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Inteligência Artificial na Medicina: o que já consegue fazer e onde continua a falhar?

Inteligência artificial na medicina da interpretação de TAC e ressonâncias magnéticas ao apoio à decisão clínica, a IA está a transformar a medicina. Mas será que podemos confiar plenamente nela?

A Inteligência Artificial (IA) deixou de ser uma tecnologia futurista para passar a integrar a prática clínica diária em muitos hospitais e centros de investigação. Atualmente, algoritmos de aprendizagem automática (machine learning) e, mais recentemente, modelos de linguagem de grande dimensão (Large Language Models), são utilizados para analisar exames médicos, apoiar o diagnóstico, prever riscos de doença e auxiliar os profissionais de saúde na tomada de decisões.¹˒²

O interesse científico e mediático é enorme. Todos os meses são publicados centenas de estudos sobre aplicações da IA na medicina, e várias soluções já receberam autorização para utilização clínica por entidades reguladoras.³ No entanto, apesar dos avanços impressionantes, a IA continua longe de substituir médicos, farmacêuticos, enfermeiros ou outros profissionais de saúde. Persistem limitações importantes relacionadas com erros, enviesamentos (bias), privacidade dos dados, transparência e responsabilidade clínica.⁴

Neste artigo analisamos o que a Inteligência Artificial já consegue fazer com elevado grau de precisão, quais as suas principais limitações e de que forma poderá transformar os cuidados de saúde nos próximos anos.


Índice de temas

  1. O que é a Inteligência Artificial?
  2. Como a IA aprende?
  3. Principais aplicações na medicina
  4. IA no diagnóstico de doenças
  5. Interpretação de TAC e ressonância magnética
  6. Apoio à decisão médica
  7. Descoberta de novos medicamentos
  8. Onde a IA continua a falhar
  9. O problema do viés
  10. Privacidade e proteção de dados
  11. A IA substituirá os médicos?
  12. Conclusão
Infografia Inteligência Artificial na medicina
Infografia Inteligência Artificial na medicina

O que é a Inteligência Artificial?

A Inteligência Artificial corresponde ao desenvolvimento de sistemas informáticos capazes de executar tarefas que normalmente exigem inteligência humana, como reconhecer padrões, interpretar linguagem, analisar imagens ou aprender com grandes quantidades de dados.¹

Na medicina, a maioria das aplicações utiliza técnicas de aprendizagem automática (machine learning) e aprendizagem profunda (deep learning), treinando algoritmos com milhões de exames, imagens ou registos clínicos para reconhecer padrões invisíveis ao olho humano.²

Tabela 1 – Principais áreas da IA em saúde

ÁreaAplicaçãoBenefício
DiagnósticoIdentificação de doençasMaior rapidez
ImagiologiaTAC, RM e radiografiasApoio ao radiologista
PrognósticoPrevisão de riscoMedicina personalizada
InvestigaçãoDescoberta de fármacosDesenvolvimento acelerado

Como a IA aprende?

Ao contrário dos programas tradicionais, a IA não segue apenas regras previamente definidas. Em vez disso, identifica relações estatísticas entre milhares ou milhões de exemplos.²

Por exemplo, um algoritmo pode ser treinado com centenas de milhares de mamografias já classificadas por especialistas. Com o tempo, aprende a reconhecer características associadas ao cancro da mama e consegue estimar a probabilidade de malignidade numa nova imagem.⁵

A qualidade do algoritmo depende, contudo, da qualidade dos dados utilizados no treino. Dados incompletos, enviesados ou pouco representativos podem originar decisões incorretas.⁶


IA no diagnóstico de doenças

Uma das aplicações mais promissoras da Inteligência Artificial consiste no apoio ao diagnóstico.

Diversos estudos demonstraram que algoritmos de IA conseguem identificar retinopatia diabética, melanoma, fraturas ósseas, pneumonia, pólipos intestinais e algumas doenças cardiovasculares com níveis de desempenho comparáveis aos de especialistas experientes em contextos específicos.⁵˒⁷˒⁸

No entanto, é importante compreender que estes sistemas normalmente resolvem tarefas muito específicas. Um algoritmo treinado para identificar hemorragias cerebrais numa TAC não consegue, por si só, avaliar todas as restantes patologias presentes no exame.

Infografia

Doente

Exame clínico

IA analisa dados

Sugere diagnóstico provável

Médico confirma ou rejeita


Interpretação de TAC e Ressonância Magnética

A radiologia é provavelmente a área médica onde a IA teve maior impacto até ao momento.⁹

Os algoritmos conseguem analisar milhares de imagens em poucos segundos, identificar alterações subtis e chamar a atenção do radiologista para possíveis lesões que poderiam passar despercebidas.

Entre as aplicações já utilizadas encontram-se:

  • deteção de hemorragias intracranianas;
  • identificação de nódulos pulmonares;
  • avaliação de fraturas;
  • deteção precoce de acidente vascular cerebral;
  • segmentação automática de tumores;
  • quantificação do volume de órgãos.

Apesar destes avanços, a decisão final continua a depender do médico radiologista, que integra a informação clínica, a história do doente e os restantes exames complementares.⁹˒¹⁰

Tabela 2 – Vantagens da IA em imagiologia

VantagemImpacto clínicoLimitação
RapidezMenor tempo de respostaNão substitui validação médica
Deteção de padrõesPode aumentar sensibilidadePode gerar falsos positivos
AutomatizaçãoMaior eficiênciaDepende da qualidade das imagens

IA como apoio ao médico

A IA não serve apenas para analisar exames.

Atualmente já é utilizada para:

  • resumir processos clínicos;
  • identificar interações medicamentosas;
  • sugerir diagnósticos diferenciais;
  • calcular risco cardiovascular;
  • prever deterioração clínica em internamento;
  • apoiar a decisão terapêutica.¹¹

Em vez de substituir o médico, funciona como um “copiloto clínico”, libertando tempo para tarefas que exigem comunicação, empatia e raciocínio complexo.


Descoberta de novos medicamentos

O desenvolvimento tradicional de um novo medicamento pode demorar mais de dez anos.

A IA está a acelerar várias etapas deste processo:

  • identificação de novos alvos terapêuticos;
  • desenho molecular;
  • seleção de candidatos;
  • previsão de toxicidade;
  • otimização de ensaios clínicos.¹²

Embora continue a ser indispensável confirmar os resultados em laboratório e em estudos clínicos, a IA poderá reduzir significativamente custos e tempo de desenvolvimento.


Onde a IA continua a falhar

Apesar dos progressos impressionantes, a Inteligência Artificial continua a apresentar limitações importantes.⁴

Entre as principais destacam-se:

  • dificuldade em compreender contexto clínico complexo;
  • incapacidade para substituir o exame objetivo;
  • possibilidade de gerar respostas falsas mas plausíveis (hallucinations);
  • dependência da qualidade dos dados;
  • reduzida explicabilidade de alguns algoritmos.

Uma recomendação aparentemente convincente pode estar errada se o modelo tiver sido treinado com informação inadequada ou insuficiente.


O problema do viés

Um dos maiores desafios atuais é o viés algorítmico (algorithmic bias).⁶

Se uma base de dados utilizada para treinar um algoritmo contiver predominantemente doentes de determinada idade, sexo ou origem étnica, o desempenho poderá ser inferior noutros grupos populacionais.

Isto pode traduzir-se em desigualdades no diagnóstico e tratamento.

Por esse motivo, as principais sociedades científicas recomendam validação externa rigorosa antes da utilização clínica de qualquer sistema de IA.³˒¹³

Tabela 3 – Fontes de viés

OrigemConsequênciaMitigação
Dados pouco representativosMenor precisãoBases de dados diversificadas
Erros de anotaçãoDiagnósticos incorretosRevisão por especialistas
Diferenças populacionaisDesigualdadesValidação multicêntrica

Privacidade e proteção de dados

A utilização de IA em saúde implica frequentemente o tratamento de grandes quantidades de dados clínicos sensíveis.

É essencial garantir:

  • anonimização dos dados;
  • cumprimento do Regulamento Geral sobre a Proteção de Dados (RGPD);
  • controlo de acessos;
  • transparência sobre a utilização da informação.¹⁴

A confiança dos cidadãos dependerá da capacidade de proteger a confidencialidade dos seus dados e de assegurar que estes são utilizados de forma ética.


A IA substituirá os médicos?

A evidência disponível aponta claramente para uma resposta: não.

A IA pode superar o ser humano em tarefas muito específicas e repetitivas, mas continua incapaz de integrar plenamente fatores clínicos, emocionais, sociais e éticos que influenciam diariamente a prática médica.⁴˒¹¹

O futuro mais provável será um modelo de colaboração entre profissionais de saúde e sistemas inteligentes.

Os melhores resultados tendem a ser obtidos quando médicos e IA trabalham em conjunto, combinando rapidez computacional com experiência clínica, pensamento crítico e empatia.


Conclusão

A Inteligência Artificial representa uma das maiores revoluções tecnológicas da história da medicina. A sua capacidade para analisar grandes volumes de informação, interpretar exames de imagem, apoiar decisões clínicas e acelerar a descoberta de novos medicamentos poderá contribuir para cuidados de saúde mais rápidos, precisos e personalizados.¹˒¹²

Contudo, a IA não é infalível. Erros, enviesamentos, limitações metodológicas e questões relacionadas com privacidade e responsabilidade clínica impedem, por enquanto, a sua utilização autónoma. O maior potencial da Inteligência Artificial reside na colaboração entre tecnologia e profissionais de saúde, permitindo que estes disponham de melhores ferramentas para tomar decisões fundamentadas e prestar cuidados mais seguros aos doentes.

Principais mensagens a reter

  • A IA já apoia o diagnóstico de diversas doenças com elevada precisão em contextos específicos.¹˒⁵
  • A radiologia é uma das áreas médicas onde a IA apresenta maior maturidade clínica.⁹
  • A IA funciona melhor como ferramenta de apoio do que como substituto do profissional de saúde.¹¹
  • O viés dos dados continua a ser um dos principais desafios científicos.⁶˒¹³
  • A proteção da privacidade e dos dados clínicos é essencial para uma utilização ética da IA.¹⁴
  • O futuro da medicina será provavelmente marcado pela colaboração entre inteligência humana e inteligência artificial.⁴

Bibliografia

  1. Topol EJ. Deep Medicine: How Artificial Intelligence Can Make Healthcare Human Again. Basic Books; 2019.
  2. Esteva A, Robicquet A, Ramsundar B, et al. A guide to deep learning in healthcare. Nat Med. 2019;25(1):24-29.
  3. World Health Organization. Ethics and governance of artificial intelligence for health. Geneva: WHO; 2021.
  4. Abràmoff MD, Tobey D, Char DS. Lessons learned about autonomous AI. NPJ Digit Med. 2020;3:26.
  5. McKinney SM, Sieniek M, Godbole V, et al. International evaluation of an AI system for breast cancer screening. Nature. 2020;577:89-94.
  6. Gianfrancesco MA, Tamang S, Yazdany J, Schmajuk G. Potential biases in machine learning algorithms using electronic health record data. JAMA Intern Med. 2018;178(11):1544-1547.
  7. Gulshan V, Peng L, Coram M, et al. Development and validation of a deep learning algorithm for detection of diabetic retinopathy. JAMA. 2016;316(22):2402-2410.
  8. Liu X, Faes L, Kale AU, et al. A comparison of deep learning performance against health-care professionals. Lancet Digit Health. 2019;1(6).
  9. Hosny A, Parmar C, Quackenbush J, et al. Artificial intelligence in radiology. Nat Rev Cancer. 2018;18:500-510.
  10. European Society of Radiology. Current practical applications of artificial intelligence in radiology. Insights Imaging. 2019;10:44.
  11. Topol EJ. High-performance medicine: the convergence of human and artificial intelligence. Nat Med. 2019;25:44-56.
  12. Paul D, Sanap G, Shenoy S, et al. Artificial intelligence in drug discovery and development. Drug Discov Today. 2021;26(1):80-93.
  13. Kelly CJ, Karthikesalingam A, Suleyman M, et al. Key challenges for delivering clinical impact with AI. BMC Med. 2019;17:195.
  14. European Commission. Ethics Guidelines for Trustworthy AI. Brussels; 2019.

Medicamentos que aumentam o risco durante uma onda de calor

Medicamentos e ondas de calor quais os riscos? As ondas de calor tornaram-se mais frequentes e intensas nos últimos anos devido às alterações climáticas. Para além do desconforto, as temperaturas elevadas podem representar um risco sério para a saúde, sobretudo em idosos, crianças pequenas e pessoas com doenças crónicas.¹ ²

Um aspeto frequentemente esquecido é o efeito de determinados medicamentos na capacidade do organismo lidar com o calor. Alguns fármacos favorecem a desidratação, dificultam a transpiração, reduzem a pressão arterial ou alteram a função renal, aumentando o risco de complicações como síncope, insuficiência renal aguda ou golpe de calor.³⁻⁵

Conhecer estes medicamentos e adotar medidas preventivas pode fazer uma diferença significativa durante os dias mais quentes do ano.

Índice

  1. Introdução
  2. Porque é que o calor pode ser perigoso?
  3. Porque é que alguns medicamentos aumentam o risco?
  4. Quem corre maior risco?
  5. Quais os medicamentos que merecem maior atenção?
  6. Como reduzir o risco durante uma onda de calor
  7. Nunca interrompa a medicação sem aconselhamento médico
  8. Conclusão
  9. Bibliografia
Medicamentos e ondas de calor
Medicamentos e ondas de calor

Porque é que o calor pode ser perigoso?

O organismo mantém normalmente a temperatura corporal próxima dos 37 °C através de mecanismos como a transpiração e a vasodilatação na pele. Quando a temperatura ambiente é muito elevada, especialmente se existir humidade elevada, estes mecanismos tornam-se menos eficazes.¹

Como consequência, aumenta o risco de:

  • Desidratação;
  • Hipotensão;
  • Cãibras musculares;
  • Exaustão pelo calor;
  • Golpe de calor, uma emergência médica potencialmente fatal.

Porque é que alguns medicamentos aumentam o risco?

Os medicamentos podem aumentar o risco através de diferentes mecanismos:

  • Aumentam a perda de água, favorecendo a desidratação;
  • Reduzem a transpiração, dificultando a eliminação de calor;
  • Baixam demasiado a pressão arterial, potenciando tonturas e quedas;
  • Alteram a função renal, agravando os efeitos da desidratação;
  • Aumentam a sensibilidade ao sol, favorecendo queimaduras cutâneas.

Quem corre maior risco?

As complicações são mais frequentes em:

  • Pessoas com mais de 65 anos;
  • Doentes cardiovasculares;
  • Pessoas com insuficiência renal;
  • Diabéticos;
  • Doentes com doenças neurológicas;
  • Pessoas que tomam vários medicamentos simultaneamente (polimedicação).⁶


Quais os medicamentos que merecem maior atenção?

1. Diuréticos

São dos medicamentos mais frequentemente associados a complicações durante o calor.

Exemplos:

  • Furosemida
  • Hidroclorotiazida
  • Indapamida
  • Torasemida

Ao aumentarem a eliminação de água e eletrólitos, favorecem a desidratação e podem aumentar o risco de insuficiência renal.³


2. Medicamentos para a hipertensão

Os IECA, ARA, betabloqueadores e bloqueadores dos canais de cálcio continuam a ser fundamentais no tratamento da hipertensão e da insuficiência cardíaca. No entanto, durante uma onda de calor podem potenciar a hipotensão, especialmente quando existe desidratação, aumentando o risco de tonturas e quedas.

Exemplos:

  • Enalapril
  • Ramipril
  • Losartan
  • Valsartan
  • Bisoprolol
  • Atenolol
  • Amlodipina

Importante: nunca suspenda estes medicamentos sem indicação médica.


3. Antidepressivos e antipsicóticos

Alguns antidepressivos, particularmente os tricíclicos, e vários antipsicóticos podem diminuir a transpiração e interferir com os mecanismos de regulação da temperatura corporal.⁴

Além disso, alguns provocam sedação, reduzindo a perceção da sede e do calor.


4. Medicamentos com efeito anticolinérgico

São dos fármacos que mais comprometem a capacidade do organismo eliminar calor.

Podem estar presentes em medicamentos para:

  • alergias;
  • bexiga hiperativa;
  • depressão;
  • doença de Parkinson.

Ao reduzirem a transpiração, aumentam significativamente o risco de golpe de calor.


5. Medicamentos para a diabetes

Alguns medicamentos utilizados na diabetes, como os inibidores do SGLT2, aumentam a eliminação urinária de glicose e água, favorecendo a desidratação.⁷

Também os agonistas do recetor GLP-1 (como semaglutido e tirzepatida) podem provocar náuseas, vómitos ou diminuição da ingestão de líquidos, aumentando indiretamente o risco de desidratação em alguns doentes.


6. Medicamentos que aumentam a sensibilidade ao sol

Alguns fármacos tornam a pele muito mais sensível à radiação ultravioleta.

Entre os exemplos mais conhecidos encontram-se:

  • Doxiciclina;
  • Tetraciclinas;
  • Hidroclorotiazida;
  • Amiodarona;
  • Cetoprofeno tópico.

Nestes casos é essencial utilizar protetor solar, roupa adequada e evitar exposição solar prolongada.


Como reduzir o risco durante uma onda de calor

Durante períodos de calor intenso, algumas medidas simples podem reduzir significativamente o risco de complicações:

  • Beba água regularmente, mesmo sem sentir sede (salvo contraindicação médica);
  • Evite bebidas alcoólicas em excesso;
  • Permaneça em locais frescos e ventilados;
  • Utilize roupa leve e de cores claras;
  • Evite atividade física intensa nas horas de maior calor;
  • Mantenha os medicamentos de acordo com as condições de conservação indicadas na embalagem;
  • Vigie sintomas como tonturas, confusão, diminuição da urina, sede intensa ou fraqueza.

Conselho do Farmacêutico

Se toma vários medicamentos e está prevista uma onda de calor, aproveite para falar com o seu médico ou farmacêutico. Em alguns casos poderá ser necessário reforçar a vigilância da pressão arterial, da função renal ou do estado de hidratação, sobretudo em pessoas idosas ou com doenças crónicas.


Nunca interrompa a medicação sem aconselhamento médico

Apesar dos riscos descritos, a maioria destes medicamentos continua a ser essencial para controlar doenças potencialmente graves.

Suspender um anti-hipertensor, um diurético ou um medicamento para a diabetes por iniciativa própria pode ser muito mais perigoso do que continuar a tomá-lo.

Qualquer ajuste terapêutico deve ser sempre decidido pelo médico assistente, tendo em conta o estado clínico de cada doente.


Conclusão

As ondas de calor representam um desafio crescente para a saúde pública. Muitos medicamentos utilizados diariamente podem aumentar a suscetibilidade às temperaturas elevadas, sobretudo em pessoas idosas e doentes crónicos.

Conhecer estes riscos não significa interromper a medicação, mas sim adotar medidas preventivas, manter uma boa hidratação e procurar aconselhamento médico ou farmacêutico sempre que existam dúvidas.

Com informação adequada e alguns cuidados simples é possível reduzir significativamente o risco de complicações e atravessar os períodos de calor extremo com maior segurança.


Bibliografia

  1. World Health Organization. Heat and health. Geneva: WHO; 2025.
  2. World Meteorological Organization. State of the Climate reports. Geneva: WMO; 2025.
  3. Centers for Disease Control and Prevention. Heat and medications – Guidance for clinicians. Atlanta: CDC; 2024.
  4. National Institute for Health and Care Excellence. Excessive heat: protecting health and reducing harm. London: NICE.
  5. European Medicines Agency. Medicines and hot weather: recommendations for patients and healthcare professionals.
  6. Direção-Geral da Saúde. Plano de Contingência para Temperaturas Extremas Adversas – Módulo Calor.
  7. American Diabetes Association. Standards of Care in Diabetes 2026.

Febre da carraça e Doença de Lyme, como retirar uma carraça com segurança?




Febre da carraça e doença de Lyme pode ser muito perigosa, cuidado com a picada do carrapato ou carraça! Como retirar uma carraça com segurança? Tempo de verão é tempo de sol, calor, piqueniques, passeios no campo, sentar no chão, deitar na relva e claro brincar com o seu cão ao ar livre em zonas arborizadas e relvadas. Tudo magnificamente relaxante mas muitas vezes desconhecendo ou esquecendo pequenos perigos, como as carraças, que podem originar graves problemas de saúde como a doença de Lyme que é apenas uma das doenças incluídas na chamada “febre da carraça”.

Neste artigo vamos responder ás seguintes questões:

  • Carrapato ou carraças o que são?
  • Como se apanham?
  • Que fatores contribuem para as infestações?
  • Que lesões provoca a picada?
  • Febre da carraça o que é?
  • Febre maculosa o que é?
  • Que países são a afetados pela febre maculosa?
  • Quais os perigos da febre maculosa?
  • Quais os sintomas?
  • Qual o melhor tratamento da febre maculosa?
  • Carrapatos, carraças ou chatos, como controlar?
  • Deve desinfetar-se o ambiente da casa?
  • Que cuidados deve ter?
  • Carrapato ou carraças, como tirar de forma correta e segura?
  • Doença de Lyme o que é?
  • Doença de Lyme quais as causas?
  • Doença de Lyme, quais os fatores de risco?
  • Quais os sintomas?
  • Quais os sinais precoces da Doença de Lyme?
  • Sintomas tardios;
  • Quais os sinais sintomas menos comuns?
  • Qual o melhor tratamento para a Doença de Lyme?

As cinco grandes mentiras sobre saúde
As cinco grandes mentiras sobre saúdehttps://melhorsaude.org/2025/04/21/as-cinco-grandes-mentiras-sobre-saude/

Carrapato ou carraças o que são?

Carrapato, Carraças, ou chatos são parasitas que se alimentam do sangue do homem, do cão, do gato, da ovelha e de muitos outros animais. Quando as carraças estão infetadas, são responsáveis pela transmissão de inúmeras doenças!

CARRAÇA melhorsaude.org
Imagem de uma carraça cuja picada pode provocar febre da carraça

Onde se apanham?

Existem variadíssimas espécies de carraças espalhadas por todo o planeta. Como estes parasitas não voam nem saltam, ficam a aguardar a passagem de um hospedeiro, escondidos na relva, nos pastos, no solo ou nas frestas das madeiras, e quando o hospedeiro toca uma destas superfícies, as carraças percorrem o seu corpo até encontrarem um local seguro para se alimentarem e reproduzirem.

Que fatores contribuem para as infestações?

Cada fêmea pode pôr até 5000 ovos! As infestações por carraças acontecem principalmente na altura de maior calor, desde a Primavera até ao Outono. O que não significa que não existam no resto do ano. O aumento dos animais de estimação e, fundamentalmente, o crescente abandono de cães e gatos contribuem amplamente para a proliferação deste parasita.

Que lesões provoca?

A picada de carrapato ou carraças é prejudicial para o hospedeiro de diferentes formas:

  • Pode provocar lesões na pele com vermelhidão, ardor e comichão;
  • Anemia e fraqueza devido à ingestão de grandes quantidades de sangue pelo parasita
  • Paralisia motora por ação das suas neurotoxinas.

Febre da carraça 

Quando as carraças estão infetadas constituem um perigo para os animais e para a saúde pública! A carraça infetada, ao picar o hospedeiro, inocula no seu sangue micróbios responsáveis por inúmeras doenças, habitualmente designadas de Febre da Carraça, a saber:

  • Babesiose (Doença do carrapato causada por protozoários);
  • Borreliose ou Doença de Lyme;
  • Erliquiose (Doença do carrapato causada por bactérias);
  • Febre Maculosa .

Não só os animais apanham Febre da Carraça, as pessoas também estão suscetíveis se contactarem com carraças.

Febre maculosa o que é?

A febre maculosa, é uma doença que surge quando uma pessoa é picada por um carrapato ou carraças contaminadas pela bactéria Rickettsia rickettsii.

Que países afeta?

A febre maculosa é uma doença que ocorre em todo o continente americano, afetando países desde o Canadá até a Argentina. No Brasil, a maioria dos casos se na concentra na Região Sudeste, havendo também casos isolados em estados de outras regiões, tais como Bahia, Ceará, Santa Catarina, Paraná, Rio Grande do Sul, Distrito Federal, Goiás e Mato Grosso do Sul. São Paulo e Minas Gerais são os estados com maior número de casos notificados. Apesar de ser uma doença tipicamente rural, nos últimos anos, o número de casos nas cidades tem vindo a aumentar. A doença não é muito comum, sendo responsável, por exemplo, no Brasil por cerca de 40 a 100 casos por ano.

Perigos

A febre maculosa é uma febre da carraça que responde bem ao tratamento com antibióticos, mas se não for tratada prontamente, pode causar sérios danos aos órgãos internos, como:

  • Rins,
  • Fígado,
  • Coração,
  • Sistema nervoso central.

Nos casos maios graves pode levar à morte. Por não ser uma doença muito comum, frequentemente não é corretamente identificada, o que atrasa o início de um tratamento adequado e eficaz, fazendo com que a taxa anual de mortalidade possa rondar os 15 a 35%.

Sintomas

O período de incubação da febre maculosa varia de 2 a 14 dias, dependo da quantidade de bactérias que foi inoculada. No início do quadro é muito difícil distinguir a febre maculosa de várias outras doenças febris comuns, incluindo as viroses mais conhecidas. Em geral os primeiros sinais e sintomas da infeção são:

  • Febre alta,
  • Dor de cabeça
  • Dores no corpo,
  • Mal-estar geral,
  • Náuseas
  • Vómitos.

Poucos dias depois, lesões de pele, chamadas de máculas, podem aparecer nos membros e no tronco, daí o nome da doença ser febre maculosa.

Tratamento

Sem tratamento antibiótico, o taxa de mortalidade da febre maculosa chega a 75%. Os doentes que começam o tratamento com antibiótico antes do 5º dia têm até 5 vezes mais probabilidades de ficarem curados e sem sequelas (surdez e paralisia de membros) do que os que só iniciam o tratamento após o 5º dia de doença.

Felizmente, nem todos os casos desta febre da carraça evoluem de forma grave. Há formas mais brandas da doença, que pode curar-se espontaneamente após 2 ou 3 semanas de sintomas. Porém, a maioria dos casos não se comporta de forma tão benigna.

Dúvidas no diagnóstico

Não se deve esperar para ver se a pessoa vai apresentar a forma grave ou branda, deste tipo de febre da carraça, pois essa espera pode ser fatal. Da mesma forma, se pela história clínica e epidemiológica o médico suspeitar de febre maculosa, ele não deve esperar pelo aparecimento do rash para confirmá-la,  muito menos pelos resultados dos exames laboratoriais.

Se o médico suspeita de febre maculosa, ele deve iniciar os antibióticos, mesmo não tendo certeza do diagnóstico. Por exemplo, se o paciente tem os sintomas iniciais da doença, principalmente febre alta e mal-estar, e conta uma história de picada recente de carrapato, isso já é suficiente para o início do tratamento. De forma semelhante, se o paciente com sintomas vem de uma área que recentemente têm registrado casos de febre maculosa, isso também já autoriza o médico a iniciar o tratamento.

Entretanto, é importante destacar que o simples fato de ter sido picado por um carrapato não é motivo para iniciar o tratamento. Estima-se que apenas 1% dos carrapatos em áreas endémicas estejam contaminados com a Rickettsia rickettsii. Fora das áreas endêmicas, nenhum carrapato está contaminado.  Se o médico têm dúvidas, não é errado começar mais de um antibiótico visando o tratamento das hipótese diagnósticas mais graves. Sendo assim, o médico pode começar antibióticos visando a febre maculosa e a meningite meningocócica, por exemplo. Ambas são infeções com alta taxa de mortalidade e que precisam de tratamento precoce.

Antibióticos mais eficazes

O antibiótico de escolha para o tratamento da febre maculosa é a doxiclina (Actidox®), que pode ser administrada de forma oral ou intravenosa, dependendo da gravidade do quadro. O tratamento é mantido até 72 horas depois do desaparecimento da febre, o que costuma ocorrer no 2º ou 3º dia de tratamento. Na maioria dos casos o tratamento costuma durar 7 dias.

Uma alternativa é o cloranfenicol, sendo este o antibiótico mais indicado para grávidas com febre maculosa, pois a doxiclina é contraindicada na gravidez.  O problema do cloranfenicol é o risco de efeitos colaterais graves, como a aplasia de medula, evento que ocorre em 1 a cada 25.000 pessoas tratadas. Portanto, em todas as pessoas não grávidas o tratamento deve ser feito preferencialmente com doxiclina.

A maioria dos pacientes responde rapidamente ao tratamento e a mortalidade é baixa quando o antibiótico é iniciado nos primeiros 5 dias. Uma vez curado, a maioria dos doentes desenvolve imunidade contra Rickettsia rickettsii para o resto vida, não havendo risco de ter a doença novamente.

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Carrapato, carraças ou chatos como controlar?

As carraças são essencialmente trazidas para dentro de casa à “boleia” dos animais de estimação. Por isso, é essencial fazer uma desparasitação externa eficaz das mascotes durante todo o ano, usando:

  • Coleiras,
  • Líquidos spot-on (ampolas)
  • Sprays
  • Champôs

A maioria dos produtos disponíveis no mercado faz um controlo simultâneo de pulgas e carraças e, alguns deles, também de moscas e mosquitos.

Deve desinfestar-se o ambiente de casa?

Quando o ambiente onde o animal vive está muito infestado, seja num canil, no quintal ou dentro de casa, é recomendada a pulverização destes locais. Deve ter sempre em atenção que estes produtos são medicamentos que, quando usados em excesso, são tóxicos e podem ser prejudiciais para a saúde do seu animal ou até mesmo para a sua saúde. Aconselhe-se junto do médico veterinário e na Farmácia sobre qual o produto mais adequado para cada animal e ambiente.

Cuidados de proteção

Principalmente no tempo mais quente, as carraças acumulam-se nos locais com ervas altas, matos e vegetação pelo que se deve limitar o acesso dos animais a estas áreas, mesmo quando estão devidamente desparasitados.

Ao chegar a casa, é prudente fazer a inspeção do animal, não esquecendo as zonas mais escondidas como o espaço entre os dedos. As carraças encontradas devem ser removidas com cuidado de forma a eliminar totalmente o parasita sem deixar as suas peças bucais que podem ser responsáveis pela formação de reações inflamatórias locais. Se após a remoção da carraça, o animal apresentar alterações no seu estado de saúde como falta de apetite, prostração ou urina muito escura deve recorrer imediatamente ao veterinário.

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Como tirar a carraça de forma correta?

Se encontrar uma carraça a morder a sua pele, deve removê-la o mais depressa possível. Deve fazê-lo de forma cuidadosa e segura de acordo com os passos abaixo indicados:

  1. Proteja as mãos com luvas de látex ou com papel;
  2. Segure a carraça o mais próximo possível da sua pele, com o auxílio de uma pinça de pontas finas ou com um extrator próprio. Não deve apertar a “barriga” da carraça pois poderá provocar a injeção do seu fluido infetado;
  3. Depois de bem presa, deve puxar a carraça para cima aplicando uma força constante, sem a arrancar de forma brusca nem torcer para não partir as peças bucais deixando-as enterradas na pele. Se isso acontecer, pode removê-las com a pinça;
  4. Após a remoção da carraça, lavar o local da picada com água e sabão e desinfetar com solução iodada;
  5. Colocar a carraça num frasco com álcool, pois isso irá causar a sua morte, e, se possível, guarda-lo para auxiliar o seu médico no diagnóstico no caso de ficar doente;
  6. Não é recomendável usar vaselina, azeite ou recorrer ao calor para “adormecer” a carraça pois estes métodos causam a regurgitação de saliva para o hospedeiro, aumentado as possibilidades de infeção.

Carraça como remover melhorsaude.org
Retirar carraça de forma segura

Carraça retirar de forma incorrecta melhorsaude.org
Carraça retirada de forma errada

Se até cerca de um mês após a mordedura da carraça, encontrar manchas vermelhas no local da picada ou se sentir cansado, febril ou com dores no corpo e cabeça, recorra imediatamente ao médico. Se não o fizer, a infeção vai progredindo com o aparecimento de sintomas cada vez mais graves como paralisias ou alteração das capacidades intelectuais.

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Doença de Lyme o que é?

A doença de Lyme é uma infeção bacteriana transmitida por carraças, muito comum na América do Norte e na Europa.

O nome te origem nos diversos casos que ocorreram em 1997 na cidade de Lyme, em Connecticut (EUA). Pelo facto de um dos principais sintomas ser inchaço e dor nas articulações, acreditava-se que era artrite. Porém, como os casos eram agudos (os sintomas desapareciam) e afetavam apenas adolescentes, os pacientes foram estudados e a doença de Lyme foi descoberta. Apesar disso, acredita-se que a doença seja muito mais antiga.

Causas

A doença de Lyme é causada pela bactéria Borrelia burgdorferi, mas a transmissão dá-se através das carraças. São elas que carregam e as bactérias e que podem transmiti-las para os seres humanos por meio de picadas. As carraças prendem-se à pele, onde podem permanecer bastante tempo enquanto sugam o sangue do hospedeiro. Os locais preferidos do corpo humano para as carraças são as axilas, couro cabeludo e região da virilha.

Para transmitir a doença, as carraças devem ficar presas à pele do hospedeiro durante 36 a 48 horas no mínimo. Quanto menor a carraça, maiores são as probabilidades de transmitir a doença de Lyme, pois são mais difíceis de serem detetadas.

Quando são transmitidas, as bactérias entram na pele através da picada e invadem a corrente sanguínea, espalhando-se pelo corpo.

Fatores de risco

A doença de Lyme é mais comum nos Estados Unidos e em algumas regiões central e leste da Europa, bem como no sudeste da Escandinávia e no norte do Mediterrâneo, em países como Itália, Espanha e Grécia. Pessoas que viajam para esses locais e passam muito tempo em áreas arborizadas e com relva estão sob maior risco de contrair a doença. Pessoas com ocupações ao ar livre também são mais propensas a desenvolver este problema.

Se for viajar para esses locais, certifique-se quais as regiões que ainda sofrem com infestações de carraças e evite ficar com a pele exposta. Se detetar uma carraça, remova-a rapidamente, mas de forma correta. Não identificar e não remover corretamente a carraça da pele também aumentam probabilidades de desenvolver doença de Lyme.

Sintomas

Os sinais e sintomas da doença de Lyme variam e normalmente afetam mais de uma parte do corpo, principalmente pele, articulações e sistema nervoso.

Sinais precoces

Estes sinais e sintomas podem ocorrer dentro de aproximadamente um mês após a infeção pela bactéria causadora da doença de Lyme:

  • Surgimento de uma protuberância avermelhada na região em que houve picada. A erupção, denominada eritema migrans, é uma das características da doença de Lyme. Algumas pessoas desenvolvem esta erupção em mais do que um local do corpo
  • Sintomas gripais, como febre, calafrios, fadiga, dores no corpo e dor de cabeça pode acompanhar a erupção cutânea.

Sinais e sintomas tardios

Em algumas pessoas, a erupção cutânea pode espalhar-se para outras partes do corpo e, várias semanas ou meses depois de ter sido infetado, podem surgir:

  • Dores nas articulações e inchaço
  • Problemas neurológicos, como meningite, paralisa temporária de um lado do rosto (chamado de paralisia de Bell), dormência ou fraqueza dos membros, além de movimentos musculares prejudicados.

Sintomas menos comuns

Várias semanas após a infeção, algumas pessoas podem desenvolver sintomas menos comuns, a exemplo de:

  • Problemas de coração, como um batimento cardíaco irregular, que não costumam durar mais do que alguns dias ou semanas
  • Inflamação dos olhos
  • Inflamação do fígado (hepatite)
  • Fadiga severa.

Tratamento

Consulte um médico se foi picado recentemente por uma carraça, mesmo se não estiver apresentando sintomas. Caso sinta fraqueza, dormência nos membros, dores ou quaisquer outros sintomas, procure a ajuda de um especialista o mais rápido possível.

Sendo uma infeção bacteriana os antibióticos mais utilizados são os seguintes:

  • Doxiciclina (Actidox®), excepto crianças até aos 9 anos, grávidas e mães a amamentar;
  • Cefuroxima (Zoref®, Zipos®);
  • Amoxicilina (Clamoxyl®);
  • Ceftriaxona intravenosa (Mesporin®), nos casos mais graves;
  • Penicilina intravenosa (nos casos mais graves)

Concluindo

A picada de uma carraça não é coisa pouca… pode correr muito mal! Tenha especial atenção aos seus animais de estimação principalmente cão e gato e quando for fazer um piquenique tenha um cuidado suplementar aos sintomas de irritação na pele “tipo picada” que possam surgir durante ou após os seus “momentos de lazer com a Natureza”.  Deve ser aplicada um vigilância especial ás crianças que adoram cães e gostam de “rebolar na relva”… o que é ótimo desde que não recebam a visita dos parasitas em causa neste artigo!

Fique bem!

Franklim Moura Fernandes

Fontes:

  • Manuais MSD;
  • Globalvet;
  • Dr Pedro Pinheiro;

Por favor PARTILHE esta informação que no tempo quente pode evitar muitos problemas graves em adultos e crianças em contacto com a Natureza.

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SIBO: O Guia Científico Definitivo Sobre o Sobrecrescimento Bacteriano do Intestino Delgado

Causas, sintomas, diagnóstico, tratamento, dieta Low-FODMAP, rifaximina e prevenção de recidivas

Por Dr. Franklim | melhorsaude.org

Introdução

O Sobrecrescimento Bacteriano do Intestino Delgado, conhecido internacionalmente como SIBO (Small Intestinal Bacterial Overgrowth), corresponde a uma condição em que existe crescimento excessivo de microrganismos no intestino delgado, frequentemente associado a sintomas digestivos como distensão abdominal, gases, dor abdominal, diarreia, obstipação e má absorção de nutrientes¹˒².

Durante muitos anos, o intestino delgado foi considerado uma região quase estéril. Hoje sabe-se que possui uma microbiota própria, embora muito menos abundante do que a do cólon, sendo o seu equilíbrio mantido por mecanismos como a acidez gástrica, a bílis, as enzimas pancreáticas, a motilidade intestinal e a imunidade da mucosa intestinal²˒⁵.

O interesse científico pelo SIBO aumentou devido à sua associação com síndrome do intestino irritável, diabetes mellitus, doença celíaca, doença inflamatória intestinal, cirurgia gastrointestinal, esclerodermia e utilização prolongada de inibidores da bomba de protões¹˒⁹˒¹⁴˒¹⁵.

Apesar da crescente notoriedade, o SIBO continua a ser um diagnóstico desafiante, porque os sintomas são inespecíficos e os testes disponíveis apresentam limitações importantes¹˒³˒⁴.


SIBO infografia
SIBO infografia

Índice

  1. O que é o SIBO?
  2. Como funciona normalmente o intestino delgado?
  3. Como surge o SIBO?
  4. Principais fatores de risco
  5. Sintomas mais frequentes
  6. Hidrogénio, metano e sulfureto de hidrogénio
  7. Relação entre SIBO e síndrome do intestino irritável
  8. Consequências nutricionais
  9. Diagnóstico
  10. Testes respiratórios
  11. Cultura jejunal
  12. Tratamento
  13. Rifaximina
  14. Dieta Low-FODMAP
  15. Probióticos
  16. Prevenção de recidivas
  17. Mitos e factos
  18. Perguntas frequentes
  19. Conclusão
  20. Bibliografia

O que é o SIBO?

O SIBO é definido como a presença excessiva de bactérias no intestino delgado ou a colonização desta região por microrganismos habitualmente predominantes no cólon¹˒².

Tradicionalmente, a cultura do aspirado do intestino delgado foi considerada o método de referência, sendo frequentemente usado o limiar de 10³ unidades formadoras de colónias por mililitro como critério sugestivo de SIBO¹˒³.

Mais importante do que a contagem bacteriana isolada é o impacto funcional: fermentação precoce dos hidratos de carbono, produção excessiva de gases, alteração dos ácidos biliares, inflamação local e má absorção de nutrientes²˒⁵˒²⁶.


Tabela 1 — Definição simplificada do SIBO

AspetoIntestino normalSIBO
BactériasPoucasEm excesso
FermentaçãoControladaAumentada
GasesProdução normalProdução excessiva
AbsorçãoEficientePode estar comprometida

Intestino ilustração
Intestino ilustração

Como funciona normalmente o intestino delgado?

O intestino delgado é o principal local de digestão e absorção de nutrientes. Para desempenhar esta função, mantém uma carga microbiana relativamente baixa quando comparado com o cólon²˒⁵.

A acidez gástrica reduz a entrada de microrganismos viáveis, a bílis e as enzimas pancreáticas têm efeito antimicrobiano, e o Complexo Motor Migratório atua como um sistema de “limpeza” que remove resíduos alimentares e bactérias durante o jejum⁵˒⁶.


Mecanismos naturais de proteção:

Estômago ácido

Bílis e enzimas pancreáticas

Motilidade intestinal eficaz

Sistema imunitário da mucosa

Controlo do crescimento bacteriano


Tabela 2 — Mecanismos de defesa contra o SIBO

MecanismoFunção principalFalha associada
Ácido gástricoReduz microrganismos ingeridosMaior colonização
BílisAção antimicrobianaCrescimento bacteriano
MotilidadeLimpeza intestinalEstase
Imunidade intestinalControlo microbianoDisbiose

Como surge o SIBO?

O SIBO raramente surge por acaso. Na maioria dos casos existe uma alteração subjacente que compromete os mecanismos naturais de defesa intestinal¹˒².

A hipomotilidade, a estase intestinal, alterações anatómicas após cirurgia, redução da acidez gástrica e doenças sistémicas podem criar um ambiente favorável à proliferação bacteriana¹˒⁶˒⁸.


Como surge o SIBO?

Fator predisponente

Alteração da motilidade ou anatomia

Estase intestinal

Crescimento bacteriano excessivo

Fermentação aumentada

Gases, inflamação e sintomas


Principais fatores de risco

Entre os fatores de risco mais relevantes encontram-se a idade avançada, diabetes mellitus, cirurgia gastrointestinal, esclerodermia, doença celíaca, doença inflamatória intestinal, hipocloridria e utilização prolongada de inibidores da bomba de protões¹˒⁶˒¹⁴˒¹⁵.

A diabetes pode favorecer o SIBO através de neuropatia autonómica e alteração da motilidade gastrointestinal⁶˒⁸.

A cirurgia gastrointestinal pode criar ansas cegas, alterações anatómicas ou zonas de estase que facilitam o crescimento bacteriano²˒²⁴.

Na esclerodermia, a redução da motilidade intestinal é um dos principais mecanismos associados ao aparecimento de SIBO¹˒²⁶.


Tabela 3 — Principais fatores de risco

FatorMecanismoRelevância
DiabetesHipomotilidadeFrequente
Cirurgia digestivaEstaseElevada
IBP prolongadosMenor acidezModerada
EsclerodermiaMotilidade reduzidaElevada
Doença celíacaAlteração mucosaVariável

Sintomas mais frequentes

Os sintomas do SIBO são inespecíficos e sobrepõem-se a várias doenças digestivas, sobretudo à síndrome do intestino irritável¹˒⁹.

Os sintomas mais comuns incluem distensão abdominal, flatulência, dor abdominal, diarreia, obstipação, náuseas e sensação de enfartamento¹˒²˒⁷.

A intensidade clínica é muito variável: alguns doentes têm apenas desconforto ligeiro, enquanto outros apresentam sintomas persistentes com impacto relevante na qualidade de vida²˒²⁶.


Tabela 4 — Sintomas digestivos comuns

SintomaMecanismo provávelObservação
InchaçoGasesMuito comum
FlatulênciaFermentaçãoFrequente
DiarreiaÁcidos biliares alteradosComum
ObstipaçãoMetanoFrequente
Dor abdominalDistensãoVariável

Hidrogénio, metano e sulfureto de hidrogénio

A fermentação bacteriana no intestino delgado pode produzir diferentes gases, nomeadamente hidrogénio, metano e sulfureto de hidrogénio³˒⁴.

O hidrogénio está mais associado a diarreia, enquanto o metano se associa frequentemente a obstipação³˒²².

O metano é produzido sobretudo por arqueias, como Methanobrevibacter smithii, razão pela qual alguns autores preferem a designação “sobrecrescimento metanogénico intestinal” para estes casos³˒²².


Tabela 5 — Perfis de gases

PerfilGás dominanteSintomas associados
HidrogénioH₂Diarreia
MetanoCH₄Obstipação
Sulfureto de hidrogénioH₂SDor e diarreia

SIBO e síndrome do intestino irritável

A relação entre SIBO e síndrome do intestino irritável é uma das áreas mais debatidas da gastroenterologia moderna⁹˒²⁷.

Vários estudos demonstraram maior prevalência de testes respiratórios positivos em doentes com síndrome do intestino irritável, mas isso não prova que todos os casos sejam causados por SIBO⁹˒²⁷.

O consenso atual é que existe uma sobreposição parcial entre ambas as condições, devendo o diagnóstico ser interpretado com prudência e sempre em contexto clínico¹˒²˒⁹.


Tabela 6 — SIBO versus Síndrome do Intestino Irritável

AspetoSIBOSII
InchaçoFrequenteFrequente
Dor abdominalFrequenteFrequente
DiarreiaPossívelPossível
ObstipaçãoPossívelPossível
Teste respiratórioPode ser positivoPode ser positivo

Consequências nutricionais

Quando prolongado ou grave, o SIBO pode interferir com a absorção de nutrientes, particularmente vitamina B12, ferro e vitaminas lipossolúveis²˒²⁶.

As bactérias podem consumir vitamina B12, desconjugar ácidos biliares e comprometer a digestão das gorduras²˒²⁴.

Em situações mais avançadas pode ocorrer esteatorreia, perda ponderal, anemia ou défices nutricionais clinicamente relevantes²⁴˒²⁸.


Tabela 7 — Défices nutricionais associados

NutrienteAlteração possívelConsequência
Vitamina B12ReduçãoAnemia, fadiga
FerroReduçãoAnemia
Vitaminas A, D, E, KMá absorçãoDéfices variados
GordurasMá absorçãoEsteatorreia

Diagnóstico

O diagnóstico de SIBO deve integrar sintomas, fatores de risco e exames complementares¹˒².

Nenhum teste é perfeito. A cultura jejunal tem limitações técnicas e os testes respiratórios podem gerar falsos positivos ou falsos negativos¹˒³˒⁴.

Por isso, as guidelines recomendam que os resultados sejam interpretados em conjunto com a história clínica e não como prova isolada¹˒²˒⁴.


Testes respiratórios

Os testes respiratórios com glicose ou lactulose são os métodos mais usados na prática clínica para avaliar a produção de hidrogénio e metano³˒⁴.

A glicose tende a ser mais específica, mas pode falhar casos localizados em segmentos mais distais do intestino delgado³˒⁴.

A lactulose percorre todo o intestino delgado, mas pode ser mais suscetível a falsos positivos relacionados com trânsito intestinal acelerado³˒⁴.


Tabela 8 — Glicose versus lactulose

SubstratoVantagemLimitação
GlicoseMaior especificidadePode falhar SIBO distal
LactuloseAvalia maior extensãoMais falsos positivos
AmbosNão invasivosInterpretação variável

Cultura jejunal

A aspiração jejunal com cultura bacteriana foi historicamente considerada o método de referência, mas é invasiva, dispendiosa e sujeita a contaminação¹˒³.

Além disso, a cultura convencional pode não identificar adequadamente microrganismos anaeróbios ou arqueias produtoras de metano¹˒⁵.

Por estas razões, é utilizada sobretudo em centros especializados ou em casos selecionados¹˒².


Tratamento

O tratamento do SIBO deve ter como objetivos reduzir a carga microbiana excessiva, aliviar sintomas, corrigir défices nutricionais e tratar a causa subjacente¹˒².

A abordagem pode incluir antibióticos, estratégias dietéticas, correção de fatores predisponentes, melhoria da motilidade intestinal e acompanhamento clínico¹˒²˒¹⁰.

Tratar apenas com antibiótico, sem corrigir a causa de base, aumenta o risco de recidiva¹¹.


Estratégia terapêutica moderna:

Confirmar suspeita clínica

Identificar fatores de risco

Tratar crescimento bacteriano

Corrigir défices nutricionais

Melhorar motilidade

Prevenir recidivas


Rifaximina

A rifaximina é o antibiótico mais estudado no SIBO e possui absorção sistémica mínima, atuando predominantemente no lúmen intestinal¹˒¹⁰.

Meta-análises indicam que a terapêutica antibiótica pode melhorar sintomas e normalizar testes respiratórios em parte dos doentes com SIBO¹⁰.

A resposta à rifaximina parece ser mais favorável nos casos com predominância de hidrogénio, enquanto os casos metanogénicos podem necessitar de estratégias combinadas¹˒²².


Tabela 9 — Rifaximina no SIBO

CaracterísticaSignificadoRelevância
Baixa absorçãoAção localMelhor tolerabilidade
Evidência amplaMais estudadaUso frequente
Melhor no H₂DiarreiaMaior resposta
Menor no CH₄ObstipaçãoPode exigir combinação

Dieta Low-FODMAP

A dieta Low-FODMAP reduz hidratos de carbono fermentáveis, podendo diminuir produção de gases, distensão abdominal e dor em doentes com sintomas funcionais gastrointestinais¹⁹˒²⁰.

Apesar de útil no controlo sintomático, esta dieta não deve ser apresentada como “cura” do SIBO¹⁹.

A fase restritiva deve ser temporária, seguida de reintrodução progressiva, idealmente com acompanhamento profissional, para evitar restrição alimentar desnecessária e possível redução da diversidade da microbiota¹⁹˒²⁰.


Tabela 10 — Principais exemplos FODMAP

Mais ricos em FODMAPMais pobres em FODMAP
CebolaCenoura
AlhoCourgette
MaçãMorango
TrigoArroz
LeguminosasBatata

A evidência apoia sobretudo uma redução temporária de alimentos altamente fermentáveis (Low-FODMAP) para controlo dos sintomas, seguida de reintrodução gradual dos alimentos, idealmente com acompanhamento de um nutricionista ou médico.¹⁻⁴

Alimento a limitar (fase inicial)MotivoAlternativa mais adequada
CebolaMuito rica em frutanos (FODMAP), altamente fermentáveisCebolinho (parte verde), azeite aromatizado com ervas
AlhoElevado teor de frutanosAzeite aromatizado com ervas aromáticas
Trigo (pão branco, massas tradicionais)Rico em frutanosArroz, aveia, quinoa, milho, trigo-sarraceno
Leguminosas (feijão, grão, lentilhas)Elevado teor de galacto-oligossacáridosTofu firme, pequenas quantidades de lentilhas enlatadas bem lavadas*
MaçãRica em frutose e sorbitolMorangos, mirtilos, kiwi, uvas
PeraRica em frutose e sorbitolLaranja, banana pouco madura, ananás
MelElevado teor de frutosePequenas quantidades de açúcar comum ou xarope de ácer (maple) puro
Leite (se intolerância à lactose)Lactose fermentávelLeite sem lactose ou bebidas vegetais sem adição de FODMAP elevados
CogumelosAlguns são ricos em polióis (manitol)Courgette, beringela, espinafres
Couve-florRica em manitolBrócolos (em porção moderada), feijão-verde, cenoura

* A quantidade é importante. Algumas leguminosas enlatadas e bem escorridas podem ser melhor toleradas do que as secas.

Alimentos geralmente melhor tolerados

Os seguintes alimentos são frequentemente bem tolerados na fase inicial da dieta Low-FODMAP:

GrupoExemplos
ProteínasPeixe, frango, peru, ovos, carne magra
CereaisArroz, quinoa, aveia, milho
HortícolasCenoura, courgette, espinafres, pepino, tomate, alface
FrutaKiwi, morangos, mirtilos, laranja, uvas, banana pouco madura
GordurasAzeite virgem extra, nozes (em quantidade moderada), sementes
LacticíniosProdutos sem lactose (quando necessário)

Alimentos que podem aumentar a produção de gases

Independentemente do SIBO, algumas pessoas referem agravamento dos sintomas com:

  • Bebidas gaseificadas
  • Cerveja
  • Vinho (em alguns indivíduos, devido ao álcool, histamina e outros compostos)
  • Gomas e rebuçados com sorbitol, manitol ou xilitol
  • Grandes quantidades de cebola e alho crus

Nota importante

A dieta Low-FODMAP não deve ser seguida de forma permanente. A evidência científica recomenda três fases:

  1. Restrição temporária (habitualmente 2–6 semanas).
  2. Reintrodução gradual e sistemática dos diferentes grupos de FODMAP.
  3. Personalização da alimentação, evitando apenas os alimentos que desencadeiam sintomas.

Uma restrição prolongada pode reduzir a diversidade da microbiota intestinal, o que não é desejável a longo prazo.¹˒²

Principais referências científicas da tabela dos alimentos:

  1. Pimentel M, Saad RJ, Long MD, Rao SSC. ACG Clinical Guideline: Small Intestinal Bacterial Overgrowth. Am J Gastroenterol. 2020;115(2):165-178.
  2. Quigley EMM, Murray JA, Pimentel M. AGA Clinical Practice Update on Small Intestinal Bacterial Overgrowth: Expert Review. Gastroenterology. 2020;159(4):1526-1532.
  3. Staudacher HM, Whelan K. The Low FODMAP Diet: Recent Advances in Understanding Its Mechanisms and Efficacy. Gut. 2017;66(8):1517-1527.
  4. Halmos EP, Gibson PR. Controversies and reality of the FODMAP diet for patients with irritable bowel syndrome. J Gastroenterol Hepatol. 2019;34(7):1134-1142.
  5. Hammer HF, Fox MR, Keller J, et al. European guideline on indications, performance and clinical impact of hydrogen and methane breath tests. United European Gastroenterol J. 2022;10(1):15-40.

Probióticos

Os probióticos continuam a ser uma área controversa no SIBO¹⁶˒¹⁷.

Uma meta-análise sugeriu que os probióticos podem melhorar alguns sintomas e reduzir resultados positivos em testes respiratórios, mas a heterogeneidade dos estudos limita conclusões definitivas¹⁶.

Os efeitos dependem da estirpe, dose, duração, contexto clínico e características individuais do doente¹⁶˒¹⁷.

Assim, os probióticos não devem ser recomendados universalmente para todos os casos, mas podem ser ponderados de forma individualizada¹⁶˒¹⁸.

Não existe atualmente nenhuma estirpe de probiótico recomendada pelas principais guidelines (ACG ou AGA) como tratamento de primeira linha para o SIBO. A evidência é heterogénea e depende da estirpe, da dose, da duração do tratamento e das características do doente.¹˒²

Contudo, algumas estirpes apresentam resultados promissores em estudos clínicos, sobretudo como adjuvantes após antibioterapia ou para melhoria dos sintomas.

Tabela – Estirpes de probióticos com melhor evidência científica no contexto de SIBO

EstirpeNível de evidênciaPotenciais benefíciosComentários
Lacticaseibacillus rhamnosus GG (antigo Lactobacillus rhamnosus GG)★★★☆☆Pode reduzir sintomas digestivos e modular a microbiotaUma das estirpes mais estudadas e geralmente bem tolerada.³
Limosilactobacillus reuteri DSM 17938 (antigo Lactobacillus reuteri)★★★☆☆Pode melhorar a motilidade e reduzir inflamaçãoResultados promissores, mas ainda limitados em SIBO.⁴
Saccharomyces boulardii CNCM I-745★★★★☆Pode reduzir recorrência e melhorar sintomas quando associado ao tratamento convencionalÉ uma levedura, não uma bactéria; menor risco teórico de contribuir para fermentação bacteriana.⁵
Bifidobacterium lactis HN019★★★☆☆Pode acelerar o trânsito intestinal e melhorar obstipaçãoInteressante em doentes com obstipação predominante ou IMO.⁶
Bifidobacterium longum★★★☆☆Pode reduzir inflamação e melhorar sintomas funcionaisEvidência indireta proveniente de SII e disbiose.⁷
Bifidobacterium infantis 35624★★★☆☆Pode reduzir dor abdominal e distensãoMelhor evidência em síndrome do intestino irritável do que em SIBO.⁸
Lactiplantibacillus plantarum 299v (antigo Lactobacillus plantarum)★★★☆☆Pode diminuir produção de gases e melhorar desconforto abdominalDados sobretudo em SII.⁹
Bacillus coagulans MTCC 5856 / GBI-30, 6086★★☆☆☆Potencial melhoria da digestão e redução de gasesEvidência ainda limitada.¹⁰
Bacillus clausii★★☆☆☆Pode favorecer recuperação da microbiota após antibióticosPoucos estudos específicos em SIBO.¹¹
Misturas multicepas (Bifidobacterium + Lactobacillus)★★☆☆☆Alguns estudos mostram melhoria sintomáticaOs resultados variam muito consoante a composição; não podem ser generalizados.¹²

Estirpes que considero mais interessantes

Se tivesse de selecionar apenas quatro com melhor racional científico, seriam:

EstirpeSituação em que pode ser mais útil
Saccharomyces boulardii CNCM I-745Após antibioterapia e para reduzir recorrências
Bifidobacterium lactis HN019Obstipação e trânsito intestinal lento
Lacticaseibacillus rhamnosus GGModulação geral da microbiota
Limosilactobacillus reuteri DSM 17938Alterações da motilidade e sintomas funcionais

Em alguns doentes com SIBO ativo, determinados probióticos parecem ser bem tolerados, mas noutros podem aumentar a fermentação e agravar a distensão. A resposta é muito individual.¹˒²˒¹³

Se um teste respiratório vier a confirmar IMO (predomínio de metano) ou SIBO e os sintomas persistirem após o tratamento dirigido, então faria sentido ponderar um probiótico selecionado, preferindo uma única estirpe bem estudada em vez de uma mistura complexa.

Principais referências científicas da tabela de probióticos:

  1. Pimentel M, Saad RJ, Long MD, Rao SSC. ACG Clinical Guideline: Small Intestinal Bacterial Overgrowth. Am J Gastroenterol. 2020;115(2):165-178.
  2. Quigley EMM, Murray JA, Pimentel M. AGA Clinical Practice Update on Small Intestinal Bacterial Overgrowth: Expert Review. Gastroenterology. 2020;159(4):1526-1532.
  3. Doron S, Snydman DR. Risk and safety of probiotics. Clin Infect Dis. 2015;60(Suppl 2):S129-S134.
  4. Francavilla R, et al. Clinical and microbiological effect of Limosilactobacillus reuteri in gastrointestinal disorders. J Pediatr Gastroenterol Nutr. Diversos estudos.
  5. McFarland LV. Systematic review and meta-analysis of Saccharomyces boulardii in adult patients. World J Gastroenterol. 2010.
  6. Waller PA, et al. Bifidobacterium lactis HN019 and gastrointestinal transit. Scand J Gastroenterol. 2011.
  7. O’Callaghan A, van Sinderen D. Bifidobacteria and their role as members of the human gut microbiota. Front Microbiol. 2016.
  8. Whorwell PJ, et al. Efficacy of Bifidobacterium infantis 35624 in irritable bowel syndrome. Am J Gastroenterol. 2006.
  9. Ducrotté P, et al. Clinical effects of Lactiplantibacillus plantarum 299v in IBS. World J Gastroenterol. 2012.
  10. Majeed M, et al. Bacillus coagulans MTCC 5856 in functional gastrointestinal disorders. Nutr J. 2016.
  11. Ciprandi G, et al. Bacillus clausii in gastrointestinal disorders. Clin Exp Gastroenterol. 2020.
  12. Zhong C, Qu C, Wang B, Liang S, Zeng B. Probiotics for Preventing and Treating Small Intestinal Bacterial Overgrowth: A Meta-Analysis and Systematic Review. J Clin Gastroenterol. 2017;51(4):300-311.
  13. Rao SSC, Rehman A, Yu S, Andino NM. Brain fogginess, gas and bloating: a link between probiotics, SIBO and D-lactic acidosis. Clin Transl Gastroenterol. 2018;9:e170.

Prevenção de recidivas

As recidivas após tratamento são frequentes, sobretudo quando persistem fatores predisponentes como hipomotilidade, alterações anatómicas, doença sistémica ou uso prolongado de medicação predisponente¹¹.

Um estudo clássico demonstrou recorrência significativa após antibioterapia, reforçando a importância de tratar a causa subjacente e manter vigilância clínica¹¹.

A prevenção passa por rever medicação, otimizar motilidade, corrigir défices nutricionais, controlar doenças de base e evitar dietas excessivamente restritivas sem indicação clínica¹˒²˒¹¹.


Tabela 11 — Estratégias para reduzir recidivas

EstratégiaObjetivo
Tratar doença de baseReduzir fator causal
Rever IBPEvitar hipocloridria desnecessária
Melhorar motilidadeReduzir estase
Corrigir déficesRecuperar estado nutricional
Seguimento clínicoDetetar recidiva precoce

17. Mitos e factos

MitoFacto científico
Todo o inchaço é SIBOExistem muitas causas de distensão abdominal¹˒²
Um teste positivo confirma tudoO contexto clínico é indispensável¹˒³˒⁴
A dieta cura semprePode aliviar sintomas, mas não elimina necessariamente a causa¹⁹
Probióticos resolvem todos os casosA evidência é heterogénea¹⁶˒¹⁷
A rifaximina resulta sempreA resposta varia entre doentes¹˒¹⁰

Perguntas frequentes

O SIBO é contagioso?

Não. O SIBO não é considerado uma doença contagiosa; resulta sobretudo de alterações internas da motilidade, anatomia, secreções digestivas ou doenças associadas¹˒².

O SIBO pode voltar?

Sim. As recidivas são frequentes quando a causa subjacente não é corrigida¹¹.

Todos os doentes precisam de antibiótico?

Não necessariamente. A decisão deve depender da gravidade dos sintomas, contexto clínico, fatores de risco e resultados dos exames¹˒².

A dieta Low-FODMAP deve ser permanente?

Não. Deve ser usada por tempo limitado, com reintrodução gradual de alimentos¹⁹˒²⁰.

Os probióticos são obrigatórios?

Não. Podem ajudar alguns doentes, mas a evidência não justifica uso universal¹⁶˒¹⁷.


Conclusão

O SIBO é uma condição complexa, situada na interseção entre microbiota intestinal, motilidade gastrointestinal, anatomia digestiva, secreções intestinais e doenças sistémicas¹˒²˒⁵. Embora esteja cada vez mais presente na discussão pública sobre saúde digestiva, continua a exigir uma abordagem clínica cuidadosa, porque os sintomas são inespecíficos e os testes disponíveis têm limitações relevantes³˒⁴.

A melhor estratégia passa por uma abordagem integrada: suspeita clínica adequada, uso criterioso dos testes respiratórios, identificação dos fatores predisponentes, tratamento individualizado, correção nutricional e prevenção de recidivas¹˒²˒¹¹. À medida que a investigação sobre microbioma, metabolómica e arqueias intestinais evolui, é provável que surjam métodos diagnósticos mais precisos e terapias mais personalizadas⁵˒²⁹˒³⁰.


Principais mensagens a reter

✓ O SIBO corresponde a crescimento excessivo de microrganismos no intestino delgado¹˒².
✓ Os sintomas mais comuns são inchaço, gases, dor abdominal, diarreia e obstipação¹˒².
✓ O metano está frequentemente associado à obstipação³˒²².
✓ Os testes respiratórios são úteis, mas têm limitações³˒⁴.
✓ A rifaximina é o antibiótico mais estudado¹˒¹⁰.
✓ A dieta Low-FODMAP pode melhorar sintomas, mas não deve ser permanente¹⁹˒²⁰.
✓ As recidivas são frequentes se a causa subjacente não for corrigida¹¹.


Bibliografia científica

  1. Pimentel M, Saad RJ, Long MD, Rao SSC. ACG Clinical Guideline: Small Intestinal Bacterial Overgrowth. Am J Gastroenterol. 2020;115(2):165-178. doi:10.14309/ajg.0000000000000501. URL: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/32023228/
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Chás infusões tisanas e medicamentos estratégias de segurança

Chás, infusões e tisanas qual a influência das infusões e do chá na atividade terapêutica dos medicamentos? Quais as principais interações medicamentosas e efeitos adversos das infusões e chás? Qual a diferença entre chá, infusão e tisana?

Neste artigo vou descrever os principais chás, infusões e tisanas, quais as suas propriedades e interações medicamentosas. A lista de infusões ordenada alfabeticamente com os nomes científicos das plantas entre parênteses, para que possas já identificar a tua infusão habitual, é descrita de seguida:

  1. Ashwagandha (Withania somnifera)
  2. Barbas de Milho (Zea mays)
  3. Camomila (Matricaria chamomilla ou Chamaemelum nobile)
  4. Canela – Cinnamomum verum (canela-do-ceilão) ou Cinnamomum cassia (canela-cássia)
  5. Carqueja (Baccharis trimera)
  6. Cavalinha (Equisetum arvense)
  7. Cidreira (Melissa officinalis)
  8. Cogumelo juba-de-leão (Hericium erinaceus)
  9. Equinácea (Echinacea purpurea, Echinacea angustifolia ou Echinacea pallida)
  10. Erva-doce (Foeniculum vulgare)
  11. Erva de São Roberto (Geranium robertianum)
  12. Flor de Laranjeira (Citrus aurantium)
  13. Flor de Tília (Tilia cordata ou Tilia platyphyllos)
  14. Frutos Vermelhos (diversas espécies, geralmente Rubus idaeus ou Vaccinium spp.)
  15. Gengibre (Zingiber officinale)
  16. Hibisco (Hibiscus sabdariffa)
  17. Hipericão (Erva-de-São-João) (Hypericum perforatum)
  18. Hortelã (Mentha spicata ou Mentha piperita)
  19. Jasmim (Jasminum officinale ou Jasminum sambac)
  20. Lavanda (Lavandula angustifolia)
  21. Limonete (Erva-Luísa) (Aloysia citrodora)
  22. Limão (Citrus limon)
  23. Louro (Laurus nobilis)
  24. Macela Cabeças (Achyrocline satureioides)
  25. Malvas (Malva sylvestris)
  26. Pau d’Arco (Tabebuia impetiginosa ou Handroanthus impetiginosus)
  27. Pés de Cereja (Prunus avium)
  28. Quebra-Pedra (Phyllanthus niruri)
  29. Sene (Cassia angustifolia)
Chás infusões e interações com medicamentos
Chás infusões e interações com medicamentos

Lista de chás referidos no artigo:

  • Chá verde (Camellia sinensis)
  • Chá preto (Camellia sinensis)
  • Chá branco (Camellia sinensis)
  • Chá Oolong (Camellia sinensis)
  • Chá de matcha (Camellia sinensis)
  • Chá imperial (mistura de Camellia sinensis com outras plantas)

Neste artigo vou tratar os seguintes temas:

  • Diferença entre chá, infusão e tisana
  • Plantas mais usadas
  • Propriedades terapêuticas
  • Interações com medicamentos
  • Melhores combinações de plantas para potenciar efeito terapêutico
  • Relaxamento e insónia (melhor tisana)
  • Digestão e alívio de cólicas (melhor tisana)
  • Imunidade melhorada (melhor tisana)
  • Desintoxicação e retenção de líquidos (melhor tisana)
  • Stress e ansiedade (melhor tisana) 
  • Problemas renais e cálculos no rim ou pedra no rim (melhor tisana)
  • Resfriados e tosse (melhor tisana)
  • Obstipação ou intestino preso (melhor tisana)
  • Forma de preparação das tisanas
As cinco grandes mentiras sobre saúde
As cinco grandes mentiras sobre saúde

Chás infusões e tisanas qual a diferença?

Embora muitas pessoas acreditem ser a mesma coisa, grande parte das bebidas quentes a que chamamos chá são, na verdade, infusões. Os chás são bebidas feitas a partir de uma única planta, a Camellia sinenses, também conhecida como “Chá-da-Índia”. Assim, bebidas preparadas a partir de outras plantas como cidreira, camomila, erva doce, melissa ou especiarias, são classificadas como infusões.

Com a planta Camellia sinenses, é possível preparar uma enorme variedade de chás, que variam de acordo com o cultivo, nível de fermentação, coleta e preparação das folhas. No geral, os diversos tipos podem ser divididos em quatro grupos:

  • Chá preto,  altamente fermentado e de sabor forte;
  • Chá oolong, de fermentação mediana com sabor intermediário;
  • Chá verde, levemente fermentado e com sabor suave;
  • Chá branco: produzido a partir de folhas jovens e tenras, não fermentado.

Já a infusão é o nome do processo que utiliza água fervente numa substância para extrair os seus princípios ativos e medicinais. Por exemplo, o denominado chá de camomila é na verdade uma infusão.

Chá

  • Origem: O chá propriamente dito vem da planta Camellia sinensis. As variedades de chá (preto, verde, branco, oolong) são todas derivadas dessa planta, com diferenças no processamento e oxidação das folhas.
  • Cafeína: O chá contém cafeína, com níveis que variam dependendo do tipo e do tempo de infusão.
  • Benefícios: Cada tipo de chá oferece diferentes benefícios para a saúde, como antioxidantes, que ajudam na prevenção de doenças.

Infusão

  • Origem: As infusões são feitas com uma variedade de plantas, ervas, flores, frutas e especiarias que não vêm da Camellia sinensis. Exemplos incluem camomila, hortelã, erva-cidreira, erva-doce e hibisco.
  • Cafeína: Geralmente, infusões não contêm cafeína, tornando-as uma boa opção para quem quer evitar esse estimulante.
  • Benefícios: Dependem dos ingredientes usados. Por exemplo, a camomila é conhecida por suas propriedades calmantes, enquanto a hortelã pode ajudar na digestão.

Preparação

Tanto chás quanto infusões são preparados com a imersão das folhas ou partes das plantas em água quente. No entanto, a temperatura da água e o tempo de infusão podem variar dependendo da planta para otimizar o sabor e as propriedades da bebida.

Em resumo, o chá vem exclusivamente da Camellia sinensis e pode conter cafeína, enquanto as infusões são mais diversificadas em termos de ingredientes e geralmente não contêm cafeína.


Tisanas

As tisanas são preparações feitas à base de ervas, flores, folhas, raízes, cascas ou frutos de plantas, geralmente preparadas através de infusão, decocção ou macerado em água quente ou fria. O termo é frequentemente usado como sinónimo de infusões, mas pode ter um significado mais amplo, englobando diferentes métodos de extração dos princípios ativos das plantas.

Características das Tisanas:

  1. Sem cafeína – Ao contrário do chá (que vem da planta Camellia sinensis), as tisanas não contêm cafeína, tornando-as uma opção mais relaxante e versátil.
  2. Diversidade de ingredientes – Podem incluir ervas medicinais (como camomila, hortelã), frutas secas, especiarias (como canela) e até flores (como hibisco ou lavanda).
  3. Uso terapêutico – Muitas tisanas são utilizadas na medicina natural para tratar ou aliviar condições como ansiedade, insónia, problemas digestivos, resfriados e inflamações.
  4. Preparação variada
    • Infusão – Para partes delicadas como folhas e flores.
    • Decocção – Para partes mais duras, como raízes e cascas.
    • Macerado – Deixar os ingredientes em água fria por horas (ideal para extrair certos compostos sensíveis ao calor).

Exemplos de Tisanas

  • Calmantes: Camomila, erva-cidreira, flor de laranjeira.
  • Digestivas: Hortelã, gengibre, erva-doce.
  • Diuréticas: Cavalinha, hibisco, barbas de milho.
  • Imunológicas: Pau d’arco, equinácea, gengibre com limão.

Benefício principal

As tisanas são altamente personalizáveis, podendo ser misturadas de acordo com o gosto ou a necessidade terapêutica de cada pessoa. Assim, as tisanas representam uma prática tradicional e natural de cuidado com a saúde e bem-estar.

Chás infusões e tisanas propriedades e efeitos adversos
Chás infusões e tisanas propriedades e efeitos adversos

Propriedades terapêuticas e interações com medicamentos

De seguida descrevo as propriedade medicinais mais relevantes e as interações medicamentosas mais perigosas.

Chá Verde, Chá Preto, Chá Branco e Chá Oolong

Propriedades:

Interações:

O chá verde, rico em catequinas com forte ação antioxidante, pode interferir na eficácia de anticoagulantes, elevando o risco de formação de coágulos sanguíneos.

  • Anticoagulantes: Pode aumentar o risco de sangramentos devido à presença de vitamina K (especialmente chá verde).
  • Medicamentos para pressão arterial: Pode interferir no controle da pressão devido ao efeito estimulante da cafeína.
  • Medicamentos para ansiedade e insónia: Pode aumentar os efeitos adversos devido à cafeína.

Infusões

Descrevo de seguida as principais infusões com efeitos medicinais, respetivas propriedades terapêuticas e interações medicamentosas.

Camomila

Camomila propriedades e efeitos adversos
Camomila propriedades e efeitos adversos

Propriedades: Calmante, anti-inflamatório, auxilia na digestão.

Interações com medicamentos :

A camomila, conhecida pelas suas propriedades digestivas e sedativas, pode potencializar os efeitos de anticoagulantes orais, aumentando o risco de hemorragias. Além disso, em doses elevadas, pode causar paralisia dos músculos lisos do aparelho digestivo, útero e bexiga.

  • Anticoagulantes/antiplaquetários: Pode aumentar o risco de sangramento.
  • Sedativos: Pode intensificar o efeito sedativo.
  • Antidepressivos: Pode potencializar os efeitos de medicamentos como os inibidores da MAO.

Cidreira

Cidreira propriedades e efeitos adversos
Cidreira propriedades e efeitos adversos

Propriedades: Calmante, melhora a digestão, alivia ansiedade.

Interações com medicamentos :

A Cidreira com o sedativo pentobarbital, potencializa o efeito do medicamento. Não é recomendado para hipotensos (pressão baixa).

  • Sedativos: Pode intensificar o efeito sedativo.
  • Tiróide: Pode interferir no funcionamento da tiróide em doses elevadas.

Flor de Tília

Tília propriedades e efeitos adversos
Tília propriedades e efeitos adversos

Propriedades: Calmante, diurético leve, ajuda na insónia, ansiedade e problemas respiratórios (tosse e resfriados).

Interações com medicamentos :

  • Sedativos Pode intensificar o efeito sedativo.
  • Diuréticos Pode aumentar o efeito diurético.

Limão

Limão propriedades e efeitos adversos
Limão propriedades e efeitos adversos

Propriedades: Refrescante, antioxidante, auxilia na digestão.

Interações com medicamentos:

  • Medicamentos para pressão arterial: Pode potencializar o efeito anti-hipertensivo.
  • Antiácidos: Pode alterar a absorção.

Sene

Sene propriedades e efeitos adversos
Sene propriedades e efeitos adversos

Propriedades: Laxante poderoso, usado para tratar obstipação.

Interações com medicamentos :

  • Laxantes: Pode causar perda excessiva de eletrólitos se usado com outros laxantes.
  • Diuréticos: Pode aumentar o risco de desequilíbrio eletrolítico.
  • Medicamentos cardíacos: Pode interferir devido à perda de potássio, afetando o funcionamento cardíaco.

Hipericão (Erva-de-São-João)

Hipericão propriedades e efeitos adversos
Hipericão propriedades e efeitos adversos

Propriedades: Antidepressivo natural, anti-inflamatório.

Interações com medicamentos:

A erva-de-São-João, frequentemente utilizada para tratar sintomas de depressão leve, pode interagir com antidepressivos, como a sertralina, levando a efeitos colaterais como sedação excessiva e depressão do sistema nervoso central.

  • Antidepressivos: Pode causar síndrome serotoninérgica se combinado.
  • Anticoncepcionais: Pode reduzir a eficácia.
  • Anticoagulantes: Pode diminuir a eficácia.
  • Imunossupressores: Pode reduzir a eficácia de medicamentos como a ciclosporina.

Gengibre

Gengibre propriedades e efeitos adversos
Gengibre propriedades e efeitos adversos

Propriedades: Anti-inflamatório, melhora digestão, alivia náuseas.

Interações com medicamentos :

O chá de gengibre, embora popular por causa das suas propriedades anti-inflamatórias, pode aumentar o risco de sangramento quando consumido em grandes quantidades juntamente com anticoagulantes.

  • Anticoagulantes/antiplaquetários: Pode aumentar o risco de sangramento.
  • Hipoglicemiantes: Pode potencializar o efeito, causando hipoglicemia.

 Jasmim

Jasmin propriedades e efeitos adversos
Jasmin propriedades e efeitos adversos

Propriedades: Relaxante, melhora o humor, antioxidante.

Interações com medicamentos : Pode potencializar o efeito de sedativos e ansiolíticos.


Erva-doce

Erva doce propriedades e efeitos adversos
Erva doce propriedades e efeitos adversos

Propriedades: Digestivo, anti-inflamatório, alivia cólicas.

Interações com medicamentos:

  • Anticoagulantes/antiplaquetários: Pode aumentar o risco de sangramento.
  • Estrogénios: Pode interferir na eficácia de terapias hormonais.

Hibisco (rosa ou flor da Jamaica)

Hibisco ou rosa da Jamaica ou flor da Jamaica propriedades e efeitos adversos
Hibisco ou rosa da Jamaica ou flor da Jamaica propriedades e efeitos adversos

Propriedades: Diurético, antioxidante, ajuda no controle da pressão arterial.

Interações com medicamentos :

  • Antihipertensivos: Pode potencializar o efeito, causando pressão arterial muito baixa.
  • Diuréticos: Pode aumentar o efeito diurético, causando desequilíbrios eletrolíticos.

Hortelã

Hortelã propriedades e efeitos adversos
Hortelã propriedades e efeitos adversos

Propriedades: Digestivo, alivia dores de cabeça, calmante.

Interações com medicamentos:

  • Antiácidos: Pode interferir na eficácia.
  • Sedativos: Pode intensificar o efeito sedativo.

Barbas de Milho

Barbas de milho propriedades e efeitos adversos
Barbas de milho propriedades e efeitos adversos

Propriedades: Diurético, anti-inflamatório, ajuda na saúde renal.

Interações com medicamentos:

  • Diuréticos: Pode intensificar o efeito, levando a desidratação ou desequilíbrios eletrolíticos.
  • Antihipertensivos: Pode potencializar a redução da pressão arterial.

Pés de Cereja

Pés de cereja propriedades e efeitos adversos
Pés de cereja Prunus avium

Propriedades: Diurético, purificante, usado para tratar problemas renais e urinários.

Interações com medicamentos:

  • Diuréticos: Pode aumentar o efeito diurético, causando desequilíbrios eletrolíticos.
  • Medicamentos para pressão arterial: Pode intensificar o efeito hipotensor.

Erva de São Roberto

Erva de São Roberto propriedades e efeitos adversos
Erva de São Roberto propriedades e efeitos adversos

Propriedades: Anti-inflamatório, diurético, hemostático.

Interações com medicamentos:

  • Anticoagulantes/antiplaquetários: Pode aumentar o risco de sangramento.
  • Diuréticos: Pode potencializar o efeito diurético.

Frutos Vermelhos

Frutos vermelhos framboesas propriedades e efeitos adversos
Frutos vermelhos framboesas propriedades e efeitos adversos

Propriedades: Antioxidante, anti-inflamatório, fortalece o sistema imunológico.

Interações com medicamentos: Geralmente, tem menos interações, mas em quantidades elevadas, pode interferir na absorção de certos medicamentos.


Cavalinha

Cavalinha propriedades e efeitos adversos
Cavalinha propriedades e efeitos adversos

Propriedades: Diurético, adstringente, rico em sílica (bom para ossos e unhas), ajuda no tratamento de infeções urinárias e retenção de líquidos.

Interações com medicamentos:

  • Diuréticos: Pode intensificar o efeito, causando desequilíbrios eletrolíticos.
  • Antihipertensivos: Pode diminuir excessivamente a pressão arterial.
  • Lítio: Pode alterar a excreção do lítio, aumentando o risco de efeitos colaterais.

Flor de Laranjeira

Flor de laranjeira propriedades e efeitos adversos
lor de laranjeira propriedades e efeitos adversos

Propriedades: Calmante, sedativo leve, ajuda na ansiedade, insônia e problemas digestivos.

Interações com medicamentos :

  • Sedativos: Pode intensificar o efeito sedativo.
  • Antidepressivos: Pode interagir com inibidores da MAO (raro, mas possível).

Limonete (Erva-Luísa)

Limonete (Erva -Luísa) propriedades e efeitos adversos
Limonete (Erva -Luísa) propriedades e efeitos adversos

Propriedades: Calmante, digestivo, antioxidante, alivia cólicas e problemas gastrointestinais.

Interações com medicamentos :

  • Sedativos: Pode potencializar o efeito sedativo.
  • Medicamentos gastrointestinais: Pode alterar o pH gástrico e interferir na eficácia de alguns medicamentos.

Macela Cabeças

Macela propriedades e efeitos adversos
Macela propriedades e efeitos adversos

Propriedades: Anti-inflamatório, calmante, digestivo, ajuda a aliviar dores de estômago e cólicas.

Interações com medicamentos :

  • Anticoagulantes: Pode aumentar o risco de sangramento.
  • Medicamentos gastrointestinais: Pode potencializar ou interferir no efeito.

Malvas

Malva propriedades e efeitos adversos
Malva propriedades e efeitos adversos

Propriedades: Emoliente, calmante, expetorante, ajuda em problemas respiratórios, digestivos e na inflamação das mucosas.

Interações com medicamentos :

  • Antidiabéticos: Pode interferir nos níveis de glicose no sangue.
  • Medicamentos respiratórios: Pode potencializar o efeito mucolítico.

Pau d’Arco

Pau D´'arco propriedades e efeitos adversos
Pau D´’arco propriedades e efeitos adversos

Propriedades: Antifúngico, anti-inflamatório, antioxidante, fortalece o sistema imunológico, usado no tratamento de infeções e doenças crónicas.

Interações com medicamentos :

  • Anticoagulantes: Pode aumentar o risco de sangramento.
  • Imunossupressores: Pode reduzir a eficácia.
  • Antidiabéticos: Pode interferir nos níveis de glicose.

Quebra-Pedra

Quebra-pedra propriedades e efeitos adversos
Quebra-pedra propriedades e efeitos adversos

Propriedades: Diurético, ajuda no tratamento de cálculos renais, anti-inflamatório, protetor hepático.

Interações com medicamentos:

  • Diuréticos: Pode aumentar o efeito, causando desequilíbrios eletrolíticos.
  • Antihipertensivos: Pode reduzir excessivamente a pressão arterial.
  • Medicamentos para diabetes: Pode potencializar a hipoglicemia.

Equinácea

Equinácea propriedades e efeitos adversos
Equinácea propriedades e efeitos adversos

Propriedades:

  • Fortalece o sistema imunitário;
  • Previne e trata resfriados e gripes;
    • Antiviral e antibacteriano;
    • Anti-inflamatório, útil em infecções respiratórias e problemas de pele.

Interações com medicamentos:

  • Imunossupressores;
    • Pode reduzir a eficácia de medicamentos como ciclosporina, tacrolimus e corticosteroides;
    • Medicamentos para alergias: Pode aumentar o risco de reações alérgicas em pessoas sensíveis;
    • Anticoagulantes/antiplaquetários: Pode interferir na coagulação, aumentando o risco de hemorragias;
  • Observação: Não é recomendado para uso prolongado (geralmente até 10-14 dias) ou para pessoas com doenças autoimunes.

Canela

Canela propriedades e efeitos adversos
Canela propriedades e efeitos adversos

Propriedades:

  • Antioxidante;
    • Anti-inflamatória e antimicrobiana;
    • Ajuda no controle da glicemia (reduz os níveis de açúcar no sangue);
    • Estimula a circulação e pode ajudar na digestão.

Interações com medicamentos:

  • Anticoagulantes (ex.: varfarina);
    • Pode aumentar o risco de sangramentos, especialmente com o uso de Cinnamomum cassia devido ao alto teor de cumarina;
    • Medicamentos para diabetes – pode potencializar a redução de glicemia, causando hipoglicemia;
    • Antibióticos e hepatotóxicos – pode sobrecarregar o fígado em doses elevadas ou prolongadas;
  • Observação: O consumo em quantidades moderadas é seguro; evite o uso excessivo, especialmente da canela-cássia.

Lavanda

Lavanda propriedades e efeitos adversos
Lavanda propriedades e efeitos adversos

Propriedades

  • Calmante, sedativa e relaxante;
    • Ajuda na ansiedade, insônia e tensão nervosa;
    • Antiespasmódica, útil para aliviar dores musculares e cólicas;
    • Antisséptica, pode ser usada externamente para pequenas feridas e irritações na pele.

Interações com medicamentos:

  • Sedativos (ex.: benzodiazepinas, barbitúricos);
    • Pode intensificar o efeito sedativo, causando sonolência excessiva;
    • Antidepressivos: Pode potencializar o efeito calmante, o que pode levar à sonolência;
    • Anticonvulsivantes: Pode interferir na eficácia ou intensificar os efeitos de medicamentos para convulsões;
  • Observação: Geralmente segura quando consumida em doses moderadas. Evitar o uso excessivo em crianças pequenas e mulheres grávidas sem orientação.

Carqueja

Carqueja propriedades e efeitos adversos
Carqueja propriedades e efeitos adversos

Propriedades:

  • Digestiva;
    • Hepatoprotetora (auxilia na proteção e desintoxicação do fígado);
    • Diurética (ajuda na eliminação de líquidos e no funcionamento renal).
    • Anti-inflamatória e antioxidante;
    • Ajuda a reduzir os níveis de glicose no sangue e é utilizada tradicionalmente no controle da diabetes.

Interações com medicamentos:

  • A Carqueja potencia o efeito do lítio (usado em medicamentos que controlam a depressão);
    • Medicamentos para diabetes: Pode potencializar a redução da glicose, causando hipoglicemia;
    • Anticoagulantes: Pode aumentar o risco de sangramento devido às suas propriedades circulatórias;
    • Anti-hipertensivos: Pode intensificar o efeito, levando à hipotensão.

Louro

Louro propriedades e efeitos adversos
Louro propriedades e efeitos adversos

Propriedades:

  • Digestiva (ajuda em casos de má digestão e gases);
    • Antisséptica;
    • Antimicrobiana;
    • Anti-inflamatória, útil para aliviar dores articulares;
    • Calmante, podendo ajudar em situações de ansiedade leve.

Interações com medicamentos

  • Sedativos;
    • Pode aumentar a sonolência quando combinado com medicamentos como benzodiazepinas;
    • Anticoagulantes: Pode interferir na coagulação, aumentando o risco de hemorragias;
    • Antidiabéticos: Pode reduzir a glicose no sangue, exigindo monitorização para evitar hipoglicemia.

Ashwagandha

Ashwagandha propriedades e efeitos adversos
Ashwagandha propriedades e efeitos adversos
  • Propriedades:
    • Adaptogénica, ajuda o corpo a lidar com o estresse.
    • Reduz a ansiedade e melhora a qualidade do sono.
    • Aumenta a energia, reduzindo o cansaço.
    • Anti-inflamatória, útil para dores musculares e articulares.
  • Interações com Medicamentos:
    • Sedativos: Pode intensificar os efeitos de medicamentos para ansiedade e insónia.
    • Imunossupressores: Pode interferir, já que estimula o sistema imunológico.
    • Medicamentos para a tiroide: Pode potencializar o efeito de medicamentos para hipotireoidismo, causando hiperatividade da tiroide.
  • Observação: Deve ser evitada por grávidas ou lactantes sem orientação médica.

Cogumelo juba-de-leão (Lion’s Mane)

Cogumelo juba-de-leão (Lion´s Mane) propriedades e efeitos adversos
Cogumelo juba-de-leão (Lion´s Mane) propriedades e efeitos adversos
  • Propriedades:
    • Neuroprotetora (ajuda a melhorar a memória e a cognição).
    • Estimula a produção de fator de crescimento nervoso (NGF), auxiliando na regeneração neuronal.
    • Anti-inflamatória e antioxidante.
    • Melhora a saúde gastrointestinal.
  • Interações com Medicamentos:
    • Antidepressivos: Pode potencializar os efeitos devido à estimulação da regeneração nervosa.
    • Medicamentos imunossupressores: Pode interferir devido ao efeito estimulante no sistema imunológico.
    • Anticoagulantes: Pode aumentar o risco de sangramento.
  • Observação: Geralmente bem tolerado, mas deve ser consumido com precaução em pessoas com condições autoimunes.

Matcha (chá)

  • Nome Científico: Camellia sinensis (derivado das folhas do chá verde, moídas em pó)
  • Propriedades:
    • Rico em antioxidantes (catequinas) que combatem o envelhecimento celular.
    • Aumenta a energia e a concentração devido ao teor de cafeína e L-teanina.
    • Auxilia no metabolismo e pode ajudar na perda de peso.
    • Melhora a função cerebral e é anti-inflamatório.
  • Interações com Medicamentos:
    • Estimulantes (ex.: anfetaminas): Pode aumentar a frequência cardíaca e a pressão arterial.
    • Anticoagulantes: O teor de vitamina K pode reduzir a eficácia de medicamentos como a varfarina.
    • Antidepressivos: Pode interagir com medicamentos que atuam no sistema nervoso central.
  • Observação: Evitar o consumo em excesso para prevenir insónia, palpitações ou irritabilidade.

Chá Imperial

  • Propriedades: Pode variar dependendo da composição, mas geralmente inclui uma mistura de ervas como chá verde, ginseng, jasmim, etc., focando em benefícios como antioxidantes, melhora da energia e da função cerebral.
  • Interações: Depende dos ingredientes específicos. Pode ter interações semelhantes às do chá verde (cafeína, anticoagulantes) e ginseng (anticoagulantes, estimulantes).

Essas infusões, especialmente as mais potentes como o sene e o barbas de milho, devem ser usadas com cautela, especialmente em combinação com medicamentos. Consultar um profissional de saúde antes de incluí-las na rotina é sempre recomendável para evitar interações adversas.


Tisanas – combinações terapêuticas

Aqui estão algumas sugestões de combinações de tisanas específicas para diferentes finalidades. Cada uma delas é composta por ingredientes que trabalham em sinergia para promover os efeitos desejados:


Relaxamento e Insónia 🌙

Ingredientes:

  • Camomila (Matricaria chamomilla ou Chamaemelum nobile)
  • Erva-cidreira (Melissa officinalis)
  • Flor de laranjeira (Citrus aurantium)
  • Lavanda (Lavandula angustifolia) (opcional, para aroma e efeito relaxante)

Modo de preparação:
Faça uma infusão de 1 colher de chá de cada erva em 250 ml de água quente por 5-7 minutos. Beba antes de dormir.


Digestão e alívio de Cólicas 🍵

Ingredientes:

  • Hortelã-pimenta (Mentha piperita)
  • Erva-doce (Foeniculum vulgare)
  • Gengibre (Zingiber officinale)
  • Limonete (Aloysia citrodora)

Modo de preparação:
Use 1 colher de chá de cada ingrediente em 300 ml de água quente. Deixe em infusão por 5-8 minutos. Pode tomar após as refeições.


Imunidade melhorada 💪

Ingredientes:

  • Pau d’arco (Tabebuia impetiginosa)
  • Gengibre (Zingiber officinale)
  • Hibisco (Hibiscus sabdariffa)
  • Canela em pau (Cinnamomum verum)

Modo de preparação:
Faça uma decocção: ferva 1 colher de chá de pau d’arco e canela por 10 minutos. Retire do fogo, adicione gengibre e hibisco e deixe em infusão por 5 minutos. Coe e beba quente.


Desintoxicação e retenção de líquidos 💧

Ingredientes:

  • Cavalinha (Equisetum arvense)
  • Barbas de milho (Zea mays)
  • Hibisco (Hibiscus sabdariffa)
  • Pés de cereja (Prunus avium)

Modo de preparação:
Faça uma infusão de 1 colher de chá de cada ingrediente em 500 ml de água quente por 8-10 minutos. Beba ao longo do dia.


Stresse e ansiedade 🌼

Ingredientes:

  • Flor de tília (Tilia cordata)
  • Jasmim (Jasminum officinale)
  • Camomila (Matricaria chamomilla)
  • Limonete (Aloysia citrodora)

Modo de preparação:
Use 1 colher de chá de cada erva em 300 ml de água quente. Infusão por 5-7 minutos. Adoce com mel, se desejar.


Problemas renais e cálculos (Pedras nos Rins) 💎

Ingredientes:

  • Quebra-pedra (Phyllanthus niruri)
  • Cavalinha (Equisetum arvense)
  • Barbas de milho (Zea mays)

Modo de preparação:
Faça uma infusão de 1 colher de chá de cada erva em 300 ml de água quente por 8 minutos. Tome 2-3 vezes ao dia, conforme orientação médica.


Resfriados e tosse 🤧

Ingredientes:

  • Gengibre (Zingiber officinale)
  • Malvas (Malva sylvestris)
  • Erva-doce (Foeniculum vulgare)
  • Canela em pau (Cinnamomum verum)

Modo de preparação:
Ferva gengibre e canela por 10 minutos. Retire do fogo, adicione malvas e erva-doce, e deixe em infusão por 5 minutos. Beba quente.


Regular o intestino (obstipação) 🌱

Ingredientes:

  • Sene (Cassia angustifolia) (usar com moderação)
  • Erva-doce (Foeniculum vulgare)
  • Hortelã (Mentha spicata)

Modo de preparação:
Use 1 colher de chá de cada erva em 300 ml de água quente. Infusão por 5-7 minutos. Tome ocasionalmente, pois o uso contínuo do sene pode causar dependência.


Concluindo

Estas combinações de plantas em chá, infusão ou tisana, devem ser ajustadas ao teu gosto e necessidades terapêuticas, sendo sempre recomendável consultar o médico ou farmacêutico antes de usar ervas para qualquer condição de saúde que te afete, especialmente se está grávida, se tem diagnósticos de doenças graves, se toma algum medicamento importante e/ou é um polimedicado ou seja se toma 4 ou mais medicamentos, para que se analise possíveis interações com as plantas, que tanto podem aumentar como diminuir o efeito terapêutico desses medicamentos.

Bibliografia

As cinco grandes mentiras sobre saúde

As melhores vitaminas e minerais para o cérebro

Vitaminas para o cérebro fadiga e cabelo quais as mais importantes? Quais os minerais mais relevantes? O que são exatamente as vitaminas e para que servem? Quando devo tomar um suplemento? Qual o melhor suplemento vitamínico? O excesso de vitaminas que problemas pode causar? Quais os sintomas de falta e de excesso?

Na minha prática profissional quase diariamente alguém me pede vitaminas para o cérebro e cansaço, mas serão mesmo necessárias? Para conseguir ajudar corretamente preciso de descobrir, antes de mais, o tipo de alimentação que têm, os suplementos que tomam, quais os sintomas para os quais procuram ajuda e os medicamentos que estão a tomar pois alguns, de facto, podem causar deficiência vitamínica.

No entanto antes de tudo isso deixo claro que o fator mais relevante, estruturante e decisivo para para o nosso cérebro e para um bom desempenho cognitivo é a qualidade do nosso sono… sem o qual não existem vitaminas ou minerais que possam fazer milagres!

A neurocientista dinamarquesa Maiken Nedergaard, descobriu, no nosso cérebro, o que designou de sistema glinfático, responsável pela “limpeza” diária do nosso cérebro e que ocorre durante a fase de sono profundo. Saiba tudo sobre este assunto no meu artigo sobre os segredos do sono, clicando na imagem abaixo.

Estudo: The Glymphatic System: A Beginner’s Guide


Neste artigo vou tratar os seguintes temas:

  • O que são as vitaminas
  • Quantas vitaminas existem
  • Relação entre a microbiota e as vitaminas
  • Funções das vitaminas
  • Alimentos ricos em vitaminas
  • Doses diárias recomendadas
  • Doses tóxicas
  • Doenças associadas à falta de vitaminas
  • Interações com medicamentos
  • Deficiência vitamínica causada por fármacos e drogas
  • As vitaminas e minerais mais importantes para o cérebro
  • O que faz bem ao cérebro
As cinco grandes mentiras sobre saúde
As cinco grandes mentiras sobre saúde
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Vitaminas o que são?

As vitaminas e os minerais são considerados nutrientes essenciais, isto é, não podem ser sintetizados pelo organismo e, portanto, devem ser consumidos na dieta. No entanto se tivermos uma microbita intestinal equilibrada e saudável este geralmente incluiu bactérias produtoras de certas vitaminas.

O que são vitaminas? As vitaminas são chamadas de micronutrientes essenciais porque são necessárias ao organismo em pequenas quantidades em inúmeras reações químicas que incluem desde o metabolismo de hidratos de carbono, proteínas e gorduras, passando pela manutenção de um bom sistema imunitário, estabilidade do sistema nervoso central e até ás funções de reparação de DNA nas nossas células.

Sem as vitaminas estas reações químicas essenciais não se realizam ou ficam descompensadas causando com o tempo diversas doenças, algumas bastante graves! O organismo não armazena a maioria das vitaminas, nomeadamente as hidrossolúveis como as do complexo B (exceto a B12) e vitamina C. A deficiência dessas vitaminas geralmente desenvolve-se em semanas a meses. Portanto, as pessoas devem consumi-las regularmente.


Quantas vitaminas existem?

Atualmente a lista contém 20 vitaminas. O complexo de vitaminas B contém 8, o complexo de vitaminas K contém 5, o complexo de vitaminas D contém 4 e as vitaminas A, E e C completam a lista, conforme descrevo de seguida:

  • Vitamina A (retinol);
  • Vitamina D ou D3 (colecalciferol), D2, D4 e D5;
  • Vitamina E (tocoferol);
  • Vitamina K (naftoquinona), K1, K2, K3 e K4;
  • Vitamina C (ácido ascórbico);
  • Vitamina B1 (tiamina);
  • Vitamina B2 (riboflavina);
  • Vitamina B3 (niacina, vitamina PP, ácido nicotínico ou nicotinamida);
  • Vitamina B5 (ácido pantoténico);
  • Vitamina B6 (piridoxina, piridoxal ou piridoxamina);
  • Vitamina B7, B8 ou H (biotina);
  • Vitamina B9 (ácido fólico);
  • Vitamina B12 (cianocobalamina).

As vitaminas são classificadas conforme a sua solubilidade na água. Assim dividem-se em:

  • Vitaminas hidrossolúveis – Vitamina C e os oito membros do complexo da vitamina B;
  • Vitaminas lipossolúveis – Vitaminas A, D, E e K.

Apenas as vitaminas A, E e B12 são armazenadas em grande quantidade no corpo.


Microbioma e vitaminas

As bactérias do cólon são responsáveis por sintetizar vitaminas, sobretudo, a tiamina (B1), a B12, a biotina (B7), o ácido fólico (B9), e a vitamina K e fermentam hidratos de carbono indigeríveis (fibras) em ácidos gordos de cadeia curta que constituem fontes de energia para o hospedeiro (Gerritsen et al., 2011; Prakash, 2011).

As bactérias residentes do trato gastrintestinal contribuem para preservar parte da energia contida nos hidratos de carbono
indigeríveis da dieta como a celulose, hemicelulose e pectina, metabolizando os mesmos em ácidos gordos que são fontes de energia para as células do epitélio intestinal e facilitam a absorção de sódio e água, além de sintetizarem proteínas e vitaminas do complexo B (Prakash, 2011).

Leia também: Microbiota novas descobertas incríveis, toda a verdade!


Funções alimentos doenças e dose diária

As vitaminas são essenciais em inúmeras funções vitais do nosso corpo. Nas tabelas seguintes descrevo:

  • Todas as vitaminas que existem;
  • Funções;
  • Alimentos onde existem;
  • Doenças provocadas pela falta de vitaminas;
  • Ingestão diária recomendada;
  • Toxicidade ou limite superior de segurança.

Atualmente as vitaminas B4, B10 já não são consideradas vitaminas por não serem essenciais e a vitamina B11 não existe. a tabela seguinte descreve então as funções mais relevantes de cada vitamina no nosso organismo.

VitaminaFunções mais relevantes
A
(retinol ou axeroftol)
Mucosas, pele, imunidade e visão.
– Necessária para formar células nervosas sensíveis à luz (fotorreceptores) na retina, ajudando a manter a visão noturna;
– Ajuda a manter a saúde da pele, da córnea e do revestimento dos pulmões, do intestino e do trato urinário;
– Ajuda a proteger contra infeções;
– Formação de rodopsina (um pigmento fotorreceptor na retina);
– Integridade do epitélio;
– Estabilidade do lisossoma;
– Síntese de glicoproteína (união de uma proteína com um hidrato de carbono. As glicoproteínas estão muitas vezes presentes na superfície das células, como proteínas da membrana plasmática ou como parte da matriz extracelular e desempenham um papel crítico nas interações entra células e nos mecanismos de infeção por vírus e bactérias.
D ou D3 (colecalciferol)
D2 (ergocalciferol)
D4 (diidroergocalciferol)
D5
Coração, dentes, músculos e imunidade.
– Promove a absorção de cálcio e fósforo a partir do intestino;
– Necessária para a formação, crescimento e reparação (mineralização) dos ossos;
– Fortalece o sistema imunológico e reduz o risco de doenças autoimunes.
– Função reguladora do metabolismo da insulina (deficiência pode diminuir a resistência à insulina);
– Função reguladora do bom funcionamento da tiroide;
E
(tocoferol)
Células.
– Antioxidante intracelular;
– Remove os radicais livres nas membranas biológicas.
K (naftoquinona)
K1 (filoquinona)
K2 (menaquinonas)
K3 (menadiona)
K4 (menadiol)
Coagulação, ossos, coração e dentes.
– Auxilia na formação de protrombina, outros fatores de coagulação sanguínea e, portanto, é necessária para a normal coagulação do sangue.
– Necessária para a saúde dos ossos, dentes e outros tecidos.
B1
(tiamina)
Cérebro, coração e energia.
– Necessária para o metabolismo dos hidratos de carbono, glicose, aminoácidos e proteínas, gorduras e álcool;
– Funcionamento normal dos nervos (função celular nervosa central e periférica) e do coração (função miocardia).
B2
(riboflavina)
Células, cérebro, coração, energia e visão.
– Vários aspectos do metabolismo dos hidratos de carbono e proteínas;
– Integridade da mucosa. (ex: mucosa bucal).
B3
(niacina, vitamina PP, ácido nicotínico ou nicotinamida)
Mucosas, pele, cérebro e energia.
– Metabolismo celular de hidratos de carbono, de gorduras e muitas outras substâncias, para o funcionamento normal das células;
– Reações de oxidação e redução.
B4 ou Adenina
Atualmente não é considerada uma vitamina
B5
(ácido pantoténico)
Cérebro e energia.
– Necessário para o metabolismo de hidratos de carbono, proteínas e gorduras. É essencial na síntese da coenzima A, sendo por isso uma vitamina essencial no metabolismo dos mamíferos. 
B6
(piridoxina, piridoxal, piridoxamina )
Cérebro, coração, energia e imunidade.
– Necessária para o metabolismo de hidratos de carbono, aminoácidos e gorduras, para o funcionamento normal dos nervos, para a formação de glóbulos vermelhos e para uma pele saudável;
– Importante em muitos aspectos do metabolismo do nitrogênio (p. ex., transaminação, síntese heme e porfirina, conversão do triptofano em niacina)
– Biossíntese de ácido nucleico.
B7 ou
B8 ou
H
(biotina)
Digestão, mucosas, pele, unhas e energia.
Essencial a todos os organismos. Alguns conseguem sintetizá-la, como algumas estirpes de bactérias, leveduras, fungos, algas e certas espécies de plantas.
– Necessária para o metabolismo de carboidratos e ácidos gordos. Funciona como uma coenzima no metabolismo das purinas e dos hidratos.
– Atua na formação da pele, unhas e cabelo,.
B9
(ácido fólico)
Digestão, cérebro, coração, energia, imunidade e reprodução.
– Necessária para a formação dos glóbulos vermelhos do sangue (maturação dos eritrócitos) para a síntese do DNA e do RNA e para o desenvolvimento normal do sistema nervoso no feto;
– Síntese de purinas, pirimidinas e metionina;
B10
(ácido 4-aminobenzoico)
Atualmente não é considerada uma vitamina
B11 não existe
B12
(cianocobalamina)
Cérebro, coração e imunidade.
– Necessária para a formação e maturação dos glóbulos vermelhos do sangue, para o funcionamento dos nervos e para a síntese do DNA.
– Síntese e reparação de mielina. A bainha de mielina é uma membrana protetora essencial do axónio que é uma parte relevante das células nervosas.
C
(ácido ascórbico)
Células, mucosas, pele, unhas, coração, dentes, músculos, imunidade e energia.
– Necessária para a formação, crescimento e reparação dos ossos, pele e tecido conjuntivo;
– Melhora a cicatrização de feridas e queimaduras. É importante para o funcionamento normal dos vasos sanguíneos;
– Atua como um antioxidante, protegendo as células contra danos causados pelos radicais livres;
– Ajuda o organismo a absorver o ferro;
– Formação de colagénio;
– Síntese de aminoácidos, hormonas e carnitina;
Fonte: Manual MSD, Por 
Larry E. Johnson , MD, PhD, University of Arkansas for Medical Sciences


Alimentos com vitaminas

A maior parte das vitaminas encontram-se quer na carne quer nos vegetais. No entanto algumas só se encontram na quantidade saudável necessária a nossa alimentação incluir carne e vegetais.

Assim, se não comer carne, por exemplo se for vegan, dificilmente conseguirá um aporte saudável de vitamina B12. Por outro lado se não comer vegetais, por exemplo se seguir uma dieta carnívora, dificilmente conseguirá ingerir a quantidade necessária de vitamina C.

VitaminasFontes
alimentares
A (retinol)Como vitamina pré-formada: óleos de fígado de peixe, fígado, gemas de ovos, manteiga, produtos lácteos enriquecidos com vitamina A
Como carotenoides pró-vitamina: vegetais verdes escuros e amarelos, cenoura e frutas amarelas e laranjas
D (colecalciferol)Irradiação direta da pele por ultravioleta B (fonte principal); derivados do leite enriquecidos (principal fonte dietética), óleos de fígado de peixe, peixes gordos, fígado
E (tocoferol)Óleos vegetais (prefira azeite extra virgem) e oleaginosas como nozes, amêndoas, avelãs, castanha de caju, castanha do Pará, pistáchios e macadâmia.
K (naftoquinona)Vegetais folhosos verdes (em especial couve, espinafre e saladas verdes), soja, óleos vegetais
Bactérias do trato gastrointestinal após o período neonatal.
B1 (tiamina)Grãos integrais, carnes (em especial porco e fígado), cereais enriquecidos, oleaginosas, legumes, batatas.
B2 (riboflavina)Leite, queijos, fígado, carnes, ovos, cereais enriquecidos.
B3 (niacina)Fígado, carne vermelha, peixe, aves, legumes, pães e cereais de grãos integrais ou enriquecidos.
B5 (ácido pantoténico)Fígado, carne, gema de ovo, levedura, batatas, brócolos e cereais integrais. O termo pantoténico tem origem no grego “pantos” significando “em toda a parte”. Assim, a vitamina B5 encontra-se na maioria dos alimentos de origem vegetal e animal. A B5 também pode ser sintetizada pelas bactérias intestinais.
B6 (piridoxina)Vísceras (p. ex., fígado), cereais integrais, peixe, legumes.
B7 ou B8 ou H (biotina)Fígado, rim, carnes, ovos, leite, peixe, levedura seca, batata-doce, sementes e nozes.
B9 (ácido fólico)Verduras folhosas frescas, frutas, vísceras (p. ex., fígado), pães e cereais enriquecidos.
B12 (cianocobalamina)Carnes (em especial bovina, de porco e vísceras [p. ex., fígado]), aves, ovos, cereais enriquecidos, leite e laticínios, mariscos, ostras, cavala, salmão.
C
(ácido ascórbico)
Frutas cítricas, tomates, batatas, brócolos, morango, pimentas doces.
Fonte: Manual MSD, Por 
Larry E. Johnson, MD, PhD, University of Arkansas for Medical Sciences

No que concerne à tabela acima descrita e nomeadamente a fontes alimentares a minha opinião é clara e pode ser resumida nos seguintes pontos mais relevantes:

  • Inclua nas refeições diversidade de alimentos de produção biológica/orgânica quer de origem animal quer de origem vegetal, em quantidades sempre moderadas;
  • Exclua todos os alimentos processados;
  • Coma muito pouco (ou nenhum) pão, cereais, sementes e leite;
  • Não exagere na fruta por causa do excesso de frutose;
  • Coma poucas vezes por dia, de preferência apenas duas refeições;
  • Se não tiver doenças graves, todos os dias faça pelo menos 12 a 16 horas de jejum (incluindo as horas de sono), mas comece de forma moderada se não estiver habituado. Se tiver alguma doença crónica e/ou grave deve, obviamente, falar com o seu médico e pedir o seu apoio, desde que este tenho um conhecimento atualizado sobre os benéficos do jejum (a maioria infelizmente vai dizer que é muito perigoso!). Se a resposta for negativa ouça uma segunda opinião médica mas pergunte qual o suporte científico dessa decisão. Se ambas as opiniões médicas forem negativas aceite e esqueça o jejum.

Doenças associadas

As vitaminas são uma parte vital de uma dieta saudável. Foi determinada a ingestão diária recomendada (IDR) para a maioria das vitaminas, ou seja, a quantidade diária que a maioria das pessoas saudáveis precisa para se manter saudável. Para algumas vitaminas, foi determinado um limite superior de segurança (nível superior de ingestão tolerado). O consumo que excede esse nível aumenta o risco de ocorrência de um efeito prejudicial (toxicidade).

A falta de vitaminas pode provocar doenças graves mas o seu excesso, a hipervitaminose, também esconde muitos perigos! A tabela seguinte descreve as doenças provocadas pela falta de vitaminas.

VitaminasEfeitos da deficiência e do excesso (toxicidade)
A (retinol)Deficiência: Cegueira noturna, hiperqueratose peri folicular, xeroftalmia, queratomalacia, aumento da morbidade e mortalidade em crianças mais novas.
Toxicidade: Queda de cabelo, lábios rachados, pele seca, enfraquecimento dos ossos, dores de cabeça, elevações dos níveis de cálcio no sangue e um distúrbio raro caracterizado pelo aumento da pressão dentro do crânio, denominado hipertensão intracraniana idiopática e hepatoesplenomegalia.
D (colecalciferol)Deficiência: Raquitismo (às vezes com tetania), osteomalacia.
Toxicidade: Hipercalcemia (cálcio elevado no sangue), calcificação das artérias, anorexia, falência renal, calcificação metastática.
E (tocoferol)Deficiência: Hemólise de eritrócitos, deficites neurológicos.
Toxicidade: Tendência a sangramento.
K (naftoquinona)Deficiência: Sangramento decorrente de deficiência de protrombina e outros fatores, osteopenia.
B1 (tiamina)Deficiência: Beribéri (neuropatia periférica, insuficiência cardíaca), síndrome de Wernicke-Korsakoff e psicose de Korsakoff.
B2 (riboflavina)Deficiência: Queilose, estomatite angular, vascularização corneal.
B3 (niacina)Deficiência: Anemia megaloblástica, defeitos do tubo neural no nascimento, confusão.
B5 (ácido pantoténico)Deficiência: Está presente na maioria dos alimentos, por isso a carência é rara. Nestes casos os sintomas serão náuseas, vómitos, diarreia, dores abdominais, alopécia, fadiga e dor de cabeça.
Toxicidade: Rara. Transtornos gastrointestinais e probabilidade de hemorragias quando tomado em simultâneo com antiagregantes plaquetários (salicilatos).
B6 (piridoxina)Deficiência: Convulsões, anemias, neuropatias, dermatite seborreica.
Toxicidade: Neuropatia periférica.
B7 ou B8 ou H (biotina)Deficiência: Rara mas pode originar alopécia, letargia e ataxia. Ocorre geralmente em três situações, são elas a alimentação parentérica prolongada sem suplemento de biotina, lactentes alimentados com leite em pó sem biotina e consumo de clara do ovo crua por um período prolongado. A clara do ovo contém uma glicoproteína, chamada avidina que se liga à biotina com grande afinidade e impede a sua absorção. Quando a clara é cozinhada, a avidina sofre alterações e perde essa capacidade de ligação à biotina.
B9 (ácido fólico)Deficiência: Anemia megaloblástica, defeitos do tubo neural no nascimento, confusão.
B12 (cianocobalamina)Deficiência: Anemia megaloblástica, deficits neurológicos (confusão, parestesias, ataxia).
C
(ácido ascórbico)
Deficiência: Escorbuto (hemorragias, perdas dentárias, gengivites, defeitos ósseos).
Fonte: Manual MSD, Por 
Larry E. Johnson, MD, PhD, University of Arkansas for Medical Sciences

Ingestão diária recomendada e toxicidade

As vitaminas A, D, E, B3, B6, B9 e C apresentam uma dosagem limite superior de segurança. Quando esta dosagem diária máxima é ultrapassada pode causar toxicidade e doenças associadas.

VitaminasIngestão diária recomendada (IDR)
num adulto
Limite superior de segurança
A (retinol)700 microgramas para mulheres
900 microgramas para homens
770 microgramas para gestantes
1.300 microgramas para mulheres a amamentar
3.000 microgramas
D (colecalciferol)600 UI para pessoas de 1 a 70 anos
800 UI para pessoas com mais de 70 anos
4.000 UI (unidades internacionais)
E (tocoferol)15 miligramas (22 unidades de natural ou 33 unidades de sintética)
19 miligramas para mulheres a amamentar
1.000 miligramas
K (naftoquinona)90 microgramas para mulheres
120 microgramas para homens
B1 (tiamina)1,1 miligramas para mulheres
1,2 miligramas para homens
1,4 miligramas para gestantes ou mulheres que estejam a amamentar
B2 (riboflavina)1,1 miligramas para mulheres
1,3 miligramas para homens
1,4 miligramas para gestantes
1,6 miligramas para mulheres a amamentar
B3 (niacina)14 miligramas para mulheres
16 miligramas para homens
18 miligramas para gestantes
17 miligramas para mulheres a amamentar
35 miligramas
B5 (ácido pantoténico)5 miligramas (mas a QDR não foi estabelecida)
6 miligramas para gestantes
7 miligramas para mulheres a amamentar
B6 (piridoxina)1,3 miligramas para mulheres e homens mais jovens
1,5 miligramas para mulheres com mais de 50 anos
1,7 miligramas para homens com mais de 50 anos
1,9 miligramas para gestantes
2,0 miligramas para mulheres a amamentar
100 miligramas
B7 ou B8 ou H (biotina)30 microgramas (mas a QDR não foi estabelecida)
35 microgramas para mulheres a amamentar
B9 (ácido fólico)400 microgramas
600 microgramas para gestantes
500 microgramas para mulheres a amamentar
1.000 microgramas
B12 (cianocobalamina)2,4 microgramas
2,6 microgramas para gestantes
2,8 microgramas para mulheres a amamentar
C
(ácido ascórbico)
75 miligramas para mulheres
90 miligramas para homens
85 miligramas para gestantes
120 miligramas para mulheres a amamentar
35 miligramas a mais no caso de fumadores
2.000 miligramas
Fonte: Manual MSD, Por 
Larry E. Johnson, MD, PhD, University of Arkansas for Medical Sciences

Interações com medicamentos

VitaminasFármacos
A (retinol)Colestiramina, óleo mineral
D (colecalciferol)Antipsicóticos, corticoides, óleo mineral, anticonvulsivantes, rifampicina
E (tocoferol)Óleo mineral, varfarina
K (naftoquinona)Antibióticos, anticonvulsivantes, óleo mineral, rifampicina, varfarina
B1 (tiamina)Álcool, contraceptivos orais, antagonistas de tiamina presentes no café, chá, peixe cru e repolho roxo
B2 (riboflavina)Álcool, barbitúricos, fenotiazinas, diuréticos tiazídicos, antidepressivos tricíclicos
B3 (niacina)Álcool, isoniazida
B5 (ácido pantoténico)
B6 (piridoxina)Álcool, anticonvulsivantes, corticoides, ciclosserina, hidralazina, isoniazida, levodopa, contraceptivos orais, penicilamina
B7 ou B8 ou H (biotina)Antibióticos (matam bactérias produtoras de biotina), anticonvulsivantes ( carbamazepina, fenobarbital, 
fenitoína e primidona).
B9 (ácido fólico)Álcool, 5-fluoruracila, metformina, metotrexato, contraceptivos orais, anticonvulsivantes (p. ex., fenobarbital, fenitoína, primidona), sulfassalazina, triantereno, trimetoprima
B12 (cianocobalamina)Antiácidos, metformina, óxido nitroso (exposição recorrente)
C
(ácido ascórbico)
Corticoides
Fonte: Manual MSD, Por 
Larry E. Johnson, MD, PhD, University of Arkansas for Medical Sciences

Deficiência vitamínica causada por fármacos e drogas

No geral, todos os medicamentos cujo princípio activo seja uma molécula estranha ao nosso corpo causam alguma deficiência vitamínica ou mineral que pode ser importante e originar outros problemas de saúde. Na tabela seguinte descrevo as carências vitamínicas mais conhecidas causadas por medicamentos importantes muito utilizados como antibióticos, antidiabéticos, antiácidos e outras substâncias que ingerimos.

Fármaco ou substânciaVitaminas afetadas
ÁlcoolÁcido fólico
Tiamina
Vitamina B6
Antiácidos (para o estômago) como bicarbonato de sódio, carbonato de cálcio, hidróxido de alumínio e hidróxido de magnésio.Vitamina B12
Antibióticos, como a isoniazida, tetraciclina e sulfametoxazol/trimetoprim
Vitaminas do complexo B
Ácido fólico
Vitamina K
Anticoagulantes, como a varfarina
(utilizados para evitar tromboses)
Vitamina E
Vitamina K
Anticonvulsivantes, como fenitoína e fenobarbital
(utilizados na epilépsia)
Biotina
Ácido fólico
Vitamina B6
Vitamina D
Vitamina K
AntipsicóticosRiboflavina
Vitamina D
Barbitúricos, como o fenobarbitalÁcido fólico
Riboflavina
Vitamina D
Medicamentos quimioterápicos, como o metotrexato
(utlilizados como anticancerígenos)
Ácido fólico
Colestiramina
(capta o colesterol e transforma-o em ácidos biliares. Diminui o colesterol no sangue)
Vitamina A
Vitamina D
Vitamina E
Vitamina K
Corticosteroides
(utilizados em doenças autoimunes e inflamação)
Vitamina C
Vitamina D
Cicloserina
(antibiótico para tratar tuberculose)
Vitamina B6
Hidralazina
(hipertensão arterial e pulmonar e insuficiência cardíaca congestiva)
Vitamina B6
Levodopa
(antiparkinsónicos)
Vitamina B6
Óleo mineral (parafina ou vaselina liquida)
se usado por prazo longo
Vitamina A
Vitamina D
Vitamina E
Vitamina K
Metformina
(antidiabético mais utilizado no mundo)
Ácido fólico
Vitamina B12
Óxido nitroso se exposição repetida
(anestésico fraco com efeito analgésico)
Vitamina B12
Contraceptivos orais
(para evitar gravidez)
Ácido fólico
Tiamina
Vitamina B6
Penicilamina
(anti-reumático e antiurolítico)
Vitamina B6
Fenotiazinas como a clorpromazina
(antipsicóticos e neuroléticos)
Riboflavina
Primidona
(anticonvulsivante)
Ácido fólico
Vitamina D
Rifampicina
(antibiótico usado na tuberculose)
Vitamina D
Vitamina K
Sulfassalazina
(antimicrobiano. Possui ação anti-reumatoide e também é utilizada na doença intestinal inflamatória crónica)
Ácido fólico
Hidroclorotiazida e diuréticos tiazídicos
(hipertensão arterial e Insuficiência cardíaca inicial)
Riboflavina
Triantereno
(diurético usado na hipertensão e edema)
Ácido fólico
Antidepressivos tricíclicos, como a amitriptilina e a imipraminaRiboflavina
Fonte: Manual MSD, Por 
Larry E. Johnson, MD, PhD, University of Arkansas for Medical Sciences

Vitaminas e minerais mais importantes para o cérebro?

As vitaminas e os minerais são nutrientes necessários ao funcionamento fisiológico normal. Muitas delas desempenham funções cruciais no cérebro numa variedade de processos. Mas será que são assim tão importantes ou existem outros fatores bem mais relevantes para a nossa saúde cerebral? Vamos por partes!

Vitamina B1 (tiamina)

Vitamina B1 ou tiamina, é uma coenzima do ciclo das pentoses fosfato, que é um passo necessário na síntese de ácidos gordos, esteroides, ácidos nucleicos e aminoácidos para neurotransmissores e outros compostos bioativos essenciais na função cerebral (Kerns et al., 2015).
Desempenha um papel neuromodulador sobre o neurotransmissor acetilcolina e contribui para a estrutura e função das membranas celulares, incluindo neurónios e células da glia (Bâ, 2008).

Numa revisão de ensaios clínicos randomizados controlados envolvendo
suplementação com tiamina na dose de 3 mg/dia, os resultados da função cognitiva foram inconsistentes. O tamanho pequeno da amostra e o desenho do estudo inadequado, tal como um estudo cruzado que não é recomendado para doenças progressivas como o Alzheimer, foram as principais causas para essa inconsistência (Rodríguez-Martín et al., 2001).

O limitado número de estudos e a falta de ensaios clínicos randomizados
indicam que há evidência insuficiente para tirar conclusões acerca da influência da tiamina na função cognitiva em idosos saudáveis. São necessários melhores estudos coorte e experimentais concebidos nesta área (Koh et al., 2015).


Vitamina B2 (riboflavina)

Vitamina B2 ou riboflavina, é um poderoso antioxidante obtido a partir da carne e de produtos lácteos. Contudo, apesar dessa sua característica, há poucos estudos de neuroprotecção com riboflavina. A sua deficiência leva a sintomas como fadiga, mudança de personalidade e disfunção cerebral (Zempleni, 2007). Baixos níveis de vitaminas B estão associados ao aumento de homocisteína, conhecida por ter efeito neurotóxico direto (Ho et al., 2001).

Num estudo com população idosa coreana, a hiperhomocisteinémia manifestou-se como um fator de risco significativo para o declínio cognitivo. Na população com Alzheimer desse mesmo estudo, não se observou associação entre a função cognitiva e os parâmetros dietéticos. Por outro lado, nos participantes com défice cognitivo leve, a ingestão de vitamina B2 influenciou positivamente os testes de memória e de reconhecimento.

Já no grupo dos indivíduos saudáveis, não houve associação entre a ingestão de vitamina B2 e a função cognitiva. Contudo, sendo este estudo observacional, não pode provar a causalidade, para além de os resultados serem difíceis de interpretar e aplicar à população em geral, pois não foi usada uma amostra aleatória. Assim, são necessários mais estudos prospetivos para investigar a relação de causalidade entre a função cognitiva e a ingestão de vitamina
B2 (Kim et al., 2014).


Vitamina B3 (niacina)

Vitamina B3 ou nicotinamida, tem sido extensivamente estudada como agente neuroprotetor. O tratamento com nicotinamida demonstrou melhoria sensorial, motora e cognitiva (Vonder Haar et al., 2011; Vonder Haar et al., 2014).

Com base na evidência em modelos animais, há um potencial considerável para o uso de nicotinamida em patologias neurológicas, todavia ainda há alguns fatores, nomeadamente o limite máximo para a toxicidade humana e a eficácia na população idosa e a longo prazo, que precisam de ser investigados antes de evoluir para os ensaios clínicos (Vonder Haar et al., 2013).


Vitamina B6 (piridoxina)

Vitamina B6 ou piridoxina, é essencial à síntese dos neurotransmissores dopamina e serotonina para além de reduzir os níveis de homocisteína, visto que o seu aumento está associado ao risco de doença cerebrovascular e possíveis efeitos tóxicos sobre os neurónios do SNC (Ford et al., 2012).

Estudos epidemiológicos indicam que um nível baixo de vitamina B6 é comum entre os idosos, sendo a hiperhomocisteinémia uma possível causa da demência. No entanto, numa revisão que incluiu ensaios duplamente cegos e cujo objetivo primário era avaliar a eficácia da suplementação de vitamina B6 na cognição, não foi encontrada evidência do seu benefício, a curto prazo, sobre o humor (sintomas de
depressão, fadiga e tensão) ou nas funções cognitivas. (Malouf et al, 2003).

Também num ensaio multicêntrico e duplamente cego, cujo objetivo era a avaliação da eficácia e segurança da suplementação com vitaminas B, entre as quais a B6, não se observou o decréscimo do declínio cognitivo em doentes de Alzheimer (Aisen et al., 2008).

Deste modo, são necessários mais ensaios clínicos para explorar os possíveis benefícios da suplementação com esta vitamina em indivíduos saudáveis bem como com défice cognitivo e demência.


Vitamina B9 (ácido fólico)

Vitamina B9 ou ácido fólico, tem sido largamente estudado no que diz respeito aos seus efeitos na cognição, particularmente em idosos. Juntamente com a vitamina B6 e a B12, a vitamina B9 é um importante cofator no ciclo da homocisteína, que é crucial para inúmeros processos, incluindo a expressão de ADN e a síntese de creatina, melatonina e noradrenalina (Haar et al., 2015).

Num ensaio clínico randomizado, unicêntrico e controlado, envolvendo 180 indivíduos acima dos 65 anos, foram avaliados os efeitos da suplementação com ácido fólico na função cognitiva dessa mesma população. Nos 159 que completaram o ensaio, verificaram-se melhorias no ácido fólico sérico, na homocisteína e na vitamina B12 sérica.

De um modo geral, encontrou-se evidência do efeito benéfico da suplementação, a curto prazo, em dois testes de avaliação da função cognitiva. Num futuro próximo, será necessário realizar ensaios maiores, a longo prazo e cujo um dos resultados a avaliar seja a demência, a fim de se chegar a uma melhor conclusão (Ma et al., 2015).


Vitamina B12 (cianobalamina)

Vitamina B12 ou cianocobalamina, é necessária na metilação da homocisteína. A sua deficiência tem sido associada a doenças neurodegenerativas e comprometimento cognitivo, contudo o tratamento com suplementação de vitamina B12 não altera consideravelmente a função cognitiva em indivíduos com
deficiência pré-existente (Moore et al., 2012). Por outro lado, o tratamento com vitamina B12 e ácido fólico, em indivíduos com comprometimento cognitivo, levou à diminuição da atrofia cerebral (Health Quality Ontario, 2013).

Há ainda uma grande necessidade de ensaios clínicos para compreender a natureza da associação de insuficiência de vitamina B12 com doença
neurodegenerativa. As vitaminas B6, B9 e B12 são essenciais ao normal funcionamento do cérebro à medida que envelhecemos, como resultado da sua ação sobre o metabolismo da homocisteína e outros mecanismos.

Contudo, investigações até ao momento ainda não demonstraram evidência convincente do benefício da suplementação de vitaminas B na capacidade cognitiva, sendo prematuro concluir acerca desta terapia.
São necessárias mais pesquisas para avaliar a dose ideal, a janela terapêutica e as diferenças individuais (Forbes et al., 2015).


Vitamina C (ácido ascórbico)

Vitamina C ou ácido ascórbico, é um antioxidante essencial no cérebro que exerce numerosas funções, incluindo a eliminação de ROS, neuromodulação e envolvimento na angiogénese. Estudos experimentais em animais apontam a vitamina C como um fator chave na prevenção do declínio cognitivo, tanto no envelhecimento como em doenças neurodegenerativas. Contudo, ensaios clínicos em humanos não têm sido capazes de confirmar os efeitos benéficos da suplementação e/ou intervenção da vitamina C, tendo como uma das principais razões a diferença dos critérios de inclusão.

Consequentemente, são necessários mais estudos usando a vitamina como única substância, ao invés de combinações de vitaminas, e focando subgrupos específicos com aumento da prevalência de deficiência de vitamina C (Hansen et al., 2014).


Vitamina E (tocoferol)

Vitamina E sob a forma de tocoferóis e tocotrienóis, desempenha um papel crucial na proteção do SNC, atuando como antioxidante. A evidência de que os radicais livres podem contribuir para os processos patológicos da função cognitiva, incluindo a doença de Alzheimer, levou ao aumento do interesse pela utilização de vitamina E no tratamento do défice cognitivo ligeiro (DCL) e da DA (Mangialasche et al., 2010).

Contudo, há também a evidência de que a vitamina E usada em doses elevadas é considerada tóxica (acima de 3000 UI/dia) e pode estar associada a sintomas como fadiga e distúrbios gastrointestinais, ou mesmo conduzir à mortalidade. Por outro lado, tem havido um aumento crescente de evidências de que a suplementação com esta vitamina, em doses terapêuticas, pode também causar efeitos adversos como o aumento da tendência para hemorragias e a potenciação do efeito da aspirina. (Farina et al., 2012; Miller et al., 2005).

No entanto, as conclusões acerca da eficácia da vitamina são baseadas apenas na forma alfa-tocoferol e, portanto, não é possível comentar acerca das outras formas, sendo necessárias investigações futuras acerca destas para encontrar provas convincentes de que a vitamina E é ou não benéfica no tratamento de demências (Farina et al., 2012).


Sódio (Na)

O sódio (Na) é consumido na forma de cloreto de sódio (NaCl) ou sal. Controla a função nervosa e muscular em estreita ligação com o potássio K) , mantendo o equilíbrio hídrico nas células e nos tecidos do nosso corpo. Nos países ocidentais, a maioria das pessoas ingere sal em excesso, por isso a deficiência de sódio é rara.

Precauções sobre o sódio

Obviamente o excesso de sódio (sal) é sabido que pode causar sérios problemas de hipertensão arterial, pelo que deve ser cuidadoso.


Potássio (K)

O potássio é essencial para a transmissão de impulsos nervosos, sendo um dos eletrólitos do corpo, que são minerais que carregam uma carga elétrica quando dissolvidos em líquidos corporais, como o sangue. O corpo precisa de potássio para as células nervosas e musculares funcionarem. Assim, os sinais iniciais de deficiência de potássio são geralmente apatia e fraqueza. Os alimentos de origem vegetal, geralmente, são boas fontes de potássio. Alguns bons exemplos são as bananas, oleaginosas, sementes, leguminosas, abacate, grãos integrais, frutos secos, tomates e batatas. 

Precauções sobre o potássio

O excesso de potássio (hipercalémia) também pode interferir na função transmissora de impulsos nervosos. Por si só, o aumento da ingestão de potássio geralmente não causa hipercalemia, uma vez que os rins normais realizam um bom trabalho na excreção de qualquer potássio em excesso.

Regra geral, a hipercalemia resulta de diversos problemas simultâneos, tais como:

  • Distúrbios renais que impedem que os rins excretem potássio suficiente;
  • Medicamentos que impedem que os rins excretem quantidades normais de potássio (causa comum de hipercalemia leve);
  • Uma dieta rica em potássio;
  • Tratamentos que contenham potássio;

A causa mais comum da hipercalemia leve é o uso de medicamentos que diminuem o fluxo sanguíneo para os rins ou impedem que os rins excretem quantidades normais de potássio. Alguns exemplos são os seguintes:

  • Alisquireno (anti-hipertensivo);
  • Inibidores da enzima conversora de angiotensina (ECA), são dos anti-hipertensivos mais utilizados;
  • Bloqueadores dos recetores da angiotensina (anti-hipertensivos);
  • Ciclosporina (usada para prevenir a rejeição de órgãos transplantados);
  • Diuréticos que ajudam os rins a conservar potássio, como eplerenona, espironolactona e triantereno;
  • Medicamentos anti-inflamatórios não esteroides;
  • Tacrolimo (usado para prevenir a rejeição de órgãos transplantados)
  • Trimetoprima (antibiótico)

A insuficiência renal pode provocar hipercalemia grave. A doença de Addison também pode causar hipercalemia.

A hipercalemia leve causa poucos sintomas, ou nenhum. Às vezes, a pessoa pode apresentar fraqueza muscular. Em uma doença rara chamada paralisia periódica hipercalêmica familiar, a pessoa apresenta crises de fraqueza que podem progredir até a paralisia.

Quando a hipercalemia se torna mais grave, ela pode causar ritmos cardíacos anormais . Se os níveis estiverem muito altos, o coração pode parar de bater.


Cálcio (Ca)

O cálcio é essencial para promover o funcionamento adequado dos nervos e músculos porque está envolvido na condução de impulsos elétricos ao longo dos axónios das células nervosas. A sua deficiência, designada hipocalcemia, pode manifestar-se por espasmos musculares e fadiga generalizada. São boas fontes de cálcio o leite e derivados, hortaliças de folhas verde-escuras e sardinha em lata com a espinha.

Precauções sobre o cálcio

O hiperparatiroidismo é a causa mais comum de hipercalcémia (excesso de cálcio).

A ingestão de doses elevadas de cálcio durante algum tempo aumenta o risco de formação de pedra nos rins e pode originar insuficiência renal, calcificação dos tecidos moles e vasculares e hipercalciúria (níveis elevados de cálcio na urina).

Parte do cálcio absorvido é eliminado pela urina, fezes e suor, o que pode ser afetado pela ingestão de sódio (a ingestão de níveis altos de sódio aumenta a excreção de cálcio), consumo de cafeína (aumenta a excreção de cálcio) e álcool (reduz a absorção de cálcio).

O cálcio diminui a absorção de antibióticos, bifosfonatos (medicamentos para a osteoporose) e da levotiroxina (medicamento para a tiroide), por isso a toma destes medicamentos e de suplementos de cálcio deve ser separada por um intervalo de 2 horas.

Os antagonistas dos recetores H2 e os inibidores da bomba de protões diminuem a absorção de carbonato de cálcio e fosfato de cálcio. Sabe-se ainda que os glucocorticoides também diminuem a absorção de cálcio.

Os diuréticos, tal como as tiazidas (medicamentos para a hipertensão), aumentam o risco de hipercalcémia (excesso de cálcio) por aumento da reabsorção de cálcio nos rins.

Doses elevadas de cálcio em pessoas que tomam digoxina (medicamento para o coração) aumenta a probabilidade de alterações no ritmo cardíaco, por isso é preciso precaução nesta associação.

O cálcio será mais eficaz se for acompanhado das vitaminas A, C e D, ferro, magnésio e fósforo.


Magnésio (Mg)

O magnésio é um dos minerais mais importantes para o nosso organismo estando envolvido em mais de 300 reações essenciais do nosso corpo. O magnésio é importante para o funcionamento do hipocampo, que é uma parte do sistema límbico que controla o humor, a memória e a aprendizagem. Boas fontes de magnésio são por exemplo as oleaginosas, damascos secos, figos secos, aveia, farinha integral e extrato de levedura.

Precauções sobre o magnésio

No entanto a suplementação com magnésio deve ser cuidadosa pois pode causar sérios transtornos gastro intestinais, nomeadamente diarreias perigosas.


Ferro (Fe)

O ferro é essencial para a formação de hemoglobina nas hemácias. a hemoglobina é a substância que leva um fluxo constante de oxigênio para o cérebro. O consumo adequado melhora a função mental e o desempenho académico. Os sinais iniciais de deficiência de ferro são a fadiga e falta de concentração. Exemplos de boas fontes de ferro são a carne, os miúdos do animal, sardinha, gemas e hortaliças de folhas verde-escuras.

Precauções sobre o ferro

A suplementação com ferro deve ser cuidadosamente vigiada pelo médico pois o excesso de ferro pode ser muito perigoso por causa da sua enorme capacidade de oxidação. Na natureza pode observa-se esse poderoso fenómeno de oxidação com a ferrugem das peças compostas de ferro.


Zinco (Zn)

O zinco é um mineral essencial encontrado em alguns alimentos e suplementos. É necessária a sua ingestão diária uma vez que o nosso organismo não possui reservas deste mineral.

A importância do zinco na nutrição humana e na saúde pública foi conhecida há relativamente pouco tempo. A deficiência neste mineral foi descrita pela primeira vez em 1961, quando o consumo de dietas com baixa biodisponibilidade de zinco devido aos fitatos presentes nos alimentos foi associado ao nanismo. Assim, a deficiência em zinco foi reconhecida como um problema importante de saúde pública, principalmente nos países em desenvolvimento.

O zinco está envolvido inúmeras etapas do metabolismo celular. É essencial para a atividade de mais de 300 enzimas e tem um papel relevante nas seguintes funções e processos:

  • Função imunitária,
  • Síntese proteica, 
  • Metabolismo dos hidratos de carbono,
  • Metabolismo dos lípidos,
  • Medeia o metabolismo de algumas vitaminas como a vitamina A (retinol), vitamina B6 (piridoxina) e vitamina B9 (folato ou ácido fólico),
  • Cicatrização de feridas,
  • Síntese do DNA, 
  • Divisão celular e apoptose,
  • Libertação de hormonas como a testosterona,
  • Transmissão dos impulsos nervosos,
  • Promove a ação da insulina,
  • Essencial para os sentidos do olfato e paladar e tem propriedades antioxidantes,
  • Contribui ainda para o normal crescimento e desenvolvimento durante a gravidez, infância e adolescência.

A ingestão de zinco contribui ainda para uma normal função cognitiva, para uma fertilidade e reprodução normal, e para a manutenção de ossos, cabelo, unhas, pele e visão normais.

Fontes de zinco

O zinco pode ser encontrado numa grande variedade de alimentos tais como carne vermelha e de aves, feijão, nozes, marisco (ostras, caranguejo e lagosta), cereais enriquecidos, gérmen de trigo, levedura de cerveja, sementes de abóbora, ovos e laticínios.

As melhores fontes de zinco são:

  • Marisco 7,14mg/100g
  • Queijo 2,94mg/100g
  • Carne 2,86mg/100g
  • Ovos 1,04mg/100g
  • Peixe 0,59mg/100g

Fonte: Minerals Basics, Manual, Roche Consumer Health. 

Valores de referência do nutriente (VRN)

Não existem estudos que permitam estabelecer o VRN, mas os seguintes valores garantem uma nutrição saudável:

  • Homens 11mg/dia,
  • Mulheres 8mg/dia.

Cuidado com os fitatos!

Os fitatos do pão integral, cereais, legumes e outros alimentos ligam-se ao zinco e inibem a sua absorção, por isso a biodisponibilidade do zinco a partir de cereais e vegetais é menor do que a partir de alimentos de origem animal.

Carência em zinco

Não são comuns os casos de deficiência em zinco. Quando ocorre regra geral deve-se à ingestão ou absorção inadequadas, aumento das perdas de zinco no organismo ou aumento das necessidades.

A carência em zinco pode ocorrer em casos de doenças associadas ao trato gastrointestinal, vegetarianismo, gravidez e amamentação, ou pessoas que sofrem de alcoolismo e caracteriza-se por atraso no crescimento, perda de apetite e função imunitária alterada.

Nos casos graves ocorre queda de cabelo, diarreia, infeções frequentes, desenvolvimento sexual retardado, impotência, hipogonadismo nos homens, danos nos olhos e pele, perda de peso, cicatrização de feridas demorada, alterações no paladar e letargia.

Uso terapêutico

Doentes com úlceras crónicas na perna apresentam alterações no metabolismo do zinco e baixos níveis deste mineral no sangue, assim, os médicos tratam as úlceras com suplementos de zinco.

A deficiência em zinco provoca uma alteração na resposta imunitária que contribui para uma maior susceptibilidade a infeções, o que pode aumentar a probabilidade de contrair diarreia, principalmente nas crianças. Por isso a OMS (Organização Mundial de Saúde) e a UNICEF (Fundo das Nações Unidas para a Infância) recomendam um suplemento diário de zinco de 20mg durante 10 a 14 dias para crianças com diarreia aguda e 10mg para bebés com menos de 6 meses de idade para reduzir a gravidade da situação e prevenir novas ocorrências nos 2-3 meses seguintes.

Nas constipações, foi demonstrado que o zinco é benéfico na redução da duração e gravidade em pessoas saudáveis, se usado nas primeiras 24 horas após o aparecimento dos sintomas. No entanto, são necessários mais estudos para determinar a dose, formulação e duração do tratamento para uma recomendação mais precisa.


Precauções

A toxicidade causada pelo zinco pode ser aguda ou crónica. Na fase aguda, podem ocorrer náuseas, vómitos, perda de apetite, dores abdominais, diarreia e dores de cabeça.

Na toxicidade crónica, teremos níveis baixos de cobre, alterações no ferro, redução da função imunitária e níveis reduzidos de HDL (colesterol bom).

Grandes quantidades de ferro nos suplementos podem diminuir a absorção de zinco, por isso os suplementos de ferro devem ser tomados no intervalo das refeições de modo a diminuir esta interação. Por outro lado, doses elevadas de zinco podem inibir a absorção de cobre.

A deficiência em zinco está associada a uma diminuição da libertação de vitamina A a partir do fígado. Assim, aumentando a ingestão de zinco, torna-se necessário aumentar também a ingestão de vitamina A.

Algumas substâncias inibem a absorção do zinco, tais como fibras, cálcio, magnésio, fósforo, ferro inorgânico e fitatos. Outras substâncias promovem a sua absorção, tais como a carne, metionina, cisteína, ácido cítrico e ácido láctico.

Alguns medicamentos podem diminuir os níveis de zinco, como é o caso da cisplatina, desferroxamina, diuréticos, IECAs (Inibidores da Enzima Conversora da Angiotensina) e valproato de sódio.

O zinco fortalece o sistema imunitário, por isso não deve ser tomado juntamente com medicamentos imunossupressores como corticosteroides ou ciclosporina.

O zinco reduz a absorção e a ação da penicilamina, por isso, os suplementos de zinco, devem ser tomados pelo menos 2 horas antes ou depois da toma de penicilamina.

O zinco atua melhor em associação com a vitamina A, cálcio e fósforo.


O que faz bem ao cérebro?

Desengane-se se considera que apenas um suplemento multivitamínico e mineral, por si só, vai resolver o problema de saúde do nosso cérebro pois este é demasiado complexo para uma abordagem tão simplista como gostaríamos! Para além das vitaminas e minerais acima descritas serem importantes para a nossa saúde cerebral, existem outros fatores muito relevantes sem os quais dificilmente teremos a capacidade para manter uma boa memória, raciocino, boas decisões, lucidez e provavelmente felicidade! Descrevo de seguida os mais importantes e os artigos que já publiquei (basta clicar na imagem para ler) sobre esses temas tão importantes:

  • Qualidade do sono;
  • Atividade física;
  • Ansiedade ou stress sob controle;
  • Tensão arterial controlada;
  • Não beber álcool.

Os temas acima descritos estão detalhados nos seguintes artigos já publicados:

Referências

Doenças da piscina e dor de ouvido

Piscina e doenças toda a verdade sobre as diversas doenças que pode apanhar na água da piscina! Um dia na piscina a descontrair, nadar e relaxar pode ser magnífico! No entanto se a água das piscinas não estiver bem tratada o dia pode acabar em pesadelo com a “hospedagem” no nosso organismo de vírus, bactérias e parasitas que provocam doenças que podem ser muito perigosas!

Por exemplo, nas páginas Swimming pools  e Stay Safe In and Around Swimming Pools do CDC, Centro de Controlo e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos, quem estiver ou tenha estado com diarreia nas últimas duas semanas corre o risco de contaminar a água da piscina com germes e transmitir o problema a outras pessoas.

Neste artigo vou falar das seguintes doenças:


Leia também: Como bronzear sem queimar?


Piscina e doenças que pode apanhar na água

A água da piscina é geralmente uma água artificial no sentido em que raramente é usada água captada directamente do mar ou de um rio com água de alta qualidade não poluida. Sendo assim tem de ser cuidadosamente tratada para eliminar inumeros microorganismos como bactérias, vírus, fungos e parasitas patogénicos que estão sempre á espreita de uma oportunidade de se instalarem num hospedeiro humano e conseguirem reproduzir-se mais depressa!

Além disso os tratamentos quimicos aplicados á água da piscina também têm os seus efeitos adversos no organismo humano. Assim descrevo de seguida algumas doenças que, se não tiver cuidado, pode apanhar na sua visita á piscina.

Otite externa

Também designada otite de surfista ou de mergulhador. É provocada habitualmente pela entrada de água no ouvido, associada a um quadro clínico de otalgia (dor de ouvido). Ocorre frequentemente após entrada de água no ouvido ou em situações de infeção e eczema do canal auditivo externo. Trata-se de uma inflamação da orelha externa e do canal auditivo.

Leia também: Dor de ouvido tudo o que não sabe.

Diarreia

Os vírus e as bactérias que provocam diarreia são a principal fonte de contágio nas piscinas. De acordo com o CDC, Centro de Controlo e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos, quem estiver ou tenha estado com diarreia nas últimas duas semanas corre o risco de contaminar a água da piscina com germes e transmitir o problema a outras pessoas. Os germes que causam diarreia conseguem sobreviver vários dias antes de serem eliminados pelo cloro. Para ficar doente basta engolir uma pequena quantidade da água infectada das piscinas.

Giardíase

A giardíase é uma infeção intestinal causada por um parasita microscópico. Pode provocar sintomas como cólicas abdominais, flatulência, náuseas e episódios de diarreia. A infeção pode ser causada por parasitas encontrados em riachos, lagos, piscinas ou zonas aquáticas de recreação. A maneira mais comum de se infetar com giardíase é engolir água contaminada, por exemplo da piscina.

Animais e crianças que usam fraldas e pessoas com diarreia podem acidentalmente contaminar piscinas e spas. É mais frequente em crianças e em doentes com infeção por VIH/SIDA, fibrose quística e outras formas de imunodeficiência pois têm um sistema imunitário mais frágil. Num trabalho realizado na região Norte de Portugal, em crianças com idades entre um e cinco anos, foi detetada uma taxa de infeção de 3,4% por Giardia lamblia.

Leia também: Como fortalecer o seu sistema imunitário, toda a verdade!

Criptosporidíase

Criptosporidíase é uma doença causada pelos parasitas unicelulares coccidios Cryptosporidium parvum e C.hominis. Estes podem ser ingeridos juntamente com comida ou água contaminada. Infetam o intestino, onde se reproduzem. Em pessoas imunosuprimidas causam gastroenterite, diarreia, dor abdominal e náuseas. Uma pessoa com diarreia e com este tipo de bactéria pode facilmente contaminar a água.

Legionella

Na legionella segundo explica o médico e patologista clínico Germano de Sousa, a infeção pela bactéria legionella pneumophila pode causar a febre de Pontiac (manifestação ligeira da bactéria com sintomas semelhantes a uma gripe) e a Doença dos Legionários, a manifestação mais grave, que consiste num tipo de pneumonia potencialmente letal.

A legionella está geralmente presente em ecossistemas naturais de água doce e quente, como a superfície de lagos, rios, águas termais, tanques, mas também piscinas. A infeção ocorre por inalação (via respiratória) de aerossóis/gotículas contaminados pela bactéria, através dos chuveiros domésticos, torres de arrefecimento, sistemas de climatização, instalações termais, saunas e jacuzzis e que chegam aos pulmões. Não existe transmissão de pessoa para pessoa, nem pela ingestão de água contaminada.

Leia também: Pneumonia causas sinais e toda a verdade

Irritação química

O Centro de Controlo e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos lembra que os nadadores e utilizadores da piscina queixam-se recorrentemente de ardor nos olhos, irritação nasal ou dificuldades em respirar. A investigação revelou que estes sintomas surgem devido à acumulação de substâncias irritantes na água e no ar, conhecidas como cloraminas. Essa irritação é provocada pela combinação do cloro com sub-produtos. Estes subprodutos são o resultado da ligação do suor, urina e outros resíduos dos nadadores/utilizadores ao cloro.

Dermatite ou foliculite

É uma inflamação dos folículos capilares causada pela bactéria Pseudomonas aeruginosa. A foliculite é sobretudo diagnosticada em pessoas que usam jacuzzi, sauna, piscina ou banheira de hidromassagem. Qualquer pessoa exposta a água contaminada com esta bactéria pode contrair este tipo de foliculite. Trata-se de uma inflamação da raiz dos pelos que, normalmente, pode ser tratada em casa com o uso de sabão anti-séptico ou fármacos prescritos por clínicos. Os sintomas de foliculite por Pseudomonas aeruginosa aparecem primeiro como caroços, prurido e pequenas espinhas com pus. As erupções de foliculite tipicamente surgem no tronco, axilas e partes superiores dos braços e pernas.

Piolhos

Os piolhos não são susceptíveis de serem transmitidos através da água das piscinas. Embora os níveis de cloro da piscina também não matem os piolhos, estes dificilmente conseguem sobreviver debaixo de água uma vez que não se conseguem parasitar. Porém, os piolhos podem espalhar-se em balneários. Basta partilhar toalhas, escovas de cabelo, toucas ou outros itens que tenham estado em contacto com o cabelo de uma pessoa infetada para adquirir a “praga”.

Infeções estafilocócicas

Embora não tenha havido relatos de transmissão deste tipo de bactéria através de águas de recreio, há um risco potencial de propagação das doenças causadas pela bactéria staphylococcus aureus em instalações de recreio através do contacto com a infeção de pessoa para pessoa ou através de objetos e superfícies contaminadas.

Trata-se de uma bactéria que vive muitas vezes no nariz ou na pele de pessoas saudáveis. Pode provocar doenças, que vão desde uma simples infeção (espinhas, furúnculos e celulites) até infecões graves (pneumonia, meningite, endocardite, síndrome do choque tóxico, septicemia e outras), dependendo do sistema imunitário e do historial clínico de cada pessoa.

Os sintomas mais comuns deste tipo de infeções são náuseas e vómitos, por vezes acompanhados por diarreia e dores abdominais. A melhor forma de as evitar é não frequentar águas de recreio se tiver infeções cutâneas ou irritações da pele, manter todas as superfícies tocadas ou manipuladas com frequência limpas e não partilhar objetos pessoais como lâminas ou escovas.

Teníase

O Centro de Controlo e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos alerta para vários cuidados a ter de forma a evitar este tipo de doença, embora admita que dificilmente a teníase se propague através da água das piscinas. Esta infeção ocorre quando uma pessoa engole ovos de ténia presentes em superfícies ou dedos contaminados. Esta instituição lembra que os fatos de banho devem ser lavados e secos a cada utilização. Por outro lado, todas as pessoas devem lavar as mãos antes e depois de usar a casa da banho.

Molusco contagioso vírus ou Molluscum contagiosum virus

O vírus Molusco contagioso ou Molluscum contagiosum é uma doença dermatológica causada pelo Molluscum contagiosum. Caracteriza-se por bolhas rosadas ou brancas pela pele em qualquer parte do corpo e podem dar comichão. É mais comum em crianças dos 0 aos 12 anos de idade e transmitido por contato físico. Desaparecem sozinhas em 6 a 12 meses, mas podem deixar cicatrizes.

Molusco contagioso vírus melhorsaude.org
Como se transmite?

O vírus é transmitido por contato físico ou por tecidos, por exemplo tocando a mão de alguém que coçou uma bolha causada por molusco contagioso ou compartilhando toalhas. Pode ser transmitido através de contato sexual. É mais comum em locais húmidos e com muita gente a viver na mesma casa que partilham as mesmas toalhas e roupas, uma vez que essas condições são favoráveis para a transmissão do vírus. É mais comum em crianças e imunodeprimidos.

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Parâmetros microbiológicos de avaliação obrigatória

Os parâmetros microbiológicos avaliados são no caso das piscinas de utilização colectiva os referenciados pelo Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge, IP (INSA), e por outros documentos oficiais. Para o caso das piscinas de empreendimentos turísticos e de hidroterapia e com fins terapêuticos, são os indicados no Decreto-Regulamentar n.º 5/97, de 31 de Março:

  • Germes totais 37ºC (às 48 horas para piscinas de utilização colectiva, e às 24 horas para piscinas de empreendimentos turísticos, de hidroterapia e com fins terapêuticos)
  • Coliformes totais
  • Escherichia coli
  • Enterococos fecais
  • Estafilococos produtores de coagulase
  • Total de Estafilococos
  • Pseudomonas aeruginosa
  • Legionella (desejável nos jacúzis)

Parâmetros físico-químicos mínimos para avaliação

Os parâmetros físico-químicos mínimos para avaliação, devendo a sua determinação ser feita sistematicamente no local de colheita, são os seguintes:

  • Temperatura
  • Cloro residual livre
  • Cloro combinado
  • Bromo total
  • pH (quando não houver possibilidade de determinação laboratorial)

A determinar em laboratório:

  • pH
  • Turvação
  • Condutividade
  • Oxidabilidade
  • Cloretos
  • Amoníaco (a pedido da Autoridade de Saúde)

Considera-se desejável, quando se justifique, proceder-se à determinação de:

  • Ácido isocianúrico (quando forem utilizados como desinfectantes os derivados de ácido isocianúrico)
  • Brometos
  • Trihalometanos
  • Ozono
  • Outros desinfectantes

Leia também: Orientações do Programa de Vigilância Sanitária das Piscinas

Concluindo

Antes de escolher uma piscina tente informar-se sobre a qualidade da água, frequência das análises e resultados disponiveis para consulta pública. Se conhecer alguém que tenha frequentado a piscina pergunte se houve algum problema de saúde nos dias seguintes a ter estado na piscina.

Fique bem!

Franklim Moura Fernandes

Fontes: 

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Sarna quais os sinais e qual o melhor tratamento

 

Sarna ou escabiose como tratar (scabies) toda a verdade! Conhecida popularmente por sarna humana ou pereba, segundo a Public Library of Science (PLoS) é uma doença de pele causada por um ácaro chamado Sarcoptes scabiei. A sarna é uma infeção contagiosa, que pode-se espalhar rapidamente através de contacto físico próximo, entre pessoas que habitam na mesma casa ou crianças em creches e escolas.

Sarna sinais e melhor tratamento
Sarna sinais e melhor tratamento

Neste artigo vou responder ás seguintes questões:

  • Sarna: O que é?
  • Causas da sarna: Quais são?
  • Ácaro sarcoptes scabiei: O que é?
  • Como se transmite a sarna?
  • Posso apanhar sarna do meu cão ou gato?
  • Qual o período de incubação da sarna?
  • Em que altura do ano é mais comum?
  • Quais os sintomas?
  • Quais as características do túneis de sarna?
  • O que é a sarna crostosa ou Norueguesa?
  • Quem corre maior risco de infestação?
  • Qual o tratamento mais eficaz para a sarna?
  • Qual o tratamento mais eficaz para a sarna crostosa ou Norueguesa?
  • Quem teve contacto com infectados deve ser tratado?
  • Que cuidados deve ter com a roupa?
  • Quais os estudos mais recentes?

Sarna e ácaro Sarcoptes scabiei o que é?

No Homem, a doença é causada pela subespécie Sarcoptes scabiei var hominis, designando-se por Sarna Sarcótica ou Escabiose. O ácaro Sarcoptes scabiei é uma espécie de aracnídeo considerada como tipo, com diversas variedades que se distinguem pelo tamanho, disposição das escamas dorsais, dimensões, entre outras caraterísticas diferenciais e estas, por sua vez, podem-se encontrar em hospedeiros distintos, como Mamíferos e Homem. São, ainda, consideradas, quanto ao tipo de parasitismo, como ectoparasitas, dado que vivem na superfície do corpo (pele) do hospedeiro, do qual extraem nutrientes.

Os ácaros são seres microscópicos de oito patas, da classe dos aracnídeos. O Sarcoptes scabiei tem um tamanho médio de 0,3 milímetros, que é aproximadamente o limite do que o olho humano consegue ver.

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Sarna melhorsaude.org melhor blog de saude
Ácaro da sarna:  Sarcoptes scabiei

O Sarcoptes scabiei é um parasita que vive, alimenta-se e reproduz-se na nossa pele. O ciclo de vida deste ácaro dura cerca de 30 dias. Após a cópula, o ácaro macho morre enquanto a fêmea penetra através das camadas superficiais da pele, criando um microscópico túnel, onde fica alojada, depositando os seus ovos durante toda a sua vida, que dura cerca de 30 a 60 dias. A fêmea do Sarcoptes scabiei liberta 2 a 3 ovos por dia. Os ovos eclodem em três ou quatro dias, e as larvas recém nascidas fazem o caminho de volta em direção à superfície da pele, onde amadurecem e se podem espalhar para outras áreas do corpo.

Sarna ciclo de vida melhorsaude.org melhor blog de saude

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Os ácaros Sarcoptes scabiei produzem enzimas que degradam as proteínas da pele, principalmente a queratina, que serve de alimento para os mesmos. Conforme eles se movem através da epiderme, vão deixando para trás as suas fezes, criando lesões lineares na pele. As lesões e a comichão da escabiose são resultados de uma reação alérgica da pele contra o próprio ácaro, os seus ovos e as suas fezes.

Causas da escabiose 

Ter sarna não é necessariamente um sinal de má higiene. A escabiose é uma infecção transmitida entre pessoas através de contacto próximo.  Os casos mais habituais são entre familiares que vivem na mesma casa. A via sexual é outra maneira comum de se adquirir sarna. Exército, lares para idosos, creches, escolas e prisões são locais onde frequentemente há surtos de sarna.

O contacto entre crianças e adolescentes na escola não costuma ser próximo o suficiente para causar a transmissão, o que de modo algum significa que não haja risco. Do mesmo modo, um simples aperto de mão ou um rápido abraço não costumam ser suficientes para haver transmissão.

A transmissão ocorre, fundamentalmente, por contacto direto, ou seja, um doente entra em contacto com outro hospedeiro, ocorrendo a transferência das fêmeas recém fertilizadas (fêmeas ovígeras) pessoa a pessoa. Pode, contudo, surtir vetorização do tipo fomite, quando objetos inanimados veiculam o parasita entre os hospedeiros (por ex., roupas de cama ou vestuário, como é o caso de roupas íntimas).

O risco de contágio aumenta proporcionalmente com o número de ácaros que subsistem na pessoa atingida, assim como o respetivo período de contacto. Desta forma, considera-se que o contacto sexual constitui, provavelmente, o meio de transmissão mais proeminente entre os adultos.

Quanto tempo sobrevive o ácaro?

Quando S. scabiei abandona o hospedeiro, este poderá sobreviver no meio ambiente por um período de tempo estimado de 24 a 36 horas, à temperatura ambiente (21°C) e com uma humidade normal (40 a 80% de humidade relativa) e, ainda, por períodos de tempo mais longos, a temperaturas mais baixas e com uma humidade elevada. Esta circunstância torna possível a transmissão através de roupas, lençóis ou toalhas, apesar desta via não ser a mais comum. Verifica-se, contudo, que ao aumentar o tempo fora do hospedeiro, diminui proporcionalmente a capacidade do ácaro para contagiar outro hospedeiro. Este aracnídeo, com ausência visual, recorre aos meios sensoriais (odor) e estímulos térmicos para se fixar no hospedeiro

O ácaro Sarcoptes scabiei consegue sobreviver no ambiente durante 24 a 48 horas, o que torna possível a transmissão através de roupas, lençóis ou toalhas, apesar desta via não ser a mais comum.

Sarna do meu cão ou gato será contagiosa?

Animais, como cães e gatos, também podem ter sarna, mas o ácaro que os infecta é diferente, tornando a transmissão para humanos pouco comum. Quando ela ocorre é geralmente em animais realmente infestados pelo ácaro. Todavia, como o homem não é o hospedeiro habitual da sarna canina ou felina, o ácaro dos cães e gatos não se reproduz no humano e a infecção dura apenas alguns dias (o tempo de vida do ácaro).

Periodo de incubação

O período médio de incubação da sarna é de cerca de 6 semanas. Porém, nas pessoas reinfectadas, os sintomas podem surgir em apenas 24 horas. Uma pessoa contaminada é capaz de transmitir a sarna, mesmo que ainda esteja sem sintomas, durante o período de incubação.

Inverno é “amigo” da sarna!

A sarna aparece mais durante o Inverno porque o frio permite ao ácaro resistir um pouco mais nas superficies expostas.

Sintomas

O sintoma clássico da escabiose é uma comichão difusa pelo corpo, que costuma ser mais intensa à noite.

As lesões típicas da escabiose são:

  • Pequenas pápulas (pontinhos ou bolinhas com relevo) avermelhadas, de 1 a 3 mm de diâmetro. As lesões, às vezes, são tão pequenas que podem passar despercebidas ou camufladas pelos arranhões causados pela intensa comichão.

As lesões da sarna podem ser difusas e as partes do corpo mais afectadas são:

  • Mãos (principalmente entre os dedos),
  • Pulsos,
  • Cotovelos,
  • Axilas,
  • Mamilos (especialmente em mulheres),
  • Áreas à volta do umbigo,
  • Genitais (especialmente em homens),
  • Joelhos,
  • Nádegas,
  • Coxas,
  • Pés.

As costas são habitualmente poupadas e a cabeça, palmas e solas só costumam ser afectadas em crianças. As lesões da sarna, a comichão associada e o acto de coçar aumentam o risco de infecções secundárias e simuntâneas por bactérias.

Sarna melhorsaude.org melhor blog de saude

Tuneis de sarna

Os túneis produzidos pelas fêmeas do Sarcoptes scabiei também podem ser visíveis, apesar de não serem tão comuns como as pápulas. Estae tuneis geralmente apresentam-se como finos traçados na pele, discretamente elevados, que podem ter até 10mm de comprimento.

Sarna crostosa ou Norueguesa

Na maioria das pessoas com sarna, o número total de ácaros presentes não costuma ultrapassar uma centena. Após um aumento exponencial no início da doença, o sistema imunológico do doente consegue travar a multiplicação do Sarcoptes scabiei, mantendo a sua população mais ou menos estável.

Em doentes s com o sistema imunológico fragilizado, os ácaros podem conseguir multiplicar-se indefinidamente, chegando a alcançar uma população de mais de um milhão em alguns casos. Esta super infestação de Sarcoptes scabiei é chamada de sarna crostosa ou sarna norueguesa, que é a forma mais grave da escabiose.

Risco de infestação

As pessoas com maior risco contrair uma super infestação ou sarna Norueguesa são:

  • Idosos,
  • Portadores de SIDA (AIDS),
  • Hanseníase,
  • Linfoma,
  • Síndrome de Down
  • Outras doenças que provoquem alterações do sistema imunológico.

A sarna crostosa provoca grandes crostas vermelhas na pele, que se espalham facilmente se não forem tratadas. O couro cabeludo, mãos e pés são frequentemente afectados, embora as manchas possam ocorrer em qualquer parte do corpo. As lesões da sarna crostosa geralmente não provocam comichão e contêm um grande número de ácaros.

Tratamento da sarna

As opções mais utilizadas para o tratamento da escabiose são a Permetrina 5% ou a Ivermectina a 12 mg em comprimidos ou cápsulas acompanhadas da aplicação local de uma pomada de enxofre precipitado a 8%. Descrevo de seguida opções mais utilizadas:

  • Benzoato de benzilo, 277mg/ml, solução cutânea ( Acarilbial®);
  • Pomada de enxofre precipitado a 8%esta pomada é geralmente preparada de forma manual, cerca de 200 g, na Farmácia que receber a prescrição médica; Aplicar 1 x dia, 3 dias.  Repetir passado uma semana mais 3 dias;
  • Permetrina 5% por via tópica – deve ser aplicada em todo corpo do pescoço para baixo (nas crianças pode ser aplicada no rosto, com cuidado para não atingir os olhos), sendo enxaguada no banho após 8 a 14 horas. Após 1 ou 2 semanas, o processo pode ser repetido;
  • Ivermectina 3 a 12 mg por via oral (Ivermectol®, Stromectol®, Ivomec®) –  usada em dose única, com repetição após 14 dias. Na dosagem de 12 mg a posologia mais habitual num adulto é 1 comprimido semanal durante 2 semanas;
  • Moxidectina (cydectin®) – novo tratamento

Moxidectina, estudo recente:


Preclinical Study of Single-Dose Moxidectin, a New Oral Treatment for Scabies: Efficacy, Safety, and Pharmacokinetics Compared to Two-Dose Ivermectin in a Porcine Model

Ivermectina

A taxa de sucesso dos tratamentos tópicos é elevada mas a Ivermectina é o tratamento mais adequado para surtos em lares de idosos, prisões ou habitações com muitos moradores porque é muito mais simples tomar um comprimido do que aplicar um creme por todo o corpo.

Em casos mais resistentes pode ser necessário um tratamento mais agressivo em cápsulas com dosagem mais elevada de Ivermectina. Descrevo, de seguida, formulas para manipulação (não existe comercialmente) prescrita por um dermatologista:

Ivermectina …………………………………. 12 mg

Lactose ………………………….. q.b.p 1 cápsulas

FSA

Quantidade: 2 cápsulas

Posologia: 1 cápsula por semana ao jantar durante 2 semanas

Pomada de enxofre PP a 8%:

Enxofre precipitado ………………………. 8%

Excipiente …………………………………… q.b.p. 200 g

FSA

Posologia: Aplicar 1 x dia durante 3 dias. Repetir passado uma semana mais 3 dias.

Benzoato de benzilo (Acarilbial®)

Destaco este tratamento em particular por ser muito eficaz e ter poucos efeitos secundários em parte devido à sua aplicação apenas local. O tratamento com o medicamento Benzoato de benzilo a 277mg/ml, solução cutânea (Acarilbial®) destina-se exclusivamente à aplicação na pele e tem uma taxa de sucesso próxima de 100% se forem efectuadas duas aplicações em dois dias consecutivos.

A não ser que o seu médico lhe dê outras indicações, no tratamento da escabiose (sarna) deve ser aplicado da seguinte forma:

  1. Tomar um banho quente durante cerca de 10 minutos, de preferência por imersão e secar convenientemente;
  2. Friccionar levemente, durante alguns minutos, com algodão embebido do medicamento, a pele do corpo (com exceção da face, olhos, mucosas e canal urinário) e deixar secar;
  3. Repetir a aplicação, deixar secar novamente e vestir-se;
  4. Passadas 24 a 48 horas, tomar outro banho e mudar a roupa do corpo e da cama.

Embora em alguns doentes um único tratamento seja suficiente para se obter a cura, a experiência mostra que, por vezes, é necessário aplicar o medicamento, nas condições acima referidas, durante 2 dias consecutivos e, eventualmente, repeti-lo após um intervalo de 7 a 10 dias.

O volume do produto não deve exceder os 30ml em adultos e os 20ml em crianças, em cada aplicação. Além do doente, devem ser tratados os seus parceiros sexuais e todas as pessoas em contacto próximo, nomeadamente os indivíduos que partilham a habitação. Recomenda-se a lavagem, em água quente, de toda a roupa que esteve em contacto com a pele, incluindo roupa da cama e toalhas.

Tratamento da sarna crostosa

A sarna crostosa é tratada com uma combinação dos dois medicamentos quem são usados simultâneamente cumprindo o seguinte esquema posológico:

  • Permetrina 5% aplicada diariamente durante 7 dias
  • Ivermectina 3mg, uma dose por dia nos dias 1, 2, 8, 9 e 15

Contacto sem sintomas deve ser tratado

É importante lembrar a pessoa infectada com o ácaro da sarna costuma demorar até 6 semanas para apresentar sintomas. Por isso, o tratamento também é recomendado para os membros da família e contatos sexuais, mesmo que estes não apresentem sintomas de escabiose.

Roupa e cuidados a ter

Toda a roupa de cama e vestuário das pessoas afectadas pelo ácaro ou que com estas tiveram contacto físico, deve ser lavada na máquina a 60ºC. A roupa que não possa ser lavada a essa temperatura deve ser colocada dentro de um saco plástico bem fechado durante uma semana porque porque o ácaro geralmente não resite mais de 3 dias no ambiente externo (na maioria dos casos apenas sobrevive 48 horas). Depois desse tempo lave à temperatura normal.

Estudos mais recentes

Neste espaço farei a actualização dos estudos recentes que forem relevantes para o estudo da sarna, publicados em plataformas credíveis. Aqui ficam alguns:


Preclinical Study of Single-Dose Moxidectin, a New Oral Treatment for Scabies: Efficacy, Safety, and Pharmacokinetics Compared to Two-Dose Ivermectin in a Porcine Model

The effects of climate factors on scabies. A 14-year population-based study in Taiwan

The Treatment of Scabies – A Systematic Review of Randomized Controlled Trials

Scabies: Advances in Noninvasive Diagnosis

Scabies increased the risk and severity of COPD: a nationwide population-based study

The Prevalence of Scabies and Impetigo in the Solomon Islands: A Population-Based Survey

Protocol for the systematic review of the prevention, treatment and public health management of impetigo, scabies and fungal skin infections in resource-limited settings

A Study of Clinical Profile and Quality of Life in Patients with Scabies at a Rural Tertiary Care Centre

A scabies outbreak in a diabetic and collagen disease ward: Management and prevention

Safety of Topical Medications for Scabies and Lice in Pregnancy

Concluindo

A sarna ou escabiose é uma doença que impressiona não só pelos sintomas mas também quando pensamos na possibilidade de termos um parasita que utiliza a nossa pele para fazer os seus tuneis e colocar os seus ovos! A presença de um parasita a colonizar-nos de forma tão visivel não deixa ninguém indiferente! A boa notícia é ter um tratamento de poucos dias, sendo essencialmente local e com elevada eficácia. De realçar mais uma vez que a sarna nem sempre está ligada ás condições de higiene podendo por isso afectar qualquer adulto ou criança e com maior incidência no tempo frio. Se começar a ter diversas erupções cutâneas estranhas e comichão consulte o seu médico para ter a certeza que nada de cuidado se passa.

Fique bem

Franklim Moura Fernandes

Bibliografia:

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URTICÁRIA melhorsaude.org melhor blog de saude

Menopausa e terapêuticas não hormonais

A menopausa, definida retrospetivamente como a inexistência de menstruação nos 12 meses prévios,1 é frequentemente acompanhada pela ocorrência de sintomas vasomotores (SVM), conhecidos como afrontamentos suores noturnos.1-5 Manifestam-se como uma súbita sensação de calor localizada na zona superior do peito e na face, que rapidamente se generaliza e que dura habitualmente entre 2-4 minutos, frequentemente associada a sudação profusa e por vezes seguida de arrepios e tremores. Quando ocorrem durante a noite podem perturbar o sono de modo significativo, sendo mais frequentes durante as primeiras horas de sono.2

Resumo rápido

  • Os afrontamentos e suores noturnos afetam até 80% das mulheres durante a menopausa.
  • A terapêutica hormonal de substituição (THS) continua a ser a opção mais eficaz para aliviar os sintomas vasomotores.
  • Quando a THS está contraindicada ou não é desejada, existem alternativas não hormonais com benefício clínico relevante.
  • Os ISRS/IRSN e o fezolinetant são atualmente as opções não hormonais com melhor evidência científica.
  • A escolha do tratamento deve ser individualizada, considerando sintomas, doenças associadas, medicamentos em uso e preferências da mulher.

Conteúdo baseado em artigo elaborado e publicado pela Ordem dos Farmacêuticos

Os sintomas vasomotores (SVM) são os sintomas mais comuns da menopausa e ocorrem em até 80% das mulheres,1-5 podendo impactar significativamente a sua qualidade de vida,1-4 produtividade5 e inclusive a sua saúde geral,2,4,5 pois têm sido associados a aumento do risco cardiovascular e diminuição da densidade mineral óssea.1,4,5 Persistem habitualmente entre sete e dez anos.1,3,5

terapêutica hormonal de substituição (THS) permanece a abordagem terapêutica mais efetiva. Porém, algumas mulheres podem recusá-la ou ter contraindicações ao seu uso,1-4 tal como antecedentes de cancro sensível aos estrogénios, como o cancro da mama, historial de doença coronária, acidente vascular cerebral, tromboembolismo venoso2-4 ou elevado risco genético de doença tromboembólica,3,4 entre outros. As mulheres com cancro da mama são particularmente impactadas pelos SVM, pois são um possível efeito colateral de muitas das abordagens terapêuticas.2

Menopausa tratamento não hormonal
Menopausa tratamento não hormonal

Em mulheres que não são candidatas à THS, é importante considerar alternativas farmacológicas não hormonais1-4 que, apesar de não serem tão eficazes, podem ainda assim ser muito úteis no alívio dos SVM.1,4

As abordagens terapêuticas não hormonais que têm sido investigadas para alívio dos SVM incluem os inibidores seletivos de recaptação da serotonina (ISRS), os inibidores de recaptação da serotonina e noradrenalina (IRSN), o fezolinetant, a gabapentina, a pregabalina, a oxibutinina e a clonidina.1-6

Menopausa tratamento não hormonal
Menopausa tratamento não hormonal

Terapêuticas não hormonais

FármacoBenefícioVantagemLimitação
ISRS/IRSN↓ afrontamentosAjuda ansiedadeNáuseas
Fezolinetant↓ SVM intensosMelhora sonoVigiar fígado
Gabapentina↓ SVM noturnosAjuda dormirSonolência
Oxibutinina↓ frequência SVMÚtil na bexigaRisco cognitivo

ISRS/IRSN

Existe evidência de que os ISRS/IRSN estão associados a melhoria ligeira a moderada dos sintomas vasomotores.1-5 Alguns fármacos destes grupos demostraram, em ensaios controlados por placebo, constituírem a alternativa farmacológica mais efetiva à THS.2 Podem igualmente ser úteis no tratamento de condições coexistentes, como depressão ou ansiedade,4,5 ou nas perturbações do sono.5 As doses que proporcionam controlo dos SVM são tipicamente inferiores às necessárias para o tratamento de alterações do humor,4,5 o que pode favorecer a sua tolerabilidade,5 pois os seus efeitos adversos mais significativos estão relacionados com a dose.4,6 

Apesar de não existirem estudos que realizem comparações diretas, ensaios controlados, aleatorizados e com dupla ocultação indicam que os fármacos mais eficazes são a paroxetina, o citalopram, o escitalopram, a venlafaxina1-6 e a desvenlafaxina.1-5 A paroxetina é o fármaco para o qual existe maior evidência de benefício,6 estando inclusivamente aprovada em alguns países para esta indicação.1,6 

No que concerne a outros ISRS, a fluoxetina e a sertralina não demostraram benefícios consistentes,1,2,4 pelo que não estão recomendadas.1-5 Quanto a IRSN, a duloxetina também mostrou efetividade,3-5 mas a evidência é inferior.2,4 

Caso um ISRS/IRSN não se mostre eficaz, pode ser tentado outro antes de avançar para outra classe farmacológica.2 É importante ter presente que a paroxetina inibe a atividade da isoenzima CYP2D6, responsável pela conversão do tamoxifeno ao seu metabolito ativo, com o potencial de reduzir a sua efetividade.1-4

Consequentemente, a paroxetina não deve ser utilizada em mulheres tratadas com tamoxifeno.2,4-6 Escolhas seguras nestas mulheres incluem a venlafaxina,1,3,5,6 a desvenlafaxina, o escitalopram ou o citalopram.1,3,5 

Entre os seus efeitos adversos mais significativos incluem-se as náuseas,3,4,6 que tipicamente melhoram no intervalo de 1-2 semanas.3 Podem ser mitigadas pela toma com alimentos,6 ou, no caso da venlafaxina, pelo uso de uma formulação de libertação controlada.2,6 Estão também associados a secura bucal, obstipação1,6 e a disfunção sexual.4-6 É importante informar as mulheres que sintomas frequentemente associados à menopausa, como cefaleias ou perturbações do sono, podem ser efeitos adversos dos ISRS/IRSN.4 

ISRS/IRSN mais usados

FármacoEvidênciaVantagemNota
ParoxetinaMuito elevadaMuito eficazEvitar tamoxifeno
EscitalopramElevadaBem toleradoSeguro
CitalopramElevadaPoucas interaçõesBoa opção
VenlafaxinaElevadaÚtil no cancro mamaPode causar náuseas

Leia também: Síndrome musculoesquelético da menopausa, como diminuir as dores?

Síndrome musculoesquelético da menopausa
Síndrome musculoesquelético da menopausa

Fezolinetant

É um antagonista seletivo do recetor da neurocinina 3, aprovado para o tratamento dos sintomas vasomotores da menopausa.1-6  Demonstrou efeitos benéficos comparativamente ao placebo até 12 semanas de utilização,1-4 reduzindo a frequência e gravidade de SVM moderados a intensos.1,4 Mostrou ainda produzir melhorias clinicamente significativas no sono.2,4,5 Os seus principais efeitos adversos incluem diarreia, náuseas, cefaleias, 4,5 sonolência,5 alterações gastrointestinais 4 e elevações das transaminases.2,4,5 

Gabapentinoides

gabapentina e a pregabalina têm vindo a ser propostas para alívio dos SVM.1,6 Esta mostrou benefício face ao placebo num ensaio de curta duração.3 Contudo, a evidência atual é insuficiente para recomendar o seu uso.1-3
 

A gabapentina demonstrou melhorar a frequência e gravidade dos SVM em diversos estudos,1-5 mas de curta duração. 6 Os seus efeitos adversos estão relacionados com a dose e podem comprometer a adesão.6 Os mais frequentes são sonolência, tonturas,1,3-6 desequilíbrios,1,3-5 cefaleias,4,5 edema, náuseas,1,4 aumento de peso 4-6 e secura bucal.1,6 Têm o potencial de causar dependência 6 e deve ser usada na menor dose eficaz.4 Devido à sonolência que induz, a toma ao deitar pode constituir uma opção favorável em mulheres com SVM predominantemente noturnos,2-5 ao contribuir para melhorar o sono,1,2,5 minimizando os efeitos adversos diurnos.2,3

Oxibutinina

É um fármaco anticolinérgico utilizado no tratamento da bexiga hiperativa1-6 e da urgência urinária.1,4,5 Alguns estudos mostraram que proporciona uma redução significativa da frequência de SVM.1-6 Pode ser útil em mulheres com condições urinarias concomitantes,4,5 o que é frequente durante a menopausa.4 Porém, o seu uso pode não ser adequado em pessoas mais velhas, pela associação entre o uso prolongado de anticolinérgicos e declínio cognitivo.1-4 

Os seus efeitos adversos são dependentes da dose1,3 e os mais comuns são secura bucal1-6 e ocular, náuseas, alterações gastrointestinais,1,4,6 dificuldades urinárias,1,3-5 cefaleias1,6 e alterações da visão.1,4 

Efeitos adversos principais

FármacoEfeitosDose-dependenteDica
ISRS/IRSNNáuseasSimTomar com comida
FezolinetantCefaleiasParcialVigiar transaminases
GabapentinaTonturasSimTomar à noite
OxibutininaBoca secaSimCautela idosos

Clonidina

É um agonista adrenérgico α-2 de ação central, aprovado para esta indicação em alguns países, mas com evidência discordante.6  Demostrou benefício modesto face ao placebo,2-4 mas inferior ao proporcionado pelos ISRS, ISRN e pela gabapentina na redução dos SVM.3,4 Devido ao seu perfil de efeitos adversos e à existência de alternativas mais efetivas, o seu uso não é atualmente recomendado.2-4 

Menos recomendados

TerapêuticaEvidênciaProblemaEstado
ClonidinaModestaMuitos EANão recomendada
PregabalinaFracaPoucos estudosUso limitado
SuplementosInconsistenteSegurança incertaNão recomendados
Plantas medicinaisInsuficienteInteraçõesEvitar cautela

Outras abordagens terapêuticas

terapia cognitiva comportamental pode ser útil no alívio dos SVM2-4,6 ao alterar a sua perceção;4 parece mais eficaz para a insónia. Outras terapêuticas alternativas ou técnicas de autoajuda estão ainda insuficientemente estudadas ou não mostraram benefício.2 

A evidência atual acerca da eficácia e segurança de suplementos alimentares e produtos à base de plantas para alívio de SVM na menopausa é insuficiente para recomendar o seu uso,1-4 uma vez que muitos dos estudos têm falhas metodológicas, desenhos inadequados,4 pequena dimensão e curta duração.2 Os dados de segurança em mulheres com história de cancro da mama são inconsistentes, pelo que o seu uso deve ser evitado. Adicionalmente, alguns produtos acarretam risco de interação com o tamoxifeno.6 

seleção do tratamento deve ser individualizada em função das necessidades e preferências da mulher.4 A escolha do fármaco depende do padrão dos SVM, de estar ou não a tomar tamoxifeno,2 do risco de exacerbar outros sintomas da menopausa,4 ou da presença concomitante de alterações do humor2,5,6 ou do sono.2,5 

As terapêuticas farmacológicas para alívio dos SVM permanecem subutilizadas. É importante que o farmacêutico conheça as diferentes opções disponíveis, contribuindo, desta forma, para informar e melhorar o acesso das mulheres aos melhores cuidados.1 

Escolha conforme perfil

SituaçãoMelhor opçãoMotivo
AnsiedadeISRS/IRSNDuplo benefício
InsóniaGabapentinaMelhora sono
TamoxifenoVenlafaxinaMenos interação
Sintomas urináriosOxibutininaBenefício urinário

Referências bibliográficas:

1. Carson E, Vernon V, Cunningham L, Mathew S. Cooling the flames: Navigating menopausal vasomotor symptoms with nonhormone medications. Am J Health Syst Pharm. 2025 Apr 16;82(7):e332-e344. doi: 10.1093/ajhp/zxae254. 

2. Casper RF. Menopausal hot flashes. UpToDate®, topic last updated: Jan 06, 2026.

3. The 2023 nonhormone therapy position statement of The North American Menopause Society. Menopause. 2023 Jun 1;30(6):573-590. doi: 10.1097/GME.0000000000002200. 

4. Iyer TK, Fiffick AN, Batur P. Nonhormone therapies for vasomotor symptom management. Cleve Clin J Med. 2024 Apr 1;91(4):237-244. doi: 10.3949/ccjm.91a.23067. 

5. Kling JM, Stuenkel CA, Faubion SS. Management of the Vasomotor Symptoms of Menopause: Twofers in Your Clinical Toolbox. Mayo Clin Proc. 2024 Jul;99(7):1142-1148. doi: 10.1016/j.mayocp.2024.03.028. 

6. British Menopause Society (BMS) Consensus Statement. Non-hormonal-based treatments for menopausal symptoms. Reviewed: November 2025 [acedido a 20-04-2026]. British Menopause Society. Disponível em: https://thebms.org.uk/wp-content/uploads/2025/11/04-BMS-ConsensusStatement-Non-hormonal-based-treatments-for-menopausal-symptoms-NOV2025-C.pdf

Doença de Behçet e infliximab caso do Jorge

O Jorge é um homem na casa dos 50 anos, fumador, a quem foi diagnosticada a doença Behçet há muitos anos. Tem um histórico de trombose venosa mas atualmente sente-se bem, sem sintomas. Toma prednisolona 5 mg, ribaroxabano 15 mg e esomeprazol 20 mg. Deve fazer a transição para infliximab de forma a conseguir retirar a prednisolona?

O cenário clínico do “Jorge” é relativamente típico de muitos doentes com Doença de Behçet com envolvimento vascular prévio. A grande questão aqui não é apenas “retirar a prednisolona”, mas sobretudo perceber:

  • se existe ainda atividade inflamatória subclínica da doença;
  • qual o risco futuro de novas tromboses ou lesão vascular;
  • qual o custo-benefício de manter corticoterapia crónica versus iniciar um biológico como Infliximab.

A resposta curta é:

Sim, a introdução de infliximab pode ser uma estratégia muito racional e alinhada com recomendações modernas em Behçet vascular — MAS não é automaticamente obrigatória nem isenta de riscos.

A decisão depende sobretudo da atividade inflamatória atual da doença e do perfil de risco do doente.


O elemento mais importante: Behçet vascular ≠ trombose “normal”

Na Doença de Behçet, a trombose não é apenas um problema de coagulação.

Ela resulta principalmente de:

  • inflamação da parede vascular;
  • vasculite;
  • ativação imunitária persistente.

Isto significa que:

controlar a inflamação pode ser mais importante do que apenas anticoagular.¹

É precisamente aqui que os anti-TNF como infliximab ganharam enorme importância.


O problema da prednisolona crónica

O Jorge toma apenas 5 mg/dia, o que parece “baixo”.

Mas em medicina, especialmente após anos de utilização, 5 mg de prednisolona já não é uma dose trivial.²

Riscos acumulativos relevantes aos ~50 anos

ProblemaRelevância no Jorge
OsteoporoseElevada
Sarcopenia muscularImportante
DiabetesModerada
HipertensãoModerada
CataratasProgressiva
InfeçõesAumentadas
Risco cardiovascularRelevante

Além disso:

  • é fumador;
  • tem historial trombótico;
  • provavelmente já tem algum grau de inflamação vascular crónica.

O tabaco aumenta adicionalmente:

  • inflamação endotelial;
  • risco cardiovascular;
  • risco trombótico;
  • infeções respiratórias (importante se usar infliximab).

Então deve mudar para infliximab?

Situações em que a resposta tende para “sim”

A transição para Infliximab faz particularmente sentido se existir:

SituaçãoImportância
História de Behçet vascular significativoMuito forte
Necessidade contínua de corticoideForte
Marcadores inflamatórios elevadosForte
Recaídas anteriores ao reduzir corticoideMuito forte
Lesões vasculares persistentesMuito forte
Uveíte ou doença neurológicaMuito forte

Nestes casos, os guidelines europeus (EULAR) favorecem terapêutica imunossupressora potente, incluindo anti-TNF.³


Mas atenção: “sentir-se bem” não significa doença controlada

Este é provavelmente o ponto mais importante.

Muitos doentes com Behçet vascular:

  • podem estar clinicamente assintomáticos;
  • mas manter inflamação vascular silenciosa.

Por isso, antes da decisão terapêutica, faria muito sentido avaliar:

Exames importantes

ExameObjetivo
PCR e VHSInflamação
HemogramaAtividade/infeção
Ecografia venosaSequelas/trombose
Angio-TC ou RM vascularVasculite residual
Avaliação reumatológica/imunológicaAtividade global

Vantagens potenciais do infliximab neste caso

1. Possibilidade real de retirar corticoides

Este é um dos maiores objetivos terapêuticos modernos.

O infliximab frequentemente permite:

  • reduzir progressivamente prednisolona;
  • ou mesmo suspendê-la.

2. Melhor controlo da inflamação vascular

O anti-TNF atua mais profundamente sobre a fisiopatologia da doença.

Isto pode reduzir:

  • novas tromboses;
  • lesão vascular progressiva;
  • inflamação endotelial.

3. Melhor prognóstico a longo prazo

Especialmente em Behçet vascular, neurológico e ocular grave.


Principais riscos neste Jorge

Aqui entra uma nuance extremamente importante.

O Jorge é fumador

Isto aumenta significativamente alguns riscos do infliximab:

RiscoImpacto
PneumoniaAumentado
TuberculoseMais preocupante
DPOC/cancro pulmonarMaior relevância
Infeções respiratóriasMais frequentes

Risco infeccioso: o ponto crítico

Antes de iniciar infliximab, seria obrigatório excluir:

ExameNecessidade
Tuberculose (IGRA)Obrigatório
RX tóraxObrigatório
Hepatite B/CObrigatório
Avaliação infeções crónicasMuito importante

E o rivaroxabano?

Rivaroxabano não contraindica infliximab.

Aliás, muitos doentes com Behçet vascular utilizam:

  • anticoagulante +
  • imunossupressor/biológico.

Mas há debate científico relevante:

alguns especialistas defendem que controlar a inflamação é mais importante do que anticoagular indefinidamente.⁴

Isto porque a trombose em Behçet é fortemente inflamatória.

Contudo:

  • se o Jorge teve trombose importante,
  • recorrente,
  • extensa,
  • ou fatores trombóticos adicionais (tabaco, obesidade, genética),

…o rivaroxabano poderá continuar indicado.


E a dose de rivaroxabano?

Um detalhe interessante:

Rivaroxabano 15 mg/dia não é a dose “clássica” de manutenção prolongada em muitos cenários tromboembólicos.

Habitualmente:

SituaçãoDose típica
Fase inicial TVP/EP15 mg 2x/dia
Manutenção20 mg/dia
Redução prolongada em alguns casos10 mg/dia

Isto sugere que:

  • pode existir adaptação individual;
  • insuficiência renal;
  • risco hemorrágico;
  • ou estratégia específica do médico.

Vale a pena rever isto cuidadosamente com o especialista.


Como seria uma transição prudente?

Se a decisão fosse avançar para infliximab, o racional mais seguro seria:

Estratégia típica

  1. Iniciar infliximab
  2. Manter temporariamente prednisolona 5 mg
  3. Avaliar resposta clínica/laboratorial
  4. Reduzir lentamente corticoide
  5. Monitorizar recaídas

Nunca seria prudente:

  • parar abruptamente prednisolona;
  • iniciar infliximab sem rastreio infeccioso;
  • ignorar o tabagismo.

O fator talvez mais importante: deixar de fumar

Se tivesse de escolher apenas UMA medida com maior impacto global no prognóstico do Jorge, seria provavelmente:

cessação tabágica.

O tabaco piora simultaneamente:

  • risco vascular;
  • inflamação;
  • risco trombótico;
  • risco pulmonar;
  • risco infeccioso;
  • risco cardiovascular;
  • resposta terapêutica.

Conclusão clínica integrada

No cenário descrito para o Jorge, a introdução de Infliximab pode ser uma estratégia clinicamente muito sólida, sobretudo devido ao historial de Behçet vascular/trombótico e à necessidade de corticoterapia crónica, mesmo em baixa dose.

Contudo, a decisão ideal depende de confirmar se existe atividade inflamatória persistente ou risco elevado de recaída. Se houver evidência de doença vascular ativa ou historial de recaídas ao reduzir corticoides, o benefício do infliximab pode superar claramente os riscos.

O principal cuidado do Jorge seria:

  • risco infeccioso;
  • tabagismo;
  • rastreio rigoroso antes da terapêutica;
  • monitorização muito próxima após início do biológico.

Referências científicas principais

  1. Hatemi G et al. EULAR recommendations for the management of Behçet syndrome.
    https://ard.bmj.com/content/77/6/808
  2. Complications of glucocorticoid therapy.
    https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/21406334/
  3. Anti-TNF therapy in Behçet disease.
    https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/22143301/
  4. Venous thrombosis in Behçet disease: anticoagulants or immunosuppressives?
    https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/24632564/