Iogurtes proteicos serão saudáveis

Iogurtes proteicos são saudáveis? O que revelam o açúcar, os aditivos e o rótulo

Os iogurtes proteicos passaram, em poucos anos, de produto destinado sobretudo a praticantes de exercício físico para presença habitual nos supermercados. Embalagens que anunciam 15, 20 ou mesmo 25 g de proteína, frequentemente acompanhadas por expressões como “0% gordura”, “sem açúcares adicionados” ou “high protein”, transmitem uma imagem inequívoca de alimento saudável.

Mas “rico em proteína” não significa automaticamente “mais saudável”.

Um bom iogurte proteico pode ser uma excelente fonte de proteína de elevado valor biológico, cálcio e outros micronutrientes, proporcionando simultaneamente elevada saciedade. Os produtos lácteos fermentados, particularmente o iogurte, estão associados em diversos estudos observacionais a resultados metabólicos favoráveis, embora nem todas estas associações demonstrem causalidade.¹⁻⁴

O problema começa quando a elevada quantidade de proteína serve de argumento de marketing para produtos com listas extensas de ingredientes, aromas, espessantes e edulcorantes. Estes aditivos não devem ser automaticamente classificados como perigosos: os utilizados legalmente na União Europeia são sujeitos a avaliação de segurança.⁵ No entanto, segurança toxicológica e qualidade nutricional não são exatamente a mesma coisa.

Para escolher bem, o consumidor deve olhar menos para a frente da embalagem e mais para aquilo que está escrito atrás.

Ideia essencial: entre dois produtos com quantidade semelhante de proteína, regra geral devemos preferir aquele com menos açúcares adicionados e uma composição mais simples, adequada às necessidades individuais.

Iogurtes proteicos serão saudáveis
Iogurtes proteicos serão saudáveis

Índice

  1. O que é realmente um iogurte proteico?
  2. São mais saudáveis do que um iogurte normal?
  3. Quanta proteína devemos procurar?
  4. O grande equívoco do açúcar no rótulo
  5. Açúcar naturalmente presente não é açúcar adicionado
  6. Que aditivos encontramos nestes produtos?
  7. Os edulcorantes são seguros?
  8. Espessantes, estabilizadores e outros aditivos
  9. Como interpretar um rótulo em 30 segundos
  10. Qual seria a composição ideal?
  11. Natural, skyr, grego ou proteico?
  12. Que produtos e marcas escolher?
  13. Quantos podemos consumir por dia?
  14. Quem deve ter cuidados especiais?
  15. Conclusão

O que é realmente um iogurte proteico?

Um iogurte proteico é, de forma simplificada, um produto lácteo concebido para fornecer uma concentração de proteína superior à encontrada num iogurte convencional. Isto pode ser conseguido através da concentração das proteínas naturalmente presentes no leite, de processos de filtração ou da incorporação de ingredientes lácteos ricos em proteína.

As principais proteínas do leite são as caseínas e as proteínas do soro, que fornecem todos os aminoácidos essenciais e apresentam elevada qualidade nutricional.

Na União Europeia, a expressão nutricional “alto teor em proteína” não pode ser utilizada arbitrariamente: pelo menos 20% do valor energético do alimento deve ser fornecido por proteínas. Para a alegação “fonte de proteína”, o mínimo é 12%.⁶

Tabela 1 — O que significa um iogurte ser “proteico”?

CaracterísticaIogurte convencionalProteico
Proteína habitual~3–5 g/100 g~8–12 g/100 g
SaciedadeBoaGeralmente superior
Objetivo principalLácteo fermentadoLácteo + reforço proteico
Necessidade de consumoAlimentação geralDepende das necessidades

Os valores são indicativos e variam consideravelmente entre produtos.

A diferença pode ser importante. Uma embalagem de 160–200 g de um produto com 10 g de proteína/100 g fornece aproximadamente 16–20 g de proteína.


São mais saudáveis do que um iogurte normal?

Não necessariamente. A palavra “proteico” descreve uma característica nutricional; não certifica a qualidade global do alimento.

O iogurte tradicional é nutricionalmente interessante: fornece proteína de elevada qualidade, cálcio, fósforo e vitaminas e resulta da fermentação do leite. Revisões sistemáticas têm encontrado associações entre consumo de iogurte e vários indicadores favoráveis de saúde gastrointestinal e metabólica.¹⁻⁴

Um iogurte proteico pode conservar estas vantagens e acrescentar maior quantidade de proteína. Isso pode ser particularmente útil para pessoas fisicamente ativas, adultos mais velhos, indivíduos com ingestão proteica insuficiente ou simplesmente como alternativa saciante a snacks nutricionalmente menos interessantes.

Mas comparemos duas hipóteses:

Produto A

Leite + fermentos lácteos.

Produto B

Leite + proteínas do leite + preparado aromatizado + amido modificado + espessantes + aromas + acesulfame K + sucralose.

Ambos podem ser seguros e ambos podem fornecer 15–20 g de proteína. Mas são nutricionalmente e tecnologicamente produtos diferentes.

Por isso, mais proteína não é sinónimo de melhor iogurte.


Quanta proteína devemos procurar?

A quantidade de proteína necessária depende do peso corporal, idade, alimentação global, atividade física, estado nutricional e objetivos individuais.

Nos adultos mais velhos, por exemplo, grupos internacionais de especialistas recomendam frequentemente cerca de 1,0–1,2 g/kg/dia em pessoas saudáveis, podendo as necessidades ser superiores em determinadas situações clínicas ou de atividade física.⁷⁻⁸

Não faz, portanto, sentido consumir alimentos hiperproteicos indiscriminadamente apenas porque apresentam 20 ou 25 g de proteína na embalagem.

Tabela 2 — Um critério prático para escolher

Por 100 gAvaliação prática
<5 g proteínaConvencional
5–8 gBom teor
≥8–10 gMuito interessante
≥12 gMuito concentrado

Para a maioria das pessoas que procura especificamente um iogurte proteico, cerca de 8–12 g de proteína/100 g constitui uma excelente referência prática.

Uma dose com aproximadamente 15–25 g de proteína pode integrar facilmente um pequeno-almoço, lanche ou refeição pós-exercício.


O grande equívoco do açúcar no rótulo

Esta é provavelmente a questão que mais confunde os consumidores.

Um iogurte pode apresentar:

“Sem açúcares adicionados”

e, simultaneamente, declarar:

“Açúcares: 4 g/100 g”

Não existe qualquer contradição.

A legislação europeia define “açúcares” na declaração nutricional como os monossacáridos e dissacáridos presentes no alimento, excluindo os polióis.⁹ Isso significa que a tabela nutricional contabiliza também a lactose naturalmente presente no leite.

Por isso, olhar apenas para a linha “dos quais açúcares” pode conduzir a interpretações erradas.


Açúcar naturalmente presente não é açúcar adicionado

A lactose é o açúcar naturalmente presente no leite.

Assim, um iogurte natural sem qualquer adição de açúcar pode apresentar aproximadamente 3–5 g de açúcares por 100 g provenientes essencialmente da lactose.

A OMS distingue estes açúcares dos açúcares livres, categoria que inclui os açúcares adicionados pelo fabricante, cozinheiro ou consumidor, assim como os açúcares presentes no mel, xaropes e sumos de fruta. A recomendação da OMS é manter os açúcares livres abaixo de 10% da energia diária e, idealmente, abaixo de 5%.¹⁰

Tabela 3 — Nem todo o açúcar do rótulo é igual

SituaçãoInterpretação
Lactose natural do leiteNão é açúcar livre
Sacarose adicionadaAçúcar livre
Xarope de glucoseAçúcar livre
Mel/xaropeAçúcar livre
EdulcoranteNão aparece necessariamente como “açúcar”

Um iogurte natural que apresente 4 g de açúcares/100 g pode, portanto, não conter qualquer açúcar adicionado.

Como descobrir?

Leia a lista de ingredientes.

Procure designações como:

  • açúcar;
  • sacarose;
  • glucose;
  • xarope de glucose;
  • xarope de glucose-frutose;
  • mel;
  • concentrados de sumos utilizados para adoçar.

Além disso, a legislação europeia determina que os ingredientes sejam apresentados por ordem decrescente de peso.⁹

Se açúcar ou xarope aparece logo no início da lista, isso é particularmente relevante.


Que aditivos encontramos nestes produtos?

Os iogurtes proteicos aromatizados necessitam frequentemente de soluções tecnológicas para proporcionar uma textura agradável e compensar alterações provocadas pela redução de gordura ou açúcar.

Daí surgirem estabilizadores, espessantes, aromas e edulcorantes.

Tabela 4 — Aditivos frequentes e para que servem

GrupoExemplosFunção
EdulcorantesSucralose, acesulfame KAdoçar
EspessantesGoma guar, xantanaMelhorar textura
EstabilizadoresPectinas, amidosEvitar separação
AromasBaunilha, fruta, chocolateMelhorar sabor
CorantesDependem do produtoAjustar aparência

A presença de um número E não significa que o ingrediente seja perigoso.

Os aditivos autorizados na União Europeia são avaliados quanto à segurança e estão sujeitos a condições específicas de utilização.⁵

Portanto:

“Tem aditivos” ≠ “faz mal”.

Mas também:

“É legal e seguro” ≠ “é nutricionalmente a melhor opção possível”.


Os edulcorantes são seguros?

Os edulcorantes constituem provavelmente a parte mais controversa destes produtos.

É fundamental distinguir duas perguntas completamente diferentes:

1. O edulcorante é considerado toxicologicamente seguro nas quantidades autorizadas?

2. Consumir alimentos adoçados artificialmente todos os dias melhora a saúde a longo prazo?

Não são a mesma questão.

Sucralose — E955

A EFSA concluiu novamente em 2026 que a sucralose permanece segura nas utilizações atualmente autorizadas e confirmou uma ingestão diária admissível de 15 mg/kg de peso corporal/dia.¹¹

Acesulfame K — E950

A EFSA concluiu em 2025 uma nova avaliação do acesulfame K e estabeleceu uma ingestão diária admissível de 15 mg/kg/dia, considerando que as estimativas de exposição da população europeia não levantavam preocupação de segurança.¹²

Aspartame — E951

A EFSA mantém uma ingestão diária admissível de 40 mg/kg/dia para a população geral. Pessoas com fenilcetonúria constituem uma exceção, devido à necessidade de controlar rigorosamente a fenilalanina.¹³

Tabela 5 — Alguns edulcorantes relevantes

EdulcoranteSituaçãoDDA EFSA
Sucralose (E955)Autorizada15 mg/kg/dia
Acesulfame K (E950)Autorizado15 mg/kg/dia
Aspartame (E951)Autorizado*40 mg/kg/dia

*Não aplicável da mesma forma a pessoas com fenilcetonúria.

Existe, contudo, uma nuance importante.

A OMS recomenda não utilizar edulcorantes não açucarados como estratégia de longo prazo para controlo do peso ou prevenção de doenças crónicas, salientando que esta recomendação não constitui uma avaliação toxicológica individual de cada edulcorante.¹⁴

Em linguagem simples:

Um edulcorante pode ser considerado seguro dentro das doses autorizadas sem que isso signifique que precisamos de o consumir diariamente para sermos mais saudáveis.

É uma distinção fundamental.


Espessantes, estabilizadores e outros aditivos

Pectinas, goma guar, goma xantana, amidos modificados e outros agentes de textura são utilizados para conferir cremosidade, estabilidade e consistência.

A União Europeia apenas autoriza aditivos após avaliação científica e estabelece condições de utilização.⁵

O consumidor não necessita, portanto, de interpretar automaticamente uma designação química ou um número E como sinal de toxicidade.

Contudo, se dois produtos fornecerem praticamente a mesma proteína, açúcar e valor energético, e um apresentar:

leite + fermentos lácteos

enquanto outro necessitar de oito ou dez ingredientes para produzir resultado semelhante, a primeira opção pode ser preferível pela simplicidade da formulação, desde que corresponda às preferências e necessidades do consumidor.

Não porque os restantes ingredientes tenham sido demonstrados como perigosos, mas porque não existe vantagem nutricional intrínseca em acumular aditivos desnecessários.


Como interpretar um rótulo em 30 segundos

Esta talvez seja a ferramenta mais útil de todo o artigo.

Não comece pelas letras grandes da frente da embalagem.

Vire o copo.

Passo 1 — Veja a proteína

Procure aproximadamente:

≥8–10 g/100 g

se pretende genuinamente um alimento com elevada densidade proteica.

Passo 2 — Veja os açúcares

Um valor de aproximadamente 3–5 g/100 g num produto lácteo sem açúcar adicionado pode corresponder sobretudo à lactose.

Não tire conclusões apenas por este número.

Passo 3 — Leia os ingredientes

Quanto mais simples, melhor como regra prática de seleção — sem assumir que uma lista longa seja automaticamente perigosa.

Passo 4 — Procure açúcar adicionado

Se encontrar açúcar, xaropes, mel ou ingredientes adoçantes semelhantes, considere alternativas com menor quantidade.

Passo 5 — Identifique os edulcorantes

Procure:

sucralose, acesulfame K, aspartame, sacarina, stevia/glicosídeos de esteviol.

A presença não transforma automaticamente o produto numa má escolha, mas deve ser considerada no contexto do consumo alimentar total.

Passo 6 — Observe gordura saturada

Especialmente quando compara versões tipo sobremesa, chocolate, stracciatella ou similares.

Passo 7 — Veja o tamanho real da embalagem

Um produto pode apresentar excelentes números por 100 g, mas a embalagem conter 300–330 g.

Compare sempre:

por 100 g + por embalagem.


Infografia — O teste dos 30 segundos

             PEGUE NO IOGURTE
                    │
                    ▼
          PROTEÍNA ≥ 8–10 g/100 g?
              │             │
             SIM           NÃO
              │             │
              ▼             └── comparar alternativas
       TEM AÇÚCAR ADICIONADO?
              │
        ┌─────┴─────┐
       NÃO          SIM
        │            │
        ▼            ▼
  LISTA CURTA?    É NECESSÁRIO?
        │
        ▼
  POUCOS ADITIVOS?
        │
        ▼
  GOSTA + PREÇO ADEQUADO?
        │
        ▼
     BOA ESCOLHA

Qual seria a composição ideal?

Se pudéssemos desenhar um produto de utilização quotidiana, privilegiaria uma formulação bastante simples.

Tabela 6 — O perfil que procuraria no supermercado

ParâmetroObjetivo prático
Proteína8–12 g/100 g
Açúcar adicionado0 g
Açúcares totaisfrequentemente ~3–5 g/100 g
Gordura saturadabaixa/moderada
Ingredientespoucos e reconhecíveis
Edulcorantespreferencialmente dispensáveis
Fermentospresentes num verdadeiro iogurte

Exemplo de composição particularmente simples:

Leite + proteínas/concentrado lácteo quando necessário + fermentos lácteos.

Uma alternativa ainda mais minimalista é um skyr natural ou iogurte concentrado natural, quando apresenta um perfil proteico adequado.

Para quem aprecia sabor doce:

iogurte/skyr natural + frutos vermelhos + canela + nozes ou sementes.

Além de controlar o grau de doçura, adicionamos alimentos nutricionalmente interessantes.


Natural, skyr, grego ou proteico?

Estas categorias não devem ser confundidas.

Tabela 7 — Comparação prática

ProdutoPrincipal vantagemAtenção
NaturalSimplicidadeMenos proteína
Skyr naturalProteína + simplicidadeConfirmar rótulo
Grego naturalTextura/saciedadePode ter mais gordura
Proteico naturalProteína elevadaVer ingredientes
Proteico aromatizadoConveniência/saborEdulcorantes/aditivos

Para consumo frequente, um skyr natural ou iogurte proteico natural com poucos ingredientes é frequentemente uma das escolhas mais equilibradas.


Que produtos e marcas escolher?

Não considero cientificamente correto declarar que uma determinada marca é “saudável” ou “não saudável” de forma absoluta.

Uma mesma marca pode comercializar simultaneamente um excelente produto natural e outro com uma formulação muito mais complexa.

Além disso, as receitas são reformuladas.

Por isso, devemos confiar mais no rótulo atual do produto do que no nome da marca.

Entre produtos atualmente presentes no mercado português encontram-se gamas especificamente proteicas como Lindahls PRO+, incluindo versões que anunciam 16 g de proteína por embalagem e ausência de açúcares adicionados, embora as formulações devam ser verificadas individualmente no momento da compra.¹⁵

A minha hierarquia de escolha

1.º — Skyr/iogurte proteico natural sem açúcar adicionado

Idealmente com lista muito curta.

2.º — Iogurte natural concentrado com elevado teor proteico

Excelente quando a composição é simples.

3.º — Iogurte proteico aromatizado sem açúcar adicionado

Pode ser uma solução prática, embora frequentemente recorra a aromas, estabilizadores ou edulcorantes.

4.º — Produtos proteicos tipo sobremesa

Pudins, mousses, chocolate, cookies e produtos semelhantes devem ser avaliados sobretudo como sobremesas proteicas, e não automaticamente como equivalentes nutricionais de um iogurte natural.

A marca é secundária. O rótulo é decisivo.


Quantos podemos consumir por dia?

Não existe uma recomendação científica universal de “X iogurtes proteicos por dia”.

A DGS inclui os lacticínios num padrão alimentar equilibrado e a Roda dos Alimentos portuguesa recomenda, genericamente, 2–3 porções de lacticínios por dia.¹⁶

Isso não significa 2–3 iogurtes proteicos.

As necessidades devem considerar todos os lacticínios e, sobretudo, a alimentação completa.

Para um adulto saudável, um iogurte proteico por dia pode integrar perfeitamente uma alimentação equilibrada, sobretudo quando substitui um snack de pior qualidade nutricional ou ajuda a atingir adequadamente as necessidades proteicas.

Consumir dois pode igualmente ser adequado em determinadas pessoas — por exemplo, em contexto de necessidades proteicas elevadas — mas não existe razão para transformar estes produtos na principal fonte de proteína da alimentação.

Proteína deve continuar a provir de diferentes alimentos:

Peixe ───────────────┐
Ovos ────────────────┤
Leguminosas ─────────┤
Lacticínios ─────────┼──► PROTEÍNA DIÁRIA
Frutos secos ────────┤
Carne, se consumida ─┤
Soja/tofu ───────────┘

Diversidade alimentar continua a ser mais importante do que qualquer alimento “high protein”.


Quem deve ter cuidados especiais?

Embora sejam seguros para a maioria dos adultos saudáveis, estes produtos não são igualmente adequados para toda a população.

Intolerância à lactose

Alguns produtos apresentam baixo teor de lactose ou versões especificamente sem lactose. Deve verificar-se o rótulo.

Alergia às proteínas do leite

Um produto “sem lactose” não é adequado a uma pessoa com alergia às proteínas do leite.

São problemas completamente diferentes.

Fenilcetonúria

Produtos contendo aspartame exigem particular atenção porque este fornece fenilalanina.¹³

Doença renal

Pessoas com doença renal não devem aumentar indiscriminadamente a ingestão de proteína sem avaliação individualizada por médico ou nutricionista.

Crianças

Uma criança saudável geralmente não necessita de alimentos “hiperproteicos” destinados ao mercado adulto para atingir as suas necessidades de proteína.

Sintomas gastrointestinais

Algumas pessoas referem distensão abdominal ou desconforto com determinados produtos. Nestes casos deve analisar-se individualmente a lactose, quantidade ingerida, edulcorantes, polióis quando presentes e outros ingredientes.


Um detalhe importante: não confundir “sem açúcar” com “saudável”

A indústria alimentar consegue produzir alimentos muito doces praticamente sem açúcar através de edulcorantes intensos.

Isso pode reduzir substancialmente a quantidade de açúcar e energia — uma vantagem concreta em determinados contextos.

Mas existe um princípio alimentar mais amplo:

não precisamos que todos os alimentos saibam a sobremesa.

A OMS salienta que a estratégia de longo prazo deve passar também por reduzir a preferência global por sabores excessivamente doces, e não simplesmente substituir sistematicamente açúcar por edulcorantes.¹⁴

Por isso, uma transição interessante pode ser:

MUITO DOCE
    │
    ▼
proteico aromatizado sem açúcar
    │
    ▼
natural + fruta
    │
    ▼
iogurte/skyr natural
    │
    ▼
MENOR DEPENDÊNCIA DO SABOR DOCE

Conclusão

Sim, os iogurtes proteicos podem ser uma escolha saudável. São uma forma prática de aumentar a ingestão de proteína de elevada qualidade e podem proporcionar boa saciedade, sendo particularmente úteis em pessoas fisicamente ativas, adultos mais velhos ou indivíduos que tenham dificuldade em atingir as necessidades proteicas através das refeições habituais. A evidência disponível sobre iogurte e lacticínios fermentados é globalmente compatível com a sua inclusão numa alimentação saudável.¹⁻⁴

Mas o consumidor não deve deixar-se convencer apenas pela palavra “proteína” impressa em letras grandes. A melhor escolha continua a depender da composição global: quantidade de proteína, açúcar adicionado, ingredientes, edulcorantes, gordura, tamanho da dose e frequência de consumo. Os aditivos autorizados na União Europeia são avaliados quanto à segurança, mas isso não obriga o consumidor a escolher formulações complexas quando existem alternativas nutricionalmente equivalentes e mais simples.⁵

Em resumo

  • Proteína: procurar aproximadamente 8–12 g/100 g num verdadeiro produto proteico.
  • Açúcar: distinguir lactose natural de açúcar adicionado.
  • Açúcares totais: 3–5 g/100 g podem corresponder essencialmente à lactose.
  • Açúcar adicionado: idealmente zero num produto de consumo diário.
  • Ingredientes: privilegiar formulações simples.
  • Edulcorantes: os autorizados são avaliados quanto à segurança, mas não são necessários numa alimentação saudável.
  • Sucralose: a EFSA voltou a confirmar em 2026 a segurança nas utilizações atualmente autorizadas.¹¹
  • Marca: escolher o produto pelo rótulo, não pelo marketing.
  • Quantidade: para muitos adultos, um por dia pode integrar perfeitamente uma alimentação equilibrada; não existe uma necessidade universal de consumir iogurtes proteicos diariamente.
  • Melhor opção habitual: iogurte proteico natural ou skyr natural, sem açúcar adicionado e com uma lista curta de ingredientes.

Regra de ouro do consumidor: quanto maior for a palavra “PROTEÍNA” na frente da embalagem, maior deve ser a nossa curiosidade em ler aquilo que está escrito em letras pequenas no verso.


Bibliografia

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URL: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/32277831/

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URL: https://eur-lex.europa.eu/eli/reg/2006/1924/oj

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12. European Food Safety Authority. Re-evaluation of acesulfame K (E 950) as food additive. 2025.
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13. European Food Safety Authority. Aspartame. Última revisão: 6 February 2026.
URL: https://www.efsa.europa.eu/en/topics/topic/aspartame

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URL: https://www.continente.pt/produto/iogurte-proteina-pessego-e-maracuja-lindahls-lindahls-7760398.html

16. Direção-Geral da Saúde — Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável. Roda dos Alimentos. Atualizado em 2024.
URL: https://alimentacaosaudavel.dgs.pt/roda-dos-alimentos/


Nota editorial: a composição dos produtos alimentares pode ser alterada pelos fabricantes. As referências a produtos comerciais destinam-se exclusivamente a exemplificar a leitura nutricional e não constituem promoção ou certificação de qualquer marca. O rótulo presente na embalagem no momento da compra deve prevalecer sobre informação publicada anteriormente.