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TIROIDE 2017: HIPOTIROIDISMO HASHIMOTO E DOENÇAS DA TIROIDE



Tiroide guia 2017: As doenças da Tiroide mais comuns são o hipotiroidismo (muitas vezes causado pela doença de Hashimoto), o hipertiroidismo e os nódulos da tiroide. A Thyroid Federation International agrega organizações de apoio aos doentes da Tiroide de pelo menos 19 países, quase todos desenvolvido como por exemplo The Australian Thyroid Foundation ou a Thyroid Foundation of Canada. Isto é mais um facto que realça a forte prevalência das doenças da Tiroide na população principalmente dos paises ditos “mais evoluidos”! Mas afinal o que se passa com a Tiroide?

O que é a tiroide? Qual a sua função? Porque é importante? Quais os sinais de problemas? Como devem ser tratados? Como podem ser evitados? Sabia que as doenças da tiroide são muito comuns, sendo mais frequentes nas mulheres que nos homens?

Existem múltiplas doenças da tiroide. Algumas caraterizam-se pelo incorreto funcionamento da tiroide. A tiroide produz e liberta para a circulação sanguínea duas hormonas, essenciais à vida, uma vez que exercem múltiplos efeitos no metabolismo, crescimento e desenvolvimento do nosso organismo.

Artigo actualizado em Maio de 2017

Neste artigo vou responder ás seguintes questões:

  • O que é a tiroide?
  • Qual a função da tiroide?
  • Para que servem as hormonas tiroideias?
  • Qual a importância da relação entre a tiroide e o intestino?
  • Como interfere a tiroide no nosso sistema imunitário?
  • O que se passa se o intestino funcionar mal?
  • Como é regulada a tiroide?
  • Como se avalia actividade da tiroide?
  • Quais as principais doenças da tiroide?
  • As doenças da tiroide têm tratamento?
  • Nódulos da tiroide, o que são?
  • Qual a causa dos nódulos na tiroide?
  • Que tipos de nódulos existem?
  • Quais os exames que devem ser feitos?
  • Quais as características dos nódulos benignos vs malignos?
  • O que é o hipotiroidismo?
  • Quais as causas do hipotiroidismo?
  • Doença de Hashimoto: O que é?
  • Quais as causas da Doença de Hashimoto?
  • Porque temos falta de nutrientes?
  • Doença de Hashimoto: Quais os 6 nutrientes mais importantes?
  • Quais os sintomas de hipotiroidismo?
  • Como é diagnosticado o hipotiroidismo?
  • Quais os tratamentos para o hipotiroidismo?
  • O que é o hipertiroidismo?
  • Quais as causas de hipertiroidismo?
  • Hipertiroidismo: Quais os sintomas?
  • Como é diagnosticado o hipertiroidismo?
  • Quais os tratamentos para o hipertiroidismo?
  • O que é o cancro da tiroide?
  • Qual a causa do cancro da tiroide?
  • Como é diagnosticado o cancro da tiroide?
  • Como é tratado o cancro da tiroide?
  • Como é seguido o doente com cancro da tiroide?
  • Qual a importância da vigilância regular?
  • Quais as doenças da tiroide na gravidez?
  • Quais as alterações da tiroide normais durante a gravidez?
  • Quais as doenças mais comuns da tiroide durante a gravidez?
  • Quais os tratamentos mais indicados durante a gravidez?
  • Qual a influência das doenças da tiroide na amamentação?
  • Pode amamentar-se fazendo o tratamento?

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O que é a tiróide?

A tiroide é uma glândula localizada na base do pescoço, por cima da traqueia (logo abaixo da maçã de Adão nos homens). Tem a forma de uma borboleta, sendo constituída por dois lobos unidos por uma porção central chamada istmo. O nome deriva do Grego “thyreos” que significa escudo pois a sua forma de facto faz lembrar um escudo!

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Qual a função da tiróide?

A tiróide é uma glândula de secreção endócrina, isto é, produz hormonas que são libertadas para a circulação sanguínea, chamadas hormonas tiroideias, a saber:

  • Triiodotironina (T3),
  • Tetraiodotironina (tiroxina ou T4).

A T3 é a forma activa da hormona formada principalmente a partir da conversão da T4 nos tecidos periféricos do organismo.

Para que servem as hormonas tiroideias?

As hormonas tiroideias são essenciais à vida e exercem múltiplos efeitos a três níveis:

  • Metabolismo,
  • Crescimento,
  • Funcionamento do organismo.

Estas hormonas são responsáveis por uma enorme variedade de funções e comunicações com todos os outros sistemas do nosso organismo mas particularmente com o intestino.

Através do sangue são transportadas a todas as células do nosso corpo, influenciando o seu metabolismo. Duma forma simples podemos dizer que regulam a velocidade com que as células trabalham. Se há um aumento da produção de hormonas tiroideias como no hipertiroidismo , o nosso organismo está acelerado, por exemplo há um aumento da frequência cardíaca, aumento do funcionamento do intestino. Por outro lado se há uma menor produção de hormonas tiroideias, hipotiroidismo, a frequência cardíaca diminui, o intestino trabalha mais lentamente podendo originar obstipação.

É a tiroide que decide quanto "combustivel" vamos utilizar para cada tarefa fisiológica, metabólica e física que tenhamos de efectuar. Por isso contribui de forma decisiva para o nosso bem-estar mental, emocional, ajudando a pensar mais depressa ou mais devagar e influenciando até a nossa função e desejo sexual.

Qual a importância da ligação entre a tiroide e o intestino?

Tiroide e intestino estão intimamente ligados de tal forma que problemas no intestino influenciam decisivamente o funcionamento da tiroide e vice-versa. A tiroide ajuda a regular a motilidade instestinal e fortalece a integridade da mucosa do tracto gastrointestinal. Isto e muito importante por duas ordens de razões:

  • O intestino converte um quinto da hormona T4 (forma inactiva) em T3 (forma activa);
  • O intestino serve de interface entre a tiroide e o sistema imunitário.

Como interfere a tiroide no nosso sistema imunitário?

Grande parte do sistema imunitário está localizado logo por baixo da única camada de células que reveste o nosso intestino. Isso mesmo… leu bem o nosso intestino e tudo o que “por lá passa” apenas é separado do sistema imunitário por uma única camada de células fortemente ligadas entre si. Por sua vez esta ligação forte entre as células da mucosa intestinal, curiosamente, não é feita por uma especie de “cola” mas sim por uma espécie de “portal” que se abre e fecha apenas para deixar passar os nutrientes que nos são essenciais, depois de decompostos nas suas formas mais básicas, tais como:

  • Aminoácidos (para produção de proteinas);
  • Monossacarídeos (para produção de hidratos de carbono);
  • Monoglicerídeos (para produção de gordura).

O bom funcionamento do intestino depende imenso da correcta motilidade instestinal que por sua vez é regulada pela tiroide.

O que se passa se o intestino funcionar mal?

Quando a motilidade instestinal está alterada, originando por exemplo obstipação ou diarreia, existe uma maior probabilidade do “portal” que une as células da mucosa instestinal ficar em linguagem simples “encravado no modo aberto” colocando em contacto directo e permanente o nosso sistema imunitário com o conteúdo instestinal.  Este contacto provoca uma reacção inflamatória permanente e exagerada do nosso sistema imunitário que se sabe hoje ser uma das causas mais importantes de imensas doenças autoimunes, cuja incidência na população dos paises desenvolvidos tem disparado de forma alarmante!

A única molécula conhecida que actua como “chave” para abrir os portais existentes entre as células da mucosa intestinal chama-se Zonulin (Zonulina) e a sua produção pelo organismo é estimulada pela ingestão de gluten, pelo que cientistas de renome na área das doenças autoimunes, como o Dr Alessio Fassano, fundador do Center for Celiac Research, aconselham a eliminar completamente da nossa dieta.

Estudo:

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Como é regulada a tiróide?

A actividade da glândula tiróide é controlada por duas hormonas produzidas noutros órgãos:

  • A hipófise – glândula localizada na base do cérebro, que produz a TSH;
  • O hipotálamo – porção do cérebro imediatamente acima da hipófise, que produz a TRH.

A hipófise e o hipotálamo são uma espécie de sensores, sensíveis aos níveis de hormanas tiroideias em circulação. Se os níveis de T3 e T4 em circulação forem baixos o hipotálamo liberta TRH que estimula a libertação de TSH pela hipófise. Os níveis aumentados de TSH, por sua vez, estimulam a tiróide a produzir mais hormona tiroideia, de forma a restabelecer os níveis normais.

Pelo contrário, se os níveis de hormonas tiroideias em circulação excederem os valores normais, o hipótalamo e a hipófise diminuem a libertação de TRH e TSH respectivamente, de forma a que haja menor produção de T3 e T4 pela tiróide.

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Como se avalia a actividade da tiróide?

Antes de mais, um médico tem uma ideia da actividade da glândula através da história clínica, sintomas e exame físico que o doente apresenta. Perante a suspeita clínica de alteração da função da tiroide é necessário uma análise laboratorial. É efectuada uma colheita de sangue onde é possível medir os níveis de T3, T4 e TSH.

Quais as principais doenças da tiróide?

As doenças tiroideias são muito comuns, sendo mais frequentes nas mulheres que nos homens.

Existem múltiplas doenças da tiróide, sendo as mais comuns:

  • Hipertiroidismo – sempre que há excesso de produção de hormonas tiroideias;
  • Hipotiroidismo – quando há deficiência de produção de hormonas tiroideias;
  • Doenças Autoimunes – são causadas por anticorpos dirigidos contra a glândula tiróide, que podem estimular ou destruir a glândula. São exemplos a Doença de Graves (causa de hipertiroidismo) e a Doença de Hashimoto ( causa frequente de hipotiroidismo);
  • Bócio – quando a tiróide está globalmente aumentada de tamanho;
  • Nódulos – podem ser únicos ou múltiplos.

As doenças da tiroide têm tratamento?

Habitualmente as doenças da tiroide não são complicadas e os seus sintomas podem ser tratados. Há doenças que podem ser tratadas com medicamentos orais e outras que pode ser necessário recorrer a outras formas de tratamento.

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Nódulos da Tiróide

O que são nódulos?

A tiróide é uma glândula que todos temos e que se localiza no pescoço. Por vezes pode estar aumentada de volume de forma difusa – bócio simples ou pode ter nódulos – bócio nódular.

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O que causa o aparecimento de nódulos?

A maioria das vezes não se sabe a causa. Algumas das causas conhecidas são as seguintes:

  • As mulheres podem ter aumento do volume da glândula durante a gravidez.
  • Deficiência de iodo.
  • Aumento difuso provocado por doenças autoimunes como a Doença de Graves e Tiroidite de Hashimoto.
  • Alguns medicamentos ex: amiodarona, lítio, …
  • Determinados químicos.
  • Radioterapia da cabeça ou do pescoço.
  • Causa genéticas.
  • Grandes quantidades de radioactividade , por exemplo no desastre de Hiroshima , Chernobyl e mais recentemente Fukushima

Quais os tipos de nódulos?

Os nódulos da tiróide são muito mais frequentes na mulher do que no homem. Os nódulos podem ser:

  • Únicos,
  • Múltiplos.

Habitualmente tem o mesmo tipo de abordagem. Os nódulos com menos de 1 cm habitualmente não têm importância clínica, e podem apenas necessitar de vigilância. Nos nódulos com mais de 1 a 1,5 cm , dependendo da história clínica e caracteristas ecográficas dos nódulos, pode ser conveniente a realização de uma citologia aspirativa com agulha fina. Pretende-se excluir a hipótese de cancro da tiróide, que constitui uma minoria das situações (cerca de 5 a 10%).

Se forem volumosos podem dar algum desconforto ou sensação de compressão a nível cervical. Nessa situação pode ser necessário cirurgia que também é realizada sempre que a citologia for suspeita ou maligna.

Quais os exames que devem ser feitos?

Colheita de sangue para avaliar os níveis das hormonas tiroideias

Se hipertiroidismo, pode tratar-se de um ou mais nódulos a trabalhar em excesso.

Ecografia da tiróide

É um exame indolor que nos permite avaliar a morfologia da glândula, isto é, o seu tamanho, a existência de nódulos e as suas características, por exemplo se são sólidos ou líquidos. Apesar da ecografia da tiroide não nos indicar se um nódulo é benigno ou maligno, determinadas características dos nódulos podem ser mais suspeitas e orientam-nos para a necessidade de uma citologia.

Citologia com agulha fina

Recolhe células do nódulo para estudo microscópico.

Cintigrafia da tiróide

Só deverá ser efectuado em algumas situações particulares.

Nódulos benignos vs malignos

Nódulos benignos

Podem ser quistos, nódulos coloides, adenomas, etc.

Nódulos malignos

O cancro da tiroide tem uma alta taxa de cura e a maioria dos doentes pode ter uma vida perfeitamente normal. O tratamento é cirúrgico. Por vezes é necessário tratamento com iodo radioactivo. O tratamento com levotiroxina é obriagatório em todos os doentes. A vigilância deve ser para o resto da vida.

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Hipotiroidismo

O que é o hipotiroidismo?

É uma condição em que as hormonas da tiróide estão em quantidade insuficiente no sangue comprometendo o normal funcionamento de todo o organismo. Chama-se de hipotiroidismo primário quando a causa compromete o funcionamento da tiroide.

Quais são as causas de hipotiroidismo primário?

Existem muitas razões pelas quais a tiróide deixa de funcionar adequadamente nas pessoas com hipotiroidismo, sendo as principais as que descrevo de seguida:

  • Doença autoimune como a doença de Hashimoto (95% dos casos);
  • Falta ou excesso de iodo;
  • Cirurgia prévia;
  • Medicamentos;
  • Radiações.

Doença de Hashimoto

É a causa mais comum em adultos (95%), em países sem carência severa de iodo, como é o caso de Portugal. Nesta condição, as defesas do organismo deixam de reconhecer a tiróide como fazendo parte do corpo e atacam-na como se fosse uma entidade estranha. À medida que vai sendo lesada, a tiróide deixa de ter capacidade para fabricar e libertar hormonas em quantidade suficiente, estabelecendo-se o hipotiroidismo.

Doença de Hashimoto: Quais as causas?

Segundo a Dra Izabella Wentz, as principais causas primárias da doença de Hashimoto são:

  • Sensibilidades alimentares
  • Deficiência em alguns nutrientes
  • Dificuldade em gerir o stress
  • Comprometimento da capacidade de lidar com toxinas
  • Infeções crónicas
  • Permeabilidade intestinal

Algumas das causas primárias podem estar um pouco escondidas e ser necessário investigar mais profundamente. No entanto resolver as carências de nutrientes é uma das medidas mais simples que podem ser tomadas.

A boa notícia é que, quando tratamos das carências de nutrientes, podemos sentir uma melhoria muito rápida, mesmo quando outras causas subjacentes ainda estão presentes!

Por que temos falta de nutrientes?

Carências de nutrientes são sempre um factor na Doença de Hashimoto. Devido ás práticas agrícolas atuais e dieta ocidental, a carência de nutrientes é um factor importante para a maioria das pessoas!

Estas carências podem ser originadas pelos seguintes factores:

  • Comer alimentos processados
  • Tomar medicamentos
  • Sensibilidade alimenta
  • Inflamação intestinal,
  • Má digestão,
  • Malabsorção,
  • Infecção intestinal,
  • Microbioma alterado.

Até mesmo o hipotiroidismo em si mesmo, pode levar a carências de nutrientes.

Mesmo as pessoas cuja dieta se baseia em alimentos orgânicos, ricos em nutrientes, correm o risco de ter deficiências de nutrientes, devido aos seguintes factores:

  • Estômago menos ácido que o necessário
  • Malabsorção de gordura
  • Deficiência em enzimas digestivas

Estes factores fazem com que muitos de nós não sejamos capazes de retirar e absorver dos alimentos os nutrientes que necessitamos nas quantidades adequadas.

Quais os 6 nutrientes mais importantes na Doença de Hashimoto?

Ainda segundo a Dra Izabella Wentz as carências de nutrientes mais comuns na doença de Hashimoto são:

  • Magnésio (citrato ou glicinato)
  • Selénio,
  • Vitamina B1 (Tiamina)
  • Vitamina B12,
  • Viatmina D
  • Ferritina (a proteína de armazenamento de ferro).

O doseamento sanguineo de selénio, vitamina B1 (Tiamina) e magnésio não são fiáveis. A maioria das pessoas com Hashimoto tem deficiências nestes 3 nutrientes pelo que se aconselha a suplementação mesmo sem teste sanguineo, pois as reações adversas são pouco frequentes.

Magnésio

O magnésio foi muitas vezes chamado de “nutriente milagroso”. A deficiência de magnésio pode causar os seguintes sintomas:

  • Caimbras
  • Enxaquecas,
  • Dores de cabeça,
  • Insónia,
  • Cólicas menstruais,
  • Ansiedade,
  • Dores nas articulações.

Pode ainda causar uma série de outros sintomas entre os quais intolerância a ruídos altos.

O uso a longo prazo também pode ajudar com a normalização da aparência da glândula tiróide em ultra-som, e magnésio também pode ajudar a tireóide e nódulos da mama.

Magnésio: Qual o suplemento recomendado?

  • Citrato de magnésio puro em cápsulas (se for tendencialmente preso do intestino)
  • Glicinato de magnésio (se for tendencialmente solto do intestino)

Dose: 1-4 cápsulas por dia, em doses divididas, com as refeições.

Quais os benefícios esperados?

  • Redução da ansiedade,
  • Palpitações menos frequentes,
  • Mais energia,
  • Melhoria no exame de ultrasom da tiróide (quando usada a longo prazo),
  • Ausência de cólicas menstruais,
  • Melhoria na obstipação,
  • Menos enxaquecas,
  • Menos caimbras e dor,
  • Melhor sono.

Quanto tempo para ver os benefícios?

Isso realmente depende dos sintomas. Pode sentir benefícios com ansiedade, insônia e até mesmo enxaquecas ou dores de cabeça, dentro da primeira semana.

As cólicas menstruais, vão reduzir-se em 80-90% no primeiro mês e diminuirão ainda mais com o uso continuado. Em relação à normalização do exame de ultrasom da tiroide, isso pode levar alguns anos de uso.

Quanto tempo tomar: 3 meses ou toda a vida depende dos sintomas e do aconselhamento médico.

Considerações especiais:

Certifique-se que toma o magnésio pelo menos com 4 horas de diferença em relação à medicação da tiroide pois o magnésio pode bloquear a sua absorção.Tomar o magnésio ao deitar pode ser uma boa escolha porque promove um sono reparador.

Citrato de magnésio pode causar fezes moles, o que pode ser bom se for obstipado ou mau se já tiver fezes soltas.

Assim utilize glicinato de magnésio se tende mais para a diarreia e citrato de magnésio se tende mais para a obstipação.

Tenha ainda em mente que para algumas pessoas o glicinato de magnésio pode piorar os sintomas de ansiedade. Neste caso o citrato de magnésio seria uma escolha melhor.

Selénio

Deficiência de selénio tem sido reconhecida como um gatilho ambiental para Hashimoto’s, e a maioria das pessoas com Hashimoto estão em risco de ter esta deficiência. Outras populações de alto risco incluem pessoas com:

  • Sindrome do Intestino Irritável,
  • Doença celíaca (alérgicos ao gluten)
  • Pessoas que consomem dietas sem cereais.

Numerosos estudos apoiam o uso de selénio na Doença de Hashimoto, Doença de Graves e gravidez. Na verdade, o selénio pode evitar a doença de Hashimoto pós-parto.

Uma dose de 200 microgramas por dia foi considerada eficaz para reduzir os anticorpos anti-Tiroperoxidase (TPO) em cerca de 50% em 3 meses!

Suplemento recomendado: Selénio na forma de metionina pura em cápsulas

Dose: 200-400 mcg por dia

Benefícios esperados:

  • Menos ansiedade,
  • Melhor conversão de T4 para T3,
  • Menos anticorpos anti-tiróide,
  • Mais energia,
  • Menos perda de cabelo,
  • Menos palpitações.

Quanto tempo demora a sentir benefícios?

Geralmente 3 a 5 dias para os sintomas começarem a melhorar e 3 meses completos para ver uma redução nos anticorpos da tiróide

Quanto tempo deve tomar: 3 meses a 2 anos

Considerações especiais:

Se tiver uma reação adversa ao selénio (que é raro), pode ter deficiência de iodo. Enquanto o iodo pode ser um gatilho para Hashimoto e pode exacerbar Hashimoto, algumas pessoas podem ser deficientes e podem beneficiar de um suplemento de iodo de baixa dosagem (até 250 mcg tem sido bem tolerado em pessoas com Hashimoto.) A maioria das vitaminas multi e pré-natal já contém na sua composição 150-250 mcg.

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Falta ou excesso de iodo – O Iodo é o elemento fundamental para a síntese das hormonas da tiroide. O iodo é fornecido pelos alimentos. Quando em níveis insuficientes ou excessivos pode alterar a função da tiroide, comprometendo a sua síntese hormonal.

Cirurgia prévia – algumas doenças da tiróide requerem uma cirurgia para remoção total ou parcial da glândula. Se a remoção for completa ou o que restou da glândula não fôr suficiente, não haverá produção adequada das hormonas.

Medicamentos – há fármacos como a amiodarona, o lítio e o interferão que alteram a síntese hormonal.

Radiações – pessoas submetidas a tratamentos com radiações para doenças da tiróide ou outras da cabeça ou pescoço podem desenvolver hipotiroidismo.

Quais são os sintomas de hipotiroidismo?

Os os sintomas são variados, por vezes inespecificos ou seja são similares ao de outras potologias e geralmente aparecem progressivamente. Os principais são os seguintes:

  • Aumento da sensibilidade ao frio;
  • Fadiga;
  • Cansaço fácil;
  • Obstipação;
  • Pele seca;
  • Queda de cabelo, cabelo fino e quebradiço;
  • Irregularidades menstruais;
  • Ligeiro aumento de peso (retenção de fluidos);
  • Mialgias e parestésias.

Como se faz diagnostica o hipotiroidismo?

Segundo a experiência pessoal e profisisonal da Dra Izabella Wentz, autora do Best seller Hashimoto’s Protocol, o hipotiroidismo pode não ser diagnosticado nos primeiros 10 anos da doença pelo simples facto de as análises clinicas apenas ao doseamento das hormonas da tiroide T4 e T3 estarem dentro dos intervalos normais de referência.

Normalmente o diagnóstico definitivo baseia-se no doseamento sanguíneo das hormonas da tiróide e da TSH (hormona que regula o funcionamento da tiróide e que é produzida noutra glândula, a hipófise, que se localiza no cárebro).

No entanto, se houver sintomas, segundo a Dra Izabella Wentz, mesmo com T4 e T3 normais, a doença autoimune de Hashimoto pode já estar a atacar a tiroide. Torna-se portanto necessário  ir mais longe e fazer os seguintes exames complementares:

  • Ecografia da tiroide para confirmar se a morfologia e tamanho são normais;
  • Teste TPO: Pesquisa no sangue anticorpos específicos da tiroide, tais como anticorpos contra a Tiroperoxidase (TPO) que é uma enzima presente na tiroide e desempenha uma importante função na produção de hormonas da tiroide. Se o teste for positivo isso indica que existem anticorpos a atacar a tiroide o que pode ser uma indicação de doença autoimune tal como doença de Hashimoto (que provoca hipotiroidismo) ou doença de Graves (que provoca hipertiroidismo).

Qual o tratamento para o hipotiroidismo?

O tratamento do hipotiroidismo consiste na administração geralmente crónica de hormona da tiróide na forma de L-tiroxina (T4), de forma a fornecer ao organismo a quantidade de hormonas que a tiróide se tornou incapaz de produzir.

Como se faz o acompanhamento médico?

A maioria dos casos de hipotiroidismo são definitivos, não tendo cura. No entanto, desde que o tratamento seja bem realizado e a dose de levotiroxina seja a correcta, as pessoas não terão quaisquer sinais ou sintomas, podendo levar uma vida perfeitamente normal.

A dose de L-T4 adequada pode variar ao longo do tempo na mesma pessoa, o que obriga a que se devam realizar análises periódicas para ajustar a posologia.

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Hipertiroidismo

O que é o hipertiroidismo?

O hipertiroidismo acontece quando a glândula tiróide produz hormonas em quantidades excessivas. As hormonas tiroideias (T3 e T4) controlam todas as funções do organismo e a sua velocidade de funcionamento. Quando há um excesso destas hormonas o organismo está “acelerado”. Esta situação deve ser rapidamente tratada pois pode causar “exaustão” em alguns dos órgãos, nomeadamente o coração

Quais são as causas do hipertiroidismo?

As principais causas de hipertiroidismo são as seguintes:

  • Doença de Graves (doença autoimune);
  • Nódulo tóxico;
  • Bócio multinodular tóxico;
  • Tiroidite subaguda;
  • Excesso de hormona tiroideia;
  • Ingestão excessiva de iodo.

De seguida descreve-se como cada uma destas condições de saúde leva ao hipertiroidismo.

  • Doença de Graves – é uma alteração auto-imune, causada por anti-corpos estimuladores da tiroide. Há geralmente um aumento do volume da tiróide (bócio), hipertiroidismo e, por vezes, edema dos tecidos periorbitários que podem causar saliência dos globos oculares e alterações da visão. É mais frequente nas mulheres que nos homens e pode ter uma associação familiar.
  • Nódulo tóxico – quando a tiróide apresenta um único nódulo que produz mais hormonas que o necessário para o funcionamento normal do organismo.
  • Bócio multinodular tóxico – a tiróide apresenta-se mais volumosa (bócio) com vários nódulos que produzem excesso de hormonas e provocam hipertiroidismo. Geralmente aparece em pessoas mais velhas que há vários anos tinham bócio com nódulos.
  • Tiroidite Subaguda – após uma infecção vírica a tiróide torna-se mais volumosa e dolorosa e liberta para o sangue uma grande quantidade de hormonas que tinha armazenada. Não há um verdadeiro aumento de produção hormonal e, portanto, o hipertiroidismo é auto-limitado.
  • Excesso de hormona tiroideia – os doentes que fazem tratamento com hormona tiroideia (levotiroxina) podem desenvolver hipertiroidismo se a dose desta se tornar excessiva. Por isto, a função tiroideia deve ser periodicamente vigiada por um médico e a dose de levotiroxina ajustada.
  • Ingestão excessiva de iodo – algumas medicações (ex. solução de lugal, amiodarona, contrastes de RX,…) contêm Iodo numa concentração muito superior áquela necessária. Em certas situações, este excesso de iodo pode ser utilizado pela tiróide e causar um hipertiroidismo.

Quais são os sinais de hipertiroidismo?

Geralmente o quadro é muito marcado e não passa despercebido. É habitual estar presente um bócio (aumento de volume da tiróide) que se pode acompanhar de:

  • Palpitações, aumento da fadiga cardíaca (> 100 batimentos por minuto);
  • Nervosismo, irritabilidade, ansiedade, variações frequentes de humor; insónia;
  • Tremor fino das mãos;
  • Perda de peso apesar de apetite aumentado;
  • Hipersudorese e intolerância ao calor;
  • Queda de cabelo, pele fina, alterações das unhas;
  • Diarreia;
  • Diminuição do fluxo menstrual e irregularidades menstruais;
  • Fraqueza muscular no ombros, braços ou coxas;
  • Olhar vivo, fixo e/ou olhos proeminentes, visão dupla (na Doença de Graves).

Como é diagnosticado o hipertiroidismo?

Quando há uma suspeita clínica pode ser realizada uma análise ao sangue onde é doseada a TSH – a hormona da hipófise que estimula a tiróide e que no hipertiroidismo está diminuída – e a T3 e T4 – hormonas da tiróide que no hipertiroidismo circulam em excesso no sangue. Pode existir excesso de uma só ou de ambas.

Posteriormente, para reforçar o diagnóstico podem ser necessários outros exames complementares para conhecer a causa tais como:

  • Determinação de anticorpos,
  • Cintigrafia da tiróide,
  • Ecografia.

Qual o tratamento do hipertiroidismo?

O objectivo é terminar com a produção excessiva de hormonas da tiróide. Há três tipos de tratamento e o seu médico poderá explicar-lhe os riscos e benefícios de cada um dos seguintes:

  • Medicamentos anti-tiroideios,
  • Iodo radioactivo,
  • Tratamento cirurgico.

Fármacos anti-tiroideios

Em Portugal há fármacos que actuam diminuindo a produção de hormonas pela tiróide. Actualmente prefere-se o uso do tiamazol (Metibasol®). Alguns doentes conseguem uma remissão de hipertiroidismo com o uso prolongado destes fármacos (cerca de 12-18 meses), embora noutros apenas se consiga um controlo provisório. Podem ter alguns efeitos adversos, tais como:

  • Reacções cutâneas,
  • Alterações hepáticas,
  • Redução dos glóbulos brancos.

O seu uso deve ser vigiado e controlado por um médico endocrinologista.

Iodo Radioactivo

Resulta numa resolução definitiva do hipertiroidismo. É administrado por via oral (geralmente em cápsulas) e ao entrar nas células da tiróide destrói algumas. O seu efeito terapêutico raramente acontece nos primeiros dois meses, manifestando-se depois, de um modo geral, até 6 meses após a sua administração.

Ocasionalmente o hipertiroidismo mantém-se e é necessária uma 2ª dose. Mais frequentemente resulta num hipotiroidismo (glândula menos activa) e é preciso ficar a tomar hormona tiroideia de substituição. A dose exacta de iodo para se conseguir uma função tiroideia normal é difícil de calcular, pelo que na maior parte dos casos se opta por uma dose empírica. É utilizado desde há muitos anos e não tem complicações importantes.

Tratamento cirúrgico

Em alguns casos é necessário remover cirurgicamente parte (nódulo tóxico) ou toda a glândula (Doença de Graves ou Bócio multinodular tóxico). Se a remoção for completa surge o hipotiroidismo e é necessário tomar hormona tiroideia para o resto da vida.

Outros tratamentos

Há fármacos (grupo dos bloqueadores beta adrenergicos) que podem ser utilizados temporariamente para controlar os sintomas de hipertiroidismo enquanto os tratamentos específicos se tornam efectivos.

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Cancro da Tiróide

O que é o cancro da tiroide?

O cancro da tiróide é um tumor maligno da glândula tiroideia. Aparece habitualmente sob forma de nódulo no pescoço, quase sempre sem sintomas. Apenas cerca de 5 a 10% destes nódulos tiroideus são malignos. A maioria dos casos surge em mulheres.

Os cancros da tiróide mais frequentes são o carcinoma papilar e o folicular, que se agrupam nos chamados carcinomas diferenciados da tiróide. Tal como o nome sugere, as suas células mantêm algumas características das células tiroideias normais, o que facilita o seu tratamento. Há outros tipos de cancro, carcinoma medular da tiroide , carcinoma anaplásico e linfoma da tiroide. Estes carcinomas são muito mais raros e tem uma forma de abordagem e evolução muito diferentes.

Qual a causa do cancro da tiroide?

O cancro da tiróide pode surgir em qualquer pessoa, e na maior parte dos casos a causa é desconhecida. Apenas a radioterapia da cabeça, pescoço ou tórax parece ser um factor de risco para o seu aparecimento. Antes de 1960 utilizava-se este tipo de tratamento para amigdalites de repetição ou para o acne. Sabe-se que há maior risco nas pessoas que foram expostas a grandes quantidades de radiação, como aconteceu na bomba de Hiroshima, no acidente nuclear de Chernobyl e vamos ver o que acontece com o acidente nuclear em Fukushima . Estes carcinomas podem ter uma incidência familiar.

Como é diagnosticado o cancro da tiroide?

Muitas vezes é o próprio doente que nota um nódulo à palpação do pescoço, ou o seu médico num exame físico de rotina. Outras vezes aparece numa ecografia ou TAC pedidas por outro motivo. A grande maioria destes nódulos são benignos (90 a 95%), pelo que a sua simples descoberta não deve alarmar. No entanto, obriga ao seu estudo com:

  • Análises de sangue para avaliar a função tiroideia;
  • Ecografia da tiroide e se necessário citologia aspirativa com agulha fina.

Só em casos pontuais haverá necessidade de fazer cintigrafia.

A citologia é efectuada com uma agulha fina para aspirar uma pequena quantidade de células do(s) nódulo(s), que será analisada em laboratório. O exame é rápido, seguro e praticamente indolor.

Como é tratado o cancro da tiróide?

Se o diagnóstico da citologia for cancro, o primeiro passo é a cirurgia com a remoção (total) da glândula tiroideia – tiroidectomia (total), bem como dos gânglios linfáticos suspeitos, se os houver. Na maior parte dos casos, o tumor é totalmente removido. As complicações da cirurgia são raras nos centros mais experientes.

Uma vez retirada a tiróide, é necessário fazer tratamento com hormona tiroideia (T4 – levotiroxina). O objectivo é substituir a produção normal de hormona tiroideia e inibir o crescimento de possíveis células tiroideias ainda presentes . A TSH pode estimular o crescimento das células tumorais. O nível de TSH pretendido com o tratamento com levotiroxina depende de cada caso.

Em alguns casos pode ser necessário o tratamento com iodo radioactivo, chamado tratamento ablativo ou ablação, porque destrói as células tiroideias normais e as cancerosas que possam ter ficado após a cirurgia. A necessidade de o fazer ou não tem que ser adaptado a cada doente.

Qual a importância da vigilância regular?

Mais de 80% de todos os casos curam.

No entanto, manter a vigilância periódica é essencial para a detecção precoce de uma eventual recidiva. Em 20% dos casos pode não ser obtida a cura após o tratamento inicial, por vezes pode haver disseminação a nível dos gânglios do pescoço e a outras partes do corpo (metástases) ainda que muitos anos depois da cirurgia.

Por esta razão, os médicos recomendam que os doentes com cancro da tiróide mantenham vigilância regular para toda a vida, embora mais importante nos primeiros 5 a 10 anos.

Os dois exames fundamentais para esta vigilância são:

  • Análises de sangue (doseamento da função tiroideia, tiroglobulina e anticorpos antitiroglobulina)
  • Ecografia cervical.

A periodicidade dos pedidos depende do doente, anos de seguimento e grau de risco do carcinoma. No 1º ano pos tratamento inicial geralmente são recomendados doseamentos de tiroglobulina e anticorpos antitiroglobulina cada 6 a 12 meses, e uma ecografia cervical ao fim do primeiro ano de tratamento, repetida quando o médico assim o considerar.

Ao fim do 1º ano de vigilância, pode ser necessário o doseamento de tireoglobulina ( o marcador tumoral ) sob níveis elevados de TSH (hormona hipofisária). Existem duas alternativas para elevar a TSH. Uma das possibilidades, a única disponível até há poucos anos, consiste em suspender a medicação com hormona tiroideia (habitualmente a T4 por 3 a 4 semanas ou a T3 por 2 a 3 semanas). A falta de hormona tiroideia, no entanto, provoca os sinais e sintomas habituais do hipotiroidismo, que podem ter repercussões mais ou menos importantes, dependendo de doente para doente.

Outra possibilidade é a utilização de TSH recombinante humana (rhTSH). Apesar de ser produzida em laboratório, a rhTSH é idêntica à TSH natural. A grande vantagem é que os doentes não têm necessidade de suspender a medicação com hormona tiroideia e portanto não têm os sintomas de hipotiroidismo. Tem alguns efeitos secundários, tais como:

  • Pequena reacção no local da picada
  • Náuseas,
  • Vómitos,
  • Dor de cabeça,
  • Fraqueza após a injecção.

O que esperar para o futuro?

Apesar de não ter tiróide, pode ter uma vida perfeitamente normal com o tratamento hormonal qua a substitui. Vai necessitar de o manter para o resto da vida.

Consulte o seu médico para programar uma eventual gravidez. Os tratamentos com iodo radioactivo estão absolutamente contra-indicados na gravidez e aleitamento. Não pode engravidar nos 6 a 12 meses que se seguem ao tratamento. Nesta fase deve assegurar uma contracepção eficaz.

No entanto, assim que o seu médico o consentir, uma gravidez decorre de forma segura, desde que mantenha o tratamento com a hormona tiroideia e a vigilância analítica.

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As doenças da tiróide e a gravidez

Durante a gravidez há alterações fisiológicas no organismo da mãe que obrigam a glândula tiroideia a um esforço acrescido.

Até cerca das 20 semanas de gestação a tiroide fetal não sintetiza as hormonas necessárias para o desenvolvimento do feto pelo que este necessita das hormonas tiroideias produzidas pela mãe.

As hormonas da tiroide são indispensáveis ao desenvolvimento do sistema nervoso central fetal. Um défice destas pode-se traduzir mais tarde num atraso cognitivo ou dificuldades de aprendizagem da criança.

Que alterações no funcionamento da tiroide são normais durante a gravidez?

  • O aumento dos níveis de estrogénio no sangue materno condiciona um acréscimo das proteínas de transporte das hormonas tiroideias em circulação, o que conduz a um aumento dos níveis totais de hormonas tiroideias no sangue. Porém, as hormonas “livres” (não ligadas às proteínas e que representam a forma ativa da hormona) diminuem ao longo da gestação.
  • O aumento do volume sanguíneo e, portanto, do volume de distribuição das hormonas tiroideias (fenómeno de diluição) conduz a uma redução da concentração destas.
  • O aumento das perdas de iodo pela urina, a passagem deste através da placenta para o feto e a desiodização das hormonas tiroideias na placenta, implica que as necessidades de iodo durante a gravidez aumentem. Se não há iodo suficiente para a produção das hormonas tiroideias, estas vão entrar em défice.
  • A hCG (gonadotrofina coriónica humana), hormona de origem placentária, que atinge os valores mais elevados no fim do primeiro trimestre da gravidez estimula a tiroide, por semelhença estrutural com a hormona estimulante da tiróide (TSH). A valores mais elevados de hCG no 1º trimestre correspondem valores mais baixos de TSH.

Estas alterações próprias da gravidez traduzem-se em alterações das análises laboratoriais utilizadas para estudar o funcionamento da tiróide e obrigam a uma correcta interpretação dos resultados encontrados na mulher grávida.

As doenças da tiróide são frequentes na gravidez?

As doenças da tiróide são relativamente frequentes na população em geral e, em particular, no sexo feminino e também nas mulheres em idade fértil. A gravidez pode alterar a evolução natural das doenças da tiróide e as doenças da tiróide (e o seu tratamento) podem afetar a evolução normal da gravidez, a mulher grávida e o feto.

O diagnóstico é geralmente feito da mesma forma que é feito fora da gravidez. Geralmente fazem-se doseamento das hormonas tiroideias no sangue e uma ecografia da tiroide, que por ser um exame isento de radiação não tem qualquer efeito nocivo no feto.

É importante saber que, na gravidez, os resultados das análises poderão ter uma interpretação diferente, porque os valores de referência habituais apresentados pelo laboratório podem não ser adequados para a gravidez.

Quais são as doenças mais frequentes na gravidez?

Hipotiroidismo na gravidez

A carência materna de hormonas tiroideias (hipotiroidismo) pode atingir mais de 3% das gestações. Em alguns casos, esta situação já era conhecida pela mulher antes de engravidar e se não estiver tratada conduz geralmente a uma infertilidade.

A causa mais frequente de hipotiroidismo nesta idade, em países sem défice severo de iodo, é uma inflamação crónica da tiróide, de natureza auto-imune:

  • A tiroidite crónica auto-imune (linfocítica ou de Hashimoto).

Pensa-se que a Tiroidite Crónica se possa relacionar com um aumento da incidência de aborto e de parto pré-termo. Os sinais e sintomas do hipotiroidismo são inespecíficos e facilmente confundíveis com queixas frequentes na gravidez, tais como:

  • Aumento de peso,
  • Falta de forças,
  • Cansaço,
  • Obstipação,
  • Pode haver ainda um aumento do volume da glândula tiroideia, vulgarmente conhecido por bócio.

O tratamento é obrigatório e faz-se com levotiroxina (L-T4), a hormona que a tiróide produz em maior quantidade e que se pode transformar em T3 de acordo com as necessidades. Conforme dito anteriormente, o correcto tratamento do hipotiroidismo é essencial para o desenvolvimento neurológico do feto.

Se o hipotiroidismo já era conhecido antes da gravidez, a dose de levotiroxina necessita de ser aumentada, até 30% ou 50%, pelas 4 a 6 semanas de gestação. Após o parto, as necessidades de levotiroxina, em geral, diminuem para doses habituais na mulher não grávida, mesmo durante o período de amamentação.

Hipertiroidismo na gravidez

O excesso materno de hormonas tiroideias (hipertiroidismo) é uma situação mais rara que a anterior, mas pode atingir até 1% das grávidas. A causa mais frequente é a Doença de Graves, também de natureza auto-imune.

O hipertiroidismo não tratado relaciona-se com o aumento da incidência dos seguintes problemas de saúde na gravidez:

  • Aborto e de
  • Parto pré-termo,
  • Baixo peso ao nascer,
  • Pré-eclampsia,
  • Insuficiência cardíaca na mãe e no feto,
  • Morte intra-uterina.

A clínica apresentada pela mãe também é inespecífica, confundindo-se com queixas frequentes na gravidez, tais como:

  • Vómitos,
  • Emagrecimento,
  • Taquicardia,
  • Intolerância ao calor.

O bócio (aumento do volume da tiroide) associado a exoftalmia (procidência dos globos oculares) são sinais mais específicos que apontam para uma Doença de Graves. O hipertiroidismo na mulher grávida deve ser sempre tratado por um médico especialista – Endocrinologista.

Qual o tratamento do hipertiroidismo na gravidez?

No tratamento do hipertiroidismo no 1º trimestre ou da mulher que pretende engravidar, é preferido um fármaco que inibe a síntese tiroideia específico – o propiltiouracilo (Propycil®)– que apresenta menor risco de provocar malformações no feto.

No 2º e 3º trimestres, recomenda-se o tiamazol (Metibasol®), que é menos tóxico para o fígado. Se a cirurgia for necessária (o que é raro, geralmente por efeitos secundários graves dos fármacos), deverá ser realizada no 2º trimestre da gravidez, quando há menos riscos para o feto.

O tratamento com iodo radioativo na gravidez está absolutamente contra-indicado.

É provável que a doença de Graves melhore ao longo da gravidez, levando a uma redução das doses do tratamento, ou mesmo a sua suspensão, no entanto, poderá haver um agravamento da doença após o parto.

Tiroidites na gravidez

A tiroidite é um processo inflamatório da glândula tiroideia, em geral crónico e de natureza auto-imune. Os anticorpos antitiroideus (antiperoxidase tiroideia e antitireoglobulina) são detetados muito frequentemente em mulheres desta faixa etária (em 10% a 15% das grávidas). Os níveis destes anticorpos descem progressivamente durante a gravidez, mas podem subir de novo no pós-parto.

Mulheres com anti-corpos tiroideus positivos têm um risco aumentado de desenvolver hipotiroidismo durante a gravidez, pelo que a função tiroideia deverá ser vigiada pelo menos uma vez por trimestre. Estas mulheres têm maior tendência a desenvolver um processo de tiroidite nos primeiros 6 meses após o parto – tiroidite pós-parto.

A Tiroidite pós-parto caracteriza-se por uma inflamação indolor, com uma fase inicial de aumento dos níveis sanguíneos de hormonas tiroideias, seguido de normalização e posterior diminuição destes níveis hormonais. Habitualmente, esta situação tem uma resolução espontânea, mas há tendência para voltar após a gravidez seguinte. Cerca de 20% a 60% das mulheres com história de tiroidite pós-parto desenvolverão hipotiróidismo definitivo em 5 a 10 anos.

Doença Nodular e Cancro na grávida

A investigação dos nódulos da tiróide durante a gestação é semelhente à da mulher não grávida e inclui uma avaliação da função tiroideia através de análises sanguíneas, a realização de uma ecografia e de uma biopsia aspirativa, se indicado. O risco de cancro na mulher grávida é semelhente ao da mulher não grávida e a gravidez não agrava o seu prognóstico.

O diagnóstico de cancro da tiróide vai obrigar a uma cirurgia de remoção da glândula, que geralmente se adia para depois do parto. Em situações graves, poderá optar-se por uma intervenção cirúrgica no 2º trimestre, período da gravidez em que o risco é menor para o feto.

O tratamento com Iodo radioactivo, quando necessário, será sempre adiado para depois do parto, implicando um período de suspensão da amamentação.

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Doenças da tiroide e a amamentação

A necessidade de corrigir a disfunção tiroideia materna persistente após o parto com fármacos não é razão suficiente para não amamentar. Apesar de “passarem” para o leite, os fármacos utilizados nas doenças tiroideias podem ser utilizados durante a amamentação com pouco risco para o recém-nascido.

No hipertiroidismo, o fármaco a utilizar será o tiamazol (Metibasol®), pois o risco de provocar malformações já não se coloca. Não devem ser ultrapassadas doses de 20 mg/dia e a toma deverá ser feita antes do inicio da 1ª mamada do dia. O hipertiroidismo deve ser normalmente compensado com levotiroxina sem que haja risco algum para o feto.

Curiosidade

Quais são as principais glândulas endócrinas?

As principais glândulas endócrinas do nosso corpo estão representadas na figura seguinte:

Glandulas endócrinas melhorsaude.org melhor blog de saude

Concluindo

A tiroide regula imensas funções do nosso organismo. As doenças da tiroide são comuns principalmente entre as mulheres. Se sente simultaneamente alguns sintomas como um cansaço exagerado, fadiga, aumento da sensibilidade ao frio, pele mais seca, obstipação, dores musculares, formigueiro ou dormência dos membros, mais queda de cabelo então um quadro de hipotiroidismo pode estar a emergir. Se pelo contrário sente palpitações, aumento dos batimentos cardiacos, nervosismo, irritabilidade, insónia, tremor das mãos, diarreia e outros sintomas que provocam mal estar então pode estar perante um contexto de hipertiroidismo.

Estas e outras doenças da tiroide provocam uma perda muito acentuada da qualidade de vida interferindo até nas relações familiares que podem ficar muito degradadas se o diagnóstico não for feito e iniciado o tratamento adequado em tempo útil! Os sinais de doenças podem surgir em qualquer altura da nossa vida…! Não se descuide e procure apoio médico imediato pois na maioria dos casos o tratamento permite voltar a ter a qualidade de vida que merece para valorizar as coisas boas que surgem quando abraçamos a vida de forma positiva! A ciência actual não deixa dúvidas… acreditar e ser positivo aumenta bastante as probabilidades de viver mais anos!

Fique bem!

Franklim Fernandes

Fontes:

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