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12 FACTOS SOBRE ANTI-INFLAMATÓRIOS E DIGESTÃO

Anti-inflamatórios e digestão

Calcula-se que diariamente mais de 30 milhões de pessoas se socorrem de medicamentos denominados anti-inflamatórios não esteróides para aliviar queixas dolorosas variadas, como por exemplo ósseas ou articulares, ou simples dores de cabeça. Apesar da eficácia que estes medicamentos possam apresentar, eles podem ser responsáveis por algumas complicações que convém considerar.

As mais frequentes relacionam-se com o aparelho digestivo, nomeadamente na região do estômago, que após a toma destes fármacos pode tornar-se doloroso, apresentar úlcera, ou mesmo uma hemorragia. A maioria das vezes estes problemas aparecem subitamente, não havendo nenhum teste que permita prever que tal possa acontecer. Existem mesmo situações em que estes fármacos não devem ser consumidos, como acontece no período final de uma gravidez.

Que efeitos colaterais são mais frequentes aparecer no aparelho digestivo?

  • Dor na região do estômago
  • Azia
  • Náuseas
  • Vómitos
  • Alteração dos hábitos intestinais (diarreia ou obstipação)

Quem tem risco acrescido?

Todos aqueles que tomam medicamentos anti-inflamatórios têm algum risco de desenvolver problemas digestivos. Alguns contudo têm um risco mais elevado e estão mais susceptíveis de ter complicações. São os que:

  • Têm mais de 60 anos
  • Têm história prévia de úlcera do estômago ou duodeno
  • Tomam associadamente corticóides ou medicamentos que diminuam a coagulação do sangue
  • Consomem álcool regularmente
  • São fumadores
  • Tomam anti-inflamatórios em doses superiores às recomendadas pelo médico
  • Tomam anti-inflamatórios por longos períodos de tempo
  • Tomam simultaneamente outros medicamentos que contêm aspirina e outros anti-inflamatórios

Quais são os sinais de alarme?

Convém salientar que cerca de 80% das pessoas que apresentam problemas digestivos como consequência da toma de anti-inflamatórios, não têm previamente sintomas de alarme. De qualquer forma, deverá ser contactado de imediato o médico, caso algum dos seguintes se faça sentir:

  • Dor na zona do estômago
  • Aparecimento de fezes negras ou com sangue vermelho
  • Vómitos persistentes ou com sangue (negro ou vermelho)

É possível diminuir os riscos?

Algumas atitudes são desejáveis antes ou durante a toma de anti-inflamatórios:

  • Conhecer os seus próprios factores de risco
  • Se notar alguma alteração após o início da toma do medicamento, contactar o médico
  • Nunca ultrapassar a dose prescrita, a não ser por indicação médica
  • Evitar ou limitar a ingestão de álcool
  • Tomar após as refeições
  • Falar com o médico acerca dos medicamentos que podem reduzir o risco de complicações dos anti-inflamatórios (nomeadamente a hipótese de tomar em simultâneo medicamentos denominados anti-ulcerosos)
  • Avaliar a possibilidade de tomar outros medicamentos que aliviem a dor e que não sejam anti-inflamatórios (por exemplo paracetamol ou tramadol)
  • Falar com o médico antes de iniciar a toma diária de aspirina em baixas doses

Os anti-inflamatórios têm risco para outros órgãos?

Estudos recentes indicam que alguns anti-inflamatórios podem aumentar o risco de ataque cardíaco ou acidente vascular cerebral (AVC). Se existir doença cardíaca prévia ou factores de risco (tensão arterial elevada, colesterol elevado, tabagismo) e tiver necessidade de tomar anti-inflamatórios por períodos prolongados, converse com o médico acerca dos possíveis riscos cardiovasculares acrescidos. Existem ainda alguns outros efeitos colaterais possíveis sobre outros órgãos e sistemas:

  • Toxicidade renal
  • Anemia
  • Reacções cutâneas
  • Reacções alérgicas
  • Toxicidade sobre o fígado
  • Ataques de asma em pessoas que tenham a doença previamente

Perante a absoluta necessidade de tomar medicamentos anti-inflamatórios, deverá fazê-lo na menor dose possível, durante o mais curto espaço de tempo e preferencialmente sob orientação médica.

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Quais os anti-inflamatórios mais usados pela população em geral?

A prescrição de anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) continua muito concentrada em algumas moléculas clássicas, que além da acção anti-inflamatória apresentam também acção analgésica (combatem a dor ) e antipirética ( baixam a febre ), a saber:

  • Ibuprofeno ( Ex: Brufen®, Trifene®, Spidifen®, Nurofen® )
  • Diclofenac ( Ex: Voltaren® )
  • Naproxeno ( Ex: Naprosyn® )
  • Quetoprofeno
  • Nimesulide ( Ex: Nimed®, Aulin®, Jabasulide® )
  • Ácido acetilsalicílico ( Ex: Aspirina®, Lisaspin® )

Destes anti-inflamatórios o Nimesulide, por causa dos efeitos adversos, apenas deve ser utilizado como analgésico e no máximo durante 7 dias de 12 em 12 horas.

De um modo geral, julga-se que o ibuprofeno, o quetoprofeno e o naproxeno são mais suaves para o estômago do que a aspirina, embora poucos estudos tenham na realidade comparado estes fármacos. O ibuprofeno, o quetoprofeno e o naproxeno podem causar indigestão, náuseas, diarreia, acidez, dor de estômago e úlceras tal como a aspirina. Outros efeitos adversos incluem sonolência, vertigem, zumbidos nos ouvidos, perturbações visuais, retenção de água e dificuldades respiratórias.

Embora o ibuprofeno, o quetoprofeno e o naproxeno não prejudiquem mais a coagulação do sangue do que a aspirina, não se devem combinar com anticoagulantes como a varfarina, excepto sob estrita vigilância médica. Do mesmo modo, o controlo médico é necessário antes de administrar o ibuprofeno, o quetoprofeno e o naproxeno a indivíduos com problemas renais ou hepáticos, insuficiência cardíaca ou tensão arterial elevada.

Alguns fármacos prescritos para o coração e para a pressão arterial não actuam tão bem se forem combinados com esses anti-inflamatórios. Os indivíduos que tomam bebidas alcoólicas regularmente podem correr maior risco de afecção do estômago, úlceras e disfunção hepática.

Os doentes alérgicos à aspirina também podem sê-lo ao ibuprofeno, ao quetoprofeno e ao naproxeno. As erupções cutâneas, picadas ou dificuldades de respiração requerem uma atenção médica imediata.

Porque fazem mal ao estômago os AINEs?

Os fármacos anti-inflamatórios não esteróides bloqueiam a enzima cicloxigenase, que é crucial para a criação de prostaglandinas. As prostaglandinas são substâncias semelhantes às hormonas, que têm as seguintes funções:

  • Alteram o diâmetro dos vasos sanguíneos,
  • Elevam a temperatura corporal como resposta à infecção
  • Desempenham um papel crucial na coagulação do sangue, para além de outros efeitos.

A libertação no organismo de prostaglandinas, como resposta a uma lesão (Ex: queimadura, ruptura, entorse ou distensão muscular) produz inflamação, avermelhamento e inchaço.

Dado que as prostaglandinas desempenham um papel protector do aparelho digestivo contra o ácido gástrico, tomar aspirina ou um fármaco similar anti-inflamatório, pode causar perturbações gastrointestinais, úlceras e hemorragias. Todos os fármacos anti-inflamatórios não esteróides, incluindo a aspirina, podem causar acidez, indigestão e úlceras pépticas.

Os compostos com tampões podem diminuir os efeitos irritativos directos da aspirina. Estes produtos contêm um antiácido, que cria um meio alcalino que intensifica a dissolução da aspirina e pode reduzir o tempo durante o qual a aspirina está em contacto com o estômago. No entanto, dado que o tampão não pode contrariar a redução das prostaglandinas, a aspirina pode ainda irritar o estômago.

A aspirina com invólucro entérico foi fabricada para passar intacta através do estômago e dissolver-se no intestino delgado, minimizando a irritação directa. No entanto, a aspirina revestida deste modo é absorvida irregularmente. É provável que a ingestão de alimentos retarde o esvaziamento do estômago e, portanto, atrase a absorção deste tipo de aspirina e o alívio da dor.

Como e porque se forma uma inflamação?

Para entender melhor o processo inflamatório temos de falar primeiro sobre mediadores inflamatórios.
Uma lesão qualquer que danifique a membrana das diferentes células do organismo será capaz de liberar frações de fosfolipideos, denominados ácido araquidónico, através da ação enzimática da fosfolipase A2 (PLA2) que, no estado não ativado encontra-se na forma esterificada, ligada à membrana celular.

O ácido araquidónico, quando liberado, não tem ação anti-inflamatória, entretanto, os produtos de sua degradação, formados através das isoenzimas denominadas cicloxigenase (COX) e lipoxigenase, são mediadores químicos fundamentais para o desenvolvimento do processo inflamatório.

A quebra do ácido araquidônico pelas cicloxigenases (COX) origina as prostaglandinas (PGs) e tromboxanas (TXs). Enquanto que a quebra do ácido araquidônico pelas lipoxigenases origina os leucotrienos (LTs).

Como actuam os anti-inflamatórios?

Quando o processo inflamatório é muito exacerbado, o órgão afetado poderá ter a sua função comprometida. Nestes casos, devem ser utilizadas substâncias que modulem o processo inflamatório sendo tais substâncias conhecidas como anti-inflamatórias e são classificadas em:

  • Esteroides
  • Não esteroides.

Existem vários anti-inflamatórios não esteroides (AINES);
Estas ações decorrem, em grande parte, da ação inibitória sobre as enzimas que degradam o ácido araquidônico:

  • Cicloxigenase(COX)
  • Lipoxigenase.

O que diferencia as várias formulações comerciais dos AINES, no que se refere à potência de inibição nos processos inflamatórios, febris e dolorosos, é a sua ação sobre as diferentes isoenzimas, a biodisponibilidade, a bitransformação e a eliminação, nas diferentes espécies animais.

Os conhecimentos até hoje adquiridos sobre os mecanismos pelos quais atuam os diferentes agentes anti-inflamatórios têm demonstrado que:

  • A inibição seletiva da cicloxigenase desvia o catabolismo do ácido araquidônico para a via lipoxigenase, favorecendo a geração de LTs e levando, desta forma, a continuidade do processo inflamatório através de outros mecanismos.
  • Recentemente, verificou-se existirem pelo menos 2 tipos de cicloxigenases, que determinam no organismo diferentes funções fisiológicas:
    – a cicloxigenase 1 (COX-1);
    – a cicloxigenase 2 (COX 2) ou Coxibe.

Os produtos da quebra do ácido araquidônico pela COX-1 levam a formação de PGs relacionadas com reações fisiológicas renais, gastrintestinais e vasculares; enquanto os produtos originados pela cisão através da COX-2 (coxibe) levam a formação de PGs que participam dos efeitos inflamatórios.

Portanto, os anti-inflamatórios COX-2 ou COXIB  são, teoricamente, mais especificos e mais potentes que os COX-1 e com menos efeitos gastrointestinais adversos.

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O que são os anti-inflamatórios do grupo COXIBE?

São anti-inflamatórios de 2ª geração que por inibirem principalmente a COX-2 têm menos efeitos gastrointestinais adversos.

Os principais anti-inflamatórios coxibes são:

  • Celocoxib ( Celebrex®, Solexa® )
  • Etoricoxib ( Arcoxia®, Exxiv® )

Os Coxibes são mais seguros que os anti-inflamatórios clássicos?

Existem algumas dúvidas sobre o perfil de segurança dos Coxibes. Aparentemente são mais seguros ao  nivel gastrointestinal mas não ao nivel cardiovascular. Basta apenas lembrar que molécula aprovada e mais utilizada como anti-inflamatório nas crinaças é o ibuprofeno ( Brufen® ) por ter um melhor perfil de segurança global em relação a todos os outros anti-inflamatórios.

Qual o melhor e mais seguro anti-inflamatório?

O anti-inflamatório melhor, mais seguro e único usado no ambulatório em crianças é o ibuprofeno ( Brufen® ).  Existem opiniões divergentes na classe cientifica mas o ibuprofeno parece ser também o mais seguro nos adultos com a vantagem de ter uma excelente eficácia anti-inflamatória e analgégica, principalmente se for usada a dosagem de 600mg, no máximo de 8/8horas. No entanto não esqueça que tem sempre efeitos secundários principalmente gastrointestinais e em uso mais prolongado podem aparecer lesões na boca do tipo aftas. Por isso deve usar-se a menor dosagem eficaz possivel, que é geralmente 600mg de ibuprofeno de 12 em 12 horas.

Concluindo

Os anti-inflamatórios são uma excelente arma terapêutica no combate à inflamação com dor associada. No entanto são medicamentos com vários efeitos secundários nomeadamente do foro gastrointestinal. Os anti-inflamatórios de 2ª geração, do grupo coxibes, têm um perfil de segurança gastrointestinal melhor que os clássicos AINEs mas não são mais seguros ao nível cardiovascular.

A toma de um anti-inflamatório deve, sempre que possivel, ser aplicada em tratamentos de curta duração, poucos dias, de forma a evitar os efeitos secundários que são tanto mais provaveis quanto mais longo for o tratamento. No entanto quando as patologias inflamatórias são crónicas é necessário manter o tratamento e prescrever outros medicamentos que protejam o doente do aparecimento de efeitos secundários há muito conhecidos e que, nos casos de doença crónica, têm elevada probabilidade de surgir. O mais habitual é a toma simultânea de um “protector do estómago” a acompanhar a receita de um AINE.

Fique bem!

Franklim M. Fernandes

Fontes: Sociedade Portuguesa de Gastroenterologia;

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