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Síndrome musculoesquelética da menopausa e dor persistente

Com a chegada da menopausa, muitas mulheres começam a notar um aumento das dores articulares, perda de força muscular e maior fragilidade nos ossos. Estas mudanças não são “coisas da idade” — estão diretamente ligadas à diminuição dos níveis de estrogénio, uma hormona que tem um papel essencial na proteção do nosso sistema musculoesquelético.

Na prática, isto significa mais rigidez nas articulações, maior risco de osteoporose e, para muitas mulheres, uma sensação constante de desconforto que afeta o seu dia a dia.

Mas há formas de minimizar estes sintomas e cuidar melhor da saúde nesta fase. Exercício físico adaptado, uma alimentação rica em cálcio, vitamina D e proteína e, nalguns casos, terapias hormonais podem fazer uma diferença enorme.

Se queres perceber melhor o que está por trás destas transformações — e como as enfrentar com confiança, vale a pena conhecer o conceito de “síndrome musculoesquelética da menopausa”, introduzido pela Dr.ª Vonda J. Wright e seus colaboradores, num artigo científico publicado em 2024. Este estudo tem sido uma referência importante para profissionais de saúde em todo o mundo e ajuda-nos a compreender melhor o impacto real da menopausa no corpo da mulher.

Estudo: “The musculoskeletal syndrome of menopause”

Queres uma boa notícia? Com informação, apoio e as escolhas certas, é possível passar por esta fase com mais força, saúde e bem-estar do que nunca.


Neste artigo, vais encontrar informação clara e fundamentada sobre os principais desafios que a menopausa pode trazer para o teu sistema musculoesquelético e, sobretudo, o que podes fazer para os enfrentar.

Aqui está um resumo do que vamos explorar:

  • O que é afinal a menopausa?
  • Os sinais e sintomas mais comuns
  • Síndrome musculoesquelética da menopausa: o que é e porque importa.
  • Estrogénios e inflamação: uma ligação surpreendente.
  • Como aliviar os sintomas? Estratégias que funcionam
  • Microbiota intestinal e menopausa: há mesmo uma ligação?
  • A influência do intestino na regulação hormonal e na saúde geral da mulher.
  • Conclusão: mais saúde e bem-estar na menopausa é possível

O artigo sobre estratégias anti-envelhecimento pode complementar de forma extraordinária o conhecimento e proteção da tua saúde.

As cinco grandes mentiras sobre saúde
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Menopausa e pós-menopausa

A evolução biológica da mulher compreende uma diminuição da reserva folicular ovárica ao longo do tempo, sendo particularmente acentuada por volta dos 50 anos de idade. Entre uma fase de pleno potencial e uma fase de total incapacidade reprodutiva, a mulher apresenta uma etapa de duração variável que se denomina climatério. A menopausa é definida como a interrupção permanente da menstruação quando ocorrem 12 meses consecutivos de amenorreia. Todo o período à volta deste marco biológico, desde as primeiras alterações na duração/fluxo dos ciclos menstruais até aos intervalos mais ou menos prolongados de amenorreia, chama-se perimenopausa. Depois de um ano sem menstruação a mulher entra definitivamente na pós-menopausa.1,2

Sinais e sintomas da menopausa

Esta fase da vida da mulher, situada na meia-idade, apresenta um conjunto de sinais e sintomas característicos que resultam de um decréscimo acentuado nos níveis de estrogénios. Para além das irregularidades menstruais, os sintomas vasomotores (afrontamentos, suores noturnos, enxaquecas) têm um início rápido, assim como as alterações de humor (letargia, depressão, desordens de pânico), os distúrbios de sono (insónias) e os primeiros sintomas urinários (infeções urinárias recorrentes, incontinência urinária).

Resumindo os possíveis sintomas de decréscimo de estrogénios:

  • Irregularidades menstruais
  • Afrontamentos
  • Suores noturnos
  • Enxaquecas
  • Letargia
  • Depressão
  • Desordens de pânico
  • Insónias
  • Infeções urinárias recorrentes
  • Incontinência urinária

Surgem depois os sintomas genitais (atrofia vulvar e vaginal, dispareunia), a perda de densidade óssea (osteopenia), artralgias e mialgias, alterações da pele (perda de elasticidade, desidratação, diminuição da espessura) e alterações dos pelos (alopecia, hirsutismo). Finalmente, pode instalar-se a osteoporose e aumenta a probabilidade de aparecimento da doença cardiovascular (doença coronária, acidente vascular cerebral, tromboembolismo venoso) e de doenças neurocognitivas (como a doença de Alzheimer).1,3

Resumindo os possíveis sintomas acentuados pós-menopausa:

  • Atrofia vulvar e vaginal
  • Dor durante o contacto íntimo (dispareunia)
  • Perda de densidade óssea (osteopenia)
  • Artralgias (dores articulares)
  • Mialgias (dores musculares)
  • Alterações da pele
  • Alterações dos pelos (queda de cabelo)
  • Osteoporose
  • Doenças cardiovasculares
  • Alzheimer

Afrontamentos calores e doença cardiovascular

Sabe-se hoje que os sintomas vasomotores são resultantes de uma disfunção do centro termorregulador hipotalâmico causada pela redução dos estrogénios e há evidência de uma relação com a doença cardiovascular. Se já se sabia que os afrontamentos estavam associados a doença cardiovascular subclínica, como a disfunção endotelial e a calcificação das paredes arteriais,4 parece haver também uma correlação entre a severidade da sintomatologia vasomotora, independentemente do facto de estes sintomas aparecerem antes ou após a menopausa, e a ocorrência de eventos cardiovasculares, como a doença coronária e o acidente vascular cerebral.5

Este conhecimento reequaciona a terapêutica hormonal de substituição na menopausa no que se refere ao balanço benefício-risco:

  • Por um lado, pode ser encarada não apenas para aliviar sintomatologia, mais ou menos intensa, mas também para reduzir o risco de problemas de saúde futuros;
  • Por outro lado, a própria terapêutica hormonal não é isenta de riscos, concretamente a nível cardiovascular e neoplásico.
As cinco grandes mentiras sobre saúde
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Síndrome musculoesquelética da menopausa

Este artigo introduz o termo “síndrome musculoesquelética da menopausa” para descrever um conjunto de sintomas musculoesqueléticos associados à diminuição dos níveis de estrogénio durante a transição menopáusica. Estima-se que mais de 70% das mulheres experienciem sintomas como artralgia, perda de massa muscular, diminuição da densidade óssea e progressão da osteoartrite durante este período. O artigo enfatiza a necessidade de uma maior conscientização e reconhecimento destes sintomas por parte dos profissionais de saúde, de modo a permitir uma avaliação de risco adequada e a implementação de estratégias de gestão preventiva.​

Perda de estrogénio

A perda de estrogénio durante a menopausa tem um impacto significativo no sistema musculoesquelético das mulheres, levando a uma variedade de sintomas que afetam negativamente a qualidade de vida. O reconhecimento da síndrome musculoesquelética da menopausa como uma entidade clínica pode facilitar uma abordagem mais holística e eficaz no tratamento e prevenção destes sintomas, sublinhando a importância de estratégias de gestão proativas e personalizadas para mitigar os efeitos adversos associados à menopausa.

Sintomas da síndrome musculoesquelética da menopausa

A síndrome musculoesquelética da menopausa engloba um conjunto de sintomas associados à redução dos níveis de estrogénio durante a transição menopáusica, afetando músculos, articulações e ossos. Os principais sintomas incluem:

  • Dores articulares (artralgia): Sensação de rigidez e dor nas articulações, semelhante a quadros de artrite.
  • Perda de massa muscular (sarcopenia): Redução da força e da massa muscular, aumentando o risco de quedas e fraturas.
  • Diminuição da densidade óssea (osteopenia/osteoporose): Maior fragilidade óssea, predispondo a fraturas.
  • Fadiga muscular: Cansaço excessivo e menor resistência a esforços físicos.
  • Rigidez e limitação de movimentos: Especialmente notada nas articulações dos dedos, joelhos e ombros.
  • Progressão da osteoartrite: Agravamento de quadros degenerativos articulares pré-existentes.

Efeito anti-inflamatório dos estrogénios

Os estrogénios desempenham um papel crucial na modulação da inflamação e na manutenção da saúde musculoesquelética:

  • Regulação de citocinas pró-inflamatórias: Reduzem a produção de interleucina-6 (IL-6), fator de necrose tumoral alfa (TNF-α) e outras substâncias inflamatórias.
  • Proteção contra o stress oxidativo: Diminuem a formação de radicais livres e o dano celular nos músculos e ossos.
  • Modulação do metabolismo ósseo: Favorecem a atividade dos osteoblastos (células formadoras de osso) e inibem a atividade dos osteoclastos (células que reabsorvem osso), prevenindo a osteoporose.
  • Melhoria da função muscular: Influenciam a síntese proteica e a contração muscular, reduzindo a perda de massa magra.

Estratégias para mitigar os efeitos da Síndrome musculoesquelética da menopausa

Para minimizar os impactos da menopausa no sistema musculoesquelético, são recomendadas estratégias integradas que incluem:

  • Terapêutica hormonal de substituição (THS)
  • Nutrição adequada
  • Exercício físico regular
  • Suplementação específica
  • Estilo de vida adequado

Terapêutica Hormonal de Substituição (THS)

  • Pode ajudar a reduzir a inflamação, prevenir a perda óssea e muscular e aliviar dores articulares.
  • Indicada para mulheres sem contraindicações, sempre com avaliação médica.

Nutrição adequada

  • Proteína suficiente: Para preservar a massa muscular (1,2–1,5 g/kg de peso/dia).
  • Cálcio e vitamina D: Essenciais para a saúde óssea. Fontes: lacticínios, vegetais verdes, peixes gordos.
  • Ômega-3: Efeito anti-inflamatório (salmão, nozes, sementes de linhaça).
  • Antioxidantes: Frutas e vegetais coloridos ajudam a reduzir a inflamação.

Exercício físico regular

  • Treino de resistência (musculação): Previne a sarcopenia e fortalece os ossos.
  • Exercícios de impacto (caminhada, corrida leve, dança): Estimulam a formação óssea.
  • Exercícios de flexibilidade e equilíbrio (ioga, pilates): Reduzem o risco de quedas.

Suplementação específica (quando necessário)

  • Vitamina D e cálcio: Para a saúde óssea.
  • Colagénio hidrolisado: Pode auxiliar na manutenção das articulações e músculos.
  • Magnésio e potássio: Contribuem para a contração muscular e a prevenção de cãibras.

Estilo de vida adequado

  • Sono de qualidade: Fundamental para a regeneração muscular.
  • Redução do stress: Técnicas como meditação e mindfulness ajudam a diminuir a inflamação.
  • Evitar tabaco e álcool: O tabaco agrava a osteoporose, e o álcool interfere na absorção de nutrientes essenciais.

As Cinco Grandes Mentiras Sobre Saúde
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Terapia hormonal de substituição (THS)

Segundo o Centro de Informação do Medicamento (CIM) da Ordem dos Farmacêuticos, em artigo detalhado sobre este assunto, que cito neste artigo, a escolha da Terapia Hormonal de Substituição (THS) deve ser individualizada, considerando fatores como sintomas predominantes, histórico clínico, riscos cardiovasculares e osteoporóticos, além da preferência da paciente.

A abordagem terapêutica da menopausa faz-se geralmente com terapia hormonal de substituição (THS) sistémica. Teoricamente, deveria administrar-se apenas estrogénio, numa tentativa de repor os níveis endógenos que tendem a diminuir. No entanto, o estrogénio faria o endométrio estar sempre na fase proliferativa, o que rapidamente poderia desencadear hiperplasia e cancro do endométrio. Por esta razão, em mulheres que ainda conservam o seu útero, a THS faz-se com estrogénio e progestagénio ou estrogénio e um modulador seletivo dos recetores dos estrogénios (antagonista no útero).6

No que respeita ao componente estrogénico, as formulações farmacêuticas para administração sistémica utilizadas na THS contêm 17β-estradiol (estrogénio natural), valerato de estradiol (pró-fármaco do estradiol) ou estrogénios equinoconjugados (ésteres de sulfato de estrona, sulfatos de equilina e o 17α/βestradiol).

A administração sistémica pode ser feita por via oral, sistema transdérmico ou percutâneo (gel ou spray).1 O spray tem a vantagem de permitir ajustar a dose consoante as necessidades da mulher ao longo do tempo.7,8 Embora não esteja comercializado em Portugal, pode administrar-se também através de um anel vaginal.

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Em mulheres que mantêm o útero, tem de se administrar também o componente progestagénico, que pode ser progesterona micronizada, medroxiprogesterona, didrogesterona, ciproterona, nomegestrol (estruturalmente semelhantes à progesterona) ou levonorgestrel, dienogest, norgestrel, noretisterona (estruturalmente semelhantes à testosterona) ou ainda drospirenona (estruturalmente semelhante à espironolactona).

As formulações podem conter apenas o componente progestagénico ou a sua combinação com o estrogénio, podendo usar-se a via oral, a via transdérmica, o dispositivo intrauterino ou o injetável.1,6,9

Quando não é aconselhável usar progestagénio, pode usar-se o bazedoxifeno, que é um modulador seletivo dos recetores dos estrogénios, sendo agonista nos recetores do osso e da vagina e antagonista nos recetores do útero e da mama.1,6,10

Pode usar-se também a tibolona, que é um esteroide de síntese que combina propriedades progestagénicas e estrogénicas com uma atividade androgénica fraca, sendo particularmente indicado no tratamento da sintomatologia vasomotora e atrófica pós- menopausa.1,11

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A administração sistémica de estrogénio e progestagénio pode ser feita em regime contínuo (doses diárias iguais), em regime sequencial contínuo (doses diárias de estrogénio com o progestagénio durante 10 a 14 dias do ciclo de 28 dias) ou em regime cíclico (doses diárias de estrogénio com o progestagénio durante 10 a 14 dias do ciclo de 21 dias com 7 dias de descanso). A dose de progestagénio deve ser suficiente para conferir proteção endometrial em relação à dose de estrogénio administrada.1,8

Os estrogénios sofrem metabolismo de primeira passagem significativo quando administrados por via oral. Quando se usa a via transdérmica deve reduzir-se a dose a administrar, pois origina níveis mais altos e estáveis de estrogénio do que a via oral para a mesma dose. Também a via vaginal evita o metabolismo de primeira passagem, ao mesmo tempo que assegura uma rápida absorção.

Sempre que a administração do componente estrogénico não é feita por via oral numa mulher com útero, é essencial não esquecer que, de forma cíclica ou sequencial, se tem de administrar o componente progestagénico, pela mesma via de administração ou não. Note-se que os progestagénios também sofrem metabolismo de primeira passagem, sendo esse metabolismo diferente entre as várias moléculas que podem ser usadas. Tanto para o estrogénio como para o progestagénio, a formulação micronizada aumenta a biodisponibilidade oral.1,6

A administração tópica de estrogénios como estriol, estradiol e promestrieno, é feita por via vaginal sob a forma de creme, gel, comprimido ou cápsula mole. O estriol é apenas administrado por via intravaginal, visto tratar-se de um metabolito com fraca atividade sistémica. A administração tópica evita o metabolismo de primeira passagem e todos os efeitos adversos decorrentes de uma exposição hormonal sistémica, já que esta é inexistente ou muito reduzida. Tem indicação para ser feita quando a principal manifestação clínica do climatério é a síndrome geniturinária (secura ou irritação vaginal, dispareunia, disúria, urgência urinária e infeções urinárias recorrentes), podendo ser associada ou não a THS sistémica.1,6

THS diminui risco cardiovascular da mulher

Se a menopausa ocorre devido a uma redução acentuada dos estrogénios, a THS, ao evitar a queda abrupta dos níveis hormonais, vai trazer melhoria da qualidade de vida, ao aliviar os sintomas vasomotores, as alterações de humor, os distúrbios de sono, a síndrome geniturinária e as queixas osteoarticulares. Mas, mais do que isso, sabendo-se que uma sintomatologia vasomotora moderada a intensa precede doença cardiovascular mais expressiva, a redução dessa sintomatologia favorece também a redução do risco cardiovascular a médio prazo. Passa a ser também um benefício ao nível da saúde, e não apenas da qualidade de vida.4,5 No entanto, sabe-se atualmente que os benefícios são mais notórios se iniciada até aos 60 anos de idade ou até 10 anos após a última menstruação.12,13


Exemplos

Mulher de 57 Anos, 1,70 m e 65 kg

Para uma mulher saudável, sem contraindicações e que esteja na pós-menopausa, a THS combinada com estrogénio e progesterona é geralmente recomendada para proteger o endométrio (caso tenha útero).

Vias de administração mais seguras e eficazes

  • Estrogénio transdérmico (adesivo ou gel) → Menor risco de trombose do que a via oral.
  • Progesterona micronizada oral (ex.: Utrogestan®) → Melhor tolerada e menor impacto metabólico.

Esquema terapêutico sugerido

  • Estrogénio transdérmico: Estradiol 25 a 50 mcg/dia (adesivo) ou 0,5 a 1 mg/dia (gel)
    • Exemplos: Estradot®, Oestrogel®, Dermestril®
  • Progesterona micronizada oral (se útero presente): 100 a 200 mg à noite, continuamente ou 12-14 dias por mês
    • Exemplo: Utrogestan®

Benefícios esperados

  • Redução de sintomas musculoesqueléticos, fogachos e suores noturnos.
  • Melhoria da densidade óssea e prevenção da osteoporose.
  • Melhoria do humor e da qualidade do sono.
  • Manutenção da massa muscular e proteção cardiovascular.

Contraindicações (exigem avaliação médica cuidadosa)

  • História de trombose venosa profunda ou AVC.
  • Cancro da mama ou do endométrio.
  • Doença hepática grave.
  • Sangramento vaginal sem diagnóstico.

Exemplo

Mulher de 55 anos, 1,70 m e 60 kg, sem útero

Terapia Hormonal de Substituição (THS) mais indicada será apenas com estrogénios, já que não há necessidade de progesterona para proteção do endométrio.

Opção mais segura e eficaz

A via transdérmica (adesivo ou gel) é preferível à oral, pois tem um menor risco de trombose e efeitos metabólicos mais favoráveis.

Esquema terapêutico recomendado

Estrogénio transdérmico: Estradiol 25 a 50 mcg/dia (adesivo) ou 0,5 a 1 mg/dia (gel)

  • Exemplos:
  • Adesivos: Estradot®, Dermestril®, Evorel®
  • Gel: Oestrogel®, Sandrena®

Via oral (se preferir comprimidos): Estradiol 1 mg/dia, podendo aumentar para 2 mg se necessário

  • Exemplos: Progynova®, Activelle® (apesar de este último ter progestagénio)

Benefícios esperados

  • Alívio dos sintomas da menopausa (fogachos, insónias, fadiga, dores musculares e articulares).
  • Proteção contra osteoporose e perda de massa muscular.
  • Melhoria do humor e da qualidade de vida.
  • Preservação da saúde cardiovascular (desde que iniciada na janela de oportunidade, idealmente até 60 anos).

Monitorização e precauções

  • Avaliação médica periódica: Controlo da tensão arterial, exames ao fígado, rastreios ginecológicos e mamográficos.
  • Evitar THS se houver contraindicações: História de trombose, AVC, cancro da mama, doença hepática grave.
  • Considerar alternativas se houver riscos: Tibolona (Livial®), SERMs como raloxifeno (para a osteoporose).

Se não houver contraindicações, esta opção apenas com estrogénios é segura e eficaz para melhorar a qualidade de vida e prevenir complicações da menopausa.


Alternativas à terapêutica hormonal de substituição (THS)

Se houver contraindicação à THS, alternativas como SERMs (moduladores seletivos dos recetores de estrogénio), tibolona ou fitoestrogénios podem ser consideradas.

Sugestão: Antes de iniciar qualquer THS, é fundamental uma consulta médica para avaliação completa e prescrição adequada.

Moduladores seletivos dos recetores de estrogénios (SERMs)

Exemplos principais:

  • Raloxifeno
  • Bazedoxifeno (frequentemente em associação com estrogénios conjugados – TSEC: Tissue Selective Estrogen Complex)
  • Tamoxifeno (mais usado em oncologia, menos na menopausa)

Efeitos terapêuticos:

  • Prevenção e tratamento da osteoporose pós-menopáusica
  • Efeito estrogénico benéfico sobre o metabolismo ósseo
  • Efeito antiestrogénico sobre o tecido mamário e endométrio (importante em prevenção de cancro)

Vantagens:

  • Redução do risco de cancro da mama
  • Melhoria da densidade mineral óssea e redução do risco de fraturas vertebrais
  • Pode ser usado em mulheres com contraindicação para estrogénios

Desvantagens:

  • Não alivia sintomas vasomotores (ex: afrontamentos)
  • Risco de tromboembolismo venoso
  • Pode causar cãibras nas pernas e ondas de calor
  • Não tem efeito positivo sobre a secura vaginal

Tibolona

O que é a tibolona?

É um esteroide sintético com atividade estrogénica, progestagénica e androgénica, Metaboliza-se em compostos com diferentes perfis de ação;

Efeitos terapêuticos:

  • Alívio de sintomas vasomotores (ex: afrontamentos)
  • Melhoria da libido
  • Prevenção da osteoporose
  • Efeito positivo sobre o humor e bem-estar geral

Vantagens:

  • Atua em múltiplos sintomas da menopausa
  • Pode melhorar a função sexual
  • Menor impacto mamário comparado com a THS convencional
  • Risco de sangramento vaginal é menor

Desvantagens:

  • Contraindicada em mulheres com história de cancro da mama
  • Pode aumentar o risco de AVC em mulheres idosas
  • Não indicada para mulheres muito jovens na menopausa precoce
  • Pode alterar o perfil lipídico

Fitoestrogénios

Fitoestrogénios são compostos naturais encontrados em plantas que imitam a estrutura química e a ação dos estrogénios humanos (hormonas sexuais femininas). Embora sejam mais fracos do que os estrogénios endógenos, podem ligar-se aos recetores de estrogénios no corpo, exercendo efeitos estrogénicos ou antiestrogénicos, dependendo da concentração hormonal do organismo e do tipo de tecido.

Principais tipos:

  • Isoflavonas (ex: da soja, trevo vermelho)
  • Lignanas (sementes de linhaça)
  • Cumestanos (rebentos de alfafa)

Efeitos terapêuticos:

  • Alívio leve de sintomas vasomotores
  • Possível melhoria da saúde óssea e perfil lipídico
  • Ação antioxidante

Vantagens:

  • Produto natural e geralmente bem tolerado
  • Pode ser uma opção para mulheres que recusam terapêuticas hormonais
  • Sem risco comprovado de cancro da mama

Desvantagens:

  • Eficácia variável e geralmente inferior à THS
  • Resultados inconsistentes nos estudos clínicos
  • Pode interagir com medicamentos, sobretudo em oncologia
  • Efeitos dependem da microbiota intestinal (conversão dos compostos ativos)

Resumo funcional:

  • Em mulheres com baixos níveis de estrogénio (como na menopausa), os fitoestrogénios podem imitar o estrogénio e aliviar sintomas.
  • Em mulheres com níveis normais, podem bloquear parcialmente os recetores e atuar como antiestrogénicos.

Comparação geral das alternativas à THS:

ParametroTHSSERMsTibolonaFitoestrogénios
Sintomas vasomotores✅ Muito eficaz❌ Ineficaz✅ Eficaz⚠️ Leve eficácia
Saúde óssea✅ Eficaz✅ Eficaz✅ Eficaz⚠️ Potencial benefício
Risco de cancro da mama⚠️ Aumentado (dependente)✅ Reduzido⚠️ Desconhecido/ligado✅ Sem aumento conhecido
Saúde vaginal✅ Eficaz❌ Ineficaz⚠️ Possível melhoria⚠️ Pouco efeito
Libido⚠️ Variável❌ Sem efeito✅ Pode melhorar❌ Pouco efeito
Risco tromboembólico⚠️ Aumentado⚠️ Aumentado⚠️ Possível aumento✅ Nenhum

Fitoestrogénios e microbiota intestinal

Os fitoestrogénios não são ativos na sua forma original nos alimentos. Para que tenham atividade estrogénica efetiva, precisam de ser convertidos por bactérias intestinais em metabólitos ativos, que conseguem ligar-se aos recetores de estrogénios humanos.

Esta transformação ocorre principalmente no cólon e depende da diversidade e funcionalidade da microbiota intestinal. Por isso, indivíduos com diferentes perfis bacterianos podem ter respostas clínicas muito distintas ao consumo de fitoestrogénios.


Estirpes bacterianas com papel na modulação de fitoestrogénios

Estirpes que potenciam os efeitos estrogénicos:

BactériaFunção principal
Slackia isoflavoniconvertensConverte daidzeína (da soja) em equol, um potente fitoestrogénio
Lactococcus garvieaeTambém pode produzir equol
Eggerthella spp.Participa na conversão de isoflavonas em metabolitos ativos
Bifidobacterium spp.Modulam absorção intestinal e ativação parcial de lignanas
Lactobacillus spp.Melhoram a biodisponibilidade e fermentação de isoflavonas

Nota: Apenas cerca de 30–50% das pessoas têm uma microbiota capaz de produzir equol, o metabolito mais potente das isoflavonas.


Estirpes que podem reduzir ou inibir os efeitos dos fitoestrogénios:

BactériaEfeito prejudicial
Clostridium spp. (algumas espécies)Podem degradar compostos antes da conversão em formas ativas
Bacteroides fragilisMetabolismo diverso que pode competir com as vias benéficas
Enterobacteriaceae (ex: Escherichia coli, Klebsiella)Associadas a disbiose e metabolismo hormonal desregulado

Microbiota estrogénica (“estroboloma”)

Existe um subconjunto específico da microbiota intestinal, conhecido como estroboloma, que inclui bactérias capazes de:

  • Produzir β-glucuronidase, enzima que reativa estrogénios conjugados excretados na bile, permitindo a sua recirculação sistémica.
  • Esta atividade pode aumentar os níveis circulantes de estrogénios, mesmo sem suplementação externa.

Em disbiose (desequilíbrio da microbiota), essa reativação pode ser excessiva ou deficiente, afetando sintomas da menopausa, risco de cancro da mama ou efeitos dos fitoestrogénios.


Concluindo sobre fitoestrogénios

A eficácia dos fitoestrogénios depende da:

  • Presença de bactérias capazes de convertê-los em formas bioativas
  • Saúde geral da microbiota intestinal
  • Atividade do estroboloma
  • Em mulheres com baixos níveis de estrogénio (como na menopausa), os fitoestrogénios podem imitar o estrogénio e aliviar sintomas.
  • Em mulheres com níveis normais, podem bloquear parcialmente os recetores e atuar como antiestrogénicos.
  • O médico deve prescrever análises clínicas para avaliar o nível de estrogénios da mulher antes do aconselhamento,

Conclusão  final

A menopausa marca uma transição natural na vida da mulher, mas nem por isso deixa de trazer desafios significativos. Entre eles, destaca-se a síndrome musculoesquelética da menopausa, uma condição recentemente reconhecida que agrupa sintomas como dores articulares, perda de força muscular e fragilidade óssea, diretamente relacionados com a diminuição dos níveis de estrogénio.

A literatura científica tem vindo a reforçar a importância de compreender este fenómeno de forma holística. Segundo Wright et al. (2024), o sistema musculoesquelético é altamente sensível às variações hormonais e deve ser alvo de atenção específica durante e após a menopausa. O estrogénio, além do seu papel na saúde óssea, exerce um efeito anti-inflamatório que protege articulações e músculos — e a sua ausência pode contribuir para processos inflamatórios crónicos e degenerativos.

Além disso, estudos recentes mostram que fatores como a composição da microbiota intestinal podem influenciar a resposta inflamatória e o metabolismo hormonal, sugerindo que a saúde digestiva pode ter um impacto indireto, mas relevante, na experiência da menopausa (Plottel & Blaser, 2011; Santos-Marcos et al., 2022).

A boa notícia é que há estratégias comprovadas para mitigar estes efeitos: exercício físico regular (especialmente treino de força e impacto moderado), alimentação adequada (rica em cálcio, vitamina D, proteína e fibras), manutenção da saúde intestinal e, quando indicado, terapias hormonais ou suplementos específicos, são formas eficazes de promover a qualidade de vida nesta fase.

Em suma, a menopausa não deve ser encarada como um declínio inevitável, mas sim como uma nova etapa da vida onde a informação, a prevenção e os cuidados personalizados fazem toda a diferença. Com o apoio certo, é possível atravessar esta fase com mais vitalidade, força e bem-estar do que nunca.

Referências bibliográficas sobre fitoestrogénios

Seguem‑se as referências principais consultadas para elaborar a explicação sobre a interação entre fitoestrogénios e microbiota intestinal (estroboloma). Incluem-se autores, ano, título e periódico sempre que disponíveis — todas elas tratam especificamente da conversão bacteriana de isoflavonas em equol, do papel de espécies como Slackia isoflavoniconvertens, Eggerthella spp. e Lactococcus garvieae, bem como de revisões recentes sobre o estroboloma:

  1. Setchell K.D.R. & Clerici C. (2010) “Equol: history, chemistry, and formation.” The Journal of Nutrition, 140(7): 1355S‑1362S. PMC
  2. Tamura M. et al. (2008) “Isolation of a human intestinal bacterium capable of daidzein and genistein conversion to equol.” Applied and Environmental Microbiology, 74(14): 4376‑4383. PMC
  3. Lyu C. et al. (2022) “Daidzein and genistein are converted to equol and 5‑hydroxy‑equol by Slackia isoflavoniconvertens.” Journal of Agricultural and Food Chemistry (online ahead of print). ScienceDirect
  4. Iino C. et al. (2019) “Daidzein intake is associated with equol‑producing status through an increase in the intestinal bacteria responsible for equol production.” Nutrients, 11(2): 433. MDPI
  5. Gutiérrez‑Díaz I. et al. (2023) “Gut microbial β‑glucuronidase: a vital regulator in female oestrogen metabolism.” Gut Microbes (review). Taylor & Francis Online
  6. Grover M. et al. (2023) “Gut Microbiome–Estrobolome Profile in Reproductive‑Age Women.” Frontiers in Cellular and Infection Microbiology, 13: 1220937. PMC
  7. Johnsen S.S. et al. (2025) “Menopausal shift on women’s health and microbial niches.” Nature Reviews Microbiology, 23(2): 101‑117. Nature
  8. Matysik‑Matuszek B. et al. (2024) “Estrogen‑metabolising pathways of the gut microbiome and their clinical significance.” International Journal of Cancer (review). Wiley Online Library

Estas publicações cobrem:

  • A bioquímica da conversão de isoflavonas (daidzeína/genisteína → equol) pelas estirpes Slackia, Eggerthella e Lactococcus.
  • A variabilidade individual (apenas 30–50 % das pessoas são “equol producers”).
  • O conceito e a importância do estroboloma (conjunto de microrganismos com β‑glucuronidase que modulam a recirculação de estrogénios).
  • Revisões de 2023–2025 que actualizam o impacto da microbiota na menopausa e na saúde feminina em geral.

Referências bibliográficas gerais

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  • Video: The Healthy Ageing Doctor: Doing This For 30s Will Burn More Fat Than A Long Run! Dr Vonda Wright
  • Centro de informação do medicamento (CIM) da Ordem dos Farmacêuticos, ISSN: 2184-9072, boletim de abril-junho 2022 produzido pela Dra Margarida Castel-Branco e Dra Ana Cabral ligadas à Faculdade de Farmácia da Universidade de Coimbra e ao Instituto de Investigação Clínica e Biomédica de Coimbra (iCBR)
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Antinutrientes lectinas fitatos oxalatos e glúten quais os mais perigosos?

Antinutrientes são substâncias químicas encontradas em plantas que impedem o nosso corpo de absorver nutrientes essenciais dos alimentos; Os principais antinutrientes que devemos observar são lectinas, fitatos, glúten e oxalatos, embora nem todos sejam maus;

Algumas pessoas são mais sensíveis aos antinutrientes do que outras; Testa a tua sensibilidade com uma dieta de eliminação para confirmar os sintomas; Comer uma fonte constante de antinutrientes pode levar a problemas intestinais, inflamação, artrite e confusão mental, sendo mais inteligente comer alimentos que não apresentam riscos potenciais;

Alguns dos alimentos que vou referir, principalmente os vegetais, são muitas vezes apontados como saudáveis. Este artigo apenas pretende alertar para a possibilidade de alguns de nós comerem de forma saudável e no entanto descreverem sintomas que são difíceis de explicar, nomeadamente gastrointestinais.

Reagimos de formas diferentes aos mesmos alimentos, uns podem comer tudo o que desejarem sem problemas mas outros reagem de forma mais agressiva a certos antinutrientes, por exemplo as lectinas das plantas.

Assim quem tem sintomas deve tentar identificar os “alimentos culpados” com uma dieta de eliminação individual ou seja deixando de comer apenas um alimento de cada vez para tentar detetar se será esse que está a determinar os maus sintomas.

Neste artigo vou falar sobre:

  • Antinutrientes o que são?
  • Será que temos de evitar estas plantas?
  • Lectinas
  • Fitatos
  • Oxalatos
  • Glúten

Antinutrientes o que são?

Antinutrientes são compostos encontrados em alimentos que interferem na absorção de nutrientes e minerais benéficos. Eles impedem que o corpo seja a esponja de micronutrientes eficiente que deveria ser. Extraímos os alimentos e nutrientes que  necessitamos a partir do ambiente que nos rodeia mas a evolução desenvolveu plantas com capacidade de se protegerem de maneira a poderem sobreviver. Os fitoquímicos que consomem nutrientes protegem as plantas comestíveis saborosas de serem devorados até ao ponto de extinção.

Esse sistema de defesa de última geração ensinou aos animais que o consumo excessivo resultava em doenças e às vezes em morte. Os animais evoluíram para conseguirem digerir as plantas ricas em antinutrientes ou para deixarem de as comer.

Os antinutrientes são encontrados em maiores concentrações nos grãos, feijões, leguminosas e nozes, mas também podem ser encontrados em folhas, raízes e frutos de certas variedades de plantas.

Será que temos mesmo de evitar estas plantas?

Nem todos os antinutrientes são maus. É impossível evitá-los todos e não nos sentiremos bem se os cortarmos radicalmente da nossa dieta. Em vez disso, precisamos evitar aqueles que causam grandes danos no nosso intestino ou aqueles que são gatilhos para reações mais agressivas do nosso organismo. Somente eliminando um alimento da dieta e reintroduzindo-o se pode determinar se esse alimento é prejudicial.

As cinco grandes mentiras sobre saúde
As cinco grandes mentiras sobre saúde

Lectinas

As lectinas são proteínas que causam problemas no sistema digestivo, aderindo à parede intestinal e criando permeabilidade intestinal.1 Quando a comida se move pelo trato gastrointestinal, ela atinge o revestimento do intestino, causando microtrauma. Normalmente, as células e os nossos mecanismos de proteção reparam esses danos  antes que isso leve a qualquer problema real. As lectinas atrapalham esse processo. Elas aderem às paredes do seu intestino, impedindo a reparação. O dano resultante causa inflamação de baixo nível no trato gastrointestinal.

Quando comemos muitas lectinas, a parede intestinal desenvolve “buracos” e o conteúdo passa para a corrente sanguínea, causando a síndrome do intestino permeável.

Existem milhares de variedades de lectinas pois elas estão presentes na maioria das espécies de plantas. Nem todas são tóxicas ou causam danos intestinais. As fontes mais comuns de lectinas incluem:

  • Grãos, 
  • Legumes, 
  • Solanáceas. 

Exemplos de plantas que contêm drasticamente mais lectinas do que outras fontes de alimentos, são os seguintes:

  • Trigo, 
  • Feijão, 
  • Quinoa, 
  • Ervilha, 
  • Amendoim, 
  • Batata branca, 
  • Tomate, 
  • Berinjela. 

Todos são suspeitos e podem causar problemas sem tu saberes! Quanto mais comemos, mais danos causam ao nosso corpo. Em vez disso, concentra-te em obter a maior parte dos nutrientes de alimentos de baixo risco. Dito isto, a sensibilidade à lectina varia muito de pessoa para pessoa. Pode comer lectinas de manhã, ao meio-dia e à noite e nunca ter problemas, no entanto podes ter um amigo que não pode tocar nessas plantas. Sabes que tens um problema com as lectinas se, depois de comer uma refeição rica em lectinas, sentires os seguintes sintomas:

  • Inflamação,
  • Confusão mental,
  • Enxaquecas,
  • Problemas gástricos,
  • Acne
  • Dor nas articulações.

Solanáceas

As lectinas das solanáceas, em particular, são um gatilho autoimune comum e podem causar sensibilidade em muitas pessoas. Para testar a tua sensibilidade, experimenta um almoço cheio de solanáceas tais como tomates, pimentões e batatas e analisa como te sentes depois.

Na maioria das vezes, podes eliminar ou reduzir o número de lectinas na comida cozinhando-a primeiro. O Dr. Steven Gundry, famoso cirurgião cardíaco, pesquisador, médico e autor, explica como diferentes métodos de preparação podem reduzir o teor de lectinas, o que minimiza os efeitos indesejáveis ​​dos antinutrientes.

“O cozimento sob pressão faz  um bom trabalho na destruição das lectinas. A ideia de deixar o feijão de molho com várias trocas de água definitivamente diminui as lectinas. O calor diminui as lectinas”, explica Gundry. “Mas existem documentos muito válidos que mostram que isso provavelmente não é suficiente para indivíduos muito sensíveis.”

Dicas de dieta:

  • Escolhe arroz branco em vez de arroz integral, as lectinas estão na casca do arroz;
  • A batata-doce tem drasticamente menos teor de lectinas do que a batata branca;
  • Evita a manteiga de amendoim pois as lectinas do amendoim causam uma resposta inflamatória na maioria das pessoas e não são destruídas pelo calor;

Ácido fítico (fitatos)

O ácido fítico, também conhecido como fitatos, é um dos antinutrientes mais perigosos, bloqueando a absorção de nutrientes pesados ​​como magnésio, zinco, cálcio e ferro, entre outros. Encontrado em grãos integrais, nozes, soja e sementes, o ácido fítico liga-se a esses minerais, impedindo a sua absorção.

Os fitatos também inibem as enzimas digestivas pepsina, tripsina e amilase. A amilase é necessária para a quebra do amido, enquanto a tripsina e a pepsina estão envolvidas na quebra da proteína. Quando essas enzimas não estão presentes nas quantidades certas, os alimentos não são processados ​​adequadamente e o nosso corpo perde os principais nutrientes.

Se o nosso corpo tem um grande influxo de fitatos, isso significa que há menos nutrientes para distribuir, mas o corpo também é substancialmente menos eficiente em quebrar os macronutrientes nos seus componentes mais básicos e nutritivos.

O nosso corpo pode lidar com uma certa quantidade de fitatos, mas é uma boa ideia eliminar as principais fontes para que os nossos minerais sejam absorvidos. Além disso, removê-los completamente de nossa dieta seria impossível.

Para construir músculos ou queimar gordura, o corpo precisa de uma certa quantidade de proteínas ou carboidratos. No entanto, essa quantidade depende em grande parte de quão saudável é nosso intestino. Isso porque um sistema digestivo otimizado requer menos comida para alimentar o corpo adequadamente.

O ácido fítico é mais concentrado no farelo de grãos, por isso prefere o arroz branco em vez do arroz integral. Nas leguminosas, o ácido fítico é encontrado na camada de cotilédones, que é muito mais difícil de remover, por isso leguminosas como feijão, lentilhas e soja devem ser consumidas com muito cuidado.

Cozinhar certos alimentos que são ricos em fitatos e depois drenar a água ou mergulhá-los em um ácido como limão ou vinagre reduz os fitatos, mas muitos dos grãos e sementes que contêm fitatos são irritantes para o intestino mesmo quando cozidos.

Dicas de dieta:

  • Evite a canola ou outros óleos de sementes; cozinhe com óleo de abacate, óleo de coco ou manteiga/ghee.
  • Evite o feijão pois é rico em carboidratos e não particularmente rico em nutrientes

Ácido oxálico (oxalatos)

Se gostas de batidos de espinafre e couve fica a saber que podes estar a causar mais mal do que bem ao teu organismo! O ácido oxálico é um composto antinutriente encontrado em muitas plantas, como vegetais crucíferos crus tais como:

  • Couve, 
  • Rabanete, 
  • Couve-flor, 
  • Brócolos  
  • Acelga, 
  • Espinafre, 
  • Salsa, 
  • Beterraba, 
  • Pimenta preta, 
  • Chocolate, 
  • Nozes, 
  • Frutas,
  • Feijão.

Quando os oxalatos se ligam ao cálcio no sangue, formam-se pequenos cristais de ácido oxálico que podem ser depositados em qualquer parte do corpo e causar dores musculares. Quando isso acontece nos rins, causa pedras nos rins. Os oxalatos também causam uma condição nas mulheres chamada vulvodinia, que leva ao sexo doloroso por causa dos cristais de ácido oxálico nos lábios.

Em pessoas sensíveis, mesmo pequenas quantidades de oxalatos causam queimação nos olhos, ouvidos, boca e garganta. Consumir grandes quantidades pode causar dor abdominal, fraqueza muscular, náusea e diarreia. As pessoas que comem grandes quantidades de vegetais crus podem ser particularmente suscetíveis.

Como os fitatos, os oxalatos podem ser reduzidos cozinhando e drenando a água, ou mergulhando em ácido. O magnésio e o zinco dietéticos adicionados ligam-se ao ácido oxálico, diminuindo substancialmente a absorção de oxalato.2

Dicas de dieta:

  • Nunca adicione couve crua, espinafre ou acelga a saladas ou batidos. Cozinhe-os a vapor primeiro.
  • Ao temperar as refeições, não use a pimenta preta para evitar oxalatos.

Glúten

O glúten é uma proteína encontrada no trigo, cevada, centeio e aveia que pode causar permeabilidade intestinal (ou seja, intestino permeável). “O problema com o glúten é que nenhum humano pode digeri-lo. É impossível digerir as proteínas do glúten que estão no trigo, cevada e centeio”, segundo o nutricionista certificado Tom O’Bryan, autor de “The Autoimmune Fix”.

O espectro de reação à indigestibilidade do glúten coloca as pessoas em duas categorias: 

  • Sensibilidade ao glúten celíaca 
  • Sensibilidade ao glúten não celíaca.

A maioria da população tem sensibilidade ao glúten não celíaca. Substâncias não digeríveis no sistema digestivo causam uma resposta imune, as respostas imunes assumem a forma de inflamação. A inflamação é, na maioria das vezes, a culpada por trás de nossa névoa cerebral, desconforto digestivo e absorção de nutrientes abaixo do ideal.

Grãos contendo glúten decompõem-se no intestino em compostos opióides chamados gluteomorfinas que acionam os mesmos receptores cerebrais que drogas opiáceas como a heroína, o que significa que são altamente viciantes.

Estruturalmente, o glúten é composto de dois tipos de proteínas de armazenamento, prolaminas e glutelinas.3 As glutelinas à base de trigo são chamadas gluteninas, que consistem em subunidades de alto peso molecular (HMW) e baixo peso molecular (LMW). Os produtos de trigo feitos com níveis mais elevados de HMW tendem a ser mais elásticos e consequentemente mais mastigáveis ​​como a massa de pizza; enquanto níveis mais baixos de HMW tendem a assumir a forma de doces.4 Originalmente, pensava-se que a giladina (a prolamina à base de trigo) era o principal antinutriente que contribui para o glúten, mas foi demonstrado que a glutenina é igualmente tóxica.5 Assim, mesmo quando comemos algo que parece mais leve, estamos a degradar o nosso seu sistema digestivo pois é na mesma uma forma de glúten.

O glúten está escondido em lugares além das fontes óbvias; produtos como molho de soja, cerveja e até carnes processadas contêm glúten o que pode estar prejudicar o nosso desempenho físico e mental.

Dicas de dieta:

  • Substitui qualquer farinha à base de trigo por farinha de mandioca para evitar o glúten;
  • Se bebes álcool, evita a cerveja e bebe vodka de batata ou gim para evitar o glúten em tua bebida.

Referências

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Fígado gordo cirrose não alcoólica e cancro hepático causas e prevenção

Pessoas que não consomem álcool podem desenvolver fígado gordo ou esteatose hepática aumentando o risco de cirrose não alcoólica grave e carcinoma hepatocelular. Descubra toda a verdade sobre este perigo oculto! O que significa, quais os sintomas, quais as causas, qual o melhor tratamento e qual a prevenção mais adequada.

Fígado gordo é um problema de saúde crescente e relevante que pode causar uma grave doença denominada cirrose hepática não alcoólica, que se instala lentamente e afeta milhares de pessoas sem que a maioria se aperceba atempadamente do perigo que corre, pois os sintomas, na fase inicial, são discretos.

Este artigo pretende ser uma ferramenta importante para ajudar a detetar os sinais precoces desta perigosa condição de saúde, ajudar a corrigir os principais hábitos de vida e erros alimentares e, talvez, salvar muitas vidas!

Leia também: Estes são os piores óleos alimentares!

Fígado gordo e cirrose não alcoólica
Fígado gordo e cirrose não alcoólica

Neste artigo vou tratar os seguintes temas:

  • Anatomia do fígado
  • Figado o que é e qual a função?
  • Figado gordo o que é?
  • Sintomas
  • Causas
  • Perigos e complicações
  • Cirrose hepática não alcoólica
  • Tratamentos
  • Prevenção
As cinco grandes mentiras sobre saúde
As cinco grandes mentiras sobre saúde

Fígado

O fígado é a maior glândula e o maior órgão maciço do corpo humano. Funciona como glândula exócrina, libertando secreções num sistema de canais que se abrem numa superfície externa, e também como glândula endócrina, pois também liberta substâncias no sangue ou nos vasos linfáticos.

Localiza-se no hipocôndrio direito, epigástrio e pequena porção do hipocôndrio esquerdo, sob o diafragma e tem um peso aproximado de 1,3-1,5 kg num homem adulto e ligeiramente menos numa mulher. Em crianças é proporcionalmente maior, pois constitui cerca de 5% do peso total de um recém nascido.

Localização do fígado

Anatomia e localização abdominal

Leia também: Dor de barriga, estas são as mais perigosas!

Funções do fígado

O fígado é o segundo maior órgão do corpo e desempenha inúmeras funções, tanto na digestão e utilização dos nutrientes, como na remoção de substâncias prejudiciais, além de uma boa regulação da coagulação. Em termos simples o figado tem três principais funções:

  • Digerir alimentos;
  • Armazenar energia;
  • Remover substâncias tóxicas.

Em algumas espécies animais o metabolismo alcança a atividade máxima logo depois da alimentação o que diminui a capacidade de reação a estímulos externos. Em outras espécies, o controle metabólico é estável, sem diminuição desta reação. Esta diferença é determinada pela função reguladora do figado, órgão essencial da coordenação fisiológica.

Leia também: Estes são os segredos do nosso metabolismo!

Em mais detalhe, as funções do fígado mais relevantes são as seguintes:

  • Desintoxicação do organismo;
  • Produção de bile, cerca de 1,5 litros por dia;
  • Emulsificação de gorduras facilitando o processo digestivo destas, através da secreção da bile;
  • Síntese do colesterol;
  • Reciclagem de hormonas;
  • Armazenamento das vitaminas A, B12, D, E e K;
  • Armazenamento de alguns minerais como o ferro;
  • Conversão de amónia em ureia;
  • Síntese de protrombina e fibrinogénio (fatores de coagulação do sangue);
  • Destruição das hemácias (glóbulos vermelhos) envelhecidas ou danificadas;
  • Transformação de glicose em glicogénio para ser armazenado como reserva de energia;
  • Síntese, armazenamento e quebra do glicogénio quando é necessária glicose para produção de energia;
  • Lipogênese, a produção de triacilglicerol (formação de gorduras);
  • Síntese de albumina (importante para a osmolaridade do sangue);
  • Síntese de angiotensinógeno (hormona que aumenta a pressão sanguínea quando ativada pela renina);
  • No primeiro trimestre de gravidez é o principal produtor de eritrócitos, no entanto perde essa função nas últimas semanas de gestação;
  • Sintese de heparina e vitamina A;
  • Ação antitóxica importante, processando e eliminando os elementos nocivos de bebidas alcoólicas, café, barbitúricos, gorduras, medicamentos e outras substâncias potencialmente tóxicas;
  • Papel vital no processo de absorção de alimentos.

Leia também: Esta é a melhor forma de desintoxicação!

Destruição das hemácias no fígado

O fígado tem um papel na destruição das hemácias (glóbulos vermelhos), mas o principal local onde isso ocorre é no baço.

As hemácias têm uma vida útil de aproximadamente 120 dias. Quando envelhecem, são removidas da circulação principalmente no baço, num processo chamado hemocaterese. No entanto, o fígado também contém células especializadas (células de Kupffer) que participam na fagocitose de hemácias velhas ou danificadas. 

Após a destruição, os componentes das hemácias são processados:

  • O ferro é recuperado e transportado (pela transferrina) para a medula óssea para ser reutilizado na produção de novas hemácias.
  • A hemoglobina é decomposta e convertida em bilirrubina, que é então processada pelo fígado e excretada na bile. 

Fígado gordo o que é?

Fígado gordo ou esteatose hepática (EH) é uma deposição difusa de gordura, principalmente triglicéridos, nos hepatócitos (células do fígado), excedendo habitualmente 5% do peso do fígado.

Numa tese de mestrado em Nutrição da Faculdade de Medicina de Lisboa, citam-se estudos realizados entre 2004 e 2013 que referem prevalência de estenose hepática como sendo de 26,0% na China, 21,8% no Japão e 31% nos Estados Unidos, sendo superior em certos grupos étnicos (45% nos hispânicos). Isto significa que atualmente, com o aumento da obesidade na população, os números serão certamente ainda piores!

Prevalência na população

Dados interessantes sobre a prevalência de fígado gordo, referem o seguinte cenário:

  • Presente em cerca de 20% a 30% da população independentemente da idade, género ou etnia.
  • Maior prevalência em homens, principalmente em idades mais avançadas, e também nas mulheres pós-menopáusicas.
  • Pode atingir cerca de 3% das crianças (com idades próximas aos quatro anos) e 20% a 50% das crianças obesas.

Esteatose hepática classificação

A estetose hepática é habitualmente classificada de acordo com os consumos de álcool e após exclusão de hepatites B ou C em:

  • Esteatose hepática alcoólica (EHA)
  • Esteatose hepática não alcoólica (EHNA)

Sintomas

A maioria dos doentes não apresenta sintomas numa fase inicial o que torna esta doença ainda mais perigosa pois permite que avance de forma oculta e por vezes até atingir uma fase de difícil reversão. Por vezes, podem surgir as seguintes manifestações clínicas:

  • Cansaço,
  • Dor ou desconforto no quadrante superior direito do abdómen,
  • Perda de apetite,
  • Náuseas e vómitos,
  • Dor de cabeça,
  • Fezes esbranquiçadas,

Sintomas em fase avançada da doença

Numa fase avançada da doença, já com lesão e inflamação do fígado, aparecem os seguintes sintomas:

  • Icterícia (cor amarelada nos olhos e na pele),
  • Febre,
  • Ascite ou barriga inchada (distensão do abdómen por acumulação de líquido).

Causas

Pensa-se que a patogénese destas doenças esteja relacionada com um processo de duas fases, onde numa primeira fase ocorre acumulação de ácidos gordos no fígado, levando à esteatose hepática ou fígado gordo.

Este desenvolvimento de esteatose está relacionado com o excesso de consumo de álcool no caso da esteatose hepática alcoólica.

A gordura que é ingerida é metabolizada no fígado e noutros tecidos. Se ela for excessiva, fica armazenada no tecido adiposo. Daí pode ser transferida para outros locais e também para o fígado. Noutros casos, a gordura acumula-se neste órgão que se revela incapaz de a transformar para ser eliminada.

Cerca de 80% dos consumidores de álcool desenvolvem esta patologia porque o álcool permite uma rápida acumulação de ácidos gordos no fígado.

Doença do fígado gordo não alcoólica

A esteatose hepática não alcoólica surge em pessoas que não consomem alcool e o seu desenvolvimento está intrinsecamente ligado aos seguintes factores principais:

  • Obesidade, principalmente visceral;
  • Dislipidémia (colesterol e triglicéridos elevados);
  • Resistência à insulina (diabetes).

A acumulação de gordura hepática predispõe o fígado ao dano hepático na segunda fase do processo, onde ocorre necrose, inflamação, fibrose e por fim, cirrose hepática.

As causas secundárias de esteatose hepática não alcoólica ou doença do fígado gordo não alcoólica são diversas, sendo muito importantes as descritas na seguinte tabela.

Causas secundárias da
esteatose hepática não alcoólica
Exemplos
NutricionaisMalnutrição
Perda rápida de peso
MetabólicasLipodistrofia
Farmacológica/medicamentosAmiodarona
Estrogénios
Corticosteroides
Tamoxifeno
Antiretrovirais
Tetraciclinas
Ingestão de toxinasProdutos quimicos
Cogumelos (algumas espécies)
OutrasSindrome do intestino irritável também denominado cólon irritável ou colite nervosa

Evolução da doença

A estenose hepática não alcoólica é uma condição normalmente benigna e reversível, sendo a sua progressão para fibrose e cirrose denominada esteatohepatite não alcoólica (nonalcoholic steatohepatitis, NASH) e representa um estado mais grave da doença. Estima-se que nos Estados Unidos, a NASH afete cerca de 3-6% da população, com 30% de morbilidade em pacientes obesos.

Não são totalmente compreendidos os determinantes na progressão desta doença, que pode afetar tanto crianças como adultos. Entre 45% e 100% dos pacientes com fígado gordo não apresentam sintomas, revelando-se assim, como uma doença “silenciosa”.

A gravidade na estenose hepática não alcoólica depende não só das consequências tardias, como a cirrose e o carcinoma hepatocelular, mas também das elevadas taxas de eventos cardiovasculares associados, que fazem desta doença um problema de saúde pública relevante

Diagnóstico

As técnicas de diagnóstico mais usadas são as descritas na tabela seguinte.

Técnica de diagnósticoObjetivo
Ecografia abdominalRevelar o volume do fígado
Análises ao sangue em doentes obesos, diabéticos e/ou dislipidémicosDetetar aumento das enzimas hepáticas denominadas transaminases
BiópsiaConfirmar o diagnóstico e avaliar o grau de inflamação

As principais alterações laboratoriais na esteatose hepática são as elevações das seguintes enzimas hepáticas:

  • Aspartato aminotransferase (AST);
  • Alanina aminotransferase (ALT);
  • Gamaglutamiltransferase (GGT), esta mais comum no diagnóstico de consumo crónico de álcool.

Biópsia e exames de imagem

As enzimas hepáticas poderão refletir um meio de rastreio, porém não poderão ser meio de diagnóstico na EH, pois cerca de 70% dos indivíduos com estenose hepática não apresenta estas alterações enzimáticas.
.
Atualmente, a biópsia hepática é o exame mais eficaz para o diagnóstico da EH, porém tornaram-se necessárias técnicas de rastreio menos invasivas e mais acessíveis, mas igualmente precisas.

Os exames complementares de imagem (ecografia abdominal,
tomografia computadorizada ou ressonância magnética nuclear) são capazes de identificar a presença de estenose hepática de forma rápida e não invasiva para o paciente.

Tratamento e prevenção

Não existem medicamentos eficazes para tratar o fígado gordo. Vale a pena sublinhar que, nas suas fases iniciais, o fígado gordo é reversível mas para que tal acontece é de facto obrigatório que faça alterações alimentares e de estilo de vida. Se não o fizer o “preço a pagar” pode ser a sua vida!

Descrevo de seguida, por experiência pessoal e profissional, as prioridades para reverter, ainda a tempo, o excesso de gordura hepática e visceral. Clique nos links para saber mais sobre cada um dos temas da lista seguinte. Assim deve controlar os seguintes parâmetros e aplicar os seguintes hábitos:

Concluindo sobre o fígado gordo

Embora a maioria dos casos tenha evolução benigna, é possível a evolução para cirrose que é uma grave doença hepática e potencialmente fatal! Este risco aumenta nos doentes obesos, com mais idade, diabéticos e nos que já apresentam inflamação do fígado (chamada esteatohepatite não alcoólica).

Referências bibliográficas

5 Medicamentos comuns mais perigosos

As mortes por sobredosagem ou por efeitos adversos de medicamentos são um problema significativo de saúde pública tanto nos Estados Unidos como na Europa. Nos Estados Unidos, estimou-se que cerca de 107543 pessoas morreram de sobredosagem de drogas em 2023, com os opioides sintéticos, nomeadamente o Fentanilo, como principal contributo, segundo o jornal The Guardian.

Na Europa, segundo o relatório da EMCDDA/EUDA  (Monitoring Centre for Drugs and Drug Addiction / European Union Drugs Agency), estimou-se que cerca de 7 500 mortes induzidas por droga ocorreram em 2023 (na União Europeia), com os opioides envolvidos em mais de dois terços desses casos. euda.europa.eu

Em particular, o uso concomitante de opioides com benzodiazepinas ou outros sedativos aumenta substancialmente o risco de morte por sobredosagem, segundo estudos disponíveis na PubMed. Estes dados evidenciam que, mesmo quando prescritos legalmente, certos medicamentos de uso frequente merecem vigilância reforçada e uma boa gestão clínica.

Neste contexto, o presente artigo analisa alguns dos medicamentos mais frequentemente utilizados — tanto em medicina de rotina como em contextos de dor crónica ou ansiedade/insónia, que se associam a riscos elevados, apresentando-se os seus princípios ativos, indicações terapêuticas, efeitos adversos, formas farmacêuticas e posologia típica. O objetivo é reforçar a consciência sobre os riscos associados e promover uma prescrição e utilização mais cuidadosa.
(Nota: não se descrevem todas as centenas de medicamentos com risco, apenas alguns exemplos representativos com evidência científica disponível.)


Índice de temas

  • Opioides para dor: Oxycodona
  • Benzodiazepinas e sedativos-hipnóticos: Alprazolam
  • Analgésicos combinados e hipnóticos: Tramadol
  • Gabapentinoides: Gabapentina e Pregabalina
  • Outros sedativos ou antiepilépticos usados off-label: Gabapentina
As cinco grandes mentiras sobre saúde
As cinco grandes mentiras sobre saúde

Oxycodona

Nome comercial: Por exemplo, OxyContin®, Roxicodone® (dependendo do país)
Princípio activo (nome científico): Oxycodona
Indicação terapêutica: Analgésico opioide indicado para dor moderada a grave, quando são adequadas terapias com opioides.
Laboratório produtor / nacionalidade: Inicialmente Purdue Pharma (EUA) para a formulação original OxyContin. Subsequentemente genéricos produzidos por várias empresas.

Atividade terapêutica: Actua como agonista dos recetores µ-opioides no sistema nervoso central, reduzindo a transmissão da dor e produzindo sedação, euforia e supressão respiratória.
Inovador ou não: A oxycodona é um opioide estabelecido há décadas, não se considera “inovadora” no sentido de terapias recentes.

Principais efeitos secundários / adversos

Sedação, náuseas/vómitos, obstipação, depressão respiratória, dependência, hipersensibilidade, risco de sobredosagem. Estudos forenses mostram que em mortes por intoxicação com oxycodona existiam frequentemente outros depressores do Sistema Nervoso Central (SNC). PubMed
Forma farmacêutica e posologia típica: Pode existir em comprimidos de libertação imediata (IR) ou prolongada (SR/ER). A posologia depende da intensidade da dor e da experiência anterior com opioides. Por exemplo, a formulação de libertação imediata pode começar por 5 a 10 mg de 4/4 horas para dor aguda, enquanto a de libertação prolongada pode variar consoante a dose de manutenção e escalonamento.

Observações de risco: Um estudo retrospectivo mostrou que, entre 2.241.530 utilizadores de opioides, a exposição concomitante a benzodiazepinas ou sedativos/hipnóticos aumentou o risco de sobredosagem em ~60% comparado a opioides sozinhos (PubMed). Outro estudo encontrou que em mortes por intoxicação por oxycodona existia 5,6 vezes mais probabilidade de ter outros depressores do SNC associados (PubMed).
Notas: A prescrição de oxycodona exige monitorização cuidadosa do paciente, avaliação do risco de abuso/dependência e evitar associações perigosas.


Alprazolam

Nome comercial: Xanax®, Alprox® (varia por país)
Princípio activo (nome científico): Alprazolam
Indicação terapêutica: Tratamento de transtornos de ansiedade, ataques de pânico.
Laboratório produtor / nacionalidade: Originalmente Pfizer (EUA) entre outros.


Atividade terapêutica: Benzodiazepina que potencia a acção do neurotransmissor GABA no recetor GABA-A, provocando efeito sedativo, ansiolítico, relaxante muscular e anticonvulsivante.
Inovador ou não: Embora relevante na sua categoria, é uma molécula estabelecida há décadas, não inovadora recente.

Principais efeitos secundários / adversos

Sonolência, ataxia, confusão, amnésia retrógrada, tolerância, dependência, risco de abstinência grave e risco elevado de depressão respiratória e morte, especialmente em combinação com opioides ou álcool . Estudos mostram que a toxicidade isolada é rara, mas em polifarmácia torna-se grave (Medscape).
Forma farmacêutica e posologia típica: Comprimidos orais de 0,25 mg, 0,5 mg, 1 mg, 2 mg. Posologia comum para ansiedade: 0,25 a 0,5 mg 2 a 3 vezes por dia; para ataques de pânico pode ser 0,5 a 1 mg 3 vezes por dia, ajustando conforme resposta e tolerância.

Observações de risco: A combinação com opioides ou álcool aumenta significativamente o risco de mortalidade; por exemplo, entre veteranos em tratamento com analgésicos opioides, a prescrição concomitante de benzodiazepinas multiplicou o risco de morte por sobredosagem (HR ~3,86) comparado com quem não tomava benzodiazepinas (PubMed).
Notas: Deve-se evitar o uso prolongado e prescrever apenas o mínimo necessário, com plano de cessação quando adequado.


Tramadol

Nome comercial: Ultram®, Tramal® (dependendo do país)
Princípio activo (nome científico): Tramadol (cloridrato de tramadol)
Indicação terapêutica: Analgésico para dor moderada a grave – frequência em dor crónica e dor oncológica em algumas jurisdições.
Laboratório produtor / nacionalidade: Originalmente Grünenthal (Alemanha).

Atividade terapêutica: Atua por duas vias principais, agonista fraco dos recetores µ-opioides + inibição da recaptação de noradrenalina e de serotonina.
Inovador ou não: Quando introduzido, ofereceu alternativa aos opioides clássicos; contudo já está amplamente estabelecido.

Principais efeitos secundários / adversos

Náuseas, tonturas, sudorese, obstipação, sonolência, convulsões (em doses elevadas ou em combinação com inibidores de serotonina), risco de abuso/dependência e risco de sobredosagem. Algumas evidências apontam para envolvimento em mortes por medicamentos prescritos. Por exemplo: “Prescription histories and dose strengths associated with overdose deaths” refere tramadol entre os opioides associados. OUP Academic
Forma farmacêutica e posologia típica: Comprimidos de 50 mg, formulações de libertação prolongada (100 mg, 200 mg). Posologia típica para dor moderada: 50–100 mg cada 4–6 horas, com dose máxima diária de por exemplo 400 mg (varia por país). Para formulações de libertação retardada: 100 mg a 200 mg de 12/12 horas.

Observações de risco: Apesar de por vezes considerado “menos forte” que opioides clássicos, o risco de sobredosagem existe, especialmente se combinado com outros depressores do SNC ou no contexto de polimedicação.
Notas: Monitorizar função renal/hepática, estado epiléptico, interações farmacológicas (ex: com inibidores de CYP450/recaptação de serotonina).


Pregabalina

Nome comercial: Lyrica®
Princípio activo (nome científico): Pregabalina
Indicação terapêutica: Neuropatia diabética, fibromialgia, dor neuropática periférica ou central, e como terapia adjunta em certas formas de epilepsia.
Laboratório produtor / nacionalidade: Pfizer / Eli Lilly (EUA) – dependendo da licença em cada mercado.

Atividade terapêutica: Liga-se à subunidade α₂δ dos canais de cálcio dependentes de voltagem no SNC, reduzindo a libertação de neurotransmissores excitatórios (glutamato, noradrenalina, substância P).
Inovador ou não: Na data da sua introdução constituiu avanço relativamente aos tratamentos existentes para dor neuropática e fibromialgia, podendo considerar-se inovador na sua classe.

Os gabapentinoides são uma classe de medicamentos derivados do neurotransmissor ácido gama-aminobutírico (GABA), como a gabapentina (por exemplo, Neurontin) e a pregabalina (por exemplo, Lyrica). Embora tenham sido originalmente desenvolvidos para tratar convulsões, são atualmente usados para várias outras condições.

Principais efeitos secundários / adversos

Tonturas, sonolência, edema periférico, ganho de peso, secura na boca; em contexto de uso abusivo ou com depressão respiratória associada (ex: com opioides) observou-se aumento de risco de morte: o relatório europeu aponta que em alguns países a pregabalina/gabapentina estiveram presentes em mortes por intoxicação (euda.europa.eu).
Forma farmacêutica e posologia típica: Cápsulas de 25 mg, 50 mg, 75 mg, 100 mg, 150 mg, 200 mg, 300 mg. Posologia habitual para dor neuropática: 150 mg/dia, podendo aumentar para 300 mg/dia conforme tolerância e eficácia, muitas vezes distribuída em duas tomadas.

Observações de risco: Embora seja uma medicação importante, requer vigilância em pacientes com risco de abuso ou combinados com outros depresores do SNC.
Notas: Avaliação prévia de função renal e ajuste posológico se insuficiência renal.


Gabapentina

Nome comercial: Neurontin® (entre outros)
Princípio activo (nome científico): Gabapentina
Indicação terapêutica: Epilepsia (como terapia adjunta), dor neuropática periférica, síndrome das pernas inquietas.
Laboratório produtor / nacionalidade: original da Pfizer (EUA).

Atividade terapêutica: É análogo do GABA, embora não actue directamente nos recetores GABA; pensa-se que modula os canais de cálcio α₂δ, reduzindo excitabilidade neuronal.
Inovador ou não: Na altura da sua introdução foi relevante; actualmente é uma medicação padrão.

Principais efeitos secundários / adversos

Tonturas, sonolência, ataxia, ganho de peso, edema; existe evidência de que gabapentina está associada a efeitos adversos graves quando combinada com opioides ou em uso abusivo (o relatório da EMCDDA menciona “pregabalina ou gabapentina” detectadas em algumas mortes por intoxicação). euda.europa.eu
Forma farmacêutica e posologia típica: Comprimidos de 300 mg, 400 mg; cápsulas de 100 mg, 300 mg. Posologia para dor neuropática: iniciar 300 mg ao deitar, depois 300 mg de manhã + 300 mg à noite (600 mg/dia), podendo aumentar até 900–3600 mg/dia em 3 a 4 tomadas (varia segundo local e indicação).

Observações de risco: Importante monitorizar em casos de polimedicação, em especial com depressão respiratória potencial ou abuso de substâncias.
Notas: A sua utilização “off-label” deve ser feita com precaução e sob monitorização.


Conclusão

Este artigo procurou evidenciar que vários medicamentos de uso relativamente frequente, como opioides (oxycodona, tramadol), benzodiazepinas (alprazolam) e fármacos adjuvantes para dor ou sistema nervoso (pregabalina, gabapentina), envolvem riscos importantes de sobredosagem, efeitos adversos graves ou mortalidade, sobretudo quando utilizados em combinação com outros depressivos do sistema nervoso central, ou em situações de polimedicação, uso indevido ou vulnerabilidade do doente.

Os dados mostram que, embora prescritos legalmente, estes fármacos exigem sempre grande atenção clínica, nomeadamente, prescrição criteriosa, monitorização, avaliação de risco de dependência/abuso, e educação do doente. Em termos de saúde pública, as estatísticas de sobredosagem nos EUA e na Europa indicam que há margens para melhorar a segurança do uso de medicamentos prescritos, reforçar vigilância farmacológica e aplicar estratégias de redução de danos.

Se desejar, posso expandir este artigo para incluir mais medicamentos (por exemplo anti-arrítmicos, anticoagulantes, psicotrópicos) ou aprofundar-se em cada classe com tabelas comparativas de risco, evidência epidemiológica e directrizes de segurança.


Referências bibliográficas

  1. Prescription histories and dose strengths associated with overdose deaths. Pain Medicine. 2014;15(7):1187-93. OUP Academic
  2. A Study of Deaths Involving Oxycodone. J Forensic Sci. 1994;39(4):… PubMed
  3. Oxycodone-Related Deaths: The Significance of Pharmacokinetic and Pharmacodynamic Drug Interactions. Int J Legal Med. 2022;136(3):935-944. PMC. PubMed
  4. Risk of Overdose with Exposure to Prescription Opioids, Benzodiazepines, and Non-benzodiazepine Sedative-Hypnotics in Adults: a Retrospective Cohort Study. JAMA Netw Open. 2020;3(12):e2023720. PubMed
  5. Alprazolam is relatively more toxic than other benzodiazepines in overdose. Br J Clin Pharmacol. 2004;58(1):69-73. bps.ac.uk
  6. Benzodiazepines and Z-Drugs: An Updated Review of Major Adverse Outcomes Reported on in Epidemiologic Research. Front Psychiatry. 2017;8:48. PMC. PubMed
  7. Benzodiazepine prescribing patterns and deaths from drug overdose among US veterans receiving opioid analgesics: case-cohort study. BMJ. 2015;350:h2698. PubMed
  8. Long-term adverse effects of benzodiazepine use. Research, Society and Development. 2022;11(14):e131111536322. RSD Journal
  9. Drug-induced deaths – the current situation in Europe. European Drug Report 2025. EMCDDA/EUDA. 2025. euda.europa
  10. European Drug Report 2024: Trends and Developments. EMCDDA. 2024. IFGC

Manchas castanhas e escuras na face mecanismos, causas, terapias e prevenção

As manchas castanhas ou escuras na face, conhecidas genericamente como hiperpigmentações, são uma queixa frequente em dermatologia estética e dermatologia clínica. Entre os tipos mais estudados está o melasma, que afeta sobretudo mulheres em idade reprodutiva. A sua prevalência varia conforme o grupo étnico, exposição solar e fototipo, sendo mais comum em populações com pele mais pigmentada.

Por exemplo, em populações asiáticas ou latino-americanas com fototipos médios a altos, a prevalência pode atingir entre 20 % a 30 % ou mais (dependendo dos critérios usados) (ver revisão “Melasma: an Up-to-Date Comprehensive Review”) (¹). Em revisões de terapias de hiperpigmentação, considera-se que o melasma e outras hiperpigmentações são desafios crónicos pelo seu carácter recorrente e pela dificuldade de manutenção dos resultados (ver “Hyperpigmentation Therapy: A Review”) (²).

Este artigo examina, em detalhe, as alterações fisiológicas da pele relacionadas com pigmentação, as causas das manchas escuras faciais, os mecanismos intervenientes, as principais opções terapêuticas tópicas e sistémicas com respaldo científico até 2025, bem como hábitos e mudanças de estilo de vida para prevenção ou minimização dessas manchas.

Índice

  • Alterações fisiológicas na pele e no processo de pigmentação.
  • Principais tipos e causas de hiperpigmentação facial.
  • Mecanismos celulares e moleculares envolvidos.
  • Terapêuticas tópicas: cremes e combinações formuladas.
  • Terapêuticas orais e sistémicas e/ou suplementos.
  • Evidência científica, até 2025, de ingredientes ou tratamentos eficazes.
  • Hábitos e modificações no estilo de vida para prevenção e manutenção da saúde da pele facial.
  • Considerações clínicas, diretrizes e limitações.
  • Conclusão e recomendações integradas.

As cinco grandes mentiras sobre saúde
As cinco grandes mentiras sobre saúde

Alterações fisiológicas na pele e no processo de pigmentação

Para entender o surgimento de manchas escuras, convém recordar a biologia da pele e do processo de pigmentação:

Estrutura da pele e localização dos melanócitos

  • A pele é composta por três camadas principais: epiderme (mais superficial), derme e hipoderme (mais profunda).
  • Os melanócitos localizam-se principalmente na camada basal da epiderme.
  • Cada melanócito produz melanina dentro de organelas chamadas melanossomas, e esses melanossomas são transferidos para os queratinócitos vizinhos.
  • A melanina pode ser de dois tipos principais: eumelanina (pigmento castanho-escuro) e feomelanina (pigmento mais claro / avermelhado).
Estrutura da pele Anatomy, Skin (Integument), Epidermis PubMed
Estrutura da pele – Anatomy, Skin (Integument), Epidermis (Fonte: PubMed)

Processo de melanogénese e regulação

  • A enzima tirosinase é central na síntese de melanina: converte a tirosina em DOPA e daí para intermediários que levam à melanina.
  • Outras enzimas envolvidas incluem TRP-1 e TRP-2 (tyrosinase-related proteins), dopachrome tautomerase, entre outras.
  • A expressão dessas enzimas é regulada por fatores internos como genética, hormonas, citocinas e também fatores externos como radiação ultravioleta, stress oxidativo, inflamação.
  • Quando a pele é exposta à radiação ultravioleta (UV), gera-se stress oxidativo (espécies reativas de oxigénio — ROS) que ativa vias de sinalização (por exemplo MAPK, NF-κB), estimulando a expressão de tirosinase e facilitando a pigmentação adicional.
  • Também fatores como citocinas inflamatórias (IL-1, TNF-α), fatores de crescimento, alterações vasculares (por exemplo no melasma há evidência de aumento da vascularização dérmica que pode modular pigmentação) contribuem para intensificar a produção de melanina ou a persistência da pigmentação.

Melanina acumulação e persistência

  • Se a produção ou distribuição de melanina for excessiva numa região localizada, ultrapassando a capacidade de renovação epidérmica ou de “clareamento fisiológico” da pele, surge uma mancha visível.
  • A pele tem um mecanismo fisiológico de renovação celular em que os queratinócitos com melanina incorporada vão sendo descamados ao longo do tempo. Se esse mecanismo for superado pelo estímulo contínuo de pigmentação, a mancha pode persistir ou aumentar.

Nesta interação entre produção, transferência e remoção de melanina é que reside a base terapêutica das intervenções despigmentantes.


Causas e tipos de hiperpigmentação facial

Nem todas as manchas escuras faciais têm a mesma origem ou características. Aqui ficam as principais categorias e as suas causas:

Melasma (cloasma)

  • É caracterizado por manchas simétricas castanhas ou acinzentadas, sobretudo nas bochechas, testa, lábio superior.
  • Fatores desencadeantes incluem hormonas (gravidez, conhecida como “máscara da gravidez”, uso de contraceptivos hormonais, terapias hormonais de substituição), exposição solar, predisposição genética e alterações vasculares dérmicas.
  • O melasma tende a ser crónico e recidivante, com melhorias seguidas de recaídas se não mantido o tratamento e proteção solar (ver “Melasma: an Up-to-Date Comprehensive Review”) (¹).
  • Nas principais diretrizes de gestão médica, a combinação tópica (triple therapy) e a fotoproteção são consideradas pilares no tratamento (ver “Medical Management of Melasma”) (³).

Lentigos solares / lentigos senis (“manchas de idade”)

  • Manchas bem delimitadas castanhas, localizadas em áreas expostas ao sol (face, mãos, decote).
  • Resultam da exposição solar crónica e do envelhecimento da pele, com acumulação de melanina e alterações dérmicas locais.

Hiperpigmentação pós-inflamatória (PIH)

  • Surge como resposta a uma inflamação ou lesão cutânea (acne, queimaduras solares, procedimentos dermatológicos).
  • Em peles de fototipos médios/altos, é especialmente comum porque a resposta pigmentária é mais pronunciada (ver revisão “Post-Inflammatory Hyperpigmentation in Dark Skin: Molecular Perspectives”) (⁴).
  • Os mecanismos fisiológicos incluem ativação de melanócitos por mediadores inflamatórios, liberação de citocinas e indução de vias que estimulam a pigmentação.

Manchas por contacto ou cosméticos fotossensibilizantes

  • Alguns cosméticos, perfumes ou substâncias químicas fotossensíveis podem desencadear hiperpigmentação.
  • Em pessoas com predisposição, esse efeito cumulativo pode provocar manchas persistentes.

Alterações hormonais e metabólicas

  • Em situações como resistência à insulina ou síndrome metabólica, pode ocorrer acantose nigricans (manchas escuras em dobras, mas que às vezes se estendem a zonas faciais).
  • Alterações hormonais podem modular a pigmentação via efeitos diretos nos melanócitos.

Pigmentos exógenos ou deposição

  • Em casos raros, há deposição de substâncias exógenas (ex: metais pesados, uso de maquiagem com pigmentos persistentes) que provocam manchas localizadas.

Em resumo, muitos desses fatores atuam de forma combinada, juntando alguns ou todas as seguintes causas:

  • Predisposição genética
  • Estímulo solar (exposição solar desadequada)
  • Hormonas em desequilíbrio
  • Inflamação (aguda ou crónica)
  • Uso cosmético impróprio.

Mecanismos celulares envolvidos

Para aprofundar, estes são alguns mecanismos-chave que permitem a persistência ou o agravamento de manchas:

  • Stress oxidativo / ROS
    A radiação UV gera ROS, que ativam vias de sinalização (MAPK, NF-κB), elevando expressão de tirosinase e fatores prometedores de pigmentação.
  • Inflamação local e citocinas
    Citocinas como IL-1, IL-6, TNF-α e outras moléculas pró-inflamatórias estimulam a atividade dos melanócitos ou promovem libertação de mediadores que reforçam a pigmentação.
  • Transporte de melanossomas
    Um ponto crucial: não basta produzir melanina, é necessário que os melanossomas sejam transportados do melanócito para queratinócitos. Interferir nesse transporte (via inibição de transporte vesicular, proteínas envolvidas no tráfego) pode reduzir a pigmentação visível.
  • Persistência da melanina / inibição da degradação
    Alguns fatores podem dificultar que a melanina incorporada nos queratinócitos seja eliminada ou degradada, prolongando a mancha.
  • Relações vasculares (no melasma)
    Estudos mostram que o melasma frequentemente apresenta maior vascularização dérmica, sugerindo que fatores vasculares (via VEGF, endotelin-1) possam modular a pigmentação de forma paracrina ou seja nas células mais próximas.
  • Alterações na barreira epidérmica / permeabilidade
    Barreiras cutâneas comprometidas permitirão penetração de mais agentes pigmentantes ou mediadores, além de dificultar a remoção natural da melanina.

Esses mecanismos mostram que uma abordagem eficaz muitas vezes exige vários alvos terapêuticos simultâneos, tais como:

  • Inibir a tirosinase,
  • Reduzir inflamação e ROS,
  • Bloquear o transporte de melanina,
  • Promover remodelação epidérmica.

Terapêuticas tópicas: cremes e combinações

O tratamento tópico constitui a base da abordagem das manchas escuras faciais. De seguida descrevo os principais agentes e os seus papéis, bem como exemplos de combinações eficazes.

Agentes tópicos clássicos e alternativos

Hidroquinona (HQ)

  • É considerada um padrão histórico de despigmentante: inibe irreversivelmente a tirosinase.
  • Porém, seu uso exige cautela: pode causar irritação, risco de ocronose exógena (em uso crónico) e outras reações adversas. Na ocronose externa, pode inibir-se uma via metabólica que leva à acumulação de ácido homogentísico na pele, resultando em manchas escuras. Os sintomas deste tipo de ocronose são o aparecimento de manchas castanhas-acinzentadas na pele, principalmente nas áreas onde o produto foi aplicado. As manchas podem tornar-se mais escuras com o tempo e muitas vezes são resistentes aos tratamentos convencionais para manchas de pele. É comum que seja confundida com uma piora do melasma.
  • Em protocolos modernos, prefere-se usá-la por períodos limitados, muitas vezes em combinação com outros agentes (ver “TOPICAL TREATMENT OF MELASMA”) (⁵).

Combinação tripla

Combinação tripla (triple combination: HQ + ácido retinóico + corticosteroide)

  • Essa formulação combinada é frequentemente considerada primeira linha no tratamento do melasma, porque une efeito despigmentante + renovação epidérmica + efeito anti-inflamatório. (⁵)
  • No entanto, deve ser usada por períodos limitados (tipicamente até 8-12 semanas) e com supervisão.

Ácido azelaico

  • Atua por inibição da tirosinase e tem propriedades anti-inflamatórias.
  • Revisões e metanálises mais recentes indicam que o ácido azelaico pode superar a hidroquinona nos resultados de MASI (índice de gravidade do melasma) em alguns estudos (ver “Azelaic Acid Versus Hydroquinone for Managing Patients With Melasma Systematic Review & Meta-Analysis”) (⁶).
  • Em análises sistemáticas, o ácido azelaico demonstrou ser mais eficaz que veículo em melasma (ver “A systematic review to evaluate the efficacy of azelaic acid …”) (⁷).
  • Fórmulas lipossomais de ácido azelaico 20 % demonstraram eficácia superior e melhor tolerância comparadas à hidroquinona 4 % (ver estudo lipossomal) (⁸).

Niacinamida (vitamina B3)

  • Atua reduzindo a transferência de melanossomas para os queratinócitos e exerce ação anti-inflamatória.
  • Em estudo duplo-cego, comparou-se 4 % de niacinamida com 4 % de hidroquinona por 8 semanas, mostrando efeito benéfico (embora menor do que HQ) (ver “A Double-Blind, Randomized Clinical Trial of Niacinamide 4 …”) (⁹).

VItamina C

Vitamina C (ácido ascórbico / derivados estáveis)

  • Funciona como antioxidante e inibidor da tirosinase (interage com íons cobre no sítio ativo da enzima).
  • Revisão sistemática mostra que a vitamina C pode reduzir a pigmentação em manchas cutâneas, embora os estudos sejam limitados (ver “The effect of Vitamin C on melanin pigmentation – A systematic review”) (¹⁰).

Agentes auxiliares

Outros agentes auxiliares / adjuvantes

  • Kojic acid: inibidor de tirosinase, frequentemente usado em formulações cosmecêuticas (reportado em revisões de tratamentos tópicos) (ver “Topical Treatments for Melasma: A Systematic Review”) (¹¹). As formulações cosmecêuticas são produtos que se situam no meio caminho entre os cosméticos tradicionais e os produtos farmacêuticos. Estes produtos caracterizam-se por conterem ingredientes bioativos, geralmente em concentrações mais elevadas do que os cosméticos convencionais, e por terem efeitos terapêuticos ou semelhantes a medicamentos.
  • Ácidos alfa-hidroxi (AHA), ex: ácido glicólico: promove esfoliação e renovação epidérmica, facilitando remoção de melanina acumulada (ver revisão sobre peelings “Glycolic acid peel therapy – a current review”) (¹²).
  • Cisteamina tópica: em revisões de tratamentos para melasma, figura como opção com forte recomendação (ver “Topical Treatments for Melasma: A Systematic Review”) (¹¹).
  • Ácido tranexâmico tópico: usado como complemento em muitos protocolos modernos (ver revisão) (¹¹) sendo um ingrediente usado em dermocosméticos para tratar problemas de hiperpigmentação na pele, como melasma, manchas solares e manchas pós-inflamatórias (deixadas pela acne). Em alguns casos, apresenta eficácia comparável à hidroquinona, mas com menor risco de efeitos adversos, como irritação. O ácido tranexâmico foi originalmente desenvolvido para tratar hemorragias, mas a sua aplicação tópica para o tratamento de manchas é um uso off-label na dermatologia.
  • Outros extratos naturais / botânicos: podem servir como adjuvantes, mas com evidência mais limitada.

Exemplos de formulações ideais combinadas

Para maximizar eficácia e tolerância, muitos cremes ou séruns despigmentantes bem-sucedidos combinam mecanismos diferentes.

Exemplos de composição desejável:

  • Hidroquinona (2 % ou 4 %) em protocolo restrito
  • Ácido retinóico (0,025 % a 0,1 %) — ou adapaleno/tazaroteno
  • Corticosteroide suave (ex: dexametasona leve) para reduzir inflamação
  • Antioxidantes como vitamina C, vitamina E, ácido ferúlico
  • Vitamina B3 ou Niacinamida 2 a 5 %
  • Ácido tranexâmico tópico
  • Agentes de renovação epidérmica leve (ácido glicólico 5 a 10 %)
  • Um excipiente que favoreça penetração e estabilidade, com boa tolerância cutânea

O regime terapêutico costuma seguir uma fase intensiva (ex: uso diário por 8-12 semanas) e depois fase de manutenção (uso intermitente ou em áreas de risco).

Procedimentos complementares

  • Peelings superficiais com ácidos (ex: ácido glicólico): úteis para acelerar a descamação e uniformizar o tom (ver “Glycolic acid peel therapy – a current review”) (¹²).
  • Deve-se ter cautela com peelings agressivos, microdermoabrasão ou lasers em pacientes com predisposição à hiperpigmentação, para evitar efeito rebote ou PIH.
  • A literatura recomenda cautela e seleção criteriosa desses procedimentos em peles pigmentadas (ver “Evidence-based Review …” que discute lasers no melasma) (¹³).

Terapêuticas orais e sistémicas / suplementos

Complementar ao tratamento tópico, algumas terapias orais ou suplementos têm sido estudados como coadjuvantes. A evidência é mais limitada em muitos casos, mas algumas opções são promissoras.

Principais agentes orais / suplementos

Ácido tranexâmico oral (TXA)

  • Já bem estudado no melasma: doses de 500 mg duas vezes ao dia têm mostrado redução significativa nos índices de pigmentação (mMASI) quando utilizado como adjuvante à terapia tópica e fotoproteção (ver “Medical Management of Melasma: A Review with Consensus”) (³).
  • Em revisões de recomendação, o TXA oral (500-750 mg/dia) figura como terapia de grau A (uso máximo 6 meses) em melasma, com necessidade de monitorização laboratorial (ver “Evidence-based Review, Grade of Recommendation, and …”) (¹³).
  • Pode ser utilizado em combinação com tópicos ou terapias com luz/laser (ver mesma revisão) (¹³).

Polypodium leucotomos (extrato vegetal fotoprotetor)

  • Em estudo randomizado duplo-cego, foi usado como adjuvante ao protetor solar no tratamento do melasma, com resultados favoráveis (ver “Medical Management of Melasma”) (³).
  • Atua como antioxidante e modulador da resposta UV.

Proantocianidinas de uva (extrato de semente de uva)

  • Em um ensaio clínico filipino, a combinação de proantocianidinas com vitaminas A, C e E foi eficaz no tratamento do melasma (ver “Medical Management of Melasma”) (³).
  • Atua por efeito antioxidante e redução do stress oxidativo cutâneo.

Glutationa

  • A glutationa é um antioxidante endógeno que participa na regulação redox intracelular. Há estudos mostrando que a suplementação oral / tópica pode modular a melanogénese, embora os resultados sejam heterogéneos. Uma revisão recente (“Exploring the Safety and Efficacy of Glutathione Supplementation for Skin-Lightening Therapies”) aponta para benefícios potenciais, mas ressalta limitações metodológicas.
  • Deve-se usar com cautela devido à falta de padronização e à variabilidade individual (risco de reações adversas, especialmente em administrações intravenosas).

Carotenoides (luteína, zeaxantina)

  • Alguns estudos demonstraram que suplementação com luteína/zeaxantina pode promover leve “clareamento” cutâneo, provavelmente por seus efeitos antioxidantes e fotoprotetores.
  • Contudo, a evidência específica para manchas faciais ainda é limitada.

Outros fitoextratos / suplementos antioxidantes

  • Diversos extratos vegetais (resveratrol, polifenóis, extratos de alcaçuz) estão sendo investigados como adjuvantes, mas com evidência clínica ainda restrita.
  • A acupuntura foi estudada em ensaios clínicos (embora com resultados mistos) como abordagem complementar no melasma (ver “Acupuncture for melasma in women: a systematic review”) (¹⁴).

Limitações e cuidados

  • Muitos desses suplementos são estudados em amostras pequenas, com períodos curtos e muitas vezes sem comparadores fortes.
  • Há necessidade de monitorização de segurança, interações e contraindicações (por exemplo, o TXA oral requer avaliação de risco trombótico).
  • Eles devem ser considerados coadjuvantes, não substitutos das terapias tópicas eficazes e da fotoproteção.

Evidência científica recente

Aqui ficam alguns destaques da literatura científica até 2025:

  • A revisão “Hyperpigmentation Therapy: A Review” discute diagnóstico e gestão de hiperpigmentações em geral, com ênfase em terapias combinadas e estratégias de manutenção (artigo PMC) (²).
  • A revisão “Dermatology: how to manage facial hyperpigmentation in skin of colour” analisa estratégias terapêuticas em peles altamente pigmentadas, destacando que, pela natureza recidivante das hiperpigmentações, a escolha individualizada é essencial (artigo PMC) (⁵).
  • A meta-análise “Azelaic Acid Versus Hydroquinone for Managing Patients With Melasma” indica que o ácido azelaico pode superar a hidroquinona em termos de melhora do MASI em alguns estudos, com perfil de segurança favorável (artigo PMC) (⁶).
  • As revisões recentes apontam que nos tratamentos tópicos para melasma, a triple combination (HQ + retinóide + corticosteroide) continua entre os agentes mais bem estudados e recomendados (ver “Topical Treatments for Melasma: A Systematic Review (31741361)” e “Topical Treatments for Melasma and Their Mechanism of Action”) (¹¹)(¹⁵).
  • Em estudo clínico, o ácido azelaico lipossomal 20 % demonstrou melhora significativa do melasma com melhor tolerância do que HQ 4 % (ver “Liposomal azelaic acid 20% cream vs hydroquinone 4%”) (⁸).
  • A meta-análise de seis estudos comparando azelaico e hidroquinona revelou superioridade de azelaico no score MASI, embora outros parâmetros pigmentares não tenham diferença clara (ver “Azelaic Acid Versus Hydroquinone …”) (⁶).
  • Em estudos comparativos, o uso de ácido azelaico 20 % duas vezes ao dia mostrou eficácia superior ao uso de hidroquinona 4 % em hiperpigmentação leve (ver “Comparative study of therapeutic effects of 20% azelaic acid …”) (⁹).
  • Em pesquisa de comparação terapêutica ampla (“Comparison of the Efficacy of Melasma Treatments: A Network Meta-analysis”) foram comparadas 14 terapias comuns para melasma, avaliando eficácia e efeitos adversos (PubMed, PMID 34660626) (¹⁶).
  • A revisão “Topical Treatments for Melasma and Their Mechanism of Action” marca que, além da triple therapy e hidroquinona, agentes como ácido ascórbico, ácido azelaico, ácido glicólico, niacinamida e kojic acid têm evidência como terapias adjuvantes com efeitos secundários mínimos (ver PubMed 35642229) (¹⁵).
  • A revisão “Evidence-based Review, Grade of Recommendation, and Systematic Review” discute o uso de TXA oral como terapia de qualidade A e aborda os riscos dos lasers no melasma (artigo PMC) (¹³).

Essas evidências confirmam que estratégias combinadas e manutenção a longo prazo são fundamentais, bem como que alguns agentes (ácido azelaico, TXA oral, cisteamina, entre outros) estão a ganhar lugar de destaque no arsenal terapêutico.


Hábitos e modificações no estilo de vida para prevenção e manutenção

Para prevenir o aparecimento ou a recidiva de manchas escuras faciais, algumas mudanças comportamentais são cruciais:

Fotoproteção rigorosa e consistente

  • Uso diário de protetor solar de amplo espectro (UVA + UVB), com FPS ≥ 30 (ou idealmente ≥ 50), reaplicando a cada 2 horas quando exposto.
  • Usar chapéus de aba larga, guarda-sóis, óculos escuros com proteção UV.
  • Evitar exposição solar direta entre as horas de maior intensidade (aproximadamente 10h às 16h).
  • Em casos de melasma, a fotoproteção (incluindo proteção contra luz visível) é considerada pilar central das estratégias terapêuticas (ver “Evidence-based Review …”) (¹³).
  • Alguns estudos sugerem que a proteção contra luz visível (filtros físicos com óxidos metálicos, inclusive pigmentados) melhora os resultados em melasma.

Evitar fatores desencadeantes hormonais ou cosméticos

  • Avaliar a continuidade de contraceptivos hormonais em pessoas sensíveis ao melasma, se possível substituindo por opções menos predisponentes.
  • Evitar cosméticos que contenham substâncias fotossensibilizantes ou irritantes crónicos.
  • Evitar procedimentos cutâneos agressivos sem supervisão em peles propensas à pigmentação exacerbada.

Controle agressão e inflamação da pele

  • Tratar acne ou inflamações cutâneas de forma adequada para minimizar risco de PIH.
  • Usar produtos suaves, evitar esfoliação química ou mecânica agressiva ou repetida.

Estilo de vida antioxidante com dieta rica em nutrientes

  • Dieta rica em frutas, vegetais, polifenóis, vitamina C, vitamina E.
  • Hidratação adequada da pele e ingestão hídrica.
  • Evitar tabagismo, que aumenta stress oxidativo cutâneo.
  • Prática de exercício físico regular (com proteção solar adequada) pode favorecer circulação cutânea saudável.

Manutenção e vigilância dermatológica

  • Utilizar agentes de manutenção despigmentantes leves (ex: niacinamida, vitamina C, extratos suaves) mesmo após melhora clinica.
  • Revisões dermatológicas periódicas para ajustar terapia conforme resposta e prevenir recidivas.
  • Ser paciente: a rapidez da resposta varia muito entre indivíduos, e muitas vezes é necessário tratamento de longa duração.

Considerações clínicas, diretrizes e limitações

  • Cada paciente requer abordagem individualizada: fototipo, tolerância, grau da mancha, histórico dermatológico e predisposição.
  • Terapias “fortes” (ex: uso intenso de hidroquinona ou peelings agressivos) devem ter duração limitada e acompanhamento mensal.
  • Suplementos e terapias orais devem ser vistos como coadjuvantes, com monitorização de segurança e consciente das limitações de evidência.
  • A evidencia é mais robusta para agentes como HQ, ácido azelaico, retinóides e ácido ascórbico do que para muitos suplementos emergentes.
  • Muitos ensaios clínicos têm limitações: tamanho reduzido, duração curta, heterogeneidade metodológica.
  • O risco de recidiva é elevado se as causas subjacentes (exposição solar, estímulos hormonais, uso cosmético inadequado) persistirem.
  • Em casos refratários, pode-se considerar procedimentos (peelings superficiais, lasers de baixo risco, luz pulsada), mas sempre com cautela — alguns estudos indicam risco de PIH ou repigmentação após lasers em melasma (ver “Evidence-based Review …”) (¹³).
  • Monitorização de efeitos adversos (irritação, dermatite de contacto, hipopigmentação) é essencial em terapias tópicas ativas.

Conclusão e recomendações integradas

Manchas castanhas ou escuras na face resultam de uma combinação de predisposição genética, estímulos solares, regulação hormonal e mecanismos de inflamação e stress oxidativo que desregulam o equilíbrio de produção, distribuição e remoção de melanina.

Uma abordagem eficaz exige tratamento multidimensional:

  • Terapia tópica bem formulada, com agentes combinados (inibição de tirosinase, renovação epidérmica, ação anti-inflamatória, antioxidantes);
  • Fase intensiva seguida de manutenção:
  • Suplementos orais e adjuvantes (como ácido tranexâmico oral, polypodium leucotomos, proantocianidinas, glutationa) podem apoiar os resultados, mas não substituem o tratamento local;
  • Mudanças de estilo de vida — sobretudo fotoproteção rigorosa, evitar fatores desencadeantes e manter a integridade da pele — são imprescindíveis;
  • A vigilância dermatológica contínua é fundamental para ajustar o tratamento, monitorizar efeitos adversos e prevenir recidivas.

Referências

  1. Rodrigues MT, Balasubramaniam P, Pandya AG, et al. Melasma: an Up-to-Date Comprehensive Review. J Clin Aesthet Dermatol. [PMC free article]. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC5574745/
  2. Desai SR. Hyperpigmentation Therapy: A Review. J Clin Aesthet Dermatol. [PMC free article]. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC4142815/
  3. Prathapan PK, Gupta S, et al. Medical Management of Melasma: A Review with Consensus. JAMA Dermatol / Pigmentary Disorders Society (via PMC). Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC5724303/
  4. Oliva M, Kwon SH, et al. Post-Inflammatory Hyperpigmentation in Dark Skin: Molecular Perspectives. PMC. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC9709857/
  5. Reddy R, Monheit G, et al. Dermatology: how to manage facial hyperpigmentation in skin of colour. PMC. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC9165630/
  6. Azelaic Acid Versus Hydroquinone for Managing Patients With Melasma: Systematic Review & Meta-Analysis. [PMC]. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC10339666/
  7. A systematic review to evaluate the efficacy of azelaic acid in melasma. PubMed. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/37550898/
  8. Liposomal azelaic acid 20% cream vs hydroquinone 4% cream in melasma. PubMed. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/33823725/
  9. Comparative study of therapeutic effects of 20% azelaic acid vs hydroquinone 4%. PubMed. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/22151936/
  10. The effect of Vitamin C on melanin pigmentation – A systematic review. PMC. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC7802860/
  11. Topical Treatments for Melasma: A Systematic Review. PubMed. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/31741361/
  12. Glycolic acid peel therapy – a current review. PMC. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3875240/
  13. Evidence-based Review, Grade of Recommendation, and Systematic Review (lasers / TXA / fotoproteção) PMC. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC5707834/
  14. Acupuncture for melasma in women: a systematic review. PubMed. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/25900923/
  15. Topical Treatments for Melasma and Their Mechanism of Action. PubMed. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/35642229/
  16. Comparison of the Efficacy of Melasma Treatments: A Network Meta-analysis. PubMed. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/34660626/

Aspirina para o coração será seguro?

O AVC (acidente vascular cerebral) e a doença cardíaca isquémica (ataque cardíaco) são duas das principais causas de morte e incapacidade a nível mundial. Em 2021 estimaram-se ≈12 milhões de novos AVC/ano e cerca de 94 milhões de pessoas viviam com sequelas de AVC; a carga global de doença cardiovascular continua elevada e diretamente ligada a fatores de risco modificáveis como hipertensão, tabagismo, diabetes, colesterol elevado e sedentarismo. Estas estimativas constam dos relatórios globais mais recentes sobre a carga do AVC e das doenças cardiovasculares. PubMed

Dado o enorme impacto, intervenções de prevenção (medicamentos e alterações de estilo de vida) são alvo de intensa investigação. A aspirina (ácido acetilsalicílico), por inibir a agregação plaquetária, foi durante décadas utilizada tanto em prevenção secundária (pessoas com doença isquémica comprovada) como, controversamente, em prevenção primária (pessoas sem doença conhecida). Nas secções seguintes explico causas, mecanismos, doses, evidência (até 2025), benefícios, riscos e recomendações práticas. PubMed

As cinco grandes mentiras sobre saúde
As cinco grandes mentiras sobre saúde

Índice

  1. Causas do AVC e do ataque cardíaco (resumo fisiopatológico)
  2. Justificação farmacológica: como a aspirina actua
  3. Evidência científica até 2025 — distinção clara: prevenção primária vs secundária
  4. Doses adequadas e regimes usados nos estudos
  5. Influência da idade e recomendações por faixas etárias
  6. Benefícios (o que a aspirina reduz)
  7. Riscos e efeitos adversos (sangramento, efeitos gastrointestinais, outros)
  8. Tomar aspirina: quando é claramente indicado (casos de prevenção secundária)
  9. Alternativas e abordagens complementares (outros fármacos, mudança de hábitos)
  10. Que hábitos mudar para reduzir risco de AVC e ataque cardíaco
  11. Conclusão-resumo
  12. Lista completa de fontes bibliográficas (principalmente PubMed / PMC)

Causas do AVC e do ataque cardíaco

  • AVC isquémico: resulta usualmente de oclusão de uma artéria cerebral por um trombo ou êmbolo, levando a isquémia do tecido neuronal. As principais causas incluem aterosclerose (placas arteriais que se ulceram), fibrilhação auricular (êmbolos cardioembólicos), estenose carotídea e doenças vasculopáticas menores. PubMed
  • Ataque cardíaco (enfarte do miocárdio): ocorre quando uma artéria coronária é obstruída — tipicamente por uma placa aterosclerótica que se rompe e forma um trombo que bloqueia o fluxo sanguíneo, causando necrose do músculo cardíaco. Os factores de risco partilhados incluem hipertensão, tabagismo, diabetes, hipercolesterolemia, obesidade e sedentarismo. PubMed

Como atua a aspirina

A aspirina inibe irreversivelmente a enzima cicloxigenase-1 (COX-1) nas plaquetas, reduzindo a produção de tromboxano A2, uma molécula potente que promove agregação plaquetária e vasoconstrição. Este efeito antiagregante diminui a tendência para formação de trombos arteriais — mecanismo plausível para reduzir eventos isquémicos arteriais (IAM, AVC isquémico). Contudo, o mesmo mecanismo aumenta risco de hemorragia (gastrointestinal e intracraniana). PubMed


Prevenção primária vs secundária

Prevenção secundária (pessoas com doença cardiovascular estabelecida):

  • Aqui a evidência é robusta e consistente: a aspirina (e outros antiagregantes) reduz mortalidade e eventos isquémicos recorrentes em doentes com enfarte prévio, stents, ou AVC isquémico prévio; está indicada salvo contra-indicações. (estes usos fazem parte das diretrizes cardiológicas). escardio European Society of Cardiology

Prevenção primária (pessoas sem doença cardiovascular diagnosticada):

  • A evidência contemporânea (ensaios randomizados grandes e meta-análises) mostra benefícios modestos na redução de eventos isquémicos (principalmente redução de IAM não fatal) mas aumento significativo do risco de hemorragias graves. Ensaios notáveis: ARRIVE, ASCEND, ASPREE (2018) e meta-análises subsequentes. Mais recentemente (2023–2025) meta-análises contemporâneas e revisões sistemáticas continuam a concluir que, em adultos sem doença previamente documentada, o benefício absoluto é pequeno e muitas guidelines recomenda que a toma rotineira não é indicada em população idosa e que a decisão em pessoas de risco intermédio deve ser individualizada. AhA The New England Journal of Medicine

Síntese prática da evidência (até 2025):

  • Prevenção secundária: claramente indicada. escardio.org
  • Prevenção primária: regra geral não iniciar aspirina rotineiramente em idosos (≥60–70 anos) devido a risco de sangramento; em adultos 40–59 com risco cardiovascular de 10-ano elevado (≥10%) a decisão pode ser individualizada após avaliação de risco/benefício e conversa médico-paciente — seguir recomendações como as da USPSTF e da literatura. Estudos e meta-análises recentes (até 2024–2025) reforçam a necessidade de personalização. us preventive services taskforce

Doses adequadas e regimes usados nos estudos

  • Nos grandes ensaios de prevenção primária e secundária a dose considerada “baixa” variou entre 75 mg e 100 mg por dia (em muitos países 81 mg ou 100 mg são doses comuns). Alguns estudos usaram 100 mg (ASPREE) ou 100 mg/81 mg; meta-análises consideram 75–100 mg/dia como dose eficaz para efeito antiagregante. nejm
  • Para prevenção secundária, o regime diário de baixa dose é padrão; em contextos agudos (síndromas coronários agudos) as doses iniciais de ataque são mais altas (por exemplo 150–300 mg de carga masticável) seguidas de dose baixa diária — isso foge ao âmbito de prevenção primária e requer prescrição hospitalar. escardio.org

Influência da idade na escolha

  • Idosos (≥60–70 anos): ensaios maiores (por ex. ASPREE) demonstraram ausência de benefício claro na prevenção de eventos cardiovasculares e aumento do risco de hemorragia e até achados preocupantes sobre mortalidade; por isso muitas agências (USPSTF 2022) recomendam não iniciar aspirina para prevenção primária em adultos ≥60 anos. Em pessoas que já tomam aspirina por prevenção primária e estiverem idosos, a decisão de interromper deve ser individualizada e discutida com o médico. nejm
  • Adultos de meia-idade (40–59 anos) com risco cardiovascular elevado: a USPSTF 2022 dá uma recomendação condicional (C): a decisão de iniciar pode ser considerada em quem tem risco 10-ano ≥10% mas apenas se o benefício estimado superar o risco de hemorragia; é fundamental avaliar risco de sangramento (história de úlcera, anticoagulação concomitante, etc.). us preventive services taskforce

Benefícios (o que a aspirina pode reduzir)

  • Redução relativa de eventos arteriais isquémicos (algumas análises mostram redução do risco de IAM não fatal e de eventos vasculares maiores de magnitude modesta). Em prevenção secundária o benefício é claro e clinicamente importante. Em prevenção primária o benefício absoluto tende a ser pequeno e muitas vezes compensado pelo risco de sangramento. AhA Journals

Riscos e efeitos adversos

  • Sangramento gastrointestinal (úlceras, hemorragia digestiva): risco aumentado; utilização concomitante de anti-inflamatórios não esteroides (AINEs), história de úlceras ou uso de corticosteroides aumenta ainda mais o risco. PubMed
  • Hemorragia intracraniana: risco aumentado — este é um dos eventos mais graves e que limita o uso em prevenção primária. PMC
  • Anemia crónica por perda sanguínea oculta e outras complicações relacionadas. Estudos com idosos reportaram aumento de anemia e de eventos hemorrágicos. nejm.org

Quem deve tomar aspirina

  • Sempre indicado (salvo contra-indicação) para prevenção secundária: pessoas com enfarte do miocárdio prévio, acidente vascular isquémico prévio (não-hemorrágico), angina instável, intervenção coronária percutânea com stent, e outras situações de aterotrombose documentada. Nestes doentes o benefício sobrepõe-se claramente ao risco de sangramento. escardio.org
  • Prevenção primária: regra geral não iniciar em idosos; em adultos mais jovens ou de meia-idade com risco cardiovascular elevado a decisão deve ser individualizada e tomada após avaliação do risco absoluto de doença cardiovascular a 10 anos versus risco de hemorragia. Para pessoas com diabetes a evidência (ASCEND) mostrou alguma redução de eventos vasculares mas com aumento dos sangramentos — novamente uma balança delicada. nejm

Alternativas e abordagens complementares

  • Outros fármacos: em prevenção secundária a terapêutica antiagregante pode incluir clopidogrel (e outros) conforme situação clínica; recentes estudos e análises (até 2024–2025) também investigam eficácia relativa de outros antiagregantes em determinados subgrupos — as escolhas dependem de condição clínica e risco de sangramento. (nota: não iniciar antiagregantes sem orientação médica). ASH Publications
  • Tratamento dos factores de risco: controlar hipertensão, dislipidemia, diabetes; cessação tabágica; perda de peso; exercício; dieta saudável; redução de consumo de álcool — muitas destas medidas têm impacto maior e mais seguro na redução do risco cardiovascular do que o início rotineiro de aspirina em indivíduos saudáveis. PubMed

Hábitos a mudar para evitar AVC e ataque cardíaco

As medidas com maior evidência de redução do risco:

  1. Controlar pressão arterial — é o factor único com maior impacto na redução de risco de AVC. Tratamento farmacológico se indicado e monitorização regular. PubMed
  2. Parar de fumar — reduz fortemente risco de enfarte e AVC. PubMed
  3. Controlar diabetes e glicemia — optimização da terapêutica e controlo glicémico. PubMed
  4. Dieta saudável — reduzir sal, gorduras saturadas e trans; aumentar frutas, vegetais, fibra e peixe. PubMed
  5. Atividade física regular — pelo menos 150 minutos/semana de atividade moderada ou equivalente. PubMed
  6. Perder peso se com excesso de peso/obesidade e tratar dislipidemia (estatinas quando indicadas) — estatinas reduzem risco de eventos isquémicos e têm favorável balança risco/benefício em prevenção primária em pacientes de risco elevado. escardio.org

Conclusão

  • Prevenção secundária: a aspirina continua a ser um pilar terapêutico para reduzir eventos recorrentes (IAM, AVC isquémico) em doentes com doença cardiovascular estabelecida. escardio.org
  • Prevenção primária: a evidência até 2025 mostra benefícios modestos e riscos mensuráveis (hemorragia). Em idosos (≥60–70 anos) a recomendação geral é não iniciar aspirina para prevenção primária. Em adultos mais jovens com risco cardiovascular significativo (p.ex. risco 10-ano ≥10%), a decisão pode ser individualizada após avaliação dos riscos (incluindo risco de sangramento) e discussão clínico-paciente. As guidelines (USPSTF 2022, revisões e meta-análises recentes) devem orientar a decisão. uspreventiveservicestaskforce.org
  • Recomendações práticas: não tome aspirina diariamente para “prevenir o coração” sem antes falar com o seu médico. Se tem doença cardíaca/AVC prévio, siga a terapêutica prescrita; se não tem doença, priorize controlo da tensão arterial, cessação de tabaco, controlo glicémico, estatinas quando indicadas e mudanças de estilo de vida — estas medidas geralmente trazem mais benefício e menos risco do que iniciar aspirina sem indicação clara. PubMed

Resumo esquematizado

❤️ O que está em causa

  • AVC e ataque cardíaco são principais causas de morte no mundo.
  • A aspirina reduz a agregação das plaquetas e diminui o risco de trombos, mas também aumenta o risco de hemorragia.

💊 Quando faz sentido tomar aspirina

Sim:

  • Pessoas que já tiveram enfarte, AVC isquémico ou colocação de stent.
    Prevenção secundária comprovada.

🚫 Não (em regra):

  • Pessoas sem doença cardiovascular conhecida.
    Prevenção primária raramente compensa o risco de sangramento, sobretudo em idosos (>60–70 anos).

📏 Doses utilizadas

  • Baixa dose diária: 75–100 mg/dia (única dose).
  • Nunca iniciar sem avaliação médica.

⚖️ Benefícios vs Riscos

Benefícios: pequena redução de eventos isquémicos.
Riscos: ↑ hemorragia gastrointestinal e cerebral, ↑ anemia.
👉 Em prevenção primária, o risco pode superar o benefício.


👵 A idade conta

  • Estudos como ASPREE, ASCEND e ARRIVE mostram que em idosos saudáveis a aspirina não previne enfarte nem AVC, e aumenta as hemorragias.
  • Decisão deve ser individualizada e médica.

🧠 Como realmente prevenir AVC e ataque cardíaco

  1. Controlar tensão arterial.
  2. Deixar de fumar.
  3. Controlar diabetes e colesterol.
  4. Fazer exercício regular.
  5. Alimentação mediterrânica.
  6. Manter peso saudável e evitar o stress crónico.

🩸 Conclusão

Tomar aspirina só é benéfico para quem já teve doença cardiovascular.
Em pessoas saudáveis, o risco de hemorragia pode ser maior que o benefício.
A decisão deve ser individualizada e feita com o médico.


📚 Fontes científicas

  • USPSTF 2022 — Aspirin Use for Prevention of CVD
  • NEJM 2018 — ASPREE, ASCEND, ARRIVE Trials
  • ESC 2021 — Guidelines on CVD Prevention
  • Lancet 2024 — GBD Stroke and CVD Updates

Fontes bibliográficas

Observação: incluí estudos randomizados grandes, meta-análises e recomendações de organismos oficiais até 2025.

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  2. GBD 2019 Stroke Collaborators. Global, regional, and national burden of stroke and its risk factors (Lancet/GBD). 2021/2024 updates. PubMed
  3. U.S. Preventive Services Task Force. Aspirin Use to Prevent Cardiovascular Disease — Recommendation Statement. Apr 26, 2022. (USPSTF). uspreventiveservicestaskforce.org
  4. McNeil JJ, et al. ASPREE Investigators. Effect of aspirin on cardiovascular events and bleeding in the healthy elderly. NEJM 2018 (ASPREE). nejm.org
  5. ASCEND Study Collaborative Group. Effects of aspirin for primary prevention in persons with diabetes. NEJM 2018 / PMC. PubMed
  6. Gaziano JM, et al. ARRIVE trial (aspirin for primary prevention in moderate-risk). NEJM 2018. PubMed
  7. Christiansen M, et al. Primary prevention of cardiovascular events with aspirin — systematic review and meta-analysis. 2019. PubMed
  8. Recent meta-analyses and reviews (2023–2025) sobre aspirina em prevenção primária (ex.: revisões 2024–2025 que sintetizam ASPREE/ASCEND/ARRIVE): artigos em PubMed/PMC que concluem benefício modesto e aumento de hemorragias. Exemplos: Kim KH 2024 meta-analysis; Caldeira D 2025 meta-analysis/discussões. PubMed
  9. European Society of Cardiology — Guidelines on cardiovascular disease prevention in clinical practice (2021; actualizações e orientações relacionadas). escardio.org
  10. American Heart Association / estatements and reviews summarising aspirin evidence (2022–2024 reviews). AhA Journals

Nota final e recomendação prática

Se está a ponderar tomar aspirina regularmente para “proteger o coração”, o passo mais seguro é marcar com o seu médico para calcular o seu risco cardiovascular global (por exemplo risco a 10 anos), avaliar risco de hemorragia (história de úlcera, anticoagulação, hepatopatia, etc.) e decidir em conjunto. Para a maioria das pessoas sem doença prévia, priorizar o controlo da pressão arterial, cessar tabaco, tratar colesterol e adoptar hábitos saudáveis traz mais benefício e menos risco do que iniciar aspirina de rotina.

Ressonar causas, perigos. tratamentos naturais e medicamentosos

O ressonar é extremamente frequente na população adulta. Estudos populacionais mostram percentagens variáveis — dependentes da definição usada (ressonar ocasional, habitual, ou associado a apneia) — mas prevalências de ressonar habitual na ordem dos 10–30% em adultos não são invulgares, com homens a ressonar mais que mulheres. Além disso, o ressonar pode ser apenas um sintoma de doença mais grave: a apneia obstrutiva do sono (AOS), que está associada a aumento do risco cardiovascular, acidentes e redução da qualidade de vida. PubMed

Estudo: The prevalence of snoring in adult population


Índice

  1. O que é o ressonar: fisiologia básica
  2. Causas e factores de risco
  3. Quando o ressonar significa apneia (paragens respiratórias): sinais de alarme
  4. Perigos e consequências para a saúde (curto e longo prazo)
  5. Diagnóstico (quando e como avaliar)
  6. Como evitar e tratar de forma natural (mudanças de hábitos)
  7. Tratamentos não farmacológicos (posicionais, dispositivos orais, CPAP, cirurgia)
  8. Uso de medicamentos: quando e quais (e precauções)
  9. Melhor posição para dormir e características da almofada que ajudam a reduzir o ressonar
  10. Recomendações práticas para o dia a dia
  11. Conclusão e resumo
  12. Lista completa de fontes bibliográficas científicas

O que é o ressonar?

Fisiologia básica

Ressonar é o som produzido pela vibração dos tecidos das vias aéreas (nariz, palato mole, úvula, faringe) durante o sono quando o fluxo de ar é parcialmente obstruído. O estreitamento das vias aéreas durante o sono faz com que o ar em passagem provoque vibrações que geram o som do ressonar. Em muitos casos o ressonar é isolado e apenas incómodo para o parceiro; noutros está associado a colapsos mais importantes da via aérea (apneias ou hipopneias). Explicação fisiológica baseada em literatura de revisão sobre sleep-disordered breathing. PubMed

Estudo: The Diagnosis and Treatment of Snoring in Adults


Causas e factores de risco

Principais causas e factores que favorecem o ressonar:


Ressonar e apneia obstrutiva do sono (paragens respiratórias)

Sinais que sugerem apneia obstrutiva do sono (AOS):

  • Pausas respiratórias observadas pelo parceiro;
  • Sonolência diurna marcante, queda de atenção, “adormecer ao volante”;
  • Acordar com sensação de asfixia ou com dor de cabeça matinal;
  • Irritabilidade, depressão, perdas cognitivas progressivas.
    Se existirem estes sinais, deve procurar-se avaliação especializada (estudo do sono/ polissonografia). A apneia obstrutiva do sono é a condição em que há episódios repetidos de obstrução da via aérea (apneia ou hipopneia) durante o sono. PubMed

Perigos e consequências para a saúde

O ressonar associado a apneia obstrutiva do sono tem implicações importantes:

Nota: mesmo o ressonar sem AOS pode estar associado a riscos aumentados (dados observacionais), pelo que o contexto clínico e avaliação são importantes. Nature Estudo: Regular snoring is associated with uncontrolled hypertension


Diagnóstico

Quando e como avaliar?

  • Avaliação inicial: história clínica (sono, sonolência, pausas respiratórias), exame ENT (vias nasais, orofaringe), índice de massa corporal.
  • Testes: dispositivos de rastreio domiciliário (monitorização respiratória), ou polissonografia em laboratório para confirmar e quantificar o índice de apneia-hipopneia (AHI –> apnea–hypopnea index ).
  • Encaminhamento para pneumologia/sono ou otorrinolaringologia conforme resultados.

Tratamento natural

Como evitar e tratar de forma natural?

Descrevo de seguida as principais mudanças de estilo de vida frequentemente recomendadas e com evidência de benefício:

  • Perda de peso –> mesmo reduções moderadas de peso diminuem o índice apneia-hipopneia (AHI) e o ressonar ou seja intervenções estruturadas mostram melhoria clínica. PubMed
  • Evitar álcool e sedativos antes de dormir –> estes reduzem o tônus da via aérea e aumentam o ressonar e apneias. PubMed
  • Deixar de fumar –> a cessação tabágica reduz a inflamação e congestão das vias aéreas. PubMed
  • Melhorar higiene do sono –> horários regulares, ambiente escuro e calmo; evitar refeições pesadas à noite e próximas da hora de deitar.
  • Exercício físico –> provoca melhoria geral do sono, controlo de peso e redução da gravidade da apneia obstrutiva do sono mesmo sem perda de peso substancial. PubMed
  • Terapia miofuncional (exercícios orofaríngeos) –> alguns estudos mostram redução do ressonar e do indice apneia-hipopneia (AHI) com fortalecimento dos músculos da língua e faringe. A evidência cresce, sendo recomendada como adjuvante para casos selecionados. PubMed Estudo: European Respiratory Society guideline on non-CPAP therapies for obstructive sleep apnoea

Tratamentos não farmacológicos

Posicionais, dispositivos orais, pressão positiva contínua (CPAP), cirurgia

Tiras nasais

As tiras nasais do tipo Breathe Right® podem ser eficazes, mas o grau de benefício depende da causa do ressonar ou da obstrução nasal.

✅ Como atuam

  • São tiras adesivas colocadas transversalmente sobre o dorso do nariz.
  • Possuem uma pequena “mola” flexível que, ao tentar voltar à sua forma original, puxa suavemente as asas nasais para fora.
  • Este efeito alarga mecanicamente a válvula nasal (a parte mais estreita das vias respiratórias superiores), reduzindo a resistência ao fluxo de ar.
  • O resultado é uma respiração nasal mais fácil, sobretudo em pessoas com congestão nasal, desvio do septo ou colapso da válvula nasal.

📊 Eficácia (com base em estudos)

  • Reduzem a resistência nasal e melhoram o fluxo aéreo em doentes com obstrução nasal documentada.
  • Podem diminuir o ressonar em pessoas cujo problema está relacionado com obstrução nasal (e não faríngea).
  • Contudo, não são eficazes em casos de apneia obstrutiva do sono moderada a grave, já que o colapso ocorre sobretudo na faringe.
  • Ensaios clínicos mostraram melhorias subjetivas na respiração e no sono do parceiro, mas os efeitos são variáveis e geralmente modestos.

📌 Em resumo:

  • Funcionam melhor em ressonadores ocasionais ou leves, ligados a nariz entupido.
  • São pouco eficazes para apneia obstrutiva do sono significativa (a causa está mais atrás na garganta).
  • Podem ser úteis como complemento, mas não substituem avaliação médica quando há pausas respiratórias noturnas ou sonolência diurna.

A partir da literatura:

  • As tiras nasais externas (como Breathe Right) podem ajudar a diminuir o ressonar, melhorar a sensação de respirar pelo nariz, diminuir a secura da boca e algo da sonolência diurna — especialmente em pessoas sem apneia do sono significativa, ou com apneia ligeira, ou cujo ressonar esteja bastante ligado à obstrução nasal ou ao estreitamento da válvula nasal.
  • Contudo, em casos de apneia moderada a grave, os estudos apontam que não há melhoria significativa nos parâmetros objetivos mais importantes como o índice apneia-hipopneia (AHI) ou desaturações de oxigénio. O tratamento de referência para esses casos continua a ser CPAP ou outras intervenções mais fortes.
  • Também há boas evidências de que os benefícios subjetivos (como melhorar sensação de sono, diminuir desconforto, etc.) muitas vezes têm componente placebo ou dependem muito das expectativas, mas isso não significa que não sejam reais para quem os sente.

Medicamentos

Os fármacos têm papel limitado e específico; a principal terapêutica é mecânica/posicional e alterações de estilo de vida. Sempre discutir com médico. PubMed

  • Não há fármacos aprovados especificamente para “parar o ressonar”. Alguns fármacos são estudados para AOS ou para sintomas associados:
    • Inibidores da anidrase carbónica (ex.: acetazolamida) têm sido estudados em contextos específicos (altitude, e como adjuvantes) e aparecem nas recomendações da ERS para situações selecionadas — não são uma solução de rotina. PubMed
    • Modafinil / armodafinil podem ser usados para tratar sonolência residua apesar do tratamento da AOS (ex.: em doentes sob CPAP com sonolência persistente) — tratam a sonolência, não as apneias.
    • Antagonistas sedativos e hipnóticos geralmente pioram a obstrução e não são recomendados se houver suspeita de AOS.

Melhor posição para dormir

Posição para dormir

  • Dormir de lado (posição lateral) reduz frequentemente o ressonar e apneias em pessoas com apneia obstrutiva do sono posicional, porque evita o colapso posterior da língua e palato que ocorre quando se dorme de costas. Posicionais (evitar supino) são muitas vezes o primeiro passo. PubMed
  • Elevar a cabeceira (15–30°) ou usar uma cama/inclinação pode reduzir o ressonar em alguns estudos. PubMed

Almofada melhores características

  • Suporte cervical adequado: manter a cabeça e pescoço alinhados com a coluna; evitar almofadas demasiado altas (que dobram o pescoço) ou demasiado baixas. Estudos sobre almofadas desenhadas para reduzir snoring sugerem que designs que mantêm posição da cabeça e abrem a orofaringe podem ajudar. PUbMed
  • Altura ajustável: permite adaptar a almofada à posição (lateral vs. supino).
  • Material respirável e hipoalergénico: reduz congestão alérgica, que pode agravar o ressonar.
  • Formato ergonómico: almofadas em cunha, com recortes ou com suporte cervical reforçado podem ajudar a manter a via aérea mais patente; há almofadas inclinadas/anti-ronco no mercado com evidência variável. PubMed

Recomendações práticas para o dia a dia

  1. Se ressonas é ocasional e não tens sonolência diurna nem pausas respiratórias observadas –> começar por mudanças de hábitos (perda de peso se necessário, evitar álcool antes de dormir, melhorar higiene do sono, dormir de lado).
  2. Se o parceiro reporta pausas respiratórias, ou tens sonolência diurna marcada: –> procurar avaliação médica (estudo do sono).
  3. Considerar terapia posicional ou almofada inclinada com elevação da cabeceira como tentativa inicial não invasiva. PubMed
  4. Para apneia obstrutiva do sono confirmada –> discutir com especialista opções como CPAP, dispositivo de avanço mandibular, cirurgia ou terapias combinadas conforme gravidade e anatomia. PubMed

Concluindo

O ressonar é muito frequente e, embora por vezes inofensivo, pode ser sinal de apneia obstrutiva do sono, uma condição com claras implicações cardiovasculares, metabólicas e de qualidade de vida. A avaliação clínica é essencial quando há sinais de alarme (pausas respiratórias observadas, sonolência diurna). Medidas naturais e de estilo de vida (perda de peso, evitar álcool, parar de fumar, exercício, dormir de lado) são a base do tratamento e têm evidência de benefício. Para apneia obstrutiva do sono confirmada, o CPAP continua a ser o padrão ouro para casos moderados a graves, enquanto dispositivos orais e terapias posicionais são alternativas válidas em casos selecionados. A medicação tem papel muito limitado e deve ser sempre considerada por um especialista. PubMed


Fontes bibliográficas

  1. Jean-Louis G, et al. Obstructive Sleep Apnea and Cardiovascular Disease. (Review). PMC. 2008. PubMed
  2. Kara CO, et al. The prevalence of snoring in the adult population. (Prevalence study). PubMed. 2005. PubMed
  3. Bai J, et al. Snoring Is Associated With Increased Risk of Stroke. PMC. 2021. PubMed
  4. Carneiro-Barrera A, et al. Effect of an Interdisciplinary Weight Loss and Lifestyle … on OSA. PMC. 2022. (Intervenção de perda de peso melhora AOS.) PubMed
  5. European Respiratory Society guideline on non-CPAP therapies for OSA (Randerath et al.). PubMed/ERS guideline 2021. (Recomendações sobre dispositivos orais, estimulação do nervo hipoglosso, terapias posicionais, inibidores de anidrase carbónica, etc.) PubMed
  6. Ravesloot MJL, et al. The undervalued potential of positional therapy in OSA. (Review). PMC. 2012. PubMed
  7. Danoff-Burg S, et al. Sleeping in an Inclined Position to Reduce Snoring and … PMC. 2022. (Inclinação da cabeceira reduz ressonar em estudo não clínico). PubMed
  8. Ahn D, et al. Development and Evaluation of a Pillow to Prevent Snoring … PMC. 2022. (Estudo de almofada desenhada para abrir orofaringe). PubMed
  9. Ramar K, et al. Clinical Practice Guideline for the Treatment of Obstructive Sleep Apnea with Oral Appliances. (AASM guideline). PubMed. 2015. (Evidência e recomendações para DAM/MAD). PubMed
  10. Manetta IP, et al. Mandibular advancement devices in obstructive sleep apnea. PMC. 2022. (Revisão sobre DAM). PubMed

Biblografia sobre tiras nasais

Kase, Y., Shimada, H., Inoue, Y., & Isono, S. (2021). Immediate effect of a nasal dilator strip on inspiratory nasal resistance in patients with nasal obstruction. Auris Nasus Larynx, 48(6), 1087-1093. doi:10.1016/j.anl.2021.02.011

Ferguson, K. A., Cartwright, R., Rogers, R., & Schmidt-Nowara, W. (1998). Oral appliances for snoring and obstructive sleep apnea: a review. Sleep, 19(10), 801–810. doi:10.1093/sleep/19.10.801 (inclui análise de dilatadores nasais como medida adjuvante).

Djupesland, P. G., Skatvedt, O., & Lyberg, T. (1997). The nasal dilator strip in the treatment of snoring. A clinical study. Acta Otolaryngol, 117(4), 596–599. doi:10.3109/00016489709113440

Roithmann, R., Cole, P., Chapnik, J., Barreto, S. M., Szalai, J. P., & Zamel, N. (1998). Acoustic rhinometric assessment of the nasal valve. Am J Rhinol, 12(5), 387–392. doi:10.2500/105065898780182315 (avalia o efeito dos dilatadores na válvula nasal).

Kerr, P., Millar, T., Buckle, P., & Kryger, M. (1993). The importance of nasal resistance in obstructive sleep apnea syndrome. Am J Respir Crit Care Med, 147(6 Pt 1), 1627–1631. doi:10.1164/ajrccm/147.6_Pt_1.1627 (base fisiológica para explicar porque dilatadores podem ajudar em casos leves).

Tiroide e intestino qual a incrível relação?

Tiroide intestino e imunidade, guia de incríveis influências: As doenças da Tiroide mais comuns são o hipotiroidismo (muitas vezes causado pela doença de Hashimoto), o hipertiroidismo e os nódulos da tiroide. A Thyroid Federation International agrega organizações de apoio aos doentes da Tiroide de pelo menos 19 países, quase todos desenvolvido como por exemplo The Australian Thyroid Foundation ou a Thyroid Foundation of Canada. Isto é mais um facto que realça a forte prevalência das doenças da Tiroide na população principalmente dos países ditos “mais evoluídos”! Mas afinal o que se passa com a Tiroide? Qual a sua surpreendente ligação com o nosso intestino?

O que é a tiroide? Qual a sua função? Porque é importante? Quais os sinais de problemas? Como devem ser tratados? Como podem ser evitados? Sabia que as doenças da tiroide são muito comuns, sendo mais frequentes nas mulheres que nos homens?

Leia também: Cão deteta cancro da tiroide!

Existem múltiplas doenças da tiroide. Algumas caraterizam-se pelo incorreto funcionamento da tiroide. A tiroide produz e liberta para a circulação sanguínea duas hormonas, essenciais à vida, uma vez que exercem múltiplos efeitos no metabolismo, crescimento e desenvolvimento do nosso organismo.

Neste artigo vou responder ás seguintes questões:

      • O que é a tiroide?
      • Qual a função da tiroide?
      • Para que servem as hormonas tiroideias?
      • Tiroide e o intestino qual a surpreendente relação?
      • Sistema imunitário e tiroide qual a importante ligação?
      • O que se passa se o intestino funcionar mal?
      • Como é regulada a tiroide?
      • Como se avalia atividade da tiroide?
      • Quais as principais doenças da tiroide?
      • As doenças da tiroide têm tratamento?
      • Nódulos da tiroide, o que são?
      • Qual a causa dos nódulos na tiroide?
      • Que tipos de nódulos existem?
      • Quais os exames que devem ser feitos?
      • Quais as características dos nódulos benignos vs malignos?
      • O que é o hipotiroidismo?
      • Quais as causas do hipotiroidismo?
      • Doença de Hashimoto: O que é?
      • Quais as causas da Doença de Hashimoto?
      • Porque temos falta de nutrientes?
      • Doença de Hashimoto: Quais os 6 nutrientes mais importantes?
      • Quais os sintomas de hipotiroidismo?
      • Como é diagnosticado o hipotiroidismo?
      • Quais os tratamentos para o hipotiroidismo?
      • O que é o hipertiroidismo?
      • Quais as causas de hipertiroidismo?
      • Hipertiroidismo: Quais os sintomas?
      • Como é diagnosticado o hipertiroidismo?
      • Quais os tratamentos para o hipertiroidismo?
      • O que é o cancro da tiroide?
      • Qual a causa do cancro da tiroide? Como é diagnosticado o cancro da tiroide?
      • Como é tratado o cancro da tiroide?
      • Como é seguido o doente com cancro da tiroide
      • Qual a importância da vigilância regular?
      • Quais as doenças da tiroide na gravidez?
      • Quais as alterações da tiroide normais durante a gravidez?
      • Quais as doenças mais comuns da tiroide durante a gravidez?
      • Quais os tratamentos mais indicados durante a gravidez?
      • Qual a influência das doenças da tiroide na amamentação?
      • Pode amamentar-se fazendo o tratamento?

As cinco grandes mentiras sobre saúde
As cinco grandes mentiras sobre saúde

Tiroide o que é?

A tiroide é uma glândula localizada na base do pescoço, por cima da traqueia (logo abaixo da maçã de Adão nos homens). Tem a forma de uma borboleta, sendo constituída por dois lobos unidos por uma porção central chamada istmo. O nome deriva do Grego “thyreos” que significa escudo pois a sua forma de facto faz lembrar um escudo!

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Função da tiroide

A tiroide é uma glândula de secreção endócrina, isto é, produz hormonas que são libertadas para a circulação sanguínea, chamadas hormonas tiróideas, a saber:

  • Triiodotironina (T3),
  • Tetraiodotironina (tiroxina ou T4).

A T3 é a forma ativa da hormona formada principalmente a partir da conversão da T4 nos tecidos periféricos do organismo.

T3 e T4 hormonas tiróideas, para que servem?

As hormonas tiróideas são essenciais à vida e exercem múltiplos efeitos a três níveis:

  • Metabolismo,
  • Crescimento,
  • Funcionamento do organismo.

Estas hormonas são responsáveis por uma enorme variedade de funções e comunicações com todos os outros sistemas do nosso organismo mas particularmente com o intestino.

Através do sangue são transportadas a todas as células do nosso corpo, influenciando o seu metabolismo. Duma forma simples podemos dizer que regulam a velocidade com que as células trabalham. Se há um aumento da produção de hormonas tiróideas como no hipertiroidismo , o nosso organismo está acelerado, por exemplo há um aumento da frequência cardíaca e o funcionamento do intestino torna-se mais rápido.

Por outro lado se há uma menor produção de hormonas tiróideas, hipotiroidismo, a frequência cardíaca diminui e o intestino trabalha mais lentamente podendo originar obstipação.

É a tiroide que decide quanto "combustível" vamos utilizar para cada tarefa fisiológica, metabólica e física que tenhamos de efetuar. Por isso contribui de forma decisiva para o nosso bem-estar mental, emocional, ajudando a pensar mais depressa ou mais devagar e influenciando até a nossa função e desejo sexual.

Tiroide e o intestino

Tiroide e intestino estão intimamente ligados de tal forma que problemas no intestino influenciam decisivamente o funcionamento da tiroide e vice-versa. A tiroide ajuda a regular a motilidade intestinal e fortalece a integridade da mucosa do trato gastrointestinal. Isto e muito importante por duas ordens de razões:

      • O intestino converte um quinto da hormona T4 (forma inativa) em T3 (forma ativa);
      • O intestino serve de interface entre a tiroide e o sistema imunitário.

Sistema imunitário e tiroide

Grande parte do sistema imunitário está localizado logo por baixo da única camada de células que reveste o nosso intestino. Isso mesmo… leu bem o nosso intestino e tudo o que “por lá passa” apenas é separado do sistema imunitário por uma única camada de células fortemente ligadas entre si. Por sua vez esta ligação forte entre as células da mucosa intestinal, curiosamente, não é feita por uma espécie de “cola” mas sim por uma espécie de “portal” que se abre e fecha apenas para deixar passar os nutrientes que nos são essenciais, depois de decompostos nas suas formas mais básicas, tais como:

  • Aminoácidos (para produção de proteínas);
  • Monossacarídeos (para produção de hidratos de carbono);
  • Monoglicerídeos (para produção de gordura).

O bom funcionamento do intestino depende imenso da correta motilidade intestinal que por sua vez é regulada pela tiroide.

Permeabilidade intestinal

Quando a motilidade intestinal está alterada, originando por exemplo obstipação ou diarreia, existe uma maior probabilidade do “portal” que une as células da mucosa intestinal ficar em linguagem simples “encravado no modo aberto” colocando em contacto direto e permanente o nosso sistema imunitário com o conteúdo intestinal. Este contacto provoca uma reação inflamatória permanente e exagerada do nosso sistema imunitário que se sabe hoje ser uma das causas mais importantes de imensas doenças autoimunes, cuja incidência na população dos países desenvolvidos tem disparado de forma alarmante!

Glúten e permeabilidade intestinal

A única molécula conhecida que atua como “chave” para abrir os portais existentes entre as células da mucosa intestinal chama-se Zonulin (Zonulina) e a sua produção pelo organismo é estimulada pela ingestão de gluten, pelo que cientistas de renome na área das doenças autoimunes, como o Dr Alessio Fassano, fundador do Center for Celiac Research, aconselham a eliminar completamente da nossa dieta.

Estudo:

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Como é regulada a tiroide?

A atividade da glândula tiroide é controlada por duas hormonas produzidas noutros órgãos:

    • Hipófise – glândula localizada na base do cérebro, que produz a TSH;
    • Hipotálamo – porção do cérebro imediatamente acima da hipófise, que produz a TRH.

A hipófise e o hipotálamo são uma espécie de sensores, sensíveis aos níveis de hormonas tiroideias em circulação. Se os níveis de T3 e T4 em circulação forem baixos o hipotálamo liberta TRH que estimula a libertação de TSH pela hipófise. Os níveis aumentados de TSH, por sua vez, estimulam a tiroide a produzir mais hormona tiroideia, de forma a restabelecer os níveis normais.

Pelo contrário, se os níveis de hormonas tiróideas em circulação excederem os valores normais, o hipotálamo e a hipófise diminuem a libertação de TRH e TSH respetivamente, de forma a que haja menor produção de T3 e T4 pela tiroide.

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Avaliar a atividade da tiroide

Antes de mais, um médico tem uma ideia da atividade da glândula através da história clínica, sintomas e exame físico que o doente apresenta. Perante a suspeita clínica de alteração da função da tiróide é necessário uma análise laboratorial. É efetuada uma colheita de sangue onde é possível medir os níveis de T3, T4 e TSH.

Doenças da tiroide

As doenças tiróideas são muito comuns, sendo mais frequentes nas mulheres que nos homens.

Existem múltiplas doenças da tiroide, sendo as mais comuns:

    • Hipertiroidismo – sempre que há excesso de produção de hormonas tiroideias;
    • Hipotiroidismo – quando há deficiência de produção de hormonas tiroideias;
    • Doenças Autoimunes – são causadas por anticorpos dirigidos contra a glândula tiroide, que podem estimular ou destruir a glândula. São exemplos a Doença de Graves (causa de hipertiroidismo) e a Doença de Hashimoto ( causa frequente de hipotiroidismo);
    • Bócio – quando a tiroide está globalmente aumentada de tamanho;
    • Nódulos – podem ser únicos ou múltiplos.

Tratamento das doenças da tiroide 

Habitualmente as doenças da tiroide não são complicadas e os seus sintomas podem ser tratados. Há doenças que podem ser tratadas com medicamentos orais e outras que pode ser necessário recorrer a outras formas de tratamento.

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Nódulos da Tiroide

O que são nódulos?

A tiroide é uma glândula que todos temos e que se localiza no pescoço. Por vezes pode estar aumentada de volume de forma difusa – bócio simples ou pode ter nódulos – bócio nodular.

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Causa dos nódulos

A maioria das vezes não se sabe a causa. Algumas das causas conhecidas são as seguintes:

    • As mulheres podem ter aumento do volume da glândula durante a gravidez.
    • Deficiência de iodo.
    • Aumento difuso provocado por doenças autoimunes como a Doença de Graves e Tiroidite de Hashimoto.
    • Alguns medicamentos ex: amiodarona, lítio, …
    • Determinados químicos.
    • Radioterapia da cabeça ou do pescoço.
    • Causa genéticas.
    • Grandes quantidades de radioatividade , por exemplo no desastre de Hiroshima , Chernobyl e mais recentemente Fukushima

Tipos de nódulos

Os nódulos da tiroide são muito mais frequentes na mulher do que no homem. Os nódulos podem ser:

  • Únicos,
  • Múltiplos.

Habitualmente tem o mesmo tipo de abordagem. Os nódulos com menos de 1 cm habitualmente não têm importância clínica, e podem apenas necessitar de vigilância. Nos nódulos com mais de 1 a 1,5 cm , dependendo da história clínica e características ecográficas dos nódulos, pode ser conveniente a realização de uma citologia aspirativa com agulha fina. Pretende-se excluir a hipótese de cancro da tiróide, que constitui uma minoria das situações (cerca de 5 a 10%).

Se forem volumosos podem dar algum desconforto ou sensação de compressão a nível cervical. Nessa situação pode ser necessário cirurgia que também é realizada sempre que a citologia for suspeita ou maligna.

Exames que devem ser feitos

Colheita de sangue para avaliar os níveis das hormonas tiróideas

Se hipertiroidismo, pode tratar-se de um ou mais nódulos a trabalhar em excesso.

Ecografia da tiroide

É um exame indolor que nos permite avaliar a morfologia da glândula, isto é, o seu tamanho, a existência de nódulos e as suas características, por exemplo se são sólidos ou líquidos. Apesar da ecografia da tiroide não nos indicar se um nódulo é benigno ou maligno, determinadas características dos nódulos podem ser mais suspeitas e orientam-nos para a necessidade de uma citologia.

Citologia com agulha fina

Recolhe células do nódulo para estudo microscópico.

Cintigrafia da tiroide

Só deverá ser efetuado em algumas situações particulares.

Nódulos benignos vs malignos

Nódulos benignos

Podem ser quistos, nódulos coloides, adenomas, etc.

Nódulos malignos

O cancro da tiroide tem uma alta taxa de cura e a maioria dos doentes pode ter uma vida perfeitamente normal. O tratamento é cirúrgico. Por vezes é necessário tratamento com iodo radioativo. O tratamento com levotiroxina é obrigatório em todos os doentes. A vigilância deve ser para o resto da vida.

Hipotiroidismo

O que é o hipotiroidismo?

É uma condição em que as hormonas da tiróide estão em quantidade insuficiente no sangue comprometendo o normal funcionamento de todo o organismo. Chama-se de hipotiroidismo primário quando a causa compromete o funcionamento da tiroide.

Sintomas de hipotiroidismo

Os os sintomas são variados, por vezes inespecíficos ou seja são similares ao de outras patologias e geralmente aparecem progressivamente. Os principais são os seguintes:

  • Aumento da sensibilidade ao frio;
  • Fadiga;
  • Cansaço fácil;
  • Obstipação;
  • Pele seca;
  • Queda de cabelo, cabelo fino e quebradiço;
  • Irregularidades menstruais;
  • Ligeiro aumento de peso (retenção de fluidos);
  • Mialgias e parestesias.

Causas de hipotiroidismo primário

Existem muitas razões pelas quais a tiroide deixa de funcionar adequadamente nas pessoas com hipotiroidismo, sendo as principais as que descrevo de seguida:

    • Doença autoimune como a doença de Hashimoto (95% dos casos);
    • Falta ou excesso de iodo;
    • Cirurgia prévia;
    • Medicamentos;
    • Radiações.

Doença de Hashimoto

É a causa mais comum em adultos (95%), em países sem carência severa de iodo, como é o caso de Portugal. Nesta condição, as defesas do organismo deixam de reconhecer a tiroide como fazendo parte do corpo e atacam-na como se fosse uma entidade estranha. À medida que vai sendo lesada, a tiroide deixa de ter capacidade para fabricar e libertar hormonas em quantidade suficiente, estabelecendo-se o hipotiroidismo.

Doença de Hashimoto: Quais as causas?

Segundo a Dra Izabella Wentz, as principais causas primárias da doença de Hashimoto são:

    • Sensibilidades alimentares
    • Deficiência em alguns nutrientes
    • Dificuldade em gerir o stress
    • Comprometimento da capacidade de lidar com toxinas
    • Infeções crónicas
    • Permeabilidade intestinal

Algumas das causas primárias podem estar um pouco escondidas e ser necessário investigar mais profundamente. No entanto resolver as carências de nutrientes é uma das medidas mais simples que podem ser tomadas.

A boa notícia é que, quando tratamos das carências de nutrientes, podemos sentir uma melhoria muito rápida, mesmo quando outras causas subjacentes ainda estão presentes!

Falta de nutrientes

Carências de nutrientes são sempre um fator na Doença de Hashimoto. Devido ás práticas agrícolas atuais e dieta ocidental, a carência de nutrientes é um fator importante para a maioria das pessoas!

Estas carências podem ser originadas pelos seguintes fatores:

  • Comer alimentos processados
  • Tomar medicamentos
  • Sensibilidade alimenta
  • Inflamação intestinal,
  • Má digestão,
  • Mal absorção,
  • Infeção intestinal,
  • Microbioma alterado.

Até mesmo o hipotiroidismo em si mesmo, pode levar a carências de nutrientes.

Mesmo as pessoas cuja dieta se baseia em alimentos orgânicos, ricos em nutrientes, correm o risco de ter deficiências de nutrientes, devido aos seguintes fatores:

  • Estômago menos ácido que o necessário
  • Mal absorção de gordura
  • Deficiência em enzimas digestivas

Estes fatores fazem com que muitos de nós não sejamos capazes de retirar e absorver dos alimentos os nutrientes que necessitamos nas quantidades adequadas.

6 nutrientes mais importantes na Doença de Hashimoto

Ainda segundo a Dra Izabella Wentz as carências de nutrientes mais comuns na doença de Hashimoto são:

  • Magnésio (citrato ou glicinato)
  • Selénio,
  • Vitamina B1 (Tiamina)
  • Vitamina B12,
  • Viatmina D
  • Ferritina (a proteína de armazenamento de ferro).

O doseamento sanguíneo de selénio, vitamina B1 (Tiamina) e magnésio não são fiáveis. A maioria das pessoas com Hashimoto tem deficiências nestes 3 nutrientes pelo que se aconselha a suplementação mesmo sem teste sanguíneo, pois as reações adversas são pouco frequentes.

Magnésio

O magnésio foi muitas vezes chamado de “nutriente milagroso”. A deficiência de magnésio pode causar os seguintes sintomas:

  • Caibras
  • Enxaqueca,
  • Dores de cabeça,
  • Insónia,
  • Cólicas menstruais,
  • Ansiedade,
  • Dores nas articulações.

Pode ainda causar uma série de outros sintomas entre os quais intolerância a ruídos altos.

O uso a longo prazo também pode ajudar com a normalização da aparência da glândula tiroide em ultrassom, e magnésio também pode ajudar a tiroide e nódulos da mama.

Magnésio: Qual o suplemento recomendado?

  • Citrato de magnésio puro em cápsulas (se for tendencialmente preso do intestino)
  • Glicinato de magnésio (se for tendencialmente solto do intestino)

Dose: 1-4 cápsulas por dia, em doses divididas, com as refeições.

Quais os benefícios esperados?

  • Redução da ansiedade,
  • Palpitações menos frequentes,
  • Mais energia,
  • Melhoria no exame de ultrassom da tiroide (quando usada a longo prazo),
  • Ausência de cólicas menstruais,
  • Melhoria na obstipação,
  • Menos enxaqueca,
  • Menos caibras e dor,
  • Melhor sono.

Quanto tempo para ver os benefícios?

Isso realmente depende dos sintomas. Pode sentir benefícios com ansiedade, insónia e até mesmo enxaquecas ou dores de cabeça, dentro da primeira semana.

As cólicas menstruais, vão reduzir-se em 80-90% no primeiro mês e diminuirão ainda mais com o uso continuado. Em relação à normalização do exame de ultrassom da tiroide, isso pode levar alguns anos de uso.

Quanto tempo tomar: 3 meses ou toda a vida depende dos sintomas e do aconselhamento médico.

Considerações especiais:

Certifique-se que toma o magnésio pelo menos com 4 horas de diferença em relação à medicação da tiroide pois o magnésio pode bloquear a sua absorção. Tomar o magnésio ao deitar pode ser uma boa escolha porque promove um sono reparador.

Citrato de magnésio pode causar fezes moles, o que pode ser bom se for obstipado ou mau se já tiver fezes soltas.

Assim utilize glicinato de magnésio se tende mais para a diarreia e citrato de magnésio se tende mais para a obstipação.

Tenha ainda em mente que para algumas pessoas o glicinato de magnésio pode piorar os sintomas de ansiedade. Neste caso o citrato de magnésio seria uma escolha melhor.

Selénio

Deficiência de selénio tem sido reconhecida como um gatilho ambiental para Hashimoto’s, e a maioria das pessoas com Hashimoto estão em risco de ter esta deficiência. Outras populações de alto risco incluem pessoas com:

  • Síndrome do Intestino Irritável,
  • Doença celíaca (alérgicos ao glúten)
  • Pessoas que consomem dietas sem cereais.

Numerosos estudos apoiam o uso de selénio na Doença de Hashimoto, Doença de Graves e gravidez. Na verdade, o selénio pode evitar a doença de Hashimoto pós-parto.

Uma dose de 200 microgramas por dia foi considerada eficaz para reduzir os anticorpos anti-Tiroperoxidase (TPO) em cerca de 50% em 3 meses!

Suplemento recomendado: Selénio na forma de metionina pura em cápsulas

Dose: 200-400 μg por dia

Benefícios esperados:

  • Menos ansiedade,
  • Melhor conversão de T4 para T3,
  • Menos anticorpos anti tiroide,
  • Mais energia,
  • Menos perda de cabelo,
  • Menos palpitações.

Quanto tempo demora a sentir benefícios?

Geralmente 3 a 5 dias para os sintomas começarem a melhorar e 3 meses completos para ver uma redução nos anticorpos da tiroide

Quanto tempo deve tomar: 3 meses a 2 anos

Considerações especiais:

Se tiver uma reação adversa ao selénio (que é raro), pode ter deficiência de iodo. Enquanto o iodo pode ser um gatilho para Hashimoto e pode exacerbar Hashimoto, algumas pessoas podem ser deficientes e podem beneficiar de um suplemento de iodo de baixa dosagem (até 250 mcg tem sido bem tolerado em pessoas com Hashimoto.) A maioria das vitaminas multi e pré-natal já contém na sua composição 150-250 mcg.

Tiroide melhorsaude.org melhor blog de suade

Falta ou excesso de iodo – O Iodo é o elemento fundamental para a síntese das hormonas da tiroide. O iodo é fornecido pelos alimentos. Quando em níveis insuficientes ou excessivos pode alterar a função da tiroide, comprometendo a sua síntese hormonal.

Cirurgia prévia – algumas doenças da tiroide requerem uma cirurgia para remoção total ou parcial da glândula. Se a remoção for completa ou o que restou da glândula não for suficiente, não haverá produção adequada das hormonas.

Medicamentos – há fármacos como a amiodarona, o lítio e o interferão que alteram a síntese hormonal.

Radiações – pessoas submetidas a tratamentos com radiações para doenças da tiroide ou outras da cabeça ou pescoço podem desenvolver hipotiroidismo.

Diagnosticar o hipotiroidismo

Segundo a experiência pessoal e profissional da Dra Izabella Wentz, autora do Best seller Hashimoto’s Protocol, o hipotiroidismo pode não ser diagnosticado nos primeiros 10 anos da doença pelo simples facto de as análises clinicas apenas ao doseamento das hormonas da tiroide T4 e T3 estarem dentro dos intervalos normais de referência.

Normalmente o diagnóstico definitivo baseia-se no doseamento sanguíneo das hormonas da tiroide e da TSH (hormona que regula o funcionamento da tiroide e que é produzida noutra glândula, a hipófise, que se localiza no cérebro).

No entanto, se houver sintomas, segundo a Dra Izabella Wentz, mesmo com T4 e T3 normais, a doença autoimune de Hashimoto pode já estar a atacar a tiroide. Torna-se portanto necessário  ir mais longe e fazer os seguintes exames complementares:

    • Ecografia da tiroide para confirmar se a morfologia e tamanho são normais;
    • Teste TPO: Pesquisa no sangue anticorpos específicos da tiroide, tais como anticorpos contra a Tiroperoxidase (TPO) que é uma enzima presente na tiroide e desempenha uma importante função na produção de hormonas da tiroide. Se o teste for positivo isso indica que existem anticorpos a atacar a tiroide o que pode ser uma indicação de doença autoimune tal como doença de Hashimoto (que provoca hipotiroidismo) ou doença de Graves (que provoca hipertiroidismo).

Qual o tratamento para o hipotiroidismo?

O tratamento do hipotiroidismo consiste na administração geralmente crónica de hormona da tiroide na forma de L-tiroxina (T4), de forma a fornecer ao organismo a quantidade de hormonas que a tiroide se tornou incapaz de produzir.

Como se faz o acompanhamento médico?

A maioria dos casos de hipotiroidismo são definitivos, não tendo cura. No entanto, desde que o tratamento seja bem realizado e a dose de levotiroxina seja a correta, as pessoas não terão quaisquer sinais ou sintomas, podendo levar uma vida perfeitamente normal.

A dose de L-T4 adequada pode variar ao longo do tempo na mesma pessoa, o que obriga a que se devam realizar análises periódicas para ajustar a posologia.

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Hipertiroidismo

O que é o hipertiroidismo?

O hipertiroidismo acontece quando a glândula tiroide produz hormonas em quantidades excessivas. As hormonas tiroideias (T3 e T4) controlam todas as funções do organismo e a sua velocidade de funcionamento. Quando há um excesso destas hormonas o organismo está “acelerado”. Esta situação deve ser rapidamente tratada pois pode causar “exaustão” em alguns dos órgãos, nomeadamente o coração

Causas do hipertiroidismo

As principais causas de hipertiroidismo são as seguintes:

  • Doença de Graves (doença autoimune);
  • Nódulo tóxico;
  • Bócio multinodular tóxico;
  • Tiroidite subaguda;
  • Excesso de hormona tiroideia;
  • Ingestão excessiva de iodo.

De seguida descreve-se como cada uma destas condições de saúde leva ao hipertiroidismo.

    • Doença de Graves – é uma alteração autoimune, causada por anticorpos estimuladores da tiroide. Há geralmente um aumento do volume da tiroide (bócio), hipertiroidismo e, por vezes, edema dos tecidos periorbitários que podem causar saliência dos globos oculares e alterações da visão. É mais frequente nas mulheres que nos homens e pode ter uma associação familiar.
    • Nódulo tóxico – quando a tiroide apresenta um único nódulo que produz mais hormonas que o necessário para o funcionamento normal do organismo.
    • Bócio multinodular tóxico – a tiroide apresenta-se mais volumosa (bócio) com vários nódulos que produzem excesso de hormonas e provocam hipertiroidismo. Geralmente aparece em pessoas mais velhas que há vários anos tinham bócio com nódulos.
    • Tiroidite Subaguda – após uma infeção vírica a tiroide torna-se mais volumosa e dolorosa e liberta para o sangue uma grande quantidade de hormonas que tinha armazenada. Não há um verdadeiro aumento de produção hormonal e, portanto, o hipertiroidismo é autolimitado.
    • Excesso de hormona tiroideia – os doentes que fazem tratamento com hormona tiroideia (levotiroxina) podem desenvolver hipertiroidismo se a dose desta se tornar excessiva. Por isto, a função tiroideia deve ser periodicamente vigiada por um médico e a dose de levotiroxina ajustada.
    • Ingestão excessiva de iodo – algumas medicações (ex. solução de lugal, amiodarona, contrastes de RX,…) contêm Iodo numa concentração muito superior á necessária. Em certas situações, este excesso de iodo pode ser utilizado pela tiroide e causar um hipertiroidismo.

Sinais de hipertiroidismo

Geralmente o quadro é muito marcado e não passa despercebido. É habitual estar presente um bócio (aumento de volume da tiroide) que se pode acompanhar de:

  • Palpitações, aumento da fadiga cardíaca (> 100 batimentos por minuto);
  • Nervosismo, irritabilidade, ansiedade, variações frequentes de humor; insónia;
  • Tremor fino das mãos;
  • Perda de peso apesar de apetite aumentado;
  • Hipersudorese e intolerância ao calor;
  • Queda de cabelo, pele fina, alterações das unhas;
  • Diarreia;
  • Diminuição do fluxo menstrual e irregularidades menstruais;
  • Fraqueza muscular no ombros, braços ou coxas;
  • Olhar vivo, fixo e/ou olhos proeminentes, visão dupla (na Doença de Graves).

Diagnóstico de hipertiroidismo

Quando há uma suspeita clínica pode ser realizada uma análise ao sangue onde é doseada a TSH – a hormona da hipófise que estimula a tiroide e que no hipertiroidismo está diminuída – e a T3 e T4 – hormonas da tiroide que no hipertiroidismo circulam em excesso no sangue. Pode existir excesso de uma só ou de ambas.

Posteriormente, para reforçar o diagnóstico podem ser necessários outros exames complementares para conhecer a causa tais como:

  • Determinação de anticorpos,
  • Cintigrafia da tiroide,
  • Ecografia.

Tratamento do hipertiroidismo

O objetivo é terminar com a produção excessiva de hormonas da tiroide. Há três tipos de tratamento e o seu médico poderá explicar-lhe os riscos e benefícios de cada um dos seguintes:

    • Medicamentos anti-tiroideios,
    • Iodo radioactivo,
    • Tratamento cirúrgico.

Fármacos anti tiroideios

Em Portugal há fármacos que atuam diminuindo a produção de hormonas pela tiroide. Atualmente prefere-se o uso do tiamazol (Metibasol®). Alguns doentes conseguem uma remissão de hipertiroidismo com o uso prolongado destes fármacos (cerca de 12-18 meses), embora noutros apenas se consiga um controlo provisório. Podem ter alguns efeitos adversos, tais como:

  • Reações cutâneas,
  • Alterações hepáticas,
  • Redução dos glóbulos brancos.

O seu uso deve ser vigiado e controlado por um médico endocrinologista.

Iodo Radioativo

Resulta numa resolução definitiva do hipertiroidismo. É administrado por via oral (geralmente em cápsulas) e ao entrar nas células da tiróide destrói algumas. O seu efeito terapêutico raramente acontece nos primeiros dois meses, manifestando-se depois, de um modo geral, até 6 meses após a sua administração.

Ocasionalmente o hipertiroidismo mantém-se e é necessária uma 2ª dose. Mais frequentemente resulta num hipotiroidismo (glândula menos ativa) e é preciso ficar a tomar hormona tiroideia de substituição. A dose exata de iodo para se conseguir uma função tiroideia normal é difícil de calcular, pelo que na maior parte dos casos se opta por uma dose empírica. É utilizado desde há muitos anos e não tem complicações importantes.

Tratamento cirúrgico

Em alguns casos é necessário remover cirurgicamente parte (nódulo tóxico) ou toda a glândula (Doença de Graves ou Bócio multinodular tóxico). Se a remoção for completa surge o hipotiroidismo e é necessário tomar hormona tiroideia para o resto da vida.

Outros tratamentos

Há fármacos (grupo dos bloqueadores beta adrenérgicos) que podem ser utilizados temporariamente para controlar os sintomas de hipertiroidismo enquanto os tratamentos específicos se tornam efetivos.

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Cancro da Tiroide

O que é o cancro da tiroide?

O cancro da tiroide é um tumor maligno da glândula tiroideia. Aparece habitualmente sob forma de nódulo no pescoço, quase sempre sem sintomas. Apenas cerca de 5 a 10% destes nódulos tiroideus são malignos. A maioria dos casos surge em mulheres.

Os cancros da tiroide mais frequentes são o carcinoma papilar e o folicular, que se agrupam nos chamados carcinomas diferenciados da tiroide. Tal como o nome sugere, as suas células mantêm algumas características das células tiroideias normais, o que facilita o seu tratamento. Há outros tipos de cancro, carcinoma medular da tiroide , carcinoma anaplásico e linfoma da tiroide. Estes carcinomas são muito mais raros e tem uma forma de abordagem e evolução muito diferentes.

Causa do cancro da tiroide

O cancro da tiroide pode surgir em qualquer pessoa, e na maior parte dos casos a causa é desconhecida. Apenas a radioterapia da cabeça, pescoço ou tórax parece ser um fator de risco para o seu aparecimento. Antes de 1960 utilizava-se este tipo de tratamento para amigdalites de repetição ou para o acne. Sabe-se que há maior risco nas pessoas que foram expostas a grandes quantidades de radiação, como aconteceu na bomba de Hiroshima, no acidente nuclear de Chernobyl e vamos ver o que acontece com o acidente nuclear em Fukushima . Estes carcinomas podem ter uma incidência familiar.

Diagnosticar o cancro da tiroide

Muitas vezes é o próprio doente que nota um nódulo à palpação do pescoço, ou o seu médico num exame físico de rotina. Outras vezes aparece numa ecografia ou TAC pedidas por outro motivo. A grande maioria destes nódulos são benignos (90 a 95%), pelo que a sua simples descoberta não deve alarmar. No entanto, obriga ao seu estudo com:

  • Análises de sangue para avaliar a função tiroideia;
  • Ecografia da tiroide e se necessário citologia aspirativa com agulha fina.

Só em casos pontuais haverá necessidade de fazer cintigrafia.

A citologia é efetuada com uma agulha fina para aspirar uma pequena quantidade de células do(s) nódulo(s), que será analisada em laboratório. O exame é rápido, seguro e praticamente indolor.

Tratamento do cancro da tiroide

Se o diagnóstico da citologia for cancro, o primeiro passo é a cirurgia com a remoção (total) da glândula tiroideia – tiroidectomia (total), bem como dos gânglios linfáticos suspeitos, se os houver. Na maior parte dos casos, o tumor é totalmente removido. As complicações da cirurgia são raras nos centros mais experientes.

Uma vez retirada a tiroide, é necessário fazer tratamento com hormona tiroideia (T4 – levotiroxina). O objetivo é substituir a produção normal de hormona tiroideia e inibir o crescimento de possíveis células tiroideias ainda presentes . A TSH pode estimular o crescimento das células tumorais. O nível de TSH pretendido com o tratamento com levotiroxina depende de cada caso.

Em alguns casos pode ser necessário o tratamento com iodo radioativo, chamado tratamento ablativo ou ablação, porque destrói as células tiroideias normais e as cancerosas que possam ter ficado após a cirurgia. A necessidade de o fazer ou não tem que ser adaptado a cada doente.

Qual a importância da vigilância regular?

Mais de 80% de todos os casos curam.

No entanto, manter a vigilância periódica é essencial para a deteção precoce de uma eventual recidiva. Em 20% dos casos pode não ser obtida a cura após o tratamento inicial, por vezes pode haver disseminação a nível dos gânglios do pescoço e a outras partes do corpo (metástases) ainda que muitos anos depois da cirurgia.

Por esta razão, os médicos recomendam que os doentes com cancro da tiroide mantenham vigilância regular para toda a vida, embora mais importante nos primeiros 5 a 10 anos.

Os dois exames fundamentais para esta vigilância são:

  • Análises de sangue (doseamento da função tiroideia, tiroglobulina e anticorpos antitiroglobulina)
  • Ecografia cervical.

A periodicidade dos pedidos depende do doente, anos de seguimento e grau de risco do carcinoma. No 1º ano pós tratamento inicial geralmente são recomendados doseamentos de tiroglobulina e anticorpos antitiroglobulina cada 6 a 12 meses, e uma ecografia cervical ao fim do primeiro ano de tratamento, repetida quando o médico assim o considerar.

Ao fim do 1º ano de vigilância, pode ser necessário o doseamento de tireoglobulina ( o marcador tumoral ) sob níveis elevados de TSH (hormona hipofisária). Existem duas alternativas para elevar a TSH. Uma das possibilidades, a única disponível até há poucos anos, consiste em suspender a medicação com hormona tiroideia (habitualmente a T4 por 3 a 4 semanas ou a T3 por 2 a 3 semanas). A falta de hormona tiroideia, no entanto, provoca os sinais e sintomas habituais do hipotiroidismo, que podem ter repercussões mais ou menos importantes, dependendo de doente para doente.

Outra possibilidade é a utilização de TSH recombinante humana (rhTSH). Apesar de ser produzida em laboratório, a rhTSH é idêntica à TSH natural. A grande vantagem é que os doentes não têm necessidade de suspender a medicação com hormona tiroideia e portanto não têm os sintomas de hipotiroidismo. Tem alguns efeitos secundários, tais como:

    • Pequena reação no local da picada
    • Náuseas,
    • Vómitos,
    • Dor de cabeça,
    • Fraqueza após a injeção.

O que esperar para o futuro?

Apesar de não ter tiroide, pode ter uma vida perfeitamente normal com o tratamento hormonal qua a substitui. Vai necessitar de o manter para o resto da vida.

Consulte o seu médico para programar uma eventual gravidez. Os tratamentos com iodo radioativo estão absolutamente contraindicados na gravidez e aleitamento. Não pode engravidar nos 6 a 12 meses que se seguem ao tratamento. Nesta fase deve assegurar uma contraceção eficaz.

No entanto, assim que o seu médico o consentir, uma gravidez decorre de forma segura, desde que mantenha o tratamento com a hormona tiroideia e a vigilância analítica.

Gravidez e doenças da tiroide

Durante a gravidez há alterações fisiológicas no organismo da mãe que obrigam a glândula tiroideia a um esforço acrescido.

Até cerca das 20 semanas de gestação a tiroide fetal não sintetiza as hormonas necessárias para o desenvolvimento do feto pelo que este necessita das hormonas tiróideas produzidas pela mãe.

As hormonas da tiroide são indispensáveis ao desenvolvimento do sistema nervoso central fetal. Um défice destas pode-se traduzir mais tarde num atraso cognitivo ou dificuldades de aprendizagem da criança.

Alterações normais durante a gravidez

    • O aumento dos níveis de estrogénio no sangue materno condiciona um acréscimo das proteínas de transporte das hormonas tiroideias em circulação, o que conduz a um aumento dos níveis totais de hormonas tiroideias no sangue. Porém, as hormonas “livres” (não ligadas às proteínas e que representam a forma ativa da hormona) diminuem ao longo da gestação.
    • O aumento do volume sanguíneo e, portanto, do volume de distribuição das hormonas tiroideias (fenómeno de diluição) conduz a uma redução da concentração destas.
    • O aumento das perdas de iodo pela urina, a passagem deste através da placenta para o feto e a desionização das hormonas tiroideias na placenta, implica que as necessidades de iodo durante a gravidez aumentem. Se não há iodo suficiente para a produção das hormonas tiroideias, estas vão entrar em défice.
  • A hCG (gonadotrofina coriónica humana), hormona de origem placentária, que atinge os valores mais elevados no fim do primeiro trimestre da gravidez estimula a tiroide, por semelhança estrutural com a hormona estimulante da tiroide (TSH). A valores mais elevados de hCG no 1º trimestre correspondem valores mais baixos de TSH.

Estas alterações próprias da gravidez traduzem-se em alterações das análises laboratoriais utilizadas para estudar o funcionamento da tiroide e obrigam a uma correta interpretação dos resultados encontrados na mulher grávida.

As doenças da tiroide são frequentes na gravidez?

As doenças da tiroide são relativamente frequentes na população em geral e, em particular, no sexo feminino e também nas mulheres em idade fértil. A gravidez pode alterar a evolução natural das doenças da tiroide e as doenças da tiroide (e o seu tratamento) podem afetar a evolução normal da gravidez, a mulher grávida e o feto.

O diagnóstico é geralmente feito da mesma forma que é feito fora da gravidez. Geralmente fazem-se doseamento das hormonas tiróideas no sangue e uma ecografia da tiroide, que por ser um exame isento de radiação não tem qualquer efeito nocivo no feto.

É importante saber que, na gravidez, os resultados das análises poderão ter uma interpretação diferente, porque os valores de referência habituais apresentados pelo laboratório podem não ser adequados para a gravidez.

Doenças mais frequentes na gravidez

Hipotiroidismo na gravidez

A carência materna de hormonas tiroideias (hipotiroidismo) pode atingir mais de 3% das gestações. Em alguns casos, esta situação já era conhecida pela mulher antes de engravidar e se não estiver tratada conduz geralmente a uma infertilidade.

A causa mais frequente de hipotiroidismo nesta idade, em países sem défice severo de iodo, é uma inflamação crónica da tiroide, de natureza autoimune:

  • A tiroidite crónica autoimune (linfocítica ou de Hashimoto).

Pensa-se que a Tiroidite Crónica se possa relacionar com um aumento da incidência de aborto e de parto pré-termo. Os sinais e sintomas do hipotiroidismo são inespecíficos e facilmente confundíveis com queixas frequentes na gravidez, tais como:

  • Aumento de peso,
  • Falta de forças,
  • Cansaço,
  • Obstipação,
  • Pode haver ainda um aumento do volume da glândula tiroideia, vulgarmente conhecido por bócio.

O tratamento é obrigatório e faz-se com levotiroxina (L-T4), a hormona que a tiroide produz em maior quantidade e que se pode transformar em T3 de acordo com as necessidades. Conforme dito anteriormente, o correto tratamento do hipotiroidismo é essencial para o desenvolvimento neurológico do feto.

Se o hipotiroidismo já era conhecido antes da gravidez, a dose de levotiroxina necessita de ser aumentada, até 30% ou 50%, pelas 4 a 6 semanas de gestação. Após o parto, as necessidades de levotiroxina, em geral, diminuem para doses habituais na mulher não grávida, mesmo durante o período de amamentação.

Hipertiroidismo na gravidez

O excesso materno de hormonas tiroideias (hipertiroidismo) é uma situação mais rara que a anterior, mas pode atingir até 1% das grávidas. A causa mais frequente é a Doença de Graves, também de natureza autoimune.

O hipertiroidismo não tratado relaciona-se com o aumento da incidência dos seguintes problemas de saúde na gravidez:

  • Aborto e de
  • Parto pré-termo,
  • Baixo peso ao nascer,
  • Pré-eclampsia,
  • Insuficiência cardíaca na mãe e no feto,
  • Morte intra-uterina.

A clínica apresentada pela mãe também é inespecífica, confundindo-se com queixas frequentes na gravidez, tais como:

  • Vómitos,
  • Emagrecimento,
  • Taquicardia,
  • Intolerância ao calor.

O bócio (aumento do volume da tiroide) associado a exoftalmia (procidência dos globos oculares) são sinais mais específicos que apontam para uma Doença de Graves. O hipertiroidismo na mulher grávida deve ser sempre tratado por um médico especialista – Endocrinologista.

Tratamento do hipertiroidismo na gravidez

No tratamento do hipertiroidismo no 1º trimestre ou da mulher que pretende engravidar, é preferido um fármaco que inibe a síntese tiroideia específico – o propiltiouracilo (Propycil®)– que apresenta menor risco de provocar malformações no feto.

No 2º e 3º trimestres, recomenda-se o tiamazol (Metibasol®), que é menos tóxico para o fígado. Se a cirurgia for necessária (o que é raro, geralmente por efeitos secundários graves dos fármacos), deverá ser realizada no 2º trimestre da gravidez, quando há menos riscos para o feto.

O tratamento com iodo radioativo na gravidez está absolutamente contra-indicado.

É provável que a doença de Graves melhore ao longo da gravidez, levando a uma redução das doses do tratamento, ou mesmo a sua suspensão, no entanto, poderá haver um agravamento da doença após o parto.

Tiroidites na gravidez

A tiroidite é um processo inflamatório da glândula tiroideia, em geral crónico e de natureza autoimune. Os anticorpos antitiroideus (antiperoxidase tiroideia e antitireoglobulina) são detetados muito frequentemente em mulheres desta faixa etária (em 10% a 15% das grávidas). Os níveis destes anticorpos descem progressivamente durante a gravidez, mas podem subir de novo no pós-parto.

Mulheres com anticorpos tiroideus positivos têm um risco aumentado de desenvolver hipotiroidismo durante a gravidez, pelo que a função tiroideia deverá ser vigiada pelo menos uma vez por trimestre. Estas mulheres têm maior tendência a desenvolver um processo de tiroidite nos primeiros 6 meses após o parto – tiroidite pós-parto.

A Tiroidite pós-parto caracteriza-se por uma inflamação indolor, com uma fase inicial de aumento dos níveis sanguíneos de hormonas tiroideias, seguido de normalização e posterior diminuição destes níveis hormonais. Habitualmente, esta situação tem uma resolução espontânea, mas há tendência para voltar após a gravidez seguinte. Cerca de 20% a 60% das mulheres com história de tiroidite pós-parto desenvolverão hipotiroidismo definitivo em 5 a 10 anos.

Doença Nodular e Cancro na grávida

A investigação dos nódulos da tiroide durante a gestação é semelhante à da mulher não grávida e inclui uma avaliação da função tiroideia através de análises sanguíneas, a realização de uma ecografia e de uma biopsia aspirativa, se indicado. O risco de cancro na mulher grávida é semelhante ao da mulher não grávida e a gravidez não agrava o seu prognóstico.

O diagnóstico de cancro da tiroide vai obrigar a uma cirurgia de remoção da glândula, que geralmente se adia para depois do parto. Em situações graves, poderá optar-se por uma intervenção cirúrgica no 2º trimestre, período da gravidez em que o risco é menor para o feto.

O tratamento com Iodo radioativo, quando necessário, será sempre adiado para depois do parto, implicando um período de suspensão da amamentação.

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Amamentação e doenças da tiroide

A necessidade de corrigir a disfunção tiroideia materna persistente após o parto com fármacos não é razão suficiente para não amamentar. Apesar de “passarem” para o leite, os fármacos utilizados nas doenças tiroideias podem ser utilizados durante a amamentação com pouco risco para o recém-nascido.

No hipertiroidismo, o fármaco a utilizar será o tiamazol (Metibasol®), pois o risco de provocar malformações já não se coloca. Não devem ser ultrapassadas doses de 20 mg/dia e a toma deverá ser feita antes do inicio da 1ª mamada do dia. O hipertiroidismo deve ser normalmente compensado com levotiroxina sem que haja risco algum para o feto.

Curiosidade

Quais são as principais glândulas endócrinas?

As principais glândulas endócrinas do nosso corpo estão representadas na figura seguinte:

Glandulas endócrinas melhorsaude.org melhor blog de saude

Concluindo

A tiroide regula imensas funções do nosso organismo. As doenças da tiroide são comuns principalmente entre as mulheres. Se sente simultaneamente alguns sintomas como um cansaço exagerado, fadiga, aumento da sensibilidade ao frio, pele mais seca, obstipação, dores musculares, formigueiro ou dormência dos membros, mais queda de cabelo então um quadro de hipotiroidismo pode estar a emergir. Se pelo contrário sente palpitações, aumento dos batimentos cardíacos, nervosismo, irritabilidade, insónia, tremor das mãos, diarreia e outros sintomas que provocam mal estar então pode estar perante um contexto de hipertiroidismo.

Estas e outras doenças da tiroide provocam uma perda muito acentuada da qualidade de vida interferindo até nas relações familiares que podem ficar muito degradadas se o diagnóstico não for feito e iniciado o tratamento adequado em tempo útil! Os sinais de doenças podem surgir em qualquer altura da nossa vida…! Não se descuide e procure apoio médico imediato pois na maioria dos casos o tratamento permite voltar a ter a qualidade de vida que merece para valorizar as coisas boas que surgem quando abraçamos a vida de forma positiva! A ciência atual não deixa dúvidas… acreditar e ser positivo aumenta bastante as probabilidades de viver mais anos!

Fique bem!

Franklim Fernandes

Fontes:

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Tiroide melhorsaude.org melhor blog de saude

Monografia_sobre_disfunção_tiroidea melhorsaude.org melhor blog de saude

Autismo e paracetamol ou acetaminofeno na gravidez, qual o perigo?

Autismo e utilização de paracetamol ou acetaminofeno na gravidez, qual o perigo? As autoridades de saúde norte americanas levantam preocupações sobre o uso por parte de mulheres grávidas de paracetamol, o ingrediente ativo, por exemplo, do Ben-u-ron e Tylenol que são algumas das marcas mais conhecidas com que este fármaco é comercializado e um dos medicamentos mais utilizados a nível global.

Neste artigo descrevo as evidências científicas credíveis para que possa, se necessário, tomar decisões mais informadas sobre esta polémica. Sobre a definição, diagnóstico, sinais e fatores de risco do autismo destaco o seguinte artigo de interesse:

Autismo e Asperger melhorsaude.org

Autismo: O que é, quais os sinais, causas e fatores de risco desta doença tão limitante!

Causa da polémica

Segundo o jornal Público, os responsáveis norte americanos têm revisto investigações anteriores — incluindo uma revisão científica de Agosto conduzida por cientistas das universidades de Monte Sinai e de Harvard (Estados Unidos) — que indicam uma possível associação entre o uso deste medicamento no início da gravidez e um risco acrescido de autismo nas crianças. O plano passará por alertar as mulheres grávidas contra o uso de Tylenol no início da gravidez, a menos que apresentem febre, avançaram as quatro pessoas ouvidas pelo jornal The Washington Post.

Especialistas ouvidos pelo jornal The Washington Post enfatizam que o autismo não é uma epidemia e que parte deste aumento de casos se deve a uma melhor triagem, maior consciencialização e critérios de diagnósticos mais amplos. O rastreio do autismo é comum nos consultórios pediátricos, o que não acontecia há décadas e significa que mais casos são diagnosticados, como explicou Charles Nelson, professor de Pediatria e Neurociências no Hospital Infantil de Boston e na Escola Médica de Harvard. Os critérios de diagnósticos do autismo também foram ampliados para incluir sintomas mais leves e subtis.

Paracetamol durante a gravidez evidência científica

A Ordem dos Farmacêuticos Portugueses na sua função de suporte à intervenção profissional, publicou uma nota no seu boletim “Essencial OF” relativo a este polémico tema da utilização de paracetamol na gravidez e à sua possível ligação com casos de autismo e alterações do neurodesenvolvimento na infância.

Descrevo de seguida o conteúdo dessa informação pela sua extraordinária fiabilidade científica e relevância na clarificação das populações.

Nota informativa da Ordem dos Farmacêuticos

paracetamol é um fármaco analgésico e antipirético considerado de eleição para alívio da dor e da febre durante a gravidez. A maioria dos estudos aponta para que 40-65% das mulheres tomem paracetamol em alguma altura da gravidez.  

A associação entre a ocorrência de alterações do neurodesenvolvimento, nomeadamente transtorno de hiperatividade e défice de atenção (THDA) e perturbações do espetro do autismo (PEA), como consequência do uso de paracetamol no decurso da gravidez tem vindo a ser investigada desde há largos anos, com resultados inconsistentes. Alguns estudos têm apontado para a existência de uma maior incidência de THDA e PEA em filhos de mulheres que utilizaram paracetamol durante a gravidez, enquanto vários outros não o confirmam.1

A existência de uma relação causal entre o uso de paracetamol durante a gravidez e a ocorrência de alterações do neurodesenvolvimento nas crianças expostas foi recentemente anunciada, tendo por base estudos que supostamente sustentam esta afirmação.2 Porém, estes trabalhos não aportam evidência científica que proporcione suporte a esta alegação. 

Os estudos citados são maioritariamente de pequena dimensão, apresentando assinaláveis limitações metodológicas no seu desenho e nas conclusões formuladas com base nos dados recolhidos. Adicionalmente, não consideram adequadamente a presença de outros fatores que podem influenciar o risco de TADH e PEA, como fatores genéticos, ambientais, condição clínica materna, entre outros.3,4,5 Por outro lado, os próprios autores da recente revisão sistemática que é citada referem que a sua análise apresenta limitações que não permitem estabelecer uma relação causal entre o uso de paracetamol durante a gravidez e alterações do neurodesenvolvimento.6 

O estudo de maior dimensão realizado sobre esta questão, realizado na Suécia, que analisou uma população de cerca de 2,5 milhões de crianças e recolheu dados de quase 186 000 que foram expostas ao paracetamol durante a gestação, não encontrou evidência de risco aumentado quando, além da exposição ao fármaco, foram considerados fatores genéticos e ambientais, através da comparação com irmãos que não haviam sido expostos ao paracetamol no período pré-natal.7 

A análise da evidência atual permite concluir que é improvável que a exposição ao paracetamol durante a gestação se associe a um risco clinicamente significativo de desenvolver THDA ou PEA durante a infância. Os estudos que sugerem a existência desta associação são heterogéneos e apresentam importantes limitações metodológicas, enquanto os que têm uma estrutura adequada não o comprovam.  

Com base na análise dos dados atualmente existentes, não existe qualquer fundamento científico para alterar as normas de prática clínica de tratamento da dor e da febre durante a gravidez. O paracetamol mantém-se uma opção de tratamento essencial em mulheres grávidas, observando o princípio da utilização da menor dose eficaz pelo período mais curto. 


Referências bibliográficas

1. Damkier P, Gram EB, Ceulemans M, Panchaud A, Cleary B, Chambers C, Weber-Schoendorfer C, Kennedy D, Hodson K, Grant KS, Diav-Citrin O, Običan SG, Shechtman S, Alwan S. Acetaminophen in Pregnancy and Attention-Deficit and Hyperactivity Disorder and Autism Spectrum Disorder. Obstet Gynecol. 2025 Feb 1;145(2):168-176. doi: 10.1097/AOG.0000000000005802.  

2. The White House. FACT: Evidence Suggests Link Between Acetaminophen, Autism. September 22, 2025 [acedido a 23-09-2025]. Disponível em: 
https://www.whitehouse.gov/articles/2025/09/fact-evidence-suggests-link-between-acetaminophen-autism/

3. Liew Z, Kioumourtzoglou MA, Roberts AL, O’Reilly ÉJ, Ascherio A, Weisskopf MG. Use of Negative Control Exposure Analysis to Evaluate Confounding: An Example of Acetaminophen Exposure and Attention-Deficit/Hyperactivity Disorder in Nurses’ Health Study II. Am J Epidemiol. 2019 Apr 1;188(4):768-775. doi: 10.1093/aje/kwy288.  

4. Ji Y, Azuine RE, Zhang Y, Hou W, Hong X, Wang G, Riley A, Pearson C, Zuckerman B, Wang X. Association of Cord Plasma Biomarkers of In Utero Acetaminophen Exposure With Risk of Attention-Deficit/Hyperactivity Disorder and Autism Spectrum Disorder in Childhood. JAMA Psychiatry. 2020 Feb 1;77(2):180-189. doi: 10.1001/jamapsychiatry.2019.3259.  

5. Baker BH, Burris HH, Bloomquist TR, Boivin A, Gillet V, Larouche A, Takser L, Bellenger JP, Pasquier JC, Baccarelli AA. Association of Prenatal Acetaminophen Exposure Measured in Meconium With Adverse Birth Outcomes in a Canadian Birth Cohort. Front Pediatr. 2022 Apr 5;10:828089. doi: 10.3389/fped.2022.828089.  

6. Prada D, Ritz B, Bauer AZ, Baccarelli AA. Evaluation of the evidence on acetaminophen use and neurodevelopmental disorders using the Navigation Guide methodology. Environ Health. 2025 Aug 14;24(1):56. doi: 10.1186/s12940-025-01208-0.  

7. Ahlqvist VH, Sjöqvist H, Dalman C, Karlsson H, Stephansson O, Johansson S, Magnusson C, Gardner RM, Lee BK. Acetaminophen Use During Pregnancy and   Children’s Risk of Autism, ADHD, and Intellectual Disability. JAMA. 2024 Apr 9;331(14):1205-1214. doi: 10.1001/jama.2024.3172.  

8. What we know (and don’t know) about autism, according to science (The Washington Post)

9. Autismo e Asperger sinais e novas descobertas

Enjoo do movimento como prevenir?

enjoo do movimento, também conhecido como cinetose, é uma condição caracterizada pela sensação de mal-estar, náusea e por vezes vómitos, que ocorre em resposta a um movimento real ou percecionado. É um fenómeno comum, não sendo indicativo da existência de uma doença.

Este é um artigo baseado numa publicação do Centro de Informação do Medicamento (CIM) da Ordem dos Farmacêuticos.

O enjoo do movimento é causado por um desequilíbrio entre as informações sensoriais que o cérebro recebe que acontece quando o movimento que vemos é diferente daquele que o nosso ouvido interno deteta. Por exemplo, quando estamos num carro em movimento, os nossos olhos podem perceber o movimento da paisagem a passar, mas os sistemas vestibulares do ouvido interno que controlam o equilíbrio, podem detetar um movimento diferente. Este conflito de informações gera o mal-estar.

A cinetose pode ocorrer principalmente durante as seguintes situações:

  • Viagens aéreas, marítimas e terrestres, como viagens de carro ou de comboio,
  • Diversões em parques infantis ou parques de atrações,
  • Elevadores,
  • Viajar em animais, como andar a cavalo.
  • Movimento virtual num simulador, como por exemplo jogar videojogos, ver filmes com óculos 3D ou utilizar capacetes de realidade virtual.
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Sintomas do enjoo do movimento

Os sintomas mais característicos são as náuseas e os vómitos, podendo também ocorrer sensação de enfartamento, sensação de mal-estar geral, sonolência, apatia, fadiga e irritabilidade.

Outros sintomas incluem:

  • Sensação de calor,
  • Suores frios,
  • Palidez,
  • Dores de cabeça,
  • Tonturas,
  • Dificuldades de concentração,
  • Rubor.

Quanto tempo podem durar os sintomas?

Os sintomas desaparecem geralmente quando a viagem termina. Contudo, em algumas pessoas, estes podem durar horas ou até dias após o término da viagem.

Existem pessoas mais propensas a ter enjoos?

Algumas pessoas são mais propensas a experienciar o enjoo do movimento do que outras, podendo também a sua gravidade variar entre leve a incapacitante. Alguns fatores de risco incluem:

  • Idade. As crianças entre os 2 e os 12 anos de idade são especialmente suscetíveis. Por outro lado, os bebés e os adultos, com mais de 50 anos de idade são menos suscetíveis aos enjoos;
  • Sexo. As mulheres são geralmente mais suscetíveis que os homens;
  • Gravidez e menstruação;
  • Condições médicas preexistentes. Pessoas com história de enxaquecas, vertigens e doenças do ouvido interno são mais propensas ao enjoo;
  • Toma de certos medicamentos. Como, por exemplo, terapêuticas de reposição hormonal ou contracetivos orais.

Como prevenir o enjoo do movimento?

Evitar as situações que causem enjoo é a melhor forma de preveni-lo, mas nem sempre isso é possível quando está a viajar. Algumas estratégias que podem ajudá-lo a evitar ou diminuir o enjoo são:

  • Escolher lugares mais estáveis onde o movimento seja menor, e direcionados no sentido da marcha – por exemplo, não se sentar de costas no autocarro;
  • Nas viagens de carro, optar pelo lugar da frente ou conduzir o veículo, adotando uma condução suave;
  • No caso de viagens de barco, ocupar um lugar no centro do navio;
  • Escolher um assento à janela nos aviões e comboios;
  • Evitar ler ou olhar para ecrãs em veículos em movimento;
  • Focar o olhar no horizonte, ou num objetivo distante imóvel, e não no interior do veículo;
  • Usar óculos de sol – poderá ser útil para reduzir o aporte visual;
  • Fechar os olhos, ou mesmo tentar dormir;
  • Reduzir os movimentos do corpo, principalmente os movimentos da cabeça;
  • Promover uma ventilação adequada, arejando o veículo; evitar a exposição a odores desagradáveis;
  • Evitar o consumo de bebidas alcoólicas e com cafeína; manter-se hidratado bebendo água;
  • Ingerir refeições ligeiras pobres em gorduras, e evitar a ingestão de um elevado volume de líquidos;
  • Respirar de forma controlada e regular poderá ajudar a suprimir os sintomas;
  • Distrair-se a conversar, ou a ouvir música;
  • Evitar fumar;
  • Fazer pausas em viagens longas; apanhar ar puro, beber água fresca e dar um passeio.

Medicamentos para a prevenção do enjoo do movimento

Quando as medidas não farmacológicas são insuficientes, existem medicamentos que poderão ser úteis na prevenção do enjoo do movimento. Os fármacos são mais eficazes quando associados a modificações comportamentais ou ambientais, e deverão ser tomados antes de iniciar a viagem.

Na seleção do tratamento é necessário ter em conta a duração da exposição, a tolerância aos efeitos adversos, a idade, a presença de doenças crónicas e outros medicamentos que esteja a tomar, pelo que antes de iniciar a toma de um medicamento para a prevenção do enjoo do movimento, aconselhe-se junto do seu médico ou farmacêutico sobre qual a opção mais indicada para si.

Dimenidrinato (anti-histamínico H1)

Os anti-histamínicos H1 sedativos, estão entre os medicamentos de primeira linha para a prevenção da cinetose. O dimenidrinato é o principal anti-histamínico comercializado em Portugal para esta indicação, com o estatuto de medicamento não sujeito a prescrição médica. Encontra-se disponível na forma de comprimidos, comprimidos sublinguais e supositórios.

Comprimidos – destinam-se a crianças com idade igual ou superior a 6 anos e adultos, podendo ser fracionados de forma a adaptar a sua dose de acordo com a idade.

Comprimidos sublinguais – apenas se encontram recomendados em adultos e adolescentes com mais de 12 anos, uma vez que estes não podem ser fracionados.

Supositórios – poderão ser administrados em crianças a partir dos 2 anos de idade. 

Posologia – A primeira dose deve ser tomada 30-60 minutos antes do início da viagem. A sua administração pode ser repetida cada 4 a 6 horas, se necessário, desde que não seja ultrapassada a dose máxima diária recomendada.

Efeitos adversos

Como todos os medicamentos, o dimenidrinato pode causar alguns efeitos adversos, sendo a sonolência o mais frequente. Contudo, podem ocorrer, tonturas, visão turva, boca seca, dores de cabeça e diminuição da pressão arterial. Estes fármacos não devem ser usados quando a diminuição do estado de alerta possa ser prejudicial.

Pode ainda ocorrer sensação de nervosismo, agitação ou insónia, especialmente nas crianças. Fale com o seu médico ou farmacêutico sobre os medicamentos e doses apropriadas para o enjoo em crianças. Dê apenas a dose recomendada.

Cinarizina

cinarizina, também tem sido utilizada para o controlo do enjoo do movimento.  Apresenta efeitos adversos semelhantes ao dimenidrinato, podendo também, raramente, causar alterações no funcionamento do sistema nervoso como tremores e rigidez muscular (chamados efeitos extrapiramidais). Deverá ser administrada 2 horas antes do início da viagem, de preferência após a refeição. Este medicamento requer prescrição médica para a sua dispensa.

Fontes bibliográficas