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Dores lombares: causas, tratamentos mais eficazes, melhores exercícios e desportos

A dor lombar, frequentemente designada por lombalgia, é uma dor localizada na região inferior das costas, entre a última costela e as nádegas. Pode surgir subitamente, após um esforço, ou desenvolver-se de forma gradual. Em algumas pessoas limita-se às costas; noutras, irradia para a nádega ou para a perna, podendo acompanhar-se de formigueiro, dormência ou perda de força.

A dor lombar é a principal causa de incapacidade em todo o mundo. Em 2020 afetava aproximadamente 619 milhões de pessoas, estimando-se que esse número possa atingir 843 milhões em 2050.¹ Apesar deste impacto, a maioria dos episódios não resulta de uma doença grave nem exige cirurgia: corresponde a dor lombar inespecífica, na qual não é possível atribuir os sintomas a uma única estrutura anatómica.¹˒²

A abordagem mais eficaz raramente consiste em permanecer deitado, realizar repetidamente exames de imagem ou depender apenas de medicamentos. Na maioria dos casos, recomenda-se manter a atividade possível, compreender a natureza da dor e retomar progressivamente o movimento e o exercício. Na dor persistente, os melhores resultados tendem a surgir de um programa individualizado que combine exercício, educação, autocuidado e, quando necessário, apoio psicológico e tratamento farmacológico criterioso.³⁻⁶

Nota importante: este artigo aborda sobretudo a dor lombar inespecífica. Dor intensa acompanhada de perda de força, alterações urinárias ou intestinais, febre, traumatismo importante ou outros sinais de alarme requer avaliação médica.

Índice

  1. O que são dores lombares?
  2. Como funciona a coluna lombar?
  3. Principais causas e fatores de risco
  4. Dor lombar, ciática e hérnia discal
  5. Sinais de alarme
  6. Como se faz o diagnóstico?
  7. Tratamento nas primeiras horas e dias
  8. Medicamentos: quais podem ajudar?
  9. Fisioterapia e terapias não farmacológicas
  10. Melhores exercícios para a lombar
  11. Melhores desportos
  12. Movimentos que podem agravar os sintomas
  13. Quando é necessária cirurgia?
  14. Como prevenir novas crises?
  15. Mitos frequentes
  16. Conclusão
Dores lombares causas e melhor tratamento
Dores lombares causas e melhor tratamento

Consulte as diversas ilustrações médicas do artigo para melhor compreensão dos temas nomeadamente dos exercícios mais eficazes.

Exercícios eficazes para dor lombar
Exercícios eficazes para dor lombar

O que são dores lombares?

A duração dos sintomas ajuda a classificar a lombalgia, embora não determine, por si só, a sua gravidade. Considera-se geralmente aguda quando dura menos de quatro semanas, subaguda entre quatro e doze semanas e crónica ou persistente quando se prolonga por mais de doze semanas.⁵

DuraçãoClassificaçãoEvolução habitual
Menos de 4 semanasAgudaFrequentemente favorável
4 a 12 semanasSubagudaExige progressão da atividade
Mais de 12 semanasCrónicaAbordagem multidimensional

A dor crónica não significa necessariamente que exista uma lesão continuamente ativa ou um dano estrutural crescente. Com o passar do tempo, o sistema nervoso pode tornar-se mais sensível aos estímulos, enquanto medo, stress, sono insuficiente, descondicionamento físico e preocupação com o movimento podem contribuir para a persistência da dor.²˒³

Como funciona a coluna lombar?

A coluna lombar é constituída habitualmente por cinco vértebras, designadas L1 a L5. Entre elas encontram-se discos intervertebrais, que permitem movimento e distribuem cargas. As articulações posteriores orientam o movimento, enquanto músculos, tendões e ligamentos contribuem para a estabilidade.

A coluna não funciona isoladamente. A capacidade de caminhar, levantar objetos, correr ou mudar de posição depende da coordenação entre coluna, bacia, ancas, músculos abdominais, glúteos e membros inferiores.

Esquema simplificado da coluna lombar

Anatomia da coluna vertebral
Anatomia da coluna vertebral
       

Os discos e articulações sofrem alterações naturais com a idade. Estas mudanças são muito frequentes mesmo em pessoas sem dor. Por isso, encontrar desgaste, protrusões discais ou alterações degenerativas numa ressonância magnética não prova, por si só, que essas alterações sejam a causa dos sintomas.⁷˒⁸

Quais são as principais causas das dores lombares?

Em aproximadamente 90% dos casos, a dor é classificada como inespecífica. Isto não significa que a dor seja imaginária, mas sim que não é possível identificar, com segurança, uma única estrutura responsável.¹˒²

A dor pode refletir uma combinação de sobrecarga temporária dos músculos e articulações, sensibilidade dos tecidos, redução da tolerância ao esforço, fatores emocionais, sono insuficiente e resposta do sistema nervoso.

Causa ou situaçãoCaracterísticas habituaisFrequência
Dor lombar inespecíficaDor mecânica variável, sem causa únicaMuito frequente
Irritação muscular ou articularSurge após esforço ou movimento incomumFrequente
Hérnia ou protrusão discalPode causar dor irradiada e ciáticaFrequente
Estenose lombarDor nas pernas ao caminhar, alívio sentadoMais comum com a idade
Fratura vertebralTrauma, osteoporose ou corticoterapiaPouco frequente
Infeção ou tumorSintomas gerais ou fatores de riscoRaro
Doença inflamatóriaRigidez matinal e melhoria com exercícioPouco frequente

Fatores que aumentam o risco

O risco de lombalgia e da sua persistência pode aumentar com:

  • sedentarismo ou descondicionamento físico;
  • esforços intensos para os quais o corpo não está preparado;
  • trabalho repetitivo, vibração ou levantamento frequente de cargas;
  • obesidade;
  • tabagismo;
  • sono insuficiente;
  • ansiedade, depressão ou stress prolongado;
  • receio do movimento;
  • trabalho insatisfatório ou baixa possibilidade de adaptação das tarefas;
  • episódios anteriores de dor lombar.¹⁻³

Não existe, contudo, uma postura perfeita que tenha de ser mantida durante todo o dia. Permanecer muito tempo na mesma posição pode ser mais relevante do que adotar temporariamente uma postura menos “direita”. Alternar posições e fazer pausas regulares é geralmente mais útil do que tentar manter o corpo rígido.

Dor lombar, ciática e hérnia discal são a mesma coisa?

Não. Dor lombar é um sintoma localizado predominantemente na parte inferior das costas. Ciática descreve dor relacionada com irritação ou compressão de uma raiz nervosa, geralmente irradiada desde a nádega para uma perna.

A ciática pode acompanhar-se de:

  • dor em queimadura ou choque;
  • formigueiro;
  • dormência;
  • alteração dos reflexos;
  • perda de força em determinados músculos.

Uma hérnia discal é uma alteração do disco intervertebral que pode, ou não, comprimir um nervo. Muitas hérnias identificadas por ressonância magnética não causam sintomas, e uma parte significativa diminui espontaneamente ao longo do tempo.⁷

Disco vertebral saudável versus  hérnia discal
Disco vertebral saudável versus hérnia discal
Disco normal                 Hérnia com irritação nervosa

[Vértebra]                   [Vértebra]
   ║                            ║
 ( disco )                   ( disco  )──► nervo
   ║                            ║
[Vértebra]                   [Vértebra]

A dor que fica apenas na região lombar, sem sintomas neurológicos na perna, não deve ser automaticamente atribuída a uma hérnia discal.

Quando é necessário procurar assistência médica urgente?

A maioria das lombalgias não constitui uma emergência. No entanto, alguns sintomas podem indicar compressão neurológica grave, infeção, fratura, cancro ou doença de outro órgão. Estes sinais devem ser interpretados em conjunto, porque um sinal isolado nem sempre significa doença grave.⁹˒¹⁰

Infografia: sinais de alarme

┌────────────────── PROCURE AJUDA URGENTE ──────────────────┐
│ • Dificuldade súbita em urinar ou incontinência           │
│ • Perda de controlo intestinal                            │
│ • Dormência entre as pernas ou na região genital          │
│ • Fraqueza nova ou progressiva numa ou nas duas pernas    │
│ • Dor após traumatismo importante                         │
│ • Febre, arrepios ou mal-estar com dor lombar             │
│ • Dor com história conhecida de cancro                    │
│ • Dor intensa com osteoporose ou uso prolongado de        │
│   corticosteroides                                        │
└────────────────────────────────────────────────────────────┘

A combinação de alterações urinárias ou intestinais, anestesia na região perineal e perda de força pode indicar síndrome da cauda equina, uma emergência que requer avaliação hospitalar imediata.

Também é aconselhável consultar um médico quando a dor:

  • piora progressivamente;
  • impede dormir de forma persistente;
  • não apresenta qualquer melhoria ao fim de algumas semanas;
  • surge acompanhada de perda de peso inexplicada;
  • começou antes dos 20 anos ou numa idade avançada sem causa evidente;
  • se acompanha de rigidez matinal prolongada, psoríase, doença inflamatória intestinal ou inflamação ocular.

Como se faz o diagnóstico?

O diagnóstico começa pela história clínica e pelo exame físico. O profissional de saúde procura compreender a localização, duração e comportamento da dor, os movimentos que a modificam, a presença de sintomas neurológicos e o impacto no sono, trabalho, mobilidade e bem-estar emocional.

O exame pode incluir avaliação da marcha, mobilidade, força muscular, sensibilidade, reflexos e testes de tensão neural.

Quando são necessários exames de imagem?

Na dor lombar inespecífica sem sinais de alarme, radiografias, tomografia computorizada ou ressonância magnética não devem ser realizados por rotina. A imagiologia precoce não melhora habitualmente a dor nem a função e pode revelar alterações comuns relacionadas com a idade, levando a preocupação e tratamentos desnecessários.⁸˒¹¹

ExameQuando pode ser útilLimitação principal
RadiografiaSuspeita de fratura ou deformidadeNão mostra bem discos e nervos
TACFraturas e detalhe ósseoUtiliza radiação
RessonânciaDéfice neurológico, infeção, tumor ou cirurgia planeadaMuitas alterações são assintomáticas

Fluxograma simplificado

Dor lombar
    │
    ├── Existem sinais de alarme?
    │          │
    │          ├── Sim → avaliação médica e exames dirigidos
    │          │
    │          └── Não
    │
    ├── Existe perda de força ou ciática incapacitante?
    │          │
    │          ├── Sim → avaliação clínica prioritária
    │          └── Não
    │
    └── Manter atividade + autocuidado + reavaliação

O que fazer nas primeiras horas e dias?

Quando não existem sinais de alarme, é importante manter um nível de atividade tolerável. Podem ser necessários um ou dois dias de adaptação, mas o repouso prolongado na cama tende a atrasar a recuperação, reduzir a força muscular e aumentar a apreensão em relação ao movimento.⁴˒⁵

Infografia: primeiras 48–72 horas

MOVIMENTO SEGURO
Caminhar alguns minutos e mudar frequentemente de posição
                         ↓
ALÍVIO SINTOMÁTICO
Calor local e medicação adequada, quando necessária
                         ↓
REGRESSO GRADUAL
Retomar tarefas simples sem esperar pelo desaparecimento total
                         ↓
REAVALIAR
Procurar ajuda se houver agravamento ou sinais de alarme

Algumas estratégias úteis incluem:

  1. Evitar permanecer deitado durante longos períodos.
  2. Fazer pequenas caminhadas em casa ou no exterior.
  3. Alternar entre estar sentado, de pé e deitado.
  4. Usar calor local durante 15 a 20 minutos, protegendo a pele.
  5. Reduzir temporariamente cargas elevadas, sem abandonar todo o movimento.
  6. Retomar progressivamente as atividades habituais.

É aceitável que exista algum desconforto durante a recuperação. O objetivo não é necessariamente executar todos os movimentos sem qualquer dor, mas encontrar uma dose de atividade tolerável que não provoque agravamento relevante e prolongado.

Quais são os medicamentos mais eficazes?

A medicação deve ser considerada um apoio temporário à mobilidade e à recuperação, e não o tratamento principal. A escolha depende da idade, doenças associadas, risco gastrointestinal, renal e cardiovascular e de outros medicamentos utilizados.

MedicamentoPossível papelPrincipais cautelas
AINEsAlívio de curto prazo em alguns doentesEstômago, rins, pressão arterial e coração
ParacetamolPode ser opção em situações selecionadasBenefício isolado limitado
Relaxantes muscularesEventual uso muito curtoSonolência, quedas e dependência
OpioidesEvitar por rotinaDependência, tolerância e overdose
AntidepressivosCasos crónicos selecionadosEfeitos adversos e benefício variável

Os anti-inflamatórios não esteroides, como ibuprofeno ou naproxeno, podem proporcionar uma redução pequena da dor em alguns episódios, devendo ser utilizados na menor dose eficaz e durante o menor período possível. Não são adequados para todas as pessoas.³⁻⁵

O paracetamol isolado não demonstrou benefício consistente na dor lombar aguda inespecífica, embora possa ser considerado quando existe uma razão clínica individual para o utilizar ou quando outros analgésicos não são apropriados.⁵

Os opioides não devem ser usados por rotina na lombalgia aguda ou crónica. O benefício médio é limitado e os riscos incluem obstipação, sedação, tolerância, dependência, depressão respiratória e hiperalgesia induzida por opioides.³˒⁵ A Organização Mundial da Saúde recomenda contra o uso rotineiro de opioides na dor lombar primária crónica.³

Também não se recomenda, por rotina, o uso de gabapentina ou pregabalina na dor lombar inespecífica ou na ciática, devido à ausência de benefício clínico convincente e à possibilidade de efeitos adversos.⁵

Medicamentos mais utilizados nas dores lombares

Medicamento ou classePosologia habitual no adulto*Efeitos secundários e principais precauções
Paracetamol500–1000 mg a cada 4–6 horas, se necessário. Máximo habitual: 4000 mg/dia; doses inferiores podem ser necessárias em idosos, baixo peso, consumo de álcool ou doença hepática.Geralmente bem tolerado nas doses recomendadas. A sobredosagem pode causar lesão hepática grave. Evitar associar vários medicamentos que contenham paracetamol. O benefício isolado na lombalgia é limitado.
Ibuprofeno200–400 mg até 3 vezes por dia, com intervalo mínimo de 4 horas. Sem supervisão médica, não exceder habitualmente 1200 mg/dia.Dor ou ardor de estômago, náuseas, úlcera, hemorragia digestiva, aumento da pressão arterial, retenção de líquidos e lesão renal. Evitar em úlcera ativa, doença renal relevante, insuficiência cardíaca e em algumas pessoas anticoaguladas.
NaproxenoHabitualmente 250–500 mg de 12 em 12 horas. Dose diária usual: 500–1000 mg, apenas durante o período necessário.Efeitos gastrointestinais, renais e cardiovasculares semelhantes aos restantes AINEs. Pode causar azia, úlcera, hemorragia, retenção de líquidos e aumento da pressão arterial.
Diclofenac oralHabitualmente 75–150 mg/dia, divididos em 2 ou 3 tomas. Máximo habitual: 150 mg/dia.Pode causar irritação ou hemorragia gastrointestinal, lesão renal, retenção de líquidos e aumento do risco cardiovascular. Deve ser usado na menor dose eficaz e pelo menor período possível.
Diclofenac em gelAplicar uma camada fina na região dolorosa, geralmente 3–4 vezes por dia, conforme a formulação.Irritação, vermelhidão, comichão ou dermatite local. A absorção sistémica é menor do que por via oral, mas não é nula. Não aplicar sobre feridas, olhos ou mucosas.
Relaxantes muscularesA posologia depende do fármaco utilizado. Devem ser usados apenas durante períodos curtos e mediante prescrição, sobretudo quando existe espasmo muscular incapacitante.Sonolência, tonturas, diminuição dos reflexos, quedas, confusão e possível dependência. Não conduzir nem associar a álcool, opioides ou outros sedativos. O benefício médio na lombalgia aguda é pequeno e acompanhado por maior risco de efeitos adversos.
TramadolEm situações selecionadas: 50–100 mg a cada 4–6 horas. Dose máxima habitual: 400 mg/dia. Deve ser utilizado durante o menor período possível.Náuseas, tonturas, sonolência, obstipação, confusão, convulsões, dependência e depressão respiratória. Pode causar síndrome serotoninérgica quando combinado com determinados antidepressivos.
Codeína com paracetamolA dose depende da apresentação. Algumas formulações permitem 1–2 comprimidos a cada 4–6 horas, sem exceder o máximo indicado no folheto. Uso geralmente limitado a poucos dias.Sonolência, náuseas, obstipação, dependência e depressão respiratória. É necessário contabilizar todo o paracetamol ingerido para evitar sobredosagem.
DuloxetinaEm dor crónica com componente neuropática ou outros contextos selecionados, pode iniciar-se com 30 mg/dia e progredir para 60 mg/dia, sempre sob prescrição médica.Náuseas, boca seca, tonturas, insónia ou sonolência, aumento da pressão arterial e alterações da função sexual. Não deve ser interrompida abruptamente. Não é tratamento de rotina da lombalgia aguda.
Amitriptilina e outros antidepressivos tricíclicosFrequentemente iniciados em doses baixas à noite, por exemplo 10–25 mg, com ajuste médico gradual quando existe dor neuropática ou perturbação do sono associada.Boca seca, obstipação, sonolência, visão turva, retenção urinária, aumento de peso e alterações do ritmo cardíaco. Exigem especial cuidado em idosos e pessoas com doença cardíaca.

* Posologias meramente informativas para adultos. Não substituem avaliação médica ou farmacêutica. As doses podem necessitar de redução em idosos, pessoas com baixo peso, doença renal ou hepática, hipertensão, insuficiência cardíaca, antecedentes de úlcera, gravidez ou tratamento com anticoagulantes.

Conselho de segurança: não iniciar anti-inflamatórios, relaxantes musculares, opioides ou outros medicamentos sem confirmar a sua adequação, sobretudo em pessoas com doença renal, úlcera, hipertensão, insuficiência cardíaca, tratamento anticoagulante ou múltiplos medicamentos.

Fisioterapia e tratamentos não farmacológicos

A fisioterapia pode ajudar a recuperar movimento, capacidade física e confiança. Um programa de qualidade não se limita a massagens ou aparelhos: inclui avaliação individual, educação, exposição progressiva aos movimentos, exercício e estratégias para retomar atividades significativas.

A Organização Mundial da Saúde recomenda, para a dor lombar primária crónica, uma abordagem personalizada que pode incluir educação estruturada, programas de exercício, algumas terapias físicas, intervenções psicológicas e medicamentos anti-inflamatórios quando apropriados.³

IntervençãoEvidência globalPapel mais provável
ExercícioModeradaReduz dor e melhora capacidade
Educação e autocuidadoFavorávelReduz medo e promove autonomia
Terapia cognitivo-comportamentalFavorável em casos selecionadosDor persistente e medo do movimento
Manipulação ou mobilizaçãoBenefício pequenoComplemento de curto prazo
MassagemAlívio temporário possívelComplemento, não tratamento isolado
AcupuncturaResultados variáveisOpção selecionada
Cintas lombaresNão recomendadas por rotinaUso excecional e temporário

O exercício é provavelmente eficaz na dor lombar crónica, embora o efeito médio seja geralmente modesto. Uma revisão Cochrane concluiu que o exercício reduz a dor comparativamente à ausência de tratamento, cuidados habituais ou placebo, com melhorias menores na limitação funcional.⁶ A adesão e a continuidade são frequentemente mais importantes do que procurar um método “perfeito”.

Terapias passivas podem reduzir temporariamente os sintomas, mas não devem substituir a recuperação da força, mobilidade e tolerância ao esforço.³⁻⁶

Quais são os melhores exercícios para as dores lombares?

Não existe um único exercício superior para todas as pessoas. Exercícios aeróbios, fortalecimento, Pilates, yoga, controlo motor e programas gerais de mobilidade podem produzir benefícios. A melhor escolha é aquela que corresponde às necessidades do doente, pode ser progredida e é suficientemente agradável para ser mantida.³˒⁶

Durante uma crise aguda, começar com movimentos simples e caminhadas curtas pode ser suficiente. Na dor persistente, o programa deve incluir progressivamente mobilidade, força, capacidade aeróbia e movimentos relacionados com o quotidiano.

Exercícios eficazes para dor lombar
Exercícios eficazes para dor lombar

1. Inclinação pélvica

Deitado de costas, com os joelhos dobrados, contrair suavemente o abdómen e aproximar a região lombar do chão. Manter alguns segundos sem prender a respiração.

Dose inicial: 8 a 12 repetições.

2. Ponte de glúteos

Deitado de costas, apoiar os pés no chão e elevar lentamente a bacia, contraindo os glúteos. Evitar arquear excessivamente a lombar.

Dose inicial: 2 séries de 8 a 12 repetições.

3. Bird-dog

Em quatro apoios, estender lentamente uma perna e, se tolerado, o braço oposto. Manter o tronco estável e regressar à posição inicial.

Dose inicial: 6 a 10 repetições de cada lado.

4. Extensão lombar em decúbito ventral

Deitado de barriga para baixo, apoiar-se nos antebraços ou estender gradualmente os cotovelos, mantendo a bacia apoiada. Este exercício pode ser útil quando reduz a dor irradiada na perna, mas não deve ser insistido se fizer a dor descer mais pela perna.

Dose inicial: 8 a 10 repetições lentas.

5. Alongamento do flexor da anca

Em posição de passada, levar suavemente a bacia para a frente até sentir alongamento na parte anterior da anca da perna que está atrás.

Dose inicial: 20 a 30 segundos, duas vezes de cada lado.

6. Agachamento para uma cadeira

Sentar e levantar de uma cadeira, controlando o movimento e usando os braços apenas se necessário. À medida que a capacidade melhora, reduzir a altura do apoio ou adicionar carga.

Dose inicial: 2 séries de 8 a 12 repetições.

Esquema de progressão

Mobilidade confortável
         ↓
Exercícios com o peso corporal
         ↓
Fortalecimento com resistência
         ↓
Movimentos funcionais e desporto
         ↓
Manutenção a longo prazo

Regra prática para controlar a intensidade

Uma ligeira subida da dor durante ou depois do exercício pode ser aceitável, desde que:

  • seja tolerável;
  • não surja perda de força ou dormência progressiva;
  • regresse aproximadamente ao nível habitual em poucas horas ou até ao dia seguinte;
  • não aumente progressivamente em cada sessão.

Se a dor se intensificar muito, irradiar mais para a perna ou provocar sintomas neurológicos, a carga, amplitude ou exercício devem ser modificados.

Quais são os melhores desportos?

O melhor desporto é, em regra, aquele que pode ser praticado com regularidade, progressão adequada e prazer. Ter dor lombar não significa que seja necessário limitar-se para sempre a atividades “suaves”.

AtividadeAdequação habitualObservações
CaminhadaExcelenteAcessível e facilmente progressiva
NataçãoBoaÚtil nos estilos crawl e costas, não bruços
PilatesBoaFavorece controlo e força
Yoga adaptadoBoaCombina mobilidade e relaxamento
MusculaçãoExcelenteRequer progressão técnica
CiclismoBoaAjustar bicicleta e duração
CorridaPossívelRetomar gradualmente
Padel ou ténisPossívelExigem rotação e mudanças rápidas
RemoPossívelTécnica e dose são importantes
FutebolPossívelRegresso progressivo após recuperação

Caminhada

A caminhada é uma das opções mais acessíveis. O ensaio clínico WalkBack demonstrou que um programa individualizado de caminhada e educação reduziu o risco de recorrência da lombalgia e prolongou o período sem dor incapacitante.¹²

Um início razoável pode consistir em 10 a 15 minutos, três a cinco vezes por semana, aumentando gradualmente o tempo ou o ritmo.

Natação

A água reduz a carga percebida e pode facilitar o movimento. Porém, não é obrigatoriamente superior aos exercícios em terra. A técnica de bruços pode agravar algumas pessoas devido à extensão repetida da lombar; costas, crawl ou exercício aquático podem ser melhor tolerados.

Pilates e yoga

Podem melhorar força, mobilidade, consciência corporal e confiança. Devem ser adaptados ao nível individual, sobretudo nas primeiras semanas. O yoga não deve ser encarado como uma sequência rígida de posições que têm de ser alcançadas.

Musculação

Quando adequadamente prescrita, a musculação é segura e útil. Agachamentos, levantamento de pesos, exercícios de puxar e empurrar e fortalecimento dos glúteos podem fazer parte da reabilitação. Não é necessário manter permanentemente a coluna numa posição rígida; importa aprender a gerir a carga e aumentar gradualmente a capacidade.

Corrida

A corrida não está universalmente proibida. Quem corria antes da crise pode regressar através de períodos alternados de caminhada e corrida, começando em terreno regular e aumentando apenas uma variável de cada vez: duração, frequência ou intensidade.

Que exercícios ou movimentos podem agravar a dor?

Nenhum movimento é inerentemente perigoso para todas as pessoas. O risco depende da fase da recuperação, velocidade, carga, técnica, fadiga e capacidade individual. Movimentos que agravam muito os sintomas devem ser temporariamente reduzidos ou adaptados, não necessariamente eliminados para sempre.

SituaçãoPossível problemaAdaptação
Peso excessivo sem preparaçãoCarga superior à capacidade atualReduzir peso e aumentar gradualmente
Flexão repetida dolorosaPode irritar sintomas em alguns casosDiminuir amplitude temporariamente
Extensão repetida dolorosaPode agravar estenose ou facetasEscolher posição mais tolerável
Rotações explosivasExigem força e controloRegressão técnica e menor velocidade
Alongamento agressivo do nervoPode aumentar a ciáticaMobilização mais suave

Abdominais tradicionais não são obrigatoriamente prejudiciais, mas podem ser desconfortáveis numa fase aguda. Podem ser substituídos temporariamente por exercícios como ponte, bird-dog, prancha modificada ou transporte de cargas leves.

Quando é necessária cirurgia?

A cirurgia não é o tratamento habitual da lombalgia inespecífica. Pode ser considerada quando existe uma causa anatómica claramente relacionada com os sintomas e quando os benefícios esperados superam os riscos.

As principais situações incluem:

  • síndrome da cauda equina;
  • défice motor grave ou progressivo;
  • compressão nervosa persistente com ciática incapacitante;
  • estenose lombar com limitação importante;
  • instabilidade ou deformidade em casos selecionados;
  • fratura, infeção ou tumor que exijam intervenção.

Na hérnia discal com ciática, a cirurgia pode proporcionar alívio mais rápido em doentes cuidadosamente selecionados, mas muitas pessoas melhoram com tratamento conservador. A decisão deve considerar intensidade e duração dos sintomas, força muscular, resultados do exame neurológico, imagem e preferências do doente.

Uma ressonância “anormal” sem correspondência clínica não constitui indicação cirúrgica.

Como prevenir novas crises?

Não é possível impedir todos os episódios, mas é possível reduzir o risco e a sua gravidade. O objetivo deve ser construir uma coluna e um organismo capazes de tolerar as exigências do quotidiano.

O essencial para prevenção

  • Praticar exercício aeróbio regularmente.
  • Realizar fortalecimento muscular pelo menos duas vezes por semana.
  • Aumentar gradualmente cargas novas.
  • Interromper períodos prolongados na mesma posição.
  • Dormir um número adequado de horas.
  • Evitar tabaco.
  • Manter um peso saudável, sem dietas extremas.
  • Aprender estratégias para gerir stress.
  • Não abandonar o exercício assim que a dor melhora.
  • Retomar precocemente o trabalho, com adaptações quando necessário.

Um programa regular de caminhada constitui uma opção simples e baseada em evidência para reduzir recorrências.¹² Não é necessário realizar exercícios lombares diariamente para sempre, mas a atividade física global deve tornar-se parte da rotina.

Mitos frequentes sobre as dores lombares

As crenças acerca da fragilidade da coluna podem aumentar o medo, a inatividade e a incapacidade. Explicar o que a evidência mostra é, por isso, parte do tratamento.

MitoO que mostra a ciência
“Tenho de ficar deitado.”O repouso prolongado atrasa a recuperação.
“A dor significa que estou a lesar a coluna.”A intensidade da dor nem sempre acompanha o dano.
“Uma hérnia obriga a cirurgia.”Muitas melhoram sem cirurgia.
“A ressonância encontra sempre a causa.”Alterações são comuns em pessoas sem dor.
“Tenho a coluna gasta.”Alterações degenerativas são parte do envelhecimento.
“Nunca mais posso levantar pesos.”A capacidade pode ser reconstruída gradualmente.
“Existe uma postura perfeita.”Variar posições é mais importante.
“O core tem de estar sempre contraído.”Rigidez permanente não é necessária nem natural.

O essencial em menos de um minuto

┌──────────────────── RESUMO PRÁTICO ───────────────────────┐
│ 1. A maioria das lombalgias não é causada por doença grave.│
│ 2. Dor intensa não significa necessariamente lesão grave. │
│ 3. O repouso prolongado deve ser evitado.                  │
│ 4. A atividade deve ser retomada progressivamente.        │
│ 5. Exames de imagem não são necessários por rotina.       │
│ 6. O exercício é um dos tratamentos mais consistentes.    │
│ 7. Não existe um único exercício ideal para todos.        │
│ 8. Caminhada e fortalecimento ajudam a prevenir recaídas. │
│ 9. Medicamentos têm benefício limitado e riscos reais.    │
│10. Alterações urinárias, anestesia em sela ou fraqueza     │
│    progressiva exigem avaliação urgente.                  │
└────────────────────────────────────────────────────────────┘

Conclusão

As dores lombares são extremamente frequentes e podem limitar profundamente a mobilidade, o trabalho, o sono e a qualidade de vida. Contudo, na maioria das pessoas não resultam de uma lesão grave nem de uma coluna “danificada”. A avaliação clínica deve excluir sinais de alarme e identificar sintomas neurológicos, evitando exames e tratamentos invasivos sem indicação.

A recuperação assenta sobretudo na manutenção da atividade possível, educação, retorno progressivo às tarefas e exercício regular. Caminhar, fortalecer os músculos, praticar Pilates, yoga, natação, ciclismo ou musculação podem ser boas opções, desde que adaptadas à capacidade individual. O tratamento deve aumentar a autonomia e a confiança no corpo, em vez de criar dependência de medicamentos, exames repetidos ou terapias passivas.

Principais mensagens

  • A maioria das lombalgias é inespecífica e melhora sem cirurgia.
  • Permanecer ativo é geralmente preferível ao repouso.
  • Os exames de imagem devem ser reservados para indicações clínicas.
  • O exercício apresenta benefícios consistentes na dor persistente.
  • Não existe um desporto universalmente superior.
  • A musculação pode ser segura e benéfica.
  • Os medicamentos devem ser usados de forma criteriosa.
  • Sinais neurológicos ou sistémicos exigem avaliação médica.
  • O medo do movimento pode atrasar a recuperação.
  • A continuidade do exercício ajuda a prevenir recorrências.

Perguntas frequentes

Qual é o melhor exercício para aliviar a dor lombar?

Não existe um exercício melhor para todas as pessoas. Caminhada, fortalecimento, exercícios de controlo motor, Pilates e yoga podem ajudar. A escolha deve depender dos sintomas, preferências e capacidade física.

É melhor aplicar frio ou calor?

O calor é frequentemente mais agradável na lombalgia inespecífica e pode reduzir temporariamente espasmo e desconforto. O frio também pode ser utilizado se proporcionar alívio. Nenhum dos métodos trata isoladamente a causa.

Posso caminhar com dores lombares?

Na ausência de sinais de alarme, caminhar é geralmente seguro. Deve começar-se com uma duração tolerável e aumentar gradualmente. Se a caminhada provocar fraqueza, dormência progressiva ou dor incapacitante, é necessária avaliação.

Uma hérnia discal desaparece?

Muitas hérnias diminuem de tamanho ao longo do tempo e os sintomas podem melhorar mesmo que a imagem não normalize totalmente. A necessidade de cirurgia depende dos sintomas e do exame neurológico, não apenas da ressonância.

Posso fazer musculação depois de uma crise?

Sim. A musculação deve ser retomada gradualmente, começando com cargas toleráveis e técnica adequada. O objetivo é aumentar a capacidade, e não evitar cargas para sempre.

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Bibliografia

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Prevenir Alzheimer o que diz a ciência

A Doença de Alzheimer é atualmente a causa mais frequente de demência em todo o mundo, afetando mais de 55 milhões de pessoas. Com o envelhecimento da população, prevê-se que este número possa ultrapassar os 130 milhões até 2050. Prevenir Alzheimer é um dos maiores desafios de saúde pública deste século.¹

Durante muitos anos acreditou-se que o Alzheimer era uma consequência inevitável do envelhecimento. Hoje sabemos que esta ideia está errada. Embora a idade e a genética desempenhem um papel importante, uma parte significativa do risco depende de fatores modificáveis relacionados com o estilo de vida, a saúde cardiovascular e a estimulação cerebral. Estudos recentes sugerem que até cerca de 45% dos casos de demência poderão estar associados a fatores potencialmente preveníveis

Neste artigo conhecerá as principais estratégias cientificamente sustentadas para proteger o cérebro, reduzir o risco de declínio cognitivo e promover um envelhecimento cerebral saudável.

Índice

  1. O que é a Doença de Alzheimer?
  2. Porque é possível prevenir parte dos casos?
  3. Os principais fatores de risco modificáveis
  4. As estratégias com maior evidência científica
  5. Suplementos: quais podem ajudar?
  6. O que ainda não sabemos?
  7. Conclusão
Prevenir Alzheimer infografia
Prevenir Alzheimer infografia

O que é a Doença de Alzheimer?

A Doença de Alzheimer é uma doença neurodegenerativa progressiva caracterizada pela destruição gradual das ligações entre neurónios e pela perda de células nervosas.³

As alterações começam frequentemente 15 a 20 anos antes dos primeiros sintomas. Durante este período silencioso acumulam-se proteínas anormais, como a beta-amiloide e a proteína tau, desencadeando inflamação, stress oxidativo e morte neuronal.⁴

Tabela 1 – Envelhecimento normal versus Alzheimer

CaracterísticaEnvelhecimento normalAlzheimer
Esquecimentos ocasionaisSimFrequentes
AutonomiaMantidaProgressivamente reduzida
OrientaçãoNormalPode perder-se
LinguagemPreservadaProgressivamente afetada

Porque é possível prevenir parte dos casos?

A investigação das últimas décadas demonstrou que o cérebro mantém uma extraordinária capacidade de adaptação ao longo da vida, fenómeno conhecido por neuroplasticidade.⁵

Sempre que praticamos exercício físico, aprendemos algo novo, dormimos adequadamente ou controlamos fatores cardiovasculares, favorecemos mecanismos que protegem os neurónios e aumentam a chamada reserva cognitiva, tornando o cérebro mais resistente ao envelhecimento.⁶

Segundo a Lancet Commission, a prevenção deve começar muito antes da idade da reforma e manter-se ao longo de toda a vida.²

Fatores de risco modificáveis

Diversos fatores aumentam significativamente o risco de desenvolver demência, mas muitos podem ser controlados.

Tabela 2 – Principais fatores modificáveis

FatorImpactoEvidência
Hipertensão arterialMuito elevadoForte²
DiabetesElevadoForte⁷
ObesidadeModeradoForte²
TabagismoElevadoForte²
SedentarismoElevadoForte⁸
Perda auditivaElevadoForte²
Isolamento socialModeradoForte²
Sono insuficienteModeradoCrescente⁹

Estratégias com maior evidência científica

1. Controlar a pressão arterial

A hipertensão é um dos fatores que mais contribui para lesões dos pequenos vasos cerebrais e aceleração do declínio cognitivo. O controlo rigoroso da tensão arterial reduz significativamente o risco de demência.¹⁰


2. Praticar exercício físico

O exercício é provavelmente a intervenção não farmacológica com maior benefício global.

Combinar:

  • caminhada rápida;
  • bicicleta;
  • natação;
  • treino de força duas vezes por semana.

Estas atividades aumentam o fluxo sanguíneo cerebral, estimulam a produção de BDNF (Brain-Derived Neurotrophic Factor) e favorecem a formação de novas ligações neuronais.⁸


Tabela 3 – Benefícios do exercício

TipoFrequênciaBenefício
Caminhada rápida150 min/semanaMelhor memória
Treino de força2-3 vezes/semanaProteção cerebral
Exercícios de equilíbrioRegularMenor risco de quedas

3. Seguir uma alimentação saudável

A dieta mediterrânica e, sobretudo, a dieta MIND, apresentam atualmente a evidência mais consistente na redução do risco de declínio cognitivo.¹¹

Privilegiam:

  • legumes;
  • frutas vermelhas;
  • azeite virgem extra;
  • frutos secos;
  • peixe;
  • cereais integrais.

Reduzem:

  • carnes processadas;
  • fritos;
  • manteiga;
  • doces;
  • alimentos ultraprocessados.

Tabela 4 – Alimentos protetores

Consumir maisLimitar
AzeiteManteiga
Frutos vermelhosDoces
PeixeCarnes processadas
LeguminosasFast-food
Frutos secosRefrigerantes

4. Dormir bem

Durante o sono profundo ocorre a ativação do sistema glinfático, responsável pela eliminação de proteínas potencialmente tóxicas, incluindo beta-amiloide.⁹

Dormir regularmente entre 7 e 9 horas parece associar-se a menor risco de declínio cognitivo.


5. Manter o cérebro ativo

Aprender novas competências, tocar um instrumento musical, ler, resolver problemas ou aprender uma língua estrangeira aumenta a reserva cognitiva.¹²

Quanto maior for essa reserva, maior tende a ser a resistência aos efeitos das alterações cerebrais.


6. Cultivar relações sociais

A interação social reduz a solidão, diminui sintomas depressivos e estimula múltiplas áreas cerebrais simultaneamente. O isolamento social está atualmente reconhecido como um importante fator de risco para demência.²


Suplementos: quais podem ajudar?

Até ao momento, nenhum suplemento demonstrou prevenir de forma consistente a Doença de Alzheimer em pessoas saudáveis.

Tabela 5 – Evidência científica dos suplementos

SuplementoEvidência atual
Ómega-3Moderada apenas em alguns grupos¹³
Vitamina DApenas em défice comprovado¹⁴
Vitaminas BÚteis quando existe deficiência¹⁵
CurcuminaEvidência insuficiente¹⁶
Ginkgo bilobaNão recomendado¹⁷

A prioridade deve continuar a ser um estilo de vida saudável.


O que ainda não sabemos?

Apesar dos enormes avanços científicos, permanecem várias questões por responder.

Ainda não existe uma estratégia capaz de impedir totalmente o aparecimento da doença.

Também não sabemos exatamente qual a combinação ideal de intervenções nem porque algumas pessoas geneticamente predispostas nunca desenvolvem demência.

A investigação continua intensa, incluindo novas terapêuticas dirigidas às proteínas beta-amiloide e tau, biomarcadores sanguíneos para diagnóstico precoce e abordagens de medicina personalizada.¹⁸


Conclusão

Embora o envelhecimento continue a ser o principal fator de risco para a Doença de Alzheimer, a evidência científica atual demonstra claramente que uma parte importante do risco pode ser reduzida através de hábitos de vida saudáveis. O controlo dos fatores cardiovasculares, a prática regular de exercício físico, uma alimentação equilibrada, um sono reparador e a estimulação cognitiva constituem hoje os pilares fundamentais da prevenção.

Não existe uma solução única nem um suplemento milagroso. A verdadeira proteção do cérebro resulta da combinação consistente de pequenas decisões diárias, iniciadas o mais precocemente possível e mantidas ao longo da vida.

Mensagens-chave

  • O Alzheimer não é uma consequência inevitável do envelhecimento.
  • Cerca de 45% dos casos poderão estar associados a fatores modificáveis.²
  • Controlar a hipertensão é uma das medidas mais importantes.
  • A dieta MIND apresenta forte suporte científico.
  • O exercício físico regular protege o cérebro.
  • Dormir bem favorece a eliminação de proteínas tóxicas.
  • A estimulação intelectual aumenta a reserva cognitiva.
  • A vida social ativa reduz o risco de demência.
  • Não existem suplementos com eficácia comprovada para prevenir Alzheimer na população geral.
  • Quanto mais cedo começar a cuidar da saúde cerebral, maior será o potencial benefício.

Bibliografia

  1. World Health Organization. Dementia. https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/dementia
  2. Livingston G, Huntley J, Sommerlad A, et al. Dementia prevention, intervention, and care: 2024 report of the Lancet standing Commission. Lancet. 2024. https://www.thelancet.com
  3. Alzheimer’s Association. 2025 Alzheimer’s Disease Facts and Figures. Alzheimers Dement. https://alz-journals.onlinelibrary.wiley.com
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  14. Endocrine Society. Vitamin D Guideline. https://www.endocrine.org
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  18. National Institute on Aging. Alzheimer’s Disease Research Updates. https://www.nia.nih.gov

Creatina suplementação segurança e evidência científica

A creatina monohidratada é um dos suplementos nutricionais mais estudados na literatura científica e é amplamente utilizada para melhorar a performance física, aumentar a massa magra e, mais recentemente, para potenciais efeitos neuroprotectores e terapêuticos em populações específicas. A evidência acumulada indica benefícios consistentes em força e potência quando a suplementação é combinada com treino de resistência, assim como sinais promissores em domínio cognitivo e na preservação da massa muscular em idosos. As preocupações mais frequentes — nomeadamente efeitos renais — têm sido amplamente investigadas, com a maioria dos estudos mostrando segurança em indivíduos saudáveis quando usadas doses recomendadas. [1–6]

Índice

  • Definição e mecanismo de ação
  • Formas de creatina e qualidade do produto
  • Evidência de eficácia
    – Performance desportiva (força e potência)
    – Massa muscular e composição corporal
    – Idosos e sarcopenia
    – Cognição e neuroproteção
    – Outras aplicações clínicas (neurodegenerativas, depressão, recuperação)
  • Segurança e efeitos adversos
    – Função renal e interpretação da creatinina sérica
    – Gastrointestinal, retenção hídrica e outros efeitos
    – Interações medicamentosas e populações especiais
  • Como saber se necessito de tomar creatina
  • Como medir o meu nível de creatina
  • Protocolos de dose e administração
  • Recomendações práticas para profissionais de saúde e para o público
  • Quais as marcas mais confiáveis de creatina
  • Conclusão por tópicos
  • Bibliografia
Creatina infografia suplementação e evidência científica
Creatina infografia suplementação e evidência científica
As cinco grandes mentiras sobre saúde
As cinco grandes mentiras sobre saúde

Definição e mecanismo de ação

A creatina (principalmente na forma de creatina monohidratada) é um composto endógeno sintetizado no fígado, rins e pâncreas a partir de aminoácidos (argina, glicina e metionina). Nos músculos esqueléticos converte-se em fosfocreatina (PCr), que funciona como um reservatório de fosfatos de alta energia para a rápida ressíntese de ATP durante exercícios de curta duração e alta intensidade. O aumento das reservas intramusculares de creatina/PCr explica os ganhos em força e potência. [1,2]

Formas de creatina e qualidade do produto

A forma mais estudada e recomendada é a creatina monohidratada pela melhor relação custo/benefício e robustez dos dados. Outras formas (creatina etil éster, creatina HCl, creatina micronizada) têm evidência limitada comparativamente e raramente demonstraram superioridade clínica. A escolha deve privilegiar produtos com certificação de terceiros (por ex. Informed-Sport, NSF) para garantir pureza e ausência de contaminantes. [1]


Evidência de eficácia

– Performance desportiva (força e potência)

Meta-análises e a posição da International Society of Sports Nutrition (ISSN) sustentam que a creatina aumenta de forma consistente a força muscular, a capacidade de realizar repetições com cargas máximas e a potência em exercícios anaeróbios. A estratégia de carregamento acelera a saturação intramuscular e os ganhos iniciais, enquanto protocolos sem carregamento também são eficazes a médio prazo. [1,10]

– Massa muscular e composição corporal

A suplementação, sobretudo combinada com treino de resistência, aumenta massa magra e reduz a perda de massa muscular em comparação com placebo. Parte do ganho inicial de massa é devido à retenção de água intracelular, mas ganhos de massa magra a longo prazo estão bem documentados. [1,4]

– Idosos e sarcopenia

Estudos e revisões recentes mostram benefícios na força e função física em idosos, particularmente quando a suplementação é combinada com treino de resistência — sugerindo utilidade clínica para prevenção e tratamento da sarcopenia. Doses de manutenção de 3–5 g/dia ou 0,1 g/kg/dia são frequentemente utilizadas em ensaios clínicos. [4,14]

– Cognição e neuroproteção

Evidência emergente (ensaios clínicos e revisões até 2024) mostra que a creatina pode melhorar aspetos da cognição, nomeadamente memória de curto prazo e processamento de informação, especialmente em condições de stress (privação de sono) e em populações com baixos níveis basais (vegetarianos, idosos). Resultados são promissores mas requerem estudos maiores e mais prolongados. [3,15]

– Outras aplicações clínicas

Estudos iniciais investigam a utilidade da creatina em doenças neuromusculares, depressão e recuperação pós-trauma, com resultados heterogéneos; a evidência não é ainda uniforme para recomendações de rotina nestas áreas. [1,3]


Creatinina como resíduo da creatina

O que é:
A creatinina é um resíduo metabólico.
É formada naturalmente quando os músculos usam creatina.
Depois de formada, é eliminada pelos rins.

Para que serve (no organismo):
Não tem utilidade direta no corpo; é simplesmente um produto final do metabolismo muscular.

Para que serve nos exames de saúde:
É uma das melhores formas de avaliar:

  • Função renal
  • Estado de hidratação
  • Massa muscular (indiretamente)

Quando a creatinina está alta no sangue, significa que os rins podem não estar a filtrar bem.

Tomar creatina aumenta a creatinina?

Sim, pode subir ligeiramente, mas isso é esperado e não significa doença renal.
A subida é porque mais creatina → mais metabolização → mais creatinina.
Os rins saudáveis eliminam-na sem problema.


Segurança e efeitos adversos

– Função renal e interpretação da creatinina sérica

A suplementação com creatina aumenta habitualmente a creatinina sérica de forma modesta e transitória porque a creatinina é o produto de degradação da creatina. Revisões e metanálises recentes (até 2025) indicam que, em indivíduos saudáveis, não há evidência consistente de perda de função renal (TFG) associada ao uso de creatina em doses recomendadas; contudo, existe um aumento pequeno e previsível na creatinina sérica que pode confundir a avaliação da TFG baseada em creatinina[6,11]. Em indivíduos com doença renal pré-existente, a suplementação deve ser evitada ou acompanhada por avaliação e monitorização médica. [6,11,12]

Prática clínica: se necessário avaliar função renal enquanto o doente toma creatina, considerar marcadores alternativos (ex.: cistatina C) ou interpretar a creatinina sabendo do efeito da suplementação. [6,11]

– Gastrointestinal, retenção hídrica e outros efeitos

Efeitos adversos mais comuns: desconforto gastrointestinal durante fases de carregamento (náusea, diarreia), aumento de peso por retenção hídrica intracelular e, raramente, cãibras musculares. Estes efeitos são habitualmente leves e dependentes da dose; a manutenção de 3–5 g/dia tende a minimizar estes problemas. [1,4,16]

– Interações medicamentosas e populações especiais

Insuficiência renal, gravidez, amamentação e uso concomitante de fármacos nefrotóxicos exigem avaliação individualizada e, em muitos casos, contraindicação. Crianças e adolescentes: existe alguma evidência em contextos clínicos e desportivos, mas a suplementação deve ser considerada caso a caso e preferencialmente com supervisão clínica. [1,16]


Protocolos de dose e administração

Protocolos comuns

  • Carregamento clássico: 20 g/dia (4 × 5 g) durante 5–7 dias seguido de manutenção 3–5 g/dia. Permite atingir saturação intramuscular em ~5–7 dias. [1,10]
  • Sem carregamento: 3–5 g/dia desde o início; atinge saturação semelhante em 3–4 semanas. [1,10]
  • Dose por peso: 0,1 g/kg/dia é frequentemente usada em idosos e em alguns ensaios clínicos. [4]

Obs.: O carregamento acelera os efeitos iniciais, mas não altera os benefícios a longo prazo comparando com doses diárias constantes.

Recomendações práticas

  • Preferir creatina monohidratada de fornecedores certificados. [1]
  • Dose de manutenção habitual: 3–5 g/dia. Carregamento opcional para acelerar resultados (20 g/dia por 5–7 dias). [1,10]
  • Orientar sobre hidratação adequada e reforçar que o ganho de massa inicial pode ser devido a retenção hídrica. [1]
  • Evitar suplementação em doentes com insuficiência renal conhecida sem supervisão médica; se iniciada, monitorizar creatinina e TFGe, e considerar cistatina C para avaliação complementar. [6,11]
  • Informar atletas e consumidores que a elevação ligeira da creatinina sérica é esperada e não significa automaticamente doença renal em indivíduos saudáveis. [6,11]
  • Em idosos, integrar suplementação com programa de treino resistido para maximizar benefícios. [4]

Como saber se necessitamos de suplementar?

Embora não exista um exame clínico directo que determine a necessidade de suplementação, a evidência científica permite identificar grupos e condições em que a suplementação é mais benéfica. A avaliação deve integrar idade, nível de actividade física, objectivos clínicos ou desportivos, e dieta habitual.

– Populações que mais beneficiam

As seguintes populações apresentam maior probabilidade de obter ganhos significativos:

  • Atletas e praticantes de treino resistido
    Aumento consistente da força, potência e capacidade de realizar séries adicionais [1,10].
  • Indivíduos acima dos 40–50 anos
    A reserva muscular de creatina diminui com a idade, contribuindo para sarcopenia; a suplementação melhora força, performance funcional e massa magra quando combinada com treino [4].
  • Vegetarianos e vegans
    Possuem níveis basais mais baixos devido à ausência de carne/peixe na dieta, respondendo mais rapidamente e com maior magnitude à suplementação [1].
  • Pessoas com funções cognitivas sob stress
    Estudos indicam benefícios na memória e velocidade de processamento em privação de sono ou tarefas exigentes [3,15].
  • Indivíduos com dificuldade em ganhar massa muscular
    A creatina aumenta o volume de treino total, facilitando hipertrofia.

– Sinais práticos que indicam benefício potencial

  • Estagnação da força ou potência apesar de treino adequado
  • Recuperação lenta entre sessões
  • Fadiga cognitiva acentuada durante turnos longos
  • Perda de massa muscular relacionada com idade
  • Dietas muito restritivas (ex.: hipocalóricas prolongadas)

Como medir produção e reservas de creatina?

– Ausência de exames clínicos diretos

Não existe exame de sangue ou urina que permita medir directamente:

  • produção endógena de creatina
  • reserva intramuscular de creatina

Isto porque cerca de 95% da creatina está armazenada no músculo, não circulando de forma mensurável no sangue.

– Métodos utilizados em investigação

Dois métodos, não acessíveis clinicamente, permitem medir diretamente creatina intramuscular, mas são restritos a centros académicos:

  1. Biópsia muscular
    Mede creatina total, fosfocreatina e ATP muscular.
    É invasiva; não usada clinicamente.
  2. Espectroscopia por Ressonância Magnética (31P-MRS)
    Quantifica fosfocreatina e a recuperação aláctica pós-esforço.
    Custo elevado e indisponível em prática clínica de rotina.

– Exames indiretos úteis em prática clínica

Apesar de não medirem creatina directamente, alguns exames ajudam na decisão de suplementar e seguimento da segurança:

  • Creatinina sérica e TFGe → Avaliação da função renal antes de iniciar suplementação (para excluir doença renal não diagnosticada) [6,11].
  • Cistatina C → Pode ser usada como marcador mais preciso da TFGe em utilizadores de creatina (evita interferência da creatinina) [6].
  • Avaliação de massa magra (bioimpedância) → Avalia se existe baixa reserva muscular.
  • Avaliação dietética → Consumo insuficiente de carne/peixe sugere reservas basais mais baixas.

Avaliação da função renal

A avaliação da segurança da suplementação com creatina exige a interpretação correcta dos marcadores renais. É essencial distinguir entre alterações laboratoriais verdadeiras, que indicam disfunção renal, e alterações falsas, provocadas por massa muscular elevada ou suplementação.

– TFGe Taxa de Filtração Glomerular estimada

A TFGe é o indicador clínico mais utilizado para avaliar a função renal. Representa a quantidade de sangue que os rins filtram por minuto, ajustada à superfície corporal (mL/min/1,73m²). É calculada a partir de equações matemáticas que utilizam:

  • Creatinina sérica
  • Idade
  • Sexo

Actualmente, as fórmulas mais utilizadas são CKD-EPI 2021 e MDRD, sem correcção por etnia.

O que mede clinicamente?

A TFGe mede a eficácia global da filtração glomerular:

TFGe (mL/min/1,73 m²)Interpretação clínica
≥ 90Normal (se não houver outra evidência de doença renal)
60–89Ligeira diminuição; comum com envelhecimento
30–59Doença renal moderada
15–29Doença renal grave
< 15Insuficiência renal muito grave (estádio final)

Limitação mais importante da TFGe

Como depende da creatinina, tudo o que aumenta a creatinina sérica (como alta massa muscular ou suplementação com creatina) pode levar a uma subestimação falsa da TFGe, criando a ilusão de doença renal quando os rins estão normais.


– Creatinina sérica, o que realmente significa

A creatinina, tal como já anteriormente referido neste artigo, é um subproduto do metabolismo muscular e é excretada pelos rins. É amplamente usada como marcador de função renal, mas tem limitações sérias:

  • Sobe com muita massa muscular
  • Sobe em quem consome muita carne
  • Sobe em quem faz suplementação com creatina
  • Diminui na sarcopenia, dando falsa sensação de TFGe normal

Ou seja, a creatinina é um marcador bom, mas imperfeito.

Por isso, não deve ser interpretada isoladamente em quem toma creatina.


– Cistatina C marcador mais fiável da função renal

A Cistatina C é uma proteína produzida continuamente pelas células do organismo e filtrada pelos rins de forma muito constante.

Ao contrário da creatinina, não é influenciada por:

  • massa muscular
  • exercício
  • dieta
  • suplementação com creatina
  • sexo
  • ingestão proteica

Vantagens clínicas da Cistatina C

  • Detecta alterações renais com maior precisão
  • Não cria falsos positivos em atletas ou utilizadores de creatina
  • Permite calcular uma TFGe mais exacta (CKD-EPI Cistatina C)
  • É o marcador preferido quando a creatinina é difícil de interpretar

Quando pedir Cistatina C?

  1. Utilizadores de creatina com suposta “creatinina alta”
  2. Atletas com muita massa muscular
  3. Idosos com pouca massa muscular (creatinina pode mascarar doença renal)
  4. Quando a TFGe parece incompatível com o quadro clínico

Tabela comparativa

ParâmetroO que mede?Influenciado por creatina?VantagensLimitações
Creatinina séricaSubproduto muscular; usada para estimar TFGe✔ SimFácil e barataAumenta com músculo e suplementos; falsos positivos
TFGe (CKD-EPI)Capacidade global de filtração renal✔ Sim (indirectamente)Indicador clínico padrãoPode subestimar função em atletas ou suplementados
Cistatina CMarcador puro de filtração glomerular✘ NãoMais precisa; não depende de músculoMenos disponível; ligeiramente mais cara
TFGe baseada em Cistatina CEstimativa real da função renal✘ NãoA mais fiável de todasNão disponível em todos os laboratórios

– Como interpretar exames renais em quem toma creatina

Se a creatinina subir ligeiramente:

✔ É o esperado
✔ Não indica dano renal
✔ Confirmar com Cistatina C (quase sempre normal)

Se a cistatina C estiver normal:

Função renal normal, independentemente da creatinina.

Se a cistatina C estiver elevada:

➡ Aí sim, existe motivo para investigação renal.


Resumo sobre aferir função renal

  • A creatina pode elevar a creatinina sem prejudicar os rins.
  • A TFGe baseada em creatinina pode ficar artificialmente baixa.
  • Cistatina C é o marcador preferido para utilizadores de creatina e atletas.
  • Se TFGe baixa + Cistatina C normal → rins saudáveis.
  • Se TFGe baixa + Cistatina C elevada → investigar patologia renal verdadeira.

Critérios práticos para decidir suplementação (baseados em evidência científica)

– Recomenda-se suplementar quando:

  • Objectivo é aumentar força ou massa muscular
  • Praticante realiza treino de resistência 2–3 vezes/semana ou superior
  • Idade > 40–50 anos com perda de massa muscular associada
  • Dieta pobre em creatina (vegetarianos/vegans)
  • Turnos exigentes, privação parcial de sono ou queixas de fadiga cognitiva
  • Reabilitação muscular pós-lesão

– Avaliação antes de iniciar

  • Função renal basal (TFGe)
  • História de doença renal ou medicamentos nefrotóxicos
  • Hidratação habitual
  • Objectivos do utente

– Interpretação da creatinina quando se usa creatina

  • A creatina pode aumentar ligeiramente a creatinina sérica sem redução da função renal real.
  • Em caso de dúvida: pedir cistatina C para confirmar função renal.

Critérios objetivos de decisão

CritérioIndicador de benefícioDeve suplementar?
Treino resistido 3–5x/semanaAumenta força e recuperaçãoSim
Idade > 50 anosPrevine perda muscularSim
Dieta vegetariana/veganBaixa creatina basalSim
Fadiga cognitivaPode melhorar desempenhoPossivelmente
Doença renalRisco potencialNão, excepto com supervisão
Atleta de enduranceBenefício moderadoOpcional
Dificuldade em ganhar massaAumenta volume de treinoSim

Como avaliar a fiabilidade de uma marca de creatina

Antes de olhares para a marca, convém ter em conta estes critérios para garantir qualidade e segurança:

  • Matéria-prima: ideal que seja creatina monohidratada pura, preferencialmente certificada como Creapure (uma forma patenteada com elevada pureza).
  • Certificações de análise ou testes de terceiros (third-party testing), certificação anti-doping (se for para atletas), rótulo que corresponde à composição real.
  • Marca com boa reputação, transparência na rotulagem, composição simples (evitar “blends” complexos onde a dose de creatina não seja clara).
  • Distribuição legal em Portugal, com boas práticas de fabrico (GMP), e preferencialmente com rótulo em português ou europeu.
  • Boa logística/armazenagem (humidade, selagem), e apoio técnico ou disponibilidade de ficheiro de segurança/informação ao consumidor.

Também convém salientar que suplementos não são tão regulados como medicamentos, o que torna a escolha criteriosa ainda mais importante — alguns estudos ou notícias recentes mostram casos de produtos que não contêm a dose declarada ou contêm impurezas. WIRED


Marcas de creatina comuns em Portugal

Com base em lojas e plataformas portuguesas:

  • A marca nacional Prozis aparece com frequência no mercado português de suplementos. Wikipedia
  • Em retalho online em Portugal, aparecem marcas estrangeiras + linhas “private-label” ou menos conhecidas que oferecem creatina monohidratada (ex: em lojas como Worten, HSN, Decathlon). Por exemplo, a loja HSN em Portugal comenta “raw material creatine option” em creatina monohidratada. hsnstore.pt
  • Exemplos de marcas mais premium ou de nicho: GoldNutrition com creatina “CreapureT” disponível em Portugal. Celeiro
  • Outro exemplo: Thorne (marca internacional) com creatina “NSF certified” disponível online para Portugal. Viva Saudável

As mais fiáveis em termos de qualidade

Com base nos critérios supra, as marcas que:

  • Usam Creapure ou material certificado de elevada pureza
  • Apresentam certificações ou testes de terceiros
  • Têm reputação e disponibilidade no mercado português / europeu

Por exemplo:

  • GoldNutrition (CreapureT)
  • Thorne (NSF Certified)
  • Marcas que declaram explicitamente “creatina monohidratada pura” e preferência por produto simples.

Guia de marcas em Portugal

ProzisMarca portuguesa muito presente online. Exemplos: “Creatina Mono-Hidratada 300 g” no website da Prozis. prozis.comAutoprodução portuguesa, facilidade de rastreabilidade. Verificar se indica matéria-prima (ex: Creapure®)Boa opção para custo-benefício; avaliar sempre lote e certificado.
Optimum NutritionFrequentemente referida como uma das marcas “premium” no mercado português. Cantinho Do EmpregoMarca internacional com reputação forte; muitos utilizadores confiam na purezaIdeal para quem exige “marca de referência”; comunicar ao utente que verifique selos de qualidade.
MyproteinTambém presente online em Portugal; destacada em guias de “melhores marcas de creatina”. O melhor de PortugalBoa variedade; algumas opções com “micronizada” ou “HCL”Bom para orçamento moderado; importante confirmar se é monohidratada pura (versão padrão).
Scitec NutritionMarca europeia com presença forte em Portugal; mencionada em guias de mercado. O melhor de PortugalProdução europeia, boa reputaçãoPode ser opção de intermediação entre “budget” e “premium”.
GoldNutritionDisponível em retalho português/farmácias; exemplo citado no website Decathlon em Portugal. DecathlonMarca europeia-farmácia, boas práticasIdeal para aconselhamento em farmácia comunitária para público mais generalista.

Cuidados e ressalvas

  • Mesmo marcas “populares” não garantem automaticamente qualidade: verificar lote, análise, certificação.
  • Focar apenas “marca mais usada” não substitui a verificação — uso profissional exige due-diligence.
  • Verificar interações, condição renal, e dose adequada no contexto clínico (como já discutimos).
  • Importar de fora ou comprar online deve garantir boa logística e selo legal para Portugal / UE.

Conclusão final sobre uso de creatina

  • Creatina monohidratada é eficaz para melhorar força, potência e ganhar massa magra, com evidência robusta. [1]
  • Protocolos de carregamento aceleram a saturação; protocoloss sem carregamento são igualmente eficazes a médio/longo prazo. [10]
  • Evidência promissora de benefícios cognitivos e em populações idosas, mas são necessários ensaios maiores e de longa duração para recomendações gerais nestas áreas. [3,15]
  • A creatina aumenta modestamente a creatinina sérica; em indivíduos saudáveis, não há evidência consistente de dano renal associado às doses recomendadas. Em doentes renais, a suplementação exige cuidado. [6,11,12]
  • Recomendações práticas: creatina monohidratada certificada; 3–5 g/dia para manutenção; acompanhamento médico em populações de risco. [1,4,6]

Bibliografia

Os documentos estão listados por ordem numérica de aparecimento no texto.

  1. Kreider RB, Kalman DS, Antonio J, Ziegenfuss T, Wildman R, Collins R, et al. International Society of Sports Nutrition position stand: safety and efficacy of creatine supplementation in exercise, sport, and medicine. J Int Soc Sports Nutr. 2017 Jun 13;14:18. doi:10.1186/s12970-017-0173-z. International Society of Sports Nutrition position stand: safety and efficacy of creatine supplementation in exercise, sport, and medicine – PubMed
  2. Antonio J, Aragon AA, Silver T, et al. Common questions and misconceptions about creatine supplementation — PubMed Central. Nutrients. 2021; (review available at PMC). Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC7871530/ (acesso em 23 Nov 2025).
  3. Xu C, et al. The effects of creatine supplementation on cognitive function: a systematic review and meta-analysis. Front Nutr. 2024; (article). Disponível em: https://www.frontiersin.org/articles/10.3389/fnut.2024.1424972/full (acesso em 23 Nov 2025).
  4. Candow DG, et al. Does one dose of creatine supplementation fit all? Reviews and recommendations for older adults and special populations. J Exerc Sci Fit. 2024; (review). Impact of creatine supplementation and exercise training in older adults: a systematic review and meta-analysis
  5. Gordji-Nejad A, et al. Single dose creatine improves cognitive performance and brain energy metabolism during sleep deprivation. Sci Rep. 2024; (article). doi:10.1038/s41598-024-54249-9. Single dose creatine improves cognitive performance and induces changes in cerebral high energy phosphates during sleep deprivation | Scientific Reports
  6. Naeini EK, et al. Effect of creatine supplementation on kidney function: systematic review and meta-analysis. BMC Nephrol. 2025; (article). Disponível em: https://bmcnephrol.biomedcentral.com/articles/10.1186/s12882-025-04558-6 (acesso em 23 Nov 2025).
  7. Harvard Health Publishing. What is creatine? Potential benefits and risks of this popular supplement. Harvard Health. 2024 Mar 20. Disponível em: https://www.health.harvard.edu/exercise-and-fitness/what-is-creatine-potential-benefits-and-risks-of-this-popular-supplement (acesso em 23 Nov 2025).
  8. Ribeiro AGSV, et al. Effects of creatine supplementation on renal function: systematic review and meta-analysis. J Ren Nutr. 2019;29(6):480-9. (PDF disponível em repositórios académicos).
  9. Candow DG, et al. Creatine monohydrate supplementation for older adults: evidence and recommendations. J Strength Cond Res. 2025; (article).
  10. Candow DG, et al. Impact of creatine supplementation and exercise training in older adults: dose and protocol considerations. Sports Med Rev. 2024; (review).

Microplásticos no cérebro o que diz a ciência e como reduzir a exposição

Os microplásticos  já foram encontrados nos  locais mais remotos do nosso planeta tais como na neve próxima ao pico do Everest, o ponto mais alto da terra, assim como em amostras de água da Fossa das Marianas, o local mais profundo do oceano. No corpo humano é encontrado em qualquer local que seja procurado, por exemplo,  na placenta, no leite materno, na corrente sanguínea, no coração e nos pulmões. 

Um estudo publicado no periódico JAMA Network Open mostrou que as micropartículas de plástico podem ser encontradas também no cérebro

A poluição por microplásticos emergiu como uma preocupação ambiental e de saúde pública global. Estas partículas minúsculas, resultantes da degradação de materiais plásticos, estão presentes em diversos ambientes e podem entrar no corpo humano através da ingestão de alimentos, inalação de ar contaminado e contacto com produtos que contêm microplásticos. Estudos recentes indicam que os microplásticos podem acumular-se em órgãos vitais, como o coração e o cérebro, levantando preocupações sobre os seus potenciais efeitos adversos na saúde humana. 

Neste artigo vou tratar os seguintes temas:

  • Microplástticos o que são?
  • Causas e fontes de exposição
  • Impactos na saúde humana
  • Microplásticos no sangue, coração, pulmões, cérebro, intestinos, placenta, leite materno, etc
  • Inflamação e stress oxidativo
  • Agentes patogénicos e infeções
  • Disfunção da microbiota intestinal
  • Transporte de substâncias tóxicas
  • Microplásticos mais comuns
  • Estratégias de segurança e mitigação
  • Água de beber, qual o melhor filtro?
  • Métodos de filtração mais eficazes
Microplásticos infografia
Microplásticos infografia

Um artigo publicado na Nature Medicine por Nihart et al. descobriu que o cérebro humano contém aproximadamente uma colher de microplásticos e nanoplásticos (MNPs), com níveis 3 a 5 vezes maiores naqueles com uma coorte de cérebros falecidos com diagnóstico documentado de demência (com deposição notável nas paredes cerebrovasculares e células imunológicas). Particularmente, descobriu-se que os tecidos cerebrais têm quantidades 7 a 30 vezes maiores de MNPs do que outros órgãos, como fígado ou rim. Também digno de nota, os microplásticos no cérebro eram de tamanho menor (<200 nm) e na maioria das vezes polietileno. Embora a concentração de MNP não tenha sido influenciada por fatores como idade, sexo, raça ou causa da morte, houve um aumento preocupante de 50% na concentração de MNP com base no tempo de morte (2016 versus 2024).

Estas evidências alinham-se com o aumento exponencial observado nas concentrações ambientais de MNP no último meio século. Particularmente, estima-se que, anualmente, existam 10 a 40 milhões de toneladas de emissões de microplásticos para o meio ambiente, com a previsão de dobrar esse número até 2040. O vento e a água podem redistribuir microplásticos e, desde então, foram relatados em diversos locais, desde os sedimentos do fundo do mar até às montanhas mais altas. Os microplásticos são difundidos nos alimentos que comemos, na água que bebemos e no ar que respiramos. Os seres humanos são expostos a MNPs por várias vias, mas o impacto em vários sistemas de órgãos não é totalmente compreendido.

Microplásticos o que são?

Várias definições são encontradas para o termo microplástico, de acordo com a faixa de tamanho das partículas, sendo a mais utilizada a que se refere a esses materiais como partículas de polímeros orgánicos sintéticos com tamanho inferior a 5 mm. Essa definição foi proposta em 2009 pela National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA) e, desde então, a maioria das publicações tem a adotado como referência. 

Após um pouco mais de uma década, em 2020, foi publicada a norma intitulada “Plastics – Environmental Aspects – State of Knowledge and Methodologies” (ISO/TR 21960:2020), em que o termo microplástico é definido como qualquer partícula plástica sólida insolúvel em água com dimensões entre 1 µm e 1000 µm. A norma também define o termo “large microplastic” (microplástico grande, em tradução livre), para a faixa de tamanho de 1 a 5 mm.

De modo geral, os microplásticos são definidos como partículas de plástico com menos de 5 mm de diâmetro. Podem ser classificados em primários, quando produzidos intencionalmente para uso em produtos como cosméticos e produtos de higiene pessoal, ou secundários, resultantes da degradação de objetos plásticos maiores no ambiente. Devido ao seu tamanho diminuto, os microplásticos podem ser facilmente ingeridos ou inalados, levando à sua acumulação no organismo humano.

Journal of Hazardous Materials


Causas e fontes de exposição

A exposição humana aos microplásticos ocorre através de várias fontes como alimentos, água, ar contaminado e uso de produtos contendo microplásticos.

Ingestão de alimentos e água

Os microplásticos foram detectados em diversos alimentos, incluindo frutos do mar, sal e água potável. Estima-se que um adulto possa ingerir milhares de partículas de microplástico por ano através da dieta.

Beber água engarrafada introduz milhares de microplásticos no nosso organismo. Segundo Sherri Mason, investigadora da Universidade de Gannon, na Pensilvânia, especialista em poluição por plásticos, descreve a água engarrafada como a maior via de exposição aos microplásticos.

Investigadores descobriram que em média, uma garrafa de água de plástico tem 240.000 partículas de plástico, medindo uma fração da largura de um cabelo humano.

Trocar para água da torneira diminui o risco de ingestão de microplásticos (a água da torneira também contém microplásticos, mas numa quantidade significativamente menor que a água engarrafada em plástico).

No entanto, ferver e filtrar a água pode remover até 90% das partículas de plástico, mas os especialistas alertam para o facto de poder também aumentar a libertação de substâncias químicas tóxicas para a água.

Inalação de ar contaminado

Partículas de microplástico presentes no ar podem ser inaladas, especialmente em ambientes urbanos e industriais. Um estudo estimou que um adulto pode inalar até 170 partículas de microplástico diariamente, embora os efeitos na saúde respiratória ainda não sejam totalmente compreendidos.
Scielo – Microplásticos: Ocorrência ambiental e desafios analíticos

Uso de produtos contendo microplásticos

Produtos de uso diário, como certos cosméticos, pastas de dentes e produtos de limpeza, podem conter microplásticos que entram em contacto direto com o corpo humano. Além disso, o uso de máscaras faciais descartáveis durante a pandemia de COVID-19 levantou preocupações sobre a inalação de microplásticos libertados por estas máscaras.
Cornell University – Disposable face masks: a direct source for inhalation of microplastics


Microplásticos e impactos na saúde humana

A presença de microplásticos no organismo humano pode ter vários efeitos adversos como inflamação, stress oxidativo, disfunção da microbiota intestinal e transporte de substâncias tóxicas.

Sangue e placenta

Em janeiro de 2021, cientistas italianos da Universidade Politécnica de Marche, em Ancona, relataram na Environment International a presença de microplásticos na placenta de mulheres grávidas. Apesar de reconhecerem que os efeitos eram desconhecidos, os cientistas alertaram para o risco de malformação dos fetos, que ainda precisavam ser mais bem estudados. 

Estudo: Plasticenta: First evidence of microplastics in human placenta

Em maio de 2022, pesquisadores da Universidade Vrije, em Amsterdão, nos Países Baixos, revelaram que 77% dos doadores de sangue do país carregavam grande número de partículas plásticas no sangue.

Estudo: Discovery and quantification of plastic particle pollution in human blood

Coração

Um estudo divulgado na revista científica Environmental Science & Technology, descreve que uma equipa médica do Hospital Anzhen, de Pequim, encontrou pela primeira vez microplásticos em corações humanos. Ao avaliar o músculo cardíaco de 15 pacientes que seriam submetidos a uma intervenção cirúrgica, os médicos encontraram nove diferentes tipos de plástico em cinco tecidos cardíacos distintos.

Estudo: Detection of Various Microplastics in Patients Undergoing Cardiac Surgery

Pulmões

Uma equipa do departamento de Patologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FM-USP), detectou microplasticos em pulmões humanos, como descrito em artigo publicado na Journal of Hazardous Materials em 2021. Os microplásticos estão no ar e é inevitável que sejam inalados. Sabemos que eles chegam aos pulmões, mas ainda precisamos de conhecer qual é o real impacto na saúde humana.

Estudo: Presence of airborne microplastics in human lung tissue

Intestino

Os microplásticos podem estar ligados à doença inflamatória intestinal (DII). Um estudo de pessoas com Doença Inflamatória Intestinal detetou que os doentes tinham mais 50% de microplásticos nas fezes.

Pesquisas anteriores mostraram que os microplásticos podem causar inflamação intestinal e outros problemas intestinais em animais de laboratório, mas a investigação é a primeira a investigar possíveis efeitos em humanos. Os cientistas encontraram 42 pedaços de microplástico por grama em amostras secas de pessoas com DII e 28 pedaços em pessoas saudáveis.

A concentração de microplásticos foi também maior para aqueles com doença inflamatória intestinal mais grave, sugerindo uma ligação entre ambos. No entanto, o estudo não prova uma ligação causal e os cientistas disseram que é necessário fazer mais investigação. Pode ser que a doença inflamatória intestinal faça com que as pessoas retenham mais micropláticos no intestino.

Estudo: Analysis of Microplastics in Human Feces Reveals a Correlation between Fecal Microplastics and Inflammatory Bowel Disease Status

Inflamação e stress oxidativo 

Estudos indicam que os microplásticos podem induzir respostas inflamatórias e aumentar o stress oxidativo nas células humanas, o que pode levar a danos celulares e contribuir para o desenvolvimento de doenças crónicas.

Microorganismos patogénicos e infeções

Os microplasticos comportam-se também como potenciais vetores de transporte de microrganismos, incluindo patogénicos, através da formação de um biofilme na superfície do microplástico. Espécies invasoras também são transportadas por microplésticos e os seus efeitos na biodiversidade do ecossistema ainda são desconhecidos, bem como os prejuízos relacionados com a migração de espécies exóticas para outros habitats.

Disfunção do microbioma intestinal 

A ingestão de microplásticos pode alterar a composição da microbiota intestinal, afetando a digestão e a função imunológica. Estas alterações podem estar associadas a várias condições de saúde, incluindo doenças metabólicas e imunológicas.

Transporte de substâncias tóxicas 

Os microplásticos podem adsorver poluentes orgânicos persistentes e metais pesados presentes no ambiente, atuando como vetores que introduzem estas substâncias tóxicas no organismo humano. Isto pode aumentar a exposição a compostos potencialmente carcinogénicos e disruptores endócrinos.


Microplásticos mais comuns

No meio marinho, os microplásticos são um grupo heterogéneo de partículas (< 5 mm), variando em tamanho, forma e composição química. Encontram-se nos sedimentos, na superfície do mar, na coluna de água e na vida selvagem. A próxima tabela descreve os tipos de polímeros plásticos mais comuns no meio marinho. Destes, os tipos de plástico mais comummente fabricados são o polietileno e o polipropileno.

A tabela seguinte descreve a aplicação comum do plástico encontrado no meio marinho e a frequência do tipo de polímero identificado em 42 estudos de detritos microplásticos recolhidos no mar ou em sedimentos marinhos.


Estratégias de Mitigação

Para reduzir a exposição aos microplásticos e mitigar os seus potenciais efeitos na saúde, podem ser adotadas várias estratégias:

  • Aquecer alimentos no microondas: Evitar ao máximo usar recipientes de plástico para aquecer alimentos no microondas.
  • Armazenamento de alimentos: Usar recipientes de vidro ou aço inoxidável.
  • Filtragem de água: A utilização de sistemas de filtragem de água eficazes pode diminuir a ingestão de microplásticos presentes na água potável.
  • Água engarrafada: Evite comprar água para beber armazenada em garrafas ou garrafões de plástico.
  • Filtragem do ar: Usar filtros de ar HEPA.
  • Redução do uso de plásticos: Diminuir o consumo de produtos plásticos descartáveis e optar por alternativas reutilizáveis pode reduzir a quantidade de microplásticos no ambiente.
  • Escolha de produtos sem microplásticos: Optar por produtos de higiene pessoal e cosméticos que não contenham microplásticos pode reduzir a exposição direta a estas partículas.
  • Políticas públicas e regulamentação: A implementação de políticas que limitem a produção e uso de microplásticos, bem como a promoção de práticas de gestão de resíduos mais eficazes, são essenciais para reduzir a contaminação ambiental e a exposição humana.

Água para beber qual o melhor filtro?

Para minimizar a ingestão de microplásticos e outros contaminantes na água potável, é essencial adotar métodos de filtração eficazes, tanto para a água engarrafada quanto para a da rede pública. A escolha do filtro adequado depende da eficácia na remoção de partículas e da manutenção necessária.

Métodos de Filtração Eficazes:

  1. Filtros de Osmose Reversa: Estes sistemas utilizam uma membrana semipermeável capaz de filtrar partículas até 0,001 mícron, removendo praticamente todos os microplásticos e muitos outros contaminantes. Embora altamente eficazes, são mais onerosos e requerem manutenção regular.
  2. Filtros de Carvão Ativado em Bloco: Filtros de alta qualidade com blocos de carbono podem remover até 100% dos microplásticos conhecidos, além de outros contaminantes como cloro e compostos orgânicos. São uma opção mais acessível e de fácil instalação.
  3. Filtros de Destilação: Este método envolve a evaporação e condensação da água, resultando em H₂O pura e eliminando microplásticos e outros contaminantes. No entanto, é um processo mais lento e pode não ser prático para uso diário.

Recomendações de marcas e 0rodutos:

  • LifeStraw Home: Este filtro remove mais de 30 contaminantes, incluindo bactérias, microplásticos e PFAS, apresentando um design moderno e eficiente.
  • Franke Vital Capsule: Este sistema de filtragem remove microplásticos, pesticidas, hormonas, germes nocivos, cloro e ferrugem, garantindo água de alta qualidade diretamente da torneira.
  • Filtros de Torneira com Bloco de Carbono: Modelos como o EcoPro são eficazes na remoção de microplásticos e outros contaminantes, oferecendo uma solução prática para filtrar a água da torneira.

Considerações Adicionais:

  • Manutenção Regular: Independentemente do tipo de filtro escolhido, é crucial seguir as instruções do fabricante para a substituição dos elementos filtrantes, garantindo a eficácia contínua na remoção de contaminantes.
  • Análise da Qualidade da Água: Antes de selecionar um sistema de filtração, considere realizar uma análise da água da sua região para identificar os contaminantes específicos presentes e escolher o filtro mais adequado às suas necessidades.

Ao implementar um sistema de filtração apropriado e manter uma manutenção adequada, pode-se reduzir significativamente a presença de microplásticos e outros elementos nocivos na água potável, promovendo uma saúde melhor e maior segurança no consumo diário.


Conclusão

A presença de microplásticos no ambiente e a sua potencial acumulação no organismo humano representam uma preocupação emergente para a saúde pública. Embora a compreensão dos seus efeitos ainda esteja em desenvolvimento, as evidências atuais sugerem a necessidade de medidas preventivas para reduzir a exposição e mitigar os riscos associados. Investigações futuras são essenciais para aprofundar o conhecimento sobre os mecanismos de toxicidade dos microplásticos e desenvolver estratégias eficazes de proteção da saúde humana.

No entanto uma das mais importantes estratégias de defesa é evitar aquecer no micro-ondas alimentos em recipientes de plástico pois potencia de forma relevante a contaminação dos alimentos com microplásticos. A água consumida em garrafas de plástico também deve ser evitada.


Referências Bibliográficas

  1. Remoção humana de microplásticos: o que as evidências nos dizem? (Data de publicação online: 04 de março de 2025)
  2. Os impactos potenciais dos micro e nanoplásticos em vários sistemas de órgãos em humanos (PubMed janeiro de 2024)
  3. Microplastics in the Olfactory Bulb of the Human Brain: https://jamanetwork.com/journals/jamanetworkopen/fullarticle/2823787
  4. Detection of microplastics in human lung tissue using μFTIR spectroscopy https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0048969722020009
  5. Analysis of Microplastics in Human Feces Reveals a Correlation between Fecal Microplastics and Inflammatory Bowel Disease Status https://pubs.acs.org/doi/abs/10.1021/acs.est.1c03924
  6. Presence of airborne microplastics in human lung tissue https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S0304389421010888
  7. Microplastics in Seafood and the Implications for Human Health Microplastics in Seafood and the Implications for Human Health – PMC
  8. Scielo – Microplásticos: Ocorrência ambiental e desafios analíticos
  9. Microplásticos na saúde: como lidar com a contaminação humana no meio da poluição desenfreada https://portugues.medscape.com/verartigo/6511887
  10. El Páis – Así se acumulan los microplásticos en el cuerpo: más en el cerebro y menos en el hígado https://elpais.com/salud-y-bienestar/2025-02-03/asi-se-acumulan-los-microplasticos-en-el-cuerpo-mas-en-el-cerebro-y-menos-en-el-higado.html?utm_source=chatgpt.com
  11. The Guardian – Microplastics may be linked to inflammatory bowel disease, study finds https://www.theguardian.com/society/2021/dec/22/microplastics-may-be-linked-to-inflammatory-bowel-disease-study-finds
  12. Cornell University – Disposable face masks: a direct source for inhalation of microplastics
  13. Presence of airborne microplastics in human lung tissue. Journal of Hazardous Materials. v. 416. ago. 2021.
  14. Plasticenta: First evidence of microplastics in human placenta. Environment International. v. 146. jan. 2021.
  15. Discovery and quantification of plastic particle pollution in human blood. Environment International. v. 163. mai. 2022.
  16. Detection of various microplastics in patients undergoing cardiac surgery. Environmental Science & Technology. 13 jul. 2023.
  17. Como filtrar e remover microplásticos da água da torneira?
  18. tappwater.co
  19. Microplásticos: um guia prático para sobreviver à nova praga invisível

Inteligência Artificial na Medicina: o que já consegue fazer e onde continua a falhar?

Inteligência artificial na medicina da interpretação de TAC e ressonâncias magnéticas ao apoio à decisão clínica, a IA está a transformar a medicina. Mas será que podemos confiar plenamente nela?

A Inteligência Artificial (IA) deixou de ser uma tecnologia futurista para passar a integrar a prática clínica diária em muitos hospitais e centros de investigação. Atualmente, algoritmos de aprendizagem automática (machine learning) e, mais recentemente, modelos de linguagem de grande dimensão (Large Language Models), são utilizados para analisar exames médicos, apoiar o diagnóstico, prever riscos de doença e auxiliar os profissionais de saúde na tomada de decisões.¹˒²

O interesse científico e mediático é enorme. Todos os meses são publicados centenas de estudos sobre aplicações da IA na medicina, e várias soluções já receberam autorização para utilização clínica por entidades reguladoras.³ No entanto, apesar dos avanços impressionantes, a IA continua longe de substituir médicos, farmacêuticos, enfermeiros ou outros profissionais de saúde. Persistem limitações importantes relacionadas com erros, enviesamentos (bias), privacidade dos dados, transparência e responsabilidade clínica.⁴

Neste artigo analisamos o que a Inteligência Artificial já consegue fazer com elevado grau de precisão, quais as suas principais limitações e de que forma poderá transformar os cuidados de saúde nos próximos anos.


Índice de temas

  1. O que é a Inteligência Artificial?
  2. Como a IA aprende?
  3. Principais aplicações na medicina
  4. IA no diagnóstico de doenças
  5. Interpretação de TAC e ressonância magnética
  6. Apoio à decisão médica
  7. Descoberta de novos medicamentos
  8. Onde a IA continua a falhar
  9. O problema do viés
  10. Privacidade e proteção de dados
  11. A IA substituirá os médicos?
  12. Conclusão
Infografia Inteligência Artificial na medicina
Infografia Inteligência Artificial na medicina

O que é a Inteligência Artificial?

A Inteligência Artificial corresponde ao desenvolvimento de sistemas informáticos capazes de executar tarefas que normalmente exigem inteligência humana, como reconhecer padrões, interpretar linguagem, analisar imagens ou aprender com grandes quantidades de dados.¹

Na medicina, a maioria das aplicações utiliza técnicas de aprendizagem automática (machine learning) e aprendizagem profunda (deep learning), treinando algoritmos com milhões de exames, imagens ou registos clínicos para reconhecer padrões invisíveis ao olho humano.²

Tabela 1 – Principais áreas da IA em saúde

ÁreaAplicaçãoBenefício
DiagnósticoIdentificação de doençasMaior rapidez
ImagiologiaTAC, RM e radiografiasApoio ao radiologista
PrognósticoPrevisão de riscoMedicina personalizada
InvestigaçãoDescoberta de fármacosDesenvolvimento acelerado

Como a IA aprende?

Ao contrário dos programas tradicionais, a IA não segue apenas regras previamente definidas. Em vez disso, identifica relações estatísticas entre milhares ou milhões de exemplos.²

Por exemplo, um algoritmo pode ser treinado com centenas de milhares de mamografias já classificadas por especialistas. Com o tempo, aprende a reconhecer características associadas ao cancro da mama e consegue estimar a probabilidade de malignidade numa nova imagem.⁵

A qualidade do algoritmo depende, contudo, da qualidade dos dados utilizados no treino. Dados incompletos, enviesados ou pouco representativos podem originar decisões incorretas.⁶


IA no diagnóstico de doenças

Uma das aplicações mais promissoras da Inteligência Artificial consiste no apoio ao diagnóstico.

Diversos estudos demonstraram que algoritmos de IA conseguem identificar retinopatia diabética, melanoma, fraturas ósseas, pneumonia, pólipos intestinais e algumas doenças cardiovasculares com níveis de desempenho comparáveis aos de especialistas experientes em contextos específicos.⁵˒⁷˒⁸

No entanto, é importante compreender que estes sistemas normalmente resolvem tarefas muito específicas. Um algoritmo treinado para identificar hemorragias cerebrais numa TAC não consegue, por si só, avaliar todas as restantes patologias presentes no exame.

Infografia

Doente

Exame clínico

IA analisa dados

Sugere diagnóstico provável

Médico confirma ou rejeita


Interpretação de TAC e Ressonância Magnética

A radiologia é provavelmente a área médica onde a IA teve maior impacto até ao momento.⁹

Os algoritmos conseguem analisar milhares de imagens em poucos segundos, identificar alterações subtis e chamar a atenção do radiologista para possíveis lesões que poderiam passar despercebidas.

Entre as aplicações já utilizadas encontram-se:

  • deteção de hemorragias intracranianas;
  • identificação de nódulos pulmonares;
  • avaliação de fraturas;
  • deteção precoce de acidente vascular cerebral;
  • segmentação automática de tumores;
  • quantificação do volume de órgãos.

Apesar destes avanços, a decisão final continua a depender do médico radiologista, que integra a informação clínica, a história do doente e os restantes exames complementares.⁹˒¹⁰

Tabela 2 – Vantagens da IA em imagiologia

VantagemImpacto clínicoLimitação
RapidezMenor tempo de respostaNão substitui validação médica
Deteção de padrõesPode aumentar sensibilidadePode gerar falsos positivos
AutomatizaçãoMaior eficiênciaDepende da qualidade das imagens

IA como apoio ao médico

A IA não serve apenas para analisar exames.

Atualmente já é utilizada para:

  • resumir processos clínicos;
  • identificar interações medicamentosas;
  • sugerir diagnósticos diferenciais;
  • calcular risco cardiovascular;
  • prever deterioração clínica em internamento;
  • apoiar a decisão terapêutica.¹¹

Em vez de substituir o médico, funciona como um “copiloto clínico”, libertando tempo para tarefas que exigem comunicação, empatia e raciocínio complexo.


Descoberta de novos medicamentos

O desenvolvimento tradicional de um novo medicamento pode demorar mais de dez anos.

A IA está a acelerar várias etapas deste processo:

  • identificação de novos alvos terapêuticos;
  • desenho molecular;
  • seleção de candidatos;
  • previsão de toxicidade;
  • otimização de ensaios clínicos.¹²

Embora continue a ser indispensável confirmar os resultados em laboratório e em estudos clínicos, a IA poderá reduzir significativamente custos e tempo de desenvolvimento.


Onde a IA continua a falhar

Apesar dos progressos impressionantes, a Inteligência Artificial continua a apresentar limitações importantes.⁴

Entre as principais destacam-se:

  • dificuldade em compreender contexto clínico complexo;
  • incapacidade para substituir o exame objetivo;
  • possibilidade de gerar respostas falsas mas plausíveis (hallucinations);
  • dependência da qualidade dos dados;
  • reduzida explicabilidade de alguns algoritmos.

Uma recomendação aparentemente convincente pode estar errada se o modelo tiver sido treinado com informação inadequada ou insuficiente.


O problema do viés

Um dos maiores desafios atuais é o viés algorítmico (algorithmic bias).⁶

Se uma base de dados utilizada para treinar um algoritmo contiver predominantemente doentes de determinada idade, sexo ou origem étnica, o desempenho poderá ser inferior noutros grupos populacionais.

Isto pode traduzir-se em desigualdades no diagnóstico e tratamento.

Por esse motivo, as principais sociedades científicas recomendam validação externa rigorosa antes da utilização clínica de qualquer sistema de IA.³˒¹³

Tabela 3 – Fontes de viés

OrigemConsequênciaMitigação
Dados pouco representativosMenor precisãoBases de dados diversificadas
Erros de anotaçãoDiagnósticos incorretosRevisão por especialistas
Diferenças populacionaisDesigualdadesValidação multicêntrica

Privacidade e proteção de dados

A utilização de IA em saúde implica frequentemente o tratamento de grandes quantidades de dados clínicos sensíveis.

É essencial garantir:

  • anonimização dos dados;
  • cumprimento do Regulamento Geral sobre a Proteção de Dados (RGPD);
  • controlo de acessos;
  • transparência sobre a utilização da informação.¹⁴

A confiança dos cidadãos dependerá da capacidade de proteger a confidencialidade dos seus dados e de assegurar que estes são utilizados de forma ética.


A IA substituirá os médicos?

A evidência disponível aponta claramente para uma resposta: não.

A IA pode superar o ser humano em tarefas muito específicas e repetitivas, mas continua incapaz de integrar plenamente fatores clínicos, emocionais, sociais e éticos que influenciam diariamente a prática médica.⁴˒¹¹

O futuro mais provável será um modelo de colaboração entre profissionais de saúde e sistemas inteligentes.

Os melhores resultados tendem a ser obtidos quando médicos e IA trabalham em conjunto, combinando rapidez computacional com experiência clínica, pensamento crítico e empatia.


Conclusão

A Inteligência Artificial representa uma das maiores revoluções tecnológicas da história da medicina. A sua capacidade para analisar grandes volumes de informação, interpretar exames de imagem, apoiar decisões clínicas e acelerar a descoberta de novos medicamentos poderá contribuir para cuidados de saúde mais rápidos, precisos e personalizados.¹˒¹²

Contudo, a IA não é infalível. Erros, enviesamentos, limitações metodológicas e questões relacionadas com privacidade e responsabilidade clínica impedem, por enquanto, a sua utilização autónoma. O maior potencial da Inteligência Artificial reside na colaboração entre tecnologia e profissionais de saúde, permitindo que estes disponham de melhores ferramentas para tomar decisões fundamentadas e prestar cuidados mais seguros aos doentes.

Principais mensagens a reter

  • A IA já apoia o diagnóstico de diversas doenças com elevada precisão em contextos específicos.¹˒⁵
  • A radiologia é uma das áreas médicas onde a IA apresenta maior maturidade clínica.⁹
  • A IA funciona melhor como ferramenta de apoio do que como substituto do profissional de saúde.¹¹
  • O viés dos dados continua a ser um dos principais desafios científicos.⁶˒¹³
  • A proteção da privacidade e dos dados clínicos é essencial para uma utilização ética da IA.¹⁴
  • O futuro da medicina será provavelmente marcado pela colaboração entre inteligência humana e inteligência artificial.⁴

Bibliografia

  1. Topol EJ. Deep Medicine: How Artificial Intelligence Can Make Healthcare Human Again. Basic Books; 2019.
  2. Esteva A, Robicquet A, Ramsundar B, et al. A guide to deep learning in healthcare. Nat Med. 2019;25(1):24-29.
  3. World Health Organization. Ethics and governance of artificial intelligence for health. Geneva: WHO; 2021.
  4. Abràmoff MD, Tobey D, Char DS. Lessons learned about autonomous AI. NPJ Digit Med. 2020;3:26.
  5. McKinney SM, Sieniek M, Godbole V, et al. International evaluation of an AI system for breast cancer screening. Nature. 2020;577:89-94.
  6. Gianfrancesco MA, Tamang S, Yazdany J, Schmajuk G. Potential biases in machine learning algorithms using electronic health record data. JAMA Intern Med. 2018;178(11):1544-1547.
  7. Gulshan V, Peng L, Coram M, et al. Development and validation of a deep learning algorithm for detection of diabetic retinopathy. JAMA. 2016;316(22):2402-2410.
  8. Liu X, Faes L, Kale AU, et al. A comparison of deep learning performance against health-care professionals. Lancet Digit Health. 2019;1(6).
  9. Hosny A, Parmar C, Quackenbush J, et al. Artificial intelligence in radiology. Nat Rev Cancer. 2018;18:500-510.
  10. European Society of Radiology. Current practical applications of artificial intelligence in radiology. Insights Imaging. 2019;10:44.
  11. Topol EJ. High-performance medicine: the convergence of human and artificial intelligence. Nat Med. 2019;25:44-56.
  12. Paul D, Sanap G, Shenoy S, et al. Artificial intelligence in drug discovery and development. Drug Discov Today. 2021;26(1):80-93.
  13. Kelly CJ, Karthikesalingam A, Suleyman M, et al. Key challenges for delivering clinical impact with AI. BMC Med. 2019;17:195.
  14. European Commission. Ethics Guidelines for Trustworthy AI. Brussels; 2019.

Medicamentos que aumentam o risco durante uma onda de calor

Medicamentos e ondas de calor quais os riscos? As ondas de calor tornaram-se mais frequentes e intensas nos últimos anos devido às alterações climáticas. Para além do desconforto, as temperaturas elevadas podem representar um risco sério para a saúde, sobretudo em idosos, crianças pequenas e pessoas com doenças crónicas.¹ ²

Um aspeto frequentemente esquecido é o efeito de determinados medicamentos na capacidade do organismo lidar com o calor. Alguns fármacos favorecem a desidratação, dificultam a transpiração, reduzem a pressão arterial ou alteram a função renal, aumentando o risco de complicações como síncope, insuficiência renal aguda ou golpe de calor.³⁻⁵

Conhecer estes medicamentos e adotar medidas preventivas pode fazer uma diferença significativa durante os dias mais quentes do ano.

Índice

  1. Introdução
  2. Porque é que o calor pode ser perigoso?
  3. Porque é que alguns medicamentos aumentam o risco?
  4. Quem corre maior risco?
  5. Quais os medicamentos que merecem maior atenção?
  6. Como reduzir o risco durante uma onda de calor
  7. Nunca interrompa a medicação sem aconselhamento médico
  8. Conclusão
  9. Bibliografia
Medicamentos e ondas de calor
Medicamentos e ondas de calor

Porque é que o calor pode ser perigoso?

O organismo mantém normalmente a temperatura corporal próxima dos 37 °C através de mecanismos como a transpiração e a vasodilatação na pele. Quando a temperatura ambiente é muito elevada, especialmente se existir humidade elevada, estes mecanismos tornam-se menos eficazes.¹

Como consequência, aumenta o risco de:

  • Desidratação;
  • Hipotensão;
  • Cãibras musculares;
  • Exaustão pelo calor;
  • Golpe de calor, uma emergência médica potencialmente fatal.

Porque é que alguns medicamentos aumentam o risco?

Os medicamentos podem aumentar o risco através de diferentes mecanismos:

  • Aumentam a perda de água, favorecendo a desidratação;
  • Reduzem a transpiração, dificultando a eliminação de calor;
  • Baixam demasiado a pressão arterial, potenciando tonturas e quedas;
  • Alteram a função renal, agravando os efeitos da desidratação;
  • Aumentam a sensibilidade ao sol, favorecendo queimaduras cutâneas.

Quem corre maior risco?

As complicações são mais frequentes em:

  • Pessoas com mais de 65 anos;
  • Doentes cardiovasculares;
  • Pessoas com insuficiência renal;
  • Diabéticos;
  • Doentes com doenças neurológicas;
  • Pessoas que tomam vários medicamentos simultaneamente (polimedicação).⁶


Quais os medicamentos que merecem maior atenção?

1. Diuréticos

São dos medicamentos mais frequentemente associados a complicações durante o calor.

Exemplos:

  • Furosemida
  • Hidroclorotiazida
  • Indapamida
  • Torasemida

Ao aumentarem a eliminação de água e eletrólitos, favorecem a desidratação e podem aumentar o risco de insuficiência renal.³


2. Medicamentos para a hipertensão

Os IECA, ARA, betabloqueadores e bloqueadores dos canais de cálcio continuam a ser fundamentais no tratamento da hipertensão e da insuficiência cardíaca. No entanto, durante uma onda de calor podem potenciar a hipotensão, especialmente quando existe desidratação, aumentando o risco de tonturas e quedas.

Exemplos:

  • Enalapril
  • Ramipril
  • Losartan
  • Valsartan
  • Bisoprolol
  • Atenolol
  • Amlodipina

Importante: nunca suspenda estes medicamentos sem indicação médica.


3. Antidepressivos e antipsicóticos

Alguns antidepressivos, particularmente os tricíclicos, e vários antipsicóticos podem diminuir a transpiração e interferir com os mecanismos de regulação da temperatura corporal.⁴

Além disso, alguns provocam sedação, reduzindo a perceção da sede e do calor.


4. Medicamentos com efeito anticolinérgico

São dos fármacos que mais comprometem a capacidade do organismo eliminar calor.

Podem estar presentes em medicamentos para:

  • alergias;
  • bexiga hiperativa;
  • depressão;
  • doença de Parkinson.

Ao reduzirem a transpiração, aumentam significativamente o risco de golpe de calor.


5. Medicamentos para a diabetes

Alguns medicamentos utilizados na diabetes, como os inibidores do SGLT2, aumentam a eliminação urinária de glicose e água, favorecendo a desidratação.⁷

Também os agonistas do recetor GLP-1 (como semaglutido e tirzepatida) podem provocar náuseas, vómitos ou diminuição da ingestão de líquidos, aumentando indiretamente o risco de desidratação em alguns doentes.


6. Medicamentos que aumentam a sensibilidade ao sol

Alguns fármacos tornam a pele muito mais sensível à radiação ultravioleta.

Entre os exemplos mais conhecidos encontram-se:

  • Doxiciclina;
  • Tetraciclinas;
  • Hidroclorotiazida;
  • Amiodarona;
  • Cetoprofeno tópico.

Nestes casos é essencial utilizar protetor solar, roupa adequada e evitar exposição solar prolongada.


Como reduzir o risco durante uma onda de calor

Durante períodos de calor intenso, algumas medidas simples podem reduzir significativamente o risco de complicações:

  • Beba água regularmente, mesmo sem sentir sede (salvo contraindicação médica);
  • Evite bebidas alcoólicas em excesso;
  • Permaneça em locais frescos e ventilados;
  • Utilize roupa leve e de cores claras;
  • Evite atividade física intensa nas horas de maior calor;
  • Mantenha os medicamentos de acordo com as condições de conservação indicadas na embalagem;
  • Vigie sintomas como tonturas, confusão, diminuição da urina, sede intensa ou fraqueza.

Conselho do Farmacêutico

Se toma vários medicamentos e está prevista uma onda de calor, aproveite para falar com o seu médico ou farmacêutico. Em alguns casos poderá ser necessário reforçar a vigilância da pressão arterial, da função renal ou do estado de hidratação, sobretudo em pessoas idosas ou com doenças crónicas.


Nunca interrompa a medicação sem aconselhamento médico

Apesar dos riscos descritos, a maioria destes medicamentos continua a ser essencial para controlar doenças potencialmente graves.

Suspender um anti-hipertensor, um diurético ou um medicamento para a diabetes por iniciativa própria pode ser muito mais perigoso do que continuar a tomá-lo.

Qualquer ajuste terapêutico deve ser sempre decidido pelo médico assistente, tendo em conta o estado clínico de cada doente.


Conclusão

As ondas de calor representam um desafio crescente para a saúde pública. Muitos medicamentos utilizados diariamente podem aumentar a suscetibilidade às temperaturas elevadas, sobretudo em pessoas idosas e doentes crónicos.

Conhecer estes riscos não significa interromper a medicação, mas sim adotar medidas preventivas, manter uma boa hidratação e procurar aconselhamento médico ou farmacêutico sempre que existam dúvidas.

Com informação adequada e alguns cuidados simples é possível reduzir significativamente o risco de complicações e atravessar os períodos de calor extremo com maior segurança.


Bibliografia

  1. World Health Organization. Heat and health. Geneva: WHO; 2025.
  2. World Meteorological Organization. State of the Climate reports. Geneva: WMO; 2025.
  3. Centers for Disease Control and Prevention. Heat and medications – Guidance for clinicians. Atlanta: CDC; 2024.
  4. National Institute for Health and Care Excellence. Excessive heat: protecting health and reducing harm. London: NICE.
  5. European Medicines Agency. Medicines and hot weather: recommendations for patients and healthcare professionals.
  6. Direção-Geral da Saúde. Plano de Contingência para Temperaturas Extremas Adversas – Módulo Calor.
  7. American Diabetes Association. Standards of Care in Diabetes 2026.

Febre da carraça e Doença de Lyme, como retirar uma carraça com segurança?




Febre da carraça e doença de Lyme pode ser muito perigosa, cuidado com a picada do carrapato ou carraça! Como retirar uma carraça com segurança? Tempo de verão é tempo de sol, calor, piqueniques, passeios no campo, sentar no chão, deitar na relva e claro brincar com o seu cão ao ar livre em zonas arborizadas e relvadas. Tudo magnificamente relaxante mas muitas vezes desconhecendo ou esquecendo pequenos perigos, como as carraças, que podem originar graves problemas de saúde como a doença de Lyme que é apenas uma das doenças incluídas na chamada “febre da carraça”.

Neste artigo vamos responder ás seguintes questões:

  • Carrapato ou carraças o que são?
  • Como se apanham?
  • Que fatores contribuem para as infestações?
  • Que lesões provoca a picada?
  • Febre da carraça o que é?
  • Febre maculosa o que é?
  • Que países são a afetados pela febre maculosa?
  • Quais os perigos da febre maculosa?
  • Quais os sintomas?
  • Qual o melhor tratamento da febre maculosa?
  • Carrapatos, carraças ou chatos, como controlar?
  • Deve desinfetar-se o ambiente da casa?
  • Que cuidados deve ter?
  • Carrapato ou carraças, como tirar de forma correta e segura?
  • Doença de Lyme o que é?
  • Doença de Lyme quais as causas?
  • Doença de Lyme, quais os fatores de risco?
  • Quais os sintomas?
  • Quais os sinais precoces da Doença de Lyme?
  • Sintomas tardios;
  • Quais os sinais sintomas menos comuns?
  • Qual o melhor tratamento para a Doença de Lyme?

As cinco grandes mentiras sobre saúde
As cinco grandes mentiras sobre saúdehttps://melhorsaude.org/2025/04/21/as-cinco-grandes-mentiras-sobre-saude/

Carrapato ou carraças o que são?

Carrapato, Carraças, ou chatos são parasitas que se alimentam do sangue do homem, do cão, do gato, da ovelha e de muitos outros animais. Quando as carraças estão infetadas, são responsáveis pela transmissão de inúmeras doenças!

CARRAÇA melhorsaude.org
Imagem de uma carraça cuja picada pode provocar febre da carraça

Onde se apanham?

Existem variadíssimas espécies de carraças espalhadas por todo o planeta. Como estes parasitas não voam nem saltam, ficam a aguardar a passagem de um hospedeiro, escondidos na relva, nos pastos, no solo ou nas frestas das madeiras, e quando o hospedeiro toca uma destas superfícies, as carraças percorrem o seu corpo até encontrarem um local seguro para se alimentarem e reproduzirem.

Que fatores contribuem para as infestações?

Cada fêmea pode pôr até 5000 ovos! As infestações por carraças acontecem principalmente na altura de maior calor, desde a Primavera até ao Outono. O que não significa que não existam no resto do ano. O aumento dos animais de estimação e, fundamentalmente, o crescente abandono de cães e gatos contribuem amplamente para a proliferação deste parasita.

Que lesões provoca?

A picada de carrapato ou carraças é prejudicial para o hospedeiro de diferentes formas:

  • Pode provocar lesões na pele com vermelhidão, ardor e comichão;
  • Anemia e fraqueza devido à ingestão de grandes quantidades de sangue pelo parasita
  • Paralisia motora por ação das suas neurotoxinas.

Febre da carraça 

Quando as carraças estão infetadas constituem um perigo para os animais e para a saúde pública! A carraça infetada, ao picar o hospedeiro, inocula no seu sangue micróbios responsáveis por inúmeras doenças, habitualmente designadas de Febre da Carraça, a saber:

  • Babesiose (Doença do carrapato causada por protozoários);
  • Borreliose ou Doença de Lyme;
  • Erliquiose (Doença do carrapato causada por bactérias);
  • Febre Maculosa .

Não só os animais apanham Febre da Carraça, as pessoas também estão suscetíveis se contactarem com carraças.

Febre maculosa o que é?

A febre maculosa, é uma doença que surge quando uma pessoa é picada por um carrapato ou carraças contaminadas pela bactéria Rickettsia rickettsii.

Que países afeta?

A febre maculosa é uma doença que ocorre em todo o continente americano, afetando países desde o Canadá até a Argentina. No Brasil, a maioria dos casos se na concentra na Região Sudeste, havendo também casos isolados em estados de outras regiões, tais como Bahia, Ceará, Santa Catarina, Paraná, Rio Grande do Sul, Distrito Federal, Goiás e Mato Grosso do Sul. São Paulo e Minas Gerais são os estados com maior número de casos notificados. Apesar de ser uma doença tipicamente rural, nos últimos anos, o número de casos nas cidades tem vindo a aumentar. A doença não é muito comum, sendo responsável, por exemplo, no Brasil por cerca de 40 a 100 casos por ano.

Perigos

A febre maculosa é uma febre da carraça que responde bem ao tratamento com antibióticos, mas se não for tratada prontamente, pode causar sérios danos aos órgãos internos, como:

  • Rins,
  • Fígado,
  • Coração,
  • Sistema nervoso central.

Nos casos maios graves pode levar à morte. Por não ser uma doença muito comum, frequentemente não é corretamente identificada, o que atrasa o início de um tratamento adequado e eficaz, fazendo com que a taxa anual de mortalidade possa rondar os 15 a 35%.

Sintomas

O período de incubação da febre maculosa varia de 2 a 14 dias, dependo da quantidade de bactérias que foi inoculada. No início do quadro é muito difícil distinguir a febre maculosa de várias outras doenças febris comuns, incluindo as viroses mais conhecidas. Em geral os primeiros sinais e sintomas da infeção são:

  • Febre alta,
  • Dor de cabeça
  • Dores no corpo,
  • Mal-estar geral,
  • Náuseas
  • Vómitos.

Poucos dias depois, lesões de pele, chamadas de máculas, podem aparecer nos membros e no tronco, daí o nome da doença ser febre maculosa.

Tratamento

Sem tratamento antibiótico, o taxa de mortalidade da febre maculosa chega a 75%. Os doentes que começam o tratamento com antibiótico antes do 5º dia têm até 5 vezes mais probabilidades de ficarem curados e sem sequelas (surdez e paralisia de membros) do que os que só iniciam o tratamento após o 5º dia de doença.

Felizmente, nem todos os casos desta febre da carraça evoluem de forma grave. Há formas mais brandas da doença, que pode curar-se espontaneamente após 2 ou 3 semanas de sintomas. Porém, a maioria dos casos não se comporta de forma tão benigna.

Dúvidas no diagnóstico

Não se deve esperar para ver se a pessoa vai apresentar a forma grave ou branda, deste tipo de febre da carraça, pois essa espera pode ser fatal. Da mesma forma, se pela história clínica e epidemiológica o médico suspeitar de febre maculosa, ele não deve esperar pelo aparecimento do rash para confirmá-la,  muito menos pelos resultados dos exames laboratoriais.

Se o médico suspeita de febre maculosa, ele deve iniciar os antibióticos, mesmo não tendo certeza do diagnóstico. Por exemplo, se o paciente tem os sintomas iniciais da doença, principalmente febre alta e mal-estar, e conta uma história de picada recente de carrapato, isso já é suficiente para o início do tratamento. De forma semelhante, se o paciente com sintomas vem de uma área que recentemente têm registrado casos de febre maculosa, isso também já autoriza o médico a iniciar o tratamento.

Entretanto, é importante destacar que o simples fato de ter sido picado por um carrapato não é motivo para iniciar o tratamento. Estima-se que apenas 1% dos carrapatos em áreas endémicas estejam contaminados com a Rickettsia rickettsii. Fora das áreas endêmicas, nenhum carrapato está contaminado.  Se o médico têm dúvidas, não é errado começar mais de um antibiótico visando o tratamento das hipótese diagnósticas mais graves. Sendo assim, o médico pode começar antibióticos visando a febre maculosa e a meningite meningocócica, por exemplo. Ambas são infeções com alta taxa de mortalidade e que precisam de tratamento precoce.

Antibióticos mais eficazes

O antibiótico de escolha para o tratamento da febre maculosa é a doxiclina (Actidox®), que pode ser administrada de forma oral ou intravenosa, dependendo da gravidade do quadro. O tratamento é mantido até 72 horas depois do desaparecimento da febre, o que costuma ocorrer no 2º ou 3º dia de tratamento. Na maioria dos casos o tratamento costuma durar 7 dias.

Uma alternativa é o cloranfenicol, sendo este o antibiótico mais indicado para grávidas com febre maculosa, pois a doxiclina é contraindicada na gravidez.  O problema do cloranfenicol é o risco de efeitos colaterais graves, como a aplasia de medula, evento que ocorre em 1 a cada 25.000 pessoas tratadas. Portanto, em todas as pessoas não grávidas o tratamento deve ser feito preferencialmente com doxiclina.

A maioria dos pacientes responde rapidamente ao tratamento e a mortalidade é baixa quando o antibiótico é iniciado nos primeiros 5 dias. Uma vez curado, a maioria dos doentes desenvolve imunidade contra Rickettsia rickettsii para o resto vida, não havendo risco de ter a doença novamente.

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Carrapato, carraças ou chatos como controlar?

As carraças são essencialmente trazidas para dentro de casa à “boleia” dos animais de estimação. Por isso, é essencial fazer uma desparasitação externa eficaz das mascotes durante todo o ano, usando:

  • Coleiras,
  • Líquidos spot-on (ampolas)
  • Sprays
  • Champôs

A maioria dos produtos disponíveis no mercado faz um controlo simultâneo de pulgas e carraças e, alguns deles, também de moscas e mosquitos.

Deve desinfestar-se o ambiente de casa?

Quando o ambiente onde o animal vive está muito infestado, seja num canil, no quintal ou dentro de casa, é recomendada a pulverização destes locais. Deve ter sempre em atenção que estes produtos são medicamentos que, quando usados em excesso, são tóxicos e podem ser prejudiciais para a saúde do seu animal ou até mesmo para a sua saúde. Aconselhe-se junto do médico veterinário e na Farmácia sobre qual o produto mais adequado para cada animal e ambiente.

Cuidados de proteção

Principalmente no tempo mais quente, as carraças acumulam-se nos locais com ervas altas, matos e vegetação pelo que se deve limitar o acesso dos animais a estas áreas, mesmo quando estão devidamente desparasitados.

Ao chegar a casa, é prudente fazer a inspeção do animal, não esquecendo as zonas mais escondidas como o espaço entre os dedos. As carraças encontradas devem ser removidas com cuidado de forma a eliminar totalmente o parasita sem deixar as suas peças bucais que podem ser responsáveis pela formação de reações inflamatórias locais. Se após a remoção da carraça, o animal apresentar alterações no seu estado de saúde como falta de apetite, prostração ou urina muito escura deve recorrer imediatamente ao veterinário.

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Como tirar a carraça de forma correta?

Se encontrar uma carraça a morder a sua pele, deve removê-la o mais depressa possível. Deve fazê-lo de forma cuidadosa e segura de acordo com os passos abaixo indicados:

  1. Proteja as mãos com luvas de látex ou com papel;
  2. Segure a carraça o mais próximo possível da sua pele, com o auxílio de uma pinça de pontas finas ou com um extrator próprio. Não deve apertar a “barriga” da carraça pois poderá provocar a injeção do seu fluido infetado;
  3. Depois de bem presa, deve puxar a carraça para cima aplicando uma força constante, sem a arrancar de forma brusca nem torcer para não partir as peças bucais deixando-as enterradas na pele. Se isso acontecer, pode removê-las com a pinça;
  4. Após a remoção da carraça, lavar o local da picada com água e sabão e desinfetar com solução iodada;
  5. Colocar a carraça num frasco com álcool, pois isso irá causar a sua morte, e, se possível, guarda-lo para auxiliar o seu médico no diagnóstico no caso de ficar doente;
  6. Não é recomendável usar vaselina, azeite ou recorrer ao calor para “adormecer” a carraça pois estes métodos causam a regurgitação de saliva para o hospedeiro, aumentado as possibilidades de infeção.

Carraça como remover melhorsaude.org
Retirar carraça de forma segura

Carraça retirar de forma incorrecta melhorsaude.org
Carraça retirada de forma errada

Se até cerca de um mês após a mordedura da carraça, encontrar manchas vermelhas no local da picada ou se sentir cansado, febril ou com dores no corpo e cabeça, recorra imediatamente ao médico. Se não o fizer, a infeção vai progredindo com o aparecimento de sintomas cada vez mais graves como paralisias ou alteração das capacidades intelectuais.

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Doença de Lyme o que é?

A doença de Lyme é uma infeção bacteriana transmitida por carraças, muito comum na América do Norte e na Europa.

O nome te origem nos diversos casos que ocorreram em 1997 na cidade de Lyme, em Connecticut (EUA). Pelo facto de um dos principais sintomas ser inchaço e dor nas articulações, acreditava-se que era artrite. Porém, como os casos eram agudos (os sintomas desapareciam) e afetavam apenas adolescentes, os pacientes foram estudados e a doença de Lyme foi descoberta. Apesar disso, acredita-se que a doença seja muito mais antiga.

Causas

A doença de Lyme é causada pela bactéria Borrelia burgdorferi, mas a transmissão dá-se através das carraças. São elas que carregam e as bactérias e que podem transmiti-las para os seres humanos por meio de picadas. As carraças prendem-se à pele, onde podem permanecer bastante tempo enquanto sugam o sangue do hospedeiro. Os locais preferidos do corpo humano para as carraças são as axilas, couro cabeludo e região da virilha.

Para transmitir a doença, as carraças devem ficar presas à pele do hospedeiro durante 36 a 48 horas no mínimo. Quanto menor a carraça, maiores são as probabilidades de transmitir a doença de Lyme, pois são mais difíceis de serem detetadas.

Quando são transmitidas, as bactérias entram na pele através da picada e invadem a corrente sanguínea, espalhando-se pelo corpo.

Fatores de risco

A doença de Lyme é mais comum nos Estados Unidos e em algumas regiões central e leste da Europa, bem como no sudeste da Escandinávia e no norte do Mediterrâneo, em países como Itália, Espanha e Grécia. Pessoas que viajam para esses locais e passam muito tempo em áreas arborizadas e com relva estão sob maior risco de contrair a doença. Pessoas com ocupações ao ar livre também são mais propensas a desenvolver este problema.

Se for viajar para esses locais, certifique-se quais as regiões que ainda sofrem com infestações de carraças e evite ficar com a pele exposta. Se detetar uma carraça, remova-a rapidamente, mas de forma correta. Não identificar e não remover corretamente a carraça da pele também aumentam probabilidades de desenvolver doença de Lyme.

Sintomas

Os sinais e sintomas da doença de Lyme variam e normalmente afetam mais de uma parte do corpo, principalmente pele, articulações e sistema nervoso.

Sinais precoces

Estes sinais e sintomas podem ocorrer dentro de aproximadamente um mês após a infeção pela bactéria causadora da doença de Lyme:

  • Surgimento de uma protuberância avermelhada na região em que houve picada. A erupção, denominada eritema migrans, é uma das características da doença de Lyme. Algumas pessoas desenvolvem esta erupção em mais do que um local do corpo
  • Sintomas gripais, como febre, calafrios, fadiga, dores no corpo e dor de cabeça pode acompanhar a erupção cutânea.

Sinais e sintomas tardios

Em algumas pessoas, a erupção cutânea pode espalhar-se para outras partes do corpo e, várias semanas ou meses depois de ter sido infetado, podem surgir:

  • Dores nas articulações e inchaço
  • Problemas neurológicos, como meningite, paralisa temporária de um lado do rosto (chamado de paralisia de Bell), dormência ou fraqueza dos membros, além de movimentos musculares prejudicados.

Sintomas menos comuns

Várias semanas após a infeção, algumas pessoas podem desenvolver sintomas menos comuns, a exemplo de:

  • Problemas de coração, como um batimento cardíaco irregular, que não costumam durar mais do que alguns dias ou semanas
  • Inflamação dos olhos
  • Inflamação do fígado (hepatite)
  • Fadiga severa.

Tratamento

Consulte um médico se foi picado recentemente por uma carraça, mesmo se não estiver apresentando sintomas. Caso sinta fraqueza, dormência nos membros, dores ou quaisquer outros sintomas, procure a ajuda de um especialista o mais rápido possível.

Sendo uma infeção bacteriana os antibióticos mais utilizados são os seguintes:

  • Doxiciclina (Actidox®), excepto crianças até aos 9 anos, grávidas e mães a amamentar;
  • Cefuroxima (Zoref®, Zipos®);
  • Amoxicilina (Clamoxyl®);
  • Ceftriaxona intravenosa (Mesporin®), nos casos mais graves;
  • Penicilina intravenosa (nos casos mais graves)

Concluindo

A picada de uma carraça não é coisa pouca… pode correr muito mal! Tenha especial atenção aos seus animais de estimação principalmente cão e gato e quando for fazer um piquenique tenha um cuidado suplementar aos sintomas de irritação na pele “tipo picada” que possam surgir durante ou após os seus “momentos de lazer com a Natureza”.  Deve ser aplicada um vigilância especial ás crianças que adoram cães e gostam de “rebolar na relva”… o que é ótimo desde que não recebam a visita dos parasitas em causa neste artigo!

Fique bem!

Franklim Moura Fernandes

Fontes:

  • Manuais MSD;
  • Globalvet;
  • Dr Pedro Pinheiro;

Por favor PARTILHE esta informação que no tempo quente pode evitar muitos problemas graves em adultos e crianças em contacto com a Natureza.

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SIBO: O Guia Científico Definitivo Sobre o Sobrecrescimento Bacteriano do Intestino Delgado

Causas, sintomas, diagnóstico, tratamento, dieta Low-FODMAP, rifaximina e prevenção de recidivas

Por Dr. Franklim | melhorsaude.org

Introdução

O Sobrecrescimento Bacteriano do Intestino Delgado, conhecido internacionalmente como SIBO (Small Intestinal Bacterial Overgrowth), corresponde a uma condição em que existe crescimento excessivo de microrganismos no intestino delgado, frequentemente associado a sintomas digestivos como distensão abdominal, gases, dor abdominal, diarreia, obstipação e má absorção de nutrientes¹˒².

Durante muitos anos, o intestino delgado foi considerado uma região quase estéril. Hoje sabe-se que possui uma microbiota própria, embora muito menos abundante do que a do cólon, sendo o seu equilíbrio mantido por mecanismos como a acidez gástrica, a bílis, as enzimas pancreáticas, a motilidade intestinal e a imunidade da mucosa intestinal²˒⁵.

O interesse científico pelo SIBO aumentou devido à sua associação com síndrome do intestino irritável, diabetes mellitus, doença celíaca, doença inflamatória intestinal, cirurgia gastrointestinal, esclerodermia e utilização prolongada de inibidores da bomba de protões¹˒⁹˒¹⁴˒¹⁵.

Apesar da crescente notoriedade, o SIBO continua a ser um diagnóstico desafiante, porque os sintomas são inespecíficos e os testes disponíveis apresentam limitações importantes¹˒³˒⁴.


SIBO infografia
SIBO infografia

Índice

  1. O que é o SIBO?
  2. Como funciona normalmente o intestino delgado?
  3. Como surge o SIBO?
  4. Principais fatores de risco
  5. Sintomas mais frequentes
  6. Hidrogénio, metano e sulfureto de hidrogénio
  7. Relação entre SIBO e síndrome do intestino irritável
  8. Consequências nutricionais
  9. Diagnóstico
  10. Testes respiratórios
  11. Cultura jejunal
  12. Tratamento
  13. Rifaximina
  14. Dieta Low-FODMAP
  15. Probióticos
  16. Prevenção de recidivas
  17. Mitos e factos
  18. Perguntas frequentes
  19. Conclusão
  20. Bibliografia

O que é o SIBO?

O SIBO é definido como a presença excessiva de bactérias no intestino delgado ou a colonização desta região por microrganismos habitualmente predominantes no cólon¹˒².

Tradicionalmente, a cultura do aspirado do intestino delgado foi considerada o método de referência, sendo frequentemente usado o limiar de 10³ unidades formadoras de colónias por mililitro como critério sugestivo de SIBO¹˒³.

Mais importante do que a contagem bacteriana isolada é o impacto funcional: fermentação precoce dos hidratos de carbono, produção excessiva de gases, alteração dos ácidos biliares, inflamação local e má absorção de nutrientes²˒⁵˒²⁶.


Tabela 1 — Definição simplificada do SIBO

AspetoIntestino normalSIBO
BactériasPoucasEm excesso
FermentaçãoControladaAumentada
GasesProdução normalProdução excessiva
AbsorçãoEficientePode estar comprometida

Intestino ilustração
Intestino ilustração

Como funciona normalmente o intestino delgado?

O intestino delgado é o principal local de digestão e absorção de nutrientes. Para desempenhar esta função, mantém uma carga microbiana relativamente baixa quando comparado com o cólon²˒⁵.

A acidez gástrica reduz a entrada de microrganismos viáveis, a bílis e as enzimas pancreáticas têm efeito antimicrobiano, e o Complexo Motor Migratório atua como um sistema de “limpeza” que remove resíduos alimentares e bactérias durante o jejum⁵˒⁶.


Mecanismos naturais de proteção:

Estômago ácido

Bílis e enzimas pancreáticas

Motilidade intestinal eficaz

Sistema imunitário da mucosa

Controlo do crescimento bacteriano


Tabela 2 — Mecanismos de defesa contra o SIBO

MecanismoFunção principalFalha associada
Ácido gástricoReduz microrganismos ingeridosMaior colonização
BílisAção antimicrobianaCrescimento bacteriano
MotilidadeLimpeza intestinalEstase
Imunidade intestinalControlo microbianoDisbiose

Como surge o SIBO?

O SIBO raramente surge por acaso. Na maioria dos casos existe uma alteração subjacente que compromete os mecanismos naturais de defesa intestinal¹˒².

A hipomotilidade, a estase intestinal, alterações anatómicas após cirurgia, redução da acidez gástrica e doenças sistémicas podem criar um ambiente favorável à proliferação bacteriana¹˒⁶˒⁸.


Como surge o SIBO?

Fator predisponente

Alteração da motilidade ou anatomia

Estase intestinal

Crescimento bacteriano excessivo

Fermentação aumentada

Gases, inflamação e sintomas


Principais fatores de risco

Entre os fatores de risco mais relevantes encontram-se a idade avançada, diabetes mellitus, cirurgia gastrointestinal, esclerodermia, doença celíaca, doença inflamatória intestinal, hipocloridria e utilização prolongada de inibidores da bomba de protões¹˒⁶˒¹⁴˒¹⁵.

A diabetes pode favorecer o SIBO através de neuropatia autonómica e alteração da motilidade gastrointestinal⁶˒⁸.

A cirurgia gastrointestinal pode criar ansas cegas, alterações anatómicas ou zonas de estase que facilitam o crescimento bacteriano²˒²⁴.

Na esclerodermia, a redução da motilidade intestinal é um dos principais mecanismos associados ao aparecimento de SIBO¹˒²⁶.


Tabela 3 — Principais fatores de risco

FatorMecanismoRelevância
DiabetesHipomotilidadeFrequente
Cirurgia digestivaEstaseElevada
IBP prolongadosMenor acidezModerada
EsclerodermiaMotilidade reduzidaElevada
Doença celíacaAlteração mucosaVariável

Sintomas mais frequentes

Os sintomas do SIBO são inespecíficos e sobrepõem-se a várias doenças digestivas, sobretudo à síndrome do intestino irritável¹˒⁹.

Os sintomas mais comuns incluem distensão abdominal, flatulência, dor abdominal, diarreia, obstipação, náuseas e sensação de enfartamento¹˒²˒⁷.

A intensidade clínica é muito variável: alguns doentes têm apenas desconforto ligeiro, enquanto outros apresentam sintomas persistentes com impacto relevante na qualidade de vida²˒²⁶.


Tabela 4 — Sintomas digestivos comuns

SintomaMecanismo provávelObservação
InchaçoGasesMuito comum
FlatulênciaFermentaçãoFrequente
DiarreiaÁcidos biliares alteradosComum
ObstipaçãoMetanoFrequente
Dor abdominalDistensãoVariável

Hidrogénio, metano e sulfureto de hidrogénio

A fermentação bacteriana no intestino delgado pode produzir diferentes gases, nomeadamente hidrogénio, metano e sulfureto de hidrogénio³˒⁴.

O hidrogénio está mais associado a diarreia, enquanto o metano se associa frequentemente a obstipação³˒²².

O metano é produzido sobretudo por arqueias, como Methanobrevibacter smithii, razão pela qual alguns autores preferem a designação “sobrecrescimento metanogénico intestinal” para estes casos³˒²².


Tabela 5 — Perfis de gases

PerfilGás dominanteSintomas associados
HidrogénioH₂Diarreia
MetanoCH₄Obstipação
Sulfureto de hidrogénioH₂SDor e diarreia

SIBO e síndrome do intestino irritável

A relação entre SIBO e síndrome do intestino irritável é uma das áreas mais debatidas da gastroenterologia moderna⁹˒²⁷.

Vários estudos demonstraram maior prevalência de testes respiratórios positivos em doentes com síndrome do intestino irritável, mas isso não prova que todos os casos sejam causados por SIBO⁹˒²⁷.

O consenso atual é que existe uma sobreposição parcial entre ambas as condições, devendo o diagnóstico ser interpretado com prudência e sempre em contexto clínico¹˒²˒⁹.


Tabela 6 — SIBO versus Síndrome do Intestino Irritável

AspetoSIBOSII
InchaçoFrequenteFrequente
Dor abdominalFrequenteFrequente
DiarreiaPossívelPossível
ObstipaçãoPossívelPossível
Teste respiratórioPode ser positivoPode ser positivo

Consequências nutricionais

Quando prolongado ou grave, o SIBO pode interferir com a absorção de nutrientes, particularmente vitamina B12, ferro e vitaminas lipossolúveis²˒²⁶.

As bactérias podem consumir vitamina B12, desconjugar ácidos biliares e comprometer a digestão das gorduras²˒²⁴.

Em situações mais avançadas pode ocorrer esteatorreia, perda ponderal, anemia ou défices nutricionais clinicamente relevantes²⁴˒²⁸.


Tabela 7 — Défices nutricionais associados

NutrienteAlteração possívelConsequência
Vitamina B12ReduçãoAnemia, fadiga
FerroReduçãoAnemia
Vitaminas A, D, E, KMá absorçãoDéfices variados
GordurasMá absorçãoEsteatorreia

Diagnóstico

O diagnóstico de SIBO deve integrar sintomas, fatores de risco e exames complementares¹˒².

Nenhum teste é perfeito. A cultura jejunal tem limitações técnicas e os testes respiratórios podem gerar falsos positivos ou falsos negativos¹˒³˒⁴.

Por isso, as guidelines recomendam que os resultados sejam interpretados em conjunto com a história clínica e não como prova isolada¹˒²˒⁴.


Testes respiratórios

Os testes respiratórios com glicose ou lactulose são os métodos mais usados na prática clínica para avaliar a produção de hidrogénio e metano³˒⁴.

A glicose tende a ser mais específica, mas pode falhar casos localizados em segmentos mais distais do intestino delgado³˒⁴.

A lactulose percorre todo o intestino delgado, mas pode ser mais suscetível a falsos positivos relacionados com trânsito intestinal acelerado³˒⁴.


Tabela 8 — Glicose versus lactulose

SubstratoVantagemLimitação
GlicoseMaior especificidadePode falhar SIBO distal
LactuloseAvalia maior extensãoMais falsos positivos
AmbosNão invasivosInterpretação variável

Cultura jejunal

A aspiração jejunal com cultura bacteriana foi historicamente considerada o método de referência, mas é invasiva, dispendiosa e sujeita a contaminação¹˒³.

Além disso, a cultura convencional pode não identificar adequadamente microrganismos anaeróbios ou arqueias produtoras de metano¹˒⁵.

Por estas razões, é utilizada sobretudo em centros especializados ou em casos selecionados¹˒².


Tratamento

O tratamento do SIBO deve ter como objetivos reduzir a carga microbiana excessiva, aliviar sintomas, corrigir défices nutricionais e tratar a causa subjacente¹˒².

A abordagem pode incluir antibióticos, estratégias dietéticas, correção de fatores predisponentes, melhoria da motilidade intestinal e acompanhamento clínico¹˒²˒¹⁰.

Tratar apenas com antibiótico, sem corrigir a causa de base, aumenta o risco de recidiva¹¹.


Estratégia terapêutica moderna:

Confirmar suspeita clínica

Identificar fatores de risco

Tratar crescimento bacteriano

Corrigir défices nutricionais

Melhorar motilidade

Prevenir recidivas


Rifaximina

A rifaximina é o antibiótico mais estudado no SIBO e possui absorção sistémica mínima, atuando predominantemente no lúmen intestinal¹˒¹⁰.

Meta-análises indicam que a terapêutica antibiótica pode melhorar sintomas e normalizar testes respiratórios em parte dos doentes com SIBO¹⁰.

A resposta à rifaximina parece ser mais favorável nos casos com predominância de hidrogénio, enquanto os casos metanogénicos podem necessitar de estratégias combinadas¹˒²².


Tabela 9 — Rifaximina no SIBO

CaracterísticaSignificadoRelevância
Baixa absorçãoAção localMelhor tolerabilidade
Evidência amplaMais estudadaUso frequente
Melhor no H₂DiarreiaMaior resposta
Menor no CH₄ObstipaçãoPode exigir combinação

Dieta Low-FODMAP

A dieta Low-FODMAP reduz hidratos de carbono fermentáveis, podendo diminuir produção de gases, distensão abdominal e dor em doentes com sintomas funcionais gastrointestinais¹⁹˒²⁰.

Apesar de útil no controlo sintomático, esta dieta não deve ser apresentada como “cura” do SIBO¹⁹.

A fase restritiva deve ser temporária, seguida de reintrodução progressiva, idealmente com acompanhamento profissional, para evitar restrição alimentar desnecessária e possível redução da diversidade da microbiota¹⁹˒²⁰.


Tabela 10 — Principais exemplos FODMAP

Mais ricos em FODMAPMais pobres em FODMAP
CebolaCenoura
AlhoCourgette
MaçãMorango
TrigoArroz
LeguminosasBatata

A evidência apoia sobretudo uma redução temporária de alimentos altamente fermentáveis (Low-FODMAP) para controlo dos sintomas, seguida de reintrodução gradual dos alimentos, idealmente com acompanhamento de um nutricionista ou médico.¹⁻⁴

Alimento a limitar (fase inicial)MotivoAlternativa mais adequada
CebolaMuito rica em frutanos (FODMAP), altamente fermentáveisCebolinho (parte verde), azeite aromatizado com ervas
AlhoElevado teor de frutanosAzeite aromatizado com ervas aromáticas
Trigo (pão branco, massas tradicionais)Rico em frutanosArroz, aveia, quinoa, milho, trigo-sarraceno
Leguminosas (feijão, grão, lentilhas)Elevado teor de galacto-oligossacáridosTofu firme, pequenas quantidades de lentilhas enlatadas bem lavadas*
MaçãRica em frutose e sorbitolMorangos, mirtilos, kiwi, uvas
PeraRica em frutose e sorbitolLaranja, banana pouco madura, ananás
MelElevado teor de frutosePequenas quantidades de açúcar comum ou xarope de ácer (maple) puro
Leite (se intolerância à lactose)Lactose fermentávelLeite sem lactose ou bebidas vegetais sem adição de FODMAP elevados
CogumelosAlguns são ricos em polióis (manitol)Courgette, beringela, espinafres
Couve-florRica em manitolBrócolos (em porção moderada), feijão-verde, cenoura

* A quantidade é importante. Algumas leguminosas enlatadas e bem escorridas podem ser melhor toleradas do que as secas.

Alimentos geralmente melhor tolerados

Os seguintes alimentos são frequentemente bem tolerados na fase inicial da dieta Low-FODMAP:

GrupoExemplos
ProteínasPeixe, frango, peru, ovos, carne magra
CereaisArroz, quinoa, aveia, milho
HortícolasCenoura, courgette, espinafres, pepino, tomate, alface
FrutaKiwi, morangos, mirtilos, laranja, uvas, banana pouco madura
GordurasAzeite virgem extra, nozes (em quantidade moderada), sementes
LacticíniosProdutos sem lactose (quando necessário)

Alimentos que podem aumentar a produção de gases

Independentemente do SIBO, algumas pessoas referem agravamento dos sintomas com:

  • Bebidas gaseificadas
  • Cerveja
  • Vinho (em alguns indivíduos, devido ao álcool, histamina e outros compostos)
  • Gomas e rebuçados com sorbitol, manitol ou xilitol
  • Grandes quantidades de cebola e alho crus

Nota importante

A dieta Low-FODMAP não deve ser seguida de forma permanente. A evidência científica recomenda três fases:

  1. Restrição temporária (habitualmente 2–6 semanas).
  2. Reintrodução gradual e sistemática dos diferentes grupos de FODMAP.
  3. Personalização da alimentação, evitando apenas os alimentos que desencadeiam sintomas.

Uma restrição prolongada pode reduzir a diversidade da microbiota intestinal, o que não é desejável a longo prazo.¹˒²

Principais referências científicas da tabela dos alimentos:

  1. Pimentel M, Saad RJ, Long MD, Rao SSC. ACG Clinical Guideline: Small Intestinal Bacterial Overgrowth. Am J Gastroenterol. 2020;115(2):165-178.
  2. Quigley EMM, Murray JA, Pimentel M. AGA Clinical Practice Update on Small Intestinal Bacterial Overgrowth: Expert Review. Gastroenterology. 2020;159(4):1526-1532.
  3. Staudacher HM, Whelan K. The Low FODMAP Diet: Recent Advances in Understanding Its Mechanisms and Efficacy. Gut. 2017;66(8):1517-1527.
  4. Halmos EP, Gibson PR. Controversies and reality of the FODMAP diet for patients with irritable bowel syndrome. J Gastroenterol Hepatol. 2019;34(7):1134-1142.
  5. Hammer HF, Fox MR, Keller J, et al. European guideline on indications, performance and clinical impact of hydrogen and methane breath tests. United European Gastroenterol J. 2022;10(1):15-40.

Probióticos

Os probióticos continuam a ser uma área controversa no SIBO¹⁶˒¹⁷.

Uma meta-análise sugeriu que os probióticos podem melhorar alguns sintomas e reduzir resultados positivos em testes respiratórios, mas a heterogeneidade dos estudos limita conclusões definitivas¹⁶.

Os efeitos dependem da estirpe, dose, duração, contexto clínico e características individuais do doente¹⁶˒¹⁷.

Assim, os probióticos não devem ser recomendados universalmente para todos os casos, mas podem ser ponderados de forma individualizada¹⁶˒¹⁸.

Não existe atualmente nenhuma estirpe de probiótico recomendada pelas principais guidelines (ACG ou AGA) como tratamento de primeira linha para o SIBO. A evidência é heterogénea e depende da estirpe, da dose, da duração do tratamento e das características do doente.¹˒²

Contudo, algumas estirpes apresentam resultados promissores em estudos clínicos, sobretudo como adjuvantes após antibioterapia ou para melhoria dos sintomas.

Tabela – Estirpes de probióticos com melhor evidência científica no contexto de SIBO

EstirpeNível de evidênciaPotenciais benefíciosComentários
Lacticaseibacillus rhamnosus GG (antigo Lactobacillus rhamnosus GG)★★★☆☆Pode reduzir sintomas digestivos e modular a microbiotaUma das estirpes mais estudadas e geralmente bem tolerada.³
Limosilactobacillus reuteri DSM 17938 (antigo Lactobacillus reuteri)★★★☆☆Pode melhorar a motilidade e reduzir inflamaçãoResultados promissores, mas ainda limitados em SIBO.⁴
Saccharomyces boulardii CNCM I-745★★★★☆Pode reduzir recorrência e melhorar sintomas quando associado ao tratamento convencionalÉ uma levedura, não uma bactéria; menor risco teórico de contribuir para fermentação bacteriana.⁵
Bifidobacterium lactis HN019★★★☆☆Pode acelerar o trânsito intestinal e melhorar obstipaçãoInteressante em doentes com obstipação predominante ou IMO.⁶
Bifidobacterium longum★★★☆☆Pode reduzir inflamação e melhorar sintomas funcionaisEvidência indireta proveniente de SII e disbiose.⁷
Bifidobacterium infantis 35624★★★☆☆Pode reduzir dor abdominal e distensãoMelhor evidência em síndrome do intestino irritável do que em SIBO.⁸
Lactiplantibacillus plantarum 299v (antigo Lactobacillus plantarum)★★★☆☆Pode diminuir produção de gases e melhorar desconforto abdominalDados sobretudo em SII.⁹
Bacillus coagulans MTCC 5856 / GBI-30, 6086★★☆☆☆Potencial melhoria da digestão e redução de gasesEvidência ainda limitada.¹⁰
Bacillus clausii★★☆☆☆Pode favorecer recuperação da microbiota após antibióticosPoucos estudos específicos em SIBO.¹¹
Misturas multicepas (Bifidobacterium + Lactobacillus)★★☆☆☆Alguns estudos mostram melhoria sintomáticaOs resultados variam muito consoante a composição; não podem ser generalizados.¹²

Estirpes que considero mais interessantes

Se tivesse de selecionar apenas quatro com melhor racional científico, seriam:

EstirpeSituação em que pode ser mais útil
Saccharomyces boulardii CNCM I-745Após antibioterapia e para reduzir recorrências
Bifidobacterium lactis HN019Obstipação e trânsito intestinal lento
Lacticaseibacillus rhamnosus GGModulação geral da microbiota
Limosilactobacillus reuteri DSM 17938Alterações da motilidade e sintomas funcionais

Em alguns doentes com SIBO ativo, determinados probióticos parecem ser bem tolerados, mas noutros podem aumentar a fermentação e agravar a distensão. A resposta é muito individual.¹˒²˒¹³

Se um teste respiratório vier a confirmar IMO (predomínio de metano) ou SIBO e os sintomas persistirem após o tratamento dirigido, então faria sentido ponderar um probiótico selecionado, preferindo uma única estirpe bem estudada em vez de uma mistura complexa.

Principais referências científicas da tabela de probióticos:

  1. Pimentel M, Saad RJ, Long MD, Rao SSC. ACG Clinical Guideline: Small Intestinal Bacterial Overgrowth. Am J Gastroenterol. 2020;115(2):165-178.
  2. Quigley EMM, Murray JA, Pimentel M. AGA Clinical Practice Update on Small Intestinal Bacterial Overgrowth: Expert Review. Gastroenterology. 2020;159(4):1526-1532.
  3. Doron S, Snydman DR. Risk and safety of probiotics. Clin Infect Dis. 2015;60(Suppl 2):S129-S134.
  4. Francavilla R, et al. Clinical and microbiological effect of Limosilactobacillus reuteri in gastrointestinal disorders. J Pediatr Gastroenterol Nutr. Diversos estudos.
  5. McFarland LV. Systematic review and meta-analysis of Saccharomyces boulardii in adult patients. World J Gastroenterol. 2010.
  6. Waller PA, et al. Bifidobacterium lactis HN019 and gastrointestinal transit. Scand J Gastroenterol. 2011.
  7. O’Callaghan A, van Sinderen D. Bifidobacteria and their role as members of the human gut microbiota. Front Microbiol. 2016.
  8. Whorwell PJ, et al. Efficacy of Bifidobacterium infantis 35624 in irritable bowel syndrome. Am J Gastroenterol. 2006.
  9. Ducrotté P, et al. Clinical effects of Lactiplantibacillus plantarum 299v in IBS. World J Gastroenterol. 2012.
  10. Majeed M, et al. Bacillus coagulans MTCC 5856 in functional gastrointestinal disorders. Nutr J. 2016.
  11. Ciprandi G, et al. Bacillus clausii in gastrointestinal disorders. Clin Exp Gastroenterol. 2020.
  12. Zhong C, Qu C, Wang B, Liang S, Zeng B. Probiotics for Preventing and Treating Small Intestinal Bacterial Overgrowth: A Meta-Analysis and Systematic Review. J Clin Gastroenterol. 2017;51(4):300-311.
  13. Rao SSC, Rehman A, Yu S, Andino NM. Brain fogginess, gas and bloating: a link between probiotics, SIBO and D-lactic acidosis. Clin Transl Gastroenterol. 2018;9:e170.

Prevenção de recidivas

As recidivas após tratamento são frequentes, sobretudo quando persistem fatores predisponentes como hipomotilidade, alterações anatómicas, doença sistémica ou uso prolongado de medicação predisponente¹¹.

Um estudo clássico demonstrou recorrência significativa após antibioterapia, reforçando a importância de tratar a causa subjacente e manter vigilância clínica¹¹.

A prevenção passa por rever medicação, otimizar motilidade, corrigir défices nutricionais, controlar doenças de base e evitar dietas excessivamente restritivas sem indicação clínica¹˒²˒¹¹.


Tabela 11 — Estratégias para reduzir recidivas

EstratégiaObjetivo
Tratar doença de baseReduzir fator causal
Rever IBPEvitar hipocloridria desnecessária
Melhorar motilidadeReduzir estase
Corrigir déficesRecuperar estado nutricional
Seguimento clínicoDetetar recidiva precoce

17. Mitos e factos

MitoFacto científico
Todo o inchaço é SIBOExistem muitas causas de distensão abdominal¹˒²
Um teste positivo confirma tudoO contexto clínico é indispensável¹˒³˒⁴
A dieta cura semprePode aliviar sintomas, mas não elimina necessariamente a causa¹⁹
Probióticos resolvem todos os casosA evidência é heterogénea¹⁶˒¹⁷
A rifaximina resulta sempreA resposta varia entre doentes¹˒¹⁰

Perguntas frequentes

O SIBO é contagioso?

Não. O SIBO não é considerado uma doença contagiosa; resulta sobretudo de alterações internas da motilidade, anatomia, secreções digestivas ou doenças associadas¹˒².

O SIBO pode voltar?

Sim. As recidivas são frequentes quando a causa subjacente não é corrigida¹¹.

Todos os doentes precisam de antibiótico?

Não necessariamente. A decisão deve depender da gravidade dos sintomas, contexto clínico, fatores de risco e resultados dos exames¹˒².

A dieta Low-FODMAP deve ser permanente?

Não. Deve ser usada por tempo limitado, com reintrodução gradual de alimentos¹⁹˒²⁰.

Os probióticos são obrigatórios?

Não. Podem ajudar alguns doentes, mas a evidência não justifica uso universal¹⁶˒¹⁷.


Conclusão

O SIBO é uma condição complexa, situada na interseção entre microbiota intestinal, motilidade gastrointestinal, anatomia digestiva, secreções intestinais e doenças sistémicas¹˒²˒⁵. Embora esteja cada vez mais presente na discussão pública sobre saúde digestiva, continua a exigir uma abordagem clínica cuidadosa, porque os sintomas são inespecíficos e os testes disponíveis têm limitações relevantes³˒⁴.

A melhor estratégia passa por uma abordagem integrada: suspeita clínica adequada, uso criterioso dos testes respiratórios, identificação dos fatores predisponentes, tratamento individualizado, correção nutricional e prevenção de recidivas¹˒²˒¹¹. À medida que a investigação sobre microbioma, metabolómica e arqueias intestinais evolui, é provável que surjam métodos diagnósticos mais precisos e terapias mais personalizadas⁵˒²⁹˒³⁰.


Principais mensagens a reter

✓ O SIBO corresponde a crescimento excessivo de microrganismos no intestino delgado¹˒².
✓ Os sintomas mais comuns são inchaço, gases, dor abdominal, diarreia e obstipação¹˒².
✓ O metano está frequentemente associado à obstipação³˒²².
✓ Os testes respiratórios são úteis, mas têm limitações³˒⁴.
✓ A rifaximina é o antibiótico mais estudado¹˒¹⁰.
✓ A dieta Low-FODMAP pode melhorar sintomas, mas não deve ser permanente¹⁹˒²⁰.
✓ As recidivas são frequentes se a causa subjacente não for corrigida¹¹.


Bibliografia científica

  1. Pimentel M, Saad RJ, Long MD, Rao SSC. ACG Clinical Guideline: Small Intestinal Bacterial Overgrowth. Am J Gastroenterol. 2020;115(2):165-178. doi:10.14309/ajg.0000000000000501. URL: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/32023228/
  2. Quigley EMM, Murray JA, Pimentel M. AGA Clinical Practice Update on Small Intestinal Bacterial Overgrowth: Expert Review. Gastroenterology. 2020;159(4):1526-1532. doi:10.1053/j.gastro.2020.06.090. URL: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/32679220/
  3. Rezaie A, Buresi M, Lembo A, Lin H, McCallum R, Rao S, et al. Hydrogen and Methane-Based Breath Testing in Gastrointestinal Disorders: The North American Consensus. Am J Gastroenterol. 2017;112(5):775-784. doi:10.1038/ajg.2017.46. URL: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/28323273/
  4. Hammer HF, Fox MR, Keller J, Salvatore S, Basilisco G, Benninga M, et al. European guideline on indications, performance and clinical impact of hydrogen and methane breath tests. United European Gastroenterol J. 2022;10(1):15-40. doi:10.1002/ueg2.12133. URL: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/34512960/
  5. Bushyhead D, Quigley EMM. Small Intestinal Bacterial Overgrowth: Pathophysiology and Its Implications for Definition and Management. Gastroenterology. 2022;163(3):593-607. doi:10.1053/j.gastro.2022.04.002. URL: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/35460766/
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Chás infusões tisanas e medicamentos estratégias de segurança

Chás, infusões e tisanas qual a influência das infusões e do chá na atividade terapêutica dos medicamentos? Quais as principais interações medicamentosas e efeitos adversos das infusões e chás? Qual a diferença entre chá, infusão e tisana?

Neste artigo vou descrever os principais chás, infusões e tisanas, quais as suas propriedades e interações medicamentosas. A lista de infusões ordenada alfabeticamente com os nomes científicos das plantas entre parênteses, para que possas já identificar a tua infusão habitual, é descrita de seguida:

  1. Ashwagandha (Withania somnifera)
  2. Barbas de Milho (Zea mays)
  3. Camomila (Matricaria chamomilla ou Chamaemelum nobile)
  4. Canela – Cinnamomum verum (canela-do-ceilão) ou Cinnamomum cassia (canela-cássia)
  5. Carqueja (Baccharis trimera)
  6. Cavalinha (Equisetum arvense)
  7. Cidreira (Melissa officinalis)
  8. Cogumelo juba-de-leão (Hericium erinaceus)
  9. Equinácea (Echinacea purpurea, Echinacea angustifolia ou Echinacea pallida)
  10. Erva-doce (Foeniculum vulgare)
  11. Erva de São Roberto (Geranium robertianum)
  12. Flor de Laranjeira (Citrus aurantium)
  13. Flor de Tília (Tilia cordata ou Tilia platyphyllos)
  14. Frutos Vermelhos (diversas espécies, geralmente Rubus idaeus ou Vaccinium spp.)
  15. Gengibre (Zingiber officinale)
  16. Hibisco (Hibiscus sabdariffa)
  17. Hipericão (Erva-de-São-João) (Hypericum perforatum)
  18. Hortelã (Mentha spicata ou Mentha piperita)
  19. Jasmim (Jasminum officinale ou Jasminum sambac)
  20. Lavanda (Lavandula angustifolia)
  21. Limonete (Erva-Luísa) (Aloysia citrodora)
  22. Limão (Citrus limon)
  23. Louro (Laurus nobilis)
  24. Macela Cabeças (Achyrocline satureioides)
  25. Malvas (Malva sylvestris)
  26. Pau d’Arco (Tabebuia impetiginosa ou Handroanthus impetiginosus)
  27. Pés de Cereja (Prunus avium)
  28. Quebra-Pedra (Phyllanthus niruri)
  29. Sene (Cassia angustifolia)
Chás infusões e interações com medicamentos
Chás infusões e interações com medicamentos

Lista de chás referidos no artigo:

  • Chá verde (Camellia sinensis)
  • Chá preto (Camellia sinensis)
  • Chá branco (Camellia sinensis)
  • Chá Oolong (Camellia sinensis)
  • Chá de matcha (Camellia sinensis)
  • Chá imperial (mistura de Camellia sinensis com outras plantas)

Neste artigo vou tratar os seguintes temas:

  • Diferença entre chá, infusão e tisana
  • Plantas mais usadas
  • Propriedades terapêuticas
  • Interações com medicamentos
  • Melhores combinações de plantas para potenciar efeito terapêutico
  • Relaxamento e insónia (melhor tisana)
  • Digestão e alívio de cólicas (melhor tisana)
  • Imunidade melhorada (melhor tisana)
  • Desintoxicação e retenção de líquidos (melhor tisana)
  • Stress e ansiedade (melhor tisana) 
  • Problemas renais e cálculos no rim ou pedra no rim (melhor tisana)
  • Resfriados e tosse (melhor tisana)
  • Obstipação ou intestino preso (melhor tisana)
  • Forma de preparação das tisanas
As cinco grandes mentiras sobre saúde
As cinco grandes mentiras sobre saúde

Chás infusões e tisanas qual a diferença?

Embora muitas pessoas acreditem ser a mesma coisa, grande parte das bebidas quentes a que chamamos chá são, na verdade, infusões. Os chás são bebidas feitas a partir de uma única planta, a Camellia sinenses, também conhecida como “Chá-da-Índia”. Assim, bebidas preparadas a partir de outras plantas como cidreira, camomila, erva doce, melissa ou especiarias, são classificadas como infusões.

Com a planta Camellia sinenses, é possível preparar uma enorme variedade de chás, que variam de acordo com o cultivo, nível de fermentação, coleta e preparação das folhas. No geral, os diversos tipos podem ser divididos em quatro grupos:

  • Chá preto,  altamente fermentado e de sabor forte;
  • Chá oolong, de fermentação mediana com sabor intermediário;
  • Chá verde, levemente fermentado e com sabor suave;
  • Chá branco: produzido a partir de folhas jovens e tenras, não fermentado.

Já a infusão é o nome do processo que utiliza água fervente numa substância para extrair os seus princípios ativos e medicinais. Por exemplo, o denominado chá de camomila é na verdade uma infusão.

Chá

  • Origem: O chá propriamente dito vem da planta Camellia sinensis. As variedades de chá (preto, verde, branco, oolong) são todas derivadas dessa planta, com diferenças no processamento e oxidação das folhas.
  • Cafeína: O chá contém cafeína, com níveis que variam dependendo do tipo e do tempo de infusão.
  • Benefícios: Cada tipo de chá oferece diferentes benefícios para a saúde, como antioxidantes, que ajudam na prevenção de doenças.

Infusão

  • Origem: As infusões são feitas com uma variedade de plantas, ervas, flores, frutas e especiarias que não vêm da Camellia sinensis. Exemplos incluem camomila, hortelã, erva-cidreira, erva-doce e hibisco.
  • Cafeína: Geralmente, infusões não contêm cafeína, tornando-as uma boa opção para quem quer evitar esse estimulante.
  • Benefícios: Dependem dos ingredientes usados. Por exemplo, a camomila é conhecida por suas propriedades calmantes, enquanto a hortelã pode ajudar na digestão.

Preparação

Tanto chás quanto infusões são preparados com a imersão das folhas ou partes das plantas em água quente. No entanto, a temperatura da água e o tempo de infusão podem variar dependendo da planta para otimizar o sabor e as propriedades da bebida.

Em resumo, o chá vem exclusivamente da Camellia sinensis e pode conter cafeína, enquanto as infusões são mais diversificadas em termos de ingredientes e geralmente não contêm cafeína.


Tisanas

As tisanas são preparações feitas à base de ervas, flores, folhas, raízes, cascas ou frutos de plantas, geralmente preparadas através de infusão, decocção ou macerado em água quente ou fria. O termo é frequentemente usado como sinónimo de infusões, mas pode ter um significado mais amplo, englobando diferentes métodos de extração dos princípios ativos das plantas.

Características das Tisanas:

  1. Sem cafeína – Ao contrário do chá (que vem da planta Camellia sinensis), as tisanas não contêm cafeína, tornando-as uma opção mais relaxante e versátil.
  2. Diversidade de ingredientes – Podem incluir ervas medicinais (como camomila, hortelã), frutas secas, especiarias (como canela) e até flores (como hibisco ou lavanda).
  3. Uso terapêutico – Muitas tisanas são utilizadas na medicina natural para tratar ou aliviar condições como ansiedade, insónia, problemas digestivos, resfriados e inflamações.
  4. Preparação variada
    • Infusão – Para partes delicadas como folhas e flores.
    • Decocção – Para partes mais duras, como raízes e cascas.
    • Macerado – Deixar os ingredientes em água fria por horas (ideal para extrair certos compostos sensíveis ao calor).

Exemplos de Tisanas

  • Calmantes: Camomila, erva-cidreira, flor de laranjeira.
  • Digestivas: Hortelã, gengibre, erva-doce.
  • Diuréticas: Cavalinha, hibisco, barbas de milho.
  • Imunológicas: Pau d’arco, equinácea, gengibre com limão.

Benefício principal

As tisanas são altamente personalizáveis, podendo ser misturadas de acordo com o gosto ou a necessidade terapêutica de cada pessoa. Assim, as tisanas representam uma prática tradicional e natural de cuidado com a saúde e bem-estar.

Chás infusões e tisanas propriedades e efeitos adversos
Chás infusões e tisanas propriedades e efeitos adversos

Propriedades terapêuticas e interações com medicamentos

De seguida descrevo as propriedade medicinais mais relevantes e as interações medicamentosas mais perigosas.

Chá Verde, Chá Preto, Chá Branco e Chá Oolong

Propriedades:

Interações:

O chá verde, rico em catequinas com forte ação antioxidante, pode interferir na eficácia de anticoagulantes, elevando o risco de formação de coágulos sanguíneos.

  • Anticoagulantes: Pode aumentar o risco de sangramentos devido à presença de vitamina K (especialmente chá verde).
  • Medicamentos para pressão arterial: Pode interferir no controle da pressão devido ao efeito estimulante da cafeína.
  • Medicamentos para ansiedade e insónia: Pode aumentar os efeitos adversos devido à cafeína.

Infusões

Descrevo de seguida as principais infusões com efeitos medicinais, respetivas propriedades terapêuticas e interações medicamentosas.

Camomila

Camomila propriedades e efeitos adversos
Camomila propriedades e efeitos adversos

Propriedades: Calmante, anti-inflamatório, auxilia na digestão.

Interações com medicamentos :

A camomila, conhecida pelas suas propriedades digestivas e sedativas, pode potencializar os efeitos de anticoagulantes orais, aumentando o risco de hemorragias. Além disso, em doses elevadas, pode causar paralisia dos músculos lisos do aparelho digestivo, útero e bexiga.

  • Anticoagulantes/antiplaquetários: Pode aumentar o risco de sangramento.
  • Sedativos: Pode intensificar o efeito sedativo.
  • Antidepressivos: Pode potencializar os efeitos de medicamentos como os inibidores da MAO.

Cidreira

Cidreira propriedades e efeitos adversos
Cidreira propriedades e efeitos adversos

Propriedades: Calmante, melhora a digestão, alivia ansiedade.

Interações com medicamentos :

A Cidreira com o sedativo pentobarbital, potencializa o efeito do medicamento. Não é recomendado para hipotensos (pressão baixa).

  • Sedativos: Pode intensificar o efeito sedativo.
  • Tiróide: Pode interferir no funcionamento da tiróide em doses elevadas.

Flor de Tília

Tília propriedades e efeitos adversos
Tília propriedades e efeitos adversos

Propriedades: Calmante, diurético leve, ajuda na insónia, ansiedade e problemas respiratórios (tosse e resfriados).

Interações com medicamentos :

  • Sedativos Pode intensificar o efeito sedativo.
  • Diuréticos Pode aumentar o efeito diurético.

Limão

Limão propriedades e efeitos adversos
Limão propriedades e efeitos adversos

Propriedades: Refrescante, antioxidante, auxilia na digestão.

Interações com medicamentos:

  • Medicamentos para pressão arterial: Pode potencializar o efeito anti-hipertensivo.
  • Antiácidos: Pode alterar a absorção.

Sene

Sene propriedades e efeitos adversos
Sene propriedades e efeitos adversos

Propriedades: Laxante poderoso, usado para tratar obstipação.

Interações com medicamentos :

  • Laxantes: Pode causar perda excessiva de eletrólitos se usado com outros laxantes.
  • Diuréticos: Pode aumentar o risco de desequilíbrio eletrolítico.
  • Medicamentos cardíacos: Pode interferir devido à perda de potássio, afetando o funcionamento cardíaco.

Hipericão (Erva-de-São-João)

Hipericão propriedades e efeitos adversos
Hipericão propriedades e efeitos adversos

Propriedades: Antidepressivo natural, anti-inflamatório.

Interações com medicamentos:

A erva-de-São-João, frequentemente utilizada para tratar sintomas de depressão leve, pode interagir com antidepressivos, como a sertralina, levando a efeitos colaterais como sedação excessiva e depressão do sistema nervoso central.

  • Antidepressivos: Pode causar síndrome serotoninérgica se combinado.
  • Anticoncepcionais: Pode reduzir a eficácia.
  • Anticoagulantes: Pode diminuir a eficácia.
  • Imunossupressores: Pode reduzir a eficácia de medicamentos como a ciclosporina.

Gengibre

Gengibre propriedades e efeitos adversos
Gengibre propriedades e efeitos adversos

Propriedades: Anti-inflamatório, melhora digestão, alivia náuseas.

Interações com medicamentos :

O chá de gengibre, embora popular por causa das suas propriedades anti-inflamatórias, pode aumentar o risco de sangramento quando consumido em grandes quantidades juntamente com anticoagulantes.

  • Anticoagulantes/antiplaquetários: Pode aumentar o risco de sangramento.
  • Hipoglicemiantes: Pode potencializar o efeito, causando hipoglicemia.

 Jasmim

Jasmin propriedades e efeitos adversos
Jasmin propriedades e efeitos adversos

Propriedades: Relaxante, melhora o humor, antioxidante.

Interações com medicamentos : Pode potencializar o efeito de sedativos e ansiolíticos.


Erva-doce

Erva doce propriedades e efeitos adversos
Erva doce propriedades e efeitos adversos

Propriedades: Digestivo, anti-inflamatório, alivia cólicas.

Interações com medicamentos:

  • Anticoagulantes/antiplaquetários: Pode aumentar o risco de sangramento.
  • Estrogénios: Pode interferir na eficácia de terapias hormonais.

Hibisco (rosa ou flor da Jamaica)

Hibisco ou rosa da Jamaica ou flor da Jamaica propriedades e efeitos adversos
Hibisco ou rosa da Jamaica ou flor da Jamaica propriedades e efeitos adversos

Propriedades: Diurético, antioxidante, ajuda no controle da pressão arterial.

Interações com medicamentos :

  • Antihipertensivos: Pode potencializar o efeito, causando pressão arterial muito baixa.
  • Diuréticos: Pode aumentar o efeito diurético, causando desequilíbrios eletrolíticos.

Hortelã

Hortelã propriedades e efeitos adversos
Hortelã propriedades e efeitos adversos

Propriedades: Digestivo, alivia dores de cabeça, calmante.

Interações com medicamentos:

  • Antiácidos: Pode interferir na eficácia.
  • Sedativos: Pode intensificar o efeito sedativo.

Barbas de Milho

Barbas de milho propriedades e efeitos adversos
Barbas de milho propriedades e efeitos adversos

Propriedades: Diurético, anti-inflamatório, ajuda na saúde renal.

Interações com medicamentos:

  • Diuréticos: Pode intensificar o efeito, levando a desidratação ou desequilíbrios eletrolíticos.
  • Antihipertensivos: Pode potencializar a redução da pressão arterial.

Pés de Cereja

Pés de cereja propriedades e efeitos adversos
Pés de cereja Prunus avium

Propriedades: Diurético, purificante, usado para tratar problemas renais e urinários.

Interações com medicamentos:

  • Diuréticos: Pode aumentar o efeito diurético, causando desequilíbrios eletrolíticos.
  • Medicamentos para pressão arterial: Pode intensificar o efeito hipotensor.

Erva de São Roberto

Erva de São Roberto propriedades e efeitos adversos
Erva de São Roberto propriedades e efeitos adversos

Propriedades: Anti-inflamatório, diurético, hemostático.

Interações com medicamentos:

  • Anticoagulantes/antiplaquetários: Pode aumentar o risco de sangramento.
  • Diuréticos: Pode potencializar o efeito diurético.

Frutos Vermelhos

Frutos vermelhos framboesas propriedades e efeitos adversos
Frutos vermelhos framboesas propriedades e efeitos adversos

Propriedades: Antioxidante, anti-inflamatório, fortalece o sistema imunológico.

Interações com medicamentos: Geralmente, tem menos interações, mas em quantidades elevadas, pode interferir na absorção de certos medicamentos.


Cavalinha

Cavalinha propriedades e efeitos adversos
Cavalinha propriedades e efeitos adversos

Propriedades: Diurético, adstringente, rico em sílica (bom para ossos e unhas), ajuda no tratamento de infeções urinárias e retenção de líquidos.

Interações com medicamentos:

  • Diuréticos: Pode intensificar o efeito, causando desequilíbrios eletrolíticos.
  • Antihipertensivos: Pode diminuir excessivamente a pressão arterial.
  • Lítio: Pode alterar a excreção do lítio, aumentando o risco de efeitos colaterais.

Flor de Laranjeira

Flor de laranjeira propriedades e efeitos adversos
lor de laranjeira propriedades e efeitos adversos

Propriedades: Calmante, sedativo leve, ajuda na ansiedade, insônia e problemas digestivos.

Interações com medicamentos :

  • Sedativos: Pode intensificar o efeito sedativo.
  • Antidepressivos: Pode interagir com inibidores da MAO (raro, mas possível).

Limonete (Erva-Luísa)

Limonete (Erva -Luísa) propriedades e efeitos adversos
Limonete (Erva -Luísa) propriedades e efeitos adversos

Propriedades: Calmante, digestivo, antioxidante, alivia cólicas e problemas gastrointestinais.

Interações com medicamentos :

  • Sedativos: Pode potencializar o efeito sedativo.
  • Medicamentos gastrointestinais: Pode alterar o pH gástrico e interferir na eficácia de alguns medicamentos.

Macela Cabeças

Macela propriedades e efeitos adversos
Macela propriedades e efeitos adversos

Propriedades: Anti-inflamatório, calmante, digestivo, ajuda a aliviar dores de estômago e cólicas.

Interações com medicamentos :

  • Anticoagulantes: Pode aumentar o risco de sangramento.
  • Medicamentos gastrointestinais: Pode potencializar ou interferir no efeito.

Malvas

Malva propriedades e efeitos adversos
Malva propriedades e efeitos adversos

Propriedades: Emoliente, calmante, expetorante, ajuda em problemas respiratórios, digestivos e na inflamação das mucosas.

Interações com medicamentos :

  • Antidiabéticos: Pode interferir nos níveis de glicose no sangue.
  • Medicamentos respiratórios: Pode potencializar o efeito mucolítico.

Pau d’Arco

Pau D´'arco propriedades e efeitos adversos
Pau D´’arco propriedades e efeitos adversos

Propriedades: Antifúngico, anti-inflamatório, antioxidante, fortalece o sistema imunológico, usado no tratamento de infeções e doenças crónicas.

Interações com medicamentos :

  • Anticoagulantes: Pode aumentar o risco de sangramento.
  • Imunossupressores: Pode reduzir a eficácia.
  • Antidiabéticos: Pode interferir nos níveis de glicose.

Quebra-Pedra

Quebra-pedra propriedades e efeitos adversos
Quebra-pedra propriedades e efeitos adversos

Propriedades: Diurético, ajuda no tratamento de cálculos renais, anti-inflamatório, protetor hepático.

Interações com medicamentos:

  • Diuréticos: Pode aumentar o efeito, causando desequilíbrios eletrolíticos.
  • Antihipertensivos: Pode reduzir excessivamente a pressão arterial.
  • Medicamentos para diabetes: Pode potencializar a hipoglicemia.

Equinácea

Equinácea propriedades e efeitos adversos
Equinácea propriedades e efeitos adversos

Propriedades:

  • Fortalece o sistema imunitário;
  • Previne e trata resfriados e gripes;
    • Antiviral e antibacteriano;
    • Anti-inflamatório, útil em infecções respiratórias e problemas de pele.

Interações com medicamentos:

  • Imunossupressores;
    • Pode reduzir a eficácia de medicamentos como ciclosporina, tacrolimus e corticosteroides;
    • Medicamentos para alergias: Pode aumentar o risco de reações alérgicas em pessoas sensíveis;
    • Anticoagulantes/antiplaquetários: Pode interferir na coagulação, aumentando o risco de hemorragias;
  • Observação: Não é recomendado para uso prolongado (geralmente até 10-14 dias) ou para pessoas com doenças autoimunes.

Canela

Canela propriedades e efeitos adversos
Canela propriedades e efeitos adversos

Propriedades:

  • Antioxidante;
    • Anti-inflamatória e antimicrobiana;
    • Ajuda no controle da glicemia (reduz os níveis de açúcar no sangue);
    • Estimula a circulação e pode ajudar na digestão.

Interações com medicamentos:

  • Anticoagulantes (ex.: varfarina);
    • Pode aumentar o risco de sangramentos, especialmente com o uso de Cinnamomum cassia devido ao alto teor de cumarina;
    • Medicamentos para diabetes – pode potencializar a redução de glicemia, causando hipoglicemia;
    • Antibióticos e hepatotóxicos – pode sobrecarregar o fígado em doses elevadas ou prolongadas;
  • Observação: O consumo em quantidades moderadas é seguro; evite o uso excessivo, especialmente da canela-cássia.

Lavanda

Lavanda propriedades e efeitos adversos
Lavanda propriedades e efeitos adversos

Propriedades

  • Calmante, sedativa e relaxante;
    • Ajuda na ansiedade, insônia e tensão nervosa;
    • Antiespasmódica, útil para aliviar dores musculares e cólicas;
    • Antisséptica, pode ser usada externamente para pequenas feridas e irritações na pele.

Interações com medicamentos:

  • Sedativos (ex.: benzodiazepinas, barbitúricos);
    • Pode intensificar o efeito sedativo, causando sonolência excessiva;
    • Antidepressivos: Pode potencializar o efeito calmante, o que pode levar à sonolência;
    • Anticonvulsivantes: Pode interferir na eficácia ou intensificar os efeitos de medicamentos para convulsões;
  • Observação: Geralmente segura quando consumida em doses moderadas. Evitar o uso excessivo em crianças pequenas e mulheres grávidas sem orientação.

Carqueja

Carqueja propriedades e efeitos adversos
Carqueja propriedades e efeitos adversos

Propriedades:

  • Digestiva;
    • Hepatoprotetora (auxilia na proteção e desintoxicação do fígado);
    • Diurética (ajuda na eliminação de líquidos e no funcionamento renal).
    • Anti-inflamatória e antioxidante;
    • Ajuda a reduzir os níveis de glicose no sangue e é utilizada tradicionalmente no controle da diabetes.

Interações com medicamentos:

  • A Carqueja potencia o efeito do lítio (usado em medicamentos que controlam a depressão);
    • Medicamentos para diabetes: Pode potencializar a redução da glicose, causando hipoglicemia;
    • Anticoagulantes: Pode aumentar o risco de sangramento devido às suas propriedades circulatórias;
    • Anti-hipertensivos: Pode intensificar o efeito, levando à hipotensão.

Louro

Louro propriedades e efeitos adversos
Louro propriedades e efeitos adversos

Propriedades:

  • Digestiva (ajuda em casos de má digestão e gases);
    • Antisséptica;
    • Antimicrobiana;
    • Anti-inflamatória, útil para aliviar dores articulares;
    • Calmante, podendo ajudar em situações de ansiedade leve.

Interações com medicamentos

  • Sedativos;
    • Pode aumentar a sonolência quando combinado com medicamentos como benzodiazepinas;
    • Anticoagulantes: Pode interferir na coagulação, aumentando o risco de hemorragias;
    • Antidiabéticos: Pode reduzir a glicose no sangue, exigindo monitorização para evitar hipoglicemia.

Ashwagandha

Ashwagandha propriedades e efeitos adversos
Ashwagandha propriedades e efeitos adversos
  • Propriedades:
    • Adaptogénica, ajuda o corpo a lidar com o estresse.
    • Reduz a ansiedade e melhora a qualidade do sono.
    • Aumenta a energia, reduzindo o cansaço.
    • Anti-inflamatória, útil para dores musculares e articulares.
  • Interações com Medicamentos:
    • Sedativos: Pode intensificar os efeitos de medicamentos para ansiedade e insónia.
    • Imunossupressores: Pode interferir, já que estimula o sistema imunológico.
    • Medicamentos para a tiroide: Pode potencializar o efeito de medicamentos para hipotireoidismo, causando hiperatividade da tiroide.
  • Observação: Deve ser evitada por grávidas ou lactantes sem orientação médica.

Cogumelo juba-de-leão (Lion’s Mane)

Cogumelo juba-de-leão (Lion´s Mane) propriedades e efeitos adversos
Cogumelo juba-de-leão (Lion´s Mane) propriedades e efeitos adversos
  • Propriedades:
    • Neuroprotetora (ajuda a melhorar a memória e a cognição).
    • Estimula a produção de fator de crescimento nervoso (NGF), auxiliando na regeneração neuronal.
    • Anti-inflamatória e antioxidante.
    • Melhora a saúde gastrointestinal.
  • Interações com Medicamentos:
    • Antidepressivos: Pode potencializar os efeitos devido à estimulação da regeneração nervosa.
    • Medicamentos imunossupressores: Pode interferir devido ao efeito estimulante no sistema imunológico.
    • Anticoagulantes: Pode aumentar o risco de sangramento.
  • Observação: Geralmente bem tolerado, mas deve ser consumido com precaução em pessoas com condições autoimunes.

Matcha (chá)

  • Nome Científico: Camellia sinensis (derivado das folhas do chá verde, moídas em pó)
  • Propriedades:
    • Rico em antioxidantes (catequinas) que combatem o envelhecimento celular.
    • Aumenta a energia e a concentração devido ao teor de cafeína e L-teanina.
    • Auxilia no metabolismo e pode ajudar na perda de peso.
    • Melhora a função cerebral e é anti-inflamatório.
  • Interações com Medicamentos:
    • Estimulantes (ex.: anfetaminas): Pode aumentar a frequência cardíaca e a pressão arterial.
    • Anticoagulantes: O teor de vitamina K pode reduzir a eficácia de medicamentos como a varfarina.
    • Antidepressivos: Pode interagir com medicamentos que atuam no sistema nervoso central.
  • Observação: Evitar o consumo em excesso para prevenir insónia, palpitações ou irritabilidade.

Chá Imperial

  • Propriedades: Pode variar dependendo da composição, mas geralmente inclui uma mistura de ervas como chá verde, ginseng, jasmim, etc., focando em benefícios como antioxidantes, melhora da energia e da função cerebral.
  • Interações: Depende dos ingredientes específicos. Pode ter interações semelhantes às do chá verde (cafeína, anticoagulantes) e ginseng (anticoagulantes, estimulantes).

Essas infusões, especialmente as mais potentes como o sene e o barbas de milho, devem ser usadas com cautela, especialmente em combinação com medicamentos. Consultar um profissional de saúde antes de incluí-las na rotina é sempre recomendável para evitar interações adversas.


Tisanas – combinações terapêuticas

Aqui estão algumas sugestões de combinações de tisanas específicas para diferentes finalidades. Cada uma delas é composta por ingredientes que trabalham em sinergia para promover os efeitos desejados:


Relaxamento e Insónia 🌙

Ingredientes:

  • Camomila (Matricaria chamomilla ou Chamaemelum nobile)
  • Erva-cidreira (Melissa officinalis)
  • Flor de laranjeira (Citrus aurantium)
  • Lavanda (Lavandula angustifolia) (opcional, para aroma e efeito relaxante)

Modo de preparação:
Faça uma infusão de 1 colher de chá de cada erva em 250 ml de água quente por 5-7 minutos. Beba antes de dormir.


Digestão e alívio de Cólicas 🍵

Ingredientes:

  • Hortelã-pimenta (Mentha piperita)
  • Erva-doce (Foeniculum vulgare)
  • Gengibre (Zingiber officinale)
  • Limonete (Aloysia citrodora)

Modo de preparação:
Use 1 colher de chá de cada ingrediente em 300 ml de água quente. Deixe em infusão por 5-8 minutos. Pode tomar após as refeições.


Imunidade melhorada 💪

Ingredientes:

  • Pau d’arco (Tabebuia impetiginosa)
  • Gengibre (Zingiber officinale)
  • Hibisco (Hibiscus sabdariffa)
  • Canela em pau (Cinnamomum verum)

Modo de preparação:
Faça uma decocção: ferva 1 colher de chá de pau d’arco e canela por 10 minutos. Retire do fogo, adicione gengibre e hibisco e deixe em infusão por 5 minutos. Coe e beba quente.


Desintoxicação e retenção de líquidos 💧

Ingredientes:

  • Cavalinha (Equisetum arvense)
  • Barbas de milho (Zea mays)
  • Hibisco (Hibiscus sabdariffa)
  • Pés de cereja (Prunus avium)

Modo de preparação:
Faça uma infusão de 1 colher de chá de cada ingrediente em 500 ml de água quente por 8-10 minutos. Beba ao longo do dia.


Stresse e ansiedade 🌼

Ingredientes:

  • Flor de tília (Tilia cordata)
  • Jasmim (Jasminum officinale)
  • Camomila (Matricaria chamomilla)
  • Limonete (Aloysia citrodora)

Modo de preparação:
Use 1 colher de chá de cada erva em 300 ml de água quente. Infusão por 5-7 minutos. Adoce com mel, se desejar.


Problemas renais e cálculos (Pedras nos Rins) 💎

Ingredientes:

  • Quebra-pedra (Phyllanthus niruri)
  • Cavalinha (Equisetum arvense)
  • Barbas de milho (Zea mays)

Modo de preparação:
Faça uma infusão de 1 colher de chá de cada erva em 300 ml de água quente por 8 minutos. Tome 2-3 vezes ao dia, conforme orientação médica.


Resfriados e tosse 🤧

Ingredientes:

  • Gengibre (Zingiber officinale)
  • Malvas (Malva sylvestris)
  • Erva-doce (Foeniculum vulgare)
  • Canela em pau (Cinnamomum verum)

Modo de preparação:
Ferva gengibre e canela por 10 minutos. Retire do fogo, adicione malvas e erva-doce, e deixe em infusão por 5 minutos. Beba quente.


Regular o intestino (obstipação) 🌱

Ingredientes:

  • Sene (Cassia angustifolia) (usar com moderação)
  • Erva-doce (Foeniculum vulgare)
  • Hortelã (Mentha spicata)

Modo de preparação:
Use 1 colher de chá de cada erva em 300 ml de água quente. Infusão por 5-7 minutos. Tome ocasionalmente, pois o uso contínuo do sene pode causar dependência.


Concluindo

Estas combinações de plantas em chá, infusão ou tisana, devem ser ajustadas ao teu gosto e necessidades terapêuticas, sendo sempre recomendável consultar o médico ou farmacêutico antes de usar ervas para qualquer condição de saúde que te afete, especialmente se está grávida, se tem diagnósticos de doenças graves, se toma algum medicamento importante e/ou é um polimedicado ou seja se toma 4 ou mais medicamentos, para que se analise possíveis interações com as plantas, que tanto podem aumentar como diminuir o efeito terapêutico desses medicamentos.

Bibliografia

As cinco grandes mentiras sobre saúde

As melhores vitaminas e minerais para o cérebro

Vitaminas para o cérebro fadiga e cabelo quais as mais importantes? Quais os minerais mais relevantes? O que são exatamente as vitaminas e para que servem? Quando devo tomar um suplemento? Qual o melhor suplemento vitamínico? O excesso de vitaminas que problemas pode causar? Quais os sintomas de falta e de excesso?

Na minha prática profissional quase diariamente alguém me pede vitaminas para o cérebro e cansaço, mas serão mesmo necessárias? Para conseguir ajudar corretamente preciso de descobrir, antes de mais, o tipo de alimentação que têm, os suplementos que tomam, quais os sintomas para os quais procuram ajuda e os medicamentos que estão a tomar pois alguns, de facto, podem causar deficiência vitamínica.

No entanto antes de tudo isso deixo claro que o fator mais relevante, estruturante e decisivo para para o nosso cérebro e para um bom desempenho cognitivo é a qualidade do nosso sono… sem o qual não existem vitaminas ou minerais que possam fazer milagres!

A neurocientista dinamarquesa Maiken Nedergaard, descobriu, no nosso cérebro, o que designou de sistema glinfático, responsável pela “limpeza” diária do nosso cérebro e que ocorre durante a fase de sono profundo. Saiba tudo sobre este assunto no meu artigo sobre os segredos do sono, clicando na imagem abaixo.

Estudo: The Glymphatic System: A Beginner’s Guide


Neste artigo vou tratar os seguintes temas:

  • O que são as vitaminas
  • Quantas vitaminas existem
  • Relação entre a microbiota e as vitaminas
  • Funções das vitaminas
  • Alimentos ricos em vitaminas
  • Doses diárias recomendadas
  • Doses tóxicas
  • Doenças associadas à falta de vitaminas
  • Interações com medicamentos
  • Deficiência vitamínica causada por fármacos e drogas
  • As vitaminas e minerais mais importantes para o cérebro
  • O que faz bem ao cérebro
As cinco grandes mentiras sobre saúde
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Vitaminas o que são?

As vitaminas e os minerais são considerados nutrientes essenciais, isto é, não podem ser sintetizados pelo organismo e, portanto, devem ser consumidos na dieta. No entanto se tivermos uma microbita intestinal equilibrada e saudável este geralmente incluiu bactérias produtoras de certas vitaminas.

O que são vitaminas? As vitaminas são chamadas de micronutrientes essenciais porque são necessárias ao organismo em pequenas quantidades em inúmeras reações químicas que incluem desde o metabolismo de hidratos de carbono, proteínas e gorduras, passando pela manutenção de um bom sistema imunitário, estabilidade do sistema nervoso central e até ás funções de reparação de DNA nas nossas células.

Sem as vitaminas estas reações químicas essenciais não se realizam ou ficam descompensadas causando com o tempo diversas doenças, algumas bastante graves! O organismo não armazena a maioria das vitaminas, nomeadamente as hidrossolúveis como as do complexo B (exceto a B12) e vitamina C. A deficiência dessas vitaminas geralmente desenvolve-se em semanas a meses. Portanto, as pessoas devem consumi-las regularmente.


Quantas vitaminas existem?

Atualmente a lista contém 20 vitaminas. O complexo de vitaminas B contém 8, o complexo de vitaminas K contém 5, o complexo de vitaminas D contém 4 e as vitaminas A, E e C completam a lista, conforme descrevo de seguida:

  • Vitamina A (retinol);
  • Vitamina D ou D3 (colecalciferol), D2, D4 e D5;
  • Vitamina E (tocoferol);
  • Vitamina K (naftoquinona), K1, K2, K3 e K4;
  • Vitamina C (ácido ascórbico);
  • Vitamina B1 (tiamina);
  • Vitamina B2 (riboflavina);
  • Vitamina B3 (niacina, vitamina PP, ácido nicotínico ou nicotinamida);
  • Vitamina B5 (ácido pantoténico);
  • Vitamina B6 (piridoxina, piridoxal ou piridoxamina);
  • Vitamina B7, B8 ou H (biotina);
  • Vitamina B9 (ácido fólico);
  • Vitamina B12 (cianocobalamina).

As vitaminas são classificadas conforme a sua solubilidade na água. Assim dividem-se em:

  • Vitaminas hidrossolúveis – Vitamina C e os oito membros do complexo da vitamina B;
  • Vitaminas lipossolúveis – Vitaminas A, D, E e K.

Apenas as vitaminas A, E e B12 são armazenadas em grande quantidade no corpo.


Microbioma e vitaminas

As bactérias do cólon são responsáveis por sintetizar vitaminas, sobretudo, a tiamina (B1), a B12, a biotina (B7), o ácido fólico (B9), e a vitamina K e fermentam hidratos de carbono indigeríveis (fibras) em ácidos gordos de cadeia curta que constituem fontes de energia para o hospedeiro (Gerritsen et al., 2011; Prakash, 2011).

As bactérias residentes do trato gastrintestinal contribuem para preservar parte da energia contida nos hidratos de carbono
indigeríveis da dieta como a celulose, hemicelulose e pectina, metabolizando os mesmos em ácidos gordos que são fontes de energia para as células do epitélio intestinal e facilitam a absorção de sódio e água, além de sintetizarem proteínas e vitaminas do complexo B (Prakash, 2011).

Leia também: Microbiota novas descobertas incríveis, toda a verdade!


Funções alimentos doenças e dose diária

As vitaminas são essenciais em inúmeras funções vitais do nosso corpo. Nas tabelas seguintes descrevo:

  • Todas as vitaminas que existem;
  • Funções;
  • Alimentos onde existem;
  • Doenças provocadas pela falta de vitaminas;
  • Ingestão diária recomendada;
  • Toxicidade ou limite superior de segurança.

Atualmente as vitaminas B4, B10 já não são consideradas vitaminas por não serem essenciais e a vitamina B11 não existe. a tabela seguinte descreve então as funções mais relevantes de cada vitamina no nosso organismo.

VitaminaFunções mais relevantes
A
(retinol ou axeroftol)
Mucosas, pele, imunidade e visão.
– Necessária para formar células nervosas sensíveis à luz (fotorreceptores) na retina, ajudando a manter a visão noturna;
– Ajuda a manter a saúde da pele, da córnea e do revestimento dos pulmões, do intestino e do trato urinário;
– Ajuda a proteger contra infeções;
– Formação de rodopsina (um pigmento fotorreceptor na retina);
– Integridade do epitélio;
– Estabilidade do lisossoma;
– Síntese de glicoproteína (união de uma proteína com um hidrato de carbono. As glicoproteínas estão muitas vezes presentes na superfície das células, como proteínas da membrana plasmática ou como parte da matriz extracelular e desempenham um papel crítico nas interações entra células e nos mecanismos de infeção por vírus e bactérias.
D ou D3 (colecalciferol)
D2 (ergocalciferol)
D4 (diidroergocalciferol)
D5
Coração, dentes, músculos e imunidade.
– Promove a absorção de cálcio e fósforo a partir do intestino;
– Necessária para a formação, crescimento e reparação (mineralização) dos ossos;
– Fortalece o sistema imunológico e reduz o risco de doenças autoimunes.
– Função reguladora do metabolismo da insulina (deficiência pode diminuir a resistência à insulina);
– Função reguladora do bom funcionamento da tiroide;
E
(tocoferol)
Células.
– Antioxidante intracelular;
– Remove os radicais livres nas membranas biológicas.
K (naftoquinona)
K1 (filoquinona)
K2 (menaquinonas)
K3 (menadiona)
K4 (menadiol)
Coagulação, ossos, coração e dentes.
– Auxilia na formação de protrombina, outros fatores de coagulação sanguínea e, portanto, é necessária para a normal coagulação do sangue.
– Necessária para a saúde dos ossos, dentes e outros tecidos.
B1
(tiamina)
Cérebro, coração e energia.
– Necessária para o metabolismo dos hidratos de carbono, glicose, aminoácidos e proteínas, gorduras e álcool;
– Funcionamento normal dos nervos (função celular nervosa central e periférica) e do coração (função miocardia).
B2
(riboflavina)
Células, cérebro, coração, energia e visão.
– Vários aspectos do metabolismo dos hidratos de carbono e proteínas;
– Integridade da mucosa. (ex: mucosa bucal).
B3
(niacina, vitamina PP, ácido nicotínico ou nicotinamida)
Mucosas, pele, cérebro e energia.
– Metabolismo celular de hidratos de carbono, de gorduras e muitas outras substâncias, para o funcionamento normal das células;
– Reações de oxidação e redução.
B4 ou Adenina
Atualmente não é considerada uma vitamina
B5
(ácido pantoténico)
Cérebro e energia.
– Necessário para o metabolismo de hidratos de carbono, proteínas e gorduras. É essencial na síntese da coenzima A, sendo por isso uma vitamina essencial no metabolismo dos mamíferos. 
B6
(piridoxina, piridoxal, piridoxamina )
Cérebro, coração, energia e imunidade.
– Necessária para o metabolismo de hidratos de carbono, aminoácidos e gorduras, para o funcionamento normal dos nervos, para a formação de glóbulos vermelhos e para uma pele saudável;
– Importante em muitos aspectos do metabolismo do nitrogênio (p. ex., transaminação, síntese heme e porfirina, conversão do triptofano em niacina)
– Biossíntese de ácido nucleico.
B7 ou
B8 ou
H
(biotina)
Digestão, mucosas, pele, unhas e energia.
Essencial a todos os organismos. Alguns conseguem sintetizá-la, como algumas estirpes de bactérias, leveduras, fungos, algas e certas espécies de plantas.
– Necessária para o metabolismo de carboidratos e ácidos gordos. Funciona como uma coenzima no metabolismo das purinas e dos hidratos.
– Atua na formação da pele, unhas e cabelo,.
B9
(ácido fólico)
Digestão, cérebro, coração, energia, imunidade e reprodução.
– Necessária para a formação dos glóbulos vermelhos do sangue (maturação dos eritrócitos) para a síntese do DNA e do RNA e para o desenvolvimento normal do sistema nervoso no feto;
– Síntese de purinas, pirimidinas e metionina;
B10
(ácido 4-aminobenzoico)
Atualmente não é considerada uma vitamina
B11 não existe
B12
(cianocobalamina)
Cérebro, coração e imunidade.
– Necessária para a formação e maturação dos glóbulos vermelhos do sangue, para o funcionamento dos nervos e para a síntese do DNA.
– Síntese e reparação de mielina. A bainha de mielina é uma membrana protetora essencial do axónio que é uma parte relevante das células nervosas.
C
(ácido ascórbico)
Células, mucosas, pele, unhas, coração, dentes, músculos, imunidade e energia.
– Necessária para a formação, crescimento e reparação dos ossos, pele e tecido conjuntivo;
– Melhora a cicatrização de feridas e queimaduras. É importante para o funcionamento normal dos vasos sanguíneos;
– Atua como um antioxidante, protegendo as células contra danos causados pelos radicais livres;
– Ajuda o organismo a absorver o ferro;
– Formação de colagénio;
– Síntese de aminoácidos, hormonas e carnitina;
Fonte: Manual MSD, Por 
Larry E. Johnson , MD, PhD, University of Arkansas for Medical Sciences


Alimentos com vitaminas

A maior parte das vitaminas encontram-se quer na carne quer nos vegetais. No entanto algumas só se encontram na quantidade saudável necessária a nossa alimentação incluir carne e vegetais.

Assim, se não comer carne, por exemplo se for vegan, dificilmente conseguirá um aporte saudável de vitamina B12. Por outro lado se não comer vegetais, por exemplo se seguir uma dieta carnívora, dificilmente conseguirá ingerir a quantidade necessária de vitamina C.

VitaminasFontes
alimentares
A (retinol)Como vitamina pré-formada: óleos de fígado de peixe, fígado, gemas de ovos, manteiga, produtos lácteos enriquecidos com vitamina A
Como carotenoides pró-vitamina: vegetais verdes escuros e amarelos, cenoura e frutas amarelas e laranjas
D (colecalciferol)Irradiação direta da pele por ultravioleta B (fonte principal); derivados do leite enriquecidos (principal fonte dietética), óleos de fígado de peixe, peixes gordos, fígado
E (tocoferol)Óleos vegetais (prefira azeite extra virgem) e oleaginosas como nozes, amêndoas, avelãs, castanha de caju, castanha do Pará, pistáchios e macadâmia.
K (naftoquinona)Vegetais folhosos verdes (em especial couve, espinafre e saladas verdes), soja, óleos vegetais
Bactérias do trato gastrointestinal após o período neonatal.
B1 (tiamina)Grãos integrais, carnes (em especial porco e fígado), cereais enriquecidos, oleaginosas, legumes, batatas.
B2 (riboflavina)Leite, queijos, fígado, carnes, ovos, cereais enriquecidos.
B3 (niacina)Fígado, carne vermelha, peixe, aves, legumes, pães e cereais de grãos integrais ou enriquecidos.
B5 (ácido pantoténico)Fígado, carne, gema de ovo, levedura, batatas, brócolos e cereais integrais. O termo pantoténico tem origem no grego “pantos” significando “em toda a parte”. Assim, a vitamina B5 encontra-se na maioria dos alimentos de origem vegetal e animal. A B5 também pode ser sintetizada pelas bactérias intestinais.
B6 (piridoxina)Vísceras (p. ex., fígado), cereais integrais, peixe, legumes.
B7 ou B8 ou H (biotina)Fígado, rim, carnes, ovos, leite, peixe, levedura seca, batata-doce, sementes e nozes.
B9 (ácido fólico)Verduras folhosas frescas, frutas, vísceras (p. ex., fígado), pães e cereais enriquecidos.
B12 (cianocobalamina)Carnes (em especial bovina, de porco e vísceras [p. ex., fígado]), aves, ovos, cereais enriquecidos, leite e laticínios, mariscos, ostras, cavala, salmão.
C
(ácido ascórbico)
Frutas cítricas, tomates, batatas, brócolos, morango, pimentas doces.
Fonte: Manual MSD, Por 
Larry E. Johnson, MD, PhD, University of Arkansas for Medical Sciences

No que concerne à tabela acima descrita e nomeadamente a fontes alimentares a minha opinião é clara e pode ser resumida nos seguintes pontos mais relevantes:

  • Inclua nas refeições diversidade de alimentos de produção biológica/orgânica quer de origem animal quer de origem vegetal, em quantidades sempre moderadas;
  • Exclua todos os alimentos processados;
  • Coma muito pouco (ou nenhum) pão, cereais, sementes e leite;
  • Não exagere na fruta por causa do excesso de frutose;
  • Coma poucas vezes por dia, de preferência apenas duas refeições;
  • Se não tiver doenças graves, todos os dias faça pelo menos 12 a 16 horas de jejum (incluindo as horas de sono), mas comece de forma moderada se não estiver habituado. Se tiver alguma doença crónica e/ou grave deve, obviamente, falar com o seu médico e pedir o seu apoio, desde que este tenho um conhecimento atualizado sobre os benéficos do jejum (a maioria infelizmente vai dizer que é muito perigoso!). Se a resposta for negativa ouça uma segunda opinião médica mas pergunte qual o suporte científico dessa decisão. Se ambas as opiniões médicas forem negativas aceite e esqueça o jejum.

Doenças associadas

As vitaminas são uma parte vital de uma dieta saudável. Foi determinada a ingestão diária recomendada (IDR) para a maioria das vitaminas, ou seja, a quantidade diária que a maioria das pessoas saudáveis precisa para se manter saudável. Para algumas vitaminas, foi determinado um limite superior de segurança (nível superior de ingestão tolerado). O consumo que excede esse nível aumenta o risco de ocorrência de um efeito prejudicial (toxicidade).

A falta de vitaminas pode provocar doenças graves mas o seu excesso, a hipervitaminose, também esconde muitos perigos! A tabela seguinte descreve as doenças provocadas pela falta de vitaminas.

VitaminasEfeitos da deficiência e do excesso (toxicidade)
A (retinol)Deficiência: Cegueira noturna, hiperqueratose peri folicular, xeroftalmia, queratomalacia, aumento da morbidade e mortalidade em crianças mais novas.
Toxicidade: Queda de cabelo, lábios rachados, pele seca, enfraquecimento dos ossos, dores de cabeça, elevações dos níveis de cálcio no sangue e um distúrbio raro caracterizado pelo aumento da pressão dentro do crânio, denominado hipertensão intracraniana idiopática e hepatoesplenomegalia.
D (colecalciferol)Deficiência: Raquitismo (às vezes com tetania), osteomalacia.
Toxicidade: Hipercalcemia (cálcio elevado no sangue), calcificação das artérias, anorexia, falência renal, calcificação metastática.
E (tocoferol)Deficiência: Hemólise de eritrócitos, deficites neurológicos.
Toxicidade: Tendência a sangramento.
K (naftoquinona)Deficiência: Sangramento decorrente de deficiência de protrombina e outros fatores, osteopenia.
B1 (tiamina)Deficiência: Beribéri (neuropatia periférica, insuficiência cardíaca), síndrome de Wernicke-Korsakoff e psicose de Korsakoff.
B2 (riboflavina)Deficiência: Queilose, estomatite angular, vascularização corneal.
B3 (niacina)Deficiência: Anemia megaloblástica, defeitos do tubo neural no nascimento, confusão.
B5 (ácido pantoténico)Deficiência: Está presente na maioria dos alimentos, por isso a carência é rara. Nestes casos os sintomas serão náuseas, vómitos, diarreia, dores abdominais, alopécia, fadiga e dor de cabeça.
Toxicidade: Rara. Transtornos gastrointestinais e probabilidade de hemorragias quando tomado em simultâneo com antiagregantes plaquetários (salicilatos).
B6 (piridoxina)Deficiência: Convulsões, anemias, neuropatias, dermatite seborreica.
Toxicidade: Neuropatia periférica.
B7 ou B8 ou H (biotina)Deficiência: Rara mas pode originar alopécia, letargia e ataxia. Ocorre geralmente em três situações, são elas a alimentação parentérica prolongada sem suplemento de biotina, lactentes alimentados com leite em pó sem biotina e consumo de clara do ovo crua por um período prolongado. A clara do ovo contém uma glicoproteína, chamada avidina que se liga à biotina com grande afinidade e impede a sua absorção. Quando a clara é cozinhada, a avidina sofre alterações e perde essa capacidade de ligação à biotina.
B9 (ácido fólico)Deficiência: Anemia megaloblástica, defeitos do tubo neural no nascimento, confusão.
B12 (cianocobalamina)Deficiência: Anemia megaloblástica, deficits neurológicos (confusão, parestesias, ataxia).
C
(ácido ascórbico)
Deficiência: Escorbuto (hemorragias, perdas dentárias, gengivites, defeitos ósseos).
Fonte: Manual MSD, Por 
Larry E. Johnson, MD, PhD, University of Arkansas for Medical Sciences

Ingestão diária recomendada e toxicidade

As vitaminas A, D, E, B3, B6, B9 e C apresentam uma dosagem limite superior de segurança. Quando esta dosagem diária máxima é ultrapassada pode causar toxicidade e doenças associadas.

VitaminasIngestão diária recomendada (IDR)
num adulto
Limite superior de segurança
A (retinol)700 microgramas para mulheres
900 microgramas para homens
770 microgramas para gestantes
1.300 microgramas para mulheres a amamentar
3.000 microgramas
D (colecalciferol)600 UI para pessoas de 1 a 70 anos
800 UI para pessoas com mais de 70 anos
4.000 UI (unidades internacionais)
E (tocoferol)15 miligramas (22 unidades de natural ou 33 unidades de sintética)
19 miligramas para mulheres a amamentar
1.000 miligramas
K (naftoquinona)90 microgramas para mulheres
120 microgramas para homens
B1 (tiamina)1,1 miligramas para mulheres
1,2 miligramas para homens
1,4 miligramas para gestantes ou mulheres que estejam a amamentar
B2 (riboflavina)1,1 miligramas para mulheres
1,3 miligramas para homens
1,4 miligramas para gestantes
1,6 miligramas para mulheres a amamentar
B3 (niacina)14 miligramas para mulheres
16 miligramas para homens
18 miligramas para gestantes
17 miligramas para mulheres a amamentar
35 miligramas
B5 (ácido pantoténico)5 miligramas (mas a QDR não foi estabelecida)
6 miligramas para gestantes
7 miligramas para mulheres a amamentar
B6 (piridoxina)1,3 miligramas para mulheres e homens mais jovens
1,5 miligramas para mulheres com mais de 50 anos
1,7 miligramas para homens com mais de 50 anos
1,9 miligramas para gestantes
2,0 miligramas para mulheres a amamentar
100 miligramas
B7 ou B8 ou H (biotina)30 microgramas (mas a QDR não foi estabelecida)
35 microgramas para mulheres a amamentar
B9 (ácido fólico)400 microgramas
600 microgramas para gestantes
500 microgramas para mulheres a amamentar
1.000 microgramas
B12 (cianocobalamina)2,4 microgramas
2,6 microgramas para gestantes
2,8 microgramas para mulheres a amamentar
C
(ácido ascórbico)
75 miligramas para mulheres
90 miligramas para homens
85 miligramas para gestantes
120 miligramas para mulheres a amamentar
35 miligramas a mais no caso de fumadores
2.000 miligramas
Fonte: Manual MSD, Por 
Larry E. Johnson, MD, PhD, University of Arkansas for Medical Sciences

Interações com medicamentos

VitaminasFármacos
A (retinol)Colestiramina, óleo mineral
D (colecalciferol)Antipsicóticos, corticoides, óleo mineral, anticonvulsivantes, rifampicina
E (tocoferol)Óleo mineral, varfarina
K (naftoquinona)Antibióticos, anticonvulsivantes, óleo mineral, rifampicina, varfarina
B1 (tiamina)Álcool, contraceptivos orais, antagonistas de tiamina presentes no café, chá, peixe cru e repolho roxo
B2 (riboflavina)Álcool, barbitúricos, fenotiazinas, diuréticos tiazídicos, antidepressivos tricíclicos
B3 (niacina)Álcool, isoniazida
B5 (ácido pantoténico)
B6 (piridoxina)Álcool, anticonvulsivantes, corticoides, ciclosserina, hidralazina, isoniazida, levodopa, contraceptivos orais, penicilamina
B7 ou B8 ou H (biotina)Antibióticos (matam bactérias produtoras de biotina), anticonvulsivantes ( carbamazepina, fenobarbital, 
fenitoína e primidona).
B9 (ácido fólico)Álcool, 5-fluoruracila, metformina, metotrexato, contraceptivos orais, anticonvulsivantes (p. ex., fenobarbital, fenitoína, primidona), sulfassalazina, triantereno, trimetoprima
B12 (cianocobalamina)Antiácidos, metformina, óxido nitroso (exposição recorrente)
C
(ácido ascórbico)
Corticoides
Fonte: Manual MSD, Por 
Larry E. Johnson, MD, PhD, University of Arkansas for Medical Sciences

Deficiência vitamínica causada por fármacos e drogas

No geral, todos os medicamentos cujo princípio activo seja uma molécula estranha ao nosso corpo causam alguma deficiência vitamínica ou mineral que pode ser importante e originar outros problemas de saúde. Na tabela seguinte descrevo as carências vitamínicas mais conhecidas causadas por medicamentos importantes muito utilizados como antibióticos, antidiabéticos, antiácidos e outras substâncias que ingerimos.

Fármaco ou substânciaVitaminas afetadas
ÁlcoolÁcido fólico
Tiamina
Vitamina B6
Antiácidos (para o estômago) como bicarbonato de sódio, carbonato de cálcio, hidróxido de alumínio e hidróxido de magnésio.Vitamina B12
Antibióticos, como a isoniazida, tetraciclina e sulfametoxazol/trimetoprim
Vitaminas do complexo B
Ácido fólico
Vitamina K
Anticoagulantes, como a varfarina
(utilizados para evitar tromboses)
Vitamina E
Vitamina K
Anticonvulsivantes, como fenitoína e fenobarbital
(utilizados na epilépsia)
Biotina
Ácido fólico
Vitamina B6
Vitamina D
Vitamina K
AntipsicóticosRiboflavina
Vitamina D
Barbitúricos, como o fenobarbitalÁcido fólico
Riboflavina
Vitamina D
Medicamentos quimioterápicos, como o metotrexato
(utlilizados como anticancerígenos)
Ácido fólico
Colestiramina
(capta o colesterol e transforma-o em ácidos biliares. Diminui o colesterol no sangue)
Vitamina A
Vitamina D
Vitamina E
Vitamina K
Corticosteroides
(utilizados em doenças autoimunes e inflamação)
Vitamina C
Vitamina D
Cicloserina
(antibiótico para tratar tuberculose)
Vitamina B6
Hidralazina
(hipertensão arterial e pulmonar e insuficiência cardíaca congestiva)
Vitamina B6
Levodopa
(antiparkinsónicos)
Vitamina B6
Óleo mineral (parafina ou vaselina liquida)
se usado por prazo longo
Vitamina A
Vitamina D
Vitamina E
Vitamina K
Metformina
(antidiabético mais utilizado no mundo)
Ácido fólico
Vitamina B12
Óxido nitroso se exposição repetida
(anestésico fraco com efeito analgésico)
Vitamina B12
Contraceptivos orais
(para evitar gravidez)
Ácido fólico
Tiamina
Vitamina B6
Penicilamina
(anti-reumático e antiurolítico)
Vitamina B6
Fenotiazinas como a clorpromazina
(antipsicóticos e neuroléticos)
Riboflavina
Primidona
(anticonvulsivante)
Ácido fólico
Vitamina D
Rifampicina
(antibiótico usado na tuberculose)
Vitamina D
Vitamina K
Sulfassalazina
(antimicrobiano. Possui ação anti-reumatoide e também é utilizada na doença intestinal inflamatória crónica)
Ácido fólico
Hidroclorotiazida e diuréticos tiazídicos
(hipertensão arterial e Insuficiência cardíaca inicial)
Riboflavina
Triantereno
(diurético usado na hipertensão e edema)
Ácido fólico
Antidepressivos tricíclicos, como a amitriptilina e a imipraminaRiboflavina
Fonte: Manual MSD, Por 
Larry E. Johnson, MD, PhD, University of Arkansas for Medical Sciences

Vitaminas e minerais mais importantes para o cérebro?

As vitaminas e os minerais são nutrientes necessários ao funcionamento fisiológico normal. Muitas delas desempenham funções cruciais no cérebro numa variedade de processos. Mas será que são assim tão importantes ou existem outros fatores bem mais relevantes para a nossa saúde cerebral? Vamos por partes!

Vitamina B1 (tiamina)

Vitamina B1 ou tiamina, é uma coenzima do ciclo das pentoses fosfato, que é um passo necessário na síntese de ácidos gordos, esteroides, ácidos nucleicos e aminoácidos para neurotransmissores e outros compostos bioativos essenciais na função cerebral (Kerns et al., 2015).
Desempenha um papel neuromodulador sobre o neurotransmissor acetilcolina e contribui para a estrutura e função das membranas celulares, incluindo neurónios e células da glia (Bâ, 2008).

Numa revisão de ensaios clínicos randomizados controlados envolvendo
suplementação com tiamina na dose de 3 mg/dia, os resultados da função cognitiva foram inconsistentes. O tamanho pequeno da amostra e o desenho do estudo inadequado, tal como um estudo cruzado que não é recomendado para doenças progressivas como o Alzheimer, foram as principais causas para essa inconsistência (Rodríguez-Martín et al., 2001).

O limitado número de estudos e a falta de ensaios clínicos randomizados
indicam que há evidência insuficiente para tirar conclusões acerca da influência da tiamina na função cognitiva em idosos saudáveis. São necessários melhores estudos coorte e experimentais concebidos nesta área (Koh et al., 2015).


Vitamina B2 (riboflavina)

Vitamina B2 ou riboflavina, é um poderoso antioxidante obtido a partir da carne e de produtos lácteos. Contudo, apesar dessa sua característica, há poucos estudos de neuroprotecção com riboflavina. A sua deficiência leva a sintomas como fadiga, mudança de personalidade e disfunção cerebral (Zempleni, 2007). Baixos níveis de vitaminas B estão associados ao aumento de homocisteína, conhecida por ter efeito neurotóxico direto (Ho et al., 2001).

Num estudo com população idosa coreana, a hiperhomocisteinémia manifestou-se como um fator de risco significativo para o declínio cognitivo. Na população com Alzheimer desse mesmo estudo, não se observou associação entre a função cognitiva e os parâmetros dietéticos. Por outro lado, nos participantes com défice cognitivo leve, a ingestão de vitamina B2 influenciou positivamente os testes de memória e de reconhecimento.

Já no grupo dos indivíduos saudáveis, não houve associação entre a ingestão de vitamina B2 e a função cognitiva. Contudo, sendo este estudo observacional, não pode provar a causalidade, para além de os resultados serem difíceis de interpretar e aplicar à população em geral, pois não foi usada uma amostra aleatória. Assim, são necessários mais estudos prospetivos para investigar a relação de causalidade entre a função cognitiva e a ingestão de vitamina
B2 (Kim et al., 2014).


Vitamina B3 (niacina)

Vitamina B3 ou nicotinamida, tem sido extensivamente estudada como agente neuroprotetor. O tratamento com nicotinamida demonstrou melhoria sensorial, motora e cognitiva (Vonder Haar et al., 2011; Vonder Haar et al., 2014).

Com base na evidência em modelos animais, há um potencial considerável para o uso de nicotinamida em patologias neurológicas, todavia ainda há alguns fatores, nomeadamente o limite máximo para a toxicidade humana e a eficácia na população idosa e a longo prazo, que precisam de ser investigados antes de evoluir para os ensaios clínicos (Vonder Haar et al., 2013).


Vitamina B6 (piridoxina)

Vitamina B6 ou piridoxina, é essencial à síntese dos neurotransmissores dopamina e serotonina para além de reduzir os níveis de homocisteína, visto que o seu aumento está associado ao risco de doença cerebrovascular e possíveis efeitos tóxicos sobre os neurónios do SNC (Ford et al., 2012).

Estudos epidemiológicos indicam que um nível baixo de vitamina B6 é comum entre os idosos, sendo a hiperhomocisteinémia uma possível causa da demência. No entanto, numa revisão que incluiu ensaios duplamente cegos e cujo objetivo primário era avaliar a eficácia da suplementação de vitamina B6 na cognição, não foi encontrada evidência do seu benefício, a curto prazo, sobre o humor (sintomas de
depressão, fadiga e tensão) ou nas funções cognitivas. (Malouf et al, 2003).

Também num ensaio multicêntrico e duplamente cego, cujo objetivo era a avaliação da eficácia e segurança da suplementação com vitaminas B, entre as quais a B6, não se observou o decréscimo do declínio cognitivo em doentes de Alzheimer (Aisen et al., 2008).

Deste modo, são necessários mais ensaios clínicos para explorar os possíveis benefícios da suplementação com esta vitamina em indivíduos saudáveis bem como com défice cognitivo e demência.


Vitamina B9 (ácido fólico)

Vitamina B9 ou ácido fólico, tem sido largamente estudado no que diz respeito aos seus efeitos na cognição, particularmente em idosos. Juntamente com a vitamina B6 e a B12, a vitamina B9 é um importante cofator no ciclo da homocisteína, que é crucial para inúmeros processos, incluindo a expressão de ADN e a síntese de creatina, melatonina e noradrenalina (Haar et al., 2015).

Num ensaio clínico randomizado, unicêntrico e controlado, envolvendo 180 indivíduos acima dos 65 anos, foram avaliados os efeitos da suplementação com ácido fólico na função cognitiva dessa mesma população. Nos 159 que completaram o ensaio, verificaram-se melhorias no ácido fólico sérico, na homocisteína e na vitamina B12 sérica.

De um modo geral, encontrou-se evidência do efeito benéfico da suplementação, a curto prazo, em dois testes de avaliação da função cognitiva. Num futuro próximo, será necessário realizar ensaios maiores, a longo prazo e cujo um dos resultados a avaliar seja a demência, a fim de se chegar a uma melhor conclusão (Ma et al., 2015).


Vitamina B12 (cianobalamina)

Vitamina B12 ou cianocobalamina, é necessária na metilação da homocisteína. A sua deficiência tem sido associada a doenças neurodegenerativas e comprometimento cognitivo, contudo o tratamento com suplementação de vitamina B12 não altera consideravelmente a função cognitiva em indivíduos com
deficiência pré-existente (Moore et al., 2012). Por outro lado, o tratamento com vitamina B12 e ácido fólico, em indivíduos com comprometimento cognitivo, levou à diminuição da atrofia cerebral (Health Quality Ontario, 2013).

Há ainda uma grande necessidade de ensaios clínicos para compreender a natureza da associação de insuficiência de vitamina B12 com doença
neurodegenerativa. As vitaminas B6, B9 e B12 são essenciais ao normal funcionamento do cérebro à medida que envelhecemos, como resultado da sua ação sobre o metabolismo da homocisteína e outros mecanismos.

Contudo, investigações até ao momento ainda não demonstraram evidência convincente do benefício da suplementação de vitaminas B na capacidade cognitiva, sendo prematuro concluir acerca desta terapia.
São necessárias mais pesquisas para avaliar a dose ideal, a janela terapêutica e as diferenças individuais (Forbes et al., 2015).


Vitamina C (ácido ascórbico)

Vitamina C ou ácido ascórbico, é um antioxidante essencial no cérebro que exerce numerosas funções, incluindo a eliminação de ROS, neuromodulação e envolvimento na angiogénese. Estudos experimentais em animais apontam a vitamina C como um fator chave na prevenção do declínio cognitivo, tanto no envelhecimento como em doenças neurodegenerativas. Contudo, ensaios clínicos em humanos não têm sido capazes de confirmar os efeitos benéficos da suplementação e/ou intervenção da vitamina C, tendo como uma das principais razões a diferença dos critérios de inclusão.

Consequentemente, são necessários mais estudos usando a vitamina como única substância, ao invés de combinações de vitaminas, e focando subgrupos específicos com aumento da prevalência de deficiência de vitamina C (Hansen et al., 2014).


Vitamina E (tocoferol)

Vitamina E sob a forma de tocoferóis e tocotrienóis, desempenha um papel crucial na proteção do SNC, atuando como antioxidante. A evidência de que os radicais livres podem contribuir para os processos patológicos da função cognitiva, incluindo a doença de Alzheimer, levou ao aumento do interesse pela utilização de vitamina E no tratamento do défice cognitivo ligeiro (DCL) e da DA (Mangialasche et al., 2010).

Contudo, há também a evidência de que a vitamina E usada em doses elevadas é considerada tóxica (acima de 3000 UI/dia) e pode estar associada a sintomas como fadiga e distúrbios gastrointestinais, ou mesmo conduzir à mortalidade. Por outro lado, tem havido um aumento crescente de evidências de que a suplementação com esta vitamina, em doses terapêuticas, pode também causar efeitos adversos como o aumento da tendência para hemorragias e a potenciação do efeito da aspirina. (Farina et al., 2012; Miller et al., 2005).

No entanto, as conclusões acerca da eficácia da vitamina são baseadas apenas na forma alfa-tocoferol e, portanto, não é possível comentar acerca das outras formas, sendo necessárias investigações futuras acerca destas para encontrar provas convincentes de que a vitamina E é ou não benéfica no tratamento de demências (Farina et al., 2012).


Sódio (Na)

O sódio (Na) é consumido na forma de cloreto de sódio (NaCl) ou sal. Controla a função nervosa e muscular em estreita ligação com o potássio K) , mantendo o equilíbrio hídrico nas células e nos tecidos do nosso corpo. Nos países ocidentais, a maioria das pessoas ingere sal em excesso, por isso a deficiência de sódio é rara.

Precauções sobre o sódio

Obviamente o excesso de sódio (sal) é sabido que pode causar sérios problemas de hipertensão arterial, pelo que deve ser cuidadoso.


Potássio (K)

O potássio é essencial para a transmissão de impulsos nervosos, sendo um dos eletrólitos do corpo, que são minerais que carregam uma carga elétrica quando dissolvidos em líquidos corporais, como o sangue. O corpo precisa de potássio para as células nervosas e musculares funcionarem. Assim, os sinais iniciais de deficiência de potássio são geralmente apatia e fraqueza. Os alimentos de origem vegetal, geralmente, são boas fontes de potássio. Alguns bons exemplos são as bananas, oleaginosas, sementes, leguminosas, abacate, grãos integrais, frutos secos, tomates e batatas. 

Precauções sobre o potássio

O excesso de potássio (hipercalémia) também pode interferir na função transmissora de impulsos nervosos. Por si só, o aumento da ingestão de potássio geralmente não causa hipercalemia, uma vez que os rins normais realizam um bom trabalho na excreção de qualquer potássio em excesso.

Regra geral, a hipercalemia resulta de diversos problemas simultâneos, tais como:

  • Distúrbios renais que impedem que os rins excretem potássio suficiente;
  • Medicamentos que impedem que os rins excretem quantidades normais de potássio (causa comum de hipercalemia leve);
  • Uma dieta rica em potássio;
  • Tratamentos que contenham potássio;

A causa mais comum da hipercalemia leve é o uso de medicamentos que diminuem o fluxo sanguíneo para os rins ou impedem que os rins excretem quantidades normais de potássio. Alguns exemplos são os seguintes:

  • Alisquireno (anti-hipertensivo);
  • Inibidores da enzima conversora de angiotensina (ECA), são dos anti-hipertensivos mais utilizados;
  • Bloqueadores dos recetores da angiotensina (anti-hipertensivos);
  • Ciclosporina (usada para prevenir a rejeição de órgãos transplantados);
  • Diuréticos que ajudam os rins a conservar potássio, como eplerenona, espironolactona e triantereno;
  • Medicamentos anti-inflamatórios não esteroides;
  • Tacrolimo (usado para prevenir a rejeição de órgãos transplantados)
  • Trimetoprima (antibiótico)

A insuficiência renal pode provocar hipercalemia grave. A doença de Addison também pode causar hipercalemia.

A hipercalemia leve causa poucos sintomas, ou nenhum. Às vezes, a pessoa pode apresentar fraqueza muscular. Em uma doença rara chamada paralisia periódica hipercalêmica familiar, a pessoa apresenta crises de fraqueza que podem progredir até a paralisia.

Quando a hipercalemia se torna mais grave, ela pode causar ritmos cardíacos anormais . Se os níveis estiverem muito altos, o coração pode parar de bater.


Cálcio (Ca)

O cálcio é essencial para promover o funcionamento adequado dos nervos e músculos porque está envolvido na condução de impulsos elétricos ao longo dos axónios das células nervosas. A sua deficiência, designada hipocalcemia, pode manifestar-se por espasmos musculares e fadiga generalizada. São boas fontes de cálcio o leite e derivados, hortaliças de folhas verde-escuras e sardinha em lata com a espinha.

Precauções sobre o cálcio

O hiperparatiroidismo é a causa mais comum de hipercalcémia (excesso de cálcio).

A ingestão de doses elevadas de cálcio durante algum tempo aumenta o risco de formação de pedra nos rins e pode originar insuficiência renal, calcificação dos tecidos moles e vasculares e hipercalciúria (níveis elevados de cálcio na urina).

Parte do cálcio absorvido é eliminado pela urina, fezes e suor, o que pode ser afetado pela ingestão de sódio (a ingestão de níveis altos de sódio aumenta a excreção de cálcio), consumo de cafeína (aumenta a excreção de cálcio) e álcool (reduz a absorção de cálcio).

O cálcio diminui a absorção de antibióticos, bifosfonatos (medicamentos para a osteoporose) e da levotiroxina (medicamento para a tiroide), por isso a toma destes medicamentos e de suplementos de cálcio deve ser separada por um intervalo de 2 horas.

Os antagonistas dos recetores H2 e os inibidores da bomba de protões diminuem a absorção de carbonato de cálcio e fosfato de cálcio. Sabe-se ainda que os glucocorticoides também diminuem a absorção de cálcio.

Os diuréticos, tal como as tiazidas (medicamentos para a hipertensão), aumentam o risco de hipercalcémia (excesso de cálcio) por aumento da reabsorção de cálcio nos rins.

Doses elevadas de cálcio em pessoas que tomam digoxina (medicamento para o coração) aumenta a probabilidade de alterações no ritmo cardíaco, por isso é preciso precaução nesta associação.

O cálcio será mais eficaz se for acompanhado das vitaminas A, C e D, ferro, magnésio e fósforo.


Magnésio (Mg)

O magnésio é um dos minerais mais importantes para o nosso organismo estando envolvido em mais de 300 reações essenciais do nosso corpo. O magnésio é importante para o funcionamento do hipocampo, que é uma parte do sistema límbico que controla o humor, a memória e a aprendizagem. Boas fontes de magnésio são por exemplo as oleaginosas, damascos secos, figos secos, aveia, farinha integral e extrato de levedura.

Precauções sobre o magnésio

No entanto a suplementação com magnésio deve ser cuidadosa pois pode causar sérios transtornos gastro intestinais, nomeadamente diarreias perigosas.


Ferro (Fe)

O ferro é essencial para a formação de hemoglobina nas hemácias. a hemoglobina é a substância que leva um fluxo constante de oxigênio para o cérebro. O consumo adequado melhora a função mental e o desempenho académico. Os sinais iniciais de deficiência de ferro são a fadiga e falta de concentração. Exemplos de boas fontes de ferro são a carne, os miúdos do animal, sardinha, gemas e hortaliças de folhas verde-escuras.

Precauções sobre o ferro

A suplementação com ferro deve ser cuidadosamente vigiada pelo médico pois o excesso de ferro pode ser muito perigoso por causa da sua enorme capacidade de oxidação. Na natureza pode observa-se esse poderoso fenómeno de oxidação com a ferrugem das peças compostas de ferro.


Zinco (Zn)

O zinco é um mineral essencial encontrado em alguns alimentos e suplementos. É necessária a sua ingestão diária uma vez que o nosso organismo não possui reservas deste mineral.

A importância do zinco na nutrição humana e na saúde pública foi conhecida há relativamente pouco tempo. A deficiência neste mineral foi descrita pela primeira vez em 1961, quando o consumo de dietas com baixa biodisponibilidade de zinco devido aos fitatos presentes nos alimentos foi associado ao nanismo. Assim, a deficiência em zinco foi reconhecida como um problema importante de saúde pública, principalmente nos países em desenvolvimento.

O zinco está envolvido inúmeras etapas do metabolismo celular. É essencial para a atividade de mais de 300 enzimas e tem um papel relevante nas seguintes funções e processos:

  • Função imunitária,
  • Síntese proteica, 
  • Metabolismo dos hidratos de carbono,
  • Metabolismo dos lípidos,
  • Medeia o metabolismo de algumas vitaminas como a vitamina A (retinol), vitamina B6 (piridoxina) e vitamina B9 (folato ou ácido fólico),
  • Cicatrização de feridas,
  • Síntese do DNA, 
  • Divisão celular e apoptose,
  • Libertação de hormonas como a testosterona,
  • Transmissão dos impulsos nervosos,
  • Promove a ação da insulina,
  • Essencial para os sentidos do olfato e paladar e tem propriedades antioxidantes,
  • Contribui ainda para o normal crescimento e desenvolvimento durante a gravidez, infância e adolescência.

A ingestão de zinco contribui ainda para uma normal função cognitiva, para uma fertilidade e reprodução normal, e para a manutenção de ossos, cabelo, unhas, pele e visão normais.

Fontes de zinco

O zinco pode ser encontrado numa grande variedade de alimentos tais como carne vermelha e de aves, feijão, nozes, marisco (ostras, caranguejo e lagosta), cereais enriquecidos, gérmen de trigo, levedura de cerveja, sementes de abóbora, ovos e laticínios.

As melhores fontes de zinco são:

  • Marisco 7,14mg/100g
  • Queijo 2,94mg/100g
  • Carne 2,86mg/100g
  • Ovos 1,04mg/100g
  • Peixe 0,59mg/100g

Fonte: Minerals Basics, Manual, Roche Consumer Health. 

Valores de referência do nutriente (VRN)

Não existem estudos que permitam estabelecer o VRN, mas os seguintes valores garantem uma nutrição saudável:

  • Homens 11mg/dia,
  • Mulheres 8mg/dia.

Cuidado com os fitatos!

Os fitatos do pão integral, cereais, legumes e outros alimentos ligam-se ao zinco e inibem a sua absorção, por isso a biodisponibilidade do zinco a partir de cereais e vegetais é menor do que a partir de alimentos de origem animal.

Carência em zinco

Não são comuns os casos de deficiência em zinco. Quando ocorre regra geral deve-se à ingestão ou absorção inadequadas, aumento das perdas de zinco no organismo ou aumento das necessidades.

A carência em zinco pode ocorrer em casos de doenças associadas ao trato gastrointestinal, vegetarianismo, gravidez e amamentação, ou pessoas que sofrem de alcoolismo e caracteriza-se por atraso no crescimento, perda de apetite e função imunitária alterada.

Nos casos graves ocorre queda de cabelo, diarreia, infeções frequentes, desenvolvimento sexual retardado, impotência, hipogonadismo nos homens, danos nos olhos e pele, perda de peso, cicatrização de feridas demorada, alterações no paladar e letargia.

Uso terapêutico

Doentes com úlceras crónicas na perna apresentam alterações no metabolismo do zinco e baixos níveis deste mineral no sangue, assim, os médicos tratam as úlceras com suplementos de zinco.

A deficiência em zinco provoca uma alteração na resposta imunitária que contribui para uma maior susceptibilidade a infeções, o que pode aumentar a probabilidade de contrair diarreia, principalmente nas crianças. Por isso a OMS (Organização Mundial de Saúde) e a UNICEF (Fundo das Nações Unidas para a Infância) recomendam um suplemento diário de zinco de 20mg durante 10 a 14 dias para crianças com diarreia aguda e 10mg para bebés com menos de 6 meses de idade para reduzir a gravidade da situação e prevenir novas ocorrências nos 2-3 meses seguintes.

Nas constipações, foi demonstrado que o zinco é benéfico na redução da duração e gravidade em pessoas saudáveis, se usado nas primeiras 24 horas após o aparecimento dos sintomas. No entanto, são necessários mais estudos para determinar a dose, formulação e duração do tratamento para uma recomendação mais precisa.


Precauções

A toxicidade causada pelo zinco pode ser aguda ou crónica. Na fase aguda, podem ocorrer náuseas, vómitos, perda de apetite, dores abdominais, diarreia e dores de cabeça.

Na toxicidade crónica, teremos níveis baixos de cobre, alterações no ferro, redução da função imunitária e níveis reduzidos de HDL (colesterol bom).

Grandes quantidades de ferro nos suplementos podem diminuir a absorção de zinco, por isso os suplementos de ferro devem ser tomados no intervalo das refeições de modo a diminuir esta interação. Por outro lado, doses elevadas de zinco podem inibir a absorção de cobre.

A deficiência em zinco está associada a uma diminuição da libertação de vitamina A a partir do fígado. Assim, aumentando a ingestão de zinco, torna-se necessário aumentar também a ingestão de vitamina A.

Algumas substâncias inibem a absorção do zinco, tais como fibras, cálcio, magnésio, fósforo, ferro inorgânico e fitatos. Outras substâncias promovem a sua absorção, tais como a carne, metionina, cisteína, ácido cítrico e ácido láctico.

Alguns medicamentos podem diminuir os níveis de zinco, como é o caso da cisplatina, desferroxamina, diuréticos, IECAs (Inibidores da Enzima Conversora da Angiotensina) e valproato de sódio.

O zinco fortalece o sistema imunitário, por isso não deve ser tomado juntamente com medicamentos imunossupressores como corticosteroides ou ciclosporina.

O zinco reduz a absorção e a ação da penicilamina, por isso, os suplementos de zinco, devem ser tomados pelo menos 2 horas antes ou depois da toma de penicilamina.

O zinco atua melhor em associação com a vitamina A, cálcio e fósforo.


O que faz bem ao cérebro?

Desengane-se se considera que apenas um suplemento multivitamínico e mineral, por si só, vai resolver o problema de saúde do nosso cérebro pois este é demasiado complexo para uma abordagem tão simplista como gostaríamos! Para além das vitaminas e minerais acima descritas serem importantes para a nossa saúde cerebral, existem outros fatores muito relevantes sem os quais dificilmente teremos a capacidade para manter uma boa memória, raciocino, boas decisões, lucidez e provavelmente felicidade! Descrevo de seguida os mais importantes e os artigos que já publiquei (basta clicar na imagem para ler) sobre esses temas tão importantes:

  • Qualidade do sono;
  • Atividade física;
  • Ansiedade ou stress sob controle;
  • Tensão arterial controlada;
  • Não beber álcool.

Os temas acima descritos estão detalhados nos seguintes artigos já publicados:

Referências