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Herpes, Zona e Varicela estratégias de prevenção e tratamento




Herpes Zona e Varicela: Os vírus da família HERPES são diversos e provocam doenças distintas mas, algumas, muito comuns tais como o Herpes labial e Herpes genital, a varicela e a zona. Um estudo com o título “A comparison of herpes simplex virus type 1 and varicella-zoster virus latency and reactivationfeito em colaboração entre o Institute of Infection, Immunity and Inflammation, University of Glasgow e do Department of Microbiology, Immunology and Pathology, Colorado State University, clarifica os mecanismos que fazem a ligação entre herpes labial, genital, varicela e zona.

Falarei também da mononucleose infeciosa, também conhecida como doença do beijo, que é uma doença contagiosa, causada pelo vírus Epstein Barr,  da família do herpes.

Neste artigo vamos responder ás seguintes questões:

    • Herpes, o que é?
    • Herpes simplex vírus 1 e 2 (HSV-1 e HSV-2), qual a diferença?
    • Quais as principais doenças provocadas pelos vírus da família herpes?
    • Herpes simples tipos 1 e 2, que partes do corpo afetam?
    • Qual a causa do herpes labial, oral, genital, face, ocular e cerebral?
    • Qual a prevalência na população?
    • Quais os fatores de risco que causam novas crises?
    • Quais os sintomas?
    • Quais os sintomas que antecedem e “avisam” que vai chegar nova crise de herpes?
    • Quais as zonas do corpo que podem ser afetadas por outros vírus da família herpes?
    • Como se transmite?
    • Onde se esconde o vírus?
    • Qual o período de incubação?
    • Em que altura da vida se contraem os mais comuns vírus da família herpes?
    • Qual o melhor tratamento e medicamentos usados?
    • Herpes labial, qual o tratamento?
    • Aciclovir, quais as reações adversas mais comuns?
    • Herpes: Será que tem cura?
    • Quais as lesões parecidas com herpes?
    • Herpes, quais as complicações possíveis?
    • Mononucleose ou “doença do beijo”, o que é? Quais as causas? Como proteger-se? Qual o tratamento?
    • Mononucleose, será que já sabe tudo?
    • Varicela ou catapora:  O que é? Quais os sintomas? Será perigosa?
    • Quais as complicações da Varicela?
    • Varicela, se estiver grávida o que deve fazer?
    • Os sintomas são mais graves na criança ou no adulto?
    • Varicela, qual o aspeto das borbulhas?
    • Varicela, como impedir que a criança coce?
    • Quais as fases da doença?
    • A varicela pode provocar zona?
    • Varicela, qual o tratamento?
    • Existe vacina para a varicela?
    • Zona: O que é?
    • Zona: Quais as causas?
    • Qual a prevalência na população?
    • Quais os sintomas da zona?
    • Quais as complicações da zona?
    • A zona é contagiosa?
    • Zona, qual o tratamento?
    • Zona, existe vacina?
As cinco grandes mentiras sobre saúde
As cinco grandes mentiras sobre saúde

Herpes o que é?

O herpes é um vírus comum que pode atingir diversas partes do corpo consoante o seu subtipo. O herpes labial e o genital são infeções virais contagiosas causadas por dois dos subtipos de vírus da família do Herpes vírus humano, composta por 8 subtipos diferentes. Dois dos mais conhecidos e relevantes são os seguintes:

  • Herpes simplex vírus tipo 1 (HSV-1)
  • Herpes simplex vírus tipo 2 (HSV-2)

Vírus da família Herpes, principais doenças

Cada subtipo do vírus causa doenças completamente distintas umas das outras, tais como:

    • Herpes labial ( vírus HSV-1);
    • Herpes genital (vírus HSV-2);
    • Herpes ocular (vírus HSV-1);
    • Mononucleose infeciosa ou “Doença do beijo” (vírus Epstein Barr, da família do herpes);
    • Varicela, no Brasil chama-se catapora (Vírus varicela-zoster, da família do herpes);
    • Zona (vírus herpes zoster);
    • Meningoencefalite, pode ser muito grave (vírus HSV-1).

O Herpes simplex vírus 1 e 2 (HSV-1 e HSV-2) são duas espécies da família do vírus Herpesviridae, responsáveis por infeções em humanos. Todos os vírus da família herpes produzem infeções latentes.

Herpes simplex vírus 1 e 2 (HSV-1 e HVS-2)

As principais diferenças entre HSV-1 e HSV-2 são as seguintes:

    • HSV-1 costuma causar o herpes labial,
    • HSV-2 é, em geral, responsável pelo herpes genital.

Deve dizer-se em geral porque como a prática de sexo oral é muito comum, não é raro encontrarmos lesões orais pelo HSV-2 e lesões genitais pelo HSV-1.

Herpes labial e genital melhorsaude.org

Herpes simplex vírus tipo 1 (HSV-1)

De seguida descrevo a partes do corpo mais afetadas pelo HSV-1.

Herpes labial, boca, face, ocular e cérebro

Normalmente associado a infeções dos lábios, da boca e da face. Esse é o vírus mais comum de herpes simples e muitas pessoas têm o primeiro contacto com este vírus na infância. O HSV1 frequentemente causa feridas (lesões) nos lábios e no interior da boca, como aftas, ou infeção do olho (principalmente na conjuntiva e na córnea) e também pode levar a uma infeção no revestimento do cérebro (meningoencefalite). Pode ser transmitido por meio de contacto com a saliva infetada.

Herpes simplex vírus tipo 2 (HSV-2)

De seguida descrevo a partes do corpo mais afetadas pelo HSV-1.

Herpes genital e oral

Normalmente transmitido sexualmente, o HSV-2 provoca comichão e bolhas ou mesmo úlceras e feridas genitais. Entretanto, algumas pessoas com HSV-2 não apresentam quaisquer sinais (latência). A infeção cruzada dos vírus de herpes do tipo 1 e 2 pode acontecer se houver contacto oral-genital. Isto é, pode-se contrair herpes genital na boca ou herpes oral na área genital.

Herpes genital melhorsaude.org

Prevalência na população

Herpes labial e genital

Um em cada cinco adultos é portador do HSV-2 e mais da metade da população tem o HSV-1. Porém, muitos portadores não apresentam sintomas.

A infeção pelo Herpes simplex é recorrente, ela vai e volta espontaneamente. Isto ocorre porque o vírus “esconde-se” dentro das células do sistema nervoso impedindo que as defesas do organismo consigam eliminá-las completamente. Quem tem Herpes uma vez, terá herpes o resto da vida.

Fatores de risco que causam nova crise

Herpes labial e genital

De vez em quando o vírus volta a manifestar-se, normalmente em períodos de fragilidade do nosso sistema imunitário. Alguns fatores que podem induzir crises são conhecidos, a saber:

    • Exposição solar intensa,
    • Stress emocional,
    • Menstruação,
    • Traumas, etc.

A frequência das recorrências é individual.

Sintomas

Herpes labial e genital

A primeira lesão de herpes costuma ser a mais sintomática,  por ainda não termos anticorpos formados. Em geral, o quadro é o seguinte:

    • Múltiplas vesículas (pequenas bolhas) agrupadas, com áreas de inflamação na base e ao redor;
    • Aftas ou úlceras geralmente na boca, nos lábios, nas gengivas ou nos genitais;
    • Lesões dolorosas que podem ser acompanhadas de mal estar;
    • Gânglios ou nódulos linfáticos aumentados no pescoço ou na virilha (geralmente somente no momento inicial da infeção)
    • Febre  especialmente durante o primeiro episódio de infeção;
    • Lesões genitais ou mesmo orais podem começar com uma sensação de queimadura ou formigueiro.

Sintomas que antecipam nova crise

As recorrências costumam ser menos sintomáticas e mais curtas. Normalmente apresentam alguns sintomas que “avisam” algumas horas antes das vesículas que as lesões do herpes vão reaparecer. Alguns desses sintomas de aviso são os seguintes:

    • Dor,
    • Formigueiro ou prurido (comichão) local.

As vesículas podem romper-se, formando pequenas ulcerações que lembram aftas.

Partes do corpo que podem ser afetadas

O HSV-1 e o HSV-2 têm mais afinidade pela mucosa oral e genital, respetivamente. Porém, podem causar infeções em outras partes do corpo, por exemplo:

Estas infeções mais graves costumam ocorrer em doente com imunossupressão como na SIDA (AIDS) e nos transplantados. Uma outra complicação das infeções pelo Herpes vírus é a paralisia facial, chamada de paralisia de Bell.

Transmissão e contágio

A transmissão do herpes ocorre por contacto íntimo com a área infetada. O Herpes vírus é muito contagioso; o período de maior risco de transmissão é durante as crises e nos 2 dias que a antecedem, podendo também ocorrer mesmo quando não há lesões aparentes. Alguns pacientes secretam o vírus mesmo fora das crises, podendo transmiti-lo a qualquer momento, principalmente no HSV-2.

Onde se esconde o vírus?

O herpes vírus sobrevive poucas horas fora de um organismo vivo. Por isso é encontrado principalmente nas seguintes localizações:

    • Lesões herpéticas,
    • Saliva,
    • Sêmen,
    • Secreções vaginais,
    • Objetos, como copos e talheres mas é menos comum, uma vez que o vírus com dificuldade fora dos organismos vivos.

Período de incubação

O período de incubação, ou seja, o intervalo de tempo entre o contágio e o aparecimento dos sintomas, é de 4 dias, em média.

Em que altura da vida se contrai?

O Herpes simples genital é uma DST (doença sexualmente transmissível). Durante a fase ativa deve-se evitar atividade sexual, pois mesmo com o uso de preservativo há risco de contaminação.

  • O herpes labial (HSV-1) é normalmente adquirido durante a infância,
  • O herpes genital (HSV-2) é normalmente contraído  na vida adulta.

Tratamento

Alguns casos de herpes são leves e não precisam de tratamento a não ser tratamentos tópicos. Mas pessoas que têm surtos graves ou prolongados (principalmente se for o primeiro episódio de infeção), que têm problemas no sistema imunológico ou aquelas que têm recorrência frequente talvez necessitem usar medicamentos antivirais em comprimidos.

Doentes com recorrências graves ou frequentes de herpes oral ou genital podem optar por continuar com os medicamentos antivirais, em comprimidos, para reduzir a frequência e a gravidade dessas recorrências.

Medicamentos

As lesões locais ligeiras não complicadas de herpes labial podem ser tratadas apenas com cremes de aplicação local. As lesões mais graves, extensas, com maior número de lesões, recorrentes ou em doentes imunodeprimidos devem ser tratadas com dosagens mais elevadas de antivirais, tomados por via oral, em comprimidos. Os medicamentos mais usados para o tratamento de herpes simplex, são:

  • Aciclovir 200 mg comprimidos (Zovirax®, Ezopen®), 5xdia, durante 5 dias;
  • Aciclovir 800 mg comprimidos (Zovirax®, Ezopen®)
  • Aciclovir creme (Zovirax®) 5xdia, durante 4 a 5 dias;
  • Aciclovir+Hidrocortisona creme (ZoviDuo®), 5xdia, durante 4 a 5 dias;
  • Fanciclovir 125 mg (®)
  • Fanciclovir 500 mg (Penvir®)

O aciclovir com hidrocortisona (Zoviduo®) é normalmente utilizado no herpes labial nas crises com comichão.

O tratamento com antivirais, como o aciclovir, serve para reduzir o tempo de doença. Quanto mais precocemente forem iniciados, melhor a resposta. No herpes labial pode-se usar pomadas e no genital comprimidos.

Herpes labial, qual o tratamento?

O tratamento do herpes labial depende da gravidade das lesões e frequência das crises. Assim se forem crises pontuais com lesões pouco extensas basta a aplicação local de um creme com aciclovir, 5xdia, durante 4 a 5 dias.

Se lesões foram mais extensas, em maior número ou acontecerem com frequência o seu médico pode optar por uma tratamento mais agressivo, por via oral, com aciclovir 200mg, 5xdia, durante 4 a 5 dias.

Um dos aspetos mais importantes para diminuir a gravidade e extensão das crises é reconhecer ao longo do tempo os sintomas que antecedem o aparecimento das lesões tais como comichão e dor local. Assim que forme sentidos deve de imediato começar a aplicar localmente um creme com aciclovir. Este procedimento é o mais relevante para diminuir a gravidade e duração de uma crise de herpes labial.

Os pensos para o herpes labial são eficazes?

Os pensos disponíveis para o herpes labial não têm atividade antiviral como o aciclovir. Eles são no entanto úteis para cicatrizar mais rapidamente as feridas causadas pelas “borbulhas” do herpes, depois destas rebentarem. O tratamento ideal do herpes labial simples (não complicado) seria:

    •  Aplicar um creme antiviral logo que existissem sintomas que antecedem o aparecimento de uma crise;
    • Continuar a aplicação do creme com aciclovir, 5xdia, durante 5 dias;
    • Quando as “borbulhas” rebentarem colocar os pensos sobre as feridas 3xdia, sem nunca deixar de aplicar o creme;
    • Os pensos não devem ser colocados ao mesmo tempo que o creme porque a aderência à ferida fica muito diminuída ou seja após a aplicação do creme aconselha-se um intervalo de pelo menos 1 a 2 horas para deixar que a absorção do aciclovir se faça e só depois aplicar o penso.

Aciclovir, reações adversas

No tratamento com aciclovir, entre 1% a10% dos doentes podem manifestar os seguintes efeitos secundários:

    • Dor de cabeça,
    • Tonturas,
    • Enjoos,
    • Vómitos,
    • Diarreia,
    • Dores abdominais,
    • Prurido ou comichão,
    • Vermelhidão/protuberâncias na pele que podem piorar com exposição solar,
    • Sensação de fadiga,
    • Febre.

Herpes tem cura?

O herpes não tem cura nem existe ainda vacina eficaz. O tratamento está realmente indicado nas lesões primárias e nos doentes imunossuprimidos. Nos outros casos, o tratamento não altera muito o curso da crise.

Lesões parecidas com herpes

Outros dois tipos de lesões genitais têm causado algum tipo de confusão com o Herpes. Ambas são assintomáticas e podem afetar a zona genital e a  boca a saber:

  • Manchas de Fordyce, uma espécie de glândulas sebáceas. Não indicam qualquer tipo de doença.
  • Pápulas peroladas. Também não indicam nenhuma patologia e pode afetar homens e mulheres.

Complicações possíveis

Apesar de não ser uma doença grave, a herpes simples não tratada pode levar a algumas complicações de saúde, como:

  • Erupção variceliforme (herpes espalhada pela pele),
  • Encefalite,
  • Infeção do olho,
  • Infeção da traqueia,
  • Meningite,
  • Pneumonia,
  • Infeção prolongada grave em indivíduos com sistema imunitário debilitado ou imunossuprimidos.

Mononucleose Doença do beijo melhorsaude.org melhor blog de saude

Mononucleose ou doença do beijo o que é?

A mononucleose infeciosa, também conhecida como doença do beijo, é uma doença contagiosa, causada pelo vírus Epstein Barr,  da família do herpes. A mononucleose é mais comum em adolescentes e adultos jovens.

Sobre a Mononucleose vamos responder ás seguintes perguntas:

  • Porque se chama doença do beijo?
  • Mononucleose como se transmite o vírus?
  • Quanto tempo pode ficar o vírus no organismo depois dos sintomas desaparecerem?
  • Quem tiver contraído o vírus não deve beijar ninguém durante muitos meses?
  • O vírus da mononucleose é muito infecioso?
  • Quais os sintomas da mononucleose?
  • Como se diferencia da faringite comum?
  • A mononucleose provoca manchas no corpo?
  • É verdade que a mononucleose pode afetar com gravidade o baço?
  • O fígado pode ser afetado?
  • Que complicações menos comuns podem acontecer?
  • Quais os riscos para uma grávida que contraia a mononucleose?
  • O que é a síndrome de mononucleose?
  • Qual a diferença entre síndrome de mononucleose e a doença mononucleose infeciosa?
  • Quais as principais doenças que apresentam quadro de síndrome de mononucleose?
  • Como se faz o diagnóstico da mononucleose infeciosa?
  • A mononucleose infeciosa provoca fadiga crónica?
  • Como beijar bem ? 🙂
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Mononucleose Doença do beijo MELHORSAUDE.ORG

OS MAIS LIDOS

Varicela ou catapora, o que é?

A varicela ou catapora é uma doença de infância muito vulgar. Todos os anos afeta dezenas de milhar de crianças em Portugal, especialmente durante o Inverno e Primavera. É causada pelo vírus varicela-zoster, um membro da família do vírus herpes, o mesmo que causa herpes zoster (zona). Uma vez debelada, a varicela normalmente não reaparece, no entanto, o vírus permanece alojado no tecido nervoso como que adormecido (não ativo), podendo reativar-se mais tarde, causando zona.

Varicela melhorsaude.org melhor blog de saude

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A varicela ou catapora é perigosa?

Quando se detetam os primeiros sintomas é difícil prever até que ponto a varicela poderá ser grave. Apesar de a doença não ser normalmente perigosa em crianças saudáveis, causa mal-estar e pode levar ao absentismo das crianças à escola e dos pais ao emprego. Em crianças mais velhas e em especial nos adultos, os sintomas são normalmente mais graves e podem originar outros problemas.

Complicações

A varicela é uma doença predominantemente da infância, benigna e altamente contagiosa, com taxas de transmissão aos contactos suscetíveis de 61-100%1 . Pode contudo associar-se a complicações graves, associadas a sobre-infecção bacteriana , tais como:

  • Celulite,
  • Pneumonia,
  • Fasceíte,
  • Choque tóxico.

Pode também associar-se a complicações do próprio Vírus Varicela-zoster (VVZ), tais como:

  • Cerebelite,
  • Encefalite,
  • Pneumonia.

Estas ocorrem sobretudo em situações de imunodeficiência celular, mas também em crianças previamente saudáveis. Nas leucemias e transplante de órgão, cerca de 50% das crianças desenvolvem complicações com uma mortalidade global de 7 a 17% se não forem tratadas com aciclovir.

Se estiver grávida o que deve fazer?

A grávida pode estar sujeita a um risco mais elevado em relação ao aparecimento de complicações com o feto, pelo que deve evitar a exposição à doença. A infeção na grávida acarreta um risco adicional para a mulher, nomeadamente pela maior incidência de pneumonite que, sem tratamento, pode ser fatal em cerca de 40% dos casos . Também no feto, pode ocorrer a síndrome de Varicela Congénita e, no recém-nascido, varicela grave quando a doença materna se manifesta 5 dias antes ou 2 dias após o parto.

Sintomas

A sequência de aparecimento de sintomas é curiosa e é a seguinte:

  • O primeiro sintoma é febre ligeira;
  • Um ou dois dias mais tarde aparecem manchas vermelhas normalmente primeiro no couro cabeludo;
  • Mais tarde as manchas vermelhas espalham-se pela cara, tronco, axilas, braços, pernas, boca e por vezes na traqueia e brônquios.
  • Começa a surgir comichão.

Uma das caraterísticas diferenciadoras da varicela são as lesões no couro cabeludo ou seja se não existirem  lesões na cabeça dificilmente será varicela!

A criança pode também queixar-se de:

  • Dores de cabeça,
  • Dores de garganta,
  • Gânglios linfáticos inflamados e dolorosos,
  • Dores de estômago,
  • Cansaço,
  • Perda de apetite.

Sintomas nas crianças e nos adultos

Crianças com menos de 10 anos têm sintomas mais moderados em relação às mais velhas e aos adultos. Os adolescentes e os adultos são mais suscetíveis a complicações graves, com um aumento vinte vezes superior na mortalidade entre os 15 e os 44 anos.

Aspeto das borbulhas

São pequenas e vermelhas, provocam comichão e transformam-se em bolhas num curto espaço de tempo (horas). Estas bolhas cheias de líquido (vesículas) secam e formam crostas em alguns dias. Estas borbulhas aparecem durante 5 dias e a  maioria forma crosta em 6 a 7 dias Por vezes as borbulhas deixam cicatrizes. É mais provável a formação de cicatrizes se as borbulhas infetarem. É importante impedir que a criança se coce para prevenir o aparecimento de cicatrizes.

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Impedir que a criança coce as borbulhas

Impedir a criança de coçar as lesões não é fácil! No entanto os seguintes procedimentos podem ajudar bastante, a saber:

  • Manter as borbulhas limpas e secas;
  • Usar loções calmantes e banhos de água morna de 4 em 4 horas nos primeiros dias;
  • Enxaguar  sem esfregar;
  • Manter as unhas curtas para prevenir eventuais infeções e cicatrizes.

Transmissão da varicela ou catapora

Os outros irmãos se ainda não tiveram varicela têm uma elevada probabilidade (80%-90%) de contágio. Se forem saudáveis o melhor será que tenham a doença enquanto crianças. Assim estarão protegidos de contrair varicela mais tarde, podendo ser então mais grave. Se tiverem problemas de saúde deverá consultar-se o médico.

Os adultos que nunca tiveram varicela poderão contraí-la através dos filhos. Nestes casos é necessário contatar o médico. A varicela é uma doença grave nos adultos.

Uma mulher grávida pode estar sujeita a um risco ainda mais elevado no que respeita ao aparecimento de complicações, devendo evitar a exposição à doença, devido ao risco que isto constituí para o feto. A varicela é também grave para aqueles com um sistema imunitário enfraquecido. Uma criança saudável poderá estar em contacto com adultos com varicela, pois será melhor que tenha a doença em criança.

Entre pessoas como ocorre a transmissão?

O vírus é transmitido pelo ar, quando a pessoa infetada tosse, espirra ou fala, ou pelo contacto direto com as lesões do doente.

Fases da doença

Período de incubação

Cerca de 14-15 dias contados a partir do contacto com o infetado.

Período de contágio

A varicela pode ser transmitida a outra pessoa desde aproximadamente 10 dias após ser contagiada até todas as bolhas se transformarem em crostas. O isolamento de um doente infetado previne a transmissão da infeção.

A varicela pode provocar zona?

A infeção por VVZ pode ressurgir anos ou décadas mais tarde na forma de herpes-zoster (HZ) que provoca zona, situação que pode evoluir com complicações semelhantes às da varicela. Esta reativação afeta 10-30% da população e está associada a uma morbilidade e mortalidade significativas nos indivíduos idosos e nos imunocomprometidos.

Tratamento da varicela ou catapora

No caso de ser uma varicela ligeira o tratamento efetuado visa o alívio sintomático:

  • Paracetamol (Ben-u-ron®) para alívio das dores e febre;
  • Banhos de água morna para alivio da comichão;
  • Loções de calamina (Caladryl®) para alivio da comichão;
  • Desinfetantes para as vesículas (Eosina).

Para os casos mais graves ou doentes com fator de risco elevado existe um medicamento específico para a varicela, que ajuda de forma substancial à redução da duração da doença, permitindo que o doente se sinta melhor num espaço de tempo mais curto. Esse medicamento é o seguinte:

  • Aciclovir (Zovirax®), do qual já existe genérico em comprimidos e pomada. A dosagem dos comprimidos varia entre 200 e 800 mg.

O Aciclovir inibe a replicação do vírus da varicela por interferência com DNA-polimerase encurtando o período da doença. Além deste medicamento, o tratamento é acompanhado de um anti-histamínico, que reduz a comichão e um desinfetante tópico que diminui o risco de infeção das bolhas rebentadas.
Manter uma boa higiene corporal e das roupas evita, também, infeções. Antibióticos poderão ser usados quando existe o risco de infecção.

Crianças varicela e aspirina, perigos!

Não se deve dar ácido acetilsalicílico (aspirina) ou seus derivados às crianças com varicela por poder causar o síndroma de Reye, que é uma complicação grave caracterizada por alterações neurológicas e hepáticas.

Se aparecerem lesões na boca, deve-se dar alimentos moles, bebidas frias e evitar os ácidos e salgados. Nas lesões na área genital poderão usar-se cremes anestésicos. As situações mais graves deverão ser sempre acompanhadas por um médico.

Vacina da varicela ou catapora, existe?

A OMS recomenda que as atuais vacinas contra a varicela só devem ser utilizadas na criança se se assegurar uma cobertura vacinal acima dos 85-90%, pelos riscos que a alteração epidemiológica induzida pode acarretar. A vacina da varicela está disponível nos EUA desde 1995 com recomendação de vacinação universal. Na Europa, encontra-se atualmente recomendada para vacinação universal na Alemanha, Espanha, Itália, Holanda e Suíça.

A vacina não faz parte do Plano Nacional de Vacinação (PNV). Pode ser administrada a partir dos 12 Meses de idade ou a pessoas que estejam expostas à doença. Se administrada no período de 3 dias após exposição à doença pode prevenir uma infeção clinicamente aparente ou modificar o curso da infeção.

Qual é a vacina contra a Varicela?

A vacina contra a varicela é constituída por Vírus varicela-zoster (VVZ) vivo atenuado (estirpe Oka). É uma vacina segura no imunocompetente. Estão descritos casos raros de encefalite, ataxia, convulsões, neuropatia, eritema multiforme, Síndrome de Stevens-Johnson, pneumonia, trombocitopenia, acidente vascular cerebral e até morte, mas sem que a relação de causalidade estivesse definitivamente estabelecida. O vírus da vacina da varicela pode causar infeções graves no imunodeprimido estando descrito 2 casos em que o vírus vacinal se tornou resistente ao aciclovir.

ESQUEMA VACINAL

Existem em Portugal duas vacinas comercializadas, a saber:

  • Varivax®,
  • Varilrix®.

Ambas estão autorizadas para administração acima dos 12 meses de idade, em doses de 0,5 ml, por via subcutânea. A vacinação contra Varicela requer a administração de duas doses, com intervalo mínimo de 3 meses, para as crianças entre 12 meses e 12 anos de idade. Nos países com recomendação de vacinação universal, a segunda toma é administrada aos 5-6 anos de idade. A partir dos 13 anos o intervalo deve ser de 4 a 8 semanas (Varivax®) 37 ou de 6 a 8 semanas (Varilrix®) 38. A Comissão de Vacinas não estabelece preferência entre as duas vacinas.

Zona o que é?

A Zona Manifesta-se por uma erupção na pele e é provocada pelo mesmo vírus que, geralmente na infância, origina a varicela. Popularmente é conhecida por “cobro” ou “cobrão”, pois a distribuição das lesões cutâneas na pele faz-se muitas vezes lembrar a forma de uma serpente.
É uma doença infeciosa provocada pela reativação do mesmo vírus que provoca a varicela. Caracteriza-se por uma erupção cutânea acompanhada de dor intensa, num dos lados do corpo, que ocorre com maior frequência em indivíduos com mais de 50 anos.

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Causas da zona

Surge quando a imunidade que se tinha formado contra o vírus diminui. Qualquer pessoa que tenha tido varicela pode vir a desenvolver a doença, sobretudo a partir dos 50 anos. A Zona, também designada por Herpes Zoster, aparece apenas nas pessoas que tiveram varicela em alguma altura da sua vida. Após a varicela, normalmente na infância, o vírus não é eliminado do organismo, e aloja-se num nervo, geralmente junto à espinal medula e aí fica como que adormecido. Pode manter-se assim durante muitos anos.

Esta patologia manifesta-se através de uma erupção cutânea, geralmente na região torácica, que evolui para bolhas dolorosas, que formam crosta e cicatrizam ao fim de semanas. Os tratamentos existentes podem diminuir a duração da doença e a intensidade da dor, quando tomados 72 horas após o início dos sintomas.

O sistema imunitário

Quando as defesas naturais do organismo enfraquecem temporariamente, o vírus pode reativar-se, deslocando-se, então, ao longo do nervo até atingir a pele, onde provoca a erupção característica da Zona. Este processo é quase sempre acompanhado de uma dor localizada muito intensa, pois todo o nervo por onde o vírus se desloca fica muito inflamado.

O enfraquecimento das defesas naturais pode dever-se a fatores como:

  • Uma infeção prévia (ex.: Gripe);
  • Uma intervenção dentária;
  • Abuso do álcool;
  • Um acontecimento psicologicamente traumatizante;
  • Tratamento com corticóides, quimioterapia ou radioterapia;
  • Uma intervenção cirúrgica.

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Qual a prevalência na população?

95% da população adulta já teve varicela  pelo que tem no organismo o vírus que provoca a zona, estando em risco de desenvolver a doença. Uma em cada quatro pessoas irá desenvolver zona ao longo da vida. O risco de desenvolver a zona duplica aos 50 anos devido ao enfraquecimento do sistema imunitário associado ao envelhecimento.

Sintomas quais são e como evolui?

O primeiro sintoma da Zona é quase sempre a dor intensa localizada, que se sente, às vezes, antes de surgirem as lesões da pele. A maioria dos doentes sente na área afetada dor intensa ou ardor que pode ser constante ou intermitente. Por vezes, estímulos habitualmente não dolorosos, podem provocar dor intensa. Na fase aguda da Zona (quando existe erupção cutânea) a dor está presente, em média, durante 2-4 semanas.

As lesões são pequenas bolhas avermelhadas que surgem progressivamente ao longo de uma faixa estreita de pele. Normalmente, surge uma erupção cutânea unilateral que pode aparecer em muitos locais, mas a localização mais comum é a região do tórax, cabeça e pescoço. A erupção cutânea evolui para vesículas (bolhas) dolorosa. As vesículas passam a feridas em três dias; após uma semana a dez dias as feridas secam e as crostas caem ao fim de duas a três semanas.

Complicações

A principal complicação da Zona é a permanência da dor. Esta dor, a que se dá o nome de neuralgia pós-herpética, pode tronar-se crónica e persistir durante meses ou anos, impedindo muitas vezes o doente de levar uma vida normal e despreocupada. Podem ocorrer outras complicações, como por exemplo quando são atingidos os olhos. Nestes casos, existe o risco de cegueira.

Em 10 a 20% dos casos, a Zona afeta o olho e pode causar alterações da visão ou mesmo cegueira. Pode também provocar perda de audição no lado afetado, assim como infeções cutâneas ou cicatrizes permanentes.

Será contagiosa?

A zona deve-se à reativação do vírus da varicela que ficou latente no organismo, como tal, não é possível contrair através de outras pessoas. Um indivíduo com Zona pode transmitir o vírus a alguém que nunca teve varicela, normalmente a crianças, que desenvolverão a varicela. Sendo a forma de contágio idêntico ao da varicela.

Tratamento da zona

Deve-se ir imediatamente ao médico assim que as bolinhas surgem na pele. Se se sentir uma dor aguda localizada, do tipo queimadura ou facada, mesmo antes das bolhas aparecerem, não se deve adiar a ida ao médico. Quanto mais cedo o médico prescrever o tratamento adequado, mais depressa desaparecerão as feridas e mais hipóteses terá de as dores não continuarem. O tratamento antiviral mais comum é o seguinte:

  • Aciclovir 800 mg, comprimidos, de 4/4h, saltando a toma noturna.

A Zona não tem cura, contudo, alguns medicamentos podem diminuir a duração da doença e a intensidade da dor, quando tomados nas 72 horas após o início dos sintomas. Os medicamentos para a Zona têm como prioridade máxima o controlo da dor, mas este pode ser difícil e muitas vezes o alívio não é o desejado. É muito importante levar o tratamento até ao fim. Os banhos mornos acalmam a erupção, mas deve evitar-se a aplicação de talco e cremes. Usar roupas soltas e macias, para evitar pressão nas áreas afetadas. Não coçar, nem arrancar as crostas.

Existe vacina?

Sim, está disponível em Portugal, a primeira vacina para a prevenção da zona e da nevralgia pós-herpética, que está nas farmácias, para vacinação de adultos a partir dos 50 anos, numa única administração, mediante prescrição médica. O nome da vacina é o seguinte:

  • ZOSTAVAX® vacina viva contra a zona (Herpes zoster)

Composição da vacina

Após reconstituição, 1 dose (0,65 ml) contém:

  • Vírus da varicela-zoster , estirpe Oka/Merck, (vivo, atenuado) não menos de 19400 UFP produzido em células diploides humanas (MRC-5),
  • UFP = Unidades formadoras de placas.

Esta vacina pode conter quantidades vestigiais de neomicina

Indicações terapêuticas:

ZOSTAVAX está indicado na prevenção do herpes zoster (“zoster” ou zona) e da nevralgia pós-herpética (NPH) relacionada com o herpes zoster. ZOSTAVAX está indicado na imunização de indivíduos com 50 ou mais anos de idade.

Concluindo

A família do vírus HERPES é mais alargada do que a maioria das pessoas julga. Neste artigo tentei mostrar as diversas doenças distintas que se interligam (por exemplo a varicela e a zona) por serem causadas por vírus da mesma família do Herpes. Sendo algumas doenças muito comuns, principalmente o Herpes labial, é de toda a importância conhecer as suas causas, complicações, tratamento e como evitar o seu contágio.

Fique bem

Franklim Moura Fernandes

Fontes:

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Sal na alimentação substitutos naturais e saudáveis

O sal, também conhecido como cloreto de sódio (NaCl), é um elemento essencial na dieta humana, desempenhando funções vitais no organismo. No entanto, o seu consumo excessivo tem sido associado a diversos problemas de saúde cardiovasculares, entre outros, mas especialmente relacionados com o aumento da pressão arterial. Este artigo explora a história do sal, os diferentes tipos disponíveis, os seus impactos na saúde e orientações para um consumo equilibrado.


Sal vantagens perigos e substitutos melhorsaude.org
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Temas a tratar neste artigo:

  • História do sal na Humanidade
  • Importância do sódio
  • Vantagens e funções fisiológicas do sódio
  • Funções fisiológicas do potássio
  • Equilíbrio vital entre o sódio e o potássio
  • Consequências do desequilíbrio do rácio sódio/potássio
  • Como o excesso de sal causa hipertensão
  • Tipos de sal e suas características
  • Impacto do sal na saúde humana
  • Estratégias para um consumo saudável de sal
  • Alimentos ricos em potássio

História do sal na humanidade

O uso do sal remonta a milhares de anos, sendo uma das substâncias mais valorizadas na antiguidade. Civilizações como a Babilônia, Egito, China e culturas pré-colombianas utilizavam o sal não apenas como tempero, mas também como conservante de alimentos, moeda de troca e elemento em rituais religiosos. A palavra “salário” deriva do latim “salarium”, referindo-se à porção de sal dada aos soldados romanos como parte do pagamento.


As cinco grandes mentiras sobre saúde
As cinco grandes mentiras sobre saúde

Importância do sódio e do potássio no organismo humano

Funções fisiológicas do sódio

O sódio (Na⁺) é um dos principais eletrólitos do organismo humano, maioritariamente localizado no líquido extracelular. As suas funções são essenciais para o funcionamento adequado de diversos sistemas fisiológicos:

  1. Equilíbrio hídrico (osmótico):
    O sódio regula a quantidade de água no corpo através da osmolaridade e da pressão osmótica entre os compartimentos intra e extracelular. A hormona aldosterona e o sistema renina-angiotensina-aldosterona (RAAS) controlam a reabsorção de sódio pelos rins, influenciando a pressão arterial.
  2. Condução nervosa e muscular:
    O sódio é essencial para a despolarização das membranas celulares, permitindo a transmissão de impulsos nervosos e a contração muscular. O seu movimento através dos canais de sódio voltagem-dependentes inicia o potencial de ação.
  3. Equilíbrio ácido-base:
    Em conjunto com outros iões como bicarbonato (HCO₃⁻), o sódio ajuda a manter o pH sanguíneo dentro de limites fisiológicos (~7,35–7,45).

Relação entre sódio e potássio: um equilíbrio vital

O potássio (K⁺) é o principal eletrólito intracelular, desempenhando funções que espelham as do sódio, mas dentro das células. A bomba sódio-potássio (Na⁺/K⁺-ATPase) é um dos principais mecanismos de homeostase eletrolítica e consome cerca de 20–40% da energia celular em repouso.

Funções principais da bomba Na⁺/K⁺-ATPase:

  • Mantém o gradiente eletroquímico essencial para a excitabilidade neuromuscular.
  • Regula o volume celular.
  • Facilita o transporte secundário ativo de glicose e aminoácidos.

Rácio ideal sódio/potássio na dieta

  • Estudos demonstram que o excesso de sódio aliado a uma ingestão insuficiente de potássio está associado a hipertensão arterial, AVC e doenças cardiovasculares.
  • A OMS recomenda:
    • <2.000 mg de sódio/dia (≈5 g de sal)
    • ≥3.510 mg de potássio/dia

Estudo de referência:
Mozaffarian D, et al. Global sodium consumption and death from cardiovascular causes. N Engl J Med. 2014;371(7):624-634.
Este estudo concluiu que o desequilíbrio entre sódio elevado e potássio reduzido foi responsável por mais de 1,5 milhões de mortes por causas cardiovasculares em 2010.


Consequências do desequilíbrio sódio-potássio

SituaçãoPossíveis consequências fisiológicas
Sódio em excessoHipertensão, retenção de líquidos, risco cardiovascular aumentado
Sódio em déficeHiponatrémia, confusão, fadiga, náuseas, convulsões
Potássio em excessoBradicardia, paragem cardíaca (hipercaliemia)
Potássio em déficeFraqueza muscular, arritmias, obstipação (hipocaliemia)

Conclusão fisiológica

O sódio e o potássio funcionam em estreita interdependência. Manter um bom equilíbrio entre ambos é essencial para a função neuromuscular, regulação da tensão arterial, ritmo cardíaco e metabolismo celular. Promover uma dieta rica em frutas, vegetais e alimentos naturais (ricos em potássio) e reduzir o consumo de sal processado é uma das melhores estratégias para proteger a saúde cardiovascular.


Como o excesso de sal causa hipertensão arterial: Explicação científica e fisiológica

A hipertensão arterial (HTA) é uma condição multifatorial, mas há um consenso sólido na comunidade científica de que o excesso de sódio na alimentação é um dos principais contribuintes. O mecanismo envolve vários sistemas do corpo, sobretudo os rins, o coração, os vasos sanguíneos e o sistema hormonal.


Rins e retenção de sódio e água

Quando o consumo de sal (cloreto de sódio) é elevado:

  • Os rins têm dificuldade em excretar o excesso de sódio eficientemente.
  • O sódio em excesso atrai água por osmose, aumentando o volume de sangue circulante (volémia).
  • Este aumento de volume gera uma maior pressão contra as paredes das artérias, o que se traduz numa elevação da pressão arterial.

Estudo chave:
He FJ, MacGregor GA. A comprehensive review on salt and health and current experience of worldwide salt reduction programmes. J Hum Hypertens. 2009.
Este estudo salienta a relação entre a retenção de sódio e a sobrecarga de volume que leva à HTA, especialmente em pessoas com “sensibilidade ao sal”.


Ativação do sistema nervoso simpático e hormonal (RAAS)

O excesso de sódio ativa o:

  • Sistema renina-angiotensina-aldosterona (RAAS), que regula o volume sanguíneo e a resistência vascular.
  • A produção de angiotensina II, uma potente substância vasoconstritora, leva ao estreitamento dos vasos sanguíneos e consequente aumento da pressão arterial.
  • Simultaneamente, há libertação de aldosterona, que estimula ainda mais a retenção de sódio e água pelos rins.

Disfunção endotelial e inflamação vascular

  • Altos níveis de sódio na dieta prejudicam as células endoteliais, que revestem os vasos sanguíneos e regulam o seu tônus.
  • O excesso de sódio reduz a produção de óxido nítrico (NO), uma molécula vasodilatadora crucial, levando à vasoconstrição crónica.
  • Também promove inflamação vascular e rigidez arterial, aumentando a resistência periférica total (afterload).

Estudo relevante:
Titze J, et al. Salt, inflammation, and immunity. Physiology (Bethesda). 2015.
Este trabalho mostra que o sódio em excesso altera a função imunitária e promove inflamação crónica, contribuindo para a disfunção vascular.


Sensibilidade ao sal

Nem todas as pessoas reagem da mesma forma ao sal. A chamada “sensibilidade ao sal” afecta uma parte significativa da população (estimada entre 25-50%) e é mais prevalente em:

  • Idosos
  • Pessoas com doença renal
  • Pessoas com obesidade ou diabetes
  • Afrodescendentes

Nestes indivíduos, mesmo aumentos modestos no consumo de sal resultam em aumentos significativos na pressão arterial.


Resumo dos mecanismos fisiológicos

Mecanismo fisiológicoEfeito do excesso de sal
Retenção renal de sódio e águaAumento do volume sanguíneo → hipertensão
Ativação do sistema RAASVasoconstrição + retenção hídrica
Disfunção do endotélio vascularMenor vasodilatação → aumento da resistência
Inflamação e rigidez arterialDiminuição da elasticidade → elevação da pressão
Sensibilidade individual ao salMaior vulnerabilidade a variações tensionais

Conclusão fisiológica

O consumo excessivo de sal não aumenta apenas o volume de sangue — altera profundamente os sistemas de regulação da pressão arterial. Essa sobrecarga crónica pode levar a hipertrofia do coração, lesão renal, AVC e outras complicações cardiovasculares. Reduzir a ingestão de sal é, por isso, uma das intervenções de saúde pública mais eficazes na prevenção da hipertensão e suas consequências.


Efeitos do excesso de sal na saúde para além da hipertensão

Embora a hipertensão arterial seja o efeito mais conhecido do consumo excessivo de sal, os impactos negativos vão muito além da pressão arterial, afetando vários órgãos e sistemas, incluindo os rins, o coração, os ossos, o estômago, o cérebro e o sistema imunitário.


1. Doença renal crónica (DRC)

Mecanismo:

  • O aumento crónico da pressão arterial renal (resultante da retenção de sódio e água) provoca hiperfiltração glomerular.
  • Esta hiperfiltração danifica progressivamente os glomérulos, levando à perda da função renal.
  • Além disso, o excesso de sódio promove fibrose intersticial renal e inflamação crónica.

Evidência:
He J, et al. Effect of sodium intake on kidney disease progression. Kidney Int. 2011.

Consequências:

  • Proteinúria
  • Redução da taxa de filtração glomerular (TFG)
  • Maior risco de progressão para insuficiência renal terminal

2. Doenças cardiovasculares (independentemente da tensão arterial)

Mecanismo:

  • O excesso de sódio aumenta a rigidez arterial e provoca disfunção endotelial, mesmo sem HTA.
  • Favorece o espessamento da parede arterial (hiperplasia da camada média) e a inflamação vascular.
  • Eleva os níveis de peptídeo natriurético atrial (ANP) e aldosterona, alterando o equilíbrio do miocárdio.

Estudo chave:
Graudal N, et al. Compared with low sodium intake, usual sodium intake is not associated with higher mortality. Am J Hypertens. 2014.

Consequências:

  • Aumento do risco de enfarte do miocárdio, AVC isquémico e insuficiência cardíaca congestiva
  • Potencial arritmogénico, especialmente em pessoas com predisposição genética

3. Osteoporose e perda óssea

Mecanismo:

  • A excreção urinária de sódio estimula a excreção concomitante de cálcio (hipercalciúria).
  • Este aumento na perda de cálcio reduz a disponibilidade para o remodelamento ósseo, comprometendo a densidade mineral óssea.

Evidência:
Tucker KL, et al. High sodium affects calcium metabolism and bone density. J Bone Miner Res. 2001.

Consequência:

  • Osteopenia e osteoporose, especialmente em mulheres pós-menopáusicas e idosos

4. Cancro do estômago

Mecanismo:

  • O sal em excesso danifica diretamente a mucosa gástrica, aumentando a susceptibilidade a infeções por Helicobacter pylori.
  • Este ambiente inflamatório crónico favorece metaplasias gástricas e alterações genéticas que conduzem à carcinogénese.

Meta-análise importante:
D’Elia L, et al. Salt intake and gastric cancer risk: a meta-analysis. Cancer Causes Control. 2012.

Consequência:

  • Maior incidência de cancro do estômago, especialmente em dietas ricas em conservas, alimentos salgados e fumados

5. Comprometimento cognitivo e risco de demência

Mecanismo:

  • A inflamação vascular e a disfunção endotelial induzidas pelo excesso de sódio comprometem a perfusão cerebral.
  • Pode afetar a integridade da barreira hematoencefálica e promover neuroinflamação.
  • Interfere com o metabolismo da insulina e da glicose cerebral.

Estudo relevante em modelo animal:
Faraco G, et al. Dietary salt promotes neurovascular and cognitive dysfunction through a gut-initiated TH17 response. Nat Neurosci. 2018.

Consequência:

  • Risco aumentado de declínio cognitivo, défices de memória e potencial associação com demência vascular

6. Imunomodulação e inflamação crónica

Mecanismo:

  • O sódio em excesso ativa linfócitos T auxiliares do tipo 17 (Th17), que promovem inflamação sistémica.
  • Estimula a libertação de citocinas pró-inflamatórias como IL-17 e TNF-α.

Artigo chave:
Kleinewietfeld M, et al. Sodium chloride drives autoimmune disease by the induction of pathogenic Th17 cells. Nature. 2013.

Consequência:

  • Agravamento de doenças autoimunes como artrite reumatoide, esclerose múltipla e psoríase
  • Maior predisposição a doenças inflamatórias intestinais

Conclusão fisiológica

O excesso de sal na dieta moderna ultrapassa largamente as necessidades fisiológicas. Para além da hipertensão, o consumo excessivo de sódio altera profundamente a função renal, cardíaca, óssea, gástrica, cerebral e imunitária. A evidência científica atual sustenta que reduzir a ingestão de sal é uma das intervenções mais eficazes, seguras e económicas para prevenir doenças crónicas e prolongar a longevidade com qualidade.


Tipos de sal e suas características

Existem diversos tipos de sal disponíveis no mercado, cada um com características específicas:

  • Sal Refinado: Também conhecido como sal de cozinha, é altamente processado, contendo cerca de 400 mg de sódio por grama.
  • Sal Marinho: Obtido pela evaporação da água do mar, preserva minerais como magnésio e potássio.
  • Flor de Sal: Colhida manualmente da superfície das salinas, possui textura delicada e sabor intenso, com aproximadamente 450 mg de sódio por grama.
  • Sal Rosa dos Himalaias: Extraído de minas no Paquistão, contém minerais como cálcio, magnésio e ferro, apresentando cerca de 230 mg de sódio por grama.
  • Sal Iodado: Enriquecido com iodo, essencial para a função da tiroide, contém entre 20-40 mg de iodo por kg de sal.
  • Salicórnia: Planta halófita que pode ser utilizada como substituto do sal, oferecendo sabor salgado com menor teor de sódio.
  • Algas Marinhas: Ricas em minerais, podem ser utilizadas como alternativa ao sal em diversas preparações culinárias.

Tabela comparativa: Teor de sódio e minerais nos diferentes tipos de sal

Apesar do sal refinado ser o mais comum na cozinha portuguesa, existem alternativas com perfis minerais distintos, que podem contribuir para uma alimentação mais equilibrada. A tabela seguinte compara o teor de sódio e a presença de minerais relevantes por cada grama de produto:

Tipo de salSódio (mg/1g)Potássio (mg/1g)Magnésio (mg/1g)Cácio (mg/1g)Iodo (mcg/1g)
Sal refinado de cozinha4000000
Sal marinho3808520
Flor de sal45010850
Sal rosa dos Himalaias2303120
Sal iodado40000025
Salicórnia (seca)1603030120
Algas marinhas (secas)50909070500

Nota: Os valores apresentados são médias aproximadas e podem variar consoante a origem e o método de produção. As algas e a salicórnia, por exemplo, destacam-se pelo baixo teor de sódio e alto conteúdo mineral, sendo excelentes substitutos do sal tradicional em regimes com restrição de sódio.

Os dados apresentados na tabela comparativa foram compilados com base em fontes científicas, bases nutricionais internacionais e dados de composição alimentar disponíveis. As principais fontes utilizadas incluem:

  1. USDA FoodData Central (Departamento de Agricultura dos EUA) – Base de dados oficial de composição de alimentos:
    https://fdc.nal.usda.gov
  2. Tabela da Composição de Alimentos do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA), Portugal – Versão atualizada para o público português:
    https://portfir.insa.pt
  3. Publicações científicas da PubMed sobre composição de sais alternativos:
    • McCance and Widdowson’s Composition of Foods (UK): análise detalhada de sais e substitutos vegetais.
    • Teor de minerais em algas marinhas e salicórnia em:
      • Holdt SL, Kraan S. Bioactive compounds in seaweed: functional food applications and legislation. J Appl Phycol. 2011.
      • Ventura MR et al. Nutritional composition of salicornia spp. Food Chem. 2011.
  4. Artigos da PLOS ONE sobre sal iodado e saúde pública:
    • Iodine fortification of salt: current status and challenges. PLOS One, 2020.

Estes valores foram arredondados para facilitar a comparação e representam médias estimadas com base em produtos disponíveis comercialmente e descrições técnicas. É importante notar que a composição mineral pode variar consoante a origem geográfica e o método de processamento de cada tipo de sal.


Impacto do sal na Saúde Humana

O consumo excessivo de sal está associado a diversos problemas de saúde, principalmente relacionados à pressão arterial:

  • Hipertensão Arterial: Estudos indicam que a redução da ingestão de sódio pode diminuir significativamente a pressão arterial em indivíduos hipertensos.
  • Doenças Cardiovasculares: O excesso de sódio pode aumentar o risco de doenças cardíacas e acidentes vasculares cerebrais.
  • Retenção de Líquidos: Altos níveis de sódio podem causar retenção de líquidos, levando a inchaços e aumento da pressão arterial.

Estratégias para reduzir o consumo de sal sem perder sabor

Reduzir o sal na alimentação não significa abrir mão do prazer à mesa. Existem formas eficazes e saborosas de o fazer, substituindo sais refinados e processados por alternativas mais equilibradas e naturais. A chave está em potenciar o sabor através de outros ingredientes e educar progressivamente o paladar.


1. Escolher tipos de sal com menor teor de sódio

Tipo de salRedução de sódioBenefício adicional
Sal rosa dos Himalaias↓ até 40%Minerais como ferro e magnésio
Sal marinho não refinado↓ ligeiraMenor processamento, mantém oligoelementos
Salicórnia seca↓ até 60%Rica em potássio e magnésio
Algas marinhas secas↓ até 90%Fonte natural de iodo, cálcio e potássio

Dica: Mistura personalizada — usar 50% de flor de sal com 50% de salicórnia seca moída para reduzir significativamente o teor de sódio sem comprometer o sabor.


2. Utilizar intensificadores de sabor naturais

🌿 Ervas aromáticas frescas ou secas:

  • Alecrim, tomilho, orégãos, manjericão, salsa, coentros, louro.
  • Usadas em marinadas, grelhados, caldos e sopas.

🌶️ Especiarias:

  • Pimenta preta, paprika, noz-moscada, cominhos, açafrão, gengibre, canela.
  • Realçam o sabor de carnes, leguminosas e vegetais sem necessidade de sal.

🍋 Ácidos naturais:

  • Sumo de limão, vinagre balsâmico, vinagre de maçã ou de arroz.
  • Realçam o sabor tal como o sal, estimulando as papilas gustativas.

🧄 Alhos, cebolas e chalotas:

  • Quando bem caramelizados, conferem profundidade e umami aos pratos.

🍅 Tomate seco, cogumelos, azeitonas e algas:

  • Fontes naturais de umami, o quinto sabor, que intensifica o paladar.

3. Estratégias culinárias práticas

  • Adicionar sal no fim da cozedura: reduz a quantidade total necessária, pois o sal permanece mais na superfície e é mais perceptível.
  • Usar “poeiras” de sabor: triturar salicórnia seca, algas ou cogumelos secos e polvilhar no prato como realçador final.
  • Temperar com antecedência (marinar): realça sabores com menor quantidade de sal.
  • Técnica da “redução”: reduzir líquidos como caldos, sumos de vegetais ou vinagres para concentrar o sabor.

4. Reeducar progressivamente o paladar

O ser humano adapta-se ao sabor — estudos demonstram que é possível reduzir o sal em 30% sem que o consumidor detete a diferença ao fim de duas semanas.

Estratégia:

  • Reduzir gradualmente o sal adicionado em 10% a cada semana.
  • Utilizar uma combinação de substitutos, especiarias e técnicas culinárias.

5. Atenção aos alimentos com sal “escondido”

Mais de 70% do sal que consumimos provém de alimentos processados e não do saleiro. Atenção especial a:

  • Enlatados e conservas
  • Caldos e temperos industrializados
  • Pão industrial
  • Enchidos e charcutaria
  • Queijos curados
  • Snacks salgados e fast food

Solução: Escolher versões com “baixo teor de sal” e compensar com especiarias e ervas em casa.


🥗 Alimentos Mais Ricos em Potássio (por 100 g)

Descrevo de seguida uma lista dos alimentos mais ricos em potássio, organizada por categorias alimentares, com valores médios por 100 gramas. Esta informação é útil para promover o equilíbrio sódio-potássio na alimentação — essencial para a saúde cardiovascular e neuromuscular.

🥦 Vegetais e leguminosas

AlimentoPotássio (mg)
Feijão branco cozido~561
Lentilhas cozidas~369
Espinafres cozidos~466
Batata assada (com casca)~535
Abóbora cozida~340
Brócolos cozidos~293
Beterraba cozida~325
Couve portuguesa cozida~300

🍌 Frutas

AlimentoPotássio (mg)
Banana média~358
Abacate~485
Melão cantalupo~267
Kiwi~312
Damasco seco~1160
Figos secos~680
Passas (uva seca)~749

🐟 Peixes e mariscos

AlimentoPotássio (mg)
Salmão grelhado~490
Atum em água~252
Pargo~450
Camarão cozido~264

🥜 Frutos oleaginosos e sementes

AlimentoPotássio (mg)
Amêndoas (sem sal)~705
Pistácios~1025
Sementes de abóbora~588
Nozes~441

🥛 Laticínios e derivados

AlimentoPotássio (mg)
Leite meio-gordo~150
Iogurte natural~255
Queijo ricotta magro~105

🥖 Cereais integrais e tubérculos

AlimentoPotássio (mg)
Aveia cozida~160
Arroz integral cozido~86
Batata-doce assada~475
Milho cozido~270

🌿 Substitutos naturais do sal

AlimentoPotássio (mg)
Salicórnia seca (100 g)~3000
Algas nori secas~2500

Notas Importantes

  • A relação potássio/sódio é tão ou mais importante que o valor absoluto de potássio.
  • Cozinhar os alimentos (especialmente em água abundante) pode reduzir o teor de potássio — preferir cozedura a vapor ou assada.
  • Pessoas com doença renal devem consultar um profissional antes de aumentar a ingestão de potássio, devido ao risco de hipercaliemia.

Conclusão prática

Reduzir o consumo de sal, especialmente do sal refinado rico em sódio, é um passo crucial para proteger a saúde cardiovascular. Com criatividade culinária e alternativas saudáveis como a salicórnia, as algas e o uso inteligente de ervas e especiarias, é possível manter (ou até melhorar) o sabor dos pratos — com muito menos sal.

O sal é um componente essencial na dieta humana, desempenhando funções vitais no organismo. No entanto, o seu consumo deve ser moderado para evitar problemas de saúde, especialmente relacionados à pressão arterial e doenças cardiovasculares. Escolher tipos de sal menos processados e incorporar alternativas naturais pode contribuir para uma dieta mais equilibrada e saudável.


Fontes bibliográficas

Helicobacter pylori tratamento natural para a bactéria do estômago

A Helicobacter pylori (H. pylori) é uma bactéria anaeróbia Gram-negativa que coloniza o estômago humano e é a principal causa de doenças gástricas, como a gastrite crónica e as úlceras pépticas, bem como o fator de risco mais definitivo e controlável para o desenvolvimento de cancro gástrico ou linfoma MALT. A infecção afecta cerca de metade da população global, com elevada variabilidade na prevalência entre regiões e por idade. A infeção crónica por este carcinogéneo microbiano de classe I é considerada o fator de risco mais importante para o desenvolvimento de cancro gástrico.

A Helicobacter pylori habita a mucosa gástrica de quase 4,4 mil milhões de pessoas em todo o mundo (Hooi et al., 2017). Sem uma terapia de erradicação eficaz, a infeção geralmente persiste durante toda a vida, causando inflamação da mucosa gástrica, que pode progredir gradualmente para úlcera péptica, adenocarcinoma gástrico e linfoma do tecido linfóide associado à mucosa (MALT) (Kusters et al., 2006; Yamaoka, 2010). Atualmente, a eficácia da terapêutica tripla padrão de uma semana contendo claritromicina (CLR) e metronidazol (MTZ) ou amoxicilina (AMX) combinada com um inibidor da bomba de protões (IBP) caiu drasticamente, apresentando taxas de erradicação de 50% a 70% (Fallone et al., 2016).

A crescente resistência antimicrobiana aos antibióticos de primeira linha provoca principalmente o insucesso das atuais terapêuticas de erradicação, induzindo infeções refratárias. O aumento alarmante da resistência a múltiplos fármacos em isolados de H. pylori em todo o mundo começa já a limitar a eficácia dos tratamentos existentes. Consequentemente, em 2017, a Organização Mundial de Saúde (OMS) incluiu o H. pylori na sua lista de “patógenos prioritários”, resistentes aos antibióticos, um catálogo de 12 famílias de bactérias que representam atualmente a maior ameaça para a saúde humana (Tacconelli et al., 2018), para os quais são urgentemente necessários novos antibióticos.

Devem ser adotadas novas estratégias para combater esta crise antibiótica, incluindo a exploração adequada do potencial terapêutico comprovado das plantas medicinais e dos fitoquímicos derivados de plantas.

A erradicação é recomendada sempre que se identifique a infeção, independentemente da presença de sintomas, devido ao seu potencial patogénico a longo prazo. Atualmente, o regime para a erradicação do H. pylori passou de triplo para quádruplo (toma de 4 antibióticos simultâneos), o curso do tratamento foi prolongado e o tipo e a dose de antibióticos foram ajustados, com uma melhoria limitada da eficácia, mas efeitos secundários gradualmente crescentes e falhas repetidas no tratamento num número crescente de doentes.

Nos últimos anos, os probióticos e algumas plantas tornaram-se ferramentas mais importantes para melhorar a saúde gastro intestinal e potenciar a nossa imunidade.

As cinco grandes mentiras sobre saúde
As cinco grandes mentiras sobre saúde

Tratamentos naturais com evidência científica

Embora o tratamento natural isolado raramente seja suficiente para erradicação completa, alguns probióticos e plantas, demonstraram efeitos adjuvantes ou inibitórios sobre o H. pylori em estudos in vitro e pequenos ensaios clínicos.

Numerosos estudos in vitro, estudos em animais e observações clínicas demonstraram que os probióticos têm a vantagem de reduzir os efeitos secundários e aumentar as taxas de erradicação na terapêutica adjuvante anti-H. pylori e são um complemento valioso à terapêutica convencional. No entanto, muitos tipos diferentes de probióticos são utilizados como adjuvantes contra o H. pylori, em diversas combinações, com diferentes doses e tempos de administração, e a qualidade dos estudos clínicos varia, dificultando a padronização dos resultados.

Probióticos

  • Espécies eficazes: Limosilactobacillus reuteri (L. reuteri), L. rhamnosus GG, Saccharomyces boulardii.
  • Mecanismo: Reduzem a adesão do H. pylori à mucosa gástrica e diminuem os efeitos secundários do tratamento antibiótico.
  • Estudo-chave: Meta-análise demonstrou benefícios na redução de carga bacteriana e alívio de sintomas.
  • Marca comercial disponível: Advancis Bacilpro Gastro

Limosilactobacillus reuteri

Devido à elevada taxa de insucesso da terapêutica de erradicação em vários países e ao aumento da resistência aos antibióticos reportado na literatura, existe uma necessidade cada vez maior de procurar tratamentos terapêuticos alternativos. Os probióticos parecem ser uma solução promissora. Em particular, a espécie Limosilactobacillus reuteri (L. reuteri) é uma bactéria Gram-positiva e é comummente encontrada na microbiota dos mamíferos.

O L. reuteri é capaz de sobreviver ao meio ácido gástrico e à bílis e colonizar a mucosa gástrica. Esta espécie é capaz de inibir o crescimento de diversas bactérias patogénicas através de diferentes mecanismos, mantendo a homeostasia da microbiota. Em particular, é capaz de segregar reuterina e reutericilina, substâncias que exibem propriedades antimicrobianas, entre outras moléculas. Através da secreção destes e da formação do biofilme, descobriu-se que este inibe fortemente o crescimento de H. pylori e, em concentrações mais elevadas, mata-o. Além disso, reduz a expressão dos fatores de virulência do H. pylori.

Em ensaios clínicos, o L. reuteri demonstrou diminuir a carga de H. pylori quando utilizado como tratamento único, mas não atingiu significância estatística na cura de doentes infetados. Como adjuvante dos regimes padrão com antibióticos e inibidores da bomba, o L. reuteri pode ser utilizado não só para melhorar as taxas de cura, mas especialmente para diminuir os sintomas gastrointestinais, que são uma causa comum de falta de adesão e interrupção da terapêutica, levando a uma nova resistência aos antibióticos.

Uma meta análise de 2024, de diversos ensaios clínicos controlados e randomizados, conclui que a suplementação com L. reuteri foi benéfica para aumentar a taxa de erradicação do H. pylori, reduzir a incidência global de efeitos secundários e aliviar os sintomas gastrointestinais nos doentes durante o tratamento. Os resultados fornecem novos informações relevantes para a tomada de decisões clínicas.

Referências:
Current and future perspectives for Helicobacter pylori treatment and management: From antibiotics to probiotics

Limosilactobacillus reuteri Strains as Adjuvants in the Management of Helicobacter pylori Infection

Lactobacillus reuteri compared with placebo as an adjuvant in Helicobacter pylori eradication therapy: a meta-analysis of randomized controlled trials


Lactobacillus rhamnosus jB3 (LR-JB3)

A erradicação da infeção por Helicobacter pylori é a forma mais direta e eficaz de prevenir o cancro gástrico. As bactérias lácticas são consideradas agentes terapêuticos alternativos contra a infeção por H. pylori. O H. pylori explora as balsas lipídicas para infetar as células hospedeiras. A infeção desencadeia a aglomeração do antigénio Lewis X (Lex) e das integrinas nas balsas lipídicas para facilitar a adesão do H. pylori ao epitélio gástrico. A infeção por H. pylori pode ser tratada com probióticos contendo bactérias lácticas, que oferecem inúmeros benefícios ao hospedeiro, sem os efeitos secundários associados à antibioterapia.

Métodos
Os efeitos do Lactobacillus rhamnosus JB3 (LR-JB3) na expressão génica de virulência de H. pylori e nas respostas celulares induzidas pela infeção de células AGS foram investigados através do cocultivo de células AGS infetadas com diferentes multiplicidades de infeções (MOIs) de LR-JB3.

Resultados
O LR-JB3, especificamente a um MOI de 25, suprimiu a capacidade de associação do H. pylori e dos seus níveis induzidos de IL-8, bem como os níveis de mRNA de vacA, sabA e fucT de H. pylori, as expressões do antigénio Lewis (Le)x induzidas pela infeção e do recetor Toll-like 4 (TLR4) nas células AGS. No entanto, a apoptose mediada pela infecção foi inibida pelo LR-JB3 de forma dose-dependente. Além disso, observou-se que o autoindutor (AI)-2 aumentou a capacidade de associação e a expressão de fucT em H. pylori, bem como a expressão do antigénio Lex e de TLR4 em células AGS. Curiosamente, foi colocada a hipótese de um sinal bioativo desconhecido ter sido secretado pelo LR-JB3 a um MOI de 25 para atuar como antagonista do AI-2.

Conclusões
O LR-JB3 possui vários meios para interferir na patogénese do H. pylori e nas respostas celulares induzidas pela infeção das células AGS para combater a infeção.

Referências

Lactobacillus rhamnosus JB3 inhibits Helicobacter pylori infection through multiple molecular actions

Antagonistic Activities of Lactobacillus rhamnosus JB3 Against Helicobacter pylori Infection Through Lipid Raft Formation


Saccharomyces boulardii (S. boulardii)

Saccharomyces boulardii é uma levedura probiótica, não é uma bactéria. A infeção por Helicobacter pylori (H. pylori) é uma infeção crónica comum, e mais de metade da população mundial está infetada por H. É ainda controverso se a suplementação de Saccharomyces boulardii (S. boulardii) à terapêutica antibiótica quádrupla com bismuto é benéfica para a erradicação do H. pylori.

Numa meta-análise de 2025, na literatura das bases de dados PubMed, Embase, Web of Science e China National Knowledge Infrastructure, de artigos publicados até outubro de 2023, foram incluídos 10 ensaios clínicos randomizados.

Notavelmente, a suplementação de S. boulardii à terapêutica quádrupla com bismuto melhorou significativamente as taxas de erradicação do H. pylori e reduziu a incidência de efeitos adversos totais. Especificamente, reduziu a incidência de alguns efeitos adversos gastrointestinais e efeitos adversos não específicos, incluindo diarreia, obstipação, distensão abdominal, náuseas e erupção cutânea.

Na análise de subgrupos, verificou-se que a duração da erradicação a longo prazo e a suplementação de S. boulardii iniciada e interrompida ao mesmo tempo que o tratamento de erradicação melhoraram significativamente a taxa de erradicação, independentemente da dose de S. boulardii.

Uma meta-análise encontrou uma eficácia terapêutica significativa para o S. boulardii na prevenção da diarreia associada a antibióticos (DAA). Nos adultos, o S. boulardii pode ser fortemente recomendado para a prevenção da DAA e da diarreia do viajante. Ensaios clínicos randomizados também apoiam a utilização deste probiótico de levedura para a prevenção da diarreia relacionada com a nutrição entérica e redução dos sintomas relacionados com o tratamento do Helicobacter pylori.

O S. boulardii mostra-se promissor para a prevenção de recidivas da doença de C. difficile; tratamento da síndrome do intestino irritável, diarreia aguda do adulto, doença de Crohn, giardíase, diarreia relacionada com o vírus da imunodeficiência humana; mas recomendam-se mais evidências de suporte para estas indicações. A utilização de S. boulardii como probiótico terapêutico baseia-se em evidências tanto para a eficácia como para a segurança para vários tipos de diarreia.

Conclusões

A adição de S. boulardii à terapêutica quádrupla com bismuto aumentou significativamente as taxas de erradicação do H. pylori e diminuiu os efeitos adversos. Recomenda-se adicionar 500 mg/dia de S. boulardii concomitantemente com a terapêutica quádrupla com bismuto e continuar esta terapêutica durante > 10 dias para obter uma eficácia ótima na erradicação do H. pylori.

Referências

Effect of Saccharomyces boulardii supplementation to bismuth quadruple therapy on Helicobacter pylori eradication


Rebentos de brócolos e sulforafano

  • Composto ativo: Sulforafano (glucosinolato presente nos rebentos de brócolo).
  • Mecanismo: Atividade bactericida direta e redução da inflamação gástrica.
  • Estudo-clínico: Fahey JW et al., Cancer Prev Res, 2009 – mostrou redução da colonização em humanos após 2 semanas de consumo de rebentos.

O isotiocianato sulforafano [SF; O 1-isotiocianato-4(R)-metilsulfinilbutano] é abundante nos rebentos de brócolos sob a forma do seu precursor glucosinolato (glucorafanina). O Sulforafano é poderosamente bactericida contra as infeções por Helicobacter pylori, que estão fortemente associadas à pandemia mundial de cancro gástrico.

O tratamento oral com rebentos de brócolos ricos em sulforafano de ratinhos fêmeas C57BL/6 infetados com H. pylori estirpe 1 Sydney e mantidos com uma dieta rica em sal (7,5% NaCl) reduziu a colonização bacteriana gástrica, atenuou a expressão mucosa do fator de necrose tumoral alfa e da interleucina-1beta, mitigou a inflamação do corpo e preveniu a expressão da atrofia do corpo gástrico induzida por alto teor de sal.

Este efeito terapêutico não foi observado em ratinhos nos quais o gene nrf2 foi eliminado, implicando fortemente o importante papel das proteínas antioxidantes e anti-inflamatórias dependentes de Nrf2 na proteção dependente de SF. Quarenta e oito doentes infectados por H. pylori foram aleatoriamente designados para receber rebentos de brócolos (70 g/d; contendo 420 micromol de precursor de SF) durante 8 semanas ou para o consumo de um peso igual de rebentos de alfafa (sem SF) como placebo.

A intervenção com rebentos de brócolos, mas não com placebo, diminuiu os níveis de urease medidos pelo teste respiratório da ureia e do antigénio fecal de H. pylori (ambos biomarcadores de colonização por H. pylori) e de pepsinogénios séricos I e II (biomarcadores de inflamação gástrica). Os valores voltaram aos seus níveis originais 2 meses após a interrupção do tratamento. A ingestão diária de rebentos de brócolos ricos em sulforafano durante 2 meses reduz a colonização por H. pylori em ratinhos e melhora as sequelas da infeção em ratinhos infetados e em humanos. Este tratamento parece aumentar a quimioproteção da mucosa gástrica contra o stress oxidativo induzido pelo H. pylori.

Referências:

Dietary sulforaphane-rich broccoli sprouts reduce colonization and attenuate gastritis in Helicobacter pylori-infected mice and humans

Fahey JW, et al. Cancer Prev Res (Phila). 2009 Apr;2(4):353–360.


Mel de Manuka (Leptospermum scoparium)

  • Atividade antibacteriana: Propriedades antibióticas naturais atribuídas ao metilglioxal.
  • Limitação: A maioria dos estudos são in vitro. Efeitos in vivo ainda inconclusivos.

O mel de Manuka (Leptospermum scoparium) exerce um forte efeito antibacteriano. As enzimas bacterianas são um alvo importante para os compostos antibacterianos. A enzima urease produz amónia e permite que as bactérias se adaptem a um meio ácido. Um novo ensaio enzimático, baseado na deteção fotométrica de amónia com ninidrina, foi desenvolvido para estudar a atividade da urease.

O metilglioxal (MGO) e o seu precursor di-hidroxiacetona (DHA), que estão naturalmente presentes no mel de Manuka, foram identificados como inibidores da urease do feijão-de-porco com valores de IC50 de 2,8 e 5,0 mM, respetivamente. A inibição da urease do mel de Manuka correlaciona-se com o seu teor em MGO e DHA. Os méis não-Manuka, que não possuem MGO e DHA, apresentaram uma inibição da urease significativamente menor.

A depleção de MGO do mel de Manuka com glioxalase reduziu a inibição da urease. Portanto, a inibição da urease pelo mel de Manuka deve-se principalmente ao MGO e ao DHA. Os resultados obtidos com a urease do feijão-de-porco como urease modelo podem contribuir para a compreensão da inibição bacteriana pelo mel de manuka.

Referência:
Manuka honey (Leptospermum scoparium) inhibits jack bean urease activity due to methylglyoxal and dihydroxyacetone


Chá verde, chá preto, alho, cúrcuma e alcaçuz (DGL)

  • Chá verde: efeito bacteriostático (Yamaoka Y, Int J Antimicrob Agents, 2009).
  • Alho cru: ação inibitória direta sobre o H. pylori, mas deve ser consumido em quantidades elevadas.
  • Cúrcuma: propriedades anti-inflamatórias e antimicrobianas.
  • Alcaçuz deglicirrizinado (DGL): pode reduzir aderência da bactéria.

Referências adicionais:


Flavonoides antibacterianos

Muito antes de a infecção por H. pylori ser reconhecida como causadora de gastrite crónica e úlceras pépticas em 1982 (Marshall e Warren, 1984), os produtos naturais já eram utilizados por médicos e curandeiros para combater estas doenças com base em conhecimento empírico (Yesilada et al., 1997). Atualmente, mais de 240 espécies de plantas demonstraram atividade anti-H. pylori (Salehi et al., 2018; Baker, 2020). Com a necessidade urgente de novas opções terapêuticas para enfrentar a atual crise dos antibióticos, o interesse da comunidade científica pela medicina tradicional e pela utilização de produtos naturais como fontes de novos medicamentos antibacterianos foi reforçado (Cheesman et al., 2017; Anand et al., 2019).

Os flavonoides são compostos bioativos polifenólicos de baixo peso molecular, ubíquos nas plantas (Buer et al., 2010). A família dos flavonóides é constituída por mais de 9000 espécies de moléculas, que partilham, na sua maioria, uma estrutura química baseada num esqueleto de quinze carbonos (C6-C3-C6) composto por dois anéis benzénicos, designados por A e B, ligados por um anel pirano heterocíclico, denominado anel C. O esqueleto C6-C3-C6 é frequentemente hidroxilado nas posições 2, 3, 5, 7, 3’, 4’ e 5’.

Os éteres metílicos e os ésteres acetílicos dos grupos álcoois são frequentes, embora uma infinidade de outros grupos derivados, incluindo diferentes alquilas, isoprenoides e grupos carboxílicos, também contribuam para a vasta diversidade destes compostos (Kumar e Pandey, 2013).

As sete classes de flavonoides

Com base no estado de oxidação do anel pirano central, no seu grau de hidroxilação e na posição de ligação do anel benzénico B, os flavonoides podem ser divididos em sete classes principais, que descrevo de seguida, assim como o nome dos principais flavonoides de cada classe e alguns alimentos onde podem ser encontrados:

  • Flavonas como apigenina, crisina, luteolina, tangeritina (Aipo, salsa, pimento vermelho, camomila, hortelã, ginkgo biloba);
  • Flavonóis como kaempferol, quercetina, miricetina, fisetina (Cebola, couve, alface, tomate, maçã, uva, frutos vermelhos, chá, vinho tinto);
  • Flavanonas como hesperetina, naringenina, eriodictiol, butina ( Frutas cítricas, uvas, arroz);
  • Flavanonóis como taxifolina, aromadedrina, engeletina, astilbina (Frutas cítricas, chá, arroz);
  • Flavanóis também conhecidos como flavan-3-óis, tais como catequina, epicatequina, galocatequina, proantocianidinas (Chá, cacau, bananas, maçãs, mirtilos, pêssegos, peras, uvas, vinho tinto);
  • Antocianidinas como malvidina, cianidina, delfinidina, petunidina (Berries, black currants, red grapes, merlot grapes);
  • Isoflavonas como daidzeína, genisteína, gliciteína, formononetina (legumes).

Quercetina bactericida

Muitos flavonóides naturais, como a quercetina, apresentam atividade anti-urease. O valor dos flavonoides como fármacos terapêuticos eficazes contra o H. pylori não se deve apenas ao seu comprovado efeito bactericida, mas também às suas ações antivirulentas, que em muitos casos reduzem os danos no hospedeiro e aliviam as doenças associadas. Alguns fatores de virulência do H. pylori, incluindo o gene A associado à citotoxina (CagA) e a citotoxina A vacuolante (VacA), são cruciais no processo inflamatório associado à infeção por este agente patogénico.

Referência:

Fighting the Antibiotic Crisis: Flavonoids as Promising Antibacterial Drugs Against Helicobacter pylori Infection


Quercetina alimentos mais ricos

A quercetina é um flavonoide com fortes propriedades antioxidantes, anti-inflamatórias e antivirais. Está presente em diversos alimentos, sobretudo de origem vegetal. Abaixo indico os alimentos mais ricos em quercetina, com estimativas médias do teor por 100 g:

Alimentos mais ricos em quercetina (por ordem decrescente)

AlimentoTeor médio de quercetina (mg/100g)
Alcaparras (em conserva)180–230
Cebola roxa crua30–50
Chalota (échalote)20–40
Maçã (com casca)4–10
Mirtilos3–8
Brócolos cozidos2–5
Pimentos (vermelhos e amarelos)2–4
Couve roxa crua2–3
Uvas pretas1–2
Chá verde e chá preto2–10 (por chávena, dependendo do tipo e tempo de infusão)

Nota: A quantidade de quercetina pode variar bastante consoante a variedade do alimento, maturação, modo de cultivo e preparação (cru vs. cozinhado).

Efeitos terapêuticos da quercetina

Referências científicas:

Exemplo de tratamento natural complementar

Como exemplo de um tratamento natural complementar à antibioterapia ou seja associado ao tratamento medicamentoso mais eficaz podemos utilizar o seguinte:

  • Em jejum: Próbiótico constituído por Lactobacillus Reuteri, Lactobacillus Ramnosus jB3 e Sacharomyces Boulardii;
  • Ao pequeno almoço: Acompanhar com Chá verde ou chá preto e mel de manuka;
  • Refeições principais (almoço e jantar): Introduzir rebentos de brócolos, alho cru, cúrcuma, alcaçuz, alcaparras em conserva e cebola roxa crua ou chalota.
  • Sobremesa: Maças com casca, mirtilos, uvas pretas.

Dicas para aumentar o consumo de quercetina:

  • Prefira cebola roxa crua em saladas e guarnições.
  • Coma maçãs com casca (preferencialmente biológicas).
  • Utilize alcaparras para temperar pratos (ricas e potentes).
  • Inclua frutos vermelhos regularmente (mirtilos, uvas escuras).
  • Beba chá verde de boa qualidade, com infusão de 5 a 10 minutos.

Tratamento medicamentoso mais eficaz (Gold Standard 2025)

De seguida descrevo os tratamentos medicamentosos atualmente mais eficazes mas, por serem mais agressivos, originam efeitos secundários relevantes, principalmente transtornos gastrointestinais, como vómitos e diarreia. A destruição da microbiota intestinal e oral, durante o tratamento, é “brutal” e obrigada a uma reposição bem planeada com os probióticos mais adequados.

Terapêutica quádrupla concomitante (sem bismuto)

Composição:

  • Inibidor da bomba de protões (IBP): Omeprazol 20 mg 2x/dia
  • Amoxicilina 1 g 2x/dia
  • Claritromicina 500 mg 2x/dia
  • Metronidazol 500 mg 2x/dia

📆 Duração: 10 a 14 dias
💊 Posologia padrão: todos os fármacos 2x/dia após refeições

📚 Referência:
Malfertheiner P, et al. Maastricht VI/Florence Consensus Report on the management of Helicobacter pylori infection. Gut. 2022.


Terapêutica quádrupla com bismuto (alternativa eficaz)

Composição:

  • IBP 2x/dia
  • Subcitrato de bismuto 120 mg 4x/dia
  • Tetraciclina 500 mg 4x/dia
  • Metronidazol 500 mg 3x/dia

📆 Duração: 10 a 14 dias
💡 Indicado especialmente em casos de resistência à claritromicina

📚 Referência:
Fallone CA et al., World Gastroenterology Organisation Global Guidelines, 2023.


Considerações finais e recomendações clínicas

  • As terapias naturais podem ser utilizadas como suporte ou prevenção secundária, mas ainda não substituem o tratamento antibiótico para erradicação completa.
  • A terapêutica de primeira linha deve sempre ter em conta o perfil de resistências regionais, histórico do doente e adesão.
  • A confirmação da erradicação deve ser feita 4 a 8 semanas após o fim do tratamento com teste respiratório (urease) ou pesquisa de antigénio nas fezes.
  • A reposição adequada da microbiota intestinal e oral, “destruída” durante o tratamento, deve ser feita logo após o final deste, com probióticos de qualidade adequados.

Bibliografia científica suplementar

  1. Malfertheiner P et al. Gut. 2022;71:1724–1752. [Maastricht VI Consensus]
  2. Fallone CA et al. World Gastroenterology Organisation Global Guidelines, 2023.
  3. Lesbros-Pantoflickova D et al. Am J Clin Nutr. 2007;86(3):801–809.
  4. Fahey JW et al. Cancer Prev Res. 2009;2(4):353–360.
  5. Wang J et al. Food Chem. 2012;132(3):1395–1399.
  6. Yamaoka Y. Int J Antimicrob Agents, 2009;33(6):504–507.
  7. Matsubara S, et al. Antimicrob Agents Chemother. 2003;47(5):1582–1587.

Depressão tratamento natural

A depressão é uma condição médica complexa com causas biológicas, psicológicas e sociais. Algumas intervenções “naturais” têm evidência científica razoável como adjuvantes significando que podem ajudar, sobretudo em depressão leve a moderada ou como complemento de tratamento médico, enquanto noutras a evidência é ainda limitada ou conflituosa. Neste artigo resumo as principais abordagens com referências a revisões e ensaios clínicos.

As cinco grandes mentiras sobre saúde
As cinco grandes mentiras sobre saúde

Ómega-3 (EPA / DHA)

Mecanismo plausível: ácidos gordos ómega-3 (particularmente o EPA) têm propriedades anti-inflamatórias, modulam fluidez das membranas neuronais e a sinalização neurotransmissora que são fatores implicados na depressão.

Evidência: meta-análises e revisões encontraram benefício estatisticamente significativo, especialmente com preparações ricas em EPA (EPA ≥ 60% da mistura) e doses tipicamente na ordem de ~1 g/dia de EPA (ou formulações com 1–2 g/dia de EPA+DHA, sendo o EPA predominante). A qualidade das provas varia entre estudos e há heterogeneidade, mas a evidência é moderada a favor de eficácia como suplemento.

Estudo: Efficacy of omega-3 PUFAs in depression: A meta-analysis

Orientação prática / segurança:

  • Preferir preparações com EPA predominantemente (ex.: razão EPA:DHA ≥ 2:1 quando possível).
  • Doses estudadas com benefício: ~1 g/dia de EPA ou 1–2 g/dia de EPA+DHA; alguns estudos testaram doses mais elevadas (até 4 g/dia) em subgrupos com inflamação, mas estas doses só devem ser usadas sob supervisão.
  • Segurança: geralmente bem tolerado; atenção em pessoas com medicação anticoagulante (potencial efeito anti-plaquetário leve) — conversar com o médico.

Estudo: Omega-3 fatty acids for mood disorders


Açafrão (Crocus sativus)

Mecanismo plausível: compostos ativos (crocina, safranal) parecem modular neurotransmissores (serotonina, dopamina), ter efeito anti-inflamatório e antioxidante.

Evidência: várias revisões e meta-análises de ensaios clínicos randomizados mostraram que o açafrão (extratos padronizados) reduz sintomas depressivos comparado com placebo e, em alguns ensaios, mostrou eficácia comparável a antidepressivos leves (e.g. fluoxetina/imipramina) em depressão leve-moderada. Doses estudadas com resultados consistentes rondam 20–30 mg/dia de extrato padronizado (dividido em 1–2 tomas).

Estudo: A Systematic Review of Randomized Controlled Trials Examining the Effectiveness of Saffron (Crocus sativus L.) on Psychological and Behavioral Outcomes

Orientação prática / segurança:

  • Dose habitualmente estudada: 20–30 mg/dia de extrato padronizado. Alguns estudos usaram 30 mg/dia durante 6–8 semanas.
  • Geralmente bem tolerado em curto prazo; doses muito elevadas (gramas) podem ser tóxicas — não utilizar doses alimentares exageradas durante gravidez. Evitar se estiver grávida ou a amamentar sem aconselhamento. Pode interagir com medicação; consulte sempre um profissional.

Estudo: Saffron and its active ingredients against human disorders: A literature review on existing clinical evidence


Triptofano e 5-HTP (precursores da serotonina)

Mecanismo plausível: o triptofano é o aminoácido precursor da serotonina; o 5-HTP (5-hidroxitriptofano) sendo um precursor mais próximo e atravessa melhor a barreira hematoencefálica.

Evidência: alguns ensaios e revisões sugerem redução dos sintomas depressivos com 5-HTP ou dietas enriquecidas com triptofano, mas a qualidade dos estudos é heterogénea. Há sinais de benefício em determinados contextos (ex. depressão leve), mas a evidência não é robusta para se recomendar universalmente.

Estudo: Tryptophan and 5‐Hydroxytryptophan for depression

Risco importante: interação com antidepressivos (SSRIs, SNRIs, MAOIs) — combinação com outros agentes que aumentam serotonina pode levar a síndrome serotoninérgica, condição potencialmente grave. Por isso não combine 5-HTP/triptofano com antidepressivos sem supervisão médica. PMC+1

Estudo: Dietary Supplement-Drug Interaction-Induced Serotonin Syndrome Progressing to Acute Compartment Syndrome

Orientação prática / segurança:

  • Se for considerado, usar apenas com acompanhamento clínico; evitar combinação com qualquer medicação que aumente serotonina.
  • Efeitos secundários possíveis: náusea, tonturas, alterações gastrointestinais.

Magnésio

Mecanismo plausível: magnésio participa em neurotransmissão (NMDA, GABA), regulação do eixo HPA (stress) e processos inflamatórios; deficiência associa-se a sintomas depressivos em estudos observacionais.

Evidência: meta-análises de ensaios clínicos indicam um efeito benéfico do magnésio sobre sintomas depressivos, mas os estudos variam em qualidade e tamanho; a evidência sugere benefício potencial, especialmente em pessoas com níveis baixos de magnésio. PMC+1

Estudo: Magnesium supplementation beneficially affects depression in adults with depressive disorder: a systematic review and meta-analysis of randomized clinical trials

Orientação prática / segurança:

  • Ingestão dietética: preferir alimentos ricos em magnésio (sumo de frutos secos, legumes, espinafres, sementes, grãos integrais).
  • Suplementos: formas bem toleradas incluem magnésio glicinato ou citrato (menor probabilidade de causar diarreia com glicinato). A maioria dos suplementos usa 100–300 mg de óxido magnésio elementar por toma. O magnésio na forma de óxido de magnésio que apresenta uma absorção baixa e, portanto, menores efeitos terapêuticos.
  • Limite superior para suplementos de magnésio: geralmente estabelecido em 350 mg/dia (elementar) para adultos — acima disto podem surgir diarreia, náuseas ou, raramente, toxicidade em doença renal. Consulte o seu médico antes de suplementar.

Caminhada e exercício físico

Mecanismo plausível: exercício aumenta neurotransmissores (endorfina, serotonina), reduz inflamação, melhora sono e autoeficácia; também promove socialização se feito em grupo.

Evidência: revisões sistemáticas robustas confirmam que exercício físico (incluindo caminhada) reduz sintomas depressivos. Um grande corpo de evidência sugere benefício mesmo com níveis de atividade moderados; caminhar diariamente (e aumentar passos diários) está associado a menor risco de depressão e melhora de sintomas.

Estudo: Effect of exercise for depression: systematic review and network meta-analysis of randomised controlled trials

Orientação prática / segurança:

  • Meta-análises sugerem benefício com vários tipos de exercício; para iniciantes, 30 minutos de caminhada moderada, 5×/semana é um bom objetivo inicial — mesmo aumentos menores de atividade trazem benefícios.
  • Estudos observacionais indicam que, por exemplo, caminhar ~7.000 passos/dia está associado a menor risco de depressão.

Outras ferramentas naturais e hábitos pessoais e sociais

A intervenção mais eficaz para depressão combina várias estratégias — aqui as mais suportadas:

Sono

  • Higiene do sono (horas regulares, evitar eletrónicos antes de deitar, exposição a luz natural de manhã). O sono regulado melhora humor e resposta ao tratamento.

Alimentação de padrão mediterrânico

  • Dietas ricas em frutas, legumes, peixe, azeite, frutos secos associam-se a menor prevalência de depressão; estudos de intervenção (e.g. estudo SMILES) mostraram melhoria significativa quando a dieta foi modificada para um padrão saudável (Ex.: comer peixe gordo — fonte de ómega-3 — legumes, cereais integrais).

Estudo: Efficacy and safety of n-3 fatty acids supplementation on depression: a systematic review and dose–response meta-analysis of randomised controlled trials

Apoio social e psicoterapia

  • Terapias psicológicas (TCC, terapia interpessoal) têm forte evidência em depressão leve-moderada e são recomendadas como primeira linha nalguns casos; promoção de laços sociais reduz isolamento — um factor de risco conhecido.

Redução do stress e práticas mente-corpo

  • Mindfulness, meditação, yoga e técnicas de relaxamento têm benefício moderado e melhoram a resposta global e a resiliência.

Estudo: Effect of exercise for depression: systematic review and network meta-analysis of randomised controlled trials

Exposição solar / vitamina D

  • Baixos níveis de vitamina D estão associados a maior prevalência depressiva; corrigir défice pode ajudar alguns doentes (mas não é tratamento exclusivo). Testar níveis e suplementar conforme orientação clínica.

Integração numa estratégia prática (plano exemplo)

Objectivo: depressão leve a moderada, ou como complemento a tratamento médico.

  1. Avaliação inicial com médico/farmacêutico (avaliar medicação atual, risco suicida, comorbilidades, função renal).
  2. Exercício: iniciar com caminhada 20–30 min, 4–5×/semana; se possível juntar um grupo/caminhada coletiva para apoio social. (Evidência forte).
  3. Ómega-3: considerar suplemento com EPA-predominante (ex.: 1 g/dia de EPA ou 1–2 g/dia EPA+DHA com EPA≥60%) durante 8–12 semanas e avaliar resposta. Confirmar interações com medicação (ex.: anticoagulantes).
  4. Açafrão: opção para quem procura suplemento Botânico — 20–30 mg/dia de extrato padronizado por 6–8 semanas, com monitorização.
  5. Magnésio: otimizar ingestão alimentar; se suplementar, considerar 100–300 mg/dia (forma glicinato/citrato), não exceder 350 mg/dia de suplemento sem supervisão.
  6. Triptofano / 5-HTP: só com supervisão médica — risco de síndrome serotoninérgica se combinado com antidepressivos. Evitar automedicação.
  7. Implementar psicoterapia (TCC/interpessoal) e intervenções no sono; avaliar vitamina D e corrigir défices; incentivar dieta mediterrânea.

Concluindo com precauções importantes

  • Sempre consultar médico ou farmacêutico antes de iniciar suplementos, especialmente se estiver a tomar antidepressivos, anticoagulantes, ter doença renal ou outras medicações.
  • Suplementos não são regulamentados ao nível dos medicamentos, assim deve escolher marcas com testes de qualidade/terceira parte, solicitando apoio junto do seu farmacêutico de confiança.
  • Se houver ideação suicida, graves alterações funcionais ou depressão moderada/grave, procurar atenção médica urgente, não confiar apenas em medidas naturais.
  • Independentemente das medidas, suplementos ou medicamentos que tomar, há uma decisão só sua que é de relevante importância: Aceitar o que não pode mudar! Afastar-se de “pessoas tóxicas”, aquelas que nada acrescentam na sua vida… antes pelo contrário só “sugam” a sua energia, que tanta falta faz para conseguir uma vida melhor, com mais paz e tranquilidade.

Referências bibliográficas

  1. Meta-análise sobre ómega-3 e depressão (EPA-predominante; doses ≈1 g). PMC+1
  2. Revisões e ensaios clínicos sobre açafrão (Crocus sativus) na depressão; doses estudadas 20–30 mg/dia. PMC+1
  3. Revisão sobre triptofano e 5-HTP (e riscos/benefícios). PMC+1
  4. Meta-análises e revisões sobre magnésio e depressão; limites de suplemento (UL ≈350 mg/dia). PMC+1
  5. Revisão sistemática de exercício para depressão (inclui caminhada). bmj.com+1
  6. Alertas e revisões sobre síndrome serotoninérgica com suplementos que aumentam serotonina (relevante para 5-HTP/triptofano). PMC+1
  7. Saffron Uses, Benefits & Dosage
  8. 5-Hydroxytryptophan – an overview | ScienceDirect Topics
  9. Magnesium – Consumer

Sinusite crónica alérgica ou bacteriana qual o melhor tratamento


Sinusite crónica, alérgica, aguda ou bacteriana, tratamento sintomas e toda a verdade! A sinusite pode ser mais grave do que pensa! Quais os sinais? Quais as causas? Qual o tratamento mais eficaz? Como evitar? Com o apoio da informação disponibilizada pela Fundação Portuguesa do Pulmão, este artigo pretende ser um importante contributo para melhorar a qualidade de vida de imensas pessoas que sofrem de sinusite e também alertar todas as outras que ainda estão a tempo de a evitar!

Neste artigo vou responder ás seguintes questões:

  • O que é a sinusite?
  • O que são os seios perinasais?
  • Qual a função dos seios perinasais?
  • Quais os tipos de sinusite?
  • Quais as causas?
  • Qual a diferença entre sinusite aguda e crónica?
  • Quais os sinais e sintomas?
  • A dor é frequente?
  • Porque pode ser grave a sinusite?
  • Quando deve pedir apoio médico urgente?
  • Como se faz o diagnóstico?
  • Qual o tratamento mais eficaz?
  • Quais os medicamentos mais usados?
  • Devemos usar descongestionantes ou corticoides para desobstruir o nariz?
  • Os anti-histamínicos são eficazes?
  • Quais os antibióticos mais usados quando existe infeção?
  • A cirurgia pode ser necessária?
  • A sinusite tem cura?
  • Como evitar a sinusite?

As cinco grandes mentiras sobre saúde
As cinco grandes mentiras sobre saúde

Sinusite o que é?

A sinusite é uma inflamação dos seios perinasais geralmente associada a um processo infecioso que pode ser originado por vírus, bactérias ou fungos. É, nos dias de hoje, uma das doenças mais frequentes da humanidade, mais geradora de consultas médicas, mais consumidora de antibióticos e pode interferir na qualidade de vida e no desempenho profissional e social.

Seios perinasais ou paranasais

Os seios perinasais ou paranasais são cavidades arejadas, forradas por uma membrana mucosa idêntica à das fossas nasais, que existem nos ossos da cara que rodeiam o nariz e que comunicam através de pequenos orifícios com as fossas nasais. Os diversos seios perinasais adquirem o nome dos ossos em que estão localizados. Assim existem os seguintes 4 tipos de seios nasais:

    • Frontais,
    • Etmoidais,
    • Maxilares,
    • Esfenoidais.

Seios perinasais melhorsaude.org

Seios nasais qual a função?

Os seios nasais desempenham várias funções, entre elas:

  • Humidificação e aquecimento do ar respirado pelo nariz.
  • Aumento da ressonância da voz.
  • Equilíbrio das pressões intracranianas quando há variações na pressão atmosférica (mergulhos, viagens de avião ou subidas a grandes altitudes).
  • Secreção de muco para proteção das vias aéreas superiores.
  • Absorção de impacto em casos de trauma (materiais ocos absorvem mais impacto do que materiais maciços).

Os seios perinasais são bilaterais e simétricos, ligam-se à cavidade nasal por pequenos orifícios por onde é drenado o muco produzido. Quadros de alergia ou gripe, por exemplo, causam edema da mucosa nasal e aumento das secreções, obstruindo facilmente a drenagem dos seios da face. A impossibilidade de escoar o muco produzido leva à congestão dos seios perinasais e, consequentemente, à sinusite.

O termo rinossinusite (rinite+sinusite) é tecnicamente mais correto que apenas sinusite, pois realça a inflamação simultânea da mucosa nasal e dos seios perinasais.

Tipos de sinusite

A sinusite pode afetar qualquer um dos 4 seios perinasais, podendo ser bilateral ou unilateral.

A sinusite por ser classificada em:

  • Aguda – quando os sintomas duram menos de 4 semanas;
  • Sub aguda – quando os sintomas duram entre 4 a 12 semanas;
  • Crónica – quando os sintomas duram mais que 12 semanas;
  • Recorrente – quando há 4 ou mais episódios de sinusite durante o ano.

A grande maioria das sinusites agudas são de origem viral ou alérgica, porém, a obstrução e acumulação, sem drenagem,  do muco nos seios favorece a proliferação de bactérias, podendo levar à sinusite bacteriana. Neste cenário o doente pode ter um quadro inicial de sinusite alérgica que, após contaminação com bactérias das vias respiratórias, se transforma num quadro de sinusite bacteriana que pode ser muito grave. As sinusites bacterianas que não são completamente curadas podem progredir para o quadro de sinusite crónica.

Sinusite aguda e crónica qual a diferença?

Há duas perspetivas. Na primeira, a temporal, diz-se que uma sinusite é aguda quando a sua duração se situa entre uma e quatro semanas; subaguda quando a sua duração se situa entre as quatro semanas e os três meses; crónica quando a sua duração vai para além dos três meses.

Porém, para além desta perspetiva simplista e temporal, há uma outra que tem a ver com a funcionalidade da mucosa nasal:

  • Após um episódio de sinusite aguda a funcionalidade da mucosa do nariz e dos seios perinasais é recuperada em pouco tempo, podemos considerar que na sinusite crónica essa funcionalidade pode estar definitivamente comprometida, originando que o doente apresente uma maior fragilidade e que os episódios recorrentes de sinusite aguda sejam mais frequentes.

Causas

Há várias causas por detrás de uma sinusite mas, todas elas têm como ponto comum uma deficiente drenagem das secreções nasais que, após se acumularem originam um foco infecioso.

A alergia respiratória é uma causa importante e frequente porque a mucosa intumescida pela inflamação alérgica pode dificultar a drenagem dos seios perinasais e provocar a sua infeção. Nesta perspetiva, os principais agentes agressores são:

    • Pó doméstico,
    • Pólenes,
    • Pelos dos animais.

Porém, podemos ter sinusites provocadas diversas outras causas, tais como:

    • Infeções que afetam as vias aéreas, como a gripe e outras viroses respiratórias;
    • Más condições climáticas associadas ao frio e humidade, geradoras de uma resposta inflamatória da mucosa respiratória;
    • Traumatismos do nariz, com particular destaque para as mudanças bruscas de pressão associadas ao voo ou ao mergulho (causa cada vez mais frequente);
    • Poluição atmosférica, sobretudo a poluição automóvel e o tabagismo;
    • Má higiene nasal, por exemplo, naquelas pessoas que nunca se assoam ou têm o hábito de colocar os dedos dentro do nariz transportando, assim, para o seu interior os microrganismos neles existentes;
    • Má formação das cavidades nasais, com um particular destaque para os desvios do septo nasal.

Sintomas

A sinusite tem uma expressão por vezes algo enigmática ou seja há sinusites muito extensas que têm pouca expressão clínica e, no polo oposto, há sinusites mínimas que afetam muito significativamente os doentes. Os principais sintomas são:

    • Obstrução nasal (nariz entupido),
    • Secreções nasais espessas e com pus (de cor amarela, verde ou castanha),
    • Dores de cabeça e/ou nos ossos da face, muitas vezes associadas a febre.

No entanto o leque de sintomas pode ser mais amplo, sendo habitual a existência de:

  • Diminuição ou perda do olfato,
  • Mau hálito,
  • Tosse reflexa à escorrência das secreções nasais pela faringe,
  • Tosse noturna,
  • Dor nos ouvidos e nos dentes do maxilar superior,
  • Dor à volta dos olhos.
  • Ouvido entupido,
  • Sensação de pressão quando baixa a cabeça,
  • Mal-estar,
  • Cansaço.

A maioria dos casos de sinusite viral ou alérgica melhora espontaneamente dentro de 10 dias. Sinusites bacterianas leves também podem ser autolimitadas, mas nos casos mais sintomáticos, com febre alta e coriza purulenta, a cura geralmente só vem com o tratamento antibiótico.

Estas queixas, mais acentuadas nas formas agudas, podem permanecer por longos períodos, naqueles doentes em que, por falta de uma abordagem adequada, a doença evoluiu para o estádio de cronicidade.

Dor é frequente?

É comum a presença de dor quando fazemos pressão com os dedos sobre os seios nasais, principalmente nos seios frontais e maxilares, que são os mais superficiais.

A dor é um sintoma tão frequente que é vulgarmente aceite que não há sinusite sem dor. Apesar de poder ter diversas tonalidades a dor da sinusite reflete a localização dos seios perinasais atingidos. Assim a dor pode localizar-se nos seguintes locais:

    • Na fronte em caso de sinusite frontal;
    • Por trás e entre os olhos na sinusite etmoidal e
    • Nas maçãs do rosto e dentes superiores nos casos das sinusites maxilares.

Já no caso da sinusite esfenoidal a dor é muitas vezes mais difusa e referida à parte frontal ou posterior da cabeça.

Gravidade

Sendo uma doença incómoda, na grande maioria dos casos ela é uma doença curável, sendo raras as complicações graves. No entanto algumas podem ser muito graves, tais como:

    • Meningite –  infeção das meninges,
    • Infeção dos olhos,
    • Abcesso cerebral,
    • Otite,
    • Labirintite,
    • Osteíte – infeção dos ossos da cara,
    • Celulite – infeção dos tecidos moles da face,
    • Septicémia – infeção generalizada a todo o organismo.

Apoio médico urgente, quando?

Como os seios da face apresentam íntima relação com órgãos nobres, como olhos, ouvidos e cérebro, a sinusite bacteriana pode levar a complicações graves. Portanto, é importante procurar consulta médica sempre que, associados à sinusite, existirem os seguintes sintomas:

  • Febre acima de 39ºC.
  • Edema ou vermelhidão na face.
  • Edema e vermelhidão em volta dos olhos.
  • Visão dupla ou qualquer outra alteração visual.
  • Confusão mental.
  • Dor de cabeça muito intensa.
  • Rigidez de nuca.
  • Prostração intensa.

A sinusite bacteriana, apesar de apresentar uma taxa de mortalidade baixa, é uma infeção que não deve ser negligenciada, principalmente quando existem os sinais descritos acima.

Diagnóstico

Suspeita-se da existência de uma sinusite perante um doente que apresente uma situação clínica com as características acima apontadas. A confirmação é feita através de exames radiológicos – a tomografia computorizada – que define com precisão o estado de cada um dos seios perinasais (frontal, maxilares, etmoidal e esfenoidal) e pode evidenciar a existência de eventuais fatores coadjuvantes, como pólipos ou desvios do septo nasal.

Tratamento mais eficaz

O tratamento desta doença requer uma abordagem especializada, na qual se definem com muita precisão três objetivos principais:

    • Reduzir a inflamação,
    • Promover uma adequada drenagem das secreções nasais,
    • Tratar a infeção.

Para conseguir estes objetivos é importante que o doente beba líquidos, no sentido de manter as secreções o mais fluídas possível. Recomenda-se, também:

    • Lavagem das fossas nasais com solutos salinos (soro fisiológico ou água do mar esterilizada) ou água termal,
    • Medicamentos fluidificantes do muco nasal,
    • Descongestionantes nasais, estes, por períodos não superiores a cinco dias já que são produtos tóxicos para a mucosa nasal.

A infeção trata-se com antibióticos por períodos que oscilam entre os sete e os catorze dias nas sinusites agudas, e que se podem estender até às quatro semanas nas sinusites crónicas. É fundamental que não se interrompa o antibiótico antes do tempo prescrito pelo médico, como forma de prevenir eventuais recidivas e tendo em vista impedir o aparecimento de resistência por parte dos microrganismos infetantes.

Medicamentos  mais usados

Na congestão nasal é essencial diminuir o inchaço e inflamação da mucosa nasal sendo os corticoides nasais, provavelmente, os mais eficazes e menos agressivos, tais como:

    • Budesonida 32µg ou 64µg (Pulmicort® nasal aqua);
    • Mometasona 50µg (Nasomet®);
    • Fluticasona 50µg (Flonase®).

Estes corticoides são de prescrição médica obrigatória e não podem ser comprados livremente nas Farmácias como acontece com diversos descongestionantes nasais. Esta situação justifica-se pela probabilidade mais elevada de efeitos secundários sistémicos com os corticoides, embora as formulações farmacêuticas para inalação sejam cada vez mais seguras e com poucos efeitos adversos relevantes, pois têm um baixo grau de absorção sistémica.

Descongestionantes nasais ou corticoides?

Quais os mais eficazes ou adequados?

Os corticoides nasais podem ser utilizados em tratamentos mais prolongados, porque em geral, são menos agressivos para a mucosa nasal (nomeadamente os cílios nasais), embora com mais efeitos secundários sistémicos que os descongestionantes nasais.

Por sua vez os descongestionantes são a melhor escolha em situações agudas até 3 dias de tratamento. A partir daí não devem ser usados, sem conselho médico, por causa da probabilidade acrescida de paralisarem os cílios nasais (pelos do nariz) que ajudam a expulsar as mucosidades nasais para o exterior. Se estes “pelos” estiverem paralisados aumenta a acumulação de secreções no interior do nariz e portanto a congestão nasal piora!

Alguns dos descongestionantes nasais mais utilizados são:

    • Fenilefrina (Neo-sinefrina®, Vibrocil®)
    • Xilometazolina (Vibrocil actilong®)
    • Oximetazolina (Nasorhinathiol®, Nasex®)

Anti-histamínicos são eficazes?

A utilização de anti-histamínicos só é geralmente eficaz quando existe uma causa alérgica para a congestão nasal. Nestes casos sim a utilização de um anti-histamínico sistémico ou local pode ser útil.

Existem associações de descongestionantes com anti-histamínicos locais, por exemplo:

  • Fenilefrina + dimetindeno ( Vibrocil® gotas nasais)

Os anti-histamicos sistémicos mais usados são:

  • Desloratadina (Aerius®);
  • Bilastina(Lergonix®, Bilaxten®)
  • Ebastina (Kestine®);
  • Cetirizina (Zyrtec®);
  • Pseudoefedrina (Actifed®)
  • Levocetirizina;
  • Loratadina;

Antibióticos mais usados se existe infecção

Os antibióticos apenas devem ser usados quando o médico tem a certeza que existe já um foco infecioso ou que a probabilidade de isso acontecer é muito elevada. Nestes casos os antibióticos mais usados são:

  • Amoxicilina com ácido clavulânico;
  • Levofloxacina;
  • Moxifloxacina;
  • Claritromicina;
  • Azitromicina.

Fármacos mais eficazes para drenar os seios nasais

A drenagem eficaz depende sobretudo de desobstruir os óstios dos seios perinasais e reduzir a inflamação da mucosa.

Corticosteróides intranasais (os mais eficazes)

🔹 Primeira linha na sinusite inflamatória, aguda ou crónica

Exemplos:

  • Mometasona
  • Fluticasona
  • Budesonida
  • Beclometasona

Benefícios:

  • Reduzem edema da mucosa
  • Abrem os óstios sinusais
  • Melhoram a drenagem fisiológica
  • Diminuem dor, pressão facial e congestão

São claramente superiores aos mucolíticos para drenagem real dos seios.


Lavagens nasais com solução salina (fundamentais)

🔹 Muitas vezes subvalorizadas, mas essenciais

Preferencialmente:

  • Solução hipertónica (2–3%)

  • Grande volume (ex.: rhinodouche)

Efeitos:

  • Remoção mecânica de secreções

  • Redução da carga inflamatória e microbiana

  • Melhoria da eficácia dos sprays corticoides

👉 Em termos de custo-benefício, são das medidas mais eficazes e seguras.


Descongestionantes nasais (uso curto)

Exemplos:

  • Oximetazolina
  • Xilometazolina

Efeito:

  • Vasoconstrição → redução rápida do edema
  • Alívio imediato da obstrução

⚠️ Limitações importantes:

  • Usar máximo 3–5 dias
  • Risco de rinite medicamentosa
  • Não indicados para uso prolongado

👉 Úteis em fases muito congestionadas, mas não devem ser base do tratamento.


Antihistamínicos (se houver componente alérgica)

Indicados quando a sinusite está associada a:

  • Rinite alérgica
  • Prurido, espirros, rinorreia clara

Preferência:

  • Antihistamínicos de 2.ª geração (loratadina, desloratadina, cetirizina)

📌 Não são mucolíticos nem drenantes diretos, mas reduzem produção de muco em contexto alérgico.


Antibióticos (apenas quando indicados)

🔹 Só em sinusite bacteriana comprovada ou fortemente suspeita:

  • Sintomas > 10 dias sem melhoria
  • Febre elevada
  • Dor facial intensa unilateral
  • Secreção purulenta persistente

👉 O antibiótico não drena secreções por si só; precisa sempre de medidas associadas.


Onde a acetilcisteína se encaixa na prática clínica

A acetilcisteína pode ser:
✔ Complementar aos corticoides intranasais
✔ Útil em doentes com secreções muito espessas
✔ Interessante em associação a lavagens nasais

Não substitui:

  • Corticoides intranasais
  • Lavagens salinas
  • Correção da inflamação da mucosa

Resumo prático

Objetivo Melhor opção
Abrir óstios sinusais Corticoide intranasal
Reduzir inflamação Corticoide intranasal
Remover secreções Lavagens salinas
Fluidificar muco Acetilcisteína (adjuvante)
Alívio rápido Descongestionante nasal (curto prazo)

Cirurgia pode ser necessária?

O tratamento da sinusite é, em princípio, um tratamento médico, sem intervenção cirúrgica. Porém, em algumas situações deve recorrer-se à cirurgia. É o caso das sinusites em que o tratamento médico, adequadamente realizado, não se revela satisfatório (ineficácia dos antibióticos) e naqueles casos em que há obstáculos mecânicos que o tratamento médico não consegue resolver, tais como:

    • Sinusites associadas a significativos desvios do septo nasal,
    • Pólipos,
    • Quistos volumosos.

Sinusite tem cura?

No caso das sinusites agudas a resposta é claramente afirmativa, obtendo-se a cura no espaço de uma duas semanas quando o tratamento é o adequado e o doente cumpridor. Na sinusite crónica a resposta não é tão clara. A passagem ao estado de cronicidade provoca alguma deterioração nos mecanismos de defesa da mucosa dos seios perinasais. Assim, é de prever que o doente passe a apresentar maior fragilidade e tenha tendência a sofrer de episódios de inflamação/infeção sinusal com maior frequência.

Prevenção

A prevenção da sinusite, tal como em qualquer outra doença, é o objetivo essencial. Na prevenção das sinusites entram um conjunto enorme de fatores que se integram no que chamamos a “higiene nasal”, tais como:

    • Evitar todas as formas de poluição atmosférica,
    • Não contactar com substâncias que provocam resposta inflamatória alérgica do nariz,
    • Não colocar os dedos nem objetos estranhos no nariz,
    • Evitar ambientes em que a qualidade física do ar esteja fora dos padrões de qualidade (ar muito frio e húmido e ar muito seco),
    • Assoar-se com regularidade,
    • Controlar os episódios de rinite alérgica.

O controlo da doença base é uma etapa obrigatória na prevenção das sinusites. Por exemplo, o não controlo das alergias nasais (rinite alérgica) associa-se a um maior número de episódios de sinusite.

Apesar de não haver uma evidência científica que torne indiscutível o seu aconselhamento formal na sinusite, alguns doentes têm grandes resultados com os tratamentos termais, sobretudo nas sinusites crónicas, e com os medicamentos estimulantes da imunidade – os imunomoduladores.

Relativamente aos primeiros, temos um país riquíssimo em águas termais, estando referenciados trinta e sete estabelecimentos termais, a maioria no norte, com águas consideradas adequadas ao tratamento desta doença.

Os tratamentos com imunomoduladores, mais conhecidos por “vacinas” visam aumentar a imunidade dos doentes no que diz respeito aos agentes bacterianos, tornando-os assim mais resistentes às infeções. Não esquecer também, em determinados grupos de risco a vacinação antigripal anual.

Concluindo

Evitar as complicações da sinusite está ao alcance da imensa maioria dos doentes desde que devidamente informados sobre as regra básicas de higiene nasal que devem ter. Não são regras complicadas exigindo apenas alguma disciplina e vontade séria de evitar a doença que, muitas vezes é encarada apenas como “incómoda”, por não estarem cientes da gravidade que pode apresentar quando evolui sem controlo! Relembro apenas que, em casos extremos de infeção dos seios nasais, pode provocar doenças tão graves como meningite e septicémia! Por favor não se descuide!

Fique bem!

Franklim Fernandes

Referências

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Creatina suplementação segurança e evidência científica

A creatina monohidratada é um dos suplementos nutricionais mais estudados na literatura científica e é amplamente utilizada para melhorar a performance física, aumentar a massa magra e, mais recentemente, para potenciais efeitos neuroprotectores e terapêuticos em populações específicas. A evidência acumulada indica benefícios consistentes em força e potência quando a suplementação é combinada com treino de resistência, assim como sinais promissores em domínio cognitivo e na preservação da massa muscular em idosos. As preocupações mais frequentes — nomeadamente efeitos renais — têm sido amplamente investigadas, com a maioria dos estudos mostrando segurança em indivíduos saudáveis quando usadas doses recomendadas. [1–6]

Índice

  • Definição e mecanismo de ação
  • Formas de creatina e qualidade do produto
  • Evidência de eficácia
    – Performance desportiva (força e potência)
    – Massa muscular e composição corporal
    – Idosos e sarcopenia
    – Cognição e neuroproteção
    – Outras aplicações clínicas (neurodegenerativas, depressão, recuperação)
  • Segurança e efeitos adversos
    – Função renal e interpretação da creatinina sérica
    – Gastrointestinal, retenção hídrica e outros efeitos
    – Interações medicamentosas e populações especiais
  • Como saber se necessito de tomar creatina
  • Como medir o meu nível de creatina
  • Protocolos de dose e administração
  • Recomendações práticas para profissionais de saúde e para o público
  • Quais as marcas mais confiáveis de creatina
  • Conclusão por tópicos
  • Bibliografia
As cinco grandes mentiras sobre saúde
As cinco grandes mentiras sobre saúde

Definição e mecanismo de ação

A creatina (principalmente na forma de creatina monohidratada) é um composto endógeno sintetizado no fígado, rins e pâncreas a partir de aminoácidos (argina, glicina e metionina). Nos músculos esqueléticos converte-se em fosfocreatina (PCr), que funciona como um reservatório de fosfatos de alta energia para a rápida ressíntese de ATP durante exercícios de curta duração e alta intensidade. O aumento das reservas intramusculares de creatina/PCr explica os ganhos em força e potência. [1,2]

Formas de creatina e qualidade do produto

A forma mais estudada e recomendada é a creatina monohidratada pela melhor relação custo/benefício e robustez dos dados. Outras formas (creatina etil éster, creatina HCl, creatina micronizada) têm evidência limitada comparativamente e raramente demonstraram superioridade clínica. A escolha deve privilegiar produtos com certificação de terceiros (por ex. Informed-Sport, NSF) para garantir pureza e ausência de contaminantes. [1]


Evidência de eficácia

– Performance desportiva (força e potência)

Meta-análises e a posição da International Society of Sports Nutrition (ISSN) sustentam que a creatina aumenta de forma consistente a força muscular, a capacidade de realizar repetições com cargas máximas e a potência em exercícios anaeróbios. A estratégia de carregamento acelera a saturação intramuscular e os ganhos iniciais, enquanto protocolos sem carregamento também são eficazes a médio prazo. [1,10]

– Massa muscular e composição corporal

A suplementação, sobretudo combinada com treino de resistência, aumenta massa magra e reduz a perda de massa muscular em comparação com placebo. Parte do ganho inicial de massa é devido à retenção de água intracelular, mas ganhos de massa magra a longo prazo estão bem documentados. [1,4]

– Idosos e sarcopenia

Estudos e revisões recentes mostram benefícios na força e função física em idosos, particularmente quando a suplementação é combinada com treino de resistência — sugerindo utilidade clínica para prevenção e tratamento da sarcopenia. Doses de manutenção de 3–5 g/dia ou 0,1 g/kg/dia são frequentemente utilizadas em ensaios clínicos. [4,14]

– Cognição e neuroproteção

Evidência emergente (ensaios clínicos e revisões até 2024) mostra que a creatina pode melhorar aspetos da cognição, nomeadamente memória de curto prazo e processamento de informação, especialmente em condições de stress (privação de sono) e em populações com baixos níveis basais (vegetarianos, idosos). Resultados são promissores mas requerem estudos maiores e mais prolongados. [3,15]

– Outras aplicações clínicas

Estudos iniciais investigam a utilidade da creatina em doenças neuromusculares, depressão e recuperação pós-trauma, com resultados heterogéneos; a evidência não é ainda uniforme para recomendações de rotina nestas áreas. [1,3]


Creatinina como resíduo da creatina

O que é:
A creatinina é um resíduo metabólico.
É formada naturalmente quando os músculos usam creatina.
Depois de formada, é eliminada pelos rins.

Para que serve (no organismo):
Não tem utilidade direta no corpo; é simplesmente um produto final do metabolismo muscular.

Para que serve nos exames de saúde:
É uma das melhores formas de avaliar:

  • Função renal
  • Estado de hidratação
  • Massa muscular (indiretamente)

Quando a creatinina está alta no sangue, significa que os rins podem não estar a filtrar bem.

Tomar creatina aumenta a creatinina?

Sim, pode subir ligeiramente, mas isso é esperado e não significa doença renal.
A subida é porque mais creatina → mais metabolização → mais creatinina.
Os rins saudáveis eliminam-na sem problema.


Segurança e efeitos adversos

– Função renal e interpretação da creatinina sérica

A suplementação com creatina aumenta habitualmente a creatinina sérica de forma modesta e transitória porque a creatinina é o produto de degradação da creatina. Revisões e metanálises recentes (até 2025) indicam que, em indivíduos saudáveis, não há evidência consistente de perda de função renal (TFG) associada ao uso de creatina em doses recomendadas; contudo, existe um aumento pequeno e previsível na creatinina sérica que pode confundir a avaliação da TFG baseada em creatinina[6,11]. Em indivíduos com doença renal pré-existente, a suplementação deve ser evitada ou acompanhada por avaliação e monitorização médica. [6,11,12]

Prática clínica: se necessário avaliar função renal enquanto o doente toma creatina, considerar marcadores alternativos (ex.: cistatina C) ou interpretar a creatinina sabendo do efeito da suplementação. [6,11]

– Gastrointestinal, retenção hídrica e outros efeitos

Efeitos adversos mais comuns: desconforto gastrointestinal durante fases de carregamento (náusea, diarreia), aumento de peso por retenção hídrica intracelular e, raramente, cãibras musculares. Estes efeitos são habitualmente leves e dependentes da dose; a manutenção de 3–5 g/dia tende a minimizar estes problemas. [1,4,16]

– Interações medicamentosas e populações especiais

Insuficiência renal, gravidez, amamentação e uso concomitante de fármacos nefrotóxicos exigem avaliação individualizada e, em muitos casos, contraindicação. Crianças e adolescentes: existe alguma evidência em contextos clínicos e desportivos, mas a suplementação deve ser considerada caso a caso e preferencialmente com supervisão clínica. [1,16]


Protocolos de dose e administração

Protocolos comuns

  • Carregamento clássico: 20 g/dia (4 × 5 g) durante 5–7 dias seguido de manutenção 3–5 g/dia. Permite atingir saturação intramuscular em ~5–7 dias. [1,10]
  • Sem carregamento: 3–5 g/dia desde o início; atinge saturação semelhante em 3–4 semanas. [1,10]
  • Dose por peso: 0,1 g/kg/dia é frequentemente usada em idosos e em alguns ensaios clínicos. [4]

Obs.: O carregamento acelera os efeitos iniciais, mas não altera os benefícios a longo prazo comparando com doses diárias constantes.

Recomendações práticas

  • Preferir creatina monohidratada de fornecedores certificados. [1]
  • Dose de manutenção habitual: 3–5 g/dia. Carregamento opcional para acelerar resultados (20 g/dia por 5–7 dias). [1,10]
  • Orientar sobre hidratação adequada e reforçar que o ganho de massa inicial pode ser devido a retenção hídrica. [1]
  • Evitar suplementação em doentes com insuficiência renal conhecida sem supervisão médica; se iniciada, monitorizar creatinina e TFGe, e considerar cistatina C para avaliação complementar. [6,11]
  • Informar atletas e consumidores que a elevação ligeira da creatinina sérica é esperada e não significa automaticamente doença renal em indivíduos saudáveis. [6,11]
  • Em idosos, integrar suplementação com programa de treino resistido para maximizar benefícios. [4]

Como saber se necessitamos de suplementar?

Embora não exista um exame clínico directo que determine a necessidade de suplementação, a evidência científica permite identificar grupos e condições em que a suplementação é mais benéfica. A avaliação deve integrar idade, nível de actividade física, objectivos clínicos ou desportivos, e dieta habitual.

– Populações que mais beneficiam

As seguintes populações apresentam maior probabilidade de obter ganhos significativos:

  • Atletas e praticantes de treino resistido
    Aumento consistente da força, potência e capacidade de realizar séries adicionais [1,10].
  • Indivíduos acima dos 40–50 anos
    A reserva muscular de creatina diminui com a idade, contribuindo para sarcopenia; a suplementação melhora força, performance funcional e massa magra quando combinada com treino [4].
  • Vegetarianos e vegans
    Possuem níveis basais mais baixos devido à ausência de carne/peixe na dieta, respondendo mais rapidamente e com maior magnitude à suplementação [1].
  • Pessoas com funções cognitivas sob stress
    Estudos indicam benefícios na memória e velocidade de processamento em privação de sono ou tarefas exigentes [3,15].
  • Indivíduos com dificuldade em ganhar massa muscular
    A creatina aumenta o volume de treino total, facilitando hipertrofia.

– Sinais práticos que indicam benefício potencial

  • Estagnação da força ou potência apesar de treino adequado
  • Recuperação lenta entre sessões
  • Fadiga cognitiva acentuada durante turnos longos
  • Perda de massa muscular relacionada com idade
  • Dietas muito restritivas (ex.: hipocalóricas prolongadas)

Como medir produção e reservas de creatina?

– Ausência de exames clínicos diretos

Não existe exame de sangue ou urina que permita medir directamente:

  • produção endógena de creatina
  • reserva intramuscular de creatina

Isto porque cerca de 95% da creatina está armazenada no músculo, não circulando de forma mensurável no sangue.

– Métodos utilizados em investigação

Dois métodos, não acessíveis clinicamente, permitem medir diretamente creatina intramuscular, mas são restritos a centros académicos:

  1. Biópsia muscular
    Mede creatina total, fosfocreatina e ATP muscular.
    É invasiva; não usada clinicamente.
  2. Espectroscopia por Ressonância Magnética (31P-MRS)
    Quantifica fosfocreatina e a recuperação aláctica pós-esforço.
    Custo elevado e indisponível em prática clínica de rotina.

– Exames indiretos úteis em prática clínica

Apesar de não medirem creatina directamente, alguns exames ajudam na decisão de suplementar e seguimento da segurança:

  • Creatinina sérica e TFGe → Avaliação da função renal antes de iniciar suplementação (para excluir doença renal não diagnosticada) [6,11].
  • Cistatina C → Pode ser usada como marcador mais preciso da TFGe em utilizadores de creatina (evita interferência da creatinina) [6].
  • Avaliação de massa magra (bioimpedância) → Avalia se existe baixa reserva muscular.
  • Avaliação dietética → Consumo insuficiente de carne/peixe sugere reservas basais mais baixas.

Avaliação da função renal

A avaliação da segurança da suplementação com creatina exige a interpretação correcta dos marcadores renais. É essencial distinguir entre alterações laboratoriais verdadeiras, que indicam disfunção renal, e alterações falsas, provocadas por massa muscular elevada ou suplementação.

– TFGe Taxa de Filtração Glomerular estimada

A TFGe é o indicador clínico mais utilizado para avaliar a função renal. Representa a quantidade de sangue que os rins filtram por minuto, ajustada à superfície corporal (mL/min/1,73m²). É calculada a partir de equações matemáticas que utilizam:

  • Creatinina sérica
  • Idade
  • Sexo

Actualmente, as fórmulas mais utilizadas são CKD-EPI 2021 e MDRD, sem correcção por etnia.

O que mede clinicamente?

A TFGe mede a eficácia global da filtração glomerular:

TFGe (mL/min/1,73 m²)Interpretação clínica
≥ 90Normal (se não houver outra evidência de doença renal)
60–89Ligeira diminuição; comum com envelhecimento
30–59Doença renal moderada
15–29Doença renal grave
< 15Insuficiência renal muito grave (estádio final)

Limitação mais importante da TFGe

Como depende da creatinina, tudo o que aumenta a creatinina sérica (como alta massa muscular ou suplementação com creatina) pode levar a uma subestimação falsa da TFGe, criando a ilusão de doença renal quando os rins estão normais.


– Creatinina sérica, o que realmente significa

A creatinina, tal como já anteriormente referido neste artigo, é um subproduto do metabolismo muscular e é excretada pelos rins. É amplamente usada como marcador de função renal, mas tem limitações sérias:

  • Sobe com muita massa muscular
  • Sobe em quem consome muita carne
  • Sobe em quem faz suplementação com creatina
  • Diminui na sarcopenia, dando falsa sensação de TFGe normal

Ou seja, a creatinina é um marcador bom, mas imperfeito.

Por isso, não deve ser interpretada isoladamente em quem toma creatina.


– Cistatina C marcador mais fiável da função renal

A Cistatina C é uma proteína produzida continuamente pelas células do organismo e filtrada pelos rins de forma muito constante.

Ao contrário da creatinina, não é influenciada por:

  • massa muscular
  • exercício
  • dieta
  • suplementação com creatina
  • sexo
  • ingestão proteica

Vantagens clínicas da Cistatina C

  • Detecta alterações renais com maior precisão
  • Não cria falsos positivos em atletas ou utilizadores de creatina
  • Permite calcular uma TFGe mais exacta (CKD-EPI Cistatina C)
  • É o marcador preferido quando a creatinina é difícil de interpretar

Quando pedir Cistatina C?

  1. Utilizadores de creatina com suposta “creatinina alta”
  2. Atletas com muita massa muscular
  3. Idosos com pouca massa muscular (creatinina pode mascarar doença renal)
  4. Quando a TFGe parece incompatível com o quadro clínico

Tabela comparativa

ParâmetroO que mede?Influenciado por creatina?VantagensLimitações
Creatinina séricaSubproduto muscular; usada para estimar TFGe✔ SimFácil e barataAumenta com músculo e suplementos; falsos positivos
TFGe (CKD-EPI)Capacidade global de filtração renal✔ Sim (indirectamente)Indicador clínico padrãoPode subestimar função em atletas ou suplementados
Cistatina CMarcador puro de filtração glomerular✘ NãoMais precisa; não depende de músculoMenos disponível; ligeiramente mais cara
TFGe baseada em Cistatina CEstimativa real da função renal✘ NãoA mais fiável de todasNão disponível em todos os laboratórios

– Como interpretar exames renais em quem toma creatina

Se a creatinina subir ligeiramente:

✔ É o esperado
✔ Não indica dano renal
✔ Confirmar com Cistatina C (quase sempre normal)

Se a cistatina C estiver normal:

Função renal normal, independentemente da creatinina.

Se a cistatina C estiver elevada:

➡ Aí sim, existe motivo para investigação renal.


Resumo sobre aferir função renal

  • A creatina pode elevar a creatinina sem prejudicar os rins.
  • A TFGe baseada em creatinina pode ficar artificialmente baixa.
  • Cistatina C é o marcador preferido para utilizadores de creatina e atletas.
  • Se TFGe baixa + Cistatina C normal → rins saudáveis.
  • Se TFGe baixa + Cistatina C elevada → investigar patologia renal verdadeira.

Critérios práticos para decidir suplementação (baseados em evidência científica)

– Recomenda-se suplementar quando:

  • Objectivo é aumentar força ou massa muscular
  • Praticante realiza treino de resistência 2–3 vezes/semana ou superior
  • Idade > 40–50 anos com perda de massa muscular associada
  • Dieta pobre em creatina (vegetarianos/vegans)
  • Turnos exigentes, privação parcial de sono ou queixas de fadiga cognitiva
  • Reabilitação muscular pós-lesão

– Avaliação antes de iniciar

  • Função renal basal (TFGe)
  • História de doença renal ou medicamentos nefrotóxicos
  • Hidratação habitual
  • Objectivos do utente

– Interpretação da creatinina quando se usa creatina

  • A creatina pode aumentar ligeiramente a creatinina sérica sem redução da função renal real.
  • Em caso de dúvida: pedir cistatina C para confirmar função renal.

Critérios objetivos de decisão

CritérioIndicador de benefícioDeve suplementar?
Treino resistido 3–5x/semanaAumenta força e recuperaçãoSim
Idade > 50 anosPrevine perda muscularSim
Dieta vegetariana/veganBaixa creatina basalSim
Fadiga cognitivaPode melhorar desempenhoPossivelmente
Doença renalRisco potencialNão, excepto com supervisão
Atleta de enduranceBenefício moderadoOpcional
Dificuldade em ganhar massaAumenta volume de treinoSim

Como avaliar a fiabilidade de uma marca de creatina

Antes de olhares para a marca, convém ter em conta estes critérios para garantir qualidade e segurança:

  • Matéria-prima: ideal que seja creatina monohidratada pura, preferencialmente certificada como Creapure (uma forma patenteada com elevada pureza).
  • Certificações de análise ou testes de terceiros (third-party testing), certificação anti-doping (se for para atletas), rótulo que corresponde à composição real.
  • Marca com boa reputação, transparência na rotulagem, composição simples (evitar “blends” complexos onde a dose de creatina não seja clara).
  • Distribuição legal em Portugal, com boas práticas de fabrico (GMP), e preferencialmente com rótulo em português ou europeu.
  • Boa logística/armazenagem (humidade, selagem), e apoio técnico ou disponibilidade de ficheiro de segurança/informação ao consumidor.

Também convém salientar que suplementos não são tão regulados como medicamentos, o que torna a escolha criteriosa ainda mais importante — alguns estudos ou notícias recentes mostram casos de produtos que não contêm a dose declarada ou contêm impurezas. WIRED


Marcas de creatina comuns em Portugal

Com base em lojas e plataformas portuguesas:

  • A marca nacional Prozis aparece com frequência no mercado português de suplementos. Wikipedia
  • Em retalho online em Portugal, aparecem marcas estrangeiras + linhas “private-label” ou menos conhecidas que oferecem creatina monohidratada (ex: em lojas como Worten, HSN, Decathlon). Por exemplo, a loja HSN em Portugal comenta “raw material creatine option” em creatina monohidratada. hsnstore.pt
  • Exemplos de marcas mais premium ou de nicho: GoldNutrition com creatina “CreapureT” disponível em Portugal. Celeiro
  • Outro exemplo: Thorne (marca internacional) com creatina “NSF certified” disponível online para Portugal. Viva Saudável

As mais fiáveis em termos de qualidade

Com base nos critérios supra, as marcas que:

  • Usam Creapure ou material certificado de elevada pureza
  • Apresentam certificações ou testes de terceiros
  • Têm reputação e disponibilidade no mercado português / europeu

Por exemplo:

  • GoldNutrition (CreapureT)
  • Thorne (NSF Certified)
  • Marcas que declaram explicitamente “creatina monohidratada pura” e preferência por produto simples.

Guia de marcas em Portugal

MarcaObservações de presença em PortugalFactores de qualidade / certificaçõesComentários úteis
ProzisMarca portuguesa muito presente online. Exemplos: “Creatina Mono-Hidratada 300 g” no website da Prozis. prozis.comAutoprodução portuguesa, facilidade de rastreabilidade. Verificar se indica matéria-prima (ex: Creapure®)Boa opção para custo-benefício; avaliar sempre lote e certificado.
Optimum NutritionFrequentemente referida como uma das marcas “premium” no mercado português. Cantinho Do EmpregoMarca internacional com reputação forte; muitos utilizadores confiam na purezaIdeal para quem exige “marca de referência”; comunicar ao utente que verifique selos de qualidade.
MyproteinTambém presente online em Portugal; destacada em guias de “melhores marcas de creatina”. O melhor de PortugalBoa variedade; algumas opções com “micronizada” ou “HCL”Bom para orçamento moderado; importante confirmar se é monohidratada pura (versão padrão).
Scitec NutritionMarca europeia com presença forte em Portugal; mencionada em guias de mercado. O melhor de PortugalProdução europeia, boa reputaçãoPode ser opção de intermediação entre “budget” e “premium”.
GoldNutritionDisponível em retalho português/farmácias; exemplo citado no website Decathlon em Portugal. DecathlonMarca europeia-farmácia, boas práticasIdeal para aconselhamento em farmácia comunitária para público mais generalista.

Cuidados e ressalvas

  • Mesmo marcas “populares” não garantem automaticamente qualidade: verificar lote, análise, certificação.
  • Focar apenas “marca mais usada” não substitui a verificação — uso profissional exige due-diligence.
  • Verificar interações, condição renal, e dose adequada no contexto clínico (como já discutimos).
  • Importar de fora ou comprar online deve garantir boa logística e selo legal para Portugal / UE.

Conclusão final sobre uso de creatina

  • Creatina monohidratada é eficaz para melhorar força, potência e ganhar massa magra, com evidência robusta. [1]
  • Protocolos de carregamento aceleram a saturação; protocoloss sem carregamento são igualmente eficazes a médio/longo prazo. [10]
  • Evidência promissora de benefícios cognitivos e em populações idosas, mas são necessários ensaios maiores e de longa duração para recomendações gerais nestas áreas. [3,15]
  • A creatina aumenta modestamente a creatinina sérica; em indivíduos saudáveis, não há evidência consistente de dano renal associado às doses recomendadas. Em doentes renais, a suplementação exige cuidado. [6,11,12]
  • Recomendações práticas: creatina monohidratada certificada; 3–5 g/dia para manutenção; acompanhamento médico em populações de risco. [1,4,6]

Bibliografia

Os documentos estão listados por ordem numérica de aparecimento no texto.

  1. Kreider RB, Kalman DS, Antonio J, Ziegenfuss T, Wildman R, Collins R, et al. International Society of Sports Nutrition position stand: safety and efficacy of creatine supplementation in exercise, sport, and medicine. J Int Soc Sports Nutr. 2017 Jun 13;14:18. doi:10.1186/s12970-017-0173-z. International Society of Sports Nutrition position stand: safety and efficacy of creatine supplementation in exercise, sport, and medicine – PubMed
  2. Antonio J, Aragon AA, Silver T, et al. Common questions and misconceptions about creatine supplementation — PubMed Central. Nutrients. 2021; (review available at PMC). Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC7871530/ (acesso em 23 Nov 2025).
  3. Xu C, et al. The effects of creatine supplementation on cognitive function: a systematic review and meta-analysis. Front Nutr. 2024; (article). Disponível em: https://www.frontiersin.org/articles/10.3389/fnut.2024.1424972/full (acesso em 23 Nov 2025).
  4. Candow DG, et al. Does one dose of creatine supplementation fit all? Reviews and recommendations for older adults and special populations. J Exerc Sci Fit. 2024; (review). Impact of creatine supplementation and exercise training in older adults: a systematic review and meta-analysis
  5. Gordji-Nejad A, et al. Single dose creatine improves cognitive performance and brain energy metabolism during sleep deprivation. Sci Rep. 2024; (article). doi:10.1038/s41598-024-54249-9. Single dose creatine improves cognitive performance and induces changes in cerebral high energy phosphates during sleep deprivation | Scientific Reports
  6. Naeini EK, et al. Effect of creatine supplementation on kidney function: systematic review and meta-analysis. BMC Nephrol. 2025; (article). Disponível em: https://bmcnephrol.biomedcentral.com/articles/10.1186/s12882-025-04558-6 (acesso em 23 Nov 2025).
  7. Harvard Health Publishing. What is creatine? Potential benefits and risks of this popular supplement. Harvard Health. 2024 Mar 20. Disponível em: https://www.health.harvard.edu/exercise-and-fitness/what-is-creatine-potential-benefits-and-risks-of-this-popular-supplement (acesso em 23 Nov 2025).
  8. Ribeiro AGSV, et al. Effects of creatine supplementation on renal function: systematic review and meta-analysis. J Ren Nutr. 2019;29(6):480-9. (PDF disponível em repositórios académicos).
  9. Candow DG, et al. Creatine monohydrate supplementation for older adults: evidence and recommendations. J Strength Cond Res. 2025; (article).
  10. Candow DG, et al. Impact of creatine supplementation and exercise training in older adults: dose and protocol considerations. Sports Med Rev. 2024; (review).

ENFARTE DO MIOCARDIO E AVC COMO SOBREVIVER ATÉ CHEGAR APOIO MÉDICO?

Enfarte do miocárdio  como sobreviver até chegar ajuda médica de emergência num enfarte agudo do miocárdio? Como reconhecer os sintomas que indicam que está a ter um ataque cardíaco (enfarte)? O que pode fazer se estiver sozinho e achar que está a ter um enfarte? E se for um AVC (Acidentes Vascular Cerebral) o que pode fazer? Quais as diferenças nos sintomas?  Algumas são surpreendentes mas podem salvar-nos a vida!

Além dos fatores de risco individuais de cada um de nós, dias de festa como aniversários, casamentos, batizados, festas populares e encontros de amigos são um facto de risco acrescido para todos mas claro muito mais para quem tem um historial familiar e clínico já reconhecido!

No entanto são conhecidos inúmeros casos de Enfarte e AVC em pessoas aparentemente de boa saúde mas que não conheciam os seus fatores de risco, pelo que este artigo será um contributo para que possam detetar a tempo, atuar e saber o que fazer para manter o doente vivo até à chegada de ajuda médica urgente!

Vou começar por falar do AVC, acidente vascular cerebral e mais adiante do enfarte agudo do miocárdio. Por favor partilhe este artigo pois pode salvar vidas!

Neste artigo vou responder ás seguintes perguntas:

  • Quantas mortes são causadas por AVC?
  • Como diminuir o risco de AVC?
  • Quais as pessoas com maior probabilidade de ter um AVC?
  • O que é um AVC?
  • Quais os tipos de AVC?
  • Como reconhecer a tempo um AVC?
  • Existe algum teste para reconhecer se a pessoa teve um AVC?
  • O que é um ataque cardíaco? E um enfarte do miocárdio?
  • Quais os sintomas de um enfarte do miocárdio?
  • Quais as causas de um enfarte do miocárdio?
  • Quais os fatores de risco associados a um enfarte do miocárdio?
  • Como é feito o diagnóstico de um enfarte do miocárdio?
  • Quais as opções de tratamento disponíveis para o enfarte do miocárdio?
  • Quais as sequelas possíveis de um ataque cardíaco ou enfarte do miocárdio?
  • O que pode fazer se estiver sozinho e começar a sentir um ataque cardíaco?
  • Como tentar evitar o desmaio e aguentar até chegar ajuda?

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AVC quantas mortes causa?

Segundo o relatório sobre o Programa Nacional para as Doenças Cérebro-Cardiovasculares, em 2015, 6432 portugueses morreram devido ao acidente vascular cerebral (AVC), o que, de acordo com o Ministério da Saúde, representa uma quebra de 39% face a 2011. Uma diminuição que contribuiu para que a mortalidade associada às diversas doenças cérebro-cardiovasculares, no seu conjunto, atingisse um dos valores mais baixos das últimas décadas.

A descida muito acentuada da mortalidade por AVC foi acompanhada pelo aumento do número de fármacos, explica o coordenador do programa nacional, Rui Cruz Ferreira. Entre os quais, acrescenta, novos medicamentos para tratar a fibrilação auricular, uma arritmia crónica que aumenta em cinco vezes o risco de AVC.

Como diminuir o risco?

Adotar uma alimentação saudável, com consumo de frutas, vegetais, redução de sal e gorduras, praticar exercício físico e alterar rotinas diárias – usar as escadas em vez do elevador, por exemplo – e deixar de fumar, visto que parar de fumar pode cortar os riscos de AVC pela metade.

Os principais fatores de risco são os seguintes:

  • Excesso de peso e obesidade;
  • Sedentarismo;
  • Hipertensão arterial;
  • Colesterol muito elevado;
  • Tabaco;
  • Consumo excessivo de álcool;
  • Diabetes;
  • Stress.

PÚBLICO -

Adotar uma alimentação saudável, com consumo de frutas, vegetais, redução de sal e gorduras, praticar exercício físico e alterar rotinas diárias – usar as escadas em vez do elevador, por exemplo, e deixar de fumar, visto que parar de fumar pode cortar os riscos de AVC pela metade, refere Diogo Valadas, Diretor Técnico da Associação Nacional AVC.

Grupos de risco

Além dos fatores de risco que podem ser reduzidos com a mudança de hábitos é crucial prestar atenção a situações que não dependem da alteração de comportamentos.

Existem pessoas com maior probabilidade de sofrer AVC do que outras, a saber:

  • Idosos
  • Pessoas com histórico familiar de ocorrência de AVC
  • Homens com menos de 75 anos
  • Indivíduos com doença coronária e diabetes

No âmbito das doenças cardiovasculares e tendo em conta o objetivo da associação, cujo foco é o apoio aos doentes que sofreram um AVC, a instituição pretende integrar o Programa Nacional para as Doenças Cérebro-cardiovasculares, um dos projetos de saúde prioritários da Direcção-Geral da Saúde, assumindo o papel de entidade representante de famílias vítimas de AVC.

Acidente Vascular Cerebral o que é?

O AVC acontece quando o fornecimento de sangue para uma parte do cérebro é impedido
O AVC acontece quando o fornecimento de sangue para uma parte do cérebro é impedido

Um AVC surge quando o fornecimento de sangue para uma parte do cérebro é impedido. O sangue leva nutrientes essenciais e oxigénio para o cérebro. Sem o fornecimento de sangue, as células cerebrais podem ficar danificadas, impossibilitando-as de cumprir a sua função.

O cérebro controla tudo que o corpo faz, por isso, uma lesão no cérebro afetará as funções corporais. Por exemplo, se um AVC danificar a parte do cérebro que controla o movimento dos membros, ficaremos com essa função alterada.

Área do cérebro com maior incidência de AVC
Área do cérebro com maior incidência de AVC

Tipos de AVC

Existem dois tipos de AVC, o hemorrágico e o isquémico.

A imagem seguinte descreve claramente a diferença:

Existem 2 tipos de AVC: o hemorrágico e o isquémico.
Existem 2 tipos de AVC: o hemorrágico e o isquémico.

Reconhecer a tempo um  AVC

A doença é repentina e os efeitos no corpo são imediatos. Reconhecer os sintomas seguintes pode evitar um AVC de causar danos muito graves.  Esse sintomas podem ser os seguintes:

  • Dormência
  • Fraqueza ou paralisia de um lado do corpo (pode ser um braço, perna ou parte inferior da pálpebra descaídos, ou a boca torta e salivante)
  • Fala arrastada ou dificuldade em encontrar palavras ou discurso compreensível
  • Visão subitamente enublada ou perda de visão
  • Confusão ou instabilidade
  • Forte dor de cabeça

Alguns sintomas de AVC no braço e na posição da boca
Alguns sintomas de AVC no braço e na posição da boca

AVC, uma mulher com dor de cabeça deve sempre consultar um médico
AVC, uma mulher com dor de cabeça deve sempre consultar um médico

Teste para reconhecer AVC em curso

Use um teste simples que o pode ajudar a reconhecer se uma pessoa teve um AVC:

  • Fraqueza Facial:
    • A pessoa pode sorrir? Tem a sua boca ou um olho caído?
  • Fraqueza no braço:
    • A pessoa consegue levantar os braços?
  • Problemas de expressão: a pessoa consegue falar com clareza e entender o que lhe dizem?

AVC sintomas faciais
AVC sintomas faciais

Se detectar ulguns dos sintomas descritos seja rápido e ligue 112 ( Portugal )

 

Ataque cardíaco como ganhar tempo? 

Ataque cardíaco é a mesma coisa que enfarte do miocárdio

Enfarte do miocárdio o que é?

O enfarte é definido como uma lesão isquémica do músculo cardíaco (miocárdio), que se deve à falta de oxigênio e nutrientes. Os vasos sanguíneos que irrigam o miocárdio (artérias coronárias) podem apresentar depósitos de gordura e cálcio, levando a uma obstrução e comprometendo a irrigação do coração.

As placas de gordura localizadas no interior das artérias podem sofrer uma fissura causada por motivos desconhecidos, formando um coágulo que obstrui a artéria e deixa parte do coração sem “abastecimento” de sangue. É assim que ocorre o enfarte do miocárdio. Esta situação vai levar à morte celular (necrose), a qual desencadeia uma reação inflamatória local.

Localização das artérias coronárias e infarte do miocárdio
Localização das artérias coronárias e enfarte do miocárdio

O enfarte também pode ocorrer em vasos coronários normais quando as artérias coronárias apresentam um espasmo, ou seja, uma forte contração que determina um déficit parcial ou total no abastecimento de sangue ao músculo cardíaco irrigado por este vaso contraído.

Localização anatómica do pericárdio, epicárdio miocárdio e endocárdio
Localização anatómica do pericárdio, epicárdio miocárdio e endocárdio

Sintomas

sintoma clássico é uma dor e aperto no lado esquerdo ou no centro do peito podendo irradiar para o pescoço ou para o braço esquerdo, porém em cerca de 15% dos casos, o sintoma pode ser atípico tal como:

  • Dor no lado direito do peito
  • Suor
  • Enjoo
  • Vómitos
  • Dor de estômago
  • Falta de ar
  • Tonturas
  • Palpitações ( arritmias )

Esta dor tem, habitualmente, duração superior a 10 minutos, pode ter diferentes intensidades ou ainda desaparecer  e voltar espontaneamente.

Infelizmente, nem todos os pacientes têm este sintoma. Os diabéticos, por exemplo, podem ter um enfarte sem apresentar dor.

Causas

O enfarte está mais frequentemente associado a uma causa mecânica, ou seja, à interrupção do fluxo sanguíneo para uma determinada área, devido a obstrução completa ou parcial da artéria coronária responsável pela sua irrigação.

O tamanho da área necrosada depende de vários fatores, tais como o calibre da artéria lesada, tempo de evolução da obstrução e desenvolvimento da circulação colateral. Esta, quando bastante extensa, é capaz de impedir a instalação de enfarte, mesmo em casos de obstrução total da coronária.

Pode também ocorrer por aumento do trabalho cardíaco relacionado com um aumento da pressão arterial.

Miocárdio privado de oxigénio
Miocárdio privado de oxigénio

Fatores de risco

As seguintes condições de saúde são os fatores de risco mais comuns no enfarte do miocárdio:

  • Colesterol LDL alto e HDL baixo
  • Sedentarismo
  • Tabagismo
  • Hipertensão arterial
  • Menopausa
  • Stress
  • Excesso de peso
  • Diabetes mellitus
  • História familiar ou predisposição genética
  • Idade
  • Alterações hemodinâmicas: hipertensão arterial, hipotensão, choque, mal-estar, etc.

Diagnóstico

O diagnóstico é baseado em 3 fatores:

  • Quadro clínico,
  • Alterações no ECG (eletrocardiograma)
  • Doseamento de enzimas cardíacas que se alteram no enfarte do miocárdio.

Escolha sempre um médico da sua confiança para tratar os seus sintomas e para lhe auxiliar na prevenção de doenças cardiovasculares.

Tratamentos disponíveis

Qualquer que seja o tratamento escolhido pelo médico que vai prestar assistência ao paciente com enfarte, o ideal é que ele comece dentro das primeiras 6 horas após o início da dor.

Quanto mais precoce, maior é a possibilidade de ser restabelecido o fluxo sanguíneo e de oxigênio nas artérias coronárias, evitando as complicações decorrentes da necrose do músculo cardíaco.

Pontos importantes do tratamento são:

  • Alívio da dor
  • Repouso para reduzir o trabalho cardíaco
  • Administração de agentes trombolititos para melhorar o fluxo sanguíneo

A administração de oxigênio em fluxo contínuo nas primeiras seis horas, reduz a dor associada à baixa concentração de oxigênio circulante. O uso de drogas que reduzem o uso de oxigênio pelo coração faz com que o músculo cardíaco sofra menos isquemia (ausência de sangue).

A probabilidade aumentada de complicações no período de 72 horas, após o enfarte,  justifica a monitorização contínua.

Superada esta fase, o paciente é encaminhado para um quarto restringindo-se o número de visitas. Progressivamente, ele pode sentar-se durante breves períodos, começa a deambular por volta do quarto ou quinto dia.

Esta mobilização precoce melhora sensivelmente o bem-estar, além de reduzir a incidência de tromboembolia. Mas o paciente deve ser acompanhado de perto para detetar possíveis alterações consequentes a esta atividade física.

A dieta será liberada à medida que as condições clínicas permitirem, devendo ser hipocalórica e hipossódica (com pouco sal).

As evacuações não devem significar esforço para o paciente, usando, se necessário, laxantes suaves.

Os tranquilizantes podem ser utilizados para amenizar a angústia de alguns doentes, mas com muito cuidado, já que esses medicamentos podem aumentar a frequência cardíaca e a pressão sistólica.

Complicações da doença

As principais complicações do enfarte são:

  • Arritmia cardíaca
  • Choque criogénico
  • Insuficiência respiratória
  • Insuficiência renal
  • Paragem cardiorrespiratória

As complicações mais letais são as arritmias, que podem ocorrer, mais frequentemente, nas primeiras 24 horas após o enfarte.

Por isso, é importante que, idealmente, pelo menos 72 horas, os pacientes fiquem sob cuidados médicos em unidades de tratamento intensivo, onde recebem todos os cuidados necessários para detetar precocemente e tratar essas arritmias, através de uma monitorização contínua das complicações do enfarte.

Ataque cardíaco o que posso se está sozinho?

Muitas pessoas estão sozinhas quando têm um ataque cardíaco.

Sem ajuda, a pessoa sente o  coração a bater de forma irregular e começa a sentir-se fraca tendo apenas alguns segundos antes de desmaiar.

Evitar o desmaio e tentar regularizar o ritmo cardíaco

Estas técnicas podem dar-lhe tempo até chegar ajuda:

  • Tossir repetidamente com bastante força
  • Respirar bem fundo antes de tossir e a tosse deve ser forte e prolongada, vinda do fundo do peito.
Uma inspiração e uma tosse devem ser repetidas a cada 2 segundos sem parar, até que chegue ajuda, ou que sinta que o coração voltou a bater normalmente.  As inspirações profundas trazem oxigênio para os pulmões e os movimentos de tossir “bombeiam” o coração e mantêm o sangue a circular.

Esta pressão no coração também faz com que ele volte a bater normalmente e dessa maneira a vítima tem tempo de chegar ao hospital.

Se reconhecer algum destes sinais, ligue o 112 imediatamente!

Este é sem dúvida um dos artigos que pode poupar muitas vidas se esta informação for passada para o público em geral. Todos os anos milhares de pessoas podiam ser salvas se soubessem reconhecer a tempo sintomas simples que não deixam muitas dúvidas sobre o que lhes pode estar a acontecer. A rapidez da assistência médica é essencial mas,  para ser eficaz, doentes e famílias têm de saber reconhecer os sintomas a tempo!

Fique bem!

Franklim A. Moura Fernandes

Por favor PARTILHE ESTA INFORMAÇÃO E AJUDE A SALVAR MUITAS VIDAS!

Síndrome musculoesquelética da menopausa e dor persistente

Com a chegada da menopausa, muitas mulheres começam a notar um aumento das dores articulares, perda de força muscular e maior fragilidade nos ossos. Estas mudanças não são “coisas da idade” — estão diretamente ligadas à diminuição dos níveis de estrogénio, uma hormona que tem um papel essencial na proteção do nosso sistema musculoesquelético.

Na prática, isto significa mais rigidez nas articulações, maior risco de osteoporose e, para muitas mulheres, uma sensação constante de desconforto que afeta o seu dia a dia.

Mas há formas de minimizar estes sintomas e cuidar melhor da saúde nesta fase. Exercício físico adaptado, uma alimentação rica em cálcio, vitamina D e proteína e, nalguns casos, terapias hormonais podem fazer uma diferença enorme.

Se queres perceber melhor o que está por trás destas transformações — e como as enfrentar com confiança, vale a pena conhecer o conceito de “síndrome musculoesquelética da menopausa”, introduzido pela Dr.ª Vonda J. Wright e seus colaboradores, num artigo científico publicado em 2024. Este estudo tem sido uma referência importante para profissionais de saúde em todo o mundo e ajuda-nos a compreender melhor o impacto real da menopausa no corpo da mulher.

Estudo: “The musculoskeletal syndrome of menopause”

Queres uma boa notícia? Com informação, apoio e as escolhas certas, é possível passar por esta fase com mais força, saúde e bem-estar do que nunca.


Neste artigo, vais encontrar informação clara e fundamentada sobre os principais desafios que a menopausa pode trazer para o teu sistema musculoesquelético e, sobretudo, o que podes fazer para os enfrentar.

Aqui está um resumo do que vamos explorar:

  • O que é afinal a menopausa?
  • Os sinais e sintomas mais comuns
  • Síndrome musculoesquelética da menopausa: o que é e porque importa.
  • Estrogénios e inflamação: uma ligação surpreendente.
  • Como aliviar os sintomas? Estratégias que funcionam
  • Microbiota intestinal e menopausa: há mesmo uma ligação?
  • A influência do intestino na regulação hormonal e na saúde geral da mulher.
  • Conclusão: mais saúde e bem-estar na menopausa é possível

O artigo sobre estratégias anti-envelhecimento pode complementar de forma extraordinária o conhecimento e proteção da tua saúde.

As cinco grandes mentiras sobre saúde
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Síndrome musculoesquelético da menopausa
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Menopausa e pós-menopausa

A evolução biológica da mulher compreende uma diminuição da reserva folicular ovárica ao longo do tempo, sendo particularmente acentuada por volta dos 50 anos de idade. Entre uma fase de pleno potencial e uma fase de total incapacidade reprodutiva, a mulher apresenta uma etapa de duração variável que se denomina climatério. A menopausa é definida como a interrupção permanente da menstruação quando ocorrem 12 meses consecutivos de amenorreia. Todo o período à volta deste marco biológico, desde as primeiras alterações na duração/fluxo dos ciclos menstruais até aos intervalos mais ou menos prolongados de amenorreia, chama-se perimenopausa. Depois de um ano sem menstruação a mulher entra definitivamente na pós-menopausa.1,2

Sinais e sintomas da menopausa

Esta fase da vida da mulher, situada na meia-idade, apresenta um conjunto de sinais e sintomas característicos que resultam de um decréscimo acentuado nos níveis de estrogénios. Para além das irregularidades menstruais, os sintomas vasomotores (afrontamentos, suores noturnos, enxaquecas) têm um início rápido, assim como as alterações de humor (letargia, depressão, desordens de pânico), os distúrbios de sono (insónias) e os primeiros sintomas urinários (infeções urinárias recorrentes, incontinência urinária).

Resumindo os possíveis sintomas de decréscimo de estrogénios:

  • Irregularidades menstruais
  • Afrontamentos
  • Suores noturnos
  • Enxaquecas
  • Letargia
  • Depressão
  • Desordens de pânico
  • Insónias
  • Infeções urinárias recorrentes
  • Incontinência urinária

Surgem depois os sintomas genitais (atrofia vulvar e vaginal, dispareunia), a perda de densidade óssea (osteopenia), artralgias e mialgias, alterações da pele (perda de elasticidade, desidratação, diminuição da espessura) e alterações dos pelos (alopecia, hirsutismo). Finalmente, pode instalar-se a osteoporose e aumenta a probabilidade de aparecimento da doença cardiovascular (doença coronária, acidente vascular cerebral, tromboembolismo venoso) e de doenças neurocognitivas (como a doença de Alzheimer).1,3

Resumindo os possíveis sintomas acentuados pós-menopausa:

  • Atrofia vulvar e vaginal
  • Dor durante o contacto íntimo (dispareunia)
  • Perda de densidade óssea (osteopenia)
  • Artralgias (dores articulares)
  • Mialgias (dores musculares)
  • Alterações da pele
  • Alterações dos pelos (queda de cabelo)
  • Osteoporose
  • Doenças cardiovasculares
  • Alzheimer

Afrontamentos calores e doença cardiovascular

Sabe-se hoje que os sintomas vasomotores são resultantes de uma disfunção do centro termorregulador hipotalâmico causada pela redução dos estrogénios e há evidência de uma relação com a doença cardiovascular. Se já se sabia que os afrontamentos estavam associados a doença cardiovascular subclínica, como a disfunção endotelial e a calcificação das paredes arteriais,4 parece haver também uma correlação entre a severidade da sintomatologia vasomotora, independentemente do facto de estes sintomas aparecerem antes ou após a menopausa, e a ocorrência de eventos cardiovasculares, como a doença coronária e o acidente vascular cerebral.5

Este conhecimento reequaciona a terapêutica hormonal de substituição na menopausa no que se refere ao balanço benefício-risco:

  • Por um lado, pode ser encarada não apenas para aliviar sintomatologia, mais ou menos intensa, mas também para reduzir o risco de problemas de saúde futuros;
  • Por outro lado, a própria terapêutica hormonal não é isenta de riscos, concretamente a nível cardiovascular e neoplásico.

Leia também: Menopausa e as terapêuticas não hormonais

Menopausa tratamento não hormonal
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As cinco grandes mentiras sobre saúde
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Síndrome musculoesquelética da menopausa

Este artigo introduz o termo “síndrome musculoesquelética da menopausa” para descrever um conjunto de sintomas musculoesqueléticos associados à diminuição dos níveis de estrogénio durante a transição menopáusica. Estima-se que mais de 70% das mulheres experienciem sintomas como artralgia, perda de massa muscular, diminuição da densidade óssea e progressão da osteoartrite durante este período. O artigo enfatiza a necessidade de uma maior conscientização e reconhecimento destes sintomas por parte dos profissionais de saúde, de modo a permitir uma avaliação de risco adequada e a implementação de estratégias de gestão preventiva.​

Perda de estrogénio

A perda de estrogénio durante a menopausa tem um impacto significativo no sistema musculoesquelético das mulheres, levando a uma variedade de sintomas que afetam negativamente a qualidade de vida. O reconhecimento da síndrome musculoesquelética da menopausa como uma entidade clínica pode facilitar uma abordagem mais holística e eficaz no tratamento e prevenção destes sintomas, sublinhando a importância de estratégias de gestão proativas e personalizadas para mitigar os efeitos adversos associados à menopausa.

Sintomas da síndrome musculoesquelética da menopausa

A síndrome musculoesquelética da menopausa engloba um conjunto de sintomas associados à redução dos níveis de estrogénio durante a transição menopáusica, afetando músculos, articulações e ossos. Os principais sintomas incluem:

  • Dores articulares (artralgia): Sensação de rigidez e dor nas articulações, semelhante a quadros de artrite.
  • Perda de massa muscular (sarcopenia): Redução da força e da massa muscular, aumentando o risco de quedas e fraturas.
  • Diminuição da densidade óssea (osteopenia/osteoporose): Maior fragilidade óssea, predispondo a fraturas.
  • Fadiga muscular: Cansaço excessivo e menor resistência a esforços físicos.
  • Rigidez e limitação de movimentos: Especialmente notada nas articulações dos dedos, joelhos e ombros.
  • Progressão da osteoartrite: Agravamento de quadros degenerativos articulares pré-existentes.

Efeito anti-inflamatório dos estrogénios

Os estrogénios desempenham um papel crucial na modulação da inflamação e na manutenção da saúde musculoesquelética:

  • Regulação de citocinas pró-inflamatórias: Reduzem a produção de interleucina-6 (IL-6), fator de necrose tumoral alfa (TNF-α) e outras substâncias inflamatórias.
  • Proteção contra o stress oxidativo: Diminuem a formação de radicais livres e o dano celular nos músculos e ossos.
  • Modulação do metabolismo ósseo: Favorecem a atividade dos osteoblastos (células formadoras de osso) e inibem a atividade dos osteoclastos (células que reabsorvem osso), prevenindo a osteoporose.
  • Melhoria da função muscular: Influenciam a síntese proteica e a contração muscular, reduzindo a perda de massa magra.

Estratégias para mitigar os efeitos da Síndrome musculoesquelética da menopausa

Para minimizar os impactos da menopausa no sistema musculoesquelético, são recomendadas estratégias integradas que incluem:

  • Terapêutica hormonal de substituição (THS)
  • Nutrição adequada
  • Exercício físico regular
  • Suplementação específica
  • Estilo de vida adequado

Terapêutica Hormonal de Substituição (THS)

  • Pode ajudar a reduzir a inflamação, prevenir a perda óssea e muscular e aliviar dores articulares.
  • Indicada para mulheres sem contraindicações, sempre com avaliação médica.

Nutrição adequada

  • Proteína suficiente: Para preservar a massa muscular (1,2–1,5 g/kg de peso/dia).
  • Cálcio e vitamina D: Essenciais para a saúde óssea. Fontes: lacticínios, vegetais verdes, peixes gordos.
  • Ômega-3: Efeito anti-inflamatório (salmão, nozes, sementes de linhaça).
  • Antioxidantes: Frutas e vegetais coloridos ajudam a reduzir a inflamação.

Exercício físico regular

  • Treino de resistência (musculação): Previne a sarcopenia e fortalece os ossos.
  • Exercícios de impacto (caminhada, corrida leve, dança): Estimulam a formação óssea.
  • Exercícios de flexibilidade e equilíbrio (ioga, pilates): Reduzem o risco de quedas.

Suplementação específica (quando necessário)

  • Vitamina D e cálcio: Para a saúde óssea.
  • Colagénio hidrolisado: Pode auxiliar na manutenção das articulações e músculos.
  • Magnésio e potássio: Contribuem para a contração muscular e a prevenção de cãibras.

Estilo de vida adequado

  • Sono de qualidade: Fundamental para a regeneração muscular.
  • Redução do stress: Técnicas como meditação e mindfulness ajudam a diminuir a inflamação.
  • Evitar tabaco e álcool: O tabaco agrava a osteoporose, e o álcool interfere na absorção de nutrientes essenciais.

As Cinco Grandes Mentiras Sobre Saúde
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Terapia hormonal de substituição (THS)

Segundo o Centro de Informação do Medicamento (CIM) da Ordem dos Farmacêuticos, em artigo detalhado sobre este assunto, que cito neste artigo, a escolha da Terapia Hormonal de Substituição (THS) deve ser individualizada, considerando fatores como sintomas predominantes, histórico clínico, riscos cardiovasculares e osteoporóticos, além da preferência da paciente.

A abordagem terapêutica da menopausa faz-se geralmente com terapia hormonal de substituição (THS) sistémica. Teoricamente, deveria administrar-se apenas estrogénio, numa tentativa de repor os níveis endógenos que tendem a diminuir. No entanto, o estrogénio faria o endométrio estar sempre na fase proliferativa, o que rapidamente poderia desencadear hiperplasia e cancro do endométrio. Por esta razão, em mulheres que ainda conservam o seu útero, a THS faz-se com estrogénio e progestagénio ou estrogénio e um modulador seletivo dos recetores dos estrogénios (antagonista no útero).6

No que respeita ao componente estrogénico, as formulações farmacêuticas para administração sistémica utilizadas na THS contêm 17β-estradiol (estrogénio natural), valerato de estradiol (pró-fármaco do estradiol) ou estrogénios equinoconjugados (ésteres de sulfato de estrona, sulfatos de equilina e o 17α/βestradiol).

A administração sistémica pode ser feita por via oral, sistema transdérmico ou percutâneo (gel ou spray).1 O spray tem a vantagem de permitir ajustar a dose consoante as necessidades da mulher ao longo do tempo.7,8 Embora não esteja comercializado em Portugal, pode administrar-se também através de um anel vaginal.

As cinco grandes mentiras sobre saúde
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Em mulheres que mantêm o útero, tem de se administrar também o componente progestagénico, que pode ser progesterona micronizada, medroxiprogesterona, didrogesterona, ciproterona, nomegestrol (estruturalmente semelhantes à progesterona) ou levonorgestrel, dienogest, norgestrel, noretisterona (estruturalmente semelhantes à testosterona) ou ainda drospirenona (estruturalmente semelhante à espironolactona).

As formulações podem conter apenas o componente progestagénico ou a sua combinação com o estrogénio, podendo usar-se a via oral, a via transdérmica, o dispositivo intrauterino ou o injetável.1,6,9

Quando não é aconselhável usar progestagénio, pode usar-se o bazedoxifeno, que é um modulador seletivo dos recetores dos estrogénios, sendo agonista nos recetores do osso e da vagina e antagonista nos recetores do útero e da mama.1,6,10

Pode usar-se também a tibolona, que é um esteroide de síntese que combina propriedades progestagénicas e estrogénicas com uma atividade androgénica fraca, sendo particularmente indicado no tratamento da sintomatologia vasomotora e atrófica pós- menopausa.1,11

As cinco grandes mentiras sobre saúde
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A administração sistémica de estrogénio e progestagénio pode ser feita em regime contínuo (doses diárias iguais), em regime sequencial contínuo (doses diárias de estrogénio com o progestagénio durante 10 a 14 dias do ciclo de 28 dias) ou em regime cíclico (doses diárias de estrogénio com o progestagénio durante 10 a 14 dias do ciclo de 21 dias com 7 dias de descanso). A dose de progestagénio deve ser suficiente para conferir proteção endometrial em relação à dose de estrogénio administrada.1,8

Os estrogénios sofrem metabolismo de primeira passagem significativo quando administrados por via oral. Quando se usa a via transdérmica deve reduzir-se a dose a administrar, pois origina níveis mais altos e estáveis de estrogénio do que a via oral para a mesma dose. Também a via vaginal evita o metabolismo de primeira passagem, ao mesmo tempo que assegura uma rápida absorção.

Sempre que a administração do componente estrogénico não é feita por via oral numa mulher com útero, é essencial não esquecer que, de forma cíclica ou sequencial, se tem de administrar o componente progestagénico, pela mesma via de administração ou não. Note-se que os progestagénios também sofrem metabolismo de primeira passagem, sendo esse metabolismo diferente entre as várias moléculas que podem ser usadas. Tanto para o estrogénio como para o progestagénio, a formulação micronizada aumenta a biodisponibilidade oral.1,6

A administração tópica de estrogénios como estriol, estradiol e promestrieno, é feita por via vaginal sob a forma de creme, gel, comprimido ou cápsula mole. O estriol é apenas administrado por via intravaginal, visto tratar-se de um metabolito com fraca atividade sistémica. A administração tópica evita o metabolismo de primeira passagem e todos os efeitos adversos decorrentes de uma exposição hormonal sistémica, já que esta é inexistente ou muito reduzida. Tem indicação para ser feita quando a principal manifestação clínica do climatério é a síndrome geniturinária (secura ou irritação vaginal, dispareunia, disúria, urgência urinária e infeções urinárias recorrentes), podendo ser associada ou não a THS sistémica.1,6

THS diminui risco cardiovascular da mulher

Se a menopausa ocorre devido a uma redução acentuada dos estrogénios, a THS, ao evitar a queda abrupta dos níveis hormonais, vai trazer melhoria da qualidade de vida, ao aliviar os sintomas vasomotores, as alterações de humor, os distúrbios de sono, a síndrome geniturinária e as queixas osteoarticulares. Mas, mais do que isso, sabendo-se que uma sintomatologia vasomotora moderada a intensa precede doença cardiovascular mais expressiva, a redução dessa sintomatologia favorece também a redução do risco cardiovascular a médio prazo. Passa a ser também um benefício ao nível da saúde, e não apenas da qualidade de vida.4,5 No entanto, sabe-se atualmente que os benefícios são mais notórios se iniciada até aos 60 anos de idade ou até 10 anos após a última menstruação.12,13


Exemplos

Mulher de 57 Anos, 1,70 m e 65 kg

Para uma mulher saudável, sem contraindicações e que esteja na pós-menopausa, a THS combinada com estrogénio e progesterona é geralmente recomendada para proteger o endométrio (caso tenha útero).

Vias de administração mais seguras e eficazes

  • Estrogénio transdérmico (adesivo ou gel) → Menor risco de trombose do que a via oral.
  • Progesterona micronizada oral (ex.: Utrogestan®) → Melhor tolerada e menor impacto metabólico.

Esquema terapêutico sugerido

  • Estrogénio transdérmico: Estradiol 25 a 50 mcg/dia (adesivo) ou 0,5 a 1 mg/dia (gel)
    • Exemplos: Estradot®, Oestrogel®, Dermestril®
  • Progesterona micronizada oral (se útero presente): 100 a 200 mg à noite, continuamente ou 12-14 dias por mês
    • Exemplo: Utrogestan®

Benefícios esperados

  • Redução de sintomas musculoesqueléticos, fogachos e suores noturnos.
  • Melhoria da densidade óssea e prevenção da osteoporose.
  • Melhoria do humor e da qualidade do sono.
  • Manutenção da massa muscular e proteção cardiovascular.

Contraindicações (exigem avaliação médica cuidadosa)

  • História de trombose venosa profunda ou AVC.
  • Cancro da mama ou do endométrio.
  • Doença hepática grave.
  • Sangramento vaginal sem diagnóstico.

Exemplo

Mulher de 55 anos, 1,70 m e 60 kg, sem útero

Terapia Hormonal de Substituição (THS) mais indicada será apenas com estrogénios, já que não há necessidade de progesterona para proteção do endométrio.

Opção mais segura e eficaz

A via transdérmica (adesivo ou gel) é preferível à oral, pois tem um menor risco de trombose e efeitos metabólicos mais favoráveis.

Esquema terapêutico recomendado

Estrogénio transdérmico: Estradiol 25 a 50 mcg/dia (adesivo) ou 0,5 a 1 mg/dia (gel)

  • Exemplos:
  • Adesivos: Estradot®, Dermestril®, Evorel®
  • Gel: Oestrogel®, Sandrena®

Via oral (se preferir comprimidos): Estradiol 1 mg/dia, podendo aumentar para 2 mg se necessário

  • Exemplos: Progynova®, Activelle® (apesar de este último ter progestagénio)

Benefícios esperados

  • Alívio dos sintomas da menopausa (fogachos, insónias, fadiga, dores musculares e articulares).
  • Proteção contra osteoporose e perda de massa muscular.
  • Melhoria do humor e da qualidade de vida.
  • Preservação da saúde cardiovascular (desde que iniciada na janela de oportunidade, idealmente até 60 anos).

Monitorização e precauções

  • Avaliação médica periódica: Controlo da tensão arterial, exames ao fígado, rastreios ginecológicos e mamográficos.
  • Evitar THS se houver contraindicações: História de trombose, AVC, cancro da mama, doença hepática grave.
  • Considerar alternativas se houver riscos: Tibolona (Livial®), SERMs como raloxifeno (para a osteoporose).

Se não houver contraindicações, esta opção apenas com estrogénios é segura e eficaz para melhorar a qualidade de vida e prevenir complicações da menopausa.


Alternativas à terapêutica hormonal de substituição (THS)

Se houver contraindicação à THS, alternativas como SERMs (moduladores seletivos dos recetores de estrogénio), tibolona ou fitoestrogénios podem ser consideradas.

Sugestão: Antes de iniciar qualquer THS, é fundamental uma consulta médica para avaliação completa e prescrição adequada.

Moduladores seletivos dos recetores de estrogénios (SERMs)

Exemplos principais:

  • Raloxifeno
  • Bazedoxifeno (frequentemente em associação com estrogénios conjugados – TSEC: Tissue Selective Estrogen Complex)
  • Tamoxifeno (mais usado em oncologia, menos na menopausa)

Efeitos terapêuticos:

  • Prevenção e tratamento da osteoporose pós-menopáusica
  • Efeito estrogénico benéfico sobre o metabolismo ósseo
  • Efeito antiestrogénico sobre o tecido mamário e endométrio (importante em prevenção de cancro)

Vantagens:

  • Redução do risco de cancro da mama
  • Melhoria da densidade mineral óssea e redução do risco de fraturas vertebrais
  • Pode ser usado em mulheres com contraindicação para estrogénios

Desvantagens:

  • Não alivia sintomas vasomotores (ex: afrontamentos)
  • Risco de tromboembolismo venoso
  • Pode causar cãibras nas pernas e ondas de calor
  • Não tem efeito positivo sobre a secura vaginal

Tibolona

O que é a tibolona?

É um esteroide sintético com atividade estrogénica, progestagénica e androgénica, Metaboliza-se em compostos com diferentes perfis de ação;

Efeitos terapêuticos:

  • Alívio de sintomas vasomotores (ex: afrontamentos)
  • Melhoria da libido
  • Prevenção da osteoporose
  • Efeito positivo sobre o humor e bem-estar geral

Vantagens:

  • Atua em múltiplos sintomas da menopausa
  • Pode melhorar a função sexual
  • Menor impacto mamário comparado com a THS convencional
  • Risco de sangramento vaginal é menor

Desvantagens:

  • Contraindicada em mulheres com história de cancro da mama
  • Pode aumentar o risco de AVC em mulheres idosas
  • Não indicada para mulheres muito jovens na menopausa precoce
  • Pode alterar o perfil lipídico

Fitoestrogénios

Fitoestrogénios são compostos naturais encontrados em plantas que imitam a estrutura química e a ação dos estrogénios humanos (hormonas sexuais femininas). Embora sejam mais fracos do que os estrogénios endógenos, podem ligar-se aos recetores de estrogénios no corpo, exercendo efeitos estrogénicos ou antiestrogénicos, dependendo da concentração hormonal do organismo e do tipo de tecido.

Principais tipos:

  • Isoflavonas (ex: da soja, trevo vermelho)
  • Lignanas (sementes de linhaça)
  • Cumestanos (rebentos de alfafa)

Efeitos terapêuticos:

  • Alívio leve de sintomas vasomotores
  • Possível melhoria da saúde óssea e perfil lipídico
  • Ação antioxidante

Vantagens:

  • Produto natural e geralmente bem tolerado
  • Pode ser uma opção para mulheres que recusam terapêuticas hormonais
  • Sem risco comprovado de cancro da mama

Desvantagens:

  • Eficácia variável e geralmente inferior à THS
  • Resultados inconsistentes nos estudos clínicos
  • Pode interagir com medicamentos, sobretudo em oncologia
  • Efeitos dependem da microbiota intestinal (conversão dos compostos ativos)

Resumo funcional:

  • Em mulheres com baixos níveis de estrogénio (como na menopausa), os fitoestrogénios podem imitar o estrogénio e aliviar sintomas.
  • Em mulheres com níveis normais, podem bloquear parcialmente os recetores e atuar como antiestrogénicos.

Comparação geral das alternativas à THS:

ParametroTHSSERMsTibolonaFitoestrogénios
Sintomas vasomotores✅ Muito eficaz❌ Ineficaz✅ Eficaz⚠️ Leve eficácia
Saúde óssea✅ Eficaz✅ Eficaz✅ Eficaz⚠️ Potencial benefício
Risco de cancro da mama⚠️ Aumentado (dependente)✅ Reduzido⚠️ Desconhecido/ligado✅ Sem aumento conhecido
Saúde vaginal✅ Eficaz❌ Ineficaz⚠️ Possível melhoria⚠️ Pouco efeito
Libido⚠️ Variável❌ Sem efeito✅ Pode melhorar❌ Pouco efeito
Risco tromboembólico⚠️ Aumentado⚠️ Aumentado⚠️ Possível aumento✅ Nenhum

Fitoestrogénios e microbiota intestinal

Os fitoestrogénios não são ativos na sua forma original nos alimentos. Para que tenham atividade estrogénica efetiva, precisam de ser convertidos por bactérias intestinais em metabólitos ativos, que conseguem ligar-se aos recetores de estrogénios humanos.

Esta transformação ocorre principalmente no cólon e depende da diversidade e funcionalidade da microbiota intestinal. Por isso, indivíduos com diferentes perfis bacterianos podem ter respostas clínicas muito distintas ao consumo de fitoestrogénios.


Estirpes bacterianas com papel na modulação de fitoestrogénios

Estirpes que potenciam os efeitos estrogénicos:

BactériaFunção principal
Slackia isoflavoniconvertensConverte daidzeína (da soja) em equol, um potente fitoestrogénio
Lactococcus garvieaeTambém pode produzir equol
Eggerthella spp.Participa na conversão de isoflavonas em metabolitos ativos
Bifidobacterium spp.Modulam absorção intestinal e ativação parcial de lignanas
Lactobacillus spp.Melhoram a biodisponibilidade e fermentação de isoflavonas

Nota: Apenas cerca de 30–50% das pessoas têm uma microbiota capaz de produzir equol, o metabolito mais potente das isoflavonas.


Estirpes que podem reduzir ou inibir os efeitos dos fitoestrogénios:

BactériaEfeito prejudicial
Clostridium spp. (algumas espécies)Podem degradar compostos antes da conversão em formas ativas
Bacteroides fragilisMetabolismo diverso que pode competir com as vias benéficas
Enterobacteriaceae (ex: Escherichia coli, Klebsiella)Associadas a disbiose e metabolismo hormonal desregulado

Microbiota estrogénica (“estroboloma”)

Existe um subconjunto específico da microbiota intestinal, conhecido como estroboloma, que inclui bactérias capazes de:

  • Produzir β-glucuronidase, enzima que reativa estrogénios conjugados excretados na bile, permitindo a sua recirculação sistémica.
  • Esta atividade pode aumentar os níveis circulantes de estrogénios, mesmo sem suplementação externa.

Em disbiose (desequilíbrio da microbiota), essa reativação pode ser excessiva ou deficiente, afetando sintomas da menopausa, risco de cancro da mama ou efeitos dos fitoestrogénios.


Concluindo sobre fitoestrogénios

A eficácia dos fitoestrogénios depende da:

  • Presença de bactérias capazes de convertê-los em formas bioativas
  • Saúde geral da microbiota intestinal
  • Atividade do estroboloma
  • Em mulheres com baixos níveis de estrogénio (como na menopausa), os fitoestrogénios podem imitar o estrogénio e aliviar sintomas.
  • Em mulheres com níveis normais, podem bloquear parcialmente os recetores e atuar como antiestrogénicos.
  • O médico deve prescrever análises clínicas para avaliar o nível de estrogénios da mulher antes do aconselhamento,

Conclusão  final

A menopausa marca uma transição natural na vida da mulher, mas nem por isso deixa de trazer desafios significativos. Entre eles, destaca-se a síndrome musculoesquelética da menopausa, uma condição recentemente reconhecida que agrupa sintomas como dores articulares, perda de força muscular e fragilidade óssea, diretamente relacionados com a diminuição dos níveis de estrogénio.

A literatura científica tem vindo a reforçar a importância de compreender este fenómeno de forma holística. Segundo Wright et al. (2024), o sistema musculoesquelético é altamente sensível às variações hormonais e deve ser alvo de atenção específica durante e após a menopausa. O estrogénio, além do seu papel na saúde óssea, exerce um efeito anti-inflamatório que protege articulações e músculos — e a sua ausência pode contribuir para processos inflamatórios crónicos e degenerativos.

Além disso, estudos recentes mostram que fatores como a composição da microbiota intestinal podem influenciar a resposta inflamatória e o metabolismo hormonal, sugerindo que a saúde digestiva pode ter um impacto indireto, mas relevante, na experiência da menopausa (Plottel & Blaser, 2011; Santos-Marcos et al., 2022).

A boa notícia é que há estratégias comprovadas para mitigar estes efeitos: exercício físico regular (especialmente treino de força e impacto moderado), alimentação adequada (rica em cálcio, vitamina D, proteína e fibras), manutenção da saúde intestinal e, quando indicado, terapias hormonais ou suplementos específicos, são formas eficazes de promover a qualidade de vida nesta fase.

Em suma, a menopausa não deve ser encarada como um declínio inevitável, mas sim como uma nova etapa da vida onde a informação, a prevenção e os cuidados personalizados fazem toda a diferença. Com o apoio certo, é possível atravessar esta fase com mais vitalidade, força e bem-estar do que nunca.

Referências bibliográficas sobre fitoestrogénios

Seguem‑se as referências principais consultadas para elaborar a explicação sobre a interação entre fitoestrogénios e microbiota intestinal (estroboloma). Incluem-se autores, ano, título e periódico sempre que disponíveis — todas elas tratam especificamente da conversão bacteriana de isoflavonas em equol, do papel de espécies como Slackia isoflavoniconvertens, Eggerthella spp. e Lactococcus garvieae, bem como de revisões recentes sobre o estroboloma:

  1. Setchell K.D.R. & Clerici C. (2010) “Equol: history, chemistry, and formation.” The Journal of Nutrition, 140(7): 1355S‑1362S. PMC
  2. Tamura M. et al. (2008) “Isolation of a human intestinal bacterium capable of daidzein and genistein conversion to equol.” Applied and Environmental Microbiology, 74(14): 4376‑4383. PMC
  3. Lyu C. et al. (2022) “Daidzein and genistein are converted to equol and 5‑hydroxy‑equol by Slackia isoflavoniconvertens.” Journal of Agricultural and Food Chemistry (online ahead of print). ScienceDirect
  4. Iino C. et al. (2019) “Daidzein intake is associated with equol‑producing status through an increase in the intestinal bacteria responsible for equol production.” Nutrients, 11(2): 433. MDPI
  5. Gutiérrez‑Díaz I. et al. (2023) “Gut microbial β‑glucuronidase: a vital regulator in female oestrogen metabolism.” Gut Microbes (review). Taylor & Francis Online
  6. Grover M. et al. (2023) “Gut Microbiome–Estrobolome Profile in Reproductive‑Age Women.” Frontiers in Cellular and Infection Microbiology, 13: 1220937. PMC
  7. Johnsen S.S. et al. (2025) “Menopausal shift on women’s health and microbial niches.” Nature Reviews Microbiology, 23(2): 101‑117. Nature
  8. Matysik‑Matuszek B. et al. (2024) “Estrogen‑metabolising pathways of the gut microbiome and their clinical significance.” International Journal of Cancer (review). Wiley Online Library

Estas publicações cobrem:

  • A bioquímica da conversão de isoflavonas (daidzeína/genisteína → equol) pelas estirpes Slackia, Eggerthella e Lactococcus.
  • A variabilidade individual (apenas 30–50 % das pessoas são “equol producers”).
  • O conceito e a importância do estroboloma (conjunto de microrganismos com β‑glucuronidase que modulam a recirculação de estrogénios).
  • Revisões de 2023–2025 que actualizam o impacto da microbiota na menopausa e na saúde feminina em geral.

Referências bibliográficas gerais

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Antinutrientes lectinas fitatos oxalatos e glúten quais os mais perigosos?

Antinutrientes são substâncias químicas encontradas em plantas que impedem o nosso corpo de absorver nutrientes essenciais dos alimentos; Os principais antinutrientes que devemos observar são lectinas, fitatos, glúten e oxalatos, embora nem todos sejam maus;

Algumas pessoas são mais sensíveis aos antinutrientes do que outras; Testa a tua sensibilidade com uma dieta de eliminação para confirmar os sintomas; Comer uma fonte constante de antinutrientes pode levar a problemas intestinais, inflamação, artrite e confusão mental, sendo mais inteligente comer alimentos que não apresentam riscos potenciais;

Alguns dos alimentos que vou referir, principalmente os vegetais, são muitas vezes apontados como saudáveis. Este artigo apenas pretende alertar para a possibilidade de alguns de nós comerem de forma saudável e no entanto descreverem sintomas que são difíceis de explicar, nomeadamente gastrointestinais.

Reagimos de formas diferentes aos mesmos alimentos, uns podem comer tudo o que desejarem sem problemas mas outros reagem de forma mais agressiva a certos antinutrientes, por exemplo as lectinas das plantas.

Assim quem tem sintomas deve tentar identificar os “alimentos culpados” com uma dieta de eliminação individual ou seja deixando de comer apenas um alimento de cada vez para tentar detetar se será esse que está a determinar os maus sintomas.

Neste artigo vou falar sobre:

  • Antinutrientes o que são?
  • Será que temos de evitar estas plantas?
  • Lectinas
  • Fitatos
  • Oxalatos
  • Glúten

Antinutrientes o que são?

Antinutrientes são compostos encontrados em alimentos que interferem na absorção de nutrientes e minerais benéficos. Eles impedem que o corpo seja a esponja de micronutrientes eficiente que deveria ser. Extraímos os alimentos e nutrientes que  necessitamos a partir do ambiente que nos rodeia mas a evolução desenvolveu plantas com capacidade de se protegerem de maneira a poderem sobreviver. Os fitoquímicos que consomem nutrientes protegem as plantas comestíveis saborosas de serem devorados até ao ponto de extinção.

Esse sistema de defesa de última geração ensinou aos animais que o consumo excessivo resultava em doenças e às vezes em morte. Os animais evoluíram para conseguirem digerir as plantas ricas em antinutrientes ou para deixarem de as comer.

Os antinutrientes são encontrados em maiores concentrações nos grãos, feijões, leguminosas e nozes, mas também podem ser encontrados em folhas, raízes e frutos de certas variedades de plantas.

Será que temos mesmo de evitar estas plantas?

Nem todos os antinutrientes são maus. É impossível evitá-los todos e não nos sentiremos bem se os cortarmos radicalmente da nossa dieta. Em vez disso, precisamos evitar aqueles que causam grandes danos no nosso intestino ou aqueles que são gatilhos para reações mais agressivas do nosso organismo. Somente eliminando um alimento da dieta e reintroduzindo-o se pode determinar se esse alimento é prejudicial.

As cinco grandes mentiras sobre saúde
As cinco grandes mentiras sobre saúde

Lectinas

As lectinas são proteínas que causam problemas no sistema digestivo, aderindo à parede intestinal e criando permeabilidade intestinal.1 Quando a comida se move pelo trato gastrointestinal, ela atinge o revestimento do intestino, causando microtrauma. Normalmente, as células e os nossos mecanismos de proteção reparam esses danos  antes que isso leve a qualquer problema real. As lectinas atrapalham esse processo. Elas aderem às paredes do seu intestino, impedindo a reparação. O dano resultante causa inflamação de baixo nível no trato gastrointestinal.

Quando comemos muitas lectinas, a parede intestinal desenvolve “buracos” e o conteúdo passa para a corrente sanguínea, causando a síndrome do intestino permeável.

Existem milhares de variedades de lectinas pois elas estão presentes na maioria das espécies de plantas. Nem todas são tóxicas ou causam danos intestinais. As fontes mais comuns de lectinas incluem:

  • Grãos, 
  • Legumes, 
  • Solanáceas. 

Exemplos de plantas que contêm drasticamente mais lectinas do que outras fontes de alimentos, são os seguintes:

  • Trigo, 
  • Feijão, 
  • Quinoa, 
  • Ervilha, 
  • Amendoim, 
  • Batata branca, 
  • Tomate, 
  • Berinjela. 

Todos são suspeitos e podem causar problemas sem tu saberes! Quanto mais comemos, mais danos causam ao nosso corpo. Em vez disso, concentra-te em obter a maior parte dos nutrientes de alimentos de baixo risco. Dito isto, a sensibilidade à lectina varia muito de pessoa para pessoa. Pode comer lectinas de manhã, ao meio-dia e à noite e nunca ter problemas, no entanto podes ter um amigo que não pode tocar nessas plantas. Sabes que tens um problema com as lectinas se, depois de comer uma refeição rica em lectinas, sentires os seguintes sintomas:

  • Inflamação,
  • Confusão mental,
  • Enxaquecas,
  • Problemas gástricos,
  • Acne
  • Dor nas articulações.

Solanáceas

As lectinas das solanáceas, em particular, são um gatilho autoimune comum e podem causar sensibilidade em muitas pessoas. Para testar a tua sensibilidade, experimenta um almoço cheio de solanáceas tais como tomates, pimentões e batatas e analisa como te sentes depois.

Na maioria das vezes, podes eliminar ou reduzir o número de lectinas na comida cozinhando-a primeiro. O Dr. Steven Gundry, famoso cirurgião cardíaco, pesquisador, médico e autor, explica como diferentes métodos de preparação podem reduzir o teor de lectinas, o que minimiza os efeitos indesejáveis ​​dos antinutrientes.

“O cozimento sob pressão faz  um bom trabalho na destruição das lectinas. A ideia de deixar o feijão de molho com várias trocas de água definitivamente diminui as lectinas. O calor diminui as lectinas”, explica Gundry. “Mas existem documentos muito válidos que mostram que isso provavelmente não é suficiente para indivíduos muito sensíveis.”

Dicas de dieta:

  • Escolhe arroz branco em vez de arroz integral, as lectinas estão na casca do arroz;
  • A batata-doce tem drasticamente menos teor de lectinas do que a batata branca;
  • Evita a manteiga de amendoim pois as lectinas do amendoim causam uma resposta inflamatória na maioria das pessoas e não são destruídas pelo calor;

Ácido fítico (fitatos)

O ácido fítico, também conhecido como fitatos, é um dos antinutrientes mais perigosos, bloqueando a absorção de nutrientes pesados ​​como magnésio, zinco, cálcio e ferro, entre outros. Encontrado em grãos integrais, nozes, soja e sementes, o ácido fítico liga-se a esses minerais, impedindo a sua absorção.

Os fitatos também inibem as enzimas digestivas pepsina, tripsina e amilase. A amilase é necessária para a quebra do amido, enquanto a tripsina e a pepsina estão envolvidas na quebra da proteína. Quando essas enzimas não estão presentes nas quantidades certas, os alimentos não são processados ​​adequadamente e o nosso corpo perde os principais nutrientes.

Se o nosso corpo tem um grande influxo de fitatos, isso significa que há menos nutrientes para distribuir, mas o corpo também é substancialmente menos eficiente em quebrar os macronutrientes nos seus componentes mais básicos e nutritivos.

O nosso corpo pode lidar com uma certa quantidade de fitatos, mas é uma boa ideia eliminar as principais fontes para que os nossos minerais sejam absorvidos. Além disso, removê-los completamente de nossa dieta seria impossível.

Para construir músculos ou queimar gordura, o corpo precisa de uma certa quantidade de proteínas ou carboidratos. No entanto, essa quantidade depende em grande parte de quão saudável é nosso intestino. Isso porque um sistema digestivo otimizado requer menos comida para alimentar o corpo adequadamente.

O ácido fítico é mais concentrado no farelo de grãos, por isso prefere o arroz branco em vez do arroz integral. Nas leguminosas, o ácido fítico é encontrado na camada de cotilédones, que é muito mais difícil de remover, por isso leguminosas como feijão, lentilhas e soja devem ser consumidas com muito cuidado.

Cozinhar certos alimentos que são ricos em fitatos e depois drenar a água ou mergulhá-los em um ácido como limão ou vinagre reduz os fitatos, mas muitos dos grãos e sementes que contêm fitatos são irritantes para o intestino mesmo quando cozidos.

Dicas de dieta:

  • Evite a canola ou outros óleos de sementes; cozinhe com óleo de abacate, óleo de coco ou manteiga/ghee.
  • Evite o feijão pois é rico em carboidratos e não particularmente rico em nutrientes

Ácido oxálico (oxalatos)

Se gostas de batidos de espinafre e couve fica a saber que podes estar a causar mais mal do que bem ao teu organismo! O ácido oxálico é um composto antinutriente encontrado em muitas plantas, como vegetais crucíferos crus tais como:

  • Couve, 
  • Rabanete, 
  • Couve-flor, 
  • Brócolos  
  • Acelga, 
  • Espinafre, 
  • Salsa, 
  • Beterraba, 
  • Pimenta preta, 
  • Chocolate, 
  • Nozes, 
  • Frutas,
  • Feijão.

Quando os oxalatos se ligam ao cálcio no sangue, formam-se pequenos cristais de ácido oxálico que podem ser depositados em qualquer parte do corpo e causar dores musculares. Quando isso acontece nos rins, causa pedras nos rins. Os oxalatos também causam uma condição nas mulheres chamada vulvodinia, que leva ao sexo doloroso por causa dos cristais de ácido oxálico nos lábios.

Em pessoas sensíveis, mesmo pequenas quantidades de oxalatos causam queimação nos olhos, ouvidos, boca e garganta. Consumir grandes quantidades pode causar dor abdominal, fraqueza muscular, náusea e diarreia. As pessoas que comem grandes quantidades de vegetais crus podem ser particularmente suscetíveis.

Como os fitatos, os oxalatos podem ser reduzidos cozinhando e drenando a água, ou mergulhando em ácido. O magnésio e o zinco dietéticos adicionados ligam-se ao ácido oxálico, diminuindo substancialmente a absorção de oxalato.2

Dicas de dieta:

  • Nunca adicione couve crua, espinafre ou acelga a saladas ou batidos. Cozinhe-os a vapor primeiro.
  • Ao temperar as refeições, não use a pimenta preta para evitar oxalatos.

Glúten

O glúten é uma proteína encontrada no trigo, cevada, centeio e aveia que pode causar permeabilidade intestinal (ou seja, intestino permeável). “O problema com o glúten é que nenhum humano pode digeri-lo. É impossível digerir as proteínas do glúten que estão no trigo, cevada e centeio”, segundo o nutricionista certificado Tom O’Bryan, autor de “The Autoimmune Fix”.

O espectro de reação à indigestibilidade do glúten coloca as pessoas em duas categorias: 

  • Sensibilidade ao glúten celíaca 
  • Sensibilidade ao glúten não celíaca.

A maioria da população tem sensibilidade ao glúten não celíaca. Substâncias não digeríveis no sistema digestivo causam uma resposta imune, as respostas imunes assumem a forma de inflamação. A inflamação é, na maioria das vezes, a culpada por trás de nossa névoa cerebral, desconforto digestivo e absorção de nutrientes abaixo do ideal.

Grãos contendo glúten decompõem-se no intestino em compostos opióides chamados gluteomorfinas que acionam os mesmos receptores cerebrais que drogas opiáceas como a heroína, o que significa que são altamente viciantes.

Estruturalmente, o glúten é composto de dois tipos de proteínas de armazenamento, prolaminas e glutelinas.3 As glutelinas à base de trigo são chamadas gluteninas, que consistem em subunidades de alto peso molecular (HMW) e baixo peso molecular (LMW). Os produtos de trigo feitos com níveis mais elevados de HMW tendem a ser mais elásticos e consequentemente mais mastigáveis ​​como a massa de pizza; enquanto níveis mais baixos de HMW tendem a assumir a forma de doces.4 Originalmente, pensava-se que a giladina (a prolamina à base de trigo) era o principal antinutriente que contribui para o glúten, mas foi demonstrado que a glutenina é igualmente tóxica.5 Assim, mesmo quando comemos algo que parece mais leve, estamos a degradar o nosso seu sistema digestivo pois é na mesma uma forma de glúten.

O glúten está escondido em lugares além das fontes óbvias; produtos como molho de soja, cerveja e até carnes processadas contêm glúten o que pode estar prejudicar o nosso desempenho físico e mental.

Dicas de dieta:

  • Substitui qualquer farinha à base de trigo por farinha de mandioca para evitar o glúten;
  • Se bebes álcool, evita a cerveja e bebe vodka de batata ou gim para evitar o glúten em tua bebida.

Referências

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Fígado gordo cirrose não alcoólica e cancro hepático causas e prevenção

Pessoas que não consomem álcool podem desenvolver fígado gordo ou esteatose hepática aumentando o risco de cirrose não alcoólica grave e carcinoma hepatocelular. Descubra toda a verdade sobre este perigo oculto! O que significa, quais os sintomas, quais as causas, qual o melhor tratamento e qual a prevenção mais adequada.

Fígado gordo é um problema de saúde crescente e relevante que pode causar uma grave doença denominada cirrose hepática não alcoólica, que se instala lentamente e afeta milhares de pessoas sem que a maioria se aperceba atempadamente do perigo que corre, pois os sintomas, na fase inicial, são discretos.

Este artigo pretende ser uma ferramenta importante para ajudar a detetar os sinais precoces desta perigosa condição de saúde, ajudar a corrigir os principais hábitos de vida e erros alimentares e, talvez, salvar muitas vidas!

Leia também: Estes são os piores óleos alimentares!

Fígado gordo e cirrose não alcoólica
Fígado gordo e cirrose não alcoólica

Neste artigo vou tratar os seguintes temas:

  • Anatomia do fígado
  • Figado o que é e qual a função?
  • Figado gordo o que é?
  • Sintomas
  • Causas
  • Perigos e complicações
  • Cirrose hepática não alcoólica
  • Tratamentos
  • Prevenção
As cinco grandes mentiras sobre saúde
As cinco grandes mentiras sobre saúde

Fígado

O fígado é a maior glândula e o maior órgão maciço do corpo humano. Funciona como glândula exócrina, libertando secreções num sistema de canais que se abrem numa superfície externa, e também como glândula endócrina, pois também liberta substâncias no sangue ou nos vasos linfáticos.

Localiza-se no hipocôndrio direito, epigástrio e pequena porção do hipocôndrio esquerdo, sob o diafragma e tem um peso aproximado de 1,3-1,5 kg num homem adulto e ligeiramente menos numa mulher. Em crianças é proporcionalmente maior, pois constitui cerca de 5% do peso total de um recém nascido.

Localização do fígado

Anatomia e localização abdominal

Leia também: Dor de barriga, estas são as mais perigosas!

Funções do fígado

O fígado é o segundo maior órgão do corpo e desempenha inúmeras funções, tanto na digestão e utilização dos nutrientes, como na remoção de substâncias prejudiciais, além de uma boa regulação da coagulação. Em termos simples o figado tem três principais funções:

  • Digerir alimentos;
  • Armazenar energia;
  • Remover substâncias tóxicas.

Em algumas espécies animais o metabolismo alcança a atividade máxima logo depois da alimentação o que diminui a capacidade de reação a estímulos externos. Em outras espécies, o controle metabólico é estável, sem diminuição desta reação. Esta diferença é determinada pela função reguladora do figado, órgão essencial da coordenação fisiológica.

Leia também: Estes são os segredos do nosso metabolismo!

Em mais detalhe, as funções do fígado mais relevantes são as seguintes:

  • Desintoxicação do organismo;
  • Produção de bile, cerca de 1,5 litros por dia;
  • Emulsificação de gorduras facilitando o processo digestivo destas, através da secreção da bile;
  • Síntese do colesterol;
  • Reciclagem de hormonas;
  • Armazenamento das vitaminas A, B12, D, E e K;
  • Armazenamento de alguns minerais como o ferro;
  • Conversão de amónia em ureia;
  • Síntese de protrombina e fibrinogénio (fatores de coagulação do sangue);
  • Destruição das hemácias (glóbulos vermelhos) envelhecidas ou danificadas;
  • Transformação de glicose em glicogénio para ser armazenado como reserva de energia;
  • Síntese, armazenamento e quebra do glicogénio quando é necessária glicose para produção de energia;
  • Lipogênese, a produção de triacilglicerol (formação de gorduras);
  • Síntese de albumina (importante para a osmolaridade do sangue);
  • Síntese de angiotensinógeno (hormona que aumenta a pressão sanguínea quando ativada pela renina);
  • No primeiro trimestre de gravidez é o principal produtor de eritrócitos, no entanto perde essa função nas últimas semanas de gestação;
  • Sintese de heparina e vitamina A;
  • Ação antitóxica importante, processando e eliminando os elementos nocivos de bebidas alcoólicas, café, barbitúricos, gorduras, medicamentos e outras substâncias potencialmente tóxicas;
  • Papel vital no processo de absorção de alimentos.

Leia também: Esta é a melhor forma de desintoxicação!

Destruição das hemácias no fígado

O fígado tem um papel na destruição das hemácias (glóbulos vermelhos), mas o principal local onde isso ocorre é no baço.

As hemácias têm uma vida útil de aproximadamente 120 dias. Quando envelhecem, são removidas da circulação principalmente no baço, num processo chamado hemocaterese. No entanto, o fígado também contém células especializadas (células de Kupffer) que participam na fagocitose de hemácias velhas ou danificadas. 

Após a destruição, os componentes das hemácias são processados:

  • O ferro é recuperado e transportado (pela transferrina) para a medula óssea para ser reutilizado na produção de novas hemácias.
  • A hemoglobina é decomposta e convertida em bilirrubina, que é então processada pelo fígado e excretada na bile. 

Fígado gordo o que é?

Fígado gordo ou esteatose hepática (EH) é uma deposição difusa de gordura, principalmente triglicéridos, nos hepatócitos (células do fígado), excedendo habitualmente 5% do peso do fígado.

Numa tese de mestrado em Nutrição da Faculdade de Medicina de Lisboa, citam-se estudos realizados entre 2004 e 2013 que referem prevalência de estenose hepática como sendo de 26,0% na China, 21,8% no Japão e 31% nos Estados Unidos, sendo superior em certos grupos étnicos (45% nos hispânicos). Isto significa que atualmente, com o aumento da obesidade na população, os números serão certamente ainda piores!

Prevalência na população

Dados interessantes sobre a prevalência de fígado gordo, referem o seguinte cenário:

  • Presente em cerca de 20% a 30% da população independentemente da idade, género ou etnia.
  • Maior prevalência em homens, principalmente em idades mais avançadas, e também nas mulheres pós-menopáusicas.
  • Pode atingir cerca de 3% das crianças (com idades próximas aos quatro anos) e 20% a 50% das crianças obesas.

Esteatose hepática classificação

A estetose hepática é habitualmente classificada de acordo com os consumos de álcool e após exclusão de hepatites B ou C em:

  • Esteatose hepática alcoólica (EHA)
  • Esteatose hepática não alcoólica (EHNA)

Sintomas

A maioria dos doentes não apresenta sintomas numa fase inicial o que torna esta doença ainda mais perigosa pois permite que avance de forma oculta e por vezes até atingir uma fase de difícil reversão. Por vezes, podem surgir as seguintes manifestações clínicas:

  • Cansaço,
  • Dor ou desconforto no quadrante superior direito do abdómen,
  • Perda de apetite,
  • Náuseas e vómitos,
  • Dor de cabeça,
  • Fezes esbranquiçadas,

Sintomas em fase avançada da doença

Numa fase avançada da doença, já com lesão e inflamação do fígado, aparecem os seguintes sintomas:

  • Icterícia (cor amarelada nos olhos e na pele),
  • Febre,
  • Ascite ou barriga inchada (distensão do abdómen por acumulação de líquido).

Causas

Pensa-se que a patogénese destas doenças esteja relacionada com um processo de duas fases, onde numa primeira fase ocorre acumulação de ácidos gordos no fígado, levando à esteatose hepática ou fígado gordo.

Este desenvolvimento de esteatose está relacionado com o excesso de consumo de álcool no caso da esteatose hepática alcoólica.

A gordura que é ingerida é metabolizada no fígado e noutros tecidos. Se ela for excessiva, fica armazenada no tecido adiposo. Daí pode ser transferida para outros locais e também para o fígado. Noutros casos, a gordura acumula-se neste órgão que se revela incapaz de a transformar para ser eliminada.

Cerca de 80% dos consumidores de álcool desenvolvem esta patologia porque o álcool permite uma rápida acumulação de ácidos gordos no fígado.

Doença do fígado gordo não alcoólica

A esteatose hepática não alcoólica surge em pessoas que não consomem alcool e o seu desenvolvimento está intrinsecamente ligado aos seguintes factores principais:

  • Obesidade, principalmente visceral;
  • Dislipidémia (colesterol e triglicéridos elevados);
  • Resistência à insulina (diabetes).

A acumulação de gordura hepática predispõe o fígado ao dano hepático na segunda fase do processo, onde ocorre necrose, inflamação, fibrose e por fim, cirrose hepática.

As causas secundárias de esteatose hepática não alcoólica ou doença do fígado gordo não alcoólica são diversas, sendo muito importantes as descritas na seguinte tabela.

Causas secundárias da
esteatose hepática não alcoólica
Exemplos
NutricionaisMalnutrição
Perda rápida de peso
MetabólicasLipodistrofia
Farmacológica/medicamentosAmiodarona
Estrogénios
Corticosteroides
Tamoxifeno
Antiretrovirais
Tetraciclinas
Ingestão de toxinasProdutos quimicos
Cogumelos (algumas espécies)
OutrasSindrome do intestino irritável também denominado cólon irritável ou colite nervosa

Evolução da doença

A estenose hepática não alcoólica é uma condição normalmente benigna e reversível, sendo a sua progressão para fibrose e cirrose denominada esteatohepatite não alcoólica (nonalcoholic steatohepatitis, NASH) e representa um estado mais grave da doença. Estima-se que nos Estados Unidos, a NASH afete cerca de 3-6% da população, com 30% de morbilidade em pacientes obesos.

Não são totalmente compreendidos os determinantes na progressão desta doença, que pode afetar tanto crianças como adultos. Entre 45% e 100% dos pacientes com fígado gordo não apresentam sintomas, revelando-se assim, como uma doença “silenciosa”.

A gravidade na estenose hepática não alcoólica depende não só das consequências tardias, como a cirrose e o carcinoma hepatocelular, mas também das elevadas taxas de eventos cardiovasculares associados, que fazem desta doença um problema de saúde pública relevante

Diagnóstico

As técnicas de diagnóstico mais usadas são as descritas na tabela seguinte.

Técnica de diagnósticoObjetivo
Ecografia abdominalRevelar o volume do fígado
Análises ao sangue em doentes obesos, diabéticos e/ou dislipidémicosDetetar aumento das enzimas hepáticas denominadas transaminases
BiópsiaConfirmar o diagnóstico e avaliar o grau de inflamação

As principais alterações laboratoriais na esteatose hepática são as elevações das seguintes enzimas hepáticas:

  • Aspartato aminotransferase (AST);
  • Alanina aminotransferase (ALT);
  • Gamaglutamiltransferase (GGT), esta mais comum no diagnóstico de consumo crónico de álcool.

Biópsia e exames de imagem

As enzimas hepáticas poderão refletir um meio de rastreio, porém não poderão ser meio de diagnóstico na EH, pois cerca de 70% dos indivíduos com estenose hepática não apresenta estas alterações enzimáticas.
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Atualmente, a biópsia hepática é o exame mais eficaz para o diagnóstico da EH, porém tornaram-se necessárias técnicas de rastreio menos invasivas e mais acessíveis, mas igualmente precisas.

Os exames complementares de imagem (ecografia abdominal,
tomografia computadorizada ou ressonância magnética nuclear) são capazes de identificar a presença de estenose hepática de forma rápida e não invasiva para o paciente.

Tratamento e prevenção

Não existem medicamentos eficazes para tratar o fígado gordo. Vale a pena sublinhar que, nas suas fases iniciais, o fígado gordo é reversível mas para que tal acontece é de facto obrigatório que faça alterações alimentares e de estilo de vida. Se não o fizer o “preço a pagar” pode ser a sua vida!

Descrevo de seguida, por experiência pessoal e profissional, as prioridades para reverter, ainda a tempo, o excesso de gordura hepática e visceral. Clique nos links para saber mais sobre cada um dos temas da lista seguinte. Assim deve controlar os seguintes parâmetros e aplicar os seguintes hábitos:

Concluindo sobre o fígado gordo

Embora a maioria dos casos tenha evolução benigna, é possível a evolução para cirrose que é uma grave doença hepática e potencialmente fatal! Este risco aumenta nos doentes obesos, com mais idade, diabéticos e nos que já apresentam inflamação do fígado (chamada esteatohepatite não alcoólica).

Referências bibliográficas