Proteína animal ou vegetal: qual é realmente a melhor escolha para uma pessoa saudável? A proteína é indispensável à vida. Os seus aminoácidos participam na formação e renovação dos músculos, pele e restantes tecidos, mas também de enzimas, transportadores, hormonas e componentes fundamentais do sistema imunitário.¹
No entanto, quando falamos de proteína, mais não significa necessariamente melhor. A quantidade diária é importante, mas também interessam a qualidade da proteína, o perfil de aminoácidos essenciais, a digestibilidade, a distribuição pelas refeições e, sobretudo, o alimento que transporta essa proteína.²˒³
Para a maioria dos adultos saudáveis, aproximadamente 0,83 g de proteína/kg de peso corporal/dia é a referência populacional europeia.⁴ Com o envelhecimento, vários grupos de especialistas recomendam aproximadamente 1,0–1,2 g/kg/dia, particularmente quando existe atividade física.⁵˒⁶ Quem pratica regularmente treino de força pode beneficiar de ingestões superiores, frequentemente na ordem dos 1,2–1,6 g/kg/dia, dependendo do treino e dos objetivos.⁷
E quanto à velha discussão entre proteína animal e vegetal?
Se analisarmos apenas digestibilidade e concentração de aminoácidos essenciais, várias proteínas animais apresentam vantagem. Mas quando analisamos o alimento completo e os efeitos sobre a saúde, a situação muda substancialmente.
Uma alimentação saudável pode perfeitamente incluir peixe, ovos, lacticínios e alguma carne, mas a evidência científica atual favorece aumentar a proporção de proteína proveniente de leguminosas, soja, frutos oleaginosos, sementes e cereais integrais, sobretudo quando estes alimentos substituem carne vermelha e carnes processadas.⁸⁻¹⁰
Este artigo utiliza como uma das principais referências científicas o Instituto Nacional de Saúde (INSA), Dr. Ricardo Jorge, nomeadamente a extraordinária atualização da tabela publicada em maio de 2026. 12
Índice
- O que são as proteínas?
- Porque são indispensáveis?
- Quanta proteína precisamos por dia?
- Quanta proteína devemos ingerir por refeição?
- O que significa “proteína de qualidade”?
- As proteínas vegetais são incompletas?
- Quais são as melhores fontes vegetais?
- Ranking nutricional: quantidade não é tudo
- Proteína animal versus vegetal
- Qual é a melhor para uma pessoa saudável?
- Podemos ingerir proteína em excesso?
- Proteína e envelhecimento
- Como construir refeições ricas em proteína vegetal
- Conclusão
1. O que são as proteínas?
As proteínas são moléculas constituídas por cadeias de aminoácidos. Durante a digestão, as proteínas alimentares são degradadas em péptidos e aminoácidos que podem ser absorvidos e reutilizados pelo organismo.¹
Dos aminoácidos utilizados para produzir proteínas humanas, nove são considerados essenciais, porque o organismo não consegue sintetizá-los em quantidade suficiente:
Histidina • isoleucina • leucina • lisina • metionina • fenilalanina • treonina • triptofano • valina
Entre eles, a leucina tem particular importância na sinalização relacionada com a síntese proteica muscular.²
Esquema da alimentação aos tecidos
Alimentos proteicos
│
▼
Digestão
│
▼
Aminoácidos
│
┌───────┼───────┐
▼ ▼ ▼
Músculo Enzimas Hormonas
│ │ │
└───────┼───────┘
▼
Renovação dos tecidos
2. Porque é a proteína tão importante?
É frequente associarmos proteína quase exclusivamente aos músculos.
Na realidade, praticamente todos os tecidos e sistemas do organismo dependem de proteínas.¹
| Função | Importância |
|---|---|
| Músculo | Massa, força e recuperação |
| Tecidos | Construção e reparação |
| Enzimas | Reações metabólicas |
| Hormonas | Sinalização celular |
| Imunidade | Anticorpos e defesa |
| Transporte | Transporte de moléculas |
Existe continuamente síntese e degradação proteica.
O organismo reutiliza uma parte importante dos aminoácidos, mas necessita também de receber aminoácidos essenciais através da alimentação.
3. Quanta proteína devemos comer por dia?
A referência europeia para adultos é aproximadamente:
0,83 g/kg de peso corporal/dia.⁴
Na prática:
| Peso | Referência diária |
| 60 kg | ~50 g |
| 70 kg | ~58 g |
| 80 kg | ~66 g |
| 90 kg | ~75 g |
| 100 kg | ~83 g |
É fundamental compreender o significado deste número.
0,83 g/kg/dia não representa necessariamente a quantidade “ótima” para todas as pessoas.
É uma referência populacional destinada a cobrir as necessidades da grande maioria dos adultos saudáveis.
A idade, atividade física, ingestão energética e objetivos individuais podem modificar a quantidade mais apropriada.⁴⁻⁷
Valores práticos
| Situação | Proteína/dia |
| Adulto saudável | ≥0,83 g/kg |
| Adulto fisicamente ativo | ~1,0–1,2 g/kg ou mais |
| Adulto mais velho saudável | ~1,0–1,2 g/kg |
| Treino de força | ~1,2–1,6 g/kg |
Nos adultos mais velhos, grupos de especialistas recomendam aproximadamente 1,0–1,2 g/kg/dia para ajudar a preservar massa e função muscular.⁵˒⁶
4. E por refeição?
Não existe um número universal.
Peso, idade, atividade física, quantidade diária total e qualidade da proteína modificam a resposta.
Como orientação prática, distribuir a proteína pelas principais refeições é geralmente mais racional do que ingerir muito pouca durante grande parte do dia e concentrar quase toda ao jantar.²˒⁶
Para muitos adultos:
≈20–40 g de proteína numa refeição principal
é uma referência prática razoável, ajustada às necessidades individuais.²
Em pessoas mais velhas, valores próximos de 25–30 g por refeição, ou aproximadamente 0,4 g/kg/refeição, são frequentemente utilizados como referência para otimizar a resposta muscular.⁶
Pequeno-almoço 25 g
│
Almoço 30 g
│
Jantar 30 g
│
▼
Total 85 g
5. O que significa afinal “proteína de qualidade”?
Este conceito é fundamental para compreender a diferença entre proteínas.
Não devemos avaliar uma fonte proteica apenas perguntando:
“Quantos gramas de proteína tem?”
Uma avaliação nutricional mais completa considera pelo menos:
1. Quantidade de proteína
Quantos gramas fornece uma porção realista.
2. Aminoácidos essenciais
Uma proteína deve fornecer quantidades adequadas dos nove aminoácidos essenciais.
3. Digestibilidade
Nem toda a proteína ingerida é digerida e absorvida da mesma forma.
4. DIAAS e qualidade proteica
O Digestible Indispensable Amino Acid Score (DIAAS) procura avaliar a digestibilidade individual dos aminoácidos essenciais.
5. Densidade energética
100 g de sementes podem fornecer muita proteína, mas também mais de 500 kcal.
6. Matriz alimentar
É necessário perguntar:
O que vem juntamente com essa proteína?
Fibra? Gorduras insaturadas? Ferro? Cálcio? Ómega-3?
Ou grandes quantidades de sal, gordura saturada e compostos associados ao processamento?
É por isso que qualidade proteica e qualidade do alimento não são exatamente a mesma coisa.³˒¹¹
6. As proteínas vegetais são “incompletas”?
Esta afirmação tornou-se demasiado simplificada.
Os alimentos vegetais contêm aminoácidos essenciais, mas apresentam proporções diferentes.³
Por exemplo:
Leguminosas
↑ lisina
↓ relativamente mais limitadas em metionina
Cereais
↓ relativamente menos lisina
↑ complementam as leguminosas
Daqui nasce uma combinação nutricional clássica:
Feijão + arroz
Feijão
↑ lisina
│
+
│
Arroz
Perfil complementar
│
▼
Melhor complementação
de aminoácidos
Mas existe um detalhe importante:
Não precisamos de fazer estas combinações deliberadamente em todas as refeições.
Uma alimentação vegetal variada ao longo do dia permite obter os aminoácidos necessários, desde que exista ingestão adequada de energia e proteína.³
7. Quais são as melhores fontes vegetais de proteína?
Para Portugal, uma das referências mais adequadas para composição dos alimentos é a Tabela da Composição de Alimentos do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge — PortFIR.
A versão mais recente disponível é a V7.1, publicada em 2026, contendo 1376 alimentos e informação sobre 50 componentes/nutrientes.¹²
Ao comparar alimentos, existe uma regra essencial:
Devemos comparar estados equivalentes.
100 g de lentilhas secas e 100 g de lentilhas cozidas não são nutricionalmente comparáveis porque a cozedura aumenta enormemente o conteúdo de água.
Por isso, para utilização prática, apresentamos preferencialmente leguminosas cozidas/prontas a consumir.
Tabela 1 — melhores fontes vegetais de proteína
| Alimento | Proteína aproximada/100 g | Melhor utilização |
| Sementes de cânhamo | ~30–32 g | Complemento |
| Sementes de abóbora | ~30 g | Complemento |
| Amendoim | ~25–26 g | Complemento |
| Amêndoas | ~21 g | Complemento |
| Tempeh | ~19–20 g | Prato principal |
| Tofu firme | ~12–17 g | Prato principal |
| Edamame cozido | ~11–12 g | Prato/entrada |
| Lentilhas cozidas | ~9 g | Prato principal |
| Feijão cozido | ~8–9 g | Prato principal |
| Grão-de-bico cozido | ~8–9 g | Prato principal |
| Ervilhas cozidas | ~5–6 g | Complemento |
| Quinoa cozida | ~4–5 g | Complemento |
Nota: valores aproximados. A composição varia com variedade, processamento, teor de água, confeção e produto comercial. Sempre que disponível, deve consultar-se a Tabela da Composição de Alimentos PortFIR V7.1.¹²
8. Mas qual é realmente a melhor?
Aqui chegamos à diferença entre “mais proteína” e “melhor fonte proteica”.
Se utilizarmos apenas g/100 g, as sementes vencem facilmente.
Mas isso pode induzir o leitor em erro.
Uma porção normal de sementes pode ser 20–30 g.
Uma porção de tofu pode atingir 150–200 g.
Uma porção de lentilhas cozidas pode facilmente atingir 150–200 g.
Portanto, é necessário avaliar porção real + qualidade proteica + digestibilidade + densidade energética + matriz alimentar.
Tabela 2 — qualidade global das principais proteínas vegetais
| Fonte | Qualidade proteica/digestibilidade* | Valor nutricional global |
| Soja / edamame | Muito elevada | ⭐⭐⭐⭐⭐ Proteína + fibra + micronutrientes |
| Tofu | Muito elevada | ⭐⭐⭐⭐⭐ Excelente fonte principal |
| Tempeh | Muito elevada | ⭐⭐⭐⭐⭐ Proteico e fermentado |
| Lentilhas | Boa | ⭐⭐⭐⭐⭐ Proteína + muita fibra |
| Feijão | Boa | ⭐⭐⭐⭐⭐ Proteína + fibra + polifenóis |
| Grão-de-bico | Boa | ⭐⭐⭐⭐⭐ Proteína + fibra |
| Ervilhas | Boa | ⭐⭐⭐⭐ Boa complementaridade |
| Amendoim | Boa | ⭐⭐⭐⭐ Proteína + gordura insaturada; energético |
| Amêndoas | Moderada/boa | ⭐⭐⭐⭐ Muito nutritivas; energéticas |
| Sementes | Moderada/boa | ⭐⭐⭐⭐ Minerais + gorduras insaturadas |
| Quinoa | Boa complementaridade | ⭐⭐⭐⭐ Cereal/pseudocereal interessante |
*Classificação qualitativa deliberadamente utilizada em vez de atribuir um único valor DIAAS a cada alimento. Os valores publicados variam com variedade, processamento, preparação e metodologia. O próprio DIAAS apresenta limitações importantes quando aplicado isoladamente a alimentos vegetais e dietas completas.³˒¹¹
O grande vencedor: soja
Quando consideramos simultaneamente:
proteína + aminoácidos essenciais + digestibilidade + quantidade consumível + densidade energética + versatilidade
a soja e os seus derivados destacam-se entre as melhores fontes vegetais.
Uma revisão quantitativa encontrou um DIAAS médio de aproximadamente 84,5 entre diferentes produtos de soja, embora com variações importantes segundo o processamento.¹³
Tofu, tempeh e edamame tornam-se, por isso, particularmente interessantes.
9. E as leguminosas?
São provavelmente o grupo que mais deveríamos aumentar na alimentação ocidental
Feijão, lentilhas, grão-de-bico e ervilhas apresentam uma combinação excecional:
proteína + fibra + hidratos de carbono complexos + minerais + compostos bioativos.
Embora isoladamente apresentem qualidade proteica inferior à de algumas proteínas animais e da soja, isso tem uma importância relativamente pequena numa alimentação variada.
E apresentam uma enorme vantagem:
Substituem alimentos nutricionalmente menos interessantes.
Uma meta-análise de estudos prospetivos encontrou, por exemplo, associação entre substituir carne processada por leguminosas e menor risco cardiovascular.¹⁴
10. Sementes e frutos oleaginosos: excelentes, mas não são “carne vegetal”
Sementes de abóbora, cânhamo, amêndoas e amendoins aparecem frequentemente no topo das tabelas de proteína por 100 g.
Isso é verdadeiro.
Mas pode ser enganador.
100 g de sementes
≈30 g de proteína
mas também podem representar:
≈500–600 kcal
Por isso, sementes e frutos oleaginosos devem ser vistos sobretudo como:
Complementos proteicos de excelente qualidade nutricional
e não necessariamente como a principal fonte de proteína de uma refeição.
Uma pequena quantidade pode ser adicionada a:
saladas • papas de aveia • iogurte • sopa • pão • bowls
aumentando simultaneamente proteína, minerais e gorduras insaturadas.
11. Proteína animal versus vegetal
Agora podemos fazer uma comparação mais justa.
Tabela 3 — proteína animal versus vegetal
| Característica | Animal | Vegetal |
| Aminoácidos essenciais | Geralmente excelente | Boa a excelente |
| Digestibilidade | Geralmente superior | Variável |
| Fibra | Praticamente nenhuma | Geralmente elevada |
| Gordura saturada | Variável | Geralmente baixa |
| Gordura insaturada | Variável | Frequentemente elevada |
| Vitamina B12 | Presente | Geralmente ausente |
| Fitonutrientes | Escassos | Abundantes |
| Densidade proteica | Geralmente elevada | Muito variável |
Não existe, portanto, um vencedor absoluto.
Se perguntarmos:
“Qual apresenta geralmente maior digestibilidade?”
Proteína animal.
Se perguntarmos:
“Qual fornece geralmente mais fibra e fitoquímicos?”
Proteína vegetal.
Se perguntarmos:
“Qual é melhor para a saúde?”
Temos de perguntar imediatamente:
“Qual alimento está a substituir qual?”
Esta é provavelmente a pergunta mais importante de todo o artigo.
12. O que nos diz a evidência mais recente?
Os estudos de substituição alimentar são particularmente úteis.
Uma meta-análise de 2023 encontrou evidência de risco cardiovascular inferior quando carne processada era substituída por frutos oleaginosos, leguminosas ou cereais integrais.¹⁴
E uma nova revisão sistemática e meta-análise publicada em 2026, envolvendo mais de um milhão de participantes, encontrou associação entre substituir isocaloricamente parte da proteína animal por proteína vegetal e menor mortalidade global e cardiovascular.¹⁵
Os autores encontraram:
Mortalidade global: HR ≈0,91
e, na substituição correspondente a 5% do valor energético:
Mortalidade cardiovascular: HR ≈0,77.¹⁵
Isto não significa que proteína animal seja “má”.
Nem demonstra que trocar peixe por qualquer alimento vegetal seja necessariamente benéfico.
Os resultados dependem muito da fonte alimentar substituída.
A evidência é particularmente convincente quando:
carne processada ou alguma carne vermelha
é substituída por:
leguminosas, frutos oleaginosos ou cereais integrais.
13. Qual é então a melhor escolha para uma pessoa saudável?
A resposta científica mais equilibrada não é:
“100% vegetal”
nem:
“a proteína animal é superior”.
Para uma pessoa saudável, considero mais coerente com a evidência atual um padrão alimentar:
Predominantemente vegetal, mas não obrigatoriamente vegetariano
Ou seja:
Mais frequente
▲
│
Leguminosas
│
Soja / tofu
│
Frutos / sementes
│
Peixe
│
Ovos
│
Lacticínios
│
Carnes não processadas
│
Carnes processadas
▼
Menos frequente
Não devemos interpretar esta pirâmide como uma classificação absoluta de todos os alimentos.
O peixe gordo, por exemplo, apresenta características nutricionais particularmente interessantes devido aos ácidos gordos ómega-3 EPA e DHA.
A mensagem é outra:
Substituir regularmente carnes processadas e parte da carne vermelha por leguminosas, soja e frutos oleaginosos é uma estratégia fortemente defensável.
14. Podemos ingerir proteína em excesso?
Sim, embora seja necessário acabar com outro mito:
“Uma dieta rica em proteína destrói os rins de qualquer pessoa.”
Isso não está demonstrado em adultos saudáveis.
A resposta renal ao aumento da proteína inclui alterações fisiológicas da filtração, mas não existe boa evidência de que ingestões moderadamente elevadas provoquem automaticamente doença renal em pessoas com função renal normal.¹⁶
Porém:
Pessoa saudável não é o mesmo que pessoa com doença renal.
Na doença renal crónica, a quantidade e origem da proteína podem necessitar de ser individualizadas.
Além disso, ingerir quantidades enormes de proteína não produz automaticamente mais músculo.
O organismo não possui um grande reservatório específico para armazenar aminoácidos excedentários.
O excesso de aminoácidos é metabolizado; o azoto é convertido predominantemente em ureia e excretado, enquanto os esqueletos carbonados podem ser utilizados metabolicamente.¹
15. O problema pode não ser a proteína, mas o alimento
Comparemos dois alimentos que fornecem proteína:
Lentilhas
│
┌─────┼─────┐
▼ ▼ ▼
Proteína Fibra Minerais
│
▼
Matriz vegetal
Carne processada
│
┌─────┼─────┐
▼ ▼ ▼
Proteína Sal Processamento
Dizer apenas que ambos “têm proteína” ignora uma grande parte da nutrição.
Da mesma forma, comparar peixe com um hambúrguer vegetal ultraprocessado apenas pela origem animal ou vegetal seria nutricionalmente inadequado.
O alimento completo interessa mais do que o rótulo “animal” ou “vegetal”.
16. Proteína depois dos 50–60 anos: a importância aumenta
Com o envelhecimento ocorre progressivamente resistência anabólica: o músculo tende a responder menos intensamente aos estímulos alimentares.
Por isso, manter proteína adequada torna-se particularmente importante.⁵˒⁶
Mas existe uma intervenção ainda mais poderosa:
Exercício de força
A melhor estratégia não é simplesmente:
“comer mais proteína”.
É:
Proteína adequada
+
Treino de força
+
Atividade física
│
▼
Preservação da massa
e função muscular
A ESPEN recomenda aproximadamente 1,0–1,2 g/kg/dia para pessoas mais velhas saudáveis, em conjunto com atividade física.⁵
17. Como construir uma refeição vegetal rica em proteína?
Uma fórmula extremamente simples:
Prato
┌──────────┬──────────┐
│ │ │
│ 1/2 │ 1/4 │
│ Vegetais │ Proteína │
│ │ vegetal │
├──────────┴──────────┤
│ 1/4 │
│ Cereal integral │
└─────────────────────┘
Excelentes combinações
Lentilhas + arroz integral + hortícolas
Feijão + arroz + couve
Grão-de-bico + quinoa + legumes
Tofu + arroz integral + brócolos
Tempeh + vegetais + cereal integral
Ervilhas + cereal integral + sementes
18. As 10 regras da proteína
1. Não conte apenas gramas
Avalie também a qualidade global do alimento.
2. A referência europeia para adultos é aproximadamente 0,83 g/kg/dia⁴
3. Depois dos 65 anos, aproximadamente 1,0–1,2 g/kg/dia pode ser mais apropriado⁵˒⁶
4. Quem treina força pode necessitar de aproximadamente 1,2–1,6 g/kg/dia⁷
A quantidade exata depende do contexto, intensidade do treino e objetivos.
5. Distribua a proteína pelas refeições
6. Soja, tofu e tempeh estão entre as melhores proteínas vegetais em termos de qualidade
7. Lentilhas, feijão e grão-de-bico apresentam extraordinário valor nutricional global
8. Sementes e frutos oleaginosos são excelentes complementos, mas muito energéticos
9. Reduza sobretudo carnes processadas
10. Para preservar músculo, combine proteína e treino de força
Conclusão
A discussão sobre proteína não deveria reduzir-se a perguntar “qual alimento tem mais proteína por 100 g?”. Quantidade, digestibilidade, aminoácidos essenciais, densidade energética e matriz alimentar são dimensões diferentes da qualidade nutricional. É precisamente por isso que sementes podem liderar uma tabela em gramas de proteína por 100 g sem serem necessariamente a melhor fonte principal de proteína numa refeição.
Para uma pessoa saudável, a evidência não obriga a escolher entre “animal” e “vegetal”. Uma estratégia particularmente sólida consiste em obter uma proporção crescente da proteína através de leguminosas, soja e derivados, frutos oleaginosos, sementes e cereais integrais, mantendo, se desejado, fontes animais nutricionalmente interessantes como peixe, ovos e lacticínios. A evidência mais recente reforça sobretudo o benefício potencial de substituir carnes processadas e parte das fontes animais menos favoráveis por alimentos vegetais de elevada qualidade nutricional.¹⁴˒¹⁵
Para guardar
- 0,83 g/kg/dia é a referência europeia para adultos.
- 1,0–1,2 g/kg/dia é frequentemente recomendado em adultos mais velhos.
- 20–40 g/refeição constitui uma referência prática para muitos adultos, não uma regra universal.
- A quantidade de proteína não determina sozinha a sua qualidade.
- Soja, tofu e tempeh apresentam excelente qualidade proteica vegetal.
- Lentilhas, feijão e grão-de-bico apresentam uma excelente combinação de proteína e fibra.
- Frutos oleaginosos e sementes são muito nutritivos, mas energeticamente densos.
- As proteínas animais apresentam geralmente maior digestibilidade.
- As proteínas vegetais apresentam vantagens importantes devido à matriz alimentar.
- Não é necessário combinar obsessivamente proteínas vegetais em todas as refeições.
- Uma alimentação predominantemente vegetal não necessita de ser exclusivamente vegetariana.
- A melhor estratégia para preservar músculo é proteína adequada + exercício de força.
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