O AVC (acidente vascular cerebral) e a doença cardíaca isquémica (ataque cardíaco) são duas das principais causas de morte e incapacidade a nível mundial. Em 2021 estimaram-se ≈12 milhões de novos AVC/ano e cerca de 94 milhões de pessoas viviam com sequelas de AVC; a carga global de doença cardiovascular continua elevada e diretamente ligada a fatores de risco modificáveis como hipertensão, tabagismo, diabetes, colesterol elevado e sedentarismo. Estas estimativas constam dos relatórios globais mais recentes sobre a carga do AVC e das doenças cardiovasculares. PubMed
Dado o enorme impacto, intervenções de prevenção (medicamentos e alterações de estilo de vida) são alvo de intensa investigação. A aspirina (ácido acetilsalicílico), por inibir a agregação plaquetária, foi durante décadas utilizada tanto em prevenção secundária (pessoas com doença isquémica comprovada) como, controversamente, em prevenção primária (pessoas sem doença conhecida). Nas secções seguintes explico causas, mecanismos, doses, evidência (até 2025), benefícios, riscos e recomendações práticas. PubMed
As cinco grandes mentiras sobre saúde
Índice
Causas do AVC e do ataque cardíaco (resumo fisiopatológico)
Justificação farmacológica: como a aspirina actua
Evidência científica até 2025 — distinção clara: prevenção primária vs secundária
Doses adequadas e regimes usados nos estudos
Influência da idade e recomendações por faixas etárias
Benefícios (o que a aspirina reduz)
Riscos e efeitos adversos (sangramento, efeitos gastrointestinais, outros)
Tomar aspirina: quando é claramente indicado (casos de prevenção secundária)
Alternativas e abordagens complementares (outros fármacos, mudança de hábitos)
Que hábitos mudar para reduzir risco de AVC e ataque cardíaco
Conclusão-resumo
Lista completa de fontes bibliográficas (principalmente PubMed / PMC)
Causas do AVC e do ataque cardíaco
AVC isquémico: resulta usualmente de oclusão de uma artéria cerebral por um trombo ou êmbolo, levando a isquémia do tecido neuronal. As principais causas incluem aterosclerose (placas arteriais que se ulceram), fibrilhação auricular (êmbolos cardioembólicos), estenose carotídea e doenças vasculopáticas menores. PubMed
Ataque cardíaco (enfarte do miocárdio): ocorre quando uma artéria coronária é obstruída — tipicamente por uma placa aterosclerótica que se rompe e forma um trombo que bloqueia o fluxo sanguíneo, causando necrose do músculo cardíaco. Os factores de risco partilhados incluem hipertensão, tabagismo, diabetes, hipercolesterolemia, obesidade e sedentarismo. PubMed
Como atua a aspirina
A aspirina inibe irreversivelmente a enzima cicloxigenase-1 (COX-1) nas plaquetas, reduzindo a produção de tromboxano A2, uma molécula potente que promove agregação plaquetária e vasoconstrição. Este efeito antiagregante diminui a tendência para formação de trombos arteriais — mecanismo plausível para reduzir eventos isquémicos arteriais (IAM, AVC isquémico). Contudo, o mesmo mecanismo aumenta risco de hemorragia (gastrointestinal e intracraniana). PubMed
Prevenção primária vs secundária
Prevenção secundária (pessoas com doença cardiovascular estabelecida):
Aqui a evidência é robusta e consistente: a aspirina (e outros antiagregantes) reduz mortalidade e eventos isquémicos recorrentes em doentes com enfarte prévio, stents, ou AVC isquémico prévio; está indicada salvo contra-indicações. (estes usos fazem parte das diretrizes cardiológicas). escardio European Society of Cardiology
Prevenção primária (pessoas sem doença cardiovascular diagnosticada):
A evidência contemporânea (ensaios randomizados grandes e meta-análises) mostra benefícios modestos na redução de eventos isquémicos (principalmente redução de IAM não fatal) mas aumento significativo do risco de hemorragias graves. Ensaios notáveis: ARRIVE, ASCEND, ASPREE (2018) e meta-análises subsequentes. Mais recentemente (2023–2025) meta-análises contemporâneas e revisões sistemáticas continuam a concluir que, em adultos sem doença previamente documentada, o benefício absoluto é pequeno e muitas guidelines recomenda que a toma rotineira não é indicada em população idosa e que a decisão em pessoas de risco intermédio deve ser individualizada. AhA The New England Journal of Medicine
Prevenção primária: regra geral não iniciar aspirina rotineiramente em idosos (≥60–70 anos) devido a risco de sangramento; em adultos 40–59 com risco cardiovascular de 10-ano elevado (≥10%) a decisão pode ser individualizada após avaliação de risco/benefício e conversa médico-paciente — seguir recomendações como as da USPSTF e da literatura. Estudos e meta-análises recentes (até 2024–2025) reforçam a necessidade de personalização. us preventive services taskforce
Doses adequadas e regimes usados nos estudos
Nos grandes ensaios de prevenção primária e secundária a dose considerada “baixa” variou entre 75 mg e 100 mg por dia (em muitos países 81 mg ou 100 mg são doses comuns). Alguns estudos usaram 100 mg (ASPREE) ou 100 mg/81 mg; meta-análises consideram 75–100 mg/dia como dose eficaz para efeito antiagregante. nejm
Para prevenção secundária, o regime diário de baixa dose é padrão; em contextos agudos (síndromas coronários agudos) as doses iniciais de ataque são mais altas (por exemplo 150–300 mg de carga masticável) seguidas de dose baixa diária — isso foge ao âmbito de prevenção primária e requer prescrição hospitalar. escardio.org
Influência da idade na escolha
Idosos (≥60–70 anos): ensaios maiores (por ex. ASPREE) demonstraram ausência de benefício claro na prevenção de eventos cardiovasculares e aumento do risco de hemorragia e até achados preocupantes sobre mortalidade; por isso muitas agências (USPSTF 2022) recomendam não iniciar aspirina para prevenção primária em adultos ≥60 anos. Em pessoas que já tomam aspirina por prevenção primária e estiverem idosos, a decisão de interromper deve ser individualizada e discutida com o médico. nejm
Adultos de meia-idade (40–59 anos) com risco cardiovascular elevado: a USPSTF 2022 dá uma recomendação condicional (C): a decisão de iniciar pode ser considerada em quem tem risco 10-ano ≥10% mas apenas se o benefício estimado superar o risco de hemorragia; é fundamental avaliar risco de sangramento (história de úlcera, anticoagulação concomitante, etc.). us preventive services taskforce
Benefícios (o que a aspirina pode reduzir)
Redução relativa de eventos arteriais isquémicos (algumas análises mostram redução do risco de IAM não fatal e de eventos vasculares maiores de magnitude modesta). Em prevenção secundária o benefício é claro e clinicamente importante. Em prevenção primária o benefício absoluto tende a ser pequeno e muitas vezes compensado pelo risco de sangramento. AhA Journals
Riscos e efeitos adversos
Sangramento gastrointestinal (úlceras, hemorragia digestiva): risco aumentado; utilização concomitante de anti-inflamatórios não esteroides (AINEs), história de úlceras ou uso de corticosteroides aumenta ainda mais o risco. PubMed
Hemorragia intracraniana: risco aumentado — este é um dos eventos mais graves e que limita o uso em prevenção primária. PMC
Anemia crónica por perda sanguínea oculta e outras complicações relacionadas. Estudos com idosos reportaram aumento de anemia e de eventos hemorrágicos. nejm.org
Quem deve tomar aspirina
Sempre indicado (salvo contra-indicação) para prevenção secundária: pessoas com enfarte do miocárdio prévio, acidente vascular isquémico prévio (não-hemorrágico), angina instável, intervenção coronária percutânea com stent, e outras situações de aterotrombose documentada. Nestes doentes o benefício sobrepõe-se claramente ao risco de sangramento. escardio.org
Prevenção primária: regra geral não iniciar em idosos; em adultos mais jovens ou de meia-idade com risco cardiovascular elevado a decisão deve ser individualizada e tomada após avaliação do risco absoluto de doença cardiovascular a 10 anos versus risco de hemorragia. Para pessoas com diabetes a evidência (ASCEND) mostrou alguma redução de eventos vasculares mas com aumento dos sangramentos — novamente uma balança delicada. nejm
Alternativas e abordagens complementares
Outros fármacos: em prevenção secundária a terapêutica antiagregante pode incluir clopidogrel (e outros) conforme situação clínica; recentes estudos e análises (até 2024–2025) também investigam eficácia relativa de outros antiagregantes em determinados subgrupos — as escolhas dependem de condição clínica e risco de sangramento. (nota: não iniciar antiagregantes sem orientação médica). ASH Publications
Tratamento dos factores de risco: controlar hipertensão, dislipidemia, diabetes; cessação tabágica; perda de peso; exercício; dieta saudável; redução de consumo de álcool — muitas destas medidas têm impacto maior e mais seguro na redução do risco cardiovascular do que o início rotineiro de aspirina em indivíduos saudáveis. PubMed
Hábitos a mudar para evitar AVC e ataque cardíaco
As medidas com maior evidência de redução do risco:
Controlar pressão arterial — é o factor único com maior impacto na redução de risco de AVC. Tratamento farmacológico se indicado e monitorização regular. PubMed
Parar de fumar — reduz fortemente risco de enfarte e AVC. PubMed
Controlar diabetes e glicemia — optimização da terapêutica e controlo glicémico. PubMed
Dieta saudável — reduzir sal, gorduras saturadas e trans; aumentar frutas, vegetais, fibra e peixe. PubMed
Atividade física regular — pelo menos 150 minutos/semana de atividade moderada ou equivalente. PubMed
Perder peso se com excesso de peso/obesidade e tratar dislipidemia (estatinas quando indicadas) — estatinas reduzem risco de eventos isquémicos e têm favorável balança risco/benefício em prevenção primária em pacientes de risco elevado. escardio.org
Conclusão
Prevenção secundária: a aspirina continua a ser um pilar terapêutico para reduzir eventos recorrentes (IAM, AVC isquémico) em doentes com doença cardiovascular estabelecida. escardio.org
Prevenção primária: a evidência até 2025 mostra benefícios modestos e riscos mensuráveis (hemorragia). Em idosos (≥60–70 anos) a recomendação geral é não iniciar aspirina para prevenção primária. Em adultos mais jovens com risco cardiovascular significativo (p.ex. risco 10-ano ≥10%), a decisão pode ser individualizada após avaliação dos riscos (incluindo risco de sangramento) e discussão clínico-paciente. As guidelines (USPSTF 2022, revisões e meta-análises recentes) devem orientar a decisão. uspreventiveservicestaskforce.org
Recomendações práticas: não tome aspirina diariamente para “prevenir o coração” sem antes falar com o seu médico. Se tem doença cardíaca/AVC prévio, siga a terapêutica prescrita; se não tem doença, priorize controlo da tensão arterial, cessação de tabaco, controlo glicémico, estatinas quando indicadas e mudanças de estilo de vida — estas medidas geralmente trazem mais benefício e menos risco do que iniciar aspirina sem indicação clara. PubMed
Resumo esquematizado
❤️ O que está em causa
AVC e ataque cardíaco são principais causas de morte no mundo.
A aspirina reduz a agregação das plaquetas e diminui o risco de trombos, mas também aumenta o risco de hemorragia.
💊 Quando faz sentido tomar aspirina
✅ Sim:
Pessoas que já tiveram enfarte, AVC isquémico ou colocação de stent. → Prevenção secundária comprovada.
🚫 Não (em regra):
Pessoas sem doença cardiovascular conhecida. → Prevenção primária raramente compensa o risco de sangramento, sobretudo em idosos (>60–70 anos).
📏 Doses utilizadas
Baixa dose diária: 75–100 mg/dia (única dose).
Nunca iniciar sem avaliação médica.
⚖️ Benefícios vs Riscos
Benefícios: pequena redução de eventos isquémicos. Riscos: ↑ hemorragia gastrointestinal e cerebral, ↑ anemia. 👉 Em prevenção primária, o risco pode superar o benefício.
👵 A idade conta
Estudos como ASPREE, ASCEND e ARRIVE mostram que em idosos saudáveis a aspirina não previne enfarte nem AVC, e aumenta as hemorragias.
Decisão deve ser individualizada e médica.
🧠 Como realmente prevenir AVC e ataque cardíaco
Controlar tensão arterial.
Deixar de fumar.
Controlar diabetes e colesterol.
Fazer exercício regular.
Alimentação mediterrânica.
Manter peso saudável e evitar o stress crónico.
🩸 Conclusão
Tomar aspirina só é benéfico para quem já teve doença cardiovascular. Em pessoas saudáveis, o risco de hemorragia pode ser maior que o benefício. A decisão deve ser individualizada e feita com o médico.
📚 Fontes científicas
USPSTF 2022 — Aspirin Use for Prevention of CVD
NEJM 2018 — ASPREE, ASCEND, ARRIVE Trials
ESC 2021 — Guidelines on CVD Prevention
Lancet 2024 — GBD Stroke and CVD Updates
Fontes bibliográficas
Observação: incluí estudos randomizados grandes, meta-análises e recomendações de organismos oficiais até 2025.
Feigin VL, et al. World Stroke Organization Global Stroke Fact Sheet 2025. (Relatório/PMC). PMC
GBD 2019 Stroke Collaborators. Global, regional, and national burden of stroke and its risk factors (Lancet/GBD). 2021/2024 updates. PubMed
U.S. Preventive Services Task Force. Aspirin Use to Prevent Cardiovascular Disease — Recommendation Statement. Apr 26, 2022. (USPSTF). uspreventiveservicestaskforce.org
McNeil JJ, et al. ASPREE Investigators. Effect of aspirin on cardiovascular events and bleeding in the healthy elderly. NEJM 2018 (ASPREE). nejm.org
ASCEND Study Collaborative Group. Effects of aspirin for primary prevention in persons with diabetes. NEJM 2018 / PMC. PubMed
Gaziano JM, et al. ARRIVE trial (aspirin for primary prevention in moderate-risk). NEJM 2018. PubMed
Christiansen M, et al. Primary prevention of cardiovascular events with aspirin — systematic review and meta-analysis. 2019. PubMed
Recent meta-analyses and reviews (2023–2025) sobre aspirina em prevenção primária (ex.: revisões 2024–2025 que sintetizam ASPREE/ASCEND/ARRIVE): artigos em PubMed/PMC que concluem benefício modesto e aumento de hemorragias. Exemplos: Kim KH 2024 meta-analysis; Caldeira D 2025 meta-analysis/discussões. PubMed
European Society of Cardiology — Guidelines on cardiovascular disease prevention in clinical practice (2021; actualizações e orientações relacionadas). escardio.org
American Heart Association / estatements and reviews summarising aspirin evidence (2022–2024 reviews). AhA Journals
Nota final e recomendação prática
Se está a ponderar tomar aspirina regularmente para “proteger o coração”, o passo mais seguro é marcar com o seu médico para calcular o seu risco cardiovascular global (por exemplo risco a 10 anos), avaliar risco de hemorragia (história de úlcera, anticoagulação, hepatopatia, etc.) e decidir em conjunto. Para a maioria das pessoas sem doença prévia, priorizar o controlo da pressão arterial, cessar tabaco, tratar colesterol e adoptar hábitos saudáveis traz mais benefício e menos risco do que iniciar aspirina de rotina.
O ressonar é extremamente frequente na população adulta. Estudos populacionais mostram percentagens variáveis — dependentes da definição usada (ressonar ocasional, habitual, ou associado a apneia) — mas prevalências de ressonar habitual na ordem dos 10–30% em adultos não são invulgares, com homens a ressonar mais que mulheres. Além disso, o ressonar pode ser apenas um sintoma de doença mais grave: a apneia obstrutiva do sono (AOS), que está associada a aumento do risco cardiovascular, acidentes e redução da qualidade de vida. PubMed
Quando o ressonar significa apneia (paragens respiratórias): sinais de alarme
Perigos e consequências para a saúde (curto e longo prazo)
Diagnóstico (quando e como avaliar)
Como evitar e tratar de forma natural (mudanças de hábitos)
Tratamentos não farmacológicos (posicionais, dispositivos orais, CPAP, cirurgia)
Uso de medicamentos: quando e quais (e precauções)
Melhor posição para dormir e características da almofada que ajudam a reduzir o ressonar
Recomendações práticas para o dia a dia
Conclusão e resumo
Lista completa de fontes bibliográficas científicas
O que é o ressonar?
Fisiologia básica
Ressonar é o som produzido pela vibração dos tecidos das vias aéreas (nariz, palato mole, úvula, faringe) durante o sono quando o fluxo de ar é parcialmente obstruído. O estreitamento das vias aéreas durante o sono faz com que o ar em passagem provoque vibrações que geram o som do ressonar. Em muitos casos o ressonar é isolado e apenas incómodo para o parceiro; noutros está associado a colapsos mais importantes da via aérea (apneias ou hipopneias). Explicação fisiológica baseada em literatura de revisão sobre sleep-disordered breathing. PubMed
Congestão nasal crónica, rinites e alergias. PubMed
Ressonar e apneia obstrutiva do sono (paragens respiratórias)
Sinais que sugerem apneia obstrutiva do sono (AOS):
Pausas respiratórias observadas pelo parceiro;
Sonolência diurna marcante, queda de atenção, “adormecer ao volante”;
Acordar com sensação de asfixia ou com dor de cabeça matinal;
Irritabilidade, depressão, perdas cognitivas progressivas. Se existirem estes sinais, deve procurar-se avaliação especializada (estudo do sono/ polissonografia). A apneia obstrutiva do sono é a condição em que há episódios repetidos de obstrução da via aérea (apneia ou hipopneia) durante o sono. PubMed
Perigos e consequências para a saúde
O ressonar associado a apneia obstrutiva do sono tem implicações importantes:
Avaliação inicial: história clínica (sono, sonolência, pausas respiratórias), exame ENT (vias nasais, orofaringe), índice de massa corporal.
Testes: dispositivos de rastreio domiciliário (monitorização respiratória), ou polissonografia em laboratório para confirmar e quantificar o índice de apneia-hipopneia (AHI –> apnea–hypopnea index ).
Encaminhamento para pneumologia/sono ou otorrinolaringologia conforme resultados.
Tratamento natural
Como evitar e tratar de forma natural?
Descrevo de seguida as principais mudanças de estilo de vida frequentemente recomendadas e com evidência de benefício:
Perda de peso –> mesmo reduções moderadas de peso diminuem o índice apneia-hipopneia (AHI) e o ressonar ou seja intervenções estruturadas mostram melhoria clínica. PubMed
Evitar álcool e sedativos antes de dormir –> estes reduzem o tônus da via aérea e aumentam o ressonar e apneias. PubMed
Deixar de fumar –> a cessação tabágica reduz a inflamação e congestão das vias aéreas. PubMed
Melhorar higiene do sono –> horários regulares, ambiente escuro e calmo; evitar refeições pesadas à noite e próximas da hora de deitar.
Exercício físico –> provoca melhoria geral do sono, controlo de peso e redução da gravidade da apneia obstrutiva do sono mesmo sem perda de peso substancial.PubMed
Terapia posicional (positional therapy): para pessoas cuja apneia obstrutiva do sono é muito dependente da posição supina (apneias muito mais frequentes de costas ) ou decúbito dorsal, onde a pessoa fica deitada de costas com a cabeça e os ombros ligeiramente elevados. Existem dispositivos e estratégias para evitar dormir sobre as costas; meta-análises mostram benefício em casos posicionais, embora menos eficaz que CPAP nos AOS moderado-grave. PubMed Estudo: The undervalued potential of positional therapy in position–dependent snoring and obstructive sleep apnea—a review of the literature
Almofadas específicas: existem estudos que testaram almofadas com desenho para abrir a orofaringe e reduzir o ressonar — resultado promissor em alguns protótipos, mas a evidência ainda não é massiva; escolha de almofada deve focar suporte cervical e manter alinhamento. PubMed
Cirurgia: indicada em casos anatómicos (amígdalas muito grandes, desvio septal, colapso faríngeo) quando outras medidas falham. Avaliação por ENT é essencial.
Tiras nasais
As tiras nasais do tipo Breathe Right® podem ser eficazes, mas o grau de benefício depende da causa do ressonar ou da obstrução nasal.
✅ Como atuam
São tiras adesivas colocadas transversalmente sobre o dorso do nariz.
Possuem uma pequena “mola” flexível que, ao tentar voltar à sua forma original, puxa suavemente as asas nasais para fora.
Este efeito alarga mecanicamente a válvula nasal (a parte mais estreita das vias respiratórias superiores), reduzindo a resistência ao fluxo de ar.
O resultado é uma respiração nasal mais fácil, sobretudo em pessoas com congestão nasal, desvio do septo ou colapso da válvula nasal.
📊 Eficácia (com base em estudos)
Reduzem a resistência nasal e melhoram o fluxo aéreo em doentes com obstrução nasal documentada.
Podem diminuir o ressonar em pessoas cujo problema está relacionado com obstrução nasal (e não faríngea).
Contudo, não são eficazes em casos de apneia obstrutiva do sono moderada a grave, já que o colapso ocorre sobretudo na faringe.
Ensaios clínicos mostraram melhorias subjetivas na respiração e no sono do parceiro, mas os efeitos são variáveis e geralmente modestos.
📌 Em resumo:
Funcionam melhor em ressonadores ocasionais ou leves, ligados a nariz entupido.
São pouco eficazes para apneia obstrutiva do sono significativa (a causa está mais atrás na garganta).
Podem ser úteis como complemento, mas não substituem avaliação médica quando há pausas respiratórias noturnas ou sonolência diurna.
A partir da literatura:
As tiras nasais externas (como Breathe Right) podem ajudar a diminuir o ressonar, melhorar a sensação de respirar pelo nariz, diminuir a secura da boca e algo da sonolência diurna — especialmente em pessoas sem apneia do sono significativa, ou com apneia ligeira, ou cujo ressonar esteja bastante ligado à obstrução nasal ou ao estreitamento da válvula nasal.
Contudo, em casos de apneia moderada a grave, os estudos apontam que não há melhoria significativa nos parâmetros objetivos mais importantes como o índice apneia-hipopneia (AHI) ou desaturações de oxigénio. O tratamento de referência para esses casos continua a ser CPAP ou outras intervenções mais fortes.
Também há boas evidências de que os benefícios subjetivos (como melhorar sensação de sono, diminuir desconforto, etc.) muitas vezes têm componente placebo ou dependem muito das expectativas, mas isso não significa que não sejam reais para quem os sente.
Medicamentos
Os fármacos têm papel limitado e específico; a principal terapêutica é mecânica/posicional e alterações de estilo de vida. Sempre discutir com médico. PubMed
Não há fármacos aprovados especificamente para “parar o ressonar”. Alguns fármacos são estudados para AOS ou para sintomas associados:
Inibidores da anidrase carbónica (ex.: acetazolamida) têm sido estudados em contextos específicos (altitude, e como adjuvantes) e aparecem nas recomendações da ERS para situações selecionadas — não são uma solução de rotina. PubMed
Modafinil / armodafinil podem ser usados para tratar sonolência residua apesar do tratamento da AOS (ex.: em doentes sob CPAP com sonolência persistente) — tratam a sonolência, não as apneias.
Antagonistas sedativos e hipnóticos geralmente pioram a obstrução e não são recomendados se houver suspeita de AOS.
Melhor posição para dormir
Posição para dormir
Dormir de lado (posição lateral) reduz frequentemente o ressonar e apneias em pessoas com apneia obstrutiva do sono posicional, porque evita o colapso posterior da língua e palato que ocorre quando se dorme de costas. Posicionais (evitar supino) são muitas vezes o primeiro passo. PubMed
Elevar a cabeceira (15–30°) ou usar uma cama/inclinação pode reduzir o ressonar em alguns estudos. PubMed
Almofada melhores características
Suporte cervical adequado: manter a cabeça e pescoço alinhados com a coluna; evitar almofadas demasiado altas (que dobram o pescoço) ou demasiado baixas. Estudos sobre almofadas desenhadas para reduzir snoring sugerem que designs que mantêm posição da cabeça e abrem a orofaringe podem ajudar. PUbMed
Altura ajustável: permite adaptar a almofada à posição (lateral vs. supino).
Material respirável e hipoalergénico: reduz congestão alérgica, que pode agravar o ressonar.
Formato ergonómico: almofadas em cunha, com recortes ou com suporte cervical reforçado podem ajudar a manter a via aérea mais patente; há almofadas inclinadas/anti-ronco no mercado com evidência variável. PubMed
Recomendações práticas para o dia a dia
Se ressonas é ocasional e não tens sonolência diurna nem pausas respiratórias observadas –> começar por mudanças de hábitos (perda de peso se necessário, evitar álcool antes de dormir, melhorar higiene do sono, dormir de lado).
Se o parceiro reporta pausas respiratórias, ou tens sonolência diurna marcada: –> procurar avaliação médica (estudo do sono).
Considerar terapia posicional ou almofada inclinada com elevação da cabeceira como tentativa inicial não invasiva. PubMed
Para apneia obstrutiva do sono confirmada –> discutir com especialista opções como CPAP, dispositivo de avanço mandibular, cirurgia ou terapias combinadas conforme gravidade e anatomia. PubMed
Concluindo
O ressonar é muito frequente e, embora por vezes inofensivo, pode ser sinal de apneia obstrutiva do sono, uma condição com claras implicações cardiovasculares, metabólicas e de qualidade de vida. A avaliação clínica é essencial quando há sinais de alarme (pausas respiratórias observadas, sonolência diurna). Medidas naturais e de estilo de vida (perda de peso, evitar álcool, parar de fumar, exercício, dormir de lado) são a base do tratamento e têm evidência de benefício. Para apneia obstrutiva do sono confirmada, o CPAP continua a ser o padrão ouro para casos moderados a graves, enquanto dispositivos orais e terapias posicionais são alternativas válidas em casos selecionados. A medicação tem papel muito limitado e deve ser sempre considerada por um especialista. PubMed
Fontes bibliográficas
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Kara CO, et al. The prevalence of snoring in the adult population. (Prevalence study). PubMed. 2005. PubMed
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Carneiro-Barrera A, et al. Effect of an Interdisciplinary Weight Loss and Lifestyle … on OSA. PMC. 2022. (Intervenção de perda de peso melhora AOS.) PubMed
European Respiratory Society guideline on non-CPAP therapies for OSA (Randerath et al.). PubMed/ERS guideline 2021. (Recomendações sobre dispositivos orais, estimulação do nervo hipoglosso, terapias posicionais, inibidores de anidrase carbónica, etc.) PubMed
Ravesloot MJL, et al. The undervalued potential of positional therapy in OSA. (Review). PMC. 2012. PubMed
Danoff-Burg S, et al. Sleeping in an Inclined Position to Reduce Snoring and … PMC. 2022. (Inclinação da cabeceira reduz ressonar em estudo não clínico). PubMed
Ahn D, et al. Development and Evaluation of a Pillow to Prevent Snoring … PMC. 2022. (Estudo de almofada desenhada para abrir orofaringe). PubMed
Ramar K, et al. Clinical Practice Guideline for the Treatment of Obstructive Sleep Apnea with Oral Appliances. (AASM guideline). PubMed. 2015. (Evidência e recomendações para DAM/MAD). PubMed
Manetta IP, et al. Mandibular advancement devices in obstructive sleep apnea. PMC. 2022. (Revisão sobre DAM). PubMed
Biblografia sobre tiras nasais
Kase, Y., Shimada, H., Inoue, Y., & Isono, S. (2021). Immediate effect of a nasal dilator strip on inspiratory nasal resistance in patients with nasal obstruction. Auris Nasus Larynx, 48(6), 1087-1093. doi:10.1016/j.anl.2021.02.011
Ferguson, K. A., Cartwright, R., Rogers, R., & Schmidt-Nowara, W. (1998). Oral appliances for snoring and obstructive sleep apnea: a review. Sleep, 19(10), 801–810. doi:10.1093/sleep/19.10.801 (inclui análise de dilatadores nasais como medida adjuvante).
Djupesland, P. G., Skatvedt, O., & Lyberg, T. (1997). The nasal dilator strip in the treatment of snoring. A clinical study. Acta Otolaryngol, 117(4), 596–599. doi:10.3109/00016489709113440
Roithmann, R., Cole, P., Chapnik, J., Barreto, S. M., Szalai, J. P., & Zamel, N. (1998). Acoustic rhinometric assessment of the nasal valve. Am J Rhinol, 12(5), 387–392. doi:10.2500/105065898780182315 (avalia o efeito dos dilatadores na válvula nasal).
Kerr, P., Millar, T., Buckle, P., & Kryger, M. (1993). The importance of nasal resistance in obstructive sleep apnea syndrome. Am J Respir Crit Care Med, 147(6 Pt 1), 1627–1631. doi:10.1164/ajrccm/147.6_Pt_1.1627 (base fisiológica para explicar porque dilatadores podem ajudar em casos leves).
Tiroide intestino e imunidade, guia de incríveis influências: As doenças da Tiroide mais comuns são o hipotiroidismo (muitas vezes causado pela doença de Hashimoto), o hipertiroidismo e os nódulos da tiroide. A Thyroid Federation International agrega organizações de apoio aos doentes da Tiroide de pelo menos 19 países, quase todos desenvolvido como por exemplo The Australian Thyroid Foundation ou a Thyroid Foundation of Canada. Isto é mais um facto que realça a forte prevalência das doenças da Tiroide na população principalmente dos países ditos “mais evoluídos”! Mas afinal o que se passa com a Tiroide? Qual a sua surpreendente ligação com o nosso intestino?
O que é a tiroide? Qual a sua função? Porque é importante? Quais os sinais de problemas? Como devem ser tratados? Como podem ser evitados? Sabia que as doenças da tiroide são muito comuns, sendo mais frequentes nas mulheres que nos homens?
Existem múltiplas doenças da tiroide. Algumas caraterizam-se pelo incorreto funcionamento da tiroide. A tiroide produz e liberta para a circulação sanguínea duas hormonas, essenciais à vida, uma vez que exercem múltiplos efeitos no metabolismo, crescimento e desenvolvimento do nosso organismo.
Neste artigo vou responder ás seguintes questões:
O que é a tiroide?
Qual a função da tiroide?
Para que servem as hormonas tiroideias?
Tiroide e o intestino qual a surpreendente relação?
Sistema imunitário e tiroide qual a importante ligação?
O que se passa se o intestino funcionar mal?
Como é regulada a tiroide?
Como se avalia atividade da tiroide?
Quais as principais doenças da tiroide?
As doenças da tiroide têm tratamento?
Nódulos da tiroide, o que são?
Qual a causa dos nódulos na tiroide?
Que tipos de nódulos existem?
Quais os exames que devem ser feitos?
Quais as características dos nódulos benignos vs malignos?
O que é o hipotiroidismo?
Quais as causas do hipotiroidismo?
Doença de Hashimoto: O que é?
Quais as causas da Doença de Hashimoto?
Porque temos falta de nutrientes?
Doença de Hashimoto: Quais os 6 nutrientes mais importantes?
Quais os sintomas de hipotiroidismo?
Como é diagnosticado o hipotiroidismo?
Quais os tratamentos para o hipotiroidismo?
O que é o hipertiroidismo?
Quais as causas de hipertiroidismo?
Hipertiroidismo: Quais os sintomas?
Como é diagnosticado o hipertiroidismo?
Quais os tratamentos para o hipertiroidismo?
O que é o cancro da tiroide?
Qual a causa do cancro da tiroide? Como é diagnosticado o cancro da tiroide?
Como é tratado o cancro da tiroide?
Como é seguido o doente com cancro da tiroide
Qual a importância da vigilância regular?
Quais as doenças da tiroide na gravidez?
Quais as alterações da tiroide normais durante a gravidez?
Quais as doenças mais comuns da tiroide durante a gravidez?
Quais os tratamentos mais indicados durante a gravidez?
Qual a influência das doenças da tiroide na amamentação?
Pode amamentar-se fazendo o tratamento?
As cinco grandes mentiras sobre saúde
Tiroide o que é?
A tiroide é uma glândula localizada na base do pescoço, por cima da traqueia (logo abaixo da maçã de Adão nos homens). Tem a forma de uma borboleta, sendo constituída por dois lobos unidos por uma porção central chamada istmo. O nome deriva do Grego “thyreos” que significa escudo pois a sua forma de facto faz lembrar um escudo!
Função da tiroide
A tiroide é uma glândula de secreção endócrina, isto é, produz hormonas que são libertadas para a circulação sanguínea, chamadas hormonas tiróideas, a saber:
Triiodotironina (T3),
Tetraiodotironina (tiroxina ou T4).
A T3 é a forma ativa da hormona formada principalmente a partir da conversão da T4 nos tecidos periféricos do organismo.
T3 e T4 hormonas tiróideas, para que servem?
As hormonas tiróideas são essenciais à vida e exercem múltiplos efeitos a três níveis:
Metabolismo,
Crescimento,
Funcionamento do organismo.
Estas hormonas são responsáveis por uma enorme variedade de funções e comunicações com todos os outros sistemas do nosso organismo mas particularmente com o intestino.
Através do sangue são transportadas a todas as células do nosso corpo, influenciando o seu metabolismo. Duma forma simples podemos dizer que regulam a velocidade com que as células trabalham. Se há um aumento da produção de hormonas tiróideas como no hipertiroidismo , o nosso organismo está acelerado, por exemplo há um aumento da frequência cardíaca e o funcionamento do intestino torna-se mais rápido.
Por outro lado se há uma menor produção de hormonas tiróideas, hipotiroidismo, a frequência cardíaca diminui e o intestino trabalha mais lentamente podendo originar obstipação.
É a tiroide que decide quanto "combustível" vamos utilizar para cada tarefa fisiológica, metabólica e física que tenhamos de efetuar. Por isso contribui de forma decisiva para o nosso bem-estar mental, emocional, ajudando a pensar mais depressa ou mais devagar e influenciando até a nossa função e desejo sexual.
Tiroide e o intestino
Tiroide e intestino estão intimamente ligados de tal forma que problemas no intestino influenciam decisivamente o funcionamento da tiroide e vice-versa. A tiroide ajuda a regular a motilidade intestinal e fortalece a integridade da mucosa do trato gastrointestinal. Isto e muito importante por duas ordens de razões:
O intestino converte um quinto da hormona T4 (forma inativa) em T3 (forma ativa);
O intestino serve de interface entre a tiroide e o sistema imunitário.
Sistema imunitário e tiroide
Grande parte do sistema imunitário está localizado logo por baixo da única camada de células que reveste o nosso intestino. Isso mesmo… leu bem o nosso intestino e tudo o que “por lá passa” apenas é separado do sistema imunitário por uma única camada de células fortemente ligadas entre si. Por sua vez esta ligação forte entre as células da mucosa intestinal, curiosamente, não é feita por uma espécie de “cola” mas sim por uma espécie de “portal” que se abre e fecha apenas para deixar passar os nutrientes que nos são essenciais, depois de decompostos nas suas formas mais básicas, tais como:
Aminoácidos (para produção de proteínas);
Monossacarídeos (para produção de hidratos de carbono);
Monoglicerídeos (para produção de gordura).
O bom funcionamento do intestino depende imenso da correta motilidade intestinal que por sua vez é regulada pela tiroide.
Permeabilidade intestinal
Quando a motilidade intestinal está alterada, originando por exemplo obstipação ou diarreia, existe uma maior probabilidade do “portal” que une as células da mucosa intestinal ficar em linguagem simples “encravado no modo aberto” colocando em contacto direto e permanente o nosso sistema imunitário com o conteúdo intestinal. Este contacto provoca uma reação inflamatória permanente e exagerada do nosso sistema imunitário que se sabe hoje ser uma das causas mais importantes de imensas doenças autoimunes, cuja incidência na população dos países desenvolvidos tem disparado de forma alarmante!
Glúten e permeabilidade intestinal
A única molécula conhecida que atua como “chave” para abrir os portais existentes entre as células da mucosa intestinal chama-se Zonulin (Zonulina) e a sua produção pelo organismo é estimulada pela ingestão de gluten, pelo que cientistas de renome na área das doenças autoimunes, como o Dr Alessio Fassano, fundador do Center for Celiac Research, aconselham a eliminar completamente da nossa dieta.
A atividade da glândula tiroide é controlada por duas hormonas produzidas noutros órgãos:
Hipófise– glândula localizada na base do cérebro, que produz a TSH;
Hipotálamo – porção do cérebro imediatamente acima da hipófise, que produz a TRH.
A hipófise e o hipotálamo são uma espécie de sensores, sensíveis aos níveis de hormonas tiroideias em circulação. Se os níveis de T3 e T4 em circulação forem baixos o hipotálamo liberta TRH que estimula a libertação de TSH pela hipófise. Os níveis aumentados de TSH, por sua vez, estimulam a tiroide a produzir mais hormona tiroideia, de forma a restabelecer os níveis normais.
Pelo contrário, se os níveis de hormonas tiróideas em circulação excederem os valores normais, o hipotálamo e a hipófise diminuem a libertação de TRH e TSH respetivamente, de forma a que haja menor produção de T3 e T4 pela tiroide.
Avaliar a atividade da tiroide
Antes de mais, um médico tem uma ideia da atividade da glândula através da história clínica, sintomas e exame físico que o doente apresenta. Perante a suspeita clínica de alteração da função da tiróide é necessário uma análise laboratorial. É efetuada uma colheita de sangue onde é possível medir os níveis de T3, T4 e TSH.
Doenças da tiroide
As doenças tiróideas são muito comuns, sendo mais frequentes nas mulheres que nos homens.
Existem múltiplas doenças da tiroide, sendo as mais comuns:
Hipertiroidismo– sempre que há excesso de produção de hormonas tiroideias;
Hipotiroidismo– quando há deficiência de produção de hormonas tiroideias;
Doenças Autoimunes – são causadas por anticorpos dirigidos contra a glândula tiroide, que podem estimular ou destruir a glândula. São exemplos a Doença de Graves (causa de hipertiroidismo) e a Doença de Hashimoto ( causa frequente de hipotiroidismo);
Bócio– quando a tiroide está globalmente aumentada de tamanho;
Nódulos– podem ser únicos ou múltiplos.
Tratamento das doenças da tiroide
Habitualmente as doenças da tiroide não são complicadas e os seus sintomas podem ser tratados. Há doenças que podem ser tratadas com medicamentos orais e outras que pode ser necessário recorrer a outras formas de tratamento.
Nódulos da Tiroide
O que são nódulos?
A tiroide é uma glândula que todos temos e que se localiza no pescoço. Por vezes pode estar aumentada de volume de forma difusa – bócio simples ou pode ter nódulos – bócio nodular.
Causa dos nódulos
A maioria das vezes não se sabe a causa. Algumas das causas conhecidas são as seguintes:
As mulheres podem ter aumento do volume da glândula durante a gravidez.
Deficiência de iodo.
Aumento difuso provocado por doenças autoimunes como a Doença de Graves e Tiroidite de Hashimoto.
Alguns medicamentos ex: amiodarona, lítio, …
Determinados químicos.
Radioterapia da cabeça ou do pescoço.
Causa genéticas.
Grandes quantidades de radioatividade , por exemplo no desastre de Hiroshima , Chernobyl e mais recentemente Fukushima
Tipos de nódulos
Os nódulos da tiroide são muito mais frequentes na mulher do que no homem. Os nódulos podem ser:
Únicos,
Múltiplos.
Habitualmente tem o mesmo tipo de abordagem. Os nódulos com menos de 1 cm habitualmente não têm importância clínica, e podem apenas necessitar de vigilância. Nos nódulos com mais de 1 a 1,5 cm , dependendo da história clínica e características ecográficas dos nódulos, pode ser conveniente a realização de uma citologia aspirativa com agulha fina. Pretende-se excluir a hipótese de cancro da tiróide, que constitui uma minoria das situações (cerca de 5 a 10%).
Se forem volumosos podem dar algum desconforto ou sensação de compressão a nível cervical. Nessa situação pode ser necessário cirurgia que também é realizada sempre que a citologia for suspeita ou maligna.
Exames que devem ser feitos
Colheita de sangue para avaliar os níveis das hormonas tiróideas
Se hipertiroidismo, pode tratar-se de um ou mais nódulos a trabalhar em excesso.
Ecografia da tiroide
É um exame indolor que nos permite avaliar a morfologia da glândula, isto é, o seu tamanho, a existência de nódulos e as suas características, por exemplo se são sólidos ou líquidos. Apesar da ecografia da tiroide não nos indicar se um nódulo é benigno ou maligno, determinadas características dos nódulos podem ser mais suspeitas e orientam-nos para a necessidade de uma citologia.
Citologia com agulha fina
Recolhe células do nódulo para estudo microscópico.
Cintigrafia da tiroide
Só deverá ser efetuado em algumas situações particulares.
Nódulos benignos vs malignos
Nódulos benignos
Podem ser quistos, nódulos coloides, adenomas, etc.
Nódulos malignos
O cancro da tiroide tem uma alta taxa de cura e a maioria dos doentes pode ter uma vida perfeitamente normal. O tratamento é cirúrgico. Por vezes é necessário tratamento com iodo radioativo. O tratamento com levotiroxina é obrigatório em todos os doentes. A vigilância deve ser para o resto da vida.
Hipotiroidismo
O que é o hipotiroidismo?
É uma condição em que as hormonas da tiróide estão em quantidade insuficiente no sangue comprometendo o normal funcionamento de todo o organismo. Chama-se de hipotiroidismo primário quando a causa compromete o funcionamento da tiroide.
Sintomas de hipotiroidismo
Os os sintomas são variados, por vezes inespecíficos ou seja são similares ao de outras patologias e geralmente aparecem progressivamente. Os principais são os seguintes:
Aumento da sensibilidade ao frio;
Fadiga;
Cansaço fácil;
Obstipação;
Pele seca;
Queda de cabelo, cabelo fino e quebradiço;
Irregularidades menstruais;
Ligeiro aumento de peso (retenção de fluidos);
Mialgias e parestesias.
Causas de hipotiroidismo primário
Existem muitas razões pelas quais a tiroide deixa de funcionar adequadamente nas pessoas com hipotiroidismo, sendo as principais as que descrevo de seguida:
Doença autoimune como a doença de Hashimoto (95% dos casos);
Falta ou excesso de iodo;
Cirurgia prévia;
Medicamentos;
Radiações.
Doença de Hashimoto
É a causa mais comum em adultos (95%), em países sem carência severa de iodo, como é o caso de Portugal. Nesta condição, as defesas do organismo deixam de reconhecer a tiroide como fazendo parte do corpo e atacam-na como se fosse uma entidade estranha. À medida que vai sendo lesada, a tiroide deixa de ter capacidade para fabricar e libertar hormonas em quantidade suficiente, estabelecendo-se o hipotiroidismo.
Doença de Hashimoto: Quais as causas?
Segundo a Dra Izabella Wentz, as principais causas primárias da doença de Hashimoto são:
Sensibilidades alimentares
Deficiência em alguns nutrientes
Dificuldade em gerir o stress
Comprometimento da capacidade de lidar com toxinas
Infeções crónicas
Permeabilidade intestinal
Algumas das causas primárias podem estar um pouco escondidas e ser necessário investigar mais profundamente. No entanto resolver as carências de nutrientes é uma das medidas mais simples que podem ser tomadas.
A boa notícia é que, quando tratamos das carências de nutrientes, podemos sentir uma melhoria muito rápida, mesmo quando outras causas subjacentes ainda estão presentes!
Falta de nutrientes
Carências de nutrientes são sempre um fator na Doença de Hashimoto. Devido ás práticas agrícolas atuais e dieta ocidental, a carência de nutrientes é um fator importante para a maioria das pessoas!
Estas carências podem ser originadas pelos seguintes fatores:
Comer alimentos processados
Tomar medicamentos
Sensibilidade alimenta
Inflamação intestinal,
Má digestão,
Mal absorção,
Infeção intestinal,
Microbioma alterado.
Até mesmo o hipotiroidismo em si mesmo, pode levar a carências de nutrientes.
Mesmo as pessoas cuja dieta se baseia em alimentos orgânicos, ricos em nutrientes, correm o risco de ter deficiências de nutrientes, devido aos seguintes fatores:
Estômago menos ácido que o necessário
Mal absorção de gordura
Deficiência em enzimas digestivas
Estes fatores fazem com que muitos de nós não sejamos capazes de retirar e absorver dos alimentos os nutrientes que necessitamos nas quantidades adequadas.
6 nutrientes mais importantes na Doença de Hashimoto
Ainda segundo a Dra Izabella Wentz as carências de nutrientes mais comuns na doença de Hashimoto são:
Magnésio (citrato ou glicinato)
Selénio,
Vitamina B1 (Tiamina)
Vitamina B12,
Viatmina D
Ferritina (a proteína de armazenamento de ferro).
O doseamento sanguíneo de selénio, vitamina B1 (Tiamina) e magnésio não são fiáveis. A maioria das pessoas com Hashimoto tem deficiências nestes 3 nutrientes pelo que se aconselha a suplementação mesmo sem teste sanguíneo, pois as reações adversas são pouco frequentes.
Magnésio
O magnésio foi muitas vezes chamado de “nutriente milagroso”. A deficiência de magnésio pode causar os seguintes sintomas:
Caibras
Enxaqueca,
Dores de cabeça,
Insónia,
Cólicas menstruais,
Ansiedade,
Dores nas articulações.
Pode ainda causar uma série de outros sintomas entre os quais intolerância a ruídos altos.
O uso a longo prazo também pode ajudar com a normalização da aparência da glândula tiroide em ultrassom, e magnésio também pode ajudar a tiroide e nódulos da mama.
Magnésio: Qual o suplemento recomendado?
Citrato de magnésio puro em cápsulas (se for tendencialmente preso do intestino)
Glicinato de magnésio (se for tendencialmente solto do intestino)
Dose:1-4 cápsulas por dia, em doses divididas, com as refeições.
Quais os benefícios esperados?
Redução da ansiedade,
Palpitações menos frequentes,
Mais energia,
Melhoria no exame de ultrassom da tiroide (quando usada a longo prazo),
Ausência de cólicas menstruais,
Melhoria na obstipação,
Menos enxaqueca,
Menos caibras e dor,
Melhor sono.
Quanto tempo para ver os benefícios?
Isso realmente depende dos sintomas. Pode sentir benefícios com ansiedade, insónia e até mesmo enxaquecas ou dores de cabeça, dentro da primeira semana.
As cólicas menstruais, vão reduzir-se em 80-90% no primeiro mês e diminuirão ainda mais com o uso continuado. Em relação à normalização do exame de ultrassom da tiroide, isso pode levar alguns anos de uso.
Quanto tempo tomar:3 meses ou toda a vida depende dos sintomas e do aconselhamento médico.
Considerações especiais:
Certifique-se que toma o magnésio pelo menos com 4 horas de diferença em relação à medicação da tiroide pois o magnésio pode bloquear a sua absorção. Tomar o magnésio ao deitar pode ser uma boa escolha porque promove um sono reparador.
Citrato de magnésio pode causar fezes moles, o que pode ser bom se for obstipado ou mau se já tiver fezes soltas.
Assim utilize glicinato de magnésio se tende mais para a diarreia e citrato de magnésio se tende mais para a obstipação.
Tenha ainda em mente que para algumas pessoas o glicinato de magnésio pode piorar os sintomas de ansiedade. Neste caso o citrato de magnésio seria uma escolha melhor.
Selénio
Deficiência de selénio tem sido reconhecida como um gatilho ambiental para Hashimoto’s, e a maioria das pessoas com Hashimoto estão em risco de ter esta deficiência. Outras populações de alto risco incluem pessoas com:
Síndrome do Intestino Irritável,
Doença celíaca (alérgicos ao glúten)
Pessoas que consomem dietas sem cereais.
Numerosos estudos apoiam o uso de selénio na Doença de Hashimoto, Doença de Graves e gravidez. Na verdade, o selénio pode evitar a doença de Hashimoto pós-parto.
Uma dose de 200 microgramas por dia foi considerada eficaz para reduzir os anticorpos anti-Tiroperoxidase (TPO) em cerca de 50% em 3 meses!
Suplemento recomendado: Selénio na forma de metionina pura em cápsulas
Dose:200-400 μg por dia
Benefícios esperados:
Menos ansiedade,
Melhor conversão de T4 para T3,
Menos anticorpos anti tiroide,
Mais energia,
Menos perda de cabelo,
Menos palpitações.
Quanto tempo demora a sentir benefícios?
Geralmente 3 a 5 dias para os sintomas começarem a melhorar e 3 meses completos para ver uma redução nos anticorpos da tiroide
Quanto tempo deve tomar:3 meses a 2 anos
Considerações especiais:
Se tiver uma reação adversa ao selénio (que é raro), pode ter deficiência de iodo. Enquanto o iodo pode ser um gatilho para Hashimoto e pode exacerbar Hashimoto, algumas pessoas podem ser deficientes e podem beneficiar de um suplemento de iodo de baixa dosagem (até 250 mcg tem sido bem tolerado em pessoas com Hashimoto.) A maioria das vitaminas multi e pré-natal já contém na sua composição 150-250 mcg.
Falta ou excesso de iodo – O Iodo é o elemento fundamental para a síntese das hormonas da tiroide. O iodo é fornecido pelos alimentos. Quando em níveis insuficientes ou excessivos pode alterar a função da tiroide, comprometendo a sua síntese hormonal.
Cirurgia prévia– algumas doenças da tiroide requerem uma cirurgia para remoção total ou parcial da glândula. Se a remoção for completa ou o que restou da glândula não for suficiente, não haverá produção adequada das hormonas.
Medicamentos– há fármacos como a amiodarona, o lítio e o interferão que alteram a síntese hormonal.
Radiações – pessoas submetidas a tratamentos com radiações para doenças da tiroide ou outras da cabeça ou pescoço podem desenvolver hipotiroidismo.
Diagnosticar o hipotiroidismo
Segundo a experiência pessoal e profissional da Dra Izabella Wentz, autora do Best seller Hashimoto’s Protocol, o hipotiroidismo pode não ser diagnosticado nos primeiros 10 anos da doença pelo simples facto de as análises clinicas apenas ao doseamento das hormonas da tiroide T4 e T3 estarem dentro dos intervalos normais de referência.
Normalmente o diagnóstico definitivo baseia-se no doseamento sanguíneo das hormonas da tiroide e da TSH (hormona que regula o funcionamento da tiroide e que é produzida noutra glândula, a hipófise, que se localiza no cérebro).
No entanto, se houver sintomas, segundo a Dra Izabella Wentz, mesmo com T4 e T3 normais, a doença autoimune de Hashimoto pode já estar a atacar a tiroide. Torna-se portanto necessário ir mais longe e fazer os seguintes exames complementares:
Ecografia da tiroide para confirmar se a morfologia e tamanho são normais;
Teste TPO: Pesquisa no sangue anticorpos específicos da tiroide, tais como anticorpos contra a Tiroperoxidase (TPO) que é uma enzima presente na tiroide e desempenha uma importante função na produção de hormonas da tiroide. Se o teste for positivo isso indica que existem anticorpos a atacar a tiroide o que pode ser uma indicação de doença autoimune tal como doença de Hashimoto (que provoca hipotiroidismo) ou doença de Graves (que provoca hipertiroidismo).
Qual o tratamento para o hipotiroidismo?
O tratamento do hipotiroidismo consiste na administração geralmente crónica de hormona da tiroide na forma de L-tiroxina (T4), de forma a fornecer ao organismo a quantidade de hormonas que a tiroide se tornou incapaz de produzir.
Como se faz o acompanhamento médico?
A maioria dos casos de hipotiroidismo são definitivos, não tendo cura. No entanto, desde que o tratamento seja bem realizado e a dose de levotiroxina seja a correta, as pessoas não terão quaisquer sinais ou sintomas, podendo levar uma vida perfeitamente normal.
A dose de L-T4 adequada pode variar ao longo do tempo na mesma pessoa, o que obriga a que se devam realizar análises periódicas para ajustar a posologia.
Hipertiroidismo
O que é o hipertiroidismo?
O hipertiroidismo acontece quando a glândula tiroide produz hormonas em quantidades excessivas. As hormonas tiroideias (T3 e T4) controlam todas as funções do organismo e a sua velocidade de funcionamento. Quando há um excesso destas hormonas o organismo está “acelerado”. Esta situação deve ser rapidamente tratada pois pode causar “exaustão” em alguns dos órgãos, nomeadamente o coração
Causas do hipertiroidismo
As principais causas de hipertiroidismo são as seguintes:
Doença de Graves (doença autoimune);
Nódulo tóxico;
Bócio multinodular tóxico;
Tiroidite subaguda;
Excesso de hormona tiroideia;
Ingestão excessiva de iodo.
De seguida descreve-se como cada uma destas condições de saúde leva ao hipertiroidismo.
Doença de Graves – é uma alteração autoimune, causada por anticorpos estimuladores da tiroide. Há geralmente um aumento do volume da tiroide (bócio), hipertiroidismo e, por vezes, edema dos tecidos periorbitários que podem causar saliência dos globos oculares e alterações da visão. É mais frequente nas mulheres que nos homens e pode ter uma associação familiar.
Nódulo tóxico – quando a tiroide apresenta um único nódulo que produz mais hormonas que o necessário para o funcionamento normal do organismo.
Bócio multinodular tóxico – a tiroide apresenta-se mais volumosa (bócio) com vários nódulos que produzem excesso de hormonas e provocam hipertiroidismo. Geralmente aparece em pessoas mais velhas que há vários anos tinham bócio com nódulos.
Tiroidite Subaguda – após uma infeção vírica a tiroide torna-se mais volumosa e dolorosa e liberta para o sangue uma grande quantidade de hormonas que tinha armazenada. Não há um verdadeiro aumento de produção hormonal e, portanto, o hipertiroidismo é autolimitado.
Excesso de hormona tiroideia– os doentes que fazem tratamento com hormona tiroideia (levotiroxina) podem desenvolver hipertiroidismo se a dose desta se tornar excessiva. Por isto, a função tiroideia deve ser periodicamente vigiada por um médico e a dose de levotiroxina ajustada.
Ingestão excessiva de iodo – algumas medicações (ex. solução de lugal, amiodarona, contrastes de RX,…) contêm Iodo numa concentração muito superior á necessária. Em certas situações, este excesso de iodo pode ser utilizado pela tiroide e causar um hipertiroidismo.
Sinais de hipertiroidismo
Geralmente o quadro é muito marcado e não passa despercebido. É habitual estar presente um bócio (aumento de volume da tiroide) que se pode acompanhar de:
Palpitações, aumento da fadiga cardíaca (> 100 batimentos por minuto);
Nervosismo, irritabilidade, ansiedade, variações frequentes de humor; insónia;
Tremor fino das mãos;
Perda de peso apesar de apetite aumentado;
Hipersudorese e intolerância ao calor;
Queda de cabelo, pele fina, alterações das unhas;
Diarreia;
Diminuição do fluxo menstrual e irregularidades menstruais;
Fraqueza muscular no ombros, braços ou coxas;
Olhar vivo, fixo e/ou olhos proeminentes, visão dupla (na Doença de Graves).
Diagnóstico de hipertiroidismo
Quando há uma suspeita clínica pode ser realizada uma análise ao sangue onde é doseada a TSH – a hormona da hipófise que estimula a tiroide e que no hipertiroidismo está diminuída – e a T3 e T4 – hormonas da tiroide que no hipertiroidismo circulam em excesso no sangue. Pode existir excesso de uma só ou de ambas.
Posteriormente, para reforçar o diagnóstico podem ser necessários outros exames complementares para conhecer a causa tais como:
Determinação de anticorpos,
Cintigrafia da tiroide,
Ecografia.
Tratamento do hipertiroidismo
O objetivo é terminar com a produção excessiva de hormonas da tiroide. Há três tipos de tratamento e o seu médico poderá explicar-lhe os riscos e benefícios de cada um dos seguintes:
Medicamentos anti-tiroideios,
Iodo radioactivo,
Tratamento cirúrgico.
Fármacos anti tiroideios
Em Portugal há fármacos que atuam diminuindo a produção de hormonas pela tiroide. Atualmente prefere-se o uso do tiamazol (Metibasol®). Alguns doentes conseguem uma remissão de hipertiroidismo com o uso prolongado destes fármacos (cerca de 12-18 meses), embora noutros apenas se consiga um controlo provisório. Podem ter alguns efeitos adversos, tais como:
Reações cutâneas,
Alterações hepáticas,
Redução dos glóbulos brancos.
O seu uso deve ser vigiado e controlado por um médico endocrinologista.
Iodo Radioativo
Resulta numa resolução definitiva do hipertiroidismo. É administrado por via oral (geralmente em cápsulas) e ao entrar nas células da tiróide destrói algumas. O seu efeito terapêutico raramente acontece nos primeiros dois meses, manifestando-se depois, de um modo geral, até 6 meses após a sua administração.
Ocasionalmente o hipertiroidismo mantém-se e é necessária uma 2ª dose. Mais frequentemente resulta num hipotiroidismo (glândula menos ativa) e é preciso ficar a tomar hormona tiroideia de substituição. A dose exata de iodo para se conseguir uma função tiroideia normal é difícil de calcular, pelo que na maior parte dos casos se opta por uma dose empírica. É utilizado desde há muitos anos e não tem complicações importantes.
Tratamento cirúrgico
Em alguns casos é necessário remover cirurgicamente parte (nódulo tóxico) ou toda a glândula (Doença de Graves ou Bócio multinodular tóxico). Se a remoção for completa surge o hipotiroidismo e é necessário tomar hormona tiroideia para o resto da vida.
Outros tratamentos
Há fármacos (grupo dos bloqueadores beta adrenérgicos) que podem ser utilizados temporariamente para controlar os sintomas de hipertiroidismo enquanto os tratamentos específicos se tornam efetivos.
Cancro da Tiroide
O que é o cancro da tiroide?
O cancro da tiroide é um tumor maligno da glândula tiroideia. Aparece habitualmente sob forma de nódulo no pescoço, quase sempre sem sintomas. Apenas cerca de 5 a 10% destes nódulos tiroideus são malignos. A maioria dos casos surge em mulheres.
Os cancros da tiroide mais frequentes são o carcinoma papilar e o folicular, que se agrupam nos chamados carcinomas diferenciados da tiroide. Tal como o nome sugere, as suas células mantêm algumas características das células tiroideias normais, o que facilita o seu tratamento. Há outros tipos de cancro, carcinoma medular da tiroide , carcinoma anaplásico e linfoma da tiroide. Estes carcinomas são muito mais raros e tem uma forma de abordagem e evolução muito diferentes.
Causa do cancro da tiroide
O cancro da tiroide pode surgir em qualquer pessoa, e na maior parte dos casos a causa é desconhecida. Apenas a radioterapia da cabeça, pescoço ou tórax parece ser um fator de risco para o seu aparecimento. Antes de 1960 utilizava-se este tipo de tratamento para amigdalites de repetição ou para o acne. Sabe-se que há maior risco nas pessoas que foram expostas a grandes quantidades de radiação, como aconteceu na bomba de Hiroshima, no acidente nuclear de Chernobyl e vamos ver o que acontece com o acidente nuclear em Fukushima . Estes carcinomas podem ter uma incidência familiar.
Diagnosticar o cancro da tiroide
Muitas vezes é o próprio doente que nota um nódulo à palpação do pescoço, ou o seu médico num exame físico de rotina. Outras vezes aparece numa ecografia ou TAC pedidas por outro motivo. A grande maioria destes nódulos são benignos (90 a 95%), pelo que a sua simples descoberta não deve alarmar. No entanto, obriga ao seu estudo com:
Análises de sangue para avaliar a função tiroideia;
Ecografia da tiroide e se necessário citologia aspirativa com agulha fina.
Só em casos pontuais haverá necessidade de fazer cintigrafia.
A citologia é efetuada com uma agulha fina para aspirar uma pequena quantidade de células do(s) nódulo(s), que será analisada em laboratório. O exame é rápido, seguro e praticamente indolor.
Tratamento do cancro da tiroide
Se o diagnóstico da citologia for cancro, o primeiro passo é a cirurgia com a remoção (total) da glândula tiroideia – tiroidectomia (total), bem como dos gânglios linfáticos suspeitos, se os houver. Na maior parte dos casos, o tumor é totalmente removido. As complicações da cirurgia são raras nos centros mais experientes.
Uma vez retirada a tiroide, é necessário fazer tratamento com hormona tiroideia (T4 – levotiroxina). O objetivo é substituir a produção normal de hormona tiroideia e inibir o crescimento de possíveis células tiroideias ainda presentes . A TSH pode estimular o crescimento das células tumorais. O nível de TSH pretendido com o tratamento com levotiroxina depende de cada caso.
Em alguns casos pode ser necessário o tratamento com iodo radioativo, chamado tratamento ablativo ou ablação, porque destrói as células tiroideias normais e as cancerosas que possam ter ficado após a cirurgia. A necessidade de o fazer ou não tem que ser adaptado a cada doente.
Qual a importância da vigilância regular?
Mais de 80% de todos os casos curam.
No entanto, manter a vigilância periódica é essencial para a deteção precoce de uma eventual recidiva. Em 20% dos casos pode não ser obtida a cura após o tratamento inicial, por vezes pode haver disseminação a nível dos gânglios do pescoço e a outras partes do corpo (metástases) ainda que muitos anos depois da cirurgia.
Por esta razão, os médicos recomendam que os doentes com cancro da tiroide mantenham vigilância regular para toda a vida, embora mais importante nos primeiros 5 a 10 anos.
Os dois exames fundamentais para esta vigilância são:
Análises de sangue (doseamento da função tiroideia, tiroglobulina e anticorpos antitiroglobulina)
Ecografia cervical.
A periodicidade dos pedidos depende do doente, anos de seguimento e grau de risco do carcinoma. No 1º ano pós tratamento inicial geralmente são recomendados doseamentos de tiroglobulina e anticorpos antitiroglobulina cada 6 a 12 meses, e uma ecografia cervical ao fim do primeiro ano de tratamento, repetida quando o médico assim o considerar.
Ao fim do 1º ano de vigilância, pode ser necessário o doseamento de tireoglobulina ( o marcador tumoral ) sob níveis elevados de TSH (hormona hipofisária). Existem duas alternativas para elevar a TSH. Uma das possibilidades, a única disponível até há poucos anos, consiste em suspender a medicação com hormona tiroideia (habitualmente a T4 por 3 a 4 semanas ou a T3 por 2 a 3 semanas). A falta de hormona tiroideia, no entanto, provoca os sinais e sintomas habituais do hipotiroidismo, que podem ter repercussões mais ou menos importantes, dependendo de doente para doente.
Outra possibilidade é a utilização de TSH recombinante humana (rhTSH). Apesar de ser produzida em laboratório, a rhTSH é idêntica à TSH natural. A grande vantagem é que os doentes não têm necessidade de suspender a medicação com hormona tiroideia e portanto não têm os sintomas de hipotiroidismo. Tem alguns efeitos secundários, tais como:
Pequena reação no local da picada
Náuseas,
Vómitos,
Dor de cabeça,
Fraqueza após a injeção.
O que esperar para o futuro?
Apesar de não ter tiroide, pode ter uma vida perfeitamente normal com o tratamento hormonal qua a substitui. Vai necessitar de o manter para o resto da vida.
Consulte o seu médico para programar uma eventual gravidez. Os tratamentos com iodo radioativo estão absolutamente contraindicados na gravidez e aleitamento. Não pode engravidar nos 6 a 12 meses que se seguem ao tratamento. Nesta fase deve assegurar uma contraceção eficaz.
No entanto, assim que o seu médico o consentir, uma gravidez decorre de forma segura, desde que mantenha o tratamento com a hormona tiroideia e a vigilância analítica.
Gravidez e doenças da tiroide
Durante a gravidez há alterações fisiológicas no organismo da mãe que obrigam a glândula tiroideia a um esforço acrescido.
Até cerca das 20 semanas de gestação a tiroide fetal não sintetiza as hormonas necessárias para o desenvolvimento do feto pelo que este necessita das hormonas tiróideas produzidas pela mãe.
As hormonas da tiroide são indispensáveis ao desenvolvimento do sistema nervoso central fetal. Um défice destas pode-se traduzir mais tarde num atraso cognitivo ou dificuldades de aprendizagem da criança.
Alterações normais durante a gravidez
O aumento dos níveis de estrogénio no sangue materno condiciona um acréscimo das proteínas de transporte das hormonas tiroideias em circulação, o que conduz a um aumento dos níveis totais de hormonas tiroideias no sangue. Porém, as hormonas “livres” (não ligadas às proteínas e que representam a forma ativa da hormona) diminuem ao longo da gestação.
O aumento do volume sanguíneo e, portanto, do volume de distribuição das hormonas tiroideias (fenómeno de diluição) conduz a uma redução da concentração destas.
O aumento das perdas de iodo pela urina, a passagem deste através da placenta para o feto e a desionização das hormonas tiroideias na placenta, implica que as necessidades de iodo durante a gravidez aumentem. Se não há iodo suficiente para a produção das hormonas tiroideias, estas vão entrar em défice.
A hCG (gonadotrofina coriónica humana), hormona de origem placentária, que atinge os valores mais elevados no fim do primeiro trimestre da gravidez estimula a tiroide, por semelhança estrutural com a hormona estimulante da tiroide (TSH). A valores mais elevados de hCG no 1º trimestre correspondem valores mais baixos de TSH.
Estas alterações próprias da gravidez traduzem-se em alterações das análises laboratoriais utilizadas para estudar o funcionamento da tiroide e obrigam a uma correta interpretação dos resultados encontrados na mulher grávida.
As doenças da tiroide são frequentes na gravidez?
As doenças da tiroide são relativamente frequentes na população em geral e, em particular, no sexo feminino e também nas mulheres em idade fértil. A gravidez pode alterar a evolução natural das doenças da tiroide e as doenças da tiroide (e o seu tratamento) podem afetar a evolução normal da gravidez, a mulher grávida e o feto.
O diagnóstico é geralmente feito da mesma forma que é feito fora da gravidez. Geralmente fazem-se doseamento das hormonas tiróideas no sangue e uma ecografia da tiroide, que por ser um exame isento de radiação não tem qualquer efeito nocivo no feto.
É importante saber que, na gravidez, os resultados das análises poderão ter uma interpretação diferente, porque os valores de referência habituais apresentados pelo laboratório podem não ser adequados para a gravidez.
Doenças mais frequentes na gravidez
Hipotiroidismo na gravidez
A carência materna de hormonas tiroideias (hipotiroidismo) pode atingir mais de 3% das gestações. Em alguns casos, esta situação já era conhecida pela mulher antes de engravidar e se não estiver tratada conduz geralmente a uma infertilidade.
A causa mais frequente de hipotiroidismo nesta idade, em países sem défice severo de iodo, é uma inflamação crónica da tiroide, de natureza autoimune:
A tiroidite crónica autoimune (linfocítica ou de Hashimoto).
Pensa-se que a Tiroidite Crónica se possa relacionar com um aumento da incidência de aborto e de parto pré-termo. Os sinais e sintomas do hipotiroidismo são inespecíficos e facilmente confundíveis com queixas frequentes na gravidez, tais como:
Aumento de peso,
Falta de forças,
Cansaço,
Obstipação,
Pode haver ainda um aumento do volume da glândula tiroideia, vulgarmente conhecido por bócio.
O tratamento é obrigatório e faz-se com levotiroxina (L-T4), a hormona que a tiroide produz em maior quantidade e que se pode transformar em T3 de acordo com as necessidades. Conforme dito anteriormente, o correto tratamento do hipotiroidismo é essencial para o desenvolvimento neurológico do feto.
Se o hipotiroidismo já era conhecido antes da gravidez, a dose de levotiroxina necessita de ser aumentada, até 30% ou 50%, pelas 4 a 6 semanas de gestação. Após o parto, as necessidades de levotiroxina, em geral, diminuem para doses habituais na mulher não grávida, mesmo durante o período de amamentação.
Hipertiroidismo na gravidez
O excesso materno de hormonas tiroideias (hipertiroidismo) é uma situação mais rara que a anterior, mas pode atingir até 1% das grávidas. A causa mais frequente é a Doença de Graves, também de natureza autoimune.
O hipertiroidismo não tratado relaciona-se com o aumento da incidência dos seguintes problemas de saúde na gravidez:
Aborto e de
Parto pré-termo,
Baixo peso ao nascer,
Pré-eclampsia,
Insuficiência cardíaca na mãe e no feto,
Morte intra-uterina.
A clínica apresentada pela mãe também é inespecífica, confundindo-se com queixas frequentes na gravidez, tais como:
Vómitos,
Emagrecimento,
Taquicardia,
Intolerância ao calor.
O bócio (aumento do volume da tiroide) associado a exoftalmia (procidência dos globos oculares) são sinais mais específicos que apontam para uma Doença de Graves. O hipertiroidismo na mulher grávida deve ser sempre tratado por um médico especialista – Endocrinologista.
Tratamento do hipertiroidismo na gravidez
No tratamento do hipertiroidismo no 1º trimestre ou da mulher que pretende engravidar, é preferido um fármaco que inibe a síntese tiroideia específico – o propiltiouracilo (Propycil®)– que apresenta menor risco de provocar malformações no feto.
No 2º e 3º trimestres, recomenda-se o tiamazol (Metibasol®), que é menos tóxico para o fígado. Se a cirurgia for necessária (o que é raro, geralmente por efeitos secundários graves dos fármacos), deverá ser realizada no 2º trimestre da gravidez, quando há menos riscos para o feto.
O tratamento com iodo radioativo na gravidez está absolutamente contra-indicado.
É provável que a doença de Graves melhore ao longo da gravidez, levando a uma redução das doses do tratamento, ou mesmo a sua suspensão, no entanto, poderá haver um agravamento da doença após o parto.
Tiroidites na gravidez
A tiroidite é um processo inflamatório da glândula tiroideia, em geral crónico e de natureza autoimune. Os anticorpos antitiroideus (antiperoxidase tiroideia e antitireoglobulina) são detetados muito frequentemente em mulheres desta faixa etária (em 10% a 15% das grávidas). Os níveis destes anticorpos descem progressivamente durante a gravidez, mas podem subir de novo no pós-parto.
Mulheres com anticorpos tiroideus positivos têm um risco aumentado de desenvolver hipotiroidismo durante a gravidez, pelo que a função tiroideia deverá ser vigiada pelo menos uma vez por trimestre. Estas mulheres têm maior tendência a desenvolver um processo de tiroidite nos primeiros 6 meses após o parto – tiroidite pós-parto.
A Tiroidite pós-parto caracteriza-se por uma inflamação indolor, com uma fase inicial de aumento dos níveis sanguíneos de hormonas tiroideias, seguido de normalização e posterior diminuição destes níveis hormonais. Habitualmente, esta situação tem uma resolução espontânea, mas há tendência para voltar após a gravidez seguinte. Cerca de 20% a 60% das mulheres com história de tiroidite pós-parto desenvolverão hipotiroidismo definitivo em 5 a 10 anos.
Doença Nodular e Cancro na grávida
A investigação dos nódulos da tiroide durante a gestação é semelhante à da mulher não grávida e inclui uma avaliação da função tiroideia através de análises sanguíneas, a realização de uma ecografia e de uma biopsia aspirativa, se indicado. O risco de cancro na mulher grávida é semelhante ao da mulher não grávida e a gravidez não agrava o seu prognóstico.
O diagnóstico de cancro da tiroide vai obrigar a uma cirurgia de remoção da glândula, que geralmente se adia para depois do parto. Em situações graves, poderá optar-se por uma intervenção cirúrgica no 2º trimestre, período da gravidez em que o risco é menor para o feto.
O tratamento com Iodo radioativo, quando necessário, será sempre adiado para depois do parto, implicando um período de suspensão da amamentação.
Amamentação e doenças da tiroide
A necessidade de corrigir a disfunção tiroideia materna persistente após o parto com fármacos não é razão suficiente para não amamentar. Apesar de “passarem” para o leite, os fármacos utilizados nas doenças tiroideias podem ser utilizados durante a amamentação com pouco risco para o recém-nascido.
No hipertiroidismo, o fármaco a utilizar será o tiamazol (Metibasol®), pois o risco de provocar malformações já não se coloca. Não devem ser ultrapassadas doses de 20 mg/dia e a toma deverá ser feita antes do inicio da 1ª mamada do dia. O hipertiroidismo deve ser normalmente compensado com levotiroxina sem que haja risco algum para o feto.
Curiosidade
Quais são as principais glândulas endócrinas?
As principais glândulas endócrinas do nosso corpo estão representadas na figura seguinte:
Concluindo
A tiroide regula imensas funções do nosso organismo. As doenças da tiroide são comuns principalmente entre as mulheres. Se sente simultaneamente alguns sintomas como um cansaço exagerado, fadiga, aumento da sensibilidade ao frio, pele mais seca, obstipação, dores musculares, formigueiro ou dormência dos membros, mais queda de cabelo então um quadro de hipotiroidismo pode estar a emergir. Se pelo contrário sente palpitações, aumento dos batimentos cardíacos, nervosismo, irritabilidade, insónia, tremor das mãos, diarreia e outros sintomas que provocam mal estar então pode estar perante um contexto de hipertiroidismo.
Estas e outras doenças da tiroide provocam uma perda muito acentuada da qualidade de vida interferindo até nas relações familiares que podem ficar muito degradadas se o diagnóstico não for feito e iniciado o tratamento adequado em tempo útil! Os sinais de doenças podem surgir em qualquer altura da nossa vida…! Não se descuide e procure apoio médico imediato pois na maioria dos casos o tratamento permite voltar a ter a qualidade de vida que merece para valorizar as coisas boas que surgem quando abraçamos a vida de forma positiva! A ciência atual não deixa dúvidas… acreditar e ser positivo aumenta bastante as probabilidades de viver mais anos!
Autismo e utilização de paracetamol ou acetaminofeno na gravidez, qual o perigo? As autoridades de saúde norte americanas levantam preocupações sobre o uso por parte de mulheres grávidas de paracetamol, o ingrediente ativo, por exemplo, do Ben-u-ron e Tylenol que são algumas das marcas mais conhecidas com que este fármaco é comercializado e um dos medicamentos mais utilizados a nível global.
Neste artigo descrevo as evidências científicas credíveis para que possa, se necessário, tomar decisões mais informadas sobre esta polémica. Sobre a definição, diagnóstico, sinais e fatores de risco do autismo destaco o seguinte artigo de interesse:
Autismo: O que é, quais os sinais, causas e fatores de risco desta doença tão limitante!
Causa da polémica
Segundo o jornal Público, os responsáveis norte americanos têm revisto investigações anteriores — incluindo uma revisão científica de Agosto conduzida por cientistas das universidades de Monte Sinai e de Harvard (Estados Unidos) — que indicam uma possível associação entre o uso deste medicamento no início da gravidez e um risco acrescido de autismo nas crianças. O plano passará por alertar as mulheres grávidas contra o uso de Tylenol no início da gravidez, a menos que apresentem febre, avançaram as quatro pessoas ouvidas pelo jornal The Washington Post.
Especialistas ouvidos pelo jornal The Washington Post enfatizam que o autismo não é uma epidemia e que parte deste aumento de casos se deve a uma melhor triagem, maior consciencialização e critérios de diagnósticos mais amplos. O rastreio do autismo é comum nos consultórios pediátricos, o que não acontecia há décadas e significa que mais casos são diagnosticados, como explicou Charles Nelson, professor de Pediatria e Neurociências no Hospital Infantil de Boston e na Escola Médica de Harvard. Os critérios de diagnósticos do autismo também foram ampliados para incluir sintomas mais leves e subtis.
Paracetamol durante a gravidez evidência científica
A Ordem dos Farmacêuticos Portugueses na sua função de suporte à intervenção profissional, publicou uma nota no seu boletim “Essencial OF” relativo a este polémico tema da utilização de paracetamol na gravidez e à sua possível ligação com casos de autismo e alterações do neurodesenvolvimento na infância.
Descrevo de seguida o conteúdo dessa informação pela sua extraordinária fiabilidade científica e relevância na clarificação das populações.
Nota informativa da Ordem dos Farmacêuticos
O paracetamol é um fármaco analgésico e antipirético considerado de eleição para alívio da dor e da febre durante a gravidez. A maioria dos estudos aponta para que 40-65% das mulheres tomem paracetamol em alguma altura da gravidez.
A associação entre a ocorrência de alterações do neurodesenvolvimento, nomeadamente transtorno de hiperatividade e défice de atenção (THDA) e perturbações do espetro do autismo (PEA), como consequência do uso de paracetamol no decurso da gravidez tem vindo a ser investigada desde há largos anos, com resultados inconsistentes. Alguns estudos têm apontado para a existência de uma maior incidência de THDA e PEA em filhos de mulheres que utilizaram paracetamol durante a gravidez, enquanto vários outros não o confirmam.1
A existência de uma relação causal entre o uso de paracetamol durante a gravidez e a ocorrência de alterações do neurodesenvolvimento nas crianças expostas foi recentemente anunciada, tendo por base estudos que supostamente sustentam esta afirmação.2 Porém, estes trabalhos não aportam evidência científica que proporcione suporte a esta alegação.
Os estudos citados são maioritariamente de pequena dimensão, apresentando assinaláveis limitações metodológicas no seu desenho e nas conclusões formuladas com base nos dados recolhidos. Adicionalmente, não consideram adequadamente a presença de outros fatores que podem influenciar o risco de TADH e PEA, como fatores genéticos, ambientais, condição clínica materna, entre outros.3,4,5 Por outro lado, os próprios autores da recente revisão sistemática que é citada referem que a sua análise apresenta limitações que não permitem estabelecer uma relação causal entre o uso de paracetamol durante a gravidez e alterações do neurodesenvolvimento.6
O estudo de maior dimensão realizado sobre esta questão, realizado na Suécia, que analisou uma população de cerca de 2,5 milhões de crianças e recolheu dados de quase 186 000 que foram expostas ao paracetamol durante a gestação, não encontrou evidência de risco aumentado quando, além da exposição ao fármaco, foram considerados fatores genéticos e ambientais, através da comparação com irmãos que não haviam sido expostos ao paracetamol no período pré-natal.7
A análise da evidência atual permite concluir que é improvável que a exposição ao paracetamol durante a gestação se associe a um risco clinicamente significativo de desenvolver THDA ou PEA durante a infância. Os estudos que sugerem a existência desta associação são heterogéneos e apresentam importantes limitações metodológicas, enquanto os que têm uma estrutura adequada não o comprovam.
Com base na análise dos dados atualmente existentes, não existe qualquer fundamento científico para alterar as normas de prática clínica de tratamento da dor e da febre durante a gravidez. O paracetamol mantém-se uma opção de tratamento essencial em mulheres grávidas, observando o princípio da utilização da menor dose eficaz pelo período mais curto.1
Referências bibliográficas
1. Damkier P, Gram EB, Ceulemans M, Panchaud A, Cleary B, Chambers C, Weber-Schoendorfer C, Kennedy D, Hodson K, Grant KS, Diav-Citrin O, Običan SG, Shechtman S, Alwan S. Acetaminophen in Pregnancy and Attention-Deficit and Hyperactivity Disorder and Autism Spectrum Disorder. Obstet Gynecol. 2025 Feb 1;145(2):168-176. doi: 10.1097/AOG.0000000000005802.
3. Liew Z, Kioumourtzoglou MA, Roberts AL, O’Reilly ÉJ, Ascherio A, Weisskopf MG. Use of Negative Control Exposure Analysis to Evaluate Confounding: An Example of Acetaminophen Exposure and Attention-Deficit/Hyperactivity Disorder in Nurses’ Health Study II. Am J Epidemiol. 2019 Apr 1;188(4):768-775. doi: 10.1093/aje/kwy288.
4. Ji Y, Azuine RE, Zhang Y, Hou W, Hong X, Wang G, Riley A, Pearson C, Zuckerman B, Wang X. Association of Cord Plasma Biomarkers of In Utero Acetaminophen Exposure With Risk of Attention-Deficit/Hyperactivity Disorder and Autism Spectrum Disorder in Childhood. JAMA Psychiatry. 2020 Feb 1;77(2):180-189. doi: 10.1001/jamapsychiatry.2019.3259.
5. Baker BH, Burris HH, Bloomquist TR, Boivin A, Gillet V, Larouche A, Takser L, Bellenger JP, Pasquier JC, Baccarelli AA. Association of Prenatal Acetaminophen Exposure Measured in Meconium With Adverse Birth Outcomes in a Canadian Birth Cohort. Front Pediatr. 2022 Apr 5;10:828089. doi: 10.3389/fped.2022.828089.
6. Prada D, Ritz B, Bauer AZ, Baccarelli AA. Evaluation of the evidence on acetaminophen use and neurodevelopmental disorders using the Navigation Guide methodology. Environ Health. 2025 Aug 14;24(1):56. doi: 10.1186/s12940-025-01208-0.
7. Ahlqvist VH, Sjöqvist H, Dalman C, Karlsson H, Stephansson O, Johansson S, Magnusson C, Gardner RM, Lee BK. Acetaminophen Use During Pregnancy and Children’s Risk of Autism, ADHD, and Intellectual Disability. JAMA. 2024 Apr 9;331(14):1205-1214. doi: 10.1001/jama.2024.3172.
O enjoo do movimento, também conhecido como cinetose, é uma condição caracterizada pela sensação de mal-estar, náusea e por vezes vómitos, que ocorre em resposta a um movimento real ou percecionado. É um fenómeno comum, não sendo indicativo da existência de uma doença.
Este é um artigo baseado numa publicação do Centro de Informação do Medicamento (CIM) da Ordem dos Farmacêuticos.
O enjoo do movimento é causado por um desequilíbrio entre as informações sensoriais que o cérebro recebe que acontece quando o movimento que vemos é diferente daquele que o nosso ouvido interno deteta. Por exemplo, quando estamos num carro em movimento, os nossos olhos podem perceber o movimento da paisagem a passar, mas os sistemas vestibulares do ouvido interno que controlam o equilíbrio, podem detetar um movimento diferente. Este conflito de informações gera o mal-estar.
A cinetose pode ocorrer principalmente durante as seguintes situações:
Viagens aéreas, marítimas e terrestres, como viagens de carro ou de comboio,
Diversões em parques infantis ou parques de atrações,
Elevadores,
Viajar em animais, como andar a cavalo.
Movimento virtual num simulador, como por exemplo jogar videojogos, ver filmes com óculos 3D ou utilizar capacetes de realidade virtual.
As cinco grandes mentiras sobre saúde
Sintomas do enjoo do movimento
Os sintomas mais característicos são as náuseas e os vómitos, podendo também ocorrer sensação de enfartamento, sensação de mal-estar geral, sonolência, apatia, fadiga e irritabilidade.
Outros sintomas incluem:
Sensação de calor,
Suores frios,
Palidez,
Dores de cabeça,
Tonturas,
Dificuldades de concentração,
Rubor.
Quanto tempo podem durar os sintomas?
Os sintomas desaparecem geralmente quando a viagem termina. Contudo, em algumas pessoas, estes podem durar horas ou até dias após o término da viagem.
Existem pessoas mais propensas a ter enjoos?
Algumas pessoas são mais propensas a experienciar o enjoo do movimento do que outras, podendo também a sua gravidade variar entre leve a incapacitante. Alguns fatores de risco incluem:
Idade. As crianças entre os 2 e os 12 anos de idade são especialmente suscetíveis. Por outro lado, os bebés e os adultos, com mais de 50 anos de idade são menos suscetíveis aos enjoos;
Sexo. As mulheres são geralmente mais suscetíveis que os homens;
Gravidez e menstruação;
Condições médicas preexistentes. Pessoas com história de enxaquecas, vertigens e doenças do ouvido interno são mais propensas ao enjoo;
Toma de certos medicamentos. Como, por exemplo, terapêuticas de reposição hormonal ou contracetivos orais.
Como prevenir o enjoo do movimento?
Evitar as situações que causem enjoo é a melhor forma de preveni-lo, mas nem sempre isso é possível quando está a viajar. Algumas estratégias que podem ajudá-lo a evitar ou diminuir o enjoo são:
Escolher lugares mais estáveis onde o movimento seja menor, e direcionados no sentido da marcha – por exemplo, não se sentar de costas no autocarro;
Nas viagens de carro, optar pelo lugar da frente ou conduzir o veículo, adotando uma condução suave;
No caso de viagens de barco, ocupar um lugar no centro do navio;
Escolher um assento à janela nos aviões e comboios;
Evitar ler ou olhar para ecrãs em veículos em movimento;
Focar o olhar no horizonte, ou num objetivo distante imóvel, e não no interior do veículo;
Usar óculos de sol – poderá ser útil para reduzir o aporte visual;
Fechar os olhos, ou mesmo tentar dormir;
Reduzir os movimentos do corpo, principalmente os movimentos da cabeça;
Promover uma ventilação adequada, arejando o veículo; evitar a exposição a odores desagradáveis;
Evitar o consumo de bebidas alcoólicas e com cafeína; manter-se hidratado bebendo água;
Ingerir refeições ligeiras pobres em gorduras, e evitar a ingestão de um elevado volume de líquidos;
Respirar de forma controlada e regular poderá ajudar a suprimir os sintomas;
Distrair-se a conversar, ou a ouvir música;
Evitar fumar;
Fazer pausas em viagens longas; apanhar ar puro, beber água fresca e dar um passeio.
Medicamentos para a prevenção do enjoo do movimento
Quando as medidas não farmacológicas são insuficientes, existem medicamentos que poderão ser úteis na prevenção do enjoo do movimento. Os fármacos são mais eficazes quando associados a modificações comportamentais ou ambientais, e deverão ser tomados antes de iniciar a viagem.
Na seleção do tratamento é necessário ter em conta a duração da exposição, a tolerância aos efeitos adversos, a idade, a presença de doenças crónicas e outros medicamentos que esteja a tomar, pelo que antes de iniciar a toma de um medicamento para a prevenção do enjoo do movimento, aconselhe-se junto do seu médico ou farmacêutico sobre qual a opção mais indicada para si.
Dimenidrinato (anti-histamínico H1)
Os anti-histamínicos H1 sedativos, estão entre os medicamentos de primeira linha para a prevenção da cinetose. O dimenidrinato é o principal anti-histamínico comercializado em Portugal para esta indicação, com o estatuto de medicamento não sujeito a prescrição médica. Encontra-se disponível na forma de comprimidos, comprimidos sublinguais e supositórios.
Comprimidos – destinam-se a crianças com idade igual ou superior a 6 anos e adultos, podendo ser fracionados de forma a adaptar a sua dose de acordo com a idade.
Comprimidos sublinguais – apenas se encontram recomendados em adultos e adolescentes com mais de 12 anos, uma vez que estes não podem ser fracionados.
Supositórios – poderão ser administrados em crianças a partir dos 2 anos de idade.
Posologia – A primeira dose deve ser tomada 30-60 minutos antes do início da viagem. A sua administração pode ser repetida cada 4 a 6 horas, se necessário, desde que não seja ultrapassada a dose máxima diária recomendada.
Efeitos adversos
Como todos os medicamentos, o dimenidrinato pode causar alguns efeitos adversos, sendo a sonolência o mais frequente. Contudo, podem ocorrer, tonturas, visão turva, boca seca, dores de cabeça e diminuição da pressão arterial. Estes fármacos não devem ser usados quando a diminuição do estado de alerta possa ser prejudicial.
Pode ainda ocorrer sensação de nervosismo, agitação ou insónia, especialmente nas crianças. Fale com o seu médico ou farmacêutico sobre os medicamentos e doses apropriadas para o enjoo em crianças. Dê apenas a dose recomendada.
Cinarizina
A cinarizina, também tem sido utilizada para o controlo do enjoo do movimento. Apresenta efeitos adversos semelhantes ao dimenidrinato, podendo também, raramente, causar alterações no funcionamento do sistema nervoso como tremores e rigidez muscular (chamados efeitos extrapiramidais). Deverá ser administrada 2 horas antes do início da viagem, de preferência após a refeição. Este medicamento requer prescrição médica para a sua dispensa.
Dor no abdómen do lado direito e qual o perigo de apendicite? Este tipo de dor no abdómen pode estar associada ao apêndice. Assim sendo é fundamental que não deixe a dor chegar a casos extremos, para evitar uma rutura no apêndice e infeções que podem ser muito graves, nomeadamente septicémia.
Neste artigo vou responder ás seguintes questões:
Qual a anatomia do abdómen?
Apendicite o que é?
Onde se localiza?
Sintomas da apendicite
Apendicite em crianças e adolescentes quais os sintomas?
Apendicite em bebés quais os sinais e sintomas?
Tratamento qual o melhor?
As cinco grandes mentiras sobre saúde
Anatomia do abdómen
Para uma localização e diagnóstico mais adequado da causa da dor abdominal, divide-se o abdómen em 4 quadrantes, conforme descrito na imagem seguinte:
Apendicite o que é?
A apendicite é uma doença comum causada pela infeção do apêndice. Afeta cerca de 7% da população, o que a torna uma das principais emergências médicas em todo o mundo. A apendicite geralmente surge entre os 10 e 30 anos, mas pode ocorrer em qualquer idade, apesar de ser rara nas crianças com menos de 2 anos.
Apêndice onde se localiza?
Localização do apêndice e orgãos próximos
O apêndice é um órgão com tamanho e localização variáveis, e a sua proximidade com outros órgãos da pelve e do abdómen podem fazer com que os sintomas de apendicite sejam parecidos com os de outras doenças, tais como, diverticulite, torção do ovário, gravidez ectópica, cálculos renais e outros problemas do abdómen ou da pelvis.
Localização do #apêndice
Sintomas da apendicite
O sintomas da apendicite nem sempre se manifestam do lado direito do abdómen. Assim de seguida descrevo os diversos cenários de sintomatologia associada à apendicite.
Dor abdominal típica
A dor típica começa de forma difusa junto ao umbigo e no espaço de 24 horas migra para o quadrante inferior direito do abdómen;
Tipicamente existe dor à palpação do abdómen que se torna muito mais intensa quando se retira de repente a mão que executa a palpação ( sinal de Blumberg )
Dor abdominal atípica
Em cerca de 15% das pessoas o apêndice localiza-se mais posteriormente, fazendo com que o local da dor da apendicite seja diferente. Neste caso o paciente pode queixar-se de dor lombar à direita, dor no quadrante superior direito ou dor em todo o flanco direito.
Há também aqueles pacientes com apêndices mais baixos, cuja ponta se estende até a região da pelve. Nestes casos, a dor pode ser na virilha à direita, no ânus ou na região púbica. Evacuar ou urinar podem provocar exacerbações da dor.
Dor abdominal do lado esquerdo
Apesar de raro, não é impossível que o paciente com apendicite tenha dor do lado esquerdo do abdómen, caso o apêndice seja mais comprido que o habitual e se estenda até o lado esquerdo da cavidade abdominal. Porém, apendicite não deve ser a primeira hipótese diagnóstica nos pacientes com dor abdominal no lado esquerdo, exceto nos raros casos de situs inversus (condição rara na qual os pacientes apresentam órgãos do tórax e abdómen em posição oposta à habitualmente esperada).
Endurecimento da parede do abdómen
Enjoos ( em 90% dos casos )
Vómitos ( em 90% dos casos )
Perda do apetite ( em 90% dos casos )
Febre
A febre é geralmente baixa. Só existe febre alta quando há perfuração do apêndice e extravasamento de material fecal dos intestinos para dentro da cavidade abdominal, o que gera uma intensa reação inflamatória e grave infeção.
Diarreia
Prisão de ventre
Distensão abdominal
Leucocitose (aumento do número de leucócitos ou glóbulos brancos no hemograma). Mais de 80% dos pacientes com apendicite aguda apresentam leucocitose no exame de hemograma. Quanto mais intensa é a leucocitose, em geral, mais extenso é o processo inflamatório.
Nem todos os sinais e sintomas listados acima estão necessariamente presentes nos pacientes com apendicite aguda. Alguns, tais como diarreia, prisão de ventre ou distensão abdominal, ocorrem em menos da metade dos casos.
Tipicamente os três sintomas associados mais comuns num quadro de apendicite são a dor abdominal, os vómitos e perda do apetite.
Sinais e sintomas em bebés e crianças
O quadro clínico da apendicite em adolescentes é basicamente o mesmo dos adultos. Já nas crianças com menos de 12 anos, os sintomas podem ser um pouco diferentes.
Crianças entre os 5 e os 12 anos
Assim como nos adultos, a dor abdominal e os vómitos são os sintomas mais comuns nas crianças em idade escolar, embora a característica migração da dor da região peri umbilical para o quadrante inferior direito possa não ocorrer.
A frequência dos sinais e sintomas da apendicite nesta faixa etária é a seguinte:
Dor no quadrante inferior direito do abdómen – 82%
Náuseas – 79%
Perda do apetite – 75%
Vómitos – 66%
Febre – 47%
Diarreia- 16%
Crianças entre 1 e os 5 anos
A apendicite é incomum em crianças com menos de 5 anos. Febre, vómitos, dor abdominal difusa e rigidez abdominal são os sintomas predominantes, embora irritabilidade, respiração ruidosa, dificuldade para andar e queixas de dor na região direita do quadril também possam estar presentes.
A típica migração da dor para o quadrante inferior direito do abdómen ocorre em menos do que 50% dos casos. Diarreia e febre, todavia, são bem mais comuns que nos adultos. As crianças pequenas costumam apresentar febre baixa (ao redor de 37,8ºC) e ruborização das bochechas.
A frequência dos sinais e sintomas da apendicite nesta faixa etária é a seguinte:
Dor abdominal – 94%
Febre – 90%
Vômitos – 83%
Dor à descompressão – 81%
Perda do apetite – 74%
Rigidez abdominal – 72%
Diarreia- 46%
A distensão abdominal – 35%
Bebés com menos de 1 ano
Se a apendicite em crianças com menos de 5 anos é incomum, a apendicite em recém-nascidos e no primeiro ano de vida é ainda mais rara. A baixa frequência de apendicite nesta faixa etária deve-se provavelmente ao formato mais afunilado e menos propenso à obstrução do apêndice, em oposição ao formato mais tubular do órgão nos adultos e crianças mais velhas.
Apesar de rara, infelizmente, a mortalidade neonatal de apendicite é de quase 30%, pois o diagnóstico precoce é muito difícil, já que o quadro clínico costuma ser muito atípico. A distensão abdominal é mais comum que a própria dor abdominal, provavelmente porque os bebés não conseguem comunicar adequadamente.
A frequência dos sinais e sintomas da apendicite nesta faixa etária é a seguinte:
Distensão abdominal – 75%
Vómitos – 42%
Perda do apetite – 40%
Dor abdominal – 38%
Febre – 33%
Inflamação da parede abdominal – 24%
Irritabilidade ou letargia – 24%
Dificuldade respiratória – 15%
Massa abdominal – 12%
Sangramento nas fezes – 10%
Tratamento para a apendicite
O tratamento é, naturalmente, cirúrgico com retirada do apêndice inflamado.
Procedimento usa técnicas de Laparoscopia interna mas também de cirurgia tradicional
Concluindo
Uma dor aguda do lado direito do abdómen pode não ser nada de grave mas, num adulto ou criança, deve ser valorizada procurando apoio médico para descartar a hipótese de apendicite aguda que pode ser fatal se não for tratada atempadamente. Existem também descritos casos atípicos em que a dor apesar de ter origem no apêndice não se situa do lado direito fazendo com que nesses casos essa dor seja menos valorizada como sendo potencialmente perigosa! O risco de problemas graves resulta da probabilidade de haver uma rutura do apêndice infetando a cavidade abdominal com risco de septicémia ou seja infeção sistémica generalizada. Não arrisque…proteja-se pela sua saúde!
A Covid longa (CL), também conhecida como síndrome pós-Covid, é uma condição que afeta algumas pessoas após a infeção inicial pelo SARS-CoV-2. Afeta já mais de 100 milhões de pessoas em todo o mundo e os números continuam a aumentar. Mesmo após a recuperação da fase aguda da doença, muitos pacientes continuam a experienciar uma variedade de sintomas debilitantes que podem durar semanas, meses ou até mais, com particular relevância nos doentes que tiveram infeção moderada a grave. Este artigo explora os mecanismos de ação do vírus, os grupos de risco, sintomas comuns, diagnóstico, prevenção, impacto na qualidade de vida e as pesquisas recentes.
Descreve-se de seguida a estrutura deste artigo e os pontos mais relevantes nele tratados:
A Covid longa pode afetar qualquer pessoa que tenha sido infetada pelo SARS-CoV-2, independentemente da gravidade inicial da infeção.
Os sintomas da Covid longa são variados e podem incluir fadiga crónica, problemas respiratórios persistentes e distúrbios neurológicos.
Pacientes hospitalizados, indivíduos com comorbidades e não vacinados estão em maior risco de desenvolver Covid longa.
O diagnóstico da Covid longa é desafiador e requer um acompanhamento médico cuidadoso e exames específicos.
A vacinação e medidas de prevenção durante e após a infeção são cruciais para reduzir o risco de desenvolver Covid longa.
Mecanismos de ação do SARS-CoV-2 no corpo humano
Danos pulmonares
O SARS-CoV-2 infecta vários tipos de células humanas, causando um desequilíbrio nas suas proteínas e no seu metabolismo. Este desequilíbrio resulta na liberação de proteínas inflamatórias chamadas citoquinas, que iniciam um processo inflamatório nos pulmões. A inflamação pulmonar pode levar a dificuldades respiratórias graves e, em casos extremos, à Síndrome Aguda Respiratória Grave (SARG).
Complicações cardiovasculares
A inflamação causada pelo vírus não se limita aos pulmões. As citoquinas inflamatórias podem-se espalhar pelo corpo, afetando também o coração. Isto pode resultar em miocardite, arritmias e outras complicações cardiovasculares. A resposta inflamatória exacerbada é um dos principais mecanismos que levam a estas complicações.
Impactos no sistema nervoso
O SARS-CoV-2 também pode afetar o sistema nervoso, causando uma variedade de sintomas neurológicos. A inflamação e a resposta imunológica podem levar a condições como encefalite, perda de olfato e paladar, e até mesmo acidentes vasculares cerebrais. Estes impactos no sistema nervoso são uma área de estudo contínuo, dada a sua complexidade e gravidade.
Grupos de risco para Covid longa
Os principais fatores de risco para o desenvolvimento de CL são a asma, diabetes mellitus tipo 2, obesidade, depressão clínica pré-existente, hipotiroidismo, COVID-19 grave que exigiu hospitalização e um maior número de sintomas durante a infeção aguda. Outros fatores de risco para a CL incluem a presença de determinados sintomas durante a doença aguda – falta de ar (dispneia), fadiga, dores de cabeça, anosmia, mialgia, idade avançada, sexo feminino, privação socioeconómica e pertença a uma minoria étnica. Vários outros fatores contribuintes podem aumentar o risco de desenvolver LC, como a reativação viral de Epstein-Barr induzida por COVID, a presença de autoanticorpos pré-existentes no momento da infeção e uma carga viral elevada de SARS-CoV-2 durante a infeção aguda.
Pacientes hospitalizados
Pessoas que sofreram uma doença COVID-19 mais grave, especialmente aquelas que foram hospitalizadas ou precisaram de cuidados intensivos, estão em maior risco de desenvolver Covid longa. A gravidade da infeção inicial pode levar a danos prolongados em vários sistemas do corpo, aumentando a probabilidade de sintomas persistentes.
Indivíduos com comorbidades
Indivíduos que tinham comorbidades antes do COVID-19, como diabetes, hipertensão ou doenças cardíacas, também apresentam um risco elevado. Essas condições preexistentes podem agravar a resposta inflamatória do corpo ao vírus, resultando numa recuperação mais lenta e em sintomas prolongados.
Não vacinados
Se as vacinas provarem a sua eficácia e segurança com estudos independentes, então os não vacinados contra a Covid-19 têm maior risco de desenvolver Covid longa quando comparado com pessoas que foram vacinadas. Não se vacinar aumenta a probabilidade de ter a condição, pois a vacinação ajuda a reduzir a gravidade da infeção inicial e, consequentemente, a probabilidade de sintomas persistentes.
Sintomas comuns
Fadiga crónica
A fadiga crónica é um dos sintomas mais reportados por pacientes com Covid longa. Este cansaço extremo pode interferir significativamente na vida diária, tornando tarefas simples extenuantes. Além disso, a fadiga pode ser acompanhada por mal-estar após esforço físico ou mental, dificultando ainda mais a recuperação.
Problemas respiratórios persistentes
Os problemas respiratórios são uma das principais queixas. Tosse persistente, dificuldade para respirar e dor de garganta são comuns. Estes sintomas podem variar em intensidade e, às vezes, desaparecer e voltar novamente, complicando o diagnóstico e o tratamento.
Distúrbios neurológicos
A Covid longa também pode causar uma série de distúrbios neurológicos. Pacientes relatam tonturas ao levantar, mudanças na perceção de cheiro ou sabor e mesmo depressão e ansiedade. Estes sintomas neurológicos podem ser debilitantes e requerem acompanhamento médico contínuo.
Sintomas e efeitos adversos da covid longa podem ser variados e persistentes, afetando múltiplos sistemas do corpo humano.
Diagnóstico da Covid longa
Desafios no diagnóstico
Diagnosticar pode ser um processo complexo. Muitas vezes, as avaliações clínicas e os resultados de exames, como análises de sangue, radiografias de tórax e eletrocardiogramas, podem apresentar resultados normais. Ferramentas diagnósticas são fundamentais para mitigar os desafios, mas não há um teste específico para identificar a condição. É crucial relatar todos os sinais e sintomas a um profissional de saúde para um diagnóstico preciso.
Importância do acompanhamento médico
O acompanhamento médico contínuo é essencial para a gestão da Covid longa. Um profissional de saúde de confiança deve avaliar criteriosamente as queixas e o contexto dos sintomas. Este acompanhamento permite um cuidado adequado e um tratamento personalizado, ajustando-se às necessidades de cada paciente.
Exames e avaliações necessárias
Para um diagnóstico mais preciso, diversos exames podem ser realizados, incluindo:
Análises de sangue
Radiografias de tórax
Eletrocardiogramas
Estes exames ajudam a conhecer os sistemas e órgãos afetados e a identificar as evidências. A combinação de diferentes ferramentas diagnósticas pode fornecer uma visão mais abrangente do quadro clínico do paciente.
Prevenção
Importância da vacinação
Se a segurança, qualidade e eficácia das vacinas for comprovada por estudos independentes, então a vacinação atualizada pode ajudar a prevenir a covid longa e formas graves da doença.
Medidas de prevenção durante a infeção
Para minimizar o risco de covid longa, é fundamental adotar medidas preventivas durante a infeção. Isso inclui o uso de máscaras, higienização frequente das mãos e o distanciamento social. Essas práticas ajudam a reduzir a carga viral e, consequentemente, a gravidade da infeção.
Cuidados pós-infeção
Após a recuperação inicial da covid-19, é importante continuar com cuidados de saúde. Acompanhamento médico regular e a realização de exames podem detectar precocemente quaisquer complicações. Além disso, manter um estilo de vida saudável, com alimentação balanceada e exercícios físicos, pode contribuir para uma recuperação mais completa.
A prevenção é a melhor estratégia para evitar os efeitos debilitantes da covid longa. Proteger-se e proteger os outros é um ato de responsabilidade coletiva.
Impacto na qualidade de vida
A Covid longa tem um impacto significativo na qualidade de vida dos pacientes, afetando tanto o bem-estar físico quanto o psicológico. As sequelas da covid-19 afetam qualidade de vida, segundo especialistas, e podem se prolongar por pelo menos três meses após a infeção. Este impacto é multifacetado e pode variar de pessoa para pessoa, mas há alguns aspetos comuns que merecem destaque.
Consequências psicológicas
Os pacientes frequentemente relatam sintomas como ansiedade, depressão e stresse pós-traumático. A incerteza sobre a duração dos sintomas e a falta de respostas claras podem agravar esses problemas psicológicos. É crucial que os pacientes recebam apoio psicológico adequado para lidar com essas questões.
Limitações físicas
A Covid longa pode causar fadiga crónica, dores musculares e articulares e dificuldades respiratórias persistentes. Essas limitações físicas podem impedir a realização de atividades diárias e reduzir a capacidade de trabalho, impactando negativamente a qualidade de vida.
Reintegração social
A reintegração social pode ser um desafio para aqueles que sofrem de Covid longa. A estigmatização e a falta de compreensão por parte da sociedade podem levar ao isolamento social. Programas de apoio comunitário e a sensibilização pública são essenciais para facilitar a reintegração desses indivíduos na sociedade.
Pesquisas e estudos recentes
Estudos recentes têm revelado informações cruciais sobre a Covid longa. Um estudo norte-americano identificou que 64% das pessoas que tiveram a forma grave da doença continuavam com um ou mais sintomas depois de um ano. Outra pesquisa, publicada na eClinicalMedicine, revelou que já foram identificados 203 sintomas associados à Covid longa, afetando 10 órgãos diferentes do corpo humano.
Diversas instituições estão na vanguarda das pesquisas sobre a Covid longa. A Fiocruz, por exemplo, acompanhou pacientes por 14 meses para entender melhor a síndrome. Outras instituições, como o CDC e a OPAS, também estão realizando estudos significativos para mapear os efeitos a longo prazo da doença.
As perspetivas futuras para o entendimento da Covid longa são promissoras. Os pesquisadores estão focados em identificar biomarcadores que possam prever a suscetibilidade à condição. Além disso, há um esforço contínuo para desenvolver tratamentos mais eficazes e estratégias de reabilitação para os afetados.
Tratamento
Progresso em direção à terapêutica para a Covid longa Vacinação como terapêutica para Covid longa:
Infelizmente, o progresso na identificação de intervenções farmacológicas para a Covid longa não acompanhou a procura dos doentes. Pouco tempo depois da distribuição das primeiras vacinas contra a COVID-19 à população em geral, surgiram relatos de alívio de alguns sintomas da Covid longa após a vacinação contra a SARS-CoV-2 (190). Um estudo observacional com mais de 28.000 pessoas com infeção prévia por SARS-CoV-2, realizado pelo Gabinete Nacional de Estatísticas do Reino Unido, reportou, em 2022, que as probabilidades de desenvolver Covid longa diminuíram 13% com a primeira vacina e mais 9% com a segunda vacina na fase pós-aguda (191).
Estudos baseados em investigação observaram que uma maior proporção de pessoas com Covid longa relatou uma melhoria dos sintomas após a vacinação (14 a 86%, dependendo do estudo), embora uma proporção significativa não tenha relatado qualquer alteração nos sintomas (15 a 83%, dependendo do estudo) (192–195).
Não houve ensaios clínicos randomizados publicados de vacinação como terapêutica para Covid longa, mas num estudo de emulação de ensaio de uma coorte online de Covid longa em França, Tran e colegas acompanharam 455 pessoas com Covid longa antes de maio de 2021 durante 120 dias após a primeira vacinação contra a SARS-CoV-2 e compararam-nas com 455 controlos de Covid longa emparelhados por pontuação de propensão que não receberam uma vacina (196). Ter recebido uma vacina foi associado ao dobro da taxa de resolução de Covid longa no final de 120 dias de seguimento, e aqueles que receberam uma vacina relataram menos impacto da Covid longa nas suas vidas.
Num pequeno estudo observacional que examina os correlatos biológicos da melhoria, as elevações pré-vacinais do recetor solúvel da IL-6 (sIL-6R) foram associadas à melhoria dos sintomas de Covid longa, e as elevações do IFN-β e do fator neurotrófico ciliar (CNTF) foram associadas a nenhuma melhoria após a vacinação (197). No geral, estes dados indicam que algumas pessoas com Covid longa podem relatar pelo menos uma melhoria temporária após a vacinação contra a SARS-CoV-2, mas muitas pessoas não relatarão qualquer alteração ou um agravamento dos sintomas e, portanto, são necessários ensaios clínicos randomizados de vacinas para a Covid longa.
Conclusão
A Covid longa representa um desafio significativo para a saúde pública, afetando uma ampla gama de indivíduos, independentemente da gravidade inicial da infecção. Estudos indicam que pessoas não vacinadas, aquelas com comorbidades pré-existentes e pacientes que sofreram casos graves de Covid-19 estão em maior risco. A complexidade dos sintomas e a dificuldade de diagnóstico tornam essencial a consulta com profissionais de saúde para um acompanhamento adequado. A prevenção, através da vacinação e de medidas de proteção, continua a ser a melhor estratégia para mitigar os efeitos a longo prazo desta doença. É imperativo que a comunidade científica continue a investigar e a compreender melhor a Covid longa para desenvolver intervenções eficazes e melhorar a qualidade de vida dos afetados.
Perguntas frequentes
O que é Covid longa?
Covid longa, também conhecida como pós-Covid, é uma condição onde indivíduos que foram infectados pelo SARS-CoV-2 continuam a experienciar sintomas mesmo após a fase aguda da infecção ter terminado.
Quais são os sintomas comuns?
Os sintomas comuns incluem fadiga crônica, problemas respiratórios persistentes, distúrbios neurológicos, mal-estar após esforço e febre.
Quem está mais exposto?
Pessoas que tiveram casos graves de Covid-19, aquelas com comorbidades pré-existentes e indivíduos que não foram vacinados estão mais propensos a desenvolver Covid longa.
Como é diagnosticada?
O diagnóstico da Covid longa pode ser desafiador, pois não há um teste específico. É necessário relatar os sintomas a um profissional de saúde, que fará uma avaliação detalhada do quadro clínico e histórico do paciente.
É possível prevenir?
Sim, a vacinação é uma das principais medidas de prevenção. Além disso, seguir as recomendações de prevenção durante a infeção e cuidar da saúde no período pós-infeção são importantes.
Pode afetar crianças?
Sim, a Covid longa pode afetar qualquer pessoa que foi infectada pelo SARS-CoV-2, incluindo crianças, jovens e adultos, mesmo aqueles que tiveram sintomas leves durante a infecção.
Candidíase corrimento vaginal e mau cheiro toda a verdade! A candidíase e o corrimento vaginal é mais frequente do que se julga. A candidíase vaginal ou infeção fúngica vaginal é um problema desagradável e incómodo, que mesmo não sendo grave, deve ser sempre tratado. Este artigo pretende ajudar todas as mulheres a reconhecerem atempadamente e tratarem melhor este problema de saúde frequente.
A candidíase vaginal é uma infeção causada por um fungo chamado Candida albicans. Este fungo está normalmente presente no nosso organismo, onde vive tranquilamente sem provocar quaisquer danos. Todavia, se o pH natural da vagina sofrer qualquer alteração, o que acontece com relativa facilidade, este fungo pode multiplicar-se e desenvolver-se uma candidíase vaginal.
Candida Albicans que parte da vagina afeta?
A Candida Albicans afeta as seguintes partes da vagina:
Vulva (parte exterior da vagina)
Vagina
Uma higiene íntima adequada contribui favoravelmente para a prevenção de candidíase vaginal. Mas há outras causas, que a dado momento podem causar desequilíbrio na flora vaginal e favorecer a multiplicação dos fungos.
Causas
Os seres humanos não são infetados com fungos, mas sim portadores de fungos. Mesmo quando nos encontramos de boa saúde e não apresentamos qualquer tipo de sintoma, os fungos (Candida albicans) residem, com frequência, na vagina. Normalmente, o sistema imunitário e a acidez vaginal (pH de 4) mantêm-nos sob controlo, pelo que passam totalmente despercebidos. É só quando o equilíbrio do pH da mucosa vaginal se altera que se verificam as condições favoráveis à multiplicação descontrolada dos fungos e a infeção instala-se.
Antibióticos
Uma das causas mais frequentes é a toma de antibióticos para combater, por exemplo, uma infeção bacteriana do trato respiratório ou do trato urinário. Nestes casos além de matar as “bactérias más” o antibiótico também mata demasiadas “bactérias boas” normalmente presentes na vagina, que são essenciais ao bom funcionamento do nosso sistema imunitário.
Candidíase vaginal notas relevantes
75% das mulheres contraem candidíase vaginal numa determinada altura da sua vida.
Qualquer mulher pode ser infetada.
O agente causal é um fungo.
O fungo mais comum é a Candida albicans.
A presença de fungos na vagina é normal.
O tratamento da doença é simples.
Os sintomas são claros: a maioria das mulheres sabe identificar os sintomas de uma reinfeção.
Sintomas
Os principais sinais da candidíase vaginal são os seguintes:
Comichão (claramente o principal sintoma);
Ardor;
Corrimento mais espesso de cor branca amarelada, grumoso mas sem cheiro.
Embora sejam bastante desconfortáveis, estes sintomas podem ser rápida e facilmente eliminados, tratando o local da infeção e acalmando a irritação. A maioria das mulheres procura ajuda médica para combater a comichão externa. Todavia, é importante que a infeção seja tratada tanto interna como externamente, de forma a impedir que estes sintomas se repitam.
Grupos de risco
Embora, teoricamente, qualquer mulher possa desenvolver candidíase vaginal, existem algumas mulheres mais suscetíveis à infeção, a saber:
Mulheres com diabetes têm um nível de glicose mais elevado no sangue e tecidos, o que constitui um ambiente preferencial para o desenvolvimento de fungos, em termos da sua alimentação e reprodução.
Mulheres com uma dieta desequilibrada criam um ambiente favorável à propagação de fungos, enfraquecendo o seu próprio sistema imunitário.
Mulheres com doenças infecciosas como a gripe, inflamações, constipações fortes ou outras infecções, o sistema imunitário do nosso organismo também fica enfraquecido, favorecendo o desenvolvimento dos fungos.
Mulheres que tomam medicamentos, podem apresentar alterações a nível do pH vaginal, e essas alterações são aproveitadas pelos fungos.
Mulheres que usam roupa demasiado justa, que não permita a respiração da pele, durante períodos prolongados, também causam alteração do pH vaginal que são aproveitadas pelos fungos para proliferarem.
Causas da candidíase (resumo):
Uso de roupa interior sintética ou justa;
Higiene íntima excessiva ou com produtos desadequados;
Uso de medicamentos, tais como antibióticos, corticosteróides, etc;
Defesas diminuídas causadas por doença, estado de fadiga excessiva ou alimentação deficiente (dietas ricas em hidratos de carbono);
Pós-menopausa;
Gravidez.
Mitos acerca da candidíase
Existem crenças enraizadas em muitas mulheres acerca das causas da candidíase. Algumas das mais frequentemente faladas que são falsas são as seguintes:
Utilizar casas de banho públicas,
Falta de higiene,
Múltiplos parceiros.
Tratamento da candidíase
Se sofre de uma infecção fúngica vaginal, podes resolver o problema muito facilmente com clotrimazol creme vaginal (Ex: Candiset®, Gino-canesten®), que poderá encontrar na Farmácia. Confirme que já tive os mesmos sintomas anteriormente, senão, consulte o seu médico assistente. O tratamento deve ser iniciado, o mais cedo possível, pois uma infecção fúngica vaginal desenvolve-se de forma relativamente rápida. O clotrimazol previne o desenvolvimento e a proliferação dos fungos e também os mata.
Independentemente do tratamento que escolher, é importante lembrar que os sintomas vão começar a melhorar apenas cerca de 3 dias após o início do mesmo.
O clotrimazol estás disponivel nas seguintes formas farmacêuticas:
Creme vaginal com aplicador,
Comprimidos vaginais de 1 dia de tratamento (500mg), com aplicador;
Comprimidos vaginais de 6 dias de tratamento (100mg), com aplicador.
Quer o creme vaginal quer os comprimidos vaginais devem ser inseridos na vagina com o aplicador especial que se encontra na embalagem, eliminando, assim, a infecção na sua fonte. Se quiseres aliviar os sintomas externos, como a comichão e o ardor, utiliza clotrimazol (Candiset® ou Gino-Canesten®) Creme.
INSTRUÇÕES DE APLICAÇÃO
Introduzir 1 comprimido vaginal o mais profundamente possível na vagina à noite, ao deitar. Recomenda-se que a aplicação seja feita estando deitada de costas e com as pernas ligeiramente fletidas.
Introdução do comprimido vaginal com aplicador
1. Puxar o êmbolo até prender. Colocar o comprimido vaginal no aplicador.
2. Introduzir cuidadosamente o aplicador com o comprimido o mais profundamente possível na vagina (de preferência deitada e com as pernas ligeiramente fletidas).
3. Empurrar o êmbolo cuidadosamente até prender, de modo a depositar o comprimido na vagina. Remover o êmbolo.
Introdução do comprimido vaginal sem aplicador
Após lavagem das mãos, introduzir o comprimido vaginal o mais profundamente possível na vagina, utilizando diretamente o dedo (de preferência deitada e com as pernas ligeiramente fletidas).
Prevenção da Candidiase
Como evitar reincidências de irritações e/ou infeções fúngicas vaginais? Descrevo as medidas mais importantes de prevenção, a saber:
Escolhe roupa que não seja justa ou apertada e que permita que a pele respire;
Opta por roupa interior de algodão para que absorva a transpiração e possa ser lavada a temperaturas superiores a 60ºC;
Depois de nadar no mar ou numa piscina, toma duche e seca-te cuidadosamente. Evita ficar com o fato de banho molhado durante muito tempo;
Depois de urinar, limpa-te cuidadosamente sempre de frente para trás;
Lava-te uma a duas vezes por dia, com movimentos da parte da frente para a parte de trás e nunca na direcção contrária;
Quando te lavares, é importante enxaguares-te abundantemente com água e secares-te suavemente com uma toalha limpa;
Utiliza produtos de higiene que não sejam agressivos e que sejam formulados especialmente para a zona íntima;
Não partilhes as tuas toalhas e troca-as regularmente.
Quem pode desenvolver uma Candidíase
A candidíase é muito mais frequente do que se possa imaginar pois 75% das mulheres contraem uma candidíase vaginal em determinada altura da sua vida, especialmente se:
Tiverem menos de 20 anos de idade
Estiverem grávidas.
A infecção manifesta-se normalmente no período próximo da menstruação. Qualquer mulher, independentemente da idade, dos antecedentes familiares, do percurso profissional ou de qualquer outra circunstância, pode desenvolver uma infecção deste tipo. É muito importante salientar que a candidíase vaginal não deve ser entendida como um sinal de falta de higiene ou de higiene incorrecta.
Gravidez o que acontece?
Durante a gravidez o aumento de produção hormonal favorece a reprodução de fungos na vagina e pode dar origem a uma Candidíase Vaginal. Caso tenha desenvolvido uma candidíase vaginal durante a gravidez deve consultar o seu médico assistente, para ter a certeza de que a infecção está a ser tratada de forma adequada.
Tratamento do parceiro
As candidíases vaginais não são doenças venéreas, uma vez que não se transmitem normalmente por via sexual. É possível, contudo, sofrer uma reinfecção por contacto com o parceiro não tratado. Os homens não são imunes à infecção. Tal como as mulheres, podem desenvolver uma infecção fúngica, que nesse caso, se designa Balanite. A maioria dos homens afectados é meramente portadora, não apresentando sintomas da doença.
No entanto, se tens Candidíase Vaginal e para ajudar a impedir a reinfecção, certifica-te que o teu parceiro também recebe tratamento simultaneamente com clotrimazol Creme.
Balanite quais os sintomas?
A balanite é uma inflamação da glande e prepúcio do homem. Os principais sintomas são os seguintes:
Aparecimento de uma zona ponteada branco acinzentada;
Comichão;
Ardor;
Pequenas feridas no órgão genital masculino;
Erosão.
Factores de risco:
Prepúcio apertado;
Roupa interior inadequada.
Infecção fúngica vaginal ou infecção urinária?
Infecção urinária significa que bactérias estão presentes no aparelho urinário, sendo a Cistite a mais comum na mulher. É causada por bactérias da vagina ou ânus, que contaminam a bexiga.
Sintomas de infecção fungica vaginal:
Corrimento;
Comichão;
Ardor ao urinar.
Sintomas de infecção urinária:
Dor no baixo ventre;
Urgência e necessidade frequente de urinar.
Candidíase ou Vaginose Bacteriana (VB)?
Candidíase e a Vaginose Bacteriana são muito comuns, sendo dois tipos de infecção diferentes que necessitam, por isso, de tratamento diferenciado. Nem sempre é fácil identificar o tipo de infecção.
A Candidíase é causada pelo aumento dum fungo (Candida albicans), causando, normalmente, sintomas como prurido ou comichão, dor na zona à volta da vagina ou corrimento branco.
A Vaginose Bacteriana é causada pelo crescimento excessivo de bactérias que existem normalmente na vagina. Os sintomas da vaginose bacteriana incluem geralmente um odor desagradável ou a peixe e corrimento aquoso de cor branco-acinzentado.
Para ajudar a diagnosticar melhor existe já um teste chamado Gyno-Canestest para fazer o seu autodiagnostico antes de se tratar para que saiba que está a escolher o tratamento adequado para a sua infeção.
Como identificar outras Infecções Vaginais?
Algumas mulheres apresentam infecções mistas.
Vulvovaginite fúngica por Candida
Sintomas:
Prurido e/ou irritação;
Ás vezes existe aumento do corrimento.
Corrimento:
Escasso a moderado;
Branco ou amarelado, conglomerado;
Placas aderentes.
Inflamação vulvovaginal:
Eritema vaginal;
Dermatite vulvar frequente.
Vaginite bacteriana por Gardnerella vaginalis
Sintomas:
Cheiro fétido vulvovaginal;
Aumento ligeiro do corrimento.
Corrimento:
Escasso a moderado;
Geralmente branco homogéneo;
Viscosidade baixa;
Mucosa vaginal com revestimento liso.
Inflamação vulvovaginal:
Não existe inflamação vulvovaginal.
Factores de risco
O acontecimento que leva à mudança para o predomínio anaeróbio que caracteriza a vaginose é desconhecido, mas a actividade sexual pode ser o factor, pelo menos nalgumas mulheres.
Acontece nas mulheres com novos e vários parceiros sexuais e entre homossexuais.
O preservativo protege contra a vaginose.
Tratamento
Como o factor causal é desconhecido, o tratamento tenta reduzir o peso destes anaeróbios e melhorar os sintomas de secreção vaginal aumentada e com cheiro.
O tratamento habitual é com metronidazol oral ou vaginal ou a clindamicina.
Ambos, são recomendados no tratamento da vaginose bacteriana na gravidez, por via oral.
Vaginite por Trichomonas vagínalis
Sintomas:
Corrimento purulento, frequente e abundante;
Ás vezes prurido vulvar.
Corrimento:
Abundante;
Castanho-amarelado;
Homogéneo;
Inflamação vulvovaginal:
Eritema vulvovaginal.
Quando consultar o médico assistente?
Apesar da auto-medicação ser fácil nos casos de candidíase vaginal, em algumas circunstâncias é aconselhável consultar o médico assistente, principalmente nas seguintes:
Candidíase vaginal pela primeira vez.
Menos de 12 anos de idade.
Não sentir qualquer melhoria ao terceiro dia de tratamento ou caso os sintomas não tenham desaparecido no período de 7 dias.
Caso os sintomas voltem a manifestar-se no espaço de 2 meses.
Em caso de gravidez.
Presença de sintomas atípicos, nomeadamente um odor característico a peixe, febre ou dor intensa na zona do baixo abdómen.
Concluindo
As infecções vaginais mais comuns são fungicas e se tratadas atempadamente não provocam problemas de saúde graves. No entanto se forem recorrentes e não devidamente tratadas o sistema imunitário vai ficar fragilizado e pode abrir caminho ao aparecimento de outras infecções secundárias nomeadamente bacterianas que podem ser graves! Não se descuide, trate logo aos primeiros sintomas e aprenda a reconhecer os sinais para se proteger!
Minhas queridas e queridos com emoção vos recebi na Feira do Livro do Porto, no passado dia 29 de agosto, onde decorreu uma sessão de autógrafos do meu livro “As cinco grandes mentiras sobre saúde”.
Franklim Moura Fernandes – As cinco grandes mentiras sobre saúde
Sessão de autógrafos na Feira do Livro do Porto 2025
A sessão teve lugar no stand 116 da editora Cordel D’Prata.
Estive presente na Feira por volta das 19 horas para beijos, abraços e conversa, preparando o início da sessão às 20 horas, que teve a duração de 45 minutos.
A vossa presença foi uma honra para mim e uma oportunidade admirável de conhecer pessoalmente os meus leitores, quer do livro quer do Blog, juntando também amigos e família.
Muito grato pelo vosso incrível apoio.
Franklim Moura Fernandes – Feira do livro Porto 29 de agosto de 2025
Franklim Moura Fernandes – Autor do livro “As cinco grandes mentiras sobre saúde”
Queda de cabelo excessiva e calvície tudo o que não sabe! Conhecida como calvície (ou calvície), recebe em medicina o nome de alopecia androgénica. Alopecia significa queda de cabelo, e androgénica refere-se à influência das hormonas masculinos no processo. Muitas pessoas acham que a calvície é um problema exclusivo dos homens, mas, na verdade, a perda definitiva de cabelos afeta mulheres na mesma proporção. A diferença é que, como no sexo feminino a calvície costuma ser menos intensa e, portanto, mais discreta, ela é mais facilmente camuflável.
Os pelos e os cabelos são estruturas cilíndricas compostas por proteínas, principalmente queratina, que crescem através da pele pelos folículos pilosos situados nas regiões mais profundas da derme. Todo o corpo, exceto as palmas das mãos e plantas dos pés, possuem folículos pilosos e pelos. Em alguns locais, por serem muito claros e finos, os pelos podem passar despercebidos, mas estão lá.
Os pelos apresentam características e velocidade de crescimento diferentes em cada local do corpo, o que é facilmente perceptível quando comparamos cílios, cabelos, pelos púbicos e a barba, por exemplo. O couro cabeludo possui, em média, 100.000 fios de cabelo, com um crescimento médio de 1 a 2 cm por mês.
Todos os dias, perdemos entre 50 e 80 cabelos. A sua vida dura, em média, entre 2 e 7 anos. O cabelo nasce no folículo piloso, cresce por entre ciclos sucessivos, até cair.
Fases do ciclo de vida do cabelo
O ciclo de vida do cabelo é constituído pelas seguintes fases:
Anagénica,
Catagénica,
Telogénica.
Cabelo como nasce e cresce?
O cabelo nasce no folículo piloso. Cada folículo piloso tem vida própria, ou seja, cada cabelo cresce independentemente do crescimento dos outros. Se os folículos estivessem sincronizados, todos os cabelos cresceriam ao mesmo tempo. Nesse caso, haveria um período em que o homem ficaria totalmente calvo antes de recuperar uma farta cabeleira.
Fase anagénica
O período durante o qual o cabelo cresce tem o nome de fase anagénica e dura cerca de 1 a 3 ou 4 anos. Durante esta fase, o bulbo piloso situado na extremidade inferior do folículo regenera-se para voltar a produzir a fibra capilar. O cabelo cresce cerca de 1 cm por mês.
Fase catagénica
A segunda fase, catagénica, também chamada fase de involução, dura 2 a 3 semanas. É a conclusão da produção da fibra. O folículo retrai-se à superfície do couro cabeludo. Essas semanas vão permitir ao cabelo preparar-se para a fase de repouso.
Fase telogénica
A terceira e última fase do ciclo de vida do cabelo é a fase telogénica e corresponde ao período de repouso. O cabelo não cresce mais, mas permanece agarrado ao folículo durante cerca de 3 meses. No final desses 3 meses, o cabelo cai durante a lavagem ou escovagem. Pode dar-se início a uma nova fase anagénica.
Crescimento do cabelo
O cabelo não cresce de modo contínuo, mas através de ciclos sucessivos. 90% dos cabelos encontram-se constantemente em fase de crescimento, enquanto que 10% estão em fase de queda. Todos os dias, caem naturalmente cerca de 50 a 80 cabelos, com 2 a 7 anos de vida. Estes cabelos são substituídos. Cada folículo piloso reproduz um total de 25 a 30 ciclos ao longo da sua vida. No entanto, pode ocorrer por vezes um descontrolo. Sob a influência das hormonas masculinas, estes ciclos podem ficar perturbados.
Calvície ou alopecia quais as causas?
A calvície ou alopecia androgénica é causada pelas seguintes alterações:
Encurtamento da fase de crescimento (anágena),
Afinamento progressivo do fio de cabelo,
Redução do tamanho dos folículos.
Estas alterações fazem com que a raiz fique cada vez mais próxima da superfície da pele.
Testosterona e dihidrotestosterona
Essa miniaturização do folículo é um processo hereditário e mediado por hormonas masculinas. Para ser mais exato, o problema ocorre naqueles pacientes que produzem excessivamente uma enzima chamada 5 alfa-redutase, que transforma a hormona masculina testosterona no seu derivado dihidrotestosterona. Fatores genéticos determinam essa produção excessiva.
A dihidrotestosterona liga-se a recetores existente em alguns folículos pilosos provocando a redução do seu tamanho. Portanto, a calvície ocorre naqueles indivíduos com altos níveis de dihidrotestosterona e numerosos folículos com recetores para esta hormona. As diferentes distribuições dos recetores de dihidrotestosterona entre indivíduos explica porque temos diferentes tipos de calvície.
Homem e padrões de queda de cabelo
A figura abaixo ilustra os padrões mais comuns de queda de cabelo no sexo masculino.
Mulher e padrões de queda de cabelo
A figura abaixo ilustra os padrões mais comuns de queda de cabelo no sexo feminino.
Micro irritação
Uma descoberta trouxe à luz do dia um fenómeno responsável pela reação em cadeia da queda de cabelo: a Micro irritação. A Micro irritação é induzida pelo stress repetido que desencadeia a produção excessiva de radicais livres.
Outono e mais queda de cabelo
Devido à influência da exposição sazonal ao Sol sobre as hormonas esteroides, todos os mamíferos, incluindo o ser humano, têm tendência a perder mais pelos ou cabelos no Outono. A testosterona, a hormona masculina que acelera o crescimento piloso nos homens, também contribui para uma queda de cabelo diária mais marcada.
Causas da queda de cabelo
A queda de cabelo, em particular no homem, tem frequentemente uma origem genética. Trata-se, neste caso, de uma alopecia androgenética ou calvície associada à sensibilidade particular dos folículos pilosos aos androgénios.
As principais causas da queda de cabelo são as seguintes:
Micro-irritação responsável pela aceleração da queda de cabelo no homem e na mulher (descoberta recente).
Sob a influência de stress repetido, surge uma Micro-irritação mesmo por baixo da superfície do couro cabeludo. Imperceptível e indolor, esta Micro-irritação acaba por desencadear uma reação em cadeia que se propaga em cascata até ao bulbo. Em resposta, os tecidos contraem-se. O bulbo fica menos irrigado e menos nutrido, tendo como consequência o cabelo torna-se mais fino e acabando por cair.
Fadiga poluição sol e stress
O stress interno e o stress externo afetam diretamente o couro cabeludo. O stress interno pode ser induzido por:
O couro cabeludo regista os vários tipos de stress e transforma-os numa produção excessiva de radicais livres. Em resposta aos estímulos exercidos pela ameaça dos radicais livres, dá-se a produção de agentes químicos pró inflamatórios que provocam um fenómeno imperceptível na superfície do couro cabeludo: a micro-irritação. Os ingredientes ativos permitem reabsorver a micro-irritação na sua origem e prevenir a sua repercussão até ao bulbo.
Gravidez e queda de cabelo
Qual o papel das hormonas nesta questão?
A testosterona, a hormona masculina que acelera o crescimento piloso nos homens, também contribui para uma queda de cabelo diária mais marcada. As variações hormonais estão na origem da perda significativa de cabelo de que as jovens mães padecem frequentemente. De facto, os cabelos que deviam ter caído durante os nove meses anteriores são retidos pelas hormonas da gravidez.
Assim que os níveis de estrogénio regressam ao normal após o parto, estes cabelos perdem a sua ligação hormonal e caem. No entanto, este processo é temporário e, geralmente, normaliza-se ao fim de alguns meses. Por outro lado, um choque físico ou emocional (morte, divórcio, operação cirúrgica significativa) pode provocar uma queda súbita de cabelo três a quatro meses após o evento em questão. Também neste caso, as hormonas são as responsáveis mas, à medida que o organismo e a moral se restabelecem, os cabelos retomam o seu ciclo habitual.
Queda de cabelo súbita e intensa
Mesmo que perca uma quantidade de cabelos que lhe pareça significativa, se continuar a ter um crescimento normal e se a densidade do seu cabelo permanecer estável, não há motivo para preocupações. Por outro lado, se o seu cabelo perder volume visivelmente ou se constatar que determinadas zonas ficam desguarnecidas, consulte o seu farmacêutico. Se a queda for súbita ou grave, não hesite em consultar um dermatologista. Este especialista poderá descobrir problemas ou patologias subjacentes (carência de ferro, distúrbios da tiróide ou hormonais, efeitos secundários de certos medicamentos…) que podem contribuir para a queda de cabelo.
QUEDA DE CABELO NO HOMEM
HEREDITARIEDADE E STRESS, OS PRINCIPAIS FACTORES
Face a uma queda significativa de cabelo ou alopecia, aconselha-se agir rapidamente. Muitas vezes de origem hereditária, a alopecia masculina pode ser interrompida através de cuidados específicos antiqueda de cabelo. Recomenda-se igualmente a prevenção contra o stress e a prática de uma alimentação equilibrada.
Sintomas
Perdemos cerca de 50 a 80 cabelos por dia. Tal como as células da pele, o cabelo renova-se naturalmente. Novos nascimentos substituem, em princípio, os cabelos que caem diariamente. Na verdade, cada cabelo dura entre 2 e 7 anos e cada folículo piloso que origina o cabelo reproduz entre 25 a 30 ciclos. Contudo, sob a influência de determinados fatores, a queda de cabelo acelera. Na ausência de crescimento, começam a surgir zonas escassas em cabelo.
Causas da queda de cabelo no homem
No homem, a queda de cabelo é, sobretudo, de origem genética. Na verdade, a alopecia androgenética hereditária afeta cerca de 70% dos homens. Normalmente, referem-se à alopecia como calvície. Esta deve-se à influência das hormonas masculinas, os androgénios. A calvície pode surgir muito cedo, desde os 18 anos.
Progressivamente, o crescimento do cabelo fica mais lento e passa a um ano em vez dos três ou quatro. O folículo piloso implanta-se cada vez menos na derme e atrofia. Consequência: o cabelo fica mais fino. O couro cabeludo fica desprovido de cabelo, primeiro ao nível das têmporas, da testa e do topo do crânio.
Outras causas
Toma de medicamentos, como os anticoagulantes ou tratamentos contra o cancro
Choque psicológico
Stresse
Carências alimentares
Mudanças de estação
Tratamentos anti-queda
É mais fácil atrasar a queda de cabelo do que estimular o seu crescimento. Existem vários tratamentos, sob a forma de champôs específicos, de loções ou de séruns. O dermatologista poderá ainda prescrever tratamentos medicamentosos. Por fim, as técnicas cirúrgicas de enxerto constituem mais uma solução para a queda de cabelo.
Recomenda-se :
Cuidado diário do seu cabelo, privilegiando os champôs suaves e evitando o uso abusivo de produtos agressivos;
Descansar e evitar o stress;
Ter uma alimentação saudável e equilibrada
Prevenir a queda de cabelo
5 regras para ter um cabelo mais bonito
Para manter um cabelo bonito e saudável adopte uma rotina de cuidados diária. O seu cabelo e couro cabeludo exigem cuidados suaves!
A temperatura certa
Cuidados capilares muito suaves!
Deixe o seu cabelo respirar!
Massaje o couro cabeludo
Evite o stress!
Alimentação e exercício físico
Temperatura certa
Sempre que lavar o seu cabelo, garanta que a água está a uma temperatura adequada. Deve estar morna de forma a não agredir o couro cabeludo. Deve igualmente enxaguar abundantemente de forma a que não existam vestígios do seu champô ou de outros produtos capilares aplicados.
Cuidados capilares muito suaves
O calor excessivo ou a lavagem com um champô não adequado podem danificar o seu cabelo ou torná-lo mais frágil. Use uma champô suave que não agrida o seu couro cabeludo. E, mantenha o seu secador a uma temperatura baixa!
Na lavagem deve usar um champô adequado ao seu tipo de cabelo, aplicá-lo com uma massagem suave, deixá-lo atuar durante 2 a 3 minutos, enxaguar bem, e em seguida usar um condicionador, ou tónico capilar, se adequado.
Pentear ou escovar o cabelo é quase tão importante como lavá-lo, pois ajuda a eliminar a sujidade, a caspa, os cabelos caídos e as células mortas que se vão acumulando, e que podem obstruir a passagem de nutrientes. Evite fazê-lo com o cabelo molhado, e evite o secador sempre que possível.
Deixe o seu cabelo respirar
O seu cabelo precisa de respirar. Não o mantenha amarrado durante horas sem fim. Alterne o seu cabelo entre solto e apanhado. Não use bandoletes, toucas ou chapéus durante um longo período de tempo.
Massaje o couro cabeludo
A massagem não é somente para o corpo. Pode ser igualmente benéfica para o cabelo. Durante a lavagem, massaje o couro cabeludo durante 2 a 3 minutos, sem o agredir. Assim estimulará a circulação sanguínea e relaxar o seu couro cabeludo.
Evite o stress
Cuidar do seu cabelo significa também cuidar de si! Uma dieta equilibrada, exercício físico e um sono descansado são essenciais para um cabelo saudável. Experimente o yoga para eliminar o stress da sua vida!
Alimentação e exercício
Para preservar o nosso cabelo devemos ter alguns cuidados na alimentação e no nosso estilo de vida, e adotar alguns cuidados capilares básicos.
A alimentação e o exercício físico são fatores que podem influenciar a saúde dos cabelos, pois interferem com a circulação sanguínea, que transporta os nutrientes para a raiz do cabelo. Quando o organismo está carente de nutrientes, também o cabelo e o couro cabeludo se ressentem.
Uma dieta equilibrada e atividade física frequente refletem-se num cabelo saudável, adiando ou diminuindo o ritmo da queda do cabelo.
Algumas vitaminas são particularmente benéficas para os cabelos, assim como vários minerais, a saber:
Vitamina A,
B1 (tiamina),
B2 (riboflavina),
B3 (niacina),
B6 (piridoxina),
B9 (ácido fólico)
B12 (cianocobalamina),
Vitamina C,
Vitamina E,
Cálcio,
Ferro,
Fósforo,
Magnésio,
Iodo,
Zinco.
Sendo os cabelos compostos por 60% a 90% de proteínas, estas são muito importantes na dieta, sobretudo carnes magras, peixe, leite, e ovos. No entanto devemos ter sempre em consideração que o excesso de proteína na alimentação pode trazer consequências graves para a nossa saúde (Ex: doença renal), pelo que, como é óbvio, deve moderar o consumo.
Consultar o dermatologista
Todos os dias há pacientes com queda de cabelo.
Trata-se muitas vezes do aumento de uma queda fisiológica que afeta, sobretudo, as mulheres, durante o Outono ou a Primavera, altura em que o número de consultas aumenta. Também pode tratar-se de uma calvície real instalada, muitas vezes mal cuidada pelos homens mais jovens. A queda de cabelo é sempre um fenómeno de angústia para os pacientes.
Dermatologista e tratamentos antiqueda
Quando consulta um dermatologista os tratamentos seguem determinadas fases. Primeiro, faz uma análise ao sangue para aferir os seguintes parâmetros:
Depois, explica o mecanismo da queda de cabelo. É importante para diminuir a ansiedade. Prescreve preferencialmente suplementos alimentares (aminoácidos sulfurados: taurina, cistina) que permitem encurtar o período de queda. As loções antiqueda podem ser eficazes desde que sejam produtos com eficácia comprovada.
Tratamento da calvície incipiente
O tratamento da calvície masculina é baseado no uso dos seguintes medicamentos e substâncias:
Minoxidil em solução tópica (aprovado para homens e mulheres).
Finasterida por via oral (aprovado apenas para homens).
Stemoxydine (Neogenic®)
Minoxidil a 2% e 5%
A solução de minoxidil para aplicação direta no couro cabeludo melhora a queda de cabelo por aumentar o tempo da fase anagénica e estimular o crescimento dos folículos miniaturizados. Os resultados demoram pelo menos 4 meses, sendo mais pronunciados no ápice do couro cabeludo e menores na região frontal. O tratamento é para a vida inteira. Com a interrupção, a perda de cabelo retorna.
Finasterida a 1mg
A Finasterida é um medicamento originalmente usado na hipertrofia prostática, mas que, com o tempo, demonstrou como efeito colateral uma redução na queda de cabelo dos pacientes.
A finasterida é um bloqueador da enzima 5 alfa-redutase, o que, como explicado anteriormente, impede a transformação da testosterona em dihidrotestosterona (DHT), responsável pelos efeitos negativos nos folículos pilosos.
Em geral, preconiza-se o uso de comprimidos de 1 mg por dia, por pelo menos, 1 ano. Com o uso da Finasterida ocorre aumento do número de fios de cabelo, que também se tornam mais grossos e fortes. Se a droga for suspensa, porém, dentro de 6 a 9 meses o paciente perde todo o cabelo novo que havia crescido.
Finasterida nas mulheres
A Finasterida em mulheres ainda não se mostrou eficaz e comprovadamente causa más formações fetais. Portanto, não é uma droga indicada para a calvície feminina.
Se tem uma queda de cabelo que considere grave procure um dermatologista para que ele possa decidir a melhor estratégia terapêutica para o seu caso. Não se automedique. Lembre-se que tanto a Finasterida quanto o minoxidil apresentam efeitos colaterais e contraindicações. Além disso, existem várias outras causas para perda de cabelo além da alopécica androgénica, que não devem ser tratadas com nenhuma dessas duas drogas.
Stemoxydine® a 5%
Entre dois ciclos de crescimento, o bolbo capilar entra em fase de inatividade onde suspende a sua atividade e permanece vazio.
Para despertar, o bolbo capilar precisa de um sinal : foi a trabalhar nessa etapa que a pesquisa do laboratórios L’Oréal descobriu o papel das células estaminais no despertar dos bolbos adormecidos e na renovação do cabelo.
Stemoxydine é a 1ª molécula de ação biomimética que simula um ambiente ótimo para as células estaminais e favorece o seu bom funcionamento. Os bolbos em fase de inatividade são despertados. 1700 novos cabelos em 90 dias (estudo clínico vs placebo em 101 indivíduos – valor médio para uma cabeleira alopécica). Para couros cabeludos sensíveis. A fórmula é hipoalergénica sem parabenos e não colante.
Outros tipos de queda de cabelo
Existem várias outras causas para queda de cabelo. Ao contrário da calvície, elas costumam causar perdas localizadas e irregulares. Porém, em casos difusos podem se assemelhar à alopécia androgénica. Vamos citar as causas mais comuns:
Eflúvio anagénica
É a queda de cabelo que ocorre, por exemplo, na quimioterapia, radioterapia ou envenenamentos com mercúrio.
Eflúvio felogénico
Queda de cabelo que ocorre como efeito colateral de várias drogas, deficiências de vitaminas, stresse psicológico ou doenças da tiroide.
Alopécia traumática
Ocorre por trauma mecânico e/ou químico do cabelo. Pode surgir após algumas técnicas de alisamento de cabelo com repetidas tração do mesmo associado ao uso de produtos químicos. Algumas pessoas com crises nervosas podem arrancar o próprio cabelo e ter esse tipo de alopécia.
Alopécia areata
É uma doença autoimune, onde o corpo passa a equivocadamente a produzir anticorpos contra os seus folículos pilosos. O couro cabeludo é o mais afetado, mas pode haver perda de pelos em qualquer parte do corpo.
Tinea capitis
Infeção do couro cabeludo por fungos.
Lúpus discoide
O lúpus eritematoso discoide é uma doença crónica e recorrente caracterizada por manchas arredondadas vermelhas de bordos bem definidos na pele. A sua causa é desconhecida e é mais frequente no sexo feminino e mais ainda em mulheres com cerca de 30 anos de idade. O leque de idades é muito mais amplo que o habitual para o lúpus eritematoso sistémico.
Estudos sobre queda de cabelo
De seguida descrevo alguns estudos publicados e disponíveis para consulta pública:
O cabelo é uma parte importante do nosso corpo por influenciar decisivamente a nossa autoestima. Essa influência psicológica é tanto mais marcada quanto menor for a idade da pessoa pelo que os jovens com casos de calvície na família próxima (pais e irmãos) devem estar atentos aos sintomas e tratar o problema, logo que surjam os primeiros sinais, com a ajuda do dermatologista e do Farmacêutico nos casos mais ligeiros e comuns de queda de cabelo.
A queda de cabelo, se for repentina e intensa, pode também ser um sinal de problemas de saúde mais profundos, pelo que deve, neste caso, consultar de imediato o seu médico.
Fique bem!
FranklimA. Moura Fernandes
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