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Descobertas recentes no tratamento do cancro (2024–2026): O que mudou na medicina oncológica?

O cancro continua a ser uma das principais causas de morte a nível mundial. Segundo o relatório GLOBOCAN 2022 da Agência Internacional para Investigação em Cancro (IARC), ocorreram aproximadamente 20 milhões de novos casos de cancro e 9,7 milhões de mortes num único ano¹.

Estima-se que 1 em cada 5 pessoas desenvolverá cancro ao longo da vida¹. A Organização Mundial da Saúde projeta que o número anual de novos casos poderá ultrapassar 35 milhões até 2050, impulsionado pelo envelhecimento populacional e fatores ambientais².

Apesar destes números preocupantes, os anos de 2024, 2025 e 2026 marcaram avanços significativos na terapêutica oncológica, baseados em biologia molecular, imunologia e medicina personalizada.

Índice de temas do artigo

  • O que mudou: do “órgão” para o “alvo molecular”
  • Imunoterapia: novas combinações, novos alvos e melhor seleção de doentes
  • Terapias celulares: do sangue para tumores sólidos
  • Anticorpos biespecíficos: “engagers” e resposta profunda em hemato-oncologia
  • ADCs (conjugados anticorpo-fármaco): quimioterapia mais dirigida e mais potente
  • Radioligandos/teranóstica: tratar com precisão “guiada” por imagem
  • Terapias alvo e estratégias tumor-agnostic
  • Vacinas e terapias baseadas em RNA: a personalização acelera
  • Biópsia líquida e MRD: tratar mais cedo, tratar menos (quando possível)
  • IA na oncologia: diagnóstico, estratificação e apoio à decisão
  • Limitações reais, riscos e o que esperar a seguir
  • Conclusão e resumo prático

A revolução da medicina personalizada

Durante décadas, o tratamento do cancro era definido principalmente pelo órgão afetado. Hoje, a decisão terapêutica baseia-se cada vez mais em biomarcadores moleculares.

Terapias Tumor-Agnostic

Algumas terapias são agora aprovadas com base numa alteração genética específica — independentemente do tipo de tumor — como:

  • Fusão NTRK
  • MSI-H / dMMR
  • TMB elevado

Este conceito representa uma mudança paradigmática na oncologia moderna³⁻⁵.


Imunoterapia de nova geração

Os inibidores de checkpoint imunitário (anti-PD-1, anti-PD-L1, anti-CTLA-4) continuam a evoluir.

Combinações terapêuticas

A investigação recente demonstra que a combinação de:

  • Imunoterapia + imunoterapia
  • Imunoterapia + terapias alvo
  • Imunoterapia + ADCs
  • Imunoterapia + radioterapia

pode aumentar significativamente a eficácia clínica⁶.

Superar resistência tumoral

Estudos mostram que o microambiente tumoral influencia a resposta imunológica, e novas estratégias procuram modular essa interação⁶.


Terapias celulares CAR-T em tumores sólidos

As terapias CAR-T revolucionaram os cancros hematológicos. Em 2025, um estudo publicado no The Lancet demonstrou resultados promissores com CAR-T dirigida a CLDN18.2 no cancro gástrico avançado⁷⁻⁸.

Este marco sugere que as terapias celulares podem finalmente expandir-se para tumores sólidos.


Anticorpos bioespecíficos: Nova era na hemato-oncologia

Os anticorpos biespecíficos (por exemplo CD3×CD20 e BCMA×CD3) permitem ativar células T diretamente contra células tumorais.

Revisões recentes confirmam a sua eficácia crescente em linfomas e mieloma múltiplo¹⁰.


ADCs – Conjugados Anticorpo-Fármaco

Os ADCs representam uma das áreas mais dinâmicas da oncologia moderna.

Exemplos incluem:

  • Trastuzumab deruxtecan
  • Sacituzumab govitecan

Estudos publicados em 2025 mostram melhoria significativa na sobrevivência em cancro da mama metastático¹²⁻¹⁴.

Estes fármacos permitem entregar quimioterapia de forma altamente direcionada.


Radioligandos e Teranóstica

A utilização de ¹⁷⁷Lu-PSMA-617 no cancro da próstata metastático representa um avanço importante na terapêutica guiada por imagem molecular¹⁵⁻¹⁶.

Esta abordagem combina diagnóstico e tratamento num único conceito terapêutico.


Terapias Alvo: KRAS já não é “Inatingível”

A aprovação acelerada de adagrasib + cetuximab para cancro colorretal metastático com mutação KRAS G12C demonstra que mesmo alvos anteriormente considerados intratáveis podem tornar-se opções terapêuticas viáveis¹⁷⁻¹⁸.


Vacinas de RNA contra o cancro

As vacinas terapêuticas baseadas em mRNA estão a evoluir rapidamente.

Ensaios recentes em melanoma demonstraram potencial benefício quando combinadas com imunoterapia anti-PD-1⁶⁻¹⁹.


Biópsia líquida e Doença Residual Mínima (MRD)

A deteção de ADN tumoral circulante (ctDNA) permite identificar doença residual mínima após cirurgia.

Revisões recentes sugerem que esta abordagem pode ajudar a decidir quem necessita de quimioterapia adicional²⁰⁻²¹.


Inteligência Artificial na oncologia

A IA está a ser aplicada em:

  • Patologia digital
  • Radiologia
  • Análise multi-ómica

Revisões recentes destacam o potencial da IA para melhorar diagnóstico e estratificação prognóstica²²⁻²³.


Tabela resumo: Descobertas recentes

DescobertaTipo de CancroFase ClínicaImpacto Prático
Terapias tumor-agnosticVáriosMetastáticoTratamento baseado na mutação
CAR-T CLDN18.2GástricoPós-linhas padrãoPrimeira evidência sólida em tumores sólidos
ADCsMama e outrosMetastáticoQuimioterapia dirigida
177Lu-PSMAPróstatamCRPCTerapia guiada por imagem
KRAS G12CColorretalPós-padrãoNovo alvo terapêutico
ctDNAColorretalPós-cirurgiaDecisão terapêutica personalizada

Perguntas Frequentes

O que mudou no tratamento do cancro em 2026?

O tratamento tornou-se mais personalizado, baseado em biomarcadores moleculares, imunoterapia combinada, terapias celulares e inteligência artificial.

A imunoterapia pode curar o cancro?

Em alguns casos específicos pode induzir remissões prolongadas, mas a eficácia depende do tipo de tumor e perfil molecular.

O que é biópsia líquida?

É a deteção de ADN tumoral no sangue para monitorizar doença residual.


Conclusão

Os avanços recentes no tratamento do cancro mostram uma transição clara para:

  • Medicina personalizada baseada em biomarcadores
  • Terapias celulares e imunológicas mais eficazes
  • Tratamentos dirigidos com maior precisão
  • Monitorização molecular através de ctDNA
  • Integração crescente de inteligência artificial

O futuro da oncologia é cada vez mais preciso, individualizado e biologicamente orientado.

Fontes bibliográficas

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  20. Ma D, et al. Circulating tumor DNA for MRD detection in colorectal cancer. [Review] 2025.
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  22. Wang J, et al. Artificial intelligence in cancer pathology: applications and challenges. [Review] 2025.
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Referências adicionais

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  4. Bispecific antibodies review 2025.
    12–14. ADCs breast cancer studies 2025.
    15–16. 177Lu-PSMA updates 2025–2026.
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    20–21. ctDNA MRD reviews 2025.
    22–23. AI in oncology reviews 2025.

O desafio do paracetamol nos adolescentes e redes sociais segurança e toxicidade

O paracetamol ou acetaminofeno é um dos medicamentos mais utilizados mundialmente como analgésico (dor) e antipirético (febre) ou seja no tratamento sintomático da dor ligeira a moderada e da febre. Estima-se que milhões de doses sejam consumidas diariamente em todo o mundo¹.

Contudo, apesar do seu perfil de segurança favorável quando usado incorretamente, o paracetamol é a principal causa de insuficiência hepática aguda no mundo ocidental, particularmente no Reino Unido e nos Estados Unidos²⁻³. Nos EUA, é responsável por cerca de 50% dos casos de falência hepática aguda relacionados com fármacos².

O desafio do paracetamol nas redes sociais

Numa nota informativa, a ordem dos farmacêuticos sublinha que tem sido identificado, nomeadamente entre os adolescentes, um aumento de comportamentos de risco associados ao denominado “desafio do paracetamol” em circulação nas redes sociais, no qual é incentivada a toma deliberada de doses elevadas deste fármaco numa competição doentia para testar quem aguenta mais tempo antes de aparecerem os sintomas e ter de ir com urgência ao hospital, correndo risco de vida!

Este fenómeno, já verificado em países como Alemanha, Bélgica, Espanha, França ou Suíça, representa um risco significativo para a saúde, uma vez que a toxicidade do paracetamol pode manifestar-se antes do aparecimento de sintomas clínicos, pelo que se torna imperativa a sua abordagem junto desta população. 

Os utentes devem ser sensibilizados para o facto de que o paracetamol não é inócuo e que, tal como todos os medicamentos, apenas deve ser utilizado quando necessário e de acordo com a posologia indicada pelo médico, farmacêutico ou constante do folheto informativo. 

O maior risco associado ao seu uso consiste na ingestão de doses superiores às recomendadas. Em adultos, a dose diária de paracetamol não deve geralmente ultrapassar os 3 g (500 mg a 1 g a cada 4–6 horas), devendo ser reduzida em caso de doença hepática ou presença de fatores de risco. Nas crianças, a dose é calculada com base no peso corporal.

A toxicidade associada ao paracetamol resulta maioritariamente de:

  • Sobredosagem intencional
  • Erros posológicos
  • Uso prolongado acima das doses recomendadas
  • Associação inadvertida com múltiplos medicamentos contendo paracetamol

Este artigo analisa, com base na evidência científica até 2026, os mecanismos fisiopatológicos da toxicidade, as doses terapêuticas e perigosas, os sinais clínicos, as abordagens terapêuticas e as apresentações disponíveis.


Índice

• Mecanismo de ação do paracetamol, sinais e sintomas de sobredosagem
• Metabolismo hepático e formação do metabolito tóxico
• Alterações fisiopatológicas na intoxicação
• Fases clínicas da intoxicação
• Doses terapêuticas recomendadas
• Doses tóxicas e potencialmente fatais
• Tabelas comparativas por faixa etária
• Tratamento da intoxicação aguda
• Papel da N-acetilcisteína
• Situações especiais (álcool, doença hepática, desnutrição)
• Marcas comerciais e dosagens disponíveis em Portugal
• Conclusão

As cinco grandes mentiras sobre saúde
As cinco grandes mentiras sobre saúde

Sinais e sintomas de alarme

A sobredosagem pode provocar lesão hepática grave e irreversível, podendo evoluir para insuficiência hepática aguda, necessidade de transplante hepático e, em casos extremos, morte. Em casos menos frequentes podem também ocorrer lesões renais, sobretudo associadas a utilização prolongada e/ou ingestão excessiva.

A sobredosagem pode ocorrer por ingestão única de uma dose elevada ou por uso crónico acima das doses recomendadas. Os sintomas iniciais surgem geralmente nas primeiras 24 horas e incluem náuseas, vómitos, sudação, mal-estar e letargia.

À medida que o dano hepático progride, pode surgir dor abdominal, evoluindo para complicações graves. Perante suspeita de sobredosagem, deve ser procurada assistência médica imediata, mesmo na ausência de sintomas, pois o tratamento é mais eficaz se iniciado precocemente.

Mecanismo de ação

O paracetamol exerce ação analgésica e antipirética predominantemente por:

  • Inibição central da ciclooxigenase (COX)
  • Modulação da via serotoninérgica descendente
  • Influência sobre sistemas endocanabinóides

Não possui atividade anti-inflamatória significativa⁴.


Metabolismo hepático e formação do metabolito tóxico

Após administração oral:

  • 90–95% é metabolizado por conjugação com glucuronídeo e sulfato
  • 5–10% é metabolizado pelo citocromo P450 (CYP2E1 principalmente)
  • Forma-se o metabolito reativo **NAPQI (N-acetil-p-benzoquinona imina)**⁵

Em condições normais:

  • O NAPQI é neutralizado pela glutationa hepática

Em sobredosagem:

  • A glutationa esgota-se
  • O NAPQI liga-se às proteínas celulares
  • Ocorre necrose hepatocelular centrolobular⁵⁻⁶

Alterações fisiopatológicas na intoxicação

As principais alterações incluem:

  • Necrose hepatocelular centrolobular
  • Aumento maciço de AST/ALT (>1000 UI/L)
  • Coagulopatia (↑ INR)
  • Acidose metabólica
  • Encefalopatia hepática
  • Insuficiência renal aguda associada

A falência hepática pode ocorrer 48–96 horas após ingestão tóxica⁶.


Fases clínicas da intoxicação

FaseTempo após ingestãoManifestações
I0–24hAnorexia, náuseas, vómitos, sudorese
II24–72hDor abdominal no hipocôndrio direito, aumento transaminases, AST, ALT e, se a intoxicação for grave, bilirrubina e tempo de protrombina (em geral relatado conforme RNI) algumas vezes elevados
III72–96hInsuficiência hepática, coagulopatia, encefalopatia
Vômitos e sintomas de insuficiência hepática
AST, ALT, bilirrubina e pico de RNI
Às vezes, insuficiência renal e pancreatite
IV> 5 diasResolução da hepatotoxicidade ou progressão para insuficiência de múltiplos órgãos (às vezes fatal)

Fontes: Manuais MSD

https://onlinelibrary.wiley.com/doi/full/10.1002/hep.20293


Doses terapêuticas recomendadas

Adultos

ParâmetroDose
Dose única habitual500–1000 mg
Intervalo6–8 horas
Dose máxima diária segura3–4 g/dia*

* Atualmente muitos consensos recomendam máximo 3 g/dia em uso prolongado⁷.

Crianças

IdadeDose por tomaMáximo diário
0–12 anos10–15 mg/kg60–75 mg/kg/dia

Fonte: Rumack BH, Matthew H. Pediatrics. 1975 .


Doses tóxicas e potencialmente fatais

Toxicidade aguda (ingestão única)

GrupoDose potencialmente tóxica
Crianças≥150 mg/kg
Adultos≥7,5 g numa única toma

Risco aumentado acima de 200 mg/kg⁶.


Toxicidade crónica (ingestão repetida)

Pode ocorrer com:

  • 4 g/dia durante vários dias
  • 100 mg/kg/dia em crianças
  • Doses menores em alcoólicos crónicos⁹

Dose potencialmente fatal

Não existe valor absoluto universal, mas:

  • 250 mg/kg associa-se a alto risco de falência hepática
  • 12–15 g pode ser fatal em adulto não tratado⁶

Tratamento da intoxicação aguda

Avaliação inicial

  • Dose ingerida
  • Tempo desde ingestão
  • Paracetamol plasmático (nomograma de Rumack-Matthew)
  • AST, ALT, INR, creatinina

Papel da N-acetilcisteína (NAC)

A NAC:

  • Repõe glutationa
  • Neutraliza NAPQI
  • Melhora perfusão hepática

É eficaz se iniciada nas primeiras 8 horas, mas benéfica mesmo mais tarde¹⁰.

Esquema IV clássico:

  • 150 mg/kg em 1 hora
  • 50 mg/kg em 4 horas
  • 100 mg/kg em 16 horas

Pode reduzir drasticamente a mortalidade¹⁰.


Situações de risco aumentado

• Alcoolismo crónico (indução CYP2E1)
• Doença hepática pré-existente
• Jejum prolongado / desnutrição
• Associação com indutores enzimáticos

Nestes casos recomenda-se dose máxima ≤2–3 g/dia⁷.


Marcas comerciais conhecidas (Portugal)

  • Ben-u-ron®
  • Dafalgan®
  • Panadol®
  • Tylenol® (internacional)

Dosagens disponíveis

FormaDosagem
Comprimidos500 mg, 1000 mg
Xarope pediátrico120 mg/5 ml
Supositórios125 mg, 250 mg, 500 mg
Solução IV hospitalar1 g/100 ml

Resumo comparativo de doses

Tabela geral

GrupoDose terapêutica diáriaDose tóxica agudaDose alto risco
Crianças60–75 mg/kg≥150 mg/kg≥200 mg/kg
Adultos3–4 g≥7,5 g≥12 g

Conclusão

O paracetamol mantém-se como um fármaco de primeira linha na dor e febre devido ao seu excelente perfil de segurança quando usado corretamente.

Contudo:

• É a principal causa de insuficiência hepática aguda nos países ocidentais
• A margem terapêutica não é ilimitada
• A sobredosagem pode ser silenciosa nas primeiras horas
• A N-acetilcisteína é altamente eficaz quando administrada precocemente

A educação farmacêutica é essencial para prevenir erros posológicos, especialmente em contexto pediátrico e em utentes polimedicados.


Referências Bibliográficas

  1. McCrae JC, et al. Long-term adverse effects of paracetamol. Ann Rheum Dis. 2018. https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC6138494/
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  9. Heard KJ. N Engl J Med. 2008. pubmed.ncbi.nlm.nih.gov
  10. Rumack BH, Matthew H. Pediatrics. 1975. pubmed.ncbi.nlm.nih.gov
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  12. https://onlinelibrary.wiley.com/doi/full/10.1002/hep.20293

Estratégia anti-envelhecimento: Glutationa e fascinante relação com a melatonina

A glutationa é um dos antioxidantes mais importantes do nosso organismo, talvez até o mais poderoso, desempenhando um papel crucial na manutenção da saúde, combate aos sinais de envelhecimento e na prevenção de doenças. A glutationa é encontrada em todas as células do corpo sendo conhecida pela sua poderosa e fascinante atividade antioxidante. Além disso, a glutationa é essencial para várias funções celulares e metabólicas, incluindo a desintoxicação de compostos nocivos, síntese de proteínas e regulação do sistema imunitário.

Mas afinal qual a sua extraordinária relação com a melatonina que regula o nosso sono? Que alimentos aumentam os níveis de glutationa?

Neste artigo, explora-se detalhadamente o que é a glutationa, as suas funções e como contribui para a nossa saúde. Além disso, descrevo maneiras de aumentar os níveis de glutationa através da alimentação, suplementação, hábitos de vida saudáveis e qual a sua intrigante relação com a melatonina que regula o nosso sono.

O que é a glutationa?

Glutationa, glutationo ou glutatião é um tripeptídeo linear, com uma ligação Y-amida incomum, constituído por três aminoácidos: 

  • Ácido glutâmico (glutamato), 
  • Cisteína,
  • Glicina.

O grupo tiol da cisteína o local ativo responsável pelas suas propriedades bioquímicas.

A glutationa (gama-glutamil-cisteinil-glicina; GSH) é o tiol de baixo peso molecular mais abundante, e o dissulfeto de GSH/glutationa é o principal par redox nas células animais. A síntese de GSH a partir de glutamato, cisteína e glicina é catalisada sequencialmente por duas enzimas citosólicas, a gama-glutamilcisteína sintetase e a GSH sintetase. 

Evidências convincentes mostram que a síntese de GSH é regulada principalmente pela atividade da gama-glutamilcisteína sintetase, pela disponibilidade de cisteína e pela inibição por feedback da GSH. Estudos em animais e humanos demonstram que a nutrição proteica adequada é crucial para a manutenção da homeostasia do GSH. Além disso, a cistina entérica ou parentérica, a metionina, a N-acetilcisteína e a L-2-oxotiazolidina-4-carboxilato são precursores eficazes da cisteína para a síntese de GSH tecidual.

Funções essenciais

A glutationa desempenha papéis importantes na defesa antioxidante, no metabolismo dos nutrientes e na regulação de eventos celulares, incluindo:

  • Expressão genética, 
  • Síntese de ADN e proteínas, 
  • Proliferação celular e apoptose, 
  • Transdução de sinal, 
  • Produção de citocinas e resposta imunitária, 
  • Glutationilação proteica. 

A deficiência de glutationa contribui para o stress oxidativo, que desempenha um papel fundamental no envelhecimento e na patogénese de muitas doenças, tais como:

  • Diabetes,
  • Cancro, 
  • Doença de Alzheimer
  • Doença de Parkinson, 
  • Doença hepática, 
  • Fibrose quística, 
  • Anemia falciforme, 
  • VIH, 
  • SIDA, 
  • Ataque cardíaco, 
  • Acidente vascular cerebral,
  • Kwashiorkor (desnutrição intermediária),
  • Convulsão.

Novos conhecimentos sobre a regulação nutricional do metabolismo da GSH são críticos para o desenvolvimento de estratégias eficazes para melhorar a saúde e tratar estas doenças.

A glutationa tem múltiplas funções, destacando-se principalmente como um antioxidante que protege as células contra os danos causados pelos radicais livres. Este composto também desempenha um papel importante na desintoxicação, ajudando a neutralizar e eliminar toxinas do organismo. Além disso, a glutationa é fundamental no transporte de aminoácidos, síntese de proteínas, proteção contra a radiação solar e na manutenção da saúde geral.

Ação antioxidante

Como antioxidante, a glutationa protege as células dos danos oxidativos, neutralizando os radicais livres e outras espécies reativas de oxigênio. Estes radicais livres podem causar danos às células, proteínas e DNA, contribuindo para o envelhecimento precoce e o desenvolvimento de várias doenças. A glutationa ajuda a manter o equilíbrio redox celular, promovendo a saúde celular e prevenindo danos oxidativos.

Eliminação de toxinas

Uma das funções mais importantes da glutationa é a desintoxicação. Ele ajuda a converter toxinas lipossolúveis em compostos hidrossolúveis, facilitando a sua excreção do organismo através da urina ou bílis. Este processo é crucial para a remoção de substâncias nocivas, como metais pesados, poluentes ambientais, radiação e produtos químicos presentes em medicamentos. 

Os átomos de  enxofre presentes na sua estrutura atuam como um íman na atração de radicais livres e toxinas, mercúrio e metais pesados, que são excretados pelas fezes e urina. 

Transporte de aminoácidos

A glutationa também desempenha um papel essencial no transporte de aminoácidos através das membranas celulares. Este processo é fundamental para a síntese de proteínas e para a manutenção do equilíbrio de aminoácidos no nosso corpo, contribuindo para a saúde muscular, regeneração celular e diversas funções metabólicas.

Síntese de proteínas

No caso de situações de extremo stress oxidativo, ocorre depleção ou diminuição da síntese proteica e, como sabemos, as proteínas são parte fundamental na composição de células e tecidos no organismo, inclusive do nosso sistema imunológico. 

Portanto, a síntese proteica tem um papel fundamental para a recuperação e o fortalecimento do organismo, bem como para atenuar casos de sarcopenia (perda de massa muscular em decorrência do envelhecimento) e também atua na produção dos anticorpos, fortalecendo ainda mais o sistema imunitário. 

A síntese de proteínas é um processo vital para a reparação e crescimento celular, a glutationa participa na formação de novas proteínas, atuando como um substrato e regulador da atividade enzimática. A presença adequada de glutationa no organismo assegura que as proteínas sejam sintetizadas corretamente, o que é crucial para a manutenção da saúde e do funcionamento adequado do nosso organismo..

Proteção contra a radiação solar

A glutationa também oferece proteção contra os efeitos nocivos da radiação ultravioleta (UV) do sol. A exposição prolongada ao sol pode causar danos à pele, envelhecimento prematuro e aumentar o risco de cancro de pele. A glutationa ajuda a neutralizar os radicais livres gerados pela radiação UV, protegendo a pele e promovendo a saúde cutânea.

Combate envelhecimento e pele mais saudável

Os níveis de glutationa no corpo tendem a diminuir com a idade, o que pode contribuir para o aparecimento de sinais de envelhecimento. Manter níveis adequados de glutationa é essencial para combater os efeitos do envelhecimento, como rugas, perda de elasticidade da pele e diminuição da função celular. A glutationa ajuda a preservar a juventude celular e a manter uma aparência saudável e jovem.

A glutationa é um dos antioxidantes que ajudam na desintoxicação, prevenção de doenças e resistência ao declínio cognitivo, protegendo as células e as mitocôndrias contra os danos oxidativos e peroxidativos. Também está relacionada com o fornecimento de energia, uma vez que a sua síntese depende do trifosfato de adenosina (ATP), molécula que fornece energia celular. 

Quando o corpo envelhece a capacidade de produzir glutationa diminui, no entanto existem maneiras de otimizar a molécula no organismo por meio de uma alimentação saudável e suplementação adequada, como veremos mais adiante.

Declínio cognitivo e dano mitocondrial

O stress oxidativo e o dano mitocondrial estão implicados na evolução de doenças neurodegenerativas. O aumento do dano oxidativo em regiões específicas do cérebro durante o envelhecimento pode tornar o cérebro suscetível à degeneração. Existem evidências de  um aumento do dano oxidativo e uma diminuição da função antioxidante na substância negra durante o envelhecimento, tornando-a vulnerável à degeneração associada à doença de Parkinson. Para compreender se o envelhecimento contribui para a vulnerabilidade das regiões cerebrais na doença de Alzheimer, foram avaliados os marcadores oxidantes e antioxidantes, as enzimas metabólicas da glutationa, a expressão da proteína glial fibrilar ácida e a atividade do complexo mitocondrial I no hipocampo e córtex frontal em comparação com o cerebelo  em cérebros humanos com o aumento da idade.

As regiões do hipocampo e do córtex frontal estão sujeitas a stress oxidativo generalizado, perda de função antioxidante e expressão aumentada de proteína ácida fibrilar glial durante o envelhecimento, o que pode torná-las mais suscetíveis à fisiologia perturbada e à degeneração neuronal seletiva.

O declínio cognitivo está associado ao envelhecimento e a doenças neurodegenerativas, como a doença de Alzheimer e a doença de Parkinson. A glutationa desempenha um papel crucial na proteção do sistema nervoso central, ajudando a prevenir danos oxidativos nos neurónios e melhorando a função cognitiva. Manter níveis adequados de glutationa pode ser uma estratégia importante para prevenir ou retardar o declínio cognitivo.

Sistema imunitário

A glutationa é fundamental para o bom funcionamento do sistema imunitário. Ele ajuda a regular a resposta imunitária, promovendo a atividade das células imunes e protegendo-as contra o stress oxidativo. Níveis adequados de glutationa são essenciais para a manutenção de um sistema imunitário forte e eficaz, capaz de combater infeções e doenças.

Proteção e recuperação celular

A proteção e recuperação celular são processos vitais para a saúde do organismo. A glutationa ajuda a proteger as células contra danos e promove a reparação celular, assegurando que as células danificadas sejam restauradas de forma eficiente. Este processo é crucial para a manutenção da saúde e para a prevenção de doenças crónicas.

Cicatrização

A glutationa desempenha um papel importante na cicatrização de feridas, promovendo a regeneração celular e a síntese de colagénio. A presença adequada de glutationa no organismo acelera o processo de cicatrização e assegura que as feridas sejam curadas de forma eficiente e eficaz.

Efeitos do stress e do envelhecimento no metabolismo da glutationa

A glutationa desempenha um papel crítico em muitos processos biológicos, tanto diretamente como cofator em reações enzimáticas como indiretamente como o principal tampão redox tiol-dissulfeto em células de mamíferos. Também fornece um sistema de defesa crítico para a proteção das células contra muitas formas de stress. No entanto, o stress ligeiro aumenta geralmente os níveis de glutationa, muitas vezes, mas não exclusivamente, através de efeitos sobre a glutamato cisteína ligase, a enzima limitante da taxa de biossíntese da glutationa. 

Esta regulação positiva da glutationa proporciona uma proteção contra um stress mais severo e pode ser uma característica crítica do pré-condicionamento e da tolerância. Em contraste, durante o envelhecimento, os níveis de glutationa parecem diminuir em vários tecidos, colocando assim as células em maior risco de sucumbirem ao stress. A evidência de tal declínio é mais forte no cérebro, onde a perda de glutationa está implicada tanto na doença de Parkinson como na lesão neuronal após acidente vascular cerebral.

Níveis baixos de glutationa no sangue em adultos saudáveis

Uma investigação científica testou a hipótese de que os níveis de glutationa no sangue são mais baixos nos seres humanos idosos, como já foi encontrado anteriormente no sangue e nos tecidos dos modelos padrão de envelhecimento em roedores. Assim, foi realizado um estudo com 39 homens e 130 mulheres, dos 20 aos 94 anos, selecionados pelos critérios de serem ambulatórios, saudáveis ​​e livres de diabetes mellitus, doenças da tiroide, anemias e cancro. O grupo de referência foi constituído por indivíduos dos 20 aos 39 anos, cujos níveis de glutationa no sangue foram de 547 ± 53,5 μg/1010 eritrócitos, para 40 indivíduos e definiu o intervalo de referência (limites de confiança de 95 %) de 440 para 654. 

Com base no limite de 440 μg/1010 eritrócitos, a incidência de baixo teor de glutationa no sangue nos indivíduos mais velhos aumentou significativamente, particularmente no grupo dos 60 aos 79 anos de idade. Os seus níveis de glutationa foram 452 ± 86,8 μg/1010 eritrócitos, 17% inferiores ao grupo de referência). Estes resultados demonstram um aumento da incidência de níveis baixos de glutationa em idosos aparentemente saudáveis, que podem estar em risco devido a uma diminuição da capacidade de manter muitas reações metabólicas e de desintoxicação mediadas pela glutationa.


Como aumentar os níveis de glutationa

Manter níveis adequados de glutationa no organismo é crucial para a saúde geral. A produção de glutationa pode ser afetada por diversos fatores, incluindo a idade, dieta, stress e exposição a toxinas. Existem várias maneiras de aumentar os níveis de glutationa, incluindo a ingestão de alimentos ricos em precursores de glutationa e antioxidantes, uso de suplementos eficazes e adoção de hábitos de vida saudáveis.

Melhores alimentos para aumentar os níveis de glutationa

Os alimentos ricos em precursores de glutationa e antioxidantes são essenciais para manter e aumentar os níveis de glutationa no organismo. Alguns dos melhores alimentos incluem:

  • Vegetais crucíferos: brócolos, couve, couve-flor, couve-de-bruxelas e agrião.
  • Alho e cebola: ricos em compostos sulfurados que ajudam na síntese de glutationa.
  • Espinafre e outros vegetais de folhas verdes: contêm precursores de glutationa e antioxidantes.
  • Abacate: uma fonte rica de antioxidantes e precursores de glutationa.
  • Frutas cítricas: laranjas, limões e toranjas são ricas em vitamina C, que ajuda na regeneração de glutationa.
  • Curcumina: A curcumina é o principal composto ativo do açafrão-da-índia (Curcuma longa) e apresenta diversas propriedades terapêuticas amplamente estudadas, sendo uma das principais a ação antioxidante, neutralizando radicais livres e reduzindo o stress oxidativo, ajudando assim na prevenção de doenças degenerativas.
  • Proteína do soro de leite de alta qualidade.
  • Leite não pasteurizado e que não contenha pesticidas, hormonas ou antibióticos.

Suplementos

Existem algumas dúvidas sobre a estabilidade das fórmulas orais de glutationa já disponíveis. Destas deve escolher-se a que utilizar a glutationa lipossomal que apresenta uma melhor absorção orgãnica. No entanto, alguns  suplementos podem ser uma maneira eficaz de aumentar os níveis de glutationa, especialmente para aqueles que têm  dificuldades em obter quantidades adequadas através da dieta. É importante escolher suplementos de alta qualidade e seguir as recomendações com a dosagem adequada.

Melhores suplementos para aumentar níveis de  glutationa

Alguns dos melhores suplementos para aumentar os níveis de glutationa incluem:

  • N-acetilcisteína (NAC): um precursor da glutationa que ajuda a aumentar os níveis deste antioxidante no corpo;
  • Glutationa lipossomal: uma forma de glutationa que é melhor absorvida pelo organismo;
  • Ácido alfa-lipóico: um antioxidante que ajuda a regenerar a glutationa no corpo.
  • Selénio: um mineral essencial que apoia a atividade da glutationa peroxidase, uma enzima dependente de glutationa;
  • Nutrientes de metilação: Ácido fólico (vitamina B9), vitamina B6 e vitamina B12;
  • Vitamina C;
  • Vitamina E;
  • Cardo-mariano, também conhecido como Cardo-leiteiro (usado há muito tempo em doenças do fígado).
  • Cistitone forte (marca comercial da Cantabria Labs): Junta 500 mg de L-Cistina, 10 mg de L-Glutationa, Cobre, Zinco, Vitaminas B5 e B6, sendo utilizada no combate à queda de cabelo.
  • Advancis capilar essencial (marca comercial da Farmodiética): Contém glutamato e glicina que são precursores da glutationa. Usado para fortalecer cabelo e unhas.

Suplementação de glicina e N-acetilcisteína (GlyNAC) em idosos

O stress oxidativo (OxS) e a disfunção mitocondrial estão implicados como fatores causais do envelhecimento. Os adultos mais velhos (OAs) têm uma prevalência aumentada de OxS elevada, oxidação de combustível mitocondrial (MFO) prejudicada, inflamação elevada, disfunção endotelial, resistência à insulina, declínio cognitivo, fraqueza muscular e sarcopenia, mas os mecanismos contribuintes são desconhecidos e as as intervenções são limitadas/falta. Relatamos anteriormente que a indução da deficiência do tripeptídeo antioxidante glutationa (GSH) em ratinhos jovens resulta em disfunção mitocondrial, e que a suplementação de GlyNAC (combinação de glicina e N-acetilcisteína [NAC]) em ratinhos idosos melhora a deficiência natural de GSH, o comprometimento mitocondrial , OxS e resistência à insulina. 


Estudo em humanos

A investigação sobre a causa do declínio funcional que pode ocorrer com o envelhecimento tem progredido rapidamente nos últimos anos. Os investigadores na área do envelhecimento e da longevidade estão a trabalhar para desenvolver tratamentos que não só atrasem o aparecimento de doenças relacionadas com a idade, mas que possam realmente reverter alguns dos seus aspectos. Um estudo avalia uma estratégia nutricional que pode aumentar as defesas celulares em indivíduos mais velhos para proteger contra o stress oxidativo, corrigir defeitos mitocondriais, aumentar a força muscular e a cognição e promover um envelhecimento saudável.

Um ensaio clínico piloto em humanos de março de 2021 publicado na Clinical and Translational Medicine sugere que os indivíduos mais velhos que tomam GlyNAC – uma combinação de glicina e N-acetilcisteína que são precursores do antioxidante glutationa – podem melhorar alguns fatores causais associados ao envelhecimento, incluindo deficiência de glutationa, oxidação stress, disfunção mitocondrial, inflamação, resistência à insulina, disfunção endotelial, gordura corporal, toxicidade genómica, força muscular, velocidade de marcha, capacidade de exercício e função cognitiva. Os autores do estudo indicam que a suplementação de GlyNAC pode ser uma solução simples, segura e eficaz estratégia nutricional para idosos.

Estudo: Glycine and N-acetylcysteine (GlyNAC) supplementation in older adults improves glutathione deficiency, oxidative stress, mitochondrial dysfunction, inflammation, insulin resistance, endothelial dysfunction, genotoxicity, muscle strength, and cognition: Results of a pilot clinical trial

Este ensaio clínico piloto exploratório aberto testou os efeitos da suplementação nutricional com GlyNAC durante um período de 24 semanas e da retirada do GlyNAC durante 12 semanas. Os investigadores trabalharam com adultos mais velhos, com idades compreendidas entre os 70 e os 80 anos, e compararam-nos com mais jovens do mesmo género adultos entre os 21 e os 30 anos. Observaram melhorias em muitos defeitos característicos do envelhecimento e, especificamente, após a toma de GlyNAC durante 24 semanas, todos os defeitos em adultos mais velhos melhoraram e alguns até reverteram para os níveis encontrados em adultos jovens. Os benefícios diminuíram após a interrupção da suplementação durante 12 semanas.

“Acredita-se que a correção destas características do envelhecimento poderia melhorar ou reverter muitos distúrbios relacionados com a idade e ajudar as pessoas a envelhecer de forma mais saudável”, disse o autor correspondente, o endocrinologista Dr. Rajagopal Sekhar, num comunicado de imprensa emitido pelo Baylor College of Medicine. “No entanto, não compreendemos completamente porque é que estes defeitos característicos acontecem, e atualmente não existem soluções para corrigir sequer um único defeito característico do envelhecimento.” Dr. Sekhar, que tem estudado o envelhecimento natural em humanos mais velhos nos últimos 20 anos, acredita que melhorar a saúde das mitocôndrias com mau funcionamento no envelhecimento é a chave para uma vida mais saudável. Alguns estudos sugerem que os níveis de glutationa nas pessoas mais velhas podem ser mais baixos do que nas pessoas mais jovens e os níveis de stress oxidativo podem ser muito mais elevados.

Os investigadores descobriram que a principal razão para a deficiência de glutationa em adultos mais velhos pode ser a diminuição da síntese causada pela diminuição da disponibilidade de glicina e cistina. É por isso que acreditam que o GlyNAC é uma melhoria em relação à suplementação apenas com NAC. A síntese de glutationa requer duas etapas bioquímicas: na primeira etapa, a cisteína é adicionada ao ácido glutâmico para formar a glutamilcisteína intermédia e, na segunda etapa, a glicina é adicionada à glutamilcisteína para formar a glutationa. 

Os autores do estudo especulam que o O GlyNAC representa três forças que poderiam estar a operar simultaneamente para resultar em melhorias generalizadas nos adultos mais velhos:

  • A correção da deficiência de glutationa resulta na correção do stress oxidativo e da disfunção mitocondrial.
  • GlyNAC contém glicina, um importante dador de grupo metilo que é importante para o funcionamento normal do cérebro.
  • O GlyNAC contém N-acetilcisteína, que funciona como dador de cisteína e é de importância crucial no metabolismo energético.

Os investigadores disseram que lhe chamam o “poder do 3” porque acreditam que são necessários os benefícios combinados da glicina, NAC e glutationa para alcançar esta melhoria generalizada em indivíduos mais velhos.


Hábitos de vida para melhorar os níveis de glutationa

Manter um estilo de vida saudável é fundamental para preservar os níveis de glutationa no organismo. Algumas práticas recomendadas incluem:

  • Exercício físico regular: ajuda a aumentar os níveis de glutationa, melhorar a desintoxicação e as defesas antioxidantes do nosso organismo.
  • Sono adequado: o descanso é essencial para a regeneração celular e a manutenção dos níveis de glutationa.
  • Gestão do stress: práticas como meditação, yoga e técnicas de respiração podem ajudar a reduzir o stress e a preservar os níveis de glutationa.
  • Evitar toxinas: reduzir a exposição a poluentes ambientais, produtos químicos e tabaco pode ajudar a manter os níveis de glutationa.

Relação entre glutationa e melatonina

A glutationa e a melatonina são duas moléculas de extrema importância orgânica, conhecidas principalmente pelas suas propriedades antioxidantes. Ambas desempenham papéis cruciais na proteção celular contra o stress oxidativo e têm sido estudadas extensivamente pelas suas interações e efeitos sinérgicos. De seguida explora-se a relação entre a glutationa e a melatonina, detalha-se a síntese de glutationa e apresentam-se fontes bibliográficas relevantes sobre a interação dessas moléculas.

Síntese da Glutationa

A glutationa é um tripeptídeo composto por glutamato, cisteína e glicina. A  síntese ocorre em duas etapas principais:

  1. Formação do γ-Glutamilcisteína: Catalisada pela enzima γ-glutamilcisteína sintetase, esta etapa envolve a combinação de glutamato e cisteína.
  2. Formação da Glutationa: Catalisada pela enzima glutationa sintetase, esta etapa combina γ-glutamilcisteína com glicina para formar a glutationa completa.

Melatonina a hormona do sono

Em humanos, a melatonina tem sua principal função em regular o sono, ou seja, em um ambiente escuro e calmo, os níveis de melatonina do organismo aumentam, causando o sono. Por isso é importante eliminar do ambiente quaisquer fontes de som, luz, aroma, ou calor que possam acelerar o metabolismo e impedir o sono, mesmo que não perceptíveis. Outra função atribuída à melatonina é a de antioxidante, agindo na recuperação de células epiteliais expostas à radiação ultravioleta e, através da administração suplementar, ajudando na recuperação de neurónios afectados pela doença de Alzheimer e por episódios de isquémia (como os resultantes de acidentes vasculares cerebrais).

A melatonina é também considerada segura e eficaz na prevenção ou diminuição dos sintomas de jet lag. É especialmente eficaz para quem viaja por mais de 5 zonas horárias, mas pode ser usado para qualquer viagem que ultrapasse mais do que uma zona horária para quem é mais susceptível a sintomas. Estudo clínicos constataram que a melatonina ajuda a regular o horário orgânico com mais rapidez, criando as condições necessárias para atingir mais rápido relaxamento e descanso cerebral em viajantes, trazendo rápida adaptação ao novo fuso horário.

Existem também estudos que demonstram que a melatonina age como regulador de cada uma das etapas do balanço energético: a ingestão alimentar, o fluxo de energia para e dos stocks ou reservas, e o dispêndio energético.

Melatonina potente antioxidante mitocondrial

A melatonina foi relatada pela primeira vez como um potente antioxidante e eliminador de radicais livres em 1993. In vitro, a melatonina atua como um eliminador direto de radicais de oxigênio e espécies reativas de nitrogênio, incluindo OH−, O2− e NO. Nas plantas a melatonina atua com outros antioxidantes para melhorar a eficácia geral de cada antioxidante.

Foi comprovado que a melatonina é duas vezes mais ativa que a vitamina E, considerada o antioxidante lipofílico mais eficaz. Por meio da transdução de sinal por meio de receptores de melatonina, a melatonina promove a regulação positiva de enzimas antioxidantes, como superóxido dismutase, glutationa peroxidase, glutationa redutase e catalase.

A melatonina ocorre em altas concentrações no líquido mitocondrial, que excedem em muito a concentração plasmática de melatonina. Devido à sua capacidade de eliminação de radicais livres, efeitos indiretos na expressão de enzimas antioxidantes e concentrações significativas nas mitocôndrias, vários autores consideram que a melatonina tem uma função fisiológica importante como um antioxidante mitocondrial.

Melatonina e glutationa

A melatonina é conhecida pelas suas propriedades antioxidantes, onde atua como um agente direto de remoção de radicais livres e também regula a atividade de várias enzimas antioxidantes, incluindo aquelas envolvidas na síntese e regeneração da glutationa. Estudos indicam que a melatonina pode aumentar os níveis de glutationa em diversas condições de stress oxidativo, melhorando a capacidade antioxidante do organismo.

Efeitos Sinérgicos

A interação entre melatonina e glutationa é complexa e bidirecional. A melatonina não apenas aumenta a síntese de glutationa, mas também protege a glutationa existente da oxidação. Além disso, a glutationa pode regenerar a melatonina oxidada, formando um ciclo de proteção antioxidante eficiente.

A relação entre glutationa e melatonina é um campo de estudo fascinante e promissor, com ambas as moléculas a desempenharem papéis complementares na defesa antioxidante do organismo. A melatonina, além de suas funções reguladoras do ciclo circadiano, mostra-se uma poderosa aliada na manutenção dos níveis de glutationa e na proteção celular contra o stress oxidativo. Estudos contínuos são essenciais para aprofundar a compreensão dessas interações e das suas aplicações clínicas potenciais.


Revisão Bibliográfica

Vários estudos publicados em plataformas científicas, como PubMed, têm explorado a interação entre melatonina e glutationa:

  • Manchester et al. (2015) destacam que a melatonina pode ser induzida sob condições de stress oxidativo moderado, aumentando a capacidade antioxidante do organismo e protegendo contra o stress oxidativo​ (MDPI)​.
  • Karolczak e Watala (2021) revisaram os efeitos da melatonina na redução do stress oxidativo induzido por homocisteína, demonstrando a capacidade da melatonina em proteger células endoteliais e neurónios​ (MDPI)​.
  • Estudos adicionais apontam que a melatonina pode influenciar diretamente os níveis de glutationa em diversas condições patológicas, incluindo doenças neurodegenerativas e cardiovasculares​ (BioMed Central)​​ (Oxford Academic)​​ (SpringerLink)​.

Conclusão

A glutationa é um antioxidante essencial para a saúde, desempenhando um papel crucial na proteção celular, desintoxicação e regulação do sistema imunitário. Manter níveis adequados de glutationa é fundamental para a prevenção de doenças e para a promoção de uma vida saudável. Através de uma alimentação equilibrada, suplementação adequada e hábitos de vida saudáveis, é possível aumentar e manter os níveis de glutationa no organismo, garantindo assim uma melhor qualidade de vida.


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Dor de barriga apendicite perigosa verdade


Dor de barriga apendicite e outros perigos, toda a verdade! Quais as dores mais perigosas? Quais as causas? Quais os perigos? Quais os órgãos envolvidos? Quais os sinais de alarme? A região abdominal é aquela que possui mais órgãos no nosso corpo, aumentando as probabilidades de doer devido a uma vasta quantidade de causas e doenças diferentes. A dor abdominal, chamada popularmente de dor de barriga, pode ser simplesmente fruto de uma obstipação pontual mas é muitas vezes um desafio para o médico, dada a grande quantidade de diagnósticos diferenciais possíveis.

Na maioria das vezes, a dor de barriga é uma condição de saúde benigna e autolimitada. Certamente que já teve uma dor de barriga de leve intensidade, que desapareceu sem necessidade de tratamento médico. No entanto, quando a dor abdominal é de forte intensidade ou há outros sintomas associados, como febre, vómitos, prostração ou diarreia com sangue, a avaliação de um médico é necessária.

A dor abdominal pode ser aguda ou crónica e requer, frequentemente, uma ida ao médico. Uma criança com dor abdominal é sempre motivo de preocupação para os pais, o que leva frequentemente a recorrer ao médico.

Leia também: Estas são as 7 dores que nunca deve ignorar!

Neste artigo vou tratar os seguintes temas:

  • Órgãos da região abdominal
  • Quadrantes abdominais
  • Órgãos localizados em cada quadrante
  • Patologias originam dor abdominal aguda
  • Diagnóstico da causa da dor de barriga
  • Sintomas e sinais de alarme na dor abdominal aguda
  • Caraterística da dor abdominal crónica
  • Sinais de alarme na dor abdominal crónica
  • Dor abdominal funcional
  • Crianças com dor abdominal funcional
  • Dor do lado direito do abdómen, quais as causas mais comuns?
  • Dores no centro da barriga, quais as causas mais comuns?
  • Dor no baixo ventre, quais as causas mais comuns?
  • Dores do lado esquerdo do abdómen, quais as causas mais comuns?
  • Apendicite, quais os perigos?
  • Apendicite o que é?
  • Sintomas de apendicite
  • Apendicite em bebés, crianças e adolescentes
  • Tratamento para a apendicite
As cinco grandes mentiras sobre saúde
As cinco grandes mentiras sobre saúde





Órgãos da região abdominal

Todos os órgãos que se encontram dentro da cavidade abdominal e da cavidade pélvica podem causar dor de barriga. Algumas vezes, os órgãos da cavidade torácica também podem causar dor abdominal, como é o caso do coração ou das inflamações nas bases dos pulmões.

Os órgãos dentro do abdómen que podem causar dor abdominal são:

  • Fígado,
  • Vesícula biliar,
  • Vias biliares,
  • Pâncreas,
  • Baço,
  • Estômago,
  • Rins,
  • Glândulas suprarrenais,
  • Intestino delgado (duodeno, jejuno e íleo),
  • Cólon (incluindo apêndice).
Orgãos abdominais melhorsaude.org melhor blog de saude

Já os órgãos dentro da pelve são:

  • Ovários,
  • Trompas,
  • Útero,
  • Bexiga,
  • Próstata,
  • Reto,
  • Sigmoide (porção final do intestino grosso).
Pelve melhorsaude.org melhor blog de saude


Quadrantes abdominais

Para tornar mais fácil a localização dos órgãos na grande cavidade abdominopélvica, os anatomistas dividiram a cavidade abdominopélvica em nove regiões, sendo definidas da seguinte forma:

  1. Região Hipocondríaca Direita
  2. Região Epigástrica
  3. Região Hipocondríaca Esquerda
  4. Região Lateral Direita
  5. Região Umbilical
  6. Região Lateral Esquerda
  7. Região Inguinal Direita
  8. Região Púbica (Hipogástrica)
  9. Região Inguinal Esquerda
Quadrantes do abdómen melhorsaude.org melhor blog de saude

Outro modo mais simples de dividir a cavidade abdominopélvica é em Quatro Quadrantes.
Esse método é frequentemente utilizado para localizar uma dor ou descrever a localização de um tumor. Os planos sagital, mediano e transversal passam através do umbigo e dividem a região abdominopélvica nos quatro quadrantes seguintes:

  • Quadrante superior direito
  • Quadrante superior esquerdo
  • Quadrante inferior direito
  • Quadrante inferior esquerdo
Quadrantes abdominais melhorsaude.org melhor blog de saude


Quadrante superior direito:

  • Lobo direito do fígado
  • Vesícula biliar
  • Piloro
  • Duodeno
  • Cabeça do pâncreas
  • Flexura hepática do cólon
  • Partes do cólon ascendente e transverso

Quadrante superior esquerdo:

  • Lobo esquerdo do fígado
  • Estômago
  • Corpo do pâncreas
  • Flexura esplénica do cólon
  • Partes do cólon transverso e descendente

Quadrante inferior direito:

  • Ceco e apêndice
  • Parte do cólon ascendente
  • Parte do ovário na mulher

Quadrante inferior esquerdo:

  • Cólon sigmoide
  • Parte do cólon descendente
  • Parte do ovário na mulher




Dor de barriga aguda 

A dor abdominal aguda é um sintoma comum em várias patologias, tais como:

  • Gastroenterite;
  • Apendicite;
  • Infeção urinária;
  • Invaginação;
  • Adenite mesentérica;
  • Obstipação;
  • Úlcera péptica;
  • Pancreatite;
  • Patologia do ovário;
  • Litíase renal (pedra no rim) ou litíase biliar (pedra na vesicula);
  • Pneumonia (quando se manifesta na base do pulmão juntamente com febre e dificuldade respiratória);
  • Etc…

Leia também: Obstipação toda a verdade!


Diagnóstico

Para facilitar o diagnóstico, deve ser feita uma história detalhada sobre a origem e evolução dos sintomas. Diversos fatores são importantes no processo de diagnóstico, a saber:

  • Idade;
  • Tipo de dor;
  • Localização da dor;
  • Duração da dor;
  • Hora do dia;
  • Presença de outros sintomas tais como:
    • Febre,
    • Náuseas,
    • Vómitos,
    • Sintomas urinários,
    • Alterações do trânsito intestinal.

Sinais de alarme na dor abdominal aguda

Na maioria das situações benignas a dor de barriga localiza-se no umbigo ou em volta deste. As crianças com dor abdominal vomitam frequentemente, mas a maioria das vezes os vómitos desaparecem rapidamente. Além da sensação de doença (sentir-se doente), alguns sinais de alarme que aconselham consulta médica são:

  • Dor localizada em outras áreas, principalmente no quadrante inferior direito do abdómen levantando a hipótese de apendicite;
  • Dor com duração superior a 24h,
  • Febre alta,
  • Palidez,
  • Sudação (suar sem razão aparente),
  • Prostração (fadiga),
  • Recusa em brincar,
  • Recusa em beber ou comer,
  • Vómitos persistentes (já amarelados/verdes ou com sangue),
  • Laivos de sangue na diarreia ou alterações na pele.

Dor abdominal crónica, sintomas

A dor abdominal crónica é um motivo muito frequente de consulta, sobretudo no sexo feminino. Os doentes geralmente têm uma sintomatologia pouco específica e na investigação dessas situações apenas em 10% se encontra uma causa orgânica, como por exemplo:

  • Doença de refluxo gastroesofágico;
  • Úlceras gástricas;
  • Gastrite;
  • Alergia alimentar;
  • Intolerância à lactose,
  • Doença inflamatória do intestino;
  • Doença celíaca;
  • Litíase biliar;
  • Pancreatite;
  • Parasitose.

Sinais de alarme na dor abdominal crónica

As seguintes condições de saúde devem ser motivo de alarme e consulta médica:

  • Dor que acorda a criança a meio da noite;
  • Dor bem localizada e longe do umbigo;
  • Vómitos persistentes (sobretudo biliosos);
  • Diarreia crónica grave;
  • Febre;
  • Perda de peso;
  • Atraso de crescimento,
  • Exantema cutâneo,
  • Dor articular;
  • Sangue nas fezes;
  • Fístula/fissura anal;
  • História familiar de doença péptica e /ou doença inflamatória do intestino;
  • Idade inferior a quatro anos.
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Dor abdominal funcional

A dor abdominal funcional caracteriza-se por ter uma causa funcional ou seja não identificada com testes laboratoriais. São diversos os factores implicados nestas queixas abdominais sendo os mais importantes os seguintes:

  • Stress psicológico;
  • Hipersensibilidade visceral;
  • Distúrbios da motilidade gastrointestinal.

Crianças com dor abdominal funcional

Crianças com sintomas funcionais têm geralmente as seguintes características pessoais:

  • Tímidas,
  • Ansiosas,
  • Perfeccionistas,
  • Interiorizam muito os seus problemas.

Estas crianças têm episódios curtos de dor abdominal periumbilical (na zona do umbigo) que não se relacionam temporalmente com a ingestão de alimentos, defecação ou exercício. Por vezes têm algumas características e sintomas associados a saber:

  • Cefaleias,
  • Fadiga,
  • Dores no corpo,
  • Mantêm o apetite e um bom desenvolvimento de peso e estatura;
  • O seu exame físico e os exames complementares não revelam alterações;
  • Muitas vezes há história familiar de enxaqueca ou de dor abdominal recorrente.

A aceitação por parte dos pais e pela criança da possibilidade de existir uma causa biopsicológica para a doença é um fator importante para a resolução dos sintomas.


Causas da dor do lado direito do abdómen

As dores de barriga no lado direito podem ser dividas em dores no quadrante superior direito e quadrante inferior direito.

Quadrante superior direito do abdómen

As principais causas de dor neste quadrante são:

  • Causadas pelo fígado e pela vesícula, com destaque para a cólica biliar, provocada por pedra na vesícula ou colecistite.
  • Inflamações do fígado, como nos casos de hepatite viral, também podem causar dor nesta região.
  • Lesões na porção inferior do pulmão direito podem ser uma causa de dor abdominal à direita sem origem no abdômen.

Quadrante inferior direito do abdómen

Neste quadrante as causas intestinais são as mais prevalentes, com destaque para:

  • Apendicite;
  • Nas mulheres, problemas no ovário, como a presença de um quisto, também são muito comuns;
  • Uma gravidez ectópica na trompa direita;
  • Problemas no testículo;
  • Cálculo renal que tenha migrado para a região inferior do ureter podem manifestar-se com dor no quadrante inferior do abdômen (esquerdo ou direito);
  • Dor de origem muscular deve ser pensada, caso o paciente tenha feito esforço excessivo recentemente.

Dor no centro da barriga

A dor no centro da barriga, também chamada  dor na boca do estômago, é geralmente provocada por problemas estomacais. A gastrite ou a úlcera péptica são as causas mais comuns. Problemas do pâncreas, como a pancreatite, costumam causar intensa dor de barriga em toda a parte superior, podendo irradiar para as costas.  Tanto os problemas do estômago como os do pâncreas podem causar uma dor descrita como dor no fundo da barriga.

Dor de origem muscular também pode afectar esta região.

O infarte agudo do miocárdio, em alguns casos, pode irradiar para a região central do abdômen, podendo ser confundido inicialmente com algum problema de estômago.


Dor no baixo ventre

Dores abdominais que se localizam no chamado de baixo ventre ou região hipogástrica, são geralmente provocadas por:

  • Bexiga ou útero, este último, obviamente, só no caso das mulheres.
  • Infeção urinária (cistite) e cólica menstrual são as causas mais comuns.
  • Quadros diarreicos, como gastroenterite viral ou intoxicação alimentar também podem causar dor nesta região, mas geralmente são mais dispersos por todo o abdómen.
  • Gravidez não costuma causar dor, apenas uma sensação de peso. Porém, em caso de aborto, podem haver cólicas intensas.

Dor no lado esquerdo do abdómen

Assim como do lado direito, as dores de barriga no lado esquerdo podem ser dividas em dores no quadrante superior  e quadrante inferior.

Quadrante superior esquerdo

As dores mais comuns neste quadrante têm as seguintes origens:

  • Musculares;
  • Estômago;
  • Raramente, o baço, órgão localizado abaixo das costelas do lado esquerdo do abdómen;
  • Dor epigástrica;
  • Enfarte também pode causar dor no quadrante superior esquerdo da barriga.
  • Problemas na base do pulmão esquerdo também podem ser a causa.

Região central e inferior do abdómen esquerdo

Os problemas intestinais costumam ser as principais causas:

  • Gastroenterites,
  • Diverticulite.

Nas mulheres com dor no quadrante inferior esquerdo, problemas nos ovários e uma possível gravidez ectópica devem sempre ser lembrados.


Apendicite, quais os perigos?

DOR NO ABDÓMEN melhorsaude.org melhor blog de saude

Para uma localização e diagnóstico mais adequado da causa da dor abdominal, divide-se o abdómen em 4 quadrantes, conforme descrito na imagem seguinte:

Quadrantes do abdómen melhorsaude.org melhor blog de saude

Apendicite

A apendicite é uma doença comum causada pela infeção do apêndice. Afeta cerca de 7% da população, o que a torna uma das principais emergências médicas em todo o mundo. A apendicite geralmente surge entre os 10 e 30 anos, mas pode ocorrer em qualquer idade, apesar de ser rara nas crianças com menos de 2 anos.

Apêndice o que é? Onde se localiza?

Localização do apêndice melhorsaude.org melhor blog de saude
Localização do apêndice e órgãos próximos

O apêndice é um órgão com tamanho e localização variáveis, e a sua proximidade com outros órgãos da pelve e do abdómen podem fazer com que os sintomas de apendicite sejam parecidos com os de outras doenças, tais como, diverticulite, torção do ovário, gravidez ectópica, cálculos renais e outros problemas do abdómen ou da pélvis.

Apendice melhorsaude.org melhor blog de saude
Localização do #apêndice

Sintomas da apendicite

O sintomas da apendicite nem sempre se manifestam do lado direito do abdómen. Assim de seguida descrevo os diversos cenários de sintomatologia associada à apendicite.

Dor abdominal típica:

  • A dor típica começa de forma difusa junto ao umbigo e no espaço de 24 horas migra para o quadrante inferior direito do abdómen;
  • Tipicamente existe dor à palpação do abdómen que se torna muito mais intensa quando se retira de repente a mão que executa a palpação ( sinal de Blumberg )

Dor abdominal atípica:

  • Em cerca de 15% das pessoas o apêndice localiza-se mais posteriormente, fazendo com que o local da dor da apendicite seja diferente. Neste caso o paciente pode queixar-se de dor lombar  à direita, dor no quadrante superior direito ou dor em todo o flanco direito.
  • Há também aqueles pacientes com apêndices mais baixos, cuja ponta se estende até a região da pelve. Nestes casos, a dor pode ser na virilha à direita, no ânus ou na região púbica. Evacuar ou urinar podem provocar exacerbações da dor.

Dor abdominal do lado esquerdo:

  • Apesar de raro, não é impossível que o paciente com apendicite tenha dor do lado esquerdo do abdómen, caso o apêndice seja mais comprido que o habitual e se estenda até o lado esquerdo da cavidade abdominal. Porém, apendicite não deve ser a primeira hipótese diagnóstica nos pacientes com dor abdominal no lado esquerdo, exceto nos raros casos de situs inversus (condição rara na qual os pacientes apresentam órgãos do tórax e abdómen em posição oposta à habitualmente esperada).
  • Endurecimento da parede do abdómen
  • Enjoos ( em 90% dos casos )
  • Vómitos ( em 90% dos casos )
  • Perda do apetite ( em 90% dos casos )
  • Febre
    • A febre é geralmente baixa. Só existe febre alta quando há perfuração do apêndice e extravasamento de material fecal dos intestinos para dentro da cavidade abdominal, o que gera uma intensa reação inflamatória e grave infeção.
  • Diarreia
  • Prisão de ventre
  • Distensão abdominal
  • Leucocitose (aumento do número de leucócitos ou glóbulos brancos no hemograma). Mais de 80% dos pacientes com apendicite aguda apresentam leucocitose no exame de hemograma. Quanto mais intensa é a leucocitose, em geral, mais extenso é o processo inflamatório.

Nem todos os sinais e sintomas listados acima estão necessariamente presentes nos pacientes com apendicite aguda. Alguns, tais como diarreia, prisão de ventre ou distensão abdominal, ocorrem em menos da metade dos casos.

Tipicamente os três sintomas associados mais comuns num quadro de apendicite são a dor abdominal, os vómitos e perda do apetite.


Sintomas em bebés, crianças e adolescentes 

O quadro clínico da apendicite em adolescentes é basicamente o mesmo dos adultos. Já nas crianças com menos de 12 anos, os sintomas podem ser um pouco diferentes.

Crianças entre 5 e os 12 anos (sintomas)

Assim como nos adultos, a dor de barriga e os vómitos são os sintomas mais comuns nas crianças em idade escolar, embora a característica migração da dor da região peri umbilical para o quadrante inferior direito possa não ocorrer.

A frequência dos sinais e sintomas da apendicite nesta faixa etária é a seguinte:

  • Dor no quadrante inferior direito do abdómen – 82%
  • Náuseas – 79%
  • Perda do apetite – 75%
  • Vómitos – 66%
  • Febre – 47%
  • Diarreia- 16%

Crianças de 1 a 5 anos de idade

A apendicite é incomum em crianças com menos de 5 anos. Febre, vómitos, dor abdominal difusa e rigidez abdominal são os sintomas predominantes, embora irritabilidade, respiração ruidosa, dificuldade para andar e queixas de dor na região direita do quadril também possam estar presentes.

A típica migração da dor para o quadrante inferior direito do abdómen ocorre em menos do que 50% dos casos. Diarreia e febre, todavia, são bem mais comuns que nos adultos. As crianças pequenas costumam apresentar febre baixa (ao redor de 37,8ºC) e ruborização das bochechas.

A frequência dos sinais e sintomas da apendicite nesta faixa etária é a seguinte:

  • Dor abdominal – 94%
  • Febre – 90%
  • Vômitos – 83%
  • Dor à descompressão – 81%
  • Perda do apetite – 74%
  • Rigidez abdominal – 72%
  • Diarreia- 46%
  • A distensão abdominal – 35%

Bebés ou crianças com menos de 1 ano

Se a apendicite em crianças com menos de 5 anos é incomum, a apendicite em recém-nascidos e no primeiro ano de vida é ainda mais rara. A baixa frequência de apendicite nesta faixa etária deve-se provavelmente ao formato mais afunilado e menos propenso à obstrução do apêndice, em oposição ao formato mais tubular do órgão nos adultos e crianças mais velhas.

Apesar de rara, infelizmente, a mortalidade neonatal de apendicite é de quase 30%, pois o diagnóstico precoce é muito difícil, já que o quadro clínico costuma ser muito atípico. A distensão abdominal é mais comum que a própria dor abdominal, provavelmente porque os bebés não conseguem comunicar adequadamente.

A frequência dos sinais e sintomas da apendicite nesta faixa etária é a seguinte:

  • Distensão abdominal – 75%
  • Vómitos – 42%
  • Perda do apetite – 40%
  • Dor abdominal – 38%
  • Febre – 33%
  • Inflamação da parede abdominal – 24%
  • Irritabilidade ou letargia – 24%
  • Dificuldade respiratória – 15%
  • Massa abdominal – 12%
  • Sangramento nas fezes – 10%

Tratamento para a apendicite

O tratamento é, naturalmente, cirúrgico com retirada do apêndice inflamado.

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Procedimento usa técnicas de Laparoscopia interna mas também de cirurgia tradicional

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Concluindo

O nosso corpo é uma “máquina extraordinária” com mecanismos que nos alertam quando algo está errado e pode vir a ser potencialmente perigoso e ás vezes fatal! As dores são o melhor e mais forte exemplo desse mecanismo de defesa. Conheça melhor o seu corpo, preste atenção aos seus sinais porque quase sempre significam um pedido de ajuda para evitar a queda num “precipício” com consequências graves para a sua saúde!

Fique bem!

Franklim Fernandes

Referências:  

  • Dr. Houman Danesh, do Hospital Mt. Sinai, em Nova Iorque;
  • Dr. Pedro Pinheiro, especialista em Medicina Interna e Nefrologista. Títulos reconhecidos pela Universidade do Porto e pelo Colégio Português de Nefrologia.

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Cozinhar com tecnologia no século XXI mais saúde à mesa

Num mundo cada vez mais acelerado, a tecnologia tem vindo a assumir um papel essencial na forma como nos alimentamos. Se antes cozinhar era uma tarefa demorada e por vezes pouco saudável, hoje temos ao nosso alcance aparelhos que não só simplificam o processo, como nos ajudam a cuidar melhor da saúde. Neste artigo, exploramos como os novos eletrodomésticos – da air fryer ao robot de cozinha – estão a transformar as nossas cozinhas e a torná-las verdadeiras aliadas de um estilo de vida mais saudável, prático e sustentável. Mas existem cuidados a ter para evitar compostos tóxicos nas nossas refeições.

Temas a tratar neste artigo:

  • Breve evolução do ato de cozinhar na espécie humana
  • Transformação do ato de cozinhar ao longo da história
  • Tecnologia na cozinha moderna ao serviço da saúde
  • Impacto na saúde e bem-estar
  • Compostos tóxicos formados durante o aquecimento
  • Temperaturas máximas para evitar a formação de compostos tóxicos
  • Mais saúde à mesa: benefícios reais no dia a dia
  • Sustentabilidade e poupança
  • Qual comprar? A melhor relação saúde/preço
  • Dicas práticas para tirar o melhor partido
  • Conclusão
Cozinhar com tecnologia - mais saúde à mesa
Cozinhar com tecnologia – mais saúde à mesa

Breve evolução do ato de cozinhar

A culinária na evolução da espécie humana

O antropólogo Richard Wrangham, da Universidade de Harvard, defende na sua teoria da “cozinha que nos tornou humanos” que o domínio do fogo e a cocção dos alimentos foram cruciais na evolução do Homo sapiens. Cozinhar torna os alimentos mais digeríveis, aumenta a disponibilidade calórica e reduz o esforço mastigatório.

Estudo: Cooking Up Bigger Brains

  • Evidência científica: Estudos sugerem que cozinhar alimentos levou à redução do trato digestivo e aumento do cérebro humano (Aiello & Wheeler, 1995 – Expensive Tissue Hypothesis).
  • A cocção inativa toxinas naturais, destrói patógenos e melhora a assimilação de amido e proteína.

Assim, cozinhar não foi apenas uma prática cultural, mas uma força evolutiva determinante.


Transformação do ato de cozinhar ao longo da história

  • Pré-história: Domínio do fogo (~1 milhão de anos) – início da cocção.
  • Antiguidade: Utensílios de barro, conservação por salga ou fumo.
  • Idade Média e Moderna: Fornos a lenha, primeiras receitas escritas.
  • Século XX: Introdução de fogões a gás e elétricos, micro-ondas (1946).
  • Século XXI: Cozinha digitalizada e automatizada – “smart kitchens”.

A cozinha deixou de ser apenas um espaço de sobrevivência e passou a refletir status social, valores culturais e estilo de vida.


Tecnologia na cozinha moderna

Equipamentos transformadores

  • Air Fryers: Fritura com ar quente, reduzindo até 80% da gordura adicionada.
  • Panelas de pressão elétricas (ex: Instant Pot): Permitem cozer, ferver e até fermentar de forma automática.
  • Fornos inteligentes: Controlados por apps, com sensores de temperatura, reconhecimento de alimentos e sugestões automáticas.
  • Robôs de cozinha (ex: Thermomix, Monsieur Cuisine): Automatizam tarefas como triturar, amassar, cozer e até pesar ingredientes.

Essas inovações aumentam a eficiência, reduzem o tempo de preparação e tornam a culinária acessível mesmo para quem não tem prática.


Mudança nos hábitos alimentares

  • Menos tempo gasto na preparação dos alimentos: de 60-90 minutos/dia (décadas de 60-70) para menos de 30 minutos/dia (dados do OECD Time Use Survey).
  • Redução da dependência de comida processada graças à automatização doméstica.
  • Incentivo ao “meal prep” (planeamento e confeção semanal de refeições) com apoio de tecnologia.

Paradoxalmente, a tecnologia pode tanto promover como afastar práticas culinárias saudáveis, dependendo da sua utilização.


Impacto na saúde e bem-estar

Comparação entre métodos tradicionais e novas tecnologias

Método de CocçãoRetenção de NutrientesFormação de Compostos TóxicosTeor Calórico Adicional
Cozer (água)Alta para vitaminas hidrossolúveis se não reutilizar águaBaixaBaixo
Fritar (óleo)Reduz certos nutrientesAlta (acrilamidas, aldeídos)Elevado
Grelhar/ChurrascoRetenção razoávelAlta (HAPs, aminas heterocíclicas)Médio a elevado
Air FryerBoa retençãoMenor formação de acrilamidasMuito baixo
Sous VideExcelente preservaçãoMínima formação de tóxicosBaixo

Estudos:

  • Jinap & Faizal (2016) mostram que o uso da air fryer reduz a formação de acrilamidas em batatas até 90% comparado com fritura tradicional.
  • Vega & Ubbink (2008), o sous vide preserva vitaminas hidrossolúveis como a C e complexos B muito melhor que a cocção convencional.

Compostos tóxicos formados durante o aquecimento de alimentos

Acrilamida

  • Formação: Resulta da reação entre o aminoácido asparagina e açúcares redutores (como glicose e frutose) durante o aquecimento acima de 120 °C, especialmente em alimentos ricos em amido, como batatas e cereais.
  • Métodos de cocção associados: Fritura, assadura, torrefação e tostagem.
  • Riscos para a saúde: Classificada como “provavelmente cancerígena para humanos” pela IARC (Grupo 2A), com potencial genotóxico e neurotóxico.
  • Redução: Utilizar temperaturas de cocção mais baixas, evitar o escurecimento excessivo dos alimentos e optar por métodos como a cozedura a vapor.​

Aldeídos

  • Formação: Originam-se da oxidação de gorduras, especialmente em óleos poli-insaturados, quando aquecidos além do ponto de fumo.
  • Métodos de cocção associados: Fritura profunda e reutilização de óleos.
  • Riscos para a saúde: Associados a efeitos tóxicos, incluindo potencial carcinogenicidade e danos ao sistema nervoso.
  • Redução: Preferir óleos estáveis ao calor, como o azeite de oliva, e evitar reutilizar óleos para fritura.​

Aminas Heterocíclicas (AHs)

  • Formação: Produzidas quando aminoácidos e creatina reagem a altas temperaturas, especialmente em carnes.
  • Métodos de cocção associados: Grelhar, fritar e assar carnes a temperaturas elevadas.
  • Riscos para a saúde: Identificadas como mutagénicas e potencialmente cancerígenas.
  • Redução: Marinar carnes com ingredientes antioxidantes, como vinho tinto ou sumo de limão, e evitar cozinhar em excesso.​

Hidrocarbonetos Aromáticos Policíclicos (HAPs)

  • Formação: Gerados pela combustão incompleta de matéria orgânica, como gordura que pinga em chamas durante o grelhado.
  • Métodos de cocção associados: Churrasco, defumação e grelhados diretos sobre chama aberta.
  • Riscos para a saúde: Vários HAPs são reconhecidos como carcinogénicos.
  • Redução: Evitar o contato direto dos alimentos com chamas e remover partes carbonizadas antes de consumir.​

Comparação entre Métodos de Cocção

Método de CocçãoCompostos Tóxicos AssociadosObservações
Fritura ProfundaAcrilamida, AldeídosElevada formação de compostos tóxicos, especialmente com óleos reutilizados
Grelhar/ChurrascoAHs, HAPsRisco aumentado com exposição direta à chama e gordura pingando
Assar/TostarAcrilamida, AHsFormação depende da temperatura e tempo de cocção
Cozedura a VaporMínima formaçãoMétodo mais seguro em termos de compostos tóxicos
Air FryerRedução de AcrilamidaMenor uso de óleo e temperaturas controladas reduzem formação de toxinas

Limites de temperatura para evitar compostos tóxicos

Acrilamida

  • Formação: A acrilamida forma-se principalmente em alimentos ricos em amido, como batatas e cereais, quando submetidos a temperaturas superiores a 120 °C, especialmente durante fritura, assadura ou grelha.
  • Temperatura crítica: Evitar ultrapassar os 120 °C durante a cocção de alimentos ricos em amido.
  • Referência: A ASAE indica que a formação de acrilamida aumenta significativamente em temperaturas superiores a 120 °C, especialmente em alimentos com baixa atividade de água e presença de açúcares redutores e asparagina livre. ​

Aminas Heterocíclicas (AHs)

  • Formação: As AHs são produzidas quando aminoácidos e creatina reagem a altas temperaturas, especialmente em carnes.
  • Temperatura crítica: Evitar temperaturas superiores a 150 °C durante a cocção de carnes.
  • Referência: Estudos indicam que a formação de AHs ocorre significativamente em temperaturas acima de 150 °C, com aumento proporcional à temperatura e tempo de cocção. ​

Hidrocarbonetos Aromáticos Policíclicos (HAPs)

  • Formação: Os HAPs são gerados pela combustão incompleta de matéria orgânica, como gordura que pinga em chamas durante o grelhado.
  • Temperatura crítica: Evitar exposição direta dos alimentos a chamas abertas e temperaturas superiores a 200 °C.
  • Referência: A formação de HAPs é significativa em processos de defumação e grelhados diretos sobre chama aberta, especialmente em temperaturas elevadas. ​

Recomendações Práticas

  • Utilizar métodos de cocção suaves: Preferir cozedura a vapor, estufados ou utilização de aparelhos como a Air Fryer, que permitem cozinhar a temperaturas controladas e mais baixas.
  • Evitar o escurecimento excessivo: Não deixar os alimentos ficarem excessivamente tostados ou queimados, pois isso indica a formação de compostos tóxicos.
  • Marinar carnes: Marinar carnes com ingredientes antioxidantes, como vinho tinto ou sumo de limão, pode reduzir a formação de AHs.
  • Controlar o tempo de cocção: Evitar cozinhar alimentos por períodos prolongados a altas temperaturas.

Estratégias para reduzir a formação de compostos tóxicos

  • Temperatura e Tempo: Evitar cozinhar alimentos a temperaturas muito elevadas por períodos prolongados.
  • Escolha de Óleos: Utilizar óleos com maior estabilidade térmica, como o azeite de oliva, e evitar reutilizar óleos para fritura.
  • Preparação de Carnes: Marinar carnes com ingredientes antioxidantes e evitar o contato direto com chamas.
  • Métodos de Cocção: Preferir métodos como cozedura a vapor ou utilização de Air Fryer, que reduzem a formação de compostos tóxicos.
  • Evitar Partes Queimadas: Remover partes excessivamente tostadas ou queimadas dos alimentos antes de consumir.​

Tecnologia como aliada da saúde pública

  • Obesidade e diabetes: Equipamentos como air fryers e panelas elétricas ajudam na redução do consumo de gordura e sal.
  • Adesão a dietas específicas: Programas de confeção automática adaptam-se a necessidades como low carb, plant based, gluten-free.
  • Inclusão e autonomia: Idosos e pessoas com deficiência podem cozinhar de forma mais segura com dispositivos automatizados e interfaces táteis ou por voz.

Tecnologia ao serviço da saúde, os aparelhos que estão a mudar a alimentação

1. Air Fryer – fritar sem óleo (ou quase!)
Com a air fryer, é possível preparar batatas, legumes, peixe e até sobremesas com pouquíssima ou nenhuma gordura adicionada. Ideal para quem procura reduzir o colesterol, controlar o peso ou simplesmente ter uma alimentação mais leve sem abdicar do sabor.

2. Robots de Cozinha – refeições completas com um toque de botão
Equipamentos como a Bimby, Monsieur Cuisine ou MyCook permitem preparar sopas, pratos principais, massas, molhos e até sobremesas de forma simples e rápida. A grande vantagem? Controlamos totalmente os ingredientes, evitando aditivos, conservantes ou excesso de sal e açúcar presentes em muitos produtos industrializados.

3. Panela elétrica de pressão e slow cooker – tempo e nutrientes bem aproveitados
São excelentes para cozinhar leguminosas, guisados e caldos de forma prática e saudável, preservando melhor os nutrientes e permitindo preparar refeições nutritivas com pouco esforço.

4. Fornos com convecção e grills elétricos – menos gordura, mais sabor
Estes aparelhos cozinham os alimentos de forma uniforme, dispensando a necessidade de adicionar muita gordura. São ideais para carnes, legumes grelhados e até tostas mais saudáveis.

5. Balanças inteligentes e aplicações de nutrição
Permitem pesar com precisão e acompanhar calorias, macronutrientes e composição dos pratos. Combinadas com apps gratuitas como Yazio ou FatSecret, ajudam a manter o controlo da alimentação sem complicações.


Benefícios reais no dia a dia

  • Menos processados: ao cozinhar em casa com estes aparelhos, reduzimos o consumo de alimentos prontos e processados.
  • Menos gordura e sal: conseguimos preparar pratos saborosos com menos adição de gorduras e temperos artificiais.
  • Mais legumes e fibras: com os robots, por exemplo, é fácil integrar mais vegetais nas refeições e fazer sopas cremosas ou salteados saudáveis em poucos minutos.
  • Mais autonomia alimentar: mesmo quem não tem experiência na cozinha consegue preparar pratos equilibrados.

Sustentabilidade e poupança bons para nós e para o planeta

  • Eficiência energética: muitos destes aparelhos consomem menos energia que o forno ou fogão tradicional.
  • Redução do desperdício alimentar: permitem cozinhar porções adequadas e aproveitar sobras em novas receitas.
  • Durabilidade: ao escolher modelos de qualidade, o investimento compensa a longo prazo.

Qual comprar? A melhor relação saúde/preço

AparelhoVantagens para a saúdePreço médio (€)Sugestão
Air FryerReduz gordura, mantém sabor50–150Começa por um modelo básico
Robot de CozinhaVersátil, ideal para refeições completas300–1200Verifica as funcionalidades mais usadas
Panela ElétricaPreserva nutrientes, prático50–100Excelente custo-benefício
Balança Inteligente + AppControlo alimentar eficaz10–30 (balança)Combinação simples e poderosa

Top 3 robots de cozinha com melhor relação qualidade/preço

Nº 1: Monsieur Cuisine Smart

💶 Cerca de 450€ (Lidl)
🔥 Funções: cozer, triturar, amassar, pesar, vapor, receitas guiadas
✨ Pontos fortes: ecrã tátil grande, ótimo custo-benefício
🩺 Ideal para famílias que querem comer melhor sem complicações


Nº 2: MyCook Touch

💶 Cerca de 800€
🔥 Cozedura por indução (mais rápida e precisa)
🌐 Receitas guiadas via Wi-Fi
🩺 Excelente para quem valoriza resultados consistentes e mais técnicos


Nº 3: Bimby TM6

💶 Cerca de 1300€
🌟 O mais completo: fermentação, slow cooking, sous vide, caramelizar
📱 Milhares de receitas com Cookidoo
🩺 Investimento a longo prazo para quem cozinha com frequência


Dicas práticas para tirar o melhor partido

  • Planeia a semana: prepara bases como arroz integral, legumes salteados ou sopas e guarda em porções.
  • Receitas saudáveis e simples: opta por ingredientes frescos, ervas aromáticas e gorduras boas como azeite ou abacate.
  • Aprende com os melhores: explora blogs de culinária saudável, canais de YouTube e aplicações com receitas adaptadas a cada aparelho.

5 receitas simples e saudáveis na Air Fryer

Descrevo de seguida 5 receitas saudáveis que podes testar na tua air fryer.

Batata-doce crocante

Batata-doce em palitos
• Tempera com azeite, paprika e alecrim
• 15 min a 180 °C
Rica em fibras e vitamina A


Legumes assados coloridos

Brócolos, cenoura e courgette
• Sal, alho em pó, fio de azeite
• 12–15 min a 190 °C
Deliciosos e antioxidantes!


Frango com especiarias

Tiras de frango com açafrão e limão
• 15 min a 180 °C
Fonte de proteína magra, sem fritura!


Tofu crocante (vegan)

Cubos de tofu marinados em molho de soja, gengibre e mel
• 10–12 min a 200 °C
Textura incrível, sabor surpreendente!


Maçã assada com canela

Maçã fatiada com canela e nozes
• 10 min a 170 °C
Sobremesa saudável, sem açúcar adicionado!


Conclusão: a tecnologia ao serviço de uma vida melhor

O ato de cozinhar evoluiu de uma necessidade biológica para um ato cultural, terapêutico e até tecnológico. Hoje, as cozinhas modernas são centros de inovação, refletindo o avanço da ciência, da engenharia e da nutrição. A tecnologia, quando bem orientada, pode ser uma aliada da saúde, promovendo escolhas mais conscientes, seguras e sustentáveis.

Cozinhar com tecnologia no século XXI não é luxo é inteligência ao serviço da saúde. Com os aparelhos certos, conseguimos comer melhor, gastar menos e ganhar tempo para o que realmente importa. Que a tua cozinha seja cada vez mais um espaço de saúde, sabor e bem-estar!

👉 Partilha este artigo com amigos e familiares que querem começar a cuidar mais da alimentação. Uma mudança simples pode ter um impacto enorme.


Fontes bibliográficas

Comer doces e hidratos estratégias para controlar os desejos

Como controlar os desejos por doces, hidratos de carbono e salgados? Quem nunca sentiu aquele desejo irresistível por um chocolate ou por um pacote de batatas fritas? Embora possam parecer simples vontades momentâneas, os desejos alimentares escondem, na maioria das vezes, causas complexas que envolvem fatores fisiológicos, emocionais e até ambientais. Compreender a origem destes impulsos é fundamental para os controlar de forma eficaz e saudável, preservando a saúde metabólica e o bem-estar mental.
Neste artigo, vamos explorar as principais causas dos desejos alimentares e estratégias comprovadas para os ultrapassar, com base nas evidências científicas mais recentes e na informação também descrita no meu livro “As Cinco Grandes Mentiras Sobre Saúde”.


Índice

  • O que são os desejos alimentares?
  • Principais causas dos desejos por doces e salgados
  • A influência da qualidade do sono
  • O impacto da ansiedade e do stress
  • Deficiências nutricionais: crómio, magnésio e outros
  • O papel da microbiota intestinal
  • A influência dos medicamentos
  • Grelina a hormona da fome antidepressiva
  • Outros fatores menos conhecidos
  • Estratégias práticas para controlar os desejos

As cinco grandes mentiras sobre saúde
As cinco grandes mentiras sobre saúde

O que são os desejos alimentares?

Desejos alimentares são impulsos intensos para consumir alimentos específicos, geralmente ricos em açúcar, gordura ou sal. Estes desejos vão além da fome fisiológica e envolvem mecanismos neurológicos, hormonais e emocionais complexos.

Ver mais sobre o papel da insulina e do cortisol no metabolismo aqui.

Principais causas dos desejos por doces e salgados

Os desejos podem ser motivados por:

  • Desequilíbrios hormonais (insulina, cortisol, grelina, leptina);
  • Emoções como ansiedade, tristeza ou frustração;
  • Carências nutricionais específicas;
  • Desequilíbrios da microbiota intestinal;
  • Influência de medicamentos;
  • Fatores ambientais como publicidade e disponibilidade alimentar.

A influência da qualidade do sono

O sono insuficiente ou de má qualidade perturba a regulação hormonal, aumentando a produção de grelina (hormona da fome) e reduzindo a leptina (hormona da saciedade), promovendo desejos particularmente por alimentos hipercalóricos e ricos em açúcar. Estudos demonstraram que pessoas que dormem menos de 6 horas por noite apresentam maior risco de obesidade.

Saiba como melhorar a qualidade do sono aqui.

Estudo: Short sleep duration is associated with reduced leptin, elevated ghrelin, and increased body mass index (Taheri et al., 2004)


O impacto da ansiedade e do stress

O stress crónico e a ansiedade elevam os níveis de cortisol, hormona que leva o organismo a procurar fontes rápidas de energia, como doces e salgados. Comer torna-se uma forma de “auto-medicação” emocional.

Aprenda como a ansiedade influencia a saúde metabólica aqui.

Ferramentas úteis:
A prática de meditação e mindfulness mostrou ser eficaz na redução dos desejos compulsivos.

Estudo: Chronic stress and obesity: a new view of “comfort food”(Dallman et al., 2003).


Deficiências nutricionais e minerais

Alguns minerais são fundamentais no controlo do apetite. As deficiências destes minerais podem aumentar o apetite por alimentos açucarados ou salgados.

  • Crómio: regula a glicemia (açúcar no sangue) e reduz os desejos;
  • Magnésio: envolvido no metabolismo da insulina e no controlo do stress;
  • Zinco: influencia o apetite, o paladar e a função imunitária

Fontes naturais destes minerais incluem nozes, sementes, cereais integrais e legumes de folha verde.

Estudos:


O papel da microbiota intestinal

Desequilíbrios na flora intestinal, conhecidos como disbiose, estão associados a alterações e desejos alimentares descontrolados. Certas bactérias podem mesmo “comandar” desejos por alimentos que favoreçam o seu crescimento, tais como:

  • Firmicutes (associadas ao aumento do apetite por açúcares);
  • Clostridium spp. (associadas à inflamação intestinal);

Estudo: Is eating behavior manipulated by the gastrointestinal microbiota? Evolutionary pressures and potential mechanisms

Os micróbios no trato gastrointestinal estão sob pressão seletiva para manipular o comportamento alimentar do hospedeiro e aumentar a sua aptidão, por vezes à custa da aptidão do hospedeiro. Os micróbios podem fazê-lo através de duas estratégias potenciais:

  • Gerar desejos por alimentos em que são especializados ou por alimentos que suprimem os seus concorrentes;
  • Induzir disforia até comermos alimentos que melhorem a sua aptidão física.

No estudo acima referido foram revistos vários mecanismos potenciais para o controlo microbiano sobre o comportamento alimentar, incluindo a influência microbiana nas vias de recompensa e saciedade, a produção de toxinas que alteram o humor, as alterações nos recetores, incluindo os recetores gustativos, e o sequestro do nervo vago, o eixo neural entre o intestino e o cérebro.

Também foram revistas as evidências de explicações alternativas para desejos e comportamentos alimentares pouco saudáveis. Uma vez que a microbiota é facilmente manipulável por prebióticos, probióticos, antibióticos, transplantes fecais e alterações na dieta, a alteração da nossa microbiota oferece uma abordagem viável para problemas intratáveis ​​de obesidade e alimentação pouco saudável.

Saiba como fortalecer a sua microbiota aqui.


A influência dos medicamentos

Alguns medicamentos, como antidepressivos, antipsicóticos e corticosteróides, podem alterar o apetite e aumentar a procura por alimentos de conforto, alterando os neurotransmissores ligados ao controlo da saciedade.

Alguns exemplos de medicamentos que aumentam significativamente o apetite, são os seguintes:

  • Antidepressivos tricíclicos (ex: amitriptilina);
  • Antipsicóticos (ex: olanzapina, quetiapina);
  • Corticosteróides (ex: prednisolona).

Grelina a hormona da fome antidepressiva

A grelina é uma hormona peptídica de 28 aminoácidos, que aumenta o apetite, descrita pela primeira vez em 1999 e amplamente expressa no organismo. Como a única hormona orexígena conhecida segregada na periferia, aumenta a fome e o apetite, promovendo a ingestão de alimentos.

Também foi demonstrado que a grelina está envolvida em vários processos fisiológicos regulados no sistema nervoso central, como o sono, o humor, a memória e a recompensa. Consequentemente, tem sido implicado numa série de perturbações psiquiátricas, tornando-se objeto de investigação crescente, com o conhecimento a acumular-se rapidamente.

Estudo: Ghrelin in psychiatric disorders – A review

A revisão do estudo acima referido, tem como objetivo fornecer uma visão concisa e abrangente do papel da grelina nas perturbações psiquiátricas. Tem sido consistentemente demonstrado que a grelina exerce efeitos neuroprotetores e de melhoria da memória, além de aliviar a psicopatologia em modelos animais de demência. Poucos estudos em humanos mostram uma perturbação do sistema da grelina na demência.

Também demonstrou desempenhar um papel crucial na fisiopatologia das perturbações de dependência, promovendo a recompensa pela droga, melhorando o comportamento de procura da mesma e aumentando o desejo em animais e humanos.

O papel exato da grelina na depressão e na ansiedade ainda está a ser debatido, uma vez que foi demonstrado que promove e alivia comportamentos depressivos e ansiosos em estudos com animais, com um excesso de evidências que sugerem efeitos antidepressivos. Não é de estranhar que o sistema da grelina esteja também implicado em distúrbios alimentares, no entanto o seu papel exato ainda tem de ser esclarecido. O seu amplo envolvimento tornou o sistema da grelina um alvo promissor para futuras terapias, com descobertas encorajadoras na literatura recente.


Outros fatores menos conhecidos

  • Ciclos hormonais femininos –> desejos mais intensos na fase lútea (pré-menstrual);
  • Memória emocional –> associações entre certos alimentos e momentos de conforto e felicidade;
  • Desequilíbrios de neurotransmissores –> como a dopamina e serotonina, aumentam o risco de alimentação emocional.

Nota: todos estes fatores estão interligados e são abordados no meu livro “As Cinco Grandes Mentiras Sobre Saúde”.


Estratégias práticas para controlar os desejos

  • Melhorar o sono: manter uma rotina regular e criar um ambiente propício;
  • Gerir o stress: técnicas como mindfulness, respiração profunda e exercício físico;
  • Corrigir carências nutricionais: com orientação profissional;
  • Reequilibrar a microbiota: aumentar o consumo de prebióticos e probióticos;
  • Estabelecer rotinas alimentares: refeições regulares e nutritivas;
  • Técnicas cognitivas: diferenciar fome real de fome emocional.

Melhorar o sono: rotina e ambiente adequado

A privação de sono altera hormonas como grelina (aumenta o apetite) e leptina (diminui a saciedade).
Dicas práticas:

  • Tenta deitar-te e levantar-te sempre à mesma hora;
  • Evita luz azul (telemóveis, TV) 1 a 2 horas antes de dormir;
  • Evita cafeína e álcool após as 16h;
  • Mantém o quarto fresco, escuro e silencioso.

🔗 Ver artigo completo sobre sono reparador


Gerir o stress: mindfulness, respiração e exercício

O stress crónico eleva o cortisol e potencia o desejo por açúcar e sal. Técnicas de gestão emocional ajudam a quebrar esse ciclo.

Soluções eficazes:

  • 🧘‍♂️ Mindfulness: 10 min por dia já reduzem impulsos alimentares.
  • 🫁 Respiração 4-7-8: inspira 4s, retém 7s, expira 8s. Repetir 3x.
  • 🏃‍♀️ Exercício: liberta dopamina e reduz o stress fisiológico.

🔗 Ver artigo completo sobre ansiedade e saúde
🔗 Ver artigo sobre meditação e saúde


Corrigir carências nutricionais: crómio, magnésio, zinco

Carências destes nutrientes podem gerar desejos específicos:

MineralFunçãoFontes Naturais
CrómioRegula a insulinaBrócolos, cereais integrais
MagnésioReduz ansiedadeEspinafres, sementes
ZincoModula apetiteOvos, frutos secos

Sugere-se sempre avaliação profissional antes de suplementar.


Reequilibrar a microbiota intestinal

Algumas bactérias intestinais estimulam desejos por açúcar (ex: Clostridium, Firmicutes), enquanto outras favorecem o autocontrolo (ex: Bifidobacterium, Lactobacillus).

Melhore a flora intestinal com:

  • Alimentos fermentados: iogurte, kefir, chucrute;
  • Fibras prebióticas: aveia, alho, banana verde;
  • Evitar antibióticos desnecessários.

🔗 Ver artigo completo sobre a microbiota


Estabelecer rotinas alimentares

Se não for habitual fazeres jejum o cérebro reage mal a longos períodos sem comida, aumentando o apetite por calorias vazias. Refeições planeadas reduzem impulsos alimentares.

Dicas úteis:

  • Planeia as refeições, sem petiscar fora delas;
  • Combinar proteínas + fibras para maior saciedade;
  • Evitar alimentos processados que criam picos de glicemia.

Técnicas cognitivas: distinguir fome real de emocional

Aprender a identificar a origem da fome é essencial:

Tipo de FomeCaracterísticasEstratégia
RealSurge gradualmente, aceita vários alimentosComer uma refeição equilibrada
EmocionalSúbita, específica (ex: chocolate), insaciávelPausa de 10 min + respiração consciente

Exercício: antes de comer, pergunta a ti mesmo “estou mesmo com fome?”


Conclusão

Os desejos alimentares não são apenas uma questão de força de vontade, mas refletem muitas vezes desequilíbrios internos e necessidades emocionais ou físicas não atendidas. Identificar as suas causas e adotar estratégias baseadas em evidência científica é essencial para recuperar o controlo sobre a alimentação, promovendo uma relação mais saudável com os alimentos e com o próprio corpo.


Fontes Científicas


Pele saudável fundamentos científicos e os melhores cuidados diários

A pele é o maior órgão do corpo humano, representando cerca de 16% do peso corporal total. Quais os cuidados e estratégias diárias para conseguir uma pele saudável, hidratada, sem manchas, sem lesões, firme, luminosa e bonita, retardando o envelhecimento ? Quais os melhores alimentos, hábitos de limpeza, cremes e produtos mais saudáveis para a nossa pele?

A pele desempenha múltiplas funções essenciais à sobrevivência tais como formar uma barreira física e imunológica contra agentes patogénicos, previne perdas de água transepidérmica ou seja na camada externa da pele, regula a temperatura corporal através da sudorese (suor) e vasodilatação e participa na síntese de vitamina D mediante a exposição solar. É também um órgão sensorial, ricamente inervado, que permite a perceção tátil, térmica e dolorosa. Além disso, exerce uma função imunológica ativa através de células como os queratinócitos e as células de Langerhans, fundamentais para a resposta imune inata.

  • A pele representa cerca de 16% do peso corporal.
  • Atua como barreira protetora e reguladora da temperatura.
  • Participa na síntese de vitamina D e na imunidade inata.
  • É um órgão sensorial e imunológico ativo.

Envelhecimento da pele

O envelhecimento cutâneo é um processo inevitável e complexo que resulta da interação entre o envelhecimento intrínseco (genético e cronológico) e fatores extrínsecos, como radiação ultravioleta (UV), poluição, dieta desequilibrada, tabagismo e stress. Com o tempo, observa-se diminuição da produção de colagénio, elastina e ceramidas, atrofia epidérmica e menor capacidade de reparação. Estes fenómenos conduzem ao aparecimento de rugas, manchas, flacidez e à diminuição da função barreira.

  • O envelhecimento da pele tem causas internas e externas.
  • Fatores externos como UV e poluição aceleram o processo.
  • Há perda de colagénio, elastina e função de barreira.

Este artigo tem como objetivo apresentar uma síntese científica atualizada e prática sobre os fatores que influenciam a saúde da pele, a sua fisiologia e as rotinas de cuidados personalizadas para todos os tipos de pele e faixas etárias. Será abordada a ciência por detrás de uma pele saudável, bem como orientações úteis para o dia a dia, promovendo o bem-estar e a longevidade cutânea com base na evidência científica mais atual.

  • Objetivo: unir ciência e prática para uma pele saudável.
  • Serão abordadas fisiologia, fatores de risco e cuidados diários.
  • A base é científica, com aplicação concreta e universal.

Referências:

  • Nature Reviews Dermatology
  • JAMA Dermatology
  • Science – Skin Health Special Issues
As cinco grandes mentiras sobre saúde
As cinco grandes mentiras sobre saúde

Estrutura do Artigo

Introdução

  • Importância da pele como órgão (funções: barreira, imunidade, termorregulação).
  • Envelhecimento cutâneo e impacto ambiental.
  • Objetivo do artigo: promover uma pele saudável baseada em ciência e prática.

Referências: Nature Reviews Dermatology, JAMA Dermatology, Science (especial skin issues).

Fisiologia da pele

  • Camadas da pele: epiderme, derme, hipoderme.
  • Principais células: queratinócitos, melanócitos, células de Langerhans, fibroblastos.
  • Microbioma cutâneo e sua importância.

Referências:

  • Elias PM. The skin barrier as an innate immune element. J Clin Invest.
  • Byrd AL et al. The human skin microbiome. Nat Rev Microbiol.

Factores que influenciam a saúde da pele

  • Genética e etnia.
  • Exposição solar (UV), poluição e tabaco.
  • Dieta e hidratação.
  • Sono e stress.
  • Doenças sistémicas (diabetes, doenças autoimunes).

Referências:

  • Krutmann J et al. Environmental stressors and skin aging. J Dermatol Sci.
  • JAMA Dermatol sobre impacto da dieta e microbiota.
  • Envelhecimento intrínseco vs extrínseco.
  • Papel dos radicais livres e glicação.
  • Sinais visíveis e alterações estruturais.

Referências:

  • Fisher GJ et al. Mechanisms of photoaging. Arch Dermatol.
  • Wlaschek M et al. Oxidative stress and skin aging. Clin Exp Dermatol.

Tipos de pele e suas necessidades

  • Seca: barreira comprometida, prurido, descamação.
  • Oleosa: seborreia, poros dilatados, tendência acneica.
  • Mista: zonas oleosas e secas.
  • Pele Atópica: barreira alterada, prurido, inflamação.
  • Pele Reativa ou Sensível: hiper-reactividade a estímulos.
  • Pele Acneica: comedões, pápulas, pústulas, cicatrizes.

Referências:

  • Gallo RL et al. Pathogenesis of acne. Nat Rev Microbiol.
  • Bieber T. Atopic dermatitis. N Engl J Med.

Diferenças por idade e género

  • Bebés/crianças: pele mais fina, menos sebo.
  • Adultos: variabilidade conforme sexo hormonal.
  • Idosos: secura, menor renovação celular e colagénio.
  • Influência hormonal (testosterona, estrogénios, menopausa).

Referências:

  • Farage MA et al. Age-related changes in skin. Dermatol Ther.
  • Thornton MJ. Estrogens and skin aging. Clin Interv Aging.
As cinco grandes mentiras sobre saúde
As cinco grandes mentiras sobre saúde

Rotina diária de cuidados com a pele

1. Limpeza (2x/dia)

  • Evitar produtos agressivos.
  • Adaptar ao tipo de pele.
  • Desmaquilhantes adequados para pele sensível.

2. Hidratação

  • Cremes com ureia, ceramidas, ácido hialurónico, glicerina.
  • Pele seca: emolientes ricos.
  • Pele oleosa: hidratantes oil-free (sem óleos), não comedogénicos (não obstruem os poros).

3. Fotoproteção (365 dias/ano)

  • Fator de proteção solar FPS ≥ 30.
  • Reaplicação ao longo do dia.
  • Filtros físicos vs químicos (preferir filtros físicos).

4. Tratamentos Específicos

  • Antienvelhecimento: retinol, vitamina C, niacinamida (vitamna B3), peptídeos.
  • Pele acneica: ácido salicílico, peróxido de benzoílo, adapaleno.
  • Pele com Rosácea: Ácido azelaico, metronidazol.
  • Pele atópica: corticóides tópicos, pimecrolimus.

5. Estilo de vida saudável

  • Dieta rica em antioxidantes, omega-3, vitamina A, C, E, zinco.
  • Evitar açúcar em excesso (glicação).
  • Evitar tabaco e álcool.
  • Sono de qualidade e gestão do stress.

📚 Referências práticas:

  • American Academy of Dermatology (AAD).
  • Guidelines da European Academy of Dermatology and Venereology (EADV).

Cuidados Especiais e Patologias Comuns

  • Dermatoses inflamatórias (psoríase, eczema).
  • Manchas (melasma, lentigos).
  • Cancro cutâneo: prevenção, sinais de alarme (ABCDE).

📚 Referências:

  • WHO: Skin Cancer prevention
  • JAMA Dermatol: sobre prevalência e rastreio.

“A pele como maior órgão do corpo humano”

Fisiologia da Pele

A pele é constituída por três camadas principais: epiderme, derme e hipoderme. A epiderme é a camada mais externa, composta principalmente por queratinócitos, organizados em estratos, do basal ao córneo. A derme, rica em colagénio e elastina, fornece suporte estrutural e contém vasos sanguíneos, nervos, glândulas sebáceas e sudoríparas. A hipoderme é composta sobretudo por tecido adiposo, funcionando como reserva energética e isolamento térmico. A interação coordenada entre estas camadas garante a proteção, regeneração e manutenção da integridade cutânea.

✔️ Resumo:

  • Epiderme: camada externa, rica em queratinócitos.
  • Derme: contém colagénio, elastina, vasos e glândulas.
  • Hipoderme: tecido adiposo para proteção e reserva energética.

As principais células da epiderme incluem:

  • Queratinócitos, que produzem queratina e constituem 90% da epiderme.
  • Melanócitos, responsáveis pela produção de melanina e proteção contra UV.
  • Células de Langerhans, que participam na imunidade cutânea.
    Na derme, destacam-se os fibroblastos, responsáveis pela produção de colagénio tipo I e III, elastina e proteoglicanos, fundamentais para a firmeza e elasticidade da pele.

✔️ Resumo:

  • Queratinócitos: barreira física e produção de queratina.
  • Melanócitos: produzem melanina e protegem contra UV.
  • Langerhans: defesa imunitária.
  • Fibroblastos: produzem colagénio e elastina.

Microbioma cutâneo

O microbioma da pele é formado por milhões de microrganismos que colonizam a pele de forma comensal e protetora. Inclui bactérias, vírus, fungos e ácaros (como Demodex spp.). Um microbioma equilibrado contribui para a homeostasia cutânea, imunidade e defesa contra patógenos. A disbiose do microbioma está associada a doenças como dermatite atópica, acne, rosácea e psoríase. Fatores como o uso excessivo de sabões, antibióticos tópicos e dietas pobres em fibra podem prejudicar esta ecologia benéfica.

✔️ Resumo:

  • O microbioma protege contra infeções e regula a imunidade.
  • Um desequilíbrio (disbiose) pode causar doenças de pele.
  • É influenciado por higiene, dieta e uso de medicamentos.

📚 Referências:

  • Elias PM. The skin barrier as an innate immune element. J Clin Invest.
  • Byrd AL et al. The human skin microbiome. Nat Rev Microbiol.

Fatores que influenciam a saúde da pele

Genética e etnia

A genética influencia a espessura da pele, a densidade de colagénio, o tipo de sebo produzido e a reatividade imunológica. Indivíduos com mutações no gene da filagrina, por exemplo, têm maior predisposição para dermatite atópica. A etnia também determina diferenças importantes: peles mais escuras (fototipos IV-VI) têm maior proteção contra UV e menor risco de fotoenvelhecimento, mas maior propensão à hiperpigmentação pós-inflamatória. Peles claras (fototipos I-II) são mais suscetíveis a queimaduras solares e cancro cutâneo.

✔️ Resumo:

  • A genética determina a estrutura e função da pele.
  • Mutações como as da filagrina aumentam o risco de atopia.
  • A etnia influencia a sensibilidade ao sol e resposta inflamatória.

Exposição solar, poluição e tabaco

A radiação UV (especialmente UVB) é o principal fator ambiental de envelhecimento precoce. Induz a formação de ROS, mutações no DNA (p53) e inflamação crónica, culminando em fotoenvelhecimento e cancro cutâneo. A poluição atmosférica, em especial partículas finas (PM2.5) e ozono, prejudica a função barreira e estimula respostas oxidativas. O tabagismo reduz a vascularização dérmica, degrada colagénio, aumenta a produção de MMPs e acelera a formação de rugas.

✔️ Resumo:

  • UV causa danos no DNA e envelhecimento precoce.
  • Poluição agride a barreira cutânea e ativa inflamação.
  • Tabaco reduz oxigenação e acelera o envelhecimento da pele.

Dieta e hidratação

Uma dieta equilibrada em vitaminas antioxidantes (A, C, E), ácidos gordos ómega-3, zinco e selénio contribui para a integridade cutânea e controlo da inflamação. A ingestão inadequada de água afeta negativamente a hidratação da epiderme e a elasticidade. Em contrapartida, uma alimentação rica em açúcares simples promove glicação das proteínas dérmicas (colagénio e elastina), tornando a pele mais rígida, opaca e envelhecida.

✔️ Resumo:

  • Nutrientes antioxidantes protegem a pele e reduzem inflamação.
  • Hidratação interna melhora elasticidade e aparência.
  • Açúcares causam glicação e aceleram o envelhecimento cutâneo.

Sono e stress

Durante o sono profundo há aumento da produção de hormonas anabólicas como a hormona do crescimento, que estimula a regeneração cutânea. A privação do sono está associada a alterações na função barreira, aumento da reatividade da pele e pior aparência geral. O stress crónico eleva os níveis de cortisol, o que prejudica a cicatrização, reduz a síntese de colagénio e agrava doenças inflamatórias como acne, eczema e psoríase.

✔️ Resumo:

  • O sono promove a regeneração da pele.
  • A falta de sono altera a função barreira e acelera o envelhecimento.
  • O stress aumenta o cortisol, piorando condições inflamatórias da pele.

Doenças sistémicas

Condições como diabetes mellitus, doenças autoimunes (ex: lúpus, psoríase) e doenças da tiroide afetam diretamente a saúde da pele. A hiperglicemia, por exemplo, prejudica a cicatrização e favorece infeções. As doenças autoimunes podem causar inflamação crónica da derme, alterações pigmentares e lesões. Disfunções da tiroide afetam a espessura, hidratação e crescimento piloso. Assim, a pele é muitas vezes um espelho da saúde sistémica.

✔️ Resumo:

  • Doenças sistémicas têm manifestação cutânea.
  • Diabetes prejudica cicatrização e hidratação.
  • Autoimunidade pode gerar lesões e inflamação dérmica.

📚 Referências:

  • Krutmann J et al. Environmental stressors and skin aging. J Dermatol Sci
  • JAMA Dermatol: impacto da dieta e microbiota na pele

Envelhecimento Cutâneo

O envelhecimento da pele é um processo multifactorial, dividido em dois tipos principais: envelhecimento intrínseco (cronológico) e extrínseco (principalmente causado por fatores ambientais). O envelhecimento intrínseco está associado à diminuição da síntese de colagénio, elastina e ácido hialurónico, e à desaceleração da renovação celular. Por outro lado, o envelhecimento extrínseco, particularmente o fotoenvelhecimento induzido pelos raios UV, provoca danos no DNA celular, inflamação crónica e aceleração da degradação das fibras dérmicas. A exposição solar excessiva gera espécies reativas de oxigénio (ROS), que promovem a ativação de metaloproteinases (MMPs), enzimas que degradam a matriz extracelular. O stress oxidativo, a poluição, o tabagismo e a alimentação desequilibrada, principalmente processada, são fatores cruciais no envelhecimento prematuro da pele.

✔️ Resumo:

  • O envelhecimento da pele é intrínseco (cronológico) e extrínseco (ambiental).
  • O fotoenvelhecimento acelera a degradação do colagénio e elastina.
  • Raios UV provocam stress oxidativo e inflamação crónica.
  • As Metaloproteinases degradam a matriz dérmica sob influência de Espécies Reativas de Oxigénio.
  • Fatores como tabaco e má alimentação agravam o envelhecimento.

Tipos de pele e suas necessidades

Pele seca, oleosa e mista – A classificação dos tipos de pele baseia-se na produção sebácea, hidratação e sensibilidade. A pele seca tem baixa produção de sebo e deficiência de lípidos essenciais, como as ceramidas, importantes para manter a função barreira. A pele oleosa caracteriza-se por hiperatividade das glândulas sebáceas, aumento dos poros e maior predisposição para acne. A pele mista combina zonas oleosas (geralmente zona T) com áreas secas.

Pela atópica – A pele atópica apresenta uma função barreira severamente comprometida, com menor expressão de filagrina e ceramidas, além de disbiose do microbioma. A pele sensível ou reativa responde exageradamente a estímulos ambientais, manifestando eritema, prurido e sensação de ardor.

Pela acneica – A pele acneica, comum em adolescentes e adultos jovens, está associada à colonização por Cutibacterium acnes e hiperqueratinização folicular. Cada tipo de pele requer abordagens distintas de limpeza, hidratação e tratamento tópico.

✔️ Resumo:

  • Pele seca: deficiência de ceramidas e lípidos → barreira fragilizada.
  • Pele oleosa: produção excessiva de sebo e tendência a acne.
  • Pele mista: zonas secas e oleosas combinadas.
  • Pele atópica: disfunção da barreira e inflamação crónica.
  • Pele sensível: hiper-reatividade com prurido e ardor.
  • Pele acneica: colonização por C. acnes e obstrução folicular.

Diferenças por idade e género

Durante a infância, a pele é mais fina, com menor produção de sebo e maior propensão a dermatites. Na adolescência, há um aumento da produção sebácea influenciada por androgénios, predispondo ao aparecimento de acne. Nos adultos, observa-se uma maior variação individual associada a fatores hormonais, gravidez ou stress. No envelhecimento, a pele perde espessura, hidratação e capacidade regenerativa, surgindo a xerose e as rugas.

Xerose ou pele seca

A xerose é o termo médico para pele seca. Ocorre quando a pele perde água e pode ser causada por fatores como envelhecimento, clima frio e seco, banhos quentes e prolongados, ou até mesmo condições médicas como diabetes.

Os sintomas incluem pele áspera, coceira, descamação e rachaduras. Para aliviar a xerose, recomenda-se o uso de cremes hidratantes, evitar banhos muito quentes e usar sabonetes suaves.

Diferenças hormonais

As diferenças hormonais entre homens e mulheres também influenciam a estrutura da pele: a testosterona promove uma pele mais espessa e oleosa, enquanto os estrogénios favorecem a hidratação e elasticidade.

✔️ Resumo sobre idade e género:

  • Crianças: pele fina e vulnerável.
  • Adolescentes: aumento de sebo e acne.
  • Adultos: variação consoante hormonas e estilo de vida.
  • Idosos: pele seca, fina e com rugas.
  • Homens vs mulheres: testosterona vs estrogénios influenciam estrutura.

Rotina e os melhores cuidados diários

A rotina de cuidados deve ser adaptada ao tipo e estado da pele. A limpeza deve ser feita duas vezes por dia com produtos suaves e pH fisiológico, evitando sulfatos agressivos. A hidratação deve incluir ingredientes como ceramidas (lípidos essenciais que restauram a barreira cutânea), ácido hialurónico (humectante que retém água) e glicerina.

Glicerina

A glicerina é um ingrediente essencial em muitos produtos de hidratação da pele devido às suas propriedades humectantes. Ela atrai água para a camada externa da pele, ajudando a manter a hidratação e prevenindo a secura. Além disso, a glicerina fortalece a barreira cutânea, protegendo contra agentes irritantes e condições climáticas adversas.

Outro benefício importante é sua capacidade de acelerar a cicatrização de feridas e suavizar a pele, tornando-a mais macia e saudável. Por isso, é frequentemente encontrada em hidratantes, sabonetes e produtos de cuidados faciais.

Ceramidas

As ceramidas reforçam a barreira natural da pele e promovem a sua hidratação. São lípidos que existem naturalmente na camada mais externa da pele (constituem cerca de 50% dos lípidos do estrato córneo). Contribuem para a integridade da barreira cutânea, ajudando a reter a hidratação da pele. As ceramidas trabalham com os outros lípidos do estrato córneo (os ácidos gordos e o colesterol) para proporcionar à pele uma barreira protetora natural contra os fatores externos, incluindo agentes irritantes e poluentes. As ceramidas ajudam a criar uma barreira lipídica que evita a perda de água através da pele, evitando assim a secura e ajudando manter a flexibilidade da pele. Quando a pele tem alterações nas ceramidas, pode ocorrer secura e irritação, contribuindo para uma maior sensibilidade e reatividade da pele.

Estudo: Correlations between Skin Condition Parameters and Ceramide Profiles in the Stratum Corneum of Healthy Individuals

Ácido hialurónico

O ácido hialurónico é um glicosaminoglicano amplamente distribuído no organismo humano, especialmente nos fluidos corporais e na matriz extracelular dos tecidos. Desempenha um papel crucial não só na manutenção da hidratação dos tecidos, mas também em processos celulares como a proliferação, diferenciação e resposta inflamatória. O ácido hialurónico demonstrou a sua eficácia como uma poderosa molécula bioativa não só para o antienvelhecimento da pele, mas também na aterosclerose, cancro e outras condições patológicas. Devido à sua biocompatibilidade, biodegradabilidade, não toxicidade e não imunogenicidade, foram desenvolvidos vários produtos biomédicos à base de ácido hialurónico. Existe um foco crescente na otimização dos processos de produção de ácido hialurónico para obter produtos de alta qualidade, eficientes e económicos.

Estudo: Hyaluronic Acid: A Powerful Biomolecule with Wide-Ranging Applications—A Comprehensive Review

Proteção solar e outros tratamentos

A proteção solar é fundamental diariamente com FPS ≥ 50, mesmo em dias nublados. Tratamentos específicos incluem retinol (derivado da vitamina A que estimula a renovação celular e colagénio), vitamina C (antioxidante que ilumina a pele) e niacinamida (anti-inflamatório). Em casos de acne, ácido salicílico e peróxido de benzoílo são eficazes. O estilo de vida deve incluir uma dieta rica em antioxidantes (vitamina C, E, polifenóis), consumo de água, sono reparador e evitar tabaco e álcool.

✔️ Resumo sobre rotina diária:

  • Limpeza: 2x/dia, com produtos suaves.
  • Hidratação: ceramidas, ácido hialurónico, glicerina.
  • Proteção solar: FPS ≥ 30 todos os dias.
  • Tratamentos: retinol, vitamina C, niacinamida.
  • Acne: ácido salicílico e peróxido de benzoílo.
  • Estilo de vida: antioxidantes, hidratação, sono e evitar tabaco.

Cuidados especiais e patologias comuns

Doenças inflamatórias como psoríase, dermatite atópica, melasma e rosácea exigem avaliação dermatológica. A psoríase é uma dermatoses autoimune com hiperproliferação epidérmica. A dermatite atópica envolve disfunção da barreira cutânea e inflamação mediada por linfócitos Th2. O melasma resulta de hiperpigmentação induzida por hormonas, UV e predisposição genética. A rosácea apresenta eritema, telangiectasias e sensação de ardor. O cancro cutâneo é classificado em carcinoma basocelular, espinocelular e melanoma. A regra ABCDE (Assimetria, Bordos, Cor, Diâmetro, Evolução) é essencial para identificação precoce do melanoma.

✔️ Resumo sobre cuidados especiais e patologias comuns:

  • Psoríase: autoimune, hiperproliferação da epiderme.
  • Dermatite atópica: inflamação crónica e barreira fraca.
  • Melasma: pigmentação hormonal e UV.
  • Rosácea: vermelhidão e sensibilidade.
  • Cancro cutâneo: tipos principais e regra ABCDE.

CONCLUSÃO

A manutenção da saúde da pele exige compreensão dos seus mecanismos fisiológicos e dos factores que a afetam. A implementação de uma rotina de cuidados personalizada, aliada a um estilo de vida saudável e intervenção precoce em situações patológicas, permite preservar a integridade, função e beleza da pele ao longo da vida.

Resumindo:

  • Entendimento da fisiologia cutânea é essencial.
  • Cuidados adaptados ao tipo e idade da pele.
  • Prevenção e estilo de vida têm papel fundamental.
  • Intervenção precoce melhora resultados.

Herpes, Zona e Varicela estratégias de prevenção e tratamento




Herpes Zona e Varicela: Os vírus da família HERPES são diversos e provocam doenças distintas mas, algumas, muito comuns tais como o Herpes labial e Herpes genital, a varicela e a zona. Um estudo com o título “A comparison of herpes simplex virus type 1 and varicella-zoster virus latency and reactivationfeito em colaboração entre o Institute of Infection, Immunity and Inflammation, University of Glasgow e do Department of Microbiology, Immunology and Pathology, Colorado State University, clarifica os mecanismos que fazem a ligação entre herpes labial, genital, varicela e zona.

Falarei também da mononucleose infeciosa, também conhecida como doença do beijo, que é uma doença contagiosa, causada pelo vírus Epstein Barr,  da família do herpes.

Neste artigo vamos responder ás seguintes questões:

    • Herpes, o que é?
    • Herpes simplex vírus 1 e 2 (HSV-1 e HSV-2), qual a diferença?
    • Quais as principais doenças provocadas pelos vírus da família herpes?
    • Herpes simples tipos 1 e 2, que partes do corpo afetam?
    • Qual a causa do herpes labial, oral, genital, face, ocular e cerebral?
    • Qual a prevalência na população?
    • Quais os fatores de risco que causam novas crises?
    • Quais os sintomas?
    • Quais os sintomas que antecedem e “avisam” que vai chegar nova crise de herpes?
    • Quais as zonas do corpo que podem ser afetadas por outros vírus da família herpes?
    • Como se transmite?
    • Onde se esconde o vírus?
    • Qual o período de incubação?
    • Em que altura da vida se contraem os mais comuns vírus da família herpes?
    • Qual o melhor tratamento e medicamentos usados?
    • Herpes labial, qual o tratamento?
    • Aciclovir, quais as reações adversas mais comuns?
    • Herpes: Será que tem cura?
    • Quais as lesões parecidas com herpes?
    • Herpes, quais as complicações possíveis?
    • Mononucleose ou “doença do beijo”, o que é? Quais as causas? Como proteger-se? Qual o tratamento?
    • Mononucleose, será que já sabe tudo?
    • Varicela ou catapora:  O que é? Quais os sintomas? Será perigosa?
    • Quais as complicações da Varicela?
    • Varicela, se estiver grávida o que deve fazer?
    • Os sintomas são mais graves na criança ou no adulto?
    • Varicela, qual o aspeto das borbulhas?
    • Varicela, como impedir que a criança coce?
    • Quais as fases da doença?
    • A varicela pode provocar zona?
    • Varicela, qual o tratamento?
    • Existe vacina para a varicela?
    • Zona: O que é?
    • Zona: Quais as causas?
    • Qual a prevalência na população?
    • Quais os sintomas da zona?
    • Quais as complicações da zona?
    • A zona é contagiosa?
    • Zona, qual o tratamento?
    • Zona, existe vacina?
As cinco grandes mentiras sobre saúde
As cinco grandes mentiras sobre saúde

Herpes o que é?

O herpes é um vírus comum que pode atingir diversas partes do corpo consoante o seu subtipo. O herpes labial e o genital são infeções virais contagiosas causadas por dois dos subtipos de vírus da família do Herpes vírus humano, composta por 8 subtipos diferentes. Dois dos mais conhecidos e relevantes são os seguintes:

  • Herpes simplex vírus tipo 1 (HSV-1)
  • Herpes simplex vírus tipo 2 (HSV-2)

Vírus da família Herpes, principais doenças

Cada subtipo do vírus causa doenças completamente distintas umas das outras, tais como:

    • Herpes labial ( vírus HSV-1);
    • Herpes genital (vírus HSV-2);
    • Herpes ocular (vírus HSV-1);
    • Mononucleose infeciosa ou “Doença do beijo” (vírus Epstein Barr, da família do herpes);
    • Varicela, no Brasil chama-se catapora (Vírus varicela-zoster, da família do herpes);
    • Zona (vírus herpes zoster);
    • Meningoencefalite, pode ser muito grave (vírus HSV-1).

O Herpes simplex vírus 1 e 2 (HSV-1 e HSV-2) são duas espécies da família do vírus Herpesviridae, responsáveis por infeções em humanos. Todos os vírus da família herpes produzem infeções latentes.

Herpes simplex vírus 1 e 2 (HSV-1 e HVS-2)

As principais diferenças entre HSV-1 e HSV-2 são as seguintes:

    • HSV-1 costuma causar o herpes labial,
    • HSV-2 é, em geral, responsável pelo herpes genital.

Deve dizer-se em geral porque como a prática de sexo oral é muito comum, não é raro encontrarmos lesões orais pelo HSV-2 e lesões genitais pelo HSV-1.

Herpes labial e genital melhorsaude.org

Herpes simplex vírus tipo 1 (HSV-1)

De seguida descrevo a partes do corpo mais afetadas pelo HSV-1.

Herpes labial, boca, face, ocular e cérebro

Normalmente associado a infeções dos lábios, da boca e da face. Esse é o vírus mais comum de herpes simples e muitas pessoas têm o primeiro contacto com este vírus na infância. O HSV1 frequentemente causa feridas (lesões) nos lábios e no interior da boca, como aftas, ou infeção do olho (principalmente na conjuntiva e na córnea) e também pode levar a uma infeção no revestimento do cérebro (meningoencefalite). Pode ser transmitido por meio de contacto com a saliva infetada.

Herpes simplex vírus tipo 2 (HSV-2)

De seguida descrevo a partes do corpo mais afetadas pelo HSV-1.

Herpes genital e oral

Normalmente transmitido sexualmente, o HSV-2 provoca comichão e bolhas ou mesmo úlceras e feridas genitais. Entretanto, algumas pessoas com HSV-2 não apresentam quaisquer sinais (latência). A infeção cruzada dos vírus de herpes do tipo 1 e 2 pode acontecer se houver contacto oral-genital. Isto é, pode-se contrair herpes genital na boca ou herpes oral na área genital.

Herpes genital melhorsaude.org

Prevalência na população

Herpes labial e genital

Um em cada cinco adultos é portador do HSV-2 e mais da metade da população tem o HSV-1. Porém, muitos portadores não apresentam sintomas.

A infeção pelo Herpes simplex é recorrente, ela vai e volta espontaneamente. Isto ocorre porque o vírus “esconde-se” dentro das células do sistema nervoso impedindo que as defesas do organismo consigam eliminá-las completamente. Quem tem Herpes uma vez, terá herpes o resto da vida.

Fatores de risco que causam nova crise

Herpes labial e genital

De vez em quando o vírus volta a manifestar-se, normalmente em períodos de fragilidade do nosso sistema imunitário. Alguns fatores que podem induzir crises são conhecidos, a saber:

    • Exposição solar intensa,
    • Stress emocional,
    • Menstruação,
    • Traumas, etc.

A frequência das recorrências é individual.

Sintomas

Herpes labial e genital

A primeira lesão de herpes costuma ser a mais sintomática,  por ainda não termos anticorpos formados. Em geral, o quadro é o seguinte:

    • Múltiplas vesículas (pequenas bolhas) agrupadas, com áreas de inflamação na base e ao redor;
    • Aftas ou úlceras geralmente na boca, nos lábios, nas gengivas ou nos genitais;
    • Lesões dolorosas que podem ser acompanhadas de mal estar;
    • Gânglios ou nódulos linfáticos aumentados no pescoço ou na virilha (geralmente somente no momento inicial da infeção)
    • Febre  especialmente durante o primeiro episódio de infeção;
    • Lesões genitais ou mesmo orais podem começar com uma sensação de queimadura ou formigueiro.

Sintomas que antecipam nova crise

As recorrências costumam ser menos sintomáticas e mais curtas. Normalmente apresentam alguns sintomas que “avisam” algumas horas antes das vesículas que as lesões do herpes vão reaparecer. Alguns desses sintomas de aviso são os seguintes:

    • Dor,
    • Formigueiro ou prurido (comichão) local.

As vesículas podem romper-se, formando pequenas ulcerações que lembram aftas.

Partes do corpo que podem ser afetadas

O HSV-1 e o HSV-2 têm mais afinidade pela mucosa oral e genital, respetivamente. Porém, podem causar infeções em outras partes do corpo, por exemplo:

Estas infeções mais graves costumam ocorrer em doente com imunossupressão como na SIDA (AIDS) e nos transplantados. Uma outra complicação das infeções pelo Herpes vírus é a paralisia facial, chamada de paralisia de Bell.

Transmissão e contágio

A transmissão do herpes ocorre por contacto íntimo com a área infetada. O Herpes vírus é muito contagioso; o período de maior risco de transmissão é durante as crises e nos 2 dias que a antecedem, podendo também ocorrer mesmo quando não há lesões aparentes. Alguns pacientes secretam o vírus mesmo fora das crises, podendo transmiti-lo a qualquer momento, principalmente no HSV-2.

Onde se esconde o vírus?

O herpes vírus sobrevive poucas horas fora de um organismo vivo. Por isso é encontrado principalmente nas seguintes localizações:

    • Lesões herpéticas,
    • Saliva,
    • Sêmen,
    • Secreções vaginais,
    • Objetos, como copos e talheres mas é menos comum, uma vez que o vírus com dificuldade fora dos organismos vivos.

Período de incubação

O período de incubação, ou seja, o intervalo de tempo entre o contágio e o aparecimento dos sintomas, é de 4 dias, em média.

Em que altura da vida se contrai?

O Herpes simples genital é uma DST (doença sexualmente transmissível). Durante a fase ativa deve-se evitar atividade sexual, pois mesmo com o uso de preservativo há risco de contaminação.

  • O herpes labial (HSV-1) é normalmente adquirido durante a infância,
  • O herpes genital (HSV-2) é normalmente contraído  na vida adulta.

Tratamento

Alguns casos de herpes são leves e não precisam de tratamento a não ser tratamentos tópicos. Mas pessoas que têm surtos graves ou prolongados (principalmente se for o primeiro episódio de infeção), que têm problemas no sistema imunológico ou aquelas que têm recorrência frequente talvez necessitem usar medicamentos antivirais em comprimidos.

Doentes com recorrências graves ou frequentes de herpes oral ou genital podem optar por continuar com os medicamentos antivirais, em comprimidos, para reduzir a frequência e a gravidade dessas recorrências.

Medicamentos

As lesões locais ligeiras não complicadas de herpes labial podem ser tratadas apenas com cremes de aplicação local. As lesões mais graves, extensas, com maior número de lesões, recorrentes ou em doentes imunodeprimidos devem ser tratadas com dosagens mais elevadas de antivirais, tomados por via oral, em comprimidos. Os medicamentos mais usados para o tratamento de herpes simplex, são:

  • Aciclovir 200 mg comprimidos (Zovirax®, Ezopen®), 5xdia, durante 5 dias;
  • Aciclovir 800 mg comprimidos (Zovirax®, Ezopen®)
  • Aciclovir creme (Zovirax®) 5xdia, durante 4 a 5 dias;
  • Aciclovir+Hidrocortisona creme (ZoviDuo®), 5xdia, durante 4 a 5 dias;
  • Fanciclovir 125 mg (®)
  • Fanciclovir 500 mg (Penvir®)

O aciclovir com hidrocortisona (Zoviduo®) é normalmente utilizado no herpes labial nas crises com comichão.

O tratamento com antivirais, como o aciclovir, serve para reduzir o tempo de doença. Quanto mais precocemente forem iniciados, melhor a resposta. No herpes labial pode-se usar pomadas e no genital comprimidos.

Herpes labial, qual o tratamento?

O tratamento do herpes labial depende da gravidade das lesões e frequência das crises. Assim se forem crises pontuais com lesões pouco extensas basta a aplicação local de um creme com aciclovir, 5xdia, durante 4 a 5 dias.

Se lesões foram mais extensas, em maior número ou acontecerem com frequência o seu médico pode optar por uma tratamento mais agressivo, por via oral, com aciclovir 200mg, 5xdia, durante 4 a 5 dias.

Um dos aspetos mais importantes para diminuir a gravidade e extensão das crises é reconhecer ao longo do tempo os sintomas que antecedem o aparecimento das lesões tais como comichão e dor local. Assim que forme sentidos deve de imediato começar a aplicar localmente um creme com aciclovir. Este procedimento é o mais relevante para diminuir a gravidade e duração de uma crise de herpes labial.

Os pensos para o herpes labial são eficazes?

Os pensos disponíveis para o herpes labial não têm atividade antiviral como o aciclovir. Eles são no entanto úteis para cicatrizar mais rapidamente as feridas causadas pelas “borbulhas” do herpes, depois destas rebentarem. O tratamento ideal do herpes labial simples (não complicado) seria:

    •  Aplicar um creme antiviral logo que existissem sintomas que antecedem o aparecimento de uma crise;
    • Continuar a aplicação do creme com aciclovir, 5xdia, durante 5 dias;
    • Quando as “borbulhas” rebentarem colocar os pensos sobre as feridas 3xdia, sem nunca deixar de aplicar o creme;
    • Os pensos não devem ser colocados ao mesmo tempo que o creme porque a aderência à ferida fica muito diminuída ou seja após a aplicação do creme aconselha-se um intervalo de pelo menos 1 a 2 horas para deixar que a absorção do aciclovir se faça e só depois aplicar o penso.

Aciclovir, reações adversas

No tratamento com aciclovir, entre 1% a10% dos doentes podem manifestar os seguintes efeitos secundários:

    • Dor de cabeça,
    • Tonturas,
    • Enjoos,
    • Vómitos,
    • Diarreia,
    • Dores abdominais,
    • Prurido ou comichão,
    • Vermelhidão/protuberâncias na pele que podem piorar com exposição solar,
    • Sensação de fadiga,
    • Febre.

Herpes tem cura?

O herpes não tem cura nem existe ainda vacina eficaz. O tratamento está realmente indicado nas lesões primárias e nos doentes imunossuprimidos. Nos outros casos, o tratamento não altera muito o curso da crise.

Lesões parecidas com herpes

Outros dois tipos de lesões genitais têm causado algum tipo de confusão com o Herpes. Ambas são assintomáticas e podem afetar a zona genital e a  boca a saber:

  • Manchas de Fordyce, uma espécie de glândulas sebáceas. Não indicam qualquer tipo de doença.
  • Pápulas peroladas. Também não indicam nenhuma patologia e pode afetar homens e mulheres.

Complicações possíveis

Apesar de não ser uma doença grave, a herpes simples não tratada pode levar a algumas complicações de saúde, como:

  • Erupção variceliforme (herpes espalhada pela pele),
  • Encefalite,
  • Infeção do olho,
  • Infeção da traqueia,
  • Meningite,
  • Pneumonia,
  • Infeção prolongada grave em indivíduos com sistema imunitário debilitado ou imunossuprimidos.

Mononucleose Doença do beijo melhorsaude.org melhor blog de saude

Mononucleose ou doença do beijo o que é?

A mononucleose infeciosa, também conhecida como doença do beijo, é uma doença contagiosa, causada pelo vírus Epstein Barr,  da família do herpes. A mononucleose é mais comum em adolescentes e adultos jovens.

Sobre a Mononucleose vamos responder ás seguintes perguntas:

  • Porque se chama doença do beijo?
  • Mononucleose como se transmite o vírus?
  • Quanto tempo pode ficar o vírus no organismo depois dos sintomas desaparecerem?
  • Quem tiver contraído o vírus não deve beijar ninguém durante muitos meses?
  • O vírus da mononucleose é muito infecioso?
  • Quais os sintomas da mononucleose?
  • Como se diferencia da faringite comum?
  • A mononucleose provoca manchas no corpo?
  • É verdade que a mononucleose pode afetar com gravidade o baço?
  • O fígado pode ser afetado?
  • Que complicações menos comuns podem acontecer?
  • Quais os riscos para uma grávida que contraia a mononucleose?
  • O que é a síndrome de mononucleose?
  • Qual a diferença entre síndrome de mononucleose e a doença mononucleose infeciosa?
  • Quais as principais doenças que apresentam quadro de síndrome de mononucleose?
  • Como se faz o diagnóstico da mononucleose infeciosa?
  • A mononucleose infeciosa provoca fadiga crónica?
  • Como beijar bem ? 🙂
 Clica na imagem para saber tudo sobre Mononucleose

Mononucleose Doença do beijo MELHORSAUDE.ORG

OS MAIS LIDOS

Varicela ou catapora, o que é?

A varicela ou catapora é uma doença de infância muito vulgar. Todos os anos afeta dezenas de milhar de crianças em Portugal, especialmente durante o Inverno e Primavera. É causada pelo vírus varicela-zoster, um membro da família do vírus herpes, o mesmo que causa herpes zoster (zona). Uma vez debelada, a varicela normalmente não reaparece, no entanto, o vírus permanece alojado no tecido nervoso como que adormecido (não ativo), podendo reativar-se mais tarde, causando zona.

Varicela melhorsaude.org melhor blog de saude

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A varicela ou catapora é perigosa?

Quando se detetam os primeiros sintomas é difícil prever até que ponto a varicela poderá ser grave. Apesar de a doença não ser normalmente perigosa em crianças saudáveis, causa mal-estar e pode levar ao absentismo das crianças à escola e dos pais ao emprego. Em crianças mais velhas e em especial nos adultos, os sintomas são normalmente mais graves e podem originar outros problemas.

Complicações

A varicela é uma doença predominantemente da infância, benigna e altamente contagiosa, com taxas de transmissão aos contactos suscetíveis de 61-100%1 . Pode contudo associar-se a complicações graves, associadas a sobre-infecção bacteriana , tais como:

  • Celulite,
  • Pneumonia,
  • Fasceíte,
  • Choque tóxico.

Pode também associar-se a complicações do próprio Vírus Varicela-zoster (VVZ), tais como:

  • Cerebelite,
  • Encefalite,
  • Pneumonia.

Estas ocorrem sobretudo em situações de imunodeficiência celular, mas também em crianças previamente saudáveis. Nas leucemias e transplante de órgão, cerca de 50% das crianças desenvolvem complicações com uma mortalidade global de 7 a 17% se não forem tratadas com aciclovir.

Se estiver grávida o que deve fazer?

A grávida pode estar sujeita a um risco mais elevado em relação ao aparecimento de complicações com o feto, pelo que deve evitar a exposição à doença. A infeção na grávida acarreta um risco adicional para a mulher, nomeadamente pela maior incidência de pneumonite que, sem tratamento, pode ser fatal em cerca de 40% dos casos . Também no feto, pode ocorrer a síndrome de Varicela Congénita e, no recém-nascido, varicela grave quando a doença materna se manifesta 5 dias antes ou 2 dias após o parto.

Sintomas

A sequência de aparecimento de sintomas é curiosa e é a seguinte:

  • O primeiro sintoma é febre ligeira;
  • Um ou dois dias mais tarde aparecem manchas vermelhas normalmente primeiro no couro cabeludo;
  • Mais tarde as manchas vermelhas espalham-se pela cara, tronco, axilas, braços, pernas, boca e por vezes na traqueia e brônquios.
  • Começa a surgir comichão.

Uma das caraterísticas diferenciadoras da varicela são as lesões no couro cabeludo ou seja se não existirem  lesões na cabeça dificilmente será varicela!

A criança pode também queixar-se de:

  • Dores de cabeça,
  • Dores de garganta,
  • Gânglios linfáticos inflamados e dolorosos,
  • Dores de estômago,
  • Cansaço,
  • Perda de apetite.

Sintomas nas crianças e nos adultos

Crianças com menos de 10 anos têm sintomas mais moderados em relação às mais velhas e aos adultos. Os adolescentes e os adultos são mais suscetíveis a complicações graves, com um aumento vinte vezes superior na mortalidade entre os 15 e os 44 anos.

Aspeto das borbulhas

São pequenas e vermelhas, provocam comichão e transformam-se em bolhas num curto espaço de tempo (horas). Estas bolhas cheias de líquido (vesículas) secam e formam crostas em alguns dias. Estas borbulhas aparecem durante 5 dias e a  maioria forma crosta em 6 a 7 dias Por vezes as borbulhas deixam cicatrizes. É mais provável a formação de cicatrizes se as borbulhas infetarem. É importante impedir que a criança se coce para prevenir o aparecimento de cicatrizes.

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Impedir que a criança coce as borbulhas

Impedir a criança de coçar as lesões não é fácil! No entanto os seguintes procedimentos podem ajudar bastante, a saber:

  • Manter as borbulhas limpas e secas;
  • Usar loções calmantes e banhos de água morna de 4 em 4 horas nos primeiros dias;
  • Enxaguar  sem esfregar;
  • Manter as unhas curtas para prevenir eventuais infeções e cicatrizes.

Transmissão da varicela ou catapora

Os outros irmãos se ainda não tiveram varicela têm uma elevada probabilidade (80%-90%) de contágio. Se forem saudáveis o melhor será que tenham a doença enquanto crianças. Assim estarão protegidos de contrair varicela mais tarde, podendo ser então mais grave. Se tiverem problemas de saúde deverá consultar-se o médico.

Os adultos que nunca tiveram varicela poderão contraí-la através dos filhos. Nestes casos é necessário contatar o médico. A varicela é uma doença grave nos adultos.

Uma mulher grávida pode estar sujeita a um risco ainda mais elevado no que respeita ao aparecimento de complicações, devendo evitar a exposição à doença, devido ao risco que isto constituí para o feto. A varicela é também grave para aqueles com um sistema imunitário enfraquecido. Uma criança saudável poderá estar em contacto com adultos com varicela, pois será melhor que tenha a doença em criança.

Entre pessoas como ocorre a transmissão?

O vírus é transmitido pelo ar, quando a pessoa infetada tosse, espirra ou fala, ou pelo contacto direto com as lesões do doente.

Fases da doença

Período de incubação

Cerca de 14-15 dias contados a partir do contacto com o infetado.

Período de contágio

A varicela pode ser transmitida a outra pessoa desde aproximadamente 10 dias após ser contagiada até todas as bolhas se transformarem em crostas. O isolamento de um doente infetado previne a transmissão da infeção.

A varicela pode provocar zona?

A infeção por VVZ pode ressurgir anos ou décadas mais tarde na forma de herpes-zoster (HZ) que provoca zona, situação que pode evoluir com complicações semelhantes às da varicela. Esta reativação afeta 10-30% da população e está associada a uma morbilidade e mortalidade significativas nos indivíduos idosos e nos imunocomprometidos.

Tratamento da varicela ou catapora

No caso de ser uma varicela ligeira o tratamento efetuado visa o alívio sintomático:

  • Paracetamol (Ben-u-ron®) para alívio das dores e febre;
  • Banhos de água morna para alivio da comichão;
  • Loções de calamina (Caladryl®) para alivio da comichão;
  • Desinfetantes para as vesículas (Eosina).

Para os casos mais graves ou doentes com fator de risco elevado existe um medicamento específico para a varicela, que ajuda de forma substancial à redução da duração da doença, permitindo que o doente se sinta melhor num espaço de tempo mais curto. Esse medicamento é o seguinte:

  • Aciclovir (Zovirax®), do qual já existe genérico em comprimidos e pomada. A dosagem dos comprimidos varia entre 200 e 800 mg.

O Aciclovir inibe a replicação do vírus da varicela por interferência com DNA-polimerase encurtando o período da doença. Além deste medicamento, o tratamento é acompanhado de um anti-histamínico, que reduz a comichão e um desinfetante tópico que diminui o risco de infeção das bolhas rebentadas.
Manter uma boa higiene corporal e das roupas evita, também, infeções. Antibióticos poderão ser usados quando existe o risco de infecção.

Crianças varicela e aspirina, perigos!

Não se deve dar ácido acetilsalicílico (aspirina) ou seus derivados às crianças com varicela por poder causar o síndroma de Reye, que é uma complicação grave caracterizada por alterações neurológicas e hepáticas.

Se aparecerem lesões na boca, deve-se dar alimentos moles, bebidas frias e evitar os ácidos e salgados. Nas lesões na área genital poderão usar-se cremes anestésicos. As situações mais graves deverão ser sempre acompanhadas por um médico.

Vacina da varicela ou catapora, existe?

A OMS recomenda que as atuais vacinas contra a varicela só devem ser utilizadas na criança se se assegurar uma cobertura vacinal acima dos 85-90%, pelos riscos que a alteração epidemiológica induzida pode acarretar. A vacina da varicela está disponível nos EUA desde 1995 com recomendação de vacinação universal. Na Europa, encontra-se atualmente recomendada para vacinação universal na Alemanha, Espanha, Itália, Holanda e Suíça.

A vacina não faz parte do Plano Nacional de Vacinação (PNV). Pode ser administrada a partir dos 12 Meses de idade ou a pessoas que estejam expostas à doença. Se administrada no período de 3 dias após exposição à doença pode prevenir uma infeção clinicamente aparente ou modificar o curso da infeção.

Qual é a vacina contra a Varicela?

A vacina contra a varicela é constituída por Vírus varicela-zoster (VVZ) vivo atenuado (estirpe Oka). É uma vacina segura no imunocompetente. Estão descritos casos raros de encefalite, ataxia, convulsões, neuropatia, eritema multiforme, Síndrome de Stevens-Johnson, pneumonia, trombocitopenia, acidente vascular cerebral e até morte, mas sem que a relação de causalidade estivesse definitivamente estabelecida. O vírus da vacina da varicela pode causar infeções graves no imunodeprimido estando descrito 2 casos em que o vírus vacinal se tornou resistente ao aciclovir.

ESQUEMA VACINAL

Existem em Portugal duas vacinas comercializadas, a saber:

  • Varivax®,
  • Varilrix®.

Ambas estão autorizadas para administração acima dos 12 meses de idade, em doses de 0,5 ml, por via subcutânea. A vacinação contra Varicela requer a administração de duas doses, com intervalo mínimo de 3 meses, para as crianças entre 12 meses e 12 anos de idade. Nos países com recomendação de vacinação universal, a segunda toma é administrada aos 5-6 anos de idade. A partir dos 13 anos o intervalo deve ser de 4 a 8 semanas (Varivax®) 37 ou de 6 a 8 semanas (Varilrix®) 38. A Comissão de Vacinas não estabelece preferência entre as duas vacinas.

Zona o que é?

A Zona Manifesta-se por uma erupção na pele e é provocada pelo mesmo vírus que, geralmente na infância, origina a varicela. Popularmente é conhecida por “cobro” ou “cobrão”, pois a distribuição das lesões cutâneas na pele faz-se muitas vezes lembrar a forma de uma serpente.
É uma doença infeciosa provocada pela reativação do mesmo vírus que provoca a varicela. Caracteriza-se por uma erupção cutânea acompanhada de dor intensa, num dos lados do corpo, que ocorre com maior frequência em indivíduos com mais de 50 anos.

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Causas da zona

Surge quando a imunidade que se tinha formado contra o vírus diminui. Qualquer pessoa que tenha tido varicela pode vir a desenvolver a doença, sobretudo a partir dos 50 anos. A Zona, também designada por Herpes Zoster, aparece apenas nas pessoas que tiveram varicela em alguma altura da sua vida. Após a varicela, normalmente na infância, o vírus não é eliminado do organismo, e aloja-se num nervo, geralmente junto à espinal medula e aí fica como que adormecido. Pode manter-se assim durante muitos anos.

Esta patologia manifesta-se através de uma erupção cutânea, geralmente na região torácica, que evolui para bolhas dolorosas, que formam crosta e cicatrizam ao fim de semanas. Os tratamentos existentes podem diminuir a duração da doença e a intensidade da dor, quando tomados 72 horas após o início dos sintomas.

O sistema imunitário

Quando as defesas naturais do organismo enfraquecem temporariamente, o vírus pode reativar-se, deslocando-se, então, ao longo do nervo até atingir a pele, onde provoca a erupção característica da Zona. Este processo é quase sempre acompanhado de uma dor localizada muito intensa, pois todo o nervo por onde o vírus se desloca fica muito inflamado.

O enfraquecimento das defesas naturais pode dever-se a fatores como:

  • Uma infeção prévia (ex.: Gripe);
  • Uma intervenção dentária;
  • Abuso do álcool;
  • Um acontecimento psicologicamente traumatizante;
  • Tratamento com corticóides, quimioterapia ou radioterapia;
  • Uma intervenção cirúrgica.

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Qual a prevalência na população?

95% da população adulta já teve varicela  pelo que tem no organismo o vírus que provoca a zona, estando em risco de desenvolver a doença. Uma em cada quatro pessoas irá desenvolver zona ao longo da vida. O risco de desenvolver a zona duplica aos 50 anos devido ao enfraquecimento do sistema imunitário associado ao envelhecimento.

Sintomas quais são e como evolui?

O primeiro sintoma da Zona é quase sempre a dor intensa localizada, que se sente, às vezes, antes de surgirem as lesões da pele. A maioria dos doentes sente na área afetada dor intensa ou ardor que pode ser constante ou intermitente. Por vezes, estímulos habitualmente não dolorosos, podem provocar dor intensa. Na fase aguda da Zona (quando existe erupção cutânea) a dor está presente, em média, durante 2-4 semanas.

As lesões são pequenas bolhas avermelhadas que surgem progressivamente ao longo de uma faixa estreita de pele. Normalmente, surge uma erupção cutânea unilateral que pode aparecer em muitos locais, mas a localização mais comum é a região do tórax, cabeça e pescoço. A erupção cutânea evolui para vesículas (bolhas) dolorosa. As vesículas passam a feridas em três dias; após uma semana a dez dias as feridas secam e as crostas caem ao fim de duas a três semanas.

Complicações

A principal complicação da Zona é a permanência da dor. Esta dor, a que se dá o nome de neuralgia pós-herpética, pode tronar-se crónica e persistir durante meses ou anos, impedindo muitas vezes o doente de levar uma vida normal e despreocupada. Podem ocorrer outras complicações, como por exemplo quando são atingidos os olhos. Nestes casos, existe o risco de cegueira.

Em 10 a 20% dos casos, a Zona afeta o olho e pode causar alterações da visão ou mesmo cegueira. Pode também provocar perda de audição no lado afetado, assim como infeções cutâneas ou cicatrizes permanentes.

Será contagiosa?

A zona deve-se à reativação do vírus da varicela que ficou latente no organismo, como tal, não é possível contrair através de outras pessoas. Um indivíduo com Zona pode transmitir o vírus a alguém que nunca teve varicela, normalmente a crianças, que desenvolverão a varicela. Sendo a forma de contágio idêntico ao da varicela.

Tratamento da zona

Deve-se ir imediatamente ao médico assim que as bolinhas surgem na pele. Se se sentir uma dor aguda localizada, do tipo queimadura ou facada, mesmo antes das bolhas aparecerem, não se deve adiar a ida ao médico. Quanto mais cedo o médico prescrever o tratamento adequado, mais depressa desaparecerão as feridas e mais hipóteses terá de as dores não continuarem. O tratamento antiviral mais comum é o seguinte:

  • Aciclovir 800 mg, comprimidos, de 4/4h, saltando a toma noturna.

A Zona não tem cura, contudo, alguns medicamentos podem diminuir a duração da doença e a intensidade da dor, quando tomados nas 72 horas após o início dos sintomas. Os medicamentos para a Zona têm como prioridade máxima o controlo da dor, mas este pode ser difícil e muitas vezes o alívio não é o desejado. É muito importante levar o tratamento até ao fim. Os banhos mornos acalmam a erupção, mas deve evitar-se a aplicação de talco e cremes. Usar roupas soltas e macias, para evitar pressão nas áreas afetadas. Não coçar, nem arrancar as crostas.

Existe vacina?

Sim, está disponível em Portugal, a primeira vacina para a prevenção da zona e da nevralgia pós-herpética, que está nas farmácias, para vacinação de adultos a partir dos 50 anos, numa única administração, mediante prescrição médica. O nome da vacina é o seguinte:

  • ZOSTAVAX® vacina viva contra a zona (Herpes zoster)

Composição da vacina

Após reconstituição, 1 dose (0,65 ml) contém:

  • Vírus da varicela-zoster , estirpe Oka/Merck, (vivo, atenuado) não menos de 19400 UFP produzido em células diploides humanas (MRC-5),
  • UFP = Unidades formadoras de placas.

Esta vacina pode conter quantidades vestigiais de neomicina

Indicações terapêuticas:

ZOSTAVAX está indicado na prevenção do herpes zoster (“zoster” ou zona) e da nevralgia pós-herpética (NPH) relacionada com o herpes zoster. ZOSTAVAX está indicado na imunização de indivíduos com 50 ou mais anos de idade.

Concluindo

A família do vírus HERPES é mais alargada do que a maioria das pessoas julga. Neste artigo tentei mostrar as diversas doenças distintas que se interligam (por exemplo a varicela e a zona) por serem causadas por vírus da mesma família do Herpes. Sendo algumas doenças muito comuns, principalmente o Herpes labial, é de toda a importância conhecer as suas causas, complicações, tratamento e como evitar o seu contágio.

Fique bem

Franklim Moura Fernandes

Fontes:

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Sal na alimentação substitutos naturais e saudáveis

O sal, também conhecido como cloreto de sódio (NaCl), é um elemento essencial na dieta humana, desempenhando funções vitais no organismo. No entanto, o seu consumo excessivo tem sido associado a diversos problemas de saúde cardiovasculares, entre outros, mas especialmente relacionados com o aumento da pressão arterial. Este artigo explora a história do sal, os diferentes tipos disponíveis, os seus impactos na saúde e orientações para um consumo equilibrado.


Sal vantagens perigos e substitutos melhorsaude.org
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Temas a tratar neste artigo:

  • História do sal na Humanidade
  • Importância do sódio
  • Vantagens e funções fisiológicas do sódio
  • Funções fisiológicas do potássio
  • Equilíbrio vital entre o sódio e o potássio
  • Consequências do desequilíbrio do rácio sódio/potássio
  • Como o excesso de sal causa hipertensão
  • Tipos de sal e suas características
  • Impacto do sal na saúde humana
  • Estratégias para um consumo saudável de sal
  • Alimentos ricos em potássio

História do sal na humanidade

O uso do sal remonta a milhares de anos, sendo uma das substâncias mais valorizadas na antiguidade. Civilizações como a Babilônia, Egito, China e culturas pré-colombianas utilizavam o sal não apenas como tempero, mas também como conservante de alimentos, moeda de troca e elemento em rituais religiosos. A palavra “salário” deriva do latim “salarium”, referindo-se à porção de sal dada aos soldados romanos como parte do pagamento.


As cinco grandes mentiras sobre saúde
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Importância do sódio e do potássio no organismo humano

Funções fisiológicas do sódio

O sódio (Na⁺) é um dos principais eletrólitos do organismo humano, maioritariamente localizado no líquido extracelular. As suas funções são essenciais para o funcionamento adequado de diversos sistemas fisiológicos:

  1. Equilíbrio hídrico (osmótico):
    O sódio regula a quantidade de água no corpo através da osmolaridade e da pressão osmótica entre os compartimentos intra e extracelular. A hormona aldosterona e o sistema renina-angiotensina-aldosterona (RAAS) controlam a reabsorção de sódio pelos rins, influenciando a pressão arterial.
  2. Condução nervosa e muscular:
    O sódio é essencial para a despolarização das membranas celulares, permitindo a transmissão de impulsos nervosos e a contração muscular. O seu movimento através dos canais de sódio voltagem-dependentes inicia o potencial de ação.
  3. Equilíbrio ácido-base:
    Em conjunto com outros iões como bicarbonato (HCO₃⁻), o sódio ajuda a manter o pH sanguíneo dentro de limites fisiológicos (~7,35–7,45).

Relação entre sódio e potássio: um equilíbrio vital

O potássio (K⁺) é o principal eletrólito intracelular, desempenhando funções que espelham as do sódio, mas dentro das células. A bomba sódio-potássio (Na⁺/K⁺-ATPase) é um dos principais mecanismos de homeostase eletrolítica e consome cerca de 20–40% da energia celular em repouso.

Funções principais da bomba Na⁺/K⁺-ATPase:

  • Mantém o gradiente eletroquímico essencial para a excitabilidade neuromuscular.
  • Regula o volume celular.
  • Facilita o transporte secundário ativo de glicose e aminoácidos.

Rácio ideal sódio/potássio na dieta

  • Estudos demonstram que o excesso de sódio aliado a uma ingestão insuficiente de potássio está associado a hipertensão arterial, AVC e doenças cardiovasculares.
  • A OMS recomenda:
    • <2.000 mg de sódio/dia (≈5 g de sal)
    • ≥3.510 mg de potássio/dia

Estudo de referência:
Mozaffarian D, et al. Global sodium consumption and death from cardiovascular causes. N Engl J Med. 2014;371(7):624-634.
Este estudo concluiu que o desequilíbrio entre sódio elevado e potássio reduzido foi responsável por mais de 1,5 milhões de mortes por causas cardiovasculares em 2010.


Consequências do desequilíbrio sódio-potássio

SituaçãoPossíveis consequências fisiológicas
Sódio em excessoHipertensão, retenção de líquidos, risco cardiovascular aumentado
Sódio em déficeHiponatrémia, confusão, fadiga, náuseas, convulsões
Potássio em excessoBradicardia, paragem cardíaca (hipercaliemia)
Potássio em déficeFraqueza muscular, arritmias, obstipação (hipocaliemia)

Conclusão fisiológica

O sódio e o potássio funcionam em estreita interdependência. Manter um bom equilíbrio entre ambos é essencial para a função neuromuscular, regulação da tensão arterial, ritmo cardíaco e metabolismo celular. Promover uma dieta rica em frutas, vegetais e alimentos naturais (ricos em potássio) e reduzir o consumo de sal processado é uma das melhores estratégias para proteger a saúde cardiovascular.


Como o excesso de sal causa hipertensão arterial: Explicação científica e fisiológica

A hipertensão arterial (HTA) é uma condição multifatorial, mas há um consenso sólido na comunidade científica de que o excesso de sódio na alimentação é um dos principais contribuintes. O mecanismo envolve vários sistemas do corpo, sobretudo os rins, o coração, os vasos sanguíneos e o sistema hormonal.


Rins e retenção de sódio e água

Quando o consumo de sal (cloreto de sódio) é elevado:

  • Os rins têm dificuldade em excretar o excesso de sódio eficientemente.
  • O sódio em excesso atrai água por osmose, aumentando o volume de sangue circulante (volémia).
  • Este aumento de volume gera uma maior pressão contra as paredes das artérias, o que se traduz numa elevação da pressão arterial.

Estudo chave:
He FJ, MacGregor GA. A comprehensive review on salt and health and current experience of worldwide salt reduction programmes. J Hum Hypertens. 2009.
Este estudo salienta a relação entre a retenção de sódio e a sobrecarga de volume que leva à HTA, especialmente em pessoas com “sensibilidade ao sal”.


Ativação do sistema nervoso simpático e hormonal (RAAS)

O excesso de sódio ativa o:

  • Sistema renina-angiotensina-aldosterona (RAAS), que regula o volume sanguíneo e a resistência vascular.
  • A produção de angiotensina II, uma potente substância vasoconstritora, leva ao estreitamento dos vasos sanguíneos e consequente aumento da pressão arterial.
  • Simultaneamente, há libertação de aldosterona, que estimula ainda mais a retenção de sódio e água pelos rins.

Disfunção endotelial e inflamação vascular

  • Altos níveis de sódio na dieta prejudicam as células endoteliais, que revestem os vasos sanguíneos e regulam o seu tônus.
  • O excesso de sódio reduz a produção de óxido nítrico (NO), uma molécula vasodilatadora crucial, levando à vasoconstrição crónica.
  • Também promove inflamação vascular e rigidez arterial, aumentando a resistência periférica total (afterload).

Estudo relevante:
Titze J, et al. Salt, inflammation, and immunity. Physiology (Bethesda). 2015.
Este trabalho mostra que o sódio em excesso altera a função imunitária e promove inflamação crónica, contribuindo para a disfunção vascular.


Sensibilidade ao sal

Nem todas as pessoas reagem da mesma forma ao sal. A chamada “sensibilidade ao sal” afecta uma parte significativa da população (estimada entre 25-50%) e é mais prevalente em:

  • Idosos
  • Pessoas com doença renal
  • Pessoas com obesidade ou diabetes
  • Afrodescendentes

Nestes indivíduos, mesmo aumentos modestos no consumo de sal resultam em aumentos significativos na pressão arterial.


Resumo dos mecanismos fisiológicos

Mecanismo fisiológicoEfeito do excesso de sal
Retenção renal de sódio e águaAumento do volume sanguíneo → hipertensão
Ativação do sistema RAASVasoconstrição + retenção hídrica
Disfunção do endotélio vascularMenor vasodilatação → aumento da resistência
Inflamação e rigidez arterialDiminuição da elasticidade → elevação da pressão
Sensibilidade individual ao salMaior vulnerabilidade a variações tensionais

Conclusão fisiológica

O consumo excessivo de sal não aumenta apenas o volume de sangue — altera profundamente os sistemas de regulação da pressão arterial. Essa sobrecarga crónica pode levar a hipertrofia do coração, lesão renal, AVC e outras complicações cardiovasculares. Reduzir a ingestão de sal é, por isso, uma das intervenções de saúde pública mais eficazes na prevenção da hipertensão e suas consequências.


Efeitos do excesso de sal na saúde para além da hipertensão

Embora a hipertensão arterial seja o efeito mais conhecido do consumo excessivo de sal, os impactos negativos vão muito além da pressão arterial, afetando vários órgãos e sistemas, incluindo os rins, o coração, os ossos, o estômago, o cérebro e o sistema imunitário.


1. Doença renal crónica (DRC)

Mecanismo:

  • O aumento crónico da pressão arterial renal (resultante da retenção de sódio e água) provoca hiperfiltração glomerular.
  • Esta hiperfiltração danifica progressivamente os glomérulos, levando à perda da função renal.
  • Além disso, o excesso de sódio promove fibrose intersticial renal e inflamação crónica.

Evidência:
He J, et al. Effect of sodium intake on kidney disease progression. Kidney Int. 2011.

Consequências:

  • Proteinúria
  • Redução da taxa de filtração glomerular (TFG)
  • Maior risco de progressão para insuficiência renal terminal

2. Doenças cardiovasculares (independentemente da tensão arterial)

Mecanismo:

  • O excesso de sódio aumenta a rigidez arterial e provoca disfunção endotelial, mesmo sem HTA.
  • Favorece o espessamento da parede arterial (hiperplasia da camada média) e a inflamação vascular.
  • Eleva os níveis de peptídeo natriurético atrial (ANP) e aldosterona, alterando o equilíbrio do miocárdio.

Estudo chave:
Graudal N, et al. Compared with low sodium intake, usual sodium intake is not associated with higher mortality. Am J Hypertens. 2014.

Consequências:

  • Aumento do risco de enfarte do miocárdio, AVC isquémico e insuficiência cardíaca congestiva
  • Potencial arritmogénico, especialmente em pessoas com predisposição genética

3. Osteoporose e perda óssea

Mecanismo:

  • A excreção urinária de sódio estimula a excreção concomitante de cálcio (hipercalciúria).
  • Este aumento na perda de cálcio reduz a disponibilidade para o remodelamento ósseo, comprometendo a densidade mineral óssea.

Evidência:
Tucker KL, et al. High sodium affects calcium metabolism and bone density. J Bone Miner Res. 2001.

Consequência:

  • Osteopenia e osteoporose, especialmente em mulheres pós-menopáusicas e idosos

4. Cancro do estômago

Mecanismo:

  • O sal em excesso danifica diretamente a mucosa gástrica, aumentando a susceptibilidade a infeções por Helicobacter pylori.
  • Este ambiente inflamatório crónico favorece metaplasias gástricas e alterações genéticas que conduzem à carcinogénese.

Meta-análise importante:
D’Elia L, et al. Salt intake and gastric cancer risk: a meta-analysis. Cancer Causes Control. 2012.

Consequência:

  • Maior incidência de cancro do estômago, especialmente em dietas ricas em conservas, alimentos salgados e fumados

5. Comprometimento cognitivo e risco de demência

Mecanismo:

  • A inflamação vascular e a disfunção endotelial induzidas pelo excesso de sódio comprometem a perfusão cerebral.
  • Pode afetar a integridade da barreira hematoencefálica e promover neuroinflamação.
  • Interfere com o metabolismo da insulina e da glicose cerebral.

Estudo relevante em modelo animal:
Faraco G, et al. Dietary salt promotes neurovascular and cognitive dysfunction through a gut-initiated TH17 response. Nat Neurosci. 2018.

Consequência:

  • Risco aumentado de declínio cognitivo, défices de memória e potencial associação com demência vascular

6. Imunomodulação e inflamação crónica

Mecanismo:

  • O sódio em excesso ativa linfócitos T auxiliares do tipo 17 (Th17), que promovem inflamação sistémica.
  • Estimula a libertação de citocinas pró-inflamatórias como IL-17 e TNF-α.

Artigo chave:
Kleinewietfeld M, et al. Sodium chloride drives autoimmune disease by the induction of pathogenic Th17 cells. Nature. 2013.

Consequência:

  • Agravamento de doenças autoimunes como artrite reumatoide, esclerose múltipla e psoríase
  • Maior predisposição a doenças inflamatórias intestinais

Conclusão fisiológica

O excesso de sal na dieta moderna ultrapassa largamente as necessidades fisiológicas. Para além da hipertensão, o consumo excessivo de sódio altera profundamente a função renal, cardíaca, óssea, gástrica, cerebral e imunitária. A evidência científica atual sustenta que reduzir a ingestão de sal é uma das intervenções mais eficazes, seguras e económicas para prevenir doenças crónicas e prolongar a longevidade com qualidade.


Tipos de sal e suas características

Existem diversos tipos de sal disponíveis no mercado, cada um com características específicas:

  • Sal Refinado: Também conhecido como sal de cozinha, é altamente processado, contendo cerca de 400 mg de sódio por grama.
  • Sal Marinho: Obtido pela evaporação da água do mar, preserva minerais como magnésio e potássio.
  • Flor de Sal: Colhida manualmente da superfície das salinas, possui textura delicada e sabor intenso, com aproximadamente 450 mg de sódio por grama.
  • Sal Rosa dos Himalaias: Extraído de minas no Paquistão, contém minerais como cálcio, magnésio e ferro, apresentando cerca de 230 mg de sódio por grama.
  • Sal Iodado: Enriquecido com iodo, essencial para a função da tiroide, contém entre 20-40 mg de iodo por kg de sal.
  • Salicórnia: Planta halófita que pode ser utilizada como substituto do sal, oferecendo sabor salgado com menor teor de sódio.
  • Algas Marinhas: Ricas em minerais, podem ser utilizadas como alternativa ao sal em diversas preparações culinárias.

Tabela comparativa: Teor de sódio e minerais nos diferentes tipos de sal

Apesar do sal refinado ser o mais comum na cozinha portuguesa, existem alternativas com perfis minerais distintos, que podem contribuir para uma alimentação mais equilibrada. A tabela seguinte compara o teor de sódio e a presença de minerais relevantes por cada grama de produto:

Tipo de salSódio (mg/1g)Potássio (mg/1g)Magnésio (mg/1g)Cácio (mg/1g)Iodo (mcg/1g)
Sal refinado de cozinha4000000
Sal marinho3808520
Flor de sal45010850
Sal rosa dos Himalaias2303120
Sal iodado40000025
Salicórnia (seca)1603030120
Algas marinhas (secas)50909070500

Nota: Os valores apresentados são médias aproximadas e podem variar consoante a origem e o método de produção. As algas e a salicórnia, por exemplo, destacam-se pelo baixo teor de sódio e alto conteúdo mineral, sendo excelentes substitutos do sal tradicional em regimes com restrição de sódio.

Os dados apresentados na tabela comparativa foram compilados com base em fontes científicas, bases nutricionais internacionais e dados de composição alimentar disponíveis. As principais fontes utilizadas incluem:

  1. USDA FoodData Central (Departamento de Agricultura dos EUA) – Base de dados oficial de composição de alimentos:
    https://fdc.nal.usda.gov
  2. Tabela da Composição de Alimentos do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA), Portugal – Versão atualizada para o público português:
    https://portfir.insa.pt
  3. Publicações científicas da PubMed sobre composição de sais alternativos:
    • McCance and Widdowson’s Composition of Foods (UK): análise detalhada de sais e substitutos vegetais.
    • Teor de minerais em algas marinhas e salicórnia em:
      • Holdt SL, Kraan S. Bioactive compounds in seaweed: functional food applications and legislation. J Appl Phycol. 2011.
      • Ventura MR et al. Nutritional composition of salicornia spp. Food Chem. 2011.
  4. Artigos da PLOS ONE sobre sal iodado e saúde pública:
    • Iodine fortification of salt: current status and challenges. PLOS One, 2020.

Estes valores foram arredondados para facilitar a comparação e representam médias estimadas com base em produtos disponíveis comercialmente e descrições técnicas. É importante notar que a composição mineral pode variar consoante a origem geográfica e o método de processamento de cada tipo de sal.


Impacto do sal na Saúde Humana

O consumo excessivo de sal está associado a diversos problemas de saúde, principalmente relacionados à pressão arterial:

  • Hipertensão Arterial: Estudos indicam que a redução da ingestão de sódio pode diminuir significativamente a pressão arterial em indivíduos hipertensos.
  • Doenças Cardiovasculares: O excesso de sódio pode aumentar o risco de doenças cardíacas e acidentes vasculares cerebrais.
  • Retenção de Líquidos: Altos níveis de sódio podem causar retenção de líquidos, levando a inchaços e aumento da pressão arterial.

Estratégias para reduzir o consumo de sal sem perder sabor

Reduzir o sal na alimentação não significa abrir mão do prazer à mesa. Existem formas eficazes e saborosas de o fazer, substituindo sais refinados e processados por alternativas mais equilibradas e naturais. A chave está em potenciar o sabor através de outros ingredientes e educar progressivamente o paladar.


1. Escolher tipos de sal com menor teor de sódio

Tipo de salRedução de sódioBenefício adicional
Sal rosa dos Himalaias↓ até 40%Minerais como ferro e magnésio
Sal marinho não refinado↓ ligeiraMenor processamento, mantém oligoelementos
Salicórnia seca↓ até 60%Rica em potássio e magnésio
Algas marinhas secas↓ até 90%Fonte natural de iodo, cálcio e potássio

Dica: Mistura personalizada — usar 50% de flor de sal com 50% de salicórnia seca moída para reduzir significativamente o teor de sódio sem comprometer o sabor.


2. Utilizar intensificadores de sabor naturais

🌿 Ervas aromáticas frescas ou secas:

  • Alecrim, tomilho, orégãos, manjericão, salsa, coentros, louro.
  • Usadas em marinadas, grelhados, caldos e sopas.

🌶️ Especiarias:

  • Pimenta preta, paprika, noz-moscada, cominhos, açafrão, gengibre, canela.
  • Realçam o sabor de carnes, leguminosas e vegetais sem necessidade de sal.

🍋 Ácidos naturais:

  • Sumo de limão, vinagre balsâmico, vinagre de maçã ou de arroz.
  • Realçam o sabor tal como o sal, estimulando as papilas gustativas.

🧄 Alhos, cebolas e chalotas:

  • Quando bem caramelizados, conferem profundidade e umami aos pratos.

🍅 Tomate seco, cogumelos, azeitonas e algas:

  • Fontes naturais de umami, o quinto sabor, que intensifica o paladar.

3. Estratégias culinárias práticas

  • Adicionar sal no fim da cozedura: reduz a quantidade total necessária, pois o sal permanece mais na superfície e é mais perceptível.
  • Usar “poeiras” de sabor: triturar salicórnia seca, algas ou cogumelos secos e polvilhar no prato como realçador final.
  • Temperar com antecedência (marinar): realça sabores com menor quantidade de sal.
  • Técnica da “redução”: reduzir líquidos como caldos, sumos de vegetais ou vinagres para concentrar o sabor.

4. Reeducar progressivamente o paladar

O ser humano adapta-se ao sabor — estudos demonstram que é possível reduzir o sal em 30% sem que o consumidor detete a diferença ao fim de duas semanas.

Estratégia:

  • Reduzir gradualmente o sal adicionado em 10% a cada semana.
  • Utilizar uma combinação de substitutos, especiarias e técnicas culinárias.

5. Atenção aos alimentos com sal “escondido”

Mais de 70% do sal que consumimos provém de alimentos processados e não do saleiro. Atenção especial a:

  • Enlatados e conservas
  • Caldos e temperos industrializados
  • Pão industrial
  • Enchidos e charcutaria
  • Queijos curados
  • Snacks salgados e fast food

Solução: Escolher versões com “baixo teor de sal” e compensar com especiarias e ervas em casa.


🥗 Alimentos Mais Ricos em Potássio (por 100 g)

Descrevo de seguida uma lista dos alimentos mais ricos em potássio, organizada por categorias alimentares, com valores médios por 100 gramas. Esta informação é útil para promover o equilíbrio sódio-potássio na alimentação — essencial para a saúde cardiovascular e neuromuscular.

🥦 Vegetais e leguminosas

AlimentoPotássio (mg)
Feijão branco cozido~561
Lentilhas cozidas~369
Espinafres cozidos~466
Batata assada (com casca)~535
Abóbora cozida~340
Brócolos cozidos~293
Beterraba cozida~325
Couve portuguesa cozida~300

🍌 Frutas

AlimentoPotássio (mg)
Banana média~358
Abacate~485
Melão cantalupo~267
Kiwi~312
Damasco seco~1160
Figos secos~680
Passas (uva seca)~749

🐟 Peixes e mariscos

AlimentoPotássio (mg)
Salmão grelhado~490
Atum em água~252
Pargo~450
Camarão cozido~264

🥜 Frutos oleaginosos e sementes

AlimentoPotássio (mg)
Amêndoas (sem sal)~705
Pistácios~1025
Sementes de abóbora~588
Nozes~441

🥛 Laticínios e derivados

AlimentoPotássio (mg)
Leite meio-gordo~150
Iogurte natural~255
Queijo ricotta magro~105

🥖 Cereais integrais e tubérculos

AlimentoPotássio (mg)
Aveia cozida~160
Arroz integral cozido~86
Batata-doce assada~475
Milho cozido~270

🌿 Substitutos naturais do sal

AlimentoPotássio (mg)
Salicórnia seca (100 g)~3000
Algas nori secas~2500

Notas Importantes

  • A relação potássio/sódio é tão ou mais importante que o valor absoluto de potássio.
  • Cozinhar os alimentos (especialmente em água abundante) pode reduzir o teor de potássio — preferir cozedura a vapor ou assada.
  • Pessoas com doença renal devem consultar um profissional antes de aumentar a ingestão de potássio, devido ao risco de hipercaliemia.

Conclusão prática

Reduzir o consumo de sal, especialmente do sal refinado rico em sódio, é um passo crucial para proteger a saúde cardiovascular. Com criatividade culinária e alternativas saudáveis como a salicórnia, as algas e o uso inteligente de ervas e especiarias, é possível manter (ou até melhorar) o sabor dos pratos — com muito menos sal.

O sal é um componente essencial na dieta humana, desempenhando funções vitais no organismo. No entanto, o seu consumo deve ser moderado para evitar problemas de saúde, especialmente relacionados à pressão arterial e doenças cardiovasculares. Escolher tipos de sal menos processados e incorporar alternativas naturais pode contribuir para uma dieta mais equilibrada e saudável.


Fontes bibliográficas

Dor ciática na perna qual o melhor tratamento?

Dor ciática na perna também conhecida por ciatalgia ou simplesmente ciática, é uma alteração da função do maior nervo do corpo humano, o nervo ciático. Pode ser bastante incapacitante e causar dor muito forte. Neste artigo vou falar dos pontos mais importantes como dor ciática tratamentos, sintomas, causas, prevenção e últimas descobertas. Toda a verdade sobre uma dor que pode ser incapacitante para a sua rotina diária… e penalizar muito a sua vida normal!

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Nervo ciático

O nervo ciático, também chamado de nervo isquiático, surge da junção das raízes nervosas que nascem entre a 4ª vértebra lombar e a 3ª vértebra do osso sacro, dando origem a um espesso nervo que desce em direção ao membro inferior. É o maior nervo do corpo humano, percorrendo a nádega, a perna e o pé. É graças a este nervo que os músculos das pernas se movem, permitindo articular os membros inferiores.

Dor ciática

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Dor ciática  o que é?

Trata-se de uma crise aguda de dor forte ao longo do nervo ciático.
A dor é provocada por uma irritação ou compressão das raízes do nervo ciático ou outro tipo de lesão no nervo ciático. Pode aparecer na coluna lombar, quando há algum tipo de compressão sobre o nervo ciático. A localização da dor varia consoante as raízes do nervo afetadas,

Sintomas

Os sintomas da dor ciática na perna podem ser diversos e dependentes das raízes do nervo afetadas, podendo resumir-se nos seguintes:

  • Dor que irradia para uma das nádegas, para a parte posterior e externa da coxa, da perna e do pé ou para o primeiro dedo do pé;
  • É comum a dor ciática estar associada à dor lombar;
  • Perda de sensibilidade;
  • Diminuição da força muscular;
  • Sensação de formigueiro;
  • Dores aumentam quando fica de pé ou sentado;
  • Dor aumenta ao levantar as pernas, nas áreas dolorosas como nádegas, coxa, perna e pé;

Os sintomas podem ser diferentes de pessoa para pessoa. Podem piorar durante a noite. A dor costuma passar ao fim de alguns dias, mas caso o problema persista é muito importante ter um diagnóstico preciso, para evitar o risco de virem a surgir lesões neurológicas irreversíveis.


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Causas

A principal causa de compressão do nervo ciático e, consequentemente, de dor ciática na perna é a hérnia discal na coluna lombar. A dor ciática pode aparecer nas seguintes situações:

  • Na região lombar quando há algum tipo de compressão sobre o nervo ciático, provocada por uma hérnia discal, um tumor ou outro tipo de lesão.
  • No caso da hérnia discal lombar, por exemplo, o anel que circunda o disco intervertebral rompe-se, o núcleo que está no seu interior passa para o canal vertebral e comprime as raízes do nervo, provocando dor.
  • Gravidez e parto;
  • Levantamento de coisas pesadas sem fletir os joelhos;
  • Carregamento excessivo de peso é muitas vezes uma das causas mais comuns da dor ciática por aumentar a pressão nas costas.
  • Idade avançada torna mais frequente o desgaste das estruturas da coluna vertebral surgindo artroses, que vão afetar a espinal medula e as raízes dos nervos.

Causas da dor ciática

Outras causas de compressão do nervo ciático são:

  • Espondilolistese (deslizamento de uma vértebra sobre a outra),
  • Traumas, tumores ou infeções da coluna lombar,
  • Estenose (estreitamento) do canal vertebral onde passa a medula,
  • Osteófitos (bico de papagaio),
  • Artrose da coluna.
  • Síndrome do músculo piriforme. Este problema surge quando o músculo piriforme, localizado na região glútea, sofre um espasmo e provoca compressão do nervo ciático que passa por baixo do mesmo.

Fatores de risco

Os principais fatores de risco que aumentam a probabilidade de aparecimento de dor ciática são os seguintes:

  • Posturas incorretas, repetitivas e mantidas durante demasiado tempo;
  • Sedentarismo;
  • Obesidade;
  • História clínica de dores lombares;
  • Esforços excessivos ou pouco regulados.

Diagnóstico

O diagnóstico é realizado juntando os sintomas descritos pelo doente com a avaliação clínica do médico e da localização da dor. Pode haver necessidade da realização de exames complementares coluna lombar, para se obterem imagens rigorosas da coluna vertebral, dos nervos e das lesões que causam a dor ciática, tais como:

  • Radiografias,
  • Tomografia axial computadorizada (TAC),
  • Ressonância magnética.

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Dor ciática tratamento

O tratamento inicial da ciatalgia é com medicamentos para controle da dor, tais como anti-inflamatórios ou analgésicos comuns. Em muitos casos, a dor dura poucos dias e desaparece sem nenhuma conduta mais agressiva. O tratamento da dor ciática tem diversas abordagens que podem ser complementares. De seguida descrevo as principais estratégias de tratamento.

Repouso ou atividades leves

O repouso é primeira medida terapêutica a ser tomada no caso de dor ciática. No entanto  atividades leves, que não sobrecarregam a coluna,  parecem melhorar mais a ciatalgia do que ficar deitado na cama. Natação e fisioterapia costumam ter boa resposta. Em alguns casos, a acupuntura também apresenta bons resultados. De seguida deve consultar um médico especialista em coluna vertebral, tal como um neurocirurgião ou ortopedista.


Medicamentos para dor ciática

Diclofenac (voltaren®) e ibuprofeno (brufen®) são alguns dos anti-inflamatórios que diminuem a inflamação do nervo e a dor.  Em casos de dor intensa, podem ser necessários opioides, que são medicamentos derivados da morfina, como o tramadol. O uso de relaxante muscular como o tiocolquicosido ou benzodiazepinas, como o diazepam, também ajudam a diminuir a dor. Como a ciatalgia ou dor ciática é uma dor de origem neurológica, nos medicamentos para dor ciática crónica pode ser necessário usar alguns antidepressivos ou anticonvulsivantes para melhor controlar dores crónicas e fortes.

Dor ciática exercícios

Tanto a fisioterapia como algum exercício físico específico podem ajudar em muitos casos, mas só devem iniciar-se após efetuado o diagnóstico correto e por indicação do médico especialista.

Cirurgia

Está indicada quando a dor é muito intensa e resiste às medidas acima referidas, se surgir diminuição da força muscular ou dormência persistente num membro. O objetivo da intervenção cirúrgica é corrigir a causa da compressão do nervo ciático. A causa mais comum de dor ciática é a hérnia discal e a cirurgia para a sua cura consiste na sua remoção e do disco intervertebral que provoca a compressão.


Prevenção

Devemos cuidar da coluna vertebral ao longo de toda a vida, evitando sobrecarregá-la e fazer treino muscular para manter posturas corretas, em repouso ou durante os movimentos do dia a dia.

Praticar desporto

Praticar exercício físico adequado, sob orientação de técnicos especializados, ajuda a reforçar os músculos que protegem a coluna vertebral. Não se deve fazer exercício físico que ultrapasse as capacidades individuais.
A dança é um dos melhores exercícios que se podem fazer pelo equilíbrio muscular, pelo bem-estar e pelo reforço de cálcio nos ossos que proporciona.

Evitar excesso de peso

Evitar pegar em pesos excessivos e fazê-lo sempre com uma postura defensiva: fletir os joelhos e contrair o abdómen, mantendo a coluna direita e pegando nos pesos com ambas as mãos (por exemplo, se vai às compras deve distribuir o peso pelas duas mãos); equilibrar o esforço e a postura.

Posturas corretas

Quando estamos sentados, as costas devem estar totalmente apoiadas na cadeira e os pés bem assentes no chão (pode haver necessidade de usar um pequeno degrau de apoio); o pescoço deve estar sempre direito, o que é particularmente relevante para quem passa horas em frente ao computador.
Muito importante é mudar frequentemente de posição, flexibilizando os músculos e as articulações.

Calçado confortável e saudável

Deve ser usado calçado confortável, individualizado, que não afete negativamente a postura. Os saltos dos sapatos, vistos tradicionalmente como inimigos da saúde da coluna vertebral, devem antes ser considerados aliados, por quem os usa. E isto porque o conforto que o calçado proporciona está também relacionado com a altura dos saltos. É claro que não estamos a falar de saltos de 10 cm… mas sim de 2 a 3 cm.

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Resumo dos pontos mais relevante sobre dor ciática:

  • A dor ciática é uma dor lombar que se estende através da nádega até à perna.
  • A sua origem está na compressão ou inflamação do nervo mais longo do corpo que se chama nervo ciático.
  • É um nervo que começa na coluna vertebral passa pelas nádegas e desce pela parte de trás da perna.
  • Muitas vezes confundimos erradamente dor lombar com dor ciática.
  • A dor pode ser leve ou aguda e é geralmente afiada e intensa.
  • Este tipo de dor pode causar dificuldades em manter-se de pé ou andar.
  • Além da dor pode sentir fraqueza muscular e formigueiro na perna, no pé ou nos dedos do pé.
  • Em alguns casos podem surgir cãibras musculares na nádega ou na perna e diminuição dos reflexos nos joelhos e tornozelos.
  • Mesmo quando é muito dolorosa a dor ciática raramente se torna crónica, desaparecendo, quase sempre de forma espontânea.
  • A dor ciática, sendo provocada pela compressão de um nervo, pode acontecer durante a gravidez, parto ou levantamento coisas pesadas.
  • É raro que a sua causa seja uma hérnia ou tumor.
  • O carregamento excessivo de peso é muitas vezes uma das causas mais comuns da dor ciática por aumentar a pressão nas costas.
  • Se acha que tem dor ciática deve consultar o seu médico.
  • Por vezes a dor ciática pode ser um sinal de alerta de uma hérnia prestes a formar-se.
  • Outras vezes a dor pode estar associada a um estreitamento do canal vertebral.
Dor ciática e vertebra lombar na origem
Zona da coluna vertebral afetada e padrão de dor que origina
  • Na maior parte dos casos o médico vai aconselhar repouso e exercícios para fortalecer os músculos das costas.
  • Para diminuir os sintomas o médico vai prescrever analgésicos fortes e possivelmente encaminha-lo para um fisioterapeuta.
  • Durante algum tempo não vai poder carregar coisas pesadas.
  • Quando deixar de sentir dores se continuar a sentir pernas dormentes ou perdas de urina deve de imediato consultar o seu médico.
  • Se a dor ciática for causada por uma hérnia, a cirurgia parece ser o único tratamento com bons resultados.

Referências:

Prof. Doutor Victor Gonçalves, neurocirurgião e Coordenador da Unidade de Neurocirurgia do Hospital Lusíadas Lisboa

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