Micose fungo na unha e unhas fracas onicomicose ou tinha das unhas toda a verdade! Quais os sintomas? Quais as causas? Qual o melhor tratamento? Os fungos nas unhas são muito frequentes, este artigo pretende ser um contributo importante para melhorar a saúde e beleza das suas unhas.
Onicomicose ou tinha das unhas é uma infeção fúngica das unhas. Embora possa afetar todas as unhas, é mais comum nas unhas dos pés. A onicomicose ocorre em cerca de 10% da população adulta. A doença afeta com maior frequência pessoas idosas e é mais comum entre homens do que entre mulheres. Os casos de onicomicose correspondem a cerca de metade dos casos de doenças das unhas.
Anatomia de uma unha
Sintomas de onicomicose
Os sintomas habituais de onicomicose são os seguintes:
Descoloração branca ou amarela da unha,
Espessamento da unha,
Separação da unha da pele.
O diagnóstico é geralmente suspeitado com base na aparência e confirmado com exames de laboratório.
As lesões da unha provocadas pela onicomicose apresentam algumas variações na sua apresentação, dependendo do tipo de fungo e de gravidade da infecção. Em geral, a micose da unha costuma apresentar um ou mais dos seguintes sintomas:
Unha grossa, mais espessa
Unha amarelada, sem brilho e opaca
Unha quebradiça e frágil
Separação da unha do leito ungueal
Distorções na forma da unha
Unha com coloração negra, em casos mais graves.
Causas e fatores de risco
As infecções fúngicas das unhas são geralmente causadas por um fungo que pertence a um grupo denominado dermatófitos, que também pode causar infecções nos pelos do corpo e na pele, como no caso do pé de atleta.
Outro grupo de fungos que também pode causar micoses das unhas são as leveduras. Em regra, as leveduras causam onicomicose nas mãos e os dermatófitos provocam onicomicose nas unhas dos pés. A onicomicose é uma infecção fúngica que pode afectar qualquer parte da unha, incluindo a lâmina, o leito ou a raiz da unha.
Afecta actualmente cerca de 30% da população europeia. Raramente afeta crianças, principalmente devido ao rápido crescimento da unha, que complica o desenvolvimento dos fungos.
Perigos complicações da onicomicose
Em diabéticos ou imunossuprimidos a onicomicose pode servir como porta de entrada para bactérias, favorecendo o surgimento de infecções secundárias, como erisipela ou celulite da perna que é uma infeção grave na pele.
A celulite é uma infecção bacteriana que enolve as camadas interiores da pele e afeta especificamente a derme e gordura subcutânea. A área de infecção é geralmente dolorosa. Os vasos linfáticos podem, ocasionalmente, ser envolvidos e a pessoa pode apresentar febre e sensação de cansaço. Antes de fazer um diagnóstico, infecções mais graves tais uma infecção óssea na base ou a fasciíte necrosante devem ser descartadas.
Sintomas e risco de necrose e amputação
A celulite infecciosa é caracterizada por uma mancha vermelha (eritema), com bordos mal definidos, inflamada (inchada, sensível, dolorosa e quente) e que cresce difusamente. Pode formar pus, abcessos e inflamar nódulos linfáticos. A infecção sistémica, quando as bactérias entram na corrente sanguínea, pode causar febre, mal estar, cansaço e infectar outros órgãos. Em raros casos, penetra para as fáscias e causa necrose com risco de amputação da perna!
Erisipela
Em contraste com a celulite, a erisipela é uma infecção bacteriana que envolve camadas mais superficiais da pele, e apresentam uma área de vermelhidão com bordas definidas, e mais frequentemente é associada a uma febre. é uma infecção bacteriana cutânea (tipo piodermite) causada, principalmente, por Streptococcus β-hemolíticodo grupo A. Outras causas menos frequentes são Streptococos β-hemolítico dos grupos C e G e Staphylococcus aureus.
Lesões na pele como infecção fúngica (ex: onicomicose e outras micoses), picadas de inseto, mordidas e cirurgias podem servir de porta de entrada para as bactérias.
O tratamento geralmente é feito com penicilina V, em casos severos pode-se usar penicilina G. Outras alternativas incluem doxiciclina (no caso de Staphylococcus), ceftriaxona, cefazolina ou em caso de resistências usar vancomicina. Há uma crescente resistência dos Streptococcus tipo A aos macrólidos.
Tratamento da celulite infeciosa
O tratamento geralmente é com antibióticos tomados por via oral, tais como a cefalexina, amoxicilina, ou cloxacillina.
Para aqueles que apresentam alergia grave à penicilina, eritromicina ou clindamicina podem ser usadas. Quando S. aureus resistentes à meticilina (MRSA) é uma preocupação, doxiciclina ou trimetoprim/sulfametoxazol podem ser recomendados. A preocupação está relacionada com a presença de pus ou infecções anteriores por MRSA. Elevar a área infectada pode ser útil, assim como analgésicos.
Contágio e como se apanha
É uma doença bastante contagiosa, sendo frequente o contágio em locais humidos e quentes como piscinas e balneários públicos, através do uso de toalhas, alicates ou tesouras, mal lavadas ou contaminadas. Pode também ocorrer contágio em casa, pois basta um elemento da família estar contaminado, para contagiar facilmente o resto da família. Banheiras e tapetes de pés, são também locais propícios a contágios.
Não se apanha micose das unhas apenas por apertar a mão ou tocar em objetos manipulados por alguém infectado porque é necessário um contacto mais prolongado ou uma lesão já pré-existente entre a pele e a unha.
As unhas mais comumente afetadas são as dos pés, em consequência do uso de sapatos fechados, o que origina um ambiente ideal (humidade, temperatura e ausência de luz) para o desenvolvimento dos fungos.
O contacto com o fungo por si só não costuma ser suficiente para se adquirir a onicomicose. Geralmente é preciso haver pequenas lesões entre a unha e a pele para que o fungo consiga penetrar por baixo da unha e alojar-se. Também é necessário que a unha seja exposta frequentemente a ambientes húmidos para que o fungo possa multiplicar-se com mais facilidade.
A onicomicose nas unhas dos pés é muito mais comum do que nas unhas das mãos. Os pés costumam estar mais expostos a locais húmidos, não só quando se anda descalço em locais públicos, mas também por passar boa parte do dia fechado dentro de meias e calçados. Calor, falta de luz e humidade é tudo que um fungo deseja para proliferar. Além disso, os dedos dos pés estão no ponto do corpo mais distante do coração, não sendo tão bem vascularizados com os dedos da mão. Deste modo, os anticorpos e as células de defesa do organismo não chegam às unhas dos pés com tanta facilidade quanto a outros pontos do organismo.
Fatores de risco da onicomicose
A presença de alguns fatores favorece a infecção da unha por fungos. Por exemplo, pessoas com pé de atleta, que é uma infecção fúngica da pele dos dedos, têm um maior risco de contrair também infecção fúngica das unhas. Outros fatores de risco são:
Os atletas também são um grupo de risco para onicomicose. porque costumam estar com os pés frequentemente calçados e húmidos pela transpiração, além de terem uma maior incidência de traumas nas unhas devido ao impacto de suas atividades físicas.
Formas mais comuns de onicomicoses
Descrevo de seguida as formas mais comuns de onicomicose e uma imagem para apoiar a distinguir a diferença.
1. Onicomicose subungueal distal
É de longe a forma mais comum e caracteriza-se pela infecção da ponta da unha. O dedo grande do pé é geralmente o primeiro a ser afetado. A infecção começa com uma descoloração esbranquiçada, amarelada ou acastanhada numa das pontas laterais da unha, estendendo-se lentamente por toda unha, em direção à cutícula. A unha pode descolar-se e a ponta costuma partir-se e cair, expondo a pele que serve de leito para a unha.
2. onicomicose subungueal proximal
É a forma menos comum de onicomicose. È parecida com a onicomicose subungueal distal , porém, a progressão ocorre de forma oposta, iniciando-se próxima à cutícula e depois estendendo-se em direção à ponta da unha. Este tipo de micose de unha ocorre geralmente em doentes imunossuprimidos, sendo comum nos indivíduos com HIV.
3. Onicomicose superficial branca
É uma forma comum nas crianças, mas que nos adultos corresponde a apenas 10% dos casos de micose da unha. Caracteriza-se pelo aparecimento de manchas brancas sobre a superfície da unha, geralmente mais próxima da cutícula do que da ponta. Quando não tratada, as manchas tendem a espalhar-se centrifugamente por toda a unha, deixando-a quase toda branca, além de áspera e quebradiça.
Diagnóstico da onicomicose
Lesões idênticas com causas não fungicas
As lesões das unhas da onicomicose podem ser semelhantes ás lesões da unha de outras doenças, como psoríase, eczemas, traumas, líquen plano, deficiência de ferro, etc. A maioria dos estudos atesta que a onicomicose é responsável por apenas metade dos casos de lesões das unhas. Em várias situações não é possível afirmar que o paciente sofre de onicomicose apenas olhando e examinando a unha.
A imagem seguinte descreve alguns problemas das unhas (sem onicomicoses) cujas causas são diversas nomeadamente falta de hidratação, carências orgânicas, excesso de utilização de acetona, má alimentação e contato com produtos químicos.
É, por isso, importante demonstrar de forma clara a presença do fungo antes de se iniciar o tratamento antifúngico. Para tal, o médico deve fazer uma pequena raspagem da unha, colher amostras e enviar para avaliação laboratorial à procura de fungos.
Tratamento qual o melhor
A micose da unha é uma infecção difícil de tratar porque as unhas crescem lentamente e recebem pouca irrigação sanguínea. Durante muitos anos os medicamentos utilizados para o tratamento da onicomicose não eram muito eficazes e os resultados eram frequentemente decepcionantes. Porém, actualmente, os tratamentos melhoraram substancialmente, principalmente por causa da introdução de medicamentos antifúngicos orais mais eficazes.
Estudos recentes mostram que medicamentos por via oral como Terbinafina e Itraconazol, embora mais agressivos (mais efeitos secundários que os tratamentos tópicos) apresentam taxas de cura mais altas que a Griseofulvina e o Cetoconazol, que eram usadas antigamente.
Taxas de cura dos principais antifúngicos orais:
Terbinafina 250 mg (73 a 79%).
Itraconazol 100 mg (56 a 70%).
Griseofulvina (54 a 66%).
Fluconazol (43 a 52%).
O tratamento com Terbinafina com comprimidos por via oral deve ser feito durante 6 semanas para onicomicose das mãos ou 12 semanas para onicomicose dos pés.
O tratamento tópico da micose de unhas com vernizes, como o Ciclopirox, tem menor eficácia que o tratamento por via oral, mas pode ser usado como complemento da terapêutica com Terbinafina ou Itraconazol.
Uma vez curada a micose de unha, se o doente não tiver cuidado a taxa de reinfecção pode chegar a 50%. Portanto, é preciso ter cuidado com os pés para que a unhas não voltem a ficar colonizadas por fungos.
Efeitos secundários
Os tratamentos por via oral são os mais eficazes mas também os mais agressivos no que concerne a eventuais efeitos secundários, principalmente por causa da duração prolongada dos tratamentos.
Retida do folheto aprovado pelo INFARMED (Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de saúde) a longa lista de efeitos secundários da terbinafina que descrevo de seguida é elucidativa dos riscos associados ao tratamento, embora a maioria sejam classificados de pouco frequentes, raros ou muito raros!
Os problemas hepáticos (figado) embora raros são dos que podem causar problemas mais graves.
Efeitos secundários muito frequentes (podem afetar mais de 1 em cada 10 pessoas):
Sensação de enfartamento,
Perda de apetite,
Mal-estar de estômago (indigestão),
Náuseas, dor abdominal ligeira e diarreia,
Reações alérgicas cutâneas, tais como irritação ou urticária,
Dor nas articulações ou nos músculos.
Efeitos secundários Frequentes (podem afetar até 1 em cada 10 pessoas):
Dor de cabeça.
Efeitos secundários pouco frequentes (podem afetar até 1 em cada 100 pessoas):
Perda ou diminuição do sentido do paladar. Isto resolve-se
geralmente dentro de várias semanas depois de ter parado de tomar o medicamento.
Diminuição do consumo de alimentos, levando a uma perda de
peso significativa em casos graves muito raros.
Efeitos secundários raros (podem afetar até 1 em cada 1000 pessoas):
Dormência ou formigamento
Diminuição da sensibilidade
Tontura
Problemas de fígado.
Efeitos secundários muito raros (podem afetar até 1 em cada 10.000 pessoas):
Problemas de fígado graves,
Reações cutâneas graves (com aparecimento súbito, que
podem ser recorrentes, que se podem espalhar, que podem aparecer sob a forma de
bolhas salientes, que podem ser acompanhadas de comichão e febre),
Exacerbação da psoríase,
Redução de certos tipos de células sanguíneas (neutropenia, agranulocitose, trombocitopenia),
Perda de pelo,
Fadiga,
Reações de hipersensibilidade graves (inchaço da face, olhos e língua, dificuldade em engolir, náuseas e vómitos, fraqueza, tonturas, dificuldade em respirar) ,
Precipitação e exacerbação do lúpus eritematoso dérmico e
sistémico,
Distúrbio menstrual (hemorragia intermenstrual e um ciclo
irregular) em doentes que tomam terbinafina concomitantemente com contracetivos
orais.
Tratamento tópico com cremes e vernizes
O tratamento por via tópica não é geralmente tão eficaz como o efectuado por via oral. No entanto pode ser uma alternativa quando os efeitos secundários dos antifungicos orais não são bem tolerados pelos doentes.
Principais antifúngicos tópicos
Actualmente os principais antifúngicos tópicos usados nas onicomicoses são:
Acido acético
Ciclopirox
Amorolfina
Clotrimazol (apenas depois de removida a parte da unha doente)
Tratamento por via tópica
1ª fase – Remoção da zona infectada da unha
Remover a zona infectada da unha é a 1ª fase para o tratamento da onicomicose. Esta remoção tópica é geralmente executada limando a unha ou aplicando uma pomada de ureia. A aplicação de uma pomada de ureia a 40% amolece e prepara a unha para a remoção da zona afectada com uma espátula própria, sem causar dor.
2ª fase – aplicação de um antifúngico local
Na 2ª fase, o tratamento deve ser completado com um creme antifúngico, de forma a eliminar a infecção na sua origem. A remoção da zona infectada da unha é fundamental para uma acção eficaz do creme antifúngico.
Resumindo as fases do tratamento:
Tratamento em 2 fases que garantem a eliminação da onicomicose;
Remoção da zona infectada da unha de uma forma simples e indolor, preparando-a para a 2º fase do tratamento, que consiste na aplicação de um creme antifúngico;
Melhorias visíveis diariamente.
Prevenção da micose e fungo na unha
A onicomicose pode causar dor, embaraço e interferir com as nossas actividades diárias, reduzindo a nossa qualidade de vida.
Trata-se de uma doença contagiosa, que pode também funcionar como porta de entrada a outro tipo de infecções (ex. bacterianas). Deste modo, é importante iniciar o tratamento logo que detectado o problema, assim como adoptar medidas preventivas de forma a evitar o contágio.
Evitar o contágio do fungo na unha
Use calçado confortável sem saltos ou pontas estreitas e que deixe a pele respirar;
Use meias limpas e troque-as diariamente;
Em caso de infecção, ao vestir-se, calce primeiro as meias para evitar a propagação dos fungos a outras partes do corpo.
Lave os pés diariamente e seque com cuidado a zona entre os dedos;
Utilize chinelos nos balneários públicos;
Não partilhe toalhas ou tapetes de banho;
Corte as unhas e mantenha-as curtas.
Utilize um corta-unhas diferente para as unhas infectadas, de modo a evitar a infecção de outras unhas;
Se tiver Pé-de-Atleta, deve tratá-lo sempre, de forma a evitar que os fungos contagiem as unhas, causando a onicomicose.
Concluindo
As micoses das unhas são infecções fúngicas comuns e contagiosas que embora não sejam graves são portas de entrada para outros microorganismos patogénicos, tais como bactérias, que podem causar infecções secundárias mais severas e agravar problemas de saúde pré-existentes. Devem portanto ser tratadas de imediato porque na primeira oportunidade que o nosso sistema imunitário esteja mais debilitado podem ocorrer infecções sem causa aparente mas que podem ter ocorrido em consequência da porta aberta pela onicomicose!
Urticária alérgica causas, sintomas, alimentos mais reativos, tratamento e quanto tempo dura, tudo o que não sabe! O que é uma alergia? E uma urticária? Qual a ligação entre alergia e urticária? Neste artigo vamos desenvolver as respostas sobre a urticária.
Neste artigo vou tratar os seguintes temas:
Anatomia da pele
Alergia o que é?
Urticária o que é?
Urticária é contagiosa?
Ligação entre alergia e urticária
Mecanismo de ação da urticária
Tipos de urticária existentes
Urticária aguda
Urticária crónica
Urticárias físicas
Tipos especiais de urticária
Como se faz o diagnóstico?
Como evitar a urticária?
Alimentos e aditivos comuns que podem provocar urticária
Medicamentos mais usados na urticária
Anti-histamínicos, corticoides e outros medicamentos
Antes de mais é sempre útil saber como é constituída a anatomia da nossa pele. Clique nas imagens para ampliar:
Alergia, o que é?
Uma alergia é uma reação de hipersensibilidade, a estímulos externos, mediada pelo sistema imunitário, nomeadamente um tipo de anticorpo com uma importância central em todas as doenças alérgicas, designado imunoglobulina E (IgE).
Urticária o que é?
A urticária não é uma doença mas sim uma síndroma comum, com lesões cutâneas afetando todas as faixas etárias, estimando-se que cerca de 20 a 30% da população, em algum momento da sua vida, tenha pelo menos um episódio de urticária. É caracterizada pelo rápido aparecimento de pápulas (lesões cutâneas ligeiramente elevadas em relação à pele sã), eritematosas (avermelhadas) algumas vezes esbranquiçadas na parte central, acompanhadas de prurido (comichão) ou por vezes sensação de queimadura, desaparecendo por breves segundos após pressão. Estas lesões desaparecem espontaneamente ou com terapêutica anti-histamínica, sem pigmentação residual num período de 24 horas podendo no entanto voltar a aparecer.
Em alguns casos, o edema da derme profunda e sub-cutis pode ser tão importante que dá origem ao aparecimento de angioedema (inchaço), por vezes doloroso em alternativa a pruriginoso, com envolvimento frequente das mucosas, sendo a resolução mais lenta comparativamente à da urticária (até 72 horas).
Decididamente não é contagiosa. Podemos tocar, conviver e estar no mesmo ambiente de doentes com urticária sem nenhum risco de transmissão da doença.
Alergia e urticária, qual a ligação?
Algumas alergias podem provocar sintomas cutâneos com o aparecimento de urticária. São exemplos algumas alergias a alimentos e medicamentos ou seja a urticária é em alguns casos uma consequência da alergia. No entanto tal como vamos descrever neste artigo, existem inúmeras outras causas de urticária que não são do foro alérgico, como por exemplo causas inflamatórias e infeciosas.
Mecanismo da urticária
Após processo de ativação dos mastócitos, pelo alergénio a que o indivíduo está sensibilizado, ou por outros mecanismos de natureza não alérgica, estas células existentes na pele e mucosas, libertam:
Histamina,
Citocinas.
Outros mediadores da inflamação.
Este processo dá início a uma série de alterações bioquímicas e intervenções celulares que culminam com o aparecimento e manutenção das lesões de urticária.
Causas e tipos de urticárias
De seguida descrevemos a classificação dos diferentes tipos que são muito mais diversos do que a maioria das pessoas julga, a saber:
a) Com aparecimento espontâneo de pápulas
b) Físicas
c) Especiais
Urticária com aparecimento espontâneo de pápulas
Aguda
Crónica
1. Urticária aguda– duração inferior a 6 semanas. Mais frequente em doentes com doenças atópicas como rinite, asma ou eczema atópico, e nas crianças e adultos jovens. São provocadas principalmente por:
Reações a medicamentos (alérgicas ou pseudoalérgicas).
2. Urticária crónica – duração superior a 6 semanas, podendo estender-se em aproximadamente 50% dos casos até 6 meses, ou mesmo ter uma duração superior a 10 anos (20% dos casos). Afeta principalmente o sexo feminino, entre os 30 e os 50 anos de idade. As causas principais são:
Reações alérgicas tipo I,
Reações pseudoalérgicas,
Autoimunidade (anticorpos antiFc_RI, anticorpos anti-tiroideus, outras doenças autoimunes),
2a. Urticária crónica contínua– frequência diária ou em quase todos os dias da semana
2b. Urticária crónica recorrente – intervalos livres de dias ou semanas sem sintomas
Urticárias físicas
Dermográfica ou dermografismo
Pressão retardada ou tardia
Contacto ao frio
Contacto ao calor
Solar
Angioedema vibratório
As urticárias físicas embora de natureza crónica, são agrupadas separadamente porque dependem da presença de um factor físico desencadeante e agrupam-se em três tipos, a saber:
1. Urticária dermográfica ou dermatografismo – desencadeada por fricção da pele (aparecimento de pápulas 1 a 5 minutos depois). Afeta principalmente adultos jovens. Duração média 6,5 anos.
2. Urticária de pressão retardada – desencadeada por pressão vertical (aparecimento de pápulas 3 a 8 horas depois). Média de idade de aparecimento é os 30 anos, afetando 2 vezes mais os homens. Duração média 6-9 anos.
3. Urticária de contacto ao frio – desencadeada por ar frio, água ou vento (9 subtipos descritos). Mais frequente em jovens do sexo feminino. Duração média 4,2 anos. Na maioria dos casos, de causa desconhecida embora algumas doenças infeciosas possam estar na origem, tais como:
1. Urticária colinérgica – lesões muito pequenas com halo eritematoso, desencadeadas por breve aumento da temperatura corporal, como por exemplo:
Exercício físico,
Banho quente,
Stress emocional.
Frequente em adultos jovens.
2. Urticária adrenérgica – pequenas lesões eritematosas com halo esbranquiçado, desencadeadas por stress emocional.
3. Urticária de contacto (alérgica ou pseudoalérgica) – nesta há aparecimento de pápulas nos locais em que as substâncias químicas contactam a pele, por exemplo:
Alimentos,
Plantas,
Medicamentos,
Cosméticos,
Químicos industriais,
Produtos animais,
Têxteis.
4. Urticária aquagénica– desencadeada por um alérgeno libertado do estrato córneo da pele, quando em contacto com a água. Cinco vezes mais frequente no sexo feminino, principalmente em adultos jovens.
Um ou mais subtipos de urticária podem coexistir num mesmo doente.
Diagnóstico da urticária
Nas formas agudas, habitualmente, não é necessário qualquer tipo de estudo, uma vez que a relação causa efeito é na maioria das vezes evidente. Na urticária crónica, uma história clínica aprofundada é fundamental para orientar a investigação. O estudo complementar diagnóstico deverá ser direcionado.
Algumas ferramentas orientadas pela suspeição clínica, em muitos casos ajudam ao diagnóstico da urticária crónica. As principais são:
O diário de sintomas,
O registo alimentar,
Testes cutâneos de alergia,
Provas cutâneas específicas do diagnóstico de urticárias físicas,
Teste de soro autólogo,
Estudo laboratorial e imagiológico (radiografia, ecografia),
Provas de provocação com alimentos, medicamentos, ou aditivos alimentares,
Biópsia de pele,
Evitar a urticária mas como?
Algumas medidas podem ser úteis para aliviar o prurido, principalmente à noite: duche tépido e/ou aplicação de loção de calamina ou de creme antipruriginoso. É fundamental a hidratação cutânea com aplicação de emolientes, particularmente nas formas crónicas.
Embora os subtipos de urticária sejam desencadeados por uma grande variedade de fatores, o tratamento da urticária segue alguns princípios básicos, tais como:
Evitar (evicção) ou eliminar os fatores desencadeantes da urticária tais como:
Medicamentos,
Estímulos físicos,
Tratamento de infeções,
Processos inflamatórios crónicos,
Remoção de anticorpos anti-Fc_RI,
Alimentos.
Minimizar os fatores favorecedores de stress e ansiedade.
Alimentos e aditivos que favorecem a libertação de histamina
Os alimentos com maior probabilidade de provocar urticária são:
Atum, bacalhau e crustáceos,
Charcutaria, tal como chouriço e outros enchidos,
Frutos tais como:
banana,
morango,
kiwi,
frutos tropicais quase todos
Frutos secos,
Tomate,
Cogumelos,
Queijos fermentados,
Enlatados,
Pré-cozinhados,
Aromatizantes tais como cacau, baunilha, malte, cola
Especiarias
Edulcorantes, corantes, conservantes e activadores de aroma
Infusões:
café
chá
Gaseificados,
Álcool.
Tratamento e medicamentos mais usados
O tratamento adequado depende da gravidade dos sintomas, história clínica do doente e idade. As classes de medicamentos mais usados são as seguintes:
Anti-histamínicos
Corticosteroides
Anti-leucotrienos
Anti-histamínicos
Anti-histamínicos em monoterapia ou associados. Reservam-se os sedativos para situações clínicas muito particulares e os de aplicação tópica não deverão nunca ser utilizados pois agravam a urticária, por exemplo:
Dimetindeno (Fenistil®)
Difenidramina (Caladryl®)
A urticária provoca lesões cutâneas muitas vezes extensas que podem ser “portas de entrada” para absorção sistémica de anti-histamínicos de aplicação tópica. Estes anti-histamínicos são formulados para atuarem apenas localmente porque geralmente são moléculas da primeira geração de anti-histaminicos e portanto com mais efeitos secundários sistémicos que os seus “parentes” de 2ª geração, nomeadamente atuando sobre o sistema nervoso central e provocando acentuada sonolência.
De seguida descrevo os anti-histamínicos mais usados na urticária e as respetivas dosagens diárias para um adulto com peso normal
Os anti-histamínicos clássicos mais usados, tomam-se em regra, de 8 em 8 horas, por via oral, e são os seguintes:
Dexclorferinamina (Polaramine®) , 2mg/6-8h,
Hidroxicina (Atarax®), 25mg/8h.
Nota: Em Portugal existe um xarope chamado Sinerbe® que é uma associação de Dexclorferinamina (anti-histamínico) + Pseudoefedrina (descongestinante) + Guaiafenesina (fluidificante da expectoração) mas que naturalmente é utilizado apenas nos quadros clínicos com sintomas respiratórios, nomeadamente quando existe simultaneamente congestão nasal com tosse produtiva.
Os anti-histamínicos de 2ª geração mais utilizados, tomam-se em regra, uma vez por dia, por via oral, e são os seguintes:
Loratadina (Claritine®), 10mg/dia;
Desloratadina (Aerius®), 5mg/dia;
Fexofenadina (Telfast®), 180mg/dia;
Cetirizina (Zyrtec®), 10mg/dia;
Levocetirizina (Xyzal®), 5mg/dia;
Mizolastina (Mizolen®), 10mg/dia;
Rupatadina (Rinialer®), 10mg/dia;
Ebastina (Kestine®), 10mg/dia;
Bilastina (Lergonix®, Bilaxten®), 10mg/dia.
Nota: A Bilastina (Lergonis® e Bilaxten®) é o anti-histamínico mais recente disponível no mercado, em Portugal.
Em Portugal os anti-histamínicos genéricos (menor preço) mais utilizados e disponíveis são os seguintes:
Desloratadina,
Cetirizina,
Levocetirizina,
Loratadina,
Ebastina.
Corticosteroides
Corticosteróides sistémicos injetáveis ou administrados por via oral em situações excepcionais, mas sempre acompanhados por terapêutica subsequente com anti-histamínicos em períodos prolongados para controlo clínico sustentado. Os corticoides mais utlizados são:
Prednisolona (Lepicortinolo®)
Prednisona
Anti-leucotrienos
Anti-leucotrienos representam em alguns doentes um benefício adicional, por exemplo:
Montelucaste (Singulair®), 10mg/dia, também disponivel em genérico.
Outros tratamentos
Outros tratamentos poderão ser utilizados em alguns casos particulares mas sempre submetidos a estreita vigilância clínica. Os exemplos mais comuns são:
Imunoglobulinas endovenosas,
Salazopirina,
Ciclosporina A,
Dapsona,
PUVA
Concluindo
A urticária é uma patologia muito comum pois estima-se que 80% das pessoas a desenvolvam pelo menos uma vez na vida. Algumas crises de urticária são mais agressivas ou prolongadas prejudicando de forma significativa a qualidade de vida dos doentes. As lesões em zonas expostas podem ter um aspeto “assustador e contagioso” podendo levar algumas pessoas a sentirem-se socialmente mais inibidas nomeadamente nas situações desencadeadas por stress emocional. Conheça-se melhor a si própria e identifique os fatores que particularmente lhe provocam uma reação de urticária. Evitar os fatores desencadeantes é o melhor remédio!
Fibromialgia qual o melhor tratamento, pontos de dor, sintomas e estigmas sociais. Quais os sinais? Quais as causas e fatores de risco? Quais os tratamentos mais eficazes? Que hábitos diários podem ajudar a melhorar? O que nunca deve comer? Porque são muitas vezes mal interpretados os doentes pela sociedade? Por desconhecimento da realidade clínica, muitas vezes as doentes são “rotuladas” de preguiçosas pelos colegas de trabalho e até por algumas pessoas de família… o que é psicologicamente muito duro de aceitar!
A fibromialgia é um síndrome crónico caracterizado por queixas dolorosas neuromusculares difusas e pela presença de pontos dolorosos em regiões anatomicamente determinadas. A fibromialgia é uma das doenças reumáticas com maior incidência na atualidade. É uma doença crónica invisível, sobre a qual ainda há muito por saber. A fibromialgia não tem tratamento específico e é capaz de provocar dores intensas, no entanto mantém-se até hoje num relativo anonimato, ao qual não será alheio o facto de apenas ter sido reconhecida como doença pela Organização Mundial de Saúde no final da década de 1970.
Prevalência
Estima-se que atinja entre 2 e 8% da população adulta global e ainda que esteja em clara expansão.
Fibromialgia qual a história desta doença?
Já Hipócrates descreve a dor músculo-esquelética difusa. Os principais pontos históricos da doença, por ordem cronológica, são os seguintes:
1824, Balfour faz a associação entre reumatismo e pontos dolorosos;
1880, Beard classifica como Mielastenia um síndrome com as características da Fibromialgia;
No início do séc xx, Growers introduz o termo “Fibrosite”por supor (algo nunca comprovado), que se trataria de alterações fibromusculares;
1972, Moldofsky identifica as perturbações do sono Nrem;
1977, Smythe e Moldofsky associam a presença de dor crónica e generalizada com pontos dolorosos em locais previsíveis e sono não reparador;
1990, o Colégio Americano de Reumatologia define os critérios de diagnóstico ainda agora utilizados.
Causas fisiopatológicas
Especula-se, ainda, acerca da origem da doença. Sabe-se que os doentes de fibromialgia apresentam:
Diminuição de serotonina e ácido 5 – Hidroxindolacético no LCR (líquido cefalorraquidiano) e no plasma;
Elevação da substância P no LCR (líquido cefalorraquidiano);
Hipovascularização de algumas regiões cerebrais;
Alterações no EEG (eletroencefalograma) de sono noturno, na fase NREM (fase de sono profundo onde ocorrem os sonhos);
Hipertonia simpática,
Alterações da memória recente.
Existem ainda outras alterações, mas todas elas são comuns a outras patologias. O mais provável é que seja uma causa multifatorial.
Fatores de risco
Embora não sejam conhecidas, com rigor, as causas da fibromialgia, sabe-se que as mulheres são quase 10 vezes mais afetadas que os homens. Na verdade, 80 a 90% dos casos diagnosticados são de mulheres com idades compreendidas entre os 30 e os 50 anos. Supõe-se, por outro lado, que o desenvolvimento da doença também possa ser influenciado por fatores como:
O sintoma predominante da fibromialgia é a dor muscular. Surgindo, na maior parte dos casos, de forma generalizada mas centrando-se posteriormente em regiões específicas, como o pescoço ou a região lombar, esta assemelha-se a um ardor intenso e muitas vezes debilitante. Pode, no entanto, fazer-se acompanhar por outros sintomas, como:
Perturbações de sono, presentes em cerca de 70% dos doentes, piorando as dores nos dias que dormem pior. Os registos eletroencefalográficos podem apresentar alterações relacionadas com as perturbações do sono.
Fadiga constante, que se mantém durante quase todo o dia com pouca tolerância ao esforço físico. Quando o sintoma dominante é a fadiga a doença tem sido designada por Síndroma da Fadiga Crónica;
Os sintomas podem, no entanto, variar em intensidade e até mesmo desaparecer e reaparecer de forma esporádica, consoante a hora e o dia, os níveis de stresse e ansiedade ou as mudanças de temperatura. Também podem ser agravados com a atividade física exagerada ou desequilibrada.
Há relatos de casos de fibromialgia que começam depois de uma infeção bacteriana ou viral, um traumatismo físico ou psicológico.
Existem estudos que mostram que pessoas com esta doença, apresentam alterações nos níveis de algumas substâncias importantes, particularmente:
Dor crónica generalizada, com evolução de, pelo menos, 3 meses, abrangendo a parte superior e inferior do corpo, lado direito e esquerdo, assim como o esquerdo axial.
Dor à pressão, em, pelo menos, 11 de 18 pontos predefinidos, a saber:
Ponto occipital – Bilateral, nas inserções do músculo sub-occipital.
Ponto cervical inferior – Bilateral, na face anterior dos espaços intertransversários de C5 e C7
Ponto trapézio – Bilateral, no ponto médio do bordo superior do músculo.
Ponto supra espinhoso – Bilateral, na origem do músculo acima da espinha da omoplata, junto do bordo interno.
Ponto 2ª costela – Bilateral, na junção costo-condral da 2ª costela, imediatamente para fora da junção e na face superior.
Ponto epicôndilo – Bilateral, 2 cm externamente ao epicôndilo.
Ponto glúteo – Bilateral, no quadrante superior externo da nádega, no folheto anterior do músculo.
Ponto grande trocanter – Bilateral, posterior à proeminência trocantérica.
Ponto Joelho – Bilateral, na almofada adiposa interna, acima da interlinha articular.
Pontos dolorosos
Os pontos dolorosos não são de dor espontânea.
A sua pesquisa deve ser efetuada com uma pressão digital de 4kg.
A dor não deve irradiar.
Manifestações Características
Fadiga crónica,
Sono não reparador,
Parestesias,
Rigidez (sobretudo matinal),
Edema subjetivo,
Cefaleias,
Síndroma de colon irritável,
Fenómeno de Raynaud,
Depressão/ansiedade,
Hipersensibilidade generalizada à pressão e mudanças de temperatura ( tipo síndroma gripal).
O diagnóstico é exclusivamente clínico, não existindo exames subsidiários caracteristicamente positivos na fibromialgia.
Doenças e diagnósticos diferenciais
Tendo em consideração que os sintomas de fibromialgia são comuns a outras doenças que têm tratamento diferente, sendo que algumas são potencialmente graves em termos de sobrevida, é necessário descartar ou confirmar, previamente, de forma clara a presença, simultânea ou não, das seguintes doenças:
Artrite reumatoide;
Lupus eritematoso sistémico;
Espondilite anquilosante;
Polimiosite;
Síndroma de Sjörgen;
Polimialgia reumática;
Osteomalacia ;
Osteoporose;
Doença vertebral degenerativa;
Síndroma de dor miofascial;
Hipotiroidismo;
Hipertiroidismo;
Hiperparatiroidismo;
Síndrome paraneoplásico;
Miopatia metabólica;
Metastização tumoral;
Mieloma múltiplo,
Polineuropatias;
Doença de Parkinson;
Sarcoidose;
Infeções víricas;
Neuroses;
Psicoses;
Ansiedade;
Depressão.
Qualquer destas patologias pode coexistir com a Fibromialgia.
Tratar a fibromialgia
Ainda não é conhecida cura para a fibromialgia e também ainda não existe nenhum fármaco específico para a doença. Existem, no entanto, medicamentos e técnicas que podem ajudar a aliviar os sintomas, principalmente as dores, a saber:
Analgésicos;
Relaxantes musculares;
Antidepressivos;
Massagens;
Técnicas de relaxamento.
Tratamento qual o melhor?
O primeiro passo é acreditarmos no sofrimento do doente! Seguidamente, envolver o doente no seu tratamento. Cada sujeito ativo compreendendo e colaborando na responsabilidade do Sucesso / Insucesso.
Deve frisar-se que se trata de uma doença crónica e que o tratamento visa, não a ausência de sintomas, mas o seu controlo. Também teremos que estar preparados para Adaptar os esquemas terapêuticos à evolução das queixas. O tratamento é sempre individual.
Tratamento Farmacológico
O tratamento farmacológico inclui os seguintes medicamentos:
Amitriptilina, em doses baixas ( 10mg – 25mg/ dia),
Fluoxetina (antidepressivo),
Diazepam e outros mio relaxantes (relaxantes musculares),
Ansiolíticos,
Indutores do sono,
Antiepiléticos, (topiramato em doses até 75mg/dia tem-se mostrado útil),
Analgésicos como o paracetamol, com e sem codeína, os salicilatos, o tramadol, revelam alguma eficácia.
Os corticosteroides, devido aos efeitos secundários e à quase ineficácia, são de evitar!
Tratamento Psiquiátrico
O apoio psiquiátrico nunca deve ser descurado, sempre que se revele necessário, sob a orientação de médico psiquiatra com experiência em dor.
Psicoterapia Coadjuvante
Particularmente útil nas áreas Cognitiva / Comportamental:
Aprender a viver com a doença e aceitar as suas limitações, assim como aprender a lidar com o stress.
Técnicas de Bio Feedback têm-se mostrado úteis.
Fisioterapia é possível
Sim mas apenas quando individualizada e efetivada por técnicos com experiência nestes doentes.
Exercício Físico adequado
Fundamental, o exercício físico mais indicado é adaptado às condições do doente. Aconselha-se, essencialmente:
Caminhada,
Natação (sem grande esforço), em ambientes agradáveis e tépidos.
É importante não descurar o Exercício Físico, porque a inação para que tendem os doentes de Dor Crónica, acarreta consequências psíquicas e físicas como:
Depressão,
Obesidade,
Atrofia Muscular,
Osteoporose,
Artralgias,
Estas são situações que acabam também e por si só, gerar doença.
Alimentação faz toda a diferença
Não existem dúvidas que a alimentação pode ter uma influência extraordinária na evolução e sintomatologia da doença. Cada doente deve tentar identificar principalmente os alimentos que fazem piorar a sua condição de saúde.
No geral deve evitar todos os alimentos fabricados e embalados pois quase sempre tem aditivos alimentares artificiais e teores de açúcar demasiado elevados.
Entre os mais importantes vale a pena estar atento e se necessário eliminar da alimentação diária os seguintes:
Aditivos alimentares artificiais como o Glutamato monossódico (MSG) e o Aspartame
Glúten
Açúcares
Enchidos
Alimentos fritos que contêm gorduras saturadas de má qualidade
Álcool
Também o excesso de peso parece piorar sempre os sintomas dolorosos associados à fibromialgia.
Nutrição e estudos sobre fibromialgia
Os seguintes estudos alertam para a importância do cuidado alimentar para mitigar os sintomas da fibromialgia, a saber:
Adaptar o seu estilo de vida aos sintomas da doença é essencial para uma melhor qualidade de vida. Assim deve tentar aplicar os seguintes hábitos diários:
Evite o stress;
Pratique exercício físico (com um programa adaptado às suas capacidades);
Como em qualquer outra doença dolorosa crónica e tendencialmente incapacitante, estes doentes apresentam-se muito queixosos, com níveis de autoestima baixos, angustiados, revoltados, não compreendidos e uma história de grande dificuldade em gerir a sua vida familiar, laboral e social.
Família do doente como reage?
A família é um fator primordial, para o melhor e para o pior, na evolução destes doentes. Muitas vezes não colabora, acusando o doente de “preguiçoso”, “piegas” ou “desequilibrado” emocionalmente. Normalmente, após elucidado, o agregado familiar passa a colaborar, sendo de grande importância, pelo suporte que pode dar ao doente. Por vezes, a própria família precisa de Apoio.
Local de trabalho o que acontece?
Devido às características da doença, a produtividade diminui, o que, muitas vezes, acarreta acusações dos colegas e superiores hierárquicos, criando um meio hostil. Devem-se diminuir os níveis de stress do doente, respeitando os seus Ritmos de trabalho e/ou mudando de Atividade profissional.
Sociedade como são tratados os doentes?
Normalmente, a incapacidade inerente à doença implica uma marcada diminuição da quantidade e qualidade da Vida Social destes doentes, assim como um aumento de gastos com o consumo de Serviços de Saúde e da Segurança Social, com faltas ao trabalho e reformas precoces.
O Estado português ainda não facilita a estes doentes os direitos que lhes deveriam ser atribuídos, de acordo com o reconhecimento da patologia já existente, revelando-se duplamente penalizante para o doente e agregado familiar.
Concluindo
Se suspeita que pode sofrer de fibromialgia, consulte o seu médico assistente ou o seu reumatologista. O diagnóstico faz-se quando a dor existe por mais de três meses em pelo menos 11 de 18 pontos específicos do corpo. Entretanto, realizam-se exames para excluir outras doenças que possam causar as queixas.
Se, infelizmente, já é um doente fibromialgico então não se acomode, adote um estilo de vida saudável com exercício físico e alimentação adequados. Vá ao médico acompanhado por alguém da sua família para que esta fique bem informada sobre a doença e possa dispensar-lhe o apoio positivo que é essencial para evitar outras perturbações psicológicas muitas vezes associadas à doença.
Chás, infusões e tisanas qual a influência das infusões e do chá na atividade terapêutica dos medicamentos? Quais as principais interações medicamentosas e efeitos adversos das infusões e chás? Qual a diferença entre chá, infusão e tisana?
Neste artigo vou descrever os principais chás, infusões e tisanas, quais as suas propriedades e interações medicamentosas. A lista de infusões ordenada alfabeticamente com os nomes científicos das plantas entre parênteses, para que possas já identificar a tua infusão habitual, é descrita de seguida:
Ashwagandha (Withania somnifera)
Barbas de Milho (Zea mays)
Camomila (Matricaria chamomilla ou Chamaemelum nobile)
Canela – Cinnamomum verum (canela-do-ceilão) ou Cinnamomum cassia (canela-cássia)
Carqueja (Baccharis trimera)
Cavalinha (Equisetum arvense)
Cidreira (Melissa officinalis)
Cogumelo juba-de-leão (Hericium erinaceus)
Equinácea (Echinacea purpurea, Echinacea angustifolia ou Echinacea pallida)
Erva-doce (Foeniculum vulgare)
Erva de São Roberto (Geranium robertianum)
Flor de Laranjeira (Citrus aurantium)
Flor de Tília (Tilia cordata ou Tilia platyphyllos)
Frutos Vermelhos (diversas espécies, geralmente Rubus idaeus ou Vaccinium spp.)
Pau d’Arco (Tabebuia impetiginosa ou Handroanthus impetiginosus)
Pés de Cereja (Prunus avium)
Quebra-Pedra (Phyllanthus niruri)
Sene (Cassia angustifolia)
Lista de chás referidos no artigo:
Chá verde (Camellia sinensis)
Chá preto (Camellia sinensis)
Chá branco (Camellia sinensis)
Chá Oolong (Camellia sinensis)
Chá de matcha (Camellia sinensis)
Chá imperial (mistura de Camellia sinensis com outras plantas)
Neste artigo vou tratar os seguintes temas:
Diferença entre chá, infusão e tisana
Plantas mais usadas
Propriedades terapêuticas
Interações com medicamentos
Melhores combinações de plantas para potenciar efeito terapêutico
Relaxamento e insónia (melhor tisana)
Digestão e alívio de cólicas (melhor tisana)
Imunidade melhorada (melhor tisana)
Desintoxicação e retenção de líquidos (melhor tisana)
Stress e ansiedade (melhor tisana)
Problemas renais e cálculos no rim ou pedra no rim (melhor tisana)
Resfriados e tosse (melhor tisana)
Obstipação ou intestino preso (melhor tisana)
Forma de preparação das tisanas
As cinco grandes mentiras sobre saúde
Chás infusões e tisanas qual a diferença?
Embora muitas pessoas acreditem ser a mesma coisa, grande parte das bebidas quentes a que chamamos chá são, na verdade, infusões. Os chás são bebidas feitas a partir de uma única planta, a Camellia sinenses, também conhecida como “Chá-da-Índia”. Assim, bebidas preparadas a partir de outras plantas como cidreira, camomila, erva doce, melissa ou especiarias, são classificadas como infusões.
Com a planta Camellia sinenses, é possível preparar uma enorme variedade de chás, que variam de acordo com o cultivo, nível de fermentação, coleta e preparação das folhas. No geral, os diversos tipos podem ser divididos em quatro grupos:
Chá oolong, de fermentação mediana com sabor intermediário;
Chá verde, levemente fermentado e com sabor suave;
Chá branco: produzido a partir de folhas jovens e tenras, não fermentado.
Já a infusão é o nome do processo que utiliza água fervente numa substância para extrair os seus princípios ativos e medicinais. Por exemplo, o denominado chá de camomila é na verdade uma infusão.
Chá
Origem: O chá propriamente dito vem da planta Camellia sinensis. As variedades de chá (preto, verde, branco, oolong) são todas derivadas dessa planta, com diferenças no processamento e oxidação das folhas.
Cafeína: O chá contém cafeína, com níveis que variam dependendo do tipo e do tempo de infusão.
Benefícios: Cada tipo de chá oferece diferentes benefícios para a saúde, como antioxidantes, que ajudam na prevenção de doenças.
Infusão
Origem: As infusões são feitas com uma variedade de plantas, ervas, flores, frutas e especiarias que não vêm da Camellia sinensis. Exemplos incluem camomila, hortelã, erva-cidreira, erva-doce e hibisco.
Cafeína: Geralmente, infusões não contêm cafeína, tornando-as uma boa opção para quem quer evitar esse estimulante.
Benefícios: Dependem dos ingredientes usados. Por exemplo, a camomila é conhecida por suas propriedades calmantes, enquanto a hortelã pode ajudar na digestão.
Preparação
Tanto chás quanto infusões são preparados com a imersão das folhas ou partes das plantas em água quente. No entanto, a temperatura da água e o tempo de infusão podem variar dependendo da planta para otimizar o sabor e as propriedades da bebida.
Em resumo, o chá vem exclusivamente da Camellia sinensis e pode conter cafeína, enquanto as infusões são mais diversificadas em termos de ingredientes e geralmente não contêm cafeína.
Tisanas
As tisanas são preparações feitas à base de ervas, flores, folhas, raízes, cascas ou frutos de plantas, geralmente preparadas através de infusão, decocção ou macerado em água quente ou fria. O termo é frequentemente usado como sinónimo de infusões, mas pode ter um significado mais amplo, englobando diferentes métodos de extração dos princípios ativos das plantas.
Características das Tisanas:
Sem cafeína – Ao contrário do chá (que vem da planta Camellia sinensis), as tisanas não contêm cafeína, tornando-as uma opção mais relaxante e versátil.
Diversidade de ingredientes – Podem incluir ervas medicinais (como camomila, hortelã), frutas secas, especiarias (como canela) e até flores (como hibisco ou lavanda).
Uso terapêutico – Muitas tisanas são utilizadas na medicina natural para tratar ou aliviar condições como ansiedade, insónia, problemas digestivos, resfriados e inflamações.
Preparação variada
Infusão – Para partes delicadas como folhas e flores.
Decocção – Para partes mais duras, como raízes e cascas.
Macerado – Deixar os ingredientes em água fria por horas (ideal para extrair certos compostos sensíveis ao calor).
Exemplos de Tisanas
Calmantes: Camomila, erva-cidreira, flor de laranjeira.
Digestivas: Hortelã, gengibre, erva-doce.
Diuréticas: Cavalinha, hibisco, barbas de milho.
Imunológicas: Pau d’arco, equinácea, gengibre com limão.
Benefício principal
As tisanas são altamente personalizáveis, podendo ser misturadas de acordo com o gosto ou a necessidade terapêutica de cada pessoa. Assim, as tisanas representam uma prática tradicional e natural de cuidado com a saúde e bem-estar.
Chás infusões e tisanas propriedades e efeitos adversos
Propriedades terapêuticas e interações com medicamentos
De seguida descrevo as propriedade medicinais mais relevantes e as interações medicamentosas mais perigosas.
O chá verde, rico em catequinas com forte ação antioxidante, pode interferir na eficácia de anticoagulantes, elevando o risco de formação de coágulos sanguíneos.
Anticoagulantes: Pode aumentar o risco de sangramentos devido à presença de vitamina K (especialmente chá verde).
Medicamentos para ansiedade e insónia: Pode aumentar os efeitos adversos devido à cafeína.
Infusões
Descrevo de seguida as principais infusões com efeitos medicinais, respetivas propriedades terapêuticas e interações medicamentosas.
Camomila
Camomila propriedades e efeitos adversos
Propriedades: Calmante, anti-inflamatório, auxilia na digestão.
Interações com medicamentos :
A camomila, conhecida pelas suas propriedades digestivas e sedativas, pode potencializar os efeitos de anticoagulantes orais, aumentando o risco de hemorragias. Além disso, em doses elevadas, pode causar paralisia dos músculos lisos do aparelho digestivo, útero e bexiga.
Anticoagulantes/antiplaquetários: Pode aumentar o risco de sangramento.
Sedativos: Pode intensificar o efeito sedativo.
Antidepressivos: Pode potencializar os efeitos de medicamentos como os inibidores da MAO.
Cidreira
Cidreira propriedades e efeitos adversos
Propriedades: Calmante, melhora a digestão, alivia ansiedade.
Interações com medicamentos :
A Cidreira com o sedativo pentobarbital, potencializa o efeito do medicamento. Não é recomendado para hipotensos (pressão baixa).
Sedativos: Pode intensificar o efeito sedativo.
Tiróide: Pode interferir no funcionamento da tiróide em doses elevadas.
Flor de Tília
Tília propriedades e efeitos adversos
Propriedades: Calmante, diurético leve, ajuda na insónia, ansiedade e problemas respiratórios (tosse e resfriados).
Interações com medicamentos :
Sedativos – Pode intensificar o efeito sedativo.
Diuréticos – Pode aumentar o efeito diurético.
Limão
Limão propriedades e efeitos adversos
Propriedades: Refrescante, antioxidante, auxilia na digestão.
Interações com medicamentos:
Medicamentos para pressão arterial: Pode potencializar o efeito anti-hipertensivo.
Antiácidos: Pode alterar a absorção.
Sene
Sene propriedades e efeitos adversos
Propriedades: Laxante poderoso, usado para tratar obstipação.
Interações com medicamentos :
Laxantes: Pode causar perda excessiva de eletrólitos se usado com outros laxantes.
Diuréticos: Pode aumentar o risco de desequilíbrio eletrolítico.
Medicamentos cardíacos: Pode interferir devido à perda de potássio, afetando o funcionamento cardíaco.
A erva-de-São-João, frequentemente utilizada para tratar sintomas de depressão leve, pode interagir com antidepressivos, como a sertralina, levando a efeitos colaterais como sedação excessiva e depressão do sistema nervoso central.
Antidepressivos: Pode causar síndrome serotoninérgica se combinado.
Anticoncepcionais: Pode reduzir a eficácia.
Anticoagulantes: Pode diminuir a eficácia.
Imunossupressores: Pode reduzir a eficácia de medicamentos como a ciclosporina.
O chá de gengibre, embora popular por causa das suas propriedades anti-inflamatórias, pode aumentar o risco de sangramento quando consumido em grandes quantidades juntamente com anticoagulantes.
Anticoagulantes/antiplaquetários: Pode aumentar o risco de sangramento.
Hipoglicemiantes: Pode potencializar o efeito, causando hipoglicemia.
Jasmim
Jasmin propriedades e efeitos adversos
Propriedades: Relaxante, melhora o humor, antioxidante.
Interações com medicamentos : Pode potencializar o efeito de sedativos e ansiolíticos.
Anticoagulantes/antiplaquetários: Pode aumentar o risco de sangramento.
Diuréticos: Pode potencializar o efeito diurético.
Frutos Vermelhos
Frutos vermelhos framboesas propriedades e efeitos adversos
Propriedades: Antioxidante, anti-inflamatório, fortalece o sistema imunológico.
Interações com medicamentos: Geralmente, tem menos interações, mas em quantidades elevadas, pode interferir na absorção de certos medicamentos.
Cavalinha
Cavalinha propriedades e efeitos adversos
Propriedades: Diurético, adstringente, rico em sílica (bom para ossos e unhas), ajuda no tratamento de infeções urinárias e retenção de líquidos.
Interações com medicamentos:
Diuréticos: Pode intensificar o efeito, causando desequilíbrios eletrolíticos.
Antihipertensivos:Pode diminuir excessivamente a pressão arterial.
Lítio: Pode alterar a excreção do lítio, aumentando o risco de efeitos colaterais.
Flor de Laranjeira
lor de laranjeira propriedades e efeitos adversos
Propriedades: Calmante, sedativo leve, ajuda na ansiedade, insônia e problemas digestivos.
Interações com medicamentos :
Sedativos: Pode intensificar o efeito sedativo.
Antidepressivos: Pode interagir com inibidores da MAO (raro, mas possível).
Limonete (Erva-Luísa)
Limonete (Erva -Luísa) propriedades e efeitos adversos
Propriedades: Calmante, digestivo, antioxidante, alivia cólicas e problemas gastrointestinais.
Interações com medicamentos :
Sedativos:Pode potencializar o efeito sedativo.
Medicamentos gastrointestinais: Pode alterar o pH gástrico e interferir na eficácia de alguns medicamentos.
Macela Cabeças
Macela propriedades e efeitos adversos
Propriedades: Anti-inflamatório, calmante, digestivo, ajuda a aliviar dores de estômago e cólicas.
Interações com medicamentos :
Anticoagulantes:Pode aumentar o risco de sangramento.
Medicamentos gastrointestinais: Pode potencializar ou interferir no efeito.
Malvas
Malva propriedades e efeitos adversos
Propriedades: Emoliente, calmante, expetorante, ajuda em problemas respiratórios, digestivos e na inflamação das mucosas.
Interações com medicamentos :
Antidiabéticos: Pode interferir nos níveis de glicose no sangue.
Medicamentos respiratórios: Pode potencializar o efeito mucolítico.
Pau d’Arco
Pau D´’arco propriedades e efeitos adversos
Propriedades: Antifúngico, anti-inflamatório, antioxidante, fortalece o sistema imunológico, usado no tratamento de infeções e doenças crónicas.
Interações com medicamentos :
Anticoagulantes: Pode aumentar o risco de sangramento.
Imunossupressores:Pode reduzir a eficácia.
Antidiabéticos: Pode interferir nos níveis de glicose.
Quebra-Pedra
Quebra-pedra propriedades e efeitos adversos
Propriedades: Diurético, ajuda no tratamento de cálculos renais, anti-inflamatório, protetor hepático.
Interações com medicamentos:
Diuréticos: Pode aumentar o efeito, causando desequilíbrios eletrolíticos.
Antihipertensivos: Pode reduzir excessivamente a pressão arterial.
Medicamentos para diabetes: Pode potencializar a hipoglicemia.
Equinácea
Equinácea propriedades e efeitos adversos
Propriedades:
Fortalece o sistema imunitário;
Previne e trata resfriados e gripes;
Antiviral e antibacteriano;
Anti-inflamatório, útil em infecções respiratórias e problemas de pele.
Interações com medicamentos:
Imunossupressores;
Pode reduzir a eficácia de medicamentos como ciclosporina, tacrolimus e corticosteroides;
Medicamentos para alergias: Pode aumentar o risco de reações alérgicas em pessoas sensíveis;
Anticoagulantes/antiplaquetários: Pode interferir na coagulação, aumentando o risco de hemorragias;
Observação: Não é recomendado para uso prolongado (geralmente até 10-14 dias) ou para pessoas com doenças autoimunes.
Canela
Canela propriedades e efeitos adversos
Propriedades:
Antioxidante;
Anti-inflamatória e antimicrobiana;
Ajuda no controle da glicemia (reduz os níveis de açúcar no sangue);
Estimula a circulação e pode ajudar na digestão.
Interações com medicamentos:
Anticoagulantes (ex.: varfarina);
Pode aumentar o risco de sangramentos, especialmente com o uso de Cinnamomum cassia devido ao alto teor de cumarina;
Medicamentos para diabetes – pode potencializar a redução de glicemia, causando hipoglicemia;
Antibióticos e hepatotóxicos – pode sobrecarregar o fígado em doses elevadas ou prolongadas;
Observação: O consumo em quantidades moderadas é seguro; evite o uso excessivo, especialmente da canela-cássia.
Lavanda
Lavanda propriedades e efeitos adversos
Propriedades
Calmante, sedativa e relaxante;
Ajuda na ansiedade, insônia e tensão nervosa;
Antiespasmódica, útil para aliviar dores musculares e cólicas;
Antisséptica, pode ser usada externamente para pequenas feridas e irritações na pele.
Interações com medicamentos:
Sedativos (ex.: benzodiazepinas, barbitúricos);
Pode intensificar o efeito sedativo, causando sonolência excessiva;
Antidepressivos:Pode potencializar o efeito calmante, o que pode levar à sonolência;
Anticonvulsivantes: Pode interferir na eficácia ou intensificar os efeitos de medicamentos para convulsões;
Observação: Geralmente segura quando consumida em doses moderadas. Evitar o uso excessivo em crianças pequenas e mulheres grávidas sem orientação.
Carqueja
Carqueja propriedades e efeitos adversos
Propriedades:
Digestiva;
Hepatoprotetora (auxilia na proteção e desintoxicação do fígado);
Diurética (ajuda na eliminação de líquidos e no funcionamento renal).
Anti-inflamatória e antioxidante;
Ajuda a reduzir os níveis de glicose no sangue e é utilizada tradicionalmente no controle da diabetes.
Interações com medicamentos:
A Carqueja potencia o efeito do lítio (usado em medicamentos que controlam a depressão);
Medicamentos para diabetes: Pode potencializar a redução da glicose, causando hipoglicemia;
Anticoagulantes: Pode aumentar o risco de sangramento devido às suas propriedades circulatórias;
Anti-hipertensivos: Pode intensificar o efeito, levando à hipotensão.
Louro
Louro propriedades e efeitos adversos
Propriedades:
Digestiva (ajuda em casos de má digestão e gases);
Antisséptica;
Antimicrobiana;
Anti-inflamatória, útil para aliviar dores articulares;
Calmante, podendo ajudar em situações de ansiedade leve.
Interações com medicamentos
Sedativos;
Pode aumentar a sonolência quando combinado com medicamentos como benzodiazepinas;
Anticoagulantes: Pode interferir na coagulação, aumentando o risco de hemorragias;
Antidiabéticos: Pode reduzir a glicose no sangue, exigindo monitorização para evitar hipoglicemia.
Ashwagandha
Ashwagandha propriedades e efeitos adversos
Propriedades:
Adaptogénica, ajuda o corpo a lidar com o estresse.
Reduz a ansiedade e melhora a qualidade do sono.
Aumenta a energia, reduzindo o cansaço.
Anti-inflamatória, útil para dores musculares e articulares.
Interações com Medicamentos:
Sedativos: Pode intensificar os efeitos de medicamentos para ansiedade e insónia.
Imunossupressores: Pode interferir, já que estimula o sistema imunológico.
Medicamentos para a tiroide: Pode potencializar o efeito de medicamentos para hipotireoidismo, causando hiperatividade da tiroide.
Observação: Deve ser evitada por grávidas ou lactantes sem orientação médica.
Cogumelo juba-de-leão (Lion’s Mane)
Cogumelo juba-de-leão (Lion´s Mane) propriedades e efeitos adversos
Propriedades:
Neuroprotetora (ajuda a melhorar a memória e a cognição).
Estimula a produção de fator de crescimento nervoso (NGF), auxiliando na regeneração neuronal.
Anti-inflamatória e antioxidante.
Melhora a saúde gastrointestinal.
Interações com Medicamentos:
Antidepressivos: Pode potencializar os efeitos devido à estimulação da regeneração nervosa.
Medicamentos imunossupressores: Pode interferir devido ao efeito estimulante no sistema imunológico.
Anticoagulantes: Pode aumentar o risco de sangramento.
Observação: Geralmente bem tolerado, mas deve ser consumido com precaução em pessoas com condições autoimunes.
Matcha (chá)
Nome Científico:Camellia sinensis (derivado das folhas do chá verde, moídas em pó)
Propriedades:
Rico em antioxidantes (catequinas) que combatem o envelhecimento celular.
Aumenta a energia e a concentração devido ao teor de cafeína e L-teanina.
Auxilia no metabolismo e pode ajudar na perda de peso.
Melhora a função cerebral e é anti-inflamatório.
Interações com Medicamentos:
Estimulantes (ex.: anfetaminas): Pode aumentar a frequência cardíaca e a pressão arterial.
Anticoagulantes: O teor de vitamina K pode reduzir a eficácia de medicamentos como a varfarina.
Antidepressivos: Pode interagir com medicamentos que atuam no sistema nervoso central.
Observação: Evitar o consumo em excesso para prevenir insónia, palpitações ou irritabilidade.
Chá Imperial
Propriedades: Pode variar dependendo da composição, mas geralmente inclui uma mistura de ervas como chá verde, ginseng, jasmim, etc., focando em benefícios como antioxidantes, melhora da energia e da função cerebral.
Interações: Depende dos ingredientes específicos. Pode ter interações semelhantes às do chá verde (cafeína, anticoagulantes) e ginseng (anticoagulantes, estimulantes).
Essas infusões, especialmente as mais potentes como o sene e o barbas de milho, devem ser usadas com cautela, especialmente em combinação com medicamentos. Consultar um profissional de saúde antes de incluí-las na rotina é sempre recomendável para evitar interações adversas.
Tisanas – combinações terapêuticas
Aqui estão algumas sugestões de combinações de tisanas específicas para diferentes finalidades. Cada uma delas é composta por ingredientes que trabalham em sinergia para promover os efeitos desejados:
Relaxamento e Insónia 🌙
Ingredientes:
Camomila (Matricaria chamomilla ou Chamaemelum nobile)
Erva-cidreira (Melissa officinalis)
Flor de laranjeira (Citrus aurantium)
Lavanda (Lavandula angustifolia) (opcional, para aroma e efeito relaxante)
Modo de preparação: Faça uma infusão de 1 colher de chá de cada erva em 250 ml de água quente por 5-7 minutos. Beba antes de dormir.
Digestão e alívio de Cólicas 🍵
Ingredientes:
Hortelã-pimenta (Mentha piperita)
Erva-doce (Foeniculum vulgare)
Gengibre (Zingiber officinale)
Limonete (Aloysia citrodora)
Modo de preparação: Use 1 colher de chá de cada ingrediente em 300 ml de água quente. Deixe em infusão por 5-8 minutos. Pode tomar após as refeições.
Imunidade melhorada 💪
Ingredientes:
Pau d’arco (Tabebuia impetiginosa)
Gengibre (Zingiber officinale)
Hibisco (Hibiscus sabdariffa)
Canela em pau (Cinnamomum verum)
Modo de preparação: Faça uma decocção: ferva 1 colher de chá de pau d’arco e canela por 10 minutos. Retire do fogo, adicione gengibre e hibisco e deixe em infusão por 5 minutos. Coe e beba quente.
Desintoxicação e retenção de líquidos 💧
Ingredientes:
Cavalinha (Equisetum arvense)
Barbas de milho (Zea mays)
Hibisco (Hibiscus sabdariffa)
Pés de cereja (Prunus avium)
Modo de preparação: Faça uma infusão de 1 colher de chá de cada ingrediente em 500 ml de água quente por 8-10 minutos. Beba ao longo do dia.
Stresse e ansiedade 🌼
Ingredientes:
Flor de tília (Tilia cordata)
Jasmim (Jasminum officinale)
Camomila (Matricaria chamomilla)
Limonete (Aloysia citrodora)
Modo de preparação: Use 1 colher de chá de cada erva em 300 ml de água quente. Infusão por 5-7 minutos. Adoce com mel, se desejar.
Problemas renais e cálculos (Pedras nos Rins) 💎
Ingredientes:
Quebra-pedra (Phyllanthus niruri)
Cavalinha (Equisetum arvense)
Barbas de milho (Zea mays)
Modo de preparação: Faça uma infusão de 1 colher de chá de cada erva em 300 ml de água quente por 8 minutos. Tome 2-3 vezes ao dia, conforme orientação médica.
Resfriados e tosse 🤧
Ingredientes:
Gengibre (Zingiber officinale)
Malvas (Malva sylvestris)
Erva-doce (Foeniculum vulgare)
Canela em pau (Cinnamomum verum)
Modo de preparação: Ferva gengibre e canela por 10 minutos. Retire do fogo, adicione malvas e erva-doce, e deixe em infusão por 5 minutos. Beba quente.
Regular o intestino (obstipação) 🌱
Ingredientes:
Sene (Cassia angustifolia) (usar com moderação)
Erva-doce (Foeniculum vulgare)
Hortelã (Mentha spicata)
Modo de preparação: Use 1 colher de chá de cada erva em 300 ml de água quente. Infusão por 5-7 minutos. Tome ocasionalmente, pois o uso contínuo do sene pode causar dependência.
Concluindo
Estas combinações de plantas em chá, infusão ou tisana, devem ser ajustadas ao teu gosto e necessidades terapêuticas, sendo sempre recomendável consultar o médico ou farmacêutico antes de usar ervas para qualquer condição de saúde que te afete, especialmente se está grávida, se tem diagnósticos de doenças graves, se toma algum medicamento importante e/ou é um polimedicado ou seja se toma 4 ou mais medicamentos, para que se analise possíveis interações com as plantas, que tanto podem aumentar como diminuir o efeito terapêutico desses medicamentos.
Piscina e doenças toda a verdade sobre as diversas doenças que pode apanhar na água da piscina! Um dia na piscina a descontrair, nadar e relaxar pode ser magnífico! No entanto se a água das piscinas não estiver bem tratada o dia pode acabar em pesadelo com a “hospedagem” no nosso organismo de vírus, bactérias e parasitas que provocam doenças que podem ser muito perigosas!
A água da piscina é geralmente uma água artificial no sentido em que raramente é usada água captada directamente do mar ou de um rio com água de alta qualidade não poluida. Sendo assim tem de ser cuidadosamente tratada para eliminar inumeros microorganismos como bactérias, vírus, fungos e parasitas patogénicos que estão sempre á espreita de uma oportunidade de se instalarem num hospedeiro humano e conseguirem reproduzir-se mais depressa!
Além disso os tratamentos quimicos aplicados á água da piscina também têm os seus efeitos adversos no organismo humano. Assim descrevo de seguida algumas doenças que, se não tiver cuidado, pode apanhar na sua visita á piscina.
Otite externa
Também designada otite de surfista ou de mergulhador. É provocada habitualmente pela entrada de água no ouvido, associada a um quadro clínico de otalgia (dor de ouvido). Ocorre frequentemente após entrada de água no ouvido ou em situações de infeção e eczema do canal auditivo externo. Trata-se de uma inflamação da orelha externa e do canal auditivo.
Os vírus e as bactérias que provocam diarreia são a principal fonte de contágio nas piscinas. De acordo com o CDC, Centro de Controlo e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos, quem estiver ou tenha estado com diarreia nas últimas duas semanas corre o risco de contaminar a água da piscina com germes e transmitir o problema a outras pessoas. Os germes que causam diarreia conseguem sobreviver vários dias antes de serem eliminados pelo cloro. Para ficar doente basta engolir uma pequena quantidade da água infectada das piscinas.
Giardíase
A giardíase é uma infeção intestinal causada por um parasita microscópico. Pode provocar sintomas como cólicas abdominais, flatulência, náuseas e episódios de diarreia. A infeção pode ser causada por parasitas encontrados em riachos, lagos, piscinas ou zonas aquáticas de recreação. A maneira mais comum de se infetar com giardíase é engolir água contaminada, por exemplo da piscina.
Animais e crianças que usam fraldas e pessoas com diarreia podem acidentalmente contaminar piscinas e spas. É mais frequente em crianças e em doentes com infeção por VIH/SIDA, fibrose quística e outras formas de imunodeficiência pois têm um sistema imunitário mais frágil. Num trabalho realizado na região Norte de Portugal, em crianças com idades entre um e cinco anos, foi detetada uma taxa de infeção de 3,4% por Giardia lamblia.
Criptosporidíase é uma doença causada pelos parasitas unicelulares coccidios Cryptosporidium parvum e C.hominis. Estes podem ser ingeridos juntamente com comida ou água contaminada. Infetam o intestino, onde se reproduzem. Em pessoas imunosuprimidas causam gastroenterite, diarreia, dor abdominal e náuseas. Uma pessoa com diarreia e com este tipo de bactéria pode facilmente contaminar a água.
Legionella
Na legionella segundo explica o médico e patologista clínico Germano de Sousa, a infeção pela bactéria legionella pneumophila pode causar a febre de Pontiac (manifestação ligeira da bactéria com sintomas semelhantes a uma gripe) e a Doença dos Legionários, a manifestação mais grave, que consiste num tipo de pneumonia potencialmente letal.
A legionella está geralmente presente em ecossistemas naturais de água doce e quente, como a superfície de lagos, rios, águas termais, tanques, mas também piscinas. A infeção ocorre por inalação (via respiratória) de aerossóis/gotículas contaminados pela bactéria, através dos chuveiros domésticos, torres de arrefecimento, sistemas de climatização, instalações termais, saunas e jacuzzis e que chegam aos pulmões. Não existe transmissão de pessoa para pessoa, nem pela ingestão de água contaminada.
O Centro de Controlo e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos lembra que os nadadores e utilizadores da piscina queixam-se recorrentemente de ardor nos olhos, irritação nasal ou dificuldades em respirar. A investigação revelou que estes sintomas surgem devido à acumulação de substâncias irritantes na água e no ar, conhecidas como cloraminas. Essa irritação é provocada pela combinação do cloro com sub-produtos. Estes subprodutos são o resultado da ligação do suor, urina e outros resíduos dos nadadores/utilizadores ao cloro.
Dermatite ou foliculite
É uma inflamação dos folículos capilares causada pela bactéria Pseudomonas aeruginosa. A foliculite é sobretudo diagnosticada em pessoas que usam jacuzzi, sauna, piscina ou banheira de hidromassagem. Qualquer pessoa exposta a água contaminada com esta bactéria pode contrair este tipo de foliculite. Trata-se de uma inflamação da raiz dos pelos que, normalmente, pode ser tratada em casa com o uso de sabão anti-séptico ou fármacos prescritos por clínicos. Os sintomas de foliculite por Pseudomonas aeruginosa aparecem primeiro como caroços, prurido e pequenas espinhas com pus. As erupções de foliculite tipicamente surgem no tronco, axilas e partes superiores dos braços e pernas.
Piolhos
Os piolhos não são susceptíveis de serem transmitidos através da água das piscinas. Embora os níveis de cloro da piscina também não matem os piolhos, estes dificilmente conseguem sobreviver debaixo de água uma vez que não se conseguem parasitar. Porém, os piolhos podem espalhar-se em balneários. Basta partilhar toalhas, escovas de cabelo, toucas ou outros itens que tenham estado em contacto com o cabelo de uma pessoa infetada para adquirir a “praga”.
Infeções estafilocócicas
Embora não tenha havido relatos de transmissão deste tipo de bactéria através de águas de recreio, há um risco potencial de propagação das doenças causadas pela bactéria staphylococcus aureus em instalações de recreio através do contacto com a infeção de pessoa para pessoa ou através de objetos e superfícies contaminadas.
Trata-se de uma bactéria que vive muitas vezes no nariz ou na pele de pessoas saudáveis. Pode provocar doenças, que vão desde uma simples infeção (espinhas, furúnculos e celulites) até infecões graves (pneumonia, meningite, endocardite, síndrome do choque tóxico, septicemia e outras), dependendo do sistema imunitário e do historial clínico de cada pessoa.
Os sintomas mais comuns deste tipo de infeções são náuseas e vómitos, por vezes acompanhados por diarreia e dores abdominais. A melhor forma de as evitar é não frequentar águas de recreio se tiver infeções cutâneas ou irritações da pele, manter todas as superfícies tocadas ou manipuladas com frequência limpas e não partilhar objetos pessoais como lâminas ou escovas.
Teníase
O Centro de Controlo e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos alerta para vários cuidados a ter de forma a evitar este tipo de doença, embora admita que dificilmente a teníase se propague através da água das piscinas. Esta infeção ocorre quando uma pessoa engole ovos de ténia presentes em superfícies ou dedos contaminados. Esta instituição lembra que os fatos de banho devem ser lavados e secos a cada utilização. Por outro lado, todas as pessoas devem lavar as mãos antes e depois de usar a casa da banho.
Molusco contagioso vírus ou Molluscum contagiosum virus
O vírus Molusco contagioso ou Molluscum contagiosum é uma doença dermatológica causada pelo Molluscum contagiosum. Caracteriza-se por bolhas rosadas ou brancas pela pele em qualquer parte do corpo e podem dar comichão. É mais comum em crianças dos 0 aos 12 anos de idade e transmitido por contato físico. Desaparecem sozinhas em 6 a 12 meses, mas podem deixar cicatrizes.
Como se transmite?
O vírus é transmitido por contato físico ou por tecidos, por exemplo tocando a mão de alguém que coçou uma bolha causada por molusco contagioso ou compartilhando toalhas. Pode ser transmitido através de contato sexual. É mais comum em locais húmidos e com muita gente a viver na mesma casa que partilham as mesmas toalhas e roupas, uma vez que essas condições são favoráveis para a transmissão do vírus. É mais comum em crianças e imunodeprimidos.
Parâmetros microbiológicos de avaliação obrigatória
Os parâmetros microbiológicos avaliados são no caso das piscinas de utilização colectiva os referenciados pelo Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge, IP (INSA), e por outros documentos oficiais. Para o caso das piscinas de empreendimentos turísticos e de hidroterapia e com fins terapêuticos, são os indicados no Decreto-Regulamentar n.º 5/97, de 31 de Março:
Germes totais 37ºC (às 48 horas para piscinas de utilização colectiva, e às 24 horas para piscinas de empreendimentos turísticos, de hidroterapia e com fins terapêuticos)
Coliformes totais
Escherichia coli
Enterococos fecais
Estafilococos produtores de coagulase
Total de Estafilococos
Pseudomonas aeruginosa
Legionella (desejável nos jacúzis)
Parâmetros físico-químicos mínimos para avaliação
Os parâmetros físico-químicos mínimos para avaliação, devendo a sua determinação ser feita sistematicamente no local de colheita, são os seguintes:
Temperatura
Cloro residual livre
Cloro combinado
Bromo total
pH (quando não houver possibilidade de determinação laboratorial)
A determinar em laboratório:
pH
Turvação
Condutividade
Oxidabilidade
Cloretos
Amoníaco (a pedido da Autoridade de Saúde)
Considera-se desejável, quando se justifique, proceder-se à determinação de:
Ácido isocianúrico (quando forem utilizados como desinfectantes os derivados de ácido isocianúrico)
Antes de escolher uma piscina tente informar-se sobre a qualidade da água, frequência das análises e resultados disponiveis para consulta pública. Se conhecer alguém que tenha frequentado a piscina pergunte se houve algum problema de saúde nos dias seguintes a ter estado na piscina.
A dor de costas seja dor lombar ou dor na coluna é muito frequente e tem diversas causas; Atualmente medicamentos anti-inflamatórios e opióides fortes podem ser usados com segurança, sob rigorosa vigilância médica, para controlar a dor forte e melhorar a qualidade de vida dos doentes que apresentam com frequência grande sofrimento! Segundo a American Chiropractic Association cerca de 23% dos adultos sofrem de dor lombar que se prolonga no mínimo por 3 meses, tornando-se crónica. Na maior parte dos casos, a dor é de origem mecânica, mas cerca de 3% dos adultos sofrem de dor inflamatória na coluna vertebral.
Embora possam parecer semelhantes, a dor mecânica e a dor inflamatória na coluna têm causas diferentes, e a sua abordagem tem também de ser feita de forma distinta. É importante compreender o mais rapidamente possível que tipo de dor na coluna o afeta, para que possa ser tratada da forma mais adequada. Não aceite viver com a dor apenas porque acha que esta vai eventualmente desaparecer. Muitas pessoas adiam um diagnóstico correto.
Quanto mais tempo se prolongar a dor inflamatória na coluna não tratada, maior a probabilidade de lesões a longo prazo e maior o impacto negativo que a dor pode ter no seu dia-a-dia.
Quantas vertebras existem na região cervical, toráxica, lombar, do sacro e cóccix?
Quais os tipos de dor lombar?
Dor mecânica o que é?
Dor inflamatória o que é?
Quais as características da dor mecânica?
Causas da dor mecânica
Quais as características da dor inflamatória?
Causas da dor inflamatória
Quais as doenças auto-imunes associadas associadas à dor inflamatória da coluna?
Espondilite Anquilosante (EA) o que é?
Espondilartrite Axial Sem Evidência Radiográfica de EA o que é?
Artrite Psoriática o que é?
Artrite Reativa o que é?
Artrite Enteropática o que é?
Artrite Reumatóide o que é?
Como diagnosticar correctamente?
Quando consultar o médico?
Que outros profissionais de saúde podem ajudar a gerir a dor?
O que é a dor crónica na coluna?
Como gerir a dor na coluna?
Qual a importância do exercício?
Qual a importância da terapia manual?
Qual a importância da Fisioterapia?
Qual a importância da Acupuntura?
Qual a importância da terapia comportamental?
Quando optar pela cirurgia?
Qual a medicação mais utilizada?
O que são os AINEs?
Quando usar analgésicos opiáceos ou opioides?
Quais os opioides mais usados?
Quais os efeitos secundários?
Quais os efeitos colaterais graves?
O que são corticoides intra-articulares?
O que são medicamentos biológicos?
Nas dores de coluna também são usados antibióticos?
Qual o protocolo farmacológico para controlar causada por artropatias inflamatórias?
O que pode mudar no seu dia a dia para controlar melhor a dor?
O que pode mudar no trabalho para controlar melhor a dor?
Posso praticar exercício físico regular?
Estrutura da coluna vertebral
A sua coluna vertebral liga o crânio à bacia, e é composta por 33 ossos, conhecidos como “vértebras”. Estas vértebras estão agrupadas em quatro regiões distintas: região cervical, torácica, lombar e sagrada.
Estrutura da coluna vertebral
Coluna vertebral, vista anterior, lateral e posterior
Cada osso está empilhado sobre outro, formando a coluna, e as vértebras das três regiões superiores da coluna possuem uma espécie de almofada entre elas, o denominado disco inter vertebral constituido por um centro gelatinoso macio, envolvido por uma camada externa mais dura e áspera.
A sua coluna protege a medula espinal, um feixe de nervos e células de suporte que funcionam como via de circulação da informação entre o cérebro e o resto do corpo. A coluna constitui uma parte fundamental do seu sistema nervoso central. Por isso, deve procurar o médico sempre que sinta dor em alguma zona da coluna.
Dor de costas qual a prevalência?
As evidências sugerem que até 80% das pessoas vão sofrer de dor lombar em algum momento da sua vida.Estima-se ainda que cerca de 23% dos adultos sofram atualmente de dor lombar com duração de pelo menos 3 meses, e que, portanto, pode ser considerada crónica.
Não é de estranhar, já que são muitos os fatores do dia-a-dia que podem ter efeito ao nível da coluna. Por exemplo, fatores como o aumento de peso e até o calçado podem afetar a coluna. Existem muitas causas para a dor na coluna, e todas as pessoas com dor crónica na coluna devem consultar o médico.
Dor lombar
A dor de costas ou dor na coluna é muito frequente, porém, em muitos casos, desconhece-se a causa exata. A dor de costas pode divide-se em dois tipos principais:
Mecânica
Inflamatória
Este tipo de dor de costas pode dever-se a diversas causas, a saber:
Doenças infeciosas,
Doenças renais ou gastrointestinais,
Polimialgia reumática,
Tumores ( raramente ).
Vou, essencialmente falar, na dor de costas mecânica e na dor de costas inflamatória. A maior parte das vezes, a dor lombar crónica é mecânica. Porém, a dor inflamatória na coluna afeta cerca de 3% das pessoas.Ambos os tipos de dor podem limitar as suas atividades do dia-a-dia, além de diminuírem a sua qualidade de vida devido ao impacto no sono, na capacidade para trabalhar e na sua vida pessoal.
No entanto, dado que ambos os tipos de dor (mecânica e inflamatória) podem ter sintomas semelhantes, é difícil distingui-las sozinho. É por isso que é importante consultar um médico e saber descrever-lhe a sua dor. Esta informação irá ajudar o seu médico a fazer um diagnóstico e a tratar adequadamente a sua doença.
Dor mecânica na coluna
O tipo de dor na coluna mais comum é a dor mecânica na coluna. As pessoas com dor mecânica na coluna descrevem-na muitas vezes como tipo moinha ou latejante. Referem igualmente que a dor piora com o movimento e melhora com o descanso.
A dor mecânica na coluna pode ter impacto em muitos aspetos do dia-a-dia,e muitas vezes resulta de distensões ou de traumatismo sendo, no entanto, fundamental obter um diagnóstico correto o mais cedo possível.
Sintomas da dor mecânica
A dor mecânica tem habitualmente as seguintes características:
Pode começar em qualquer idade;
Rigidez matinal inferior a 30 minutos;
Melhora com o descanso;
Início variável, pode agravar rapidamente;
Normalmente associada a traumatismos ou distensões;
Dor descrita como tipo moinha ou latejante.
Tipos comuns de dor mecânica
Existem principalmente seis tipos de dor mecânica, com causas muito diferentes, que descrevo de seguida:
Contratura lombar;
Hérnia discal;
Fratura vertebral;
Doença degenerativa discal;
Osteoartrose da coluna vertebral;
Malformação congénita.
Contratura lombar
Deve-se normalmente a traumatismos musculares. Por exemplo, as lesões podem ser provocadas por levantar incorretamente um objeto, por levantar objetos pesados ou resultar de uma lesão de desporto.
Hérnia discal
Refere-se a uma lesão ou a um problema nos discos vertebrais, as almofadas esponjosas localizadas entre cada uma das vertebras da sua coluna . Por vezes, o disco sai da posição habitual (deslizamento discal), o que provoca dor devido à irritação dos nervos próximos. Esta dor nervosa denomina-se dor neurogénica, outro tipo de dor lombar.Se a hérnia discal for na região lombar, a dor pode muitas vezes ser mais forte na perna do que na coluna.
Fratura vertebral
Uma fratura das vértebras pode ser provocada por um impacto físico forte, como uma lesão desportiva ou um acidente de viação. Além disso, os doentes podem sofrer fraturas de “stress”, pequenas fissuras visíveis ao raio-X que podem ser muito dolorosas. As fraturas vertebrais também podem ocorrer devido a uma doença denominada osteoporose. A osteoporose é uma doença que surge numa idade mais avançada, quando os ossos enfraquecem, o que aumenta a probabilidade de ocorrência de fraturas.
Doença degenerativa discal
Quando um ou mais discos vertebrais começam a deteriorar-se. Estes discos funcionam como amortecedores da coluna durante a movimentação ou o levantamento de pesos.
Osteoartrose da coluna vertebral
Doença degenerativa comum nos idosos e que pode provocar dor e rigidez na coluna e na região lombar, devido à destruição da cartilagem das articulações e dos discos da coluna.
Malformação congénita
As doenças são denominadas “congénitas” quando existem desde o nascimento. Estas malformações ocorrem quando a coluna não se desenvolve corretamente no útero, e são raras. Algumas malformações congénitas constituem uma causa mecânica da dor lombar. Estas malformações incluem problemas como a escoliose (encurvamento lateral da coluna) e a cifose (a parte superior da coluna está encurvada para a frente). Uma malformação congénita que conduz a dor lombar é normalmente diagnosticada durante a infância.
Dor inflamatória na coluna
A dor inflamatória na coluna vertebral afeta cerca de 3% dos adultos. Este tipo de dor na coluna pode ser muitas vezes confundida com a dor mecânica na coluna.Existem diversas patologias que podem provocar dor inflamatória na coluna, algumas das quais difíceis de diagnosticar. Felizmente, nos últimos 10 anos, os avanços científicos facilitaram a identificação de algumas destas doenças pelos médicos, bem como o respetivo tratamento.
A dor inflamatória na coluna pode afetar a sua vida de diversas formas. É importante trabalhar com o seu médico para perceber se a sua dor é de origem inflamatória, já que isto pode afetar a forma como a dor é gerida no futuro. É importante o diagnóstico precoce pois algumas causas da dor na coluna podem agravar-se com o passar do tempo. Embora possa considerar que o exercício ou os analgésicos comprados na farmácia aliviam alguns dos seus sintomas, continua a ser importante que consulte o seu médico, para obter um diagnóstico correto.
Sintomas da dor inflamatória
A dor inflamatória na coluna pode apresentar determinadas características que a distinguem de outros tipos de dor na coluna vertebral, mais concretamente da dor mecânica na coluna.
Os principais sintomas são:
Início em idade jovem, normalmente observado em pessoas com menos de 40 anos de idade;
Agravamento gradual da dor;
Os sintomas da dor lombar melhoram com o exercício;
A dor não melhora com o repouso;
Dor durante a noite, levando muitas vezes a pessoa a acordar na segunda metade da noite;
Rigidez matinal com duração superior a 30 minutos;
Dor prolonga-se por mais de 3 meses;
Dor glútea (região das nádegas) alternante.
Causas
A dor inflamatória na coluna pode ser provocada por algumas doenças autoimunes, algumas das quais intimamente ligadas à dor na coluna vertebral tais como:
Espondilite Anquilosante (EA),
Espondilartrite Axial Sem Evidência Radiográfica de EA,
Artrite Psoriática,
Artrite Reativa.
É importante que a dor inflamatória na coluna vertebral seja reconhecida e diagnosticada, de forma a ser devidamente tratada.
Doenças autoimunes
Uma doença autoimune ocorre quando o organismo se ataca a si próprio e aos próprios tecidos saudáveis. Existem diversas doenças autoimunes, algumas delas intimamente ligadas à dor inflamatória na coluna.
Espondiloartrite axial
Espondiloartrite Axial é um termo geral que inclui duas doenças que podem manifestar-se por dor inflamatória na coluna:
Espondilite Anquilosante;
Espondilartrite Axial Sem Evidência Radiográfica de EA.
Espondilite Anquilosante (EA)
A espondilite anquilosante é uma forma de artrite inflamatória em que as articulações da coluna estão envolvidas, conduzindo frequentemente a rigidez e dor lombar. As lesões provocadas por esta doença na coluna e nas articulações que fazem a ligação entre a coluna vertebral e a bacia podem ser observadas através de radiografias.
Espondilartrite axial sem evidência radilógica de EA
Na espondilartrite axial sem evidência radiológica de EA por vezes, os doentes podem sentir dor e limitação nos movimentos, apesar de os médicos não conseguirem detetar qualquer inflamação na radiografia. Nestes casos é necessário recorrer a formas mais avançadas de observação das articulações, como a Ressonância Magnética Nuclear (RMN). A Espondilite Anquilosante e a Espondilartrite axial sem evidência Radiográfica de EA têm muitos sintomas em comum.
Outras artropatias inflamatórias – algumas doenças articulares que provocam dor inflamatória na coluna vertebral podem ter origem em diversas zonas do corpo tais como:
Artrite Psoriática – pele,
Artrite Reativa – os olhos ou o aparelho urinário ,
Artrite Enteropática – o intestino
Artrite Reumatóide – as articulações
Embora os sintomas destas doenças incluam mais frequentemente dor e tumefação (edema) das articulações ou tecidos envolvidos, em muitas pessoas, podem também provocar dor inflamatória na coluna vertebral.
Não existe um teste simples para a maioria destas doenças. Para ajudar ao seu diagnóstico, o médico pode realizar exames físicos, pedir uma RMN e/ou análises ao sangue, para detetar marcadores genéticos.
Medicamentos para dores fortes
Poderá ter já experimentado um analgésico comprado na farmácia local e, caso este não diminua os sintomas, o seu médico poderá receitar-lhe outros medicamentos ou recomendar uma dose diferente, provavelmente seguindo a escada da OMS para tratamento da dor, conforme descrevo de seguida:
Adaptado de: Pereira JL. Gestão da dor oncológica. In: Barbosa A, Neto I, editores. Manual de Cuidados Paliativos. Lisboa: Núcleo de Cuidados Paliativos / Centro de Bioética da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa; 2006. p. 61-113.
Adaptado de: Pereira JL. Gestão da dor oncológica. In: Barbosa A, Neto I, editores. Manual de Cuidados Paliativos. Lisboa: Núcleo de Cuidados Paliativos / Centro de Bioética da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa; 2006. p. 61-113.
Os medicamentos abaixo enumerados podem causar efeitos adversos a vários níveis, pelo que é importante discutir com o seu médico que medicamentos se adequam melhor ao seu caso concreto.
Anti-inflamatórios não esteroides (AINE)
Os anti-inflamatórios podem ajudar a aliviar a dor na coluna, a dor à palpação, a inflamação e a rigidez. Porém, os AINE podem apresentar efeitos secundários, sobretudo se administrados durante muito tempo. O seu médico irá abordar esses efeitos consigo e, em conjunto, poderão avaliar se os AINE são a solução adequada para si.
Os AINEs mais utilizados são os seguines:
Ibuprofeno (ex: Brufen);
Diclofenac (ex: Voltaren);
Naproxeno (ex: Naprosyn);
Acemetacina (ex: Rantudil);
Etodolac (ex: Etolyn);
Nimesulide (ex: Nimed e Aulin);
Piroxicam (ex: Flexar);
Celecoxibe (ex: Celebrex);
Etoricoxibe (ex: Arcoxia e Turox).
Opiáceos
Caso a sua dor não responda a outra medicação, o médico poderá receitar-lhe outro tipo de analgésico, denominado opiáceo. Os opiáceos atuam reduzindo os sinais de dor enviados ao longo da medula espinal e outras zonas do corpo para o cérebro. Estes medicamentos podem ser usados para tipos mais graves de dor, e o seu médico pode discutir consigo outras opções e os possíveis efeitos secundários, incluindo a possibilidade de dependência, antes de receitar estes medicamentos.
Em situações de dor crónica, principalmente em casos de dor oncológica, o doente pode experimentar exacerbações transitórias de dor, que ocorrem apesar de uma terapêutica basal analgésica. Normalmente o início é súbito e de curta duração e torna-se especialmente difícil de tratar. Estes doentes são tratados com um opioide de longa ação para alívio da dor persistente, e têm sempre disponível um opioide de resgate, de rápido início de ação, para estes episódios.
Na Tabela seguinte encontram-se resumidos os fármacos opioides comercializados em Portugal aprovados para gestão de dor crónica e respetivas formulações de longa ação e terapêutica de resgate.
Abreviaturas usadas na tabela: C: comprimido/cápsula; CB: comprimido bucal; CE: comprimido efervescente; CLP: comprimido/cápsula de libertação prolongada; COD: comprimido orodispersível; N:solução nasal; R: supositório; SO: solução oral; ST: sistema transdérmico.
A tolerada sem efeitos secundários limitantes (máximo 2 ST simultâneo)
Oxicodona
CLP (5; 10; 20; 40; 80 mg) 12/12h
—
400 mg/dia
Oxicodona + naloxona
CLP (5+2,5; 10+5; 20+10 mg) 12/12h
—
160+80 mg/dia
Hidromorfona
CLP (4; 8; 16; 32; 64 mg) 24/24h
—
A tolerada sem efeitos secundários limitantes
Tapentadol
CLP (50; 100; 150; 200; 250 mg) 12/12h
—
500 mg/dia
Tramadol
CLP (50; 100; 150; 200; 300; 400 mg)
C (50; 100 mg) COD (50 mg) SO (100 mg/ml)
400 mg/dia
Tramadol + dexcetoprofeno
—
C (75+25 mg)
225+75 mg/dia
Tramadol + paracetamol
—
C (37,5+325; 77+650 mg) CE (37,5+325 mg)
300+2600 mg/dia
Os opioides ligam-se a recetores específicos acoplados à proteína G envolvidos na transmissão e modulação da dor, designados classicamente em recetores µ, κ e δ. Os seus efeitos terapêuticos e secundários estão diretamente relacionados com os recetores que estimulam. A maioria dos opioides analgésicos clinicamente relevantes são agonistas dos recetores µ no sistema nervoso central.
O tapentadol e o tramadol, além da ação agonista no recetor µ, também produzem analgesia por um mecanismo que inibe a recaptação de noradrenalina, permitindo maior potência analgésica e maior espectro de ação.
Efeitos secundários comuns
Os efeitos secundários dos fármacos opioides são comuns a todos ou quase todos os fármacos e são dependentes da dose. Os mais comuns incluem:
Náuseas e vómitos,
Obstipação,
Sonolência,
Pesadelos,
Boca seca,
Confusão,
Alucinações,
Hipogonadismo (produção insuficiente de estrogénio na mulher e de testosterona no homem),
Supressão da tosse.
Efeitos secundários menos comuns
Alguns do efeitos secundários menos comuns são os seguintes:
Prurido,
Sudorese (transpiração),
Hiperalgesia induzida por opioides (aumento da sensibilidade à dor),
Mioclonia (contração breve, em onda, de um músculo ou grupo de músculos. Ex: soluços),
Delírios.
Alterações da microbita intestinal
Um dos efeitos secundários mais comuns e relevantes é a alteração da microbiota intestinal ou flora intestinal como é usualmente conhecida. Este é um efeito secundário quase sempre desvalorizado mesmo quando existem sintomas claros como a obstipação que são um sinal evidente e preocupante de disbiose. Assim simultaneamente com a medicação opióide deve fazer-se um probiótico de qualidade para mitigar a destruição das “bactérias boas” que são essenciais ao bom funcionamento do nosso sistema imunitário e à nossa saúde em geral. Não existe boa saúde sem uma microbiota saudável!
A depressão respiratória é um efeito secundário grave, mas é raro se os opioides forem cuidadosamente titulados de acordo com a resposta do doente. Foi também associada a terapêutica opioide a efeitos secundários no sistema imunitário, assim como a função cognitiva.
A gestão dos efeitos secundários deve ser feita com efeito preventivo, não só pelo ajuste terapêutico gradual permitindo recorrer sempre à mínima dose eficaz, como pela coadministração de fármacos que permitam minimizar alguns efeitos secundários.
Tolerância e dependência de opioides
A tolerância e a dependência são dois efeitos secundários fundamentais de gerir em tratamento com fármacos opioides. A tolerância inicia-se na primeira administração de opioide, e é minimizada com a administração de doses baixas em intervalos de tempo maiores. Para evitar a dependência física, a administração de opioides não deve ser parada abruptamente quando tomados consecutivamente há duas ou mais semanas, mesmo se a dor já foi suprimida.
Os sinais e sintomas de dependência física incluem rinorreia, lacrimejo, arrepios, hiperventilação, hipertermia, midríase, dores musculares, vómitos, diarreia, ansiedade e hostilidade. A administração de um opioide suprime os sintomas e sinais de abstinência imediatamente.
Mudança de opiáceo
Apesar de haver pouca diferença nos efeitos terapêuticos e secundários de doses equianalgésicas entre diferentes opioides, a experiência clínica reporta que alguns doentes respondem favoravelmente a determinados opioides sendo intolerantes a outros, muito provavelmente devido à variabilidade interindividual existente. Existem dados clínicos que suportam que a mudança de um opioide para outro resulta em aumento dos efeitos terapêuticos ou diminuição dos efeitos secundários em mais de 50% dos doentes.
A rotação opioide consiste na alteração do fármaco utilizado ou da via de administração e é útil em situações de inadequado controlo de dor, efeitos secundários limitantes ou alterações no estado clínico do doente que limitem a via de administração disponível. Na prática clínica existem escalas equianalgésicas disponíveis tanto em tabelas impressas como em aplicações de internet ou software específico, servindo apenas como guia para ajustar a dose equianalgésica entre dois analgésicos opioides. A Morfina é considerada o opioide analgésico tipo e é usado na escala analgésica como termo de comparação com todos os outros fármacos opioides.
Quando devidamente utilizados, os fármacos opioides são seguros e permitem aumentar a qualidade de vida do utente com dor crónica. Apesar dos vários efeitos secundários e potencial de dependência, nenhum analgésico se mostrou suficientemente forte para substituir estes fármacos
Corticosteróides intra-articulares
Os corticosteróides têm um papel importante no tratamento de doenças autoimunes. Estes fármacos são muito eficazes no tratamento de processos inflamatórios e imunológicos, com uma ação rápida e eficaz ao nível dos sintomas. Os corticosteróides podem ter efeitos secundários, sobretudo quando usados com regularidade, e o seu médico irá discutir esta opção consigo e avaliar a frequência com que os usa.
Objetivo
Se existir uma inflamação dentro da articulação, pretende-se melhorá-la administrando um anti-inflamatório potente no local exato da lesão. Os objetivos são aliviar ou eliminar a dor e as manifestações da inflamação, prevenir ou melhorar a limitação funcional, acelerar a evolução favorável do processo e diminuir ou eliminar a necessidade de tratamentos mais agressivos, com mais efeitos secundários ou com efeitos secundários potencialmente mais graves.
Procedimento técnico
Administra-se um corticoide (derivado sintético da “cortisona” ) no interior de uma articulação. Poderá ser ou não utilizado um anestésico local (lidocaína) antes ou em conjunto com a injeção de corticoide.
O que são os corticoides?
São medicamentos sintéticos parecidos com os corticoides naturais produzidos pelo corpo humano e que têm uma ação anti-inflamatória potente. Podem ser aplicados por várias vias, mas a via intra-articular é especialmente útil em processos com inflamação articular, uma vez que atuam quase exclusivamente no local da inflamação e se evitam em grande medida os efeitos secundários no resto do organismo.
Atualmente três dos corticoides mais utilizados por via intra articular são os seguintes:
Metilpredenisolona (Depomedrol);
Hexacetonido de triancinolona (Lederlon);
Acetonido de triancinolona.
Como se realiza a infiltração?
Depois da limpeza da pele com um produto desinfetante, usa-se um agulha fina para colocar o produto (com ou sem anestésico local) dentro da articulação a tratar. Habitualmente o procedimento causa apenas desconforto ou dor ligeiros.
Quanto tempo demora?
Habitualmente o tempo que leva a administrar o produto é menos de 5 minutos, o procedimento completo incluindo a preparação do material e do doente (posicionamento, desinfeção da pele, etc), costuma demorar cerca de 15 a 30 minutos.
Benefícios
A injeção intra-articular de corticoides costuma provocar uma rápida melhoria da dor e dos sinais inflamatórios da articulação, prevenindo ou melhorando a limitação funcional , acelerando a evolução favorável da inflamação e diminuindo a necessidade de tratamentos mais agressivos, com riscos potencialmente.
Riscos gerais
As três principais complicações das infiltrações articulares são as seguintes:
Reação alérgica à medicação, hipotensão arterial, assim como casos raríssimos de complicações alérgicas muito graves (anafilaxia), com risco de vida;
Lesão de vasos, nervos ou tendões adjacentes;
Infeção do local da injeção, da articulação ou tecidos adjacentes é uma complicação grave mas muito rara, se o procedimento for realizada com os cuidados de assepsia habituais;
Medicamentos biológicos
Também denominados medicamentos biológicos, são fármacos modificadores da doença que atuam no seu sistema imunitário (o sistema de defesa natural do organismo) agindo sobre a inflamação subjacente provocada por determinadas doenças.
Os medicamentos biológicos podem ser eficazes na redução da dor e da rigidez, e são administrados sob a forma de injeção subcutânea ou intravenosa, sob supervisão de um profissional de saúde.
Estes medicamentos têm indicações específicas, não sendo adequados para todas as pessoas e podem ter efeitos secundários graves. O seu médico saberá decidir se estes medicamentos poderão ser adequados para si.
Antibióticos na dor de costas
Caso tenha uma infeção na coluna ou numa zona envolvente, o tratamento com antibióticos poderá ser uma forma eficaz de tratamento e de alívio da dor.
Protocolo farmacológico para controlo da dor
Algoritmo terapêutico para controlo da Dor
Diagnostico dos problemas na coluna
O que quer saber o seu médico?
Uma vez que diferentes tipos de dor na coluna requerem formas diferentes de tratamento, o seu médico irá querer saber quando começou a sua dor, qual a intensidade e de que forma afeta o seu dia-a-dia.
Quando começou a dor?
O seu médico irá precisar de saber como e quando começou a sua dor, portanto, antes da primeira consulta, pense nas seguintes questões:
Lembra-se ao certo quando se apercebeu pela primeira vez da sua dor, ou foi surgindo gradualmente, intensificando-se com o passar do tempo?
Lembra-se de algum problema ou acontecimento em concreto que relacione com o início à dor? Se sim, quando ocorreu?
A dor surge após algumas atividades? Como por exemplo, a prática de exercício físico?
A sua dor tem vindo a melhorar ao longo do tempo, ou a agravar-se?
Importante saber descrever a dor
Dor é difícil de descrever, pois surge de diversas formas. Desde uma sensação de ardor a uma pontada ou sensação de distensão, não é fácil definir a dor na coluna. Porém, é importante que a descreva da melhor forma possível, pelo que não finja que a sua dor é melhor ou pior do que é na realidade. Tente ao máximo ser claro e preciso na sua descrição.
Antes de ir ao médico, pense na resposta que poderá dar às seguintes perguntas:
Consegue identificar uma zona específica da sua coluna onde sente dor?
A sua dor desloca-se, atinge outras partes do corpo ou é generalizada?
A intensidade de dor diminui ou aumenta com determinadas atividades?
O padrão da dor é sempre igual ou sente dor em diferentes partes do corpo?
Como descreve a sensação de dor? Podem ser usadas palavras como “lancinante”, “constante”, tipo moinha, “forte”, “pungente”, “pontada” ou latejante para descrever a dor.Qual destes adjetivos melhor define o tipo de dor que sente?
Dor de costas como afecta a tua vida?
Viver com dores na coluna pode também provocar problemas no dia-a-dia. É importante que o seu médico compreenda de que forma a dor está a afetá-lo, a afetar a sua capacidade de trabalhar ou o desempenho das suas tarefas quotidianas, e também de que forma afeta a sua vida familiar. O médico poderá colocar as seguintes questões:
A sua dor impede-o de realizar algumas atividades do dia-a-dia?
Que efeito tem o exercício físico ligeiro ou a ida ao ginásio na dor?
A dor dificulta-lhe o sono ou acorda-o durante a noite?
Sentar-se ou deitar-se alivia-lhe a dor?
A dor afetou-lhe o apetite?
Que fatores aliviam ou agravam a sua dor?
O exame físico
O seu médico irá querer examinar a sua coluna e a zona envolvente, para perceber a causa principal da dor. Poderá ainda solicitar outros exames, como exames imagiológicos e/ou análises ao sangue.
O seu historial clínico
Os problemas de saúde anteriores podem ser importantes, por isso, é normal que o seu médico lhe pergunte pelos seus antecedentes clínicos. Tente responder da melhor forma possível, pois isso irá ajudar o médico a chegar a um diagnóstico.
Durante a consulta, o médico poderá perguntar-lhe:
Se sofreu recentemente alguma perda inexplicável de peso
Se teve alguma infeção recentemente
Se tem antecedentes familiares de alguma doença
Se está a tomar alguma medicação
Outros profissionais de saúde
O seu médico poderá também referenciá-lo para vários outros especialistas. Cada um deles é especializado numa área específica e poderá trabalhar consigo para alcançar um diagnóstico e tratar da melhor forma a sua patologia, ao longo do tempo.
A tabela abaixo explica quem são esses diferentes especialistas e o que fazem. Se tiver alguma outra dúvida, fale com o seu médico.
Profissional de Saúde
Papel no tratamento da dor lombar
Médico de Medicina Geral e Familiar (MGF)
O seu médico de MGF é o primeiro especialista a contactar em caso de dor na coluna vertebral. É ele quem irá avaliá-lo com base nos primeiros sintomas e, se necessário, encaminhá-lo para um especialista para uma avaliação mais exaustiva, para a realização de exames de diagnóstico ou para tratamento.
Fisioterapeuta
Poderá ser encaminhado para um fisioterapeuta, um profissional de saúde especializado na movimentação e funcionamento do corpo. O fisioterapeuta irá avaliar a sua dor na coluna e poderá realizar terapia manual ou exercícios terapêuticos.
Reumatologista
Se a sua dor na coluna vertebral for considerada de natureza inflamatória, o seu médico de Medicina Geral e Familiar poderá encaminhá-lo para este médico especialista em doenças reumáticas, causa frequente de dor inflamatória na coluna, bem como em diversas outras patologias que afetam as articulações, os ossos e os músculos. O reumatologista poderá solicitar exames de diagnóstico e poderá dar início a um tratamento, dependendo da causa da sua dor na coluna.
Ortopedista ou Neurocirurgião
A cirurgia pode ser uma solução para o tratamento da dor na coluna, quando outros tratamentos não resultaram. Dependendo da causa da sua dor, poderá ser encaminhado para um cirurgião, que irá avaliar se a cirurgia é a forma correta de tratar a sua dor na coluna. Podem ser Ortopedistas ou Neurocirurgiões.
Enfermeiro de Apoio à Reumatologia
Enfermeiros com formação para realizar atividades de apoio aos reumatologistas, como por exemplo, observação das articulações, administração de tratamentos. Poderão ainda dar-lhe apoio a nível emocional e social.
Radiologista
O seu médico assistente pode encaminhá-lo para um radiologista, ou seja, um especialista médico para a realização de exames imagiológicos (radiografias, TAC ou RMN) à sua coluna. Isto irá ajudar a identificar a causa da sua dor na coluna.
Dor crónica na coluna
A dor na coluna vertebral aguda ou de curta duração, dura alguns dias a algumas semanas. A maior parte dos casos de dor na coluna é de natureza mecânica. Quando a dor se prolonga por mais de 3 meses, denomina-se dor crónica na coluna. Independentemente da origem da sua dor na coluna, do tipo de dor que apresente ou da sua duração, se considerar que a dor está a incomodá-lo, deve consultar o seu médico.
Caso sofra de dor na coluna há mais de 3 meses, deverá ser investigada a sua causa e tratada o mais rapidamente possível e de forma adequada. Consultar o seu médico e ter um diagnóstico correto irá garantir-lhe um tratamento adequado para a dor na coluna e poderá ajudá-lo a ter uma vida com menos dor.
Impacto físico e emocional
A dor na coluna pode ter um grande impacto na sua vida, tanto a nível físico como emocional. Embora a maior parte dos casos de dor na coluna seja de tipo agudo e desapareça ao fim de alguns dias ou semanas, a dor crónica na coluna descreve a dor que se prolonga por mais de 3 meses. A dor física pode tornar alguns aspetos da vida quotidiana, como caminhar, manter-se de pé e sentar-se, dolorosos e debilitantes.
Além do impacto físico da dor crónica na coluna vertebral, poderá também afetar outros aspetos da sua vida, como os hábitos de sono e a o seu estado emocional. O seu bem-estar emocional e a sua capacidade para trabalhar e estudar podem ser afetados pela sua dor na coluna e, por vezes, conduzir a maior ansiedade e depressão, sobretudo se a dor não desaparecer.
Como gerir a dor na coluna?
Algumas das abordagens seguintes são mais adequadas à dor inflamatória pelo que depois de feito o diagnóstico, o seu médico pode recomendar-lhe diversas opções terapêuticas, com base na sua patologia específica e no seu estilo de vida.
Exercício físico cuidado!
Dependendo da causa da sua dor na coluna, manter a atividade física pode melhorar a sua postura, a mobilidade da sua coluna e a dor e rigidez no geral principalmente na dor inflamatória. O seu médico ou fisioterapeuta podem recomendar-lhe um programa de exercícios físicos que ajude a recuperar a força muscular na sua coluna. Fale sempre com o seu médico antes de iniciar qualquer atividade física.
Terapia manual
A Fisioterapia , quiropatia ou osteopatia são terapias que podem ser associadas às restantes terapêuticas.
Fisioterapia
A fisioterapia pode ajudá-lo a aprender a recuperar movimentos que ficaram restritos devido à dor na coluna, e pode incluir abordagens distintas, como programas de exercícios específicos, terapia manual (como massagens) ou hidroterapia, um tipo de exercício realizado numa piscina de água morna e que se centra na melhoria da amplitude de movimentos ou força.
Os fisioterapeutas podem também avaliar a sua condição física e ajudá-lo a planear um bom programa de exercício físico.
Acupuntura
A acupuntura envolve a introdução de agulhas muito finas em pontos específicos do corpo. A acupuntura tem-se revelado efetiva no tratamento da dor lombar, redirecionando os impulsos dolorosos para longe do cérebro e fazendo assim com que sinta menos dor, ao mesmo tempo que estimula a libertação de endorfinas, hormonas analgésicas endógenas produzidas pelo organismo.
Terapia comportamental
A terapia cognitivo-comportamental (TCC) é uma técnica que envolve direcionar pensamentos e comportamentos negativos para outros mais positivos. Esta técnica pode ser usada em combinação com outras terapêuticas, para ajudar a gerir os efeitos psicológicos da sua dor crónica na coluna.
Cirurgia
A cirurgia é normalmente ponderada em casos concretos de problemas da coluna, quando a dor é desencadeada por uma malformação congénita ou quando foram já tentadas outras terapêuticas, com manutenção ou agravamento da dor. Nestes casos, poderá ser encaminhado para um especialista, que irá discutir consigo em pormenor as vantagens e os riscos de uma intervenção cirúrgica.
Mudanças de estilo de vida
Descubra as mudanças de estilo de vida que podem ajudar a melhorar a sua dor inflamatória na coluna.
Caso tenha dor inflamatória na coluna, fazer algumas alterações no estilo de vida pode aliviar uma parte do desconforto sentido diariamente. Estas pequenas alterações podem ajudar a aliviar uma parte da frustração que pode afetá-lo. Apesar de algumas das sugestões poderem aplicar-se à dor mecânica na coluna de curta ou longa duração, esta secção foi sobretudo concebida para ajudar pessoas com dor inflamatória na coluna.
Dicas para minimizar a dor no dia-a-dia
Dormir, conduzir e fazer compras são apenas algumas das atividades quotidianas que costumamos tomar como certas. Caso sofra de dor inflamatória na coluna, eis algumas dicas de como poderá minimizar o impacto sobre as suas atividades do dia-a-dia:
Se fizer viagens longas de carro, planeie paragens regulares, para caminhar e esticar as pernas
Experimente fazer as compras de supermercado pela Internet, para evitar ter de carregar sacos pesados
Fale com o seu fisioterapeuta ou médico para sugestões simples de alongamentos e diferentes apoios lombares
Dicas para minimizar a dor no trabalho
O local de trabalho é um sítio onde habitualmente a dor lombar o afeta mais. Tenha em conta as seguintes sugestões para diminuir os problemas no local de trabalho:
Informe as pessoas – colegas de trabalho, o diretor de Recursos Humanos, o sindicato e/ou a entidade patronal. A entidade patronal pode disponibilizar algumas opções de serviços ou assistência de saúde
Se possível, ajuste o horário laboral ou trabalhe a partir de casa
Solicite uma avaliação ao posto de trabalho, caso detete problemas específicos relacionados com o seu posto de trabalho
Verifique o equipamento e certifique-se de que é seguro e adequado para o seu problema de saúde
Informe-se sobre quaisquer apoios a que tenha direito
Passar grande parte do dia sentado a uma secretária pode causar rigidez dor na coluna. Levantar-se regularmente, caminhar e alongar os músculos pode ajudar, já que pode aliviar uma parte da dor e do desconforto sentidos durante o dia. Sempre que possível, levante-se – por exemplo quando atender um telefonema.
Exercício físico
Embora não seja uma cura, a prática regular de exercício físico poderá ajudar a aliviar alguma da dor associada a determinadas patologias inflamatórias. Alguns tipos de exercício físico podem ser-lhe mais benéficos do que outros. Assim, deverá discutir com o seu médico qual o tipo de exercício físico mais adequado para o seu problema.
Minimizar a dor ao viajar
As viagens podem implicar algum planeamento, e caso sofra de dor inflamatória na coluna vertebral, poderá ter de fazer algumas adaptações. Eis alguns aspetos a considerar para tornar a sua viagem mais agradável:
Se viajar de avião ou fizer viagens longas de autocarro ou comboio, peça ao seu médico assistente ou fisioterapeuta que lhe indique alguns exercícios que possa realizar sentado
Se possível, durante a viagem, levante-se regularmente para alongar e caminhar um pouco
Leve sempre consigo receitas para qualquer medicação que esteja a fazer
Pode também solicitar ao seu médico assistente uma carta onde explique formalmente que medicação está a tomar e para que serve
Concluindo
Se tem dor de costas consulte sempre o seu médico. Podem ter causas muito variadas que muitas vezes não têm a ver com a coluna vertebral, mas que devem ser bem diagnosticadas para que se possa implementar o tratamento mais eficaz.
A dor seja ela qual for deve sempre ser tratada atempadamente de forma a diminuir a sua intensidade e possibilidade de se tornar crónica. Se já tem dor crónica não desespere! Existem hoje muitas armas terapêuticas para ajudar a tornar o seu dia-a-dia menos doloroso!
O médico começará quase sempre por uma abordagem clássica com Paracetamol e AINEs utlizados em conjunto se necessário e acrescentando mais tarde, se tal se justificar, analgésicos opióides, começando pelas dosagens mais baixas.
Nos casos mais graves existem equipas de médicos de várias especialidades ( equipas da dor ), que cruzam os seus conhecimentos de maneira a aplicar terapêuticas menos convencionais nos doentes com dores mais intensas e persistentes, nomeadamente os que têm DOR NEUROPÁTICA que, em linguagem simples, se pode descrever como uma lesão de um nervo que envia constantemente ao cerebro uma mensagem de dor.
E claro há hábitos diários que pode sempre alterar para melhor tais como comer de forma mais saudável, caminhar ao ar livre ( de preferência junto ao mar, rio ou floresta ) conversar… enfim tarefas que ajudam a abstrair-se da dor e pensar em coisas mais positivas! Parecem coisas banais mas têm comprovadamente efeitos terapêuticos!
Vitaminas para o cérebro fadiga e cabelo quais as mais importantes? Quais os minerais mais relevantes? O que são exatamente as vitaminas e para que servem? Quando devo tomar um suplemento? Qual o melhor suplemento vitamínico? O excesso de vitaminas que problemas pode causar? Quais os sintomas de falta e de excesso?
Na minha prática profissional quase diariamente alguém me pede vitaminas para o cérebro e cansaço, mas serão mesmo necessárias? Para conseguir ajudar corretamente preciso de descobrir, antes de mais, o tipo de alimentação que têm, os suplementos que tomam, quais os sintomas para os quais procuram ajuda e os medicamentos que estão a tomar pois alguns, de facto, podem causar deficiência vitamínica.
No entanto antes de tudo isso deixo claro que o fator mais relevante, estruturante e decisivo para para o nosso cérebro e para um bom desempenho cognitivo é a qualidade do nosso sono… sem o qual não existem vitaminas ou minerais que possam fazer milagres!
A neurocientista dinamarquesa Maiken Nedergaard, descobriu, no nosso cérebro, o que designou de sistema glinfático, responsável pela “limpeza” diária do nosso cérebro e que ocorre durante a fase de sono profundo. Saiba tudo sobre este assunto no meu artigo sobre os segredos do sono, clicando na imagem abaixo.
Deficiência vitamínica causada por fármacos e drogas
As vitaminas e minerais mais importantes para o cérebro
O que faz bem ao cérebro
As cinco grandes mentiras sobre saúde
As cinco grandes mentiras sobre saúde
Vitaminas o que são?
As vitaminas e os minerais são considerados nutrientes essenciais, isto é, não podem ser sintetizados pelo organismo e, portanto, devem ser consumidos na dieta. No entanto se tivermos uma microbita intestinal equilibrada e saudável este geralmente incluiu bactérias produtoras de certas vitaminas.
O que são vitaminas? As vitaminas são chamadas de micronutrientes essenciais porque são necessárias ao organismo em pequenas quantidades em inúmeras reações químicas que incluem desde o metabolismo de hidratos de carbono, proteínas e gorduras, passando pela manutenção de um bom sistema imunitário, estabilidade do sistema nervoso central e até ás funções de reparação de DNA nas nossas células.
Sem as vitaminas estas reações químicas essenciais não se realizam ou ficam descompensadas causando com o tempo diversas doenças, algumas bastante graves! O organismo não armazena a maioria das vitaminas, nomeadamente as hidrossolúveis como as do complexo B (exceto a B12) e vitamina C. A deficiência dessas vitaminas geralmente desenvolve-se em semanas a meses. Portanto, as pessoas devem consumi-las regularmente.
Quantas vitaminas existem?
Atualmente a lista contém 20 vitaminas. O complexo de vitaminas B contém 8, o complexo de vitaminas K contém 5, o complexo de vitaminas D contém 4 e as vitaminas A, E e C completam a lista, conforme descrevo de seguida:
Vitamina A (retinol);
Vitamina D ou D3 (colecalciferol), D2, D4 e D5;
Vitamina E (tocoferol);
Vitamina K (naftoquinona), K1, K2, K3 e K4;
Vitamina C (ácido ascórbico);
Vitamina B1 (tiamina);
Vitamina B2 (riboflavina);
Vitamina B3 (niacina, vitamina PP, ácido nicotínico ou nicotinamida);
Vitamina B5 (ácido pantoténico);
Vitamina B6 (piridoxina, piridoxal ou piridoxamina);
Vitamina B7, B8 ou H (biotina);
Vitamina B9 (ácido fólico);
Vitamina B12 (cianocobalamina).
As vitaminas são classificadas conforme a sua solubilidade na água. Assim dividem-se em:
Vitaminas hidrossolúveis – Vitamina C e os oito membros do complexo da vitamina B;
Vitaminas lipossolúveis – Vitaminas A, D, E e K.
Apenas as vitaminas A, E e B12 são armazenadas em grande quantidade no corpo.
Microbioma e vitaminas
As bactérias do cólon são responsáveis por sintetizar vitaminas, sobretudo, a tiamina (B1), a B12, a biotina (B7), o ácido fólico (B9), e a vitamina K e fermentam hidratos de carbono indigeríveis (fibras) em ácidos gordos de cadeia curta que constituem fontes de energia para o hospedeiro (Gerritsen et al., 2011; Prakash, 2011).
As bactérias residentes do trato gastrintestinal contribuem para preservar parte da energia contida nos hidratos de carbono indigeríveis da dieta como a celulose, hemicelulose e pectina, metabolizando os mesmos em ácidos gordos que são fontes de energia para as células do epitélio intestinal e facilitam a absorção de sódio e água, além de sintetizarem proteínas e vitaminas do complexo B (Prakash, 2011).
As vitaminas são essenciais em inúmeras funções vitais do nosso corpo. Nas tabelas seguintes descrevo:
Todas as vitaminas que existem;
Funções;
Alimentos onde existem;
Doenças provocadas pela falta de vitaminas;
Ingestão diária recomendada;
Toxicidade ou limite superior de segurança.
Atualmente as vitaminas B4, B10 já não são consideradas vitaminas por não serem essenciais e a vitamina B11 não existe. a tabela seguinte descreve então as funções mais relevantes de cada vitamina no nosso organismo.
Vitamina
Funções mais relevantes
A (retinol ou axeroftol)
Mucosas, pele, imunidade e visão. – Necessária para formar células nervosas sensíveis à luz (fotorreceptores) na retina, ajudando a manter a visão noturna; – Ajuda a manter a saúde da pele, da córnea e do revestimento dos pulmões, do intestino e do trato urinário; – Ajuda a proteger contra infeções; – Formação de rodopsina (um pigmento fotorreceptor na retina); – Integridade do epitélio; – Estabilidade do lisossoma; – Síntese de glicoproteína (união de uma proteína com um hidrato de carbono. As glicoproteínas estão muitas vezes presentes na superfície das células, como proteínas da membrana plasmática ou como parte da matriz extracelular e desempenham um papel crítico nas interações entra células e nos mecanismos de infeção por vírus e bactérias.
D ou D3 (colecalciferol) D2 (ergocalciferol) D4 (diidroergocalciferol) D5
Coração, dentes, músculos e imunidade. – Promove a absorção de cálcio e fósforo a partir do intestino; – Necessária para a formação, crescimento e reparação (mineralização) dos ossos; – Fortalece o sistema imunológico e reduz o risco de doenças autoimunes. – Função reguladora do metabolismo da insulina (deficiência pode diminuir a resistência à insulina); – Função reguladora do bom funcionamento da tiroide;
E (tocoferol)
Células. – Antioxidante intracelular; – Remove os radicais livres nas membranas biológicas.
K (naftoquinona) K1 (filoquinona) K2 (menaquinonas) K3 (menadiona) K4 (menadiol)
Coagulação, ossos, coração e dentes. – Auxilia na formação de protrombina, outros fatores de coagulação sanguínea e, portanto, é necessária para a normal coagulação do sangue. – Necessária para a saúde dos ossos, dentes e outros tecidos.
B1 (tiamina)
Cérebro, coração e energia. – Necessária para o metabolismo dos hidratos de carbono, glicose, aminoácidos e proteínas, gorduras e álcool; – Funcionamento normal dos nervos (função celular nervosa central e periférica) e do coração (função miocardia).
B2 (riboflavina)
Células, cérebro, coração, energia e visão. – Vários aspectos do metabolismo dos hidratos de carbono e proteínas; – Integridade da mucosa. (ex: mucosa bucal).
B3 (niacina, vitamina PP, ácido nicotínico ou nicotinamida)
Mucosas, pele, cérebro e energia. – Metabolismo celular de hidratos de carbono, de gorduras e muitas outras substâncias, para o funcionamento normal das células; – Reações de oxidação e redução.
B4 ou Adenina Atualmente não é considerada uma vitamina
B5 (ácido pantoténico)
Cérebro e energia. – Necessário para o metabolismo de hidratos de carbono, proteínas e gorduras. É essencial na síntese da coenzima A, sendo por isso uma vitamina essencial no metabolismo dos mamíferos.
B6 (piridoxina, piridoxal, piridoxamina )
Cérebro, coração, energia e imunidade. – Necessária para o metabolismo de hidratos de carbono, aminoácidos e gorduras, para o funcionamento normal dos nervos, para a formação de glóbulos vermelhos e para uma pele saudável; – Importante em muitos aspectos do metabolismo do nitrogênio (p. ex., transaminação, síntese heme e porfirina, conversão do triptofano em niacina) – Biossíntese de ácido nucleico.
B7 ou B8 ou H (biotina)
Digestão, mucosas, pele, unhas e energia. Essencial a todos os organismos. Alguns conseguem sintetizá-la, como algumas estirpes de bactérias, leveduras, fungos, algas e certas espécies de plantas. – Necessária para o metabolismo de carboidratos e ácidos gordos. Funciona como uma coenzima no metabolismo das purinas e dos hidratos. – Atua na formação da pele, unhas e cabelo,.
B9 (ácido fólico)
Digestão, cérebro, coração, energia, imunidade e reprodução. – Necessária para a formação dos glóbulos vermelhos do sangue (maturação dos eritrócitos) para a síntese do DNA e do RNA e para o desenvolvimento normal do sistema nervoso no feto; – Síntese de purinas, pirimidinas e metionina;
B10 (ácido 4-aminobenzoico) Atualmente não é considerada uma vitamina
B11 não existe
B12 (cianocobalamina)
Cérebro, coração e imunidade. – Necessária para a formação e maturação dos glóbulos vermelhos do sangue, para o funcionamento dos nervos e para a síntese do DNA. – Síntese e reparação de mielina. A bainha de mielina é uma membrana protetora essencial do axónio que é uma parte relevante das células nervosas.
C (ácido ascórbico)
Células, mucosas, pele, unhas, coração, dentes, músculos, imunidade e energia. – Necessária para a formação, crescimento e reparação dos ossos, pele e tecido conjuntivo; – Melhora a cicatrização de feridas e queimaduras. É importante para o funcionamento normal dos vasos sanguíneos; – Atua como um antioxidante, protegendo as células contra danos causados pelos radicais livres; – Ajuda o organismo a absorver o ferro; – Formação de colagénio; – Síntese de aminoácidos, hormonas e carnitina;
A maior parte das vitaminas encontram-se quer na carne quer nos vegetais. No entanto algumas só se encontram na quantidade saudável necessária a nossa alimentação incluir carne e vegetais.
Assim, se não comer carne, por exemplo se for vegan, dificilmente conseguirá um aporte saudável de vitamina B12. Por outro lado se não comer vegetais, por exemplo se seguir uma dieta carnívora, dificilmente conseguirá ingerir a quantidade necessária de vitamina C.
Vitaminas
Fontes alimentares
A (retinol)
Como vitamina pré-formada: óleos de fígado de peixe, fígado, gemas de ovos, manteiga, produtos lácteos enriquecidos com vitamina A Como carotenoides pró-vitamina: vegetais verdes escuros e amarelos, cenoura e frutas amarelas e laranjas
D (colecalciferol)
Irradiação direta da pele por ultravioleta B (fonte principal); derivados do leite enriquecidos (principal fonte dietética), óleos de fígado de peixe, peixes gordos, fígado
E (tocoferol)
Óleos vegetais (prefira azeite extra virgem) e oleaginosas como nozes, amêndoas, avelãs, castanha de caju, castanha do Pará, pistáchios e macadâmia.
K (naftoquinona)
Vegetais folhosos verdes (em especial couve, espinafre e saladas verdes), soja, óleos vegetais Bactérias do trato gastrointestinal após o período neonatal.
B1 (tiamina)
Grãos integrais, carnes (em especial porco e fígado), cereais enriquecidos, oleaginosas, legumes, batatas.
Fígado, carne vermelha, peixe, aves, legumes, pães e cereais de grãos integrais ou enriquecidos.
B5 (ácido pantoténico)
Fígado, carne, gema de ovo, levedura, batatas, brócolos e cereais integrais. O termo pantoténico tem origem no grego “pantos” significando “em toda a parte”. Assim, a vitamina B5 encontra-se na maioria dos alimentos de origem vegetal e animal. A B5 também pode ser sintetizada pelas bactérias intestinais.
No que concerne à tabela acima descrita e nomeadamente a fontes alimentares a minha opinião é clara e pode ser resumida nos seguintes pontos mais relevantes:
Inclua nas refeições diversidade de alimentos de produção biológica/orgânica quer de origem animal quer de origem vegetal, em quantidades sempre moderadas;
Exclua todos os alimentos processados;
Coma muito pouco (ou nenhum) pão, cereais, sementes e leite;
Não exagere na fruta por causa do excesso de frutose;
Coma poucas vezes por dia, de preferência apenas duas refeições;
Se não tiver doenças graves, todos os dias faça pelo menos 12 a 16 horas de jejum (incluindo as horas de sono), mas comece de forma moderada se não estiver habituado. Se tiver alguma doença crónica e/ou grave deve, obviamente, falar com o seu médico e pedir o seu apoio, desde que este tenho um conhecimento atualizado sobre os benéficos do jejum (a maioria infelizmente vai dizer que é muito perigoso!). Se a resposta for negativa ouça uma segunda opinião médica mas pergunte qual o suporte científico dessa decisão. Se ambas as opiniões médicas forem negativas aceite e esqueça o jejum.
As vitaminas são uma parte vital de uma dieta saudável. Foi determinada a ingestão diária recomendada (IDR) para a maioria das vitaminas, ou seja, a quantidade diária que a maioria das pessoas saudáveis precisa para se manter saudável. Para algumas vitaminas, foi determinado um limite superior de segurança (nível superior de ingestão tolerado). O consumo que excede esse nível aumenta o risco de ocorrência de um efeito prejudicial (toxicidade).
A falta de vitaminas pode provocar doenças graves mas o seu excesso, a hipervitaminose, também esconde muitos perigos! A tabela seguinte descreve as doenças provocadas pela falta de vitaminas.
Vitaminas
Efeitos da deficiência e do excesso (toxicidade)
A (retinol)
Deficiência: Cegueira noturna, hiperqueratose peri folicular, xeroftalmia, queratomalacia, aumento da morbidade e mortalidade em crianças mais novas. Toxicidade: Queda de cabelo, lábios rachados, pele seca, enfraquecimento dos ossos, dores de cabeça, elevações dos níveis de cálcio no sangue e um distúrbio raro caracterizado pelo aumento da pressão dentro do crânio, denominado hipertensão intracraniana idiopática e hepatoesplenomegalia.
D (colecalciferol)
Deficiência: Raquitismo (às vezes com tetania), osteomalacia. Toxicidade: Hipercalcemia (cálcio elevado no sangue), calcificação das artérias, anorexia, falência renal, calcificação metastática.
E (tocoferol)
Deficiência: Hemólise de eritrócitos, deficites neurológicos. Toxicidade: Tendência a sangramento.
K (naftoquinona)
Deficiência: Sangramento decorrente de deficiência de protrombina e outros fatores, osteopenia.
B1 (tiamina)
Deficiência: Beribéri (neuropatia periférica, insuficiência cardíaca), síndrome de Wernicke-Korsakoff e psicose de Korsakoff.
Deficiência: Anemia megaloblástica, defeitos do tubo neural no nascimento, confusão.
B5 (ácido pantoténico)
Deficiência: Está presente na maioria dos alimentos, por isso a carência é rara. Nestes casos os sintomas serão náuseas, vómitos, diarreia, dores abdominais, alopécia, fadiga e dor de cabeça. Toxicidade: Rara. Transtornos gastrointestinais e probabilidade de hemorragias quando tomado em simultâneo com antiagregantes plaquetários (salicilatos).
Deficiência: Rara mas pode originar alopécia, letargia e ataxia. Ocorre geralmente em três situações, são elas a alimentação parentérica prolongada sem suplemento de biotina, lactentes alimentados com leite em pó sem biotina e consumo de clara do ovo crua por um período prolongado. A clara do ovo contém uma glicoproteína, chamada avidina que se liga à biotina com grande afinidade e impede a sua absorção. Quando a clara é cozinhada, a avidina sofre alterações e perde essa capacidade de ligação à biotina.
B9 (ácido fólico)
Deficiência: Anemia megaloblástica, defeitos do tubo neural no nascimento, confusão.
As vitaminas A, D, E, B3, B6, B9 e C apresentam uma dosagem limite superior de segurança. Quando esta dosagem diária máxima é ultrapassada pode causar toxicidade e doenças associadas.
Vitaminas
Ingestão diária recomendada (IDR) num adulto
Limite superior de segurança
A (retinol)
700 microgramas para mulheres 900 microgramas para homens 770 microgramas para gestantes 1.300 microgramas para mulheres a amamentar
3.000 microgramas
D (colecalciferol)
600 UI para pessoas de 1 a 70 anos 800 UI para pessoas com mais de 70 anos
4.000 UI (unidades internacionais)
E (tocoferol)
15 miligramas (22 unidades de natural ou 33 unidades de sintética) 19 miligramas para mulheres a amamentar
1.000 miligramas
K (naftoquinona)
90 microgramas para mulheres 120 microgramas para homens
B1 (tiamina)
1,1 miligramas para mulheres 1,2 miligramas para homens 1,4 miligramas para gestantes ou mulheres que estejam a amamentar
B2 (riboflavina)
1,1 miligramas para mulheres 1,3 miligramas para homens 1,4 miligramas para gestantes 1,6 miligramas para mulheres a amamentar
B3 (niacina)
14 miligramas para mulheres 16 miligramas para homens 18 miligramas para gestantes 17 miligramas para mulheres a amamentar
35 miligramas
B5 (ácido pantoténico)
5 miligramas (mas a QDR não foi estabelecida) 6 miligramas para gestantes 7 miligramas para mulheres a amamentar
B6 (piridoxina)
1,3 miligramas para mulheres e homens mais jovens 1,5 miligramas para mulheres com mais de 50 anos 1,7 miligramas para homens com mais de 50 anos 1,9 miligramas para gestantes 2,0 miligramas para mulheres a amamentar
100 miligramas
B7 ou B8 ou H (biotina)
30 microgramas (mas a QDR não foi estabelecida) 35 microgramas para mulheres a amamentar
B9 (ácido fólico)
400 microgramas 600 microgramas para gestantes 500 microgramas para mulheres a amamentar
1.000 microgramas
B12 (cianocobalamina)
2,4 microgramas 2,6 microgramas para gestantes 2,8 microgramas para mulheres a amamentar
C (ácido ascórbico)
75 miligramas para mulheres 90 miligramas para homens 85 miligramas para gestantes 120 miligramas para mulheres a amamentar 35 miligramas a mais no caso de fumadores
Deficiência vitamínica causada por fármacos e drogas
No geral, todos os medicamentos cujo princípio activo seja uma molécula estranha ao nosso corpo causam alguma deficiência vitamínica ou mineral que pode ser importante e originar outros problemas de saúde. Na tabela seguinte descrevo as carências vitamínicas mais conhecidas causadas por medicamentos importantes muito utilizados como antibióticos, antidiabéticos, antiácidos e outras substâncias que ingerimos.
Fármaco ou substância
Vitaminas afetadas
Álcool
Ácido fólico Tiamina Vitamina B6
Antiácidos (para o estômago) como bicarbonato de sódio, carbonato de cálcio, hidróxido de alumínio e hidróxido de magnésio.
Vitamina B12
Antibióticos, como a isoniazida, tetraciclina e sulfametoxazol/trimetoprim
Vitaminas do complexo B Ácido fólico Vitamina K
Anticoagulantes, como a varfarina (utilizados para evitar tromboses)
Vitamina E Vitamina K
Anticonvulsivantes, como fenitoína e fenobarbital (utilizados na epilépsia)
Biotina Ácido fólico Vitamina B6 Vitamina D Vitamina K
Antipsicóticos
Riboflavina Vitamina D
Barbitúricos, como o fenobarbital
Ácido fólico Riboflavina Vitamina D
Medicamentos quimioterápicos, como o metotrexato (utlilizados como anticancerígenos)
Ácido fólico
Colestiramina (capta o colesterol e transforma-o em ácidos biliares. Diminui o colesterol no sangue)
Vitamina A Vitamina D Vitamina E Vitamina K
Corticosteroides (utilizados em doenças autoimunes e inflamação)
Vitamina C Vitamina D
Cicloserina (antibiótico para tratar tuberculose)
Vitamina B6
Hidralazina (hipertensão arterial e pulmonar e insuficiência cardíaca congestiva)
Vitamina B6
Levodopa (antiparkinsónicos)
Vitamina B6
Óleo mineral (parafina ou vaselina liquida) se usado por prazo longo
Vitamina A Vitamina D Vitamina E Vitamina K
Metformina (antidiabético mais utilizado no mundo)
Ácido fólico Vitamina B12
Óxido nitroso se exposição repetida (anestésico fraco com efeito analgésico)
Vitamina B12
Contraceptivos orais (para evitar gravidez)
Ácido fólico Tiamina Vitamina B6
Penicilamina (anti-reumático e antiurolítico)
Vitamina B6
Fenotiazinas como a clorpromazina (antipsicóticos e neuroléticos)
Riboflavina
Primidona (anticonvulsivante)
Ácido fólico Vitamina D
Rifampicina (antibiótico usado na tuberculose)
Vitamina D Vitamina K
Sulfassalazina (antimicrobiano. Possui ação anti-reumatoide e também é utilizada na doença intestinal inflamatória crónica)
Ácido fólico
Hidroclorotiazida e diuréticos tiazídicos (hipertensão arterial e Insuficiência cardíaca inicial)
Riboflavina
Triantereno (diurético usado na hipertensão e edema)
Ácido fólico
Antidepressivos tricíclicos, como a amitriptilina e a imipramina
Vitaminas e minerais mais importantes para o cérebro?
As vitaminas e os minerais são nutrientes necessários ao funcionamento fisiológico normal. Muitas delas desempenham funções cruciais no cérebro numa variedade de processos. Mas será que são assim tão importantes ou existem outros fatores bem mais relevantes para a nossa saúde cerebral? Vamos por partes!
Vitamina B1 (tiamina)
Vitamina B1 ou tiamina, é uma coenzima do ciclo das pentoses fosfato, que é um passo necessário na síntese de ácidos gordos, esteroides, ácidos nucleicos e aminoácidos para neurotransmissores e outros compostos bioativos essenciais na função cerebral (Kerns et al., 2015). Desempenha um papel neuromodulador sobre o neurotransmissor acetilcolina e contribui para a estrutura e função das membranas celulares, incluindo neurónios e células da glia (Bâ, 2008).
Numa revisão de ensaios clínicos randomizados controlados envolvendo suplementação com tiamina na dose de 3 mg/dia, os resultados da função cognitiva foram inconsistentes. O tamanho pequeno da amostra e o desenho do estudo inadequado, tal como um estudo cruzado que não é recomendado para doenças progressivas como o Alzheimer, foram as principais causas para essa inconsistência (Rodríguez-Martín et al., 2001).
O limitado número de estudos e a falta de ensaios clínicos randomizados indicam que há evidência insuficiente para tirar conclusões acerca da influência da tiamina na função cognitiva em idosos saudáveis. São necessários melhores estudos coorte e experimentais concebidos nesta área (Koh et al., 2015).
Vitamina B2 (riboflavina)
Vitamina B2 ou riboflavina, é um poderoso antioxidante obtido a partir da carne e de produtos lácteos. Contudo, apesar dessa sua característica, há poucos estudos de neuroprotecção com riboflavina. A sua deficiência leva a sintomas como fadiga, mudança de personalidade e disfunção cerebral (Zempleni, 2007). Baixos níveis de vitaminas B estão associados ao aumento de homocisteína, conhecida por ter efeito neurotóxico direto (Ho et al., 2001).
Num estudo com população idosa coreana, a hiperhomocisteinémia manifestou-se como um fator de risco significativo para o declínio cognitivo. Na população com Alzheimer desse mesmo estudo, não se observou associação entre a função cognitiva e os parâmetros dietéticos. Por outro lado, nos participantes com défice cognitivo leve, a ingestão de vitamina B2 influenciou positivamente os testes de memória e de reconhecimento.
Já no grupo dos indivíduos saudáveis, não houve associação entre a ingestão de vitamina B2 e a função cognitiva. Contudo, sendo este estudo observacional, não pode provar a causalidade, para além de os resultados serem difíceis de interpretar e aplicar à população em geral, pois não foi usada uma amostra aleatória. Assim, são necessários mais estudos prospetivos para investigar a relação de causalidade entre a função cognitiva e a ingestão de vitamina B2 (Kim et al., 2014).
Vitamina B3 (niacina)
Vitamina B3 ou nicotinamida, tem sido extensivamente estudada como agente neuroprotetor. O tratamento com nicotinamida demonstrou melhoria sensorial, motora e cognitiva (Vonder Haar et al., 2011; Vonder Haar et al., 2014).
Com base na evidência em modelos animais, há um potencial considerável para o uso de nicotinamida em patologias neurológicas, todavia ainda há alguns fatores, nomeadamente o limite máximo para a toxicidade humana e a eficácia na população idosa e a longo prazo, que precisam de ser investigados antes de evoluir para os ensaios clínicos (Vonder Haar et al., 2013).
Vitamina B6 (piridoxina)
Vitamina B6 ou piridoxina, é essencial à síntese dos neurotransmissores dopamina e serotonina para além de reduzir os níveis de homocisteína, visto que o seu aumento está associado ao risco de doença cerebrovascular e possíveis efeitos tóxicos sobre os neurónios do SNC (Ford et al., 2012).
Estudos epidemiológicos indicam que um nível baixo de vitamina B6 é comum entre os idosos, sendo a hiperhomocisteinémia uma possível causa da demência. No entanto, numa revisão que incluiu ensaios duplamente cegos e cujo objetivo primário era avaliar a eficácia da suplementação de vitamina B6 na cognição, não foi encontrada evidência do seu benefício, a curto prazo, sobre o humor (sintomas de depressão, fadiga e tensão) ou nas funções cognitivas. (Malouf et al, 2003).
Também num ensaio multicêntrico e duplamente cego, cujo objetivo era a avaliação da eficácia e segurança da suplementação com vitaminas B, entre as quais a B6, não se observou o decréscimo do declínio cognitivo em doentes de Alzheimer (Aisen et al., 2008).
Deste modo, são necessários mais ensaios clínicos para explorar os possíveis benefícios da suplementação com esta vitamina em indivíduos saudáveis bem como com défice cognitivo e demência.
Vitamina B9 (ácido fólico)
Vitamina B9 ou ácido fólico, tem sido largamente estudado no que diz respeito aos seus efeitos na cognição, particularmente em idosos. Juntamente com a vitamina B6 e a B12, a vitamina B9 é um importante cofator no ciclo da homocisteína, que é crucial para inúmeros processos, incluindo a expressão de ADN e a síntese de creatina, melatonina e noradrenalina (Haar et al., 2015).
Num ensaio clínico randomizado, unicêntrico e controlado, envolvendo 180 indivíduos acima dos 65 anos, foram avaliados os efeitos da suplementação com ácido fólico na função cognitiva dessa mesma população. Nos 159 que completaram o ensaio, verificaram-se melhorias no ácido fólico sérico, na homocisteína e na vitamina B12 sérica.
De um modo geral, encontrou-se evidência do efeito benéfico da suplementação, a curto prazo, em dois testes de avaliação da função cognitiva. Num futuro próximo, será necessário realizar ensaios maiores, a longo prazo e cujo um dos resultados a avaliar seja a demência, a fim de se chegar a uma melhor conclusão (Ma et al., 2015).
Vitamina B12 (cianobalamina)
Vitamina B12 ou cianocobalamina, é necessária na metilação da homocisteína. A sua deficiência tem sido associada a doenças neurodegenerativas e comprometimento cognitivo, contudo o tratamento com suplementação de vitamina B12 não altera consideravelmente a função cognitiva em indivíduos com deficiência pré-existente (Moore et al., 2012). Por outro lado, o tratamento com vitamina B12 e ácido fólico, em indivíduos com comprometimento cognitivo, levou à diminuição da atrofia cerebral (Health Quality Ontario, 2013).
Há ainda uma grande necessidade de ensaios clínicos para compreender a natureza da associação de insuficiência de vitamina B12 com doença neurodegenerativa. As vitaminas B6, B9 e B12 são essenciais ao normal funcionamento do cérebro à medida que envelhecemos, como resultado da sua ação sobre o metabolismo da homocisteína e outros mecanismos.
Contudo, investigações até ao momento ainda não demonstraram evidência convincente do benefício da suplementação de vitaminas B na capacidade cognitiva, sendo prematuro concluir acerca desta terapia. São necessárias mais pesquisas para avaliar a dose ideal, a janela terapêutica e as diferenças individuais (Forbes et al., 2015).
Vitamina C (ácido ascórbico)
Vitamina C ou ácido ascórbico, é um antioxidante essencial no cérebro que exerce numerosas funções, incluindo a eliminação de ROS, neuromodulação e envolvimento na angiogénese. Estudos experimentais em animais apontam a vitamina C como um fator chave na prevenção do declínio cognitivo, tanto no envelhecimento como em doenças neurodegenerativas. Contudo, ensaios clínicos em humanos não têm sido capazes de confirmar os efeitos benéficos da suplementação e/ou intervenção da vitamina C, tendo como uma das principais razões a diferença dos critérios de inclusão.
Consequentemente, são necessários mais estudos usando a vitamina como única substância, ao invés de combinações de vitaminas, e focando subgrupos específicos com aumento da prevalência de deficiência de vitamina C (Hansen et al., 2014).
Vitamina E (tocoferol)
Vitamina E sob a forma de tocoferóis e tocotrienóis, desempenha um papel crucial na proteção do SNC, atuando como antioxidante. A evidência de que os radicais livres podem contribuir para os processos patológicos da função cognitiva, incluindo a doença de Alzheimer, levou ao aumento do interesse pela utilização de vitamina E no tratamento do défice cognitivo ligeiro (DCL) e da DA (Mangialasche et al., 2010).
Contudo, há também a evidência de que a vitamina E usada em doses elevadas é considerada tóxica (acima de 3000 UI/dia) e pode estar associada a sintomas como fadiga e distúrbios gastrointestinais, ou mesmo conduzir à mortalidade. Por outro lado, tem havido um aumento crescente de evidências de que a suplementação com esta vitamina, em doses terapêuticas, pode também causar efeitos adversos como o aumento da tendência para hemorragias e a potenciação do efeito da aspirina. (Farina et al., 2012; Miller et al., 2005).
No entanto, as conclusões acerca da eficácia da vitamina são baseadas apenas na forma alfa-tocoferol e, portanto, não é possível comentar acerca das outras formas, sendo necessárias investigações futuras acerca destas para encontrar provas convincentes de que a vitamina E é ou não benéfica no tratamento de demências (Farina et al., 2012).
Sódio (Na)
O sódio (Na) é consumido na forma de cloreto de sódio (NaCl) ou sal. Controla a função nervosa e muscular em estreita ligação com o potássio K) , mantendo o equilíbrio hídrico nas células e nos tecidos do nosso corpo. Nos países ocidentais, a maioria das pessoas ingere sal em excesso, por isso a deficiência de sódio é rara.
Precauções sobre o sódio
Obviamente o excesso de sódio (sal) é sabido que pode causar sérios problemas de hipertensão arterial, pelo que deve ser cuidadoso.
Potássio (K)
O potássio é essencial para a transmissão de impulsos nervosos, sendo um dos eletrólitos do corpo, que são minerais que carregam uma carga elétrica quando dissolvidos em líquidos corporais, como o sangue. O corpo precisa de potássio para as células nervosas e musculares funcionarem. Assim, os sinais iniciais de deficiência de potássio são geralmente apatia e fraqueza. Os alimentos de origem vegetal, geralmente, são boas fontes de potássio. Alguns bons exemplos são as bananas, oleaginosas, sementes, leguminosas, abacate, grãos integrais, frutos secos, tomates e batatas.
Precauções sobre o potássio
O excesso de potássio (hipercalémia) também pode interferir na função transmissora de impulsos nervosos. Por si só, o aumento da ingestão de potássio geralmente não causa hipercalemia, uma vez que os rins normais realizam um bom trabalho na excreção de qualquer potássio em excesso.
Regra geral, a hipercalemia resulta de diversos problemas simultâneos, tais como:
Distúrbios renais que impedem que os rins excretem potássio suficiente;
Medicamentos que impedem que os rins excretem quantidades normais de potássio (causa comum de hipercalemia leve);
Uma dieta rica em potássio;
Tratamentos que contenham potássio;
A causa mais comum da hipercalemia leve é o uso de medicamentos que diminuem o fluxo sanguíneo para os rins ou impedem que os rins excretem quantidades normais de potássio. Alguns exemplos são os seguintes:
Alisquireno (anti-hipertensivo);
Inibidores da enzima conversora de angiotensina (ECA), são dos anti-hipertensivos mais utilizados;
Bloqueadores dos recetores da angiotensina (anti-hipertensivos);
Ciclosporina (usada para prevenir a rejeição de órgãos transplantados);
Diuréticos que ajudam os rins a conservar potássio, como eplerenona, espironolactona e triantereno;
Medicamentos anti-inflamatórios não esteroides;
Tacrolimo (usado para prevenir a rejeição de órgãos transplantados)
Trimetoprima (antibiótico)
A insuficiência renal pode provocar hipercalemia grave. A doença de Addison também pode causar hipercalemia.
A hipercalemia leve causa poucos sintomas, ou nenhum. Às vezes, a pessoa pode apresentar fraqueza muscular. Em uma doença rara chamada paralisia periódica hipercalêmica familiar, a pessoa apresenta crises de fraqueza que podem progredir até a paralisia.
Quando a hipercalemia se torna mais grave, ela pode causar ritmos cardíacos anormais . Se os níveis estiverem muito altos, o coração pode parar de bater.
Cálcio (Ca)
O cálcio é essencial para promover o funcionamento adequado dos nervos e músculos porque está envolvido na condução de impulsos elétricos ao longo dos axónios das células nervosas. A sua deficiência, designada hipocalcemia, pode manifestar-se por espasmos musculares e fadiga generalizada. São boas fontes de cálcio o leite e derivados, hortaliças de folhas verde-escuras e sardinha em lata com a espinha.
Precauções sobre o cálcio
O hiperparatiroidismo é a causa mais comum de hipercalcémia (excesso de cálcio).
A ingestão de doses elevadas de cálcio durante algum tempo aumenta o risco de formação de pedra nos rins e pode originar insuficiência renal, calcificação dos tecidos moles e vasculares e hipercalciúria (níveis elevados de cálcio na urina).
Parte do cálcio absorvido é eliminado pela urina, fezes e suor, o que pode ser afetado pela ingestão de sódio (a ingestão de níveis altos de sódio aumenta a excreção de cálcio), consumo de cafeína (aumenta a excreção de cálcio) e álcool (reduz a absorção de cálcio).
O cálcio diminui a absorção de antibióticos, bifosfonatos (medicamentos para a osteoporose) e da levotiroxina (medicamento para a tiroide), por isso a toma destes medicamentos e de suplementos de cálcio deve ser separada por um intervalo de 2 horas.
Os antagonistas dos recetores H2 e os inibidores da bomba de protões diminuem a absorção de carbonato de cálcio e fosfato de cálcio. Sabe-se ainda que os glucocorticoides também diminuem a absorção de cálcio.
Os diuréticos, tal como as tiazidas (medicamentos para a hipertensão), aumentam o risco de hipercalcémia (excesso de cálcio) por aumento da reabsorção de cálcio nos rins.
Doses elevadas de cálcio em pessoas que tomam digoxina (medicamento para o coração) aumenta a probabilidade de alterações no ritmo cardíaco, por isso é preciso precaução nesta associação.
O cálcio será mais eficaz se for acompanhado das vitaminas A, C e D, ferro, magnésio e fósforo.
Magnésio (Mg)
O magnésio é um dos minerais mais importantes para o nosso organismo estando envolvido em mais de 300 reações essenciais do nosso corpo. O magnésio é importante para o funcionamento do hipocampo, que é uma parte do sistema límbico que controla o humor, a memória e a aprendizagem. Boas fontes de magnésio são por exemplo as oleaginosas, damascos secos, figos secos, aveia, farinha integral e extrato de levedura.
Precauções sobre o magnésio
No entanto a suplementação com magnésio deve ser cuidadosa pois pode causar sérios transtornos gastro intestinais, nomeadamente diarreias perigosas.
Ferro (Fe)
O ferro é essencial para a formação de hemoglobina nas hemácias. a hemoglobina é a substância que leva um fluxo constante de oxigênio para o cérebro. O consumo adequado melhora a função mental e o desempenho académico. Os sinais iniciais de deficiência de ferro são a fadiga e falta de concentração. Exemplos de boas fontes de ferro são a carne, os miúdos do animal, sardinha, gemas e hortaliças de folhas verde-escuras.
Precauções sobre o ferro
A suplementação com ferro deve ser cuidadosamente vigiada pelo médico pois o excesso de ferro pode ser muito perigoso por causa da sua enorme capacidade de oxidação. Na natureza pode observa-se esse poderoso fenómeno de oxidação com a ferrugem das peças compostas de ferro.
Zinco (Zn)
O zinco é um mineral essencial encontrado em alguns alimentos e suplementos. É necessária a sua ingestão diária uma vez que o nosso organismo não possui reservas deste mineral.
A importância do zinco na nutrição humana e na saúde pública foi conhecida há relativamente pouco tempo. A deficiência neste mineral foi descrita pela primeira vez em 1961, quando o consumo de dietas com baixa biodisponibilidade de zinco devido aos fitatos presentes nos alimentos foi associado ao nanismo. Assim, a deficiência em zinco foi reconhecida como um problema importante de saúde pública, principalmente nos países em desenvolvimento.
O zinco está envolvido inúmeras etapas do metabolismo celular. É essencial para a atividade de mais de 300 enzimas e tem um papel relevante nas seguintes funções e processos:
Função imunitária,
Síntese proteica,
Metabolismo dos hidratos de carbono,
Metabolismo dos lípidos,
Medeia o metabolismo de algumas vitaminas como a vitamina A (retinol), vitamina B6 (piridoxina) e vitamina B9 (folato ou ácido fólico),
Cicatrização de feridas,
Síntese do DNA,
Divisão celular e apoptose,
Libertação de hormonas como a testosterona,
Transmissão dos impulsos nervosos,
Promove a ação da insulina,
Essencial para os sentidos do olfato e paladar e tem propriedades antioxidantes,
Contribui ainda para o normal crescimento e desenvolvimento durante a gravidez, infância e adolescência.
A ingestão de zinco contribui ainda para uma normal função cognitiva, para uma fertilidade e reprodução normal, e para a manutenção de ossos, cabelo, unhas, pele e visão normais.
Fontes de zinco
O zinco pode ser encontrado numa grande variedade de alimentos tais como carne vermelha e de aves, feijão, nozes, marisco (ostras, caranguejo e lagosta), cereais enriquecidos, gérmen de trigo, levedura de cerveja, sementes de abóbora, ovos e laticínios.
Não existem estudos que permitam estabelecer o VRN, mas os seguintes valores garantem uma nutrição saudável:
Homens 11mg/dia,
Mulheres 8mg/dia.
Cuidado com os fitatos!
Os fitatos do pão integral, cereais, legumes e outros alimentos ligam-se ao zinco e inibem a sua absorção, por isso a biodisponibilidade do zinco a partir de cereais e vegetais é menor do que a partir de alimentos de origem animal.
Carência em zinco
Não são comuns os casos de deficiência em zinco. Quando ocorre regra geral deve-se à ingestão ou absorção inadequadas, aumento das perdas de zinco no organismo ou aumento das necessidades.
A carência em zinco pode ocorrer em casos de doenças associadas ao trato gastrointestinal, vegetarianismo, gravidez e amamentação, ou pessoas que sofrem de alcoolismo e caracteriza-se por atraso no crescimento, perda de apetite e função imunitária alterada.
Nos casos graves ocorre queda de cabelo, diarreia, infeções frequentes, desenvolvimento sexual retardado, impotência, hipogonadismo nos homens, danos nos olhos e pele, perda de peso, cicatrização de feridas demorada, alterações no paladar e letargia.
Uso terapêutico
Doentes com úlceras crónicas na perna apresentam alterações no metabolismo do zinco e baixos níveis deste mineral no sangue, assim, os médicos tratam as úlceras com suplementos de zinco.
A deficiência em zinco provoca uma alteração na resposta imunitária que contribui para uma maior susceptibilidade a infeções, o que pode aumentar a probabilidade de contrair diarreia, principalmente nas crianças. Por isso a OMS (Organização Mundial de Saúde) e a UNICEF (Fundo das Nações Unidas para a Infância) recomendam um suplemento diário de zinco de 20mg durante 10 a 14 dias para crianças com diarreia aguda e 10mg para bebés com menos de 6 meses de idade para reduzir a gravidade da situação e prevenir novas ocorrências nos 2-3 meses seguintes.
Nas constipações, foi demonstrado que o zinco é benéfico na redução da duração e gravidade em pessoas saudáveis, se usado nas primeiras 24 horas após o aparecimento dos sintomas. No entanto, são necessários mais estudos para determinar a dose, formulação e duração do tratamento para uma recomendação mais precisa.
Precauções
A toxicidade causada pelo zinco pode ser aguda ou crónica. Na fase aguda, podem ocorrer náuseas, vómitos, perda de apetite, dores abdominais, diarreia e dores de cabeça.
Na toxicidade crónica, teremos níveis baixos de cobre, alterações no ferro, redução da função imunitária e níveis reduzidos de HDL (colesterol bom).
Grandes quantidades de ferro nos suplementos podem diminuir a absorção de zinco, por isso os suplementos de ferro devem ser tomados no intervalo das refeições de modo a diminuir esta interação. Por outro lado, doses elevadas de zinco podem inibir a absorção de cobre.
A deficiência em zinco está associada a uma diminuição da libertação de vitamina A a partir do fígado. Assim, aumentando a ingestão de zinco, torna-se necessário aumentar também a ingestão de vitamina A.
Algumas substâncias inibem a absorção do zinco, tais como fibras, cálcio, magnésio, fósforo, ferro inorgânico e fitatos. Outras substâncias promovem a sua absorção, tais como a carne, metionina, cisteína, ácido cítrico e ácido láctico.
Alguns medicamentos podem diminuir os níveis de zinco, como é o caso da cisplatina, desferroxamina, diuréticos, IECAs (Inibidores da Enzima Conversora da Angiotensina) e valproato de sódio.
O zinco fortalece o sistema imunitário, por isso não deve ser tomado juntamente com medicamentos imunossupressores como corticosteroides ou ciclosporina.
O zinco reduz a absorção e a ação da penicilamina, por isso, os suplementos de zinco, devem ser tomados pelo menos 2 horas antes ou depois da toma de penicilamina.
O zinco atua melhor em associação com a vitamina A, cálcio e fósforo.
O que faz bem ao cérebro?
Desengane-se se considera que apenas um suplemento multivitamínico e mineral, por si só, vai resolver o problema de saúde do nosso cérebro pois este é demasiado complexo para uma abordagem tão simplista como gostaríamos! Para além das vitaminas e minerais acima descritas serem importantes para a nossa saúde cerebral, existem outros fatores muito relevantes sem os quais dificilmente teremos a capacidade para manter uma boa memória, raciocino, boas decisões, lucidez e provavelmente felicidade! Descrevo de seguida os mais importantes e os artigos que já publiquei (basta clicar na imagem para ler) sobre esses temas tão importantes:
Qualidade do sono;
Atividade física;
Ansiedade ou stress sob controle;
Tensão arterial controlada;
Não beber álcool.
Os temas acima descritos estão detalhados nos seguintes artigos já publicados:
Sempre com emoção partilho convosco um projeto com mais de dois anos disponível e publicado para aquisição. Trata-se do meu primeiro livro “As cinco grandes mentiras sobre saúde“.
Nele descrevo em detalhe toda a minha experiência pessoal e profissional dos últimos 30 anos e o que de relevante traçou o meu caminho para uma saúde otimizada e uma vida simples, tranquila e feliz.
Também tu, em pouco tempo, podes ter uma saúde bem melhor e uma vida com espaço para a tua felicidade. Em exclusivo partilho contigo de seguida a introdução, espero que gostes 🙂
Descobrir a verdade acerca das 5 grandes mentiras sobre saúde mudou, em pouco tempo, a minha vida para sempre. Lembro-me bem da manhã solar em que despertei sem dores de costas após ensaiar pequenas renovações de alimentos e hábitos diários. Com uma história de tantos anos de dores matinais, era árduo acreditar que em tão escasso limite temporal fosse possível lograr o abandono dos analgésicos e dos seus “primos” anti-inflamatórios. Naquela manhã senti que a sebenta do tempo me ofereceu uma página nova para reescrever a minha vida. Nos dias seguintes a minha digestão voltou a trilhar o caminho da normalidade e a qualidade do sono sanou de forma intrigante. A autoestima cicatrizada, de repente, demonstrou-me que o controle da minha vida e da minha saúde, em particular, voltou a estar no conforto das minhas mãos, aquecidas pelo calor do meu miocárdio que batia feliz. Dei comigo a sorrir sem parar, numa sensação de luz e alegria sem preço possível de registar.
O nosso universo nasceu há cerca de 13,8 biliões de anos e não fazemos a mais pequena ideia sobre o que existia antes disso, sendo este o maior de todos os enigmas por desvendar. Nesse momento inicial do nascimento com a grande explosão, matéria e antimatéria formaram-se na mesma proporção mas por alguma razão, absolutamente desconhecida até hoje, os átomos de matéria prevaleceram sobre os da antimatéria. Não fosse esse intrigante poder da matéria e hoje apenas existiria energia, nada mais. O século 21 ofereceu já ao humano, pela primeira vez, o poder e criar em laboratórios de alta segurança átomos de antimatéria. Outro imenso mistério é saber como surgiu a consciência humana. Esta é uma característica tão poderosa, tão profunda e tão enigmática que raramente pensamos nela, aliás a maioria nem sequer a considera relevante, afinal ter consciência é normal e de facto é nos humanos, mas apenas nos humanos! Sem consciência não saberíamos da existência do universo, que existimos como parte do mesmo e não teríamos reflexões sobre a nossa própria existência! Como diria Jorge Luís Borges “todos os animais são imortais exceto os humanos porque só nós temos consciência de que vamos morrer”.
Sem consciência desconheceríamos a nossa história evolutiva como espécie e a poderosa influência que, ainda hoje, essa evolução tem na nossa saúde. A Terra tem cerca de 4,6 biliões de anos e a vida na Terra surgiu aproximadamente há 3,5 biliões de anos. Os dinossauros desapareceram, subitamente, há cerca de 66 milhões de anos. No entanto, o primeiro hominídeo, denominado Australopithecus, apareceu em África “apenas” há cerca de 7 milhões de anos e não comia carne. O género Homo surgiu na África há cerca de 2,5 milhões de anos, curiosamente a mesma altura em que provamos carne pela primeira vez, mas apenas as sobras das presas de outros animais, caçadores mais poderosos. Foi necessário 1 milhão de anos de evolução para sermos muito melhores caçadores e usufruir primeiro da carne de animais de grande porte, deixando as sobras para outros. Do género Homo destacam-se algumas espécies como o Homo habilis, surgido entre 2 milhões e 1,4 milhões de anos atrás, tendo sido a primeira a criar artefactos a partir de fragmentos de rocha, absolutamente essenciais para o início e evolução da nossa jornada como poderosos caçadores de animais. Depois surgiu o Homo erectus (1,6 milhão a 150 mil anos atrás), o Homo neanderthalensis que existiu há cerca de 150 mil a 30 mil anos atrás e o Homo sapiens surgido há cerca de 130 mil anos e que sobrevive até hoje!
A agricultura mudou a nossa saúde para sempre e surgiu, aproximadamente, há 12.000 a 10.000 anos atrás. Os Sumérios, que habitavam na Mesopotâmia, situada entre os rios Tigre e Eufrates, (atualmente uma região entre a Síria e o Iraque), inventaram a escrita e o dinheiro há aproximadamente 5.000 anos. O antigo Egito surgiu em 3100 a.C. na margem norte do vale do Nilo e durou até ao ano 30 a.C., data da anexação pelos romanos. A Grécia antiga surgiu em 800 a.C. e estendeu-se até 140 a.C.. O império Chinês começou em 221 a.C. e o império Romano surgiu no ano 27 a.C. e dominou até 476 d.C. Em todas estas civilizações surgiram hábitos alimentares e descobertas que moldaram a nossa saúde. Alguns perderam-se no rumo da história e outros influenciam a nossa vida até hoje. Paradoxalmente, alguns dos hábitos perdidos há séculos voltam agora em pleno século 21, à medida que a ciência prova a sua eficácia mesmo quando comparadas com algumas das mais modernas e sofisticadas terapêuticas farmacológicas.
Certa vez alguém perguntou porque era tão velho o universo? A essa questão alguém respondeu que “é o tempo que demora a criar o humano moderno”! Esta extraordinária frase sublinha, resumidamente, o longo e complexo caminho que fizemos até aqui chegar, civilização após civilização, para criar um animal humano sofisticado que está agora consciente da sua longa herança, complexidade, incrível capacidade de conhecimento, poder para alterar o seu destino, dominar o planeta que habita, viajar para outros planetas, apostar na terraformação de marte e tentar, ainda este século, duplicar a idade média de vida dos humanos que tenham essa ambição. Sim, existem já avanços científicos que nos permitem sonhar com essa realidade de vida longa e de qualidade, desde que a nossa natureza tribal não nos destrua por dentro.
Numa altura de crescimento exponencial do conhecimento, em todas as áreas, com particular relevância para a inteligência artificial, realidade virtual, nanotecnologia, robótica e ciências da saúde, é essencial tirarmos o máximo partido da nossa consciência para identificar e prevenir, por exemplo, as doenças do envelhecimento. Ganha cada vez mais força a corrente científica que defende ser o envelhecimento a causa de quase todas as doenças e que, portanto, se descobrirmos os mecanismos do envelhecimento podemos retardá-lo imenso e ficar livres de doenças durante muitas mais dezenas de anos.
Este livro fala precisamente dos cinco pilares mais importantes para manter a nossa saúde, de forma integrada, com qualidade e alegria, uns bons anos acima da esperança média de vida. No entanto, terás de fazer opções, será necessária a consciência de reconhecer algumas mentiras, descobrir os detalhes da verdade que suportam tal ambição e aceitar que todos os pilares estão unidos num único ser e harmonizam-se em conjunto. O desequilíbrio relevante de um deles pode afetar de forma dramática todas as outras dimensões da nossa saúde.
Neste livro descreve-se também a experiência pessoal do autor, que experimenta, há já alguns anos, alterações simples de hábitos alimentares, físicos, profissionais, relacionais, familiares, sociais e gestão otimizada de ansiedade, sendo esta um dos pilares, absolutamente estruturantes, da qualidade de vida.
O livro apresenta e suporta-se em estudos sólidos, incluindo recentes factos científicos, para revelar as cinco grandes mentiras sobre saúde que, por falta de conhecimento, continuam a degradar a vida de muitos milhões de pessoas, que hoje poderiam viver mais 10, 20 ou até 30 anos, com muito melhor qualidade de vida, se aplicassem diariamente este conhecimento e aprendizagem simples de ciência da saúde. Depois dos cinco capítulos que desvendam outras tantas mentiras, preparei um último capítulo bónus que resume detalhes de conhecimento de ciência da saúde que se revelaram, na minha vida, absolutamente nucleares no combate à doença, à mitigação do stresse, na procura de alegria, felicidade e criação de energia positiva para quem nos acompanha nesta caminhada pela vereda da vida.
As cinco grandes mentiras sobre saúde
Sou Farmacêutico comunitário há trinta anos. Gosto do que faço e tenho um prazer especial em ajudar os doentes e as pessoas saudáveis a entender, em linguagem corrente, o que se passa com a sua saúde. Este gosto surgiu da pesquisa para compreender o que se passava com a minha própria saúde que, há alguns anos atrás, não era a mais recomendável. Sentia má digestão, distensão abdominal, obstipação crónica, dores articulares e lombares diárias, rigidez matinal, ansiedade, colesterol elevado, hipertensão, escoliose e um diagnóstico de espondilite anquilosante feito em 2002, aos 34 anos de idade, por um reumatologista conhecido da cidade do Porto, após cruzar a imagem de raio x da minha coluna vertebral com os sintomas diários de rigidez na zona sacro ilíaca.
A espondilite anquilosante (EA) é uma doença autoimune que provoca inflamação crónica articular progressiva de grandes articulações, principalmente a coluna. Os sintomas mais frequentes são dores nas costas e rigidez. Os primeiros sinais aparecem na adolescência ou no início da idade adulta. Regra geral a doença evolui e provoca, movimentos da coluna progressivamente mais limitados, devido a fusão óssea nas vértebras, chamada de anquilose.
Este quadro de dores com origem em doença inflamatória crónica levava-me a tomar anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) com frequência, por vezes diária, o que por sua vez teve como efeito secundário o aparecimento ou agravamento de lesões gastro-intestinais. Todo este quadro ficou ainda mais severo quando, por razões profissionais, foi necessário fazer turnos de noites de serviço que alteraram o meu ritmo circadiano originando, com frequência, mudanças de humor nomeadamente irritabilidade e ansiedade crescentes, assim, como falhas de memória mais evidentes e prolongados períodos diários de falta de energia. Nesses dias, o meu “menu terapêutico” era rico em anti-inflamatórios, analgésicos, anti-ácidos, inibidores da bomba de protões, anti-histamínicos e claro o inevitável anti-hipertensor.
Hoje, mais de vinte anos depois, sinto mais energia do que nunca, não sinto ansiedade, a minha memória melhorou, tenho uma digestão normal, não tomo quaisquer anti-inflamatórios ou analgésicos e as minhas dores desapareceram por completo. Regularizei a minha tensão arterial, depois de muitos anos a tomar uma dosagem baixa de perindopril e consegui um objetivo que julgava quase impossível, deixar de tomar quaisquer medicamentos. Foi de certa forma uma surpresa pois já tinha tentado o desmame do anti-hipertensor, por diversas vezes, mas sem sucesso.
No final do livro, fazendo parte do capítulo bónus, descrevo tudo o que me permitiu, libertar-me do último medicamento do meu “menu terapêutico” inicial. Além de tudo isto, o meu bom humor parece intacto, o que por sua vez reforça o meu sistema imunitário.
Para adquirir basta clicar nas imagens iniciais das lojas online da Bertrand, Wook e Amazon (Brasil, USA, Espanha, Europa). Se gostar do livro por favor comente nas plataforma com a melhor pontuação que considere justa, cinco estrelas será magnífico 🙂
Alimentação e sopas anti-inflamatórias, qual a importância da sopa na prevenção de doenças crónicas e diversas outras patologias? Como conseguir o melhor da dieta mediterrânea para alcançar uma vida mais saudável?
A Dieta Mediterrânica é amplamente reconhecida pela sua qualidade e benefícios para a saúde. Composta predominantemente por alimentos frescos, sazonais e locais, este padrão alimentar tem sido cientificamente validado por diversos estudos, demonstrando um impacto positivo na prevenção e no controlo de várias doenças crónicas e distúrbios neurodegenerativos.
As sopas, frequentemente consumidas nas várias refeições do dia, são um dos componentes centrais desta dieta, com valor nutricional elevado e impactos benéficos na saúde. Este artigo explora o papel das sopas da dieta mediterrânica, suportado por evidência científica, e apresenta recomendações específicas para diferentes faixas etárias e patologias prevalentes em Portugal e que podem ser utilizadas como referência e muitos outros países.
A minha sopa
Na minha sopa, que consumo diariamente, geralmente utilizo azeite, alho francês, cebola, chuchu, courgette, couve, cenoura e abóbora, tudo temperado com pimenta preta a gosto e pouco sal.
Azeite : Rico em ácidos gordos monoinsaturados e antioxidantes, o azeite contribui para a saúde cardiovascular e possui propriedades anti-inflamatórias.
Alho-francês : Pertencente à mesma família do alho e da cebola, o alho-francês contém compostos sulfurados que podem ter efeitos antioxidantes e anti-inflamatórios.
Cebola : Contém flavonoides, como a quercetina, que possuem propriedades antioxidantes, anti-inflamatórias e podem reduzir o risco de doenças cardiovasculares.
Chuchu : É uma hortaliça de baixo valor calórico, rica em fibras, vitaminas e minerais, auxiliando na digestão e no controlo da pressão arterial.
Couve : Vegetais crucíferos como a couve contêm glicosinolatos, que podem ter propriedades anticancerígenas.
Abóbora : Rica em betacaroteno, fibras e potássio, a abóbora contribui para a saúde ocular, imunológica e cardiovascular.
Courgette : Baixa em calorias e rica em fibras, vitaminas A e C, a courgette auxilia na digestão e na saúde ocular.
Cenoura : Rica em betacaroteno, que é convertido em vitamina A no organismo, essencial para a visão, crescimento e função imunológica.
Pimenta preta: Contém piperina, que possui propriedades antioxidantes e pode melhorar a digestão e a absorção de nutrientes.
Descrevo de seguida os termos científicos dos alimentos mencionados, que podem ser utilizados para pesquisas de estudos no PubMed:
Azeite – Olea europaea
Alho-francês – Allium ampeloprasum var. porrum
Cebola – Allium cepa
Chuchu – Sechium edule
Couve – Brassica oleracea (inclui várias variedades como couve-galega, couve-de-bruxelas, couve-flor, etc.)
Abóbora – Cucurbita pepo (ou Cucurbita maxima dependendo da variedade)
Courgette – Cucurbita pepo
Cenoura – Daucus carota
Pimenta preta – Piper nigrum
Para obter estudos específicos no PubMed, podes pesquisar por combinações como:
A temperatura de cozedura tem um impacto significativo nos efeitos terapêuticos dos vegetais da sopa, afetando a disponibilidade de vitaminas, minerais e compostos bioativos. Aqui estão os principais efeitos da temperatura sobre os vegetais mencionados:
Vitaminas e Minerais
Vitaminas hidrossolúveis (C e B9 – ácido fólico) → São as mais sensíveis ao calor e à dissolução na água: A Vitamina C (presente no alho-francês, cebola, chuchu, couve, abóbora, courgette e cenoura) sofre degradação significativa a temperaturas acima dos 70-100°C, com perdas de até 50-70% após cozedura prolongada. O Ácido fólico (vitamina B9) (presente no alho-francês, cebola, chuchu, couve, abóbora e courgette) também se degrada facilmente com o calor, podendo perder 40-50% do seu teor após cozedura.
Vitaminas lipossolúveis (A, E e K) → Mais estáveis ao calor, mas podem ser perdidas por lixiviação na água de cozedura: A Vitamina A (cenoura, couve, abóbora) é relativamente estável ao calor, mas pode ser degradada em cozeduras prolongadas acima de 120°C. A Vitamina K (couve, pimenta preta, chuchu) também é resistente ao calor, mas pode perder-se na água de cozedura.
Minerais → Relativamente estáveis ao calor, mas dissolvem-se na água de cozedura: Cálcio, potássio, ferro e magnésio (presentes na maioria dos vegetais) não se degradam com a temperatura, mas podem ser perdidos na água.
Compostos bioativos e antioxidantes
Flavonoides e polifenóis (cebola, alho francês, couve, pimenta preta) → Resistentes ao calor moderado, mas perdem-se em cozedura prolongada.
Carotenoides (cenoura, abóbora, couve) → A absorção melhora com a cozedura suave, pois o calor rompe as paredes celulares e aumenta a biodisponibilidade.
Glicosinolatos (couve) → Podem perder-se significativamente acima dos 80-100°C, reduzindo os potenciais efeitos anticancerígenos.
Piperina (pimenta preta) → Relativamente estável, mas pode degradar-se a temperaturas muito elevadas (>150°C).
Recomendações para preservação dos benefícios terapêuticos
Evitar fervura excessiva → A cozedura prolongada em água a altas temperaturas reduz as vitaminas hidrossolúveis.
Utilizar cozedura a vapor ou estufado suave → Minimiza perdas de nutrientes.
Aproveitar a água de cozedura → Se possível, não descartar a água onde os vegetais foram cozidos, pois contém minerais e vitaminas dissolvidas.
Adicionar azeite na sopa → Melhora a absorção de carotenoides (cenoura, abóbora, couve).
Sopa na Dieta Mediterrânica
Na Dieta Mediterrânica, a sopa é uma preparação comum, composta por uma combinação equilibrada de hortícolas, leguminosas, cereais integrais, azeite e ervas aromáticas. Este tipo de prato não só assegura um elevado valor nutricional, mas também promove uma hidratação adequada e favorece a saciedade, contribuindo para um padrão alimentar saudável. Além disso, as sopas são uma excelente fonte de fibras, vitaminas, minerais e compostos bioativos que desempenham um papel fundamental na promoção da saúde digestiva, metabólica e cardiovascular, entre outros.
Evidência científica:
Estudos demonstram que a ingestão regular de sopa está associada à melhoria da saúde cardiovascular, do controlo glicémico e ao aumento da ingestão de micronutrientes, podendo ainda reduzir o risco de obesidade e doenças cardiovasculares (Drewnowski et al., 2014). Além disso, as sopas da Dieta Mediterrânica são ricas em fitoquímicos e compostos bioativos, como os polifenóis, que têm propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias, desempenhando um papel crucial na prevenção de doenças crónicas (Márquez-Calderón et al., 2021).
Densidade nutricional
O artigo “Nutrient density: principles and evaluation tools” (Densidade nutricional: princípios e ferramentas de avaliação), publicado no American Journal of Clinical Nutrition, aborda os conceitos e métodos utilizados para avaliar a densidade nutricional dos alimentos.
A densidade nutricional refere-se à quantidade de nutrientes benéficos que um alimento fornece em relação ao seu conteúdo calórico. Alimentos com alta densidade nutricional oferecem mais vitaminas, minerais e outros nutrientes essenciais por caloria consumida. O artigo discute diferentes abordagens para medir a densidade nutricional, destacando a importância de ferramentas de avaliação que auxiliem consumidores e profissionais de saúde na escolha de alimentos mais nutritivos.
As sopas desempenham um papel significativo como alimentos de alta densidade nutricional. Ao combinar uma variedade de legumes, leguminosas e, ocasionalmente, carnes magras ou peixes, as sopas fornecem uma ampla gama de vitaminas, minerais e fibras essenciais para uma dieta equilibrada. Além disso, o consumo de sopa antes do prato principal pode promover a saciedade, ajudando no controle do peso corporal.
A sopa também contribui para a hidratação devido ao seu elevado conteúdo de água e é de fácil digestão, sendo benéfica para pessoas com dificuldades de mastigação ou digestão.
Portanto, incorporar sopas na alimentação diária é uma estratégia eficaz para aumentar a ingestão de nutrientes essenciais de forma saborosa e económica.
Sopas anti-inflamatórias mediterrânicas na prevenção de doenças crónicas
Saúde Cardiovascular
As doenças cardiovasculares continuam a ser a principal causa de morte em Portugal. O consumo regular de sopas ricas em azeite e hortícolas, ambos ingredientes típicos da Dieta Mediterrânica, está associado à redução da pressão arterial, ao controlo do colesterol e ao risco de enfarte e acidente vascular cerebral (AVC). Sopas à base de leguminosas, como o feijão e as lentilhas, são particularmente benéficas pela sua capacidade de reduzir os níveis de colesterol LDL (“mau colesterol”) e melhorar a saúde vascular.
Evidência científica:
O estudo PREDIMED, publicado no New England Journal of Medicine, demonstrou que a adesão à Dieta Mediterrânica, rica em azeite e hortícolas, pode reduzir em até 30% o risco de eventos cardiovasculares graves (Estruch et al., 2013).
Sopa de feijão-verde com azeite e alho: Azeite, rico em ácidos gordos monoinsaturados, e o feijão-verde, rico em potássio e fibra, ajudam a reduzir a pressão arterial e melhorar a saúde do coração.
Sopa de abóbora com espinafre e azeite: A abóbora é uma excelente fonte de antioxidantes, como os carotenoides, e os espinafres, ricos em potássio, contribuem para a saúde cardiovascular.
Prevenção de Doenças Metabólicas e Diabetes Tipo 2
As doenças metabólicas, como a obesidade e a diabetes tipo 2, são comuns em Portugal. Sopas compostas por leguminosas, vegetais e cereais integrais são ideais para ajudar a controlar os níveis de glicose no sangue e melhorar a resistência à insulina. A Dieta Mediterrânica, rica em ácidos gordos monoinsaturados e polifenóis, tem um impacto positivo na redução do risco de diabetes tipo 2.
Evidência científica:
A Dieta Mediterrânica está associada a uma redução de até 52% no risco de diabetes tipo 2, conforme estudo publicado na Diabetes Care (Salas-Salvadó et al., 2011).
Exemplo de sopa recomendada:
Sopa de grão-de-bico com espinafres e cebola: O grão-de-bico, rico em fibras e proteínas vegetais, ajuda a controlar a glicemia.
Sopa de lentilhas com tomate e cenoura: Lentilhas, com baixo índice glicémico, e a cenoura, rica em fibras e antioxidantes, favorecem o controlo glicémico.
Doenças Neurodegenerativas e Saúde Mental
Doenças neurodegenerativas, como a Doença de Alzheimer, e condições relacionadas à saúde mental, como a depressão, podem ser atenuadas por uma dieta rica em antioxidantes, ácidos gordos essenciais e micronutrientes. O consumo regular de sopas que incluam ingredientes como peixe, azeite, vegetais e especiarias anti-inflamatórias pode ajudar a proteger o cérebro contra o declínio cognitivo.
Evidência científica:
O estudo PREDIMED mostrou que a Dieta Mediterrânica reduz o risco de declínio cognitivo e de doenças neurodegenerativas, como o Alzheimer, graças ao seu conteúdo em antioxidantes e ácidos gordos ómega-3 (Martínez-Lapiscina et al., 2013).
Exemplo de sopa recomendada:
Caldo de abóbora com cúrcuma e gengibre: A abóbora é rica em antioxidantes, a cúrcuma tem propriedades anti-inflamatórias e o gengibre pode melhorar a circulação sanguínea no cérebro, ajudando a prevenir doenças neurodegenerativas.
Sopa de couve com alho e azeite: A couve, rica em vitamina K, antioxidantes e ácidos fólico, pode ajudar a proteger o cérebro contra o envelhecimento precoce.
Perturbações de Hiperatividade e Défice de Atenção, Autismo e Obesidade
A Dieta Mediterrânica tem sido proposta como alternativa terapêutica em condições como o Transtorno de Hiperatividade e Défice de Atenção (THDA) e o autismo. A presença de ácidos gordos ómega-3, antioxidantes e fibras pode melhorar o foco, o controlo emocional e ajudar a gerir o peso.
Evidência científica:
Estudos sugerem que os ácidos gordos ómega-3, encontrados no peixe e no azeite, têm um efeito positivo no desenvolvimento cerebral e na gestão de sintomas de THDA e autismo (Jacka et al., 2011).
Exemplo de sopa recomendada:
Sopa de lentilhas vermelhas com espinafres e azeite: Rica em proteínas vegetais e ácidos gordos ómega-3, ajuda no controle da obesidade e pode melhorar a concentração.
Sopa de cenoura com gengibre e azeite: A cenoura é rica em betacaroteno e o gengibre tem propriedades anti-inflamatórias, ajudando na melhoria da função cognitiva.
Prevenção e Gestão do Cancro
A Dieta Mediterrânica tem sido associada à prevenção de vários tipos de cancro, como os de cólon, mama e esófago. A ingestão de sopas compostas por alimentos ricos em compostos bioativos, como o licopeno (tomate), sulforafano (brócolos) e flavonoides, tem demonstrado reduzir o risco de cancro e promover a saúde celular.
Evidência científica:
A International Agency for Research on Cancer (IARC) aponta que a Dieta Mediterrânica tem um impacto positivo na redução do risco de câncer, particularmente nos cânceres gastrointestinais e de mama (IARC, 2018).
Exemplo de sopa recomendada:
Sopa de tomate com manjericão e alho: O licopeno presente no tomate tem efeitos protetores contra o câncer, especialmente o câncer de próstata e cólon.
Sopa de brócolos com alho e limão: O brócolos contém sulforafano, um composto com propriedades anticancerígenas.
A sopa de brócolos com alho e limão combina ingredientes que, além de saborosos, oferecem diversos benefícios terapêuticos:
Brócolos: Ricos em vitaminas A, C e K, fibras e antioxidantes, os brócolos auxiliam na saúde ocular, fortalecem o sistema imunológico e contribuem para a saúde óssea. Além disso, possuem compostos bioativos que podem reduzir inflamações e proteger contra certos tipos de câncer.
Alho: Conhecido por suas propriedades antimicrobianas e anti-inflamatórias, o alho pode ajudar na redução da pressão arterial e do colesterol, fortalecendo o sistema cardiovascular. Também possui compostos sulfurados que estimulam o sistema imunológico e podem oferecer proteção contra infecções.
Limão: Fonte abundante de vitamina C e antioxidantes, o limão fortalece o sistema imunológico, auxilia na absorção de ferro e possui propriedades antioxidantes que combatem os radicais livres.
Ao combinar esses ingredientes numa sopa, obtém-se um prato nutritivo que fortalece o sistema imunológico, combate inflamações e promove a saúde geral. Para maximizar os benefícios, é recomendável adicionar o sumo e a raspa de limão no final da preparação, preservando as propriedades nutricionais.
Incorporar esta sopa na dieta é uma maneira eficaz de aproveitar os benefícios terapêuticos desses ingredientes de forma saborosa e reconfortante.
Recomendações por faixa etária
Em Portugal, a prevalência de doenças crónicas varia conforme a faixa etária. A adaptação das sopas às necessidades nutricionais de cada grupo etário é fundamental para promover a saúde e prevenir doenças.
Crianças e Adolescentes (0-18 anos)
Nas crianças a alimentação deve sempre ser acompanhado pelo pediatra em função da história clínica individual da criança.
Principais riscos: Défice de fibras, excesso de açúcares, obesidade infantil, carências nutricionais, déficit de micronutrientes.
Recomendação: Sopas com elevados níveis de ferro, cálcio e vitaminas do complexo B para apoiar o crescimento e desenvolvimento cognitivo.
Exemplo:
Sopa de ervilhas com hortelã e arroz integral: A ervilha é rica em ferro e fibra, essencial para a saúde digestiva e o desenvolvimento cognitivo. O arroz integral fornece carboidratos de baixo índice glicémico, importantes para energia sustentada.
Adultos (19-64 anos)
Principais riscos: Hipertensão, diabetes tipo 2, obesidade, doenças cardiovasculares.
Recomendação: Sopas ricas em antioxidantes, ácidos gordos essenciais e proteínas vegetais, com baixo teor de sódio e açúcares.
Exemplo:
Sopa de alho-francês com batata-doce e azeite: A batata-doce é rica em fibra, betacaroteno e potássio, contribuindo para a redução da pressão arterial e o controlo do colesterol.
Sopa de cenoura com abóbora e gengibre: Ingredientes anti-inflamatórios que ajudam a reduzir o risco de doenças crónicas.
Idosos (+65 anos)
Principais riscos: Sarcopenia, osteoporose, doenças neurodegenerativas, declínio cognitivo.
Recomendação: Sopas ricas em proteínas vegetais e fontes de cálcio, antioxidantes e ácidos gordos ómega-3, essenciais para a saúde óssea e cerebral.
Exemplos:
Sopa de feijão-branco com espinafres e tomilho: O feijão-branco é uma excelente fonte de proteína vegetal, e os espinafres ajudam a prevenir a osteoporose, fornecendo cálcio e vitamina K.
Sopa de peixe com legumes: O peixe fornece ómega-3, fundamental para a saúde cerebral e cardiovascular.
Sustentabilidade alimentar e o papel da sopa na dieta mediterrânica
A Dieta Mediterrânica é, além de uma excelente opção para a saúde, também uma escolha sustentável para o meio ambiente. A sua ênfase em alimentos locais e sazonais contribui para a redução do desperdício alimentar e das emissões de gases de efeito estufa. As sopas, preparadas com ingredientes frescos e sazonais, são uma forma de consumir produtos locais de forma responsável e sustentável.
Evidência científica:
A FAO salienta que a Dieta Mediterrânica tem um impacto ambiental significativamente inferior ao das dietas ocidentais, contribuindo para a sustentabilidade alimentar (FAO, 2017).
Concluindo
As sopas, como componente central da Dieta Mediterrânica, desempenham um papel crucial na prevenção e gestão de várias doenças crónicas. A sua riqueza em micronutrientes essenciais, antioxidantes e compostos anti-inflamatórios faz delas uma excelente estratégia dietética para a promoção da saúde.
A adaptação das sopas às necessidades específicas de cada faixa etária pode contribuir significativamente para a melhoria da saúde geral da população e para a gestão eficaz de doenças prevalentes, como as cardiovasculares, metabólicas, neurodegenerativas e oncológicas. A Dieta Mediterrânica não só promove a saúde, mas também é uma opção sustentável para o meio ambiente.
Referências Bibliográficas
Drewnowski, A., et al. (2014). “The influence of soup consumption on health.” The American Journal of Clinical Nutrition, 99(1): 233S-237S.
Estruch, R., et al. (2013). “Primary prevention of cardiovascular disease with a Mediterranean diet.” New England Journal of Medicine, 368(14): 1279-1290.
Márquez-Calderón, S., et al. (2021). “Health benefits of Mediterranean diet and its impact on nutritional biomarkers.” Nutrients, 13(6): 1989.
Salas-Salvadó, J., et al. (2011). “Reduction in the incidence of type 2 diabetes with the Mediterranean diet.” Diabetes Care, 34(1): 14-19.
Martínez-Lapiscina, E. H., et al. (2013). “Mediterranean diet and age-related cognitive decline.” Journal of Alzheimer’s Disease, 39(3): 605-610.
Jacka, F. N., et al. (2011). “Association between diet quality and depression in children and adolescents.” Australian & New Zealand Journal of Psychiatry, 45(5): 450-458.
IARC (2018). “IARC Monographs on the Evaluation of Carcinogenic Risks to Humans.” International Agency for Research on Cancer.
FAO (2017). “The Mediterranean Diet and Sustainability.” Food and Agriculture Organization of the United Nations.
Pedra no rim ou calculo renal… toda a verdade! Como prevenir? Quais as causas de pedra nos rins sintomas e como eliminar? O que não posso comer? Como tratar? Tudo o que não sabe neste artigo com a ajuda da Associação Portuguesa de Urologia.
Neste artigo vou responder ás seguintes questões:
Pedras ou cálculos no aparelho urinário: O que são?
Qual a anatomia do aparelho urinário?
Cálculos renias: Como se formam?
Pedra no rim: Qual a composição?
Quais as alterações metanólicas que podem levar à formação de cálculos urinários?
Que tipos de cálculos urinários existem?
Quais os perigos da manutenção dos cálculos no aparelho urinário?
Pedra no rim: Quais os factores de risco?
Deve diminuir-se o consumo de cálcio na alimentação?
Deve ou não evitar-se os suplementos com cálcio?
Quais os sintomas de pedra no rim?
Cólica renal: Quais as fases?
Como tratar a pedra no rim?
Quais as medidas para prevenção da pedra no rim?
Qual o tratamento para os diferentes tipos de calculos?
Qual a lista de alimentos a evitar?
Pedra no rim ou cálculos no aparelho urinário
A pedra no rim, também conhecida como cálculo renalou litíase renal, é uma doença muito comum, causada pela cristalização de sais mineiras presentes na urina. A crise de cólica renal é um dos eventos mais dolorosos que um paciente pode experimentar durante a vida. A dor causada pelo cálculo renal é muitas vezes descrita como sendo pior do que a de um parto, fractura óssea, ferimentos por arma de fogo ou queimaduras.
Anatomia do aparelho urinário
Neste tema é essencial conhecer um pouco da anatomia do aparelho urinário para se perceber melhor os sintomas e perigos desta condição de saúde.
Cálculos renais como se formam?
A pedra no rim é uma formação sólida composta por minerais que surge dentro dos rins. Mais de 70% das pedras são compostas por sais de cálcio, como oxalato de cálcio e fosfato de cálcio. Também existem cálculos à base de ácido úrico, estruvita (magnésio + amônia + fosfato) e cistina.
Entender a formação das pedras é simples. Imaginem um copo cheio de água clara e transparente. Se colocarmos um pouco de sal, este se diluirá e tornará a água um pouco turva. Se continuarmos a deitar sal no copo, a água ficará cada vez menos clara, até ao ponto em que o sal começará a precipitar-se (acumular-se) no fundo do copo. A precipitação acontece quando a água fica saturada com sal, isto é, a quantidade de água presente já não é suficiente para diluir o sal.
Este é o princípio da formação dos cálculos. Quando a quantidade de água na urina não é suficiente para dissolver todos os sais presentes na mesma, estes retornam à sua forma sólida e precipitam nas vias urinárias. Os sais precipitados na urina tendem a aglomerar-se, formando, com o passar do tempo, as pedras.
Esta precipitação dos sais presentes na urina ocorre basicamente por dois motivos:
Falta de água para diluir
Excesso de sais para serem diluídos
A maioria dos casos de cálculos renais ocorre por falta de água para diluir a urina adequadamente, tendo como origem a pouca ingestão de líquidos. Porém, há um grupo de pacientes que mesmo bebendo bastante água ao longo do dia continua a formar pedras. São as pessoas com alterações na composição natural da urina, apresentando excesso de sais minerais, em geral, excesso de cálcio. A quantidade de cálcio na urina é tão grande que mesmo com um boa ingestão de água este ainda consegue precipitar-se.
Composição da pedra no rim
A litíase urinária, também designada por urolitíase é uma doença que se deve à formação de cálculos, vulgarmente denominados “pedras”, no aparelho urinário. Os cálculos urinários são estruturas sólidas que resultam da aglomeração de cristais. Estes, por sua vez, formam-se devido a uma alteração metabólica (bioquímica) crónica do organismo que determina um aumento da excreção urinária de substâncias promotoras da formação de cálculos, tais como:
Cálcio
Ácido úrico
Oxalato
Fosfato
Pode também acontecer em simultâneo ou não uma diminuição da excreção de substâncias inibidores da cristalização (por exemplo o citrato e magnésio).
Causas e alterações metabólicas
As alterações metabólicas mais frequentes que podem criar condições para a formação de cálculos são:
Aumento da excreção urinária de cálcio (hipercalciúria)
Aumento da excreção urinária de ácido úrico (hiperuricosúria)
Aumento da excreção urinária de oxalato (hiperoxalúria)
Diminuição da excreção urinária de citrato (hipocitratúria)
Diminuição da excreção urinária magnésio (hipomagnesiúria)
Tipos de cálculos urinários
A composição química dos cristais determina o tipo de cálculo formado. Deste modo, existem vários tipos de cálculos, nomeadamente:
Oxalato de cálcio (60%),
Oxalato de cálcio associado a fosfato de cálcio (20%),
Ácido úrico (8%),
Estruvite (8%),
Fosfato de cálcio (2%),
Cistina e outros componentes (2%).
Consequências e perigos no aparelho urinário
A permanência de cálculos no aparelho urinário pode não causar qualquer sintoma ou, pelo contrário, desencadear sintomas muito intensos, nomeadamente a cólica renal e complicações clínicas graves, que podem terminar em insuficiência renal crónica.
Aproximadamente uma em cada 100 pessoas desenvolve cálculos urinários ao longo da vida. Cerca de 80% destas pessoas eliminam a pedra espontaneamente, juntamente com a urina. Os 20% restantes necessitam de alguma forma de tratamento.
Factores de risco mais comuns
Ter água suficiente na urina é essencial para prevenir a formação de cálculos. Os doentes que costumam desenvolver cálculos bebem, em média, menos 300 a 500 ml de água por dia quando comparados com pessoas que nunca tiveram pedra nos rins. Pessoas que vivem em países de clima tropical ou trabalham em locais muitos quentes devem procurar se manter sempre bem hidratadas para evitar a produção de uma urina muito concentrada.
Excesso de vitamina C aumenta a excreção renal de oxalato, aumentando o risco de pedras de oxalato de cálcio.
Pessoas que já tiveram pelo menos um episódio de cálculo renal ou que tenham história familiar de pedra no rim devem urinar pelo menos 2 litros por dia. Como ninguém vai recolher urina o dia inteiro para medir o volume, uma dica é acompanhar a cor da urina. Uma urina bem diluída tem odor fraco e coloração clara, quase transparente. Se a sua urina está muito amarelada, isto indica desidratação.
Em relação à dieta, existem alguns hábitos que podem aumentar a incidência de pedras nos rins, principalmente se o doente já tiver concentrações de cálcio na urina mais elevadas que a média da população. Dietas ricas em sal, proteínas e açúcares são fatores de risco.
Outros fatores de risco
Entre os diversos factores de risco para o surgimento de cálculos renais destacam-se ainda os seguintes:
Obesidade,
Idade acima de 40 anos,
Hipertensão,
Gota,
Diabetes,
Sexo masculino
Aumento de peso muito rápido.
Medicamentos como fatores de risco
Várias medicações podem ter como efeito colateral a formação de pedra. Os mais comuns incluem:
Indinavir,
Atazanavir,
Guaifenesina,
Triantereno,
Silicato e drogas à base de sulfonamidas,
Sulfassalazina,
Sulfadiazina.
Consumo de cálcio na alimentação e suplementos de cálcio
Curiosamente, apesar da maioria dos cálculos serem compostos de cálcio e surgirem por excesso de cálcio na urina, não há necessidade de restringir o consumo do mesmo na dieta mas sim aumentar a ingestão de água para niveis saudáveis (1,5 a 2 litros/dia). A restrição, aliás, pode ser prejudicial. Se está a perder cálcio em excesso na urina e não o repõe com a dieta, o seu organismo vai buscar o cálcio que precisa aos ossos, podendo levar à osteoporose precoce. O único cuidado deve ser com os suplementos de cálcio, já que o consumo destes, principalmente quando em jejum, parece aumentar o risco de pedra nos rins.
Sintomas da pedra no rim
Muitos pacientes possuem pedras nos seus rins e não apresentam sintomas. Se a pedra se formar dentro do rim e ficar parada dentro do mesmo, o paciente pode ficar anos assintomático. Muitas pessoas descobrem o cálculo renal por acaso, durante um exame de imagem abdominal, como ultrassom ou tomografia computadorizada, solicitados por qualquer outro motivo.
Pedras muito pequenas, menores que 3 milímetros (0,3 centímetros), podem percorrer todo o sistema urinário e serem eliminadas na urina sem provocar maiores sintomas. O paciente começa a urinar e de repente nota que caiu uma pedrinha na sanita.
O sintoma clássico do cálculo renal, chamado cólica renal, surge quando uma pedra de pelo menos 4 mm (0,4 cm) fica impactada em algum ponto do ureter (tubo que leva a urina do rim à bexiga), causando obstrução e dilatação do sistema urinário.
A cólica renal é habitualmente uma fortíssima dor lombar, que costuma ser a pior dor que o paciente já teve na vida. A cólica renal deixa o paciente inquieto, procurando em vão uma posição que lhe proporcione alívio. Ao contrário das dores da coluna, que melhoram com o repouso e pioram com o movimento, a cólica renal dói intensamente. Por vezes, a dor é tão intensa que vem acompanhada de náuseas e vômitos. Sangue na urina é frequente e ocorre por lesão direta do cálculo no ureter.
Cólica renal quais as fases?
A cólica renal costuma ter três fases: 1. A dor inicia-se subitamente e atinge o pico de intensidade em mais ou menos 1 ou 2 horas. 2. Após atingir o máximo de intensidade, a dor da cólica renal permanece assim por mais 1 a 4 horas, em média, deixando o paciente “enlouquecido” de dor. 3 A dor começa a aliviar espontaneamente e ao longo de mais 2 horas tende a desaparecer.
Em alguns desafortunados, o processo todo chega a durar mais de 12 horas, caso o mesmo não procure atendimento médico.
Se a pedra ficar impactada na metade inferior do ureter, a cólica renal pode irradiar para a perna, grandes lábios ou testículos. Também é possível que a pedra consiga atravessar todo o ureter, ficando impactada somente na uretra, que é o ponto de menor diâmetro do sistema urinário. Neste caso a dor ocorre na região pélvica e vem acompanhada de ardência ao urinar e sangramento. Muitas vezes o paciente consegue reconhecer que há uma pedra na sua uretra, na iminência de sair.
Geralmente, pedras menores que 0,5 cm costumam sair espontaneamente pela urina. As que medem entre 0,5 e 0,8 cm têm dificuldade em ser expelidas. Podem até sair, mas custam muito. Cálculos maiores que 0,9 cm são grandes demais e não passam pelo sistema urinário, sendo necessária uma intervenção médica para eliminá-los.
Estes cálculos grandes podem ficar impactados no ureter, provocando uma obstrução à drenagem da urina e consequente dilatação do rim, a qual damos o nome de hidronefrose. A urina não consegue ultrapassar a obstrução e acaba ficando retida dentro do rim. As hidronefroses graves devem ser corrigidas o quanto antes, pois quanto maior o tempo de obstrução, maiores as probabilidades de lesões irreversíveis do rim obstruído.
Tratamento da litíase urinária
O tratamento da litíase urinária é efectuado em três fases, a saber:
Inicialmente é necessário o tratamento urgente para alívio da dor (cólica renal).
Posteriormente é efectuado o tratamento da litíase propriamente dita, com remoção do(s) cálculo(s).
A última fase consiste no tratamento profiláctico ou preventivo da formação de novos cálculos, que deve ser feito para o resto da vida.
Qual a importância da prevenção e tratamento médico da litíase urinária?
Como a formação dos cálculos urinários se deve a uma disfunção metabólica crónica, uma vez formado um primeiro cálculo, a pessoa estará sempre susceptível à formação de novos cálculos (mesmo que o primeiro seja removido).
Estima-se que cerca de 50% dos doentes não tratados, a quem foi diagnosticado um cálculo urinário, irá desenvolver um novo cálculo nos próximos 5 a 10 anos. Daí a grande importância de medidas de prevenção e tratamento médico, com as quais é possível reduzir, em mais de 80% dos doentes, o crescimento de cálculos já existentes, e a formação de novos cálculos.
Prevenção
A prevenção da formação de novos cálculos engloba medidas gerais recomendadas a todos os doentes com litíase e o tratamento medicamentoso específico para um doente a quem foi detectada uma alteração metabólica responsável pela formação de um determinado tipo de cálculo urinário.
Após o primeiro diagnóstico de litíase urinária, e antes de tomar qualquer medida preventiva, o doente deve consultar o médico urologista. Em consulta, é efectuada uma avaliação clínica para determinar qual o tipo de cálculo formado e a alteração metabólica em causa. De acordo com os dados obtidos são requisitados um conjunto de exames, ao sangue e à urina que, no seu conjunto, se designam por avaliação ou estudo metabólico. É possível fazer um diagnóstico específico da alteração metabólica em 97% dos casos.
Composição do cálculo renal
A constituição química do cálculo só pode ser diagnosticada definitivamente mediante a análise bioquímica do cálculo urinário, pelo que se o cálculo foi removido será enviado para análise. Se não foi removido, o doente deverá ser instruído sobre das técnicas para recuperação do cálculo que eventualmente eliminará. Por exemplo, urinar para um passador ou para um filtro de papel. Quando for recuperado, o cálculo deve ser guardado num frasco a seco (não em água, álcool ou qualquer outro líquido).
Concluída esta avaliação clínica o urologista está em condições de indicar se apenas medidas gerais são suficientes ou se é necessário associar o tratamento específico, para prevenção da formação de novos cálculos.
Prevenção da litíase urinária
As medidas gerais de prevenção da litíase consistem:
Aumento da ingestão de líquidos
Alterações gerais na alimentação
Aumento da ingestão de líquidos
Os doentes devem beber cerca de 2 litros de líquidos por dia (3 litros em dias de maior calor) para tornar a urina menos concentrada e dificultar a formação de novos cálculos. Todavia, não é qualquer tipo de líquido que pode ser ingerido. Os mais recomendados são:
Água
Sumo de laranja
Sumo de limão
Sumo de maça
Líquidos a evitar
Os líquidos a evitar para prevenir crises são os seguintes:
Chá preto
Café
Refrigerantes à base de cola (Ex: Coca-cola®, Pepsi®)
É a medida mais importante pois na ausência de qualquer outro tratamento pode diminuir a formação de litíase em cerca de 60 % dos doentes.
Alimentos a evitar se tem pedra nos rins
As recomendações que se seguem podem ser feitas pelo médico urologista a todos os doentes com litíase urinária sem necessidade de apoio de um nutricionista, a saber:
Diminuir para quantidades moderadas a ingestão de leite e derivados (alimentos ricos em cálcio), geralmente duas vezes ao dia. No entanto, não se recomenda a restrição total de alimentos ricos em do cálcio na dieta. Exemplo: leite ao pequeno-almoço e um iogurte ou um pedaço de queijo com pão ao lanche;
Diminuir para quantidades moderadas a ingestão de carne preferindo as carnes magras (não carnes vermelhas), para reduzir a ingestão de proteínas;
Diminuir a quantidade de sal na preparação dos alimentos e evitar alimentos salgados como presunto, mortadela ou salsicha;
Preferir o pão integral e de centeio aos pães brancos fermentados;
Diminuir a ingestão gordura para quantidades moderadas;
Substituir o açúcar por adoçante;
Diminuir a ingestão de leguminosas como feijão e lentilha, que não devem ser consumidas mais do que uma vez por dia.
Alimentos que deve ingerir
Recomenda-se ainda a ingestão regular dos seguintes alimentos devido ao alto teor de substâncias inibidoras da formação de todos os tipos de cálculo:
Arroz,
Batatas (excepto batata doce),
Clara de ovo,
Margarina,
Óleos vegetais,
Mel,
Maionese,
Bolachas de água e sal,
Abacaxi,
Uva,
Melancia,
Pêra,
Cereja.
Por outro lado, os alimentos indicados na tabela anexa devem ser evitados ou consumidos em quantidades moderadas por todos os doentes com litíase urinária.
O tratamento específico para os diferentes tipos de cálculos renais, engloba alterações na dieta de modo a restringir ou eliminar alimentos ricos em substâncias que estão implicadas na formação de um determinado tipo de cálculo num doente específico. Estas recomendações deverão ser efetuadas com o apoio de um nutricionista. Quando as alterações na dieta falham na prevenção, está indicada, em alguns doentes, a utilização de medicamentos específicos.
Cálcio
Como os cálculos de cálcio representam 80% de todos os cálculos urinários, as alterações gerais na dieta anteriormante referidas são geralmente suficientes para a prevenção da sua formação. Quando as medidas anteriores não são suficientes, medicamentos diuréticos (tiazidas) e citrato de potássio oral (Uralit U®) são prescritos.
Oxalato de cálcio
Para além das medidas para a prevenção dos cálculos de cálcio em geral, devem ser evitados os alimentos ricos em oxalato, tais como:
Batata-doce
Beterraba
Espinafre
Chocolate
Café
Chá
Refrigerantes à base de cola
Frutos secos (sobretudo nozes)
Ácido úrico
A prevenção da formação de cálculos de ácido úrico implica a normalização da excreção desta substância na urina. Isto é conseguido através de uma diminuição da ingestão dos seguintes alimentos:
Se estas medidas dietéticas se revelam insuficientes, poderá estar indicada a administração do medicamento alopurinol (Zyloric®)
Estruvite
Os cálculos de estruvite, ou cálculos infecciosos, são causados por infecções urinárias de repetição do aparelho urinário por determinado tipo de bactérias.
Além da eliminação completa dos cálculos, a prevenção de infecções urinárias de repetição poderá implicar a utilização prolongada de antibióticos específicos para o referido tipo de bactérias, para manutenção de urina estéril. Em casos particulares, poderá utilizar-se ácido acetohidroxâmico.
Cistina
Para a prevenção destes cálculos com cistina recomenda-se a terapêutica com citrato de potássio oral e captopril.
Concluindo
A litíase urinária é uma doença crónica com tendência para a recorrência. A avaliação clínica adequada permite na grande maioria dos casos um diagnóstico da causa da litíase e a orientação para o tratamento medicamentoso que, associado ao reforço hídrico e alterações da dieta, permitem evitar ou reduzir significativamente a formação de cálculos em mais de 80% dos doentes. No entanto, a prevenção desta doença exige um compromisso na realização dos tratamentos prescritos, dado que a prevenção de novos cálculos deve ser feita para resto da vida.
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