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Helicobacter pylori tratamento natural para a bactéria do estômago

A Helicobacter pylori (H. pylori) é uma bactéria anaeróbia Gram-negativa que coloniza o estômago humano e é a principal causa de doenças gástricas, como a gastrite crónica e as úlceras pépticas, bem como o fator de risco mais definitivo e controlável para o desenvolvimento de cancro gástrico ou linfoma MALT. A infecção afecta cerca de metade da população global, com elevada variabilidade na prevalência entre regiões e por idade. A infeção crónica por este carcinogéneo microbiano de classe I é considerada o fator de risco mais importante para o desenvolvimento de cancro gástrico.

A Helicobacter pylori habita a mucosa gástrica de quase 4,4 mil milhões de pessoas em todo o mundo (Hooi et al., 2017). Sem uma terapia de erradicação eficaz, a infeção geralmente persiste durante toda a vida, causando inflamação da mucosa gástrica, que pode progredir gradualmente para úlcera péptica, adenocarcinoma gástrico e linfoma do tecido linfóide associado à mucosa (MALT) (Kusters et al., 2006; Yamaoka, 2010). Atualmente, a eficácia da terapêutica tripla padrão de uma semana contendo claritromicina (CLR) e metronidazol (MTZ) ou amoxicilina (AMX) combinada com um inibidor da bomba de protões (IBP) caiu drasticamente, apresentando taxas de erradicação de 50% a 70% (Fallone et al., 2016).

A crescente resistência antimicrobiana aos antibióticos de primeira linha provoca principalmente o insucesso das atuais terapêuticas de erradicação, induzindo infeções refratárias. O aumento alarmante da resistência a múltiplos fármacos em isolados de H. pylori em todo o mundo começa já a limitar a eficácia dos tratamentos existentes. Consequentemente, em 2017, a Organização Mundial de Saúde (OMS) incluiu o H. pylori na sua lista de “patógenos prioritários”, resistentes aos antibióticos, um catálogo de 12 famílias de bactérias que representam atualmente a maior ameaça para a saúde humana (Tacconelli et al., 2018), para os quais são urgentemente necessários novos antibióticos.

Devem ser adotadas novas estratégias para combater esta crise antibiótica, incluindo a exploração adequada do potencial terapêutico comprovado das plantas medicinais e dos fitoquímicos derivados de plantas.

A erradicação é recomendada sempre que se identifique a infeção, independentemente da presença de sintomas, devido ao seu potencial patogénico a longo prazo. Atualmente, o regime para a erradicação do H. pylori passou de triplo para quádruplo (toma de 4 antibióticos simultâneos), o curso do tratamento foi prolongado e o tipo e a dose de antibióticos foram ajustados, com uma melhoria limitada da eficácia, mas efeitos secundários gradualmente crescentes e falhas repetidas no tratamento num número crescente de doentes.

Nos últimos anos, os probióticos e algumas plantas tornaram-se ferramentas mais importantes para melhorar a saúde gastro intestinal e potenciar a nossa imunidade.

As cinco grandes mentiras sobre saúde
As cinco grandes mentiras sobre saúde

Tratamentos naturais com evidência científica

Embora o tratamento natural isolado raramente seja suficiente para erradicação completa, alguns probióticos e plantas, demonstraram efeitos adjuvantes ou inibitórios sobre o H. pylori em estudos in vitro e pequenos ensaios clínicos.

Numerosos estudos in vitro, estudos em animais e observações clínicas demonstraram que os probióticos têm a vantagem de reduzir os efeitos secundários e aumentar as taxas de erradicação na terapêutica adjuvante anti-H. pylori e são um complemento valioso à terapêutica convencional. No entanto, muitos tipos diferentes de probióticos são utilizados como adjuvantes contra o H. pylori, em diversas combinações, com diferentes doses e tempos de administração, e a qualidade dos estudos clínicos varia, dificultando a padronização dos resultados.

Probióticos

  • Espécies eficazes: Limosilactobacillus reuteri (L. reuteri), L. rhamnosus GG, Saccharomyces boulardii.
  • Mecanismo: Reduzem a adesão do H. pylori à mucosa gástrica e diminuem os efeitos secundários do tratamento antibiótico.
  • Estudo-chave: Meta-análise demonstrou benefícios na redução de carga bacteriana e alívio de sintomas.
  • Marca comercial disponível: Advancis Bacilpro Gastro

Limosilactobacillus reuteri

Devido à elevada taxa de insucesso da terapêutica de erradicação em vários países e ao aumento da resistência aos antibióticos reportado na literatura, existe uma necessidade cada vez maior de procurar tratamentos terapêuticos alternativos. Os probióticos parecem ser uma solução promissora. Em particular, a espécie Limosilactobacillus reuteri (L. reuteri) é uma bactéria Gram-positiva e é comummente encontrada na microbiota dos mamíferos.

O L. reuteri é capaz de sobreviver ao meio ácido gástrico e à bílis e colonizar a mucosa gástrica. Esta espécie é capaz de inibir o crescimento de diversas bactérias patogénicas através de diferentes mecanismos, mantendo a homeostasia da microbiota. Em particular, é capaz de segregar reuterina e reutericilina, substâncias que exibem propriedades antimicrobianas, entre outras moléculas. Através da secreção destes e da formação do biofilme, descobriu-se que este inibe fortemente o crescimento de H. pylori e, em concentrações mais elevadas, mata-o. Além disso, reduz a expressão dos fatores de virulência do H. pylori.

Em ensaios clínicos, o L. reuteri demonstrou diminuir a carga de H. pylori quando utilizado como tratamento único, mas não atingiu significância estatística na cura de doentes infetados. Como adjuvante dos regimes padrão com antibióticos e inibidores da bomba, o L. reuteri pode ser utilizado não só para melhorar as taxas de cura, mas especialmente para diminuir os sintomas gastrointestinais, que são uma causa comum de falta de adesão e interrupção da terapêutica, levando a uma nova resistência aos antibióticos.

Uma meta análise de 2024, de diversos ensaios clínicos controlados e randomizados, conclui que a suplementação com L. reuteri foi benéfica para aumentar a taxa de erradicação do H. pylori, reduzir a incidência global de efeitos secundários e aliviar os sintomas gastrointestinais nos doentes durante o tratamento. Os resultados fornecem novos informações relevantes para a tomada de decisões clínicas.

Referências:
Current and future perspectives for Helicobacter pylori treatment and management: From antibiotics to probiotics

Limosilactobacillus reuteri Strains as Adjuvants in the Management of Helicobacter pylori Infection

Lactobacillus reuteri compared with placebo as an adjuvant in Helicobacter pylori eradication therapy: a meta-analysis of randomized controlled trials


Lactobacillus rhamnosus jB3 (LR-JB3)

A erradicação da infeção por Helicobacter pylori é a forma mais direta e eficaz de prevenir o cancro gástrico. As bactérias lácticas são consideradas agentes terapêuticos alternativos contra a infeção por H. pylori. O H. pylori explora as balsas lipídicas para infetar as células hospedeiras. A infeção desencadeia a aglomeração do antigénio Lewis X (Lex) e das integrinas nas balsas lipídicas para facilitar a adesão do H. pylori ao epitélio gástrico. A infeção por H. pylori pode ser tratada com probióticos contendo bactérias lácticas, que oferecem inúmeros benefícios ao hospedeiro, sem os efeitos secundários associados à antibioterapia.

Métodos
Os efeitos do Lactobacillus rhamnosus JB3 (LR-JB3) na expressão génica de virulência de H. pylori e nas respostas celulares induzidas pela infeção de células AGS foram investigados através do cocultivo de células AGS infetadas com diferentes multiplicidades de infeções (MOIs) de LR-JB3.

Resultados
O LR-JB3, especificamente a um MOI de 25, suprimiu a capacidade de associação do H. pylori e dos seus níveis induzidos de IL-8, bem como os níveis de mRNA de vacA, sabA e fucT de H. pylori, as expressões do antigénio Lewis (Le)x induzidas pela infeção e do recetor Toll-like 4 (TLR4) nas células AGS. No entanto, a apoptose mediada pela infecção foi inibida pelo LR-JB3 de forma dose-dependente. Além disso, observou-se que o autoindutor (AI)-2 aumentou a capacidade de associação e a expressão de fucT em H. pylori, bem como a expressão do antigénio Lex e de TLR4 em células AGS. Curiosamente, foi colocada a hipótese de um sinal bioativo desconhecido ter sido secretado pelo LR-JB3 a um MOI de 25 para atuar como antagonista do AI-2.

Conclusões
O LR-JB3 possui vários meios para interferir na patogénese do H. pylori e nas respostas celulares induzidas pela infeção das células AGS para combater a infeção.

Referências

Lactobacillus rhamnosus JB3 inhibits Helicobacter pylori infection through multiple molecular actions

Antagonistic Activities of Lactobacillus rhamnosus JB3 Against Helicobacter pylori Infection Through Lipid Raft Formation


Saccharomyces boulardii (S. boulardii)

Saccharomyces boulardii é uma levedura probiótica, não é uma bactéria. A infeção por Helicobacter pylori (H. pylori) é uma infeção crónica comum, e mais de metade da população mundial está infetada por H. É ainda controverso se a suplementação de Saccharomyces boulardii (S. boulardii) à terapêutica antibiótica quádrupla com bismuto é benéfica para a erradicação do H. pylori.

Numa meta-análise de 2025, na literatura das bases de dados PubMed, Embase, Web of Science e China National Knowledge Infrastructure, de artigos publicados até outubro de 2023, foram incluídos 10 ensaios clínicos randomizados.

Notavelmente, a suplementação de S. boulardii à terapêutica quádrupla com bismuto melhorou significativamente as taxas de erradicação do H. pylori e reduziu a incidência de efeitos adversos totais. Especificamente, reduziu a incidência de alguns efeitos adversos gastrointestinais e efeitos adversos não específicos, incluindo diarreia, obstipação, distensão abdominal, náuseas e erupção cutânea.

Na análise de subgrupos, verificou-se que a duração da erradicação a longo prazo e a suplementação de S. boulardii iniciada e interrompida ao mesmo tempo que o tratamento de erradicação melhoraram significativamente a taxa de erradicação, independentemente da dose de S. boulardii.

Uma meta-análise encontrou uma eficácia terapêutica significativa para o S. boulardii na prevenção da diarreia associada a antibióticos (DAA). Nos adultos, o S. boulardii pode ser fortemente recomendado para a prevenção da DAA e da diarreia do viajante. Ensaios clínicos randomizados também apoiam a utilização deste probiótico de levedura para a prevenção da diarreia relacionada com a nutrição entérica e redução dos sintomas relacionados com o tratamento do Helicobacter pylori.

O S. boulardii mostra-se promissor para a prevenção de recidivas da doença de C. difficile; tratamento da síndrome do intestino irritável, diarreia aguda do adulto, doença de Crohn, giardíase, diarreia relacionada com o vírus da imunodeficiência humana; mas recomendam-se mais evidências de suporte para estas indicações. A utilização de S. boulardii como probiótico terapêutico baseia-se em evidências tanto para a eficácia como para a segurança para vários tipos de diarreia.

Conclusões

A adição de S. boulardii à terapêutica quádrupla com bismuto aumentou significativamente as taxas de erradicação do H. pylori e diminuiu os efeitos adversos. Recomenda-se adicionar 500 mg/dia de S. boulardii concomitantemente com a terapêutica quádrupla com bismuto e continuar esta terapêutica durante > 10 dias para obter uma eficácia ótima na erradicação do H. pylori.

Referências

Effect of Saccharomyces boulardii supplementation to bismuth quadruple therapy on Helicobacter pylori eradication


Rebentos de brócolos e sulforafano

  • Composto ativo: Sulforafano (glucosinolato presente nos rebentos de brócolo).
  • Mecanismo: Atividade bactericida direta e redução da inflamação gástrica.
  • Estudo-clínico: Fahey JW et al., Cancer Prev Res, 2009 – mostrou redução da colonização em humanos após 2 semanas de consumo de rebentos.

O isotiocianato sulforafano [SF; O 1-isotiocianato-4(R)-metilsulfinilbutano] é abundante nos rebentos de brócolos sob a forma do seu precursor glucosinolato (glucorafanina). O Sulforafano é poderosamente bactericida contra as infeções por Helicobacter pylori, que estão fortemente associadas à pandemia mundial de cancro gástrico.

O tratamento oral com rebentos de brócolos ricos em sulforafano de ratinhos fêmeas C57BL/6 infetados com H. pylori estirpe 1 Sydney e mantidos com uma dieta rica em sal (7,5% NaCl) reduziu a colonização bacteriana gástrica, atenuou a expressão mucosa do fator de necrose tumoral alfa e da interleucina-1beta, mitigou a inflamação do corpo e preveniu a expressão da atrofia do corpo gástrico induzida por alto teor de sal.

Este efeito terapêutico não foi observado em ratinhos nos quais o gene nrf2 foi eliminado, implicando fortemente o importante papel das proteínas antioxidantes e anti-inflamatórias dependentes de Nrf2 na proteção dependente de SF. Quarenta e oito doentes infectados por H. pylori foram aleatoriamente designados para receber rebentos de brócolos (70 g/d; contendo 420 micromol de precursor de SF) durante 8 semanas ou para o consumo de um peso igual de rebentos de alfafa (sem SF) como placebo.

A intervenção com rebentos de brócolos, mas não com placebo, diminuiu os níveis de urease medidos pelo teste respiratório da ureia e do antigénio fecal de H. pylori (ambos biomarcadores de colonização por H. pylori) e de pepsinogénios séricos I e II (biomarcadores de inflamação gástrica). Os valores voltaram aos seus níveis originais 2 meses após a interrupção do tratamento. A ingestão diária de rebentos de brócolos ricos em sulforafano durante 2 meses reduz a colonização por H. pylori em ratinhos e melhora as sequelas da infeção em ratinhos infetados e em humanos. Este tratamento parece aumentar a quimioproteção da mucosa gástrica contra o stress oxidativo induzido pelo H. pylori.

Referências:

Dietary sulforaphane-rich broccoli sprouts reduce colonization and attenuate gastritis in Helicobacter pylori-infected mice and humans

Fahey JW, et al. Cancer Prev Res (Phila). 2009 Apr;2(4):353–360.


Mel de Manuka (Leptospermum scoparium)

  • Atividade antibacteriana: Propriedades antibióticas naturais atribuídas ao metilglioxal.
  • Limitação: A maioria dos estudos são in vitro. Efeitos in vivo ainda inconclusivos.

O mel de Manuka (Leptospermum scoparium) exerce um forte efeito antibacteriano. As enzimas bacterianas são um alvo importante para os compostos antibacterianos. A enzima urease produz amónia e permite que as bactérias se adaptem a um meio ácido. Um novo ensaio enzimático, baseado na deteção fotométrica de amónia com ninidrina, foi desenvolvido para estudar a atividade da urease.

O metilglioxal (MGO) e o seu precursor di-hidroxiacetona (DHA), que estão naturalmente presentes no mel de Manuka, foram identificados como inibidores da urease do feijão-de-porco com valores de IC50 de 2,8 e 5,0 mM, respetivamente. A inibição da urease do mel de Manuka correlaciona-se com o seu teor em MGO e DHA. Os méis não-Manuka, que não possuem MGO e DHA, apresentaram uma inibição da urease significativamente menor.

A depleção de MGO do mel de Manuka com glioxalase reduziu a inibição da urease. Portanto, a inibição da urease pelo mel de Manuka deve-se principalmente ao MGO e ao DHA. Os resultados obtidos com a urease do feijão-de-porco como urease modelo podem contribuir para a compreensão da inibição bacteriana pelo mel de manuka.

Referência:
Manuka honey (Leptospermum scoparium) inhibits jack bean urease activity due to methylglyoxal and dihydroxyacetone


Chá verde, chá preto, alho, cúrcuma e alcaçuz (DGL)

  • Chá verde: efeito bacteriostático (Yamaoka Y, Int J Antimicrob Agents, 2009).
  • Alho cru: ação inibitória direta sobre o H. pylori, mas deve ser consumido em quantidades elevadas.
  • Cúrcuma: propriedades anti-inflamatórias e antimicrobianas.
  • Alcaçuz deglicirrizinado (DGL): pode reduzir aderência da bactéria.

Referências adicionais:


Flavonoides antibacterianos

Muito antes de a infecção por H. pylori ser reconhecida como causadora de gastrite crónica e úlceras pépticas em 1982 (Marshall e Warren, 1984), os produtos naturais já eram utilizados por médicos e curandeiros para combater estas doenças com base em conhecimento empírico (Yesilada et al., 1997). Atualmente, mais de 240 espécies de plantas demonstraram atividade anti-H. pylori (Salehi et al., 2018; Baker, 2020). Com a necessidade urgente de novas opções terapêuticas para enfrentar a atual crise dos antibióticos, o interesse da comunidade científica pela medicina tradicional e pela utilização de produtos naturais como fontes de novos medicamentos antibacterianos foi reforçado (Cheesman et al., 2017; Anand et al., 2019).

Os flavonoides são compostos bioativos polifenólicos de baixo peso molecular, ubíquos nas plantas (Buer et al., 2010). A família dos flavonóides é constituída por mais de 9000 espécies de moléculas, que partilham, na sua maioria, uma estrutura química baseada num esqueleto de quinze carbonos (C6-C3-C6) composto por dois anéis benzénicos, designados por A e B, ligados por um anel pirano heterocíclico, denominado anel C. O esqueleto C6-C3-C6 é frequentemente hidroxilado nas posições 2, 3, 5, 7, 3’, 4’ e 5’.

Os éteres metílicos e os ésteres acetílicos dos grupos álcoois são frequentes, embora uma infinidade de outros grupos derivados, incluindo diferentes alquilas, isoprenoides e grupos carboxílicos, também contribuam para a vasta diversidade destes compostos (Kumar e Pandey, 2013).

As sete classes de flavonoides

Com base no estado de oxidação do anel pirano central, no seu grau de hidroxilação e na posição de ligação do anel benzénico B, os flavonoides podem ser divididos em sete classes principais, que descrevo de seguida, assim como o nome dos principais flavonoides de cada classe e alguns alimentos onde podem ser encontrados:

  • Flavonas como apigenina, crisina, luteolina, tangeritina (Aipo, salsa, pimento vermelho, camomila, hortelã, ginkgo biloba);
  • Flavonóis como kaempferol, quercetina, miricetina, fisetina (Cebola, couve, alface, tomate, maçã, uva, frutos vermelhos, chá, vinho tinto);
  • Flavanonas como hesperetina, naringenina, eriodictiol, butina ( Frutas cítricas, uvas, arroz);
  • Flavanonóis como taxifolina, aromadedrina, engeletina, astilbina (Frutas cítricas, chá, arroz);
  • Flavanóis também conhecidos como flavan-3-óis, tais como catequina, epicatequina, galocatequina, proantocianidinas (Chá, cacau, bananas, maçãs, mirtilos, pêssegos, peras, uvas, vinho tinto);
  • Antocianidinas como malvidina, cianidina, delfinidina, petunidina (Berries, black currants, red grapes, merlot grapes);
  • Isoflavonas como daidzeína, genisteína, gliciteína, formononetina (legumes).

Quercetina bactericida

Muitos flavonóides naturais, como a quercetina, apresentam atividade anti-urease. O valor dos flavonoides como fármacos terapêuticos eficazes contra o H. pylori não se deve apenas ao seu comprovado efeito bactericida, mas também às suas ações antivirulentas, que em muitos casos reduzem os danos no hospedeiro e aliviam as doenças associadas. Alguns fatores de virulência do H. pylori, incluindo o gene A associado à citotoxina (CagA) e a citotoxina A vacuolante (VacA), são cruciais no processo inflamatório associado à infeção por este agente patogénico.

Referência:

Fighting the Antibiotic Crisis: Flavonoids as Promising Antibacterial Drugs Against Helicobacter pylori Infection


Quercetina alimentos mais ricos

A quercetina é um flavonoide com fortes propriedades antioxidantes, anti-inflamatórias e antivirais. Está presente em diversos alimentos, sobretudo de origem vegetal. Abaixo indico os alimentos mais ricos em quercetina, com estimativas médias do teor por 100 g:

Alimentos mais ricos em quercetina (por ordem decrescente)

AlimentoTeor médio de quercetina (mg/100g)
Alcaparras (em conserva)180–230
Cebola roxa crua30–50
Chalota (échalote)20–40
Maçã (com casca)4–10
Mirtilos3–8
Brócolos cozidos2–5
Pimentos (vermelhos e amarelos)2–4
Couve roxa crua2–3
Uvas pretas1–2
Chá verde e chá preto2–10 (por chávena, dependendo do tipo e tempo de infusão)

Nota: A quantidade de quercetina pode variar bastante consoante a variedade do alimento, maturação, modo de cultivo e preparação (cru vs. cozinhado).

Efeitos terapêuticos da quercetina

Referências científicas:

Exemplo de tratamento natural complementar

Como exemplo de um tratamento natural complementar à antibioterapia ou seja associado ao tratamento medicamentoso mais eficaz podemos utilizar o seguinte:

  • Em jejum: Próbiótico constituído por Lactobacillus Reuteri, Lactobacillus Ramnosus jB3 e Sacharomyces Boulardii;
  • Ao pequeno almoço: Acompanhar com Chá verde ou chá preto e mel de manuka;
  • Refeições principais (almoço e jantar): Introduzir rebentos de brócolos, alho cru, cúrcuma, alcaçuz, alcaparras em conserva e cebola roxa crua ou chalota.
  • Sobremesa: Maças com casca, mirtilos, uvas pretas.

Dicas para aumentar o consumo de quercetina:

  • Prefira cebola roxa crua em saladas e guarnições.
  • Coma maçãs com casca (preferencialmente biológicas).
  • Utilize alcaparras para temperar pratos (ricas e potentes).
  • Inclua frutos vermelhos regularmente (mirtilos, uvas escuras).
  • Beba chá verde de boa qualidade, com infusão de 5 a 10 minutos.

Tratamento medicamentoso mais eficaz (Gold Standard 2025)

De seguida descrevo os tratamentos medicamentosos atualmente mais eficazes mas, por serem mais agressivos, originam efeitos secundários relevantes, principalmente transtornos gastrointestinais, como vómitos e diarreia. A destruição da microbiota intestinal e oral, durante o tratamento, é “brutal” e obrigada a uma reposição bem planeada com os probióticos mais adequados.

Terapêutica quádrupla concomitante (sem bismuto)

Composição:

  • Inibidor da bomba de protões (IBP): Omeprazol 20 mg 2x/dia
  • Amoxicilina 1 g 2x/dia
  • Claritromicina 500 mg 2x/dia
  • Metronidazol 500 mg 2x/dia

📆 Duração: 10 a 14 dias
💊 Posologia padrão: todos os fármacos 2x/dia após refeições

📚 Referência:
Malfertheiner P, et al. Maastricht VI/Florence Consensus Report on the management of Helicobacter pylori infection. Gut. 2022.


Terapêutica quádrupla com bismuto (alternativa eficaz)

Composição:

  • IBP 2x/dia
  • Subcitrato de bismuto 120 mg 4x/dia
  • Tetraciclina 500 mg 4x/dia
  • Metronidazol 500 mg 3x/dia

📆 Duração: 10 a 14 dias
💡 Indicado especialmente em casos de resistência à claritromicina

📚 Referência:
Fallone CA et al., World Gastroenterology Organisation Global Guidelines, 2023.


Considerações finais e recomendações clínicas

  • As terapias naturais podem ser utilizadas como suporte ou prevenção secundária, mas ainda não substituem o tratamento antibiótico para erradicação completa.
  • A terapêutica de primeira linha deve sempre ter em conta o perfil de resistências regionais, histórico do doente e adesão.
  • A confirmação da erradicação deve ser feita 4 a 8 semanas após o fim do tratamento com teste respiratório (urease) ou pesquisa de antigénio nas fezes.
  • A reposição adequada da microbiota intestinal e oral, “destruída” durante o tratamento, deve ser feita logo após o final deste, com probióticos de qualidade adequados.

Bibliografia científica suplementar

  1. Malfertheiner P et al. Gut. 2022;71:1724–1752. [Maastricht VI Consensus]
  2. Fallone CA et al. World Gastroenterology Organisation Global Guidelines, 2023.
  3. Lesbros-Pantoflickova D et al. Am J Clin Nutr. 2007;86(3):801–809.
  4. Fahey JW et al. Cancer Prev Res. 2009;2(4):353–360.
  5. Wang J et al. Food Chem. 2012;132(3):1395–1399.
  6. Yamaoka Y. Int J Antimicrob Agents, 2009;33(6):504–507.
  7. Matsubara S, et al. Antimicrob Agents Chemother. 2003;47(5):1582–1587.

Depressão tratamento natural

A depressão é uma condição médica complexa com causas biológicas, psicológicas e sociais. Algumas intervenções “naturais” têm evidência científica razoável como adjuvantes significando que podem ajudar, sobretudo em depressão leve a moderada ou como complemento de tratamento médico, enquanto noutras a evidência é ainda limitada ou conflituosa. Neste artigo resumo as principais abordagens com referências a revisões e ensaios clínicos.

As cinco grandes mentiras sobre saúde
As cinco grandes mentiras sobre saúde

Ómega-3 (EPA / DHA)

Mecanismo plausível: ácidos gordos ómega-3 (particularmente o EPA) têm propriedades anti-inflamatórias, modulam fluidez das membranas neuronais e a sinalização neurotransmissora que são fatores implicados na depressão.

Evidência: meta-análises e revisões encontraram benefício estatisticamente significativo, especialmente com preparações ricas em EPA (EPA ≥ 60% da mistura) e doses tipicamente na ordem de ~1 g/dia de EPA (ou formulações com 1–2 g/dia de EPA+DHA, sendo o EPA predominante). A qualidade das provas varia entre estudos e há heterogeneidade, mas a evidência é moderada a favor de eficácia como suplemento.

Estudo: Efficacy of omega-3 PUFAs in depression: A meta-analysis

Orientação prática / segurança:

  • Preferir preparações com EPA predominantemente (ex.: razão EPA:DHA ≥ 2:1 quando possível).
  • Doses estudadas com benefício: ~1 g/dia de EPA ou 1–2 g/dia de EPA+DHA; alguns estudos testaram doses mais elevadas (até 4 g/dia) em subgrupos com inflamação, mas estas doses só devem ser usadas sob supervisão.
  • Segurança: geralmente bem tolerado; atenção em pessoas com medicação anticoagulante (potencial efeito anti-plaquetário leve) — conversar com o médico.

Estudo: Omega-3 fatty acids for mood disorders


Açafrão (Crocus sativus)

Mecanismo plausível: compostos ativos (crocina, safranal) parecem modular neurotransmissores (serotonina, dopamina), ter efeito anti-inflamatório e antioxidante.

Evidência: várias revisões e meta-análises de ensaios clínicos randomizados mostraram que o açafrão (extratos padronizados) reduz sintomas depressivos comparado com placebo e, em alguns ensaios, mostrou eficácia comparável a antidepressivos leves (e.g. fluoxetina/imipramina) em depressão leve-moderada. Doses estudadas com resultados consistentes rondam 20–30 mg/dia de extrato padronizado (dividido em 1–2 tomas).

Estudo: A Systematic Review of Randomized Controlled Trials Examining the Effectiveness of Saffron (Crocus sativus L.) on Psychological and Behavioral Outcomes

Orientação prática / segurança:

  • Dose habitualmente estudada: 20–30 mg/dia de extrato padronizado. Alguns estudos usaram 30 mg/dia durante 6–8 semanas.
  • Geralmente bem tolerado em curto prazo; doses muito elevadas (gramas) podem ser tóxicas — não utilizar doses alimentares exageradas durante gravidez. Evitar se estiver grávida ou a amamentar sem aconselhamento. Pode interagir com medicação; consulte sempre um profissional.

Estudo: Saffron and its active ingredients against human disorders: A literature review on existing clinical evidence


Triptofano e 5-HTP (precursores da serotonina)

Mecanismo plausível: o triptofano é o aminoácido precursor da serotonina; o 5-HTP (5-hidroxitriptofano) sendo um precursor mais próximo e atravessa melhor a barreira hematoencefálica.

Evidência: alguns ensaios e revisões sugerem redução dos sintomas depressivos com 5-HTP ou dietas enriquecidas com triptofano, mas a qualidade dos estudos é heterogénea. Há sinais de benefício em determinados contextos (ex. depressão leve), mas a evidência não é robusta para se recomendar universalmente.

Estudo: Tryptophan and 5‐Hydroxytryptophan for depression

Risco importante: interação com antidepressivos (SSRIs, SNRIs, MAOIs) — combinação com outros agentes que aumentam serotonina pode levar a síndrome serotoninérgica, condição potencialmente grave. Por isso não combine 5-HTP/triptofano com antidepressivos sem supervisão médica. PMC+1

Estudo: Dietary Supplement-Drug Interaction-Induced Serotonin Syndrome Progressing to Acute Compartment Syndrome

Orientação prática / segurança:

  • Se for considerado, usar apenas com acompanhamento clínico; evitar combinação com qualquer medicação que aumente serotonina.
  • Efeitos secundários possíveis: náusea, tonturas, alterações gastrointestinais.

Magnésio

Mecanismo plausível: magnésio participa em neurotransmissão (NMDA, GABA), regulação do eixo HPA (stress) e processos inflamatórios; deficiência associa-se a sintomas depressivos em estudos observacionais.

Evidência: meta-análises de ensaios clínicos indicam um efeito benéfico do magnésio sobre sintomas depressivos, mas os estudos variam em qualidade e tamanho; a evidência sugere benefício potencial, especialmente em pessoas com níveis baixos de magnésio. PMC+1

Estudo: Magnesium supplementation beneficially affects depression in adults with depressive disorder: a systematic review and meta-analysis of randomized clinical trials

Orientação prática / segurança:

  • Ingestão dietética: preferir alimentos ricos em magnésio (sumo de frutos secos, legumes, espinafres, sementes, grãos integrais).
  • Suplementos: formas bem toleradas incluem magnésio glicinato ou citrato (menor probabilidade de causar diarreia com glicinato). A maioria dos suplementos usa 100–300 mg de óxido magnésio elementar por toma. O magnésio na forma de óxido de magnésio que apresenta uma absorção baixa e, portanto, menores efeitos terapêuticos.
  • Limite superior para suplementos de magnésio: geralmente estabelecido em 350 mg/dia (elementar) para adultos — acima disto podem surgir diarreia, náuseas ou, raramente, toxicidade em doença renal. Consulte o seu médico antes de suplementar.

Caminhada e exercício físico

Mecanismo plausível: exercício aumenta neurotransmissores (endorfina, serotonina), reduz inflamação, melhora sono e autoeficácia; também promove socialização se feito em grupo.

Evidência: revisões sistemáticas robustas confirmam que exercício físico (incluindo caminhada) reduz sintomas depressivos. Um grande corpo de evidência sugere benefício mesmo com níveis de atividade moderados; caminhar diariamente (e aumentar passos diários) está associado a menor risco de depressão e melhora de sintomas.

Estudo: Effect of exercise for depression: systematic review and network meta-analysis of randomised controlled trials

Orientação prática / segurança:

  • Meta-análises sugerem benefício com vários tipos de exercício; para iniciantes, 30 minutos de caminhada moderada, 5×/semana é um bom objetivo inicial — mesmo aumentos menores de atividade trazem benefícios.
  • Estudos observacionais indicam que, por exemplo, caminhar ~7.000 passos/dia está associado a menor risco de depressão.

Outras ferramentas naturais e hábitos pessoais e sociais

A intervenção mais eficaz para depressão combina várias estratégias — aqui as mais suportadas:

Sono

  • Higiene do sono (horas regulares, evitar eletrónicos antes de deitar, exposição a luz natural de manhã). O sono regulado melhora humor e resposta ao tratamento.

Alimentação de padrão mediterrânico

  • Dietas ricas em frutas, legumes, peixe, azeite, frutos secos associam-se a menor prevalência de depressão; estudos de intervenção (e.g. estudo SMILES) mostraram melhoria significativa quando a dieta foi modificada para um padrão saudável (Ex.: comer peixe gordo — fonte de ómega-3 — legumes, cereais integrais).

Estudo: Efficacy and safety of n-3 fatty acids supplementation on depression: a systematic review and dose–response meta-analysis of randomised controlled trials

Apoio social e psicoterapia

  • Terapias psicológicas (TCC, terapia interpessoal) têm forte evidência em depressão leve-moderada e são recomendadas como primeira linha nalguns casos; promoção de laços sociais reduz isolamento — um factor de risco conhecido.

Redução do stress e práticas mente-corpo

  • Mindfulness, meditação, yoga e técnicas de relaxamento têm benefício moderado e melhoram a resposta global e a resiliência.

Estudo: Effect of exercise for depression: systematic review and network meta-analysis of randomised controlled trials

Exposição solar / vitamina D

  • Baixos níveis de vitamina D estão associados a maior prevalência depressiva; corrigir défice pode ajudar alguns doentes (mas não é tratamento exclusivo). Testar níveis e suplementar conforme orientação clínica.

Integração numa estratégia prática (plano exemplo)

Objectivo: depressão leve a moderada, ou como complemento a tratamento médico.

  1. Avaliação inicial com médico/farmacêutico (avaliar medicação atual, risco suicida, comorbilidades, função renal).
  2. Exercício: iniciar com caminhada 20–30 min, 4–5×/semana; se possível juntar um grupo/caminhada coletiva para apoio social. (Evidência forte).
  3. Ómega-3: considerar suplemento com EPA-predominante (ex.: 1 g/dia de EPA ou 1–2 g/dia EPA+DHA com EPA≥60%) durante 8–12 semanas e avaliar resposta. Confirmar interações com medicação (ex.: anticoagulantes).
  4. Açafrão: opção para quem procura suplemento Botânico — 20–30 mg/dia de extrato padronizado por 6–8 semanas, com monitorização.
  5. Magnésio: otimizar ingestão alimentar; se suplementar, considerar 100–300 mg/dia (forma glicinato/citrato), não exceder 350 mg/dia de suplemento sem supervisão.
  6. Triptofano / 5-HTP: só com supervisão médica — risco de síndrome serotoninérgica se combinado com antidepressivos. Evitar automedicação.
  7. Implementar psicoterapia (TCC/interpessoal) e intervenções no sono; avaliar vitamina D e corrigir défices; incentivar dieta mediterrânea.

Concluindo com precauções importantes

  • Sempre consultar médico ou farmacêutico antes de iniciar suplementos, especialmente se estiver a tomar antidepressivos, anticoagulantes, ter doença renal ou outras medicações.
  • Suplementos não são regulamentados ao nível dos medicamentos, assim deve escolher marcas com testes de qualidade/terceira parte, solicitando apoio junto do seu farmacêutico de confiança.
  • Se houver ideação suicida, graves alterações funcionais ou depressão moderada/grave, procurar atenção médica urgente, não confiar apenas em medidas naturais.
  • Independentemente das medidas, suplementos ou medicamentos que tomar, há uma decisão só sua que é de relevante importância: Aceitar o que não pode mudar! Afastar-se de “pessoas tóxicas”, aquelas que nada acrescentam na sua vida… antes pelo contrário só “sugam” a sua energia, que tanta falta faz para conseguir uma vida melhor, com mais paz e tranquilidade.

Referências bibliográficas

  1. Meta-análise sobre ómega-3 e depressão (EPA-predominante; doses ≈1 g). PMC+1
  2. Revisões e ensaios clínicos sobre açafrão (Crocus sativus) na depressão; doses estudadas 20–30 mg/dia. PMC+1
  3. Revisão sobre triptofano e 5-HTP (e riscos/benefícios). PMC+1
  4. Meta-análises e revisões sobre magnésio e depressão; limites de suplemento (UL ≈350 mg/dia). PMC+1
  5. Revisão sistemática de exercício para depressão (inclui caminhada). bmj.com+1
  6. Alertas e revisões sobre síndrome serotoninérgica com suplementos que aumentam serotonina (relevante para 5-HTP/triptofano). PMC+1
  7. Saffron Uses, Benefits & Dosage
  8. 5-Hydroxytryptophan – an overview | ScienceDirect Topics
  9. Magnesium – Consumer

Sistema de Ativação Reticular poderoso filtro cerebral do bem e do mal

Sistema de ativação reticular (SAR em português ou RAS em inglês) afinal que influência tem na nossa vida? Quando os eventos negativos se sucedem na vida de alguém será sempre uma coincidência? Quando se interessa por um determinado modelo de automóvel e parece que de repente ele aparece em todo o lado, será coincidência? Quando tem um projeto positivo que começa a desenvolver e parece que, milagrosamente, alguns acontecimentos se alinham para atingir o seu objetivo, será coincidência? Será que existe uma estrutura no nosso cérebro que nos foca, de forma poderosa, não só nos nossos interesse e objetivos iluminantes, se formos conscientemente otimistas, mas também nos eventos negativos, se formos conscientemente pessimistas?

O sistema de ativação reticular (Reticular Activating System ou RAS em inglês) é uma estrutura no tronco cerebral que desempenha um papel crucial na regulação da vigília, estado de alerta e atenção. No fundo apresenta-nos essencialmente o que nos interessa seja negativo ou positivo, esbatendo o contexto para aumentar o nosso foco nesses interesses. Atua como um filtro para as informações sensoriais, permitindo que nos concentremos nos estímulos mais relevantes, ignorando o resto. O RAS tem um impacto significativo no nosso pensamento, perceção e comportamento geral, pois influencia a maneira como processamos e interpretamos o mundo ao nosso redor.

Neste artigo vou descrever:

  • Localização e função do Sistema de Ativação Reticular (SAR ou RAS);
  • Como funciona o RAS;
  • Impacto no pensamento e perceção;
  • Influência na formação do nosso pensamento;
  • Modulação da perceção da realidade;
  • Benefícios e problemas do RAS;
  • Como potenciar a nossa concentração;
  • Influência na perceção positiva e negativa da vida;
  • Como pode melhorar a nossa vida e relações pessoais;
  • Eliminar pensamentos sombrios, agressivos e ansiosos;
  • Referências científicas;
As cinco grandes mentiras sobre saúde
As cinco grandes mentiras sobre saúde

Sistema de ativação reticular localização e função

O SAR está localizado no tronco encefálico, especificamente na formação reticular, um grupo de núcleos que se estende desde a medula oblonga até o mesencéfalo. O sistema de ativação reticular (RAS) é uma rede de neurónios localizados no tronco cerebral que se projeta anteriormente ao hipotálamo para mediar o comportamento, bem como posteriormente ao tálamo e diretamente ao córtex para ativação de padrões de EEG (Eletroencefalograma) cortical dessincronizados.

Sistema de ativação reticular e a sua localização anatómica no cérebro humano
Sistema de ativação reticular localização anatómica no cérebro humano

O sistema de ativação reticular é um componente da formação reticular em cérebros de vertebrados localizados em todo o tronco cerebral. Entre o tronco cerebral e o córtex, vários circuitos neuronais contribuem para o RAS. Esses circuitos funcionam para permitir que o cérebro module entre ritmos lentos do sono e ritmos rápidos do sono, como visto no EEG. Assim, os núcleos que formam o RAS desempenham um papel significativo na coordenação do ciclo do sono e da vigília. Os agrupamentos de neurónios que juntos compõem o RAS são responsáveis pela atenção, excitação, modulação do tónus muscular e a capacidade de concentração.

O RAS recebe informações de vários sistemas sensoriais, incluindo visão, audição, tato e olfato, integrando essas informações para determinar o nível de excitação e atenção necessários. Envia sinais ao tálamo e ao córtex para ativar ou inibir o fluxo de informações, dependendo da situação.

Impacto no pensamento e perceção

O Sistema de Ativação Reticular desempenha um papel crucial na formação de nosso pensamento e perceção da realidade. Determina quais os estímulos a que prestamos atenção e o que ignoramos, com base nos nossos objetivos, necessidades e experiências passadas. Por exemplo, se estivermos com fome, o RAS torna prioritárias as informações sensoriais relacionadas com a comida e ignorará outros estímulos que não são relevantes para a nossa sobrevivência naquele momento.

O RAS também influencia o nosso humor e emoções, pois regula a libertação de neurotransmissores como dopamina, serotonina e norepinefrina. Esses neurotransmissores químicos afetam a nossa motivação, prazer e sensação geral de bem-estar, o que pode influenciar a nossa perceção do mundo ao nosso redor.

Benefícios e problemas do Sistema de Ativação Reticular

O RAS tem muitos benefícios, pois permite-nos focar a nossa atenção e conservar a energia mental ao filtrar informações irrelevantes. No entanto, também pode criar problemas, pois pode levar à atenção seletiva e viés, tendências ou preferências de confirmação, onde apenas notamos e lembramos informações que confirmam as nossas crenças e ignoramos informações que as contradizem.

Além disso, o RAS pode ser facilmente influenciado por fatores externos como stress, ansiedade, fadiga e drogas, que podem alterar a nossa perceção da realidade e prejudicar o nosso julgamento. Por exemplo, quando estamos nervosos, ansiosos ou deprimidos, o RAS torna-se mais sensível a estímulos negativos, o que pode levar a uma visão pessimista da vida e afetar o nosso relacionamento com os outros.

Influência na perceção positiva ou negativa

O RAS tem uma influência significativa na forma como percebemos o mundo ao nosso redor, pois filtra e prioriza as informações sensoriais com base nos nossos objetivos, necessidades e experiências passadas. Se tivermos uma mentalidade positiva e focarmos em oportunidades, novos projetos e soluções, o RAS dará prioridade a estímulos que sustentem essa perspetiva, levando a uma atitude mais otimista, inovadora e proativa.

Por outro lado, se tivermos uma mentalidade negativa e focarmos nos problemas e limitações, o RAS priorizará estímulos que confirmem essa perspetiva, levando a uma atitude mais pessimista e reativa. Portanto, é crucial cultivar, de forma consciente, uma mentalidade positiva, com abertura para aceitar visões com outros quadros de referência que não só o nosso ponto de vista, desenvolvendo hábitos saudáveis ​​que apoiem o nosso bem-estar, saúde e melhorem a nossa perceção da realidade.

Melhorar a nossa vida e relações pessoais

Compreender o RAS e o seu impacto no nosso pensamento e perceção pode ajudar-nos a melhorar as nossas vidas e relacionamentos com os outros. Ao aprender a focar a nossa atenção no positivo e desenvolver hábitos saudáveis ​​que apoiem o bem-estar, podemos treinar o nosso RAS para priorizar estímulos que melhorem a nossa sensação de felicidade e realização.

Além disso, ao conhecer o RAS e os seus possíveis vieses ou tendências, podemos ter a mente mais aberta e curiosa, cultivando o interesse por novas experiências e perspetivas que desafiem as nossas crenças e expandam horizontes. Isso pode levar a relacionamentos mais significativos e ricos, do ponto de vista emocional, com os outros e a uma apreciação mais profunda da complexidade e diversidade do mundo ao nosso redor.

Concluindo

Quando temos pensamentos negativos, pessimistas, sombrios, reativos, agressivos e ansiosos, de forma permanente, conquistar um caminho mais positivo é possível mas não é fácil! Tem de ser feito de forma consciente e disciplinada durante muitos meses, por vezes anos, aceitando o que não se pode mudar, controlando a nossa agressividade e reatividade, procurando sempre pontos e emoções positivas que possam, de alguma forma, esbater os pensamentos que queremos eliminar, porque pensamentos são apenas isso, pensamentos, não têm existência física, terão sempre a importância que lhes queremos dar e devem ser controlados, por exemplo com meditação, quando nos fazem reféns duma vida sombria.

Se é daqueles que considera que a meditação não faz nada, desengane-se, a ciência acerca da eficácia da meditação é muito robusta e fiável mas necessita de a fazer corretamente, à sua medida, no seu tempo e nunca desvalorizar o seu poder!

Leia também: Melhor saúde mental e física, estratégias de apoio comprovadas pela ciência

Referências científicas:

  1. Neuroanatomy, Reticular Activating System
  2. The reticular activating system: a narrative review of discovery, evolving understanding, and relevance to current formulations of brain death
  3. Differences in the thalamocortical tract of the ascending reticular activating system in disorders of consciousness after hypoxic-ischemic brain injury: A pilot study
  4. Trigeminal, Visceral and Vestibular Inputs May Improve Cognitive Functions by Acting through the Locus Coeruleus and the Ascending Reticular Activating System: A New Hypothesis
  5. Steriade, M., McCormick, D. A., & Sejnowski, T. J. (1993). Thalamocortical oscillations in the sleeping and aroused brain
  6. Moruzzi, G., & Magoun, H. W. (1949). Brain stem reticular formation and activation of the EEG. Electroencephalography and clinical neurophysiology, 1(4), 455-473.
  7. Steriade, M., Datta, S., Pare, D., Oakson, G., & Curro Dossi, R. C. (1990). Neuronal activities in brain-stem cholinergic nuclei related to tonic activation processes in thalamocortical systems. The Journal of Neuroscience, 10(8), 2541-2559.
  8. Foote, S. L., & Morrison, J. F. (1987). Extrathalamic modulation of cortical function. Annual review of neuroscience, 10(1), 67-95.
  9. Iwamoto, E. T., & Jordan, L. M. (1987). Reticulospinal projections to spinal motor nuclei: ultrastructure and synaptic organization of functionally identified and intracellularly labeled neurons in the bullfrog. Journal of Comparative Neurology, 259(3), 381-401.
  10. Steriade, M., & McCarley, R. W. (2005). Brain control of wakefulness and sleep. Springer Science & Business Media.
  11. Siegel, J. M. (2005). Clues to the functions of mammalian sleep. Nature, 437(7063), 1264-1271.

Pílula contracetiva e medicamentos perigosos

Pílula contracetiva ou anticoncecional afinal o que corta o efeito da pilula? Será que os chás e o álcool cortam o efeito da pílula? E se tiver vómitos e diarreia, o que acontece? E os lapsos de memória na toma da pílula? Quais os medicamentos perigosos que podem alterar a eficácia da pílula? Saiba tudo e evite surpresas pois em princípio… os bebés serão mais felizes se forem desejados 🙂

Contracepção e medicamentos

Diversos medicamentos diminuem a eficácia da pílula contraceptiva sendo alguns antibióticos os mais conhecidos. Se o seu médico ou farmacêutico confirmar que esse medicamento corta o efeito da pílula contraceptiva, deve tomar precauções adicionais, continuando a tomar a pílula anticoncepcional como habitualmente nas seguintes situações:

  • 1ª ou 2ª semana da toma da pílula – Se iniciou ou terminou o medicamento durante 1ª ou 2ª semana de toma da pílula, deve utilizar proteção adicional durante todo o tratamento e 7 dias após ter terminado. A toma da pílula mantém-se como normalmente;
  • 3ª semana da toma da pílula – Se iniciou ou terminou a toma do medicamento durante a 3ª semana da toma da pílula, deve continuar a toma da pílula e fazer a habitual pausa para lhe aparecer o período menstrual.  É essencial utilizar uma proteção complementar até chegar ao 7.° comprimido da próxima carteira da pílula.

Parece não existir evidência científica de que a generalidade dos antibióticos corta o efeito da pílula anticoncepcional , exceto no caso dos indutores de enzimas, como a rimfapicina.

Aparentemente os antibióticos não indutores, não interferem com a ação contracetiva da pílula. No entanto, por vezes, estes alteram a flora intestinal e, ao causar diarreia próxima da hora de tomar a pílula contracetiva, o efeito contracetivo pode ficar diminuindo.

As cinco grandes mentiras sobre saúde
As cinco grandes mentiras sobre saúde

Antibióticos

É aconselhável a utilização de métodos contracetivos adicionais aos da pílula na toma dos seguintes antibióticos:

  • Penicilinas (Ex: Amoxicilina, ampicilina);
  • Rifampicina;
  • Tetraciclinas (Ex: Oxitretraciclina, doxiciclina, minociclina).

Existem diversos antibióticos que parecem não interferir com a eficácia da pílula contracetiva, a saber:

  • Azitromicina;
  • Claritromicina;
  • Clindamicina;
  • Ciprofloxacina;
  • Doxiciclina;
  • Fosfomicina;
  • Levofloxacina;
  • Metronidazol;
  • Nitrofurantoína;
  • Norfloxacina;
  • Ofloxacina.

Antifungicos

A Griseofulvina é um dos antifungicos mais descritos como responsável pelo aumento do risco de gravidez quando a mulher toma a pílula. No entanto é já pouco utilizado nos tratamentos mais actuais.

Itraconazol

O itraconazol é um antifungico muito usado no tratamento de infeções fungicas nomeadamente:

  • Pés (tinha dos pés),
  • Mãos (tinha das mãos),
  • Pernas (tinha das pernas)
  • Erupções fungicas em forma de farelo, uma doença fúngica cutânea com manchas amarelas (Pitiríase versicolor),
  • Unhas (onicomicoses),
  • Boca (candidíase oral),
  • Orgãos reprodutivos femininos (candidíase vulvovaginal).

Segundo a literatura incluída nas embalagens de itraconazol à venda nas Farmácias, as mulheres com potencial para engravidar têm de utilizar métodos contraceptivos eficazes até ao próximo período menstrual (hemorragia menstrual) após a conclusão do tratamento.

Fluconazol

O fluconazol é um dos antifungicos mais usados actualmente. A sua literatura descreve que pode interagir com os contracetivos mas não é clara quanto ao risco de cortar o efeito da pílula ou seja não há segurança suficiente para afirmar que é 100% seguro tomar a pílula simultaneamente com o fluconazol.

Neste caso a mulher deve usar medidas suplementares de contracepção, até ao ciclo menstrual seguinte após terminar o tratamento antifúngico.

Anti-inflamatórios

Se está a tomar algum anti-inflamatório, pode estar descansada, pois nenhum destes componentes corta o efeito da pílula contraceptiva, pelo que não necessita cuidados adicionais. Alguns dos anti-inflamatórios mais utilizados são:

  • Ibuprofeno (Ex: Brufen, Trifene)
  • Diclofenac (Ex: Voltaren)
  • Nimesulide (Ex: Nimed, Aulin)
  • Naproxeno (Ex: Naprosyn)

Paracetamol

O paracetamol é um dos analgésicos mais utilizados no mundo, para mitigar sintomas de dores moderadas e febre, não tendo ação anti-inflamatória. É seguro ulilizar com a pílula contracetiva.

Esquecimento inferior a 12 horas

Uma das maiores desvantagens da pílula anticoncepcional é a necessidade da sua toma diária, fazendo do esquecimento da mesma algo bastante frequente. No entanto, caso o esquecimento da toma da pílula não seja superior a 12 horas, a eficácia da pílula mantém-se.

Mesmo assim, é importante tomar o comprimido assim que se lembrar, continuando a tomar a pílula anticoncepcional como habitualmente. Um lapso nesta situação não coloca em causa a eficácia da mesma, independentemente da semana em que ocorra o esquecimento.

Esquecimento superior a 24 horas

No caso do esquecimento ser de mais de um comprimido e a falta da toma da pílula ultrapasse as 24 horas, há medidas de prevenção a considerar, a saber:

  • Uso de preservativo
  • Pílula do dia seguinte.

Em caso de dúvida, pode sempre consultar o seu médico, de forma a avaliar a hipótese de uma possível gravidez.

Vómitos até 4 horas após a toma

O vómito só corta o efeito da pílula se ocorrer nas 3 a 4 horas seguintes à toma. Assim, caso vomite no intervalo que compreenda as 4 horas seguintes à toma da pílula, deverá tomar outro comprimido, pois o princípio ativo do comprimido não é totalmente absorvido pelo organismo.

Se os vómitos ocorrerem mais de 4 horas depois da toma da pílula anticoncepcional, não será necessário tomar qualquer precaução complementar, uma vez que esta já foi absorvida pelo organismo, não comprometendo assim o efeito contracetivo.

Diarreia até 4 horas após a toma

Diarreias líquidas e frequentes podem cortar o efeito da pílula. neste cenário deve tomar nova pílula, à semelhança do que acontece com os vómitos. Estudos comprovam que a pílula demora cerca de 4 horas para ser totalmente absorvida e, por isso, o seu efeito pode ficar comprometido se ocorrer um episódio de diarreia intensa e constante durante este período.

A toma do novo comprimido deve ser efetuado o quanto antes, até 12 horas a seguir à hora habitual da pílula. Uma vez mais, quanto mais tarde tomar, menor eficácia tem a pílula. Esta toma deve ser efetuada o quanto antes (até 12 horas a seguir à hora habitual de toma).

Bebidas alcoólicas

Esta é outra situação que deve ser analisada cuidadosamente. Isto é, não é por beber uma cerveja ou mesmo uma caipirinha que vai colocar em causa a eficácia da pílula. Mas a verdade é que, ao beber álcool em excesso, aumenta as probabilidades de ficar mal-disposta e de vomitar, colocando assim em causa o efeito da pílula.

Por outro lado, como a pílula deve ser tomada sempre à mesma hora, é provável que se possa atrasar na toma da mesma ou, então, esquecer-se mesmo de a tomar.

Chá de hipericão (Erva de São João)

Outro produto que corta o efeito da pílula é o chá de hipericão, também conhecido por erva-de-são-joão. Apesar das suas vastas propriedades como tratamento de depressões, efeito analgésico e antissético, facilitador da digestão, entre outros, este chá e produtos derivados da planta, devem ser consumidos com alguma precaução e moderação.

A verdade é que já foi comprovado que este chá e os seus derivados podem interferir com contracetivos e outros medicamentos, como, por exemplo, os retrovirais.

O alerta surgiu da agência de regulamentação de medicamentos sueca, quando duas mulheres que usavam produtos de ervanária contendo hipericão, engravidaram sem o desejarem. No caso, os produtos em questão eram suplementos nutricionais para tratar depressões leves.

Doenças intestinais

A pílula é principalmente absorvida nas paredes do intestino delgado. Assim, mulheres que apresentam algumas doenças intestinais como a Doença de Crohn, reticolite ulcerativa ou outras patologias intestinais inflamatórias, ou ainda que tenham realizado cirurgia bariátrica e implante de bypass jejunoileal tem maior probabilidade de engravidar, mesmo usando a pílula anticoncepcional.

Isso acontece porque, nestes casos, a absorção do medicamento pelo intestino delgado é prejudicada, e consequentemente, o efeito da pílula anticoncepcional é reduzido.

Pílula 30 respostas essenciais

Existem inúmeras questões sobre o uso da pílula contracetiva que nem sempre são respondidas de forma correcta.

Assim clique aqui ou na imagem seguinte para ler tudo o que necessita saber sobre a pílula.

Referências bibliográficas:

Sinusite crónica alérgica ou bacteriana qual o melhor tratamento


Sinusite crónica, alérgica, aguda ou bacteriana, tratamento sintomas e toda a verdade! A sinusite pode ser mais grave do que pensa! Quais os sinais? Quais as causas? Qual o tratamento mais eficaz? Como evitar? Com o apoio da informação disponibilizada pela Fundação Portuguesa do Pulmão, este artigo pretende ser um importante contributo para melhorar a qualidade de vida de imensas pessoas que sofrem de sinusite e também alertar todas as outras que ainda estão a tempo de a evitar!

Neste artigo vou responder ás seguintes questões:

  • O que é a sinusite?
  • O que são os seios perinasais?
  • Qual a função dos seios perinasais?
  • Quais os tipos de sinusite?
  • Quais as causas?
  • Qual a diferença entre sinusite aguda e crónica?
  • Quais os sinais e sintomas?
  • A dor é frequente?
  • Porque pode ser grave a sinusite?
  • Quando deve pedir apoio médico urgente?
  • Como se faz o diagnóstico?
  • Qual o tratamento mais eficaz?
  • Quais os medicamentos mais usados?
  • Devemos usar descongestionantes ou corticoides para desobstruir o nariz?
  • Os anti-histamínicos são eficazes?
  • Quais os antibióticos mais usados quando existe infeção?
  • A cirurgia pode ser necessária?
  • A sinusite tem cura?
  • Como evitar a sinusite?

As cinco grandes mentiras sobre saúde
As cinco grandes mentiras sobre saúde

Sinusite o que é?

A sinusite é uma inflamação dos seios perinasais geralmente associada a um processo infecioso que pode ser originado por vírus, bactérias ou fungos. É, nos dias de hoje, uma das doenças mais frequentes da humanidade, mais geradora de consultas médicas, mais consumidora de antibióticos e pode interferir na qualidade de vida e no desempenho profissional e social.

Seios perinasais ou paranasais

Os seios perinasais ou paranasais são cavidades arejadas, forradas por uma membrana mucosa idêntica à das fossas nasais, que existem nos ossos da cara que rodeiam o nariz e que comunicam através de pequenos orifícios com as fossas nasais. Os diversos seios perinasais adquirem o nome dos ossos em que estão localizados. Assim existem os seguintes 4 tipos de seios nasais:

    • Frontais,
    • Etmoidais,
    • Maxilares,
    • Esfenoidais.

Seios perinasais melhorsaude.org

Seios nasais qual a função?

Os seios nasais desempenham várias funções, entre elas:

  • Humidificação e aquecimento do ar respirado pelo nariz.
  • Aumento da ressonância da voz.
  • Equilíbrio das pressões intracranianas quando há variações na pressão atmosférica (mergulhos, viagens de avião ou subidas a grandes altitudes).
  • Secreção de muco para proteção das vias aéreas superiores.
  • Absorção de impacto em casos de trauma (materiais ocos absorvem mais impacto do que materiais maciços).

Os seios perinasais são bilaterais e simétricos, ligam-se à cavidade nasal por pequenos orifícios por onde é drenado o muco produzido. Quadros de alergia ou gripe, por exemplo, causam edema da mucosa nasal e aumento das secreções, obstruindo facilmente a drenagem dos seios da face. A impossibilidade de escoar o muco produzido leva à congestão dos seios perinasais e, consequentemente, à sinusite.

O termo rinossinusite (rinite+sinusite) é tecnicamente mais correto que apenas sinusite, pois realça a inflamação simultânea da mucosa nasal e dos seios perinasais.

Tipos de sinusite

A sinusite pode afetar qualquer um dos 4 seios perinasais, podendo ser bilateral ou unilateral.

A sinusite por ser classificada em:

  • Aguda – quando os sintomas duram menos de 4 semanas;
  • Sub aguda – quando os sintomas duram entre 4 a 12 semanas;
  • Crónica – quando os sintomas duram mais que 12 semanas;
  • Recorrente – quando há 4 ou mais episódios de sinusite durante o ano.

A grande maioria das sinusites agudas são de origem viral ou alérgica, porém, a obstrução e acumulação, sem drenagem,  do muco nos seios favorece a proliferação de bactérias, podendo levar à sinusite bacteriana. Neste cenário o doente pode ter um quadro inicial de sinusite alérgica que, após contaminação com bactérias das vias respiratórias, se transforma num quadro de sinusite bacteriana que pode ser muito grave. As sinusites bacterianas que não são completamente curadas podem progredir para o quadro de sinusite crónica.

Sinusite aguda e crónica qual a diferença?

Há duas perspetivas. Na primeira, a temporal, diz-se que uma sinusite é aguda quando a sua duração se situa entre uma e quatro semanas; subaguda quando a sua duração se situa entre as quatro semanas e os três meses; crónica quando a sua duração vai para além dos três meses.

Porém, para além desta perspetiva simplista e temporal, há uma outra que tem a ver com a funcionalidade da mucosa nasal:

  • Após um episódio de sinusite aguda a funcionalidade da mucosa do nariz e dos seios perinasais é recuperada em pouco tempo, podemos considerar que na sinusite crónica essa funcionalidade pode estar definitivamente comprometida, originando que o doente apresente uma maior fragilidade e que os episódios recorrentes de sinusite aguda sejam mais frequentes.

Causas

Há várias causas por detrás de uma sinusite mas, todas elas têm como ponto comum uma deficiente drenagem das secreções nasais que, após se acumularem originam um foco infecioso.

A alergia respiratória é uma causa importante e frequente porque a mucosa intumescida pela inflamação alérgica pode dificultar a drenagem dos seios perinasais e provocar a sua infeção. Nesta perspetiva, os principais agentes agressores são:

    • Pó doméstico,
    • Pólenes,
    • Pelos dos animais.

Porém, podemos ter sinusites provocadas diversas outras causas, tais como:

    • Infeções que afetam as vias aéreas, como a gripe e outras viroses respiratórias;
    • Más condições climáticas associadas ao frio e humidade, geradoras de uma resposta inflamatória da mucosa respiratória;
    • Traumatismos do nariz, com particular destaque para as mudanças bruscas de pressão associadas ao voo ou ao mergulho (causa cada vez mais frequente);
    • Poluição atmosférica, sobretudo a poluição automóvel e o tabagismo;
    • Má higiene nasal, por exemplo, naquelas pessoas que nunca se assoam ou têm o hábito de colocar os dedos dentro do nariz transportando, assim, para o seu interior os microrganismos neles existentes;
    • Má formação das cavidades nasais, com um particular destaque para os desvios do septo nasal.

Sintomas

A sinusite tem uma expressão por vezes algo enigmática ou seja há sinusites muito extensas que têm pouca expressão clínica e, no polo oposto, há sinusites mínimas que afetam muito significativamente os doentes. Os principais sintomas são:

    • Obstrução nasal (nariz entupido),
    • Secreções nasais espessas e com pus (de cor amarela, verde ou castanha),
    • Dores de cabeça e/ou nos ossos da face, muitas vezes associadas a febre.

No entanto o leque de sintomas pode ser mais amplo, sendo habitual a existência de:

  • Diminuição ou perda do olfato,
  • Mau hálito,
  • Tosse reflexa à escorrência das secreções nasais pela faringe,
  • Tosse noturna,
  • Dor nos ouvidos e nos dentes do maxilar superior,
  • Dor à volta dos olhos.
  • Ouvido entupido,
  • Sensação de pressão quando baixa a cabeça,
  • Mal-estar,
  • Cansaço.

A maioria dos casos de sinusite viral ou alérgica melhora espontaneamente dentro de 10 dias. Sinusites bacterianas leves também podem ser autolimitadas, mas nos casos mais sintomáticos, com febre alta e coriza purulenta, a cura geralmente só vem com o tratamento antibiótico.

Estas queixas, mais acentuadas nas formas agudas, podem permanecer por longos períodos, naqueles doentes em que, por falta de uma abordagem adequada, a doença evoluiu para o estádio de cronicidade.

Dor é frequente?

É comum a presença de dor quando fazemos pressão com os dedos sobre os seios nasais, principalmente nos seios frontais e maxilares, que são os mais superficiais.

A dor é um sintoma tão frequente que é vulgarmente aceite que não há sinusite sem dor. Apesar de poder ter diversas tonalidades a dor da sinusite reflete a localização dos seios perinasais atingidos. Assim a dor pode localizar-se nos seguintes locais:

    • Na fronte em caso de sinusite frontal;
    • Por trás e entre os olhos na sinusite etmoidal e
    • Nas maçãs do rosto e dentes superiores nos casos das sinusites maxilares.

Já no caso da sinusite esfenoidal a dor é muitas vezes mais difusa e referida à parte frontal ou posterior da cabeça.

Gravidade

Sendo uma doença incómoda, na grande maioria dos casos ela é uma doença curável, sendo raras as complicações graves. No entanto algumas podem ser muito graves, tais como:

    • Meningite –  infeção das meninges,
    • Infeção dos olhos,
    • Abcesso cerebral,
    • Otite,
    • Labirintite,
    • Osteíte – infeção dos ossos da cara,
    • Celulite – infeção dos tecidos moles da face,
    • Septicémia – infeção generalizada a todo o organismo.

Apoio médico urgente, quando?

Como os seios da face apresentam íntima relação com órgãos nobres, como olhos, ouvidos e cérebro, a sinusite bacteriana pode levar a complicações graves. Portanto, é importante procurar consulta médica sempre que, associados à sinusite, existirem os seguintes sintomas:

  • Febre acima de 39ºC.
  • Edema ou vermelhidão na face.
  • Edema e vermelhidão em volta dos olhos.
  • Visão dupla ou qualquer outra alteração visual.
  • Confusão mental.
  • Dor de cabeça muito intensa.
  • Rigidez de nuca.
  • Prostração intensa.

A sinusite bacteriana, apesar de apresentar uma taxa de mortalidade baixa, é uma infeção que não deve ser negligenciada, principalmente quando existem os sinais descritos acima.

Diagnóstico

Suspeita-se da existência de uma sinusite perante um doente que apresente uma situação clínica com as características acima apontadas. A confirmação é feita através de exames radiológicos – a tomografia computorizada – que define com precisão o estado de cada um dos seios perinasais (frontal, maxilares, etmoidal e esfenoidal) e pode evidenciar a existência de eventuais fatores coadjuvantes, como pólipos ou desvios do septo nasal.

Tratamento mais eficaz

O tratamento desta doença requer uma abordagem especializada, na qual se definem com muita precisão três objetivos principais:

    • Reduzir a inflamação,
    • Promover uma adequada drenagem das secreções nasais,
    • Tratar a infeção.

Para conseguir estes objetivos é importante que o doente beba líquidos, no sentido de manter as secreções o mais fluídas possível. Recomenda-se, também:

    • Lavagem das fossas nasais com solutos salinos (soro fisiológico ou água do mar esterilizada) ou água termal,
    • Medicamentos fluidificantes do muco nasal,
    • Descongestionantes nasais, estes, por períodos não superiores a cinco dias já que são produtos tóxicos para a mucosa nasal.

A infeção trata-se com antibióticos por períodos que oscilam entre os sete e os catorze dias nas sinusites agudas, e que se podem estender até às quatro semanas nas sinusites crónicas. É fundamental que não se interrompa o antibiótico antes do tempo prescrito pelo médico, como forma de prevenir eventuais recidivas e tendo em vista impedir o aparecimento de resistência por parte dos microrganismos infetantes.

Medicamentos  mais usados

Na congestão nasal é essencial diminuir o inchaço e inflamação da mucosa nasal sendo os corticoides nasais, provavelmente, os mais eficazes e menos agressivos, tais como:

    • Budesonida 32µg ou 64µg (Pulmicort® nasal aqua);
    • Mometasona 50µg (Nasomet®);
    • Fluticasona 50µg (Flonase®).

Estes corticoides são de prescrição médica obrigatória e não podem ser comprados livremente nas Farmácias como acontece com diversos descongestionantes nasais. Esta situação justifica-se pela probabilidade mais elevada de efeitos secundários sistémicos com os corticoides, embora as formulações farmacêuticas para inalação sejam cada vez mais seguras e com poucos efeitos adversos relevantes, pois têm um baixo grau de absorção sistémica.

Descongestionantes nasais ou corticoides?

Quais os mais eficazes ou adequados?

Os corticoides nasais podem ser utilizados em tratamentos mais prolongados, porque em geral, são menos agressivos para a mucosa nasal (nomeadamente os cílios nasais), embora com mais efeitos secundários sistémicos que os descongestionantes nasais.

Por sua vez os descongestionantes são a melhor escolha em situações agudas até 3 dias de tratamento. A partir daí não devem ser usados, sem conselho médico, por causa da probabilidade acrescida de paralisarem os cílios nasais (pelos do nariz) que ajudam a expulsar as mucosidades nasais para o exterior. Se estes “pelos” estiverem paralisados aumenta a acumulação de secreções no interior do nariz e portanto a congestão nasal piora!

Alguns dos descongestionantes nasais mais utilizados são:

    • Fenilefrina (Neo-sinefrina®, Vibrocil®)
    • Xilometazolina (Vibrocil actilong®)
    • Oximetazolina (Nasorhinathiol®, Nasex®)

Anti-histamínicos são eficazes?

A utilização de anti-histamínicos só é geralmente eficaz quando existe uma causa alérgica para a congestão nasal. Nestes casos sim a utilização de um anti-histamínico sistémico ou local pode ser útil.

Existem associações de descongestionantes com anti-histamínicos locais, por exemplo:

  • Fenilefrina + dimetindeno ( Vibrocil® gotas nasais)

Os anti-histamicos sistémicos mais usados são:

  • Desloratadina (Aerius®);
  • Bilastina(Lergonix®, Bilaxten®)
  • Ebastina (Kestine®);
  • Cetirizina (Zyrtec®);
  • Pseudoefedrina (Actifed®)
  • Levocetirizina;
  • Loratadina;

Antibióticos mais usados se existe infecção

Os antibióticos apenas devem ser usados quando o médico tem a certeza que existe já um foco infecioso ou que a probabilidade de isso acontecer é muito elevada. Nestes casos os antibióticos mais usados são:

  • Amoxicilina com ácido clavulânico;
  • Levofloxacina;
  • Moxifloxacina;
  • Claritromicina;
  • Azitromicina.

Fármacos mais eficazes para drenar os seios nasais

A drenagem eficaz depende sobretudo de desobstruir os óstios dos seios perinasais e reduzir a inflamação da mucosa.

Corticosteróides intranasais (os mais eficazes)

🔹 Primeira linha na sinusite inflamatória, aguda ou crónica

Exemplos:

  • Mometasona
  • Fluticasona
  • Budesonida
  • Beclometasona

Benefícios:

  • Reduzem edema da mucosa
  • Abrem os óstios sinusais
  • Melhoram a drenagem fisiológica
  • Diminuem dor, pressão facial e congestão

São claramente superiores aos mucolíticos para drenagem real dos seios.


Lavagens nasais com solução salina (fundamentais)

🔹 Muitas vezes subvalorizadas, mas essenciais

Preferencialmente:

  • Solução hipertónica (2–3%)

  • Grande volume (ex.: rhinodouche)

Efeitos:

  • Remoção mecânica de secreções

  • Redução da carga inflamatória e microbiana

  • Melhoria da eficácia dos sprays corticoides

👉 Em termos de custo-benefício, são das medidas mais eficazes e seguras.


Descongestionantes nasais (uso curto)

Exemplos:

  • Oximetazolina
  • Xilometazolina

Efeito:

  • Vasoconstrição → redução rápida do edema
  • Alívio imediato da obstrução

⚠️ Limitações importantes:

  • Usar máximo 3–5 dias
  • Risco de rinite medicamentosa
  • Não indicados para uso prolongado

👉 Úteis em fases muito congestionadas, mas não devem ser base do tratamento.


Antihistamínicos (se houver componente alérgica)

Indicados quando a sinusite está associada a:

  • Rinite alérgica
  • Prurido, espirros, rinorreia clara

Preferência:

  • Antihistamínicos de 2.ª geração (loratadina, desloratadina, cetirizina)

📌 Não são mucolíticos nem drenantes diretos, mas reduzem produção de muco em contexto alérgico.


Antibióticos (apenas quando indicados)

🔹 Só em sinusite bacteriana comprovada ou fortemente suspeita:

  • Sintomas > 10 dias sem melhoria
  • Febre elevada
  • Dor facial intensa unilateral
  • Secreção purulenta persistente

👉 O antibiótico não drena secreções por si só; precisa sempre de medidas associadas.


Onde a acetilcisteína se encaixa na prática clínica

A acetilcisteína pode ser:
✔ Complementar aos corticoides intranasais
✔ Útil em doentes com secreções muito espessas
✔ Interessante em associação a lavagens nasais

Não substitui:

  • Corticoides intranasais
  • Lavagens salinas
  • Correção da inflamação da mucosa

Resumo prático

Objetivo Melhor opção
Abrir óstios sinusais Corticoide intranasal
Reduzir inflamação Corticoide intranasal
Remover secreções Lavagens salinas
Fluidificar muco Acetilcisteína (adjuvante)
Alívio rápido Descongestionante nasal (curto prazo)

Cirurgia pode ser necessária?

O tratamento da sinusite é, em princípio, um tratamento médico, sem intervenção cirúrgica. Porém, em algumas situações deve recorrer-se à cirurgia. É o caso das sinusites em que o tratamento médico, adequadamente realizado, não se revela satisfatório (ineficácia dos antibióticos) e naqueles casos em que há obstáculos mecânicos que o tratamento médico não consegue resolver, tais como:

    • Sinusites associadas a significativos desvios do septo nasal,
    • Pólipos,
    • Quistos volumosos.

Sinusite tem cura?

No caso das sinusites agudas a resposta é claramente afirmativa, obtendo-se a cura no espaço de uma duas semanas quando o tratamento é o adequado e o doente cumpridor. Na sinusite crónica a resposta não é tão clara. A passagem ao estado de cronicidade provoca alguma deterioração nos mecanismos de defesa da mucosa dos seios perinasais. Assim, é de prever que o doente passe a apresentar maior fragilidade e tenha tendência a sofrer de episódios de inflamação/infeção sinusal com maior frequência.

Prevenção

A prevenção da sinusite, tal como em qualquer outra doença, é o objetivo essencial. Na prevenção das sinusites entram um conjunto enorme de fatores que se integram no que chamamos a “higiene nasal”, tais como:

    • Evitar todas as formas de poluição atmosférica,
    • Não contactar com substâncias que provocam resposta inflamatória alérgica do nariz,
    • Não colocar os dedos nem objetos estranhos no nariz,
    • Evitar ambientes em que a qualidade física do ar esteja fora dos padrões de qualidade (ar muito frio e húmido e ar muito seco),
    • Assoar-se com regularidade,
    • Controlar os episódios de rinite alérgica.

O controlo da doença base é uma etapa obrigatória na prevenção das sinusites. Por exemplo, o não controlo das alergias nasais (rinite alérgica) associa-se a um maior número de episódios de sinusite.

Apesar de não haver uma evidência científica que torne indiscutível o seu aconselhamento formal na sinusite, alguns doentes têm grandes resultados com os tratamentos termais, sobretudo nas sinusites crónicas, e com os medicamentos estimulantes da imunidade – os imunomoduladores.

Relativamente aos primeiros, temos um país riquíssimo em águas termais, estando referenciados trinta e sete estabelecimentos termais, a maioria no norte, com águas consideradas adequadas ao tratamento desta doença.

Os tratamentos com imunomoduladores, mais conhecidos por “vacinas” visam aumentar a imunidade dos doentes no que diz respeito aos agentes bacterianos, tornando-os assim mais resistentes às infeções. Não esquecer também, em determinados grupos de risco a vacinação antigripal anual.

Concluindo

Evitar as complicações da sinusite está ao alcance da imensa maioria dos doentes desde que devidamente informados sobre as regra básicas de higiene nasal que devem ter. Não são regras complicadas exigindo apenas alguma disciplina e vontade séria de evitar a doença que, muitas vezes é encarada apenas como “incómoda”, por não estarem cientes da gravidade que pode apresentar quando evolui sem controlo! Relembro apenas que, em casos extremos de infeção dos seios nasais, pode provocar doenças tão graves como meningite e septicémia! Por favor não se descuide!

Fique bem!

Franklim Fernandes

Referências

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Colina, dieta à base de plantas e saúde mental: O que diz a ciência?

Colina qual a sua importância? Os transtornos de ansiedade (TA), incluindo o transtorno de ansiedade generalizada (TAG), o transtorno do pânico (TP) e o transtorno de ansiedade social (TAS), são doenças comuns e debilitantes que afetam cerca de 30% dos adultos nos Estados Unidos em algum momento de suas vidas, tornando-se a categoria mais comum de doença mental.

Dietas vegetarianas e especialmente veganas apresentam maior risco de ingestão insuficiente de colina, uma vez que os alimentos mais ricos são de origem animal. Esta insuficiência pode ter implicações acrescidas em populações suscetíveis a perturbações emocionais.

A colina é um nutriente essencial envolvido em múltiplos processos fisiológicos humanos, incluindo:

  • Síntese de acetilcolina, neurotransmissor crucial para memória, atenção e regulação emocional [1].
  • Integridade das membranas neuronais, através da fosfatidilcolina e esfingomielina [2].
  • Metabolismo hepático e transporte lipídico [3].
  • Metilação, influenciando a expressão génica e a síntese de neurotransmissores associados ao humor, como dopamina e serotonina [4].

Níveis insuficientes de colina podem comprometer a função neuronal e alterar a bioquímica cerebral, potenciando fenómenos associados à ansiedade, depressão e disfunções cognitivas.

Um estudo de referência publicado em 2025 na Nature Molecular Psychiatry concluiu que indivíduos com transtornos de ansiedade apresentam reduções transdiagnósticas de compostos corticais contendo colina, avaliados por espectroscopia de ressonância magnética de prótons (1H-MRS) [5]. Esta redução sugere alterações estruturais e funcionais nas membranas neuronais, traduzindo vulnerabilidade neurobiológica.

Este artigo pretende ser uma ferramenta de apoio para elaborar uma dieta equilibrada, sem carências, qualquer que seja o tipo de alimentação que escolhes para a tua vida. O importante é a tua tomada de decisão baseada em evidência científica credível e atualizada.

Se consideras este artigo importante por favor partilha para que possa ajudar o maior número de pessoas possível e compra o livro “As cinco grandes mentiras sobre saúde” como uma forma de apoiar a sustentabilidade deste blog. Grato 🙂

As cinco grandes mentiras sobre saúde
As cinco grandes mentiras sobre saúde

Índice

  1. O que é a colina e porque é essencial
  2. Fontes alimentares ricas em colina
  3. Carência de colina em vegetarianos e vegans
  4. Colina e saúde cerebral
  5. Relação entre níveis baixos de colina e ansiedade
  6. Metanálise 2025 (Nature Molecular Psychiatry): principais resultados
  7. Colina e depressão: o que diz a evidência
  8. Recomendações diárias e segurança da suplementação
  9. Tabelas e gráficos de apoio
  10. Conclusão
  11. Referências bibliográficas (NP 405-1 / Vancouver)

O que é a colina e porque é essencial

A colina é um nutriente hidrossolúvel classificado como “essencial” desde 1998, quando se demonstrou que o organismo humano não a produz em quantidades adequadas [3].

Funções principais:

  • Precursor da acetilcolina, neurotransmissor do humor e cognição [1].
  • Componente estrutural da fosfatidilcolina, essencial para membranas neuronais [2].
  • Cofator na metilação, regulando expressão génica e equilíbrio neuroquímico [4].

Défices de colina podem levar a alterações hepáticas, declínio cognitivo, fadiga, humor deprimido e vulnerabilidade à ansiedade.


Classificação bioquímica e nutricional

A colina não é uma proteína, nem um hidrato de carbono, nem uma gordura. Mais precisamente, é um composto orgânico hidrossolúvel, estruturalmente semelhante às vitaminas do complexo B, razão pela qual é frequentemente incluída nesta “família funcional” embora tecnicamente não seja uma vitamina.

Classificação bioquímica:

  • É uma amina quaternária: N+(CH₃)₃–CH₂–CH₂–OH
  • Altamente polar e solúvel em água
  • Funciona como precursor de várias moléculas críticas do metabolismo humano:

Apesar de o corpo produzir pequenas quantidades no fígado (via fosfatidiletanolamina N-metiltransferase, PEMT), a síntese endógena é insuficiente → por isso é considerada essencial desde 1998.


Funções bioquímicas fundamentais

Precursor para fosfolípidos essenciais

A colina é necessária para formar:

  • Fosfatidilcolina (PC) — o principal fosfolipídio das membranas celulares
  • Esfingomielina — fundamental para bainha de mielina neuronal

🧠 Ou seja, a colina é essencial para manter a integridade estrutural das membranas neuronais.


Precursor do neurotransmissor acetilcolina

Colina + acetil-CoA → Acetilcolina (ACh)
Catalisado por colina-acetiltransferase.

A acetilcolina é crucial para:

  • memória
  • atenção
  • humor
  • controlo muscular
  • modulação do sistema nervoso parassimpático

Doação de grupos metilo (via betaína)

A colina pode ser oxidada a betaína, molécula que participa na metilação da homocisteína → metionina.

Baixa colina → aumento de homocisteína → inflamação → risco aumentado de depressão.


Transporte de lípidos e metabolismo hepático

A fosfatidilcolina é necessária para a exportação de VLDL do fígado.

Baixa colina = risco de fígado gordo.


Resumo classificativo

ClassificaçãoDescrição
Categoria nutricionalMicronutriente essencial (semelhante aos do grupo B)
Natureza químicaAmina quaternária, hidrossolúvel
Não éProteína, gordura ou açúcar
Funções-chaveFosfolípidos, acetilcolina, metilação, metabolismo hepático

Muitos nutrientes essenciais são classificados como:

  • macronutrientes → proteína, gordura, hidratos de carbono
  • vitaminas e minerais

A colina não se encaixa em nenhum destes grupos clássicos.
É um nutriente essencial de categoria própria, com funções híbridas entre:

  • vitamina
  • molécula estrutural
  • molécula precursora de neurotransmissores

Fontes alimentares ricas em colina

A maior parte da colina dietética provém de alimentos de origem animal. Sublinha-se o ovo como uma fonte de extraordinária riqueza nutricional também em colina.

Como referência empírica, dois ovos de galinha pequenos pesam cerca de 100 g.

Alimentos mais ricos em colina (por 100 g)

AlimentoColina (mg)
Ovo inteiro251
Fígado de vaca420
Fígado de galinha290
Salmão90
Frango cozido72
Leite43
Brócolos40
Feijão cozido30
Amendoins52

Fontes da Tabela:

  1. United States Department of Agriculture, Agricultural Research Service. FoodData Central. USDA; 2019–2024.
  2. Institute of Medicine. Dietary Reference Intakes for Folate… and Choline. National Academies Press; 1998.
  3. Zeisel SH et al. Concentrations of choline-containing compounds and betaine in common foods. J Nutr. 2003.

Os valores apresentados no artigo são valores médios típicos, baseados na correspondência entre:

  • Egg, whole, cooked → ~251 mg/100 g
  • Beef liver → ~420 mg/100 g
  • Chicken liver → ~290 mg/100 g
  • Salmon, cooked → ~90 mg/100 g
  • Chicken breast → ~70 mg/100 g
  • Milk → ~43 mg/100 g
  • Broccoli → ~40 mg/100 g
  • Peanuts → ~52 mg/100 g
  • Beans, cooked → ~30 mg/100 g

Cada valor pode variar conforme método de preparação, origem do alimento e grau de processamento.


Carência de colina em vegetarianos e vegans

Estudos mostram que:

  • A ingestão média de colina em veganos pode ficar 40–60% abaixo das recomendações [6].
  • A ausência de ovos, carnes e peixe é um fator decisivo.
  • A síntese endógena não compensa a lacuna dietética.

Consequências potenciais:

  • Maior risco de fadiga, alteração do humor e disfunções cognitivas [4].
  • Potencial contribuição para vulnerabilidade à ansiedade e depressão [5].

Colina e saúde cerebral

A colina participa diretamente em processos múltiplos relevantes para a saúde mental:

  1. Neurotransmissão colinérgica: modula humor, atenção e resposta ao stress [1].
  2. Integridade neuronal: níveis baixos reduzem fosfatidilcolina, alterando fluidez da membrana [2].
  3. Neuroinflamação: défice de colina pode aumentar marcadores inflamatórios associados à depressão [7].
  4. Metabolismo da homocisteína: colina reduz este aminoácido pró-inflamatório, envolvido em depressão [8].

Níveis baixos de colina e ansiedade

A espectroscopia de ressonância magnética permite medir compostos contendo colina (Cho) no cérebro. Valores reduzidos indicam alterações estruturais neuronais.

Sinteticamente, níveis baixos de colina associam-se a:

  • Maior reatividade emocional
  • Dificuldade em modular o stress
  • Pior desempenho cognitivo em contextos ansiogénicos [9]

Colina metanálise 2025

Nature Molecular Psychiatry

O estudo Transdiagnostic reduction of cortical choline-containing compounds in anxiety disorders (2025) agregou dados de vários estudos 1H-MRS e concluiu [5]:

Resultados principais

  • Indivíduos com transtornos de ansiedade apresentam reduções significativas nos níveis de compostos corticais contendo colina.
  • Esta redução é transdiagnóstica, ocorre no pânico, ansiedade generalizada, fobia social e doença de stress pós-traumático.
  • As regiões mais afetadas são o córtex pré-frontal e cíngulo anterior, apresentando redução em todas as regiões corticais.
  • A baixa colina cortical associa-se a hiperactividade da amígdala e maior responsividade ao medo.
  • A redução parece manter-se mesmo após tratamento farmacológico ou psicoterapêutico, sugerindo um marcador biológico estável.
  • Nenhum outro neurometabólito avaliado apresentou diferença significativa.

Esta revisão sistemática e meta-análise de estudos de espectroscopia de prótons por ressonância magnética (1H-MRS) em transtornos de ansiedade (transtorno de ansiedade social, transtorno de ansiedade generalizada e transtorno do pânico) identificou 25 conjuntos de dados publicados que atendiam aos critérios de inclusão. Esses estudos compararam neurometabólitos entre 370 pacientes e 342 controles, incluindo N-acetilaspartato (NAA), creatina total, colina total (tCho), mio-inositol, glutamato, glutamato + glutamina, GABA e lactato.

Em todos os transtornos de ansiedade, a concentração total de colina (tCho) estava significativamente reduzida no córtex pré-frontal e em todas as regiões corticais. Os tamanhos do efeito para a tCho cortical foram significativamente mais negativos em estudos com melhor qualidade de medição, com g de Hedges  = −0,64 e uma redução média de 8%. A concentração de N-acetil-aspartato (NAA) permaneceu inalterada no córtex pré-frontal, mas estava reduzida em todas as regiões corticais (após exclusões). Essas anormalidades não diferiram entre os três transtornos. Nenhum outro neurometabólito apresentou diferença significativa.

Interpretação neurobiológica

Os autores sugerem que a redução de colina reflete:

  • Alterações da integridade da membrana neuronal
  • Disfunção no metabolismo da fosfatidilcolina
  • Comprometimento da plasticidade sináptica relacionada ao stress

Colina e depressão

Embora a metanálise foque a ansiedade, vários estudos mostram:

  • Níveis baixos de colina no córtex frontal estão associados à depressão major [10].
  • A relação parece mediada pela alteração da metilação e da neurotransmissão [4].
  • Suplementação moderada de colina demonstrou reduzir sintomas depressivos em indivíduos com défice documentado [11].

Recomendações diárias e suplementação

A ingestão diária recomendada de colina não é um valor fixo, mas sim uma Ingestão Adequada (IA / AI – Adequate Intake) definida pelo Institute of Medicine / National Academies.

Descrevo de seguida os valores oficiais e internacionalmente aceites, em mg/dia, para adultos e outras faixas etárias:


Ingestão diária adequada de colina adultos

GrupoIngestão Adequada (mg/dia)
Homens adultos (≥19 anos)550 mg/dia
Mulheres adultas (≥19 anos)425 mg/dia
Mulheres grávidas450–480 mg/dia (dependendo da entidade reguladora)
Mulheres a amamentar550 mg/dia

Ingestão recomendada para outras idades

IdadeIA de colina (mg/dia)
0–6 meses125 mg
7–12 meses150 mg
1–3 anos200 mg
4–8 anos250 mg
9–13 anos375 mg
14–18 anos (rapazes)550 mg
14–18 anos (raparigas)400 mg

Valores máximos toleráveis de ingestão

GrupoLimite máximo de colina
Adultos3.500 mg/dia

Acima deste valor pode ocorrer:

  • odor corporal a “peixe”
  • hipotensão
  • suor excessivo
  • náuseas
  • toxicidade colinérgica rara

Fonte: Institute of Medicine (IOM). Dietary Reference Intakes (DRI) for Choline. National Academies Press, 1998–present.

A suplementação é geralmente segura até 1–2 g/dia, embora doses >3,5 g possam causar hipotensão, odor corporal e sudorese excessiva [3].


Conclusões

  • A colina é essencial para neurotransmissão, integridade neuronal e regulação emocional.
  • Dietas vegetarianas/vegan apresentam maior risco de ingestão insuficiente.
  • Níveis baixos de colina estão consistentemente associados a ansiedade e depressão.
  • A metanálise de 2025 demonstra uma redução robusta de compostos corticais contendo colina em todos os principais transtornos de ansiedade.
  • A avaliação nutricional de colina deve ser integrada na abordagem clínica da saúde mental.
  • A suplementação pode ser benéfica em casos de défice demonstrado.

Referências Bibliográficas

  1. Blusztajn JK. Choline, a vital amine. Science. 1998.
  2. Van der Veen JN et al. Phosphatidylcholine metabolism and brain health. Prog Lipid Res. 2017.
  3. Institute of Medicine. Dietary Reference Intakes for Choline. National Academies Press. 1998.
  4. Zeisel SH. Choline, homocysteine, and methylation. Annu Rev Nutr. 2006.
  5. Kundu P et al. Transdiagnostic reduction of cortical choline-containing compounds in anxiety disorders: a proton MRS meta-analysis. Nature Molecular Psychiatry. 2025.
  6. Derbyshire E. Are vegans consuming enough choline? BMJ Nutrition. 2019.
  7. Agudelo LZ et al. Choline deficiency and neuroinflammation. Cell Metabolism. 2018.
  8. Smith AD. Homocysteine and mood disorders. Am J Clin Nutr. 2016.
  9. O’Gorman RL. Brain choline levels and anxiety sensitivity. Neuroimage. 2011.
  10. Chen JJ et al. Cortical choline alterations in major depressive disorder. J Psychiatr Res. 2014.
  11. da Costa K-A. Choline supplementation improves mood in deficient adults. J Nutr. 2016.
  12. Richard J. Maddock, Jason Smucny. 
    Redução transdiagnóstica de compostos corticais contendo colina em transtornos de ansiedade: uma metanálise de espectroscopia de ressonância magnética de prótons (1H-MRS) . 
    Molecular Psychiatry , 2025; 30 (12): 6020 DOI: 
    10.1038/s41380-025-03206-7

Creatina suplementação segurança e evidência científica

A creatina monohidratada é um dos suplementos nutricionais mais estudados na literatura científica e é amplamente utilizada para melhorar a performance física, aumentar a massa magra e, mais recentemente, para potenciais efeitos neuroprotectores e terapêuticos em populações específicas. A evidência acumulada indica benefícios consistentes em força e potência quando a suplementação é combinada com treino de resistência, assim como sinais promissores em domínio cognitivo e na preservação da massa muscular em idosos. As preocupações mais frequentes — nomeadamente efeitos renais — têm sido amplamente investigadas, com a maioria dos estudos mostrando segurança em indivíduos saudáveis quando usadas doses recomendadas. [1–6]

Índice

  • Definição e mecanismo de ação
  • Formas de creatina e qualidade do produto
  • Evidência de eficácia
    – Performance desportiva (força e potência)
    – Massa muscular e composição corporal
    – Idosos e sarcopenia
    – Cognição e neuroproteção
    – Outras aplicações clínicas (neurodegenerativas, depressão, recuperação)
  • Segurança e efeitos adversos
    – Função renal e interpretação da creatinina sérica
    – Gastrointestinal, retenção hídrica e outros efeitos
    – Interações medicamentosas e populações especiais
  • Como saber se necessito de tomar creatina
  • Como medir o meu nível de creatina
  • Protocolos de dose e administração
  • Recomendações práticas para profissionais de saúde e para o público
  • Quais as marcas mais confiáveis de creatina
  • Conclusão por tópicos
  • Bibliografia
As cinco grandes mentiras sobre saúde
As cinco grandes mentiras sobre saúde

Definição e mecanismo de ação

A creatina (principalmente na forma de creatina monohidratada) é um composto endógeno sintetizado no fígado, rins e pâncreas a partir de aminoácidos (argina, glicina e metionina). Nos músculos esqueléticos converte-se em fosfocreatina (PCr), que funciona como um reservatório de fosfatos de alta energia para a rápida ressíntese de ATP durante exercícios de curta duração e alta intensidade. O aumento das reservas intramusculares de creatina/PCr explica os ganhos em força e potência. [1,2]

Formas de creatina e qualidade do produto

A forma mais estudada e recomendada é a creatina monohidratada pela melhor relação custo/benefício e robustez dos dados. Outras formas (creatina etil éster, creatina HCl, creatina micronizada) têm evidência limitada comparativamente e raramente demonstraram superioridade clínica. A escolha deve privilegiar produtos com certificação de terceiros (por ex. Informed-Sport, NSF) para garantir pureza e ausência de contaminantes. [1]


Evidência de eficácia

– Performance desportiva (força e potência)

Meta-análises e a posição da International Society of Sports Nutrition (ISSN) sustentam que a creatina aumenta de forma consistente a força muscular, a capacidade de realizar repetições com cargas máximas e a potência em exercícios anaeróbios. A estratégia de carregamento acelera a saturação intramuscular e os ganhos iniciais, enquanto protocolos sem carregamento também são eficazes a médio prazo. [1,10]

– Massa muscular e composição corporal

A suplementação, sobretudo combinada com treino de resistência, aumenta massa magra e reduz a perda de massa muscular em comparação com placebo. Parte do ganho inicial de massa é devido à retenção de água intracelular, mas ganhos de massa magra a longo prazo estão bem documentados. [1,4]

– Idosos e sarcopenia

Estudos e revisões recentes mostram benefícios na força e função física em idosos, particularmente quando a suplementação é combinada com treino de resistência — sugerindo utilidade clínica para prevenção e tratamento da sarcopenia. Doses de manutenção de 3–5 g/dia ou 0,1 g/kg/dia são frequentemente utilizadas em ensaios clínicos. [4,14]

– Cognição e neuroproteção

Evidência emergente (ensaios clínicos e revisões até 2024) mostra que a creatina pode melhorar aspetos da cognição, nomeadamente memória de curto prazo e processamento de informação, especialmente em condições de stress (privação de sono) e em populações com baixos níveis basais (vegetarianos, idosos). Resultados são promissores mas requerem estudos maiores e mais prolongados. [3,15]

– Outras aplicações clínicas

Estudos iniciais investigam a utilidade da creatina em doenças neuromusculares, depressão e recuperação pós-trauma, com resultados heterogéneos; a evidência não é ainda uniforme para recomendações de rotina nestas áreas. [1,3]


Creatinina como resíduo da creatina

O que é:
A creatinina é um resíduo metabólico.
É formada naturalmente quando os músculos usam creatina.
Depois de formada, é eliminada pelos rins.

Para que serve (no organismo):
Não tem utilidade direta no corpo; é simplesmente um produto final do metabolismo muscular.

Para que serve nos exames de saúde:
É uma das melhores formas de avaliar:

  • Função renal
  • Estado de hidratação
  • Massa muscular (indiretamente)

Quando a creatinina está alta no sangue, significa que os rins podem não estar a filtrar bem.

Tomar creatina aumenta a creatinina?

Sim, pode subir ligeiramente, mas isso é esperado e não significa doença renal.
A subida é porque mais creatina → mais metabolização → mais creatinina.
Os rins saudáveis eliminam-na sem problema.


Segurança e efeitos adversos

– Função renal e interpretação da creatinina sérica

A suplementação com creatina aumenta habitualmente a creatinina sérica de forma modesta e transitória porque a creatinina é o produto de degradação da creatina. Revisões e metanálises recentes (até 2025) indicam que, em indivíduos saudáveis, não há evidência consistente de perda de função renal (TFG) associada ao uso de creatina em doses recomendadas; contudo, existe um aumento pequeno e previsível na creatinina sérica que pode confundir a avaliação da TFG baseada em creatinina[6,11]. Em indivíduos com doença renal pré-existente, a suplementação deve ser evitada ou acompanhada por avaliação e monitorização médica. [6,11,12]

Prática clínica: se necessário avaliar função renal enquanto o doente toma creatina, considerar marcadores alternativos (ex.: cistatina C) ou interpretar a creatinina sabendo do efeito da suplementação. [6,11]

– Gastrointestinal, retenção hídrica e outros efeitos

Efeitos adversos mais comuns: desconforto gastrointestinal durante fases de carregamento (náusea, diarreia), aumento de peso por retenção hídrica intracelular e, raramente, cãibras musculares. Estes efeitos são habitualmente leves e dependentes da dose; a manutenção de 3–5 g/dia tende a minimizar estes problemas. [1,4,16]

– Interações medicamentosas e populações especiais

Insuficiência renal, gravidez, amamentação e uso concomitante de fármacos nefrotóxicos exigem avaliação individualizada e, em muitos casos, contraindicação. Crianças e adolescentes: existe alguma evidência em contextos clínicos e desportivos, mas a suplementação deve ser considerada caso a caso e preferencialmente com supervisão clínica. [1,16]


Protocolos de dose e administração

Protocolos comuns

  • Carregamento clássico: 20 g/dia (4 × 5 g) durante 5–7 dias seguido de manutenção 3–5 g/dia. Permite atingir saturação intramuscular em ~5–7 dias. [1,10]
  • Sem carregamento: 3–5 g/dia desde o início; atinge saturação semelhante em 3–4 semanas. [1,10]
  • Dose por peso: 0,1 g/kg/dia é frequentemente usada em idosos e em alguns ensaios clínicos. [4]

Obs.: O carregamento acelera os efeitos iniciais, mas não altera os benefícios a longo prazo comparando com doses diárias constantes.

Recomendações práticas

  • Preferir creatina monohidratada de fornecedores certificados. [1]
  • Dose de manutenção habitual: 3–5 g/dia. Carregamento opcional para acelerar resultados (20 g/dia por 5–7 dias). [1,10]
  • Orientar sobre hidratação adequada e reforçar que o ganho de massa inicial pode ser devido a retenção hídrica. [1]
  • Evitar suplementação em doentes com insuficiência renal conhecida sem supervisão médica; se iniciada, monitorizar creatinina e TFGe, e considerar cistatina C para avaliação complementar. [6,11]
  • Informar atletas e consumidores que a elevação ligeira da creatinina sérica é esperada e não significa automaticamente doença renal em indivíduos saudáveis. [6,11]
  • Em idosos, integrar suplementação com programa de treino resistido para maximizar benefícios. [4]

Como saber se necessitamos de suplementar?

Embora não exista um exame clínico directo que determine a necessidade de suplementação, a evidência científica permite identificar grupos e condições em que a suplementação é mais benéfica. A avaliação deve integrar idade, nível de actividade física, objectivos clínicos ou desportivos, e dieta habitual.

– Populações que mais beneficiam

As seguintes populações apresentam maior probabilidade de obter ganhos significativos:

  • Atletas e praticantes de treino resistido
    Aumento consistente da força, potência e capacidade de realizar séries adicionais [1,10].
  • Indivíduos acima dos 40–50 anos
    A reserva muscular de creatina diminui com a idade, contribuindo para sarcopenia; a suplementação melhora força, performance funcional e massa magra quando combinada com treino [4].
  • Vegetarianos e vegans
    Possuem níveis basais mais baixos devido à ausência de carne/peixe na dieta, respondendo mais rapidamente e com maior magnitude à suplementação [1].
  • Pessoas com funções cognitivas sob stress
    Estudos indicam benefícios na memória e velocidade de processamento em privação de sono ou tarefas exigentes [3,15].
  • Indivíduos com dificuldade em ganhar massa muscular
    A creatina aumenta o volume de treino total, facilitando hipertrofia.

– Sinais práticos que indicam benefício potencial

  • Estagnação da força ou potência apesar de treino adequado
  • Recuperação lenta entre sessões
  • Fadiga cognitiva acentuada durante turnos longos
  • Perda de massa muscular relacionada com idade
  • Dietas muito restritivas (ex.: hipocalóricas prolongadas)

Como medir produção e reservas de creatina?

– Ausência de exames clínicos diretos

Não existe exame de sangue ou urina que permita medir directamente:

  • produção endógena de creatina
  • reserva intramuscular de creatina

Isto porque cerca de 95% da creatina está armazenada no músculo, não circulando de forma mensurável no sangue.

– Métodos utilizados em investigação

Dois métodos, não acessíveis clinicamente, permitem medir diretamente creatina intramuscular, mas são restritos a centros académicos:

  1. Biópsia muscular
    Mede creatina total, fosfocreatina e ATP muscular.
    É invasiva; não usada clinicamente.
  2. Espectroscopia por Ressonância Magnética (31P-MRS)
    Quantifica fosfocreatina e a recuperação aláctica pós-esforço.
    Custo elevado e indisponível em prática clínica de rotina.

– Exames indiretos úteis em prática clínica

Apesar de não medirem creatina directamente, alguns exames ajudam na decisão de suplementar e seguimento da segurança:

  • Creatinina sérica e TFGe → Avaliação da função renal antes de iniciar suplementação (para excluir doença renal não diagnosticada) [6,11].
  • Cistatina C → Pode ser usada como marcador mais preciso da TFGe em utilizadores de creatina (evita interferência da creatinina) [6].
  • Avaliação de massa magra (bioimpedância) → Avalia se existe baixa reserva muscular.
  • Avaliação dietética → Consumo insuficiente de carne/peixe sugere reservas basais mais baixas.

Avaliação da função renal

A avaliação da segurança da suplementação com creatina exige a interpretação correcta dos marcadores renais. É essencial distinguir entre alterações laboratoriais verdadeiras, que indicam disfunção renal, e alterações falsas, provocadas por massa muscular elevada ou suplementação.

– TFGe Taxa de Filtração Glomerular estimada

A TFGe é o indicador clínico mais utilizado para avaliar a função renal. Representa a quantidade de sangue que os rins filtram por minuto, ajustada à superfície corporal (mL/min/1,73m²). É calculada a partir de equações matemáticas que utilizam:

  • Creatinina sérica
  • Idade
  • Sexo

Actualmente, as fórmulas mais utilizadas são CKD-EPI 2021 e MDRD, sem correcção por etnia.

O que mede clinicamente?

A TFGe mede a eficácia global da filtração glomerular:

TFGe (mL/min/1,73 m²)Interpretação clínica
≥ 90Normal (se não houver outra evidência de doença renal)
60–89Ligeira diminuição; comum com envelhecimento
30–59Doença renal moderada
15–29Doença renal grave
< 15Insuficiência renal muito grave (estádio final)

Limitação mais importante da TFGe

Como depende da creatinina, tudo o que aumenta a creatinina sérica (como alta massa muscular ou suplementação com creatina) pode levar a uma subestimação falsa da TFGe, criando a ilusão de doença renal quando os rins estão normais.


– Creatinina sérica, o que realmente significa

A creatinina, tal como já anteriormente referido neste artigo, é um subproduto do metabolismo muscular e é excretada pelos rins. É amplamente usada como marcador de função renal, mas tem limitações sérias:

  • Sobe com muita massa muscular
  • Sobe em quem consome muita carne
  • Sobe em quem faz suplementação com creatina
  • Diminui na sarcopenia, dando falsa sensação de TFGe normal

Ou seja, a creatinina é um marcador bom, mas imperfeito.

Por isso, não deve ser interpretada isoladamente em quem toma creatina.


– Cistatina C marcador mais fiável da função renal

A Cistatina C é uma proteína produzida continuamente pelas células do organismo e filtrada pelos rins de forma muito constante.

Ao contrário da creatinina, não é influenciada por:

  • massa muscular
  • exercício
  • dieta
  • suplementação com creatina
  • sexo
  • ingestão proteica

Vantagens clínicas da Cistatina C

  • Detecta alterações renais com maior precisão
  • Não cria falsos positivos em atletas ou utilizadores de creatina
  • Permite calcular uma TFGe mais exacta (CKD-EPI Cistatina C)
  • É o marcador preferido quando a creatinina é difícil de interpretar

Quando pedir Cistatina C?

  1. Utilizadores de creatina com suposta “creatinina alta”
  2. Atletas com muita massa muscular
  3. Idosos com pouca massa muscular (creatinina pode mascarar doença renal)
  4. Quando a TFGe parece incompatível com o quadro clínico

Tabela comparativa

ParâmetroO que mede?Influenciado por creatina?VantagensLimitações
Creatinina séricaSubproduto muscular; usada para estimar TFGe✔ SimFácil e barataAumenta com músculo e suplementos; falsos positivos
TFGe (CKD-EPI)Capacidade global de filtração renal✔ Sim (indirectamente)Indicador clínico padrãoPode subestimar função em atletas ou suplementados
Cistatina CMarcador puro de filtração glomerular✘ NãoMais precisa; não depende de músculoMenos disponível; ligeiramente mais cara
TFGe baseada em Cistatina CEstimativa real da função renal✘ NãoA mais fiável de todasNão disponível em todos os laboratórios

– Como interpretar exames renais em quem toma creatina

Se a creatinina subir ligeiramente:

✔ É o esperado
✔ Não indica dano renal
✔ Confirmar com Cistatina C (quase sempre normal)

Se a cistatina C estiver normal:

Função renal normal, independentemente da creatinina.

Se a cistatina C estiver elevada:

➡ Aí sim, existe motivo para investigação renal.


Resumo sobre aferir função renal

  • A creatina pode elevar a creatinina sem prejudicar os rins.
  • A TFGe baseada em creatinina pode ficar artificialmente baixa.
  • Cistatina C é o marcador preferido para utilizadores de creatina e atletas.
  • Se TFGe baixa + Cistatina C normal → rins saudáveis.
  • Se TFGe baixa + Cistatina C elevada → investigar patologia renal verdadeira.

Critérios práticos para decidir suplementação (baseados em evidência científica)

– Recomenda-se suplementar quando:

  • Objectivo é aumentar força ou massa muscular
  • Praticante realiza treino de resistência 2–3 vezes/semana ou superior
  • Idade > 40–50 anos com perda de massa muscular associada
  • Dieta pobre em creatina (vegetarianos/vegans)
  • Turnos exigentes, privação parcial de sono ou queixas de fadiga cognitiva
  • Reabilitação muscular pós-lesão

– Avaliação antes de iniciar

  • Função renal basal (TFGe)
  • História de doença renal ou medicamentos nefrotóxicos
  • Hidratação habitual
  • Objectivos do utente

– Interpretação da creatinina quando se usa creatina

  • A creatina pode aumentar ligeiramente a creatinina sérica sem redução da função renal real.
  • Em caso de dúvida: pedir cistatina C para confirmar função renal.

Critérios objetivos de decisão

CritérioIndicador de benefícioDeve suplementar?
Treino resistido 3–5x/semanaAumenta força e recuperaçãoSim
Idade > 50 anosPrevine perda muscularSim
Dieta vegetariana/veganBaixa creatina basalSim
Fadiga cognitivaPode melhorar desempenhoPossivelmente
Doença renalRisco potencialNão, excepto com supervisão
Atleta de enduranceBenefício moderadoOpcional
Dificuldade em ganhar massaAumenta volume de treinoSim

Como avaliar a fiabilidade de uma marca de creatina

Antes de olhares para a marca, convém ter em conta estes critérios para garantir qualidade e segurança:

  • Matéria-prima: ideal que seja creatina monohidratada pura, preferencialmente certificada como Creapure (uma forma patenteada com elevada pureza).
  • Certificações de análise ou testes de terceiros (third-party testing), certificação anti-doping (se for para atletas), rótulo que corresponde à composição real.
  • Marca com boa reputação, transparência na rotulagem, composição simples (evitar “blends” complexos onde a dose de creatina não seja clara).
  • Distribuição legal em Portugal, com boas práticas de fabrico (GMP), e preferencialmente com rótulo em português ou europeu.
  • Boa logística/armazenagem (humidade, selagem), e apoio técnico ou disponibilidade de ficheiro de segurança/informação ao consumidor.

Também convém salientar que suplementos não são tão regulados como medicamentos, o que torna a escolha criteriosa ainda mais importante — alguns estudos ou notícias recentes mostram casos de produtos que não contêm a dose declarada ou contêm impurezas. WIRED


Marcas de creatina comuns em Portugal

Com base em lojas e plataformas portuguesas:

  • A marca nacional Prozis aparece com frequência no mercado português de suplementos. Wikipedia
  • Em retalho online em Portugal, aparecem marcas estrangeiras + linhas “private-label” ou menos conhecidas que oferecem creatina monohidratada (ex: em lojas como Worten, HSN, Decathlon). Por exemplo, a loja HSN em Portugal comenta “raw material creatine option” em creatina monohidratada. hsnstore.pt
  • Exemplos de marcas mais premium ou de nicho: GoldNutrition com creatina “CreapureT” disponível em Portugal. Celeiro
  • Outro exemplo: Thorne (marca internacional) com creatina “NSF certified” disponível online para Portugal. Viva Saudável

As mais fiáveis em termos de qualidade

Com base nos critérios supra, as marcas que:

  • Usam Creapure ou material certificado de elevada pureza
  • Apresentam certificações ou testes de terceiros
  • Têm reputação e disponibilidade no mercado português / europeu

Por exemplo:

  • GoldNutrition (CreapureT)
  • Thorne (NSF Certified)
  • Marcas que declaram explicitamente “creatina monohidratada pura” e preferência por produto simples.

Guia de marcas em Portugal

MarcaObservações de presença em PortugalFactores de qualidade / certificaçõesComentários úteis
ProzisMarca portuguesa muito presente online. Exemplos: “Creatina Mono-Hidratada 300 g” no website da Prozis. prozis.comAutoprodução portuguesa, facilidade de rastreabilidade. Verificar se indica matéria-prima (ex: Creapure®)Boa opção para custo-benefício; avaliar sempre lote e certificado.
Optimum NutritionFrequentemente referida como uma das marcas “premium” no mercado português. Cantinho Do EmpregoMarca internacional com reputação forte; muitos utilizadores confiam na purezaIdeal para quem exige “marca de referência”; comunicar ao utente que verifique selos de qualidade.
MyproteinTambém presente online em Portugal; destacada em guias de “melhores marcas de creatina”. O melhor de PortugalBoa variedade; algumas opções com “micronizada” ou “HCL”Bom para orçamento moderado; importante confirmar se é monohidratada pura (versão padrão).
Scitec NutritionMarca europeia com presença forte em Portugal; mencionada em guias de mercado. O melhor de PortugalProdução europeia, boa reputaçãoPode ser opção de intermediação entre “budget” e “premium”.
GoldNutritionDisponível em retalho português/farmácias; exemplo citado no website Decathlon em Portugal. DecathlonMarca europeia-farmácia, boas práticasIdeal para aconselhamento em farmácia comunitária para público mais generalista.

Cuidados e ressalvas

  • Mesmo marcas “populares” não garantem automaticamente qualidade: verificar lote, análise, certificação.
  • Focar apenas “marca mais usada” não substitui a verificação — uso profissional exige due-diligence.
  • Verificar interações, condição renal, e dose adequada no contexto clínico (como já discutimos).
  • Importar de fora ou comprar online deve garantir boa logística e selo legal para Portugal / UE.

Conclusão final sobre uso de creatina

  • Creatina monohidratada é eficaz para melhorar força, potência e ganhar massa magra, com evidência robusta. [1]
  • Protocolos de carregamento aceleram a saturação; protocoloss sem carregamento são igualmente eficazes a médio/longo prazo. [10]
  • Evidência promissora de benefícios cognitivos e em populações idosas, mas são necessários ensaios maiores e de longa duração para recomendações gerais nestas áreas. [3,15]
  • A creatina aumenta modestamente a creatinina sérica; em indivíduos saudáveis, não há evidência consistente de dano renal associado às doses recomendadas. Em doentes renais, a suplementação exige cuidado. [6,11,12]
  • Recomendações práticas: creatina monohidratada certificada; 3–5 g/dia para manutenção; acompanhamento médico em populações de risco. [1,4,6]

Bibliografia

Os documentos estão listados por ordem numérica de aparecimento no texto.

  1. Kreider RB, Kalman DS, Antonio J, Ziegenfuss T, Wildman R, Collins R, et al. International Society of Sports Nutrition position stand: safety and efficacy of creatine supplementation in exercise, sport, and medicine. J Int Soc Sports Nutr. 2017 Jun 13;14:18. doi:10.1186/s12970-017-0173-z. International Society of Sports Nutrition position stand: safety and efficacy of creatine supplementation in exercise, sport, and medicine – PubMed
  2. Antonio J, Aragon AA, Silver T, et al. Common questions and misconceptions about creatine supplementation — PubMed Central. Nutrients. 2021; (review available at PMC). Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC7871530/ (acesso em 23 Nov 2025).
  3. Xu C, et al. The effects of creatine supplementation on cognitive function: a systematic review and meta-analysis. Front Nutr. 2024; (article). Disponível em: https://www.frontiersin.org/articles/10.3389/fnut.2024.1424972/full (acesso em 23 Nov 2025).
  4. Candow DG, et al. Does one dose of creatine supplementation fit all? Reviews and recommendations for older adults and special populations. J Exerc Sci Fit. 2024; (review). Impact of creatine supplementation and exercise training in older adults: a systematic review and meta-analysis
  5. Gordji-Nejad A, et al. Single dose creatine improves cognitive performance and brain energy metabolism during sleep deprivation. Sci Rep. 2024; (article). doi:10.1038/s41598-024-54249-9. Single dose creatine improves cognitive performance and induces changes in cerebral high energy phosphates during sleep deprivation | Scientific Reports
  6. Naeini EK, et al. Effect of creatine supplementation on kidney function: systematic review and meta-analysis. BMC Nephrol. 2025; (article). Disponível em: https://bmcnephrol.biomedcentral.com/articles/10.1186/s12882-025-04558-6 (acesso em 23 Nov 2025).
  7. Harvard Health Publishing. What is creatine? Potential benefits and risks of this popular supplement. Harvard Health. 2024 Mar 20. Disponível em: https://www.health.harvard.edu/exercise-and-fitness/what-is-creatine-potential-benefits-and-risks-of-this-popular-supplement (acesso em 23 Nov 2025).
  8. Ribeiro AGSV, et al. Effects of creatine supplementation on renal function: systematic review and meta-analysis. J Ren Nutr. 2019;29(6):480-9. (PDF disponível em repositórios académicos).
  9. Candow DG, et al. Creatine monohydrate supplementation for older adults: evidence and recommendations. J Strength Cond Res. 2025; (article).
  10. Candow DG, et al. Impact of creatine supplementation and exercise training in older adults: dose and protocol considerations. Sports Med Rev. 2024; (review).

ENFARTE DO MIOCARDIO E AVC COMO SOBREVIVER ATÉ CHEGAR APOIO MÉDICO?

Enfarte do miocárdio  como sobreviver até chegar ajuda médica de emergência num enfarte agudo do miocárdio? Como reconhecer os sintomas que indicam que está a ter um ataque cardíaco (enfarte)? O que pode fazer se estiver sozinho e achar que está a ter um enfarte? E se for um AVC (Acidentes Vascular Cerebral) o que pode fazer? Quais as diferenças nos sintomas?  Algumas são surpreendentes mas podem salvar-nos a vida!

Além dos fatores de risco individuais de cada um de nós, dias de festa como aniversários, casamentos, batizados, festas populares e encontros de amigos são um facto de risco acrescido para todos mas claro muito mais para quem tem um historial familiar e clínico já reconhecido!

No entanto são conhecidos inúmeros casos de Enfarte e AVC em pessoas aparentemente de boa saúde mas que não conheciam os seus fatores de risco, pelo que este artigo será um contributo para que possam detetar a tempo, atuar e saber o que fazer para manter o doente vivo até à chegada de ajuda médica urgente!

Vou começar por falar do AVC, acidente vascular cerebral e mais adiante do enfarte agudo do miocárdio. Por favor partilhe este artigo pois pode salvar vidas!

Neste artigo vou responder ás seguintes perguntas:

  • Quantas mortes são causadas por AVC?
  • Como diminuir o risco de AVC?
  • Quais as pessoas com maior probabilidade de ter um AVC?
  • O que é um AVC?
  • Quais os tipos de AVC?
  • Como reconhecer a tempo um AVC?
  • Existe algum teste para reconhecer se a pessoa teve um AVC?
  • O que é um ataque cardíaco? E um enfarte do miocárdio?
  • Quais os sintomas de um enfarte do miocárdio?
  • Quais as causas de um enfarte do miocárdio?
  • Quais os fatores de risco associados a um enfarte do miocárdio?
  • Como é feito o diagnóstico de um enfarte do miocárdio?
  • Quais as opções de tratamento disponíveis para o enfarte do miocárdio?
  • Quais as sequelas possíveis de um ataque cardíaco ou enfarte do miocárdio?
  • O que pode fazer se estiver sozinho e começar a sentir um ataque cardíaco?
  • Como tentar evitar o desmaio e aguentar até chegar ajuda?

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AVC quantas mortes causa?

Segundo o relatório sobre o Programa Nacional para as Doenças Cérebro-Cardiovasculares, em 2015, 6432 portugueses morreram devido ao acidente vascular cerebral (AVC), o que, de acordo com o Ministério da Saúde, representa uma quebra de 39% face a 2011. Uma diminuição que contribuiu para que a mortalidade associada às diversas doenças cérebro-cardiovasculares, no seu conjunto, atingisse um dos valores mais baixos das últimas décadas.

A descida muito acentuada da mortalidade por AVC foi acompanhada pelo aumento do número de fármacos, explica o coordenador do programa nacional, Rui Cruz Ferreira. Entre os quais, acrescenta, novos medicamentos para tratar a fibrilação auricular, uma arritmia crónica que aumenta em cinco vezes o risco de AVC.

Como diminuir o risco?

Adotar uma alimentação saudável, com consumo de frutas, vegetais, redução de sal e gorduras, praticar exercício físico e alterar rotinas diárias – usar as escadas em vez do elevador, por exemplo – e deixar de fumar, visto que parar de fumar pode cortar os riscos de AVC pela metade.

Os principais fatores de risco são os seguintes:

  • Excesso de peso e obesidade;
  • Sedentarismo;
  • Hipertensão arterial;
  • Colesterol muito elevado;
  • Tabaco;
  • Consumo excessivo de álcool;
  • Diabetes;
  • Stress.

PÚBLICO -

Adotar uma alimentação saudável, com consumo de frutas, vegetais, redução de sal e gorduras, praticar exercício físico e alterar rotinas diárias – usar as escadas em vez do elevador, por exemplo, e deixar de fumar, visto que parar de fumar pode cortar os riscos de AVC pela metade, refere Diogo Valadas, Diretor Técnico da Associação Nacional AVC.

Grupos de risco

Além dos fatores de risco que podem ser reduzidos com a mudança de hábitos é crucial prestar atenção a situações que não dependem da alteração de comportamentos.

Existem pessoas com maior probabilidade de sofrer AVC do que outras, a saber:

  • Idosos
  • Pessoas com histórico familiar de ocorrência de AVC
  • Homens com menos de 75 anos
  • Indivíduos com doença coronária e diabetes

No âmbito das doenças cardiovasculares e tendo em conta o objetivo da associação, cujo foco é o apoio aos doentes que sofreram um AVC, a instituição pretende integrar o Programa Nacional para as Doenças Cérebro-cardiovasculares, um dos projetos de saúde prioritários da Direcção-Geral da Saúde, assumindo o papel de entidade representante de famílias vítimas de AVC.

Acidente Vascular Cerebral o que é?

O AVC acontece quando o fornecimento de sangue para uma parte do cérebro é impedido
O AVC acontece quando o fornecimento de sangue para uma parte do cérebro é impedido

Um AVC surge quando o fornecimento de sangue para uma parte do cérebro é impedido. O sangue leva nutrientes essenciais e oxigénio para o cérebro. Sem o fornecimento de sangue, as células cerebrais podem ficar danificadas, impossibilitando-as de cumprir a sua função.

O cérebro controla tudo que o corpo faz, por isso, uma lesão no cérebro afetará as funções corporais. Por exemplo, se um AVC danificar a parte do cérebro que controla o movimento dos membros, ficaremos com essa função alterada.

Área do cérebro com maior incidência de AVC
Área do cérebro com maior incidência de AVC

Tipos de AVC

Existem dois tipos de AVC, o hemorrágico e o isquémico.

A imagem seguinte descreve claramente a diferença:

Existem 2 tipos de AVC: o hemorrágico e o isquémico.
Existem 2 tipos de AVC: o hemorrágico e o isquémico.

Reconhecer a tempo um  AVC

A doença é repentina e os efeitos no corpo são imediatos. Reconhecer os sintomas seguintes pode evitar um AVC de causar danos muito graves.  Esse sintomas podem ser os seguintes:

  • Dormência
  • Fraqueza ou paralisia de um lado do corpo (pode ser um braço, perna ou parte inferior da pálpebra descaídos, ou a boca torta e salivante)
  • Fala arrastada ou dificuldade em encontrar palavras ou discurso compreensível
  • Visão subitamente enublada ou perda de visão
  • Confusão ou instabilidade
  • Forte dor de cabeça

Alguns sintomas de AVC no braço e na posição da boca
Alguns sintomas de AVC no braço e na posição da boca

AVC, uma mulher com dor de cabeça deve sempre consultar um médico
AVC, uma mulher com dor de cabeça deve sempre consultar um médico

Teste para reconhecer AVC em curso

Use um teste simples que o pode ajudar a reconhecer se uma pessoa teve um AVC:

  • Fraqueza Facial:
    • A pessoa pode sorrir? Tem a sua boca ou um olho caído?
  • Fraqueza no braço:
    • A pessoa consegue levantar os braços?
  • Problemas de expressão: a pessoa consegue falar com clareza e entender o que lhe dizem?

AVC sintomas faciais
AVC sintomas faciais

Se detectar ulguns dos sintomas descritos seja rápido e ligue 112 ( Portugal )

 

Ataque cardíaco como ganhar tempo? 

Ataque cardíaco é a mesma coisa que enfarte do miocárdio

Enfarte do miocárdio o que é?

O enfarte é definido como uma lesão isquémica do músculo cardíaco (miocárdio), que se deve à falta de oxigênio e nutrientes. Os vasos sanguíneos que irrigam o miocárdio (artérias coronárias) podem apresentar depósitos de gordura e cálcio, levando a uma obstrução e comprometendo a irrigação do coração.

As placas de gordura localizadas no interior das artérias podem sofrer uma fissura causada por motivos desconhecidos, formando um coágulo que obstrui a artéria e deixa parte do coração sem “abastecimento” de sangue. É assim que ocorre o enfarte do miocárdio. Esta situação vai levar à morte celular (necrose), a qual desencadeia uma reação inflamatória local.

Localização das artérias coronárias e infarte do miocárdio
Localização das artérias coronárias e enfarte do miocárdio

O enfarte também pode ocorrer em vasos coronários normais quando as artérias coronárias apresentam um espasmo, ou seja, uma forte contração que determina um déficit parcial ou total no abastecimento de sangue ao músculo cardíaco irrigado por este vaso contraído.

Localização anatómica do pericárdio, epicárdio miocárdio e endocárdio
Localização anatómica do pericárdio, epicárdio miocárdio e endocárdio

Sintomas

sintoma clássico é uma dor e aperto no lado esquerdo ou no centro do peito podendo irradiar para o pescoço ou para o braço esquerdo, porém em cerca de 15% dos casos, o sintoma pode ser atípico tal como:

  • Dor no lado direito do peito
  • Suor
  • Enjoo
  • Vómitos
  • Dor de estômago
  • Falta de ar
  • Tonturas
  • Palpitações ( arritmias )

Esta dor tem, habitualmente, duração superior a 10 minutos, pode ter diferentes intensidades ou ainda desaparecer  e voltar espontaneamente.

Infelizmente, nem todos os pacientes têm este sintoma. Os diabéticos, por exemplo, podem ter um enfarte sem apresentar dor.

Causas

O enfarte está mais frequentemente associado a uma causa mecânica, ou seja, à interrupção do fluxo sanguíneo para uma determinada área, devido a obstrução completa ou parcial da artéria coronária responsável pela sua irrigação.

O tamanho da área necrosada depende de vários fatores, tais como o calibre da artéria lesada, tempo de evolução da obstrução e desenvolvimento da circulação colateral. Esta, quando bastante extensa, é capaz de impedir a instalação de enfarte, mesmo em casos de obstrução total da coronária.

Pode também ocorrer por aumento do trabalho cardíaco relacionado com um aumento da pressão arterial.

Miocárdio privado de oxigénio
Miocárdio privado de oxigénio

Fatores de risco

As seguintes condições de saúde são os fatores de risco mais comuns no enfarte do miocárdio:

  • Colesterol LDL alto e HDL baixo
  • Sedentarismo
  • Tabagismo
  • Hipertensão arterial
  • Menopausa
  • Stress
  • Excesso de peso
  • Diabetes mellitus
  • História familiar ou predisposição genética
  • Idade
  • Alterações hemodinâmicas: hipertensão arterial, hipotensão, choque, mal-estar, etc.

Diagnóstico

O diagnóstico é baseado em 3 fatores:

  • Quadro clínico,
  • Alterações no ECG (eletrocardiograma)
  • Doseamento de enzimas cardíacas que se alteram no enfarte do miocárdio.

Escolha sempre um médico da sua confiança para tratar os seus sintomas e para lhe auxiliar na prevenção de doenças cardiovasculares.

Tratamentos disponíveis

Qualquer que seja o tratamento escolhido pelo médico que vai prestar assistência ao paciente com enfarte, o ideal é que ele comece dentro das primeiras 6 horas após o início da dor.

Quanto mais precoce, maior é a possibilidade de ser restabelecido o fluxo sanguíneo e de oxigênio nas artérias coronárias, evitando as complicações decorrentes da necrose do músculo cardíaco.

Pontos importantes do tratamento são:

  • Alívio da dor
  • Repouso para reduzir o trabalho cardíaco
  • Administração de agentes trombolititos para melhorar o fluxo sanguíneo

A administração de oxigênio em fluxo contínuo nas primeiras seis horas, reduz a dor associada à baixa concentração de oxigênio circulante. O uso de drogas que reduzem o uso de oxigênio pelo coração faz com que o músculo cardíaco sofra menos isquemia (ausência de sangue).

A probabilidade aumentada de complicações no período de 72 horas, após o enfarte,  justifica a monitorização contínua.

Superada esta fase, o paciente é encaminhado para um quarto restringindo-se o número de visitas. Progressivamente, ele pode sentar-se durante breves períodos, começa a deambular por volta do quarto ou quinto dia.

Esta mobilização precoce melhora sensivelmente o bem-estar, além de reduzir a incidência de tromboembolia. Mas o paciente deve ser acompanhado de perto para detetar possíveis alterações consequentes a esta atividade física.

A dieta será liberada à medida que as condições clínicas permitirem, devendo ser hipocalórica e hipossódica (com pouco sal).

As evacuações não devem significar esforço para o paciente, usando, se necessário, laxantes suaves.

Os tranquilizantes podem ser utilizados para amenizar a angústia de alguns doentes, mas com muito cuidado, já que esses medicamentos podem aumentar a frequência cardíaca e a pressão sistólica.

Complicações da doença

As principais complicações do enfarte são:

  • Arritmia cardíaca
  • Choque criogénico
  • Insuficiência respiratória
  • Insuficiência renal
  • Paragem cardiorrespiratória

As complicações mais letais são as arritmias, que podem ocorrer, mais frequentemente, nas primeiras 24 horas após o enfarte.

Por isso, é importante que, idealmente, pelo menos 72 horas, os pacientes fiquem sob cuidados médicos em unidades de tratamento intensivo, onde recebem todos os cuidados necessários para detetar precocemente e tratar essas arritmias, através de uma monitorização contínua das complicações do enfarte.

Ataque cardíaco o que posso se está sozinho?

Muitas pessoas estão sozinhas quando têm um ataque cardíaco.

Sem ajuda, a pessoa sente o  coração a bater de forma irregular e começa a sentir-se fraca tendo apenas alguns segundos antes de desmaiar.

Evitar o desmaio e tentar regularizar o ritmo cardíaco

Estas técnicas podem dar-lhe tempo até chegar ajuda:

  • Tossir repetidamente com bastante força
  • Respirar bem fundo antes de tossir e a tosse deve ser forte e prolongada, vinda do fundo do peito.
Uma inspiração e uma tosse devem ser repetidas a cada 2 segundos sem parar, até que chegue ajuda, ou que sinta que o coração voltou a bater normalmente.  As inspirações profundas trazem oxigênio para os pulmões e os movimentos de tossir “bombeiam” o coração e mantêm o sangue a circular.

Esta pressão no coração também faz com que ele volte a bater normalmente e dessa maneira a vítima tem tempo de chegar ao hospital.

Se reconhecer algum destes sinais, ligue o 112 imediatamente!

Este é sem dúvida um dos artigos que pode poupar muitas vidas se esta informação for passada para o público em geral. Todos os anos milhares de pessoas podiam ser salvas se soubessem reconhecer a tempo sintomas simples que não deixam muitas dúvidas sobre o que lhes pode estar a acontecer. A rapidez da assistência médica é essencial mas,  para ser eficaz, doentes e famílias têm de saber reconhecer os sintomas a tempo!

Fique bem!

Franklim A. Moura Fernandes

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Síndrome musculoesquelética da menopausa e dor persistente

Com a chegada da menopausa, muitas mulheres começam a notar um aumento das dores articulares, perda de força muscular e maior fragilidade nos ossos. Estas mudanças não são “coisas da idade” — estão diretamente ligadas à diminuição dos níveis de estrogénio, uma hormona que tem um papel essencial na proteção do nosso sistema musculoesquelético.

Na prática, isto significa mais rigidez nas articulações, maior risco de osteoporose e, para muitas mulheres, uma sensação constante de desconforto que afeta o seu dia a dia.

Mas há formas de minimizar estes sintomas e cuidar melhor da saúde nesta fase. Exercício físico adaptado, uma alimentação rica em cálcio, vitamina D e proteína e, nalguns casos, terapias hormonais podem fazer uma diferença enorme.

Se queres perceber melhor o que está por trás destas transformações — e como as enfrentar com confiança, vale a pena conhecer o conceito de “síndrome musculoesquelética da menopausa”, introduzido pela Dr.ª Vonda J. Wright e seus colaboradores, num artigo científico publicado em 2024. Este estudo tem sido uma referência importante para profissionais de saúde em todo o mundo e ajuda-nos a compreender melhor o impacto real da menopausa no corpo da mulher.

Estudo: “The musculoskeletal syndrome of menopause”

Queres uma boa notícia? Com informação, apoio e as escolhas certas, é possível passar por esta fase com mais força, saúde e bem-estar do que nunca.


Neste artigo, vais encontrar informação clara e fundamentada sobre os principais desafios que a menopausa pode trazer para o teu sistema musculoesquelético e, sobretudo, o que podes fazer para os enfrentar.

Aqui está um resumo do que vamos explorar:

  • O que é afinal a menopausa?
  • Os sinais e sintomas mais comuns
  • Síndrome musculoesquelética da menopausa: o que é e porque importa.
  • Estrogénios e inflamação: uma ligação surpreendente.
  • Como aliviar os sintomas? Estratégias que funcionam
  • Microbiota intestinal e menopausa: há mesmo uma ligação?
  • A influência do intestino na regulação hormonal e na saúde geral da mulher.
  • Conclusão: mais saúde e bem-estar na menopausa é possível

O artigo sobre estratégias anti-envelhecimento pode complementar de forma extraordinária o conhecimento e proteção da tua saúde.

As cinco grandes mentiras sobre saúde
As cinco grandes mentiras sobre saúde

Menopausa e pós-menopausa

A evolução biológica da mulher compreende uma diminuição da reserva folicular ovárica ao longo do tempo, sendo particularmente acentuada por volta dos 50 anos de idade. Entre uma fase de pleno potencial e uma fase de total incapacidade reprodutiva, a mulher apresenta uma etapa de duração variável que se denomina climatério. A menopausa é definida como a interrupção permanente da menstruação quando ocorrem 12 meses consecutivos de amenorreia. Todo o período à volta deste marco biológico, desde as primeiras alterações na duração/fluxo dos ciclos menstruais até aos intervalos mais ou menos prolongados de amenorreia, chama-se perimenopausa. Depois de um ano sem menstruação a mulher entra definitivamente na pós-menopausa.1,2

Sinais e sintomas da menopausa

Esta fase da vida da mulher, situada na meia-idade, apresenta um conjunto de sinais e sintomas característicos que resultam de um decréscimo acentuado nos níveis de estrogénios. Para além das irregularidades menstruais, os sintomas vasomotores (afrontamentos, suores noturnos, enxaquecas) têm um início rápido, assim como as alterações de humor (letargia, depressão, desordens de pânico), os distúrbios de sono (insónias) e os primeiros sintomas urinários (infeções urinárias recorrentes, incontinência urinária).

Resumindo os possíveis sintomas de decréscimo de estrogénios:

  • Irregularidades menstruais
  • Afrontamentos
  • Suores noturnos
  • Enxaquecas
  • Letargia
  • Depressão
  • Desordens de pânico
  • Insónias
  • Infeções urinárias recorrentes
  • Incontinência urinária

Surgem depois os sintomas genitais (atrofia vulvar e vaginal, dispareunia), a perda de densidade óssea (osteopenia), artralgias e mialgias, alterações da pele (perda de elasticidade, desidratação, diminuição da espessura) e alterações dos pelos (alopecia, hirsutismo). Finalmente, pode instalar-se a osteoporose e aumenta a probabilidade de aparecimento da doença cardiovascular (doença coronária, acidente vascular cerebral, tromboembolismo venoso) e de doenças neurocognitivas (como a doença de Alzheimer).1,3

Resumindo os possíveis sintomas acentuados pós-menopausa:

  • Atrofia vulvar e vaginal
  • Dor durante o contacto íntimo (dispareunia)
  • Perda de densidade óssea (osteopenia)
  • Artralgias (dores articulares)
  • Mialgias (dores musculares)
  • Alterações da pele
  • Alterações dos pelos (queda de cabelo)
  • Osteoporose
  • Doenças cardiovasculares
  • Alzheimer

Afrontamentos calores e doença cardiovascular

Sabe-se hoje que os sintomas vasomotores são resultantes de uma disfunção do centro termorregulador hipotalâmico causada pela redução dos estrogénios e há evidência de uma relação com a doença cardiovascular. Se já se sabia que os afrontamentos estavam associados a doença cardiovascular subclínica, como a disfunção endotelial e a calcificação das paredes arteriais,4 parece haver também uma correlação entre a severidade da sintomatologia vasomotora, independentemente do facto de estes sintomas aparecerem antes ou após a menopausa, e a ocorrência de eventos cardiovasculares, como a doença coronária e o acidente vascular cerebral.5

Este conhecimento reequaciona a terapêutica hormonal de substituição na menopausa no que se refere ao balanço benefício-risco:

  • Por um lado, pode ser encarada não apenas para aliviar sintomatologia, mais ou menos intensa, mas também para reduzir o risco de problemas de saúde futuros;
  • Por outro lado, a própria terapêutica hormonal não é isenta de riscos, concretamente a nível cardiovascular e neoplásico.
As cinco grandes mentiras sobre saúde
As cinco grandes mentiras sobre saúde

Síndrome musculoesquelética da menopausa

Este artigo introduz o termo “síndrome musculoesquelética da menopausa” para descrever um conjunto de sintomas musculoesqueléticos associados à diminuição dos níveis de estrogénio durante a transição menopáusica. Estima-se que mais de 70% das mulheres experienciem sintomas como artralgia, perda de massa muscular, diminuição da densidade óssea e progressão da osteoartrite durante este período. O artigo enfatiza a necessidade de uma maior conscientização e reconhecimento destes sintomas por parte dos profissionais de saúde, de modo a permitir uma avaliação de risco adequada e a implementação de estratégias de gestão preventiva.​

Perda de estrogénio

A perda de estrogénio durante a menopausa tem um impacto significativo no sistema musculoesquelético das mulheres, levando a uma variedade de sintomas que afetam negativamente a qualidade de vida. O reconhecimento da síndrome musculoesquelética da menopausa como uma entidade clínica pode facilitar uma abordagem mais holística e eficaz no tratamento e prevenção destes sintomas, sublinhando a importância de estratégias de gestão proativas e personalizadas para mitigar os efeitos adversos associados à menopausa.

Sintomas da síndrome musculoesquelética da menopausa

A síndrome musculoesquelética da menopausa engloba um conjunto de sintomas associados à redução dos níveis de estrogénio durante a transição menopáusica, afetando músculos, articulações e ossos. Os principais sintomas incluem:

  • Dores articulares (artralgia): Sensação de rigidez e dor nas articulações, semelhante a quadros de artrite.
  • Perda de massa muscular (sarcopenia): Redução da força e da massa muscular, aumentando o risco de quedas e fraturas.
  • Diminuição da densidade óssea (osteopenia/osteoporose): Maior fragilidade óssea, predispondo a fraturas.
  • Fadiga muscular: Cansaço excessivo e menor resistência a esforços físicos.
  • Rigidez e limitação de movimentos: Especialmente notada nas articulações dos dedos, joelhos e ombros.
  • Progressão da osteoartrite: Agravamento de quadros degenerativos articulares pré-existentes.

Efeito anti-inflamatório dos estrogénios

Os estrogénios desempenham um papel crucial na modulação da inflamação e na manutenção da saúde musculoesquelética:

  • Regulação de citocinas pró-inflamatórias: Reduzem a produção de interleucina-6 (IL-6), fator de necrose tumoral alfa (TNF-α) e outras substâncias inflamatórias.
  • Proteção contra o stress oxidativo: Diminuem a formação de radicais livres e o dano celular nos músculos e ossos.
  • Modulação do metabolismo ósseo: Favorecem a atividade dos osteoblastos (células formadoras de osso) e inibem a atividade dos osteoclastos (células que reabsorvem osso), prevenindo a osteoporose.
  • Melhoria da função muscular: Influenciam a síntese proteica e a contração muscular, reduzindo a perda de massa magra.

Estratégias para mitigar os efeitos da Síndrome musculoesquelética da menopausa

Para minimizar os impactos da menopausa no sistema musculoesquelético, são recomendadas estratégias integradas que incluem:

  • Terapêutica hormonal de substituição (THS)
  • Nutrição adequada
  • Exercício físico regular
  • Suplementação específica
  • Estilo de vida adequado

Terapêutica Hormonal de Substituição (THS)

  • Pode ajudar a reduzir a inflamação, prevenir a perda óssea e muscular e aliviar dores articulares.
  • Indicada para mulheres sem contraindicações, sempre com avaliação médica.

Nutrição adequada

  • Proteína suficiente: Para preservar a massa muscular (1,2–1,5 g/kg de peso/dia).
  • Cálcio e vitamina D: Essenciais para a saúde óssea. Fontes: lacticínios, vegetais verdes, peixes gordos.
  • Ômega-3: Efeito anti-inflamatório (salmão, nozes, sementes de linhaça).
  • Antioxidantes: Frutas e vegetais coloridos ajudam a reduzir a inflamação.

Exercício físico regular

  • Treino de resistência (musculação): Previne a sarcopenia e fortalece os ossos.
  • Exercícios de impacto (caminhada, corrida leve, dança): Estimulam a formação óssea.
  • Exercícios de flexibilidade e equilíbrio (ioga, pilates): Reduzem o risco de quedas.

Suplementação específica (quando necessário)

  • Vitamina D e cálcio: Para a saúde óssea.
  • Colagénio hidrolisado: Pode auxiliar na manutenção das articulações e músculos.
  • Magnésio e potássio: Contribuem para a contração muscular e a prevenção de cãibras.

Estilo de vida adequado

  • Sono de qualidade: Fundamental para a regeneração muscular.
  • Redução do stress: Técnicas como meditação e mindfulness ajudam a diminuir a inflamação.
  • Evitar tabaco e álcool: O tabaco agrava a osteoporose, e o álcool interfere na absorção de nutrientes essenciais.

As Cinco Grandes Mentiras Sobre Saúde
As Cinco Grandes Mentiras Sobre Saúde

Terapia hormonal de substituição (THS)

Segundo o Centro de Informação do Medicamento (CIM) da Ordem dos Farmacêuticos, em artigo detalhado sobre este assunto, que cito neste artigo, a escolha da Terapia Hormonal de Substituição (THS) deve ser individualizada, considerando fatores como sintomas predominantes, histórico clínico, riscos cardiovasculares e osteoporóticos, além da preferência da paciente.

A abordagem terapêutica da menopausa faz-se geralmente com terapia hormonal de substituição (THS) sistémica. Teoricamente, deveria administrar-se apenas estrogénio, numa tentativa de repor os níveis endógenos que tendem a diminuir. No entanto, o estrogénio faria o endométrio estar sempre na fase proliferativa, o que rapidamente poderia desencadear hiperplasia e cancro do endométrio. Por esta razão, em mulheres que ainda conservam o seu útero, a THS faz-se com estrogénio e progestagénio ou estrogénio e um modulador seletivo dos recetores dos estrogénios (antagonista no útero).6

No que respeita ao componente estrogénico, as formulações farmacêuticas para administração sistémica utilizadas na THS contêm 17β-estradiol (estrogénio natural), valerato de estradiol (pró-fármaco do estradiol) ou estrogénios equinoconjugados (ésteres de sulfato de estrona, sulfatos de equilina e o 17α/βestradiol).

A administração sistémica pode ser feita por via oral, sistema transdérmico ou percutâneo (gel ou spray).1 O spray tem a vantagem de permitir ajustar a dose consoante as necessidades da mulher ao longo do tempo.7,8 Embora não esteja comercializado em Portugal, pode administrar-se também através de um anel vaginal.

As cinco grandes mentiras sobre saúde
As cinco grandes mentiras sobre saúde

Em mulheres que mantêm o útero, tem de se administrar também o componente progestagénico, que pode ser progesterona micronizada, medroxiprogesterona, didrogesterona, ciproterona, nomegestrol (estruturalmente semelhantes à progesterona) ou levonorgestrel, dienogest, norgestrel, noretisterona (estruturalmente semelhantes à testosterona) ou ainda drospirenona (estruturalmente semelhante à espironolactona).

As formulações podem conter apenas o componente progestagénico ou a sua combinação com o estrogénio, podendo usar-se a via oral, a via transdérmica, o dispositivo intrauterino ou o injetável.1,6,9

Quando não é aconselhável usar progestagénio, pode usar-se o bazedoxifeno, que é um modulador seletivo dos recetores dos estrogénios, sendo agonista nos recetores do osso e da vagina e antagonista nos recetores do útero e da mama.1,6,10

Pode usar-se também a tibolona, que é um esteroide de síntese que combina propriedades progestagénicas e estrogénicas com uma atividade androgénica fraca, sendo particularmente indicado no tratamento da sintomatologia vasomotora e atrófica pós- menopausa.1,11

As cinco grandes mentiras sobre saúde
As cinco grandes mentiras sobre saúde

A administração sistémica de estrogénio e progestagénio pode ser feita em regime contínuo (doses diárias iguais), em regime sequencial contínuo (doses diárias de estrogénio com o progestagénio durante 10 a 14 dias do ciclo de 28 dias) ou em regime cíclico (doses diárias de estrogénio com o progestagénio durante 10 a 14 dias do ciclo de 21 dias com 7 dias de descanso). A dose de progestagénio deve ser suficiente para conferir proteção endometrial em relação à dose de estrogénio administrada.1,8

Os estrogénios sofrem metabolismo de primeira passagem significativo quando administrados por via oral. Quando se usa a via transdérmica deve reduzir-se a dose a administrar, pois origina níveis mais altos e estáveis de estrogénio do que a via oral para a mesma dose. Também a via vaginal evita o metabolismo de primeira passagem, ao mesmo tempo que assegura uma rápida absorção.

Sempre que a administração do componente estrogénico não é feita por via oral numa mulher com útero, é essencial não esquecer que, de forma cíclica ou sequencial, se tem de administrar o componente progestagénico, pela mesma via de administração ou não. Note-se que os progestagénios também sofrem metabolismo de primeira passagem, sendo esse metabolismo diferente entre as várias moléculas que podem ser usadas. Tanto para o estrogénio como para o progestagénio, a formulação micronizada aumenta a biodisponibilidade oral.1,6

A administração tópica de estrogénios como estriol, estradiol e promestrieno, é feita por via vaginal sob a forma de creme, gel, comprimido ou cápsula mole. O estriol é apenas administrado por via intravaginal, visto tratar-se de um metabolito com fraca atividade sistémica. A administração tópica evita o metabolismo de primeira passagem e todos os efeitos adversos decorrentes de uma exposição hormonal sistémica, já que esta é inexistente ou muito reduzida. Tem indicação para ser feita quando a principal manifestação clínica do climatério é a síndrome geniturinária (secura ou irritação vaginal, dispareunia, disúria, urgência urinária e infeções urinárias recorrentes), podendo ser associada ou não a THS sistémica.1,6

THS diminui risco cardiovascular da mulher

Se a menopausa ocorre devido a uma redução acentuada dos estrogénios, a THS, ao evitar a queda abrupta dos níveis hormonais, vai trazer melhoria da qualidade de vida, ao aliviar os sintomas vasomotores, as alterações de humor, os distúrbios de sono, a síndrome geniturinária e as queixas osteoarticulares. Mas, mais do que isso, sabendo-se que uma sintomatologia vasomotora moderada a intensa precede doença cardiovascular mais expressiva, a redução dessa sintomatologia favorece também a redução do risco cardiovascular a médio prazo. Passa a ser também um benefício ao nível da saúde, e não apenas da qualidade de vida.4,5 No entanto, sabe-se atualmente que os benefícios são mais notórios se iniciada até aos 60 anos de idade ou até 10 anos após a última menstruação.12,13


Exemplos

Mulher de 57 Anos, 1,70 m e 65 kg

Para uma mulher saudável, sem contraindicações e que esteja na pós-menopausa, a THS combinada com estrogénio e progesterona é geralmente recomendada para proteger o endométrio (caso tenha útero).

Vias de administração mais seguras e eficazes

  • Estrogénio transdérmico (adesivo ou gel) → Menor risco de trombose do que a via oral.
  • Progesterona micronizada oral (ex.: Utrogestan®) → Melhor tolerada e menor impacto metabólico.

Esquema terapêutico sugerido

  • Estrogénio transdérmico: Estradiol 25 a 50 mcg/dia (adesivo) ou 0,5 a 1 mg/dia (gel)
    • Exemplos: Estradot®, Oestrogel®, Dermestril®
  • Progesterona micronizada oral (se útero presente): 100 a 200 mg à noite, continuamente ou 12-14 dias por mês
    • Exemplo: Utrogestan®

Benefícios esperados

  • Redução de sintomas musculoesqueléticos, fogachos e suores noturnos.
  • Melhoria da densidade óssea e prevenção da osteoporose.
  • Melhoria do humor e da qualidade do sono.
  • Manutenção da massa muscular e proteção cardiovascular.

Contraindicações (exigem avaliação médica cuidadosa)

  • História de trombose venosa profunda ou AVC.
  • Cancro da mama ou do endométrio.
  • Doença hepática grave.
  • Sangramento vaginal sem diagnóstico.

Exemplo

Mulher de 55 anos, 1,70 m e 60 kg, sem útero

Terapia Hormonal de Substituição (THS) mais indicada será apenas com estrogénios, já que não há necessidade de progesterona para proteção do endométrio.

Opção mais segura e eficaz

A via transdérmica (adesivo ou gel) é preferível à oral, pois tem um menor risco de trombose e efeitos metabólicos mais favoráveis.

Esquema terapêutico recomendado

Estrogénio transdérmico: Estradiol 25 a 50 mcg/dia (adesivo) ou 0,5 a 1 mg/dia (gel)

  • Exemplos:
  • Adesivos: Estradot®, Dermestril®, Evorel®
  • Gel: Oestrogel®, Sandrena®

Via oral (se preferir comprimidos): Estradiol 1 mg/dia, podendo aumentar para 2 mg se necessário

  • Exemplos: Progynova®, Activelle® (apesar de este último ter progestagénio)

Benefícios esperados

  • Alívio dos sintomas da menopausa (fogachos, insónias, fadiga, dores musculares e articulares).
  • Proteção contra osteoporose e perda de massa muscular.
  • Melhoria do humor e da qualidade de vida.
  • Preservação da saúde cardiovascular (desde que iniciada na janela de oportunidade, idealmente até 60 anos).

Monitorização e precauções

  • Avaliação médica periódica: Controlo da tensão arterial, exames ao fígado, rastreios ginecológicos e mamográficos.
  • Evitar THS se houver contraindicações: História de trombose, AVC, cancro da mama, doença hepática grave.
  • Considerar alternativas se houver riscos: Tibolona (Livial®), SERMs como raloxifeno (para a osteoporose).

Se não houver contraindicações, esta opção apenas com estrogénios é segura e eficaz para melhorar a qualidade de vida e prevenir complicações da menopausa.


Alternativas à terapêutica hormonal de substituição (THS)

Se houver contraindicação à THS, alternativas como SERMs (moduladores seletivos dos recetores de estrogénio), tibolona ou fitoestrogénios podem ser consideradas.

Sugestão: Antes de iniciar qualquer THS, é fundamental uma consulta médica para avaliação completa e prescrição adequada.

Moduladores seletivos dos recetores de estrogénios (SERMs)

Exemplos principais:

  • Raloxifeno
  • Bazedoxifeno (frequentemente em associação com estrogénios conjugados – TSEC: Tissue Selective Estrogen Complex)
  • Tamoxifeno (mais usado em oncologia, menos na menopausa)

Efeitos terapêuticos:

  • Prevenção e tratamento da osteoporose pós-menopáusica
  • Efeito estrogénico benéfico sobre o metabolismo ósseo
  • Efeito antiestrogénico sobre o tecido mamário e endométrio (importante em prevenção de cancro)

Vantagens:

  • Redução do risco de cancro da mama
  • Melhoria da densidade mineral óssea e redução do risco de fraturas vertebrais
  • Pode ser usado em mulheres com contraindicação para estrogénios

Desvantagens:

  • Não alivia sintomas vasomotores (ex: afrontamentos)
  • Risco de tromboembolismo venoso
  • Pode causar cãibras nas pernas e ondas de calor
  • Não tem efeito positivo sobre a secura vaginal

Tibolona

O que é a tibolona?

É um esteroide sintético com atividade estrogénica, progestagénica e androgénica, Metaboliza-se em compostos com diferentes perfis de ação;

Efeitos terapêuticos:

  • Alívio de sintomas vasomotores (ex: afrontamentos)
  • Melhoria da libido
  • Prevenção da osteoporose
  • Efeito positivo sobre o humor e bem-estar geral

Vantagens:

  • Atua em múltiplos sintomas da menopausa
  • Pode melhorar a função sexual
  • Menor impacto mamário comparado com a THS convencional
  • Risco de sangramento vaginal é menor

Desvantagens:

  • Contraindicada em mulheres com história de cancro da mama
  • Pode aumentar o risco de AVC em mulheres idosas
  • Não indicada para mulheres muito jovens na menopausa precoce
  • Pode alterar o perfil lipídico

Fitoestrogénios

Fitoestrogénios são compostos naturais encontrados em plantas que imitam a estrutura química e a ação dos estrogénios humanos (hormonas sexuais femininas). Embora sejam mais fracos do que os estrogénios endógenos, podem ligar-se aos recetores de estrogénios no corpo, exercendo efeitos estrogénicos ou antiestrogénicos, dependendo da concentração hormonal do organismo e do tipo de tecido.

Principais tipos:

  • Isoflavonas (ex: da soja, trevo vermelho)
  • Lignanas (sementes de linhaça)
  • Cumestanos (rebentos de alfafa)

Efeitos terapêuticos:

  • Alívio leve de sintomas vasomotores
  • Possível melhoria da saúde óssea e perfil lipídico
  • Ação antioxidante

Vantagens:

  • Produto natural e geralmente bem tolerado
  • Pode ser uma opção para mulheres que recusam terapêuticas hormonais
  • Sem risco comprovado de cancro da mama

Desvantagens:

  • Eficácia variável e geralmente inferior à THS
  • Resultados inconsistentes nos estudos clínicos
  • Pode interagir com medicamentos, sobretudo em oncologia
  • Efeitos dependem da microbiota intestinal (conversão dos compostos ativos)

Resumo funcional:

  • Em mulheres com baixos níveis de estrogénio (como na menopausa), os fitoestrogénios podem imitar o estrogénio e aliviar sintomas.
  • Em mulheres com níveis normais, podem bloquear parcialmente os recetores e atuar como antiestrogénicos.

Comparação geral das alternativas à THS:

ParametroTHSSERMsTibolonaFitoestrogénios
Sintomas vasomotores✅ Muito eficaz❌ Ineficaz✅ Eficaz⚠️ Leve eficácia
Saúde óssea✅ Eficaz✅ Eficaz✅ Eficaz⚠️ Potencial benefício
Risco de cancro da mama⚠️ Aumentado (dependente)✅ Reduzido⚠️ Desconhecido/ligado✅ Sem aumento conhecido
Saúde vaginal✅ Eficaz❌ Ineficaz⚠️ Possível melhoria⚠️ Pouco efeito
Libido⚠️ Variável❌ Sem efeito✅ Pode melhorar❌ Pouco efeito
Risco tromboembólico⚠️ Aumentado⚠️ Aumentado⚠️ Possível aumento✅ Nenhum

Fitoestrogénios e microbiota intestinal

Os fitoestrogénios não são ativos na sua forma original nos alimentos. Para que tenham atividade estrogénica efetiva, precisam de ser convertidos por bactérias intestinais em metabólitos ativos, que conseguem ligar-se aos recetores de estrogénios humanos.

Esta transformação ocorre principalmente no cólon e depende da diversidade e funcionalidade da microbiota intestinal. Por isso, indivíduos com diferentes perfis bacterianos podem ter respostas clínicas muito distintas ao consumo de fitoestrogénios.


Estirpes bacterianas com papel na modulação de fitoestrogénios

Estirpes que potenciam os efeitos estrogénicos:

BactériaFunção principal
Slackia isoflavoniconvertensConverte daidzeína (da soja) em equol, um potente fitoestrogénio
Lactococcus garvieaeTambém pode produzir equol
Eggerthella spp.Participa na conversão de isoflavonas em metabolitos ativos
Bifidobacterium spp.Modulam absorção intestinal e ativação parcial de lignanas
Lactobacillus spp.Melhoram a biodisponibilidade e fermentação de isoflavonas

Nota: Apenas cerca de 30–50% das pessoas têm uma microbiota capaz de produzir equol, o metabolito mais potente das isoflavonas.


Estirpes que podem reduzir ou inibir os efeitos dos fitoestrogénios:

BactériaEfeito prejudicial
Clostridium spp. (algumas espécies)Podem degradar compostos antes da conversão em formas ativas
Bacteroides fragilisMetabolismo diverso que pode competir com as vias benéficas
Enterobacteriaceae (ex: Escherichia coli, Klebsiella)Associadas a disbiose e metabolismo hormonal desregulado

Microbiota estrogénica (“estroboloma”)

Existe um subconjunto específico da microbiota intestinal, conhecido como estroboloma, que inclui bactérias capazes de:

  • Produzir β-glucuronidase, enzima que reativa estrogénios conjugados excretados na bile, permitindo a sua recirculação sistémica.
  • Esta atividade pode aumentar os níveis circulantes de estrogénios, mesmo sem suplementação externa.

Em disbiose (desequilíbrio da microbiota), essa reativação pode ser excessiva ou deficiente, afetando sintomas da menopausa, risco de cancro da mama ou efeitos dos fitoestrogénios.


Concluindo sobre fitoestrogénios

A eficácia dos fitoestrogénios depende da:

  • Presença de bactérias capazes de convertê-los em formas bioativas
  • Saúde geral da microbiota intestinal
  • Atividade do estroboloma
  • Em mulheres com baixos níveis de estrogénio (como na menopausa), os fitoestrogénios podem imitar o estrogénio e aliviar sintomas.
  • Em mulheres com níveis normais, podem bloquear parcialmente os recetores e atuar como antiestrogénicos.
  • O médico deve prescrever análises clínicas para avaliar o nível de estrogénios da mulher antes do aconselhamento,

Conclusão  final

A menopausa marca uma transição natural na vida da mulher, mas nem por isso deixa de trazer desafios significativos. Entre eles, destaca-se a síndrome musculoesquelética da menopausa, uma condição recentemente reconhecida que agrupa sintomas como dores articulares, perda de força muscular e fragilidade óssea, diretamente relacionados com a diminuição dos níveis de estrogénio.

A literatura científica tem vindo a reforçar a importância de compreender este fenómeno de forma holística. Segundo Wright et al. (2024), o sistema musculoesquelético é altamente sensível às variações hormonais e deve ser alvo de atenção específica durante e após a menopausa. O estrogénio, além do seu papel na saúde óssea, exerce um efeito anti-inflamatório que protege articulações e músculos — e a sua ausência pode contribuir para processos inflamatórios crónicos e degenerativos.

Além disso, estudos recentes mostram que fatores como a composição da microbiota intestinal podem influenciar a resposta inflamatória e o metabolismo hormonal, sugerindo que a saúde digestiva pode ter um impacto indireto, mas relevante, na experiência da menopausa (Plottel & Blaser, 2011; Santos-Marcos et al., 2022).

A boa notícia é que há estratégias comprovadas para mitigar estes efeitos: exercício físico regular (especialmente treino de força e impacto moderado), alimentação adequada (rica em cálcio, vitamina D, proteína e fibras), manutenção da saúde intestinal e, quando indicado, terapias hormonais ou suplementos específicos, são formas eficazes de promover a qualidade de vida nesta fase.

Em suma, a menopausa não deve ser encarada como um declínio inevitável, mas sim como uma nova etapa da vida onde a informação, a prevenção e os cuidados personalizados fazem toda a diferença. Com o apoio certo, é possível atravessar esta fase com mais vitalidade, força e bem-estar do que nunca.

Referências bibliográficas sobre fitoestrogénios

Seguem‑se as referências principais consultadas para elaborar a explicação sobre a interação entre fitoestrogénios e microbiota intestinal (estroboloma). Incluem-se autores, ano, título e periódico sempre que disponíveis — todas elas tratam especificamente da conversão bacteriana de isoflavonas em equol, do papel de espécies como Slackia isoflavoniconvertens, Eggerthella spp. e Lactococcus garvieae, bem como de revisões recentes sobre o estroboloma:

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  3. Lyu C. et al. (2022) “Daidzein and genistein are converted to equol and 5‑hydroxy‑equol by Slackia isoflavoniconvertens.” Journal of Agricultural and Food Chemistry (online ahead of print). ScienceDirect
  4. Iino C. et al. (2019) “Daidzein intake is associated with equol‑producing status through an increase in the intestinal bacteria responsible for equol production.” Nutrients, 11(2): 433. MDPI
  5. Gutiérrez‑Díaz I. et al. (2023) “Gut microbial β‑glucuronidase: a vital regulator in female oestrogen metabolism.” Gut Microbes (review). Taylor & Francis Online
  6. Grover M. et al. (2023) “Gut Microbiome–Estrobolome Profile in Reproductive‑Age Women.” Frontiers in Cellular and Infection Microbiology, 13: 1220937. PMC
  7. Johnsen S.S. et al. (2025) “Menopausal shift on women’s health and microbial niches.” Nature Reviews Microbiology, 23(2): 101‑117. Nature
  8. Matysik‑Matuszek B. et al. (2024) “Estrogen‑metabolising pathways of the gut microbiome and their clinical significance.” International Journal of Cancer (review). Wiley Online Library

Estas publicações cobrem:

  • A bioquímica da conversão de isoflavonas (daidzeína/genisteína → equol) pelas estirpes Slackia, Eggerthella e Lactococcus.
  • A variabilidade individual (apenas 30–50 % das pessoas são “equol producers”).
  • O conceito e a importância do estroboloma (conjunto de microrganismos com β‑glucuronidase que modulam a recirculação de estrogénios).
  • Revisões de 2023–2025 que actualizam o impacto da microbiota na menopausa e na saúde feminina em geral.

Referências bibliográficas gerais

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  • Video: The Healthy Ageing Doctor: Doing This For 30s Will Burn More Fat Than A Long Run! Dr Vonda Wright
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Antinutrientes lectinas fitatos oxalatos e glúten quais os mais perigosos?

Antinutrientes são substâncias químicas encontradas em plantas que impedem o nosso corpo de absorver nutrientes essenciais dos alimentos; Os principais antinutrientes que devemos observar são lectinas, fitatos, glúten e oxalatos, embora nem todos sejam maus;

Algumas pessoas são mais sensíveis aos antinutrientes do que outras; Testa a tua sensibilidade com uma dieta de eliminação para confirmar os sintomas; Comer uma fonte constante de antinutrientes pode levar a problemas intestinais, inflamação, artrite e confusão mental, sendo mais inteligente comer alimentos que não apresentam riscos potenciais;

Alguns dos alimentos que vou referir, principalmente os vegetais, são muitas vezes apontados como saudáveis. Este artigo apenas pretende alertar para a possibilidade de alguns de nós comerem de forma saudável e no entanto descreverem sintomas que são difíceis de explicar, nomeadamente gastrointestinais.

Reagimos de formas diferentes aos mesmos alimentos, uns podem comer tudo o que desejarem sem problemas mas outros reagem de forma mais agressiva a certos antinutrientes, por exemplo as lectinas das plantas.

Assim quem tem sintomas deve tentar identificar os “alimentos culpados” com uma dieta de eliminação individual ou seja deixando de comer apenas um alimento de cada vez para tentar detetar se será esse que está a determinar os maus sintomas.

Neste artigo vou falar sobre:

  • Antinutrientes o que são?
  • Será que temos de evitar estas plantas?
  • Lectinas
  • Fitatos
  • Oxalatos
  • Glúten

Antinutrientes o que são?

Antinutrientes são compostos encontrados em alimentos que interferem na absorção de nutrientes e minerais benéficos. Eles impedem que o corpo seja a esponja de micronutrientes eficiente que deveria ser. Extraímos os alimentos e nutrientes que  necessitamos a partir do ambiente que nos rodeia mas a evolução desenvolveu plantas com capacidade de se protegerem de maneira a poderem sobreviver. Os fitoquímicos que consomem nutrientes protegem as plantas comestíveis saborosas de serem devorados até ao ponto de extinção.

Esse sistema de defesa de última geração ensinou aos animais que o consumo excessivo resultava em doenças e às vezes em morte. Os animais evoluíram para conseguirem digerir as plantas ricas em antinutrientes ou para deixarem de as comer.

Os antinutrientes são encontrados em maiores concentrações nos grãos, feijões, leguminosas e nozes, mas também podem ser encontrados em folhas, raízes e frutos de certas variedades de plantas.

Será que temos mesmo de evitar estas plantas?

Nem todos os antinutrientes são maus. É impossível evitá-los todos e não nos sentiremos bem se os cortarmos radicalmente da nossa dieta. Em vez disso, precisamos evitar aqueles que causam grandes danos no nosso intestino ou aqueles que são gatilhos para reações mais agressivas do nosso organismo. Somente eliminando um alimento da dieta e reintroduzindo-o se pode determinar se esse alimento é prejudicial.

As cinco grandes mentiras sobre saúde
As cinco grandes mentiras sobre saúde

Lectinas

As lectinas são proteínas que causam problemas no sistema digestivo, aderindo à parede intestinal e criando permeabilidade intestinal.1 Quando a comida se move pelo trato gastrointestinal, ela atinge o revestimento do intestino, causando microtrauma. Normalmente, as células e os nossos mecanismos de proteção reparam esses danos  antes que isso leve a qualquer problema real. As lectinas atrapalham esse processo. Elas aderem às paredes do seu intestino, impedindo a reparação. O dano resultante causa inflamação de baixo nível no trato gastrointestinal.

Quando comemos muitas lectinas, a parede intestinal desenvolve “buracos” e o conteúdo passa para a corrente sanguínea, causando a síndrome do intestino permeável.

Existem milhares de variedades de lectinas pois elas estão presentes na maioria das espécies de plantas. Nem todas são tóxicas ou causam danos intestinais. As fontes mais comuns de lectinas incluem:

  • Grãos, 
  • Legumes, 
  • Solanáceas. 

Exemplos de plantas que contêm drasticamente mais lectinas do que outras fontes de alimentos, são os seguintes:

  • Trigo, 
  • Feijão, 
  • Quinoa, 
  • Ervilha, 
  • Amendoim, 
  • Batata branca, 
  • Tomate, 
  • Berinjela. 

Todos são suspeitos e podem causar problemas sem tu saberes! Quanto mais comemos, mais danos causam ao nosso corpo. Em vez disso, concentra-te em obter a maior parte dos nutrientes de alimentos de baixo risco. Dito isto, a sensibilidade à lectina varia muito de pessoa para pessoa. Pode comer lectinas de manhã, ao meio-dia e à noite e nunca ter problemas, no entanto podes ter um amigo que não pode tocar nessas plantas. Sabes que tens um problema com as lectinas se, depois de comer uma refeição rica em lectinas, sentires os seguintes sintomas:

  • Inflamação,
  • Confusão mental,
  • Enxaquecas,
  • Problemas gástricos,
  • Acne
  • Dor nas articulações.

Solanáceas

As lectinas das solanáceas, em particular, são um gatilho autoimune comum e podem causar sensibilidade em muitas pessoas. Para testar a tua sensibilidade, experimenta um almoço cheio de solanáceas tais como tomates, pimentões e batatas e analisa como te sentes depois.

Na maioria das vezes, podes eliminar ou reduzir o número de lectinas na comida cozinhando-a primeiro. O Dr. Steven Gundry, famoso cirurgião cardíaco, pesquisador, médico e autor, explica como diferentes métodos de preparação podem reduzir o teor de lectinas, o que minimiza os efeitos indesejáveis ​​dos antinutrientes.

“O cozimento sob pressão faz  um bom trabalho na destruição das lectinas. A ideia de deixar o feijão de molho com várias trocas de água definitivamente diminui as lectinas. O calor diminui as lectinas”, explica Gundry. “Mas existem documentos muito válidos que mostram que isso provavelmente não é suficiente para indivíduos muito sensíveis.”

Dicas de dieta:

  • Escolhe arroz branco em vez de arroz integral, as lectinas estão na casca do arroz;
  • A batata-doce tem drasticamente menos teor de lectinas do que a batata branca;
  • Evita a manteiga de amendoim pois as lectinas do amendoim causam uma resposta inflamatória na maioria das pessoas e não são destruídas pelo calor;

Ácido fítico (fitatos)

O ácido fítico, também conhecido como fitatos, é um dos antinutrientes mais perigosos, bloqueando a absorção de nutrientes pesados ​​como magnésio, zinco, cálcio e ferro, entre outros. Encontrado em grãos integrais, nozes, soja e sementes, o ácido fítico liga-se a esses minerais, impedindo a sua absorção.

Os fitatos também inibem as enzimas digestivas pepsina, tripsina e amilase. A amilase é necessária para a quebra do amido, enquanto a tripsina e a pepsina estão envolvidas na quebra da proteína. Quando essas enzimas não estão presentes nas quantidades certas, os alimentos não são processados ​​adequadamente e o nosso corpo perde os principais nutrientes.

Se o nosso corpo tem um grande influxo de fitatos, isso significa que há menos nutrientes para distribuir, mas o corpo também é substancialmente menos eficiente em quebrar os macronutrientes nos seus componentes mais básicos e nutritivos.

O nosso corpo pode lidar com uma certa quantidade de fitatos, mas é uma boa ideia eliminar as principais fontes para que os nossos minerais sejam absorvidos. Além disso, removê-los completamente de nossa dieta seria impossível.

Para construir músculos ou queimar gordura, o corpo precisa de uma certa quantidade de proteínas ou carboidratos. No entanto, essa quantidade depende em grande parte de quão saudável é nosso intestino. Isso porque um sistema digestivo otimizado requer menos comida para alimentar o corpo adequadamente.

O ácido fítico é mais concentrado no farelo de grãos, por isso prefere o arroz branco em vez do arroz integral. Nas leguminosas, o ácido fítico é encontrado na camada de cotilédones, que é muito mais difícil de remover, por isso leguminosas como feijão, lentilhas e soja devem ser consumidas com muito cuidado.

Cozinhar certos alimentos que são ricos em fitatos e depois drenar a água ou mergulhá-los em um ácido como limão ou vinagre reduz os fitatos, mas muitos dos grãos e sementes que contêm fitatos são irritantes para o intestino mesmo quando cozidos.

Dicas de dieta:

  • Evite a canola ou outros óleos de sementes; cozinhe com óleo de abacate, óleo de coco ou manteiga/ghee.
  • Evite o feijão pois é rico em carboidratos e não particularmente rico em nutrientes

Ácido oxálico (oxalatos)

Se gostas de batidos de espinafre e couve fica a saber que podes estar a causar mais mal do que bem ao teu organismo! O ácido oxálico é um composto antinutriente encontrado em muitas plantas, como vegetais crucíferos crus tais como:

  • Couve, 
  • Rabanete, 
  • Couve-flor, 
  • Brócolos  
  • Acelga, 
  • Espinafre, 
  • Salsa, 
  • Beterraba, 
  • Pimenta preta, 
  • Chocolate, 
  • Nozes, 
  • Frutas,
  • Feijão.

Quando os oxalatos se ligam ao cálcio no sangue, formam-se pequenos cristais de ácido oxálico que podem ser depositados em qualquer parte do corpo e causar dores musculares. Quando isso acontece nos rins, causa pedras nos rins. Os oxalatos também causam uma condição nas mulheres chamada vulvodinia, que leva ao sexo doloroso por causa dos cristais de ácido oxálico nos lábios.

Em pessoas sensíveis, mesmo pequenas quantidades de oxalatos causam queimação nos olhos, ouvidos, boca e garganta. Consumir grandes quantidades pode causar dor abdominal, fraqueza muscular, náusea e diarreia. As pessoas que comem grandes quantidades de vegetais crus podem ser particularmente suscetíveis.

Como os fitatos, os oxalatos podem ser reduzidos cozinhando e drenando a água, ou mergulhando em ácido. O magnésio e o zinco dietéticos adicionados ligam-se ao ácido oxálico, diminuindo substancialmente a absorção de oxalato.2

Dicas de dieta:

  • Nunca adicione couve crua, espinafre ou acelga a saladas ou batidos. Cozinhe-os a vapor primeiro.
  • Ao temperar as refeições, não use a pimenta preta para evitar oxalatos.

Glúten

O glúten é uma proteína encontrada no trigo, cevada, centeio e aveia que pode causar permeabilidade intestinal (ou seja, intestino permeável). “O problema com o glúten é que nenhum humano pode digeri-lo. É impossível digerir as proteínas do glúten que estão no trigo, cevada e centeio”, segundo o nutricionista certificado Tom O’Bryan, autor de “The Autoimmune Fix”.

O espectro de reação à indigestibilidade do glúten coloca as pessoas em duas categorias: 

  • Sensibilidade ao glúten celíaca 
  • Sensibilidade ao glúten não celíaca.

A maioria da população tem sensibilidade ao glúten não celíaca. Substâncias não digeríveis no sistema digestivo causam uma resposta imune, as respostas imunes assumem a forma de inflamação. A inflamação é, na maioria das vezes, a culpada por trás de nossa névoa cerebral, desconforto digestivo e absorção de nutrientes abaixo do ideal.

Grãos contendo glúten decompõem-se no intestino em compostos opióides chamados gluteomorfinas que acionam os mesmos receptores cerebrais que drogas opiáceas como a heroína, o que significa que são altamente viciantes.

Estruturalmente, o glúten é composto de dois tipos de proteínas de armazenamento, prolaminas e glutelinas.3 As glutelinas à base de trigo são chamadas gluteninas, que consistem em subunidades de alto peso molecular (HMW) e baixo peso molecular (LMW). Os produtos de trigo feitos com níveis mais elevados de HMW tendem a ser mais elásticos e consequentemente mais mastigáveis ​​como a massa de pizza; enquanto níveis mais baixos de HMW tendem a assumir a forma de doces.4 Originalmente, pensava-se que a giladina (a prolamina à base de trigo) era o principal antinutriente que contribui para o glúten, mas foi demonstrado que a glutenina é igualmente tóxica.5 Assim, mesmo quando comemos algo que parece mais leve, estamos a degradar o nosso seu sistema digestivo pois é na mesma uma forma de glúten.

O glúten está escondido em lugares além das fontes óbvias; produtos como molho de soja, cerveja e até carnes processadas contêm glúten o que pode estar prejudicar o nosso desempenho físico e mental.

Dicas de dieta:

  • Substitui qualquer farinha à base de trigo por farinha de mandioca para evitar o glúten;
  • Se bebes álcool, evita a cerveja e bebe vodka de batata ou gim para evitar o glúten em tua bebida.

Referências

1. https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/15302522

2. https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/9096270

3. https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/28244676

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