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Comer doces e hidratos estratégias para controlar os desejos

Como controlar os desejos por doces, hidratos de carbono e salgados? Quem nunca sentiu aquele desejo irresistível por um chocolate ou por um pacote de batatas fritas? Embora possam parecer simples vontades momentâneas, os desejos alimentares escondem, na maioria das vezes, causas complexas que envolvem fatores fisiológicos, emocionais e até ambientais. Compreender a origem destes impulsos é fundamental para os controlar de forma eficaz e saudável, preservando a saúde metabólica e o bem-estar mental.
Neste artigo, vamos explorar as principais causas dos desejos alimentares e estratégias comprovadas para os ultrapassar, com base nas evidências científicas mais recentes e na informação também descrita no meu livro “As Cinco Grandes Mentiras Sobre Saúde”.


Índice

  • O que são os desejos alimentares?
  • Principais causas dos desejos por doces e salgados
  • A influência da qualidade do sono
  • O impacto da ansiedade e do stress
  • Deficiências nutricionais: crómio, magnésio e outros
  • O papel da microbiota intestinal
  • A influência dos medicamentos
  • Grelina a hormona da fome antidepressiva
  • Outros fatores menos conhecidos
  • Estratégias práticas para controlar os desejos

As cinco grandes mentiras sobre saúde
As cinco grandes mentiras sobre saúde

O que são os desejos alimentares?

Desejos alimentares são impulsos intensos para consumir alimentos específicos, geralmente ricos em açúcar, gordura ou sal. Estes desejos vão além da fome fisiológica e envolvem mecanismos neurológicos, hormonais e emocionais complexos.

Ver mais sobre o papel da insulina e do cortisol no metabolismo aqui.

Principais causas dos desejos por doces e salgados

Os desejos podem ser motivados por:

  • Desequilíbrios hormonais (insulina, cortisol, grelina, leptina);
  • Emoções como ansiedade, tristeza ou frustração;
  • Carências nutricionais específicas;
  • Desequilíbrios da microbiota intestinal;
  • Influência de medicamentos;
  • Fatores ambientais como publicidade e disponibilidade alimentar.

A influência da qualidade do sono

O sono insuficiente ou de má qualidade perturba a regulação hormonal, aumentando a produção de grelina (hormona da fome) e reduzindo a leptina (hormona da saciedade), promovendo desejos particularmente por alimentos hipercalóricos e ricos em açúcar. Estudos demonstraram que pessoas que dormem menos de 6 horas por noite apresentam maior risco de obesidade.

Saiba como melhorar a qualidade do sono aqui.

Estudo: Short sleep duration is associated with reduced leptin, elevated ghrelin, and increased body mass index (Taheri et al., 2004)


O impacto da ansiedade e do stress

O stress crónico e a ansiedade elevam os níveis de cortisol, hormona que leva o organismo a procurar fontes rápidas de energia, como doces e salgados. Comer torna-se uma forma de “auto-medicação” emocional.

Aprenda como a ansiedade influencia a saúde metabólica aqui.

Ferramentas úteis:
A prática de meditação e mindfulness mostrou ser eficaz na redução dos desejos compulsivos.

Estudo: Chronic stress and obesity: a new view of “comfort food”(Dallman et al., 2003).


Deficiências nutricionais e minerais

Alguns minerais são fundamentais no controlo do apetite. As deficiências destes minerais podem aumentar o apetite por alimentos açucarados ou salgados.

  • Crómio: regula a glicemia (açúcar no sangue) e reduz os desejos;
  • Magnésio: envolvido no metabolismo da insulina e no controlo do stress;
  • Zinco: influencia o apetite, o paladar e a função imunitária

Fontes naturais destes minerais incluem nozes, sementes, cereais integrais e legumes de folha verde.

Estudos:


O papel da microbiota intestinal

Desequilíbrios na flora intestinal, conhecidos como disbiose, estão associados a alterações e desejos alimentares descontrolados. Certas bactérias podem mesmo “comandar” desejos por alimentos que favoreçam o seu crescimento, tais como:

  • Firmicutes (associadas ao aumento do apetite por açúcares);
  • Clostridium spp. (associadas à inflamação intestinal);

Estudo: Is eating behavior manipulated by the gastrointestinal microbiota? Evolutionary pressures and potential mechanisms

Os micróbios no trato gastrointestinal estão sob pressão seletiva para manipular o comportamento alimentar do hospedeiro e aumentar a sua aptidão, por vezes à custa da aptidão do hospedeiro. Os micróbios podem fazê-lo através de duas estratégias potenciais:

  • Gerar desejos por alimentos em que são especializados ou por alimentos que suprimem os seus concorrentes;
  • Induzir disforia até comermos alimentos que melhorem a sua aptidão física.

No estudo acima referido foram revistos vários mecanismos potenciais para o controlo microbiano sobre o comportamento alimentar, incluindo a influência microbiana nas vias de recompensa e saciedade, a produção de toxinas que alteram o humor, as alterações nos recetores, incluindo os recetores gustativos, e o sequestro do nervo vago, o eixo neural entre o intestino e o cérebro.

Também foram revistas as evidências de explicações alternativas para desejos e comportamentos alimentares pouco saudáveis. Uma vez que a microbiota é facilmente manipulável por prebióticos, probióticos, antibióticos, transplantes fecais e alterações na dieta, a alteração da nossa microbiota oferece uma abordagem viável para problemas intratáveis ​​de obesidade e alimentação pouco saudável.

Saiba como fortalecer a sua microbiota aqui.


A influência dos medicamentos

Alguns medicamentos, como antidepressivos, antipsicóticos e corticosteróides, podem alterar o apetite e aumentar a procura por alimentos de conforto, alterando os neurotransmissores ligados ao controlo da saciedade.

Alguns exemplos de medicamentos que aumentam significativamente o apetite, são os seguintes:

  • Antidepressivos tricíclicos (ex: amitriptilina);
  • Antipsicóticos (ex: olanzapina, quetiapina);
  • Corticosteróides (ex: prednisolona).

Grelina a hormona da fome antidepressiva

A grelina é uma hormona peptídica de 28 aminoácidos, que aumenta o apetite, descrita pela primeira vez em 1999 e amplamente expressa no organismo. Como a única hormona orexígena conhecida segregada na periferia, aumenta a fome e o apetite, promovendo a ingestão de alimentos.

Também foi demonstrado que a grelina está envolvida em vários processos fisiológicos regulados no sistema nervoso central, como o sono, o humor, a memória e a recompensa. Consequentemente, tem sido implicado numa série de perturbações psiquiátricas, tornando-se objeto de investigação crescente, com o conhecimento a acumular-se rapidamente.

Estudo: Ghrelin in psychiatric disorders – A review

A revisão do estudo acima referido, tem como objetivo fornecer uma visão concisa e abrangente do papel da grelina nas perturbações psiquiátricas. Tem sido consistentemente demonstrado que a grelina exerce efeitos neuroprotetores e de melhoria da memória, além de aliviar a psicopatologia em modelos animais de demência. Poucos estudos em humanos mostram uma perturbação do sistema da grelina na demência.

Também demonstrou desempenhar um papel crucial na fisiopatologia das perturbações de dependência, promovendo a recompensa pela droga, melhorando o comportamento de procura da mesma e aumentando o desejo em animais e humanos.

O papel exato da grelina na depressão e na ansiedade ainda está a ser debatido, uma vez que foi demonstrado que promove e alivia comportamentos depressivos e ansiosos em estudos com animais, com um excesso de evidências que sugerem efeitos antidepressivos. Não é de estranhar que o sistema da grelina esteja também implicado em distúrbios alimentares, no entanto o seu papel exato ainda tem de ser esclarecido. O seu amplo envolvimento tornou o sistema da grelina um alvo promissor para futuras terapias, com descobertas encorajadoras na literatura recente.


Outros fatores menos conhecidos

  • Ciclos hormonais femininos –> desejos mais intensos na fase lútea (pré-menstrual);
  • Memória emocional –> associações entre certos alimentos e momentos de conforto e felicidade;
  • Desequilíbrios de neurotransmissores –> como a dopamina e serotonina, aumentam o risco de alimentação emocional.

Nota: todos estes fatores estão interligados e são abordados no meu livro “As Cinco Grandes Mentiras Sobre Saúde”.


Estratégias práticas para controlar os desejos

  • Melhorar o sono: manter uma rotina regular e criar um ambiente propício;
  • Gerir o stress: técnicas como mindfulness, respiração profunda e exercício físico;
  • Corrigir carências nutricionais: com orientação profissional;
  • Reequilibrar a microbiota: aumentar o consumo de prebióticos e probióticos;
  • Estabelecer rotinas alimentares: refeições regulares e nutritivas;
  • Técnicas cognitivas: diferenciar fome real de fome emocional.

Melhorar o sono: rotina e ambiente adequado

A privação de sono altera hormonas como grelina (aumenta o apetite) e leptina (diminui a saciedade).
Dicas práticas:

  • Tenta deitar-te e levantar-te sempre à mesma hora;
  • Evita luz azul (telemóveis, TV) 1 a 2 horas antes de dormir;
  • Evita cafeína e álcool após as 16h;
  • Mantém o quarto fresco, escuro e silencioso.

🔗 Ver artigo completo sobre sono reparador


Gerir o stress: mindfulness, respiração e exercício

O stress crónico eleva o cortisol e potencia o desejo por açúcar e sal. Técnicas de gestão emocional ajudam a quebrar esse ciclo.

Soluções eficazes:

  • 🧘‍♂️ Mindfulness: 10 min por dia já reduzem impulsos alimentares.
  • 🫁 Respiração 4-7-8: inspira 4s, retém 7s, expira 8s. Repetir 3x.
  • 🏃‍♀️ Exercício: liberta dopamina e reduz o stress fisiológico.

🔗 Ver artigo completo sobre ansiedade e saúde
🔗 Ver artigo sobre meditação e saúde


Corrigir carências nutricionais: crómio, magnésio, zinco

Carências destes nutrientes podem gerar desejos específicos:

MineralFunçãoFontes Naturais
CrómioRegula a insulinaBrócolos, cereais integrais
MagnésioReduz ansiedadeEspinafres, sementes
ZincoModula apetiteOvos, frutos secos

Sugere-se sempre avaliação profissional antes de suplementar.


Reequilibrar a microbiota intestinal

Algumas bactérias intestinais estimulam desejos por açúcar (ex: Clostridium, Firmicutes), enquanto outras favorecem o autocontrolo (ex: Bifidobacterium, Lactobacillus).

Melhore a flora intestinal com:

  • Alimentos fermentados: iogurte, kefir, chucrute;
  • Fibras prebióticas: aveia, alho, banana verde;
  • Evitar antibióticos desnecessários.

🔗 Ver artigo completo sobre a microbiota


Estabelecer rotinas alimentares

Se não for habitual fazeres jejum o cérebro reage mal a longos períodos sem comida, aumentando o apetite por calorias vazias. Refeições planeadas reduzem impulsos alimentares.

Dicas úteis:

  • Planeia as refeições, sem petiscar fora delas;
  • Combinar proteínas + fibras para maior saciedade;
  • Evitar alimentos processados que criam picos de glicemia.

Técnicas cognitivas: distinguir fome real de emocional

Aprender a identificar a origem da fome é essencial:

Tipo de FomeCaracterísticasEstratégia
RealSurge gradualmente, aceita vários alimentosComer uma refeição equilibrada
EmocionalSúbita, específica (ex: chocolate), insaciávelPausa de 10 min + respiração consciente

Exercício: antes de comer, pergunta a ti mesmo “estou mesmo com fome?”


Conclusão

Os desejos alimentares não são apenas uma questão de força de vontade, mas refletem muitas vezes desequilíbrios internos e necessidades emocionais ou físicas não atendidas. Identificar as suas causas e adotar estratégias baseadas em evidência científica é essencial para recuperar o controlo sobre a alimentação, promovendo uma relação mais saudável com os alimentos e com o próprio corpo.


Fontes Científicas


Pele saudável fundamentos científicos e os melhores cuidados diários

A pele é o maior órgão do corpo humano, representando cerca de 16% do peso corporal total. Quais os cuidados e estratégias diárias para conseguir uma pele saudável, hidratada, sem manchas, sem lesões, firme, luminosa e bonita, retardando o envelhecimento ? Quais os melhores alimentos, hábitos de limpeza, cremes e produtos mais saudáveis para a nossa pele?

A pele desempenha múltiplas funções essenciais à sobrevivência tais como formar uma barreira física e imunológica contra agentes patogénicos, previne perdas de água transepidérmica ou seja na camada externa da pele, regula a temperatura corporal através da sudorese (suor) e vasodilatação e participa na síntese de vitamina D mediante a exposição solar. É também um órgão sensorial, ricamente inervado, que permite a perceção tátil, térmica e dolorosa. Além disso, exerce uma função imunológica ativa através de células como os queratinócitos e as células de Langerhans, fundamentais para a resposta imune inata.

  • A pele representa cerca de 16% do peso corporal.
  • Atua como barreira protetora e reguladora da temperatura.
  • Participa na síntese de vitamina D e na imunidade inata.
  • É um órgão sensorial e imunológico ativo.

Envelhecimento da pele

O envelhecimento cutâneo é um processo inevitável e complexo que resulta da interação entre o envelhecimento intrínseco (genético e cronológico) e fatores extrínsecos, como radiação ultravioleta (UV), poluição, dieta desequilibrada, tabagismo e stress. Com o tempo, observa-se diminuição da produção de colagénio, elastina e ceramidas, atrofia epidérmica e menor capacidade de reparação. Estes fenómenos conduzem ao aparecimento de rugas, manchas, flacidez e à diminuição da função barreira.

  • O envelhecimento da pele tem causas internas e externas.
  • Fatores externos como UV e poluição aceleram o processo.
  • Há perda de colagénio, elastina e função de barreira.

Este artigo tem como objetivo apresentar uma síntese científica atualizada e prática sobre os fatores que influenciam a saúde da pele, a sua fisiologia e as rotinas de cuidados personalizadas para todos os tipos de pele e faixas etárias. Será abordada a ciência por detrás de uma pele saudável, bem como orientações úteis para o dia a dia, promovendo o bem-estar e a longevidade cutânea com base na evidência científica mais atual.

  • Objetivo: unir ciência e prática para uma pele saudável.
  • Serão abordadas fisiologia, fatores de risco e cuidados diários.
  • A base é científica, com aplicação concreta e universal.

Referências:

  • Nature Reviews Dermatology
  • JAMA Dermatology
  • Science – Skin Health Special Issues
As cinco grandes mentiras sobre saúde
As cinco grandes mentiras sobre saúde

Estrutura do Artigo

Introdução

  • Importância da pele como órgão (funções: barreira, imunidade, termorregulação).
  • Envelhecimento cutâneo e impacto ambiental.
  • Objetivo do artigo: promover uma pele saudável baseada em ciência e prática.

Referências: Nature Reviews Dermatology, JAMA Dermatology, Science (especial skin issues).

Fisiologia da pele

  • Camadas da pele: epiderme, derme, hipoderme.
  • Principais células: queratinócitos, melanócitos, células de Langerhans, fibroblastos.
  • Microbioma cutâneo e sua importância.

Referências:

  • Elias PM. The skin barrier as an innate immune element. J Clin Invest.
  • Byrd AL et al. The human skin microbiome. Nat Rev Microbiol.

Factores que influenciam a saúde da pele

  • Genética e etnia.
  • Exposição solar (UV), poluição e tabaco.
  • Dieta e hidratação.
  • Sono e stress.
  • Doenças sistémicas (diabetes, doenças autoimunes).

Referências:

  • Krutmann J et al. Environmental stressors and skin aging. J Dermatol Sci.
  • JAMA Dermatol sobre impacto da dieta e microbiota.
  • Envelhecimento intrínseco vs extrínseco.
  • Papel dos radicais livres e glicação.
  • Sinais visíveis e alterações estruturais.

Referências:

  • Fisher GJ et al. Mechanisms of photoaging. Arch Dermatol.
  • Wlaschek M et al. Oxidative stress and skin aging. Clin Exp Dermatol.

Tipos de pele e suas necessidades

  • Seca: barreira comprometida, prurido, descamação.
  • Oleosa: seborreia, poros dilatados, tendência acneica.
  • Mista: zonas oleosas e secas.
  • Pele Atópica: barreira alterada, prurido, inflamação.
  • Pele Reativa ou Sensível: hiper-reactividade a estímulos.
  • Pele Acneica: comedões, pápulas, pústulas, cicatrizes.

Referências:

  • Gallo RL et al. Pathogenesis of acne. Nat Rev Microbiol.
  • Bieber T. Atopic dermatitis. N Engl J Med.

Diferenças por idade e género

  • Bebés/crianças: pele mais fina, menos sebo.
  • Adultos: variabilidade conforme sexo hormonal.
  • Idosos: secura, menor renovação celular e colagénio.
  • Influência hormonal (testosterona, estrogénios, menopausa).

Referências:

  • Farage MA et al. Age-related changes in skin. Dermatol Ther.
  • Thornton MJ. Estrogens and skin aging. Clin Interv Aging.
As cinco grandes mentiras sobre saúde
As cinco grandes mentiras sobre saúde

Rotina diária de cuidados com a pele

1. Limpeza (2x/dia)

  • Evitar produtos agressivos.
  • Adaptar ao tipo de pele.
  • Desmaquilhantes adequados para pele sensível.

2. Hidratação

  • Cremes com ureia, ceramidas, ácido hialurónico, glicerina.
  • Pele seca: emolientes ricos.
  • Pele oleosa: hidratantes oil-free (sem óleos), não comedogénicos (não obstruem os poros).

3. Fotoproteção (365 dias/ano)

  • Fator de proteção solar FPS ≥ 30.
  • Reaplicação ao longo do dia.
  • Filtros físicos vs químicos (preferir filtros físicos).

4. Tratamentos Específicos

  • Antienvelhecimento: retinol, vitamina C, niacinamida (vitamna B3), peptídeos.
  • Pele acneica: ácido salicílico, peróxido de benzoílo, adapaleno.
  • Pele com Rosácea: Ácido azelaico, metronidazol.
  • Pele atópica: corticóides tópicos, pimecrolimus.

5. Estilo de vida saudável

  • Dieta rica em antioxidantes, omega-3, vitamina A, C, E, zinco.
  • Evitar açúcar em excesso (glicação).
  • Evitar tabaco e álcool.
  • Sono de qualidade e gestão do stress.

📚 Referências práticas:

  • American Academy of Dermatology (AAD).
  • Guidelines da European Academy of Dermatology and Venereology (EADV).

Cuidados Especiais e Patologias Comuns

  • Dermatoses inflamatórias (psoríase, eczema).
  • Manchas (melasma, lentigos).
  • Cancro cutâneo: prevenção, sinais de alarme (ABCDE).

📚 Referências:

  • WHO: Skin Cancer prevention
  • JAMA Dermatol: sobre prevalência e rastreio.

“A pele como maior órgão do corpo humano”

Fisiologia da Pele

A pele é constituída por três camadas principais: epiderme, derme e hipoderme. A epiderme é a camada mais externa, composta principalmente por queratinócitos, organizados em estratos, do basal ao córneo. A derme, rica em colagénio e elastina, fornece suporte estrutural e contém vasos sanguíneos, nervos, glândulas sebáceas e sudoríparas. A hipoderme é composta sobretudo por tecido adiposo, funcionando como reserva energética e isolamento térmico. A interação coordenada entre estas camadas garante a proteção, regeneração e manutenção da integridade cutânea.

✔️ Resumo:

  • Epiderme: camada externa, rica em queratinócitos.
  • Derme: contém colagénio, elastina, vasos e glândulas.
  • Hipoderme: tecido adiposo para proteção e reserva energética.

As principais células da epiderme incluem:

  • Queratinócitos, que produzem queratina e constituem 90% da epiderme.
  • Melanócitos, responsáveis pela produção de melanina e proteção contra UV.
  • Células de Langerhans, que participam na imunidade cutânea.
    Na derme, destacam-se os fibroblastos, responsáveis pela produção de colagénio tipo I e III, elastina e proteoglicanos, fundamentais para a firmeza e elasticidade da pele.

✔️ Resumo:

  • Queratinócitos: barreira física e produção de queratina.
  • Melanócitos: produzem melanina e protegem contra UV.
  • Langerhans: defesa imunitária.
  • Fibroblastos: produzem colagénio e elastina.

Microbioma cutâneo

O microbioma da pele é formado por milhões de microrganismos que colonizam a pele de forma comensal e protetora. Inclui bactérias, vírus, fungos e ácaros (como Demodex spp.). Um microbioma equilibrado contribui para a homeostasia cutânea, imunidade e defesa contra patógenos. A disbiose do microbioma está associada a doenças como dermatite atópica, acne, rosácea e psoríase. Fatores como o uso excessivo de sabões, antibióticos tópicos e dietas pobres em fibra podem prejudicar esta ecologia benéfica.

✔️ Resumo:

  • O microbioma protege contra infeções e regula a imunidade.
  • Um desequilíbrio (disbiose) pode causar doenças de pele.
  • É influenciado por higiene, dieta e uso de medicamentos.

📚 Referências:

  • Elias PM. The skin barrier as an innate immune element. J Clin Invest.
  • Byrd AL et al. The human skin microbiome. Nat Rev Microbiol.

Fatores que influenciam a saúde da pele

Genética e etnia

A genética influencia a espessura da pele, a densidade de colagénio, o tipo de sebo produzido e a reatividade imunológica. Indivíduos com mutações no gene da filagrina, por exemplo, têm maior predisposição para dermatite atópica. A etnia também determina diferenças importantes: peles mais escuras (fototipos IV-VI) têm maior proteção contra UV e menor risco de fotoenvelhecimento, mas maior propensão à hiperpigmentação pós-inflamatória. Peles claras (fototipos I-II) são mais suscetíveis a queimaduras solares e cancro cutâneo.

✔️ Resumo:

  • A genética determina a estrutura e função da pele.
  • Mutações como as da filagrina aumentam o risco de atopia.
  • A etnia influencia a sensibilidade ao sol e resposta inflamatória.

Exposição solar, poluição e tabaco

A radiação UV (especialmente UVB) é o principal fator ambiental de envelhecimento precoce. Induz a formação de ROS, mutações no DNA (p53) e inflamação crónica, culminando em fotoenvelhecimento e cancro cutâneo. A poluição atmosférica, em especial partículas finas (PM2.5) e ozono, prejudica a função barreira e estimula respostas oxidativas. O tabagismo reduz a vascularização dérmica, degrada colagénio, aumenta a produção de MMPs e acelera a formação de rugas.

✔️ Resumo:

  • UV causa danos no DNA e envelhecimento precoce.
  • Poluição agride a barreira cutânea e ativa inflamação.
  • Tabaco reduz oxigenação e acelera o envelhecimento da pele.

Dieta e hidratação

Uma dieta equilibrada em vitaminas antioxidantes (A, C, E), ácidos gordos ómega-3, zinco e selénio contribui para a integridade cutânea e controlo da inflamação. A ingestão inadequada de água afeta negativamente a hidratação da epiderme e a elasticidade. Em contrapartida, uma alimentação rica em açúcares simples promove glicação das proteínas dérmicas (colagénio e elastina), tornando a pele mais rígida, opaca e envelhecida.

✔️ Resumo:

  • Nutrientes antioxidantes protegem a pele e reduzem inflamação.
  • Hidratação interna melhora elasticidade e aparência.
  • Açúcares causam glicação e aceleram o envelhecimento cutâneo.

Sono e stress

Durante o sono profundo há aumento da produção de hormonas anabólicas como a hormona do crescimento, que estimula a regeneração cutânea. A privação do sono está associada a alterações na função barreira, aumento da reatividade da pele e pior aparência geral. O stress crónico eleva os níveis de cortisol, o que prejudica a cicatrização, reduz a síntese de colagénio e agrava doenças inflamatórias como acne, eczema e psoríase.

✔️ Resumo:

  • O sono promove a regeneração da pele.
  • A falta de sono altera a função barreira e acelera o envelhecimento.
  • O stress aumenta o cortisol, piorando condições inflamatórias da pele.

Doenças sistémicas

Condições como diabetes mellitus, doenças autoimunes (ex: lúpus, psoríase) e doenças da tiroide afetam diretamente a saúde da pele. A hiperglicemia, por exemplo, prejudica a cicatrização e favorece infeções. As doenças autoimunes podem causar inflamação crónica da derme, alterações pigmentares e lesões. Disfunções da tiroide afetam a espessura, hidratação e crescimento piloso. Assim, a pele é muitas vezes um espelho da saúde sistémica.

✔️ Resumo:

  • Doenças sistémicas têm manifestação cutânea.
  • Diabetes prejudica cicatrização e hidratação.
  • Autoimunidade pode gerar lesões e inflamação dérmica.

📚 Referências:

  • Krutmann J et al. Environmental stressors and skin aging. J Dermatol Sci
  • JAMA Dermatol: impacto da dieta e microbiota na pele

Envelhecimento Cutâneo

O envelhecimento da pele é um processo multifactorial, dividido em dois tipos principais: envelhecimento intrínseco (cronológico) e extrínseco (principalmente causado por fatores ambientais). O envelhecimento intrínseco está associado à diminuição da síntese de colagénio, elastina e ácido hialurónico, e à desaceleração da renovação celular. Por outro lado, o envelhecimento extrínseco, particularmente o fotoenvelhecimento induzido pelos raios UV, provoca danos no DNA celular, inflamação crónica e aceleração da degradação das fibras dérmicas. A exposição solar excessiva gera espécies reativas de oxigénio (ROS), que promovem a ativação de metaloproteinases (MMPs), enzimas que degradam a matriz extracelular. O stress oxidativo, a poluição, o tabagismo e a alimentação desequilibrada, principalmente processada, são fatores cruciais no envelhecimento prematuro da pele.

✔️ Resumo:

  • O envelhecimento da pele é intrínseco (cronológico) e extrínseco (ambiental).
  • O fotoenvelhecimento acelera a degradação do colagénio e elastina.
  • Raios UV provocam stress oxidativo e inflamação crónica.
  • As Metaloproteinases degradam a matriz dérmica sob influência de Espécies Reativas de Oxigénio.
  • Fatores como tabaco e má alimentação agravam o envelhecimento.

Tipos de pele e suas necessidades

Pele seca, oleosa e mista – A classificação dos tipos de pele baseia-se na produção sebácea, hidratação e sensibilidade. A pele seca tem baixa produção de sebo e deficiência de lípidos essenciais, como as ceramidas, importantes para manter a função barreira. A pele oleosa caracteriza-se por hiperatividade das glândulas sebáceas, aumento dos poros e maior predisposição para acne. A pele mista combina zonas oleosas (geralmente zona T) com áreas secas.

Pela atópica – A pele atópica apresenta uma função barreira severamente comprometida, com menor expressão de filagrina e ceramidas, além de disbiose do microbioma. A pele sensível ou reativa responde exageradamente a estímulos ambientais, manifestando eritema, prurido e sensação de ardor.

Pela acneica – A pele acneica, comum em adolescentes e adultos jovens, está associada à colonização por Cutibacterium acnes e hiperqueratinização folicular. Cada tipo de pele requer abordagens distintas de limpeza, hidratação e tratamento tópico.

✔️ Resumo:

  • Pele seca: deficiência de ceramidas e lípidos → barreira fragilizada.
  • Pele oleosa: produção excessiva de sebo e tendência a acne.
  • Pele mista: zonas secas e oleosas combinadas.
  • Pele atópica: disfunção da barreira e inflamação crónica.
  • Pele sensível: hiper-reatividade com prurido e ardor.
  • Pele acneica: colonização por C. acnes e obstrução folicular.

Diferenças por idade e género

Durante a infância, a pele é mais fina, com menor produção de sebo e maior propensão a dermatites. Na adolescência, há um aumento da produção sebácea influenciada por androgénios, predispondo ao aparecimento de acne. Nos adultos, observa-se uma maior variação individual associada a fatores hormonais, gravidez ou stress. No envelhecimento, a pele perde espessura, hidratação e capacidade regenerativa, surgindo a xerose e as rugas.

Xerose ou pele seca

A xerose é o termo médico para pele seca. Ocorre quando a pele perde água e pode ser causada por fatores como envelhecimento, clima frio e seco, banhos quentes e prolongados, ou até mesmo condições médicas como diabetes.

Os sintomas incluem pele áspera, coceira, descamação e rachaduras. Para aliviar a xerose, recomenda-se o uso de cremes hidratantes, evitar banhos muito quentes e usar sabonetes suaves.

Diferenças hormonais

As diferenças hormonais entre homens e mulheres também influenciam a estrutura da pele: a testosterona promove uma pele mais espessa e oleosa, enquanto os estrogénios favorecem a hidratação e elasticidade.

✔️ Resumo sobre idade e género:

  • Crianças: pele fina e vulnerável.
  • Adolescentes: aumento de sebo e acne.
  • Adultos: variação consoante hormonas e estilo de vida.
  • Idosos: pele seca, fina e com rugas.
  • Homens vs mulheres: testosterona vs estrogénios influenciam estrutura.

Rotina e os melhores cuidados diários

A rotina de cuidados deve ser adaptada ao tipo e estado da pele. A limpeza deve ser feita duas vezes por dia com produtos suaves e pH fisiológico, evitando sulfatos agressivos. A hidratação deve incluir ingredientes como ceramidas (lípidos essenciais que restauram a barreira cutânea), ácido hialurónico (humectante que retém água) e glicerina.

Glicerina

A glicerina é um ingrediente essencial em muitos produtos de hidratação da pele devido às suas propriedades humectantes. Ela atrai água para a camada externa da pele, ajudando a manter a hidratação e prevenindo a secura. Além disso, a glicerina fortalece a barreira cutânea, protegendo contra agentes irritantes e condições climáticas adversas.

Outro benefício importante é sua capacidade de acelerar a cicatrização de feridas e suavizar a pele, tornando-a mais macia e saudável. Por isso, é frequentemente encontrada em hidratantes, sabonetes e produtos de cuidados faciais.

Ceramidas

As ceramidas reforçam a barreira natural da pele e promovem a sua hidratação. São lípidos que existem naturalmente na camada mais externa da pele (constituem cerca de 50% dos lípidos do estrato córneo). Contribuem para a integridade da barreira cutânea, ajudando a reter a hidratação da pele. As ceramidas trabalham com os outros lípidos do estrato córneo (os ácidos gordos e o colesterol) para proporcionar à pele uma barreira protetora natural contra os fatores externos, incluindo agentes irritantes e poluentes. As ceramidas ajudam a criar uma barreira lipídica que evita a perda de água através da pele, evitando assim a secura e ajudando manter a flexibilidade da pele. Quando a pele tem alterações nas ceramidas, pode ocorrer secura e irritação, contribuindo para uma maior sensibilidade e reatividade da pele.

Estudo: Correlations between Skin Condition Parameters and Ceramide Profiles in the Stratum Corneum of Healthy Individuals

Ácido hialurónico

O ácido hialurónico é um glicosaminoglicano amplamente distribuído no organismo humano, especialmente nos fluidos corporais e na matriz extracelular dos tecidos. Desempenha um papel crucial não só na manutenção da hidratação dos tecidos, mas também em processos celulares como a proliferação, diferenciação e resposta inflamatória. O ácido hialurónico demonstrou a sua eficácia como uma poderosa molécula bioativa não só para o antienvelhecimento da pele, mas também na aterosclerose, cancro e outras condições patológicas. Devido à sua biocompatibilidade, biodegradabilidade, não toxicidade e não imunogenicidade, foram desenvolvidos vários produtos biomédicos à base de ácido hialurónico. Existe um foco crescente na otimização dos processos de produção de ácido hialurónico para obter produtos de alta qualidade, eficientes e económicos.

Estudo: Hyaluronic Acid: A Powerful Biomolecule with Wide-Ranging Applications—A Comprehensive Review

Proteção solar e outros tratamentos

A proteção solar é fundamental diariamente com FPS ≥ 50, mesmo em dias nublados. Tratamentos específicos incluem retinol (derivado da vitamina A que estimula a renovação celular e colagénio), vitamina C (antioxidante que ilumina a pele) e niacinamida (anti-inflamatório). Em casos de acne, ácido salicílico e peróxido de benzoílo são eficazes. O estilo de vida deve incluir uma dieta rica em antioxidantes (vitamina C, E, polifenóis), consumo de água, sono reparador e evitar tabaco e álcool.

✔️ Resumo sobre rotina diária:

  • Limpeza: 2x/dia, com produtos suaves.
  • Hidratação: ceramidas, ácido hialurónico, glicerina.
  • Proteção solar: FPS ≥ 30 todos os dias.
  • Tratamentos: retinol, vitamina C, niacinamida.
  • Acne: ácido salicílico e peróxido de benzoílo.
  • Estilo de vida: antioxidantes, hidratação, sono e evitar tabaco.

Cuidados especiais e patologias comuns

Doenças inflamatórias como psoríase, dermatite atópica, melasma e rosácea exigem avaliação dermatológica. A psoríase é uma dermatoses autoimune com hiperproliferação epidérmica. A dermatite atópica envolve disfunção da barreira cutânea e inflamação mediada por linfócitos Th2. O melasma resulta de hiperpigmentação induzida por hormonas, UV e predisposição genética. A rosácea apresenta eritema, telangiectasias e sensação de ardor. O cancro cutâneo é classificado em carcinoma basocelular, espinocelular e melanoma. A regra ABCDE (Assimetria, Bordos, Cor, Diâmetro, Evolução) é essencial para identificação precoce do melanoma.

✔️ Resumo sobre cuidados especiais e patologias comuns:

  • Psoríase: autoimune, hiperproliferação da epiderme.
  • Dermatite atópica: inflamação crónica e barreira fraca.
  • Melasma: pigmentação hormonal e UV.
  • Rosácea: vermelhidão e sensibilidade.
  • Cancro cutâneo: tipos principais e regra ABCDE.

CONCLUSÃO

A manutenção da saúde da pele exige compreensão dos seus mecanismos fisiológicos e dos factores que a afetam. A implementação de uma rotina de cuidados personalizada, aliada a um estilo de vida saudável e intervenção precoce em situações patológicas, permite preservar a integridade, função e beleza da pele ao longo da vida.

Resumindo:

  • Entendimento da fisiologia cutânea é essencial.
  • Cuidados adaptados ao tipo e idade da pele.
  • Prevenção e estilo de vida têm papel fundamental.
  • Intervenção precoce melhora resultados.

Herpes, Zona e Varicela estratégias de prevenção e tratamento




Herpes Zona e Varicela: Os vírus da família HERPES são diversos e provocam doenças distintas mas, algumas, muito comuns tais como o Herpes labial e Herpes genital, a varicela e a zona. Um estudo com o título “A comparison of herpes simplex virus type 1 and varicella-zoster virus latency and reactivationfeito em colaboração entre o Institute of Infection, Immunity and Inflammation, University of Glasgow e do Department of Microbiology, Immunology and Pathology, Colorado State University, clarifica os mecanismos que fazem a ligação entre herpes labial, genital, varicela e zona.

Falarei também da mononucleose infeciosa, também conhecida como doença do beijo, que é uma doença contagiosa, causada pelo vírus Epstein Barr,  da família do herpes.

Neste artigo vamos responder ás seguintes questões:

    • Herpes, o que é?
    • Herpes simplex vírus 1 e 2 (HSV-1 e HSV-2), qual a diferença?
    • Quais as principais doenças provocadas pelos vírus da família herpes?
    • Herpes simples tipos 1 e 2, que partes do corpo afetam?
    • Qual a causa do herpes labial, oral, genital, face, ocular e cerebral?
    • Qual a prevalência na população?
    • Quais os fatores de risco que causam novas crises?
    • Quais os sintomas?
    • Quais os sintomas que antecedem e “avisam” que vai chegar nova crise de herpes?
    • Quais as zonas do corpo que podem ser afetadas por outros vírus da família herpes?
    • Como se transmite?
    • Onde se esconde o vírus?
    • Qual o período de incubação?
    • Em que altura da vida se contraem os mais comuns vírus da família herpes?
    • Qual o melhor tratamento e medicamentos usados?
    • Herpes labial, qual o tratamento?
    • Aciclovir, quais as reações adversas mais comuns?
    • Herpes: Será que tem cura?
    • Quais as lesões parecidas com herpes?
    • Herpes, quais as complicações possíveis?
    • Mononucleose ou “doença do beijo”, o que é? Quais as causas? Como proteger-se? Qual o tratamento?
    • Mononucleose, será que já sabe tudo?
    • Varicela ou catapora:  O que é? Quais os sintomas? Será perigosa?
    • Quais as complicações da Varicela?
    • Varicela, se estiver grávida o que deve fazer?
    • Os sintomas são mais graves na criança ou no adulto?
    • Varicela, qual o aspeto das borbulhas?
    • Varicela, como impedir que a criança coce?
    • Quais as fases da doença?
    • A varicela pode provocar zona?
    • Varicela, qual o tratamento?
    • Existe vacina para a varicela?
    • Zona: O que é?
    • Zona: Quais as causas?
    • Qual a prevalência na população?
    • Quais os sintomas da zona?
    • Quais as complicações da zona?
    • A zona é contagiosa?
    • Zona, qual o tratamento?
    • Zona, existe vacina?
As cinco grandes mentiras sobre saúde
As cinco grandes mentiras sobre saúde

Herpes o que é?

O herpes é um vírus comum que pode atingir diversas partes do corpo consoante o seu subtipo. O herpes labial e o genital são infeções virais contagiosas causadas por dois dos subtipos de vírus da família do Herpes vírus humano, composta por 8 subtipos diferentes. Dois dos mais conhecidos e relevantes são os seguintes:

  • Herpes simplex vírus tipo 1 (HSV-1)
  • Herpes simplex vírus tipo 2 (HSV-2)

Vírus da família Herpes, principais doenças

Cada subtipo do vírus causa doenças completamente distintas umas das outras, tais como:

    • Herpes labial ( vírus HSV-1);
    • Herpes genital (vírus HSV-2);
    • Herpes ocular (vírus HSV-1);
    • Mononucleose infeciosa ou “Doença do beijo” (vírus Epstein Barr, da família do herpes);
    • Varicela, no Brasil chama-se catapora (Vírus varicela-zoster, da família do herpes);
    • Zona (vírus herpes zoster);
    • Meningoencefalite, pode ser muito grave (vírus HSV-1).

O Herpes simplex vírus 1 e 2 (HSV-1 e HSV-2) são duas espécies da família do vírus Herpesviridae, responsáveis por infeções em humanos. Todos os vírus da família herpes produzem infeções latentes.

Herpes simplex vírus 1 e 2 (HSV-1 e HVS-2)

As principais diferenças entre HSV-1 e HSV-2 são as seguintes:

    • HSV-1 costuma causar o herpes labial,
    • HSV-2 é, em geral, responsável pelo herpes genital.

Deve dizer-se em geral porque como a prática de sexo oral é muito comum, não é raro encontrarmos lesões orais pelo HSV-2 e lesões genitais pelo HSV-1.

Herpes labial e genital melhorsaude.org

Herpes simplex vírus tipo 1 (HSV-1)

De seguida descrevo a partes do corpo mais afetadas pelo HSV-1.

Herpes labial, boca, face, ocular e cérebro

Normalmente associado a infeções dos lábios, da boca e da face. Esse é o vírus mais comum de herpes simples e muitas pessoas têm o primeiro contacto com este vírus na infância. O HSV1 frequentemente causa feridas (lesões) nos lábios e no interior da boca, como aftas, ou infeção do olho (principalmente na conjuntiva e na córnea) e também pode levar a uma infeção no revestimento do cérebro (meningoencefalite). Pode ser transmitido por meio de contacto com a saliva infetada.

Herpes simplex vírus tipo 2 (HSV-2)

De seguida descrevo a partes do corpo mais afetadas pelo HSV-1.

Herpes genital e oral

Normalmente transmitido sexualmente, o HSV-2 provoca comichão e bolhas ou mesmo úlceras e feridas genitais. Entretanto, algumas pessoas com HSV-2 não apresentam quaisquer sinais (latência). A infeção cruzada dos vírus de herpes do tipo 1 e 2 pode acontecer se houver contacto oral-genital. Isto é, pode-se contrair herpes genital na boca ou herpes oral na área genital.

Herpes genital melhorsaude.org

Prevalência na população

Herpes labial e genital

Um em cada cinco adultos é portador do HSV-2 e mais da metade da população tem o HSV-1. Porém, muitos portadores não apresentam sintomas.

A infeção pelo Herpes simplex é recorrente, ela vai e volta espontaneamente. Isto ocorre porque o vírus “esconde-se” dentro das células do sistema nervoso impedindo que as defesas do organismo consigam eliminá-las completamente. Quem tem Herpes uma vez, terá herpes o resto da vida.

Fatores de risco que causam nova crise

Herpes labial e genital

De vez em quando o vírus volta a manifestar-se, normalmente em períodos de fragilidade do nosso sistema imunitário. Alguns fatores que podem induzir crises são conhecidos, a saber:

    • Exposição solar intensa,
    • Stress emocional,
    • Menstruação,
    • Traumas, etc.

A frequência das recorrências é individual.

Sintomas

Herpes labial e genital

A primeira lesão de herpes costuma ser a mais sintomática,  por ainda não termos anticorpos formados. Em geral, o quadro é o seguinte:

    • Múltiplas vesículas (pequenas bolhas) agrupadas, com áreas de inflamação na base e ao redor;
    • Aftas ou úlceras geralmente na boca, nos lábios, nas gengivas ou nos genitais;
    • Lesões dolorosas que podem ser acompanhadas de mal estar;
    • Gânglios ou nódulos linfáticos aumentados no pescoço ou na virilha (geralmente somente no momento inicial da infeção)
    • Febre  especialmente durante o primeiro episódio de infeção;
    • Lesões genitais ou mesmo orais podem começar com uma sensação de queimadura ou formigueiro.

Sintomas que antecipam nova crise

As recorrências costumam ser menos sintomáticas e mais curtas. Normalmente apresentam alguns sintomas que “avisam” algumas horas antes das vesículas que as lesões do herpes vão reaparecer. Alguns desses sintomas de aviso são os seguintes:

    • Dor,
    • Formigueiro ou prurido (comichão) local.

As vesículas podem romper-se, formando pequenas ulcerações que lembram aftas.

Partes do corpo que podem ser afetadas

O HSV-1 e o HSV-2 têm mais afinidade pela mucosa oral e genital, respetivamente. Porém, podem causar infeções em outras partes do corpo, por exemplo:

Estas infeções mais graves costumam ocorrer em doente com imunossupressão como na SIDA (AIDS) e nos transplantados. Uma outra complicação das infeções pelo Herpes vírus é a paralisia facial, chamada de paralisia de Bell.

Transmissão e contágio

A transmissão do herpes ocorre por contacto íntimo com a área infetada. O Herpes vírus é muito contagioso; o período de maior risco de transmissão é durante as crises e nos 2 dias que a antecedem, podendo também ocorrer mesmo quando não há lesões aparentes. Alguns pacientes secretam o vírus mesmo fora das crises, podendo transmiti-lo a qualquer momento, principalmente no HSV-2.

Onde se esconde o vírus?

O herpes vírus sobrevive poucas horas fora de um organismo vivo. Por isso é encontrado principalmente nas seguintes localizações:

    • Lesões herpéticas,
    • Saliva,
    • Sêmen,
    • Secreções vaginais,
    • Objetos, como copos e talheres mas é menos comum, uma vez que o vírus com dificuldade fora dos organismos vivos.

Período de incubação

O período de incubação, ou seja, o intervalo de tempo entre o contágio e o aparecimento dos sintomas, é de 4 dias, em média.

Em que altura da vida se contrai?

O Herpes simples genital é uma DST (doença sexualmente transmissível). Durante a fase ativa deve-se evitar atividade sexual, pois mesmo com o uso de preservativo há risco de contaminação.

  • O herpes labial (HSV-1) é normalmente adquirido durante a infância,
  • O herpes genital (HSV-2) é normalmente contraído  na vida adulta.

Tratamento

Alguns casos de herpes são leves e não precisam de tratamento a não ser tratamentos tópicos. Mas pessoas que têm surtos graves ou prolongados (principalmente se for o primeiro episódio de infeção), que têm problemas no sistema imunológico ou aquelas que têm recorrência frequente talvez necessitem usar medicamentos antivirais em comprimidos.

Doentes com recorrências graves ou frequentes de herpes oral ou genital podem optar por continuar com os medicamentos antivirais, em comprimidos, para reduzir a frequência e a gravidade dessas recorrências.

Medicamentos

As lesões locais ligeiras não complicadas de herpes labial podem ser tratadas apenas com cremes de aplicação local. As lesões mais graves, extensas, com maior número de lesões, recorrentes ou em doentes imunodeprimidos devem ser tratadas com dosagens mais elevadas de antivirais, tomados por via oral, em comprimidos. Os medicamentos mais usados para o tratamento de herpes simplex, são:

  • Aciclovir 200 mg comprimidos (Zovirax®, Ezopen®), 5xdia, durante 5 dias;
  • Aciclovir 800 mg comprimidos (Zovirax®, Ezopen®)
  • Aciclovir creme (Zovirax®) 5xdia, durante 4 a 5 dias;
  • Aciclovir+Hidrocortisona creme (ZoviDuo®), 5xdia, durante 4 a 5 dias;
  • Fanciclovir 125 mg (®)
  • Fanciclovir 500 mg (Penvir®)

O aciclovir com hidrocortisona (Zoviduo®) é normalmente utilizado no herpes labial nas crises com comichão.

O tratamento com antivirais, como o aciclovir, serve para reduzir o tempo de doença. Quanto mais precocemente forem iniciados, melhor a resposta. No herpes labial pode-se usar pomadas e no genital comprimidos.

Herpes labial, qual o tratamento?

O tratamento do herpes labial depende da gravidade das lesões e frequência das crises. Assim se forem crises pontuais com lesões pouco extensas basta a aplicação local de um creme com aciclovir, 5xdia, durante 4 a 5 dias.

Se lesões foram mais extensas, em maior número ou acontecerem com frequência o seu médico pode optar por uma tratamento mais agressivo, por via oral, com aciclovir 200mg, 5xdia, durante 4 a 5 dias.

Um dos aspetos mais importantes para diminuir a gravidade e extensão das crises é reconhecer ao longo do tempo os sintomas que antecedem o aparecimento das lesões tais como comichão e dor local. Assim que forme sentidos deve de imediato começar a aplicar localmente um creme com aciclovir. Este procedimento é o mais relevante para diminuir a gravidade e duração de uma crise de herpes labial.

Os pensos para o herpes labial são eficazes?

Os pensos disponíveis para o herpes labial não têm atividade antiviral como o aciclovir. Eles são no entanto úteis para cicatrizar mais rapidamente as feridas causadas pelas “borbulhas” do herpes, depois destas rebentarem. O tratamento ideal do herpes labial simples (não complicado) seria:

    •  Aplicar um creme antiviral logo que existissem sintomas que antecedem o aparecimento de uma crise;
    • Continuar a aplicação do creme com aciclovir, 5xdia, durante 5 dias;
    • Quando as “borbulhas” rebentarem colocar os pensos sobre as feridas 3xdia, sem nunca deixar de aplicar o creme;
    • Os pensos não devem ser colocados ao mesmo tempo que o creme porque a aderência à ferida fica muito diminuída ou seja após a aplicação do creme aconselha-se um intervalo de pelo menos 1 a 2 horas para deixar que a absorção do aciclovir se faça e só depois aplicar o penso.

Aciclovir, reações adversas

No tratamento com aciclovir, entre 1% a10% dos doentes podem manifestar os seguintes efeitos secundários:

    • Dor de cabeça,
    • Tonturas,
    • Enjoos,
    • Vómitos,
    • Diarreia,
    • Dores abdominais,
    • Prurido ou comichão,
    • Vermelhidão/protuberâncias na pele que podem piorar com exposição solar,
    • Sensação de fadiga,
    • Febre.

Herpes tem cura?

O herpes não tem cura nem existe ainda vacina eficaz. O tratamento está realmente indicado nas lesões primárias e nos doentes imunossuprimidos. Nos outros casos, o tratamento não altera muito o curso da crise.

Lesões parecidas com herpes

Outros dois tipos de lesões genitais têm causado algum tipo de confusão com o Herpes. Ambas são assintomáticas e podem afetar a zona genital e a  boca a saber:

  • Manchas de Fordyce, uma espécie de glândulas sebáceas. Não indicam qualquer tipo de doença.
  • Pápulas peroladas. Também não indicam nenhuma patologia e pode afetar homens e mulheres.

Complicações possíveis

Apesar de não ser uma doença grave, a herpes simples não tratada pode levar a algumas complicações de saúde, como:

  • Erupção variceliforme (herpes espalhada pela pele),
  • Encefalite,
  • Infeção do olho,
  • Infeção da traqueia,
  • Meningite,
  • Pneumonia,
  • Infeção prolongada grave em indivíduos com sistema imunitário debilitado ou imunossuprimidos.

Mononucleose Doença do beijo melhorsaude.org melhor blog de saude

Mononucleose ou doença do beijo o que é?

A mononucleose infeciosa, também conhecida como doença do beijo, é uma doença contagiosa, causada pelo vírus Epstein Barr,  da família do herpes. A mononucleose é mais comum em adolescentes e adultos jovens.

Sobre a Mononucleose vamos responder ás seguintes perguntas:

  • Porque se chama doença do beijo?
  • Mononucleose como se transmite o vírus?
  • Quanto tempo pode ficar o vírus no organismo depois dos sintomas desaparecerem?
  • Quem tiver contraído o vírus não deve beijar ninguém durante muitos meses?
  • O vírus da mononucleose é muito infecioso?
  • Quais os sintomas da mononucleose?
  • Como se diferencia da faringite comum?
  • A mononucleose provoca manchas no corpo?
  • É verdade que a mononucleose pode afetar com gravidade o baço?
  • O fígado pode ser afetado?
  • Que complicações menos comuns podem acontecer?
  • Quais os riscos para uma grávida que contraia a mononucleose?
  • O que é a síndrome de mononucleose?
  • Qual a diferença entre síndrome de mononucleose e a doença mononucleose infeciosa?
  • Quais as principais doenças que apresentam quadro de síndrome de mononucleose?
  • Como se faz o diagnóstico da mononucleose infeciosa?
  • A mononucleose infeciosa provoca fadiga crónica?
  • Como beijar bem ? 🙂
 Clica na imagem para saber tudo sobre Mononucleose

Mononucleose Doença do beijo MELHORSAUDE.ORG

OS MAIS LIDOS

Varicela ou catapora, o que é?

A varicela ou catapora é uma doença de infância muito vulgar. Todos os anos afeta dezenas de milhar de crianças em Portugal, especialmente durante o Inverno e Primavera. É causada pelo vírus varicela-zoster, um membro da família do vírus herpes, o mesmo que causa herpes zoster (zona). Uma vez debelada, a varicela normalmente não reaparece, no entanto, o vírus permanece alojado no tecido nervoso como que adormecido (não ativo), podendo reativar-se mais tarde, causando zona.

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A varicela ou catapora é perigosa?

Quando se detetam os primeiros sintomas é difícil prever até que ponto a varicela poderá ser grave. Apesar de a doença não ser normalmente perigosa em crianças saudáveis, causa mal-estar e pode levar ao absentismo das crianças à escola e dos pais ao emprego. Em crianças mais velhas e em especial nos adultos, os sintomas são normalmente mais graves e podem originar outros problemas.

Complicações

A varicela é uma doença predominantemente da infância, benigna e altamente contagiosa, com taxas de transmissão aos contactos suscetíveis de 61-100%1 . Pode contudo associar-se a complicações graves, associadas a sobre-infecção bacteriana , tais como:

  • Celulite,
  • Pneumonia,
  • Fasceíte,
  • Choque tóxico.

Pode também associar-se a complicações do próprio Vírus Varicela-zoster (VVZ), tais como:

  • Cerebelite,
  • Encefalite,
  • Pneumonia.

Estas ocorrem sobretudo em situações de imunodeficiência celular, mas também em crianças previamente saudáveis. Nas leucemias e transplante de órgão, cerca de 50% das crianças desenvolvem complicações com uma mortalidade global de 7 a 17% se não forem tratadas com aciclovir.

Se estiver grávida o que deve fazer?

A grávida pode estar sujeita a um risco mais elevado em relação ao aparecimento de complicações com o feto, pelo que deve evitar a exposição à doença. A infeção na grávida acarreta um risco adicional para a mulher, nomeadamente pela maior incidência de pneumonite que, sem tratamento, pode ser fatal em cerca de 40% dos casos . Também no feto, pode ocorrer a síndrome de Varicela Congénita e, no recém-nascido, varicela grave quando a doença materna se manifesta 5 dias antes ou 2 dias após o parto.

Sintomas

A sequência de aparecimento de sintomas é curiosa e é a seguinte:

  • O primeiro sintoma é febre ligeira;
  • Um ou dois dias mais tarde aparecem manchas vermelhas normalmente primeiro no couro cabeludo;
  • Mais tarde as manchas vermelhas espalham-se pela cara, tronco, axilas, braços, pernas, boca e por vezes na traqueia e brônquios.
  • Começa a surgir comichão.

Uma das caraterísticas diferenciadoras da varicela são as lesões no couro cabeludo ou seja se não existirem  lesões na cabeça dificilmente será varicela!

A criança pode também queixar-se de:

  • Dores de cabeça,
  • Dores de garganta,
  • Gânglios linfáticos inflamados e dolorosos,
  • Dores de estômago,
  • Cansaço,
  • Perda de apetite.

Sintomas nas crianças e nos adultos

Crianças com menos de 10 anos têm sintomas mais moderados em relação às mais velhas e aos adultos. Os adolescentes e os adultos são mais suscetíveis a complicações graves, com um aumento vinte vezes superior na mortalidade entre os 15 e os 44 anos.

Aspeto das borbulhas

São pequenas e vermelhas, provocam comichão e transformam-se em bolhas num curto espaço de tempo (horas). Estas bolhas cheias de líquido (vesículas) secam e formam crostas em alguns dias. Estas borbulhas aparecem durante 5 dias e a  maioria forma crosta em 6 a 7 dias Por vezes as borbulhas deixam cicatrizes. É mais provável a formação de cicatrizes se as borbulhas infetarem. É importante impedir que a criança se coce para prevenir o aparecimento de cicatrizes.

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Impedir que a criança coce as borbulhas

Impedir a criança de coçar as lesões não é fácil! No entanto os seguintes procedimentos podem ajudar bastante, a saber:

  • Manter as borbulhas limpas e secas;
  • Usar loções calmantes e banhos de água morna de 4 em 4 horas nos primeiros dias;
  • Enxaguar  sem esfregar;
  • Manter as unhas curtas para prevenir eventuais infeções e cicatrizes.

Transmissão da varicela ou catapora

Os outros irmãos se ainda não tiveram varicela têm uma elevada probabilidade (80%-90%) de contágio. Se forem saudáveis o melhor será que tenham a doença enquanto crianças. Assim estarão protegidos de contrair varicela mais tarde, podendo ser então mais grave. Se tiverem problemas de saúde deverá consultar-se o médico.

Os adultos que nunca tiveram varicela poderão contraí-la através dos filhos. Nestes casos é necessário contatar o médico. A varicela é uma doença grave nos adultos.

Uma mulher grávida pode estar sujeita a um risco ainda mais elevado no que respeita ao aparecimento de complicações, devendo evitar a exposição à doença, devido ao risco que isto constituí para o feto. A varicela é também grave para aqueles com um sistema imunitário enfraquecido. Uma criança saudável poderá estar em contacto com adultos com varicela, pois será melhor que tenha a doença em criança.

Entre pessoas como ocorre a transmissão?

O vírus é transmitido pelo ar, quando a pessoa infetada tosse, espirra ou fala, ou pelo contacto direto com as lesões do doente.

Fases da doença

Período de incubação

Cerca de 14-15 dias contados a partir do contacto com o infetado.

Período de contágio

A varicela pode ser transmitida a outra pessoa desde aproximadamente 10 dias após ser contagiada até todas as bolhas se transformarem em crostas. O isolamento de um doente infetado previne a transmissão da infeção.

A varicela pode provocar zona?

A infeção por VVZ pode ressurgir anos ou décadas mais tarde na forma de herpes-zoster (HZ) que provoca zona, situação que pode evoluir com complicações semelhantes às da varicela. Esta reativação afeta 10-30% da população e está associada a uma morbilidade e mortalidade significativas nos indivíduos idosos e nos imunocomprometidos.

Tratamento da varicela ou catapora

No caso de ser uma varicela ligeira o tratamento efetuado visa o alívio sintomático:

  • Paracetamol (Ben-u-ron®) para alívio das dores e febre;
  • Banhos de água morna para alivio da comichão;
  • Loções de calamina (Caladryl®) para alivio da comichão;
  • Desinfetantes para as vesículas (Eosina).

Para os casos mais graves ou doentes com fator de risco elevado existe um medicamento específico para a varicela, que ajuda de forma substancial à redução da duração da doença, permitindo que o doente se sinta melhor num espaço de tempo mais curto. Esse medicamento é o seguinte:

  • Aciclovir (Zovirax®), do qual já existe genérico em comprimidos e pomada. A dosagem dos comprimidos varia entre 200 e 800 mg.

O Aciclovir inibe a replicação do vírus da varicela por interferência com DNA-polimerase encurtando o período da doença. Além deste medicamento, o tratamento é acompanhado de um anti-histamínico, que reduz a comichão e um desinfetante tópico que diminui o risco de infeção das bolhas rebentadas.
Manter uma boa higiene corporal e das roupas evita, também, infeções. Antibióticos poderão ser usados quando existe o risco de infecção.

Crianças varicela e aspirina, perigos!

Não se deve dar ácido acetilsalicílico (aspirina) ou seus derivados às crianças com varicela por poder causar o síndroma de Reye, que é uma complicação grave caracterizada por alterações neurológicas e hepáticas.

Se aparecerem lesões na boca, deve-se dar alimentos moles, bebidas frias e evitar os ácidos e salgados. Nas lesões na área genital poderão usar-se cremes anestésicos. As situações mais graves deverão ser sempre acompanhadas por um médico.

Vacina da varicela ou catapora, existe?

A OMS recomenda que as atuais vacinas contra a varicela só devem ser utilizadas na criança se se assegurar uma cobertura vacinal acima dos 85-90%, pelos riscos que a alteração epidemiológica induzida pode acarretar. A vacina da varicela está disponível nos EUA desde 1995 com recomendação de vacinação universal. Na Europa, encontra-se atualmente recomendada para vacinação universal na Alemanha, Espanha, Itália, Holanda e Suíça.

A vacina não faz parte do Plano Nacional de Vacinação (PNV). Pode ser administrada a partir dos 12 Meses de idade ou a pessoas que estejam expostas à doença. Se administrada no período de 3 dias após exposição à doença pode prevenir uma infeção clinicamente aparente ou modificar o curso da infeção.

Qual é a vacina contra a Varicela?

A vacina contra a varicela é constituída por Vírus varicela-zoster (VVZ) vivo atenuado (estirpe Oka). É uma vacina segura no imunocompetente. Estão descritos casos raros de encefalite, ataxia, convulsões, neuropatia, eritema multiforme, Síndrome de Stevens-Johnson, pneumonia, trombocitopenia, acidente vascular cerebral e até morte, mas sem que a relação de causalidade estivesse definitivamente estabelecida. O vírus da vacina da varicela pode causar infeções graves no imunodeprimido estando descrito 2 casos em que o vírus vacinal se tornou resistente ao aciclovir.

ESQUEMA VACINAL

Existem em Portugal duas vacinas comercializadas, a saber:

  • Varivax®,
  • Varilrix®.

Ambas estão autorizadas para administração acima dos 12 meses de idade, em doses de 0,5 ml, por via subcutânea. A vacinação contra Varicela requer a administração de duas doses, com intervalo mínimo de 3 meses, para as crianças entre 12 meses e 12 anos de idade. Nos países com recomendação de vacinação universal, a segunda toma é administrada aos 5-6 anos de idade. A partir dos 13 anos o intervalo deve ser de 4 a 8 semanas (Varivax®) 37 ou de 6 a 8 semanas (Varilrix®) 38. A Comissão de Vacinas não estabelece preferência entre as duas vacinas.

Zona o que é?

A Zona Manifesta-se por uma erupção na pele e é provocada pelo mesmo vírus que, geralmente na infância, origina a varicela. Popularmente é conhecida por “cobro” ou “cobrão”, pois a distribuição das lesões cutâneas na pele faz-se muitas vezes lembrar a forma de uma serpente.
É uma doença infeciosa provocada pela reativação do mesmo vírus que provoca a varicela. Caracteriza-se por uma erupção cutânea acompanhada de dor intensa, num dos lados do corpo, que ocorre com maior frequência em indivíduos com mais de 50 anos.

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Causas da zona

Surge quando a imunidade que se tinha formado contra o vírus diminui. Qualquer pessoa que tenha tido varicela pode vir a desenvolver a doença, sobretudo a partir dos 50 anos. A Zona, também designada por Herpes Zoster, aparece apenas nas pessoas que tiveram varicela em alguma altura da sua vida. Após a varicela, normalmente na infância, o vírus não é eliminado do organismo, e aloja-se num nervo, geralmente junto à espinal medula e aí fica como que adormecido. Pode manter-se assim durante muitos anos.

Esta patologia manifesta-se através de uma erupção cutânea, geralmente na região torácica, que evolui para bolhas dolorosas, que formam crosta e cicatrizam ao fim de semanas. Os tratamentos existentes podem diminuir a duração da doença e a intensidade da dor, quando tomados 72 horas após o início dos sintomas.

O sistema imunitário

Quando as defesas naturais do organismo enfraquecem temporariamente, o vírus pode reativar-se, deslocando-se, então, ao longo do nervo até atingir a pele, onde provoca a erupção característica da Zona. Este processo é quase sempre acompanhado de uma dor localizada muito intensa, pois todo o nervo por onde o vírus se desloca fica muito inflamado.

O enfraquecimento das defesas naturais pode dever-se a fatores como:

  • Uma infeção prévia (ex.: Gripe);
  • Uma intervenção dentária;
  • Abuso do álcool;
  • Um acontecimento psicologicamente traumatizante;
  • Tratamento com corticóides, quimioterapia ou radioterapia;
  • Uma intervenção cirúrgica.

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Qual a prevalência na população?

95% da população adulta já teve varicela  pelo que tem no organismo o vírus que provoca a zona, estando em risco de desenvolver a doença. Uma em cada quatro pessoas irá desenvolver zona ao longo da vida. O risco de desenvolver a zona duplica aos 50 anos devido ao enfraquecimento do sistema imunitário associado ao envelhecimento.

Sintomas quais são e como evolui?

O primeiro sintoma da Zona é quase sempre a dor intensa localizada, que se sente, às vezes, antes de surgirem as lesões da pele. A maioria dos doentes sente na área afetada dor intensa ou ardor que pode ser constante ou intermitente. Por vezes, estímulos habitualmente não dolorosos, podem provocar dor intensa. Na fase aguda da Zona (quando existe erupção cutânea) a dor está presente, em média, durante 2-4 semanas.

As lesões são pequenas bolhas avermelhadas que surgem progressivamente ao longo de uma faixa estreita de pele. Normalmente, surge uma erupção cutânea unilateral que pode aparecer em muitos locais, mas a localização mais comum é a região do tórax, cabeça e pescoço. A erupção cutânea evolui para vesículas (bolhas) dolorosa. As vesículas passam a feridas em três dias; após uma semana a dez dias as feridas secam e as crostas caem ao fim de duas a três semanas.

Complicações

A principal complicação da Zona é a permanência da dor. Esta dor, a que se dá o nome de neuralgia pós-herpética, pode tronar-se crónica e persistir durante meses ou anos, impedindo muitas vezes o doente de levar uma vida normal e despreocupada. Podem ocorrer outras complicações, como por exemplo quando são atingidos os olhos. Nestes casos, existe o risco de cegueira.

Em 10 a 20% dos casos, a Zona afeta o olho e pode causar alterações da visão ou mesmo cegueira. Pode também provocar perda de audição no lado afetado, assim como infeções cutâneas ou cicatrizes permanentes.

Será contagiosa?

A zona deve-se à reativação do vírus da varicela que ficou latente no organismo, como tal, não é possível contrair através de outras pessoas. Um indivíduo com Zona pode transmitir o vírus a alguém que nunca teve varicela, normalmente a crianças, que desenvolverão a varicela. Sendo a forma de contágio idêntico ao da varicela.

Tratamento da zona

Deve-se ir imediatamente ao médico assim que as bolinhas surgem na pele. Se se sentir uma dor aguda localizada, do tipo queimadura ou facada, mesmo antes das bolhas aparecerem, não se deve adiar a ida ao médico. Quanto mais cedo o médico prescrever o tratamento adequado, mais depressa desaparecerão as feridas e mais hipóteses terá de as dores não continuarem. O tratamento antiviral mais comum é o seguinte:

  • Aciclovir 800 mg, comprimidos, de 4/4h, saltando a toma noturna.

A Zona não tem cura, contudo, alguns medicamentos podem diminuir a duração da doença e a intensidade da dor, quando tomados nas 72 horas após o início dos sintomas. Os medicamentos para a Zona têm como prioridade máxima o controlo da dor, mas este pode ser difícil e muitas vezes o alívio não é o desejado. É muito importante levar o tratamento até ao fim. Os banhos mornos acalmam a erupção, mas deve evitar-se a aplicação de talco e cremes. Usar roupas soltas e macias, para evitar pressão nas áreas afetadas. Não coçar, nem arrancar as crostas.

Existe vacina?

Sim, está disponível em Portugal, a primeira vacina para a prevenção da zona e da nevralgia pós-herpética, que está nas farmácias, para vacinação de adultos a partir dos 50 anos, numa única administração, mediante prescrição médica. O nome da vacina é o seguinte:

  • ZOSTAVAX® vacina viva contra a zona (Herpes zoster)

Composição da vacina

Após reconstituição, 1 dose (0,65 ml) contém:

  • Vírus da varicela-zoster , estirpe Oka/Merck, (vivo, atenuado) não menos de 19400 UFP produzido em células diploides humanas (MRC-5),
  • UFP = Unidades formadoras de placas.

Esta vacina pode conter quantidades vestigiais de neomicina

Indicações terapêuticas:

ZOSTAVAX está indicado na prevenção do herpes zoster (“zoster” ou zona) e da nevralgia pós-herpética (NPH) relacionada com o herpes zoster. ZOSTAVAX está indicado na imunização de indivíduos com 50 ou mais anos de idade.

Concluindo

A família do vírus HERPES é mais alargada do que a maioria das pessoas julga. Neste artigo tentei mostrar as diversas doenças distintas que se interligam (por exemplo a varicela e a zona) por serem causadas por vírus da mesma família do Herpes. Sendo algumas doenças muito comuns, principalmente o Herpes labial, é de toda a importância conhecer as suas causas, complicações, tratamento e como evitar o seu contágio.

Fique bem

Franklim Moura Fernandes

Fontes:

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Sal na alimentação substitutos naturais e saudáveis

O sal, também conhecido como cloreto de sódio (NaCl), é um elemento essencial na dieta humana, desempenhando funções vitais no organismo. No entanto, o seu consumo excessivo tem sido associado a diversos problemas de saúde cardiovasculares, entre outros, mas especialmente relacionados com o aumento da pressão arterial. Este artigo explora a história do sal, os diferentes tipos disponíveis, os seus impactos na saúde e orientações para um consumo equilibrado.


Sal vantagens perigos e substitutos melhorsaude.org
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Temas a tratar neste artigo:

  • História do sal na Humanidade
  • Importância do sódio
  • Vantagens e funções fisiológicas do sódio
  • Funções fisiológicas do potássio
  • Equilíbrio vital entre o sódio e o potássio
  • Consequências do desequilíbrio do rácio sódio/potássio
  • Como o excesso de sal causa hipertensão
  • Tipos de sal e suas características
  • Impacto do sal na saúde humana
  • Estratégias para um consumo saudável de sal
  • Alimentos ricos em potássio

História do sal na humanidade

O uso do sal remonta a milhares de anos, sendo uma das substâncias mais valorizadas na antiguidade. Civilizações como a Babilônia, Egito, China e culturas pré-colombianas utilizavam o sal não apenas como tempero, mas também como conservante de alimentos, moeda de troca e elemento em rituais religiosos. A palavra “salário” deriva do latim “salarium”, referindo-se à porção de sal dada aos soldados romanos como parte do pagamento.


As cinco grandes mentiras sobre saúde
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Importância do sódio e do potássio no organismo humano

Funções fisiológicas do sódio

O sódio (Na⁺) é um dos principais eletrólitos do organismo humano, maioritariamente localizado no líquido extracelular. As suas funções são essenciais para o funcionamento adequado de diversos sistemas fisiológicos:

  1. Equilíbrio hídrico (osmótico):
    O sódio regula a quantidade de água no corpo através da osmolaridade e da pressão osmótica entre os compartimentos intra e extracelular. A hormona aldosterona e o sistema renina-angiotensina-aldosterona (RAAS) controlam a reabsorção de sódio pelos rins, influenciando a pressão arterial.
  2. Condução nervosa e muscular:
    O sódio é essencial para a despolarização das membranas celulares, permitindo a transmissão de impulsos nervosos e a contração muscular. O seu movimento através dos canais de sódio voltagem-dependentes inicia o potencial de ação.
  3. Equilíbrio ácido-base:
    Em conjunto com outros iões como bicarbonato (HCO₃⁻), o sódio ajuda a manter o pH sanguíneo dentro de limites fisiológicos (~7,35–7,45).

Relação entre sódio e potássio: um equilíbrio vital

O potássio (K⁺) é o principal eletrólito intracelular, desempenhando funções que espelham as do sódio, mas dentro das células. A bomba sódio-potássio (Na⁺/K⁺-ATPase) é um dos principais mecanismos de homeostase eletrolítica e consome cerca de 20–40% da energia celular em repouso.

Funções principais da bomba Na⁺/K⁺-ATPase:

  • Mantém o gradiente eletroquímico essencial para a excitabilidade neuromuscular.
  • Regula o volume celular.
  • Facilita o transporte secundário ativo de glicose e aminoácidos.

Rácio ideal sódio/potássio na dieta

  • Estudos demonstram que o excesso de sódio aliado a uma ingestão insuficiente de potássio está associado a hipertensão arterial, AVC e doenças cardiovasculares.
  • A OMS recomenda:
    • <2.000 mg de sódio/dia (≈5 g de sal)
    • ≥3.510 mg de potássio/dia

Estudo de referência:
Mozaffarian D, et al. Global sodium consumption and death from cardiovascular causes. N Engl J Med. 2014;371(7):624-634.
Este estudo concluiu que o desequilíbrio entre sódio elevado e potássio reduzido foi responsável por mais de 1,5 milhões de mortes por causas cardiovasculares em 2010.


Consequências do desequilíbrio sódio-potássio

SituaçãoPossíveis consequências fisiológicas
Sódio em excessoHipertensão, retenção de líquidos, risco cardiovascular aumentado
Sódio em déficeHiponatrémia, confusão, fadiga, náuseas, convulsões
Potássio em excessoBradicardia, paragem cardíaca (hipercaliemia)
Potássio em déficeFraqueza muscular, arritmias, obstipação (hipocaliemia)

Conclusão fisiológica

O sódio e o potássio funcionam em estreita interdependência. Manter um bom equilíbrio entre ambos é essencial para a função neuromuscular, regulação da tensão arterial, ritmo cardíaco e metabolismo celular. Promover uma dieta rica em frutas, vegetais e alimentos naturais (ricos em potássio) e reduzir o consumo de sal processado é uma das melhores estratégias para proteger a saúde cardiovascular.


Como o excesso de sal causa hipertensão arterial: Explicação científica e fisiológica

A hipertensão arterial (HTA) é uma condição multifatorial, mas há um consenso sólido na comunidade científica de que o excesso de sódio na alimentação é um dos principais contribuintes. O mecanismo envolve vários sistemas do corpo, sobretudo os rins, o coração, os vasos sanguíneos e o sistema hormonal.


Rins e retenção de sódio e água

Quando o consumo de sal (cloreto de sódio) é elevado:

  • Os rins têm dificuldade em excretar o excesso de sódio eficientemente.
  • O sódio em excesso atrai água por osmose, aumentando o volume de sangue circulante (volémia).
  • Este aumento de volume gera uma maior pressão contra as paredes das artérias, o que se traduz numa elevação da pressão arterial.

Estudo chave:
He FJ, MacGregor GA. A comprehensive review on salt and health and current experience of worldwide salt reduction programmes. J Hum Hypertens. 2009.
Este estudo salienta a relação entre a retenção de sódio e a sobrecarga de volume que leva à HTA, especialmente em pessoas com “sensibilidade ao sal”.


Ativação do sistema nervoso simpático e hormonal (RAAS)

O excesso de sódio ativa o:

  • Sistema renina-angiotensina-aldosterona (RAAS), que regula o volume sanguíneo e a resistência vascular.
  • A produção de angiotensina II, uma potente substância vasoconstritora, leva ao estreitamento dos vasos sanguíneos e consequente aumento da pressão arterial.
  • Simultaneamente, há libertação de aldosterona, que estimula ainda mais a retenção de sódio e água pelos rins.

Disfunção endotelial e inflamação vascular

  • Altos níveis de sódio na dieta prejudicam as células endoteliais, que revestem os vasos sanguíneos e regulam o seu tônus.
  • O excesso de sódio reduz a produção de óxido nítrico (NO), uma molécula vasodilatadora crucial, levando à vasoconstrição crónica.
  • Também promove inflamação vascular e rigidez arterial, aumentando a resistência periférica total (afterload).

Estudo relevante:
Titze J, et al. Salt, inflammation, and immunity. Physiology (Bethesda). 2015.
Este trabalho mostra que o sódio em excesso altera a função imunitária e promove inflamação crónica, contribuindo para a disfunção vascular.


Sensibilidade ao sal

Nem todas as pessoas reagem da mesma forma ao sal. A chamada “sensibilidade ao sal” afecta uma parte significativa da população (estimada entre 25-50%) e é mais prevalente em:

  • Idosos
  • Pessoas com doença renal
  • Pessoas com obesidade ou diabetes
  • Afrodescendentes

Nestes indivíduos, mesmo aumentos modestos no consumo de sal resultam em aumentos significativos na pressão arterial.


Resumo dos mecanismos fisiológicos

Mecanismo fisiológicoEfeito do excesso de sal
Retenção renal de sódio e águaAumento do volume sanguíneo → hipertensão
Ativação do sistema RAASVasoconstrição + retenção hídrica
Disfunção do endotélio vascularMenor vasodilatação → aumento da resistência
Inflamação e rigidez arterialDiminuição da elasticidade → elevação da pressão
Sensibilidade individual ao salMaior vulnerabilidade a variações tensionais

Conclusão fisiológica

O consumo excessivo de sal não aumenta apenas o volume de sangue — altera profundamente os sistemas de regulação da pressão arterial. Essa sobrecarga crónica pode levar a hipertrofia do coração, lesão renal, AVC e outras complicações cardiovasculares. Reduzir a ingestão de sal é, por isso, uma das intervenções de saúde pública mais eficazes na prevenção da hipertensão e suas consequências.


Efeitos do excesso de sal na saúde para além da hipertensão

Embora a hipertensão arterial seja o efeito mais conhecido do consumo excessivo de sal, os impactos negativos vão muito além da pressão arterial, afetando vários órgãos e sistemas, incluindo os rins, o coração, os ossos, o estômago, o cérebro e o sistema imunitário.


1. Doença renal crónica (DRC)

Mecanismo:

  • O aumento crónico da pressão arterial renal (resultante da retenção de sódio e água) provoca hiperfiltração glomerular.
  • Esta hiperfiltração danifica progressivamente os glomérulos, levando à perda da função renal.
  • Além disso, o excesso de sódio promove fibrose intersticial renal e inflamação crónica.

Evidência:
He J, et al. Effect of sodium intake on kidney disease progression. Kidney Int. 2011.

Consequências:

  • Proteinúria
  • Redução da taxa de filtração glomerular (TFG)
  • Maior risco de progressão para insuficiência renal terminal

2. Doenças cardiovasculares (independentemente da tensão arterial)

Mecanismo:

  • O excesso de sódio aumenta a rigidez arterial e provoca disfunção endotelial, mesmo sem HTA.
  • Favorece o espessamento da parede arterial (hiperplasia da camada média) e a inflamação vascular.
  • Eleva os níveis de peptídeo natriurético atrial (ANP) e aldosterona, alterando o equilíbrio do miocárdio.

Estudo chave:
Graudal N, et al. Compared with low sodium intake, usual sodium intake is not associated with higher mortality. Am J Hypertens. 2014.

Consequências:

  • Aumento do risco de enfarte do miocárdio, AVC isquémico e insuficiência cardíaca congestiva
  • Potencial arritmogénico, especialmente em pessoas com predisposição genética

3. Osteoporose e perda óssea

Mecanismo:

  • A excreção urinária de sódio estimula a excreção concomitante de cálcio (hipercalciúria).
  • Este aumento na perda de cálcio reduz a disponibilidade para o remodelamento ósseo, comprometendo a densidade mineral óssea.

Evidência:
Tucker KL, et al. High sodium affects calcium metabolism and bone density. J Bone Miner Res. 2001.

Consequência:

  • Osteopenia e osteoporose, especialmente em mulheres pós-menopáusicas e idosos

4. Cancro do estômago

Mecanismo:

  • O sal em excesso danifica diretamente a mucosa gástrica, aumentando a susceptibilidade a infeções por Helicobacter pylori.
  • Este ambiente inflamatório crónico favorece metaplasias gástricas e alterações genéticas que conduzem à carcinogénese.

Meta-análise importante:
D’Elia L, et al. Salt intake and gastric cancer risk: a meta-analysis. Cancer Causes Control. 2012.

Consequência:

  • Maior incidência de cancro do estômago, especialmente em dietas ricas em conservas, alimentos salgados e fumados

5. Comprometimento cognitivo e risco de demência

Mecanismo:

  • A inflamação vascular e a disfunção endotelial induzidas pelo excesso de sódio comprometem a perfusão cerebral.
  • Pode afetar a integridade da barreira hematoencefálica e promover neuroinflamação.
  • Interfere com o metabolismo da insulina e da glicose cerebral.

Estudo relevante em modelo animal:
Faraco G, et al. Dietary salt promotes neurovascular and cognitive dysfunction through a gut-initiated TH17 response. Nat Neurosci. 2018.

Consequência:

  • Risco aumentado de declínio cognitivo, défices de memória e potencial associação com demência vascular

6. Imunomodulação e inflamação crónica

Mecanismo:

  • O sódio em excesso ativa linfócitos T auxiliares do tipo 17 (Th17), que promovem inflamação sistémica.
  • Estimula a libertação de citocinas pró-inflamatórias como IL-17 e TNF-α.

Artigo chave:
Kleinewietfeld M, et al. Sodium chloride drives autoimmune disease by the induction of pathogenic Th17 cells. Nature. 2013.

Consequência:

  • Agravamento de doenças autoimunes como artrite reumatoide, esclerose múltipla e psoríase
  • Maior predisposição a doenças inflamatórias intestinais

Conclusão fisiológica

O excesso de sal na dieta moderna ultrapassa largamente as necessidades fisiológicas. Para além da hipertensão, o consumo excessivo de sódio altera profundamente a função renal, cardíaca, óssea, gástrica, cerebral e imunitária. A evidência científica atual sustenta que reduzir a ingestão de sal é uma das intervenções mais eficazes, seguras e económicas para prevenir doenças crónicas e prolongar a longevidade com qualidade.


Tipos de sal e suas características

Existem diversos tipos de sal disponíveis no mercado, cada um com características específicas:

  • Sal Refinado: Também conhecido como sal de cozinha, é altamente processado, contendo cerca de 400 mg de sódio por grama.
  • Sal Marinho: Obtido pela evaporação da água do mar, preserva minerais como magnésio e potássio.
  • Flor de Sal: Colhida manualmente da superfície das salinas, possui textura delicada e sabor intenso, com aproximadamente 450 mg de sódio por grama.
  • Sal Rosa dos Himalaias: Extraído de minas no Paquistão, contém minerais como cálcio, magnésio e ferro, apresentando cerca de 230 mg de sódio por grama.
  • Sal Iodado: Enriquecido com iodo, essencial para a função da tiroide, contém entre 20-40 mg de iodo por kg de sal.
  • Salicórnia: Planta halófita que pode ser utilizada como substituto do sal, oferecendo sabor salgado com menor teor de sódio.
  • Algas Marinhas: Ricas em minerais, podem ser utilizadas como alternativa ao sal em diversas preparações culinárias.

Tabela comparativa: Teor de sódio e minerais nos diferentes tipos de sal

Apesar do sal refinado ser o mais comum na cozinha portuguesa, existem alternativas com perfis minerais distintos, que podem contribuir para uma alimentação mais equilibrada. A tabela seguinte compara o teor de sódio e a presença de minerais relevantes por cada grama de produto:

Tipo de salSódio (mg/1g)Potássio (mg/1g)Magnésio (mg/1g)Cácio (mg/1g)Iodo (mcg/1g)
Sal refinado de cozinha4000000
Sal marinho3808520
Flor de sal45010850
Sal rosa dos Himalaias2303120
Sal iodado40000025
Salicórnia (seca)1603030120
Algas marinhas (secas)50909070500

Nota: Os valores apresentados são médias aproximadas e podem variar consoante a origem e o método de produção. As algas e a salicórnia, por exemplo, destacam-se pelo baixo teor de sódio e alto conteúdo mineral, sendo excelentes substitutos do sal tradicional em regimes com restrição de sódio.

Os dados apresentados na tabela comparativa foram compilados com base em fontes científicas, bases nutricionais internacionais e dados de composição alimentar disponíveis. As principais fontes utilizadas incluem:

  1. USDA FoodData Central (Departamento de Agricultura dos EUA) – Base de dados oficial de composição de alimentos:
    https://fdc.nal.usda.gov
  2. Tabela da Composição de Alimentos do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA), Portugal – Versão atualizada para o público português:
    https://portfir.insa.pt
  3. Publicações científicas da PubMed sobre composição de sais alternativos:
    • McCance and Widdowson’s Composition of Foods (UK): análise detalhada de sais e substitutos vegetais.
    • Teor de minerais em algas marinhas e salicórnia em:
      • Holdt SL, Kraan S. Bioactive compounds in seaweed: functional food applications and legislation. J Appl Phycol. 2011.
      • Ventura MR et al. Nutritional composition of salicornia spp. Food Chem. 2011.
  4. Artigos da PLOS ONE sobre sal iodado e saúde pública:
    • Iodine fortification of salt: current status and challenges. PLOS One, 2020.

Estes valores foram arredondados para facilitar a comparação e representam médias estimadas com base em produtos disponíveis comercialmente e descrições técnicas. É importante notar que a composição mineral pode variar consoante a origem geográfica e o método de processamento de cada tipo de sal.


Impacto do sal na Saúde Humana

O consumo excessivo de sal está associado a diversos problemas de saúde, principalmente relacionados à pressão arterial:

  • Hipertensão Arterial: Estudos indicam que a redução da ingestão de sódio pode diminuir significativamente a pressão arterial em indivíduos hipertensos.
  • Doenças Cardiovasculares: O excesso de sódio pode aumentar o risco de doenças cardíacas e acidentes vasculares cerebrais.
  • Retenção de Líquidos: Altos níveis de sódio podem causar retenção de líquidos, levando a inchaços e aumento da pressão arterial.

Estratégias para reduzir o consumo de sal sem perder sabor

Reduzir o sal na alimentação não significa abrir mão do prazer à mesa. Existem formas eficazes e saborosas de o fazer, substituindo sais refinados e processados por alternativas mais equilibradas e naturais. A chave está em potenciar o sabor através de outros ingredientes e educar progressivamente o paladar.


1. Escolher tipos de sal com menor teor de sódio

Tipo de salRedução de sódioBenefício adicional
Sal rosa dos Himalaias↓ até 40%Minerais como ferro e magnésio
Sal marinho não refinado↓ ligeiraMenor processamento, mantém oligoelementos
Salicórnia seca↓ até 60%Rica em potássio e magnésio
Algas marinhas secas↓ até 90%Fonte natural de iodo, cálcio e potássio

Dica: Mistura personalizada — usar 50% de flor de sal com 50% de salicórnia seca moída para reduzir significativamente o teor de sódio sem comprometer o sabor.


2. Utilizar intensificadores de sabor naturais

🌿 Ervas aromáticas frescas ou secas:

  • Alecrim, tomilho, orégãos, manjericão, salsa, coentros, louro.
  • Usadas em marinadas, grelhados, caldos e sopas.

🌶️ Especiarias:

  • Pimenta preta, paprika, noz-moscada, cominhos, açafrão, gengibre, canela.
  • Realçam o sabor de carnes, leguminosas e vegetais sem necessidade de sal.

🍋 Ácidos naturais:

  • Sumo de limão, vinagre balsâmico, vinagre de maçã ou de arroz.
  • Realçam o sabor tal como o sal, estimulando as papilas gustativas.

🧄 Alhos, cebolas e chalotas:

  • Quando bem caramelizados, conferem profundidade e umami aos pratos.

🍅 Tomate seco, cogumelos, azeitonas e algas:

  • Fontes naturais de umami, o quinto sabor, que intensifica o paladar.

3. Estratégias culinárias práticas

  • Adicionar sal no fim da cozedura: reduz a quantidade total necessária, pois o sal permanece mais na superfície e é mais perceptível.
  • Usar “poeiras” de sabor: triturar salicórnia seca, algas ou cogumelos secos e polvilhar no prato como realçador final.
  • Temperar com antecedência (marinar): realça sabores com menor quantidade de sal.
  • Técnica da “redução”: reduzir líquidos como caldos, sumos de vegetais ou vinagres para concentrar o sabor.

4. Reeducar progressivamente o paladar

O ser humano adapta-se ao sabor — estudos demonstram que é possível reduzir o sal em 30% sem que o consumidor detete a diferença ao fim de duas semanas.

Estratégia:

  • Reduzir gradualmente o sal adicionado em 10% a cada semana.
  • Utilizar uma combinação de substitutos, especiarias e técnicas culinárias.

5. Atenção aos alimentos com sal “escondido”

Mais de 70% do sal que consumimos provém de alimentos processados e não do saleiro. Atenção especial a:

  • Enlatados e conservas
  • Caldos e temperos industrializados
  • Pão industrial
  • Enchidos e charcutaria
  • Queijos curados
  • Snacks salgados e fast food

Solução: Escolher versões com “baixo teor de sal” e compensar com especiarias e ervas em casa.


🥗 Alimentos Mais Ricos em Potássio (por 100 g)

Descrevo de seguida uma lista dos alimentos mais ricos em potássio, organizada por categorias alimentares, com valores médios por 100 gramas. Esta informação é útil para promover o equilíbrio sódio-potássio na alimentação — essencial para a saúde cardiovascular e neuromuscular.

🥦 Vegetais e leguminosas

AlimentoPotássio (mg)
Feijão branco cozido~561
Lentilhas cozidas~369
Espinafres cozidos~466
Batata assada (com casca)~535
Abóbora cozida~340
Brócolos cozidos~293
Beterraba cozida~325
Couve portuguesa cozida~300

🍌 Frutas

AlimentoPotássio (mg)
Banana média~358
Abacate~485
Melão cantalupo~267
Kiwi~312
Damasco seco~1160
Figos secos~680
Passas (uva seca)~749

🐟 Peixes e mariscos

AlimentoPotássio (mg)
Salmão grelhado~490
Atum em água~252
Pargo~450
Camarão cozido~264

🥜 Frutos oleaginosos e sementes

AlimentoPotássio (mg)
Amêndoas (sem sal)~705
Pistácios~1025
Sementes de abóbora~588
Nozes~441

🥛 Laticínios e derivados

AlimentoPotássio (mg)
Leite meio-gordo~150
Iogurte natural~255
Queijo ricotta magro~105

🥖 Cereais integrais e tubérculos

AlimentoPotássio (mg)
Aveia cozida~160
Arroz integral cozido~86
Batata-doce assada~475
Milho cozido~270

🌿 Substitutos naturais do sal

AlimentoPotássio (mg)
Salicórnia seca (100 g)~3000
Algas nori secas~2500

Notas Importantes

  • A relação potássio/sódio é tão ou mais importante que o valor absoluto de potássio.
  • Cozinhar os alimentos (especialmente em água abundante) pode reduzir o teor de potássio — preferir cozedura a vapor ou assada.
  • Pessoas com doença renal devem consultar um profissional antes de aumentar a ingestão de potássio, devido ao risco de hipercaliemia.

Conclusão prática

Reduzir o consumo de sal, especialmente do sal refinado rico em sódio, é um passo crucial para proteger a saúde cardiovascular. Com criatividade culinária e alternativas saudáveis como a salicórnia, as algas e o uso inteligente de ervas e especiarias, é possível manter (ou até melhorar) o sabor dos pratos — com muito menos sal.

O sal é um componente essencial na dieta humana, desempenhando funções vitais no organismo. No entanto, o seu consumo deve ser moderado para evitar problemas de saúde, especialmente relacionados à pressão arterial e doenças cardiovasculares. Escolher tipos de sal menos processados e incorporar alternativas naturais pode contribuir para uma dieta mais equilibrada e saudável.


Fontes bibliográficas

Dor ciática na perna qual o melhor tratamento?

Dor ciática na perna também conhecida por ciatalgia ou simplesmente ciática, é uma alteração da função do maior nervo do corpo humano, o nervo ciático. Pode ser bastante incapacitante e causar dor muito forte. Neste artigo vou falar dos pontos mais importantes como dor ciática tratamentos, sintomas, causas, prevenção e últimas descobertas. Toda a verdade sobre uma dor que pode ser incapacitante para a sua rotina diária… e penalizar muito a sua vida normal!

Leia também: Quais as 7 dores que nunca deve ignorar?

Nervo ciático

O nervo ciático, também chamado de nervo isquiático, surge da junção das raízes nervosas que nascem entre a 4ª vértebra lombar e a 3ª vértebra do osso sacro, dando origem a um espesso nervo que desce em direção ao membro inferior. É o maior nervo do corpo humano, percorrendo a nádega, a perna e o pé. É graças a este nervo que os músculos das pernas se movem, permitindo articular os membros inferiores.

Dor ciática

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Dor ciática  o que é?

Trata-se de uma crise aguda de dor forte ao longo do nervo ciático.
A dor é provocada por uma irritação ou compressão das raízes do nervo ciático ou outro tipo de lesão no nervo ciático. Pode aparecer na coluna lombar, quando há algum tipo de compressão sobre o nervo ciático. A localização da dor varia consoante as raízes do nervo afetadas,

Sintomas

Os sintomas da dor ciática na perna podem ser diversos e dependentes das raízes do nervo afetadas, podendo resumir-se nos seguintes:

  • Dor que irradia para uma das nádegas, para a parte posterior e externa da coxa, da perna e do pé ou para o primeiro dedo do pé;
  • É comum a dor ciática estar associada à dor lombar;
  • Perda de sensibilidade;
  • Diminuição da força muscular;
  • Sensação de formigueiro;
  • Dores aumentam quando fica de pé ou sentado;
  • Dor aumenta ao levantar as pernas, nas áreas dolorosas como nádegas, coxa, perna e pé;

Os sintomas podem ser diferentes de pessoa para pessoa. Podem piorar durante a noite. A dor costuma passar ao fim de alguns dias, mas caso o problema persista é muito importante ter um diagnóstico preciso, para evitar o risco de virem a surgir lesões neurológicas irreversíveis.


As cinco grandes mentiras sobre saúde
Um original de Franklim Moura Fernandes

Causas

A principal causa de compressão do nervo ciático e, consequentemente, de dor ciática na perna é a hérnia discal na coluna lombar. A dor ciática pode aparecer nas seguintes situações:

  • Na região lombar quando há algum tipo de compressão sobre o nervo ciático, provocada por uma hérnia discal, um tumor ou outro tipo de lesão.
  • No caso da hérnia discal lombar, por exemplo, o anel que circunda o disco intervertebral rompe-se, o núcleo que está no seu interior passa para o canal vertebral e comprime as raízes do nervo, provocando dor.
  • Gravidez e parto;
  • Levantamento de coisas pesadas sem fletir os joelhos;
  • Carregamento excessivo de peso é muitas vezes uma das causas mais comuns da dor ciática por aumentar a pressão nas costas.
  • Idade avançada torna mais frequente o desgaste das estruturas da coluna vertebral surgindo artroses, que vão afetar a espinal medula e as raízes dos nervos.

Causas da dor ciática

Outras causas de compressão do nervo ciático são:

  • Espondilolistese (deslizamento de uma vértebra sobre a outra),
  • Traumas, tumores ou infeções da coluna lombar,
  • Estenose (estreitamento) do canal vertebral onde passa a medula,
  • Osteófitos (bico de papagaio),
  • Artrose da coluna.
  • Síndrome do músculo piriforme. Este problema surge quando o músculo piriforme, localizado na região glútea, sofre um espasmo e provoca compressão do nervo ciático que passa por baixo do mesmo.

Fatores de risco

Os principais fatores de risco que aumentam a probabilidade de aparecimento de dor ciática são os seguintes:

  • Posturas incorretas, repetitivas e mantidas durante demasiado tempo;
  • Sedentarismo;
  • Obesidade;
  • História clínica de dores lombares;
  • Esforços excessivos ou pouco regulados.

Diagnóstico

O diagnóstico é realizado juntando os sintomas descritos pelo doente com a avaliação clínica do médico e da localização da dor. Pode haver necessidade da realização de exames complementares coluna lombar, para se obterem imagens rigorosas da coluna vertebral, dos nervos e das lesões que causam a dor ciática, tais como:

  • Radiografias,
  • Tomografia axial computadorizada (TAC),
  • Ressonância magnética.

Leia também: Dores musculares e lombalgias, quais as causas, perigos e melhores tratamentos?

Dor ciática tratamento

O tratamento inicial da ciatalgia é com medicamentos para controle da dor, tais como anti-inflamatórios ou analgésicos comuns. Em muitos casos, a dor dura poucos dias e desaparece sem nenhuma conduta mais agressiva. O tratamento da dor ciática tem diversas abordagens que podem ser complementares. De seguida descrevo as principais estratégias de tratamento.

Repouso ou atividades leves

O repouso é primeira medida terapêutica a ser tomada no caso de dor ciática. No entanto  atividades leves, que não sobrecarregam a coluna,  parecem melhorar mais a ciatalgia do que ficar deitado na cama. Natação e fisioterapia costumam ter boa resposta. Em alguns casos, a acupuntura também apresenta bons resultados. De seguida deve consultar um médico especialista em coluna vertebral, tal como um neurocirurgião ou ortopedista.


Medicamentos para dor ciática

Diclofenac (voltaren®) e ibuprofeno (brufen®) são alguns dos anti-inflamatórios que diminuem a inflamação do nervo e a dor.  Em casos de dor intensa, podem ser necessários opioides, que são medicamentos derivados da morfina, como o tramadol. O uso de relaxante muscular como o tiocolquicosido ou benzodiazepinas, como o diazepam, também ajudam a diminuir a dor. Como a ciatalgia ou dor ciática é uma dor de origem neurológica, nos medicamentos para dor ciática crónica pode ser necessário usar alguns antidepressivos ou anticonvulsivantes para melhor controlar dores crónicas e fortes.

Dor ciática exercícios

Tanto a fisioterapia como algum exercício físico específico podem ajudar em muitos casos, mas só devem iniciar-se após efetuado o diagnóstico correto e por indicação do médico especialista.

Cirurgia

Está indicada quando a dor é muito intensa e resiste às medidas acima referidas, se surgir diminuição da força muscular ou dormência persistente num membro. O objetivo da intervenção cirúrgica é corrigir a causa da compressão do nervo ciático. A causa mais comum de dor ciática é a hérnia discal e a cirurgia para a sua cura consiste na sua remoção e do disco intervertebral que provoca a compressão.


Prevenção

Devemos cuidar da coluna vertebral ao longo de toda a vida, evitando sobrecarregá-la e fazer treino muscular para manter posturas corretas, em repouso ou durante os movimentos do dia a dia.

Praticar desporto

Praticar exercício físico adequado, sob orientação de técnicos especializados, ajuda a reforçar os músculos que protegem a coluna vertebral. Não se deve fazer exercício físico que ultrapasse as capacidades individuais.
A dança é um dos melhores exercícios que se podem fazer pelo equilíbrio muscular, pelo bem-estar e pelo reforço de cálcio nos ossos que proporciona.

Evitar excesso de peso

Evitar pegar em pesos excessivos e fazê-lo sempre com uma postura defensiva: fletir os joelhos e contrair o abdómen, mantendo a coluna direita e pegando nos pesos com ambas as mãos (por exemplo, se vai às compras deve distribuir o peso pelas duas mãos); equilibrar o esforço e a postura.

Posturas corretas

Quando estamos sentados, as costas devem estar totalmente apoiadas na cadeira e os pés bem assentes no chão (pode haver necessidade de usar um pequeno degrau de apoio); o pescoço deve estar sempre direito, o que é particularmente relevante para quem passa horas em frente ao computador.
Muito importante é mudar frequentemente de posição, flexibilizando os músculos e as articulações.

Calçado confortável e saudável

Deve ser usado calçado confortável, individualizado, que não afete negativamente a postura. Os saltos dos sapatos, vistos tradicionalmente como inimigos da saúde da coluna vertebral, devem antes ser considerados aliados, por quem os usa. E isto porque o conforto que o calçado proporciona está também relacionado com a altura dos saltos. É claro que não estamos a falar de saltos de 10 cm… mas sim de 2 a 3 cm.

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Resumo dos pontos mais relevante sobre dor ciática:

  • A dor ciática é uma dor lombar que se estende através da nádega até à perna.
  • A sua origem está na compressão ou inflamação do nervo mais longo do corpo que se chama nervo ciático.
  • É um nervo que começa na coluna vertebral passa pelas nádegas e desce pela parte de trás da perna.
  • Muitas vezes confundimos erradamente dor lombar com dor ciática.
  • A dor pode ser leve ou aguda e é geralmente afiada e intensa.
  • Este tipo de dor pode causar dificuldades em manter-se de pé ou andar.
  • Além da dor pode sentir fraqueza muscular e formigueiro na perna, no pé ou nos dedos do pé.
  • Em alguns casos podem surgir cãibras musculares na nádega ou na perna e diminuição dos reflexos nos joelhos e tornozelos.
  • Mesmo quando é muito dolorosa a dor ciática raramente se torna crónica, desaparecendo, quase sempre de forma espontânea.
  • A dor ciática, sendo provocada pela compressão de um nervo, pode acontecer durante a gravidez, parto ou levantamento coisas pesadas.
  • É raro que a sua causa seja uma hérnia ou tumor.
  • O carregamento excessivo de peso é muitas vezes uma das causas mais comuns da dor ciática por aumentar a pressão nas costas.
  • Se acha que tem dor ciática deve consultar o seu médico.
  • Por vezes a dor ciática pode ser um sinal de alerta de uma hérnia prestes a formar-se.
  • Outras vezes a dor pode estar associada a um estreitamento do canal vertebral.
Dor ciática e vertebra lombar na origem
Zona da coluna vertebral afetada e padrão de dor que origina
  • Na maior parte dos casos o médico vai aconselhar repouso e exercícios para fortalecer os músculos das costas.
  • Para diminuir os sintomas o médico vai prescrever analgésicos fortes e possivelmente encaminha-lo para um fisioterapeuta.
  • Durante algum tempo não vai poder carregar coisas pesadas.
  • Quando deixar de sentir dores se continuar a sentir pernas dormentes ou perdas de urina deve de imediato consultar o seu médico.
  • Se a dor ciática for causada por uma hérnia, a cirurgia parece ser o único tratamento com bons resultados.

Referências:

Prof. Doutor Victor Gonçalves, neurocirurgião e Coordenador da Unidade de Neurocirurgia do Hospital Lusíadas Lisboa

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Helicobacter pylori tratamento natural para a bactéria do estômago

A Helicobacter pylori (H. pylori) é uma bactéria anaeróbia Gram-negativa que coloniza o estômago humano e é a principal causa de doenças gástricas, como a gastrite crónica e as úlceras pépticas, bem como o fator de risco mais definitivo e controlável para o desenvolvimento de cancro gástrico ou linfoma MALT. A infecção afecta cerca de metade da população global, com elevada variabilidade na prevalência entre regiões e por idade. A infeção crónica por este carcinogéneo microbiano de classe I é considerada o fator de risco mais importante para o desenvolvimento de cancro gástrico.

A Helicobacter pylori habita a mucosa gástrica de quase 4,4 mil milhões de pessoas em todo o mundo (Hooi et al., 2017). Sem uma terapia de erradicação eficaz, a infeção geralmente persiste durante toda a vida, causando inflamação da mucosa gástrica, que pode progredir gradualmente para úlcera péptica, adenocarcinoma gástrico e linfoma do tecido linfóide associado à mucosa (MALT) (Kusters et al., 2006; Yamaoka, 2010). Atualmente, a eficácia da terapêutica tripla padrão de uma semana contendo claritromicina (CLR) e metronidazol (MTZ) ou amoxicilina (AMX) combinada com um inibidor da bomba de protões (IBP) caiu drasticamente, apresentando taxas de erradicação de 50% a 70% (Fallone et al., 2016).

A crescente resistência antimicrobiana aos antibióticos de primeira linha provoca principalmente o insucesso das atuais terapêuticas de erradicação, induzindo infeções refratárias. O aumento alarmante da resistência a múltiplos fármacos em isolados de H. pylori em todo o mundo começa já a limitar a eficácia dos tratamentos existentes. Consequentemente, em 2017, a Organização Mundial de Saúde (OMS) incluiu o H. pylori na sua lista de “patógenos prioritários”, resistentes aos antibióticos, um catálogo de 12 famílias de bactérias que representam atualmente a maior ameaça para a saúde humana (Tacconelli et al., 2018), para os quais são urgentemente necessários novos antibióticos.

Devem ser adotadas novas estratégias para combater esta crise antibiótica, incluindo a exploração adequada do potencial terapêutico comprovado das plantas medicinais e dos fitoquímicos derivados de plantas.

A erradicação é recomendada sempre que se identifique a infeção, independentemente da presença de sintomas, devido ao seu potencial patogénico a longo prazo. Atualmente, o regime para a erradicação do H. pylori passou de triplo para quádruplo (toma de 4 antibióticos simultâneos), o curso do tratamento foi prolongado e o tipo e a dose de antibióticos foram ajustados, com uma melhoria limitada da eficácia, mas efeitos secundários gradualmente crescentes e falhas repetidas no tratamento num número crescente de doentes.

Nos últimos anos, os probióticos e algumas plantas tornaram-se ferramentas mais importantes para melhorar a saúde gastro intestinal e potenciar a nossa imunidade.

As cinco grandes mentiras sobre saúde
As cinco grandes mentiras sobre saúde

Tratamentos naturais com evidência científica

Embora o tratamento natural isolado raramente seja suficiente para erradicação completa, alguns probióticos e plantas, demonstraram efeitos adjuvantes ou inibitórios sobre o H. pylori em estudos in vitro e pequenos ensaios clínicos.

Numerosos estudos in vitro, estudos em animais e observações clínicas demonstraram que os probióticos têm a vantagem de reduzir os efeitos secundários e aumentar as taxas de erradicação na terapêutica adjuvante anti-H. pylori e são um complemento valioso à terapêutica convencional. No entanto, muitos tipos diferentes de probióticos são utilizados como adjuvantes contra o H. pylori, em diversas combinações, com diferentes doses e tempos de administração, e a qualidade dos estudos clínicos varia, dificultando a padronização dos resultados.

Probióticos

  • Espécies eficazes: Limosilactobacillus reuteri (L. reuteri), L. rhamnosus GG, Saccharomyces boulardii.
  • Mecanismo: Reduzem a adesão do H. pylori à mucosa gástrica e diminuem os efeitos secundários do tratamento antibiótico.
  • Estudo-chave: Meta-análise demonstrou benefícios na redução de carga bacteriana e alívio de sintomas.
  • Marca comercial disponível: Advancis Bacilpro Gastro

Limosilactobacillus reuteri

Devido à elevada taxa de insucesso da terapêutica de erradicação em vários países e ao aumento da resistência aos antibióticos reportado na literatura, existe uma necessidade cada vez maior de procurar tratamentos terapêuticos alternativos. Os probióticos parecem ser uma solução promissora. Em particular, a espécie Limosilactobacillus reuteri (L. reuteri) é uma bactéria Gram-positiva e é comummente encontrada na microbiota dos mamíferos.

O L. reuteri é capaz de sobreviver ao meio ácido gástrico e à bílis e colonizar a mucosa gástrica. Esta espécie é capaz de inibir o crescimento de diversas bactérias patogénicas através de diferentes mecanismos, mantendo a homeostasia da microbiota. Em particular, é capaz de segregar reuterina e reutericilina, substâncias que exibem propriedades antimicrobianas, entre outras moléculas. Através da secreção destes e da formação do biofilme, descobriu-se que este inibe fortemente o crescimento de H. pylori e, em concentrações mais elevadas, mata-o. Além disso, reduz a expressão dos fatores de virulência do H. pylori.

Em ensaios clínicos, o L. reuteri demonstrou diminuir a carga de H. pylori quando utilizado como tratamento único, mas não atingiu significância estatística na cura de doentes infetados. Como adjuvante dos regimes padrão com antibióticos e inibidores da bomba, o L. reuteri pode ser utilizado não só para melhorar as taxas de cura, mas especialmente para diminuir os sintomas gastrointestinais, que são uma causa comum de falta de adesão e interrupção da terapêutica, levando a uma nova resistência aos antibióticos.

Uma meta análise de 2024, de diversos ensaios clínicos controlados e randomizados, conclui que a suplementação com L. reuteri foi benéfica para aumentar a taxa de erradicação do H. pylori, reduzir a incidência global de efeitos secundários e aliviar os sintomas gastrointestinais nos doentes durante o tratamento. Os resultados fornecem novos informações relevantes para a tomada de decisões clínicas.

Referências:
Current and future perspectives for Helicobacter pylori treatment and management: From antibiotics to probiotics

Limosilactobacillus reuteri Strains as Adjuvants in the Management of Helicobacter pylori Infection

Lactobacillus reuteri compared with placebo as an adjuvant in Helicobacter pylori eradication therapy: a meta-analysis of randomized controlled trials


Lactobacillus rhamnosus jB3 (LR-JB3)

A erradicação da infeção por Helicobacter pylori é a forma mais direta e eficaz de prevenir o cancro gástrico. As bactérias lácticas são consideradas agentes terapêuticos alternativos contra a infeção por H. pylori. O H. pylori explora as balsas lipídicas para infetar as células hospedeiras. A infeção desencadeia a aglomeração do antigénio Lewis X (Lex) e das integrinas nas balsas lipídicas para facilitar a adesão do H. pylori ao epitélio gástrico. A infeção por H. pylori pode ser tratada com probióticos contendo bactérias lácticas, que oferecem inúmeros benefícios ao hospedeiro, sem os efeitos secundários associados à antibioterapia.

Métodos
Os efeitos do Lactobacillus rhamnosus JB3 (LR-JB3) na expressão génica de virulência de H. pylori e nas respostas celulares induzidas pela infeção de células AGS foram investigados através do cocultivo de células AGS infetadas com diferentes multiplicidades de infeções (MOIs) de LR-JB3.

Resultados
O LR-JB3, especificamente a um MOI de 25, suprimiu a capacidade de associação do H. pylori e dos seus níveis induzidos de IL-8, bem como os níveis de mRNA de vacA, sabA e fucT de H. pylori, as expressões do antigénio Lewis (Le)x induzidas pela infeção e do recetor Toll-like 4 (TLR4) nas células AGS. No entanto, a apoptose mediada pela infecção foi inibida pelo LR-JB3 de forma dose-dependente. Além disso, observou-se que o autoindutor (AI)-2 aumentou a capacidade de associação e a expressão de fucT em H. pylori, bem como a expressão do antigénio Lex e de TLR4 em células AGS. Curiosamente, foi colocada a hipótese de um sinal bioativo desconhecido ter sido secretado pelo LR-JB3 a um MOI de 25 para atuar como antagonista do AI-2.

Conclusões
O LR-JB3 possui vários meios para interferir na patogénese do H. pylori e nas respostas celulares induzidas pela infeção das células AGS para combater a infeção.

Referências

Lactobacillus rhamnosus JB3 inhibits Helicobacter pylori infection through multiple molecular actions

Antagonistic Activities of Lactobacillus rhamnosus JB3 Against Helicobacter pylori Infection Through Lipid Raft Formation


Saccharomyces boulardii (S. boulardii)

Saccharomyces boulardii é uma levedura probiótica, não é uma bactéria. A infeção por Helicobacter pylori (H. pylori) é uma infeção crónica comum, e mais de metade da população mundial está infetada por H. É ainda controverso se a suplementação de Saccharomyces boulardii (S. boulardii) à terapêutica antibiótica quádrupla com bismuto é benéfica para a erradicação do H. pylori.

Numa meta-análise de 2025, na literatura das bases de dados PubMed, Embase, Web of Science e China National Knowledge Infrastructure, de artigos publicados até outubro de 2023, foram incluídos 10 ensaios clínicos randomizados.

Notavelmente, a suplementação de S. boulardii à terapêutica quádrupla com bismuto melhorou significativamente as taxas de erradicação do H. pylori e reduziu a incidência de efeitos adversos totais. Especificamente, reduziu a incidência de alguns efeitos adversos gastrointestinais e efeitos adversos não específicos, incluindo diarreia, obstipação, distensão abdominal, náuseas e erupção cutânea.

Na análise de subgrupos, verificou-se que a duração da erradicação a longo prazo e a suplementação de S. boulardii iniciada e interrompida ao mesmo tempo que o tratamento de erradicação melhoraram significativamente a taxa de erradicação, independentemente da dose de S. boulardii.

Uma meta-análise encontrou uma eficácia terapêutica significativa para o S. boulardii na prevenção da diarreia associada a antibióticos (DAA). Nos adultos, o S. boulardii pode ser fortemente recomendado para a prevenção da DAA e da diarreia do viajante. Ensaios clínicos randomizados também apoiam a utilização deste probiótico de levedura para a prevenção da diarreia relacionada com a nutrição entérica e redução dos sintomas relacionados com o tratamento do Helicobacter pylori.

O S. boulardii mostra-se promissor para a prevenção de recidivas da doença de C. difficile; tratamento da síndrome do intestino irritável, diarreia aguda do adulto, doença de Crohn, giardíase, diarreia relacionada com o vírus da imunodeficiência humana; mas recomendam-se mais evidências de suporte para estas indicações. A utilização de S. boulardii como probiótico terapêutico baseia-se em evidências tanto para a eficácia como para a segurança para vários tipos de diarreia.

Conclusões

A adição de S. boulardii à terapêutica quádrupla com bismuto aumentou significativamente as taxas de erradicação do H. pylori e diminuiu os efeitos adversos. Recomenda-se adicionar 500 mg/dia de S. boulardii concomitantemente com a terapêutica quádrupla com bismuto e continuar esta terapêutica durante > 10 dias para obter uma eficácia ótima na erradicação do H. pylori.

Referências

Effect of Saccharomyces boulardii supplementation to bismuth quadruple therapy on Helicobacter pylori eradication


Rebentos de brócolos e sulforafano

  • Composto ativo: Sulforafano (glucosinolato presente nos rebentos de brócolo).
  • Mecanismo: Atividade bactericida direta e redução da inflamação gástrica.
  • Estudo-clínico: Fahey JW et al., Cancer Prev Res, 2009 – mostrou redução da colonização em humanos após 2 semanas de consumo de rebentos.

O isotiocianato sulforafano [SF; O 1-isotiocianato-4(R)-metilsulfinilbutano] é abundante nos rebentos de brócolos sob a forma do seu precursor glucosinolato (glucorafanina). O Sulforafano é poderosamente bactericida contra as infeções por Helicobacter pylori, que estão fortemente associadas à pandemia mundial de cancro gástrico.

O tratamento oral com rebentos de brócolos ricos em sulforafano de ratinhos fêmeas C57BL/6 infetados com H. pylori estirpe 1 Sydney e mantidos com uma dieta rica em sal (7,5% NaCl) reduziu a colonização bacteriana gástrica, atenuou a expressão mucosa do fator de necrose tumoral alfa e da interleucina-1beta, mitigou a inflamação do corpo e preveniu a expressão da atrofia do corpo gástrico induzida por alto teor de sal.

Este efeito terapêutico não foi observado em ratinhos nos quais o gene nrf2 foi eliminado, implicando fortemente o importante papel das proteínas antioxidantes e anti-inflamatórias dependentes de Nrf2 na proteção dependente de SF. Quarenta e oito doentes infectados por H. pylori foram aleatoriamente designados para receber rebentos de brócolos (70 g/d; contendo 420 micromol de precursor de SF) durante 8 semanas ou para o consumo de um peso igual de rebentos de alfafa (sem SF) como placebo.

A intervenção com rebentos de brócolos, mas não com placebo, diminuiu os níveis de urease medidos pelo teste respiratório da ureia e do antigénio fecal de H. pylori (ambos biomarcadores de colonização por H. pylori) e de pepsinogénios séricos I e II (biomarcadores de inflamação gástrica). Os valores voltaram aos seus níveis originais 2 meses após a interrupção do tratamento. A ingestão diária de rebentos de brócolos ricos em sulforafano durante 2 meses reduz a colonização por H. pylori em ratinhos e melhora as sequelas da infeção em ratinhos infetados e em humanos. Este tratamento parece aumentar a quimioproteção da mucosa gástrica contra o stress oxidativo induzido pelo H. pylori.

Referências:

Dietary sulforaphane-rich broccoli sprouts reduce colonization and attenuate gastritis in Helicobacter pylori-infected mice and humans

Fahey JW, et al. Cancer Prev Res (Phila). 2009 Apr;2(4):353–360.


Mel de Manuka (Leptospermum scoparium)

  • Atividade antibacteriana: Propriedades antibióticas naturais atribuídas ao metilglioxal.
  • Limitação: A maioria dos estudos são in vitro. Efeitos in vivo ainda inconclusivos.

O mel de Manuka (Leptospermum scoparium) exerce um forte efeito antibacteriano. As enzimas bacterianas são um alvo importante para os compostos antibacterianos. A enzima urease produz amónia e permite que as bactérias se adaptem a um meio ácido. Um novo ensaio enzimático, baseado na deteção fotométrica de amónia com ninidrina, foi desenvolvido para estudar a atividade da urease.

O metilglioxal (MGO) e o seu precursor di-hidroxiacetona (DHA), que estão naturalmente presentes no mel de Manuka, foram identificados como inibidores da urease do feijão-de-porco com valores de IC50 de 2,8 e 5,0 mM, respetivamente. A inibição da urease do mel de Manuka correlaciona-se com o seu teor em MGO e DHA. Os méis não-Manuka, que não possuem MGO e DHA, apresentaram uma inibição da urease significativamente menor.

A depleção de MGO do mel de Manuka com glioxalase reduziu a inibição da urease. Portanto, a inibição da urease pelo mel de Manuka deve-se principalmente ao MGO e ao DHA. Os resultados obtidos com a urease do feijão-de-porco como urease modelo podem contribuir para a compreensão da inibição bacteriana pelo mel de manuka.

Referência:
Manuka honey (Leptospermum scoparium) inhibits jack bean urease activity due to methylglyoxal and dihydroxyacetone


Chá verde, chá preto, alho, cúrcuma e alcaçuz (DGL)

  • Chá verde: efeito bacteriostático (Yamaoka Y, Int J Antimicrob Agents, 2009).
  • Alho cru: ação inibitória direta sobre o H. pylori, mas deve ser consumido em quantidades elevadas.
  • Cúrcuma: propriedades anti-inflamatórias e antimicrobianas.
  • Alcaçuz deglicirrizinado (DGL): pode reduzir aderência da bactéria.

Referências adicionais:


Flavonoides antibacterianos

Muito antes de a infecção por H. pylori ser reconhecida como causadora de gastrite crónica e úlceras pépticas em 1982 (Marshall e Warren, 1984), os produtos naturais já eram utilizados por médicos e curandeiros para combater estas doenças com base em conhecimento empírico (Yesilada et al., 1997). Atualmente, mais de 240 espécies de plantas demonstraram atividade anti-H. pylori (Salehi et al., 2018; Baker, 2020). Com a necessidade urgente de novas opções terapêuticas para enfrentar a atual crise dos antibióticos, o interesse da comunidade científica pela medicina tradicional e pela utilização de produtos naturais como fontes de novos medicamentos antibacterianos foi reforçado (Cheesman et al., 2017; Anand et al., 2019).

Os flavonoides são compostos bioativos polifenólicos de baixo peso molecular, ubíquos nas plantas (Buer et al., 2010). A família dos flavonóides é constituída por mais de 9000 espécies de moléculas, que partilham, na sua maioria, uma estrutura química baseada num esqueleto de quinze carbonos (C6-C3-C6) composto por dois anéis benzénicos, designados por A e B, ligados por um anel pirano heterocíclico, denominado anel C. O esqueleto C6-C3-C6 é frequentemente hidroxilado nas posições 2, 3, 5, 7, 3’, 4’ e 5’.

Os éteres metílicos e os ésteres acetílicos dos grupos álcoois são frequentes, embora uma infinidade de outros grupos derivados, incluindo diferentes alquilas, isoprenoides e grupos carboxílicos, também contribuam para a vasta diversidade destes compostos (Kumar e Pandey, 2013).

As sete classes de flavonoides

Com base no estado de oxidação do anel pirano central, no seu grau de hidroxilação e na posição de ligação do anel benzénico B, os flavonoides podem ser divididos em sete classes principais, que descrevo de seguida, assim como o nome dos principais flavonoides de cada classe e alguns alimentos onde podem ser encontrados:

  • Flavonas como apigenina, crisina, luteolina, tangeritina (Aipo, salsa, pimento vermelho, camomila, hortelã, ginkgo biloba);
  • Flavonóis como kaempferol, quercetina, miricetina, fisetina (Cebola, couve, alface, tomate, maçã, uva, frutos vermelhos, chá, vinho tinto);
  • Flavanonas como hesperetina, naringenina, eriodictiol, butina ( Frutas cítricas, uvas, arroz);
  • Flavanonóis como taxifolina, aromadedrina, engeletina, astilbina (Frutas cítricas, chá, arroz);
  • Flavanóis também conhecidos como flavan-3-óis, tais como catequina, epicatequina, galocatequina, proantocianidinas (Chá, cacau, bananas, maçãs, mirtilos, pêssegos, peras, uvas, vinho tinto);
  • Antocianidinas como malvidina, cianidina, delfinidina, petunidina (Berries, black currants, red grapes, merlot grapes);
  • Isoflavonas como daidzeína, genisteína, gliciteína, formononetina (legumes).

Quercetina bactericida

Muitos flavonóides naturais, como a quercetina, apresentam atividade anti-urease. O valor dos flavonoides como fármacos terapêuticos eficazes contra o H. pylori não se deve apenas ao seu comprovado efeito bactericida, mas também às suas ações antivirulentas, que em muitos casos reduzem os danos no hospedeiro e aliviam as doenças associadas. Alguns fatores de virulência do H. pylori, incluindo o gene A associado à citotoxina (CagA) e a citotoxina A vacuolante (VacA), são cruciais no processo inflamatório associado à infeção por este agente patogénico.

Referência:

Fighting the Antibiotic Crisis: Flavonoids as Promising Antibacterial Drugs Against Helicobacter pylori Infection


Quercetina alimentos mais ricos

A quercetina é um flavonoide com fortes propriedades antioxidantes, anti-inflamatórias e antivirais. Está presente em diversos alimentos, sobretudo de origem vegetal. Abaixo indico os alimentos mais ricos em quercetina, com estimativas médias do teor por 100 g:

Alimentos mais ricos em quercetina (por ordem decrescente)

AlimentoTeor médio de quercetina (mg/100g)
Alcaparras (em conserva)180–230
Cebola roxa crua30–50
Chalota (échalote)20–40
Maçã (com casca)4–10
Mirtilos3–8
Brócolos cozidos2–5
Pimentos (vermelhos e amarelos)2–4
Couve roxa crua2–3
Uvas pretas1–2
Chá verde e chá preto2–10 (por chávena, dependendo do tipo e tempo de infusão)

Nota: A quantidade de quercetina pode variar bastante consoante a variedade do alimento, maturação, modo de cultivo e preparação (cru vs. cozinhado).

Efeitos terapêuticos da quercetina

Referências científicas:

Exemplo de tratamento natural complementar

Como exemplo de um tratamento natural complementar à antibioterapia ou seja associado ao tratamento medicamentoso mais eficaz podemos utilizar o seguinte:

  • Em jejum: Próbiótico constituído por Lactobacillus Reuteri, Lactobacillus Ramnosus jB3 e Sacharomyces Boulardii;
  • Ao pequeno almoço: Acompanhar com Chá verde ou chá preto e mel de manuka;
  • Refeições principais (almoço e jantar): Introduzir rebentos de brócolos, alho cru, cúrcuma, alcaçuz, alcaparras em conserva e cebola roxa crua ou chalota.
  • Sobremesa: Maças com casca, mirtilos, uvas pretas.

Dicas para aumentar o consumo de quercetina:

  • Prefira cebola roxa crua em saladas e guarnições.
  • Coma maçãs com casca (preferencialmente biológicas).
  • Utilize alcaparras para temperar pratos (ricas e potentes).
  • Inclua frutos vermelhos regularmente (mirtilos, uvas escuras).
  • Beba chá verde de boa qualidade, com infusão de 5 a 10 minutos.

Tratamento medicamentoso mais eficaz (Gold Standard 2025)

De seguida descrevo os tratamentos medicamentosos atualmente mais eficazes mas, por serem mais agressivos, originam efeitos secundários relevantes, principalmente transtornos gastrointestinais, como vómitos e diarreia. A destruição da microbiota intestinal e oral, durante o tratamento, é “brutal” e obrigada a uma reposição bem planeada com os probióticos mais adequados.

Terapêutica quádrupla concomitante (sem bismuto)

Composição:

  • Inibidor da bomba de protões (IBP): Omeprazol 20 mg 2x/dia
  • Amoxicilina 1 g 2x/dia
  • Claritromicina 500 mg 2x/dia
  • Metronidazol 500 mg 2x/dia

📆 Duração: 10 a 14 dias
💊 Posologia padrão: todos os fármacos 2x/dia após refeições

📚 Referência:
Malfertheiner P, et al. Maastricht VI/Florence Consensus Report on the management of Helicobacter pylori infection. Gut. 2022.


Terapêutica quádrupla com bismuto (alternativa eficaz)

Composição:

  • IBP 2x/dia
  • Subcitrato de bismuto 120 mg 4x/dia
  • Tetraciclina 500 mg 4x/dia
  • Metronidazol 500 mg 3x/dia

📆 Duração: 10 a 14 dias
💡 Indicado especialmente em casos de resistência à claritromicina

📚 Referência:
Fallone CA et al., World Gastroenterology Organisation Global Guidelines, 2023.


Considerações finais e recomendações clínicas

  • As terapias naturais podem ser utilizadas como suporte ou prevenção secundária, mas ainda não substituem o tratamento antibiótico para erradicação completa.
  • A terapêutica de primeira linha deve sempre ter em conta o perfil de resistências regionais, histórico do doente e adesão.
  • A confirmação da erradicação deve ser feita 4 a 8 semanas após o fim do tratamento com teste respiratório (urease) ou pesquisa de antigénio nas fezes.
  • A reposição adequada da microbiota intestinal e oral, “destruída” durante o tratamento, deve ser feita logo após o final deste, com probióticos de qualidade adequados.

Bibliografia científica suplementar

  1. Malfertheiner P et al. Gut. 2022;71:1724–1752. [Maastricht VI Consensus]
  2. Fallone CA et al. World Gastroenterology Organisation Global Guidelines, 2023.
  3. Lesbros-Pantoflickova D et al. Am J Clin Nutr. 2007;86(3):801–809.
  4. Fahey JW et al. Cancer Prev Res. 2009;2(4):353–360.
  5. Wang J et al. Food Chem. 2012;132(3):1395–1399.
  6. Yamaoka Y. Int J Antimicrob Agents, 2009;33(6):504–507.
  7. Matsubara S, et al. Antimicrob Agents Chemother. 2003;47(5):1582–1587.

Depressão tratamento natural

A depressão é uma condição médica complexa com causas biológicas, psicológicas e sociais. Algumas intervenções “naturais” têm evidência científica razoável como adjuvantes significando que podem ajudar, sobretudo em depressão leve a moderada ou como complemento de tratamento médico, enquanto noutras a evidência é ainda limitada ou conflituosa. Neste artigo resumo as principais abordagens com referências a revisões e ensaios clínicos.

As cinco grandes mentiras sobre saúde
As cinco grandes mentiras sobre saúde

Ómega-3 (EPA / DHA)

Mecanismo plausível: ácidos gordos ómega-3 (particularmente o EPA) têm propriedades anti-inflamatórias, modulam fluidez das membranas neuronais e a sinalização neurotransmissora que são fatores implicados na depressão.

Evidência: meta-análises e revisões encontraram benefício estatisticamente significativo, especialmente com preparações ricas em EPA (EPA ≥ 60% da mistura) e doses tipicamente na ordem de ~1 g/dia de EPA (ou formulações com 1–2 g/dia de EPA+DHA, sendo o EPA predominante). A qualidade das provas varia entre estudos e há heterogeneidade, mas a evidência é moderada a favor de eficácia como suplemento.

Estudo: Efficacy of omega-3 PUFAs in depression: A meta-analysis

Orientação prática / segurança:

  • Preferir preparações com EPA predominantemente (ex.: razão EPA:DHA ≥ 2:1 quando possível).
  • Doses estudadas com benefício: ~1 g/dia de EPA ou 1–2 g/dia de EPA+DHA; alguns estudos testaram doses mais elevadas (até 4 g/dia) em subgrupos com inflamação, mas estas doses só devem ser usadas sob supervisão.
  • Segurança: geralmente bem tolerado; atenção em pessoas com medicação anticoagulante (potencial efeito anti-plaquetário leve) — conversar com o médico.

Estudo: Omega-3 fatty acids for mood disorders


Açafrão (Crocus sativus)

Mecanismo plausível: compostos ativos (crocina, safranal) parecem modular neurotransmissores (serotonina, dopamina), ter efeito anti-inflamatório e antioxidante.

Evidência: várias revisões e meta-análises de ensaios clínicos randomizados mostraram que o açafrão (extratos padronizados) reduz sintomas depressivos comparado com placebo e, em alguns ensaios, mostrou eficácia comparável a antidepressivos leves (e.g. fluoxetina/imipramina) em depressão leve-moderada. Doses estudadas com resultados consistentes rondam 20–30 mg/dia de extrato padronizado (dividido em 1–2 tomas).

Estudo: A Systematic Review of Randomized Controlled Trials Examining the Effectiveness of Saffron (Crocus sativus L.) on Psychological and Behavioral Outcomes

Orientação prática / segurança:

  • Dose habitualmente estudada: 20–30 mg/dia de extrato padronizado. Alguns estudos usaram 30 mg/dia durante 6–8 semanas.
  • Geralmente bem tolerado em curto prazo; doses muito elevadas (gramas) podem ser tóxicas — não utilizar doses alimentares exageradas durante gravidez. Evitar se estiver grávida ou a amamentar sem aconselhamento. Pode interagir com medicação; consulte sempre um profissional.

Estudo: Saffron and its active ingredients against human disorders: A literature review on existing clinical evidence


Triptofano e 5-HTP (precursores da serotonina)

Mecanismo plausível: o triptofano é o aminoácido precursor da serotonina; o 5-HTP (5-hidroxitriptofano) sendo um precursor mais próximo e atravessa melhor a barreira hematoencefálica.

Evidência: alguns ensaios e revisões sugerem redução dos sintomas depressivos com 5-HTP ou dietas enriquecidas com triptofano, mas a qualidade dos estudos é heterogénea. Há sinais de benefício em determinados contextos (ex. depressão leve), mas a evidência não é robusta para se recomendar universalmente.

Estudo: Tryptophan and 5‐Hydroxytryptophan for depression

Risco importante: interação com antidepressivos (SSRIs, SNRIs, MAOIs) — combinação com outros agentes que aumentam serotonina pode levar a síndrome serotoninérgica, condição potencialmente grave. Por isso não combine 5-HTP/triptofano com antidepressivos sem supervisão médica. PMC+1

Estudo: Dietary Supplement-Drug Interaction-Induced Serotonin Syndrome Progressing to Acute Compartment Syndrome

Orientação prática / segurança:

  • Se for considerado, usar apenas com acompanhamento clínico; evitar combinação com qualquer medicação que aumente serotonina.
  • Efeitos secundários possíveis: náusea, tonturas, alterações gastrointestinais.

Magnésio

Mecanismo plausível: magnésio participa em neurotransmissão (NMDA, GABA), regulação do eixo HPA (stress) e processos inflamatórios; deficiência associa-se a sintomas depressivos em estudos observacionais.

Evidência: meta-análises de ensaios clínicos indicam um efeito benéfico do magnésio sobre sintomas depressivos, mas os estudos variam em qualidade e tamanho; a evidência sugere benefício potencial, especialmente em pessoas com níveis baixos de magnésio. PMC+1

Estudo: Magnesium supplementation beneficially affects depression in adults with depressive disorder: a systematic review and meta-analysis of randomized clinical trials

Orientação prática / segurança:

  • Ingestão dietética: preferir alimentos ricos em magnésio (sumo de frutos secos, legumes, espinafres, sementes, grãos integrais).
  • Suplementos: formas bem toleradas incluem magnésio glicinato ou citrato (menor probabilidade de causar diarreia com glicinato). A maioria dos suplementos usa 100–300 mg de óxido magnésio elementar por toma. O magnésio na forma de óxido de magnésio que apresenta uma absorção baixa e, portanto, menores efeitos terapêuticos.
  • Limite superior para suplementos de magnésio: geralmente estabelecido em 350 mg/dia (elementar) para adultos — acima disto podem surgir diarreia, náuseas ou, raramente, toxicidade em doença renal. Consulte o seu médico antes de suplementar.

Caminhada e exercício físico

Mecanismo plausível: exercício aumenta neurotransmissores (endorfina, serotonina), reduz inflamação, melhora sono e autoeficácia; também promove socialização se feito em grupo.

Evidência: revisões sistemáticas robustas confirmam que exercício físico (incluindo caminhada) reduz sintomas depressivos. Um grande corpo de evidência sugere benefício mesmo com níveis de atividade moderados; caminhar diariamente (e aumentar passos diários) está associado a menor risco de depressão e melhora de sintomas.

Estudo: Effect of exercise for depression: systematic review and network meta-analysis of randomised controlled trials

Orientação prática / segurança:

  • Meta-análises sugerem benefício com vários tipos de exercício; para iniciantes, 30 minutos de caminhada moderada, 5×/semana é um bom objetivo inicial — mesmo aumentos menores de atividade trazem benefícios.
  • Estudos observacionais indicam que, por exemplo, caminhar ~7.000 passos/dia está associado a menor risco de depressão.

Outras ferramentas naturais e hábitos pessoais e sociais

A intervenção mais eficaz para depressão combina várias estratégias — aqui as mais suportadas:

Sono

  • Higiene do sono (horas regulares, evitar eletrónicos antes de deitar, exposição a luz natural de manhã). O sono regulado melhora humor e resposta ao tratamento.

Alimentação de padrão mediterrânico

  • Dietas ricas em frutas, legumes, peixe, azeite, frutos secos associam-se a menor prevalência de depressão; estudos de intervenção (e.g. estudo SMILES) mostraram melhoria significativa quando a dieta foi modificada para um padrão saudável (Ex.: comer peixe gordo — fonte de ómega-3 — legumes, cereais integrais).

Estudo: Efficacy and safety of n-3 fatty acids supplementation on depression: a systematic review and dose–response meta-analysis of randomised controlled trials

Apoio social e psicoterapia

  • Terapias psicológicas (TCC, terapia interpessoal) têm forte evidência em depressão leve-moderada e são recomendadas como primeira linha nalguns casos; promoção de laços sociais reduz isolamento — um factor de risco conhecido.

Redução do stress e práticas mente-corpo

  • Mindfulness, meditação, yoga e técnicas de relaxamento têm benefício moderado e melhoram a resposta global e a resiliência.

Estudo: Effect of exercise for depression: systematic review and network meta-analysis of randomised controlled trials

Exposição solar / vitamina D

  • Baixos níveis de vitamina D estão associados a maior prevalência depressiva; corrigir défice pode ajudar alguns doentes (mas não é tratamento exclusivo). Testar níveis e suplementar conforme orientação clínica.

Integração numa estratégia prática (plano exemplo)

Objectivo: depressão leve a moderada, ou como complemento a tratamento médico.

  1. Avaliação inicial com médico/farmacêutico (avaliar medicação atual, risco suicida, comorbilidades, função renal).
  2. Exercício: iniciar com caminhada 20–30 min, 4–5×/semana; se possível juntar um grupo/caminhada coletiva para apoio social. (Evidência forte).
  3. Ómega-3: considerar suplemento com EPA-predominante (ex.: 1 g/dia de EPA ou 1–2 g/dia EPA+DHA com EPA≥60%) durante 8–12 semanas e avaliar resposta. Confirmar interações com medicação (ex.: anticoagulantes).
  4. Açafrão: opção para quem procura suplemento Botânico — 20–30 mg/dia de extrato padronizado por 6–8 semanas, com monitorização.
  5. Magnésio: otimizar ingestão alimentar; se suplementar, considerar 100–300 mg/dia (forma glicinato/citrato), não exceder 350 mg/dia de suplemento sem supervisão.
  6. Triptofano / 5-HTP: só com supervisão médica — risco de síndrome serotoninérgica se combinado com antidepressivos. Evitar automedicação.
  7. Implementar psicoterapia (TCC/interpessoal) e intervenções no sono; avaliar vitamina D e corrigir défices; incentivar dieta mediterrânea.

Concluindo com precauções importantes

  • Sempre consultar médico ou farmacêutico antes de iniciar suplementos, especialmente se estiver a tomar antidepressivos, anticoagulantes, ter doença renal ou outras medicações.
  • Suplementos não são regulamentados ao nível dos medicamentos, assim deve escolher marcas com testes de qualidade/terceira parte, solicitando apoio junto do seu farmacêutico de confiança.
  • Se houver ideação suicida, graves alterações funcionais ou depressão moderada/grave, procurar atenção médica urgente, não confiar apenas em medidas naturais.
  • Independentemente das medidas, suplementos ou medicamentos que tomar, há uma decisão só sua que é de relevante importância: Aceitar o que não pode mudar! Afastar-se de “pessoas tóxicas”, aquelas que nada acrescentam na sua vida… antes pelo contrário só “sugam” a sua energia, que tanta falta faz para conseguir uma vida melhor, com mais paz e tranquilidade.

Referências bibliográficas

  1. Meta-análise sobre ómega-3 e depressão (EPA-predominante; doses ≈1 g). PMC+1
  2. Revisões e ensaios clínicos sobre açafrão (Crocus sativus) na depressão; doses estudadas 20–30 mg/dia. PMC+1
  3. Revisão sobre triptofano e 5-HTP (e riscos/benefícios). PMC+1
  4. Meta-análises e revisões sobre magnésio e depressão; limites de suplemento (UL ≈350 mg/dia). PMC+1
  5. Revisão sistemática de exercício para depressão (inclui caminhada). bmj.com+1
  6. Alertas e revisões sobre síndrome serotoninérgica com suplementos que aumentam serotonina (relevante para 5-HTP/triptofano). PMC+1
  7. Saffron Uses, Benefits & Dosage
  8. 5-Hydroxytryptophan – an overview | ScienceDirect Topics
  9. Magnesium – Consumer

Sistema de Ativação Reticular poderoso filtro cerebral do bem e do mal

Sistema de ativação reticular (SAR em português ou RAS em inglês) afinal que influência tem na nossa vida? Quando os eventos negativos se sucedem na vida de alguém será sempre uma coincidência? Quando se interessa por um determinado modelo de automóvel e parece que de repente ele aparece em todo o lado, será coincidência? Quando tem um projeto positivo que começa a desenvolver e parece que, milagrosamente, alguns acontecimentos se alinham para atingir o seu objetivo, será coincidência? Será que existe uma estrutura no nosso cérebro que nos foca, de forma poderosa, não só nos nossos interesse e objetivos iluminantes, se formos conscientemente otimistas, mas também nos eventos negativos, se formos conscientemente pessimistas?

O sistema de ativação reticular (Reticular Activating System ou RAS em inglês) é uma estrutura no tronco cerebral que desempenha um papel crucial na regulação da vigília, estado de alerta e atenção. No fundo apresenta-nos essencialmente o que nos interessa seja negativo ou positivo, esbatendo o contexto para aumentar o nosso foco nesses interesses. Atua como um filtro para as informações sensoriais, permitindo que nos concentremos nos estímulos mais relevantes, ignorando o resto. O RAS tem um impacto significativo no nosso pensamento, perceção e comportamento geral, pois influencia a maneira como processamos e interpretamos o mundo ao nosso redor.

Neste artigo vou descrever:

  • Localização e função do Sistema de Ativação Reticular (SAR ou RAS);
  • Como funciona o RAS;
  • Impacto no pensamento e perceção;
  • Influência na formação do nosso pensamento;
  • Modulação da perceção da realidade;
  • Benefícios e problemas do RAS;
  • Como potenciar a nossa concentração;
  • Influência na perceção positiva e negativa da vida;
  • Como pode melhorar a nossa vida e relações pessoais;
  • Eliminar pensamentos sombrios, agressivos e ansiosos;
  • Referências científicas;
As cinco grandes mentiras sobre saúde
As cinco grandes mentiras sobre saúde

Sistema de ativação reticular localização e função

O SAR está localizado no tronco encefálico, especificamente na formação reticular, um grupo de núcleos que se estende desde a medula oblonga até o mesencéfalo. O sistema de ativação reticular (RAS) é uma rede de neurónios localizados no tronco cerebral que se projeta anteriormente ao hipotálamo para mediar o comportamento, bem como posteriormente ao tálamo e diretamente ao córtex para ativação de padrões de EEG (Eletroencefalograma) cortical dessincronizados.

Sistema de ativação reticular e a sua localização anatómica no cérebro humano
Sistema de ativação reticular localização anatómica no cérebro humano

O sistema de ativação reticular é um componente da formação reticular em cérebros de vertebrados localizados em todo o tronco cerebral. Entre o tronco cerebral e o córtex, vários circuitos neuronais contribuem para o RAS. Esses circuitos funcionam para permitir que o cérebro module entre ritmos lentos do sono e ritmos rápidos do sono, como visto no EEG. Assim, os núcleos que formam o RAS desempenham um papel significativo na coordenação do ciclo do sono e da vigília. Os agrupamentos de neurónios que juntos compõem o RAS são responsáveis pela atenção, excitação, modulação do tónus muscular e a capacidade de concentração.

O RAS recebe informações de vários sistemas sensoriais, incluindo visão, audição, tato e olfato, integrando essas informações para determinar o nível de excitação e atenção necessários. Envia sinais ao tálamo e ao córtex para ativar ou inibir o fluxo de informações, dependendo da situação.

Impacto no pensamento e perceção

O Sistema de Ativação Reticular desempenha um papel crucial na formação de nosso pensamento e perceção da realidade. Determina quais os estímulos a que prestamos atenção e o que ignoramos, com base nos nossos objetivos, necessidades e experiências passadas. Por exemplo, se estivermos com fome, o RAS torna prioritárias as informações sensoriais relacionadas com a comida e ignorará outros estímulos que não são relevantes para a nossa sobrevivência naquele momento.

O RAS também influencia o nosso humor e emoções, pois regula a libertação de neurotransmissores como dopamina, serotonina e norepinefrina. Esses neurotransmissores químicos afetam a nossa motivação, prazer e sensação geral de bem-estar, o que pode influenciar a nossa perceção do mundo ao nosso redor.

Benefícios e problemas do Sistema de Ativação Reticular

O RAS tem muitos benefícios, pois permite-nos focar a nossa atenção e conservar a energia mental ao filtrar informações irrelevantes. No entanto, também pode criar problemas, pois pode levar à atenção seletiva e viés, tendências ou preferências de confirmação, onde apenas notamos e lembramos informações que confirmam as nossas crenças e ignoramos informações que as contradizem.

Além disso, o RAS pode ser facilmente influenciado por fatores externos como stress, ansiedade, fadiga e drogas, que podem alterar a nossa perceção da realidade e prejudicar o nosso julgamento. Por exemplo, quando estamos nervosos, ansiosos ou deprimidos, o RAS torna-se mais sensível a estímulos negativos, o que pode levar a uma visão pessimista da vida e afetar o nosso relacionamento com os outros.

Influência na perceção positiva ou negativa

O RAS tem uma influência significativa na forma como percebemos o mundo ao nosso redor, pois filtra e prioriza as informações sensoriais com base nos nossos objetivos, necessidades e experiências passadas. Se tivermos uma mentalidade positiva e focarmos em oportunidades, novos projetos e soluções, o RAS dará prioridade a estímulos que sustentem essa perspetiva, levando a uma atitude mais otimista, inovadora e proativa.

Por outro lado, se tivermos uma mentalidade negativa e focarmos nos problemas e limitações, o RAS priorizará estímulos que confirmem essa perspetiva, levando a uma atitude mais pessimista e reativa. Portanto, é crucial cultivar, de forma consciente, uma mentalidade positiva, com abertura para aceitar visões com outros quadros de referência que não só o nosso ponto de vista, desenvolvendo hábitos saudáveis ​​que apoiem o nosso bem-estar, saúde e melhorem a nossa perceção da realidade.

Melhorar a nossa vida e relações pessoais

Compreender o RAS e o seu impacto no nosso pensamento e perceção pode ajudar-nos a melhorar as nossas vidas e relacionamentos com os outros. Ao aprender a focar a nossa atenção no positivo e desenvolver hábitos saudáveis ​​que apoiem o bem-estar, podemos treinar o nosso RAS para priorizar estímulos que melhorem a nossa sensação de felicidade e realização.

Além disso, ao conhecer o RAS e os seus possíveis vieses ou tendências, podemos ter a mente mais aberta e curiosa, cultivando o interesse por novas experiências e perspetivas que desafiem as nossas crenças e expandam horizontes. Isso pode levar a relacionamentos mais significativos e ricos, do ponto de vista emocional, com os outros e a uma apreciação mais profunda da complexidade e diversidade do mundo ao nosso redor.

Concluindo

Quando temos pensamentos negativos, pessimistas, sombrios, reativos, agressivos e ansiosos, de forma permanente, conquistar um caminho mais positivo é possível mas não é fácil! Tem de ser feito de forma consciente e disciplinada durante muitos meses, por vezes anos, aceitando o que não se pode mudar, controlando a nossa agressividade e reatividade, procurando sempre pontos e emoções positivas que possam, de alguma forma, esbater os pensamentos que queremos eliminar, porque pensamentos são apenas isso, pensamentos, não têm existência física, terão sempre a importância que lhes queremos dar e devem ser controlados, por exemplo com meditação, quando nos fazem reféns duma vida sombria.

Se é daqueles que considera que a meditação não faz nada, desengane-se, a ciência acerca da eficácia da meditação é muito robusta e fiável mas necessita de a fazer corretamente, à sua medida, no seu tempo e nunca desvalorizar o seu poder!

Leia também: Melhor saúde mental e física, estratégias de apoio comprovadas pela ciência

Referências científicas:

  1. Neuroanatomy, Reticular Activating System
  2. The reticular activating system: a narrative review of discovery, evolving understanding, and relevance to current formulations of brain death
  3. Differences in the thalamocortical tract of the ascending reticular activating system in disorders of consciousness after hypoxic-ischemic brain injury: A pilot study
  4. Trigeminal, Visceral and Vestibular Inputs May Improve Cognitive Functions by Acting through the Locus Coeruleus and the Ascending Reticular Activating System: A New Hypothesis
  5. Steriade, M., McCormick, D. A., & Sejnowski, T. J. (1993). Thalamocortical oscillations in the sleeping and aroused brain
  6. Moruzzi, G., & Magoun, H. W. (1949). Brain stem reticular formation and activation of the EEG. Electroencephalography and clinical neurophysiology, 1(4), 455-473.
  7. Steriade, M., Datta, S., Pare, D., Oakson, G., & Curro Dossi, R. C. (1990). Neuronal activities in brain-stem cholinergic nuclei related to tonic activation processes in thalamocortical systems. The Journal of Neuroscience, 10(8), 2541-2559.
  8. Foote, S. L., & Morrison, J. F. (1987). Extrathalamic modulation of cortical function. Annual review of neuroscience, 10(1), 67-95.
  9. Iwamoto, E. T., & Jordan, L. M. (1987). Reticulospinal projections to spinal motor nuclei: ultrastructure and synaptic organization of functionally identified and intracellularly labeled neurons in the bullfrog. Journal of Comparative Neurology, 259(3), 381-401.
  10. Steriade, M., & McCarley, R. W. (2005). Brain control of wakefulness and sleep. Springer Science & Business Media.
  11. Siegel, J. M. (2005). Clues to the functions of mammalian sleep. Nature, 437(7063), 1264-1271.

Pílula contracetiva e medicamentos perigosos

Pílula contracetiva ou anticoncecional afinal o que corta o efeito da pilula? Será que os chás e o álcool cortam o efeito da pílula? E se tiver vómitos e diarreia, o que acontece? E os lapsos de memória na toma da pílula? Quais os medicamentos perigosos que podem alterar a eficácia da pílula? Saiba tudo e evite surpresas pois em princípio… os bebés serão mais felizes se forem desejados 🙂

Contracepção e medicamentos

Diversos medicamentos diminuem a eficácia da pílula contraceptiva sendo alguns antibióticos os mais conhecidos. Se o seu médico ou farmacêutico confirmar que esse medicamento corta o efeito da pílula contraceptiva, deve tomar precauções adicionais, continuando a tomar a pílula anticoncepcional como habitualmente nas seguintes situações:

  • 1ª ou 2ª semana da toma da pílula – Se iniciou ou terminou o medicamento durante 1ª ou 2ª semana de toma da pílula, deve utilizar proteção adicional durante todo o tratamento e 7 dias após ter terminado. A toma da pílula mantém-se como normalmente;
  • 3ª semana da toma da pílula – Se iniciou ou terminou a toma do medicamento durante a 3ª semana da toma da pílula, deve continuar a toma da pílula e fazer a habitual pausa para lhe aparecer o período menstrual.  É essencial utilizar uma proteção complementar até chegar ao 7.° comprimido da próxima carteira da pílula.

Parece não existir evidência científica de que a generalidade dos antibióticos corta o efeito da pílula anticoncepcional , exceto no caso dos indutores de enzimas, como a rimfapicina.

Aparentemente os antibióticos não indutores, não interferem com a ação contracetiva da pílula. No entanto, por vezes, estes alteram a flora intestinal e, ao causar diarreia próxima da hora de tomar a pílula contracetiva, o efeito contracetivo pode ficar diminuindo.

As cinco grandes mentiras sobre saúde
As cinco grandes mentiras sobre saúde

Antibióticos

É aconselhável a utilização de métodos contracetivos adicionais aos da pílula na toma dos seguintes antibióticos:

  • Penicilinas (Ex: Amoxicilina, ampicilina);
  • Rifampicina;
  • Tetraciclinas (Ex: Oxitretraciclina, doxiciclina, minociclina).

Existem diversos antibióticos que parecem não interferir com a eficácia da pílula contracetiva, a saber:

  • Azitromicina;
  • Claritromicina;
  • Clindamicina;
  • Ciprofloxacina;
  • Doxiciclina;
  • Fosfomicina;
  • Levofloxacina;
  • Metronidazol;
  • Nitrofurantoína;
  • Norfloxacina;
  • Ofloxacina.

Antifungicos

A Griseofulvina é um dos antifungicos mais descritos como responsável pelo aumento do risco de gravidez quando a mulher toma a pílula. No entanto é já pouco utilizado nos tratamentos mais actuais.

Itraconazol

O itraconazol é um antifungico muito usado no tratamento de infeções fungicas nomeadamente:

  • Pés (tinha dos pés),
  • Mãos (tinha das mãos),
  • Pernas (tinha das pernas)
  • Erupções fungicas em forma de farelo, uma doença fúngica cutânea com manchas amarelas (Pitiríase versicolor),
  • Unhas (onicomicoses),
  • Boca (candidíase oral),
  • Orgãos reprodutivos femininos (candidíase vulvovaginal).

Segundo a literatura incluída nas embalagens de itraconazol à venda nas Farmácias, as mulheres com potencial para engravidar têm de utilizar métodos contraceptivos eficazes até ao próximo período menstrual (hemorragia menstrual) após a conclusão do tratamento.

Fluconazol

O fluconazol é um dos antifungicos mais usados actualmente. A sua literatura descreve que pode interagir com os contracetivos mas não é clara quanto ao risco de cortar o efeito da pílula ou seja não há segurança suficiente para afirmar que é 100% seguro tomar a pílula simultaneamente com o fluconazol.

Neste caso a mulher deve usar medidas suplementares de contracepção, até ao ciclo menstrual seguinte após terminar o tratamento antifúngico.

Anti-inflamatórios

Se está a tomar algum anti-inflamatório, pode estar descansada, pois nenhum destes componentes corta o efeito da pílula contraceptiva, pelo que não necessita cuidados adicionais. Alguns dos anti-inflamatórios mais utilizados são:

  • Ibuprofeno (Ex: Brufen, Trifene)
  • Diclofenac (Ex: Voltaren)
  • Nimesulide (Ex: Nimed, Aulin)
  • Naproxeno (Ex: Naprosyn)

Paracetamol

O paracetamol é um dos analgésicos mais utilizados no mundo, para mitigar sintomas de dores moderadas e febre, não tendo ação anti-inflamatória. É seguro ulilizar com a pílula contracetiva.

Esquecimento inferior a 12 horas

Uma das maiores desvantagens da pílula anticoncepcional é a necessidade da sua toma diária, fazendo do esquecimento da mesma algo bastante frequente. No entanto, caso o esquecimento da toma da pílula não seja superior a 12 horas, a eficácia da pílula mantém-se.

Mesmo assim, é importante tomar o comprimido assim que se lembrar, continuando a tomar a pílula anticoncepcional como habitualmente. Um lapso nesta situação não coloca em causa a eficácia da mesma, independentemente da semana em que ocorra o esquecimento.

Esquecimento superior a 24 horas

No caso do esquecimento ser de mais de um comprimido e a falta da toma da pílula ultrapasse as 24 horas, há medidas de prevenção a considerar, a saber:

  • Uso de preservativo
  • Pílula do dia seguinte.

Em caso de dúvida, pode sempre consultar o seu médico, de forma a avaliar a hipótese de uma possível gravidez.

Vómitos até 4 horas após a toma

O vómito só corta o efeito da pílula se ocorrer nas 3 a 4 horas seguintes à toma. Assim, caso vomite no intervalo que compreenda as 4 horas seguintes à toma da pílula, deverá tomar outro comprimido, pois o princípio ativo do comprimido não é totalmente absorvido pelo organismo.

Se os vómitos ocorrerem mais de 4 horas depois da toma da pílula anticoncepcional, não será necessário tomar qualquer precaução complementar, uma vez que esta já foi absorvida pelo organismo, não comprometendo assim o efeito contracetivo.

Diarreia até 4 horas após a toma

Diarreias líquidas e frequentes podem cortar o efeito da pílula. neste cenário deve tomar nova pílula, à semelhança do que acontece com os vómitos. Estudos comprovam que a pílula demora cerca de 4 horas para ser totalmente absorvida e, por isso, o seu efeito pode ficar comprometido se ocorrer um episódio de diarreia intensa e constante durante este período.

A toma do novo comprimido deve ser efetuado o quanto antes, até 12 horas a seguir à hora habitual da pílula. Uma vez mais, quanto mais tarde tomar, menor eficácia tem a pílula. Esta toma deve ser efetuada o quanto antes (até 12 horas a seguir à hora habitual de toma).

Bebidas alcoólicas

Esta é outra situação que deve ser analisada cuidadosamente. Isto é, não é por beber uma cerveja ou mesmo uma caipirinha que vai colocar em causa a eficácia da pílula. Mas a verdade é que, ao beber álcool em excesso, aumenta as probabilidades de ficar mal-disposta e de vomitar, colocando assim em causa o efeito da pílula.

Por outro lado, como a pílula deve ser tomada sempre à mesma hora, é provável que se possa atrasar na toma da mesma ou, então, esquecer-se mesmo de a tomar.

Chá de hipericão (Erva de São João)

Outro produto que corta o efeito da pílula é o chá de hipericão, também conhecido por erva-de-são-joão. Apesar das suas vastas propriedades como tratamento de depressões, efeito analgésico e antissético, facilitador da digestão, entre outros, este chá e produtos derivados da planta, devem ser consumidos com alguma precaução e moderação.

A verdade é que já foi comprovado que este chá e os seus derivados podem interferir com contracetivos e outros medicamentos, como, por exemplo, os retrovirais.

O alerta surgiu da agência de regulamentação de medicamentos sueca, quando duas mulheres que usavam produtos de ervanária contendo hipericão, engravidaram sem o desejarem. No caso, os produtos em questão eram suplementos nutricionais para tratar depressões leves.

Doenças intestinais

A pílula é principalmente absorvida nas paredes do intestino delgado. Assim, mulheres que apresentam algumas doenças intestinais como a Doença de Crohn, reticolite ulcerativa ou outras patologias intestinais inflamatórias, ou ainda que tenham realizado cirurgia bariátrica e implante de bypass jejunoileal tem maior probabilidade de engravidar, mesmo usando a pílula anticoncepcional.

Isso acontece porque, nestes casos, a absorção do medicamento pelo intestino delgado é prejudicada, e consequentemente, o efeito da pílula anticoncepcional é reduzido.

Pílula 30 respostas essenciais

Existem inúmeras questões sobre o uso da pílula contracetiva que nem sempre são respondidas de forma correcta.

Assim clique aqui ou na imagem seguinte para ler tudo o que necessita saber sobre a pílula.

Referências bibliográficas:

Sinusite crónica alérgica ou bacteriana qual o melhor tratamento


Sinusite crónica, alérgica, aguda ou bacteriana, tratamento sintomas e toda a verdade! A sinusite pode ser mais grave do que pensa! Quais os sinais? Quais as causas? Qual o tratamento mais eficaz? Como evitar? Com o apoio da informação disponibilizada pela Fundação Portuguesa do Pulmão, este artigo pretende ser um importante contributo para melhorar a qualidade de vida de imensas pessoas que sofrem de sinusite e também alertar todas as outras que ainda estão a tempo de a evitar!

Neste artigo vou responder ás seguintes questões:

  • O que é a sinusite?
  • O que são os seios perinasais?
  • Qual a função dos seios perinasais?
  • Quais os tipos de sinusite?
  • Quais as causas?
  • Qual a diferença entre sinusite aguda e crónica?
  • Quais os sinais e sintomas?
  • A dor é frequente?
  • Porque pode ser grave a sinusite?
  • Quando deve pedir apoio médico urgente?
  • Como se faz o diagnóstico?
  • Qual o tratamento mais eficaz?
  • Quais os medicamentos mais usados?
  • Devemos usar descongestionantes ou corticoides para desobstruir o nariz?
  • Os anti-histamínicos são eficazes?
  • Quais os antibióticos mais usados quando existe infeção?
  • A cirurgia pode ser necessária?
  • A sinusite tem cura?
  • Como evitar a sinusite?

As cinco grandes mentiras sobre saúde
As cinco grandes mentiras sobre saúde

Sinusite o que é?

A sinusite é uma inflamação dos seios perinasais geralmente associada a um processo infecioso que pode ser originado por vírus, bactérias ou fungos. É, nos dias de hoje, uma das doenças mais frequentes da humanidade, mais geradora de consultas médicas, mais consumidora de antibióticos e pode interferir na qualidade de vida e no desempenho profissional e social.

Seios perinasais ou paranasais

Os seios perinasais ou paranasais são cavidades arejadas, forradas por uma membrana mucosa idêntica à das fossas nasais, que existem nos ossos da cara que rodeiam o nariz e que comunicam através de pequenos orifícios com as fossas nasais. Os diversos seios perinasais adquirem o nome dos ossos em que estão localizados. Assim existem os seguintes 4 tipos de seios nasais:

    • Frontais,
    • Etmoidais,
    • Maxilares,
    • Esfenoidais.

Seios perinasais melhorsaude.org

Seios nasais qual a função?

Os seios nasais desempenham várias funções, entre elas:

  • Humidificação e aquecimento do ar respirado pelo nariz.
  • Aumento da ressonância da voz.
  • Equilíbrio das pressões intracranianas quando há variações na pressão atmosférica (mergulhos, viagens de avião ou subidas a grandes altitudes).
  • Secreção de muco para proteção das vias aéreas superiores.
  • Absorção de impacto em casos de trauma (materiais ocos absorvem mais impacto do que materiais maciços).

Os seios perinasais são bilaterais e simétricos, ligam-se à cavidade nasal por pequenos orifícios por onde é drenado o muco produzido. Quadros de alergia ou gripe, por exemplo, causam edema da mucosa nasal e aumento das secreções, obstruindo facilmente a drenagem dos seios da face. A impossibilidade de escoar o muco produzido leva à congestão dos seios perinasais e, consequentemente, à sinusite.

O termo rinossinusite (rinite+sinusite) é tecnicamente mais correto que apenas sinusite, pois realça a inflamação simultânea da mucosa nasal e dos seios perinasais.

Tipos de sinusite

A sinusite pode afetar qualquer um dos 4 seios perinasais, podendo ser bilateral ou unilateral.

A sinusite por ser classificada em:

  • Aguda – quando os sintomas duram menos de 4 semanas;
  • Sub aguda – quando os sintomas duram entre 4 a 12 semanas;
  • Crónica – quando os sintomas duram mais que 12 semanas;
  • Recorrente – quando há 4 ou mais episódios de sinusite durante o ano.

A grande maioria das sinusites agudas são de origem viral ou alérgica, porém, a obstrução e acumulação, sem drenagem,  do muco nos seios favorece a proliferação de bactérias, podendo levar à sinusite bacteriana. Neste cenário o doente pode ter um quadro inicial de sinusite alérgica que, após contaminação com bactérias das vias respiratórias, se transforma num quadro de sinusite bacteriana que pode ser muito grave. As sinusites bacterianas que não são completamente curadas podem progredir para o quadro de sinusite crónica.

Sinusite aguda e crónica qual a diferença?

Há duas perspetivas. Na primeira, a temporal, diz-se que uma sinusite é aguda quando a sua duração se situa entre uma e quatro semanas; subaguda quando a sua duração se situa entre as quatro semanas e os três meses; crónica quando a sua duração vai para além dos três meses.

Porém, para além desta perspetiva simplista e temporal, há uma outra que tem a ver com a funcionalidade da mucosa nasal:

  • Após um episódio de sinusite aguda a funcionalidade da mucosa do nariz e dos seios perinasais é recuperada em pouco tempo, podemos considerar que na sinusite crónica essa funcionalidade pode estar definitivamente comprometida, originando que o doente apresente uma maior fragilidade e que os episódios recorrentes de sinusite aguda sejam mais frequentes.

Causas

Há várias causas por detrás de uma sinusite mas, todas elas têm como ponto comum uma deficiente drenagem das secreções nasais que, após se acumularem originam um foco infecioso.

A alergia respiratória é uma causa importante e frequente porque a mucosa intumescida pela inflamação alérgica pode dificultar a drenagem dos seios perinasais e provocar a sua infeção. Nesta perspetiva, os principais agentes agressores são:

    • Pó doméstico,
    • Pólenes,
    • Pelos dos animais.

Porém, podemos ter sinusites provocadas diversas outras causas, tais como:

    • Infeções que afetam as vias aéreas, como a gripe e outras viroses respiratórias;
    • Más condições climáticas associadas ao frio e humidade, geradoras de uma resposta inflamatória da mucosa respiratória;
    • Traumatismos do nariz, com particular destaque para as mudanças bruscas de pressão associadas ao voo ou ao mergulho (causa cada vez mais frequente);
    • Poluição atmosférica, sobretudo a poluição automóvel e o tabagismo;
    • Má higiene nasal, por exemplo, naquelas pessoas que nunca se assoam ou têm o hábito de colocar os dedos dentro do nariz transportando, assim, para o seu interior os microrganismos neles existentes;
    • Má formação das cavidades nasais, com um particular destaque para os desvios do septo nasal.

Sintomas

A sinusite tem uma expressão por vezes algo enigmática ou seja há sinusites muito extensas que têm pouca expressão clínica e, no polo oposto, há sinusites mínimas que afetam muito significativamente os doentes. Os principais sintomas são:

    • Obstrução nasal (nariz entupido),
    • Secreções nasais espessas e com pus (de cor amarela, verde ou castanha),
    • Dores de cabeça e/ou nos ossos da face, muitas vezes associadas a febre.

No entanto o leque de sintomas pode ser mais amplo, sendo habitual a existência de:

  • Diminuição ou perda do olfato,
  • Mau hálito,
  • Tosse reflexa à escorrência das secreções nasais pela faringe,
  • Tosse noturna,
  • Dor nos ouvidos e nos dentes do maxilar superior,
  • Dor à volta dos olhos.
  • Ouvido entupido,
  • Sensação de pressão quando baixa a cabeça,
  • Mal-estar,
  • Cansaço.

A maioria dos casos de sinusite viral ou alérgica melhora espontaneamente dentro de 10 dias. Sinusites bacterianas leves também podem ser autolimitadas, mas nos casos mais sintomáticos, com febre alta e coriza purulenta, a cura geralmente só vem com o tratamento antibiótico.

Estas queixas, mais acentuadas nas formas agudas, podem permanecer por longos períodos, naqueles doentes em que, por falta de uma abordagem adequada, a doença evoluiu para o estádio de cronicidade.

Dor é frequente?

É comum a presença de dor quando fazemos pressão com os dedos sobre os seios nasais, principalmente nos seios frontais e maxilares, que são os mais superficiais.

A dor é um sintoma tão frequente que é vulgarmente aceite que não há sinusite sem dor. Apesar de poder ter diversas tonalidades a dor da sinusite reflete a localização dos seios perinasais atingidos. Assim a dor pode localizar-se nos seguintes locais:

    • Na fronte em caso de sinusite frontal;
    • Por trás e entre os olhos na sinusite etmoidal e
    • Nas maçãs do rosto e dentes superiores nos casos das sinusites maxilares.

Já no caso da sinusite esfenoidal a dor é muitas vezes mais difusa e referida à parte frontal ou posterior da cabeça.

Gravidade

Sendo uma doença incómoda, na grande maioria dos casos ela é uma doença curável, sendo raras as complicações graves. No entanto algumas podem ser muito graves, tais como:

    • Meningite –  infeção das meninges,
    • Infeção dos olhos,
    • Abcesso cerebral,
    • Otite,
    • Labirintite,
    • Osteíte – infeção dos ossos da cara,
    • Celulite – infeção dos tecidos moles da face,
    • Septicémia – infeção generalizada a todo o organismo.

Apoio médico urgente, quando?

Como os seios da face apresentam íntima relação com órgãos nobres, como olhos, ouvidos e cérebro, a sinusite bacteriana pode levar a complicações graves. Portanto, é importante procurar consulta médica sempre que, associados à sinusite, existirem os seguintes sintomas:

  • Febre acima de 39ºC.
  • Edema ou vermelhidão na face.
  • Edema e vermelhidão em volta dos olhos.
  • Visão dupla ou qualquer outra alteração visual.
  • Confusão mental.
  • Dor de cabeça muito intensa.
  • Rigidez de nuca.
  • Prostração intensa.

A sinusite bacteriana, apesar de apresentar uma taxa de mortalidade baixa, é uma infeção que não deve ser negligenciada, principalmente quando existem os sinais descritos acima.

Diagnóstico

Suspeita-se da existência de uma sinusite perante um doente que apresente uma situação clínica com as características acima apontadas. A confirmação é feita através de exames radiológicos – a tomografia computorizada – que define com precisão o estado de cada um dos seios perinasais (frontal, maxilares, etmoidal e esfenoidal) e pode evidenciar a existência de eventuais fatores coadjuvantes, como pólipos ou desvios do septo nasal.

Tratamento mais eficaz

O tratamento desta doença requer uma abordagem especializada, na qual se definem com muita precisão três objetivos principais:

    • Reduzir a inflamação,
    • Promover uma adequada drenagem das secreções nasais,
    • Tratar a infeção.

Para conseguir estes objetivos é importante que o doente beba líquidos, no sentido de manter as secreções o mais fluídas possível. Recomenda-se, também:

    • Lavagem das fossas nasais com solutos salinos (soro fisiológico ou água do mar esterilizada) ou água termal,
    • Medicamentos fluidificantes do muco nasal,
    • Descongestionantes nasais, estes, por períodos não superiores a cinco dias já que são produtos tóxicos para a mucosa nasal.

A infeção trata-se com antibióticos por períodos que oscilam entre os sete e os catorze dias nas sinusites agudas, e que se podem estender até às quatro semanas nas sinusites crónicas. É fundamental que não se interrompa o antibiótico antes do tempo prescrito pelo médico, como forma de prevenir eventuais recidivas e tendo em vista impedir o aparecimento de resistência por parte dos microrganismos infetantes.

Medicamentos  mais usados

Na congestão nasal é essencial diminuir o inchaço e inflamação da mucosa nasal sendo os corticoides nasais, provavelmente, os mais eficazes e menos agressivos, tais como:

    • Budesonida 32µg ou 64µg (Pulmicort® nasal aqua);
    • Mometasona 50µg (Nasomet®);
    • Fluticasona 50µg (Flonase®).

Estes corticoides são de prescrição médica obrigatória e não podem ser comprados livremente nas Farmácias como acontece com diversos descongestionantes nasais. Esta situação justifica-se pela probabilidade mais elevada de efeitos secundários sistémicos com os corticoides, embora as formulações farmacêuticas para inalação sejam cada vez mais seguras e com poucos efeitos adversos relevantes, pois têm um baixo grau de absorção sistémica.

Descongestionantes nasais ou corticoides?

Quais os mais eficazes ou adequados?

Os corticoides nasais podem ser utilizados em tratamentos mais prolongados, porque em geral, são menos agressivos para a mucosa nasal (nomeadamente os cílios nasais), embora com mais efeitos secundários sistémicos que os descongestionantes nasais.

Por sua vez os descongestionantes são a melhor escolha em situações agudas até 3 dias de tratamento. A partir daí não devem ser usados, sem conselho médico, por causa da probabilidade acrescida de paralisarem os cílios nasais (pelos do nariz) que ajudam a expulsar as mucosidades nasais para o exterior. Se estes “pelos” estiverem paralisados aumenta a acumulação de secreções no interior do nariz e portanto a congestão nasal piora!

Alguns dos descongestionantes nasais mais utilizados são:

    • Fenilefrina (Neo-sinefrina®, Vibrocil®)
    • Xilometazolina (Vibrocil actilong®)
    • Oximetazolina (Nasorhinathiol®, Nasex®)

Anti-histamínicos são eficazes?

A utilização de anti-histamínicos só é geralmente eficaz quando existe uma causa alérgica para a congestão nasal. Nestes casos sim a utilização de um anti-histamínico sistémico ou local pode ser útil.

Existem associações de descongestionantes com anti-histamínicos locais, por exemplo:

  • Fenilefrina + dimetindeno ( Vibrocil® gotas nasais)

Os anti-histamicos sistémicos mais usados são:

  • Desloratadina (Aerius®);
  • Bilastina(Lergonix®, Bilaxten®)
  • Ebastina (Kestine®);
  • Cetirizina (Zyrtec®);
  • Pseudoefedrina (Actifed®)
  • Levocetirizina;
  • Loratadina;

Antibióticos mais usados se existe infecção

Os antibióticos apenas devem ser usados quando o médico tem a certeza que existe já um foco infecioso ou que a probabilidade de isso acontecer é muito elevada. Nestes casos os antibióticos mais usados são:

  • Amoxicilina com ácido clavulânico;
  • Levofloxacina;
  • Moxifloxacina;
  • Claritromicina;
  • Azitromicina.

Fármacos mais eficazes para drenar os seios nasais

A drenagem eficaz depende sobretudo de desobstruir os óstios dos seios perinasais e reduzir a inflamação da mucosa.

Corticosteróides intranasais (os mais eficazes)

🔹 Primeira linha na sinusite inflamatória, aguda ou crónica

Exemplos:

  • Mometasona
  • Fluticasona
  • Budesonida
  • Beclometasona

Benefícios:

  • Reduzem edema da mucosa
  • Abrem os óstios sinusais
  • Melhoram a drenagem fisiológica
  • Diminuem dor, pressão facial e congestão

São claramente superiores aos mucolíticos para drenagem real dos seios.


Lavagens nasais com solução salina (fundamentais)

🔹 Muitas vezes subvalorizadas, mas essenciais

Preferencialmente:

  • Solução hipertónica (2–3%)

  • Grande volume (ex.: rhinodouche)

Efeitos:

  • Remoção mecânica de secreções

  • Redução da carga inflamatória e microbiana

  • Melhoria da eficácia dos sprays corticoides

👉 Em termos de custo-benefício, são das medidas mais eficazes e seguras.


Descongestionantes nasais (uso curto)

Exemplos:

  • Oximetazolina
  • Xilometazolina

Efeito:

  • Vasoconstrição → redução rápida do edema
  • Alívio imediato da obstrução

⚠️ Limitações importantes:

  • Usar máximo 3–5 dias
  • Risco de rinite medicamentosa
  • Não indicados para uso prolongado

👉 Úteis em fases muito congestionadas, mas não devem ser base do tratamento.


Antihistamínicos (se houver componente alérgica)

Indicados quando a sinusite está associada a:

  • Rinite alérgica
  • Prurido, espirros, rinorreia clara

Preferência:

  • Antihistamínicos de 2.ª geração (loratadina, desloratadina, cetirizina)

📌 Não são mucolíticos nem drenantes diretos, mas reduzem produção de muco em contexto alérgico.


Antibióticos (apenas quando indicados)

🔹 Só em sinusite bacteriana comprovada ou fortemente suspeita:

  • Sintomas > 10 dias sem melhoria
  • Febre elevada
  • Dor facial intensa unilateral
  • Secreção purulenta persistente

👉 O antibiótico não drena secreções por si só; precisa sempre de medidas associadas.


Onde a acetilcisteína se encaixa na prática clínica

A acetilcisteína pode ser:
✔ Complementar aos corticoides intranasais
✔ Útil em doentes com secreções muito espessas
✔ Interessante em associação a lavagens nasais

Não substitui:

  • Corticoides intranasais
  • Lavagens salinas
  • Correção da inflamação da mucosa

Resumo prático

Objetivo Melhor opção
Abrir óstios sinusais Corticoide intranasal
Reduzir inflamação Corticoide intranasal
Remover secreções Lavagens salinas
Fluidificar muco Acetilcisteína (adjuvante)
Alívio rápido Descongestionante nasal (curto prazo)

Cirurgia pode ser necessária?

O tratamento da sinusite é, em princípio, um tratamento médico, sem intervenção cirúrgica. Porém, em algumas situações deve recorrer-se à cirurgia. É o caso das sinusites em que o tratamento médico, adequadamente realizado, não se revela satisfatório (ineficácia dos antibióticos) e naqueles casos em que há obstáculos mecânicos que o tratamento médico não consegue resolver, tais como:

    • Sinusites associadas a significativos desvios do septo nasal,
    • Pólipos,
    • Quistos volumosos.

Sinusite tem cura?

No caso das sinusites agudas a resposta é claramente afirmativa, obtendo-se a cura no espaço de uma duas semanas quando o tratamento é o adequado e o doente cumpridor. Na sinusite crónica a resposta não é tão clara. A passagem ao estado de cronicidade provoca alguma deterioração nos mecanismos de defesa da mucosa dos seios perinasais. Assim, é de prever que o doente passe a apresentar maior fragilidade e tenha tendência a sofrer de episódios de inflamação/infeção sinusal com maior frequência.

Prevenção

A prevenção da sinusite, tal como em qualquer outra doença, é o objetivo essencial. Na prevenção das sinusites entram um conjunto enorme de fatores que se integram no que chamamos a “higiene nasal”, tais como:

    • Evitar todas as formas de poluição atmosférica,
    • Não contactar com substâncias que provocam resposta inflamatória alérgica do nariz,
    • Não colocar os dedos nem objetos estranhos no nariz,
    • Evitar ambientes em que a qualidade física do ar esteja fora dos padrões de qualidade (ar muito frio e húmido e ar muito seco),
    • Assoar-se com regularidade,
    • Controlar os episódios de rinite alérgica.

O controlo da doença base é uma etapa obrigatória na prevenção das sinusites. Por exemplo, o não controlo das alergias nasais (rinite alérgica) associa-se a um maior número de episódios de sinusite.

Apesar de não haver uma evidência científica que torne indiscutível o seu aconselhamento formal na sinusite, alguns doentes têm grandes resultados com os tratamentos termais, sobretudo nas sinusites crónicas, e com os medicamentos estimulantes da imunidade – os imunomoduladores.

Relativamente aos primeiros, temos um país riquíssimo em águas termais, estando referenciados trinta e sete estabelecimentos termais, a maioria no norte, com águas consideradas adequadas ao tratamento desta doença.

Os tratamentos com imunomoduladores, mais conhecidos por “vacinas” visam aumentar a imunidade dos doentes no que diz respeito aos agentes bacterianos, tornando-os assim mais resistentes às infeções. Não esquecer também, em determinados grupos de risco a vacinação antigripal anual.

Concluindo

Evitar as complicações da sinusite está ao alcance da imensa maioria dos doentes desde que devidamente informados sobre as regra básicas de higiene nasal que devem ter. Não são regras complicadas exigindo apenas alguma disciplina e vontade séria de evitar a doença que, muitas vezes é encarada apenas como “incómoda”, por não estarem cientes da gravidade que pode apresentar quando evolui sem controlo! Relembro apenas que, em casos extremos de infeção dos seios nasais, pode provocar doenças tão graves como meningite e septicémia! Por favor não se descuide!

Fique bem!

Franklim Fernandes

Referências

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