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Alergia alimentar quais os alimentos mais perigosos?



Alergia alimentar: Quais os alimentos comuns que podem provocar problemas alérgicos? Saiba tudo neste artigo que pretende ser um instrumento de ajuda essencial para quem tem ou suspeita que pode ter uma alergia, nomeadamente a alguns alimentos. É essencial alertar para a necessidade de, havendo suspeita, o mais cedo possível serem identificadas essas alergias sob pena de terem a sua qualidade de vida bastante degradada e em alguns casos até correr perigo de vida devido à possibilidade, embora rara, de choque anafilático.

Neste artigo vamos responder ás seguintes questões:

  • Alergia: O que é?
  • Atopia: O que é?
  • Qual a incidência de alergias na população?
  • Porque têm aumentado as alergias?
  • Será que o nosso sistema imunológico está diferente?
  • Doenças alérgicas: Quais as principais?
  • Alergia alimentar: Quais os sintomas?
  • Intolerância alimentar o que é? Qual a diferença?
  • A alergia alimentar tem influência genética familiar?
  • Reacções alérgicas  imediatas vs retardadas: Quais são e quais as diferenças?
  • Anafilaxia ou reação anafilática: O que é?
  • Urticária: O que é?
  • Angioedema: O que é?
  • Alergias em crianças: Quais as mais frequentes?
  • Alergia nos adultos: Quais as mais frequentes?
  • Sindrome de Alergia Oral: O que é?
  • Reactividade cruzada: O que é?
  • Diagnóstico de alergia alimentar: Como se faz?
  • Exercício físico após comer pode provocar alergia alimentar?
  • Teste cutâneo positivo significa sempre alergia a esse alimento?
  • Teste cutâneo negativo significa sempre ausência de alergia a esse alimento?
  • Teste de provocação oral (TPO): O que é?
  • Como evitar uma alergia alimentar?
  • Uma alergia pode desaparecer com a idade?
  • Tratamento de uma alergia alimentar: Qual o melhor?
  • Alimentos que mais frequentemente causam alergias alimentares: Quais são?

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Alergia o que é?

Uma alergia é uma reação de hipersensibilidade, a estímulos externos, mediada pelo sistema imunitário, nomeadamente um tipo de anticorpo com uma importância central em todas as doenças alergicas, designado imunoglobulina E (IgE).

Reacção alérgica

Alergia alimentar o que é?

Alergia alimentar é uma reação do sistema imunológico contra um determinado alimento considerado inofensivo para a maioria das pessoas. Algumas pessoas apresentam alergia a mais do que um alimento de grupos diferentes, situação menos frequente, que é designada de alergia alimentar múltipla.

É obviamente uma reação alérgica provocada por um alimento ou aditivo contido nesse alimento. Por vezes existem alergias a alimentos importantes e muito usados na nossa alimentação como por exemplo leite, ovos e trigo.

Intolerância alimentar o que é?

A intolerância alimentar não é uma alergia pois não é mediada pelo nosso sistema imunitário.  A Intolerância Alimentar consiste numa reação adversa ao alimento que não envolve o sistema imunológico. Frequentemente resulta de alterações ou distúrbios do metabolismo do alimento. Neste caso, as reações não têm o mesmo potencial de gravidade da resposta alérgica e os sintomas desenvolvem-se com maior frequência ao nível gastrointestinal.

Os sintomas mais frequentes da intolerância alimentar são:

  • Inchaço ou distensão abdominal;
  • Gases;
  • Cólicas;
  • Flatulência;
  • Azia;
  • Dor de cabeça;
  • Mal estar geral.

Saber mais sobre intolerância alimentar aqui

Atopia o que é?

A atopia pode ser entendida como uma tendência individual e/ou familiar para desencadear reações de hipersensibilidade mediadas pela IgE.

Um dos exemplos mais frequentes é a pele atópica.

Alergia e incidência na população

De acordo com a World Allergy Organization (WAO), cerca de 40% da população mundial sofre de pelo menos uma doença alérgica sendo o 5º grupo de doenças crónicas mais frequentes nos países desenvolvidos. Estes números serão mais graves no futuro porque um dos segmentos da população mais afetados são as crianças e portanto haverá, um aumento das patologias alérgicas. Na altura da primavera  maior parte das pessoas que sofre de rinaconjuntivite tem alergia ao pólenes.

Segundo a Sociedade Portuguesa de Alergologia e Imunologia Clínica (SPAIC), cerca de:

  • 30% da população sofre de rinite,
  • 16% da população terá também conjuntivite,

No entanto, muitos doentes nunca fizeram diagnóstico. Apenas um terço das pessoas foram vistas por causa da doença e ainda menos fizeram testes de alergia.

Causas do aumento das alergias

As doenças alérgicas estão a aumentar, o que tem sido associado a diversos fatores tais como:

  • Mudanças no estilo de vida,
  • Alterações climáticas, nomeadamente aumento da temperatura
  • Aumento da poluição atmosférica,

Sistema imunitário será que está diferente?

Nas crianças do países ocidentais o número de infeções por bactérias, vírus e parasitas tem vindo a diminuir graças à evolução das vacinas, antibióticos e melhoria das condições sanitárias.

Estas circunstâncias no seu conjunto levaram a que o nosso sistema imunitário, pelo facto de não ter uma ameaça tão forte de parasitas e agentes microbianos patogénicos, se concentre agora mais nos alérgenos ambientais que teoricamente deveriam ser inofensivos para as pessoas.

Doenças alérgicas quais as principais?

As principais doenças alérgicas são as seguintes:

Alergia alimentar qual a incidência?

A alergia alimentar  atinge cerca de 1-2 %  da população geral nos países  industrializados e mais de 8% das crianças. O número de indivíduos com reações graves de causa  alérgica, após ingestão  de alimentos, tem vindo a aumentar.

As reações a alimentos poderão não ter uma causa alérgica,  designando-se então  como reações alimentares  adversas.

Influência genética qual a importância?

A alergia alimentar tem uma forte componente genética e até 70% dos doentes apresentam história familiar positiva.

Sintomas quais são?

A alergia a um determinado alimento origina, habitualmente, o aparecimento dos sintomas poucos minutos após a ingestão.

Estas reações denominadas imediatas podem atingir de uma forma isolada ou combinada:

  • Pele e mucosas,
  • Vias respiratórias,
  • Sistema gastrointestinal,
  • Sistema cardiovascular.

Os sintomas alergia alimentar são geralmente os seguintes:

  • Urticária,
  • Angioedema,
  • Rinoconjuntivite,
  • Asma,
  • Choque anafilático.

Reações alérgicas imediatas vs retardadas

As manifestações clínicas de tipo alérgico imediato mais frequentes são:

As reações anafiláticas são mais raras. Assumem, no entanto, uma importância primordial, já que se desencadeiam muito rapidamente, colocando em risco a vida do doente, quando não tratadas de forma imediata.

Outras manifestações de alergia alimentar incluem reações retardadas que ocorrem em doentes com:

  • Eczema atópico e/ou enteropatia ao glúten, sendo mais difíceis de diagnosticar porque, frequentemente, decorre muito tempo entre a ingestão alimentar e a ocorrência dos sintomas.

Alergias nas crianças mais frequentes

As manifestações clínicas de alergia alimentar variam com a idade.

Na infância, a forma de apresentação alérgica mais comum é o eczema atópico.

Os alimentos mais frequentemente envolvidos são:

  • Leite,
  • Ovo,
  • Frutos secos,
  • Soja,
  • Trigo,
  • Peixe,
  • Marisco.

Alergias nos adultos mais frequentes

No adulto são habituais as reações imediatas sendo os alimentos mais problemáticos os seguintes:

  • Frutos secos,
  • Peixe e marisco,
  • Alimentos de origem vegetal.

Síndrome de alergia oral

A síndrome de alergia oral caracteriza-se  pelo aparecimento de edema, comichão  e/ou formigueiro dos lábios, boca e garganta quando o agente causal, habitualmente um fruto fresco ou vegetal, contacta  com  a  mucosa  oral  do  indivíduo alérgico.

Reatividade cruzada

Na sua maioria, os doentes estão sensibilizados a pólens. Esta sensibilização simultânea (pólens e alimentos) deve-se à existência de reatividade cruzada a proteínas com estrutura semelhante que ocorrem, naturalmente, em plantas de diferentes origens.

Os exemplos mais comuns destas síndromes de reatividade cruzada são:

  • Síndrome bétula-maça
  • Síndrome artemisia-aipo-cenoura-especiarias
  • Síndrome gramíneas-rosáceas
  • Síndrome Plantago-Cucurbitaceae

Urticária

A urticária não é uma doença mas sim um síndrome comum, com lesões cutâneas afetando todas as faixas etárias, estimando-se que cerca de 20 a 30% da população, em algum momento da sua vida, tenha pelo menos um episódio de urticária.

É caracterizada pelo rápido aparecimento de pápulas (lesões cutâneas ligeiramente elevadas em relação à pele sã), eritematosas (avermelhadas) algumas vezes esbranquiçadas na parte central, acompanhadas de prurido (comichão) ou por vezes sensação de queimadura, desaparecendo por breves segundos após pressão.

Estas lesões desaparecem espontaneamente ou com terapêutica anti-histamínica, sem pigmentação residual num período de 24 horas podendo no entanto voltar a aparecer.

Em alguns casos, o edema da derme profunda e sub-cutis pode ser tão importante que dá origem ao aparecimento de angioedema (inchaço), por vezes doloroso em alternativa a pruriginoso, com envolvimento frequente das mucosas, sendo a resolução mais lenta comparativamente à da urticária (até 72 horas).

Saber mais sobre urticária aqui

Sintomas gastrointestinais frequentes

Na alergia alimentar os sintomas intestinais mais frequentes são:

  • Náuseas
  • Vómitos
  • Cólicas abdominais
  • Diarreia

Anafilaxia ou reação anafilática

As reações anafiláticas (anafilaxia) são reações alérgicas repentinas, generalizadas, potencialmente graves e que apresentam risco à vida.

Caracterizam-se pela ocorrência de sintomas envolvendo simultaneamente:

  • A pele e mucosas
  • O aparelho respiratório
  • O aparelho cardiovascular
  • O aparelho gastrointestinal

Em alguns países a ingestão de amendoim é a causa mais comum de reações fatais. Quantidades mínimas deste alimento podem ser suficientes para induzir reações anafiláticas em pessoas sensibilizadas.

A ingestão acidental e sem intenção pode ocorrer, particularmente, por contaminação, durante o processamento industrial de outros alimentos.

Anafilaxia quais os sinais?

Os sinais mais comuns de reação anafilática são os seguintes

  • Começam frequentemente com uma sensação de desconforto, seguida por sensações de formigamento e tontura.
  • Em seguida, surgem rapidamente sintomas graves que incluem coceira e urticária generalizada, inchaço, sibilos, dificuldade respiratória, desmaio e/ou outros sintomas alérgicos.

Estas reações podem ser fatais em pouco tempo. A melhor maneira de evitar um ataque é evitar o fator desencadeante.

As pessoas afetadas devem trazer sempre consigo anti-histamínicos e uma seringa autoinjectável de epinefrina. As reações anafiláticas exigem tratamento de emergência.

Reações anafiláticas causas mais comuns

As causas mais comuns de anafilaxia são:

  • Fármacos (como a penicilina)
  • Picadas de insetos
  • Certos alimentos (especialmente ovos, frutos do mar e nozes)
  • Injeções contra alergia (imunoterapia com alérgenos)
  • Látex

Porém, também podem ser causadas por qualquer alérgeno. Tal como acontece com outras reações alérgicas, não costuma ocorrer uma reação anafilática depois da primeira exposição a um alérgeno, mas sim depois de uma exposição posterior.

No entanto, muitas pessoas não se recordam da primeira exposição. É provável que qualquer alérgeno que cause uma reação anafilática em uma pessoa cause essa reação em exposições posteriores, a menos que se tomem medidas para o evitar.

Sintomas de anafilaxia

As reações anafiláticas começam nos primeiros 15 minutos da exposição ao alérgeno. Só excecionalmente as reações começam após 1 hora. Os sintomas variam, mas a pessoa normalmente apresenta os mesmos sintomas todas as vezes, a saber:

  • O coração palpita rapidamente.
  • A pessoa pode sentir-se ansiosa e agitada.
  • A pressão arterial pode cair, causando desmaios.
  • Outros sintomas incluem sensação de formigamento, tontura, pele com comichão e avermelhada, tosse, coriza, espirros, urticária e inchaço do tecido sob a pele (angioedema).
  • A respiração pode tornar-se difícil e podem aparecer sibilos, porque a garganta e/ou vias aéreas se contraem ou incham.
  • A pessoa pode ter náuseas, vômitos, cólicas abdominais e diarreia.

Uma reação anafilática pode progredir tão rapidamente que pode provocar:

  • Colapso,
  • Paragem respiratória,
  • Convulsões,
  • Perda da consciência em 1 ou 2 minutos.

A reação pode ser mortal, a menos que se proporcione um tratamento de emergência de imediato. Os sintomas podem recorrer 4 a 8 horas após a exposição inicial ou mais tarde.

Anafilatoide vs Anafilaxia

As reações anafilatoides assemelham-se às reações anafiláticas. Todavia, ao contrário do que ocorre nas reações anafiláticas, podem ocorrer reações anafilatoides após a primeira exposição a uma substância.
As reações anafilatoides não são reações alérgicas porque a imunoglobulina E (IgE), a classe de anticorpos envolvida nas reações alérgicas, não as provoca. Pelo contrário, a reação é causada diretamente pela substância.
Os fatores desencadeantes mais comuns das reações anafilatoides incluem corantes que contêm iodo, que podem ser visualizados em radiografias (corantes radiopacos), aspirina e outros fármacos anti-inflamatórios não esteroides (AINEs), opiáceos, transfusões sanguíneas e exercícios.
Na medida do possível, evita-se utilizar meios de contraste nos procedimentos radiológicos em pessoas com reações anafilatoides a estes corantes. No entanto, algumas doenças não podem ser diagnosticadas sem meios de contraste. Nestes casos, o médico usa contrastes que apresentam menor probabilidade de causar reações.
Além disso, geralmente administram-se fármacos que bloqueiam as reações anafilatoides, como prednisona e difenidramina, antes de injetar o meio de contraste.

Diagnóstico

O diagnóstico geralmente é óbvio e se baseia nos sintomas. Como os sintomas podem ser fatais em pouco tempo, o tratamento é iniciado de imediato. Se os sintomas forem leves, o diagnóstico pode ser confirmado através de exames de sangue ou urina, que medem os níveis das substâncias produzidas durante as reações alérgicas. No entanto, normalmente esses testes são desnecessários.

Prevenção

A melhor prevenção é evitar o alérgeno. As pessoas que são alérgicas a certos alérgenos inevitáveis (como as picadas de insetos) podem se beneficiar de imunoterapia com alérgenos a longo prazo ( Imunoterapia com alérgenos (dessensibilização)).

As pessoas que apresentam essas reações devem levar sempre consigo uma seringa autoinjectável de epinefrina e comprimidos anti-histamínicos para um tratamento imediato. Caso ocorra o desencadeamento (por exemplo, se forem picadas por um inseto), ou se começaram a apresentar sintomas, devem se Auto injetar e tomar os anti-histamínicos imediatamente.

Em geral, esse tratamento detém a reação, ao menos temporariamente. No entanto, depois de uma reação alérgica de caráter grave, e imediatamente após se Auto injetar, a pessoa deve se dirigir ao serviço de emergência de um hospital, onde poderá ser adequadamente monitorada e o tratamento poderá ser ajustado conforme necessário. A pessoa também deve usar um bracelete de Alerta Médico, com uma lista das suas alergias.

Tratamento da anafilaxia

Em casos de emergência, o médico administra epinefrina por injeção subcutânea em um músculo ou uma veia. Caso a respiração seja gravemente comprometida, um tubo respiratório pode ser introduzido na traqueia pela boca ou nariz (intubação) ou por uma pequena incisão na pele que cobre a traqueia, e o oxigênio é administrado por esse tubo respiratório.

Em geral, a pressão arterial baixa retorna ao normal logo após a administração de epinefrina. Caso não retorne, fluidos intravenosos são administrados para aumentar o volume de sangue. Algumas vezes, medicamentos que estreitam os vasos sanguíneos (vasoconstritores) também são administrados ajudando a elevar a pressão arterial.

São administrados anti-histamínicos (como a difenidramina) e bloqueadores de histamina-2 (H2) (como a cimetidina) por via intravenosa até o desaparecimento dos sintomas. Se necessário, beta-agonistas inalatórios (como albuterol) são administrados para expandir as vias aéreas e auxiliar a respiração.

Algumas vezes, um corticosteroide é administrado para ajudar a prevenir a recorrência dos sintomas várias horas depois.

Angioedema

Angioedema é o inchaço de áreas de tecido subcutâneo que, por vezes, afeta a face e a garganta.

  • O angioedema pode ser uma reação a um fármaco ou substância (fator desencadeante), uma doença hereditária, uma complicação rara do câncer ou uma doença imunológica; no entanto, às vezes a causa é desconhecida.
  • O angioedema pode envolver inchaço da face, garganta, trato digestivo e vias aéreas.
  • Os anti-histamínicos podem aliviar os sintomas leves, mas se o angioedema dificultar a deglutição ou a respiração, é necessário tratamento de emergência.
  • É frequente que o angioedema ocorra com urticária ( Urticária). Tanto a urticária como o angioedema envolvem inchaço, sendo mais profundo no angioedema (sob a pele) do que na urticária, e pode não coçar.

Causas mais comuns

  • Muitos fármacos, como a aspirina, outros fármacos anti-inflamatórios não esteroides (AINEs –Analgésicos não opioides : Medicamentos anti-inflamatórios não esteroides) e certos opioides (denominados opiáceos) como morfina e codeína
  • Picadas ou mordidas de insetos
  • Injeções contra alergia (imunoterapia com alérgenos)
  • Certos alimentos — especialmente ovos, peixes, frutos do mar, nozes e frutas
  • A ingestão de alguns alimentos, mesmo em quantidades mínimas, pode provocar angioedema. Porém, outros alimentos (como morangos) provocam estas reações apenas depois da ingestão de uma grande quantidade.
  • O angioedema às vezes ocorre depois do uso de um contraste visível ao raio-X (contraste radiopaco) durante um exame de imagem. Em algumas ocasiões, o angioedema sem urticária é causado por inibidores da enzima conversora de angiotensina (ECA), que são usados para tratar hipertensão e insuficiência cardíaca.

O angioedema pode ser crónico, recorrendo durante semanas ou meses. A origem pode ser o consumo habitual, não intencional, de uma substância como a penicilina no leite ou um conservante ou corante nos alimentos.

O uso de certos fármacos como a aspirina, outros AINEs ou opiáceos também pode causar o angioedema crónico. O angioedema crónico que se apresenta sem urticária pode ser um angioedema de tipo hereditário Angioedema hereditário e adquirido.

Entretanto, quando o angioedema ocorre novamente (com ou sem urticária) sem que nenhuma causa específica seja identificada, este é denominado angioedema idiopático.

Sintomas do angioedema

O angioedema pode afetar parte ou a totalidade das mãos, pés, pálpebras, língua, lábios ou genitália. Por vezes, as membranas que revestem a boca, a garganta e as vias respiratórias incham, dificultando a deglutição e a respiração. Ocasionalmente, o trato digestivo é afetado, o que resulta em náuseas, vômitos, dor abdominal com cólica ou diarreia.

Muitas pessoas também apresentam urticária. A urticária geralmente começa com ardor. Tipicamente, os surtos de urticária aparecem e desaparecem ( Urticária). Uma pápula pode permanecer durante várias horas e logo desaparecer, reaparecendo mais tarde, em qualquer outro local. Depois de a pápula desaparecer, a pele tem habitualmente um aspeto completamente normal.Angioedema

Diagnóstico

Frequentemente a causa é evidente, e não são necessários exames porque as reações geralmente se resolvem e não recorrem. Caso o angioedema recorra e a causa não seja definida, o médico pergunta ao indivíduo quais os fármacos que está tomando e os alimentos e bebidas que está consumindo.

Se a causa continuar sem ser determinada, especialmente se o indivíduo não apresentar urticária, é possível que o médico realize exames para determinar se é uma forma hereditária de angioedema ( Angioedema hereditário e adquirido).

Caso a causa seja uma picada de abelha, o indivíduo deve consultar um médico. Este pode aconselhar um tratamento a ser seguido no caso de outra picada de abelha.

Tratamento

Se a causa for evidente, o indivíduo deve evitá-la, se possível. Se a causa não for evidente, o indivíduo deve deixar de tomar todos os fármacos que não sejam indispensáveis até que os sintomas se resolvam.

Para o angioedema leve com urticária, o uso de anti-histamínicos alivia parcialmente a coceira e reduz o inchaço. Os corticosteroides, administrados por via oral, são prescritos apenas nos sintomas graves, quando outros tratamentos são ineficazes, e são administrados durante o menor tempo possível. Quando administrados por via oral durante mais de 3 ou 4 semanas, podem causar muitos efeitos colaterais, por vezes sérios ( Corticosteroides: Usos e efeitos colaterais). Produtos para a pele (como cremes, pomadas e loções) com corticosteroides não ajudam.

Para o angioedema sem urticária (como aquele causado por um inibidor da ECA ou uma forma hereditária de angioedema), os anti-histamínicos e corticosteroides podem não ajudar. Nestes casos, por vezes o médico administra plasma fresco congelado ou certos fármacos como ecalantide. Um inibidor de C1 purificado, derivado de sangue humano, também pode ser usado.

Se o angioedema grave provocar dificuldades de deglutição ou respiração ou um colapso, é necessário um tratamento de emergência. A maioria das pessoas que já apresentaram essas reações devem trazer sempre consigo uma seringa autoinjectável de epinefrina e comprimidos anti-histamínicos, que devem ser usados imediatamente caso ocorra uma reação.

Depois de uma reação alérgica grave, essas pessoas devem recorrer ao serviço de emergência de um hospital, onde poderão ser examinadas e tratadas adequadamente.

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Diagnóstico da alergia alimentar

O diagnóstico de alergia a alimentos é fundamentado, em primeiro lugar, na história clínica. Contudo, se existem casos em que a relação causal com a ingestão de determinado alimento é evidente, noutras situações esta relação não é clara. O preenchimento pelo doente de um diário alimentar completo, bem como a descrição das atividades diárias, durante um período de tempo relativamente longo, pode ser essencial para evidenciar qual ou quais os alimentos suspeitos.

Os testes de pele podem ajudar. Nestes, o médico alergologista inocula vários tipos de proteínas no antebraço do doente à procura de reações às mesmas. O resultado costuma demorar apenas 15 minutos. O principal valor do teste é quando este é negativo, servindo para descartar a proteína que não causou reação. O teste positivo não dá certeza de que o paciente seja alérgico àquela proteína. Em alguns casos por causa do alto risco de reação anafilática, o médico pode optar por não fazer este teste. Atualmente é possível realizar a dosagem de IgEs específicas no sangue para se identificar contra quais alimentos se desenvolve alergia.

Exercício físico após refeição

Em certos casos, determinados alimentos só originam a ocorrência de sintomas de alergia alimentar quando o doente realiza esforço físico, após a ingestão dos mesmos (anafilaxia induzida pelo exercício).

Este tipo de alergia alimentar que só se manifesta se o paciente praticar alguma atividade física até 4 horas após a ingestão de determinados alimentos. O doente com este tipo de alergia pode comer camarão e nada sentir, mas se comê-lo e for praticar algum exercício pode até sofrer uma reação anafilática.

Alergia alimentar e alimentação saudável

Como ter uma alimentação saudável se for alérgico a alimentos importantes? Muitas vezes os doentes identificam os alimentos responsáveis pela ocorrência dos sintomas deixando definitivamente de os ingerir. Esta atitude habitualmente não acarreta consequências indesejáveis tratando-se de alimentos isolados. Contudo, e particularmente nas crianças, a adoção de dietas demasiadamente restritivas poderá acarretar défices nutricionais. É fundamental que o diagnóstico de alergia alimentar seja estabelecido por um imunoalergologista. Quando necessário, o aconselhamento para manter uma dieta nutritivamente equilibrada será também orientado por um nutricionista.

Teste cutâneo positivo significa sempre alergia a esse alimento?

A interpretação dos resultados dos testes cutâneos de alergia e das determinações sanguíneas de IgE específica exige experiência e perícia.

Um teste cutâneo positivo a um determinado alimento não implica, necessariamente, ocorrência de alergia. Crianças com história de alergia a um determinado alimento podem desenvolver tolerância, isto é, passar a poder ingeri-lo, mantendo reatividade cutânea a esse alimento.

Teste cutâneo negativo exclui alergia a esse alimento?

Por outro lado, um teste cutâneo negativo não permite excluir, definitivamente, o diagnóstico de alergia alimentar.

Alguns alergénios alimentares podem ser destruídos durante a preparação de extratos comerciais, conduzindo a testes cutâneos falsamente negativos.

Torna-se, assim, necessária a realização de testes por picada, utilizando o alimento fresco.

O teste de provocação oral (TPO) poderá ser necessário para estabelecer o diagnóstico definitivo de alergia alimentar.

Teste de provocação oral (TPO)

O TPO consiste na ingestão de quantidades crescentes do alimento suspeito. A execução deste teste não é isenta de riscos, devendo ser sempre efetuado por especialista experiente, iniciada em ambiente hospitalar e com vigilância ao longo de pelo menos 24 horas.

Reatividade cruzada

A reatividade cruzada significa que quando se é alérgico a um determinado alergénio ou alimento aumenta a probabilidade de se desenvolver alergia a outros alimentos que tenham na sua composição proteínas de estrutura semelhante ao primeiro alergénio.

Por exemplo quem tem alergia respiratória a pólens, tem associada uma maior probabilidade de ter alergia alimentar a frutos e vegetais.

Outras sensibilizações podem ocorrer para alergénios inalados e ingeridos. Os exemplos mais comuns destas síndromes de reatividade cruzada são:

  • Síndrome ácaros-crustáceos-moluscos;
  • Síndrome ave-ovo;
  • Síndrome látex-frutos.

Num mesmo grupo de alimentos pode verificar-se, também, a existência de reatividade cruzada. São exemplos a alergia simultânea a diversos crustáceos, ou a espécies distintas de peixe.

Alergia alimentar, como evitar?

Não é possível evitar uma alergia alimentar sem se saber a que se é alérgico! No entanto se já for alérgico a determinados alergénios como por exemplo ácaros, pólens, aves e látex, devido à reatividade cruzada atrás referida deve evitar ou estar muito atento à ingestão dos alimentos geralmente associados a essas reatividades cruzadas. Uma vez estabelecido o diagnóstico de alergia alimentar, o doente é aconselhado a evitar os alimentos responsáveis pela ocorrência dos sintomas.

É importante salientar que para além de ingeridos na sua forma natural, determinados alimentos são utilizados como ingredientes. Assim o doente alérgico deve habituar-se a consultar os rótulos das embalagens de todos os produtos que consome.

A identificação do ingrediente proveniente do alimento a que é alérgico evitará um consumo acidental e a ocorrência de uma reação que poderá ser grave.

Idade e alergia alimentar

Na criança a maioria das alergias alimentares resolve-se até à idade escolar. Excetuam-se alguns grupos de alimentos tais como os frutos secos, peixes e mariscos. Se a alergia alimentar surge na idade adulta é menos provável o seu desaparecimento.

Tratamento

O melhor tratamento da alergia a alimentos é a prevenção. Não há um tratamento que cure a alergia alimentar. O mais importante é identificar os alimentos que causam alergia e evitá-los permanentemente.

Quando não se conhece os alimentos que lhe causam alergia ou quando há ingestão acidental de um alimento proibido, o tratamento visa o controle da reação alérgica. Os medicamentos mais usados são:

  • Anti-histamínicos (antialérgicos),
  • Corticoides
  • Nos casos de choque anafilático o tratamento é feito com injeção de adrenalina.

Doentes com histórico de reação anafilática a alimentos devem trazer consigo cartões ou pulseiras explicando a sua alergia para que possam ser rapidamente diagnosticados e tratados,  em caso de acidente. Muitos pacientes andam com seringas automáticas de adrenalina caso seja necessário tratamento imediato.

Aproximadamente 85% das crianças espontaneamente deixam de ser alérgicas à maioria dos alimentos (ovos, leite de vaca, trigo e soja) entre os 3-5 anos de idade. O teste cutâneo permanece positivo apesar de haver tolerância ao alimento. A alergia alimentar ao amendoim, nozes, peixe e camarão raramente desaparece.

14 alimentos que causam alergia alimentar, 

A partir de dia 13 de dezembro de 2014 entram em vigor as novas regras de etiquetagem de alimentos na União Europeia. Estas exigem uma maior visibilidade da informação relativa à presença de alergénios alimentares nos rótulos dos alimentos, assim como nos produtos à venda em cafés e restaurantes.

A lista de alimentos cuja presença deve ser discriminada abrange os alimentos que mais frequentemente causam alergia alimentar, nomeadamente:

  • Cereais que contém glúten (p.ex. trigo, centeio, cevada, aveia, espelta, etc.) e produtos derivados
  • Crustáceos (camarão, caranguejo, lagosta, etc.) e derivados
  • Ovos e derivados (outras denominações: gema, clara, ovalbumina, ovomucoide)
  • Peixe e derivados
  • Amendoins e derivados
  • Soja e derivados
  • Leite, lactose e derivados (outras denominações: lactoalbumina, lacto globulina, caseína, coalho)
  • Frutos secos (nozes, amêndoas, avelãs, cajus, noz pecã, amêndoa do Pará, pistáchios, macadâmias) e produtos derivados
  • Aipo e produtos derivados
  • Mostarda e produtos derivados
  • Sementes de sésamo e derivados
  • Tremoço e derivados;
  • Moluscos (caracol, mexilhão, amêijoa, choco, lula, polvo, pota, etc.);
  • Dióxido sulfuroso e sulfitos.

Concluindo

É importante enfatizar que existem outros alimentos que podem provocar reações alérgicas cuja presença em produtos alimentares não é de identificação obrigatória. A Sociedade Portuguesa de Alergologia e Imunologia Clínica (SPAIC) recomenda que se informe junto do seu imunoalergologista acerca de como pode ser feita uma correta evicção alimentar.

Fique bem!

Franklim A. Moura Fernandes

Fontes:

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IMPOTÊNCIA DISFUNÇÃO ERÉCTIL A VERDADE




Impotência ou disfunção eréctil (2021) toda a verdade: Segundo a Sociedade Portuguesa de Andrologia é um problema que afeta milhares de homens impedindo-os de ter uma vida íntima saudável e por consequência afetando de forma grave as suas relações amorosas. Trata-se de uma condição de saúde, na maior parte das vezes, escondida por vergonha e não tratada convenientemente.

Este artigo pretende ser um contributo valioso para melhorar a vida de muitos homens e suas companheiras colocando novamente no caminho de uma vida amorosa saudável.

Neste artigo vou responder ás seguintes questões:

  • O que é a impotência ou disfunção eréctil?
  • Quais os sinais e sintomas?
  • Quais as causas físicas e psicológicas?
  • Quais os fatores de risco?
  • Como se faz o diagnóstico?
  • Quais os tratamentos mais eficazes?
  • Quais as marcas disponíveis?
  • Como atuam os medicamentos?
  • Como se pode prevenir?
  • A impotência também afeta jovens?
  • O que é o Sildenafil?
  • Como atua o sildenafil?
  • Quem não pode tomar o sildenafil?
  • Quem deve ter cuidados especiais com o sildenafil?
  • Qual a influência dos alimentos e bebidas com o sildenafil?
  • O sildenafil afeta a condução?
  • Quais os efeitos secundários?
  • Como tomar?
  • Quais as dosagens disponíveis?
  • Quais os preços do sildenafil?

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Impotência ou disfunção eréctil  o que é?

A Disfunção Eréctil (DE) ou “Impotência Sexual” é a incapacidade constante ou recorrente do homem obter ou manter uma ereção permitindo a atividade sexual durante pelo menos 3 meses. Pode atingir os homens de qualquer idade, tornando-se mais frequente em com o avançar da idade. Apresenta uma prevalência global de cerca de 13% em Portugal (Episex-pt, 2006), e continua para muitos um assunto tabú, sendo o tema abordado com dificuldade, até com o médico de família.

A impotência ou Disfunção Eréctil (DE) é a disfunção sexual masculina mais comum. Calcula-se que em Portugal, mais de 500 mil homens sofram deste problema, porém, muito poucos procuram ajuda para encontrar uma solução e recuperar a sua vida sexual.

Apesar de afetar frequentemente homens acima dos 40 anos, não é uma condição exclusiva de homens maduros, com cada vez mais jovens a sofrer de disfunção erétil, quer seja devido a causas físicas ou psicológicas.

O sintoma mais frequente da disfunção erétil é a incapacidade de conseguir ou manter uma ereção suficiente para penetração. No caso de a dificuldade ser esporádica, a mesma não pode ser classificada como disfunção eréctil. Porém, se os sintomas da disfunção eréctil se tornarem recorrentes e acontecerem com bastante frequência, poderá tratar-se desta condição. Existem vários fatores que podem influenciar o processo de ereção, pelo que vale a pena avaliar este problema individualmente.

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Sintomas e sinais da impotência

A incapacidade ocasional em manter uma ereção acontece à maioria dos homens e geralmente não será causa de maior preocupação. Quando os problemas se tornam recorrentes então sim deverão ser avaliados pelo seu médico para diagnosticar as causas.

Anatomia do pénis

No homem, o  formato é cilíndrico, sendo formado por dois tipos de tecidos (dois corpos cavernosos e um corpo esponjoso) e, na sua extremidade, observa-se uma fenda, que é a terminação da uretra, canal que escoa o esperma e a urina. É, portanto, um órgão que atua em duas funções: na reprodução e na excreção.

Anatomia do pénis e impotência

Ereção

A ereção resulta de um processo complexo envolvendo o cérebro, as hormonas, os nervos pélvicos e os vasos sanguíneos irrigando o pénis. As estruturas penianas responsáveis pelo mecanismo eréctil são os corpos cavernosos, dois compartimentos cilíndricos envolvidos numa túnica sólida (Albugínea).

Ereção e disfunção eréctil

Em paralelo corre o corpo esponjoso contendo a uretra. Com a excitação, o aumento do fluxo sanguíneo ao pénis assim como a diminuição da drenagem expande os corpos cavernosos.

impotência melhorsaude.org
Anatomia do pénis

Encarada anteriormente como uma patologia de causas primariamente psicológicas, a disfunção eréctil resulta com maior frequência de uma causa física, geralmente uma doença crónica sistémica, o efeito secundário de um tratamento instituído ou ainda a combinação destes fatores.

Causas etiológicas mais comuns

As causas etiológicas mais comuns são as seguintes:

Nalguns casos pode representar o primeiro sinal destas doenças.

Leia também: Isto está a causar diabetes, toda a verdade!

Outras causas importantes

Algumas das causas importantes mas pouco conhecidos são os seguintes:

  • Tabagismo,
  • Alcoolismo crónico,
  • Alguns medicamentos, nomeadamente o tratamento do cancro da próstata e da tensão arterial,
  • Doenças neurológicas tais como a doença de Parkinson,
  • Esclerose Múltipla,
  • Distúrbios hormonais (hipogonadismo),
  • Doença de Peyronie (ereção dolorosa e curvatura do pénis)
  • Traumatismos pélvicos.

Causas psicológicas

Representam 10 a 20 % dos casos e incluem:

  • Depressão,
  • Ansiedade,
  • Stress,
  • Cansaço,
  • Problemas relacionais com a parceira.

A sobreposição de um problema psicológico numa causa física menor inicial poderá ser a origem de uma Disfunção Eréctil grave.

 Fatores de risco

Os fatores de risco mais relevantes para o desenvolvimento de impotência sexual masculina são os seguintes:

  • Envelhecimento:  incidência de cerca de 80 % no grupo etário acima dos 75 anos;
  • Patologia crónicas: Diabetes Mellitus, aterosclerose, doença renal, hepática, pulmonar, nervosa, endócrina, crónicas (Diabetes Mellitus, Aterosclerose, Hipogonadismo,…);
  • Tratamentos médicos crónicos: anti-hipertensores, antidepressivos, anti-histamínicos, hipnóticos, tratamento médico do cancro da próstata;
  • Tratamentos cirúrgicos: por lesão dos nervos pélvicos (prostatectomia radical, cistectomia,..);
  • Traumatismos: associados ou não a fraturas da bacia;
  • Abusos sociais ou comportamentais: tabaco, álcool, marijuana ou drogas pesadas;
  • Stress, ansiedade, depressão: Causas psicológicas da disfunção eréctil;
  • Obesidade;
  • Síndrome metabólica: caracterizada por obesidade, dislipidemia, hipertensão arterial e resistência à Insulina;
  • Ciclismo: compressão prolongada dos nervos e vasos perineais responsável por DE temporária.

Diagnóstico

O diagnóstico da Disfunção Eréctil começa na elaboração de uma história clínica e psicossexual detalhada. Segue-se um exame físico assim como um controle analítico e hormonal básico.

Quando justificado o estudo complementar poderá incluir:

  • Eco-doppler peniano,
  • Estudo neurológico aprofundado,
  • Provas de tumescência e rigidez penianas noturnas,
  • Caverosometrias
  • Avernosografias,
  • Consulta psicológica.

Tratamento

Existe hoje em dia uma pléiade de opções terapêuticas, desde o aconselhamento sexual até às opções cirúrgicas, mas o tratamento adequado dependerá sempre da(s) causa(s) e da severidade da DE contrapostas às expectativas do doente.

Comprimidos para a impotência

Os comprimidos para a disfunção eréctil são obviamente pela comodidade a primeira opção de tratamento. O primeiro foi um sucesso estrondoso e chamava-se sildenafil, mais conhecido mundialmente pelo nome comercial Viagra. Actualmente em 2021, estão disponíveis os seguintes fármacos:

  • Sildenafil (Viagra®). Já está disponível o genérico do sildenafil a preço económico, em embalagens de 1, 4, 8 e 12 comprimidos.
  • Tadalafil (Cialis®). Também já está disponível o genérico com preço muito mais económico.
  • Vardenafil (Levitra®)
  • Avanafil (Spedra®)

Pela minha experiência como Farmacêutico cada nova molécula aprovada para a impotência masculina ou disfunção eréctil tem sobre as mais antigas a vantagem de manter ou prolongar o efeito eréctil e diminuir os efeitos secundários ou seja mantém o efeito terapêutico com mais segurança e interações medicamentosas ou outras.

Portanto a melhor será quase sempre a última a chegar ao mercado, sendo actualmente o Avanafil a mais recente.

Mecanismo de ação

Sendo moléculas do mesmo grupo farmacológico (inibidores das fosfodiesterases), atuam de modo semelhante aumentando os níveis de óxido nítrico no corpo cavernoso, relaxando assim o músculo liso e favorecendo deste modo a irrigação peniana.

Não provocam automaticamente a ereção, favorecendo-a em resposta à estimulação psicológica ou física. Não obstante as suas semelhanças estes fármacos tem indicações preferenciais consoante o tipo de doente.

“Estes fármacos são contra-indicados nos doentes com angina de peito medicados com nitratos e deverão sempre ser usados com precaução em caso de doença cardíaca grave, acidente vascular cerebral, diabetes incontrolada e hipo ou hipertensão arterial. Qualquer medicação crónica concomitante deverá ser mencionada.”

Prostaglandina E (Alprostadil)

Esta hormona relaxa o músculo liso peniano, aumentando o fluxo sanguíneo. Em Portugal encontra-se apenas sob forma injetável para administração intra-cavernosa (Caverject®). Poderá ser potenciado o seu efeito com Papaverina e/ou Fentolamina. Existe aínda uma forma de administração intra-uretral (Muse®).

Reposição hormonal

Indicada nos doentes com valores baixos de Testosterona plasmática. Existe sob a forma transdérmica (Testim®, Testogel®) e injectável (Sustenon®, Testoviron®). Este tipo de tratamento implica sempre o doseamento do PSA.

Bombas de vácuo

Com ótima indicação nos doentes com contraindicações específicas para o tratamento farmacológico, tem em geral moderada aceitação.

Cirurgia Vascular

Indicada num número restrito de doentes, geralmente novos, com alterações vasculares comprovadas em estudos angiográficos.

Próteses penianas

Cirurgia reservada aos casos onde as outras modalidades terapêuticas falharam. Trata-se de uma opção altamente invasiva e irreversível. Distinguem-se em próteses semirrígidas e hidráulicas, feitas em silicone e poliuretano. Apresenta uma alta taxa de satisfação, no entanto pode ocorrer infeção da prótese em 2 a 3% dos doentes e apresentar até 15% de reoperações.

Aconselhamento psicológico e terapia sexual

Pode servir como complemento das outras terapias para a Disfunção Eréctil  ou na presença de stress, ansiedade, depressão. A falta de conhecimentos acerca da função sexual normal ou qualquer tipo de tensão relacional tornam essencial uma intervenção educativa para o doente ou o casal.

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Prevenção

Descrevo de seguida os fatores mais importantes para prevenir a disfunção eréctil, a saber:

  • Controlo das doenças crónicas assim como a eliminação dos fatores de risco;
  • Controlo da Diabetes e risco coronário;
  • Eliminação de tabagismo;
  • Limitação de ingestão de álcool e evicção de drogas ilegais..;
  • Prática de exercício físico regular;
  • Sono regular;
  • Controlo do stress;
  • Tratamento de estados de ansiedade e depressão;
  • Controlo médico regular;

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Jovens também sofrem de impotência

A impotência nos jovens é um problema que afeta tanto adolescentes como homens no início da vida adulta. Apesar de pouco discutido, este problema é bastante comum, estimando-se que 15% dos homens que sofrem de impotência tenham menos de 40 anos e cerca de 5%, menos de 30 anos.

As causas de impotência nos jovens podem ser tanto físicas como psicológicas, apesar de as psicológicas serem as mais comuns. A ansiedade, o stress e o medo de falhar podem influenciar a performance sexual dos homens mais jovens, bem como a masturbação demasiado frequente e vigorosa pode ser uma das causas de impotência na juventude.

O abuso de álcool, drogas e a obesidade são também factores importantes em muitos casos de disfunção erétil. Desta forma, um estilo de vida pouco recomendável pode afectar grandemente a capacidade erétil dos homens mais jovens.

Sildenafil o primeiro “milagre masculino” 🙂

O Sildenafil  é um tratamento para os homens com disfunção eréctil, mais vulgarmente conhecida por impotência. Isto é, quando um homem não consegue obter, ou manter, uma rigidez do pénis em ereção, adequada à atividade sexual.

Formula quimica do Viagra ou Sildenafil
Formula quimica do Sildenafil

No entanto o Sildenafil demonstrou ter “poderes extraordinários” porque mesmo em homens que habitualmente não têm disfunção eréctil e, por exemplo, têm um dia mais cansativo pode reforçar a ereção, desde que estimulados sexualmente.

Mecanismo de ação do Sildenafil

O Sildenafil pertence a um grupo de medicamentos designado por inibidores da fosfodiesterase tipo 5 (PDE5). Este medicamento atua por relaxamento dos vasos sanguíneos do pénis, permitindo o afluxo de sangue para o pénis, quando sexualmente estimulado.

Estrutura quimica da molécula do Viagra ou Sildenafil em 3D
Estrutura química da molécula do  Sildenafil em 3D

Contraindicações

Existem sempre grupos de doentes que estão contraindicados para usar este medicamento. Os principais são os seguintes:

  • Medicamentos com nitratos – A combinação poderá causar uma diminuição potencialmente perigosa da sua pressão arterial. Informe o seu médico se está a tomar algum destes medicamentos, que são normalmente utilizados para o alívio da angina de peito (ou “dor no peito”). Se tem dúvidas, informe-se junto do seu médico ou farmacêutico.
  • Medicamentos conhecidos como dadores de óxido nítrico, tal como o nitrito de amilo (“poppers“) – A combinação poderá levar a uma diminuição potencialmente perigosa na sua pressão arterial.
  • Alergia ou hipersensibilidade ao sildenafil ou a qualquer outro componente do Sildenafil.
  • Problemas cardíacos ou hepáticos graves.
  • Acidente vascular cerebral (AVC) ou um enfarte do miocárdio recentemente.
  • Pressão arterial baixa.
  • Algumas doenças oculares hereditárias tal como, retinite pigmentosa.
  • Perda de visão devido a neuropatia óptica isquémica anterior não arterítica (NAION).

Cuidados especiais

  • Se tem anemia falciforme (uma anomalia nos glóbulos vermelhos), leucemia (cancro das células do sangue), mieloma múltiplo (cancro da medula óssea).
  • Se tem deformação do pénis ou doença de Peyronie’s.
  • Se tem problemas cardíacos. Neste caso, o seu médico deve avaliar cuidadosamente se o seu coração suporta o esforço adicional associado a uma relação sexual.
  • Se tem atualmente uma úlcera do estômago ou um problema hemorrágico (tal como a hemofilia).
  • Se teve diminuição ou perda da visão súbita, pare de tomar Sildenafil e contacte imediatamente o seu médico.
  • Não deve utilizar Sildenafil em simultâneo com quaisquer outros tratamentos orais ou locais para a disfunção eréctil.
  • Sildenafil não deve ser administrado a indivíduos com idade inferior a 18 anos

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Alimentos e bebidas qual a influência?

O Sildenafil pode ser tomado com ou sem alimentos. No entanto, pode demorar mais tempo a atuar se o tomar com uma refeição mais pesada.

A ingestão de bebidas alcoólicas pode impedir temporariamente a capacidade de obter uma ereção. Para obter o máximo benefício do medicamento, é aconselhado a não ingerir grandes quantidades bebidas alcoólicas antes de tomar Sildenafil.

Efeitos sobre a condução

Sildenafil  pode provocar tonturas e afectar a visão. Deve estar consciente de como reage ao Sildenafil antes de conduzir ou utilizar máquinas.

Efeitos secundários

Habitualmente ligeiros a moderados e de curta duração.

Se tiver dores no peito durante ou após o ato sexual:

  • Coloque-se numa posição semi-sentada e tente relaxar.
  • Não utilize nitratos para tratar a sua dor no peito.
  • Fale com o seu médico imediatamente.

Todos os medicamentos incluindo Sildenafil poderão causar reações alérgicas. Deve informar o seu médico imediatamente se estiver a sentir algum dos seguintes sintomas após tomar este medicamento:

  • Pieira súbita,
  • Dificuldade em respirar ou tonturas,
  • Inchaço das pálpebras, face, lábios ou garganta.

Foram comunicadas ereções prolongadas, por vezes dolorosas, após a utilização de Sildenafil. Se tiver uma ereção que dure continuamente mais de 4 horas, deve contactar um médico imediatamente.

Se sentir uma diminuição ou perda súbita de visão, pare de tomar este medicamento e contacte o seu médico imediatamente.

Frequência dos efeitos secundários

A frequência dos possíveis efeitos secundários apresentada de seguida é definida usando a seguinte convenção:

  • Muito frequentes (afetam mais de 1 utilizador em cada 10)
  • Frequentes (afetam 1 a 10 utilizadores em cada 100)
  • Pouco frequentes (afetam 1 a 10 utilizadores em cada 1.000)
  • Raros (afetam 1 a 10 utilizadores em cada 10.000)
  • Muito raros (afetam menos de 1 utilizador em cada 10.000)
  • Desconhecido (a frequência não pode ser calculada a partir dos dados disponíveis)

Muito frequentes

  •  Dores de cabeça.

Frequentes

  • Vermelhidão facial,
  • Indigestão,
  • Efeitos sobre a visão (incluindo visão com traços coloridos, sensibilidade à luz, visão turva e acuidade visual reduzida),
  • Nariz entupido
  • Tonturas.

Pouco frequentes

  • Vómitos,
  • Erupção cutânea,
  • Hemorragia retiniana,
  • Irritação ocular,
  • Olhos vermelhos,
  • Dor ocular,
  • Visão dupla,
  • Sensação de corpo estranho no olho,
  • Batimentos cardíacos rápidos e irregulares,
  • Dor muscular,
  • Sonolência,
  • Sensação de tacto diminuída
  • Vertigem,
  • Zumbidos nos ouvidos,
  • Náuseas,
  • Boca seca,
  • Dor no peito,
  • Sensação de cansaço.

Raros

  • Pressão arterial elevada,
  • Pressão arterial baixa,
  • Desmaios,
  • Acidente vascular cerebral,
  • Hemorragia nasal,
  • Diminuição ou perda súbita da audição.

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Posologia

  • Apenas uma vez por dia.
  • Tomar cerca de uma hora antes da hora planeada para a atividade sexual.
  • Tome o comprimido inteiro, com um copo de água.

O período de tempo que o Sildenafil demora a atuar varia de pessoa para pessoa, mas, normalmente, esse período varia entre meia hora e uma hora. Poderá verificar que o Sildenafil demora mais tempo a atuar se for tomado com uma refeição substancial.

Dosagens disponíveis

Existem 3 dosagens disponíveis

  • 25mg,
  • 50mg
  • 100mg

A dosagem habitual é de 50mg.

Preço do Sildenafil

Existem no mercado embalagens com 1, 4, 8 ou 12 comprimidos por embalagem. Na dosagem de 50 mg as apresentações disponíveis, consoante os laboratórios, apresentam os seguintes intervalos de preços:

  • 5€ aproximadamente, para a embalagem de 1 comprimido;
  • 10€ a 18€ aproximadamente, para a  embalagem de 4 comprimidos;
  • 22€ a 34€ aproximadamente, para a embalagem de 8 comprimidos;
  • 35€ ou 36€ aproximadamente para a embalagem de 12 comprimidos;

Consulte aqui a lista de preços do Infarmed

Para um homem sem patologias impeditivas, utilizado com moderação e bom senso o Sildenafil pode ser uma magnífica oportunidade para melhorar relações que anteriormente estariam condenadas ao fracasso…

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Concluindo

A impotência ou disfunção eréctil é um problema que afeta milhares de homens impedindo-os de ter uma vida intima saudável e por consequência afetando de forma grave as suas relações amorosas. Trata-se de uma condição de saúde, na maior parte das vezes, escondida por vergonha e não tratada convenientemente, afetando mais do que se julga a vida de muitas famílias e “minando” a autoestima de imensos homens com consequências sociais ainda subestimadas.

Para as mulheres ou homens também não é fácil gerir os sentimentos dos seus parceiros em relação a este problema ainda mais quando o comportamento dos companheiros afetados pode variar entre a depressão, o comportamento agressivo e em alguns casos a culpabilização da companheira ou companheiro!

A mensagem que devemos passar é simples… este problema na grande maioria dos casos é tratável com um simples comprimido 20 minutos antes das relações intimas e deve ser encarado como qualquer outra condição de saúde que necessita de tratamento…sem vergonhas que não têm razão de ser no século XXI.

“O Amor pode voltar a estar no ar…e muitas vezes só depende de si”

Referências

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Tabaco e medicamentos para deixar de fumar

Fonte: Dra. Ana Paula Mendes, Farmacêutica do CIM (Centro de Informação do Medicamento), Ordem dos Farmacêuticos



Tabaco o que é?

O tabaco é um conjunto de produtos provenientes do processamento das folhas de Nicotiniana tabacum e Nicotiniana rustica. O fumo do tabaco contém cerca de 5000 produtos químicos, muitos deles reconhecidamente nocivos, como o alcatrão e a nicotina, e o monóxido de carbono, proveniente da combustão incompleta de componentes do cigarro.

A nicotina é responsável pelos seus efeitos aditivos e a dependência do tabaco é considerada pela OMS uma situação crónica e recidivante. O consumo de tabaco é um grave problema de Saúde Pública e a principal causa evitável de morbilidade e mortalidade a nível global, responsável por cerca de seis milhões de mortes anualmente.

A frequência das afeções e da mortalidade associadas ao tabagismo parecem relacionadas com o número de cigarros consumidos diariamente, bem como com a duração da exposição. Contudo, mesmo consumos modestos, na ordem de um a quatro cigarros por dia, têm sido correlacionados a aumentos na mortalidade global.

Doenças associadas ao tabaco

Entre as diversas patologias associadas ao consumo de tabaco incluem-se:

  • Arteriopatia crónica obstrutiva dos membros inferiores.
  • Acidentes vasculares cerebrais e doença coronária – angina e enfarte do miocárdio.
  • Doença pulmonar obstrutiva crónica (DPOC).
  • Cancros do pulmão.
  • Cancros da boca, vias aéreas, digestivos (estômago e esófago) e da bexiga, entre outros.
  • Doenças parodontais e descolorações dos dentes e da boca.
  • Úlceras gastroduodenais e refluxo gastroesofágico.
    • Aumento do risco de:
    • cancro da mama,
    • osteoporose,
    • infeções respiratórias,
    • cataratas,
    • disfunção erétil,
    • atraso na cicatrização de feridas,
    • traumatismos ou na consolidação de fraturas,
    • degenerescência macular,
    • diabetes tipo 2 e
    • doenças da tiróide, entre outras patologias.

Tabagismo passivo

O tabagismo passivo aumenta o risco de cancros do pulmão e de doenças cardiovasculares. Parece ser também um fator para o aparecimento de DPOC e de cancros da rinofaringe.

A exposição das crianças ao fumo do tabaco origina infeções respiratórias baixas e otites médias, aumentando a intensidade e a frequência das crises de asma. A cessação tabágica está associada a claros benefícios de saúde e a reduções globais do risco de morbilidade e mortalidade.

A cessação completa e definitiva do consumo de tabaco é difícil. A maioria dos fumadores que tentam parar o consumo passam por ciclos repetidos de cessação, seguida de recaídas, antes de obterem uma abstinência sustentada. Muitos fumadores só cessam o consumo quando desenvolvem complicações.

Tratamento

As estratégias para auxiliar os fumadores a cessar o consumo devem basear-se no aconselhamento comportamental, para aumentar a motivação e apoiar as tentativas, ao qual podem ser associadas intervenções farmacológicas, que reduzem o efeito de reforço da nicotina e os sintomas de abstinência associados à cessação.

O foco deve estar em auxiliar a prevenir uma recaída no consumo e proporcionar suporte caso esta ocorra, encorajando tentativas futuras. A cessação tabágica tem maior probabilidade de sucesso quando o fumador está motivado. A associação de uma abordagem medicamentosa e não medicamentosa aumenta a probabilidade de conseguir uma abstinência definitiva.

A farmacoterapia pode ser sugerida a todos os doentes, mas especialmente aos que fumam dez ou mais cigarros por dia, ou que começam a fumar trinta a sessenta minutos após acordar. Os principais fármacos que demonstraram eficácia no apoio à cessação tabágica são:

  • Nicotina,
  • Vareniclina (Champix)
  • Bupropiom.

Estas terapêuticas visam reduzir os sintomas da desabituação da nicotina, tornando mais fácil a cessação do consumo de tabaco.

Medicamentos para deixar de fumar, qual a melhor estratégia?

A seleção do fármaco para deixar de fumar depende essencialmente das preferências do doente e da sua experiência prévia, exceto na presença de comorbilidades ou toma de outros fármacos.

Para deixar o tabaco Meta-análises sugerem que a vareniclina e a terapêutica de substituição nicotínica (TSN) de combinação apresentam uma eficácia semelhante, o que torna estas duas abordagens a primeira linha de tratamento da cessação tabágica.

A associação de dois produtos de substituição de nicotina – um sistema transdérmico e uma formulação de ação rápida, como goma para mascar ou comprimido para chupar, permite suplementar as concentrações séricas em ocasiões de particular risco de recaída. Contudo, o uso de um único produto pode ser uma alternativa razoável.

As gomas de mascar de nicotina não são geralmente adequadas para doentes com aparelhos e próteses dentárias, problemas de dentição ou doença temporomandibular. Em doentes com xerostomia, as pastilhas/comprimidos para chupar são provavelmente menos eficazes devido à produção diminuída de saliva. Doenças dermatológicas generalizadas podem não permitir o uso de sistemas transdérmicos.

O bupropiom é considerado quando outros fármacos se revelaram ineficazes ou estão contraindicados, pois parece ser um tanto menos eficaz que a associação de substitutos da nicotina ou a vareniclina. É uma alternativa de primeira linha aceitável caso este fármaco tenha sido eficaz anteriormente, ou se o doente tiver depressão concomitante.

Entre as razões mais comuns para uma resposta insuficiente ao tratamento encontram-se a não adesão, efeitos adversos e dose inadequada, particularmente com os substitutos de nicotina. Recomenda-se que seja proporcionado acompanhamento pessoal ou telefónico uma a duas semanas após início da terapêutica farmacológica, para monitorizar efeitos adversos, reforçar a adesão à terapêutica e proporcionar apoio à cessação.

O aumento de peso após a cessação tabágica é uma preocupação para muitos fumadores, o que pode limitar a vontade de tentar cessar o consumo e obter uma abstinência sustentada. Os mecanismos subjacentes a este aumento incluem a reversão dos efeitos supressores do apetite associados à nicotina, diminuição da taxa metabólica e aumento da ingestão calórica.

Uma revisão Cochrane mostrou que a TSN, a vareniclina e o bupropiom reduzem o ganho de peso pós-cessação durante o decorrer do tratamento, mas não o previnem, pois o efeito não persiste após o final da terapêutica. Os doentes devem ser encorajados a não aumentar a ingestão de alimentos em substituição do consumo de tabaco, devendo sim reduzir a ingestão de alimentos calóricos e aumentar a atividade física.

Como anteriormente referido, a seleção dos fármacos pode estar condicionada pela existência de situações clínicas ou patologias concomitantes. Seguem-se algumas considerações sobre o tratamento da cessação tabágica em algumas populações especiais.

Doença psiquiátrica

A prevalência do tabagismo entre os indivíduos com perturbações psiquiátricas é substancialmente superior à da população em geral. Apresentam maior probabilidade de consumos elevados e são propensos a sofrerem sintomas de abstinência mais severos e recaídas, o que conduz a uma maior morbimortalidade do tabagismo nesta população.

A desabituação tabágica em doentes psiquiátricos tem sido um assunto controverso, já que existe a noção de que o abandono do hábito pode interferir com a recuperação da doença mental. Contudo, a cessação tabágica não parece associada a desestabilização e mostrou melhorar a saúde mental destes doentes, devendo ser recomendada a todos os doentes com patologia psiquiátrica.

A evidência indica que os mesmos fármacos são eficazes em fumadores com ou sem doença psiquiátrica, apesar de as taxas absolutas de cessação serem mais baixas nos fumadores com patologia psiquiátrica concomitante. Deve existir monitorização mais apertada de possíveis interações com fármacos antipsicóticos, podendo ser necessários ajustes na sua dose, uma vez que a cessação tabágica pode conduzir a aumento das concentrações séricas de fármacos como a clozapina e a olanzapina.

Um ensaio clínico de larga escala, aleatorizado e controlado, avaliou a segurança das diversas terapêuticas farmacológicas em doentes com e sem doença neuropsiquiátrica, não tendo encontrado diferenças significativas na frequência de efeitos adversos neuropsiquiátricos graves entre doentes com e sem doença mental, bem como entre os diferentes fármacos. No caso específico dos doentes com esquizofrenia, a eficácia da TSN parece modesta.

De acordo com uma meta-análise recente, o bupropiom aumenta as taxas de abstinência em fumadores com esquizofrenia, sem comprometer o estado mental. Existe também crescente evidência de que a vareniclina é eficaz e segura nestes doentes. Diversos estudos sugerem que os fármacos utilizados para a cessação tabágica na população em geral são igualmente eficazes na presença de depressão concomitante. Contudo, doentes com sintomas depressivos significativos podem responder pior a intervenções de cessação tabágica. Existe evidência de que a TSN e o bupropiom são eficazes nestes doentes. Apesar de o bupropiom ter atividade antidepressora, não apresenta maior eficácia em fumadores com depressão comparativamente a outros fármacos.

Doença cardiovascular

O tabagismo é um fator de risco major para o desenvolvimento e exacerbação de doenças cardiovasculares. Os fármacos de primeira linha têm mostrado eficácia no tratamento de doentes com patologias cardiovasculares; os doentes com doenças cardiovasculares estáveis podem ser tratados com qualquer dos fármacos de primeira linha.

A TSN é considerada segura na presença de patologia cardiovascular estável; esta tem sido ainda usada para reduzir os sintomas de abstinência em doentes hospitalizados com síndromas coronárias agudas. Os ensaios clínicos efetuados com o bupropiom não mostram evidência de aumento de eventos adversos cardiovasculares relativamente ao placebo.

A vareniclina também mostrou eficácia em fumadores com síndromas coronárias agudas. A evidência disponível aponta para que a sua toma possa estar associada a um pequeno acréscimo do risco de eventos cardiovasculares; contudo, o seu uso é considerado seguro em doentes com doença cardiovascular estável.

Segundo um documento de consenso recentemente publicado, terapêuticas de primeira linha em fumadores com doenças cardiovasculares estáveis são a TSN de combinação ou a vareniclina; o bupropiom ou a TSN em monoterapia são abordagens de segunda linha. Podem ser utilizadas associações de fármacos em fumadores que apresentem apenas uma resposta parcial e não consigam atingir a abstinência com monoterapia.

Nos doentes hospitalizados por síndromas coronárias agudas, o alívio dos sintomas de abstinência de nicotina pode ser obtido recorrendo a sistemas transdémicos de nicotina ou TSN em associação. Esta última abordagem pode ser continuada após alta hospitalar, ou então poderá ser utilizada a vareniclina.

Doença pulmonar obstrutiva crónica (DPOC)

A cessação tabágica é fundamental para retardar o agravamento da doença pulmonar obstrutiva crónica (DPOC). A farmacoterapia é adequada nestes doentes e a sua associação a intervenções comportamentais mostrou aumentar a eficácia destas. Uma revisão Cochrane concluiu que a associação de terapia comportamental e farmacoterapia é eficaz para promover a cessação tabágica em doentes com DPOC, não existindo evidência de que algum dos fármacos seja preferível nestes doentes.

Grávidas

O uso de tabaco durante a gravidez é um importante fator de risco para a ocorrência de complicações obstétricas e neonatais, entre as quais se contam aborto espontâneo, prematuridade, morte fetal e perinatal, e baixo peso à nascença.

Alguns estudos apontam para a existência de efeitos a longo prazo na saúde das crianças. Apesar destes riscos, o número de mulheres que fumam durante a gravidez mantém-se elevado. Assim, é imperativo que as grávidas que fumam recebam encorajamento e apoio para tentar a cessação, ou pelo menos a redução do consumo de cigarros.

Para a cessação tabágica durante a gravidez são recomendadas, em primeira linha, intervenções educativas e comportamentais. Contudo, para algumas grávidas estas medidas são insuficientes. Em grávidas que continuem a fumar apesar de intervenções comportamentais, a TSN constitui uma escolha razoável, não obstante a sua eficácia durante a gravidez não estar bem estabelecida, nem estarem claramente definidos os seus efeitos fetais e neonatais.

Uma meta-análise de seis ensaios foi inconclusiva acerca da sua segurança e eficácia durante a gravidez. Contudo, mesmo que a sua segurança não esteja plenamente estabelecida, o seu uso em alternativa ao tabaco reduz a exposição fetal a outras toxinas, como o monóxido de carbono, que também contribui para efeitos fetais adversos, pelo que será provavelmente mais seguro do que continuar a fumar.

A grávida deve receber a menor dose de nicotina possível, que permita manter a abstinência e controlar os anseios de fumar. As formas farmacêuticas de administração intermitente, como as formas orais, parecem preferíveis aos dispositivos transdérmicos, por exporem o feto a doses menores de nicotina; estes são de recurso, em caso de náuseas e vómitos. Se for utilizado o sistema transdérmico, este deve ser removido à noite para minimizar a dose diária.

O uso da vareniclina e do bupropiom é desaconselhado pela maioria dos autores, devido à ausência de ensaios aleatorizados e controlados de dimensão suficiente. Apesar disto, o bupropiom tem também sido utilizado durante a gravidez, com alguma evidência de eficácia, havendo autores que o consideram uma alternativa à TSN. Contudo, os eventuais efeitos da exposição fetal ao fármaco, especialmente durante o primeiro trimestre, permanecem incertos.

Até à data, a evidência aponta para um possível aumento do risco de malformações cardíacas e do número de abortos com o uso no primeiro trimestre, mas os dados são ainda insuficientes. A evidência relativa ao uso da vareniclina durante a gravidez é muito escassa, o que não permite retirar conclusões acerca da sua eficácia e segurança. Assim, devido à ausência de dados, o seu uso durante a gravidez deve ser evitado.

Até à data, não foram realizados estudos acerca do uso dos cigarros eletrónicos em grávidas. Devido à falta de garantia acerca da sua composição, dos efeitos adversos das substâncias que podem estar contidas nas soluções e da pouca experiência de utilização, é prudente aconselhar as grávidas a não utilizar estes dispositivos.

A gravidez é uma ótima ocasião para intervenções de apoio à cessação tabágica, uma vez que as grávidas estão muitas vezes altamente motivadas para deixar de fumar. Muitas mulheres deixam espontaneamente de fumar ao engravidarem, mas um ano depois do parto dois terços das mulheres que deixam de fumar durante a gravidez têm uma recaída.

Mulheres a amamentar

Em mulheres que já estavam sob tratamento durante a gravidez, poderá ser continuada a mesma medicação. Caso a mãe pretenda iniciar, a TSN é uma opção, com uma dose de nicotina que não exceda a dose habitualmente aportada pelo uso de tabaco. A TSN deve ser usada após amamentar o bebé, para minimizar a exposição.

Doentes hospitalizados

O consumo de tabaco é uma das principais causas de agravamento da maioria das patologias pelas quais os doentes ingressam nos hospitais. A TSN é adequada para tratar sintomas de desabituação da nicotina em doentes hospitalizados, uma vez que tem um rápido início de ação, ao contrário da vareniclina e do bupropiom. Os doentes que utilizam esta terapêutica no hospital apresentam maior probabilidade de a continuarem após a alta e conseguirem descontinuar o consumo a longo prazo. O tratamento farmacológico deve ser associado a aconselhamento.

Doentes perioperatórios

O doente fumador está sujeito a maior risco de complicações pós-operatórias e mortalidade. Cessar o uso de tabaco promove uma melhor cicatrização. Este contexto proporciona uma ocasião em que a motivação de cessar o consumo é elevada e constitui uma altura favorável à intervenção. A TSN e a vareniclina são opções nesta população, devendo ser escolhida a TSN caso a cirurgia esteja prevista decorrer a curto prazo.

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DIA DA MÃE , DIA FELIZ

A TODAS AS MÃES UM DIA MUITO FELIZ

Dia da mãe

Melhores poemas sobre mães

Mãe

Conheço a tua força, mãe, e a tua fragilidade.
Uma e outra têm a tua coragem, o teu alento vital.
Estou contigo mãe, no teu sonho permanente na tua esperança incerta

Estou contigo na tua simplicidade e nos teus gestos generosos.
Vejo-te menina e noiva, vejo-te mãe mulher de trabalho
Sempre frágil e forte. Quantos problemas enfrentaste,
Quantas aflições! Sempre uma força te erguia vertical,
sempre o alento da tua fé, o prodigioso alento
a que se chama Deus. Que existe porque tu o amas,
tu o desejas. Deus alimenta-te e inunda a tua fragilidade.
E assim estás no meio do amor como o centro da rosa.
Essa ânsia de amor de toda a tua vida é uma onda incandescente.
Com o teu amor humano e divino
quero fundir o diamante do fogo universal.

António Ramos Rosa, in ‘Antologia Poética


Quando eu for pequeno

Quando Eu For Pequeno
Quando eu for pequeno, mãe,
quero ouvir de novo a tua voz
na campânula de som dos meus dias
inquietos, apressados, fustigados pelo medo.
Subirás comigo as ruas íngremes
com a certeza dócil de que só o empedrado
e o cansaço da subida
me entregarão ao sossego do sono.

Quando eu for pequeno, mãe,
os teus olhos voltarão a ver
nem que seja o fio do destino
desenhado por uma estrela cadente
no cetim azul das tardes
sobre a baía dos veleiros imaginados.

Quando eu for pequeno, mãe,
nenhum de nós falará da morte,
a não ser para confirmarmos
que ela só vem quando a chamamos
e que os animais fazem um círculo
para sabermos de antemão que vai chegar.

Quando eu for pequeno, mãe,
trarei as papoilas e os búzios
para a tua mesa de tricotar encontros,
e então ficaremos debaixo de um alpendre
a ouvir uma banda a tocar
enquanto o pai ao longe nos acena,
lenço branco na mão com as iniciais bordadas,
anunciando que vai voltar porque eu sou pequeno
e a orfandade até nos olhos deixa marcas.

José Jorge Letria, in “O Livro Branco da Melancolia”


Neste Dia da Mãe espero que gostem deste post “diferente” mas é sabido que quem é mais Feliz geralmente tem melhor saúde 🙂  e por favor digam-nos na nossa página de facebook o que sentem como mães… e claro aos filhos, numa frase, o que sentem pelas vossas mães…

Pela  minha sinto que é uma LUZ que sempre me acompanha…

Muito obrigado por estarem desse lado!

Franklim A. Moura Fernandes
Fundador de melhorsaude.org

 

METFORMINA ANTIDIABÉTICO ATRASA ENVELHECIMENTO?

Metformina (Metformin) é o medicamento mais usado para combater a diabetes… todos os dias na farmácia atendo doentes a tomar metformina! Mas será que também atrasa o envelhecimento? Será que também pode ser tomado por pessoas saudáveis para prevenir o envelhecimento? Se for verdade será incrível! Mas quais os efeitos secundários? Pode provocar hipoglicémia? Pode ser perigoso ou será seguro? Segundo o The American Journal of Gastroenterology e a nature.com este antidiabético mais usado no mundo poderá vir a ser o nome para o milagre que promete parar o tempo e fazer com que homens e mulheres vivam mais e sem doenças como Alzheimer ou Parkinson.

Neste artigo vou tratar os seguintes pontos de interesse:

  • Metformina o que é?
  • Medicamentos com metformina;
  • Nova descoberta sobre metformina;
  • Segredos do envelhecimento;
  • mTOR o que é?
  • Porque é tão importante o mTOR?
  • Diabéticos metformina e envelhecimento;
  • Como funciona a metformina na diabetes?
  • Vantagens, indicações e contra-indicações da metformina;
  • Acidose láctica;
  • Como tomar a metformina?

Metformina o que é?

A Metformina um medicamento antidiabético oral, da classe das biguanidas. É o medicamento mais usado para o controle glicémico nos doentes com  diabetes mellitus tipo 2, principalmente nos doentes com excesso de peso e obesos. A metformina e a glibenclamida (uma sulfonilureia) são os únicos antidiabéticos orais constantes da Lista de Medicamentos Essenciais da Organização Mundial de Saúde.

Hipoglicémia

Hipoglicemia é uma condição em que a taxa de glicose no sangue diminui para valores inferiores ao normal ou seja abaixo de 70 mg/dl de sangue (3,9 mmol/l). Esta condição de saúde causa diversos sintomas, alguns bastante graves que se manifestam de forma súbita e no limite podem levar à morte. Entre os principais sintomas descritos estão os seguintes:

  • Desorientação,
  • Dificuldade em falar,
  • Estado de confusão,
  • Perda de consciência, 
  • Convulsões,
  • Fome, 
  • Sudação em excesso,
  • Tremores,
  • Fadiga.

Ao contrário das sulfonilureias, a outra classe de medicamentos mais utilizada contra o diabetes, a metformina não provoca hipoglicemia, pois não aumenta e não estimula a secreção de insulina (embora raríssimos casos de hipoglicemia após exercício físico intenso tenham sido relatados); portanto, é às vezes considerada um “normoglicemiante”.

Causas de hipoglicémia

A principal causa de hipoglicemia são os medicamentos antidiabéticos tais como a insulina e as sulfonilureias. O risco é maior em diabéticos que comem menos do que é habitual ou bebem bebidas alcoólicas. Entre outras possíveis causas de hipoglicémia estão as seguintes:

  • Insuficiência renal,
  • Alguns tumores como o insulinoma,
  • Doenças hepáticas, 
  • Hipotiroidismo, 
  • Inanição, 
  • Erro metabólico hereditário, 
  • Infeções graves, 
  • Hipoglicemia reativa,
  • Diversas drogas, incluindo álcool. 

A hipoglicemia pode também ocorrer em bebés de outro modo saudáveis que não tenham comido durante várias horas.

Medicamentos com metformina

Algumas das marcas de medicamentos mais conhecidos cuja composição é metformina são:

  • Risidon® (850mg e 1000mg)
  • Glucophage® (500mg)
  • Stagid® (700mg)

Estão já disponíveis vários medicamentos genéricos de metformina com dosagens de 500mg, 850mg e 1000mg.

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Nova descoberta

O fármaco já foi testado em animais pelos investigadores de diversas universidades europeias e americanas, tendo demonstrado que consegue expandir o tempo de vida e desacelerar o envelhecimento. Agora, o próximo passo é ver se acontece o mesmo com os humanos. A substância química, que nos cenários mais otimistas pode aumentar o tempo de vida até aos 120 anos, está a ser já testada. 

Estudos:

Testes clínicos surpreendem!

Os ratos que receberam a metformina em laboratório viveram mais 40% e os seus ossos ficaram mais fortes!

Este medicamento, quando administrado em animais, já demonstrou um aumento da longevidade e da saúde, com resultados tão impressionantes que fizeram com que a agência norte-americana dos alimentos e medicamentos concedesse permissão para ser testado em humanos. O objetivo é deixar de combater as doenças isoladamente, tendo em conta que muitas delas são resultado da idade avançada. O combate é contra o envelhecimento, e não directamente contra as doenças sendo a principal meta fazer com que um septuagenário seja tão saudável quanto um quinquagenário.

Estudo: Metformin improves healthspan and lifespan in mice

Envelhecimento ou doenças?

Segundo o professor Gordon Lithgow do Buckinstitute for research on aging,  um dos responsáveis pelo estudo, a resposta a esta pergunta não é linear, no entanto se o alvo for o processo de envelhecimento e se atrasarmos esse envelhecimento, então desaceleram-se todas as doenças e patologias da velhice também. Isso é revolucionário, nunca aconteceu antes, mas há todos os motivos para pensar que é possível. Há 20 anos, o envelhecimento biológico era um mistério, agora, estamos a começar a aperceber-nos do que se passa.

Leia também: 5 segredos para retardar o envelhecimento!

O segredo do envelhecimento

O segredo está na marca genética, o ADN, que permite a cada célula funcionar corretamente ao longo dos anos como se ainda fosse nova. É isso que acontece, por exemplo, com alguns seres marinhos que nunca envelhecem (ex: lagosta; anémona-do-mar) e só não ocorre connosco porque, ao dividirmos as células milhões de vezes, aumentamos a probabilidade de criar e copiar erros.

O fármaco revelou ser eficaz para evitar erros que ocorrem na divisão de células. A metformina é a droga mais comum para os doentes com diabetes tipo 2. Um dos seus efeitos é aumentar a quantidade de moléculas de oxigénio existentes nas células, o que parece contrariar a deterioração que ocorre durante a divisão em novas células. Os testes que os cientistas belgas fizeram com zebras permitiram concluir que a droga, além de retardar o seu envelhecimento, tornava estes animais mais saudáveis.

mTOR inibidor

A metformina é um inbidor da proteína kinase mTOR (mechanistic Target of Rapamycin ou mammalian Target of Rapamycin ) ou seja mimetiza os efeitos da restrição calórica que já demonstrou, em inúmeras espécies animais, ser uma causa de retardamento do envelhecimento celular! Isto significa que a metformina mimetiza alguns dos efeitos benéficos conseguidos, por exemplo, com o Jejum Intermitente.

Leia também: Este jejum originou incríveis surpresas!

Excesso de estimulação mTOR é perigoso!

O Alvo mecanístico da Rapamicina (mTOR) coordena o crescimento e o metabolismo das células eucarióticas com as contribuições ambientais, incluindo nutrientes e fatores de crescimento. Uma extensa pesquisa nas últimas duas décadas estabeleceu um papel central para o mTOR na regulação de muitos processos celulares fundamentais, desde a síntese de proteínas até a autofagia, e a sinalização desregulada do mTOR está implicada na progressão do cancro e diabetes, bem como no processo de envelhecimento.

mTOR melhorsaude.org melhor blog de saude

mTOR

MTOR gene

O gene MTOR fornece instruções para a produção de uma proteína chamada mTOR. Esta proteína é encontrada em vários tipos de células em todo o corpo, incluindo células cerebrais. Ele interage com outras proteínas para formar dois grupos de proteínas distintos, denominados complexo mTOR 1 (mTORC1) e complexo mTOR 2 (mTORC2). Ambos os complexos transmitem sinais que direcionam a função das células.

A sinalização por meio de mTORC1 e mTORC2 regula a produção de proteínas, que influencia o crescimento, divisão e sobrevivência celular. Essa sinalização mTOR é especialmente importante para o crescimento e desenvolvimento do cérebro e desempenha um papel num processo denominado plasticidade sináptica, que é a capacidade das conexões entre as células nervosas (sinapses) de mudar e se adaptar ao longo do tempo em resposta à experiência. A plasticidade sináptica é crítica para a aprendizagem e a memória.

Consumo de proteína em excesso

Existem diversas razões para limitar o consumo de proteínas. A primeira razão  é que se comer mais proteína do que necessita, simplesmente transformará a maioria dessas calorias em açúcar e depois em gordura. Níveis maiores de açúcar no sangue também podem alimentar bactérias e leveduras patogénicas, como Candida albicans (candidíase) e estimular o desenvolvimento de células cancerígenas.

As proteínas em excesso podem ter um efeito estimulante sobre um importante caminho bioquímico chamado alvo da rapamicina em mamíferos (mTOR). Esse caminho exerce um papel importante em diversos tipos de cancro. Quando diminui o consumo de proteína para exatamente o que o corpo precisa, o mTOR fica inibido, reduzindo as probabilidades de desenvolver cancro.

Além disso, quando consumimos muita proteína, necessitamos de remover mais resíduos de nitrogénio do sangue, o que causa stress  no fígado. Outra consequência pode ser a desidratação crónica, conforme descoberto num estudo realizado com atletas de resistência.

Diabéticos metformina e longevidade

Em 2014, um estudo da Universidade de Cardiff (Reino Unido) constatou que os diabéticos que tomavam o medicamento metformina viviam cerca de mais oito anos (15%) do que aqueles que não o tomavam. Esta conclusão intrigou tanto os investigadores que agora querem alargar os testes à população saudável.

Envelhecimento saudável hipóteses em estudo

Atualmente estão a ser estudados diversos alvos moleculares para restrição calórica e intervenções farmacológicas para um envelhecimento saudável. As imagens seguintes descrevem as principais vias em estudo, tais como:

  • Sirtuinas
  • AMPK
  • mTOR
  • Metformina
  • Resveratrol
  • Spermidina
  • Rapamicina
Fonte: de Cabo et al. (Cell, 2014)

Previsão do futuro

A esperança média de vida nos países desenvolvidos ronda os 80 anos de idade. Se for possivel, como esperam os cientistas, aumentar 1,5 vezes essa média então, num cenário optimista, os humanos podem viver até aos 120 anos, em média!

Gordon Lithgow acredita que o elixir da juventude pode, nas próximas décadas, vir em formato de vacina e que este medicamento até poderá vir a curar o cancro. “Se curássemos apenas o cancro, a esperança de vida cresceria só três anos, porque algo estaria por trás dessa patologia. Mas se desacelerarmos o processo de envelhecimento, podemos melhorar drasticamente a forma como as pessoas vivem”.

Risco de diabetes teste melhorsaude.org

Diabetes, como funciona a metformina?

Ao contrário da diabetes tipo 1 que é causada por deficiência de insulina, a diabetes tipo 2 ocorre por uma resistência do organismo à ação da insulina, que circula no sangue mas não consegue exercer os seus efeitos. Esta característica da diabetes tipo 2 permite que seja tratada inicialmente não com insulina, mas com drogas por via oral, chamados de antidiabéticos orais (também chamados de hipoglicemiantes orais).

Entre os antidiabéticos orais, o mais usado atualmente é o cloridrato de metformina, ou simplesmente, metformina, que é uma droga que só funciona nos doentes que conseguem produzir insulina, sendo, assim, ineficaz na diabetes tipo 1.

A metformina ajuda a controlar a glicémia na diabetes tipo 2 através de três mecanismos:

  • Reduz a produção de glicose pelo fígado, inibindo enzimas mitocondriais hepáticas que prejudicam/inibem a gluconeogenese (produção de glucose) provocando desta forma uma diminuição da glucose plamática. Este mecanismo origina a produção de ácido láctico em pequenas quantidades. Além disso também promove a conversão de glucose em lactato na vasculatura esplâncnica.
  • Aumenta a sensibilidade dos tecidos, principalmente dos músculos, à insulina. A metformina não aumenta a produção de insulina, mas sim otimiza a ação da insulina já produzida.
  • Reduz a absorção de glicose pelo trato gastrointestinal.

A metformina é a droga de escolha para doentes diabéticos e obesos, pois a mesma não está associada a ganho de peso, como acontece, por exemplo, com a insulina e outros antidiabéticos orais. Ao contrário do que algumas pessoas pensam, a metformina não emagrece ninguém e não deve ser usada como droga para se perder peso.

Vantagens da metformina

A metformina também apresenta os seguintes efeitos benéficos:

  • Leve redução dos níveis de colesterol LDL,
  • Leve redução de triglicerídeos,
  • Pode ser usada com segurança no tratamento do diabetes gestacional.
  • Efeito preventivo de tromboses

Estudo:

Indicações terapêuticas

A única doença que tem indicação formal para ser tratada com metformina é o diabetes tipo 2, porém, algumas outras que também apresentam resistência dos tecidos à ação da insulina têm sido tratadas com metformina. Entre elas podemos citar:

  • Síndrome dos ovários policísticos: o uso da metformina parece ser benéfico, principalmente se a doente tiver excesso de peso,
  • Esteatose hepática: a metformina parece reduzir o grau de inflamação do fígado.

Contra-indicações

A metformina é uma droga com pouquíssimas contra-indicações, mas uma delas é muito importante por ser uma situação frequente em pacientes com diabetes:

  • A insuficiência renal.

A metformina não deve ser usada em pacientes com insuficiência renal, principalmente se a creatinina estiver acima de 1,5 mg/dl (ou filtração glomerular menor que 50 ml/min).

Doentes com doença hepática (fígado) grave também não devem tomar metformina.

Efeitos adversos ou secundários

A metformina é uma droga geralmente bem tolerada se for respeitada a contra-indicação para insuficientes renais e também em doentes com maior sensibilidade gastrointestinal. Entre os efeitos colaterais mais comuns estão:

  • Diarreia,
  • Náuseas,
  • Gosto metálico na boca.

Acidose láctica

A acidose láctica (aumento do ácido láctico no sangue) é uma complicação rara, mas grave, que ocorre geralmente em doentes com insuficiência renal avançada que permanecem a usar a metformina.

Esta acidose láctica pode ocorrer por causa do mecanismo de acção já atrás descrito:

  • A metformina enibe enzimas mitocondriais hepáticas que prejudicam/inibem a gluconeogenese (produção de glucose) provocando desta forma uma diminuição da glucose plamática. Este mecanismo origina a produção de ácido láctico em pequenas quantidades. Além disso também promove a conversão de glucose em lactato na vasculatura esplâncnica.

A hipoglicemia (baixa de glicose no sangue), efeito colateral comum dos outros hipoglicemiantes orais e da insulina, é rara com a metformina.

Posologia

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A metformina é vendida em comprimidos de 500 mg, 700mg, 850 mg e 1000 mg. O comprimido é geralmente tomado 2 ou 3 vezes por dia e a  dose máxima recomendada é 2550 mg/dia. Já existem formulações de liberação lenta que podem ser tomadas apenas 1x por dia. A metformina deve ser tomada junto às refeições e o comprimido deve ser engolido por inteiro, evitando parti-lo ou mastigá-lo.

Concluindo

A pesquisa anti envelhecimento, depois de muitos anos estagnada, com resultados pouco visíveis para aplicação prática, está a agora à beira de conseguir dar um salto de gigante! Já eram conhecidos alguns estudos sobre hábitos do nosso quotidiano que potenciavam o estado de boa saúde durante mais anos, no entanto substâncias que pudessem ser tomadas para evitar o avanço do processo de envelhecimento eram matéria de ficção cientifica! Esta descoberta sobre os efeitos da metformina pode de facto tornar real, nas próximas décadas, a aspiração de viver com qualidade de vida até aos 120 anos, principalmente por se tratar de uma substância já amplamente utilizada nos seres humanos no tratamento da diabetes. Quem diria que assistiríamos, nas nossas vidas, ao início do desenvolvimento real de uma espécie de “elixir da juventude”? Para o bem e para o mal vivemos tempos verdadeiramente espantosos na evolução da ciência e da medicina em particular!

Fique bem!

Franklim Fernandes

Bibliografia:

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SEDENTARISMO O QUE SE PASSA QUANDO SENTAMOS?

Sedentarismo, sentar demais e envelhecer mais depressa: Quantas horas se senta por dia? Faça uma contagem rápida e surpreenda-se! Estudos como os da Dra Stacy Clemes, Professora de Biologia Humana na Universidade de Loughborough, ajudam-nos a perceber melhor a extensão deste problema para a nossa saude.

Artigo: Sit less, stand more – tackling office sedentary behaviour

Fazer o meu trabalho de secretária em pé foi uma das mudanças recentes que mais impacto tiveram na minha saúde! No final deste artigo descrevo a minha experiência pessoal e o que mudou na minha saúde!

Se a maioria das pessoas conseguisse diminuir 25 a 50% das horas que passam sentadas sentiriam claramente uma melhoria da sua saúde. especialmente porque a pesquisa científica vai revelando uma ligação clara a doenças graves tais como:

  • Diabetes,
  • Obesidade,
  • Doenças cardíacas,
  • Cancro,
  • Morte prematura.

Neste artigo vou responder ás seguintes questões:

  • Quanto tempo passamos sentados?
  • Qual a influência do trabalho no sedentarismo?
  • O que se passa quando estamos sentados?
  • Sentar demais faz envelhecer mais rápido?
  • O que diz a pesquisa científica?
  • Envelhecimento: O que são os telómeros?
  • Sedentarismo e envelhecimento rápido: qual a relação?
  • Quantos anos de vida perde por sentar demais?
  • Cancro: Será que o risco aumenta?
  • Porque aumenta o risco de cancro?
  • Diabetes e doença cardíaca: qual o risco?
  • Saúde mental: Qual o risco?
  • O que acontece quando estamos de pé?
  • Será que fazer exercício físico compensa o tempo sentado?
  • Sitting Rising Teste (SRT) ou teste sentar levantar: O que é?
  • Uma secretária ou mesa alta pode ser fonte de juventude?
  • Como trocar estar sentado por movimento ativo?
  • Qual a melhor forma de sentar?
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SUPLEMENTOS NO DESPORTO

Suplementos no desporto quais os perigos? Quais os mais eficazes? Quando tomar proteína e hidratos de carbono? Como fazer a melhor hidratação? Esteroides anabolizantes quais os perigos e utilizações?

Autor: Aurora Simón, Diretora técnica do CIM (Centro de Informação do Medicamento) Ordem dos Farmacêuticos

Neste artigo são tratados os seguintes temas:

  • Alimentação saudável ou suplementos, qual a melhor opção?
  • Quando se deve usar proteina como suplemento? E os Hidratos de carbono?
  • Como fazer a hidratação correcta?
  • Bebidas desportivas
  • Geles e barritas desportivas
  • Alimentos desportivos e suplementos alimentares
  • Riscos dos suplementos alimentares
  • Problemas de dopagem
  • Esteroides anabolizantes
  • Doenças e efeitos adversos causados pelos anabolizantes
  • Proteinas
  • Excesso de proteína
  • Cafeína
  • Taurina
  • Vitaminas
  • Minerais
  • Antioxidantes
  • Creatina
  • Bicarbonato de sódio
  • Beta-alanina
  • Nitrato
  • Carnitina
  • Aminoácidos de cadeia ramificada, leucina, valina e isoleucina
  • Queimadores de gorduras como chá verde, ácido lipoico e piruvato
  • Outras substâncias como glutamina, zinco, equinácea, quercetina, vitamina C, vitaminas D, vitamina E, crómio, glucosamina, condroitina, etc.

Suplementos no desporto vs Alimentação

Na maioria dos casos, as necessidades de um desportista saudável podem ser cobertas com uma alimentação equilibrada e variada. Esta proporciona geralmente toda a proteína necessária para o desenvolvimento muscular e a reparação dos tecidos corporais.

Proteína

Tem sido sugerido que a necessidade de proteína aumenta em treinos intensos de resistência, mas a evidência não é clara ou universal. Os atletas em maior risco de não preencher as suas necessidades proteicas são os que limitam de forma importante a ingestão energética ou a variedade de alimentos. Os desportistas podem satisfazer o aumento das necessidades consumindo mais alimentos. Contudo, a toma de uma pequena quantidade de alimento com proteína logo após o treino pode ser vantajosa.

Hidratos de carbono

Os hidratos de carbono proporcionam energia, armazenando-se no fígado e nos músculos. Têm um papel essencial no desempenho desportivo, particularmente na recuperação da função muscular após um exercício extenuante. A alimentação deve proporcionar suficientes hidratos de carbono para o exercício e para a recuperação da reserva de glicogénio nos músculos.

Os hidratos de carbono complexos (massa, pão integral ou arroz) contêm também fibra, vitaminas e minerais. Os açúcares simples, presentes em certas bebidas ou nos doces, proporcionam calorias, mas não outros nutrientes. Durante o exercício, as principais fontes de energia são as reservas de gordura e de hidratos de carbono. Enquanto as primeiras são relativamente abundantes, as de hidratos de carbono são limitadas, sendo fundamental que sejam eficazmente restabelecidas cada dia. Depois de exercício intenso é necessário o consumo de hidratos de carbono para aumento da reserva nos músculos.

Água líquidos e hidratação corporal

Água e líquidos são essenciais para manter a hidratação corporal, especialmente importante em climas quentes e em altitude. Alimentos e bebidas devem conter suficientes sais para repor os perdidos com a transpiração. Vitaminas e minerais são nutrientes necessários para o correto funcionamento do organismo. As recomendações nutricionais devem ser ajustadas individualmente, considerando as necessidades energéticas.

A necessidade de alimento de cada grupo dependerá do tipo de desporto e de treino, e do tempo de atividade. Em certas situações (determinados desportos, gasto energético muito importante, ou climas extremos) pode ser útil um aporte suplementar de vitaminas, minerais e outros nutrientes. Os vegetarianos também podem estar em risco de falta de alguns nutrientes.

Suplementos alimentares vs alimentos desportivos

Alguns alimentos têm sido desenvolvidos para fornecer energia e nutrientes aos desportistas em formas de fácil consumo. Os alimentos desportivos podem ser convenientes quando as necessidades diárias não podem ser colmatadas com a alimentação, embora geralmente sejam mais caros. Em certas situações, o consumo de alimentos normais pode não ser prático por problemas de preparação e armazenagem, ou pelos horários de treino.

Existem produtos para: hidratação, para recuperação de eletrólitos e de energia depois da atividade física ou, como referido, para fornecer nutrientes concretos de forma mais cómoda.

Bebidas desportivas

As bebidas desportivas proporcionam líquidos, hidratos de carbono e eletrólitos durante o exercício e também reidratação e aporte de energia após o exercício. Em práticas de 60 minutos ou superiores, podem ser necessárias para manter os níveis de glucose e para prolongar o tempo até à fadiga.

Geles e barritas desportivos

Os geles desportivos contêm hidratos de carbono e, em alguns casos, cafeína ou eletrólitos, para consumo durante o exercício. As barritas desportivas podem incluir hidratos de carbono, proteínas, vitaminas e minerais. Costumam ter pouca gordura e podem incluir outros ingredientes, para os quais não existem bases científicas e que podem aumentar o risco de contaminação.

Podem ser apropriadas quando se necessita energia antes da prática desportiva e podem ajudar a reparar os músculos posteriormente como, por exemplo, após 2 h de exercício, quando uma refeição equilibrada não vai estar disponível.

Existem também produtos para:

  • Substituição de eletrólitos (pó ou comprimidos),
  • Suplementos de alimentação em forma líquida,
  • Alimentos enriquecidos em proteína (leite, iogurte, barras de cereais),
  • Suplementos proteicos, que serão analisados em separado.

As denominadas bebidas energéticas, de consumo crescente, publicitam aumento de atenção e melhora do desempenho físico e mental. Podem conter hidratos de carbono, cafeína (que será abordada em separado), taurina, vitaminas do grupo B e outros ingredientes, alguns com evidência de utilidade variável e certo risco. Referidos, por exemplo:

  • Glucuronolactona,
  • Antioxidantes,
  • Minerais,
  • Guaraná,
  • Ginkgo biloba,
  • Ginseng,
  • Carnitina.

Podem aumentar temporalmente a atenção e resistência física, mas não há suficientes dados sobre aumento de força ou de potência. Algumas bebidas energéticas têm um conteúdo elevado de cafeína ou outros estimulantes.

O consumo em quantidade excessiva, ou combinado com outros suplementos ou álcool, pode ser perigoso. O consumo em quantidades elevadas pode causar agitação, palpitações, insónia, aumento da pressão arterial, convulsões, ou alteração do humor. Ao terem muito açúcar contribuem para o risco de cárie dentária, ganho de peso e agravamento da diabetes.

O alto conteúdo em hidratos de carbono resulta numa lenta absorção pelo estômago e pode causar problemas digestivos. O uso moderado não parece causar desidratação, se bem que não devam ser usadas para hidratação. Em alguns casos, os componentes podem interagir com medicamentos. Em adolescentes, a intoxicação por cafeína pode surgir mais facilmente, pela menor tolerância nestas idades.

Suplementos alimentares

Os suplementos alimentares são géneros alimentícios que se apresentam sob a forma de produto pré-embalado e destinam-se a complementar e/ou suplementar um regime alimentar. Constituem fontes concentradas de determinadas substâncias nutrientes ou com efeito nutricional ou fisiológico. Devem respeitar a regulamentação específica.

Aos suplementos alimentares não se podem atribuir propriedades curativas ou preventivas de doenças ou dos seus sintomas, função que pertence aos medicamentos. Podem fazer-se acompanhar por alegações de saúde só se autorizadas. Desde 2016 os vulgarmente denominados “Alimentos para desportistas”, que eram um grupo de produtos de alimentação especial, passaram a ser considerados géneros alimentícios comuns, cuja colocação no mercado não carece de notificação à Direcção-Geral de Alimentação e Veterinária.

No entanto, continuam a existir alimentos destinados a desportistas enquadrados como suplementos alimentares se:

  • Se apresentarem em forma doseada (comprimidos, cápsulas, saquetas e outras formas análogas às farmacológicas);
  • Se destinarem a ser consumidos em unidades medidas de quantidade reduzida – no máximo, 25 g ou 25 ml (pode haver várias tomas por dia, mas cada toma não poder ultrapassar o valor indicado);
  • O valor energético total da toma diária não for superior a 50 Kcal.

Atualmente, o uso de suplementos pelos atletas é uma prática extensa, com grande variedade de produtos. Muitos utilizadores de ginásios e desportistas utilizam-nos para melhorar a forma física, ou o rendimento desportivo. Os motivos pelos quais são procurados incluem:

  • Aporte energético necessário para o treino,
  • Compensação de uma nutrição deficiente,
  • Manutenção da saúde,
  • Uma melhor recuperação,
  • Melhora do desempenho, da resistência, ou da massa muscular,
  • Perda de peso.

O termo “suplemento ergogénico” é geralmente utilizado para denominar os que têm como objetivo melhorar o desempenho desportivo e/ou promover as adaptações ao treino. A utilização de suplementos multivitamínicos/multiminerais e de micronutrientes individuais só resultará num melhor rendimento se a suplementação corrigir um desequilíbrio alimentar.

Quando o estado nutricional não é ótimo, podem ser usados nutrientes para reverter a situação ou prevenir mais deficiências. Os suplementos podem ajudar a alcançar os objetivos nutricionais, prevenir e tratar deficiências de nutrientes e, em alguns casos, podem ter um efeito ergogénico direto.

Um marketing agressivo e, em ocasiões, com publicidade enganosa tem conduzido a uma grande utilização. Muitas vezes existem poucas, ou nenhumas, bases científicas para os supostos benefícios. Há que ter em consideração que não é exigido que estes produtos superem os controlos pelos quais passam os medicamentos.

Fundamentar os benefícios da suplementação de nutrientes é difícil e precisa de requisitos que raramente são alcançados:

  • Uma população apropriada,
  • Testes de desempenho válidos e confiáveis,
  • Uso apropriado de placebo,
  • Controle de fatores externos,
  • Do ambiente de estudo e
  • Utilização de técnicas estatísticas apropriadas.

Estudos científicos bem conduzidos mostraram que, sob condições específicas, alguns produtos podem ter alguns efeitos positivos no desempenho, força ou massa magra corporal. Outros mostraram eficácia em laboratório, mas não no ambiente desportivo. Porém, a maior parte das pesquisas realizadas não conseguiu sustentar efeitos ergogénicos na maioria dos suplementos.

Os dados científicos sugerem que só um pequeno número de substâncias tem este tipo de efeitos. Entre elas encontram-se a cafeina, a creatina, os nitratos, o bicarbonato de sódio e, possivelmente, a beta-alanina.

Riscos dos suplementos alimentares no desporto

A toma de suplementos alimentares justifica-se em certas situações, mas podem acarretar riscos. Estes podem estar relacionados com a segurança dos produtos, mas também com padrões inadequados de uso, incluindo misturas indiscriminadas, sem considerar as doses totais de alguns ingredientes, ou possíveis interações problemáticas entre eles. Podem chegar a ter efeitos nocivos sobre a saúde quando usados em doses inadequadas.

Os utilizadores podem não estar cientes de que o uso prolongado de alguns pode ter efeitos adversos, piorar certos problemas de saúde ou interagir com medicamentos. Podem existir dados sobre cada componente, mas há que considerar que podem atuar de forma diferente quando combinados. Em ocasiões podem surgir reações alérgicas ou toxicidade devida a contaminantes. Certos produtos podem ser preparados com falta de higiene ou não conter as doses indicadas. Alguns suplementos podem ser dispendiosos. Muitas vezes são tomados sem ter sido avaliada uma necessidade específica.

Problemas de dopagem

Uma situação preocupante (especialmente nos desportistas sujeitos a testes antidopagem) é a contaminação dos produtos com substâncias proibidas e que poderão ter consequências para a saúde.

Certos produtos podem incluir substâncias anabolizantes ou estimulantes, como a efedrina. Não devem ser adquiridos na Internet produtos sem garantias do fabricante. Em alguns estudos tem sido observado que alguns suplementos adquiridos através da internet estavam contaminados com substâncias não descritas na rotulagem. Alguns contêm deliberadamente substâncias proibidas, mas outros podem estar contaminados, isto é, as substâncias não estão declaradas no rótulo de forma não intencional.

Esteroides anabolizantes

Os esteroides anabolizantes têm efeitos androgénicos e anabólicos (aumento de massa muscular e óssea). Doses suprafisiologicas de testosterona durante várias semanas, juntamente com uma dieta controlada e exercício, aumentam a massa muscular, o tamanho, a força e promovem a cicatrização muscular em homens. Contudo, podem surgir importantes efeitos adversos como:

  • Supressão da função testicular,
  • Ginecomastia,
  • Hepatotoxicidade,
  • Alterações de humor,
  • Conduta agressiva,
  • Doença cardíaca,
  • Alterações da coagulação,
  • Virilização,
  • Efeitos dermatológicos,
  • Dependência.

Outras substâncias não esteroides anabolizantes, como o clenbuterol ou a tibolona em grandes quantidades, são usados para aumento da massa muscular. O uso deste tipo de suplementos representa uma preocupação de saúde pública. Têm sido banidos pelas organizações desportivas e não devem ser usados, a não ser para tratamento de doenças.

Quando os produtos foram desenvolvidos para evitar o controle regulamentar são denominados esteroides de desenho. Em muitos casos, os esteroides sintéticos nunca foram avaliados quanto à pureza, eficácia clínica ou toxicidade. São frequentemente comercializados em sites que promovem suplementos para dar volume muscular e força.

Podem conter pró-hormonas (como androstenediona, deidroepiandrosterona – DHEA e 19-norandrostenediona, precursores de testosterona). São estruturalmente derivadas de precursores de testosterona e outros esteroides anabolizantes.

Em ocasiões, estas substâncias têm sido identificadas como ingredientes não declarados. São promovidas como ajuda ergogénica ao elevarem os níveis de testosterona. Contudo, não têm sido demonstrados, de forma convincente, efeitos que apoiem a utilização para melhorar o exercício ou o rendimento físico.

Em muitas ocasiões, a análise dos dados sobre eficácia e segurança dos suplementos é difícil. Os utilizadores devem consultar um médico ou nutricionista ao invés de procurar orientação online, ou em colegas ou treinadores. O recurso à suplementação apenas deverá ser ponderado se os objetivos nutricionais não podem ser atingidos com a dieta.

Proteínas

As proteínas podem ter um papel na recuperação pós-exercício. Desportistas que realizam treino de força e de resistência podem ter um modesto aumento das necessidades proteicas. A ingestão diária deverá ser de:

  • Cerca de 1,2 a 1,7 g de proteína/kg/dia;
  • Até 2 g/kg/dia, em caso de realização de algum treino intenso;
  • 1,7-2,2 g/kg/dia para quem realizar uma elevada quantidade de treino intenso.

Geralmente, as recomendações de ingestão proteica podem ser alcançadas através da alimentação. Os alimentos ricos em proteína devem ser a primeira escolha pois proporcionam também as vitaminas e minerais necessários. Contudo, em certos casos, os suplementos podem ser uma forma prática e transportável de satisfazer as necessidades proteicas.

As mais utilizadas são:

  • Proteína do soro de leite;
  • Caseína do leite;
  • Ovo;
  • Proteína de soja.

Existem produtos em pó, líquidos ou barritas. Após o exercício, podem consumir-se cerca de 20 g de proteína.

Excesso de proteína

As quantidades não devem ser excedidas, pois uma maior dose não produz massa muscular ou força adicionais. O excesso de proteína parece aumentar a produção de ureia, com maior necessidade de ingestão de água para a sua excreção pela urina.

O soro lácteo é uma fonte de proteína de alta qualidade, rapidamente absorvido e muito utilizado. Alguma evidência sugere que, como parte de um programa de treino, aumenta a massa magra e a força; Outros estudos não mostraram estes efeitos. Pode ajudar na velocidade de recuperação do músculo após exercício intenso. Em quantidades adequadas a toma parece segura

Cafeína

Estimulante presente de forma natural no café, chá, cola ou cacau, podendo também ser sintetizada. Encontra-se em bebidas e barritas energéticas. A cafeína tem efeito ergogénico em várias situações desportivas. Uma pequena quantidade pode ser útil em atividades baseadas na resistência e em sprints repetidos de curta duração.

A cafeína pode ajudar na realização de exercício com o mesmo nível de intensidade por um tempo mais longo e a reduzir a perceção de fadiga. Não são convenientes mais de 400 mg/dia de cafeína nos adultos (equivalente a cerca de três chávenas de café), quantidade sem risco para a maioria das pessoas. Não devem ser esquecidas as fontes dietéticas.

A quantidade de cafeína que os atletas podem tomar antes de uma competição está limitada. Os efeitos secundários da cafeina podem ter impacto no desporto. Um uso excessivo pode causar:

  • Alterações do sono,
  • Irritabilidade,
  • Nervosismo,
  • Ansiedade,
  • Aumento da frequência cardíaca e da pressão arterial,
  • Cefaleia,
  • Tonturas,
  • Desidratação.

Pode interferir com a absorção de cálcio no organismo. Doses elevadas não parecem aumentar os efeitos positivos e causam mais facilmente efeitos adversos

Taurina

Aminoácido encontrado naturalmente na carne e peixe. A maioria das bebidas energéticas não a contêm em quantidade suficiente para ter resultados no desempenho desportivo ou efeitos adversos. Pouco se sabe sobre os seus efeitos quando tomada em grandes quantidades ou a longo prazo. Os dados de eficácia são limitados ou variaveis.

Vitaminas, minerais e antioxidantes

Geralmente, um desportista não profissional com uma alimentação variada não precisará de suplementação. Em ocasiões, os requerimentos podem não ser cobertos só com a alimentação e, nesse caso, os suplementos podem ser benéficos.

Se existir deficiência vitamínica, estaria justificado o uso da vitamina concreta. Em atletas que limitam a ingesta energética para lograr objetivos de peso e nos que seguem padrões alimentares com restrição de algum tipo de alimento pode existir risco de deficiência vitamínica.

Tiamina, riboflavina e piridoxina – Desportistas com treinos intensivos podem precisar de vitaminas implicadas na produção de energia (tiamina, riboflavina ou piridoxina), mas estas podem ser obtidas aumentando a ingestão de alimentos.

Vitamina D – A principal fonte de vitamina D é a exposição solar. Parece intervir no processo de adaptação a exercício exigente, mas os dados sobre o seu papel na função muscular e na recuperação são equívocos. Deve existir suplementação se os níveis são insuficientes; os dados atuais não apoiam o seu uso como ajuda ergogénica.

Ferro – O ferro é necessário para transporte de oxigénio no organismo, encontra-se em alimentos como carne, aves ou peixe. O ferro procedente de plantas absorve-se pior, mas os alimentos ricos em vitamina C ajudam na absorção.

Os vegetarianos, ou quem faz regularmente exercício intenso, podem precisar de suplementos se os níveis de ferro forem baixos. Uma fadiga inexplicada deve ser investigada, mas não é prudente o uso de ferro como rotina, ou a utilização sem certeza de carência.

A suplementação em indivíduos com níveis de ferro adequados pode resultar em vómitos, diarreia, dor abdominal, desenvolvimento de hemocromatose e insuficiência hepática.

Cálcio – A melhor fonte de cálcio, essencial para os ossos, são os produtos lácteos ou os alimentos fortificados à base de soja. É recomendável uma ingesta mais elevada na mulher. Suplementos com antioxidantes têm sido utilizados para compensar um stress oxidativo aumentado pelo esforço físico. Contudo, estudos realizados com as vitaminas C e E não mostraram vantagens no desempenho desportivo, e alguns até mostraram o efeito contrário. Deve-se evitar a suplementação crónica com doses elevadas, aumentando a toma de antioxidantes através dos alimentos.

Creatina

A creatina, substância endógena derivada de aminoácidos, é produzida principalmente no fígado e rins, e armazenada sobretudo no musculo esquelético, para servir como fonte de energia. Encontra-se em alimentos de origem animal como a carne e o peixe.

A suplementação pode melhorar o desempenho em desportos envolvendo exercício repetido de curta duração e alta intensidade em adultos, embora a extensão do benefício seja variável. Existiram melhoras em programas de treino baseados nestas características, conduzindo a ganhos na massa magra e na potência muscular.

Melhorou o desempenho em desportos que requerem curtas explosões de energia (como sprint em corrida ou bicicleta) ou em desportos de equipa. Contudo, em desportos de resistência pode não proporcionar muito benefício.

Os díspares resultados podem ser consequência de estudos de pequeno tamanho com utilização de doses e testes distintos. Cerca de um terço dos indivíduos não responde à suplementação com creatina. A creatina também é usada em síndromas com deficiência.

A creatina monoidrato é a forma mais estudada. Existem poucos dados de segurança de formas mais recentes, como a creatina etil ester, ou de eficácia em associações. São referidas doses iniciais de cerca de 15-25 g/dia (em 4 doses) durante 4-7 dias e posteriormente 2- 5 g/dia,1,5,6,20 durante umas 4 semanas. Nas quantidades e protocolos recomendados não tem mostrado risco para a saúde.

Têm sido relatados efeitos adversos como:

  • Dor nas extremidades inferiores,
  • Cãibras e, com menor frequência,
  • Desconforto gastrointestinal (menor frequência)

Contudo a evidência para os dois últimos é fraca.

  • Muitos utilizadores ganham peso, possivelmente por retenção de água pelo músculo.
  • O fornecimento de água deve ser adequado.
  • Precaução em doença renal.
  • Parece não afetar adversamente uma função renal normal, se bem que o consumo expõe a aumento da creatininemia.

Pode ser usada só durante o tempo necessário, por exemplo, antes de um evento ou durante a época desportiva. Os efeitos de uso prolongado não são bem conhecidos, e não deve ser tomada em doses excessivas. Não se recomenda em adolescentes.

Bicarbonato de sódio/Beta alanina

O exercício intenso durante vários minutos faz com que os músculos produzam ácidos, como o láctico, que reduzem a força muscular e provocam cansaço. O bicarbonato de sódio e a beta alanina melhoram o desempenho em exercício que poderia ser limitado por transtornos ácido-base associados com altas taxas de glicólise anaeróbia.

O Bicarbonato de sódio e beta alanina poderiam proporcionar certo benefício em exercício mantido de alta intensidade. É necessária investigação em desportos específicos. O bicarbonato pode causar desconforto gastrointestinal quando ingerido em quantidade suficiente para melhorar o desempenho o que, contrariamente, pode ser prejudicial.

A beta alanina de rápida absorção em doses elevadas pode causar parestesias o que não sucede em formulações de libertação lenta ou se tomada em doses divididas. Não existem dados sobre o uso prolongado.

Nitrato

Aumenta a disponibilidade de óxido nítrico, que tem um importante papel na função do musculo esquelético. Dados preliminares sugerem que os nitratos podem reduzir a fadiga. Poderiam melhorar a tolerância ao exercício e as práticas de resistência.

A eficácia é menos clara em atletas de alto nível. São necessários estudos que determinem as doses, os benefícios reais, que desportos podem beneficiar e os efeitos a longo prazo. Em atletas suscetíveis, têm sido referidos problemas gastrointestinais.

Precauções

Não usar nitratos orgânicos, nem confundir com sais nitrito, que podem ser tóxicos, causando meta-hemoglobinémia. Assegurar só o uso da forma inorgânica de nitrato.

Carnitina

Encontra-se no musculo esquelético e cardíaco. Nos alimentos existe em:

  • Carne,
  • Peixe,
  • Alguns produtos lácteos.

Durante o exercício intenso, a carnitina tem um papel no metabolismo dos hidratos de carbono. Teoricamente, pode incrementar a utilização e conservação de glicogénio nos músculos, mas não existe evidência de qualidade de que a suplementação melhore o desempenho desportivo.

Vários estudos controlados não mostraram melhoras ou aumento dos níveis de carnitina no músculo; outros mostraram alguns efeitos. É necessária maior investigação para determinar benefícios no desempenho ou na composição corporal.

Aminoácidos de cadeia ramificada

Os aminoácidos de cadeia ramificada mais abundates no músculo são os seguintes:

  • Leucina,
  • Valina,
  • Isoleucina.

Estão presentes em grandes quantidades em carnes vermelhas e lácteos. São aminoácidos necessários para a síntese proteica nos músculos, mas não há estudos de qualidade que examinem os efeitos da suplementação usada com esta finalidade.

Alguns estudos mostraram redução de dor muscular após suplementação, provavelmente mais prominente em indivíduos não treinados. Contudo, há poucos dados que apoiem a sua utilização para aumento do rendimento físico, desenvolvimento da musculatura ou na recuperação muscular após o exercício.

Outras substâncias

Uma doença que interrompa o treino ou ocorra durante uma competição pode representar um problema e alguns suplementos são promovidos como apoio ao sistema imunitário.

Para muitos, os dados são muito limitados, sem forte evidência de ser particularmente efetivos nos atletas, como por exemplo:

  • Glutamina,
  • Zinco,
  • Equinácea,
  • Quercetina,
  • Vitamina C,
  • Vitaminas D,
  • Vitamina E.

Probióticos – São necessários mais estudos sobre o efeito dos probióticos na redução de problemas gastrointestinais, por exemplo, em atletas que viajam.

Proteína – A proteína é o principal ingrediente de suplementos que promovem aumento de peso e alguns estudos concluíram que favorece o aumento de massa magra, quando combinada com exercício de resistência, mas o efeito não é importante.

Queimadores de gorduras” – Outros produtos alegam reduzir os níveis de gordura corporal e aumentar o tamanho muscular. Os dados de eficácia dos “queimadores de gordura” são inconclusivos e, para a maioria, mínimos. Os efeitos são pequenos ou triviais para substâncias como por exemplo:

  • Chá verde,
  • Ácido lipoico,
  • Piruvato.

Crómio – Não existe evidência de efeito no caso do crómio, que não é recomendado. Nenhuma substância deste tipo proporciona um substancial benefício no desporto.

Beta hidroximetilbutirato – ácido gordo derivado da leucina, tem sido referido aumento de massa muscular, redução de dor muscular e melhora da capacidade aeróbica. Todavia, os dados disponíveis sugerem que provavelmente os efeitos são modestos, e têm sido sobretudo relatados em indivíduos que iniciam os treinos. É necessária mais investigação.

Glucosamina, condroitina e metilsulfonilmetase – Em ocasiões são utilizados suplementos para ossos e articulações (glucosamina, condroitina e metilsulfonilmetase), com a finalidade de prevenir ou reverter dano causado por desporto intenso ou prolongado. A glucosamina pode proporcionar alívio subjetivo em alguns idosos com osteoartrite, mas há pouca ou nenhuma evidência de benefício em atletas saudáveis. Não mostrou prevenção ou reversão do desgaste das articulações.

Para muitas outras sustâncias usadas por desportistas existe uma limitada evidência de utilidade ou dados controversos (adenosinatrifosfato, ácido fosfatídico, ácido araquidónico, citrulina, glutationa). Também é necessária investigação adicional no caso de: selénio, cisteína, cistina, arginina, resveratrol ou ribose.

Programas de educação e intervenção

O aconselhamento alimentar ou a dispensa de suplementos a praticantes de atividade desportiva na farmácia podem ser oportunidades de esclarecimento. Em muitos casos, os utentes não dispõem de informação ou esta pode ser errónea.

As doses usadas podem estar acima das quantidades recomendadas. A informação proporcionada pelos profissionais de saúde é importante para paliar o desconhecimento dos riscos, especialmente na utilização prolongada. Podem ser evitadas interações e, se a pessoa insiste na continuação da toma, poderá realizar os controlos necessários para não surgirem efeitos adversos.

Os desportistas devem ser alertados para não usar suplementos de forma indiscriminada e os jovens ativamente dissuadidos do seu uso. Deve ser recomendado aos utentes que comuniquem os efeitos nocivos e evitem a toma prolongada ou repetida de suplementos sem o aconselhamento de profissionais, especialmente se existirem problemas médicos.

Desaconselha-se a toma em indivíduos com os seguintes fatores de risco:

  • Risco cardiovascular,
  • Alteração da função renal
  • Alteração da função hepática,
  • Problemas neuropsiquiátricos,
  • Grávidas,
  • Mães a amamentar.

O caso dos utentes que consomem anabolizantes é mais complexo, especialmente se existe relutância em cessar a toma. É conveniente informar sobre os efeitos e incentivar a interrupção, transmitindo a importância da realização de estudos hormonais.

Conclusão

Os alimentos e suplementos para desportistas não devem substituir uma dieta saudável. Algumas substâncias proporcionam algum benefício, dependendo do tipo e intensidade da atividade, outras não parecem ser efetivas e algumas poderiam ser nocivas para a saúde. Há que considerar sempre se os produtos são necessários e seguros. Deverá ser dada atenção especial às implicações do uso de suplementos não adequadamente controlados. A intervenção farmacêutica é importante, especialmente pela utilização atual da internet como fonte de informação e, em alguns casos, de aquisição.

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15. Medicamentos e suplementos utilizados por los deportistas. Infac 2006; 14(6): 23-28.

16. Willians MH. Dietary Supplements and Sports Performance: Introduction and Vitamins. J Int Soc Sports Nutr. 2004:1. [acedido 06/06/2018]. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC2129136/pdf/1550-2783-1-2-1.pdf

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18. Robinson D. Permitted non-hormonal performance -enhancing substances. Last updated jun26,2018. UpToDate®. Wolters Kluwer; [acedido 06/06/2018]. Disponível em: https://www.uptodate.com

19. Creatine. MedlinePlus. [acedido a 26/06/18] Disponível em: https://medlineplus.gov/druginfo/natural/873.html

20. Mason P. Dietary Supplements, 3 rd ed. London, Pharmaceutical Press, 2007.

21. Créatine por sportifs: des risques et des incertitudes. Rev Prescrire. 2018; 28(416): 431.

22. Molinero O, Márquez S. Use of nutritional supplements in sports: risks, knowledge, and behaviouralrelated factors. Nutr Hosp. 2009 [acedido a 10/08/18]; 24(2): 128-34. Disponível em: http://scielo.isciii.es/pdf/nh/v24n2/revision2.pdf

23. Compléments alimentaires: mise en garde chez le sportif. 2017. Ordre National des Pharmaciens. Ultima revisión Oct 2017. [acedido a 26/06/18] Disponível em: http://www.ordre.pharmacien.fr/Communications/Les-actualites/Complements-alimentaires-mise-engarde-chez-le-sportif

POKEMON GO: 10 RAZÕES DE SAUDE PARA “CAÇAR”

Pokemon go é a “febre” do momento! Em www.pokemongo.com encontra todas as explicações sobre jogos de pokemon go para perceber melhor este fenómeno! Este artigo pretende clarificar as implicações para a saúde desta caça aos Pokemon! Parte do sucesso está certamente na junção da realidade fisica da área onde habita ou visita como turista, com a realidade virtual. Para conseguir caçar nos jogos de Pokemon go é necessário um smartphone com GPS e uma aplicação que mostre em que local das proximidades estão a ser avistados Pokemon! Depois é só sair do sofá à pressa e ir ao seu encontro do pokemon…antes que ele desapareça!

Pokemon go: Porque se tornou viral?

Além de obrigar a levantar do sofá e sair de casa para “caçar” um dos elementos mais importantes e virais da caça dos jogos de pokemon go consiste na surpresa de, repentinamente, no local assinalado pela presença do pokemon aparecerem, vindas do nada e de todos os lados, várias pessoas para caçar o mesmo pokemon! De repente o caçador solitário transforma-se num dos elementos da “matilha” que persegue a presa tão desejada! Mas será que é bom pertencer à “matilha”… ou será um “rebanho”?!

Clique na ligação seguinte, leia a noticia e veja o vídeo da “matilha” ou será um “rebanho”?!

Cortam o trânsito para apanhar Pokémons em Gaia

No final do artigo não perca o vídeo de uma caçada real na cidade do Porto com partilha do ecran em tempo real pelo youtuber Tiagovski. 

Neste vídeo temos o famoso youtuber Tiagovski numa caça real aos na cidade do Porto. O que este vídeo tem de especial é a partilha do ecran em tempo real onde é possivel ver um pouco de tudo durante a “caçada” incluindo:

  • Pokestops
  • Captura de Pokemons com alto cp (valor)
  • Evolução de Pokemons para cp acima de 1.300
  • Ovos e nascimento de Pokemons
  • Captura falhada de Pokemons e muito mais!

Perdoem apenas algumas asneiras proferidas pelo youtuber no calor da emoção de uma caçada muito proveitosa! Vídeo disponivel  no final do artigo.

LEIA AQUI O ARTIGO COMPLETO

PORTUGAL PARABÉNS EURO 2016 ORGULHO E FÉ ATÉ AO FIM

Portugal Euro 2016 Parabéns Orgulho Entreajuda Saber sofre Combater Competência e Fé até ao fim…!

Nestes momentos emotivos já sabem que adoro lembrar poemas extraordinários…da nossa magnífica Língua Portuguesa!

O Mostrengo

Fernando Pessoa 

O mostrengo que está no fim do mar
Na noite de breu ergueu-se a voar;
A roda da nau voou três vezes,
Voou três vezes a chiar,
E disse: «Quem é que ousou entrar
Nas minhas cavernas que não desvendo,
Meus tectos negros do fim do mundo?»
E o homem do leme disse, tremendo:
«El-Rei D. João Segundo!»

«De quem são as velas onde me roço?
De quem as quilhas que vejo e ouço?»
Disse o mostrengo, e rodou três vezes,
Três vezes rodou imundo e grosso.
«Quem vem poder o que só eu posso,
Que moro onde nunca ninguém me visse
E escorro os medos do mar sem fundo?»
E o homem do leme tremeu, e disse:
«El-Rei D. João Segundo!»

Três vezes do leme as mãos ergueu,
Três vezes ao leme as reprendeu,
E disse no fim de tremer três vezes:
«Aqui ao leme sou mais do que eu:
Sou um povo que quer o mar que é teu;
E mais que o mostrengo, que me a alma teme
E roda nas trevas do fim do mundo,
Manda a vontade, que me ata ao leme,
De El-Rei D. João Segundo!»

Quando

Sophia de Mello Breyner
Quando o meu corpo apodrecer e eu for morta
Continuará o jardim, o céu e o mar,
E como hoje igualmente hão-de bailar
As quatro estações à minha porta.Outros em Abril passarão no pomar
Em que eu tantas vezes passei,
Haverá longos poentes sobre o mar,
Outros amarão as coisas que eu amei.Será o mesmo brilho, a mesma festa,
Será o mesmo jardim à minha porta,
E os cabelos doirados da floresta,
Como se eu não estivesse morta.

Mar português

Fernando Pessoa

Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!
Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!

Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.
Quem quer passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu.

Língua Portuguesa

Olavo Bilac

Última flor do Lácio, inculta e bela,
És, a um tempo, esplendor e sepultura:
Ouro nativo, que na ganga impura
A bruta mina entre os cascalhos vela
Amo-se assim, desconhecida e obscura
Tuba de algo clangor, lira singela,
Que tens o trom e o silvo da procela,
E o arrolo da saudade e da ternura!
Amo o teu viço agreste e o teu aroma
De virgens selvas e de oceano largo!
Amo-te, ó rude e doloroso idioma,
Em que da voz materna ouvi: “meu filho!”,
E em que Camões chorou, no exílio amargo,
O gênio sem ventura e o amor sem brilho!

Amor é fogo que arde sem se ver

Camões

Amor é um fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói, e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer.

É um não querer mais que bem querer;
É um andar solitário entre a gente;
É nunca contentar-se e contente;
É um cuidar que ganha em se perder;

É querer estar preso por vontade;
É servir a quem vence, o vencedor;
É ter com quem nos mata, lealdade.

Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade,
Se tão contrário a si é o mesmo Amor?

CANSAÇO OU ASTENIA DA PRIMAVERA A VERDADE!




Chegou a Primavera e o bom tempo que tanto ansiava e no entanto sinto um enorme cansaço… mas porquê? Esta é uma pergunta que muitas pessoas fazem a si mesmas e é mais frequente do que julga! Será que tem astenia ou cansaço da Primavera?

Neste artigo vamos responder ás seguintes questões:

  • Quais os sintomas da astenia ou cansaço de Primavera?
  • O que causa o cansaço da Primavera?
  • O que fazer para debelar o cansaço?
  • Quando deve consultar o médico?

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Quais os sintomas da astenia da Primavera?

A chegada desta estação, com as consequentes mudanças climáticas, pode fazer surgir a chamada “astenia de primavera”, cujos sintomas podem ser os seguintes:

  • Falta de energia,
  • Falta de apetite,
  • Dificuldades de concentração,
  • Falhas de memória,
  • Irritabilidade,
  • Diminuição da libido (desejo sexual),
  • Fadiga,
  • Fraqueza,
  • Desconforto geral.

O que causa a astenia de primavera?

As principais causas do cansaço de Primavera são as seguintes:

  • Alterações climáticas,
  • Dieta desequilibrada, com insuficientes vitaminas e minerais que assegurem o bom funcionamento do organismo),
  • Stress diário,
  • Sedentarismo.

Cansaço ou astenia que fazer?

Para contrariar os sintomas descritos deixo alguns conselhos que podem ajudar imenso. Alguns são óbvios mas não são colocados em prática por imensas pessoas.

Alimentação geral

Faça uma dieta equilibrada e variada, rica em fruta e vegetais. Evite o consumo de alimentos processados, fritos, fast food e alimentos e bebidas que contenham açúcar e beba pouco ou nenhum café.

Alimentação entre refeições

Encontre o intervalo de horas para se alimentar entre as refeições principais, que seja adequado a si ou seja não é necessário comer de 3 em 3 horas como muitos “Gurus” aconselham mas sim comer alimentos saudáveis quando tiver fome!

Esqueça o pão, os lanches mistos, as bolachas de água e sal (já para não falar nas outras piores!), o “suminho” de fruta  “docinho”, a torradinha  e outros alimentos acabados em “inho e inha” e trate a sério da sua saúde! Beba água de qualidade (que diga no rótulo que é de nascente), coma iogurtes naturais, coma nozes, avelãs, amêndoas (claro que não as da páscoa docinhas e com chocolate!), fruta fresca de preferência local e não a que vem de avião de outro continente, lindissima, brilhante e cheia de pesticidas!

Exercício físco

Pratique exercício físico regularmente, de preferência de manhã ou até ao final da tarde. A prática de exercício físico moderado provoca o aumento da produção de endorfinas que promovem a sensação de bem-estar. No entanto não exagere fazendo exercício “à maluca” pois o excesso de exercício fisico não dá saúde e pode originar lesões crónicas.

O sono

Dormir 7 horas e meia  por noite chega… nem mais nem menos… desde que sejam bem dormidas ou seja que faça uma especíe  de viagem no tempo julgando que passaram 2 horas desde que se deitou mas já passaram 7 ou 8 horas.

A água que se bebe

Beba 1,5L de água diariamente, principalmente entre refeições e se a sua urina ainda não sair limpida e transparente beba ainda mais! Se puder evite beber água da torneira por causa do cloro que é prejudicial para o nosso microbioma ou seja a nossa flora intestinal, que é essencial na saúde do nosso sistema imunitário. Geralmente a melhor água é a que refere no rótulo ser água de nascente. Existem no mercado águas de marca branca (mais económicas) que são de nascente.

O Stress

Aprenda a gerir o stresse no emprego, planeando bem o dia de trabalho. Estabeleça prioridades escrevendo, no início do dia, numa folha de papel as difentes tarefas e classificando-as como:

  • A (fazer hoje) + tempo de execução estimado
  • B (pode ser amanhã) + tempo de execução estimado
  • C (pode esperar alguns dias) + tempo de execução estimado

Sempre que possível, delegue tarefas. Esta é uma das principais causas de cansaço psicológico que se reflete na parte física nomeadamente nos músculos e articulações.

Quando consultar o médico?

Se os sintomas não se atenuarem, consulte o seu médico e este avaliará se poderá estar na presença de alguma doença que necessite de tratamento, tal como:

  • Anemia,
  • Depressão,
  • Doença celíaca,
  • Problemas de tiroide.

Concluindo

O tema do cansaço é recorrente e parece ser cada vez mais frequente. Uma enorme parte da população vive cansada psicológicamente e isso tem também consequências físicas evidentes tais como dores musculares, articulares e de cabeça. No entanto cada um de nós tem a possibilidade de fazer opcções e escolher mudar hábitos alimentares pouco saudáveis que em nada favorecem a nossa saúde. Quanto à “saúde mental” o mais importante é evoluir psicológicamente e ser mais forte que a corrente não se deixando arrastar por coisas pequenas sem importância. Aprenda a comprender que as coisas não têm todas a mesma prioridade e de certeza que umas têm de se fazer hoje mas  outras podem ficar para amanhã ou depois sem que com isso venha mal ao Mundo!

Fique bem

Franklim Fernandes

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