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Febre da carraça e Doença de Lyme, como retirar uma carraça com segurança?




Febre da carraça e doença de Lyme pode ser muito perigosa, cuidado com a picada do carrapato ou carraça! Como retirar uma carraça com segurança? Tempo de verão é tempo de sol, calor, piqueniques, passeios no campo, sentar no chão, deitar na relva e claro brincar com o seu cão ao ar livre em zonas arborizadas e relvadas. Tudo magnificamente relaxante mas muitas vezes desconhecendo ou esquecendo pequenos perigos, como as carraças, que podem originar graves problemas de saúde como a doença de Lyme que é apenas uma das doenças incluídas na chamada “febre da carraça”.

Neste artigo vamos responder ás seguintes questões:

  • Carrapato ou carraças o que são?
  • Como se apanham?
  • Que fatores contribuem para as infestações?
  • Que lesões provoca a picada?
  • Febre da carraça o que é?
  • Febre maculosa o que é?
  • Que países são a afetados pela febre maculosa?
  • Quais os perigos da febre maculosa?
  • Quais os sintomas?
  • Qual o melhor tratamento da febre maculosa?
  • Carrapatos, carraças ou chatos, como controlar?
  • Deve desinfetar-se o ambiente da casa?
  • Que cuidados deve ter?
  • Carrapato ou carraças, como tirar de forma correta e segura?
  • Doença de Lyme o que é?
  • Doença de Lyme quais as causas?
  • Doença de Lyme, quais os fatores de risco?
  • Quais os sintomas?
  • Quais os sinais precoces da Doença de Lyme?
  • Sintomas tardios;
  • Quais os sinais sintomas menos comuns?
  • Qual o melhor tratamento para a Doença de Lyme?
As cinco grandes mentiras sobre saúde
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Carrapato ou carraças o que são?

Carrapato, Carraças, ou chatos são parasitas que se alimentam do sangue do homem, do cão, do gato, da ovelha e de muitos outros animais. Quando as carraças estão infetadas, são responsáveis pela transmissão de inúmeras doenças!

CARRAÇA melhorsaude.org
Imagem de uma carraça cuja picada pode provocar febre da carraça

Onde se apanham?

Existem variadíssimas espécies de carraças espalhadas por todo o planeta. Como estes parasitas não voam nem saltam, ficam a aguardar a passagem de um hospedeiro, escondidos na relva, nos pastos, no solo ou nas frestas das madeiras, e quando o hospedeiro toca uma destas superfícies, as carraças percorrem o seu corpo até encontrarem um local seguro para se alimentarem e reproduzirem.

Que fatores contribuem para as infestações?

Cada fêmea pode pôr até 5000 ovos! As infestações por carraças acontecem principalmente na altura de maior calor, desde a Primavera até ao Outono. O que não significa que não existam no resto do ano. O aumento dos animais de estimação e, fundamentalmente, o crescente abandono de cães e gatos contribuem amplamente para a proliferação deste parasita.

Que lesões provoca?

A picada de carrapato ou carraças é prejudicial para o hospedeiro de diferentes formas:

  • Pode provocar lesões na pele com vermelhidão, ardor e comichão;
  • Anemia e fraqueza devido à ingestão de grandes quantidades de sangue pelo parasita
  • Paralisia motora por ação das suas neurotoxinas.

Febre da carraça 

Quando as carraças estão infetadas constituem um perigo para os animais e para a saúde pública! A carraça infetada, ao picar o hospedeiro, inocula no seu sangue micróbios responsáveis por inúmeras doenças, habitualmente designadas de Febre da Carraça, a saber:

  • Babesiose (Doença do carrapato causada por protozoários);
  • Borreliose ou Doença de Lyme;
  • Erliquiose (Doença do carrapato causada por bactérias);
  • Febre Maculosa .

Não só os animais apanham Febre da Carraça, as pessoas também estão suscetíveis se contactarem com carraças.

Febre maculosa o que é?

A febre maculosa, é uma doença que surge quando uma pessoa é picada por um carrapato ou carraças contaminadas pela bactéria Rickettsia rickettsii.

Que países afeta?

A febre maculosa é uma doença que ocorre em todo o continente americano, afetando países desde o Canadá até a Argentina. No Brasil, a maioria dos casos se na concentra na Região Sudeste, havendo também casos isolados em estados de outras regiões, tais como Bahia, Ceará, Santa Catarina, Paraná, Rio Grande do Sul, Distrito Federal, Goiás e Mato Grosso do Sul. São Paulo e Minas Gerais são os estados com maior número de casos notificados. Apesar de ser uma doença tipicamente rural, nos últimos anos, o número de casos nas cidades tem vindo a aumentar. A doença não é muito comum, sendo responsável, por exemplo, no Brasil por cerca de 40 a 100 casos por ano.

Perigos

A febre maculosa é uma febre da carraça que responde bem ao tratamento com antibióticos, mas se não for tratada prontamente, pode causar sérios danos aos órgãos internos, como:

  • Rins,
  • Fígado,
  • Coração,
  • Sistema nervoso central.

Nos casos maios graves pode levar à morte. Por não ser uma doença muito comum, frequentemente não é corretamente identificada, o que atrasa o início de um tratamento adequado e eficaz, fazendo com que a taxa anual de mortalidade possa rondar os 15 a 35%.

Sintomas

O período de incubação da febre maculosa varia de 2 a 14 dias, dependo da quantidade de bactérias que foi inoculada. No início do quadro é muito difícil distinguir a febre maculosa de várias outras doenças febris comuns, incluindo as viroses mais conhecidas. Em geral os primeiros sinais e sintomas da infeção são:

  • Febre alta,
  • Dor de cabeça
  • Dores no corpo,
  • Mal-estar geral,
  • Náuseas
  • Vómitos.

Poucos dias depois, lesões de pele, chamadas de máculas, podem aparecer nos membros e no tronco, daí o nome da doença ser febre maculosa.

Tratamento

Sem tratamento antibiótico, o taxa de mortalidade da febre maculosa chega a 75%. Os doentes que começam o tratamento com antibiótico antes do 5º dia têm até 5 vezes mais probabilidades de ficarem curados e sem sequelas (surdez e paralisia de membros) do que os que só iniciam o tratamento após o 5º dia de doença.

Felizmente, nem todos os casos desta febre da carraça evoluem de forma grave. Há formas mais brandas da doença, que pode curar-se espontaneamente após 2 ou 3 semanas de sintomas. Porém, a maioria dos casos não se comporta de forma tão benigna.

Dúvidas no diagnóstico

Não se deve esperar para ver se a pessoa vai apresentar a forma grave ou branda, deste tipo de febre da carraça, pois essa espera pode ser fatal. Da mesma forma, se pela história clínica e epidemiológica o médico suspeitar de febre maculosa, ele não deve esperar pelo aparecimento do rash para confirmá-la,  muito menos pelos resultados dos exames laboratoriais.

Se o médico suspeita de febre maculosa, ele deve iniciar os antibióticos, mesmo não tendo certeza do diagnóstico. Por exemplo, se o paciente tem os sintomas iniciais da doença, principalmente febre alta e mal-estar, e conta uma história de picada recente de carrapato, isso já é suficiente para o início do tratamento. De forma semelhante, se o paciente com sintomas vem de uma área que recentemente têm registrado casos de febre maculosa, isso também já autoriza o médico a iniciar o tratamento.

Entretanto, é importante destacar que o simples fato de ter sido picado por um carrapato não é motivo para iniciar o tratamento. Estima-se que apenas 1% dos carrapatos em áreas endémicas estejam contaminados com a Rickettsia rickettsii. Fora das áreas endêmicas, nenhum carrapato está contaminado.  Se o médico têm dúvidas, não é errado começar mais de um antibiótico visando o tratamento das hipótese diagnósticas mais graves. Sendo assim, o médico pode começar antibióticos visando a febre maculosa e a meningite meningocócica, por exemplo. Ambas são infeções com alta taxa de mortalidade e que precisam de tratamento precoce.

Antibióticos mais eficazes

O antibiótico de escolha para o tratamento da febre maculosa é a doxiclina (Actidox®), que pode ser administrada de forma oral ou intravenosa, dependendo da gravidade do quadro. O tratamento é mantido até 72 horas depois do desaparecimento da febre, o que costuma ocorrer no 2º ou 3º dia de tratamento. Na maioria dos casos o tratamento costuma durar 7 dias.

Uma alternativa é o cloranfenicol, sendo este o antibiótico mais indicado para grávidas com febre maculosa, pois a doxiclina é contraindicada na gravidez.  O problema do cloranfenicol é o risco de efeitos colaterais graves, como a aplasia de medula, evento que ocorre em 1 a cada 25.000 pessoas tratadas. Portanto, em todas as pessoas não grávidas o tratamento deve ser feito preferencialmente com doxiclina.

A maioria dos pacientes responde rapidamente ao tratamento e a mortalidade é baixa quando o antibiótico é iniciado nos primeiros 5 dias. Uma vez curado, a maioria dos doentes desenvolve imunidade contra Rickettsia rickettsii para o resto vida, não havendo risco de ter a doença novamente.

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Carrapato, carraças ou chatos como controlar?

As carraças são essencialmente trazidas para dentro de casa à “boleia” dos animais de estimação. Por isso, é essencial fazer uma desparasitação externa eficaz das mascotes durante todo o ano, usando:

  • Coleiras,
  • Líquidos spot-on (ampolas)
  • Sprays
  • Champôs

A maioria dos produtos disponíveis no mercado faz um controlo simultâneo de pulgas e carraças e, alguns deles, também de moscas e mosquitos.

Deve desinfestar-se o ambiente de casa?

Quando o ambiente onde o animal vive está muito infestado, seja num canil, no quintal ou dentro de casa, é recomendada a pulverização destes locais. Deve ter sempre em atenção que estes produtos são medicamentos que, quando usados em excesso, são tóxicos e podem ser prejudiciais para a saúde do seu animal ou até mesmo para a sua saúde. Aconselhe-se junto do médico veterinário e na Farmácia sobre qual o produto mais adequado para cada animal e ambiente.

Cuidados de proteção

Principalmente no tempo mais quente, as carraças acumulam-se nos locais com ervas altas, matos e vegetação pelo que se deve limitar o acesso dos animais a estas áreas, mesmo quando estão devidamente desparasitados.

Ao chegar a casa, é prudente fazer a inspeção do animal, não esquecendo as zonas mais escondidas como o espaço entre os dedos. As carraças encontradas devem ser removidas com cuidado de forma a eliminar totalmente o parasita sem deixar as suas peças bucais que podem ser responsáveis pela formação de reações inflamatórias locais. Se após a remoção da carraça, o animal apresentar alterações no seu estado de saúde como falta de apetite, prostração ou urina muito escura deve recorrer imediatamente ao veterinário.

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Como tirar a carraça de forma correta?

Se encontrar uma carraça a morder a sua pele, deve removê-la o mais depressa possível. Deve fazê-lo de forma cuidadosa e segura de acordo com os passos abaixo indicados:

  1. Proteja as mãos com luvas de látex ou com papel;
  2. Segure a carraça o mais próximo possível da sua pele, com o auxílio de uma pinça de pontas finas ou com um extrator próprio. Não deve apertar a “barriga” da carraça pois poderá provocar a injeção do seu fluido infetado;
  3. Depois de bem presa, deve puxar a carraça para cima aplicando uma força constante, sem a arrancar de forma brusca nem torcer para não partir as peças bucais deixando-as enterradas na pele. Se isso acontecer, pode removê-las com a pinça;
  4. Após a remoção da carraça, lavar o local da picada com água e sabão e desinfetar com solução iodada;
  5. Colocar a carraça num frasco com álcool, pois isso irá causar a sua morte, e, se possível, guarda-lo para auxiliar o seu médico no diagnóstico no caso de ficar doente;
  6. Não é recomendável usar vaselina, azeite ou recorrer ao calor para “adormecer” a carraça pois estes métodos causam a regurgitação de saliva para o hospedeiro, aumentado as possibilidades de infeção.
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Se até cerca de um mês após a mordedura da carraça, encontrar manchas vermelhas no local da picada ou se sentir cansado, febril ou com dores no corpo e cabeça, recorra imediatamente ao médico. Se não o fizer, a infeção vai progredindo com o aparecimento de sintomas cada vez mais graves como paralisias ou alteração das capacidades intelectuais.

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Doença de Lyme o que é?

A doença de Lyme é uma infeção bacteriana transmitida por carraças, muito comum na América do Norte e na Europa.

O nome te origem nos diversos casos que ocorreram em 1997 na cidade de Lyme, em Connecticut (EUA). Pelo facto de um dos principais sintomas ser inchaço e dor nas articulações, acreditava-se que era artrite. Porém, como os casos eram agudos (os sintomas desapareciam) e afetavam apenas adolescentes, os pacientes foram estudados e a doença de Lyme foi descoberta. Apesar disso, acredita-se que a doença seja muito mais antiga.

Causas

A doença de Lyme é causada pela bactéria Borrelia burgdorferi, mas a transmissão dá-se através das carraças. São elas que carregam e as bactérias e que podem transmiti-las para os seres humanos por meio de picadas. As carraças prendem-se à pele, onde podem permanecer bastante tempo enquanto sugam o sangue do hospedeiro. Os locais preferidos do corpo humano para as carraças são as axilas, couro cabeludo e região da virilha.

Para transmitir a doença, as carraças devem ficar presas à pele do hospedeiro durante 36 a 48 horas no mínimo. Quanto menor a carraça, maiores são as probabilidades de transmitir a doença de Lyme, pois são mais difíceis de serem detetadas.

Quando são transmitidas, as bactérias entram na pele através da picada e invadem a corrente sanguínea, espalhando-se pelo corpo.

Fatores de risco

A doença de Lyme é mais comum nos Estados Unidos e em algumas regiões central e leste da Europa, bem como no sudeste da Escandinávia e no norte do Mediterrâneo, em países como Itália, Espanha e Grécia. Pessoas que viajam para esses locais e passam muito tempo em áreas arborizadas e com relva estão sob maior risco de contrair a doença. Pessoas com ocupações ao ar livre também são mais propensas a desenvolver este problema.

Se for viajar para esses locais, certifique-se quais as regiões que ainda sofrem com infestações de carraças e evite ficar com a pele exposta. Se detetar uma carraça, remova-a rapidamente, mas de forma correta. Não identificar e não remover corretamente a carraça da pele também aumentam probabilidades de desenvolver doença de Lyme.

Sintomas

Os sinais e sintomas da doença de Lyme variam e normalmente afetam mais de uma parte do corpo, principalmente pele, articulações e sistema nervoso.

Sinais precoces

Estes sinais e sintomas podem ocorrer dentro de aproximadamente um mês após a infeção pela bactéria causadora da doença de Lyme:

  • Surgimento de uma protuberância avermelhada na região em que houve picada. A erupção, denominada eritema migrans, é uma das características da doença de Lyme. Algumas pessoas desenvolvem esta erupção em mais do que um local do corpo
  • Sintomas gripais, como febre, calafrios, fadiga, dores no corpo e dor de cabeça pode acompanhar a erupção cutânea.

Sinais e sintomas tardios

Em algumas pessoas, a erupção cutânea pode espalhar-se para outras partes do corpo e, várias semanas ou meses depois de ter sido infetado, podem surgir:

  • Dores nas articulações e inchaço
  • Problemas neurológicos, como meningite, paralisa temporária de um lado do rosto (chamado de paralisia de Bell), dormência ou fraqueza dos membros, além de movimentos musculares prejudicados.

Sintomas menos comuns

Várias semanas após a infeção, algumas pessoas podem desenvolver sintomas menos comuns, a exemplo de:

  • Problemas de coração, como um batimento cardíaco irregular, que não costumam durar mais do que alguns dias ou semanas
  • Inflamação dos olhos
  • Inflamação do fígado (hepatite)
  • Fadiga severa.

Tratamento

Consulte um médico se foi picado recentemente por uma carraça, mesmo se não estiver apresentando sintomas. Caso sinta fraqueza, dormência nos membros, dores ou quaisquer outros sintomas, procure a ajuda de um especialista o mais rápido possível.

Sendo uma infeção bacteriana os antibióticos mais utilizados são os seguintes:

  • Doxiciclina (Actidox®), excepto crianças até aos 9 anos, grávidas e mães a amamentar;
  • Cefuroxima (Zoref®, Zipos®);
  • Amoxicilina (Clamoxyl®);
  • Ceftriaxona intravenosa (Mesporin®), nos casos mais graves;
  • Penicilina intravenosa (nos casos mais graves)

Concluindo

A picada de uma carraça não é coisa pouca… pode correr muito mal! Tenha especial atenção aos seus animais de estimação principalmente cão e gato e quando for fazer um piquenique tenha um cuidado suplementar aos sintomas de irritação na pele “tipo picada” que possam surgir durante ou após os seus “momentos de lazer com a Natureza”.  Deve ser aplicada um vigilância especial ás crianças que adoram cães e gostam de “rebolar na relva”… o que é ótimo desde que não recebam a visita dos parasitas em causa neste artigo!

Fique bem!

Franklim Moura Fernandes

Fontes:

  • Manuais MSD;
  • Globalvet;
  • Dr Pedro Pinheiro;

Por favor PARTILHE esta informação que no tempo quente pode evitar muitos problemas graves em adultos e crianças em contacto com a Natureza.

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Disfunção sexual causada por medicamentos

A disfunção sexual (DS) é a alteração de uma ou mais etapas da relação sexual,1,2 que impede uma atividade sexual satisfatória.1 Este artigo tem como principal referência o trabalho de meta análise, da Dra Aurora Simón, Diretora técnica do CIM, Centro de Investigação do Medicamento, da Ordem dos Farmacêuticos.

A função sexual pode ser afetada de diversas formas:

  • Diminuição do desejo sexual;
  • Falta de lubrificação vaginal;
  • Disfunção erétil (DE) ou impotência masculina;
  • Falta de ejaculação;
  • Ejaculação precoce ou retrógrada,;
  • Anorgasmia (ausência ou dificuldade em alcançar o orgasmo);
  • Dispareunia (dor na mulher durante ou após penetração sexual). 2

Nos homens, a forma mais habitual de disfunção sexual é a disfunção eréctil, nas mulheres a mais frequente é a diminuição da libido.1

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Causas

Em muitas ocasiões, a etiologia da disfunção sexual não é clara. 3,4 Podem influir fatores psicológicos e psiquiátricos, como ansiedade, depressão ou esquizofrenia,3-5 bem como o próprio processo de envelhecimento3,4,6 e aspetos socioculturais. 6 Têm sido documentadas etiologias orgânicas, como diabetes,3,4,7 doença de Addison, hipogonadismo, alterações tiroideias,3,4 doenças cardíacas,7 neurológicas e neoplasias. 6 Outros fatores que podem afetar a função sexual incluem o consumo de álcool ou drogas. 1-4

A disfunção sexual também é um efeito colateral de diversos medicamentos, podendo ter um impacto importante nas relações pessoais, na qualidade de vida e na capacidade de procriar. 1 As alterações sexuais associadas ao tratamento medicamentoso também podem favorecer a não adesão ao tratamento farmacológico. 1,2,5

A relação causal e a incidência de disfunções sexuais com um determinado medicamento são difíceis de determinar, pois certas doenças afetam também a função sexual. Existem poucos ensaios clínicos que tenham avaliado especificamente efeitos adversos de medicamentos na função sexual. A maioria dos dados procedem de relatos de casos, ensaios clínicos pós-comercialização e da farmacovigilância. 1 A literatura tem enfatizado os problemas sexuais masculinos, existindo menos dados sobre os problemas femininos ou de casal. 2,8

Os medicamentos podem alterar a função sexual por várias vias, tais como:

  • Os que afetam o desejo sexual, geralmente, atuam a nível central e podem causar este efeito por sedação ou por alteração hormonal.
  • Os fármacos que interferem no sistema autónomo podem ter efeitos negativos na função erétil, na ejaculação e no orgasmo.
  • Os que interferem com hormonas (por ex., moduladores seletivos dos recetores de estrogénios como o tamoxifeno) podem afetar a resposta vaginal.

Em relação aos neurotransmissores e hormonas implicados, a dopamina, a norepinefrina e a acetilcolina tendem a ter um efeito positivo na função sexual, enquanto a serotonina e a prolactina tendem a inibi-la. A testosterona é necessária para a excitação sexual normal em homens e mulheres. A sua deficiência em homens está associada à disfunção erétil ou impotência masculina. Níveis reduzidos de estrogénios reduzem o desejo e a excitação.1 

A DS associada a medicamentos tende a ser subvalorizada, pois muitas pessoas e profissionais de saúde são relutantes em abordar esse tema. 1,5 As pessoas podem não estar cientes de que os seus problemas sexuais se desenvolveram como resultado do tratamento. 2


Fármacos implicados na disfunção sexual

São diversos os medicamentos que podem afetar as função sexual masculina e feminina, os principais são os seguintes:

  • Anti-hipertensores;
  • Medicamentos com ação no sistema nervoso central como antidepressivos, antipsicóticos, estabilizadores do humor e ansiolíticos;
  • Anticonvulsivantes;
  • Contraceptivos hormonais;
  • Bloqueadores alfa (muito usados na hiperplasia benigna da próstata);
  • Análogos da hormona libertadora de gonadotropina;
  • Inibidores da protease;
  • Ciproterona;
  • Pseudoefedrina, 
  • Dissulfiram; 
  • Naproxeno;2 
  • Ibuprofeno;16
  • Anti-histamínicos; 
  • Opioides; 2,3 
  • Digoxina. 4,5

Anti-hipertensores e disfunção sexual

A maioria dos estudos sobre disfunções sexuais associada a fármacos cardiovasculares são sobre anti-hipertensores. 8 A própria hipertensão pode ser também um fator de risco para DS. 1,2,4 O efeito dos bloqueadores beta-adrenérgicos na função sexual tem sido debatido. 5 Num estudo, 20% dos homens tomando bloqueadores beta apresentaram DS. 2 Contudo, uma revisão sistemática mostrou apenas um ligeiro aumento do risco. 9 Têm sido referidas alterações na função erétil. 5,8 A frequência de disfunção sexual parece ser baixa, especialmente com os fármacos menos lipofílicos e mais cardiosseletivos. 3,4

Os agonistas alfa adrenérgicos de ação central (clonidina, metildopa) podem causar disfunção erécil e reduzir o desejo e a excitação. 2,4,5 Os diuréticos também têm sido implicados em alterações na função sexual,2 mas a incidência de DS induzida por diuréticos tiazídicos é baixa. 4 O bloqueador do recetor de aldosterona, espironolactona, pode estar associado a DE e ginecomastia. 2 

Os bloqueadores alfa, os inibidores da enzima da conversão da angiotensina (IECA), os antagonistas de recetores de angiotensina II e os bloqueadores dos canais de cálcio geralmente não causam DS. 1,4 Alguns trabalhos apontaram possíveis efeitos benéficos com alguns fármacos (IECA, nebivolol). 2,5,8 Porém, os dados sobre os efeitos neutros ou benéficos de fármacos na função erétil precisam de ser confirmados.


Medicamentos com ação no Sistema Nervoso Central

As doenças psiquiátricas subjacentes também podem contribuir para a disfunção sexual. 4 Até 70% das pessoas com depressão apresentam DS, que pode afetar qualquer fase da atividade sexual. 2 A DS é também um potencial efeito colateral dos antidepressores em homens e mulheres. 2,10,11 Evidências sólidas sugerem que este grupo afeta adversamente uma ou mais das fases da resposta sexual. 10 Os efeitos podem incluir alterações no desejo sexual, problemas de ereção ou problemas de orgasmo. A gravidade dos efeitos depende do indivíduo, e do tipo e dose do antidepressor específico. Para algumas pessoas, os efeitos colaterais sexuais podem diminuir, à medida que o organismo se ajusta à medicação. 11 Os dados sobre a prevalência de DS causada por antidepressores são muito variáveis (10% a 80%), devido à grande variação nas abordagens metodológicas dos estudos. 10

Os antidepressores com fortes propriedades serotoninérgicas parecem ter a maior taxa de efeitos colaterais sexuais. Tem sido observada DS especialmente em pessoas tratadas com inibidores seletivos da recaptação da serotonina (ISRS) e com inibidores a recaptação da serotonina e noradrenalina (IRSN). 1,10 Podem causar DE, inibição do desejo sexual e diminuição da lubrificação vaginal. 2 Os ISRS podem levar a diminuição ou perda total da libido,10,18,19 orgasmo ou ejaculação retardados ou anorgasmia. 4 Os ISRS têm sido usados para tratar a ejaculação precoce. 3,4 A frequência dos efeitos colaterais sexuais pode variar entre os diferentes fármacos do grupo. Os sintomas parecem ser dependentes da dose e pode estar envolvido polimorfismo genético. Embora existam raros relatos de efeitos sexuais adversos que persistem após a descontinuação do uso de ISRS, não há evidência concludente de que os efeitos sejam persistentes. 12

Quase todos os antidepressores tricíclicos (amitriptilina, doxepina, imipramina e nortriptilina) podem ter um impacto negativo na libido. 2,5 Existem relatos de DE e problemas ejaculatórios. 3,4 Os inibidores da monoamina oxidase (fenelzina, isocarboxazida, tranilcipromina) também estão associados à DS. 2 Esta inclui desejo sexual reduzido, dificuldades de ereção, orgasmo retardado,10 e problemas de ejaculação. 4,10 A moclobemida, inibidor reversível, está associada a uma baixa prevalência de DS. 10 Embora tenha sido relatado que aumenta o desejo sexual, as doses utilizadas no estudo foram consideradas subterapêuticas. 2 A incidência de DS reportada por doentes em tratamento com selegilina foi baixa, similar ao placebo. 10,12

Alguns estudos sugerem que o bupropiom, a agomelatina, a mirtazapina e a moclobemida produzem menos DS, sendo os dados mais consistentes no caso do primeiro. 1,10,12 No acompanhamento da terapêutica com antidepressores é essencial abordar a DS. 10

A disfunção sexual é um efeito potencial dos antipsicóticos, 3,4,13 embora seja muito difícil determinar com precisão a prevalência real. Dados sólidos sugerem que muitos afetam adversamente uma ou mais fases da resposta sexual. 13 Muitas pessoas com esquizofrenia apresentam problemas sexuais, podendo ser difícil distinguir os efeitos da doença na função sexual dos efeitos da medicação. 2 A maioria dos antipsicóticos produz DS ao bloquear os recetores de dopamina. Isto provoca hiperprolactinemia e hipogonadismo em ambos os sexos, amenorreia secundária e perda da função ovárica em mulheres e níveis baixos de testosterona em homens. 1,2 Os homens que tomam antipsicóticos relatam DE, diminuição da qualidade do orgasmo com ejaculação retardada, inibida ou retrógrada e diminuição do interesse pelo sexo. As mulheres experimentam diminuição do desejo, dificuldade em atingir o orgasmo e alterações na sua qualidade, e anorgasmia. A dispareunia, secundária à deficiência de estrogénio, pode resultar em atrofia e secura vaginal.

Embora não sejam consistentes, alguns dados sugerem que os antipsicóticos de segunda geração (com exceções, como a risperidona ou a amissulprida) têm um perfil de efeitos colaterais sexuais mais favorável, comparativamente aos de primeira geração. Os antipsicóticos que aumentam a prolactina estarão, provavelmente, mais associados à DS, ainda que sejam necessários mais estudos. 13 Antes de iniciar o uso de fármacos antagonistas dos recetores da dopamina é útil determinar a prolactina basal; deste modo, uma elevação subsequente poderá ser atribuída ao fármaco. 2

A DS é também um potencial efeito colateral de alguns estabilizadores de humor e ansiolíticos, mas os estudos sobre os efeitos sexuais destes medicamentos são muito escassos e com limitações. Algumas evidências sugerem que os estabilizadores de humor, com algumas exceções, afetam negativamente o funcionamento sexual. Existe muito pouca investigação sobre eventuais efeitos colaterais sexuais induzidos pelo lítio. 14 Foram relatados alguns casos de diminuição do desejo sexual e DE. 4,14 Algumas benzodiazepinas têm sido associadas a diminuição da libido, orgasmo retardado e anorgasmia. 5 A evidência disponível sobre o efeito deste grupo na função sexual ainda é insuficiente para tirar conclusões definitivas. 14


Anticonvulsivantes e disfunção sexual

A disfunção sexual é comum em pessoas em tratamento com anticonvulsivantes, 1,14 mas é difícil distinguir se é resultado deste tratamento ou da própria patologia. 3,14 A DS tem sido mais relatada com os mais antigos (carbamazepina, fenitoína ou fenobarbital). 14 Há alguns relatos com valproato, pregabalina,3,14 gabapentina ou topiramato. 2,3,14 Muitos anticonvulsivantes são usados como estabilizadores do humor. 14 


Contraceptivos hormonais

O efeito dos contracetivos hormonais combinados na sexualidade feminina é muito controverso, sendo necessários mais estudos. Alguns mostraram diminuição da libido, enquanto outros referem aumento. 1 Os contracetivos orais diminuem a testosterona livre circulante, o que poderia diminuir o desejo na mulher, embora os dados sejam limitados. O contexto social, o medo da gravidez e de doenças sexualmente transmissíveis são fatores que podem confundir os relatos relacionados com o impacto destes fármacos. 2 A suspensão injetável com acetato de medroxiprogesterona, usada como contracetivo, tem sido associada a atrofia vaginal, dispareunia e diminuição da libido. 1,2


Bloqueadores alfa

Os homens com hiperplasia prostática benigna (HPB) sintomática e sintomas no trato urinário inferior, geralmente, têm uma maior incidência de DS. 1,2,15 Embora a cirurgia e a terapêutica possam melhorar a sintomatologia, alguns tratamentos também causam ou exacerbam a DE e os problemas na ejaculação. 2 A DS deve ser cuidadosamente avaliada antes do tratamento. 15 Os bloqueadores alfa usados na HPB, como doxazosina, tansulosina, terazosina e alfuzosina, não mostraram causar alterações na função sexual superiores ao placebo,2,5,15 com exceção da silodosina, que parece ter a maior incidência de distúrbios ejaculatórios15 e, em menor grau, da tansulosina. 2,5 Os inibidores da 5α-redutase, como a finasterida ou a dutasterida, também podem causar DE, distúrbios ejaculatórios e redução do desejo sexual,1,15 aumentando o risco com a idade. 1 Recentemente, foram relatados efeitos colaterais sexuais persistentes após a descontinuação da finasterida, no entanto, são necessários mais estudos para esclarecer a sua incidência e significado. 14,15 O perfil de eventos adversos sexuais da dutasterida parece ser semelhante ao da finasterida. 15 


Análogos da hormona libertadora de gonadotropina

Tanto a existência de cancro como o seu tratamento podem, em ocasiões, ter influência negativa no relacionamento sexual. Por exemplo, os análogos da hormona libertadora de gonadotropina de ação longa (goserrelina, leuprorrelina), usados no cancro de próstata e da mama, causam hipogonadismo, com consequente redução do desejo sexual, DE nos homens, atrofia vaginal e dispareunia nas mulheres, além de disfunção orgástica. 2 Medicamentos mais recentes (bicalutamida, enzalutamida), ao diminuir os níveis de testosterona, também reduzem a libido. 5


Ibuprofeno e disfunção sexual

O ibuprofeno é um anti-inflamatório não esteroide (AINE) e analgésico dos mais usados no mundo há dezenas de anos. Preocupações foram levantadas sobre o aumento de distúrbios reprodutivos masculinos no mundo ocidental, e a interrupção da endocrinologia masculina foi sugerida para desempenhar um papel central. Vários estudos mostraram que a exposição leve a analgésicos durante a vida fetal está associada a efeitos antiandrogénicos e malformações congénitas, mas os efeitos no homem adulto permanecem amplamente desconhecidos. 

Através de um ensaio clínico com homens jovens expostos ao ibuprofeno, 16 demonstrou-se que o analgésico resultou no quadro clínico denominado “hipogonadismo compensado”, condição prevalente em homens idosos e associada a distúrbios reprodutivos e físicos. Nos homens, os níveis plasmáticos da hormona luteinizante (LH) e ibuprofeno foram positivamente correlacionados, e a relação testosterona/LH diminuiu. Usando explantes de testículos adultos expostos ou não ao ibuprofeno, demonstramos que as capacidades endócrinas das células testiculares de Leydig e Sertoli, incluindo a produção de testosterona, foram suprimidas através da repressão transcricional. Este efeito também foi observado em uma linha celular esteroidogénica humana. Assim  demonstrou-se que o ibuprofeno altera o sistema endócrino através da repressão seletiva da transcrição nos testículos humanos, induzindo assim o hipogonadismo compensado.

Outros medicamentos

Outros medicamentos têm sido relacionados com DS, incluindo: inibidores da protease, ciproterona, pseudoefedrina, dissulfiram, naproxeno,2 anti-histamínicos, opióides,2,3 e digoxina. 4,5 Os exemplos citados não constituem uma lista exaustiva.


Medidas de controlo da disfunção sexual (DS)

Para tratamento da DS podem ser consideradas intervenções não farmacológicas como a terapia psicológica. 2,10 A maioria dos episódios de DS induzidos por medicamentos são reversíveis,3 tendo sido tentadas várias estratégias para os reverter. 2 Em ocasiões, no início do tratamento, esperar para ver se ocorre uma melhora espontânea dos efeitos colaterais pode ser uma opção. Mudança de medicamento para outro com menor probabilidade de causar efeitos colaterais sexuais,1 redução da dose,1,6 interrupção do tratamento por um ou dois dias ou a adição de outros medicamentos podem ser, em certos casos, estratégias úteis para melhorar a DS. 1 Porém, entre as possíveis desvantagens de algumas destas práticas está a possibilidade de risco de recaída, abandono do tratamento ou o surgimento da síndrome de descontinuação. 1,7 A troca da medicação ou a adição de outro medicamento pode causar efeitos indesejados. 10 

No caso dos anti-hipertensores há autores que recomendam a mudança para um medicamento alternativo. 10 Por ex., se desenvolver DE incomodativa após o início de um bloqueador beta. 9 Na DS por antidepressores, a opção de interromper o tratamento por um ou dois dias não é aplicável no caso da fluoxetina, devido à sua longa semivida,10 nem no tratamento com paroxetina e venlafaxina, por surgir frequentemente síndrome de descontinuação. 1 Para combater os efeitos colaterais sexuais também tem sido utilizado tratamento adjuvante com um segundo antidepressor (bupropiom) ou outro medicamento. 5-7 Em pessoas em tratamento com antipsicóticos deve-se estabelecer a causa de hiperprolactinemia e, seguidamente, considerar uma redução da dose ou a mudança para medicamentos com poucos efeitos nos níveis de prolactina. 2,13 


Tratamento sintomático da disfunção eréctil

Não há evidência clinicamente significativa da utilidade de tratamentos específicos. 3,13 Se as estratégias anteriormente referidas não são eficazes ou viáveis, no caso de homens com disfunção eréctil, pode ser adicionado tratamento sintomático com um inibidor da fosfodiesterase tipo 5 (IFD-5) tais como:

  • Sildenafil, 
  • Tadalafil ou 
  • Vardenafil. 1,6,8 

Contudo, este tratamento está contraindicado quando são usados nitratos e deve ser usado com precaução com os bloqueadores alfa. 1,8 

Terapêutica nas mulheres

Pesquisas limitadas sugerem que os IFD-5 podem melhorar os problemas sexuais causados por antidepressores (ISRS) em algumas mulheres, mas são necessários mais dados sobre sua eficácia e segurança.6 O sildenafil mostrou-se promissor para reverter a lubrificação inadequada e o atraso do orgasmo. 2 Uma revisão sistemática sobre DS induzida por antidepressores em mulheres sugere que a abordagem mais promissora pode ser a adição de bupropiom em doses altas, mas são necessários mais estudos. 6

A terapêutica tópica com estrogénios é recomendada para o tratamento da síndroma genitourinária da menopausa,2,6 assim como na dispareunia associada à secura vaginal. A testosterona (uso off label) pode ser efetiva no tratamento a curto prazo da disfunção do desejo/excitação sexual em mulheres pós-menopáusicas, mas não está demonstrada a sua segurança e eficácia a longo prazo e está associada a efeitos secundários de hiperandrogenismo. Os dados são limitados e inconsistentes. 3,6

É importante compreender o papel dos medicamentos na DS e seu impacto negativo na adesão ao tratamento. 2 Antes do início de um medicamento com potenciais efeitos adversos a este nível, é conveniente informar e alertar as pessoas sobre os possíveis efeitos na vida sexual. 1


Referências bibliográficas

1. Disfunción sexual por fármacos. INFAC 2913 [acedido a 20-10-22]; 21(8):55-58. Disponível em: https://www.euskadi.eus/contenidos/informacion/cevime_infac_2013/es_def/adjuntos/INFAC_Vol_21_n_8.pdf 

2. Conaglen HM, Conaglen JV. Drug-induced sexual dysfunction in men and women. Aust Prescr. 2013;36: 42- 5. DOI:10.18773/austprescr.2013.021 

3. Nadal Llover M, ColsJiménez M,Disfunción sexual causada pormedicamentos. FMC. 2017; 24 (5): 265-278. https://doi.org/10.1016/j.fmc.2016.11.007. 

4. Drug-Induced Sexual Dysfunction. Last Modified: September 16, 2021.Em: IBM Micromedex® DRUGDEX® (electronic version). IBM Watson Health, Greenwood Village, Colorado, USA. Available at: https://www.micromedexsolutions.com/ 

5. Valeiro C, Matos C, Scholl J, van Hunsel F. Drug-Induced Sexual Dysfunction: An Analysis of Reports to a National Pharmacovigilance Database. Drug Saf. 2022 Jun;45(6):639-650. doi: 10.1007/s40264-022-01174-3. 

6. Faubion SS, Rullo JE. Sexual Dysfunction in Women: A Practical Approach. Am Fam Physician. 2015 Aug 15 [acedido a 24-10–22]; 92(4): 281-8. Disponível em: https://www.aafp.org/dam/brand/aafp/pubs/afp/issues/2015/0815/p281.pdf 

7. Atmaca M. Selective Serotonin Reuptake Inhibitor-Induced Sexual Dysfunction: Current Management Perspectives. Neuropsychiatr Dis Treat. 2020 Apr 20; 16: 1043-1050. doi: 10.2147/NDT.S185757. 

8. La Torre A, Giupponi G, Duffy D, Conca A, Catanzariti D. Sexual dysfunction related to drugs: a critical review. Part IV: cardiovascular drugs. Pharmacopsychiatry. 2015 Jan;48(1):1-6. doi: 10.1055/s-0034-1395515. 

9. Rosen RC, Khera, M. Epidemiology and etiologies of male sexual dysfunction. UpToDate®, topic last updated: Aug 25, 2022. 

10. La Torre A, Giupponi G, Duffy D, Conca A. Sexual dysfunction related to psychotropic drugs: a critical review–part I: antidepressants. Pharmacopsychiatry. 2013 Jul;46(5):191-9. doi: 10.1055/s-0033-1345205. 

11. Daniel Hall-Flavin. Antidepressants: Which cause the fewestsexualside effects? MayoClinic, Jan. 25, 2020 [acedido a 20-10-22] Disponível em: https://www.mayoclinic.org/diseases-conditions/depression/expertanswers/antidepressants/faq-20058104 

12. Hirsch M, Birnbaum RJ. Sexual dysfunction caused by selective serotonin reuptake inhibitors (SSRIs): Management. UpToDate®, topic last updated: Aug 09, 2022. 

13. La Torre A, Conca A, Duffy D, Giupponi G, Pompili M, Grözinger M. Sexual dysfunction related to psychotropic drugs: a critical review part II: antipsychotics. Pharmacopsychiatry. 2013 Sep;46(6):201-8. doi: 10.1055/s-0033-1347177. 

14. La Torre A,Giupponi G, Duffy DM, Pompili M, Grözinger M, Kapfhammer HP, Conca A. Sexual dysfunction related to psychotropic drugs: a critical review. Part III: mood stabilizers and anxiolytic drugs. Pharmacopsychiatry. 2014 Jan;47(1):1-6. doi: 10.1055/s-0033-1358683. 

15. La Torre A, Giupponi G, Duffy D, Conca A, Cai T, Scardigli A. Sexual Dysfunction Related to Drugs: a Critical Review. Part V: α-Blocker and 5-ARI Drugs. Pharmacopsychiatry. 2016 Jan;49(1):3-13. doi: 10.1055/s-0035- 1565100.

16. Ibuprofen alters human testicular physiology to produce a state of compensated hypogonadism

Estratégias para evitar e tratar azia enfartamento refluxo e digestão difícil

Azia refluxo pirose enfartamento gases são problemas digestivos muito comuns principalmente em épocas festivas! Quais as causas, sinais e perigos? Que medicamentos podem piorar os sintomas? Qual o melhor tratamento e como conseguir rápido alívio dos sintomas? Como recuperar dos excessos das épocas especiais como Natal, Ano Novo, Páscoa, aniversários, festas e férias?

Neste artigo vou tratar os seguintes temas:

    • Digestão o que é?
    • Quanto tempo demora a digestão?
    • Má digestão ou dispepsia.
    • Dispepsia sintomas, causas, prevenção e diagnóstico.
    • Qual a anatomia do estômago?
    • Azia ou pirose: O que é?
    • Quais os sintomas?
    • Refluxo gastroesofágico: O que é?
    • Qual a anatomia do estômago?
    • Qual a causa da azia?
    • Que medicamentos podem provocar azia?
    • Quais os anti-inflamatórios menos agressivos para o estômago?
    • Anti-inflamatórios de última geração: Serão uma boa alternativa?
    • Ansiolíticos e contraceptivos orais podem provocar refluxo?
    • Idade e azia ou refluxo: Qual a relação?
    • Gravidez e azia ou refluxo: O que acontece nessa fase?
    • O que pode tomar uma grávida para a azia?
    • Que fatores agravam a azia e refluxo?
    • Que alimentos agravam a azia e refluxo?
    • Quais os sinais de alarme para pedir apoio médico urgente?
    • Como melhorar a azia e refluxo?
    • Quais os medicamentos mais utilizados para a azia e refluxo
    • Quais os efeitos secundários e interações mais frequentes dos antiácidos?
As cinco grandes mentiras sobre saúde
As cinco grandes mentiras sobre saúde:   https://melhorsaude.org/2025/04/21/as-cinco-grandes-mentiras-sobre-saude/

Digestão

O que acontece durante a digestão? O sistema digestivo para levar a cabo, com sucesso, o processo de digestão total dos alimentos, é composto pelas seguintes quatro etapas essenciais:

  • Mastigação – acontece na boca e reduz os alimentos a um bolo alimentar pela ação mecânica de mastigar e também pela ação enzimática da saliva;
  • Processamento químico e enzimático – acontece principalmente no estômago com pela ação do ácido clorídrico e da enzima pepsina, entre outras; Esta é a etapa mais importante na digestão das proteínas;
  • Processamento no intestino delgado – absorve macromoléculas e nutrientes para a corrente sanguínea;
  • Fermentação e remoção da água – acontece no cólon (intestino grosso);

As substâncias simples da nossa alimentação, como a água, os sais minerais e as vitaminas (exceto a vitamina B12), são absorvidas ao longo do tubo digestivo sem sofrerem transformações. No entanto, as macromoléculas, como proteínas, gorduras e hidratos de carbono, têm de ser transformadas em moléculas pequenas e menos complexas para serem absorvidas, assim:

  • Proteínas são desdobradas em polipéptidos, péptidos e aminoácidos;
  • Hidratos de carbono são transformados em açúcares simples (monossacarídeos) como a glicose, a frutose e a galactose, entre outros;
  • Gorduras são parcialmente separadas em ácidos gordos e glicerinas.

Quanto tempo demora a digestão?

O tempo de digestão difere de pessoa para pessoa e entre os sexos. Após comermos, os alimentos demoram cerca de seis a oito horas até passarem do estômago para o intestino delgado.

De seguida, passam ao intestino grosso (cólon), dando-se a absorção de água e finalmente o excedente é eliminado nas fezes.

Local do sistema digestivoFunção primáriaTempo que ficam os alimentos a digerir
BocaDigestão mecânica e química1 minuto
EsófagoTransportar os alimentos depois de deglutidos3 segundos
EstômagoDigestão mecânica e química2 a 4 horas
Intestino delgadoDigestão mecânica e química3 a 5 horas
Intestino grossoAbsorção de água> 10 horas

Em geral os alimentos demoram cerca de 24 a 72 horas desde o momento em que são mastigados até serem eliminados nas fezes os resíduos que o nosso organismo não conseguiu utilizar.

Se estiver mais de 72 horas sem defecar isso é um sintoma de obstipação que pode ser perigoso!

Leia também: Estes são os perigos da obstipação, toda a verdade!

Má digestão ou dispépsia

Os sintomas de má digestão ou dispepsia são muitas vezes recorrentes e normalmente dividem-se em dois grupos:

  • Sensação de dor, ardor ou desconforto na região do estômago ou parte superior do abdómen;
  • Dificuldade em digerir os alimentos, seja por uma saciedade precoce ou por sensação de enfartamento após as refeições.

De acordo com a Sociedade Portuguesa de Gastrenterologia, a dispepsia é mais frequente nos países com um estilo de vida ocidentalizado, afetando cerca de 20 a 40% da população.

Leia também: Gases arrotos barriga inchada e perigos ocultos, toda a verdade!

Causas

A dispepsia ou indigestão é muito comum e afeta pessoas de todas as idades e de ambos os sexos. No entanto, existem hábitos e condições de saúde que fazem aumentar os riscos, tais como:

  • Comer em excesso e demasiado depressa, sobretudo alimentos ricos em gordura;
  • Consumir bebidas alcoólicas em excesso;
  • Ser fumador;
  • Consumir fármacos que irritem o estômago como a aspirina e anti-inflamatórios não esteroides como o ibuprofeno ou diclofenac;
  • Ter uma úlcera ou qualquer outra doença do sistema digestivo;
  • Estar sujeito a stress emocional, ansiedade ou depressão.

Prevenção

Diagnóstico

Existem diversos exames de diagnóstico que podem despistar a dispepsia. Uma vez que os sintomas são idênticos para as formas orgânicas e funcionais desta doença, a endoscopia digestiva alta é o exame mais importante para a obtenção de um diagnóstico.

Consiste na observação direta do revestimento interno do esófago, estômago e duodeno. Complementarmente deve realizar-se uma pesquisa pela infeção por Helicobacter pylori através de uma biópsia.

As análises sanguíneas e a ecografia abdominal são outro instrumento de diagnóstico, de modo a avaliar a saúde dos órgãos anexos ao estômago, como o pâncreas, fígado, vesícula e vias biliares.

Estômago qual a anatomia?

O estômago é um órgão do sistema digestivo, localizado abaixo do diafragma, acima do pâncreas, entre o esôfago e o duodeno. No estômago, os alimentos são pré-digeridos e esterilizados, seguindo para o intestino, onde são absorvidos.

Em humanos, o estômago tem um volume de cerca de 50 ml (mililitros) quando vazio. Depois de uma refeição, geralmente expande-se para suportar cerca de 1 litro de comida, mas pode expandir-se até 4 litros.

O estômago apresenta duas comunicações:

  • Uma superior chamada cárdia, que o comunica ao esôfago
  • Outra inferior, chamada piloro, que o comunica ao intestino delgado.

O estômago tem duas classificações, cirúrgica e anatómica.

Na classificação cirúrgica é subdividido em:

  • Cárdia,
  • Fundo,
  • Corpo,
  • Antro,
  • Piloro,
  • Curvatura menor,
  • Curvatura maior,
  • Face anterior,
  • Face posterior.

Na sua classificação anatómica o estômago é dividido em:

  • Porção vertical chamada trituradora,
  • Porção horizontal chamada evacuadora.

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Função

O estômago tem uma função essencial na digestão dos alimentos. No seu interior situam-se as glândulas gástricas que produzem o suco gástrico.  As células da parede do estômago estão protegidas contra a forte acidez do suco gástrico, porque produzem e libertam um muco que forma uma espessa camada protetora.

No estômago, o suco gástrico é misturado com os alimentos a digerir, através dos movimentos peristálticos, e o bolo alimentar é transformado em quimo. O suco gástrico é muito rico em enzimas digestivas com particular destaque para a pepsina que é responsável pela digestão das proteínas. Assim é aqui que se inicia o processo de digestão das proteínas considerado um dos mais importantes mecanismos para o bom funcionamento do nosso corpo.

Proteção contra bactérias, vírus e fungos

A forte acidez do estômago também serve de barreira protetora contra a entrada de microrganismos patogénicos como vírus, bactérias, fungos e parasitas pois dificilmente algum consegue escapar com vida até ao intestino!

O adjetivo gástrico refere-se ao estômago. Assim, a retirada cirúrgica do estômago ou parte dele chama-se gastrectomia. A colocação de tubos no estômago através do abdômen chama-se gastrostomia. A modificação do estômago chama-se gastroplastia.

Helicobacter pylori

Apesar dos ácidos presentes no estômago nos manterem protegidos contra os principais agentes infeciosos, existem muitos estudos que apontam para que a bactéria Helicobacter pylori seja responsável pela maioria dos casos de gastrite crónica, úlceras gástricas e cancro do estômago (nos casos de adenocarcinoma e linfoma MALT – tipo específico de linfoma da mucosa do estômago).

Mesmo estando a tomar os IBPs os doentes podem ter azia ocasional. Os antiácidos de ação imediata usados para neutralizar o ácido no esófago podem oferecer alívio. No entanto deve estar ciente que esse alívio momentâneo não significa que esteja a melhorar a lesão pois uma das causas desta lesão é exatamente uma menor acidez do que seria desejável e que permite a proliferação bacteriana da Helicobacter pylori (H. pylori).

Azia ou Pirose e refluxo

A azia ou pirose manifesta-se por uma sensação de ardor na parte posterior do esterno e que se estende desde a parte superior do estômago até à boca podendo haver refluxo ou regurgitação com sabor ácido ou amargo.

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Sintomas mais comuns

A azia manifesta-se das seguintes formas:

  • Ardor incómodo na linha média da parte superior do estômago (epigastro) e que se pode estender para a parte posterior do esterno.
  • O ardor pode sentir-se apenas na parte do esterno mas pode também sentir-se na garganta, provocando um sabor amargo na boca.
  • Pode haver dor.

Causas da Azia

Os sintomas da azia são causados pelos conteúdos do refluxo esofágico, de natureza ácida, no esófago, que irritam a superfície sensível da mucosa. Trata-se de um problema de saúde que não causa transtorno em pessoas saudáveis, salvo se a sua frequência e intensidade aumentar. Poderá, no entanto, em alguns casos, ser sinal de problemas de saúde mais sérios.

Uma das causas mais comuns da irritação esofágica é a própria doença de refluxo esofágico devida a deficiências do esfíncter esofágico inferior. Também a hérnia do hiato pode provo­car acidez resultado de parte do estômago escapar pelo diafragma, embora não se manifestem sintomas em todos os doentes.

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Medicamentos que podem provocar azia

Alguns medicamentos podem provocar irritação gastro esofágica, a saber:

  • Ácido acetil salicílico (AAS) – Ex. Aspirina®
  • Anti-inflamatórios não esteroides (AINE), tais como, Brufen® (ibuprofeno), Voltaren® (diclofenac), Nimed® (nimesulide), Naprosyn® (naproxeno). Profenid® (cetoprofeno), piroxicam,
  • Diazepam (Valium®)
  • Alprazolam (Xanax®)
  • Contraceptivos orais
  • Alendronato, utilizado na osteoporose
  • Corticoides, utilizados no combate à inflamação
  • Antagonistas do canais de cálcio, utilizados em algumas doenças cardiovasculares
  • Inibidores selectivos da recaptação da serotonina, utilizados como antidepressivos
  • Clopidogrel, utilizado para evitar a formação de coágulos em doentes de risco ou com doença cardiovascular
  • Digoxina, utilizada como cardiotónico no tratamento da insuficiência cardiaca e taquicardia
  • Teofilina, utilizada como broncodilatador
  • Eritromicina é um antibiótico
  • Tetraciclinas é uma classe de antibióticos
  • Suplementos de ferro, utilizados, por exemplo, no tratamento de muitas anemia
  • Potássio

Anti-inflamatórios menos agressivos

Praticamente todos os anti-inflamatórios não esteroides (AINE) clássicos referem como reações adversas pro­blemas de irritação gástrica que podem manifestar-se também quando a administração é parenteral ou retal. O ibuprofeno (Brufen®) e o diclofenac (Voltaren®) parecem ter menor risco de toxicidade gástrica, situando-se numa posição intermédia o naproxeno e o AAS e, com maior risco o piroxicam, o cetoprofeno, entre outros.

Anti-inflamatórios de última geração

Existe uma classe de anti-inflamatórios mais recente, Os anti-inflamatórios não esteroides inibidores seletivos da ciclo-oxigenase-2 (Coxibes) são fármacos utilizados no tratamento da dor e inflamação crónica, principalmente em patologias de origem musculoesquelética, como:

    • Artrite reumatoide,
    • Osteoartrose,
    • Espondilite anquilosante.

Os Coxibes mais prescritos são os seguintes:

  • Celecoxib (Celebrex®, Solexa®))
  • Etoricoxib (Arcoxia®, Exxiv®)

Os Coxibes têm como objetivo a inibição seletiva de uma das isoformas da enzima ciclo-oxigenase, a COX-2, que regula a produção dos principais prostanóides envolvidos no processo inflamatório, na dor e na febre. Existe evidência clínicas de que os Coxibes podem também atuar na prevenção de cancros e na doença de Alzheimer, devido à indução da COX-2 em diversos tecidos.

Os Coxibes possuem eficácia terapêutica semelhante aos anti-inflamatórios não esteróides clássicos, no entanto, demonstram uma diminuição significativa dos efeitos adversos gastrointestinais, característicos dessa classe. Contudo, só após a sua comercialização foi possível observar o aumento do risco cardiovascular associado ao tratamento com Coxibes. A análise do estudo VIGOR levantou as primeiras dúvidas, mas foram os resultados do estudo APPROVe que desencadearam a retirada voluntária do Vioxx® em setembro de 2004, seguindo-se a retirada de mais dois fármacos desta classe.

A publicação de diversos ensaios clínicos evidenciam o aumento generalizado do risco cardiovascular, que inclui aumento do risco de enfarte do miocárdio, acidente vascular cerebral, insuficiência cardíaca e hipertensão arterial, sendo que estes efeitos adversos agravam-se em doentes com antecedentes de risco cardiovascular.

Na sequência destes resultados, as entidades internacionais, FDA e EMA, emitiram advertências de utilização dos Coxibes, devendo estes ser prescritos na menor dose eficaz, durante o mais curto intervalo de tempo, a fim de evitar o riso associado ao tratamento prolongado. Torna-se assim premente a avaliação dos benefícios gastrointestinais e dos riscos cardiovasculares dos Coxibes, de modo a aferir a segurança da sua utilização

Ansiolíticos contracetivos e alendronato

Os ansiolíticos diazepam (Valium®) e alprazolam (Xanax®), os contracetivos orais (pílula contracetiva) e o alendronato, utilizado para tratar a osteoporose, podem provocar o relaxamento do esfíncter do esófago facilitando o refluxo do ácido do estômago para o esófago e provocar irritação da mucosa do esófago.

Entre alguns outros medicamentos que se relacionam com a toxicidade gástrica podemos referir os seguintes dos quais refiro entre parêntesis a utilização terapêutica:

    • Corticoides (inflamação e alergias);
    • Antagonistas dos canais de cálcio (hipertensão);
    • Inibidores seletivos da recaptação da serotonina (antidepressivos);
    • Clopidogrel (anticoagulante);
    • Suplementos de ferro (anemia);
    • Digoxina (insuficiência cardíaca);
    • Teofilina (asma);
    • Eritromicina (infeções);
    • Tetraciclinas (infeções);
    • Potássio (acne, prisão de ventre, cãibras, fraqueza muscular).

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Idade e aparecimento de azia

Os sintomas de refluxo esofágico ocorrem mais frequentemente em doentes de idade superior a 55 anos. A azia não ocorre normalmente em crianças, embora possa ocorrer em adultos jovens e particularmente em grávidas.

Azia na gravidez

Estes são alguns dos sintomas típicos durante a gravidez :

  • Dor por trás da costelas e ruídos estomacais
  • Estômago pesado, dilatado e desconfortável depois de comer
  • Cãibras estomacais, arrotos e libertação de gases (flatulência)
  • Sensação de ardor no peito ou na garganta depois de comer
  • Sensação de mal-estar a acumulação de gases
  • Fluido quente, ácido ou salgado, no fundo da garganta e dificuldade em engolir.

Sintomas de azia na gravidez

Muitas mulheres sofrem pela primeira vez de azia durante a gravidez. Na verdade, entre 40% a 80% das mulheres grávidas sofrem de azia. E não é difícil perceber porquê – o seu corpo está a sofrer muitas alterações hormonais e físicas.

Durante a gravidez, o seu corpo produz uma hormona, a progesterona, que torna a digestão mais lenta e relaxa a válvula muscular entre o esófago e o estômago, aumentando o risco de refluxo ácido. Em resultado, existe um maior risco de passagem dos ácidos estomacais para o esófago, provocando uma sensação de ardor no peito e na garganta. À medida que o feto cresce, a pressão no estômago aumenta, forçando a entrada dos ácidos estomacais no esófago e causando refluxo gastroesofágico.

Estes sintomas têm mais tendência a ocorrer depois das refeições e quando a mulher se dobra ou deita, mas depois do parto a pressão no estômago desaparece, tal como os sintomas associados.

Grávida com azia como tratar?

Os comprimidos mastigáveis ou pastilhas que associam carbonato de cálcio 680 mg e carbonato de magnésio 80 mg (Ex. Rennie®), são adequadas para o alívio dos sintomas relacionados com a produção de ácidos gástricos durante a gravidez e a amamentação, uma vez que os seus ingredientes (cálcio e magnésio) existem naturalmente no organismo e nos alimentos, desde que sejam cumpridas as indicações de toma e evitada a ingestão prolongada de dosagens elevadas.

A dose habitual é 1 ou 2 pastilhas, até 3 vezes ao dia (de preferência 1 hora após as refeições e antes de deitar). No caso de azia ou dor de estômago mais intensa, pode aumentar a dose até ao máximo 8 vezes por dia.

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Fatores que agravam a azia

Os fatores que agravam a doença podem ajudar a avaliar o pro­blema. Na azia pode haver agravamento com:

    • Aumento de peso,
    • Quando o do­ente está na posição horizontal,
    • Quando o doente faz uma refeição abundante.

Alimentos que agravam a azia

Identificar os alimentos que possam provocar a acidez é de extrema importância para melhorar os sintomas, a saber:

  • Café ou bebi­das com cafeína,
  • Bebidas alcoólicas,
  • Refrigerantes com gás,
  • Comidas muito gordu­rosas
  • Comidas temperadas,
  • Chocolate,
  • Menta,
  • Citrinos,
  • Derivados do tomate.

Sinais de alarme para apoio médico urgente

    • Idade inferior a 6 anos
    • Idade superior a 75 anos
    • Sintomas presentes durante mais de 3 meses num ano
    • Sangue nas fezes
    • Perda de mais de 10% da massa corporal
    • Icterícia
    • Náuseas e vómitos persistentes
    • História prévia de ulcera péptica
    • Causa psicológica ou psiquiátrica ( Ex: ansiedade)
    • História familiar de cancro gastroesofágico
    • Cirurgia prévia a cancro gástrico
    • Consumo crónico de álcool
    • Tabagismo
    • Por vezes a dor surge repentinamente ou de modo muito severo podendo irradiar para as costas e braços. Nesta situação a dor pode mimetizar um enfarte o que exige um urgente encaminhamento médico. Alguns doentes que pensam estar a ter um problema de azia/acidez podem estar a ter, na verdade, um ataque cardíaco.
    • Pode haver dificuldade de deglutição e por vezes há regurgitação devido a obs­trução do esófago o que pode pressupor um cancro.
    • Crianças com sintomas de azia
    • O au­mento da frequência e da intensidade
    • Ineficácia após 7 dias de tratamento

Tratar a azia mas como?

Existem diversas medidas e atitudes que podem ajudar a evitar ou melhorar os sintomas de azia, a saber:

  • Evitar o excesso de peso.
  • Evitar comidas abundantes.
  • Comer em pequenas quantidades.
  • Coma com tempo e mastigue os alimentos devagar.
  • Sente-se direito quando comer e não coma no sofá.
  • Não coma tarde, nem “à pressa”.
  • Tentar comer 2 a 3 horas antes de se deitar.
  • Identificar e evitar os alimentos que possam provocar a acidez, tais como o café ou bebi­das com cafeína, bebidas alcoólicas, refrigerantes com gás, comidas muito gordu­rosas ou temperadas, chocolate e menta, citrinos e derivados do tomate.
  • Não fumar ou pelo menos reduzir a frequência.
  • Evitar roupa ajustada ou cintos apertados.
  • Evitar exercício intenso, se este piorar a azia.
  • Se tem tendência a sintomas noturnos, deverá erguer-se ligeiramente com a ajuda de algumas almofadas

Medicamentos para tratar azia

Existem diversas classes de medicamentos que podem ser utilizados para tratar os sintomas e efeitos prejudiciais da azia e refluxo do ácido gástrico. As principais são as seguintes:

  • Alginatos (ex: alginato de sódio);
  • Antiácidos clássicos (ex: bicarbonato de sódio, carbonato de cálcio, hidróxido de alumínio, hidróxido de magnésio fosfato de alumínio, Magaldrato);
  • Inibidores da bomba de protões (ex: Omeprazol, lansoprazol, pantoprazol e esomeprazol).

Alginatos em associação com antiácidos

  • Alginato de sódio 250 mg + bicarbonato de sódio 133,5 mg + carbonato de cálcio 80 mg, comprimidos mastigáveis, 2 a 4 comprimidos até 4Xdia (Gaviscon®)
  • Alginato de sódio 500 mg + bicarbonato de sódio 267 mg + carbonato de cálcio 160 mg/10 mg, saquetas, 1 a 2 saquetas 4x/dia (Gaviscon Duefet®)

Alívio rápido dos sintomas

Como atuam estas associações de alginatos com antiácidos?

Estas associações funcionam de duas maneiras para aliviar de forma eficaz os sintomas de azia e indigestão:

1) O alginato de sódio começa por formar uma camada espessa no topo dos conteúdos do estômago, assim que entra em contacto com os ácidos do estômago. Esta camada funciona como uma forte barreira física e ajuda a manter os conteúdos do estômago no interior do estômago, onde pertencem, e não no esófago, onde são prejudiciais.

2) A associação de antiácidos (carbonato de cálcio com bicarbonato de sódio) neutraliza o ácido gástrico, proporcionando alívio rápido da indigestão e da azia.

Vídeos demonstrativos:

Azia video melhorsaude.org melhor blog de saúde

Antiácidos

  • Carbonato de dihidróxido de alumínio e sódio 340 mg, pastilhas, 1-2 comp. 4xdia. (Kompensan®)
  • Hidróxido de alumínio 240 mg, comprimidos mastigáveis, 1-4 comp. 4Xdia.
  • Carbonato de cálcio 680 mg, carbonato de magnésio 80 mg, comprimidos mastigáveis, 1-2 comp. até máx. 8Xdia (Rennie®)
  • Hidróxido de alumínio 200 mg, hidróxido de magnésio 200 mg, dimeticone 26,25 mg, comprimidos mastigáveis, 2-4 comp. 4Xdia.
  • Fosfato de alumínio, 12,38 g de gel de fosfato de alumínio a 20%, saquetas, 1-2 saq. 3Xdia.
  • Magaldrato 800 mg, comprimidos/saquetas, 1 comp./saq. 3Xdia.
  • Hidróxido de magnésio, 83mg/ml, suspensão, 5-15mI3Xdia.
  • Bicarbonato de sódio 2081.8 mg, comprimidos efervescentes, 2 comp. até 4Xdia.

Magnésio e Alumínio

Os antiácidos compostos por sais de alumínio e de magnésio em associação podem parecer ideais, pois um componente completa o outro. O hidróxido de alumínio dissolve-se lentamente no estômago causando um alívio prolongado. Já os sais de magnésio agem rapidamente, neutralizando os ácidos com eficácia. Os fármacos que contêm ambos os componentes causam alívio rápido e prolongado.

Carbonato de cálcio

Este foi o principal antiácido durante muito tempo. Atua rapidamente, neutralizando os ácidos por um tempo significativo. Outro ponto positivo, é que esta é uma fonte económica de cálcio. No entanto corre-se o risco de sobredosagem deste mineral, uma vez que a quantidade máxima diária não deve superar 2000 mg,

Bicarbonato de sódio

Este foi utilizado durante décadas como neutralizante da acidez. É uma ótima solução, a curto prazo, para a má digestão. Contudo, seu uso exagerado pode provocar quebra do equilíbrio ácido-base do organismo, resultando em uma alcalose metabólica. Além disso a sua concentração de sódio também pode levar a problemas em indivíduos com insuficiência cardíaca e hipertensão.

Os sais de magnésio têm ainda efeito laxante, enquanto os sais de alumínio são obstipantes; sendo assim, é comum encontrar associações entre ambos os fármacos, visando minimizar estes efeitos colaterais.

Inibidores da Bomba de protões

Os inibidores da bomba de protões (IBPs) reduzem a produção de ácido pela diminuição da atividade da bomba de protões no estômago. Isso acontece porque um dos componentes vitais do ácido, o hidrogénio, já não pode ser produzido.

Os IBPs proporcionam um alívio prolongado, no entanto o início de ação demora algum tempo. Algumas pessoas continuam a ter sintomas de azia e indigestão, mesmo a tomar IBPs. No entanto, os alginatos, como Gaviscon®, podem ser tomados em simultâneo com os IBPs para ajudar a aliviar os sintomas.

São exemplos de IBPs os seguintes:

  • Omeprazol 10 e 20 mg,
  • Lansoprazol 15 e 30 mg,
  • Pantoprazol 20 e 40 mg
  • Esomeprazol 20 e 40 mg

Os inibidores da bomba de protões são geralmente tomados 1xdia, de manhã em jejum.

Leia também: Estes são os efeitos secundários graves dos IBPs como o omeprazol, toda a verdade!

Efeitos adversos e interações 

Os principais efeitos adversos e interações da terapêutica farmacológica para a azia, com antiácidos, são os seguintes:

    • Alergia
    • Obstipação
    • Redução da absorção de alguns antibióticos tais como as tetraciclinas, quinolonas (por exemplo, ciprofloxacina, ofloxacina e levofloxacina) e cefalosporinas. Estas reduções de absorção podem atingir os 90% e são devidas à formação de quelatos insolúveis entre os medicamentos e os iões de alumínio
    • A ação de glicosídeos cardíacos, como a digoxina e a levotiroxina, e o eltrombopag (Revolade®), pode ser afetada se tomar antiácidos ao mesmo tempo. É conveniente fazer um intervalo de 1-2 horas entre a toma do antiácido e a toma de outro medicamento.

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Concluindo

A azia é um sintoma comum e na maioria das vezes é transitório. As medidas não farmacológicas podem ser efetivas no tratamento da azia. Os antiácidos de ação rápida são a primeira opção. A dor provocada pela azia pode ser confundida com um ataque cardíaco mas também pode mascarar um enfarte a decorrer, pelo que deve sempre, por precaução, procurar apoio médico urgente. Nas grávidas a azia é frequente e transitória desaparecendo em regra após a gravidez. A azia deve sempre ser tratada porque se trata de ácido do estômago que escapa para o esófago e “queima” deixando lesões locais que se forem frequentes podem degenerar para doença grave!

Fique bem!

Franklim Moura Fernandes

Referências

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Segredos para viver mais de 90 anos com qualidade de vida – Estudo 90+



Envelhecimento e viver até aos 90 ou mais anos, mas como? Afinal o que nos pode fazer prolongar a vida acima dos 90 anos? Que segredos revelou o famoso estudo 90+ que acompanhou, durante várias décadas, milhares de pessoas com 90 ou mais anos de idade? Algumas descobertas confirmaram o que já esperava mas outras foram verdadeiramente surpreendentes… ninguém estava à espera disto!

Estudo 90+ o que é?

O Estudo 90+ utiliza uma base de dados de 14.000 indivíduos, que eram aposentados em 1981 e responderam a inquéritos detalhados sobre os hábitos e rotinas diárias e  que pela sua dimensão pode ser considerada um dos maiores “Tesouros estatísticos” do mundo nesta área.

Como farmacêutico há já 30 anos que, com prazer, atendo, converso e tento ajudar doentes de todas as idades na sua busca por uma melhor saúde e qualidade de vida, no que concerne aos idosos com 90 ou mais anos, questiono-me sempre sobre a “receita de vida” para tal longevidade, nomeadamente:

  • Quais os seus segredos?
  • Que tipo de vida foi a sua?
  • Fizeram muitas “asneiras” ou foram regrados?
  • Bebiam ou não “um copo” de vinho?
  • O café era um hábito ou nem por isso?
  • Fumavam?
  • O peso como evoluiu?
  • Os suplementos vitamínicos têm importância?
  • Qual a importância do exercício físico?
  • E a memória…como resiste?

Leia também: Estes são os 5 segredos para retardar o envelhecimento… descobertas recentes!

Algumas descobertas deste estudo são verdadeiramente surpreendentes!

As cinco grandes mentiras sobre saúde
As cinco grandes mentiras sobre saúde  – saiba mais:  https://melhorsaude.org/2025/04/21/as-cinco-grandes-mentiras-sobre-saude/

O mais idoso dos idosos 

O Estudo 90+ foi iniciado em 2003, para estudar os idosos mais velhos, a faixa etária que mais cresce nos Estados Unidos. O Estudo 90 + é um dos maiores estudos do mundo sobre os idosos mais velhos. Mais de 1.600 pessoas foram inscritas. Como pouco se sabe sobre as pessoas que alcançam este marco, o aumento notável no número de idosos mais velhos representa um desafio de saúde pública para promover a qualidade, bem como a “quantidade” de vida.

Quem participou no estudo 90 + ?

Todos os participantes do estudo 90 + foram membros da Leisure World Cohort Study (LWCS), que foi iniciado em 1981. O LWCS enviou inquéritos a todos os residentes do Leisure World ( “O Mundo do ócio” ), uma grande comunidade de aposentados em Orange County, Califórnia (agora incorporado na cidade de Laguna Woods). Usando os 14.000 indivíduos do LWCS, os investigadores do estudo 90 + decidiram fazer uma importante pergunta: O que permite ás pessoas viver até aos 90 ou mais anos?

Quem estudou o mais idoso dos idosos? 

Os participantes do estudo 90 + são visitados a cada 6 meses por investigadores neuropsicológicos e neurológicos. Estes investigadores da Clínica de Pesquisas sobre o Envelhecimento e Educação (CARE), localizado em Laguna Woods, obtêm informações sobre a dieta, atividades, historial clinico, medicamentos e inúmeros outros fatores. Além disso, os participantes recebem uma série de testes cognitivos e físicos, com a finalidade de determinar até que ponto as pessoas nessa faixa etária estão a “funcionar” bem.

Objetivos do estudo

Os objetivos do estudo 90+ foram muito relevantes, a saber:

  • Quais os fatores associados à longevidade?
  • Qual a epidemiologia da demência nos idosos mais velhos?
  • Quais os níveis de declínio cognitivo e funcional nos idosos mais velhos?
  • Quais as relações clínico patológicas nos idosos mais velhos?
  • Quais os fatores de risco modificáveis para a mortalidade e demência?

Determinar os fatores associados à Longevidade:

  • O que faz as pessoas viver até aos 90 anos ou mais anos?
  • Que tipos de alimentos, atividades e estilos de vida estão associados a uma vida mais longa?

Epidemiologia da demência nos idosos mais velhos:

  • Quantas pessoas com 90 anos ou mais têm demência?
  • Quantos se tornaram dementes a cada ano?
  • Como se pode manter livre da demência aos 90 anos?

Níveis de declínio cognitivo e funcional nos  idosos mais velhos:

  • Como é que a perda de memória e incapacidade afeta os que têm 90 anos?
  • Como é que as pessoas podem evitar a perda de memória e incapacidade nessa idade?

Correlações clínico patológicas nos idosos mais velhos:

  • Será que os cérebros das pessoas com 90 anos mostram evidências de perda de memória e demência?
  • Será que as pessoas com demência têm diferenças nos seus cérebros que podem ser detetadas e tratadas?

Determinar fatores de risco modificáveis para a mortalidade e demência:

  • Que tipo de coisas podem as pessoas mudar nas suas vidas para viver mais tempo?
  • Será que as pessoas podem mudar o seu risco de demência através da dieta, exercício ou suplementos?

Leia também: Estes são os 5 segredos para retardar o envelhecimento… descobertas recentes!

Descobertas surpreendentes!

Os investigadores do Estudo 90 + têm publicado vários artigos científicos em revistas de referência. Algumas das principais descobertas eram espectáveis mas outras são surpreendentes:

  • Pessoas que bebem quantidades moderadas de álcool ( 1 copo ao almoço e jantar ) ou café ( até 3 por dia ) viveram mais do que aqueles que se abstiveram.
  • Pessoas que estavam com excesso de peso ( mas não obesos ) aos 70 anos viveram mais tempo do que as pessoas com peso normal ou abaixo do peso normal.
  • Mais de 40% das pessoas com 90 ou mais anos sofrem de demência, enquanto quase 80% estão incapacitados. Ambos são mais comuns nas mulheres do que nos homens.
  • Cerca de metade das pessoas com demência e mais de 90 anos não tem neuropatologia suficiente no seu cérebro para explicar a perda cognitiva.
  • Pessoas com 90 ou mais anos e que tenham um gene APOE2 têm menos probabilidade de ter a demência associada à doença de Alzheimer clínica, mas têm muito mais probabilidade de ter a neuropatologia de Alzheimer nos seus cérebros.
  • Exercício físico não intenso durante 15 a 45 minutos por dia aumenta a longevidade ( 45 minutos é ideal ).
  • Convívio social e jogos de tabuleiro diminuem o risco de demência.
  • Tensão arterial elevada nos idosos diminui o risco de demência.
  • Fumar diminui sempre a longevidade.
  • Nenhuma vitamina demostrou aumentar a longevidade.

Leia também: 40 alimentos anticancerígenos cientificamente comprovados que são anti-angiogénicos.

Conclusão

De facto algumas descobertas são no mínimo surpreendentes! Com exceção do tabaco, os mais velhos parecem dever a sua longevidade a uma vida de prazeres diversos, onde um copo de vinho ás refeições, café e alimentação diversificada, sem dietas, são presença constante.

Acrescenta-se aos “segredos da longevidade” o estímulo do convívio diário, prazer pela conversa e exercício físico moderado. Termino partilhando o único padrão empírico que consigo identificar nos meus anos de convívio com esta faixa de idosos… são no geral felizes, tolerantes, de bem com a vida e sorriem acima da média…

Leia também: Estes são os 5 segredos para retardar o envelhecimento… descobertas recentes!

Referências

Investigadores Principais:

  • Claudia Kawas, MD
  • Maria Corrada, ScD

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Bronzear sem queimar a pele e reconhecer sinais perigosos

Bronzear sem queimar a pele é mais fácil do que se pensa desde que se saiba toda a verdade sobre o bronzeado! Antes de mais convém saber algumas coisas importantes sobre a exposição solar, quais os seu benefícios, malefícios, tipo de pele, qual o protetor mais adequado e qual o tempo que a sua pele aguenta, sem proteção, até fazer uma queimadura. Aprender a reconhecer os sinais perigosos da pele é também uma das rotinas mais importantes para evitar progressão para lesões malignas complicadas de tratar.

Neste artigo vou tratar os seguintes temas:

  • Benefícios do sol
  • Perigos do sol
  • Eritema e tempo de queimadura
  • Quanto tempo demora a aparecer uma queimadura solar
  • Quanto demora a desaparecer uma queimadura solar
  • Olhos ao sol quais os problemas
  • Olhos como proteger bem do sol
  • Pele como proteger
  • Protetor solar qual o melhor?
  • Protetor solar como aplicar eficazmente?
  • Bronzeado como se forma?
  • Bronzear sem queimar
  • Fototipo de pele como saber qual o seu?
  • Índice UV o que é?
  • Medidas de proteção solar

Leia também: Onda de calor pode matar muitas pessoas!

As cinco grandes mentiras sobre saúde
As cinco grandes mentiras sobre saúde

Leia a introdução do livro aqui: As cinco grandes mentiras sobre saúde

Bronzear sem queimar e benefícios do sol

No início do século XX descobriu-se que a exposição à luz solar era um preventivo do raquitismo e mesmo a sua possível cura porque pequenas quantidades de UV são benéficas e essenciais na produção da vitamina D3. Além disso parece claro também que em muitas pessoas existe um benefício psicológico que se expressa num aumento do otimismo e do humor em dias com mais exposição à luz solar.

Perigos do sol

A exposição humana à radiação solar poderá ter efeitos graves sobre a saúde, nomeadamente:

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Eritema e tempo de queimadura

O tempo de formação para o eritema (queimadura solar) é o tempo máximo de exposição ao sol com a pele desprotegida e sem que se tenha dado o eritema. O tempo de formação para o eritema pode ser calculado, para cada tipo de pele, a partir do Índice UV e o valor de 1MED para cada tipo de pele.

Escaldão quanto tempo demora?

O “vermelhão” (mais frequentemente conhecido como “escaldão”), resultante da exposição ao sol, torna-se visível após algumas horas, ocorrendo o eritema nas 3 a 5 horas após a exposição à radiação ultravioleta, alcançando um máximo entre 8 a 24 horas e desvanecendo ao longo de 3 dias.

A vasodilatação dos capilares das áreas expostas inicia-se antes do eritema se tornar visível e isto ocorre da mesma forma para as crianças, jovens, adultos e idosos. Alterações benignas dos melanocitos podem também ocorrer como resultantes de uma sobre-exposição ao UV durante a infância ou a adolescência.

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Olhos ao sol, que problemas origina?

Ao contrário da pele humana que parcialmente se adapta à radiação UV (espessura e bronzeado), o olho humano não possui quaisquer mecanismos de adaptação. Como doenças dos olhos, a nível externo, temos principalmente:

  • Fotoqueratite
  • Fotocunjuntivite

Podem ocorrer entre 30 minutos e 24 horas após uma exposição prolongada a uma radiação solar intensa, muitas vezes em ambientes altamente refletores, de que é exemplo o caso da “cegueira da neve”. Outros problemas que podem ocorrer nos olhos devido a excesso de exposição solar são:

  • Pterigium que é uma doença degenerativa que afeta a parte externa dos olhos.
  • Catarata humana relativa à qual estudos diversos indicam ser a radiação UV um fator de risco no desenvolvimento levando ao aumento da opacidade da lente do olho.
  • Supressão do sistema imunológico pelo facto da radiação UV induzir e favorecer a progressão de infeções originadas por vírus, bactérias e fungos.

Olhos como proteger bem do sol?

Os olhos deverão ser protegidos por óculos de sol com as seguintes características:

  • Conter filtros UVA e UVB.
  • Indicar a categoria de proteção das lentes para a luz visível e ultravioleta, e acordo com a diretiva C. E. 89/686/CEE.
  • Para uso geral recomenda-se a categoria 3,
  • Para atividades de alto risco como o montanhismo ou os desportos náuticos se recomenda a categoria 4.
  • Proteções laterais nos óculos devido à exposição lateral.

A proteção lateral é especialmente importante para as crianças pois a transmitância da radiação UV através dos olhos é mais elevada para criança do que para o adulto – a retina da criança é menos protegida.

Pele como proteger eficazmente?

Para bronzear sem queimar a melhor proteção para a pele é o uso de roupa (camisola, calças, chapéu) adequada. A roupa transparente à radiação UV deverá existir no mercado devidamente identificada como tal. As zonas da pele não cobertas por roupa deverão ser protegidas com um protetor solar contendo filtros de UVA e UVB. Durante as primeiras exposições ao sol recomenda-se o uso de um Fator de Proteção Solar (FPS ou SPF) de pelo menos 30.

Protetor solar qual a aplicação correta?

Deverão existir cuidados especiais com bebés e crianças. É importante notar que o efeito do protetor solar depende não somente da sua qualidade mas também da sua correta aplicação.

O protetor solar deverá ser aplicado de acordo com as instruções do fabricante. Um protetor solar com FPS de pelo menos 15 deverá ser generosamente aplicado de 2 em 2 horas para ter efeito protetor. Deverá também ser aplicado antes da exposição ao sol bem como após o banho de mar ou piscina. Se os protetores solares forem corretamente usados eles poderão constituir uma proteção para o eritema, cancro e fotoenvelhecimento.

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Bronzeado como se forma?

Diferente do eritema é o bronzeado, quando a pele é exposta à radiação ultravioleta podem distinguir-se duas reações ao bronzeado:

  • Uma diz respeito à absorção imediata da radiação UV pela melanina presente na pele, e que lhe confere um tom escuro que desvanece poucas horas após o fim da exposição,
  • Outra refere-se ao escurecimento da pele que requer cerca de 3 dias a desenvolver. Trata-se de um bronzeado mais persistente e resulta numa intensificação da produção de pigmentação.

No primeiro caso a radiação mais efetiva é a radiação UVA, neste ultimo é a UVB. Um outro efeito da exposição ao UVB é o aumento da espessura da epiderme a qual irá contribuir para a atenuação da radiação UV que penetra nas camadas mais profundos da pele. Uma exposição moderada à radiação UVB mantém a capacidade da pele tolerar novas exposições.

Bronzear sem queimar

A verdade é que a capacidade de ficar bronzeada depende do tipo de pele e não é necessário expor-se ao sol das 11 ás 16 horas ou seja nas horas de maior calor e índice UV mais elevado porque apenas vai aumentar o risco de queimadura e danos oculares e não vai bronzear de forma saudável e duradoura!

Bronzeado e tipo de pele

O bronzeado depende essencialmente do tipo de pele ou seja a pele tipo III e IV bronzeia sempre, a pele tipo II só ás vezes e a pele tipo I nunca bronzeia por mais exposição solar que tenha!

Bronzear sem queimar para ruivas e loiras

Por exemplo uma ruiva nunca bronzeia e uma loira só ás vezes! As morenas… essas bronzeiam sempre… sortudas 🙂

Apresentamos de seguida uma tabela para que possa saber qual o seu tipo de pele.

Fototipo de pele qual o seu?

BRONZEIA QUEIMA CABELO COR OLHOS
I Nunca Queima Ruivo Azul
II Às vezes Às vezes Loiro Azul/Verde
III Sempre Raramente Castanho Cinza/Castanho
IV Sempre Raramente Preto Castanho

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Índice UV o que é?

A necessidade de fazer chegar ao público em geral informação sobre a radiação UV e sobre os seus possíveis efeitos nocivos, levou a comunidade científica a definir um parâmetro que pudesse ser usado como um indicador para as exposições a esta radiação. Este parâmetro chama-se Índice UV (IUV). Assim, o IUV é uma medida dos níveis da radiação solar ultravioleta que efetivamente contribui para a formação de uma queimadura na pele humana (eritema), sendo que a sua formação depende dos tipos de pele (I, II, III, IV) e do tempo máximo de exposição solar com a pele desprotegida.

IUV como varia?

O Índice UV exprime-se numericamente como o resultado da multiplicação do valor médio no tempo da irradiância efetiva (W/m2) por 40. Exemplo: Uma irradiância efetiva de 0.2 W/m2 corresponde a um valor do UVI de 8.0.

O Índice UV varia entre:

  • menor que 2, Baixo,
  • 3 a 5, Moderado,
  • 6 a 7, Alto,
  • 8 a 9, Muito Alto,
  • superior a 11 Extremo.

Os valores médios do UV para a latitude de Portugal, enquadram-se para o período compreendido entre os meses de Outubro e Abril entre 3 e 6, o que significa Moderado com possibilidade de Alto em alguns momentos deste período e entre 9 e 10 para o período compreendido entre Maio e Setembro, o que corresponde a Muito Alto.

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Guia de medidas de proteção solar

Consulte o nosso guia para aplicação das medidas de proteção para diferentes valores do Índice UV e para uma pele de tipo sensível (pele tipo I e bebés) e para uma pele tipo III, mais tolerante. Este guia é apenas um exemplo de uma forma simples de como o público pode ser sensibilizado e informado.

MEDIDAS DE PROTECÇÃO SOLAR melhorsaude.org
Guia de medidas de protecção solar para uma pele tipo I ou bebés com elevada fotosensibilidade

MEDIDAS DE PROTECÇÃO SOLAR pele tipo 3 melhorsaude.org
Guia de medidas de proteção solar para uma pele tipo III de média fotosensibilidade

Para além do tipo de pele, possíveis reações cutâneas ou oculares podem modificar a eficiência das medidas de proteção. Tais reações de fotossensibilidade poderão ser devidas a um certo número de agentes internos ou externos. Alguns medicamentos, diversos tipos de agentes inflamatórios, produtos antimicrobianos, fragrâncias, plantas, etc., podem causar eritema mesmo para baixas doses de UV.

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Protetor solar como escolher e usar?

Os protetores solares atenuam a transmissão da radiação UV na pele. O fator de proteção solar (apresentado pelos protetores solares existentes no mercado) é determinado com base na razão entre as quantidades de radiação UV necessárias para que ocorra a queimadura solar, com protetor solar e sem protetor solar. É importante saber que este efeito de proteção não aumenta linearmente com o FPS. Por exemplo, um FPS de 10 reduz em cerca de 90% a radiação UVB, um FPS de 20 em cerca 95% e um FPS de 30 reduzirá adicionalmente apenas um pouco mais.

Tendo em atenção os danos causados pela radiação UVA recomenda-se a verificação da existência de filtros UVA no produto: por ainda não existir um método padrão para a avaliação dos filtros da radiação UVA nos protetores solares, quando o produto possui filtro para a radiação UVA, tal é referido na embalagem do produto.

Em todos os casos, o protetor solar não deverá ser usado para prolongar o tempo de exposição, mas sim limitar os danos resultantes da exposição ao sol. É esta a razão pela qual os protetores solares se aplicam em zonas não cobertas pela roupa, especialmente em áreas sensíveis como o nariz, o pescoço, os ombros, no peito dos pés, etc.. Para a escolha do protetor solar mais apropriado, existe indicação dos valores de FPS de acordo com os diferentes tipos de pele e valores do Índice UV.

FATORES DE PROTEÇÃO SOLAR RECOMENDADOS PARA DIFERENTES TIPOS DE PELE E DE ÍNDICE UV
ÍNDICE ULTRAVIOLETA TIPOS DE PELE
I II III IV
1 a 3 15 12 9 6
4 a 6 30 25 15 12
7 a 9 50 40 30 20
superior a 10 60 50 40 30

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Concluindo

A proteção solar, principalmente dos bebés, crianças e adultos com pele mais sensível é um tema que está na ordem do dia pela simples razão de que não existem dúvidas sobre o aumento do número de casos de cancros de pele.  Nunca é demais lembrar que quanto mais sol em excesso uma criança apanha mais vai aumentar a sua probabilidade de vir a desenvolver cancro de pele na idade adulta!

Mesmo sabendo que existe uma maior e melhor informação para os malefícios do excesso de exposição solar ainda há muitos pais que não protegem adequadamente os seus filhos e a prova está nas praias apinhadas de gente e em particular de crianças nas horas de exposição mais prejudiciais ou seja entre as 11 e as 16 horas!

Talvez se possa convencer alguns esses pais “menos informados” deixando claro que um bronzeado saudável e duradouro consegue-se essencialmente até ás 11horas e depois das 16 horas sendo que as horas de maior calor, entre as 11 e as 16 horas apenas aumentam o risco de queimadura solar e danos oculares!

Fique bem!

Referências:

  • IPMA, Instituto Português do Mar e da Atmosfera

Piscina 11 doenças melhorsaude.org melhor blog de saude

Doenças mais comuns no verão melhorsaude.org melhor blog de saude

Unhas fracas e micoses qual o melhor tratamento




Micose fungo na unha e unhas fracas  onicomicose ou tinha das unhas toda a verdade! Quais os sintomas? Quais as causas? Qual o melhor tratamento? Os fungos nas unhas são muito frequentes, este artigo pretende ser um contributo importante para melhorar a saúde e beleza das suas unhas.

Leia também: Micose no pé toda a verdade

Este artigo vai responder ás seguintes perguntas:

  • Micose e fungo na unha onicomicose ou tinha das unhas, o que é?
  • Qual a anatomia de uma unha?
  • Quais os sintomas de onicomicose?
  • Causas e perigos?
  • Celulite infeciosa e erisipela, qual o perigo?
  • Os fungos das unhas são contagiosos?
  • Como se apanham?
  • Quais os factores de risco da onicomicose?
  • Quais as formas mais comuns de onicomicose?
  • Qual a diferença entre onicomicose distal, proximal e superficial?
  • Como se faz o diagnóstico de onicomicose?
  • Existem lesões identicas causadas por outras patologias?
  • Qual o tratamento mais utilizado?
  • O tratamento local com cremes e vernizes é eficaz?
  • Quais os principais antifungicos tópicos?
  • Como funciona o tratamento por via tópica?
  • Como se previne?
  • Como evitar o contágio?



As cinco grandes mentiras sobre saúde
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Onicomicose o que é?

Onicomicose ou tinha das unhas é uma infeção fúngica das unhas. Embora possa afetar todas as unhas, é mais comum nas unhas dos pés. A onicomicose ocorre em cerca de 10% da população adulta. A doença afeta com maior frequência pessoas idosas  e é mais comum entre homens do que entre mulheres. Os casos de onicomicose correspondem a cerca de metade dos casos de doenças das unhas.

Anatomia de uma unha

Anatomia da unha fungo na unhae micose melhorsaude.org

Anatomia da unha e fungo na unha

Sintomas de onicomicose

Os sintomas habituais de onicomicose são os seguintes:

  • Descoloração branca ou amarela da unha,
  • Espessamento da unha,
  • Separação da unha da pele.

O diagnóstico é geralmente suspeitado com base na aparência e confirmado com exames de laboratório.

As lesões da unha provocadas pela onicomicose apresentam algumas variações na sua apresentação, dependendo do tipo de fungo e de gravidade da infecção. Em geral, a micose da unha costuma apresentar um ou mais dos seguintes sintomas:

  • Unha grossa, mais espessa
  • Unha amarelada, sem brilho e opaca
  • Unha quebradiça e frágil
  • Separação da unha do leito ungueal
  • Distorções na forma da unha
  • Unha com coloração negra, em casos mais graves.

Causas e fatores de risco

As infecções fúngicas das unhas são geralmente causadas por um fungo que pertence a um grupo denominado dermatófitos, que também pode causar infecções nos pelos do corpo e na pele, como no caso do pé de atleta.

Leia também: Micose no pé toda a verdade

Outro grupo de fungos que também pode causar micoses das unhas são as leveduras. Em regra, as leveduras causam onicomicose nas mãos e os dermatófitos provocam onicomicose nas unhas dos pés. A onicomicose é uma infecção fúngica que pode afectar qualquer parte da unha, incluindo a lâmina, o leito ou a raiz da unha.

Afecta actualmente cerca de 30% da população europeia. Raramente afeta crianças, principalmente devido ao rápido crescimento da unha, que complica o desenvolvimento dos fungos.

Perigos complicações da onicomicose

Em  diabéticos ou imunossuprimidos a onicomicose pode servir como porta de entrada para bactérias, favorecendo o surgimento de infecções secundárias, como erisipela ou celulite da perna que é uma infeção grave na pele.

Não confundir esta celulite infecciosa da perna com ao termo usado para descrever a celulite como problema estético na pele da maioria das mulheres!

Leia também: Celulite tratamento e toda a verdade

Celulite infeciosa da perna

A celulite é uma infecção bacteriana que enolve as camadas interiores da pele e afeta especificamente a derme e gordura subcutânea.  A área de infecção é geralmente dolorosa. Os vasos linfáticos podem, ocasionalmente, ser envolvidos e a pessoa pode apresentar febre e sensação de cansaço. Antes de fazer um diagnóstico, infecções mais graves tais uma infecção óssea na base ou a fasciíte necrosante devem ser descartadas.

Sintomas e risco de necrose e amputação

A celulite infecciosa é caracterizada por uma mancha vermelha (eritema), com bordos mal definidos, inflamada (inchada, sensível, dolorosa e quente) e que cresce difusamente. Pode formar pus, abcessos e inflamar nódulos linfáticos. A infecção sistémica, quando as bactérias entram na corrente sanguínea, pode causar febre, mal estar, cansaço e infectar outros órgãos. Em raros casos, penetra para as fáscias e causa necrose com risco de amputação da perna!

Erisipela

Em contraste com a celulite, a erisipela é uma infecção bacteriana que envolve camadas mais superficiais da pele, e apresentam uma área de vermelhidão com bordas definidas, e mais frequentemente é associada a uma febre. é uma infecção bacteriana cutânea (tipo piodermite) causada, principalmente, por Streptococcus β-hemolíticodo grupo A. Outras causas menos frequentes são Streptococos β-hemolítico dos grupos C e G e Staphylococcus aureus.

Lesões na pele como infecção fúngica (ex: onicomicose e outras micoses), picadas de inseto, mordidas e cirurgias podem servir de porta de entrada para as bactérias.

O tratamento geralmente é feito com penicilina V, em casos severos pode-se usar penicilina G. Outras alternativas incluem doxiciclina (no caso de Staphylococcus), ceftriaxona, cefazolina ou em caso de resistências usar vancomicina. Há uma crescente resistência dos Streptococcus tipo A aos macrólidos.

Tratamento da celulite infeciosa

O tratamento geralmente é com antibióticos tomados por via oral, tais como a cefalexina, amoxicilina, ou cloxacillina.

Para aqueles que apresentam alergia grave à penicilina, eritromicina ou clindamicina podem ser usadas. Quando S. aureus resistentes à meticilina (MRSA) é uma preocupação, doxiciclina ou trimetoprim/sulfametoxazol podem ser recomendados.  A preocupação está relacionada com a presença de pus ou infecções anteriores por MRSA.  Elevar a área infectada pode ser útil, assim como analgésicos.

Contágio e como se apanha

É uma doença bastante contagiosa, sendo frequente o contágio em locais humidos e quentes como piscinas e balneários públicos, através do uso de toalhas, alicates ou tesouras, mal lavadas ou contaminadas. Pode também ocorrer contágio em casa, pois basta um elemento da família estar contaminado, para contagiar facilmente o resto da família. Banheiras e tapetes de pés, são também locais propícios a contágios.

Não se apanha micose das unhas apenas por apertar a mão ou tocar em objetos manipulados por alguém infectado porque é necessário um contacto mais prolongado ou uma lesão já pré-existente entre a pele e a unha.

As unhas mais comumente afetadas são as dos pés, em consequência do uso de sapatos fechados, o que origina um ambiente ideal (humidade, temperatura e ausência de luz) para o desenvolvimento dos fungos.

O contacto com o fungo por si só não costuma ser suficiente para se adquirir a onicomicose. Geralmente é preciso haver pequenas lesões entre a unha e a pele para que o fungo consiga penetrar por baixo da unha e alojar-se. Também é necessário que a unha seja exposta frequentemente a ambientes húmidos para que o fungo possa multiplicar-se com mais facilidade.

A onicomicose nas unhas dos pés é muito mais comum do que nas unhas das mãos. Os pés costumam estar mais expostos a locais húmidos, não só quando se anda descalço em locais públicos, mas também por passar boa parte do dia fechado dentro de meias e calçados. Calor, falta de luz e humidade é tudo que um fungo deseja para proliferar. Além disso, os dedos dos pés estão no ponto do corpo mais distante do coração, não sendo tão bem vascularizados com os dedos da mão. Deste modo, os anticorpos e as células de defesa do organismo não chegam às unhas dos pés com tanta facilidade quanto a outros pontos do organismo.




Fatores de risco da onicomicose

A presença de alguns fatores favorece a infecção da unha por fungos. Por exemplo, pessoas com pé de atleta, que é uma infecção fúngica da pele dos dedos, têm um maior risco de contrair também infecção fúngica das unhas. Outros fatores de risco são:

Os atletas também são um grupo de risco para onicomicose. porque costumam estar com os pés frequentemente calçados e húmidos pela transpiração, além de terem uma maior incidência de traumas nas unhas devido ao impacto de suas atividades físicas.

Formas mais comuns de onicomicoses

Descrevo de seguida as formas mais comuns de onicomicose e uma imagem para apoiar a distinguir a diferença.

1. Onicomicose subungueal distal

É de longe a forma mais comum e caracteriza-se pela infecção da ponta da unha. O dedo grande do pé é geralmente o primeiro a ser afetado. A infecção começa com uma descoloração esbranquiçada, amarelada ou acastanhada numa das pontas laterais da unha, estendendo-se lentamente por toda unha, em direção à cutícula. A unha pode descolar-se e a ponta costuma partir-se e cair, expondo a pele que serve de leito para a unha.

2. onicomicose subungueal proximal

É a forma menos comum de onicomicose. È parecida com a onicomicose subungueal distal , porém, a progressão ocorre de forma oposta, iniciando-se próxima à cutícula e depois estendendo-se em direção à ponta da unha. Este tipo de micose de unha ocorre geralmente em doentes imunossuprimidos, sendo comum nos indivíduos com HIV.

3. Onicomicose superficial branca

É uma forma comum nas crianças, mas que nos adultos corresponde a apenas 10% dos casos de micose da unha. Caracteriza-se pelo aparecimento de manchas brancas sobre a superfície da unha, geralmente mais próxima da cutícula do que da ponta. Quando não tratada, as manchas tendem a espalhar-se centrifugamente por toda a unha, deixando-a quase toda branca, além de áspera e quebradiça.

Fungo na unha melhorsaude.org

Diagnóstico da onicomicose

Lesões idênticas com causas não fungicas

As lesões das unhas da onicomicose podem ser semelhantes ás lesões da unha de outras doenças, como psoríase, eczemas, traumas, líquen plano, deficiência de ferro, etc. A maioria dos estudos atesta que a onicomicose é responsável por apenas metade dos casos de lesões das unhas. Em várias situações não é possível afirmar que o paciente sofre de onicomicose apenas olhando e examinando a unha.

A imagem seguinte descreve alguns problemas das unhas (sem onicomicoses) cujas causas são diversas nomeadamente falta de hidratação, carências orgânicas, excesso de utilização de acetona, má alimentação e contato com produtos químicos.

É, por isso, importante demonstrar de forma clara a presença do fungo antes de se iniciar o tratamento antifúngico. Para tal, o médico deve fazer uma pequena raspagem da unha, colher amostras e enviar para avaliação laboratorial à procura de fungos.

Tratamento qual o melhor

A micose da unha é uma infecção difícil de tratar porque as unhas crescem lentamente e recebem pouca irrigação sanguínea. Durante muitos anos os medicamentos utilizados para o tratamento da onicomicose não eram muito eficazes e os resultados eram frequentemente decepcionantes. Porém, actualmente, os tratamentos melhoraram substancialmente, principalmente por causa da introdução de medicamentos antifúngicos orais mais eficazes.

Estudos recentes mostram que medicamentos por via oral como Terbinafina e Itraconazol, embora mais agressivos (mais efeitos secundários que os tratamentos tópicos) apresentam taxas de cura mais altas que a Griseofulvina e o Cetoconazol, que eram usadas antigamente.

Taxas de cura dos principais antifúngicos orais:

  • Terbinafina 250 mg (73 a 79%).
  • Itraconazol 100 mg (56 a 70%).
  • Griseofulvina (54 a 66%).
  • Fluconazol (43 a 52%).

O tratamento com Terbinafina com comprimidos por via oral deve ser feito durante 6 semanas para onicomicose das mãos ou 12 semanas para onicomicose dos pés.

O tratamento tópico da micose de unhas com vernizes, como o Ciclopirox, tem menor eficácia que o tratamento por via oral, mas pode ser usado como complemento da terapêutica com Terbinafina ou Itraconazol.

Uma vez curada a micose de unha, se o doente não tiver cuidado a taxa de reinfecção pode chegar a 50%. Portanto, é preciso ter cuidado com os pés para que a unhas não voltem a ficar colonizadas por fungos.

Efeitos secundários

Os tratamentos por via oral são os mais eficazes mas também os mais agressivos no que concerne a eventuais efeitos secundários, principalmente por causa da duração prolongada dos tratamentos.

Retida do folheto aprovado pelo INFARMED (Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de saúde) a longa lista de efeitos secundários da terbinafina que descrevo de seguida é elucidativa dos riscos associados ao tratamento, embora a maioria sejam classificados de pouco frequentes, raros ou muito raros!

Os problemas hepáticos (figado) embora raros são dos que podem causar problemas mais graves.

Efeitos secundários muito frequentes (podem afetar mais de 1 em cada 10 pessoas):

  • Sensação de enfartamento,
  • Perda de apetite,
  • Mal-estar de estômago (indigestão),
  • Náuseas, dor abdominal ligeira e diarreia,
  • Reações alérgicas cutâneas, tais como irritação ou urticária,
  • Dor nas articulações ou nos músculos.

Efeitos secundários Frequentes (podem afetar até 1 em cada 10 pessoas):

  • Dor de cabeça.

Efeitos secundários pouco frequentes (podem afetar até 1 em cada 100 pessoas):

  • Perda ou diminuição do sentido do paladar. Isto resolve-se
    geralmente dentro de várias semanas depois de ter parado de tomar o medicamento.
  • Diminuição do consumo de alimentos, levando a uma perda de
    peso significativa em casos graves muito raros.

Efeitos secundários raros (podem afetar até 1 em cada 1000 pessoas):

  • Dormência ou formigamento
  • Diminuição da sensibilidade
  • Tontura
  • Problemas de fígado.

Efeitos secundários muito raros (podem afetar até 1 em cada 10.000 pessoas):

  • Problemas de fígado graves,
  • Reações cutâneas graves (com aparecimento súbito, que
    podem ser recorrentes, que se podem espalhar, que podem aparecer sob a forma de
    bolhas salientes, que podem ser acompanhadas de comichão e febre),
  • Exacerbação da psoríase,
  • Redução de certos tipos de células sanguíneas (neutropenia, agranulocitose, trombocitopenia),
  • Perda de pelo,
  • Fadiga,
  • Reações de hipersensibilidade graves (inchaço da face, olhos e língua, dificuldade em engolir, náuseas e vómitos, fraqueza, tonturas, dificuldade em respirar) ,
  • Precipitação e exacerbação do lúpus eritematoso dérmico e
    sistémico,
  • Distúrbio menstrual (hemorragia intermenstrual e um ciclo
    irregular) em doentes que tomam terbinafina concomitantemente com contracetivos
    orais.

Tratamento tópico com cremes e vernizes

O tratamento por via tópica não é geralmente tão eficaz como o efectuado por via oral. No entanto pode ser uma alternativa quando os efeitos secundários dos antifungicos orais não são bem tolerados pelos doentes.

Principais antifúngicos tópicos

Actualmente os principais antifúngicos tópicos usados nas onicomicoses são:

  • Acido acético
  • Ciclopirox
  • Amorolfina
  • Clotrimazol (apenas depois de removida a parte da unha doente)

Tratamento por via tópica

1ª fase – Remoção da zona infectada da unha

Remover a zona infectada da unha é a 1ª fase para o tratamento da onicomicose. Esta remoção tópica é geralmente executada limando a unha ou aplicando uma pomada de ureia. A aplicação de uma pomada de ureia a 40% amolece e prepara a unha para a remoção da zona afectada com uma espátula própria, sem causar dor.

2ª fase – aplicação de um antifúngico local

Na 2ª fase, o tratamento deve ser completado com um creme antifúngico, de forma a eliminar a infecção na sua origem. A remoção da zona infectada da unha é fundamental para uma acção eficaz do creme antifúngico.

Resumindo as fases do tratamento:

  • Tratamento em 2 fases que garantem a eliminação da onicomicose;
  • Remoção da zona infectada da unha de uma forma simples e indolor, preparando-a para a 2º fase do tratamento, que consiste na aplicação de um creme antifúngico;
  • Melhorias visíveis diariamente.

Fungo na unha e micose melhorsaude.org

Prevenção da micose e fungo na unha

A onicomicose pode causar dor, embaraço e interferir com as nossas actividades diárias, reduzindo a nossa qualidade de vida.

Trata-se de uma doença contagiosa, que pode também funcionar como porta de entrada a outro tipo de infecções (ex. bacterianas). Deste modo, é importante iniciar o tratamento logo que detectado o problema, assim como adoptar medidas preventivas de forma a evitar o contágio.

Evitar o contágio do fungo na unha

  • Use calçado confortável sem saltos ou pontas estreitas e que deixe a pele respirar;
  • Use meias limpas e troque-as diariamente;
  • Em caso de infecção, ao vestir-se, calce primeiro as meias para evitar a propagação dos fungos a outras partes do corpo.
  • Lave os pés diariamente e seque com cuidado a zona entre os dedos;
  • Utilize chinelos nos balneários públicos;
  • Não partilhe toalhas ou tapetes de banho;
  • Corte as unhas e mantenha-as curtas.
  • Utilize um corta-unhas diferente para as unhas infectadas, de modo a evitar a infecção de outras unhas;
  • Se tiver Pé-de-Atleta, deve tratá-lo sempre, de forma a evitar que os fungos contagiem as unhas, causando a onicomicose.

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Concluindo

As micoses das unhas são infecções fúngicas comuns e contagiosas que embora não sejam graves são portas de entrada para outros microorganismos patogénicos, tais como bactérias, que podem causar infecções secundárias mais severas e agravar problemas de saúde pré-existentes. Devem portanto ser tratadas de imediato porque na primeira oportunidade que o nosso sistema imunitário esteja mais debilitado podem ocorrer infecções sem causa aparente mas que podem ter ocorrido em consequência da porta aberta pela onicomicose!

Fique bem!

Franklim Fernandes

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Urticária alergia e alimentos mais reativos


Urticária alérgica causas, sintomas, alimentos mais reativos, tratamento e quanto tempo dura, tudo o que não sabe! O que é uma alergia? E uma urticária? Qual a ligação entre alergia e urticária? Neste artigo vamos desenvolver as respostas sobre a urticária.

Neste artigo vou tratar os seguintes temas:

  • Anatomia da pele
  • Alergia o que é?
  • Urticária o que é?
  • Urticária é contagiosa?
  • Ligação entre alergia e urticária
  • Mecanismo de ação da urticária
  • Tipos de urticária existentes
  • Urticária aguda
  • Urticária crónica
  • Urticárias físicas
  • Tipos especiais de urticária
  • Como se faz o diagnóstico?
  • Como evitar a urticária?
  • Alimentos e aditivos comuns que podem provocar urticária
  • Medicamentos mais usados na urticária
  • Anti-histamínicos, corticoides e outros medicamentos
  • Dosagens e posologias utilizadas

Leia também: Alergia alimentar ou intolerância alimentar qual a diferença?

As cinco grandes mentiras sobre saúde
https://melhorsaude.org/2025/04/21/as-cinco-grandes-mentiras-sobre-saude/ As cinco grandes mentiras sobre saúde

Anatomia da pele

Antes de mais é sempre útil saber como é constituída a anatomia da nossa pele. Clique nas imagens  para ampliar:

Anatomia da pele melhorsaude.org melhor blog de saude

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Alergia, o que é?

Uma alergia é uma reação de hipersensibilidade, a estímulos externos, mediada pelo sistema imunitário, nomeadamente um tipo de anticorpo com uma importância central em todas as doenças alérgicas, designado imunoglobulina E (IgE).

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Urticária o que é?

A urticária não é uma doença mas sim uma síndroma comum, com lesões cutâneas afetando todas as faixas etárias, estimando-se que cerca de 20 a 30% da população, em algum momento da sua vida, tenha pelo menos um episódio de urticária. É caracterizada pelo rápido aparecimento de pápulas (lesões cutâneas ligeiramente elevadas em relação à pele sã), eritematosas (avermelhadas) algumas vezes esbranquiçadas na parte central, acompanhadas de prurido (comichão) ou por vezes sensação de queimadura, desaparecendo por breves segundos após pressão. Estas lesões desaparecem espontaneamente ou com terapêutica anti-histamínica, sem pigmentação residual num período de 24 horas podendo no entanto voltar a aparecer.

Urticaria crónica melhorsaude.org melhor blog de saude

Em alguns casos, o edema da derme profunda e sub-cutis pode ser tão importante que dá origem ao aparecimento de angioedema (inchaço), por vezes doloroso em alternativa a pruriginoso, com envolvimento frequente das mucosas, sendo a resolução mais lenta comparativamente à da urticária (até 72 horas).

Leia também: Alergia rinite alérgica e asma toda a verdade e ligações perigosas

Urticária é contagiosa?

Decididamente não é contagiosa. Podemos tocar, conviver e estar no mesmo ambiente de doentes com urticária sem nenhum risco de transmissão da doença.

Alergia e urticária, qual a ligação?

Algumas alergias podem provocar sintomas cutâneos com o aparecimento de urticária. São exemplos algumas alergias a alimentos e medicamentos ou seja a urticária é em alguns casos uma consequência da alergia. No entanto tal como vamos descrever neste artigo, existem inúmeras outras causas de urticária que não são do foro alérgico, como por exemplo causas inflamatórias e infeciosas.

Mecanismo da urticária

Após processo de ativação dos mastócitos, pelo alergénio a que o indivíduo está sensibilizado, ou por outros mecanismos de natureza não alérgica, estas células existentes na pele e mucosas, libertam:

  • Histamina,
  • Citocinas.
  • Outros mediadores da inflamação.

Este processo dá início a uma série de alterações bioquímicas e intervenções celulares que culminam com o aparecimento e manutenção das lesões de urticária.

Urticaria desenho melhorsaude.org melhor blog de saude

Causas e tipos de urticárias

De seguida descrevemos a classificação dos diferentes tipos que são muito mais diversos do que a maioria das pessoas julga, a saber:

a) Com aparecimento espontâneo de pápulas

b) Físicas

c) Especiais

OS MAIS PARTILHADOS melhorsaude.org melhor blog de saude

Urticária com aparecimento espontâneo de pápulas

  1. Aguda
  2. Crónica

1. Urticária aguda – duração inferior a 6 semanas. Mais frequente em doentes com doenças atópicas como rinite, asma ou eczema atópico, e nas crianças e adultos jovens. São provocadas principalmente por:

  • Infeções virais,
  • Reacções a alimentos (principalmente em crianças)
  • Reações a medicamentos (alérgicas ou pseudoalérgicas).

2. Urticária crónica – duração superior a 6 semanas, podendo estender-se em aproximadamente 50% dos casos até 6 meses, ou mesmo ter uma duração superior a 10 anos (20% dos casos). Afeta principalmente o sexo feminino, entre os 30 e os 50 anos de idade. As causas principais são:

  • Reações alérgicas tipo I,
  • Reações pseudoalérgicas,
  • Autoimunidade (anticorpos antiFc_RI, anticorpos anti-tiroideus, outras doenças autoimunes),
  • Infeções (virais, bacterianas),
  • Infestações por parasitas,
  • Gastrite,
  • Esofagite,
  • Inflamação da vesícula biliar,
  • Neoplasias (ex. linfomas).

2a. Urticária crónica contínua – frequência diária ou em quase todos os dias da semana

2b. Urticária crónica recorrente – intervalos livres de dias ou semanas sem sintomas

Urticárias físicas

  1. Dermográfica ou dermografismo
  2. Pressão retardada ou tardia
  3. Contacto ao frio
  4. Contacto ao calor
  5. Solar
  6. Angioedema vibratório

As urticárias físicas embora de natureza crónica, são agrupadas separadamente porque dependem da presença de um factor físico desencadeante e agrupam-se em três tipos, a saber:

1. Urticária dermográfica ou dermatografismo – desencadeada por fricção da pele (aparecimento de pápulas 1 a 5 minutos depois). Afeta principalmente adultos jovens. Duração média 6,5 anos.

2. Urticária de pressão retardada – desencadeada por pressão vertical (aparecimento de pápulas 3 a 8 horas depois). Média de idade de aparecimento é os 30 anos, afetando 2 vezes mais os homens. Duração média 6-9 anos.

3. Urticária de contacto ao frio – desencadeada por ar frio, água ou vento (9 subtipos descritos). Mais frequente em jovens do sexo feminino. Duração média 4,2 anos. Na maioria dos casos, de causa desconhecida embora algumas doenças infeciosas possam estar na origem, tais como:

4. Urticária de contacto ao calor – esta é desencadeada por calor localizado.

5. Urticária solar – desencadeada por radiação UV ou luz visível. Mais frequente em adultos jovens do sexo feminino.

6. Urticária / angioedema vibratórios – desencadeada por forças vibratórias (ex. martelo pneumático)

Tipos especiais de urticária

  1. Colinérgica
  2. Adrenérgica
  3. De contacto (alérgica ou pseudo alérgica)
  4. Aquagénica

1. Urticária colinérgica – lesões muito pequenas com halo eritematoso, desencadeadas por breve aumento da temperatura corporal, como por exemplo:

  • Exercício físico,
  • Banho quente,
  • Stress emocional.

Frequente em adultos jovens.

2. Urticária adrenérgica – pequenas lesões eritematosas com halo esbranquiçado, desencadeadas por stress emocional.

3. Urticária de contacto (alérgica ou pseudoalérgica) – nesta há aparecimento de pápulas nos locais em que as substâncias químicas contactam a pele, por exemplo:

  • Alimentos,
  • Plantas,
  • Medicamentos,
  • Cosméticos,
  • Químicos industriais,
  • Produtos animais,
  • Têxteis.

4. Urticária aquagénica – desencadeada por um alérgeno libertado do estrato córneo da pele, quando em contacto com a água. Cinco vezes mais frequente no sexo feminino, principalmente em adultos jovens.

Um ou mais subtipos de urticária podem coexistir num mesmo doente.

Diagnóstico da urticária

Nas formas agudas, habitualmente, não é necessário qualquer tipo de estudo, uma vez que a relação causa efeito é na maioria das vezes evidente. Na urticária crónica, uma história clínica aprofundada é fundamental para orientar a investigação. O estudo complementar diagnóstico deverá ser direcionado.

Algumas ferramentas orientadas pela suspeição clínica, em muitos casos ajudam ao diagnóstico da urticária crónica. As principais são:

  • O diário de sintomas,
  • O registo alimentar,
  • Testes cutâneos de alergia,
  • Provas cutâneas específicas do diagnóstico de urticárias físicas,
  • Teste de soro autólogo,
  • Estudo laboratorial e imagiológico (radiografia, ecografia),
  • Provas de provocação com alimentos, medicamentos, ou aditivos alimentares,
  • Biópsia de pele,

Evitar a urticária mas como?

Algumas medidas podem ser úteis para aliviar o prurido, principalmente à noite: duche tépido e/ou aplicação de loção de calamina ou de creme antipruriginoso. É fundamental a hidratação cutânea com aplicação de emolientes, particularmente nas formas crónicas.

Embora os subtipos de urticária sejam desencadeados por uma grande variedade de fatores, o tratamento da urticária segue alguns princípios básicos, tais como:

  1. Evitar (evicção) ou eliminar os fatores desencadeantes  da urticária tais como:
  • Medicamentos,
  • Estímulos físicos,
  • Tratamento de infeções,
  • Processos inflamatórios crónicos,
  • Remoção de anticorpos anti-Fc_RI,
  • Alimentos.
  1. Minimizar os fatores favorecedores de stress e ansiedade.

Alimentos e aditivos que favorecem a libertação de histamina

Os alimentos com maior probabilidade de provocar urticária são:

  • Atum, bacalhau e crustáceos,
  • Charcutaria, tal como chouriço e outros enchidos,
  • Frutos tais como:
    • banana,
    • morango,
    • kiwi,
    • frutos tropicais quase todos
  • Frutos secos,
  • Tomate,
  • Cogumelos,
  • Queijos fermentados,
  • Enlatados,
  • Pré-cozinhados,
  • Aromatizantes tais como cacau, baunilha, malte, cola
  • Especiarias
  • Edulcorantes, corantes, conservantes e activadores de aroma
  • Infusões:
    • café
    • chá
  • Gaseificados,
  • Álcool.

Tratamento e medicamentos mais usados

O tratamento adequado depende da gravidade dos sintomas, história clínica do doente e idade. As classes de medicamentos mais usados são as seguintes:

  • Anti-histamínicos
  • Corticosteroides
  • Anti-leucotrienos

Anti-histamínicos

Anti-histamínicos em monoterapia ou associados. Reservam-se os sedativos para situações clínicas muito particulares e os de aplicação tópica não deverão nunca ser utilizados pois agravam a urticária, por exemplo:

  • Dimetindeno (Fenistil®)
  • Difenidramina (Caladryl®)

A urticária provoca lesões cutâneas muitas vezes extensas que podem ser “portas de entrada” para absorção sistémica de anti-histamínicos de aplicação tópica. Estes anti-histamínicos são formulados para atuarem apenas localmente porque geralmente são moléculas da primeira geração de anti-histaminicos e portanto com mais efeitos secundários sistémicos que os seus “parentes” de 2ª geração, nomeadamente atuando sobre o sistema nervoso central e provocando acentuada sonolência.

De seguida descrevo os anti-histamínicos mais usados na urticária e as respetivas dosagens diárias para um adulto com peso normal

Os anti-histamínicos clássicos mais usados, tomam-se em regra, de 8 em 8 horas, por via oral, e são os seguintes:

  • Dexclorferinamina (Polaramine®) , 2mg/6-8h,
  • Hidroxicina (Atarax®), 25mg/8h.

Nota: Em Portugal existe um xarope chamado Sinerbe® que é uma associação de Dexclorferinamina (anti-histamínico) + Pseudoefedrina (descongestinante) + Guaiafenesina (fluidificante da expectoração) mas que naturalmente é utilizado apenas nos quadros clínicos com sintomas respiratórios, nomeadamente quando existe  simultaneamente congestão nasal com tosse produtiva.

Os anti-histamínicos de 2ª geração mais utilizados, tomam-se em regra, uma vez por dia, por via oral, e são os seguintes:

  • Loratadina (Claritine®), 10mg/dia;
  • Desloratadina (Aerius®), 5mg/dia;
  • Fexofenadina (Telfast®), 180mg/dia;
  • Cetirizina (Zyrtec®), 10mg/dia;
  • Levocetirizina (Xyzal®), 5mg/dia;
  • Mizolastina (Mizolen®), 10mg/dia;
  • Rupatadina (Rinialer®), 10mg/dia;
  • Ebastina (Kestine®), 10mg/dia;
  • Bilastina (Lergonix®, Bilaxten®), 10mg/dia.

Nota: A Bilastina (Lergonis® e Bilaxten®) é o anti-histamínico mais recente disponível no mercado, em Portugal.

Em Portugal  os anti-histamínicos genéricos (menor preço) mais utilizados e disponíveis são os seguintes:

  • Desloratadina,
  • Cetirizina,
  • Levocetirizina,
  • Loratadina,
  • Ebastina.

Corticosteroides

Corticosteróides sistémicos injetáveis ou administrados por via oral em situações excepcionais, mas sempre acompanhados por terapêutica subsequente com anti-histamínicos em períodos prolongados para controlo clínico sustentado. Os corticoides mais utlizados são:

  • Prednisolona (Lepicortinolo®)
  • Prednisona

Anti-leucotrienos

Anti-leucotrienos representam em alguns doentes um benefício adicional, por exemplo:

  • Montelucaste (Singulair®), 10mg/dia, também disponivel em genérico.

Outros tratamentos

Outros tratamentos poderão ser utilizados em alguns casos particulares  mas sempre submetidos a estreita vigilância clínica. Os exemplos mais comuns são:

  • Imunoglobulinas endovenosas,
  • Salazopirina,
  • Ciclosporina A,
  • Dapsona,
  • PUVA

Concluindo

A urticária é uma patologia muito comum pois estima-se que 80% das pessoas a desenvolvam pelo menos uma vez na vida. Algumas crises de urticária são mais agressivas ou prolongadas prejudicando de forma significativa a qualidade de vida dos doentes. As lesões em zonas expostas podem ter um aspeto “assustador e contagioso” podendo levar algumas pessoas a sentirem-se socialmente mais inibidas nomeadamente nas situações desencadeadas por stress emocional. Conheça-se melhor a si própria e identifique os fatores que particularmente lhe provocam uma reação de urticária. Evitar os fatores desencadeantes é o melhor remédio!

Fique bem!

Referências bibliográficas:

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OS MAIS LIDOS

Fibromialgia estratégias de tratamento e pontos de dor




Fibromialgia qual o melhor tratamento, pontos de dor, sintomas e estigmas sociais. Quais os sinais? Quais as causas e fatores de risco? Quais os tratamentos mais eficazes? Que hábitos diários podem ajudar a melhorar? O que nunca deve comer? Porque são muitas vezes mal interpretados os doentes pela sociedade? Por desconhecimento da realidade clínica, muitas vezes as doentes são “rotuladas” de preguiçosas pelos colegas de trabalho e até por algumas pessoas de família… o que é psicologicamente muito duro de aceitar!

Com a informação reunida pelo American College of Rheumatology e pela Associação Portuguesa de doentes com Fibromialgia este artigo pretende ser um contributo importante para doentes, famílias e sociedade interpretarem e apoiarem de forma correta quem padece de fibromialgia.

Leia também: Dores musculares estas são as informações essenciais, toda a verdade!

Neste artigo vou tratar as seguintes questões:

  • Fibromialgia o que é?
  • Qual a prevalência da fibromialgia na população?
  • Fibromialgia qual a história desta doença?
  • Causas e origem fisiopatológica
  • Fatores de risco
  • Quais os sinais que não deve ignorar?
  • Diagnóstico: Quais os critérios ?
  • Dores: Quais os “pontos-gatilho” sensíveis à dor?
  • Quais as manifestações nucleares?
  • Quais as manifestações características?
  • Diagnósticos diferenciais (com outras doenças): Quais os mais importantes?
  • Doenças que podem coexistir com a fibromialgia: Quais são?
  • Tratamento: Como pode tratar a fibromialgia?
  • Qual o tratamento mais eficaz?
  • Exercício físico: Qual o mais adequado?
  • O que acontece se não fizer exercício físico?
  • Hábitos diários: Quais os que podem melhorar os sintomas?
  • Psicologia: Como se sentem psicologicamente os doentes?
  • Família do doente: Qual a reação habitual?
  • Local de trabalho: O que acontece no local de trabalho?
  • Qual a reação da sociedade em geral?

As cinco grandes mentiras sobre saúde
As cinco grandes mentiras sobre saúde

Estudos recentes sobre fibromialgia

Neste segmento descrevo alguns dos mais recentes estudos publicados pela comunidade científica:

Fibromialgia o que é?

A fibromialgia é um síndrome crónico caracterizado por queixas dolorosas neuromusculares difusas e pela presença de pontos dolorosos em regiões anatomicamente determinadas. A fibromialgia é uma das doenças reumáticas com maior incidência na atualidade. É uma doença crónica invisível, sobre a qual ainda há muito por saber. A fibromialgia não tem tratamento específico e é capaz de provocar dores intensas, no entanto mantém-se até hoje num relativo anonimato, ao qual não será alheio o facto de apenas ter sido reconhecida como doença pela Organização Mundial de Saúde no final da década de 1970.

Prevalência

Estima-se que atinja entre 2 e 8% da população adulta global e ainda que esteja em clara expansão.

Fibromialgia qual a história desta doença?

historia da fibromialgia melhorsaude.org

Já Hipócrates descreve a dor músculo-esquelética difusa. Os principais pontos históricos da doença, por ordem cronológica, são os seguintes:

  • 1824, Balfour faz a associação entre reumatismo e pontos dolorosos;
  • 1880, Beard classifica como Mielastenia um síndrome com as características da Fibromialgia;
  • No início do séc xx, Growers introduz o termo “Fibrosite”por supor (algo nunca comprovado), que se trataria de alterações fibromusculares;
  • 1972, Moldofsky identifica as perturbações do sono Nrem;
  • 1977, Smythe e Moldofsky associam a presença de dor crónica e generalizada com pontos dolorosos em locais previsíveis e sono não reparador;
  • 1990, o Colégio Americano de Reumatologia define os critérios de diagnóstico ainda agora utilizados.

Causas fisiopatológicas

Especula-se, ainda, acerca da origem da doença. Sabe-se que os doentes de fibromialgia apresentam:

  • Diminuição de serotonina e ácido 5 – Hidroxindolacético no LCR (líquido cefalorraquidiano) e no plasma;
  • Elevação da substância P no LCR (líquido cefalorraquidiano);
  • Hipovascularização de algumas regiões cerebrais;
  • Alterações no EEG (eletroencefalograma) de sono noturno, na fase NREM (fase de sono profundo onde ocorrem os sonhos);
  • Hipertonia simpática,
  • Alterações da memória recente.

Existem ainda outras alterações, mas todas elas são comuns a outras patologias. O mais provável é que seja uma causa multifatorial.

Fatores de risco

Embora não sejam conhecidas, com rigor, as causas da fibromialgia, sabe-se que as mulheres são quase 10 vezes mais afetadas que os homens. Na verdade, 80 a 90% dos casos diagnosticados são de mulheres com idades compreendidas entre os 30 e os 50 anos. Supõe-se, por outro lado, que o desenvolvimento da doença também possa ser influenciado por fatores como:

Sintomas dores musculares e fadigafibromialgia melhorsaude.org melhor blog de saude

O sintoma predominante da fibromialgia é a dor muscular. Surgindo, na maior parte dos casos, de forma generalizada mas centrando-se posteriormente em regiões específicas, como o pescoço ou a região lombar, esta assemelha-se a um ardor intenso e muitas vezes debilitante. Pode, no entanto, fazer-se acompanhar por outros sintomas, como:

  • Perturbações de sono, presentes em cerca de 70% dos doentes, piorando as dores nos dias que dormem pior. Os registos eletroencefalográficos podem apresentar alterações relacionadas com as perturbações do sono.
  • Fadiga constante, que se mantém durante quase todo o dia com pouca tolerância ao esforço físico. Quando o sintoma dominante é a fadiga a doença tem sido designada por Síndroma da Fadiga Crónica;
  • Dificuldades de concentração;
  • Falta de memória;
  • Dores de cabeça;
  • Espasmos musculares;
  • Rigidez muscular;
  • Formigueiros e inchaços nos dedos das mãos e dos pés, principalmente ao levantar;
  • Distúrbios emocionais, com frequência de ansiedade e às vezes há depressão;
  • Perturbações gastrointestinais em alguns doentes que apresentam queixas gástricas e cólon irritável.

Os sintomas podem, no entanto, variar em intensidade e até mesmo desaparecer e reaparecer de forma esporádica, consoante a hora e o dia, os níveis de stresse e ansiedade ou as mudanças de temperatura. Também podem ser agravados com a atividade física exagerada ou desequilibrada.

Há relatos de casos de fibromialgia que começam depois de uma infeção bacteriana ou viral, um traumatismo físico ou psicológico.

Existem estudos que mostram que pessoas com esta doença, apresentam alterações nos níveis de algumas substâncias importantes, particularmente:

  • Níveis baixos de serotonina;
  • Níveis elevadas de proteína P.

Diagnóstico quais os critérios?

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Descrevo de seguida os critérios de diagnóstico do American College of Rheumatology:

Manifestações nucleares

Dor crónica generalizada, com evolução de, pelo menos, 3 meses, abrangendo a parte superior e inferior do corpo, lado direito e esquerdo, assim como o esquerdo axial.

Dor à pressão, em, pelo menos, 11 de 18 pontos predefinidos, a saber:

  • Ponto occipital – Bilateral, nas inserções do músculo sub-occipital.
  • Ponto cervical inferior – Bilateral, na face anterior dos espaços        intertransversários de C5 e C7
  • Ponto trapézio –  Bilateral, no ponto médio do bordo superior do músculo.
  • Ponto supra espinhoso –  Bilateral, na origem do músculo acima da espinha da omoplata, junto do bordo interno.
  • Ponto 2ª costela – Bilateral, na junção costo-condral da 2ª costela, imediatamente para fora da junção e na face superior.
  • Ponto epicôndilo – Bilateral, 2 cm externamente ao epicôndilo.
  • Ponto glúteo – Bilateral, no quadrante superior externo da nádega, no folheto anterior do músculo.
  • Ponto grande trocanter – Bilateral, posterior à proeminência trocantérica.
  • Ponto Joelho – Bilateral, na almofada adiposa interna, acima da interlinha articular.

Pontos dolorosos

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Fibromialgia ponto gatilho melhorsaude.org melhor blog de saude

Os pontos dolorosos não são de dor espontânea.

A sua pesquisa deve ser efetuada com uma pressão digital de 4kg.

A dor não deve irradiar.

Manifestações Características

  • Fadiga crónica,
  • Sono não reparador,
  • Parestesias,
  • Rigidez (sobretudo matinal),
  • Edema subjetivo,
  • Cefaleias,
  • Síndroma de colon irritável,
  • Fenómeno de Raynaud,
  • Depressão/ansiedade,
  • Hipersensibilidade generalizada à pressão e mudanças de temperatura ( tipo síndroma gripal).

O diagnóstico é exclusivamente clínico, não existindo exames subsidiários caracteristicamente positivos na fibromialgia.

Doenças e diagnósticos diferenciais

Tendo em consideração que os sintomas de fibromialgia são comuns a outras doenças que têm tratamento diferente, sendo que algumas são potencialmente graves em termos de sobrevida, é necessário descartar ou confirmar, previamente, de forma clara a presença, simultânea ou não, das seguintes doenças:

  • Artrite reumatoide;
  • Lupus eritematoso sistémico;
  • Espondilite anquilosante;
  • Polimiosite;
  • Síndroma de Sjörgen;
  • Polimialgia reumática;
  • Osteomalacia ;
  • Osteoporose;
  • Doença vertebral degenerativa;
  • Síndroma de dor miofascial;
  • Hipotiroidismo;
  • Hipertiroidismo;
  • Hiperparatiroidismo;
  • Síndrome paraneoplásico;
  • Miopatia metabólica;
  • Metastização tumoral;
  • Mieloma múltiplo,
  • Polineuropatias;
  • Doença de Parkinson;
  • Sarcoidose;
  • Infeções víricas;
  • Neuroses;
  • Psicoses;
  • Ansiedade;
  • Depressão.

Qualquer destas patologias pode coexistir com a Fibromialgia.

Tratar a fibromialgia

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Ainda não é conhecida cura para a fibromialgia e também ainda não existe nenhum fármaco específico para a doença. Existem, no entanto, medicamentos e técnicas que podem ajudar a aliviar os sintomas, principalmente as dores, a saber:

  • Analgésicos;
  • Relaxantes musculares;
  • Antidepressivos;
  • Massagens;
  • Técnicas de relaxamento.

Tratamento qual o melhor?

O primeiro passo é acreditarmos no sofrimento do doente! Seguidamente, envolver o doente no seu tratamento. Cada sujeito ativo compreendendo e colaborando na responsabilidade do Sucesso / Insucesso.

Deve frisar-se que se trata de uma doença crónica e que o tratamento visa, não a ausência de sintomas, mas o seu controlo. Também teremos que estar preparados para Adaptar os esquemas terapêuticos à evolução das queixas. O tratamento é sempre individual.

Tratamento Farmacológico

O tratamento farmacológico inclui os seguintes medicamentos:

  • Amitriptilina, em doses baixas ( 10mg – 25mg/ dia),
  • Fluoxetina (antidepressivo),
  • Diazepam e outros mio relaxantes (relaxantes musculares),
  • Ansiolíticos,
  • Indutores do sono,
  • Antiepiléticos, (topiramato em doses até 75mg/dia tem-se mostrado útil),
  • Analgésicos como o paracetamol, com e sem codeína, os salicilatos, o tramadol, revelam alguma eficácia.

Os corticosteroides, devido aos efeitos secundários e à quase ineficácia, são de evitar!

Tratamento Psiquiátrico

O apoio psiquiátrico nunca deve ser descurado, sempre que se revele necessário, sob a orientação de médico psiquiatra com experiência em dor.

Psicoterapia Coadjuvante

Particularmente útil nas áreas Cognitiva / Comportamental:

  • Aprender a viver com a doença e aceitar as suas limitações, assim como aprender a lidar com o stress.
  • Técnicas de Bio Feedback têm-se mostrado úteis.

Fisioterapia é possível

Sim mas apenas quando individualizada e efetivada por técnicos com experiência nestes doentes.

Exercício Físico adequado

Fundamental, o exercício físico mais indicado é adaptado às condições do doente. Aconselha-se, essencialmente:

  • Caminhada,
  • Natação (sem grande esforço), em ambientes agradáveis e tépidos.

É importante não descurar o Exercício Físico, porque a inação para que tendem os doentes de Dor Crónica, acarreta consequências psíquicas e físicas como:

  • Depressão,
  • Obesidade,
  • Atrofia Muscular,
  • Osteoporose,
  • Artralgias,

Estas são situações que acabam também e por si só, gerar doença.

Alimentação faz toda a diferença

Não existem dúvidas que a alimentação pode ter uma influência extraordinária na evolução e sintomatologia da doença.  Cada doente deve tentar identificar principalmente os alimentos que fazem piorar a sua condição de saúde.

No geral deve evitar todos os alimentos fabricados e embalados pois quase sempre tem aditivos alimentares artificiais e teores de açúcar demasiado elevados.

Entre os mais importantes vale a pena estar atento e se necessário eliminar da alimentação diária os seguintes:

  • Aditivos alimentares artificiais como o Glutamato monossódico (MSG) e o Aspartame
  • Glúten
  • Açúcares
  • Enchidos
  • Alimentos fritos que contêm gorduras saturadas de má qualidade
  • Álcool

Também o excesso de peso parece piorar sempre os sintomas dolorosos associados à fibromialgia.

Nutrição e estudos sobre fibromialgia

Os seguintes estudos alertam para a importância do cuidado alimentar para mitigar os sintomas da fibromialgia, a saber:

Stress e hábitos diários

Quais os que melhoram os sintomas?

Adaptar o seu estilo de vida aos sintomas da doença é essencial para uma melhor qualidade de vida. Assim deve tentar aplicar os seguintes hábitos diários:

Psicologia  do doente como se sente?

Como em qualquer outra doença dolorosa crónica e tendencialmente incapacitante, estes doentes apresentam-se muito queixosos, com níveis de autoestima baixos, angustiados, revoltados, não compreendidos e uma história de grande dificuldade em gerir a sua vida familiar, laboral e social.

Família do doente como reage?

A família é um fator primordial, para o melhor e para o pior, na evolução destes doentes. Muitas vezes não colabora, acusando o doente de “preguiçoso”, “piegas” ou “desequilibrado” emocionalmente. Normalmente, após elucidado, o agregado familiar passa a colaborar, sendo de grande importância, pelo suporte que pode dar ao doente. Por vezes, a própria família precisa de Apoio.

Local de trabalho o que acontece?

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Devido às características da doença, a produtividade diminui, o que, muitas vezes, acarreta acusações dos colegas e superiores hierárquicos, criando um meio hostil. Devem-se diminuir os níveis de stress do doente, respeitando os seus Ritmos de trabalho e/ou mudando de Atividade profissional.

Sociedade como são tratados os doentes?

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Normalmente, a incapacidade inerente à doença implica uma marcada diminuição da quantidade e qualidade da Vida Social destes doentes, assim como um aumento de gastos com o consumo de Serviços de Saúde e da Segurança Social, com faltas ao trabalho e reformas precoces.

O Estado português ainda não facilita a estes doentes os direitos que lhes deveriam ser atribuídos, de acordo com o reconhecimento da patologia já existente, revelando-se duplamente penalizante para o doente e agregado familiar.

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Concluindo

Se suspeita que pode sofrer de fibromialgia, consulte o seu médico assistente ou o seu reumatologista. O diagnóstico faz-se quando a dor existe por mais de três meses em pelo menos 11 de 18 pontos específicos do corpo. Entretanto, realizam-se exames para excluir outras doenças que possam causar as queixas.

Se, infelizmente, já é um doente fibromialgico então não se acomode, adote um estilo de vida saudável com exercício físico e alimentação adequados. Vá ao médico acompanhado por alguém da sua família para que esta fique bem informada sobre a doença e possa dispensar-lhe o apoio positivo que é essencial para evitar outras perturbações psicológicas muitas vezes associadas à doença.

Fique bem!

Franklim Moura Fernandes

Bibliografia:

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Chás infusões tisanas e medicamentos estratégias de segurança

Chás, infusões e tisanas qual a influência das infusões e do chá na atividade terapêutica dos medicamentos? Quais as principais interações medicamentosas e efeitos adversos das infusões e chás? Qual a diferença entre chá, infusão e tisana?

Neste artigo vou descrever os principais chás, infusões e tisanas, quais as suas propriedades e interações medicamentosas. A lista de infusões ordenada alfabeticamente com os nomes científicos das plantas entre parênteses, para que possas já identificar a tua infusão habitual, é descrita de seguida:

  1. Ashwagandha (Withania somnifera)
  2. Barbas de Milho (Zea mays)
  3. Camomila (Matricaria chamomilla ou Chamaemelum nobile)
  4. Canela – Cinnamomum verum (canela-do-ceilão) ou Cinnamomum cassia (canela-cássia)
  5. Carqueja (Baccharis trimera)
  6. Cavalinha (Equisetum arvense)
  7. Cidreira (Melissa officinalis)
  8. Cogumelo juba-de-leão (Hericium erinaceus)
  9. Equinácea (Echinacea purpurea, Echinacea angustifolia ou Echinacea pallida)
  10. Erva-doce (Foeniculum vulgare)
  11. Erva de São Roberto (Geranium robertianum)
  12. Flor de Laranjeira (Citrus aurantium)
  13. Flor de Tília (Tilia cordata ou Tilia platyphyllos)
  14. Frutos Vermelhos (diversas espécies, geralmente Rubus idaeus ou Vaccinium spp.)
  15. Gengibre (Zingiber officinale)
  16. Hibisco (Hibiscus sabdariffa)
  17. Hipericão (Erva-de-São-João) (Hypericum perforatum)
  18. Hortelã (Mentha spicata ou Mentha piperita)
  19. Jasmim (Jasminum officinale ou Jasminum sambac)
  20. Lavanda (Lavandula angustifolia)
  21. Limonete (Erva-Luísa) (Aloysia citrodora)
  22. Limão (Citrus limon)
  23. Louro (Laurus nobilis)
  24. Macela Cabeças (Achyrocline satureioides)
  25. Malvas (Malva sylvestris)
  26. Pau d’Arco (Tabebuia impetiginosa ou Handroanthus impetiginosus)
  27. Pés de Cereja (Prunus avium)
  28. Quebra-Pedra (Phyllanthus niruri)
  29. Sene (Cassia angustifolia)

Lista de chás referidos no artigo:

  • Chá verde (Camellia sinensis)
  • Chá preto (Camellia sinensis)
  • Chá branco (Camellia sinensis)
  • Chá Oolong (Camellia sinensis)
  • Chá de matcha (Camellia sinensis)
  • Chá imperial (mistura de Camellia sinensis com outras plantas)

Neste artigo vou tratar os seguintes temas:

  • Diferença entre chá, infusão e tisana
  • Plantas mais usadas
  • Propriedades terapêuticas
  • Interações com medicamentos
  • Melhores combinações de plantas para potenciar efeito terapêutico
  • Relaxamento e insónia (melhor tisana)
  • Digestão e alívio de cólicas (melhor tisana)
  • Imunidade melhorada (melhor tisana)
  • Desintoxicação e retenção de líquidos (melhor tisana)
  • Stress e ansiedade (melhor tisana) 
  • Problemas renais e cálculos no rim ou pedra no rim (melhor tisana)
  • Resfriados e tosse (melhor tisana)
  • Obstipação ou intestino preso (melhor tisana)
  • Forma de preparação das tisanas
As cinco grandes mentiras sobre saúde
As cinco grandes mentiras sobre saúde

Chás infusões e tisanas qual a diferença?

Embora muitas pessoas acreditem ser a mesma coisa, grande parte das bebidas quentes a que chamamos chá são, na verdade, infusões. Os chás são bebidas feitas a partir de uma única planta, a Camellia sinenses, também conhecida como “Chá-da-Índia”. Assim, bebidas preparadas a partir de outras plantas como cidreira, camomila, erva doce, melissa ou especiarias, são classificadas como infusões.

Com a planta Camellia sinenses, é possível preparar uma enorme variedade de chás, que variam de acordo com o cultivo, nível de fermentação, coleta e preparação das folhas. No geral, os diversos tipos podem ser divididos em quatro grupos:

  • Chá preto,  altamente fermentado e de sabor forte;
  • Chá oolong, de fermentação mediana com sabor intermediário;
  • Chá verde, levemente fermentado e com sabor suave;
  • Chá branco: produzido a partir de folhas jovens e tenras, não fermentado.

Já a infusão é o nome do processo que utiliza água fervente numa substância para extrair os seus princípios ativos e medicinais. Por exemplo, o denominado chá de camomila é na verdade uma infusão.

Chá

  • Origem: O chá propriamente dito vem da planta Camellia sinensis. As variedades de chá (preto, verde, branco, oolong) são todas derivadas dessa planta, com diferenças no processamento e oxidação das folhas.
  • Cafeína: O chá contém cafeína, com níveis que variam dependendo do tipo e do tempo de infusão.
  • Benefícios: Cada tipo de chá oferece diferentes benefícios para a saúde, como antioxidantes, que ajudam na prevenção de doenças.

Infusão

  • Origem: As infusões são feitas com uma variedade de plantas, ervas, flores, frutas e especiarias que não vêm da Camellia sinensis. Exemplos incluem camomila, hortelã, erva-cidreira, erva-doce e hibisco.
  • Cafeína: Geralmente, infusões não contêm cafeína, tornando-as uma boa opção para quem quer evitar esse estimulante.
  • Benefícios: Dependem dos ingredientes usados. Por exemplo, a camomila é conhecida por suas propriedades calmantes, enquanto a hortelã pode ajudar na digestão.

Preparação

Tanto chás quanto infusões são preparados com a imersão das folhas ou partes das plantas em água quente. No entanto, a temperatura da água e o tempo de infusão podem variar dependendo da planta para otimizar o sabor e as propriedades da bebida.

Em resumo, o chá vem exclusivamente da Camellia sinensis e pode conter cafeína, enquanto as infusões são mais diversificadas em termos de ingredientes e geralmente não contêm cafeína.


Tisanas

As tisanas são preparações feitas à base de ervas, flores, folhas, raízes, cascas ou frutos de plantas, geralmente preparadas através de infusão, decocção ou macerado em água quente ou fria. O termo é frequentemente usado como sinónimo de infusões, mas pode ter um significado mais amplo, englobando diferentes métodos de extração dos princípios ativos das plantas.

Características das Tisanas:

  1. Sem cafeína – Ao contrário do chá (que vem da planta Camellia sinensis), as tisanas não contêm cafeína, tornando-as uma opção mais relaxante e versátil.
  2. Diversidade de ingredientes – Podem incluir ervas medicinais (como camomila, hortelã), frutas secas, especiarias (como canela) e até flores (como hibisco ou lavanda).
  3. Uso terapêutico – Muitas tisanas são utilizadas na medicina natural para tratar ou aliviar condições como ansiedade, insónia, problemas digestivos, resfriados e inflamações.
  4. Preparação variada
    • Infusão – Para partes delicadas como folhas e flores.
    • Decocção – Para partes mais duras, como raízes e cascas.
    • Macerado – Deixar os ingredientes em água fria por horas (ideal para extrair certos compostos sensíveis ao calor).

Exemplos de Tisanas

  • Calmantes: Camomila, erva-cidreira, flor de laranjeira.
  • Digestivas: Hortelã, gengibre, erva-doce.
  • Diuréticas: Cavalinha, hibisco, barbas de milho.
  • Imunológicas: Pau d’arco, equinácea, gengibre com limão.

Benefício principal

As tisanas são altamente personalizáveis, podendo ser misturadas de acordo com o gosto ou a necessidade terapêutica de cada pessoa. Assim, as tisanas representam uma prática tradicional e natural de cuidado com a saúde e bem-estar.

Chás infusões e tisanas propriedades e efeitos adversos
Chás infusões e tisanas propriedades e efeitos adversos

Propriedades terapêuticas e interações com medicamentos

De seguida descrevo as propriedade medicinais mais relevantes e as interações medicamentosas mais perigosas.

Chá Verde, Chá Preto, Chá Branco e Chá Oolong

Propriedades:

Interações:

O chá verde, rico em catequinas com forte ação antioxidante, pode interferir na eficácia de anticoagulantes, elevando o risco de formação de coágulos sanguíneos.

  • Anticoagulantes: Pode aumentar o risco de sangramentos devido à presença de vitamina K (especialmente chá verde).
  • Medicamentos para pressão arterial: Pode interferir no controle da pressão devido ao efeito estimulante da cafeína.
  • Medicamentos para ansiedade e insónia: Pode aumentar os efeitos adversos devido à cafeína.

Infusões

Descrevo de seguida as principais infusões com efeitos medicinais, respetivas propriedades terapêuticas e interações medicamentosas.

Camomila

Camomila propriedades e efeitos adversos
Camomila propriedades e efeitos adversos

Propriedades: Calmante, anti-inflamatório, auxilia na digestão.

Interações com medicamentos :

A camomila, conhecida pelas suas propriedades digestivas e sedativas, pode potencializar os efeitos de anticoagulantes orais, aumentando o risco de hemorragias. Além disso, em doses elevadas, pode causar paralisia dos músculos lisos do aparelho digestivo, útero e bexiga.

  • Anticoagulantes/antiplaquetários: Pode aumentar o risco de sangramento.
  • Sedativos: Pode intensificar o efeito sedativo.
  • Antidepressivos: Pode potencializar os efeitos de medicamentos como os inibidores da MAO.

Cidreira

Cidreira propriedades e efeitos adversos
Cidreira propriedades e efeitos adversos

Propriedades: Calmante, melhora a digestão, alivia ansiedade.

Interações com medicamentos :

A Cidreira com o sedativo pentobarbital, potencializa o efeito do medicamento. Não é recomendado para hipotensos (pressão baixa).

  • Sedativos: Pode intensificar o efeito sedativo.
  • Tiróide: Pode interferir no funcionamento da tiróide em doses elevadas.

Flor de Tília

Tília propriedades e efeitos adversos
Tília propriedades e efeitos adversos

Propriedades: Calmante, diurético leve, ajuda na insónia, ansiedade e problemas respiratórios (tosse e resfriados).

Interações com medicamentos :

  • Sedativos Pode intensificar o efeito sedativo.
  • Diuréticos Pode aumentar o efeito diurético.

Limão

Limão propriedades e efeitos adversos
Limão propriedades e efeitos adversos

Propriedades: Refrescante, antioxidante, auxilia na digestão.

Interações com medicamentos:

  • Medicamentos para pressão arterial: Pode potencializar o efeito anti-hipertensivo.
  • Antiácidos: Pode alterar a absorção.

Sene

Sene propriedades e efeitos adversos
Sene propriedades e efeitos adversos

Propriedades: Laxante poderoso, usado para tratar obstipação.

Interações com medicamentos :

  • Laxantes: Pode causar perda excessiva de eletrólitos se usado com outros laxantes.
  • Diuréticos: Pode aumentar o risco de desequilíbrio eletrolítico.
  • Medicamentos cardíacos: Pode interferir devido à perda de potássio, afetando o funcionamento cardíaco.

Hipericão (Erva-de-São-João)

Hipericão propriedades e efeitos adversos
Hipericão propriedades e efeitos adversos

Propriedades: Antidepressivo natural, anti-inflamatório.

Interações com medicamentos:

A erva-de-São-João, frequentemente utilizada para tratar sintomas de depressão leve, pode interagir com antidepressivos, como a sertralina, levando a efeitos colaterais como sedação excessiva e depressão do sistema nervoso central.

  • Antidepressivos: Pode causar síndrome serotoninérgica se combinado.
  • Anticoncepcionais: Pode reduzir a eficácia.
  • Anticoagulantes: Pode diminuir a eficácia.
  • Imunossupressores: Pode reduzir a eficácia de medicamentos como a ciclosporina.

Gengibre

Gengibre propriedades e efeitos adversos
Gengibre propriedades e efeitos adversos

Propriedades: Anti-inflamatório, melhora digestão, alivia náuseas.

Interações com medicamentos :

O chá de gengibre, embora popular por causa das suas propriedades anti-inflamatórias, pode aumentar o risco de sangramento quando consumido em grandes quantidades juntamente com anticoagulantes.

  • Anticoagulantes/antiplaquetários: Pode aumentar o risco de sangramento.
  • Hipoglicemiantes: Pode potencializar o efeito, causando hipoglicemia.

 Jasmim

Jasmin propriedades e efeitos adversos
Jasmin propriedades e efeitos adversos

Propriedades: Relaxante, melhora o humor, antioxidante.

Interações com medicamentos : Pode potencializar o efeito de sedativos e ansiolíticos.


Erva-doce

Erva doce propriedades e efeitos adversos
Erva doce propriedades e efeitos adversos

Propriedades: Digestivo, anti-inflamatório, alivia cólicas.

Interações com medicamentos:

  • Anticoagulantes/antiplaquetários: Pode aumentar o risco de sangramento.
  • Estrogénios: Pode interferir na eficácia de terapias hormonais.

Hibisco (rosa ou flor da Jamaica)

Hibisco ou rosa da Jamaica ou flor da Jamaica propriedades e efeitos adversos
Hibisco ou rosa da Jamaica ou flor da Jamaica propriedades e efeitos adversos

Propriedades: Diurético, antioxidante, ajuda no controle da pressão arterial.

Interações com medicamentos :

  • Antihipertensivos: Pode potencializar o efeito, causando pressão arterial muito baixa.
  • Diuréticos: Pode aumentar o efeito diurético, causando desequilíbrios eletrolíticos.

Hortelã

Hortelã propriedades e efeitos adversos
Hortelã propriedades e efeitos adversos

Propriedades: Digestivo, alivia dores de cabeça, calmante.

Interações com medicamentos:

  • Antiácidos: Pode interferir na eficácia.
  • Sedativos: Pode intensificar o efeito sedativo.

Barbas de Milho

Barbas de milho propriedades e efeitos adversos
Barbas de milho propriedades e efeitos adversos

Propriedades: Diurético, anti-inflamatório, ajuda na saúde renal.

Interações com medicamentos:

  • Diuréticos: Pode intensificar o efeito, levando a desidratação ou desequilíbrios eletrolíticos.
  • Antihipertensivos: Pode potencializar a redução da pressão arterial.

Pés de Cereja

Pés de cereja propriedades e efeitos adversos
Pés de cereja Prunus avium

Propriedades: Diurético, purificante, usado para tratar problemas renais e urinários.

Interações com medicamentos:

  • Diuréticos: Pode aumentar o efeito diurético, causando desequilíbrios eletrolíticos.
  • Medicamentos para pressão arterial: Pode intensificar o efeito hipotensor.

Erva de São Roberto

Erva de São Roberto propriedades e efeitos adversos
Erva de São Roberto propriedades e efeitos adversos

Propriedades: Anti-inflamatório, diurético, hemostático.

Interações com medicamentos:

  • Anticoagulantes/antiplaquetários: Pode aumentar o risco de sangramento.
  • Diuréticos: Pode potencializar o efeito diurético.

Frutos Vermelhos

Frutos vermelhos framboesas propriedades e efeitos adversos
Frutos vermelhos framboesas propriedades e efeitos adversos

Propriedades: Antioxidante, anti-inflamatório, fortalece o sistema imunológico.

Interações com medicamentos: Geralmente, tem menos interações, mas em quantidades elevadas, pode interferir na absorção de certos medicamentos.


Cavalinha

Cavalinha propriedades e efeitos adversos
Cavalinha propriedades e efeitos adversos

Propriedades: Diurético, adstringente, rico em sílica (bom para ossos e unhas), ajuda no tratamento de infeções urinárias e retenção de líquidos.

Interações com medicamentos:

  • Diuréticos: Pode intensificar o efeito, causando desequilíbrios eletrolíticos.
  • Antihipertensivos: Pode diminuir excessivamente a pressão arterial.
  • Lítio: Pode alterar a excreção do lítio, aumentando o risco de efeitos colaterais.

Flor de Laranjeira

Flor de laranjeira propriedades e efeitos adversos
lor de laranjeira propriedades e efeitos adversos

Propriedades: Calmante, sedativo leve, ajuda na ansiedade, insônia e problemas digestivos.

Interações com medicamentos :

  • Sedativos: Pode intensificar o efeito sedativo.
  • Antidepressivos: Pode interagir com inibidores da MAO (raro, mas possível).

Limonete (Erva-Luísa)

Limonete (Erva -Luísa) propriedades e efeitos adversos
Limonete (Erva -Luísa) propriedades e efeitos adversos

Propriedades: Calmante, digestivo, antioxidante, alivia cólicas e problemas gastrointestinais.

Interações com medicamentos :

  • Sedativos: Pode potencializar o efeito sedativo.
  • Medicamentos gastrointestinais: Pode alterar o pH gástrico e interferir na eficácia de alguns medicamentos.

Macela Cabeças

Macela propriedades e efeitos adversos
Macela propriedades e efeitos adversos

Propriedades: Anti-inflamatório, calmante, digestivo, ajuda a aliviar dores de estômago e cólicas.

Interações com medicamentos :

  • Anticoagulantes: Pode aumentar o risco de sangramento.
  • Medicamentos gastrointestinais: Pode potencializar ou interferir no efeito.

Malvas

Malva propriedades e efeitos adversos
Malva propriedades e efeitos adversos

Propriedades: Emoliente, calmante, expetorante, ajuda em problemas respiratórios, digestivos e na inflamação das mucosas.

Interações com medicamentos :

  • Antidiabéticos: Pode interferir nos níveis de glicose no sangue.
  • Medicamentos respiratórios: Pode potencializar o efeito mucolítico.

Pau d’Arco

Pau D´'arco propriedades e efeitos adversos
Pau D´’arco propriedades e efeitos adversos

Propriedades: Antifúngico, anti-inflamatório, antioxidante, fortalece o sistema imunológico, usado no tratamento de infeções e doenças crónicas.

Interações com medicamentos :

  • Anticoagulantes: Pode aumentar o risco de sangramento.
  • Imunossupressores: Pode reduzir a eficácia.
  • Antidiabéticos: Pode interferir nos níveis de glicose.

Quebra-Pedra

Quebra-pedra propriedades e efeitos adversos
Quebra-pedra propriedades e efeitos adversos

Propriedades: Diurético, ajuda no tratamento de cálculos renais, anti-inflamatório, protetor hepático.

Interações com medicamentos:

  • Diuréticos: Pode aumentar o efeito, causando desequilíbrios eletrolíticos.
  • Antihipertensivos: Pode reduzir excessivamente a pressão arterial.
  • Medicamentos para diabetes: Pode potencializar a hipoglicemia.

Equinácea

Equinácea propriedades e efeitos adversos
Equinácea propriedades e efeitos adversos

Propriedades:

  • Fortalece o sistema imunitário;
  • Previne e trata resfriados e gripes;
    • Antiviral e antibacteriano;
    • Anti-inflamatório, útil em infecções respiratórias e problemas de pele.

Interações com medicamentos:

  • Imunossupressores;
    • Pode reduzir a eficácia de medicamentos como ciclosporina, tacrolimus e corticosteroides;
    • Medicamentos para alergias: Pode aumentar o risco de reações alérgicas em pessoas sensíveis;
    • Anticoagulantes/antiplaquetários: Pode interferir na coagulação, aumentando o risco de hemorragias;
  • Observação: Não é recomendado para uso prolongado (geralmente até 10-14 dias) ou para pessoas com doenças autoimunes.

Canela

Canela propriedades e efeitos adversos
Canela propriedades e efeitos adversos

Propriedades:

  • Antioxidante;
    • Anti-inflamatória e antimicrobiana;
    • Ajuda no controle da glicemia (reduz os níveis de açúcar no sangue);
    • Estimula a circulação e pode ajudar na digestão.

Interações com medicamentos:

  • Anticoagulantes (ex.: varfarina);
    • Pode aumentar o risco de sangramentos, especialmente com o uso de Cinnamomum cassia devido ao alto teor de cumarina;
    • Medicamentos para diabetes – pode potencializar a redução de glicemia, causando hipoglicemia;
    • Antibióticos e hepatotóxicos – pode sobrecarregar o fígado em doses elevadas ou prolongadas;
  • Observação: O consumo em quantidades moderadas é seguro; evite o uso excessivo, especialmente da canela-cássia.

Lavanda

Lavanda propriedades e efeitos adversos
Lavanda propriedades e efeitos adversos

Propriedades

  • Calmante, sedativa e relaxante;
    • Ajuda na ansiedade, insônia e tensão nervosa;
    • Antiespasmódica, útil para aliviar dores musculares e cólicas;
    • Antisséptica, pode ser usada externamente para pequenas feridas e irritações na pele.

Interações com medicamentos:

  • Sedativos (ex.: benzodiazepinas, barbitúricos);
    • Pode intensificar o efeito sedativo, causando sonolência excessiva;
    • Antidepressivos: Pode potencializar o efeito calmante, o que pode levar à sonolência;
    • Anticonvulsivantes: Pode interferir na eficácia ou intensificar os efeitos de medicamentos para convulsões;
  • Observação: Geralmente segura quando consumida em doses moderadas. Evitar o uso excessivo em crianças pequenas e mulheres grávidas sem orientação.

Carqueja

Carqueja propriedades e efeitos adversos
Carqueja propriedades e efeitos adversos

Propriedades:

  • Digestiva;
    • Hepatoprotetora (auxilia na proteção e desintoxicação do fígado);
    • Diurética (ajuda na eliminação de líquidos e no funcionamento renal).
    • Anti-inflamatória e antioxidante;
    • Ajuda a reduzir os níveis de glicose no sangue e é utilizada tradicionalmente no controle da diabetes.

Interações com medicamentos:

  • A Carqueja potencia o efeito do lítio (usado em medicamentos que controlam a depressão);
    • Medicamentos para diabetes: Pode potencializar a redução da glicose, causando hipoglicemia;
    • Anticoagulantes: Pode aumentar o risco de sangramento devido às suas propriedades circulatórias;
    • Anti-hipertensivos: Pode intensificar o efeito, levando à hipotensão.

Louro

Louro propriedades e efeitos adversos
Louro propriedades e efeitos adversos

Propriedades:

  • Digestiva (ajuda em casos de má digestão e gases);
    • Antisséptica;
    • Antimicrobiana;
    • Anti-inflamatória, útil para aliviar dores articulares;
    • Calmante, podendo ajudar em situações de ansiedade leve.

Interações com medicamentos

  • Sedativos;
    • Pode aumentar a sonolência quando combinado com medicamentos como benzodiazepinas;
    • Anticoagulantes: Pode interferir na coagulação, aumentando o risco de hemorragias;
    • Antidiabéticos: Pode reduzir a glicose no sangue, exigindo monitorização para evitar hipoglicemia.

Ashwagandha

Ashwagandha propriedades e efeitos adversos
Ashwagandha propriedades e efeitos adversos
  • Propriedades:
    • Adaptogénica, ajuda o corpo a lidar com o estresse.
    • Reduz a ansiedade e melhora a qualidade do sono.
    • Aumenta a energia, reduzindo o cansaço.
    • Anti-inflamatória, útil para dores musculares e articulares.
  • Interações com Medicamentos:
    • Sedativos: Pode intensificar os efeitos de medicamentos para ansiedade e insónia.
    • Imunossupressores: Pode interferir, já que estimula o sistema imunológico.
    • Medicamentos para a tiroide: Pode potencializar o efeito de medicamentos para hipotireoidismo, causando hiperatividade da tiroide.
  • Observação: Deve ser evitada por grávidas ou lactantes sem orientação médica.

Cogumelo juba-de-leão (Lion’s Mane)

Cogumelo juba-de-leão (Lion´s Mane) propriedades e efeitos adversos
Cogumelo juba-de-leão (Lion´s Mane) propriedades e efeitos adversos
  • Propriedades:
    • Neuroprotetora (ajuda a melhorar a memória e a cognição).
    • Estimula a produção de fator de crescimento nervoso (NGF), auxiliando na regeneração neuronal.
    • Anti-inflamatória e antioxidante.
    • Melhora a saúde gastrointestinal.
  • Interações com Medicamentos:
    • Antidepressivos: Pode potencializar os efeitos devido à estimulação da regeneração nervosa.
    • Medicamentos imunossupressores: Pode interferir devido ao efeito estimulante no sistema imunológico.
    • Anticoagulantes: Pode aumentar o risco de sangramento.
  • Observação: Geralmente bem tolerado, mas deve ser consumido com precaução em pessoas com condições autoimunes.

Matcha (chá)

  • Nome Científico: Camellia sinensis (derivado das folhas do chá verde, moídas em pó)
  • Propriedades:
    • Rico em antioxidantes (catequinas) que combatem o envelhecimento celular.
    • Aumenta a energia e a concentração devido ao teor de cafeína e L-teanina.
    • Auxilia no metabolismo e pode ajudar na perda de peso.
    • Melhora a função cerebral e é anti-inflamatório.
  • Interações com Medicamentos:
    • Estimulantes (ex.: anfetaminas): Pode aumentar a frequência cardíaca e a pressão arterial.
    • Anticoagulantes: O teor de vitamina K pode reduzir a eficácia de medicamentos como a varfarina.
    • Antidepressivos: Pode interagir com medicamentos que atuam no sistema nervoso central.
  • Observação: Evitar o consumo em excesso para prevenir insónia, palpitações ou irritabilidade.

Chá Imperial

  • Propriedades: Pode variar dependendo da composição, mas geralmente inclui uma mistura de ervas como chá verde, ginseng, jasmim, etc., focando em benefícios como antioxidantes, melhora da energia e da função cerebral.
  • Interações: Depende dos ingredientes específicos. Pode ter interações semelhantes às do chá verde (cafeína, anticoagulantes) e ginseng (anticoagulantes, estimulantes).

Essas infusões, especialmente as mais potentes como o sene e o barbas de milho, devem ser usadas com cautela, especialmente em combinação com medicamentos. Consultar um profissional de saúde antes de incluí-las na rotina é sempre recomendável para evitar interações adversas.


Tisanas – combinações terapêuticas

Aqui estão algumas sugestões de combinações de tisanas específicas para diferentes finalidades. Cada uma delas é composta por ingredientes que trabalham em sinergia para promover os efeitos desejados:


Relaxamento e Insónia 🌙

Ingredientes:

  • Camomila (Matricaria chamomilla ou Chamaemelum nobile)
  • Erva-cidreira (Melissa officinalis)
  • Flor de laranjeira (Citrus aurantium)
  • Lavanda (Lavandula angustifolia) (opcional, para aroma e efeito relaxante)

Modo de preparação:
Faça uma infusão de 1 colher de chá de cada erva em 250 ml de água quente por 5-7 minutos. Beba antes de dormir.


Digestão e alívio de Cólicas 🍵

Ingredientes:

  • Hortelã-pimenta (Mentha piperita)
  • Erva-doce (Foeniculum vulgare)
  • Gengibre (Zingiber officinale)
  • Limonete (Aloysia citrodora)

Modo de preparação:
Use 1 colher de chá de cada ingrediente em 300 ml de água quente. Deixe em infusão por 5-8 minutos. Pode tomar após as refeições.


Imunidade melhorada 💪

Ingredientes:

  • Pau d’arco (Tabebuia impetiginosa)
  • Gengibre (Zingiber officinale)
  • Hibisco (Hibiscus sabdariffa)
  • Canela em pau (Cinnamomum verum)

Modo de preparação:
Faça uma decocção: ferva 1 colher de chá de pau d’arco e canela por 10 minutos. Retire do fogo, adicione gengibre e hibisco e deixe em infusão por 5 minutos. Coe e beba quente.


Desintoxicação e retenção de líquidos 💧

Ingredientes:

  • Cavalinha (Equisetum arvense)
  • Barbas de milho (Zea mays)
  • Hibisco (Hibiscus sabdariffa)
  • Pés de cereja (Prunus avium)

Modo de preparação:
Faça uma infusão de 1 colher de chá de cada ingrediente em 500 ml de água quente por 8-10 minutos. Beba ao longo do dia.


Stresse e ansiedade 🌼

Ingredientes:

  • Flor de tília (Tilia cordata)
  • Jasmim (Jasminum officinale)
  • Camomila (Matricaria chamomilla)
  • Limonete (Aloysia citrodora)

Modo de preparação:
Use 1 colher de chá de cada erva em 300 ml de água quente. Infusão por 5-7 minutos. Adoce com mel, se desejar.


Problemas renais e cálculos (Pedras nos Rins) 💎

Ingredientes:

  • Quebra-pedra (Phyllanthus niruri)
  • Cavalinha (Equisetum arvense)
  • Barbas de milho (Zea mays)

Modo de preparação:
Faça uma infusão de 1 colher de chá de cada erva em 300 ml de água quente por 8 minutos. Tome 2-3 vezes ao dia, conforme orientação médica.


Resfriados e tosse 🤧

Ingredientes:

  • Gengibre (Zingiber officinale)
  • Malvas (Malva sylvestris)
  • Erva-doce (Foeniculum vulgare)
  • Canela em pau (Cinnamomum verum)

Modo de preparação:
Ferva gengibre e canela por 10 minutos. Retire do fogo, adicione malvas e erva-doce, e deixe em infusão por 5 minutos. Beba quente.


Regular o intestino (obstipação) 🌱

Ingredientes:

  • Sene (Cassia angustifolia) (usar com moderação)
  • Erva-doce (Foeniculum vulgare)
  • Hortelã (Mentha spicata)

Modo de preparação:
Use 1 colher de chá de cada erva em 300 ml de água quente. Infusão por 5-7 minutos. Tome ocasionalmente, pois o uso contínuo do sene pode causar dependência.


Concluindo

Estas combinações de plantas em chá, infusão ou tisana, devem ser ajustadas ao teu gosto e necessidades terapêuticas, sendo sempre recomendável consultar o médico ou farmacêutico antes de usar ervas para qualquer condição de saúde que te afete, especialmente se está grávida, se tem diagnósticos de doenças graves, se toma algum medicamento importante e/ou é um polimedicado ou seja se toma 4 ou mais medicamentos, para que se analise possíveis interações com as plantas, que tanto podem aumentar como diminuir o efeito terapêutico desses medicamentos.

Bibliografia

As cinco grandes mentiras sobre saúde

Óxido nítrico higiene oral hipertensão e doenças crónicas uma relação surpreendente!

O óxido nítrico com a formula química NO, é uma molécula sinalizadora crucial no organismo, desempenhando papéis importantes na vasodilatação, comunicação neuronal, defesa imunológica e metabolismo mitocondrial. A produção de NO é regulada por vários fatores, incluindo a microbiota intestinal, a alimentação, o consumo de açúcar e práticas como a meditação e o canto de mantras. Entender como essas variáveis influenciam a produção de NO pode ser fundamental para otimizar a saúde cardiovascular e cerebral. Este artigo explora a inter-relação entre o NO e esses fatores, destacando como adotar práticas alimentares e comportamentais saudáveis pode contribuir para o bem-estar geral.

Dr. Nathan Bryan Ph.D. : N1O1 Nitric Oxide – Boost Your Health.

Desinfetar e lavar os dentes em excesso é perigoso!

Sabia que quem faz ativamente a desinfeção da boca, com colutórios e múltiplas lavagens de dentes diárias, tem um risco muito aumentado de hipertensão e diversas doenças crónicas como diabetes e Alzheimer? Todos queremos ter dentes bonitos e boca saudável mas a lavagem e desinfeção excessiva só aumenta a probabilidade de termos problemas de sangramento das gengivas e doenças crónicas, pois destrói a nossa microbiota oral (bactérias boas) o que significa não conseguirmos produzir óxido nítrico na boca, além de ficar mais permeável à entrada de bactérias e vírus na corrente sanguínea, por causa das zonas de sangramento expostas.

Esta produção de NO na boca é muito importante durante o envelhecimento mas também nos casos de sedentarismo onde outras vias de produção de NO estão comprometidas.

As cinco grandes mentiras sobre saúde
As cinco grandes mentiras sobre saúde

O que é o Óxido Nítrico (NO)?

O óxido nítrico é uma molécula produzida endogenamente no corpo, principalmente pela ação das enzimas óxido nítrico sintase (NOS), que convertem a L-arginina em NO. O NO é vital para a vasodilatação, um processo que permite o aumento do fluxo sanguíneo, e para a regulação da pressão arterial. Além disso, o NO também exerce efeitos antioxidantes e anti-inflamatórios, sendo importante na defesa contra patógenos e na comunicação entre as células nervosas. O NO é, portanto, uma molécula sinalizadora essencial que impacta diretamente a saúde vascular, cerebral e imunológica.

Referência:

Óxido nítrico como hormona endócrina

Em 2007, o Dr. Bryan e a sua equipa demonstraram que o óxido nítrico atua como uma hormona endócrina, com efeitos sistémicos além das células onde é produzido. Após sua produção, o NO é rapidamente convertido em nitrito e S-nitrosoglutationa, moléculas mais estáveis que prolongam a sua ação no organismo .

O endotélio, camada interna dos vasos sanguíneos, é uma fonte principal de NO, funcionando como uma glândula endócrina que regula o fluxo sanguíneo para diversos órgãos. A deficiência de NO está associada a doenças crónicas como hipertensão, Alzheimer, disfunção erétil e doenças cardiovasculares.

Óxido nítrico e endotélio vascular
A) Vaso sanguíneo sem produção de NO B) Vaso sanguíneo mais dilatado com produção de NO

Locais de produção de NO no corpo humano (ordem decrescente de importância fisiológica e volume)

Órgão/LocalEnzimas PrincipaisFunções Principais
1. Endotélio vasculareNOS (óxido nítrico sintetase endotelial)Regulação da pressão arterial, vasodilatação
2. Neurónios (encéfalo)nNOS (óxido nítrico sintetase neuronal)Neurotransmissão, plasticidade sináptica
3. Macrófagos e células imunesiNOS (óxido nítrico sintetase induzível)Defesa antimicrobiana, inflamação aguda
4. Trato gastrointestinal (boca → cólon)Microbiota + nitrato redutasesConversão de nitrato/nitrito em NO
5. Músculo esqueléticoeNOS + nNOS localizadas nas fibras muscularesRegulação do fluxo sanguíneo durante o exercício
6. Tecido adiposoeNOSMetabolismo energético, regulação da insulina

Referências da tabela:

  1. Nitric oxide synthases: regulation and function – PubMed Förstermann U, Sessa WC. Nitric oxide synthases: regulation and function. Eur Heart J. 2012.
  2. Concepts of neural nitric oxide-mediated transmission – PubMed Garthwaite J. Conceptual evolution of neurovascular NO signalling. J Physiol. 2008.
  3. Nitric oxide and macrophage function – PubMed MacMicking J et al. Nitric oxide and macrophage function. Annu Rev Immunol. 1997.
  4. Metagenomic analysis of nitrate-reducing bacteria in the oral cavity: implications for nitric oxide homeostasis – PubMed Hyde ER et al. Metagenomic analysis of nitrate-reducing bacteria in the oral cavity. PLOS One. 2014.
  5. Physiology of nitric oxide in skeletal muscle – PubMed Stamler JS et al. NO signaling in skeletal muscle. Nat Rev Neurosci. 2007.
  6. Overexpression of endothelial nitric oxide synthase prevents diet-induced obesity and regulates adipocyte phenotype – PubMed Sansbury BE et al. eNOS in adipose tissue and metabolic homeostasis. Circ Res. 2009.

🧠 Notas importantes:

  • A produção endotelial representa a maior fonte fisiológica de NO, responsável pela manutenção do tónus vascular e perfusão tecidular.
  • A produção via iNOS nos macrófagos ocorre em situações inflamatórias e infecciosas, sendo muito elevada mas transitória e localizada.
  • A conversão via microbiota oral e intestinal é crucial quando a via enzimática está comprometida (ex. envelhecimento, sedentarismo).
  • A prática de exercício físico aumenta eNOS e nNOS no músculo esquelético e promove uma maior biodisponibilidade de NO.

Como aumentar ou proteger a produção de óxido nítrico

A produção de óxido nítrico pode ser estimulada ou simplesmente protegida de forma a manter a sua atividade normal. De seguida descrevo de forma resumida e simples, o conhecimento científico mais relevante para proteger o nosso organismo no que concerne à produção de óxido nítrico, complementando algumas dicas já acima referidas.

Microbiota intestinal: Um aliado na produção de NO

A microbiota intestinal desempenha um papel fundamental na conversão de nitratos e nitritos presentes na dieta em óxido nítrico. Microorganismos específicos, tanto na boca quanto no intestino, ajudam a transformar os nitratos, provenientes de alimentos como beterraba e folhas verdes, em nitrito, que pode ser convertido em NO pelo organismo. Estudos indicam que uma microbiota balanceada favorece a produção de NO e a regulação da pressão arterial, além de melhorar a resistência à insulina.

Referência:


Alimentos que estimulam a produção de NO

Certos alimentos ricos em nitratos, como vegetais de folhas verdes, beterraba e rúcula, são eficazes na promoção da produção de NO. Além disso, alimentos ricos em L-arginina, como nozes, sementes e leguminosas, também aumentam a disponibilidade dessa molécula no organismo. O consumo de alimentos ricos em antioxidantes, como frutas vermelhas e cítricas, também ajuda a proteger o NO da degradação, maximizando seus efeitos benéficos na circulação e saúde cardiovascular.

Referência:


O lado oculto do açúcar: Inimigo do NO

O consumo excessivo de açúcar pode prejudicar a produção de óxido nítrico. Níveis elevados de glicose no sangue reduzem a biodisponibilidade de NO, o que compromete a função endotelial e pode resultar em problemas vasculares. Além disso, o consumo excessivo de açúcar promove o estresse oxidativo, o que contribui para a degradação do NO e acelera o processo de envelhecimento dos vasos sanguíneos.

Referência:


Práticas respiratórias e a produção de NO

Práticas de respiração profunda e a entoação de sons têm mostrado influenciar positivamente a produção de óxido nítrico. A respiração nasal, por exemplo, promove a liberação de NO nos seios nasais. Além disso, a prática de técnicas respiratórias como o pranayama tem sido associada ao aumento da produção de NO, que pode ter efeitos benéficos na redução da pressão arterial e no aumento do bem-estar geral.

Referência:


Estilo de vida: Hábitos que protegem o NO

Além de uma alimentação saudável e práticas respiratórias, outros hábitos também desempenham um papel fundamental na produção de óxido nítrico. Exercícios físicos regulares estimulam a enzima endothelial nitric oxide synthase (eNOS), aumentando a produção de NO. Além disso, dormir bem, reduzir o estresse e evitar o uso excessivo de antibióticos ajudam a manter os níveis de NO e a saúde geral.

Referência:


Limitações e Controvérsias na Ciência do Óxido Nítrico

Embora os benefícios do óxido nítrico (NO) sejam bem documentados, existem limitações importantes no estado atual da investigação:

  • Conversão de nitratos na microbiota varia entre indivíduos: A eficiência na conversão de nitrato → nitrito → NO depende da composição da microbiota oral e intestinal, que varia significativamente entre indivíduos (Kapil et al., 2013). Intervenções dietéticas nem sempre produzem efeitos consistentes.
  • Falta de estudos de longa duração: Muitos estudos que mostram benefícios de alimentos ricos em nitratos ou respiração consciente são de curto prazo ou com amostras pequenas. Faltam ensaios clínicos randomizados de longo prazo.
  • Práticas como mantra e respiração ainda carecem de mecanismos robustamente descritos: Embora haja evidências iniciais de aumento da produção de NO com práticas como bhramari pranayama ou entoação de “Om”, os estudos disponíveis são limitados e em sua maioria realizados com metodologias heterogêneas (Telles et al., 2010).
  • Uso de suplementos de NO: A suplementação com L-arginina ou nitratos ainda é controversa em algumas populações (ex.: cardíacos), pois há riscos associados a interações com medicamentos e efeitos adversos.

Referências:


Conclusão

A produção de óxido nítrico é um exemplo de como pequenos hábitos podem gerar grandes benefícios. Uma dieta rica em vegetais com nitrato, a manutenção de uma microbiota saudável, a prática de exercícios físicos regulares e de técnicas respiratórias profundas podem, em conjunto, aumentar os níveis de NO de forma natural. Embora práticas como a entoação de mantras e o uso de suplementos de nitrato ainda necessitem de mais evidência robusta, os dados atuais são promissores. Adotar uma abordagem integrada e baseada em evidências permite cuidar do sistema cardiovascular e do bem-estar geral de maneira acessível e sustentável.


As cinco grandes mentiras sobre saúde
As cinco grandes mentiras sobre saúde

Óxido nítrico vs óxido nitroso

Vamos à explicação clara e científica da diferença entre óxido nítrico (NO) e óxido nitroso (N₂O) — dois compostos frequentemente confundidos, mas com estruturas, funções e aplicações muito distintas.


⚛️ Diferença Química e Estrutural

CaracterísticaÓxido Nítrico (NO)Óxido Nitroso (N₂O)
Fórmula QuímicaNON₂O
Átomos1 átomo de azoto (N) e 1 de oxigénio (O)2 átomos de azoto (N) e 1 de oxigénio (O)
Estado físicoGás incolor, altamente reativoGás incolor, ligeiramente doce, estável
PolaridadeAltamente reativo e instávelRelativamente estável
SolubilidadePouco solúvel em águaSolúvel em lípidos e um pouco em água

🧠 Função no Organismo Humano

Aplicação/FunçãoÓxido Nítrico (NO)Óxido Nitroso (N₂O)
Função fisiológicaMolécula sinalizadora: vasodilatação, neurotransmissão, resposta imunitáriaNão é produzido fisiologicamente; usado externamente
Produzido pelo corpo?Sim (pelas células endoteliais, neurónios, macrófagos)Não
Funções clínicasRegula pressão arterial, fluxo sanguíneo, ereção, defesa imunitáriaAnestesia e analgesia (gás hilariante)

💉 Usos Médicos e Terapêuticos

UsoÓxido Nítrico (NO)Óxido Nitroso (N₂O)
MedicinaTratamento de hipertensão pulmonar, disfunção erétil (via L-arginina ou nitratos)Anestesia leve, sedação em odontologia e partos
AdministraçãoGás inalado controlado em UCI; ou indiretamente por via oral através de nitratosGás inalado com máscara (mistura com oxigénio)
RiscosEm excesso, pode gerar radicais livres (peroxinitrito)Pode causar euforia, tontura, défice de B12 crónico

🌍 Outras Aplicações

ContextoÓxido Nítrico (NO)Óxido Nitroso (N₂O)
AmbientePode contribuir para poluição do ar em emissões industriaisPotente gás de efeito estufa (~300x mais que CO₂)
IndústriaSubproduto em fábricas químicasUsado como propulsor em aerossóis e naves espaciais
RecreativoSim, inalado como “gás hilariante” com riscos sérios

🧬 Conclusão Rápida

Óxido Nítrico (NO)Óxido Nitroso (N₂O)
Natural no corpo?✅ Sim❌ Não
Usado em medicina?✅ Sim✅ Sim
Produzido por células humanas?✅ Sim❌ Não
Função principalComunicação celular e vasodilataçãoAnestesia e sedação
Risco ambientalMédio (reações com outros poluentes)Elevado (potente gás de estufa)

Informação científica adicional

O óxido nítrico (NO) é uma molécula sinalizadora essencial para a saúde humana, desempenhando papéis cruciais na regulação da pressão arterial, função imunológica e desempenho cognitivo. Este artigo baseia-se e cita o trabalho do Dr. Nathan S. Bryan, bioquímico e fisiologista molecular, sendo uma autoridade reconhecida internacionalmente na investigação do óxido nítrico, com mais de duas décadas de contribuições científicas significativas na área.

Dr. Nathan Bryan Ph.D. : N1O1 Nitric Oxide – Boost Your Health.

Óxido Nítrico na Saúde Humana

O óxido nítrico é produzido naturalmente no organismo através de duas vias principais:

  1. Via enzimática: Envolve a conversão de L-arginina em NO pela ação da enzima óxido nítrico sintase (eNOS).
  2. Via dietética: Depende da ingestão de nitratos e nitritos presentes em vegetais de folhas verdes e beterraba, que são convertidos em NO com a ajuda de bactérias redutoras de nitrato na cavidade oral e ácido gástrico adequado.

Estudo: Functional Nitric Oxide Nutrition to Combat Cardiovascular Disease

A produção eficiente de NO é vital para a vasodilatação, regulação da pressão arterial, função imunológica e neurotransmissão.



Estratégias para restaurar os níveis de óxido nítrico

Com o envelhecimento, a produção de NO diminui, contribuindo para o declínio funcional. O Dr. Bryan desenvolveu abordagens para restaurar os níveis de NO, incluindo:

  • Pastilhas sublinguais: Formuladas para liberar NO diretamente na cavidade oral, aproveitando a via dietética de produção.
  • Soro ativador de NO para a pele: Projetado para combater os sinais de envelhecimento cutâneo, melhorando a circulação e a regeneração celular .N1O1 Nitric Oxide – Boost Your Health

Essas intervenções visam restaurar a produção de NO de forma segura e eficaz, promovendo benefícios sistêmicos.


Implicações clínicas e terapêuticas

A restauração dos níveis de óxido nítrico tem implicações terapêuticas significativas:

  • Saúde cardiovascular: Melhora da função endotelial e regulação da pressão arterial.
  • Função cognitiva: Potencial redução do risco de doenças neurodegenerativas.
  • Desempenho sexual: Melhoria da função erétil e saúde sexual geral.
  • Regeneração celular: Promoção da cicatrização e saúde da pele.

Óxido nítrico a hormona mestre

A maioria das pessoas conhece a importância das hormonas. Na verdade, existe uma enorme indústria de clínicas de reposição hormonal em todo o mundo. Toda a gente sabe que quanto mais velhos ficamos, menos o nosso corpo produz hormonas naturais, incluindo testosterona nos homens e estrogénio nas mulheres. O período em que o organismo deixa de produzir estas hormonas é chamado de andropausa nos homens e menopausa nas mulheres.

A reposição hormonal traz benefícios incríveis para a saúde quando feita corretamente. Há muitas outras hormonas importantes que também devemos considerar, como a hormona tiroideia, o cortisol e muitas outras.

A maioria das pessoas não pensa no óxido nítrico como uma hormona, mas em 2007, o laboratório do Dr. Nathan Bryan foi o primeiro a demonstrar que o óxido nítrico agia como uma hormona.

As hormonas são substâncias químicas que atuam como moléculas mensageiras no organismo. Depois de serem produzidos numa parte do corpo, viajam para outras partes do corpo para afetar atividades específicas. Antes desse estudo em 2007, acreditava-se que o óxido nítrico só poderia atuar na célula em que era produzido (autócrina) ou numa célula vizinha (parácrina).


Glutationa e metabolitos mais estáveis

Os estudos mostraram que o óxido nítrico produzido num único órgão ou compartimento tinha efeitos sistémicos que podiam sinalizar e proteger todos os outros órgãos. Isto foi uma viragem de jogo na bioquímica e fisiologia do óxido nítrico. Mas a questão era como é que isso poderia ser feito, uma vez que o óxido nítrico, uma vez produzido, desaparece em menos de um segundo.

A resposta está nos metabolitos mais estáveis ​​que forma quando produzidos no organismo. O óxido nítrico é convertido em nitrito e também se liga à glutationa uma vez produzida para formar uma molécula chamada S-nitrosoglutationa. Estas duas moléculas prolongam a semi-vida biológica do óxido nítrico de 1 milissegundo para dezenas de minutos e horas. Isto permite que o óxido nítrico afete muitos outros órgãos sistemicamente e atue como uma hormona.


Endotélio, o nosso maior órgão e glândula endócrina

A célula mais interna dos nossos vasos sanguíneos chama-se endotélio. O endotélio é o nosso maior órgão e o principal local de produção de óxido nítrico, o que o torna também uma glândula endócrina que segrega gás NO mediante estimulação.

Cada órgão do corpo é controlado pelo seu próprio suprimento sanguíneo. O fornecimento de sangue a cada órgão é regulado pela função das suas próprias células endoteliais e pela sua capacidade de produzir óxido nítrico.

Sabemos há séculos que toda a doença crónica grave se caracteriza pela diminuição do aporte sanguíneo e pela redução da circulação nesse órgão. Vemos isso na doença de Alzheimer, doenças cardíacas, doenças renais, doenças pulmonares, doenças gastrointestinais e outras. Sem circulação suficiente, o oxigénio e os nutrientes não conseguem chegar a estes órgãos e estes começam a falhar. Há um aumento da inflamação, do stress oxidativo e da disfunção imunológica que resultam da diminuição do fluxo sanguíneo e da produção de óxido nítrico.

Semelhante à diminuição da produção de testosterona nos testículos dos homens ou à diminuição da produção de estrogénio nos ovários das mulheres, se houver uma diminuição da produção de óxido nítrico no endotélio, teremos sintomas e o aparecimento de muitas doenças.

Da mesma forma, se repormos as hormonas em falta e restaurarmos a produção normal do organismo, podemos reverter muitos sintomas e realmente travar a progressão da doença.

Precisamos de repor e restaurar a produção de óxido nítrico para combater os efeitos do envelhecimento e das doenças relacionadas com a idade. A questão é: como fazê-lo de forma segura e eficaz?


Fornecer óxido nítrico ao corpo

Com base num estudo de 2007 publicado na Proceedings of the National Academy of Sciences, provou-se que tudo o que tínhamos de fazer era gerar óxido nítrico num único compartimento biológico e, em seguida, os efeitos hormonais entrariam em vigor. Não precisamos de aplicar injeções de testosterona nos testículos para que funcione. Podemos aplicá-lo no músculo e depois fará o seu trabalho.

Da mesma forma, não precisamos de produzir óxido nítrico apenas no endotélio, podemos produzi-lo em qualquer parte do corpo e terá os seus efeitos. Foi por isso que foi escolhida a boca ou cavidade oral como compartimento para gerar gás óxido nítrico.

O Dr. Nathan Bryan foi o primeiro a produzir uma forma sólida de dose de gás óxido nítrico. A base é que uma pastilha de desintegração oral se dissolveria lentamente na boca e, à medida que se dissolve, os ingredientes ativos se juntariam para produzir gás de óxido nítrico. Quando o fazemos, o óxido nítrico e as moléculas de sinalização produzidas a partir do gás NO tornam-se sistémicas e o óxido nítrico desempenha a sua função hormonal.

Os benefícios para a saúde são mensuráveis ​​e profundos

Temos uma melhor circulação, um melhor fornecimento de oxigénio, uma melhor função das células estaminais, uma redução da inflamação, uma redução do stress oxidativo e uma melhor função imunitária. Basicamente, reverte todas as causas e consequências conhecidas de todas as principais doenças crónicas.

Como repomos a hormona óxido nítrico?

Existem centenas de produtos denominados óxido nítrico no mercado. Quase todos eles não oferecem qualquer benefício terapêutico. O Dr. Nathan Bryan sublinha que só a sua formulação única de pastilhas oro dispersíveis pode produzir uma dose eficaz de óxido nítrico capaz de efeitos terapêuticos anti-inflamatórios e cardioprotetores.

Apesar desta componente “comercial” que sempre me obriga a tentar descartar o interesse monetário das empresas interessadas, parece-me, até prova em contrário, que o Dr. Nathan Bryan apresenta uma longa história de conhecimento comprovada em estudos científicos credíveis que foram publicados em jornais e revistas científicas de referência e descritos no final deste artigo.

O Dr. Bryan fundou empresas como a Bryan Therapeutics Inc., focadas no desenvolvimento de terapias baseadas em NO para diversas condições clínicas.


Conclusão

O óxido nítrico é fundamental para a manutenção da saúde e prevenção de doenças crônicas. As pesquisas do Dr. Nathan S. Bryan destacam a importância de estratégias para restaurar os níveis de NO, oferecendo abordagens inovadoras para o envelhecimento saudável e a melhoria da qualidade de vida.


Fontes bibliográficas