa notícia é ter um tratamento de poucos dias, sendo essencialmente local e com elevada eficácia. De realçar mais uma vez que a sarna nem sempre está ligada ás condições de higiene podendo por isso afectar qualquer adulto ou criança e com maior incidência no tempo frio. Se começar a ter diversas erupções cutâneas estranhas e comichão consulte o seu médico para ter a certeza que nada de cuidado se passa.
A menopausa, definida retrospetivamente como a inexistência de menstruação nos 12 meses prévios,1 é frequentemente acompanhada pela ocorrência de sintomas vasomotores (SVM), conhecidos como afrontamentos e suores noturnos.1-5 Manifestam-se como uma súbita sensação de calor localizada na zona superior do peito e na face, que rapidamente se generaliza e que dura habitualmente entre 2-4 minutos, frequentemente associada a sudação profusa e por vezes seguida de arrepios e tremores. Quando ocorrem durante a noite podem perturbar o sono de modo significativo, sendo mais frequentes durante as primeiras horas de sono.2
Resumo rápido
Os afrontamentos e suores noturnos afetam até 80% das mulheres durante a menopausa.
A terapêutica hormonal de substituição (THS) continua a ser a opção mais eficaz para aliviar os sintomas vasomotores.
Quando a THS está contraindicada ou não é desejada, existem alternativas não hormonais com benefício clínico relevante.
Os ISRS/IRSN e o fezolinetant são atualmente as opções não hormonais com melhor evidência científica.
A escolha do tratamento deve ser individualizada, considerando sintomas, doenças associadas, medicamentos em uso e preferências da mulher.
Conteúdo baseado em artigo elaborado e publicado pela Ordem dos Farmacêuticos
Os sintomas vasomotores (SVM) são os sintomas mais comuns da menopausa e ocorrem em até 80% das mulheres,1-5 podendo impactar significativamente a sua qualidade de vida,1-4 produtividade5 e inclusive a sua saúde geral,2,4,5 pois têm sido associados a aumento do risco cardiovascular e diminuição da densidade mineral óssea.1,4,5 Persistem habitualmente entre sete e dez anos.1,3,5
A terapêutica hormonal de substituição (THS) permanece a abordagem terapêutica mais efetiva. Porém, algumas mulheres podem recusá-la ou ter contraindicações ao seu uso,1-4 tal como antecedentes de cancro sensível aos estrogénios, como o cancro da mama, historial de doença coronária, acidente vascular cerebral, tromboembolismo venoso2-4 ou elevado risco genético de doença tromboembólica,3,4 entre outros. As mulheres com cancro da mama são particularmente impactadas pelos SVM, pois são um possível efeito colateral de muitas das abordagens terapêuticas.2
Menopausa tratamento não hormonal
Em mulheres que não são candidatas à THS, é importante considerar alternativas farmacológicas não hormonais1-4 que, apesar de não serem tão eficazes, podem ainda assim ser muito úteis no alívio dos SVM.1,4
As abordagens terapêuticas não hormonais que têm sido investigadas para alívio dos SVM incluem os inibidores seletivos de recaptação da serotonina (ISRS), os inibidores de recaptação da serotonina e noradrenalina (IRSN), o fezolinetant, a gabapentina, a pregabalina, a oxibutinina e a clonidina.1-6
Menopausa tratamento não hormonal
Terapêuticas não hormonais
Fármaco
Benefício
Vantagem
Limitação
ISRS/IRSN
↓ afrontamentos
Ajuda ansiedade
Náuseas
Fezolinetant
↓ SVM intensos
Melhora sono
Vigiar fígado
Gabapentina
↓ SVM noturnos
Ajuda dormir
Sonolência
Oxibutinina
↓ frequência SVM
Útil na bexiga
Risco cognitivo
ISRS/IRSN
Existe evidência de que os ISRS/IRSN estão associados a melhoria ligeira a moderada dos sintomas vasomotores.1-5 Alguns fármacos destes grupos demostraram, em ensaios controlados por placebo, constituírem a alternativa farmacológica mais efetiva à THS.2 Podem igualmente ser úteis no tratamento de condições coexistentes, como depressão ou ansiedade,4,5 ou nas perturbações do sono.5 As doses que proporcionam controlo dos SVM são tipicamente inferiores às necessárias para o tratamento de alterações do humor,4,5 o que pode favorecer a sua tolerabilidade,5 pois os seus efeitos adversos mais significativos estão relacionados com a dose.4,6
Apesar de não existirem estudos que realizem comparações diretas, ensaios controlados, aleatorizados e com dupla ocultação indicam que os fármacos mais eficazes são a paroxetina, o citalopram, o escitalopram, a venlafaxina1-6 e a desvenlafaxina.1-5 A paroxetina é o fármaco para o qual existe maior evidência de benefício,6 estando inclusivamente aprovada em alguns países para esta indicação.1,6
No que concerne a outros ISRS, a fluoxetina e a sertralina não demostraram benefícios consistentes,1,2,4 pelo que não estão recomendadas.1-5 Quanto a IRSN, a duloxetina também mostrou efetividade,3-5 mas a evidência é inferior.2,4
Caso um ISRS/IRSN não se mostre eficaz, pode ser tentado outro antes de avançar para outra classe farmacológica.2 É importante ter presente que a paroxetina inibe a atividade da isoenzima CYP2D6, responsável pela conversão do tamoxifeno ao seu metabolito ativo, com o potencial de reduzir a sua efetividade.1-4
Consequentemente, a paroxetina não deve ser utilizada em mulheres tratadas com tamoxifeno.2,4-6 Escolhas seguras nestas mulheres incluem a venlafaxina,1,3,5,6 a desvenlafaxina, o escitalopram ou o citalopram.1,3,5
Entre os seus efeitos adversos mais significativos incluem-se as náuseas,3,4,6 que tipicamente melhoram no intervalo de 1-2 semanas.3 Podem ser mitigadas pela toma com alimentos,6 ou, no caso da venlafaxina, pelo uso de uma formulação de libertação controlada.2,6 Estão também associados a secura bucal, obstipação1,6 e a disfunção sexual.4-6 É importante informar as mulheres que sintomas frequentemente associados à menopausa, como cefaleias ou perturbações do sono, podem ser efeitos adversos dos ISRS/IRSN.4
É um antagonista seletivo do recetor da neurocinina 3, aprovado para o tratamento dos sintomas vasomotores da menopausa.1-6 Demonstrou efeitos benéficos comparativamente ao placebo até 12 semanas de utilização,1-4 reduzindo a frequência e gravidade de SVM moderados a intensos.1,4 Mostrou ainda produzir melhorias clinicamente significativas no sono.2,4,5 Os seus principais efeitos adversos incluem diarreia, náuseas, cefaleias, 4,5 sonolência,5 alterações gastrointestinais 4 e elevações das transaminases.2,4,5
Gabapentinoides
A gabapentina e a pregabalina têm vindo a ser propostas para alívio dos SVM.1,6 Esta mostrou benefício face ao placebo num ensaio de curta duração.3 Contudo, a evidência atual é insuficiente para recomendar o seu uso.1-3
A gabapentina demonstrou melhorar a frequência e gravidade dos SVM em diversos estudos,1-5 mas de curta duração. 6 Os seus efeitos adversos estão relacionados com a dose e podem comprometer a adesão.6 Os mais frequentes são sonolência, tonturas,1,3-6 desequilíbrios,1,3-5 cefaleias,4,5 edema, náuseas,1,4 aumento de peso 4-6 e secura bucal.1,6 Têm o potencial de causar dependência 6 e deve ser usada na menor dose eficaz.4 Devido à sonolência que induz, a toma ao deitar pode constituir uma opção favorável em mulheres com SVM predominantemente noturnos,2-5 ao contribuir para melhorar o sono,1,2,5 minimizando os efeitos adversos diurnos.2,3
Oxibutinina
É um fármaco anticolinérgico utilizado no tratamento da bexiga hiperativa1-6 e da urgência urinária.1,4,5 Alguns estudos mostraram que proporciona uma redução significativa da frequência de SVM.1-6 Pode ser útil em mulheres com condições urinarias concomitantes,4,5 o que é frequente durante a menopausa.4 Porém, o seu uso pode não ser adequado em pessoas mais velhas, pela associação entre o uso prolongado de anticolinérgicos e declínio cognitivo.1-4
Os seus efeitos adversos são dependentes da dose1,3 e os mais comuns são secura bucal1-6 e ocular, náuseas, alterações gastrointestinais,1,4,6 dificuldades urinárias,1,3-5 cefaleias1,6 e alterações da visão.1,4
Efeitos adversos principais
Fármaco
Efeitos
Dose-dependente
Dica
ISRS/IRSN
Náuseas
Sim
Tomar com comida
Fezolinetant
Cefaleias
Parcial
Vigiar transaminases
Gabapentina
Tonturas
Sim
Tomar à noite
Oxibutinina
Boca seca
Sim
Cautela idosos
Clonidina
É um agonista adrenérgico α-2 de ação central, aprovado para esta indicação em alguns países, mas com evidência discordante.6 Demostrou benefício modesto face ao placebo,2-4 mas inferior ao proporcionado pelos ISRS, ISRN e pela gabapentina na redução dos SVM.3,4 Devido ao seu perfil de efeitos adversos e à existência de alternativas mais efetivas, o seu uso não é atualmente recomendado.2-4
Menos recomendados
Terapêutica
Evidência
Problema
Estado
Clonidina
Modesta
Muitos EA
Não recomendada
Pregabalina
Fraca
Poucos estudos
Uso limitado
Suplementos
Inconsistente
Segurança incerta
Não recomendados
Plantas medicinais
Insuficiente
Interações
Evitar cautela
Outras abordagens terapêuticas
A terapia cognitiva comportamental pode ser útil no alívio dos SVM2-4,6ao alterar a sua perceção;4 parece mais eficaz para a insónia. Outras terapêuticas alternativas ou técnicas de autoajuda estão ainda insuficientemente estudadas ou não mostraram benefício.2
A evidência atual acerca da eficácia e segurança de suplementos alimentares e produtos à base de plantas para alívio de SVM na menopausa é insuficiente para recomendar o seu uso,1-4 uma vez que muitos dos estudos têm falhas metodológicas, desenhos inadequados,4 pequena dimensão e curta duração.2 Os dados de segurança em mulheres com história de cancro da mama são inconsistentes, pelo que o seu uso deve ser evitado. Adicionalmente, alguns produtos acarretam risco de interação com o tamoxifeno.6
A seleção dotratamento deve ser individualizada em função das necessidades e preferências da mulher.4 A escolha do fármaco depende do padrão dos SVM, de estar ou não a tomar tamoxifeno,2 do risco de exacerbar outros sintomas da menopausa,4 ou da presença concomitante de alterações do humor2,5,6 ou do sono.2,5
As terapêuticas farmacológicas para alívio dos SVM permanecem subutilizadas. É importante que o farmacêutico conheça as diferentes opções disponíveis, contribuindo, desta forma, para informar e melhorar o acesso das mulheres aos melhores cuidados.1
Escolha conforme perfil
Situação
Melhor opção
Motivo
Ansiedade
ISRS/IRSN
Duplo benefício
Insónia
Gabapentina
Melhora sono
Tamoxifeno
Venlafaxina
Menos interação
Sintomas urinários
Oxibutinina
Benefício urinário
Referências bibliográficas:
1. Carson E, Vernon V, Cunningham L, Mathew S. Cooling the flames: Navigating menopausal vasomotor symptoms with nonhormone medications. Am J Health Syst Pharm. 2025 Apr 16;82(7):e332-e344. doi: 10.1093/ajhp/zxae254.
2. Casper RF. Menopausal hot flashes. UpToDate®, topic last updated: Jan 06, 2026.
3. The 2023 nonhormone therapy position statement of The North American Menopause Society. Menopause. 2023 Jun 1;30(6):573-590. doi: 10.1097/GME.0000000000002200.
4. Iyer TK, Fiffick AN, Batur P. Nonhormone therapies for vasomotor symptom management. Cleve Clin J Med. 2024 Apr 1;91(4):237-244. doi: 10.3949/ccjm.91a.23067.
5. Kling JM, Stuenkel CA, Faubion SS. Management of the Vasomotor Symptoms of Menopause: Twofers in Your Clinical Toolbox. Mayo Clin Proc. 2024 Jul;99(7):1142-1148. doi: 10.1016/j.mayocp.2024.03.028.
Mentiras médicas e desinformação sobre saúde online, como distinguir ciência real de desinformação médica na internet. A internet revolucionou o acesso ao conhecimento médico. Nunca foi tão fácil aprender sobre doenças, medicamentos, nutrição, exercício físico, saúde mental ou prevenção. Milhões de pessoas conseguem hoje compreender melhor o seu corpo, reconhecer sinais de alerta precoces e tomar decisões mais informadas sobre a própria saúde graças ao acesso a boas fontes científicas e médicas credíveis. A democratização do conhecimento pode literalmente salvar vidas quando baseada em evidência robusta, revisões sistemáticas, ensaios clínicos e recomendações de sociedades médicas reconhecidas.¹
Contudo, o mesmo fenómeno criou um dos maiores problemas de saúde pública da era moderna: a propagação massiva de informação incorreta, pseudociência, manipulação comercial e desinformação médica. A velocidade com que conteúdos falsos se tornam virais é frequentemente superior à velocidade com que a ciência consegue refutá-los.² Em muitos casos, conteúdos emocionalmente apelativos ou sensacionalistas têm mais alcance do que análises médicas rigorosas. Isso pode levar a atrasos diagnósticos, abandono de terapêuticas eficazes, automedicação perigosa, intoxicações, ansiedade extrema e até morte.³
A Organização Mundial da Saúde classificou este fenómeno como uma “infodemia”, ou seja, uma epidemia de excesso de informação — correta e incorreta — que dificulta encontrar fontes fiáveis durante decisões importantes relacionadas com saúde pública.⁴
Objetivos do artigo
Este artigo pretende:
Explicar porque tanta informação online sobre saúde está errada
Demonstrar os mecanismos psicológicos usados para manipular leitores
Ensinar a reconhecer fontes médicas confiáveis
Identificar sinais de pseudociência e fraude
Explicar os perigos clínicos da desinformação médica
Analisar o papel das redes sociais e algoritmos
Fornecer ferramentas práticas para avaliar conteúdos de saúde
Promover literacia científica e pensamento crítico
Índice dos temas abordados
A explosão da informação médica online
Porque o cérebro humano acredita facilmente em informação falsa
O modelo económico da desinformação
Redes sociais e algoritmos: o problema invisível
Pseudociência e manipulação emocional
Influencers sem formação científica
Os perigos da automedicação baseada na internet
“Estudos científicos” manipulados ou mal interpretados
Como reconhecer fontes credíveis
Ferramentas práticas para verificar informação médica
O papel da inteligência artificial na desinformação
Como proteger a população da fraude em saúde
Conclusão científica e prática
A explosão da informação médica online
A internet contém atualmente milhares de milhões de páginas relacionadas com saúde. Nunca existiu tanta informação disponível. O problema é que quantidade não significa qualidade.
Muitos conteúdos são produzidos sem revisão científica, sem validação clínica e frequentemente por indivíduos sem qualquer formação médica. Em inúmeros casos, o verdadeiro objetivo não é informar, mas gerar tráfego, vender suplementos, captar cliques ou explorar emocionalmente pessoas vulneráveis.⁵
Tabela — Principais fontes de desinformação médica
Fonte
Problema principal
Risco
Redes sociais
Viralização emocional
Informação falsa
Blogs sem revisão
Falta de rigor
Conselhos perigosos
Influencers
Ausência de formação
Credibilidade falsa
Sites comerciais
Interesse financeiro
Manipulação
Porque o cérebro humano acredita facilmente em informação falsa
O cérebro humano não foi desenhado para avaliar ciência complexa. Foi desenhado para sobrevivência rápida, emocional e intuitiva.
Informação simples, emocional, assustadora ou surpreendente tende a ser mais facilmente aceite e partilhada do que explicações científicas complexas.⁶
Principais mecanismos psicológicos explorados
Viés de confirmação
As pessoas tendem a procurar informação que confirma aquilo em que já acreditam.
Heurística emocional
Conteúdos que provocam medo ou esperança extrema têm maior impacto emocional e parecem mais “verdadeiros”.
Efeito de repetição
Quanto mais vezes uma afirmação é repetida, maior a tendência para ser considerada verdadeira, mesmo sem evidência científica.⁷
Grande parte da desinformação médica gera enormes receitas publicitárias.
Conteúdos sensacionalistas produzem mais cliques do que informação equilibrada e científica. Isto cria um incentivo económico perverso.⁸
Exemplos típicos
“A cura do cancro que os médicos escondem”
“Este alimento destrói tumores”
“A indústria farmacêutica não quer que saiba isto”
“Desintoxique o fígado naturalmente”
“Pare já este medicamento”
Estas mensagens exploram medo, desconfiança e emoções fortes.
Redes sociais e algoritmos: o problema invisível
As plataformas digitais utilizam algoritmos que promovem conteúdos capazes de manter atenção durante mais tempo.⁹
O problema é que conteúdos extremos, polémicos ou assustadores geram mais interação.
Tabela — Porque conteúdos falsos se tornam virais
Fator
Consequência
Emoção forte
Mais partilhas
Simplificação excessiva
Fácil compreensão
Linguagem conspirativa
Elevado envolvimento
Promessas milagrosas
Esperança emocional
Pseudociência e manipulação emocional
A pseudociência utiliza linguagem aparentemente científica para parecer credível.
Frequentemente observam-se expressões como:
“Clinicamente comprovado”
“100% natural”
“Desintoxicação”
“Equilíbrio energético”
“Reforço quântico”
“Ativa genes da longevidade”
Na maioria dos casos, estas expressões não possuem significado clínico validado.¹⁰
Como reconhecer pseudociência
Tabela — Ciência real vs pseudociência
Ciência
Pseudociência
Evidência replicável
Testemunhos pessoais
Revisão por pares
“Segredo escondido”
Limitações reconhecidas
Promessas absolutas
Dados mensuráveis
Linguagem vaga
Influencers sem formação científica
Uma das maiores alterações recentes no ecossistema da informação médica é o crescimento de “influencers de saúde”.
Muitos possuem enorme capacidade de comunicação, mas ausência quase total de formação científica.
O problema agrava-se quando utilizam:
Bata branca
Linguagem técnica
Referências científicas fora de contexto
Experiências pessoais como prova clínica
A aparência de autoridade pode criar falsa confiança.¹¹
Os perigos da automedicação baseada na internet
A automedicação inadequada é uma das consequências mais perigosas da desinformação médica.
Exemplos clínicos reais observados
Uso excessivo de suplementos
Vitaminas em excesso podem causar toxicidade hepática, renal ou neurológica.¹²
Suspensão de medicamentos prescritos
Alguns doentes abandonam terapêuticas eficazes devido a medo induzido online.
Antibióticos usados incorretamente
Contribuem para resistência antimicrobiana global.¹³
Terapias “naturais” perigosas
Nem tudo o que é natural é seguro.
Ciclo de risco da desinformação
Informação falsa ↓ Medo ou esperança ↓ Automedicação ↓ Complicações clínicas ↓ Agravamento da doença
“Estudos científicos” manipulados ou mal interpretados
Um dos maiores problemas modernos é o uso incorreto de estudos científicos.
Muitos conteúdos online:
Citam estudos em animais como se fossem evidência humana
Utilizam estudos observacionais para provar causalidade
Escolhem apenas estudos favoráveis
Ignoram meta-análises
Distorcem conclusões estatísticas
A ciência médica exige interpretação contextualizada e análise crítica da qualidade metodológica.¹⁴
Como reconhecer fontes credíveis
Quais as características das fontes de informação confiáveis em saúde? Descrevo de seguida as 3 principais assinaturas de uma marca credivel.
Instituições reconhecidas
World Health Organization
Centers for Disease Control and Prevention
European Medicines Agency
TOP 10 instituições mais credíveis do mundo em informação médica e saúde
World Health Organization
Centers for Disease Control and Prevention (CDC)
National Institutes of Health (NIH) como Pubmed, National Library of Medicine e Medline
European Medicines Agency
Food and Drug Administration
Cochrane
Mayo Clinic
National Health Service
The Lancet
New England Journal of Medicine
1. World Health Organization
A principal autoridade global em saúde pública. Produz recomendações internacionais, guidelines clínicas, relatórios epidemiológicos e alertas sanitários globais.
TOP 10 Revistas científicas e médicas mais reputadas do mundo
New England Journal of Medicine
The Lancet
JAMA
BMJ
Nature
Science
Cell
Nature Medicine
Annals of Internal Medicine
PLOS Medicine
Como usar corretamente estas fontes
Regra prática muito importante
Quanto mais uma informação:
estiver alinhada entre múltiplas instituições,
tiver meta-análises,
revisões sistemáticas,
guidelines oficiais,
e consenso científico internacional,
maior a probabilidade de ser confiável.
Por outro lado:
“curas milagrosas”,
teorias conspirativas,
ataques generalizados à medicina,
ou promessas absolutas,
devem ser considerados sinais de alerta importantes.
Profissionais qualificados
Verificar sempre:
Formação académica
Especialidade
Conflitos de interesse
Transparência científica
Ferramentas práticas para verificar informação médica
Tabela — Perguntas essenciais antes de acreditar
Pergunta
Importância
Existe fonte científica?
Fundamental
Há revisão por pares?
Muito elevada
Promete cura milagrosa?
Sinal de alerta
Existe interesse comercial?
Avaliar enviesamento
O papel da inteligência artificial na desinformação
A inteligência artificial poderá melhorar enormemente a educação médica da população. Contudo, também pode acelerar dramaticamente a produção de desinformação convincente.¹⁵
Hoje já é possível criar:
Vídeos falsos
Médicos fictícios
Estudos inexistentes
Imagens clínicas manipuladas
Vozes artificiais credíveis
Isso torna ainda mais importante o desenvolvimento de literacia científica.
Como avaliar informação médica online
1. Quem escreveu? ↓ 2. Existe evidência científica? ↓ 3. Há revisão por pares? ↓ 4. Existe conflito comercial? ↓ 5. Outras fontes concordam? ↓ 6. Sociedade médica recomenda?
Como proteger a população da fraude em saúde
O combate à desinformação médica exige múltiplas estratégias. As medidas fundamentais são as seguintes:
Melhor educação científica
Literacia digital
Regulamentação de publicidade enganosa
Responsabilização de plataformas
Divulgação científica acessível
Formação contínua de profissionais de saúde
Os profissionais de saúde têm hoje um papel crítico como filtros científicos confiáveis numa era de excesso de informação.
Conclusão
A internet transformou profundamente a medicina moderna e pode representar uma das maiores ferramentas de promoção da saúde alguma vez criadas. O acesso rápido a conhecimento científico de qualidade permite aumentar a prevenção, melhorar a adesão terapêutica, reconhecer sintomas precocemente e capacitar milhões de pessoas para decisões mais informadas. Contudo, essa mesma facilidade de acesso abriu espaço para uma explosão sem precedentes de desinformação médica, pseudociência e manipulação emocional. Quando informação incorreta se mistura com medo, interesses comerciais e algoritmos desenhados para maximizar atenção, o resultado pode ser extremamente perigoso para a saúde pública.
Num mundo onde qualquer pessoa pode publicar conteúdos aparentemente “científicos”, o pensamento crítico tornou-se uma competência de sobrevivência médica. Verificar fontes, compreender níveis de evidência, desconfiar de promessas milagrosas e procurar profissionais qualificados são estratégias essenciais para evitar erros graves. A literacia científica deixou de ser apenas uma vantagem intelectual — tornou-se um verdadeiro mecanismo de proteção da saúde individual e coletiva.
Principais mensagens finais
Nem toda a informação médica online é confiável
Emoção e medo facilitam manipulação
Redes sociais amplificam desinformação
“Natural” não significa seguro
Estudos científicos podem ser mal interpretados
Influencers não substituem profissionais qualificados
Revisão por pares continua essencial
Pensamento crítico salva vidas
Fontes institucionais devem ser priorizadas
Literacia científica será cada vez mais importante na era da inteligência artificial
Interações e erros comuns com medicamentos podem comprometer a eficácia e causar efeitos adversos. Saiba como evitá-los com base na melhor evidência científica.
Os medicamentos representam uma das maiores conquistas da medicina moderna, responsáveis por aumentos significativos na esperança média de vida e no controlo de doenças agudas e crónicas. Desde antibióticos até terapias biotecnológicas avançadas, a farmacoterapia transformou profundamente o panorama da saúde global. No entanto, o seu benefício depende criticamente de uma utilização correta.
Segundo a World Health Organization, os erros relacionados com medicamentos são uma das principais causas evitáveis de danos em sistemas de saúde, contribuindo para milhões de eventos adversos todos os anos¹. Estes erros ocorrem frequentemente fora do ambiente hospitalar — em casa, na rotina diária dos doentes — e são muitas vezes invisíveis até gerarem consequências clínicas.
Objetivos do artigo
Melhorar a literacia em saúde relativamente ao uso de medicamentos
Identificar erros frequentes na prática diária
Reduzir riscos associados à terapêutica
Promover a adesão e eficácia dos tratamentos
Capacitar o doente para decisões seguras
Índice dos temas abordados
Tomar medicamentos de forma inconsistente
Interromper o tratamento precocemente
Misturar medicamentos sem avaliar interações
Utilizar doses incorretas
Ignorar instruções específicas de administração
1. Tomar medicamentos de forma inconsistente
A eficácia terapêutica depende da manutenção de níveis plasmáticos estáveis. A toma irregular compromete a farmacocinética, reduzindo a eficácia e podendo favorecer resistência (no caso de antibióticos) ou descompensação de doenças crónicas como hipertensão e diabetes².
Muitos doentes suspendem a medicação assim que se sentem melhor, ignorando que a doença pode não estar resolvida a nível fisiológico. Este comportamento é particularmente crítico em infeções bacterianas, favorecendo recidivas e resistência antimicrobiana³.
As interações medicamentosas representam uma das causas mais subestimadas de falha terapêutica e eventos adversos. Podem ocorrer por mecanismos farmacocinéticos (absorção, metabolismo, excreção) ou farmacodinâmicos (efeito sinérgico ou antagonista), sendo particularmente relevantes em doentes polimedicados. A sua identificação precoce é crítica para prevenir complicações potencialmente graves⁴⁷.
Tabela resumo das interações mais frequentes
Combinação
Risco principal
Recomendação
AINE + anticoagulante
Hemorragia
Evitar
IECA/ARA II + diurético + AINE
Lesão renal aguda
Monitorizar
Estatina + macrólido
Miopatia
Ajustar
Benzodiazepina + álcool
Depressão respiratória
Contraindicado
ISRS + AINE
Hemorragia GI
Precaução
Varfarina + vitamina K
Redução efeito
Estabilizar dieta
Metformina + álcool
Acidose láctica
Evitar
Digoxina + diurético
Arritmias
Monitorizar
Clopidogrel + IBP (omeprazol)
↓ eficácia
Preferir pantoprazol
Antibiótico + contraceptivo oral
↓ eficácia contracetiva
Método adicional
Análise detalhada das interações
Descrevo de seguida algumas das mais relevantes e comuns interações que podem alterar o efeito terapêutico dos medicamentos. Algumas interações potenciam e outras diminuem a ação terapêutica do medicamento.
AINE + anticoagulante (ex: ibuprofeno + varfarina)
A associação entre anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) e anticoagulantes aumenta significativamente o risco de hemorragia gastrointestinal e sistémica, devido a efeito sinérgico na inibição da coagulação e agressão da mucosa gástrica⁴.
IECA/ARA II + diurético + AINE (“triple whammy”)
Esta combinação pode levar a insuficiência renal aguda por redução da perfusão glomerular: os AINEs reduzem a vasodilatação aferente, enquanto IECA/ARA II diminuem a pressão eferente, e os diuréticos reduzem volume plasmático⁷.
Os macrólidos inibem o citocromo P450 (CYP3A4), aumentando os níveis de estatinas e o risco de miopatia e rabdomiólise⁸.
Benzodiazepinas + álcool
Ambos deprimem o sistema nervoso central, podendo causar sedação profunda, depressão respiratória e risco de morte⁹.
ISRS (antidepressivos) + AINE
Esta combinação aumenta o risco de hemorragia digestiva devido à interferência na agregação plaquetária⁴.
Varfarina + alimentos ricos em vitamina K
A vitamina K antagoniza o efeito da varfarina, reduzindo a anticoagulação e aumentando o risco trombótico. A consistência da ingestão alimentar é essencial¹⁰.
Metformina + álcool
O álcool potencia o risco de acidose láctica, uma complicação rara mas potencialmente fatal, especialmente em doentes com compromisso hepático ou renal¹¹.
Digoxina + diuréticos (ex: furosemida)
Os diuréticos podem causar hipocaliémia, aumentando a sensibilidade cardíaca à digoxina e o risco de arritmias graves¹².
Clopidogrel + omeprazol
O omeprazol inibe o CYP2C19, reduzindo a ativação do clopidogrel e diminuindo o seu efeito antiagregante. Alternativas como pantoprazol são preferíveis.
Antibióticos + contraceptivos orais
Alguns antibióticos podem reduzir a eficácia dos contracetivos orais, possivelmente por alteração da flora intestinal e recirculação entero-hepática, justificando método adicional temporário¹³.
Fármaco A + Fármaco B → Alteração metabolismo/efeito → ↑ toxicidade ou ↓ eficácia
Interpretação clínica
Estas interações são particularmente relevantes em:
Idosos (polimedicação)
Doentes crónicos
Automedicação sem aconselhamento
Uso simultâneo de suplementos
A intervenção farmacêutica é determinante para identificar e prevenir estas situações, reforçando o papel crítico do farmacêutico comunitário na segurança do medicamento.
Fármaco A + Fármaco B → Interação → ↑ toxicidade / ↓ eficácia
4. Utilizar doses incorretas
A sobredosagem pode levar a toxicidade aguda, enquanto a subdosagem compromete a eficácia. Este erro é comum em pediatria e idosos devido a dificuldades na medição ou compreensão das instruções⁵.
5. Ignorar instruções específicas de administração
Alguns medicamentos requerem condições específicas para absorção ideal (ex: em jejum, com alimentos, evitar certos nutrientes). Ignorar estas orientações pode comprometer a biodisponibilidade⁶.
📊 Tabela resumo
Instrução ignorada
Impacto
Exemplo
Tomar com alimentos
↓ irritação
AINE
Tomar em jejum
↑ absorção
Levotiroxina
Administração incorreta → ↓ absorção → ↓ eficácia
📊 Tabela comparativa global
Tipo de erro
Frequência
Gravidade
Prevenção
Inconsistência
Alta
Moderada
Rotina
Interrupção
Alta
Alta
Educação
Interações
Média
Alta
Avaliação
Dose incorreta
Média
Alta
Informação
Administração errada
Alta
Moderada
Instruções
Conclusão
A utilização correta de medicamentos é um dos pilares fundamentais da medicina moderna. Pequenos erros aparentemente inofensivos podem comprometer significativamente a eficácia terapêutica e aumentar o risco de efeitos adversos. A evidência científica demonstra que a maioria destes erros é evitável com educação adequada e acompanhamento profissional.
O papel do farmacêutico comunitário é absolutamente central na prevenção destes erros, funcionando como um elo crítico entre o medicamento e o doente. A promoção da literacia em saúde e o acompanhamento próximo permitem transformar a terapêutica farmacológica numa ferramenta segura e altamente eficaz.
✔️ Pontos-chave finais
Uso correto melhora resultados clínicos
Erros são frequentes mas evitáveis
Adesão terapêutica é determinante
Informação reduz riscos
Farmacêutico é essencial na segurança
Perguntas frequentes (FAQs)
1. O que devo fazer se me esquecer de tomar um medicamento? Na maioria dos casos, deve tomar a dose assim que se lembrar. No entanto, se estiver próximo da próxima toma, deve ignorar a dose esquecida e retomar o esquema habitual. Nunca deve duplicar a dose sem indicação médica.
2. Posso parar um antibiótico quando me sinto melhor? Não. A interrupção precoce pode não eliminar completamente a bactéria, aumentando o risco de recaída e desenvolvimento de resistências bacterianas.
3. É seguro tomar vários medicamentos ao mesmo tempo? Depende. Muitos medicamentos podem ser usados em conjunto, mas algumas combinações podem causar interações perigosas. Deve sempre confirmar com um profissional de saúde.
4. O que acontece se tomar uma dose maior do que a recomendada? Pode ocorrer toxicidade, que varia desde sintomas ligeiros (náuseas, tonturas) até situações graves como lesão hepática ou renal, dependendo do medicamento.
5. Posso tomar medicamentos com álcool? Em geral, não é recomendado. O álcool pode potenciar efeitos sedativos, aumentar toxicidade hepática ou interferir com a eficácia de vários medicamentos.
6. É importante tomar os medicamentos sempre à mesma hora? Sim. Manter horários regulares ajuda a garantir níveis constantes do medicamento no organismo, aumentando a eficácia e reduzindo efeitos adversos.
7. Posso partir ou esmagar comprimidos? Nem sempre. Alguns comprimidos têm libertação modificada ou revestimento especial. Alterá-los pode comprometer a eficácia ou segurança. Deve confirmar antes.
8. Os suplementos naturais podem interferir com medicamentos? Sim. Substâncias como hipericão, ginkgo biloba ou suplementos ricos em vitamina K podem interferir com antidepressivos, anticoagulantes e outros fármacos.
9. É seguro tomar medicamentos fora do prazo de validade? Não é recomendado. Embora alguns medicamentos mantenham estabilidade, outros podem perder eficácia ou tornar-se inseguros.
10. Devo tomar medicamentos em jejum ou com alimentos? Depende do medicamento. Alguns requerem jejum para melhor absorção (ex: levotiroxina), enquanto outros devem ser tomados com alimentos para reduzir irritação gástrica (ex: anti-inflamatórios).
Peptídeos terapêuticos explicados: semaglutido (Ozempic, Wegovy, Rybelsus), tirzepatida (Mounjaro) e dulaglutido (Trulicity), DPP-4, GIP, risco tiroideu e análise dos 12 peptídeos reclassificados pela FDA em 2026. Evidência científica, doses e segurança.
Os peptídeos terapêuticos representam uma das áreas mais promissoras da farmacologia moderna, posicionando-se na interseção entre pequenas moléculas e biológicos complexos. Com elevada especificidade de ligação a recetores, menor toxicidade sistémica e potencial para modular vias fisiológicas críticas, estes compostos têm vindo a ganhar destaque em áreas como regeneração tecidular, neurologia e metabolismo¹.
O impacto desta classe tornou-se evidente com o sucesso de Semaglutido, comercializado com os nomes Ozempic, Wegovy, Rybelsus; Tirzepatida comercializada com o nome Mounjaro e também do Dulaglutido, comercializado com o nome Trulicity18, amplamente utilizado no tratamento da diabetes tipo 2 e com benefícios cardiovasculares demonstrados¹²¹⁸.
Em abril de 2026, a Food and Drug Administration introduziu uma alteração relevante ao remover 12 peptídeos da lista “Categoria 2 – Do Not Compound”. Esta decisão representa um ponto de inflexão regulatório, permitindo maior flexibilidade na manipulação magistral — embora não constitua aprovação formal para uso clínico generalizado, um ponto essencial para interpretação correta dos dados científicos e implicações terapêuticas².
Objetivo do artigo
Explicar os fundamentos dos peptídeos terapêuticos
Analisar semaglutido, tirzepatida e dulaglutido
Comparar eficácia, segurança e utilização clínica
Avaliar os 12 peptídeos reclassificados
Apoiar decisões clínicas baseadas em evidência
O que são peptídeos terapêuticos
Os peptídeos são cadeias curtas de aminoácidos (tipicamente <50), capazes de atuar como ligandos altamente seletivos para recetores celulares, modulando vias de sinalização específicas. Ao contrário de pequenas moléculas, apresentam menor interação inespecífica; e comparativamente aos anticorpos monoclonais, oferecem maior penetração tecidular e menor custo de produção³.
Esquema conceptual simplificado
Peptídeo → Recetor celular → Ativação/inibição de via → Efeito biológico → Aplicação terapêutica
Os peptídeos terapêuticos deixaram de ser uma promessa distante para se tornarem uma realidade clínica consolidada. Dois exemplos paradigmáticos — Semaglutido e Tirzepatida — são hoje utilizados por milhões de pessoas em todo o mundo, com resultados clínicos robustos no tratamento da obesidade e da diabetes tipo 2¹².
Estes fármacos representam uma verdadeira mudança de paradigma: demonstram que os peptídeos, quando devidamente estudados e aprovados, podem alcançar eficácia elevada com perfis de segurança aceitáveis. Este sucesso clínico recente reforça o interesse crescente noutras classes de peptídeos, incluindo os 12 compostos recentemente reclassificados pela Food and Drug Administration em abril de 2026.
Importa, contudo, distinguir claramente dois níveis:
Peptídeos aprovados com evidência clínica robusta (como semaglutido e tirzepatida)
Peptídeos em fase experimental ou com evidência limitada (como BPC-157 ou MOTS-c)
O que são o semaglutido e a tirzepatida
O semaglutido é um análogo do GLP-1 (glucagon-like peptide-1), resistente à degradação pela DPP-4, que prolonga a sua ação biológica¹. Atua através de:
Aumento da secreção de insulina dependente da glicose
Redução da secreção de glucagon
Atraso do esvaziamento gástrico
Aumento da saciedade central
A tirzepatida é um agonista duplo dos recetores GIP e GLP-1, combinando efeitos incretínicos sinérgicos². Este duplo mecanismo traduz-se em maior eficácia metabólica comparativamente aos agonistas isolados de GLP-1.
Efeitos terapêuticos comprovados
Semaglutido
Redução de peso: até ~15% em estudos clínicos¹
Melhoria do controlo glicémico (HbA1c ↓)
Redução de risco cardiovascular
Tirzepatida
Redução de peso: até ~20–22%²
Maior redução da HbA1c comparativamente ao semaglutido
Potencial superior na reversão da resistência à insulina
DPP-4 e recetores GIP
A DPP-4 degrada incretinas como GLP-1 e GIP⁴, enquanto os recetores GIP potenciam a secreção de insulina⁵. A tirzepatida atua em ambos os recetores, aumentando a eficácia metabólica.
Dulaglutido (Trulicity): enquadramento clínico
O dulaglutido é um agonista do recetor GLP-1 de longa duração, administrado semanalmente, com uma estrutura modificada que aumenta a sua estabilidade e meia-vida¹⁸.
As C-células tiroideias produzem calcitonina⁶. Estudos em roedores demonstraram risco de tumores com agonistas GLP-1⁷, mas em humanos o risco permanece teórico.
Os 12 peptídeos reclassificados (FDA 2026)
Análise dos 12 peptídeos
1. BPC-157 (Body Protection Compound)
Pentadecapeptídeo derivado de proteínas gástricas com propriedades citoprotetoras. Estudos animais sugerem efeitos na cicatrização de tendões, músculo e mucosa gastrointestinal8.
Potencial: regeneração tecidular
Evidência: predominantemente pré-clínica
Via: subcutânea/oral (experimental)
Riscos: desconhecidos em humanos
2. TB-500 (Thymosin Beta-4)
Peptídeo envolvido na migração celular e angiogénese. Demonstra potencial em regeneração muscular e cardiovascular9.
Potencial: reparação tecidular, angiogénese
Evidência: modelos animais
Riscos: possível promoção tumoral teórica
3. MOTS-c
Peptídeo mitocondrial associado à regulação metabólica e sensibilidade à insulina10.
Potencial: diabetes, obesidade, longevidade
Evidência: estudos em roedores + ensaios iniciais humanos
Via: subcutânea
4. Semax
Análogo do ACTH com propriedades neuroprotetoras e nootrópicas11.
Potencial: AVC, défice cognitivo
Evidência: estudos clínicos na Rússia
Via: intranasal
5. Selank
Peptídeo ansiolítico derivado da tuftsin12.
Potencial: ansiedade, perturbações do humor
Evidência: limitada fora de países de Leste
Via: intranasal
6. Epitalon
Peptídeo associado à regulação da telomerase e envelhecimento13.
Potencial: longevidade
Evidência: estudos experimentais
Riscos: desconhecidos
7. GHK-Cu
Complexo peptídeo-cobre com efeitos na regeneração cutânea14.
Potencial: dermatologia, cicatrização
Evidência: razoável em humanos (uso cosmético)
8. CJC-1295
Análogo do GHRH que estimula a hormona de crescimento15.
Potencial: sarcopenia
Riscos: resistência à insulina, edema
9. Ipamorelin
Agonista seletivo da secreção de GH19.
Melhor perfil de efeitos adversos comparado com outros GHRPs
10. Thymalin
Peptídeo imunomodulador derivado do timo20.
Potencial: imunossenescência
Evidência: limitada
11. Pinealon
Peptídeo neuroprotetor com ação epigenética21.
12. KPV (Lys-Pro-Val)
Peptídeo anti-inflamatório derivado da α-MSH22.
Tabela 1 — Mecanismo, potencial e evidência
Peptídeo
Mecanismo
Potencial
Evidência
BPC-157
Regeneração
Lesões
Pré-clínica
TB-500
Angiogénese
Reparação
Pré-clínica
MOTS-c
Metabolismo
Diabetes
Inicial
Semax
Neuroproteção
AVC
Moderada
Selank
Ansiolítico
Ansiedade
Limitada
Epitalon
Telomerase
Longevidade
Experimental
GHK-Cu
Regeneração
Pele
Moderada
CJC-1295
GH
Sarcopenia
Inicial
Ipamorelin
GH
Hormonal
Inicial
Thymalin
Imune
Imunidade
Limitada
Pinealon
Neuro
SNC
Experimental
KPV
Anti-inflamatório
Intestinal
Inicial
Tabela 2 — Dose, via e riscos
Peptídeo
Dose típica
Via
Riscos
BPC-157
200–500 mcg
SC
Desconhecidos
TB-500
2–5 mg
SC
Teóricos
MOTS-c
5–10 mg
SC
Limitados
Semax
0.1–1 mg
Intranasal
Baixos
Selank
0.25–1 mg
Intranasal
Baixos
Epitalon
5–10 mg
SC
Desconhecidos
GHK-Cu
variável
Tópico
Baixos
CJC-1295
1–2 mg
SC
Edema
Ipamorelin
200–300 mcg
SC
Baixos
Thymalin
variável
IM
Limitados
Pinealon
variável
SC
Desconhecidos
KPV
variável
Oral/SC
Baixos
Conclusão
Os peptídeos terapêuticos representam uma transformação estrutural na medicina moderna. O sucesso de Semaglutido, Tirzepatida e Dulaglutido demonstra que esta classe pode redefinir o tratamento das doenças metabólicas.
Contudo, os 12 peptídeos recentemente reclassificados pela Food and Drug Administration permanecem numa fase inicial de desenvolvimento, exigindo validação clínica robusta.
Pontos-chave
GLP-1 e GIP revolucionaram o tratamento metabólico
Dulaglutido é eficaz, mas menos potente
Tirzepatida lidera em eficácia
Novos peptídeos ainda não validados
Futuro altamente promissor
Referências bibliográficas
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Os anticoagulantes e os antiagregantes plaquetários reduziram de forma muito significativa a incidência de acidente vascular cerebral, enfarte do miocárdio, tromboembolismo venoso e trombose associada a doença cardiovascular. No entanto, o seu benefício depende de um equilíbrio delicado ou seja anticoagular pouco aumenta o risco tromboembólico; anticoagular ou antiagregar em excesso aumenta o risco hemorrágico, por vezes com gravidade major ou fatal.1-3
Na prática clínica, uma parte relevante das complicações não resulta do fármaco “em si”, mas de interações com outros medicamentos, fitoterápicos, suplementos, chás, infusões, álcool, alterações dietéticas importantes e automedicação para a dor, sobretudo com anti-inflamatórios não esteroides (AINEs).2,3
O objetivo deste artigo é explicar, de forma clara mas cientificamente rigorosa, a diferença entre anticoagulantes, antiagregantes plaquetários e antagonistas da vitamina K; identificar as interações mais relevantes com ibuprofeno, diclofenac, naproxeno, etoricoxibe, antibióticos mais prescritos, alimentos e suplementos; propor uma estratégia prática para o tratamento da dor moderada, forte e muito forte em doentes hipocoagulados, minimizando o risco hemorrágico e o risco tromboembólico.1-3
Resumo do artigo
Em termos simples:
Anticoagulantes orais diretos (DOACs) como o apixabano e o rivaroxabano, reduzem a formação de fibrina e interferem com a cascata da coagulação.
Antiagregantes plaquetários como o clopidogrel, ticagrelor, reduzem a ativação e agregação das plaquetas.
Antagonistas da vitamina K, como a varfarina, também são anticoagulantes, mas com perfil de interações muito diferente, sobretudo com alimentos ricos em vitamina K e múltiplos medicamentos.1,2,14
Ao longo do artigo ficará claro que:
Anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) sistémicos, como ibuprofeno, diclofenac, nimesulida e naproxeno, são, em geral, a classe mais problemática quando associados a anticoagulantes ou antiagregantes;
Macrólidos, especialmente a claritromicina, merecem cautela acrescida com apixabano e rivaroxabano;
Erva de São João pode reduzir a eficácia de alguns anticoagulantes;
Interações alimentares são muito relevantes com varfarina, mas menos previsíveis e menos fortes com DOACs;
Na dor, a opção mais segura costuma começar por paracetamol, evoluindo depois de forma prudente para opioides selecionados quando clinicamente necessário.3,4,11-18
Anticoagulantes, antiagregantes plaquetários e antagonistas da vitamina K: qual é a diferença?
Anticoagulantes orais diretos (DOACs)
Os DOACs mais usados em 2025 e 2026 incluem apixabano e rivaroxabano. São fármacos anticoagulantes, mas não são antiagregantes. O seu alvo principal é a cascata da coagulação, sobretudo o fator Xa no caso do apixabano e do rivaroxabano. São utilizados sobretudo na fibrilhação auricular não valvular, no tratamento e prevenção do tromboembolismo venoso e, em certos contextos, em doentes coronários ou vasculares selecionados.1,2,13
Vantagens dos DOACs
Início de ação rápido
Dose fixa na maioria das situações
Menor necessidade de monitorização laboratorial rotineira
Menor risco de hemorragia intracraniana do que a varfarina em muitos cenários clínicos.1,2
Não necessita de monitorizar o INR.
Desvantagens dos DOACs
Dependência de função renal e, em alguns casos, hepática
Interações com fármacos que modulam P-gp e CYP3A4
Maior dificuldade em “medir” o efeito anticoagulante de rotina
Problemas clínicos se houver má adesão, porque a perda do efeito pode ser relativamente rápida.1-3
Antiagregantes plaquetários
O clopidogrel é um antiagregante plaquetário, não um anticoagulante. Atua sobretudo ao inibir irreversivelmente o recetor P2Y12 nas plaquetas, reduzindo a sua agregação. É muito usado em doentes com síndrome coronária aguda, após angioplastia/stent, e em alguns contextos de prevenção secundária vascular.8,10
Vantagens
Fundamental na doença coronária e após stent
Forte evidência em prevenção de eventos isquémicos arteriais.10
Desvantagens
Risco hemorrágico, sobretudo gastrointestinal
Variabilidade de resposta por genética CYP2C19
Interações importantes com alguns inibidores da bomba de protões, nomeadamente omeprazol e esomeprazol.8,9
Antagonistas da vitamina K
A varfarina pertence aos antagonistas da vitamina K. Continua a ser muito relevante em certos doentes, sobretudo quando existem indicações específicas ou contextos em que os DOACs não são a melhor opção. Contudo, a varfarina tem um perfil clássico de interação com alimentos ricos em vitamina K, com múltiplos medicamentos e com alterações agudas do estado clínico.2,14,20
Vantagens
Grande experiência clínica
Pode ser usada em situações em que os DOACs não são adequados
Monitorização por INR permite medir a intensidade do efeito.14
Desvantagens
Variabilidade interindividual elevada
Necessidade de vigilância laboratorial frequente
Interações alimentares e medicamentosas muito numerosas.2,14,20
O INR, ou International Normalized Ratio, é um índice utilizado para avaliar a coagulação do sangue. Este exame é fundamental para pacientes que fazem uso de anticoagulantes, como a varfarina, pois permite monitorar a eficácia do tratamento e ajustar as doses de medicação. O INR é um exame que ajuda a identificar problemas na coagulação, avaliar o risco de hemorragia e o funcionamento do fígado. Além disso, é um índice padronizado adotado mundialmente para unificar as análises do tempo de protrombina, que indica a tendência de coagulação do sangue de um paciente.
Tabela 1. Principais classes, exemplos, indicações e pontos críticos
Classe
Exemplos
Indicações principais
Vantagens
Desvantagens/interações
Anticoagulantes orais diretos (DOACs)
Apixabano, Rivaroxabano
Fibrilhação auricular, TVP, EP
Dose fixa, menos monitorização, menos hemorragia intracraniana que varfarina em muitos cenários
Interações com P-gp/CYP3A4; cautela com antibióticos, antifúngicos, antiepiléticos, fitoterápicos1-3
Risco hemorrágico; interação com omeprazol/esomperazol; variabilidade genética CYP2C198-10
Antagonistas da vitamina K
Varfarina
Indicações selecionadas, algumas valvulopatias/próteses valvulares
INR permite ajuste fino
Interações muito numerosas com alimentos e antibióticos; instabilidade do INR2,14,20
Como acontecem as interações?
As interações importantes dividem-se em dois grandes mecanismos: Farmacocinéticas e farmacodinámicas.2,3
Interações farmacocinéticas
Alteram a absorção, transporte ou metabolização do fármaco. Em apixabano e rivaroxabano, ganham particular importância os moduladores da P-gp e do CYP3A4. Um inibidor pode aumentar a concentração plasmática e o risco de hemorragia; um indutor pode reduzir a concentração e aumentar o risco tromboembólico.2,3,13
Interações farmacodinâmicas
Não alteram necessariamente a concentração do anticoagulante, mas somam efeitos sobre a hemostase. É o que acontece com:
Anti-inflamatórios não esteroides (AINEs)
Ácido acetilsalicílico
Antidepressivos inibidores seletivos da recaptação da serotonina (SSRIs) tais como sertralina, fluoxetina, paroxetina, escitalopram e citalopram
Antidepressivos Inibidores da recaptação da serotonina e noradrenalina (SNRIs) tais como venlafaxina e duloxetina
Fitoterápicos com potencial antiagregante.2,3,11
Anti-inflamatórios não esteroides (AINEs): o maior problema evitável
Os AINEs são uma das associações mais perigosas e mais frequentes. Isto aplica-se tanto a doentes sob anticoagulação como a doentes sob antiagregação, e o risco pode ser ainda maior quando coexistem idade avançada, história de úlcera, insuficiência renal, uso de corticoides, álcool ou polimedicação.6,7,15,19
Porque são problemáticos?
Os AINEs:
Lesam a mucosa gastrointestinal;
Reduzem a síntese de prostaglandinas protetoras;
Alguns interferem adicionalmente com a função plaquetária;
Combinados com anticoagulantes/antiagregantes, aumentam o risco hemorrágico por soma farmacodinâmica.2,6,7
A meta-análise mais recente disponível identificou aumento significativo do risco de hemorragia quando AINEs são coadministrados com anticoagulantes orais.6 O grande estudo dinamarquês em doentes com fibrilhação auricular sob anticoagulação observou risco hemorrágico hospitalar quase duplicado com uso concomitante de AINEs.7
Tabela 2. AINEs frequentes e risco relativo em doentes hipocoagulados
Fármaco
Comentário prático
Ibuprofeno
Entre os AINEs não seletivos, tende a apresentar risco gastrointestinal relativamente menor do que alguns outros, mas continua a ser clinicamente problemático com anticoagulantes/antiagregantes.19
Diclofenac
AINE eficaz, mas com risco hemorrágico e gastrointestinal relevante; não deve ser encarado como “seguro” em doente anticoagulado.6,7
Naproxeno
Muito usado, mas o risco de hemorragia gastrointestinal é relevante e a associação com antitrombóticos deve ser evitada sempre que possível.6,7
Etoricoxibe
Os seletivos COX-2 podem reduzir parte do risco gastrointestinal comparativamente com alguns AINEs não seletivos, mas não anulam o risco hemorrágico global em doentes sob anticoagulação/antiagregação.15,19
Cetorolac
Particularmente desfavorável em termos hemorrágicos; deve ser evitado em associação com anticoagulantes e antiagregantes.19
Conclusão prática sobre AINEs
Em doentes a tomar apixabano, rivaroxabano ou clopidogrel, a regra geral deve ser evitar AINEs sistémicos, salvo exceções clínicas muito justificadas e por períodos tão curtos quanto possível, com avaliação do risco gastrointestinal e hemorrágico.3,6,7,15
Antibióticos quais preocupam mais?
Claritromicina
A claritromicina é a associação antibiótica que mais justifica cautela com apixabano e rivaroxabano. Trata-se de um inibidor importante do CYP3A4 e da P-gp, podendo aumentar a exposição ao fármaco. Um grande estudo populacional em idosos sob DOAC mostrou que a coadministração com claritromicina se associou a uma taxa de hemorragia major superior à observada com azitromicina.4
Azitromicina
A azitromicina é, em geral, menos problemática do que a claritromicina do ponto de vista de interação com DOACs. Isso não significa risco nulo, mas o perfil é globalmente mais favorável.4,5
Ciprofloxacina
A ciprofloxacina merece prudência. A evidência é menos robusta do que para claritromicina, mas há dados observacionais e farmacológicos que justificam vigilância, sobretudo em idosos, em doentes frágeis, polimedicados ou com insuficiência renal.3,5
Amoxicilina e amoxicilina/ácido clavulânico
Com apixabano e rivaroxabano, estas combinações não figuram entre as interações farmacocinéticas major clássicas. Na prática, costumam ser opções mais simples do que claritromicina. Ainda assim, em doentes frágeis, o contexto clínico importa: diarreia, desidratação, alteração renal ou hepática, e polimedicação podem modificar o risco global.3 Com varfarina, a história é diferente: vários antibióticos, incluindo penicilinas em determinados contextos, podem descompensar o INR.20
Tabela 3. Antibióticos frequentes e impacto prático
Antibiótico
Apixabano/Rivaroxabano
Clopidogrel
Varfarina
Amoxicilina
Sem interação major clássica conhecida; vigiar contexto clínico
Sem interação major clássica
Pode alterar INR em alguns doentes3,20
Amoxicilina + ácido clavulânico
Sem interação major clássica conhecida; vigiar contexto clínico
Sem interação major clássica
Pode alterar INR em alguns doentes3,20
Azitromicina
Geralmente preferível à claritromicina quando clinicamente adequada
Geralmente sem grande problema
Pode exigir vigilância em doentes selecionado4,5,20
Claritromicina
Evitar ou vigiar muito de perto
Pode aumentar risco hemorrágico por contexto terapêutico global
Pode interagir e aumentar instabilidade anticoagulante3,4,20
Ciprofloxacina
Prudência e vigilância, sobretudo em idosos/polimedicados
Sem interação clássica major, mas atenção ao doente global
Pode alterar INR3,5,20
Clopidogrel interações importantes
Quando se fala em clopidogrel, o foco excessivo nos alimentos pode fazer esquecer duas interações clinicamente mais relevantes como os inibidores da bomba de protões (IBP) como o omeprazol e esomeprazol mas também com os anti-inflamatórios não esteroides (AINEs).
Omeprazol e esomeprazol
A orientação prática do Specialist Pharmacy Service é clara: evitar a combinação de clopidogrel com omeprazol ou esomeprazol devido à inibição do CYP2C19, que pode reduzir a ativação do clopidogrel e, portanto, a sua eficácia antiagregante.9
Genética CYP2C19
Alguns doentes são metabolizadores intermédios ou pobres e podem responder pior ao clopidogrel. Isso é particularmente relevante em contexto coronário e de stent. O guideline CPIC reforça esta dimensão farmacogenética.8
AINEs e dupla agressão hemorrágica
Com clopidogrel, os AINEs aumentam o risco hemorrágico por dupla via: agravam a lesão gastrointestinal e, em alguns casos, somam interferência sobre a hemostase. Isto é particularmente importante quando o clopidogrel é usado com aspirina ou quando o doente tem historial gastrointestinal.10
Ticagrelor
O Ticagrelor é um antiagregante plaquetário pertencente à classe dos inibidores do recetor P2Y12, tal como o clopidogrel. No entanto, apresenta diferenças farmacológicas importantes que têm implicações clínicas relevantes. O ticagrelor é um antiagregante plaquetário de ação direta e reversível, que inibe o recetor P2Y12 nas plaquetas, impedindo a sua ativação e agregação.
Ao contrário do clopidogrel:
não necessita de ativação hepática (não é pró-fármaco)
tem início de ação mais rápido
apresenta efeito mais potente e consistente entre doentes 1,2
É amplamente utilizado em:
síndrome coronária aguda (SCA)
após angioplastia com colocação de stent
prevenção secundária de eventos cardiovasculares de alto risco1
Vantagens do ticagrelor
Maior eficácia na redução de eventos cardiovasculares (enfarte, morte cardiovascular) comparativamente ao clopidogrel em vários estudos, incluindo o ensaio PLATO1
Menor variabilidade interindividual (não dependente do CYP2C19)
Início de ação rápido (vantajoso em contexto agudo)
Inibição plaquetária mais previsível
Desvantagens e efeitos adversos
Maior risco de hemorragia não relacionada com cirurgia comparativamente ao clopidogrel<sup>1</sup>
Dispneia (efeito adverso relativamente frequente, geralmente ligeiro a moderado)
Bradicardia em alguns doentes
Necessidade de administração 2 vezes por dia, o que pode comprometer a adesão
Custo superior
Interações medicamentosas relevantes
O ticagrelor é metabolizado principalmente pelo CYP3A4, o que o torna suscetível a interações importantes.
Fármacos que aumentam o risco hemorrágico
Anticoagulantes (ex: Apixabano, Rivaroxabano)
AINEs (ex: Ibuprofeno, Naproxeno)
Outros antiagregantes
👉 Efeito: aumento significativo do risco de hemorragia (interação farmacodinâmica)2,3
Inibidores fortes do CYP3A4 (evitar)
Claritromicina
Antifúngicos azóis (ex: cetoconazol)
👉 Efeito: aumento dos níveis de ticagrelor → ↑ risco hemorrágico2
Indutores do CYP3A4 (evitar)
Rifampicina
Carbamazepina
Erva de São João
👉 Efeito: redução da eficácia → ↑ risco trombótico<sup>2,4</sup>
Interações com alimentos e hábitos
Toranja (grapefruit): pode aumentar níveis do ticagrelor (inibição CYP3A4)
Álcool: aumenta risco hemorrágico global
Não apresenta interação relevante com vitamina K (ao contrário da varfarina)
Ticagrelor vs clopidogrel: comparação prática
Característica
Ticagrelor
Clopidogrel
Tipo
Antiagregante direto
Pró-fármaco
Ativação hepática
Não
Sim (CYP2C19)
Início de ação
Rápido
Mais lento
Variabilidade
Baixa
Elevada
Eficácia
Superior em SCA
Boa
Risco hemorrágico
Maior
Menor
Posologia
2x/dia
1x/dia
Integração clínica no contexto do artigo
No contexto global deste artigo, o ticagrelor deve ser entendido como:
Um antiagregante potente, frequentemente usado em associação com aspirina
Um fármaco com risco hemorrágico relevante, especialmente quando combinado com anticoagulantes ou AINEs
Um medicamento com interações metabólicas importantes (CYP3A4), ao contrário do clopidogrel (CYP2C19)
👉 Em doentes a tomar ticagrelor:
evitar AINEs sempre que possível
privilegiar paracetamol para dor
avaliar cuidadosamente antibióticos como claritromicina
Alimentos, infusões, chás e suplementos e risco hemorrágico
Aqui importa ser rigoroso. A evidência sobre alimentos e plantas é muito mais forte para varfarina do que para DOACs ou clopidogrel. Para muitos suplementos, a evidência baseia-se em séries de casos, plausibilidade biológica, estudos pequenos ou relatos perioperatórios, e não em grandes ensaios clínicos.11,12
Podem aumentar o risco hemorrágico
Ginkgo biloba
Alho em suplemento ou em doses elevadas
Gengibre em doses elevadas/suplementação
Camomila em alguns contextos
Curcuma em suplementação
Álcool em excesso
Associação de múltiplos produtos “naturais” com efeito antiagregante presumido.11,12
Tabela 4. Produtos com potencial para aumentar hemorragia
Produto
Comentário
Ginkgo biloba
Sinal recorrente de risco hemorrágico, sobretudo quando combinado com anticoagulantes/antiagregantes.11
Alho (suplementos/doses elevadas)
Dados sugerem potencial antiagregante; maior prudência em forma de suplemento do que em uso culinário normal.11
Gengibre (suplementos/doses elevadas)
Evidência menos sólida, mas plausibilidade biológica e alguns sinais clínicos justificam prudência.11,12
Camomila
Possíveis interações descritas, sobretudo com anticoagulação; evidência não é de topo, mas merece cautela.12
Curcuma (turmeric)
Possível efeito sobre hemostase; prudência em suplementos concentrados.11,12
Álcool
Aumenta risco hemorrágico e favorece quedas/trauma; o excesso é particularmente problemático.14
O que pode diminuir a eficácia e aumentar o risco tromboembólico?
Erva de São João (Hypericum perforatum)
Esta é uma das interações fitoterápicas mais importantes e mais credíveis. A erva de São João pode induzir CYP3A4 e P-gp, reduzindo a exposição a apixabano e rivaroxabano, e aumentando o risco de subanticoagulação.2,12,13,21
Rifampicina, carbamazepina, fenitoína e outros indutores enzimáticos
Embora não sejam alimentos, são exemplos clássicos de substâncias que podem reduzir a eficácia dos DOACs. Clinicamente, são mais relevantes do que a maioria dos alimentos.2,3,13
Alimentos ricos em vitamina K (sobretudo com varfarina)
No caso da varfarina, a mensagem correta não é “proibir couves, espinafres ou brócolos”, mas sim manter uma ingestão consistente. Grandes oscilações na ingestão de vitamina K podem tornar o INR instável e reduzir ou aumentar o efeito anticoagulante.14
Tabela 5. Fatores que podem reduzir eficácia antitrombótica
Fator
Mais relevante em
Efeito esperado
Erva de São João
Apixabano, Rivaroxabano
Redução do efeito anticoagulante; maior risco tromboembólico12,13,21
Rifampicina
DOACs
Redução do efeito anticoagulante2,3,13
Carbamazepina/fenitoína
DOACs
Redução do efeito anticoagulante2,3,13
Alterações bruscas de dieta ricas em vitamina K
Varfarina
Menor INR/menor efeito anticoagulante14
Omeprazol/esomeprazol
Clopidogrel
Menor ativação do clopidogrel; potencial menor eficácia9
Os alimentos mais ricos em vitamina K são sobretudo os vegetais de folha verde escura. A NIH Office of Dietary Supplements refere que as principais fontes alimentares de vitamina K1 são precisamente os vegetais verdes, alguns óleos vegetais e, em menor grau, certos frutos; já a vitamina K2 aparece mais em alimentos fermentados e alguns produtos de origem animal.
Para quem toma varfarina, o ponto mais importante não é “proibir” estes alimentos, mas sim manter uma ingestão relativamente constante de vitamina K ao longo da semana, porque aumentos ou reduções bruscas podem alterar o INR e o efeito anticoagulante.
Tabela 6: alimentos muito ricos em vitamina K
Valores aproximados, com base em tabelas nutricionais do USDA compiladas em materiais clínicos da VA e da USDA/NAL. Os valores podem variar com a variedade, porção e método de confeção.
Alimento
Porção
Vitamina K (aprox.)
Folhas de mostarda, cozidas
1/2 chávena
415 µg
Folhas de beterraba, cozidas
1/2 chávena
350 µg
Natto (soja fermentada)
100 g
muito elevado
Couve (kale), cozida
1/2 chávena
247 µg
Espinafres, cozidos
1/2 chávena
~220–240 µg
Couve-galega (collard greens), cozida
1/2 chávena
~220 µg
Brócolos, cozidos
1 chávena
162 µg
Couve-de-bruxelas, crua
1 chávena
156 µg
Espargos, cozidos
1 chávena
144 µg
Espinafres, crus
1 chávena
145 µg
Alface romana
1 chávena
valor elevado, mas abaixo dos vegetais acima
Salsa fresca
pequena porção culinária
muito concentrada por grama
Fontes bibliográficas da tabela
NIH Office of Dietary Supplements / LOINC summary on vitamin K food sources: vegetais de folha verde, óleos vegetais, alguns frutos; natto como fonte muito rica de menaquinonas.
USDA / National Agricultural Library, tabela de vitamina K em alimentos.
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NHS/CUH/UHCW, recomendações dietéticas para doentes a tomar varfarina, com ênfase na consistência da ingestão.
Em termos práticos, os alimentos mais relevantes são
espinafres
couve kale
couve-galega e outras couves de folha
folhas de mostarda
folhas de beterraba
brócolos
couve-de-bruxelas
espargos
salsa
natto (menos comum em Portugal, mas extremamente rico em vitamina K2)
Nota importante se estiver a tomar varfarina
Não é necessário eliminar estes alimentos. O mais seguro é:
comer quantidades semelhantes de semana para semana
evitar mudanças bruscas, como passar de quase não comer vegetais verdes para comer grandes quantidades diariamente
avisar o médico ou farmacêutico antes de iniciar dietas, suplementos verdes, detoxes ou grandes alterações alimentares.
Toranja (grapefruit)
A toranja é um inibidor conhecido de CYP3A4 intestinal e pode aumentar a exposição a vários medicamentos. Em anticoagulantes, a relevância clínica é mais plausível para fármacos dependentes desta via, como apixabano e rivaroxabano, embora a robustez da evidência clínica seja muito inferior à que existe para interações medicamentosas clássicas como claritromicina ou rifampicina.2,12
A orientação mais prudente para o leitor geral é: evitar consumo elevado e regular de toranja/sumo de toranja sem aconselhamento profissional, especialmente se já existir polimedicação cardiovascular.2
Tratar a dor em doentes hipocoagulados
Num doente a tomar apixabano, rivaroxabano, clopidogrel, ticagrelor ou varfarina, a dor deve ser tratada de forma escalonada, mas com uma regra central: evitar AINEs sistémicos sempre que possível.3,6,7,15
Antes de tratar a dor, avaliar
Local da dor;
Causa provável;
Duração;
Febre, trauma, hematoma, sangue nas fezes, urina escura ou vómitos com sangue;
Função renal e hepática;
Idade;
Outras terapêuticas (aspirina, SSRI, corticoides, álcool, anti-hipertensores).1-3
Dor ligeira a moderada: primeira escolha
Paracetamol
Adultos: 500 mg a 1.000 mg por toma
Intervalo habitual: de 4 em 4 a 6 em 6 horas
Máximo habitual em adultos: 4 g/dia
Em idosos frágeis, baixo peso, hepatopatia, alcoolismo crónico ou outras situações de risco, a dose máxima deve ser mais conservadora.15
Porque é a opção de primeira linha? Porque não aumenta o risco hemorrágico como os AINEs e, em uso habitual e prudente, é a opção analgésica mais segura no contexto de anticoagulação/antiagregação.3,15
Dor moderada não controlada com paracetamol
Tramadol
Formulações imediatas: habitualmente 50 mg por toma, podendo em contexto clínico selecionado usar-se 50 a 100 mg
Repetição: geralmente de 4/4 h a 6/6 h
Dose máxima habitual: 400 mg/dia em adultos apropriados, sendo necessária prudência em idosos e insuficiência renal/hepática.16
Pode ser uma opção útil quando se pretende evitar AINEs, mas não é um fármaco “inocente”: pode causar náuseas, tonturas, sedação, quedas, confusão e interações serotoninérgicas.16
Combinação paracetamol + tramadol É uma estratégia frequente para dor moderada a forte, desde que prescrita com prudência e ajustada ao doente.
Dor forte
Morfina oral A morfina é uma opção clássica para dor forte quando os AINEs devem ser evitados. A dose depende muito do contexto, do doente e da experiência prévia com opioides. Em prática clínica, podem usar-se formulações de libertação imediata em pequenas doses iniciais e ajustar conforme resposta, sempre com supervisão médica.17
Dor muito forte ou dor oncológica / refratária
Oxicodona É uma opção importante para dor forte a muito forte, com formulações de ação imediata e prolongada. As formulações imediatas costumam existir em 5 mg, 10 mg e 20 mg, tomadas várias vezes por dia, e a titulação deve ser médica.18
Nestes quadros, o objetivo deixa de ser apenas “dar um analgésico” e passa a ser:
controlar a dor com menor risco hemorrágico possível;
reduzir sedação excessiva;
prevenir obstipação, quedas e depressão respiratória;
tratar a causa da dor, se possível.
Dor localizada músculo-esquelética
Sempre que possível, privilegiar:
medidas não farmacológicas;
gelo/calor consoante o caso;
fisioterapia;
repouso relativo;
avaliação médica quando a dor é persistente.
Os AINEs tópicos podem ter absorção sistémica muito inferior à dos orais, mas isso não significa risco zero em doentes anticoagulados. Em automedicação, devem ser usados com prudência e preferencialmente após aconselhamento profissional.15
Tabela 7. Estratégia prática para controlo da dor em doentes a tomar anticoagulantes ou antiagregantes
Intensidade da dor
Opção preferível
Dose habitual do adulto
Comentário
Ligeira
Paracetamol
500 mg a 1.000 mg por toma, 4/4 a 6/6 h; máximo habitual 4 g/dia15
Primeira escolha
Moderada
Paracetamol ± Tramadol
Tramadol 50 mg por toma; em casos selecionados 50–100 mg; máximo habitual 400 mg/dia16
Evitar em doentes com maior risco de quedas/confusão sem avaliação
Forte
Opioide sob prescrição
Ajuste individual; morfina oral com titulação clínica17
Necessita supervisão médica
Muito forte/refratária
Opioide forte / equipa de dor
Oxicodona em formulações imediatas ou prolongadas com ajuste médico18
Dor complexa exige abordagem especializada
Qualquer intensidade
Evitar AINE oral se possível
—
Ibuprofeno, diclofenac, naproxeno e semelhantes aumentam risco hemorrágico6,7,15
Procurar ajuda rapidamente se surgir:
sangramento nasal persistente;
urina com sangue;
fezes negras;
vómitos com sangue;
hematomas extensos sem explicação;
dor de cabeça nova e intensa;
queda com traumatismo craniano;
falta de ar ou dor torácica;
dor/inchaço unilateral numa perna.1,3
Antes de iniciar qualquer novo produto, confirmar:
é AINE ou não?
é antibiótico?
é suplemento “natural”?
é chá/infusão tomado todos os dias?
é omeprazol/esomeprazol em doente a tomar clopidogrel?
existe alteração renal, hepática ou idade avançada?3,9,11
Conclusão
Os anticoagulantes e os antiagregantes plaquetários salvam vidas, mas exigem rigor. Entre as interações mais importantes na prática diária destacam-se os AINEs sistémicos, os macrólidos, alguns indutores/inibidores enzimáticos e determinados fitoterápicos, em especial a erva de São João. Com varfarina, a alimentação rica em vitamina K continua a ser um ponto essencial; com clopidogrel, as interações com omeprazol e esomeprazol não devem ser esquecidas.2,3,8,9,14
Na dor, a estratégia mais segura passa, em regra, por paracetamol como primeira linha, reservando tramadol e, quando necessário, opioides mais fortes para contextos bem avaliados, evitando AINEs sempre que possível. Em doentes hipocoagulados, tratar a dor “como em qualquer outra pessoa” é um erro frequente — e potencialmente perigoso.6,7,15-18
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